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17/02/2019 Patrística – Wikipédia, a enciclopédia livre

Patrística
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Patrística é o nome dado à filosofia cristã dos três primeiros séculos, elaborada pelos Pais da Igreja, os primeiros
teóricos —- daí "Patrística" — e consiste na elaboração doutrinal das verdades de fé do cristianismo e na sua defesa
contra os ataques dos pagãos e contra todos que eram contra, denominadas heresias.

Foram os pais da Igreja responsáveis por confirmar e defender a fé católica, a liturgia, a disciplina, criar os costumes e
decidir os rumos da Igreja cristã, ao longo dos sete primeiros séculos do cristianismo. Basicamente, patrística é a
filosofia responsável pela elucidação progressiva dos dogmas cristãos e pelo que se chama hoje de tradição católica.

Quando o clero, para se defender de ataques polêmicos, teve de esclarecer os próprios pressupostos, apresentou-se
como a expressão terminada da verdade que a filosofia grega havia buscado, mas não tinha sido capaz de encontrar
plenamente, enquanto a Verdade mesma não tinha ainda se manifestado aos homens, ou seja, enquanto o próprio
Deus não havia ainda encarnado.

De um lado, se procura interpretar o cristianismo mediante conceitos tomados da filosofia grega, do outro reporta-se
ao significado que esta última dá ao cristianismo. Os primeiros pensadores cristãos, ao mesmo tempo em que se
valeram, também se debateram com os filósofos Platão e com Aristóteles, que, sobretudo, com os estoicos e com os
epicuristas. Perdendo os ideais da doutrina cristã primitiva, eles buscaram encontrar, frente à filosofia e aos filósofos,
o lugar apropriado da reflexão filosófica e do pensar cristão. Predominava muito o teocentrismo

Tratando-se de filosofia patrística, não devemos, como outrora,


“ pensar somente nas obras de filósofos que só foram filósofos. A
filosofia da patrística está antes contida nos tratados dos pastores de ”
alma, pregadores, exegetas, teólogos, apologetas que buscam antes
de tudo a exposição da sua doutrina religiosa. Mas ao mesmo tempo,
levados pela natureza das cousas e dada a ocasião, se põem - a
resolver problemas propriamente pertencentes à filosofia; e então,
pela força do assunto, versam a metodologia filosófica.
— Khaio Mendes, 2015.
A figura de maior destaque dessa corrente de pensamento cristão é Agostinho de Hipona.

Índice
Agostinho
Divisão didática
Ver também
Bibliografia
Ligações externas

Agostinho
Foi o maior filósofo da época Patrística, ele defendia a igreja contra os seus adversários pagãos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Patr%C3%ADstica 1/3
17/02/2019 Patrística – Wikipédia, a enciclopédia livre

A vida de Agostinho pode ser dividida em duas partes: Antes da conversão e depois da conversão. De acordo com
Jerônimo, seu contemporâneo, Agostinho "re-estabeleceu a antiga fé". Em seus primeiros anos, Agostinho foi muito
influenciado pelo maniqueísmo e, logo depois, pelo neoplatonismo de Plotino. Depois de se converter ao cristianismo
e aceitar o batismo (387), Agostinho desenvolveu uma abordagem original à filosofia e teologia, acomodando uma
variedade de métodos e perspectivas de uma maneira até então desconhecida. Acreditando que a graça era
indispensável para a liberdade humana, ajudou a formular a doutrina do pecado original deu contribuições seminais
ao desenvolvimento da doutrina da guerra justa.

Quando o Império Romano do Ocidente começou a ruir, Agostinho desenvolveu o conceito de "Igreja Católica" como
uma "Cidade de Deus" espiritual (na obra homônima) distinta da cidade terrena e material de mesmo nome. "A
Cidade de Deus" estava também intimamente ligada ao segmento da Igreja que aderiu ao conceito da Trindade como
postulado pelo Concílio de Niceia e pelo Concílio de Constantinopla.hoje

Na Igreja Católica e na Comunhão Anglicana, Agostinho é venerado como um santo, um proeminente Doutor da Igreja
e o patrono dos agostinianos. Sua festa é celebrada no dia de sua morte, 28 de agosto. Muitos protestantes,
especialmente os calvinistas, consideram Agostinho como um dos "pais teológicos" da Reforma Protestante por causa
de suas doutrinas sobre a salvação e graça divina.

Na Igreja Ortodoxa, algumas de suas doutrinas não são aceitas, como a da cláusula Filioque, do pecado original e do
monergismo. Ainda assim, apesar destas controvérsias, é considerado também um santo, sendo comemorado como
Abençoado Santo Agostinho no dia 15 de junho. Ainda assim, numerosos autores ortodoxos advogaram a favor de
suas obras e de sua personalidade, como Genádio II de Constantinopla e Seraphim Rose.

Agostinho defendia a ideia de que a Fé e a Razão não sobrevivem sem uma à outra, pois até esse momento o mundo
era dividido entre a razão (Filosofia) e a Fé (Igreja). Ele defendia que você não pode ter Fé sem Compreender algo, e
não pode Compreender algo sem ter Fé.

Agostinho também acreditava na inexistência de um mal, onde só o bem existe. Uma vez que, o mal é constituído pela
falta do bem, um exemplo prático seria da luz e da escuridão, na verdade a escuridão não existe, existe é a falta de luz
que traz a escuridão. Com essa afirmação podemos compreender que uma pessoa não é malígna por pussuir algum
mal, mas sim por não possuir o bem.

Divisão didática
A patrística divide-se geralmente em três períodos:

até ao ano 200 dedicou-se à defesa do cristianismo contra seus adversários (padres apologistas, como São
Justino Mártir).
até ao ano 450 é o período em que surgem os primeiros grandes sistemas de filosofia cristã (Santo Agostinho,
Clemente de Alexandria e outros).
até ao século VIII reelaboram-se as doutrinas já formuladas e de cunho original (Boécio, etc.).
Esta divisão da literatura patrística em três períodos é geralmente feita, mais didaticamente, da seguinte forma:

Período ante-niceno - corresponde ao período anterior ao concílio ecumênico de Niceia (324 d.C.). Geralmente
compreende os escritos surgidos entre o século I e início do século IV.
Período nicené alguns imediatamente posteriores ao concílio ecumênico de Niceia (324 d.C.). Geralmente
compreende os escritos surgidos entre o início do século IV até o final deste.
Período pós-niceno' - corresponde ao período compreendido entre os séculos V e VIII.
O legado da patrística foi passado à Escolástica.

Ver também
Doutores da Igreja

https://pt.wikipedia.org/wiki/Patr%C3%ADstica 2/3
17/02/2019 Patrística – Wikipédia, a enciclopédia livre

Tradição católica
Escolástica

Bibliografia
SPINELLI, Miguel. Helenização e recriação de
KERKER, Berthold; STUIBER Alfred. Patrologia. 2.
sentidos: a filosofia na época da expansão do
ed. São Paulo: Paulus, 2004.
cristianismo, séculos II, III, e IV. 2ª Edição Revisada e
DROBNER, Hubertus. Manual de Patrologia. Ampliada. Caxias do Sul: EDUCS (Editora
Petrópolis: Vozes, 2003. Universidade de Caxias do Sul), 2015.
HAMMAN, Adalbert G. Para ler os Padres da Igreja.
2. ed. São Paulo: Paulus, 1997. Soares , Beatriz. filosofia dos pensamentos
compreensivos ; filosofia na época do
HIRSCHBERGER, Johannes. História da Filosofia na
cristianismo , século III , e IV . Angra Dos Reis ;
Idade Média. Trad. Alexandre Correia. São Paulo:
recebido 2014
Herder, 1966.

Ligações externas
COCP - Central de Obras do Cristianismo Primitivo (http://www.veritatis.com.br/patristica)- Sítio integrado ao
Apostolado Veritatis Splendor que dispõe de muitas obras do período patrístico, em língua portuguesa.
COCP - Central de Obras do Cristianismo Primitivo (http://cocp.50webs.com)- Sítio integrado ao Apostolado
Veritatis Splendor - Domínio secundário, com um formato de página diferente do domínio principal.
Early Church Fathers - Dispõe de várias obras dos Santos Padres (http://www.ccel.org/ccel/pearse/morefathers/fil
es/morefathers.html) (em inglês)

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