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SÚMULA

AMBIENTAL
Ano XVIII nº 211
Setembro de 2014

BIODIVERSIDADE
A INDÚSTRIA E O
PROTOCOLO DE NAGOIA

Sistema FIRJAN | www.firjan.org.br


SISTEMA FIRJAN

C CAPA

PROTOCOLO DE NAGOIA: ACESSO A RECURSOS


GENÉTICOS E REPARTIÇÃO DE BENEFÍCIOS
Elisa Romano Dezolt
Especialista em Política e
Indústria – Confederação
Nacional da Indústria (CNI)

O Brasil é o país com a maior


biodiversidade e detentor de 15%
a 20% das espécies existentes
no mundo. Assim, o país tem um
papel chave na implementação
dos três objetivos da Convenção
sobre Diversidade Biológica (CDB):
a conservação da biodiversidade;
a utilização sustentável de seus
componentes; e a repartição de
benefícios oriundos desse uso.

O Protocolo de Nagoia é um
acordo vinculante aos países
signatários que visa implementar
o terceiro objetivo da CDB. Foi
adotado em 2010, durante a 10ª
Conferência das Partes, em Nagoia,
Japão. Visa definir regras para o
acesso a recursos genéticos e seus
derivados e aos conhecimentos
tradicionais associados e para a
repartição de benefícios advinda
de seu uso sustentável para os
países signatários. Com a ratificação a conservação e promover o uso Embora tenha tido um protagonismo
por 50 países em julho deste ano, sustentável desse patrimônio. importante nas negociações do
o Protocolo entra em vigor em Protocolo e tenha sido um dos
outubro de 2014, quando acontecerá O Protocolo compreende uma primeiros países a assiná-lo, o Brasil
o primeiro Encontro das Partes das 20 metas sobre biodiversidade ainda não o ratificou. Isso significa
do Protocolo. Até o momento, 52 para o período de 2010-2020. Sua que o país não poderá fazer parte,
países já o ratificaram. O Protocolo entrada em vigor significa o alcance, oficialmente, das negociações
reconhece que a biodiversidade ainda que parcial, da meta 16 do em torno da implementação do
possui valor econômico e que a Plano Estratégico da CDB que prevê, Protocolo. O processo de ratificação
repartição justa e equitativa desse até 2015, que o Protocolo de Nagoia passa pela aprovação do texto, em
valor é uma forma de incentivar entre em vigor e esteja em operação. sua íntegra e sem emendas, no

EXPEDIENTE: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) - Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ). Av. Graça Aranha nº 1 - CEP: 20030-002 -
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Rodrigues Pereira; Projeto Gráfico: DPZ; Design e Diagramação: Paula Barrenne; Produtor Gráfico: Ruy Saraiva; Impressão: Arte Criação.

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Congresso Nacional e em seguida Definição de Provedor de Recursos implementação do Protocolo de


pela ratificação da Presidência Genéticos e de Conhecimento Nagoia para a indústria, o Protocolo
da República. Tradicional Associado: O texto pode ser visto mais como uma
não deixa claro se o provedor de oportunidade do que como uma
Apesar de o Protocolo significar recursos genéticos é o país de ameaça para a indústria brasileira.
um avanço, ao pretender trazer origem ou o que obteve o recurso O Brasil, seja como provedor
segurança jurídica aos usuários e genético em conformidade com ou como usuário de recursos
provedores dos recursos genéticos, a CDB. No segundo caso, o Brasil genéticos, pode se beneficiar de
ainda há incertezas em torno de poderia ser ou não provedor, por uma indústria baseada no uso
seu texto. Seu nível de abrangência exemplo, de eucalipto, e deixaria de sustentável da biodiversidade.
permite diferentes interpretações e ser o único provedor de borracha.
modelos regulatórios diversos. Fica confuso também a quem A não ratificação do Protocolo pelo
pertence o recurso genético de uma Brasil implica que o país ficará de
O Protocolo de Nagoia remete coleção ex situ. fora de decisões cruciais, como
uma grande parte das decisões as definições do escopo e de
para as legislações nacionais. provedor de recursos genéticos.
Ou seja, cada país que ratificá- Países que aderiram ao Protocolo
lo definirá suas próprias regras, Como o futuro depende não terão a obrigação de verificar
que deverão ser cumpridas pelos o cumprimento das regras por
usuários da biodiversidade, sejam de variáveis diversas, parte de usuários da biodiversidade
esses nacionais ou internacionais. mas interligadas, é brasileira em seus territórios. Pode-
Essas regras devem seguir os importante que a indústria se ter como resultado, ainda, um
dispositivos constantes no texto do possível desestímulo de pesquisa
Protocolo, como, por exemplo, a
brasileira acompanhe os e utilização da biodiversidade
adoção do Consentimento Prévio avanços das discussões por usuários internacionais, que,
Informado pelo provedor e de e negociações em todos temendo insegurança jurídica,
Termos Mutuamente Acordados buscariam fontes alternativas
os fóruns relacionados ao
entre usuário e provedor (país) para de recursos da biodiversidade
a repartição de benefícios. Protocolo de Nagoia em países vizinhos que estão
cumprindo com o Protocolo.
PRINCIPAIS CERTEZAS E
INCERTEZAS DO PROTOCOLO Como o futuro depende de
Escopo: é certo que o Protocolo LEGISLAÇÕES NACIONAIS variáveis diversas, mas interligadas,
abrange os recursos genéticos Grande parte do que está previsto no é importante que a indústria
que estão sob jurisdição nacional, Protocolo deverá ser regulamentada brasileira acompanhe os avanços
os conhecimentos tradicionais pelas legislações nacionais dos das discussões e negociações
associados e os derivados de países signatários. Com isso, caberá em todos os fóruns relacionados
recursos genéticos de ocorrência aos países definir questões-chave ao Protocolo de Nagoia. É
natural. Por outro lado, está sujeita e determinantes para o estímulo ao imprescindível ainda que apoie a
à definição se commodities serão uso sustentável da biodiversidade. A reforma do marco legal interno
incluídas no seu escopo, assim repartição de benefícios é um dos que trata do acesso a recursos
como a biologia sintética, os pontos principais a serem definidos. genéticos e ao conhecimento
recursos genéticos para alimentação Caberá a cada país estabelecer quem tradicional associado e da
e agricultura e os recursos genéticos faz a repartição – qual elo da cadeia repartição de benefícios que
em áreas fora da jurisdição nacional produtiva, como será feita e o valor traga não somente segurança
(águas internacionais, por exemplo). – contratos negociados caso a caso, jurídica ao setor, mas também
Também está indefinido o escopo valor fixo padrão, acordos setoriais. que estimule o uso sustentável
temporal: recursos genéticos da biodiversidade brasileira,
obtidos em conformidade com A INDÚSTRIA BRASILEIRA incentivando investimentos em
a CDB antes da entrada em vigor E O PROTOCOLO atividades de pesquisa e inovação
do Protocolo, mas cuja utilização De acordo com estudo e fortalecendo empresas nacionais
ocorra após sua vigência, serão coordenado neste ano pela CNI para que estejam aptas a competir
objeto do Protocolo? sobre os impactos da adoção e no mercado externo.

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FIRJAN REINICIA PROJETO AMBIENTAL PARA MICRO E PEQUENAS EMPRESAS


Em outubro e novembro, o 2º Ciclo com a realidade das MPEs. Os
Campos 6/out
de Palestras em Gestão Ambiental participantes terão oportunidade
para Micro e Pequenas Empresas, de fazer networking com Nova Iguaçu 9/out
promovido pela FIRJAN, visitará empresas e órgãos de sua região
Niterói 16/out
diversos municípios fluminenses. e receberão o Manual de Gestão
O objetivo é apresentar de forma Ambiental para Micro e Pequenas Duque de Caxias 23/out
simples os principais aspectos Empresas, que está em sua
Nova Friburgo 30/out
de gestão ambiental que devem segunda edição.
ser implementados por empresas Santo Antônio de Pádua 3/nov
de pequeno porte para melhorar Em 2013, o Ciclo recebeu 261
Itaperuna 4/nov
sua performance e fomentar a participantes. As inscrições são
competitividade. Temas como gratuitas pelo 0800 0231 231. Mais Volta Redonda 26/nov
licenciamento ambiental e gestão de informações em meioambiente@
Rio de Janeiro 26/nov
resíduos serão tratados de acordo firjan.org.br. Confira o calendário:

ESTUDO MOSTRA RELAÇÃO DAS BRASIL DISCUTE NOVO


CIDADES COM EMISSÕES ACORDO DO CLIMA
O Carbon Disclosure Program Estão em andamento, no âmbito
(CDP) divulgou a terceira edição do da Convenção-Quadro das Nações
CDP Cities, uma publicação com Unidas sobre Mudança do Clima
dados sobre a gestão da mudança (UNFCCC), as negociações de
do clima em 110 cidades, sendo 11 um novo acordo multilateral.
brasileiras. Os dados apresentados Em substituição ao Protocolo de
tratam de planos de adaptação, Quioto, o acordo entrará em vigor a
riscos, oportunidades econômicas partir de 2020.
atreladas à mudança do clima e
gerenciamento de emissões de No Brasil, o processo de contribuições
gases de efeito estufa (GEE). dos interessados é coordenado pelo
Ministério das Relações Exteriores. A
O levantamento mostrou que todas as cidades primeira fase da consulta foi realizada
brasileiras participantes consideram que a mudança de 26 de maio a 22 de julho, com
do clima traz riscos, impactando a capacidades de as base em um questionário on-line.
empresas operarem com sucesso nessas cidades. As A partir das sugestões recebidas, foi
cidades também destacaram os riscos sociais atrelados elaborado um relatório com indicação
à mudança do clima, como aumento da incidência de de possíveis modalidades para a
doenças e do risco às populações já vulneráveis. contribuição nacional, disponível em
http://diplomaciapublica.itamaraty.
Apenas 3% das emissões totais reportadas no CDP gov.br/consultaclima-fase2. Esse
Cities são provenientes das cidades brasileiras; isso documento será submetido a novas
porque, apesar de algumas cidades brasileiras realizarem consultas públicas, em reuniões
inventário de emissões de GEE, esse número ainda é presenciais em setembro e por meio
muito pequeno. O CDP destaca que o inventário é uma eletrônico até 23 de novembro. A
ferramenta crucial para conhecer o perfil das emissões e versão final subsidiará a tomada de
promover políticas de redução das emissões. decisão, pelo Governo Federal, sobre a
contribuição que o Brasil apresentará
Para conhecer o CDP Cities 2013 Brasil, acesse nas negociações internacionais do
http://bit.ly/1lTCx1O. novo acordo sobre mudança do clima.

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E ESPAÇO
JURÍDICO

O DEVER DE VIGIAR E A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE


NA ÓTICA DA RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
Gustavo Kelly Alencar ao manter a condenação de um pelo dano ambiental, não são
Consultor Jurídico – Gerência particular por danos causados aceitas as excludentes de fato de
Geral Jurídica a terceiros em decorrência do terceiro, de culpa da vítima, de
Diretoria Jurídica – Sistema FIRJAN descumprimento do dever de caso fortuito ou de força maior.
vigiar, ao permitir a livre entrada Nesse contexto, a colocação
Os delineamentos da em sua propriedade, ao mesmo de placas no local indicando a
responsabilidade ambiental no tempo em que ali depositava presença de material orgânico
Direito Brasileiro já estão há resíduos tóxicos: não é suficiente para excluir a
muito solidificados na doutrina responsabilidade civil. STJ - REsp
e na jurisprudência. Podem ser DIREITO AMBIENTAL. 1.373.788-SP, Rel. Min. Paulo de
assim sintetizados: comprovado RESPONSABILIDADE CIVIL Tarso Sanseverino, julgado em
o nexo causal entre a conduta OBJETIVA POR DANO 6/5/2014.
comissiva ou omissiva (fazer ou AMBIENTAL PRIVADO. O
deixar de fazer) e o dano (no caso particular que deposite Outro elemento que cada vez
da responsabilidade civil, pois na resíduos tóxicos em seu mais se mostra vivo no estudo
responsabilidade administrativa terreno, expondo-os a céu da responsabilidade ambiental
basta o descumprimento da aberto, em local onde, apesar é a conjugação do instituto da
norma), o agente responde com da existência de cerca e função social da propriedade com
base na teoria do risco integral. de placas de sinalização a tutela do meio ambiente e, por
Ou seja, é irrelevante o elemento informando a presença de conseguinte, da responsabilidade
“culpa” e não se aplicam as material orgânico, o acesso ambiental. Mais do que uma
excludentes tradicionais de de outros particulares seja responsabilidade derivada da culpa
responsabilidade como o caso fácil, consentido e costumeiro, in vigilando do proprietário, é a
fortuito e a força maior. Também responde objetivamente pelos constatação de que compete ao
responde aquele que, de algum danos sofridos por pessoa mesmo recompor o meio ambiente
modo, se beneficiar do dano que, por conduta não dolosa, danificado em área de sua
ambiental. tenha sofrido, ao entrar na propriedade, independentemente
propriedade, graves queimaduras de o dano ter sido gerado por ele,
Mas há desdobramentos. Com decorrentes de contato com por terceiro, ou até mesmo pela
relação às omissões, há a os resíduos. (...) Imputa-se própria natureza (casos de força
responsabilização quando o agente objetivamente a obrigação de maior). É da função social do direito
exerce atividade potencialmente indenizar a quem conhece e de propriedade, combinado com o
poluidora e deixa de adotar as domina a fonte de origem do dever de proteger e tutelar o meio
medidas de cautela necessárias, risco, devendo, em face do ambiente, do qual decorre o dever
respondendo também por fato de interesse social, responder pelas de recompor, reparar e desfazer o
terceiro quando deixa de cumprir consequências lesivas da sua dano. Na prática, é a combinação
com o ônus de adoção de medidas atividade independente de culpa. dos artigos 5º, XXIII c/c Art. 225 c/c
fiscalizatórias adequadas sobre (...) A teoria do risco integral Art. 170, VI da Constituição Federal.
área de seu domínio, o que é constitui uma modalidade
denominado culpa in vigilando. extremada da teoria do risco em Assim, deve o proprietário de terras,
Sim, esta também seria uma que o nexo causal é fortalecido bem como o que exerce atividade
excludente da responsabilidade de modo a não ser rompido potencialmente poluidora, vigiar
que é afastada quando falamos de pelo implemento das causas que de forma ativa e plena os reflexos
responsabilidade ambiental. normalmente o abalariam (v.g. gerados por sua atividade, os
culpa da vítima; fato de terceiro, limites e a extensão das áreas de
Recentemente, o Superior Tribunal força maior). (...) Nesse mesmo sua propriedade, com especial
de Justiça reafirmou a tese de sentido, extrai-se da doutrina atenção às áreas de reserva legal e
responsabilização por omissão que, na responsabilidade civil APPs porventura existentes.

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FIRJAN DEBATE LOGÍSTICA REVERSA E SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS


Questões legais relacionadas à estudos de caso de sucesso em Peter Skals, representante da
logística reversa foram discutidas logística reversa: o Programa Jogue Dinamarca da Coloplast, empresa
no Workshop “Resíduos, Limpo, do Sindicato Nacional das global de soluções em saúde,
Tecnologias e Soluções”, Distribuidoras de Combustíveis e de apresentou a importância do
organizado pelo CTS Ambiental e Lubrificantes (Sindicom); o Sistema ecodesign no desenvolvimento
pela Rede SENAI de Meio Ambiente, Campo Limpo, de embalagens de processos de Pesquisa e
em agosto. O debate contou com de agrotóxicos, do Inpev; e o Desenvolvimento e as ferramentas
a participação do Superintendente Reciclanip, de pneus. utilizadas para garantir a melhoria
da Secretaria de Estado do ambiental dos produtos.
Ambiente (SEA), Victor Zveibil, A valorização energética dos
e da presidente da Comissão resíduos por meio da gaseificação Mais informações sobre os
Permanente de Saneamento por plasma também foi abordada resultados do evento com o Setor
Ambiental, Aspásia Camargo. – pela empresa canadense de de Gestão Ambiental do CTS
Os participantes conheceram soluções energéticas AlterNGR. Ambiental: (21) 3978-6141.

ABERTA CONSULTA PÚBLICA PARA LOGÍSTICA REVERSA


As propostas de acordos site do Ministério do Meio adequadas aos termos do edital.
setoriais para a logística reversa Ambiente: www.mma.gov.br. As No caso das embalagens em
de lâmpadas e de embalagens sugestões devem ser objetivas e geral, a proposta é assinada por
em geral entram em consulta fundamentadas. 20 entidades representativas de
pública por 30 dias a partir comerciantes e fabricantes, além
de 15 de setembro. Qualquer A minuta do acordo para da participação dos catadores de
interessado pode se manifestar lâmpadas é uma versão unificada recicláveis.
por meio do formulário de duas propostas inicialmente
que será disponibilizado no apresentadas, que foram

P PLs EM
TRAMITAÇÃO

ALERJ

Incentivo fiscal – O PL 2.588/2009 estende a diversos municípios os benefícios de crédito presumido e diferimento
de ICMS para empresas destinadas à reciclagem. Em 21/08/2014 recebeu parecer favorável da Comissão de
Orçamento, Finanças, Fiscalização Financeira e Controle.

CÂMARA DOS DEPUTADOS

Técnico ambiental – O PL 2.775/2011 obriga a contratação de técnico em meio ambiente nas empresas
sujeitas a licenciamento ambiental. Em 15/05/2014 recebeu parecer do relator da Comissão de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável pela aprovação, com emenda.

Cidades sustentáveis – O PL 4.095/2012 altera o Estatuto das Cidades, incluindo artigos no sentido da promoção
da sustentabilidade nas cidades, tratando de aspectos como uso racional da água, permeabilização dos terrenos
urbanos e mobilidade urbana. Em 21/05/2014 recebeu parecer da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável pela aprovação.

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T TECNOLOGIA
AMBIENTAL

CONEMA 44: PROCEDIMENTOS PARA MELHORIA DA GESTÃO DE


ATIVIDADES INDUSTRIAIS COM POTENCIAL DE CONTAMINAÇÃO

Clleo Pires Licenciamento Ambiental (SLAM), que é a base para os


Setor de Passivos Ambientais processos de licenciamento ambiental no estado. Isto
CTS Ambiental ocorre principalmente com duas licenças específicas:
a Licença Ambiental de Recuperação (LAR) e a
Os constantes avanços nos estudos de áreas Licença de Operação e Recuperação (LOR), que estão
contaminadas, motivados pela necessidade de relacionadas com processos de recuperação de áreas
reabilitar e recuperar áreas já atingidas, bem como de contaminadas ou degradadas.
evitar o surgimento de novos processos com práticas
nocivas ao meio ambiente e à população, contribuem A LAR consiste na aprovação, pelo órgão ambiental,
para a criação de novas legislações ambientais que da remediação, descontaminação ou eliminação
forneçam diretrizes e exigências a serem cumpridas de passivos ambientais, especialmente em áreas de
pelas empresas com atividades empreendimentos fechados,
potenciais de contaminação. abandonados ou desativados.
Já a LOR consiste em
Um exemplo desse tipo de autorização para operação de
A LAR consiste na
legislação é a Resolução Conema atividade ou empreendimento,
n° 44 de 14/12/2012, que aprovação, pelo órgão concomitantemente com o
“dispõe sobre a obrigatoriedade ambiental, da remediação, processo de recuperação de
da identificação de eventual descontaminação ou passivos ambientais existentes na
contaminação ambiental do solo área.
e das águas subterrâneas por
eliminação de passivos
agentes químicos, no processo ambientais A Conema nº 44 requer a
de licenciamento ambiental realização de estudos prévios
estadual”. É uma legislação sobre a existência de passivos
estadual que exige a realização ambientais em áreas pendentes
do Estudo de Avaliação Preliminar de licenciamento e classifica as
e, se necessário, de Investigação áreas, com base nesses estudos,
Confirmatória, bem como a em Área com Potencial de
apresentação desses relatórios na Contaminação (AP), Área Suspeita
abertura ou renovação do processo de Contaminação (AS) e Área
de licenciamento ambiental. Essa Contaminada (AC) – vide valores
exigência é de suma importância. estabelecidos pela Conama nº
Ela promove a necessidade 420/2009. Dessa forma, ajuda
da identificação de passivos a definir previamente qual
ambientais, possibilitando a das licenças relacionadas à
recuperação da qualidade da água recuperação deve-se conceder,
e do solo de áreas degradadas por se na área constar algum tipo de
ações antrópicas para que possam contaminação.
recuperar suas funções sociais,
econômicas e ambientais. É possível notar que a Conema nº
44 denota a importância crescente do Gerenciamento
A resolução utiliza-se de parâmetros existentes na de Áreas Contaminadas, e representa mais uma
Conama nº 420/2009, que estabelece critérios e valores força, juntamente com outras legislações ambientais
de referência para qualidade de água e solo e diretrizes também citadas, na luta por um desenvolvimento
de gerenciamento de áreas contaminadas, e nas normas industrial e urbano preocupado com o meio ambiente
ABNT 15.515-1 e 2, que caracterizam os processos e com a saúde da população, ao obrigar que os
de Avaliação Preliminar e Investigação Confirmatória. passivos sejam identificados para que possam ser
Vale ressaltar sua grande conexão com o Sistema de tratados e recuperados.

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A AGENDA
AMBIENTAL

Outubro e Ciclo de Palestras em Gestão Ambiental para Micro e Pequenas 0800 0231 231
novembro de Empresas meioambiente@firjan.org.br
2014 Diversos municípios – RJ www.firjan.org.br
2º Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto – Os Novos (31) 3444-4794
13 a 17 de
Rumos da Avaliação de Impacto Ambiental etica@eticaeventos.net.br
outubro de 2014
Ouro Preto – MG www.avaliacaodeimpacto.org.br
(31) 3273 5682
19 a 22 de 2º Simpósio Brasileiro de Saúde & Ambiente
sibsa@abrasco.org.br
outubro de 2014 Belo Horizonte – MG
www.sibsa.com.br
28 de outubro a Curso “Gestão, Contabilidade e Comunicação para a
0800 970 9556
8 de novembro Sustentabilidade Empresarial”
www.cce.puc-rio.br
de 2014 Rio de Janeiro – RJ
0800 0231 231
29 de outubro de Seminário Indústria e Mitigação da Mudança do Clima
meioambiente@firjan.org.br
2014 Rio de Janeiro – RJ
www.firjan.org.br
12 de novembro 4ª EAEX - Encontro Anual de Atmosferas Explosivas 0800 0231 231
de 2014 Rio de Janeiro - RJ www.firjan.org.br

P PRÁTICAS
AMBIENTAIS

AMOSTRAGEM DE DUTOS E CHAMINÉS


Thiago Martelo determinação da concentração e disso, a Inpel já vinha trabalhando
Assistente de Atendimento quantidade dos poluentes emitidos sobre as análises atmosféricas
pela chaminé ou dutos de um para atender à Resolução Conama
Ricardo Luiz Oliveira da Silva processo industrial. Essas medições nº 436/2011, que estabelece os
Especialista de Negócios em são fundamentais para o cálculo limites de emissões de poluentes
Serviços Tecnológicos da eficiência dos equipamentos de atmosféricos”.
CTS Ambiental controle, parâmetros de projeto,
informações para estudo de A amostragem de dutos e chaminés
Segundo a Resolução Conama dispersão atmosférica, balanços de é um dos passos para a melhoria
nº 03/1990, poluente atmosférico massa e verificação do atendimento do processo de produção e
é toda matéria ou energia de padrões de emissão. para identificar possibilidades de
com intensidade e quantidade, desenvolvimento de processos
concentração, tempo ou Buscando avaliar suas emissões, a e tecnologias mais eficientes. O
características em desacordo com os Indústria de Papéis de Pádua (Inpel) monitoramento adequado agrega
níveis estabelecidos em legislação, contou com a consultoria do CTS valor ao produto. Os benefícios
que tornem ou possam tornar o Ambiental para realizar medições são a possibilidade de melhorar os
ar impróprio, nocivo ou ofensivo à em seus dutos. “A Inpel vem processos de controle de emissões
saúde, inconveniente ao bem-estar buscando a prevenção e diminuição e de garantir a legalidade referente
público, danoso aos materiais, à fauna dos impactos ambientais gerados às questões ambientais junto aos
e à flora ou prejudicial à segurança, em suas atividades. O objetivo é órgãos fiscalizadores.
ao uso e gozo da propriedade e às estar sempre de acordo com as
atividades normais da comunidade. regulamentações do Ibama e do Inea.
Todo esse trabalho tinha o objetivo Para saber mais sobre as
No Rio de Janeiro, o Promon Ar de regularizar os documentos para soluções do CTS Ambiental,
(Resolução Conema nº 26/2010) obtenção da licença operacional, da contate nossos especialistas:
exige o monitoramento periódico qual já estamos de posse”, comentou 0800 0231 231 / 4002-0231 /
das emissões e da qualidade do ar. o coordenador de Meio Ambiente faleconosco@firjan.org.br.
O procedimento é realizado por Edson Moraes. “Independentemente

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