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Caderno Economia Política

I.
Escassez e eficiência:
 Necessidades infinitas e recursos limitados (capital, terra, trabalhadores, bens,
dinheiro, tempo)
 Eficiência de Preto: a economia usa os recursos de tal forma que já não é
possível melhorar a situação de alguém sem piorar a de outrem.

Microeconomia: “Mão Invisível” (Adam Smith) cada um procurando o que é melhor


para si, seguindo o próprio interesse, e interagindo com os outros num mercado
concorrencial acabam por levar a economia a uma solução socialmente eficiente
Macroeconomia: Desempenho global da economia – preocupação com os ciclos
económicos, o desemprego e a inflação conjuntural.
O objetivo central da ciência económica é a melhoria das condições de vida das
pessoas nas suas vidas do cotidiano.

Problemas da organização económica. -Que mercadorias produzir e em que


. quantidade?
- Como são produzidos os bens?
- Para quem são produzidos os bens?

Há diferentes sistemas económicos que respondem de forma diferente a estas


questões: economia de direção estatal vs. economia de mercado

Possibilidades de produção
Inputs (fatores de produção): Bens e serviços usados para produzir os bens, com uma
determinada tecnologia – terra ou recursos naturais, trabalho e capital.
Outputs: Bens e serviços que resultam da produção e são usados em consumos ou
incorporados na produção de outros bens
A fronteira de possibilidades de produção • Economia que só produz dois bens: manteiga vs.
armas. • Usando todos os seus recursos a produzir manteiga há um limite máximo de
produção de manteiga, o mesmo acontecendo com as armas. • Usando todos os recursos
podem ser escolhidas n combinações de manteiga e armas, sendo que a opção por aumentar a
produção de manteiga implica reduzir a produção de armas, desviando inputs da produção de
armas para a produção de manteiga. Ver gráficos no PowerPoint

Custo de oportunidade • Num mundo de escassez a escolha de algo implica abdicar de alguma
outra coisa. O custo do que se escolhe é medido pelo valor do que melhor se perde. • Na
passagem de C para D o custo de oportunidade de aumentar a produção de manteiga é
medido em termos da quantidade de armas que se deixa de produzir. • Eficiência na produção:
a economia está sobre a fronteira de possibilidades de produção (U não é um ponto eficiente).
Isso significa que a economia não pode produzir mais de um bem sem deixar de produzir
menos do outro. • Quando há desemprego de recursos a economia não está num ponto
eficiente

Incentivo: Algo que leva uma pessoa a agir (por exemplo a perspetiva de receber um
prémio ou de receber uma punição).
• Se os preços de um bem sobem as pessoas têm um incentivo a consumir menos
desse bem, trocando-o por outro que satisfaça a mesma necessidade e cujo preço não
se alterou. Por outro lado, os produtores do bem cujo preço subiu têm um incentivo a
produzir mais desse bem.
Por exemplo:
• A isenção de pagamento de imposto único de circulação (IUC) aos veículos elétricos
incentivam a sua compra.
• A tributação dos sacos plásticos desincentivou o seu uso pelos consumidores.
Método Científico
Observação – Teoria– Mais observação
• Os economistas usam a observação e a formulação de teorias, procurando testá-las,
mas têm uma dificuldade que é a realização de experiências. É difícil manipular a
realidade para gerar resultados. No entanto, tem-se desenvolvido um campo novo de
economia experimental, em que se fazem testes de laboratório a indivíduos para ver
as suas reações em determinadas condições previamente preparadas. Os economistas
estabelecem pressupostos para simplificar o mundo real
Por exemplo: assumir a existência de apenas dois bens ou de apenas dois países,
considerando todos os demais elementos que não estão em observação como
constantes (cetiris paribus). Os economistas produzem modelos económicos.
Diagramas, equações que representam mapas de comportamentos ou interações.
• Um mapa das estradas simplifica a realidade, mas qual seria a utilidade de um mapa
do tamanho do mundo real?
Mecanismo de mercado: Um mercado é um mecanismo segundo o qual compradores
e vendedores interagem para determinar preços e trocar bens, serviços e ativos
Milhões de empresas e consumidores fazem voluntariamente relações de comércio em
que cada um procura melhorar a sua situação económica, sendo todas as ações
invisivelmente coordenadas pelo sistema de preços e pelos mercados.
Os problemas económicos são resolvidos sem que haja uma entidade responsável para
resolver os grandes problemas económicos (o que produzir e em qual quantidade,
como e pra quem)
• Preços: termos em que os bens podem ser trocados e são sinais para os compradores
e vendedores (e. g., se os consumidores querem maior quantidade do bem, os preços
subirão).
Equilíbrio de mercado: Aqueles preços que levam a que os compradores desejem
comprar exatamente as quantidades produzidas pelos vendedores constituem um
equilíbrio entre a procura e a oferta.
Todos os mercados individualmente considerados tendem para um equilíbrio,
estabelecendo-se automaticamente os preços que garantem que a procura iguale a
produção. Tal acontecendo em todos os mercados gera-se um equilíbrio geral do
mercado. Através de lucros e perdas as empresas vão produzindo eficientemente no
mercado os bens e serviços na quantidade desejada.
Em 1776, Adam Smith disse “o interesse privado pode levar ao ganho coletivo quando
tem lugar num mercado que funciona bem.” Foi demonstrado na economia que
dentro de determinadas condições, uma economia concorrencial é eficiente.
Contudo, depois de dois séculos de reflexão, reconhece-se que tal resultado é muito
limitado. De fato, existem “falhas de mercado”, que fazem com que os mercados nem
sempre levem à eficiência. Algumas falhas de mercado:
• Monopólios e concorrência imperfeita;
• Efeitos externos às relações de mercado que afetam terceiros;
• Bens públicos; • Deficiências na transmissão da informação;
• Distribuição do rendimento eticamente ou politicamente inaceitável.
Quando qualquer destes elementos acontece, a doutrina da “mão invisível” é
contrariada e a “mão visível do Estado” é chamada a intervir.
Moeda: é um facilitador das trocas no mercado, sendo utilizada como método de
pagamento
Inflação: O controle da massa monetária pelos bancos centrais – política monetária
macroeconómica
Capital: é um input produzido na economia e também um output, Tangível (máquinas,
software, computadores, edifícios), Intangível (know-how, goodwill, marca) ou
Financeiro (ativos financeiros)
A obtenção de capital exige que se abdique de consumo, poupando, de forma a
financiar a produção de bens de capital
• Para investir (produzir novo capital) é necessário poupar
Associado ao capital estão os direitos de propriedade.
• Dão a possibilidade aos que possuem capital de explorar o seu uso, permitindo
apropriação de lucros – capitalismo. Contudo, os direitos de propriedade são limitados
pela sociedade (regras e obrigações na construção, limitações à poluição, limitações de
segurança, ruído, e outras, quanto às formas de uso de capital).
Circuito Econômico
Economia simplificada com dois tipos de decisores: as empresas e as famílias.
 As empresas produzem bens e serviços (output) com base mos inputs
recebidos (fatores de produção: trabalho, terra e capital)
 dois mercados: mercado dos fatores de produção e mercado de bens e
serviços.
 A par deste circuito “real” existe o circuito “financeiro: empresas recebem o
dinheiro das vendas de bens e serviços e pagam os salários, rendas, juros e
lucros (rendimento) aos fatores de produção que revertem para as famílias e
que lhes permitem fazer despesa na compra de bens e serviços.

Elementos básicos da procura e da oferta


 Procura: relação entre o preço e a quantidade procurada (quantidade de um
bem que os indivíduos estão dispostos a comprar a cada preço)
Lei da procura: mantendo tudo o resto constante (cetiris paribus), a quantidade
procurada de um bem cai com a subida do preço.
• Trata-se de uma “lei normal”, nem sempre acontece. Por exemplo, bem de luxo
cujo preço sobe e faz desse bem um maior símbolo de “status social”, pelo que a
procura pode aumentar.
• Alterações nas curvas da procura • Variáveis que podem influenciar a alteração da curva da
procura: - Rendimento; - Preço de bens relacionados; - Gostos; - Expetativas; - Número de
compradores.

 Oferta: quantidade oferecida: a quantidade que os vendedores / produtores estão


dispostos a vender

Lei da oferta: Mantendo tudo o resto constante (cetiris paribus) a quantidade


oferecida de um bem aumenta quando o preço do bem aumenta;
• Quando o preço do bem é elevado, torna-se lucrativo vender o bem e vice versa,
admitindo que não se alteram os preços dos fatores de produção.
• A um baixo preço os vendedores / produtores menos eficientes preferem fechar,
pois não conseguem que o exercício da atividade seja lucrativo.
•Alterações da curva da oferta • Variáveis que podem influenciar a alteração da curva
da oferta: - Preços dos inputs; - Tecnologia - Expetativas - Número de vendedores

 Equilíbrio: a procura e a oferta juntos


 Equilíbrio: situação em que o mercado atingiu o nível em que a
quantidade oferecida iguala a quantidade procurada;
 Preço de equilíbrio: preço que faz com que a oferta igual e a procura;
 Quantidade de equilíbrio: a quantidade oferecida e a quantidade
procurada ao preço de equilíbrio;
 Excedente: situação em que a quantidade oferecida é superior à
quantidade procurada;
 Escassez: situação em que a quantidade oferecida é inferior à quantidade
procurada.
Controle de Preços:
Price ceiling = Teto máximo de preço
Ex de teto máximo de preços: controlo das rendas no mercado da habitação

Elasticidade preço da procura

 Elasticidade: medida da resposta da quantidade procurada ou da quantidade


oferecida a uma alteração de um dos seus determinantes (preço, rendimento).
 Elasticidade preço da procura: uma medida de quanto a quantidade
procurada de um bem responde a uma alteração de preço do bem,
calculada como a alteração percentual na quantidade procurada
dividida pela percentagem de alteração do preço.
• Diz-se que a procura de um bem é elástica quando a quantidade
procurada responde muito a uma alteração de preço (normalmente
quando é superior a 1 – convencionou-se retirar o sinal negativo);
• Diz-se que a procura de um bem é inelástica quando a quantidade
procurada responde pouco a uma alteração do preço (normalmente
quando varia entre zero e a unidade).
• Quando a elasticidade preço da procura é igual 1, a percentagem
de alteração da quantidade procurada é igual à percentagem de
alteração do preço.
De que depende a elasticidade preço da procura? • Da existência ou não de substitutos
• Se se trata de um bem de primeira necessidade ou de um bem de luxo • Definição do
mercado (fronteiras geográficas, por exemplo) • Horizonte temporal
 Elasticidade preço da oferta: percentagem de alteração da
quantidade fornecida dividida pela percentagem de alteração do
preço.
• Diz-se que a oferta de um bem é elástica quando a quantidade
oferecida responde muito a uma alteração de preço (normalmente
quando é superior a 1);
• Diz-se que a oferta de um bem é inelástica quando a quantidade
oferecida responde pouco a uma alteração do preço (normalmente
quando varia entre zero e a unidade).
• Quando a elasticidade preço da oferta é igual 1, a percentagem de
alteração da quantidade oferecida é igual à percentagem de
alteração do preço.
• De que depende a elasticidade preço da oferta? • Flexibilidade dos produtores /
vendedores para mudarem a quantidade de bem que produzem; • Horizonte temporal:
curto prazo vs. longo prazo.

 Aplicações da elasticidade - Grau de substituibilidade dos produtos; - Reação das


quantidades a políticas de governo (salário mínimo, controlo de preços, impostos); -
Previsão de reações a acontecimentos que alteram os preços

Teoria da Utilidade (Bernoulli, Jeremy Bentham, William Jevons, Vilfredo Pareto, John
Hicks, Paul Samuelson)
 Utilidade: valor em termos de grau de satisfação com que os consumidores
ordenam as opções de consumo em cada momento.
 Medição da satisfação (prazer) subjetivo que um consumidor retira do consumo
de um bem.
Lei das utilidades marginais decrescentes: cada unidade adicional de um bem confere
cada vez menos utilidade ao consumidor desse bem.
• Ou seja, a utilidade marginal de cada nova unidade é cada vez menor.
Derivação de curvas da procura: O princípio da igualdade das utilidades marginais
ponderadas pelos preços entre os bens
Assume-se que cada consumidor procura maximizar a sua utilidade em cada
momento, ou seja escolhe a melhor combinação de bens que está disponível.
Assume-se que os consumidores possuem um dado montante de rendimento e se
deparam perante um conjunto de preços dos bens.
• Qual a regra para escolher a melhor combinação de bens? • Não se espera que o último ovo
consumido gere a mesma satisfação (utilidade marginal) que o último par de sapatos, dado que
o par de sapatos tem um preço muito superior (exige gasto de mais rendimento) do que o ovo.
Assim, se o par de sapatos custa 10 vezes mais do que o ovo, só se escolhe o par de sapatos
quando a sua utilidade marginal é pelo menos 10 vezes superior à do ovo
REGRA: Tendo em conta a utilidade marginal decrescente dos bens, o consumidor maximizará a
sua utilidade (ou máxima satisfação) , quando gastar o seu rendimento de forma a que a
utilidade marginal do último euro gasto num bem é exatamente igual à utilidade marginal do
último euro gasto noutro bem (se assim não fosse, mais valia alterar o uso do último euro,
deixando de consumir o bem cuja utilidade marginal é menor e usando-o para consumir o bem
com maior utilidade marginal. • Por simplificação admite-se que o dinheiro e as unidades dos
bens são perfeitamente divisíveis até ao infinito.

Derivação de curvas da procura: Igualdade de utilidades marginais ponderadas pelos


preços

 Os consumidores vão gastando cada unidade de rendimento nos bens com


maior utilidade marginal por euro, até chegarem ao ponto em que gastam a
última unidade de rendimento, sendo que nesse ponto a utilidade marginal de
cada bem por euro é igual entre os bens.

Derivação da curva da procura


• A curva da procura tem uma inclinação negativa • Imagine-se que o preço do bem X
sobe, então a relação entre a sua utilidade marginal e a dos outros bens torna-se
desfavorável, o que leva o consumidor a abandonar um pouco o consumo desse bem,
trocando-o pelo consumo de outros. À medida que reduz o consumo do bem X a sua
utilidade marginal está a aumentar, acontecendo o contrário nos bens que passam a ser
mais consumidos. A alteração de consumo entre bens termina quando as utilidades
marginais ponderadas pelos preços se igualam novamente. • Daqui se depreende que o
aumento do preço do bem X provocou a redução da quantidade procurada: inclinação
negativa da curva da procura.

 A teoria das utilidades marginais pode também ser aplicada à alocação do


tempo e não apenas do rendimento (escolha entre trabalho e lazer, escolha dos
diferentes usos do tempo, tendo em conta que é um recurso limitado)

A Perspetiva da Economia Comportamental: behavioral economics (George Akerlof, Daniel


Kahneman, Vernon L. Smith)

 Segundo essa análise os indivíduos são matemáticos, sempre a efetuar cálculos.


Muitas das vezes as pessoas agem por pura rotina.
 Se assume que as pessoas tendem a ser consistentes com as suas escolhas e
buscam fazer escolhas de forma a conseguir a maior satisfação possível.
Entretanto algumas vezes elas cometem erros, comprando itens desnecessários
e caindo nas armadilhas de vedas agressivas
 Nova área da ciência económica – economia comportamental – que tem em
conta que as pessoas têm pouco tempo, fraca memória, informação imperfeita,
distorções psicológicas e que o custo de tomada de decisão pode levar a más
decisões.
 Essa análise ajuda a entender porque as pessoas não poupam para a velhice,
porque se compram títulos de empresas, ou títulos sobre hipotecas sem valor,
porque empresas dificultam muito a comparação dos seus preços com os dos
concorrentes, tornando custosa a busca de informação e o êxito de muitas
estratégias agressivas de marketing e técnicas de vendas que conduzem os
consumidores a decisões que lhes dão pouca satisfação – por exemplo a forma
como produtos são colocados nas prateleiras no supermercados, etc.
Abordagens alternativas a teoria da utilidade:
Efeito substituição – abordagem mais óbvia para explicar a inclinação negativa
da curva da procura. Quando o preço de um bem aumenta, os consumidores irão
procurar substituir esse bem por outros que satisfaçam a mesma necessidade,
de forma a não aumentar os gastos.
Efeito rendimento – segundo impacto da subida de preço de um bem. Alteração
na quantidade procurada que advém do facto de a subida do preço de um bem
ter reduzido o rendimento real do consumidor. Normalmente o efeito
rendimento reforça o efeito substituição, aumentando a descida da quantidade
procurada do bem cujo preço subiu (inclinação negativa da curva da procura).
• Elasticidade no rendimento: alteração percentual da quantidade procurada de
um bem a dividir pela alteração percentual do rendimento do consumidor.
Bens cujo consumo sobe muito com a subida do rendimento são, por exemplo,
as viagens de avião ou de iate. Bens cujo consumo sobe pouco com a subida do
rendimento são os bens de primeira necessidade como a batata ou o pão
Excedente do consumidor: É a diferença entre o valor da utilidade total obtida com o
consumo de um bem e o seu valor de mercado. Os consumidores no mercado pagam o
preço da última unidade por todas as unidades que consomem, pelo que recebem em
termos de utilidade acima do que pagam pelos bens. Ganho proporcionado pelo
mercado que disponibiliza todas as unidades ao mesmo preço. Admitindo que a curva
da procura reflete a utilidade medida em dinheiro, ou seja, quanto está o consumidor
disposto a pagar por cada unidade (disponibilidade a pagar). (Ver gráficos no slide nº 55
e 56)

Função produção: Especifica o máximo output que pode ser produzido com uma dada
quantidade de inputs. Assume-se que todas as empresas procuram produzir de forma
eficiente, ou seja produzir o máximo e o melhor possível para um dado nível de inputs.
É definida para um determinado nível de tecnologia, com a evolução da tecnologia as
funções produção estão sistematicamente a mudar. A função produção descreve a
capacidade de produção de uma empresa.
 Produção total: soma de todas as unidades de produto produzidas em unidades
físicas;
 Produção média: produção total a dividir pelo número de unidades de cada fator
de produção;
 Produção marginal: acréscimo de produção por uma unidade adicional de um
input, mantendo todos os outros fatores de produção constantes.
Lei dos rendimentos decrescentes – rendimento com o significado do output que se
consegue retirar de cada unidade adicional de input.
Uma empresa vai obter cada vez menos output adicional quando adiciona unidades de
input, mantendo os outros fatores de produção constantes. Ou seja, o produto marginal
de cada unidade adicional de input vai decrescendo, cetiris paribus. Tal pode não se
verificar com as primeiras unidades de input (zona não relevante de análise), mas a
partir de determinado momento em que a extensão do uso de um dado fator,
mantendo-se os outros vai produzindo um output adicional crescente.
Exemplos: aumentar o número de horas de trabalho, leva ao cansaço e a um menor
rendimento dos esforços, adicionar mais e mais trabalhadores leva ao
congestionamento, adicionar mais horas de trabalho contínuo a uma máquina leva a
que ela se desgaste e tenha mais avarias, etc
Rendimentos a escala (alteração simultânea)
 Retornos constantes à escala: alteração proporcional do output relativamente a
alteração dos fatores de produção (inputs): se os inputs duplicam, o output
duplica;
 Retornos crescentes à escala: alteração mais do que proporcional do output
relativamente a alteração dos inputs: se os inputs duplicam, o output mais do
que duplica – também conhecido como “economias de escala” – os custos
médios e marginais do output diminuem com o aumento da dimensão.
 Retornos decrescentes à escala: alteração menos do que proporcional do output
relativamente a alteração dos inputs: quando os inputs duplicam o output menos
do que duplica (normalmente acontece quando empresas atingem uma
dimensão em que os custos de gestão e organização se tornam elevadíssimos).
 As novas tecnologias de informação e de redes têm permitido que em muitas
indústrias haja fortes economias de escala (retornos crescentes à escala): banca
e seguros; telecomunicações; mobilidade (UBER); veículos, etc.

A produção requer tempo além de trabalho e capital. Não se pode mudar a produção,
alterando os produtos ou as técnicas muito rapidamente. A afetação do capital a usos
diferentes leva tempo (depois de definido um modelo de automóvel e preparadas as
máquinas para o mesmo, não se muda rapidamente o seu uso para outros efeitos).
• Curto prazo: período em que as empresas podem reajustar a produção alterando os
seus fatores variáveis, como os consumos intermédios ou o trabalho, mas não podem
alterar os seus fatores fixos, como as máquinas. (o curto prazo varia consoante o tipo de
indústria);
• Longo prazo: período suficientemente longo em que todos os fatores de produção
(fixos e variáveis) podem ser alterados.
Mudança Tecnológica: Inovação dos produtos; Inovação dos processos; Inovações
incrementais; Inovações radicais.
As alterações tecnológicas criam dinâmica nas indústrias, fazendo com que novas
empresas e setores novos se afirmem e que outros declinem. A mudança tecnológica
tem promovido o aparecimento de novos bens e tornado mais acessíveis bens que antes
apenas eram usados por elites, tem gerado novas formas de organização da produção e
do trabalho.
Apesar de o recurso Terra não ser expansível e de a população mundial ter crescido
exponencial a capacidade produtiva e a quantidade de bens disponível por pessoa têm
crescido muitíssimo devido à mudança tecnológica, que permite fazer com que os
mesmo recursos sejam muito mais produtivos.
As inovações não aparecem isoladamente, mas estão imbuídas num contexto
ambiental, onde a educação e formação das pessoas, a regulação e o entorno jurídico,
as instituições e as redes de comunicação entre elas são fundamentais para potenciar a
sua génese.
Empreendedorismo e inovação: o Empreendedor busca uma oportunidade de negócio
e aproveita-a, assumindo um risco. Empreendedor introduz inovações: introdução de
um novo bem; melhoria da qualidade de um bem existente; introdução de uma nova
tecnologia de produção; descoberta ou abertura de um novo mercado; encontro de uma
nova fonte de fornecimento; descoberta de uma nova forma de organização . Cabe ao
Estado promover a dinâmica institucional que permita a mudança para infraestruturas
mais propícias à geração de inovações.

Schumpeter (1911), as inovações não têm uma natureza puramente tecnológica e são a
forma de abalar os equilíbrios estabelecidos, provocando uma destruição criativa que
vai gerar movimentos para novos equilíbrios, aumentando as possibilidades de
produção das economias.

Produtividade e função produção agregada:


 Produtividade: medição do valor total do output em relação a uma média de
inputs.
 Produtividade do trabalho (em quantidade): montante de output por unidade
de trabalho (por exemplo o número de horas trabalhadas) – (em valor) valor da
produção a dividir pelo número de horas trabalhadas.
 Produtividade total dos fatores: montante de output pelo total de inputs
(normalmente trabalho mais capital).
 Diz-se que há um crescimento da produtividade quando o output está a crescer
mais rapidamente do que os inputs.
 Um dos fatores para o crescimento da produtividade é a inovação e
mudança tecnológica.
 A produtividade também cresce devido à existência de economias de
escala ou devido a economias de gama
• (ocorrem quando um dado número de produtos pode ser produzido
mais eficientemente juntos, do que separadamente – custos marginais
e médios decrescem para cada produto quando são produzidos
conjuntamente com outros
• por exemplo, a produção de software que incorpora diversos
produtos como um programa de pagamento de impostos que inclui
módulos com a legislação, módulos com um manual, módulos com
casos práticos).
A produtividade aparente do trabalho é a riqueza que se obtém na produção de bens
ou serviços por trabalhador. É frequente simplificar a expressão, referindo-a como
produtividade do trabalho ou, simplesmente, produtividade. (preços correntes)
 As Empresas: A produção é quase totalmente feita em empresas (micro, pequenas,
médias e grandes empresas). Essas são organizações especializadas em gerir os
processos de produção, que agregam recursos para a produção em grande escala.
Elas geram e coordenam processos de produção. Formas jurídicas de exercício de
atividade empresarial: Empresas individuais; Sociedades; Por quotas; Anónimas.
Definição: É um agrupamento humano hierarquizado, que mobiliza meios
humanos, materiais e financeiros para extrair, transformar, transportar, e distribuir
produtos ou prestar serviços e que, atendendo a objetivos definidos por uma
direção, faz intervir nos diversos escalões hierárquicos as motivações do lucro e da
utilidade social (satisfação das necessidades da comunidade) (maximização do
lucro). – Pierre Louzel
•Inputs: trabalhadores; capital; terra; equipamentos; edifícios; material de
transporte; humano (conhecimento (explícito e tácito); Saber- Fazer); tecnologia;
sistemas de informação; produtos intermédios
•Outputs (bens, serviços e subprodutos)
Empresa como organização social: é dirigida por elemento(s) da sociedade; não é
imutável (é um organismo vivo, sujeito a mudanças, mas é diferente de algumas
outras organizações, pois é orientada com uma perspetiva de negócio, de obtenção
de maior rentabilidade presente ou futura); atua sobre a sociedade; produz efeitos
sobre a sociedade.
Teoria Neoclássica da Empresa

 Adam Smith (1776), A Riqueza das Nações – A empresa vale pelo valor do
produto que cria, e o valor do produto criado pela empresa está
relacionado com os custos de produção (onde se inclui o “lucro normal”). O
empresário acaba por maximizar o seu lucro quando minimiza os custos.
Fins do séc. XIX, novas ideias em evolução: O valor do produto aparece ligado
às remunerações pagas aos fatores de produção
 Stanley Jevons (1871): Os consumidores são importantes na definição do
valor do produto criado pela empresa. Comportamento das utilidades
marginais efeitos sobre o preço efeitos sobre o valor do produto
trocado no mercado.
 Alfred Marshall (1890, 1892) – Ligação entre os custos de produção e a procura no
mercado, importância do confronto entre procura e oferta. Elasticidade da
procura. Alguma atenção sobre o que seria um oligopólio (“quasi-monopólio”?)
 John Bates Clark (1899) – Desenvolvimento do quadro de concorrência
perfeita e dos afastamentos da realidade relativamente a esse quadro.
 Frank Knight (1921) – Aprofundamento do quadro do modelo de
concorrência perfeita.
 Chamberlain (1933) – Desenvolvimento do modelo de concorrência
monopolista e contributos para a compreensão de modelos de oligopólio
Ideias Chave: Teoria associada à teoria microeconómica do produtor.
• A empresa procura maximizar lucros:
Minimizar custos de produção
. Escolha da melhor combinação entre fatores de produção
Maximizar rendimentos das vendas
. Confronto com a procura – consumidores.
• Decisões tomadas com base na comparação entre custos e benefícios marginais.

Críticas:
• Objetivos da organização = maximização do lucro
• Outros objetivos podem ser possíveis (organizações não lucrativas, mutualistas...)
modificação da posição da empresa.
• Estabelecimento de um outro objetivo, sujeito ao alcance de um lucro mínimo
(Simon, 1959)
• Dificuldade em alcançar exatamente o máximo lucro.
• Bounded rationality
 Reabilitação do pressuposto da maximização do lucro:
• Machlup (1946, 1967) – Grande parte dos empresários: mesmo que não façam
cálculos, atuam segundo um próximo do máximo lucro.
• Alchian (1965) – As empresas que sobrevivem no longo prazo são maximizadoras
do lucro. A Teoria Neoclássica descreve o comportamento das empresas
sobreviventes.
• Papel do empresário: o quadro da concorrência perfeita anula o papel do
empresário.
Reabilitação do papel do empresário Schumpeter (1942) – Ao introduzir uma inovação
leva à alteração tecnológica; o empresário é o motor na base do progresso económico.
• A inovação bem sucedida é a fonte fundamental da posição de monopolista e da
obtenção de um lucro acima do normal. O lucro acima do normal é temporário –
sobrevive enquanto a imitação da inovação não ocorrer pelos concorrentes.
• Escola Austríaca (Kirzner, 1973) – O empresário é o elemento-chave de ligação entre
consumidores e detentores dos recursos produtivos.
• Incerteza e informação imperfeita: nem todas os eventos e mudanças são
antecipáveis. Impossibilidade de fazer previsões certas; Erro nas decisões tomadas
com base em previsões
• Complexidade organizacional – As possíveis formas de organização interna podem
ser complexas introdução de distorções no fluxo de informação no seio da empresa.
• Processos de decisão – Empresários tendem a negligenciar o cálculo, seguindo
hábitos enraizados na instituição.

Teoria Comportamental – decisões não são sempre racionais


Comportamento Interno das Organizações:
 Na empresa as decisões são tomadas num ambiente de incerteza – racionalidade
limitada - bounded racionality (Simon, 1959):
 Nenhum indivíduo ou grupo dispõe de informação completa acerca de
todos os aspectos das atividades da empresa e do ambiente em que esta
vive
 As decisões são influenciadas por crenças, percepções, aspirações individuais e de
grupo.
 Diferenças nas percepções e nas aspirações criam potenciais conflitos.
 Os objetivos das organizações resultam da negociação entre os vários
interesses da organização.
 Negociações com side payment
Dada a diversidade de situações nas organizações, esta teoria acaba por ser um
conjunto de muitas explicações, sem capacidade de prever, dadas as idiossincrasias do
ambiente interno da empresa.
Teoria de Coase: Custos de Transação
Troca no mercado Custos de Transação (externos)
 Custos ex-ante:
 Custos de obtenção de informação sobre preços relativos (e características dos
recursos deslocáveis);
 Custos de negociação dos termos do contrato.
 Custos ex-post:
 Custos associados a impostos, taxas ou quotas estabelecidas pelo Estado;
 Custos de monitorização do cumprimento do contrato;
 Custos de fazer cumprir o contrato;
o Arbitragem interna à relação contratual;
o Arbitragem externa à relação contratual.
 Custos potenciais esperados do incumprimento do contrato

Re-afetação de recursos internamente à empresa Custos de organização adicionais


Re-afetação de recursos recorrendo ao mercado Custos de transação (externos)
. adicionais

 A empresa existe porque é menos custoso desenvolver certas trocas dentro da


organização do que no mercado.
 A empresa expande com a remoção de transações do mercado.
 A empresa declina quando deixa de organizar algumas transações. (e. g.
outsourcing)
Existirá uma quantidade de transações que a empresa escolhe internalizar na
organização definição dos limites da empresa
 Igualdade entre custos de organização marginais e custos de transação
marginais. - Coase, R. H. (1937)

A Empresa como uma Equipe de Produção: Alchian e Demsetz (1972)


O modelo de funcionamento da empresa de Coase pressupõe que o empresário é
sempre capaz de resolver problemas de coordenação dentro da organização. Na
verdade, uma organização é composta por sensibilidades diferentes que é preciso
coordenar e que implica custos não negligenciáveis.
 Para Alchian e Demsetz (1972) a empresa acaba por ser uma equipa que reúne
competências (recursos / fatores) que são mais produtivos quando juntos sob a
mesma organização do que separados em organizações diferentes.
Teoria Baseadas no Conhecimento:
A empresa é tomada como uma instituição que minimiza ou economiza nos custos de
transação e especialmente nos custos de processamento da informação em que a
detenção de conhecimentos e a sua proteção do exterior é muito importante.
As empresas mantêm-se vivas enquanto conseguirem manter um conjunto de
conhecimentos explícitos sobre a atividade que desenvolvem.
 A empresa como uma base comum de conhecimento e de linguagem própria.
 A empresa como agregadora de recursos que produzem conhecimento tácito,
não transmissível

Custos de oportunidade

 Receita total = receitas da empresa com venda dos produtos ou serviços


 Custo total= valor de mercado dos inputs que a empresa usa na produção
 Lucro = receita total menos o custo total
 Os custos da empresa são vistos numa perspetiva de custos de oportunidade
 Custos explícitos = requerem a saída de dinheiro para os pagar
 Custos implícitos = são custos de oportunidade, não implicam
uma saída de dinheiro

• Exemplo: Imagine-se que um empresário dono de uma empresa que vende computadores tem
formação em programação de computadores e se estivesse a trabalhar por conta de outro
indivíduo que cobra 150 € por hora. Assim quando este sócio trabalha nas vendas da empresa
tem um custo de oportunidade / hora de 150€. Trata-se de um custo implícito que faz parte dos
custos da empresa e os custos totais da empresa são a soma dos custos explícitos com os custos
implícitos. • Diferença entre os custos calculados pelo contabilista e os custos calculados pelo
economista (o custo do salário não auferido como programador não é relevante para a
contabilidade). • Se o valor /hora pago a um programador de computadores passar para 500€ é
possível que o empresário prefira fechar a empresa e empregar-se como programador.

Custo de capital como custo de oportunidade – Um custo implícito extremamente


importante em quase todos os negócios é o valor do capital investido no negócio .

• Imagine-se que o empresário investiu 300 000€ na sua empresa de venda de computadores.
Se ele tivesse investido o dinheiro num depósito a prazo na banca a uma taxa de juro de 5 % ao
ano, obteria um rendimento de 15 000€ ano. Assim, para lançar a sua empresa obteve um custo
implícito de 15 000€, o qual persistirá anualmente. Para a contabilidade este custo não existe.
Lucro económico vs. lucro contabilístico:
 O objetivo da empresa é maximizar o lucro
 O lucro do ponto de vista económico é a diferença entre as receitas e todos os
custos, explícitos e implícitos.
 Do ponto de vista da contabilidade o lucro é apenas a diferença entre as
receitas e os custos explícitos.
 O grande motivador da atividade empresarial é o lucro económico

Custos e produção – Começa-se por assumir que a dimensão da empresa é fixa e que a
variação da produção só é possível variando o número de horas de trabalho – ou seja,
assume-se que se está numa situação de curto prazo.

Várias medidas de custo: Do custo total é possível derivar outras medidas de custo.
 Custos fixos (FC): não variam com a quantidade produzida (edifício, maquinaria,
mão de obra empregue).
 Custos variáveis (VC): variam com a quantidade produzida (horas
extraordinárias de trabalho, matérias primas).
 Custo médio total (AC): custo total dividido pela quantidade produzida.
 Custo fixo médio(AFC): custos fixos divididos pela quantidade produzida.
 Custos variáveis médios (AVC): custos variáveis divididos pela quantidade
produzida.
 Custos marginais (MC): o acréscimo de custo total por cada nova unidade
produzida.

Configuração das curvas de custo


 Custos marginais crescentes: reflete que a produção de cada nova unidade
implica um custo de produção maior (lei dos rendimentos decrescentes);
 Custo médio tem a forma de “U”: a curva de custo médio corresponde à soma
do custo fixo médio com o custo variável médio, ora à medida que o output
aumenta a curva de custo fixo médio decresce (custos fixos são repartidos por
um cada vez maior número de unidades) e a curva de custo variável médio
aumenta, devido ao produto marginal decrescente (rendimentos
decrescentes). A soma das duas curvas gera uma curva em forma de “U”.
 A quantidade de produção que corresponde ao ponto mínimo da curva de
custo médio é a quantidade de produção que minimiza o custo médio – escala
eficiente da empresa (no exemplo anterior a produção de 5 ou 6 chávenas de
café por hora – AVC = $ 1.30).
Relação entre custo marginal e custo médio: quando o custo marginal é menor que o
custo médio, o custo médio está a decrescer e quando é superior, o custo médio está a
crescer. Isto é assim, porque quando o custo de uma nova unidade é inferior ao custo
médio (média), a média decresce e vice-versa.
 Daqui resulta que a curva de custo marginal atravessa a curva de custo médio
no seu mínimo (ponto de escala eficiente da empresa). (ver gráfico slide 97/98)

Custos no curto prazo e custos no longo prazo: As curvas de curto prazo e de longo
prazo diferem, pois há custos que no curto prazo são fixos, mas se tornam variáveis no
longo prazo. Por exemplo, um fabricante de automóveis que no curto prazo queira
produzir mais automóveis, só o pode fazer contratando mais trabalhadores, mas no
longo prazo pode variar todos os fatores de produção, ou seja pode fazer mais
fábricas. No curto prazo o custo da fábrica (máquinas e edifício) é fixo, mas no longo
prazo é um custo variável.
- Analisar gráfico slide 100

Economias e deseconomias de escala (redefinição de acordo com análise de custos)

 Economias de escala: o custo médio de longo prazo decresce com o aumento


do output;
 Deseconomias de escala: o custo médio de longo prazo cresce com o aumento
do output;
 Retornos constantes à escala: o custo médio de longo prazo mantém-se
inalterado com variações do output.

Mercados em concorrência perfeita


O significado de concorrência perfeita:
1) Há muitas consumidores e produtores no mercado.
2) Os produtos colocados à venda pelos produtores são basicamente idênticos
(homogéneos).
 Em resultado deste contexto, as ações de cada consumidor ou de cada
produtor têm um impacto negligenciável no mercado.
 Cada consumidor e produtor toma o preço como um dado.
3) As empresas podem entrar ou sair do mercado livremente.

 Exemplo: mercado do leite, ou das laranjas quando caraterizado por pequenos


produtores.
Comportamento da empresa no mercado A empresa tenta maximizar os lucros
(Ver slide 104/105) (receita total menos o custo total).

• Exemplo: • A empresa X produz uma quantidade de leite (Q) a um dado preço (P); •
Se o preço do litro for 6€ e a empresa produzir 1000 l e tudo vender, a sua receita total
é: P x Q = 6€ x 1000 = 6000€; • Como a empresa é pequena toma o preço como um dado,
por isso mesmo que duplique a sua produção o preço de cada litro será o mesmo (6€).
• (Claro que se todas as empresas duplicassem a produção a quantidade de mercado
iria expandir de tal forma que o preço baixaria, a não ser que a procura dos
consumidores também tivesse duplicado. Mas porque iriam todas as empresas duplicar
a sua produção se a procura total dos consumidores não tivesse antes duplicado?)
• Admite-se que cada empresa está a tomar decisões individuais em face do seu
potencial de angariação de procura.

Regras de maximização de lucros:


1) Se a receita marginal é superior ao custo marginal, a empresa deve aumentar a
produção;
2) Se o custo marginal é superior à receita marginal, a empresa deve reduzir a
produção;
3) No nível de produção que maximiza o lucro a receita marginal e os custo marginal
igualam-se.

Quantidade de produção em mercado de concorrência perfeita: em concorrência


perfeita a receita marginal da empresa iguala o preço de mercado (a empresa não
influencia o preço, é um dado para ela). Então para qualquer preço do mercado a
quantidade que permite a maximização de lucro da empresa é a que corresponde à
interceção do preço com a curva de custo marginal (slide 107).

 Como uma empresa responde a uma subida do preço num mercado concorrencial:
Como a curva de custo marginal determina a quantidade que a empresa vai produzir
a qualquer preço, a curva de custo marginal corresponde à curva de oferta da
empresa concorrencial

A decisão de curto prazo de uma empresa sair do mercado


 Encerramento temporário da empresa (“shutdown”): decisão temporária de não
produzir devido às condições do mercado num dado período (curto prazo).
 Saída do mercado (“exit”): decisão de abandono do mercado (longo prazo).
As decisões anteriores diferem devido aos custos fixos que não podem ser evitados no
curto prazo, mas deixam de existir no longo prazo.
Regra de decisão de encerramento de curto prazo:
 Enquanto a receita total for inferior aos custos variáveis a empresa encerra.
 Outra forma de expressar esta realidade: se o preço for inferior ao custo variável
médio a empresa não deve produzir.
A curva da oferta de curto prazo da empresa: se a empresa produzir, produz a
quantidade que corresponde ao custo marginal igual ao preço. Mas se para essa
quantidade o preço é inferior ao custo variável médio é melhor a empresa encerrar e
não produzir.

A decisão de longo prazo de uma empresa sair do mercado:


 A empresa deve abandonar o mercado se a receita total for inferior aos custos
totais, não havendo perspetivas de alteração da situação.
 Uma outra forma de expressar a mesma realidade, a empresa deve abandonar o
mercado se o preço for inferior ao custo médio, não havendo perspetivas de
alteração da situação.

 A decisão de entrada de uma empresa no mercado é a simétrica: a empresa deve


entrar num mercado se preço for superior ao custo médio da empresa.
A curva da oferta de longo prazo da empresa: se a empresa produzir, produz a
quantidade que corresponde ao custo marginal igual ao preço. Mas se para essa
quantidade o preço é inferior ao custo médio é melhor a empresa sair do mercado.

Medição do lucro da empresa num mercado concorrencial:

 O lucro é a receita total menos o custo total;


 O lucro também pode ser reescrito como: (Preço – Custo médio) x Quantidade
Figuras com exemplo de empresa com lucro e empresa com prejuízo, identificando a
área dos mesmos. (slide 113)

Lucro zero da empresa num mercado concorrencial: se todas as empresas têm acesso à
mesma tecnologia, enquanto houver no mercado empresas com lucros, outras
empresas entrarão no mercado aumentando a quantidade oferecida, o que levará a uma
descida do preço, sendo que quando este iguala o custo médio não haverá mais
empresas a entrar no mercado e o nível de lucros das empresas que ficam será zero.
Se houver no mercado empresas com prejuízos, abandonarão o mercado, diminuindo a
quantidade oferecida, o que impulsionará a subida do preço, sendo que quando este
atinge o nível do custo médio (lucro zero), deixa de haver saída de empresas do
mercado.
 Porque continuam as empresas no mercado quando o lucro no longo prazo é zero?
 Os custos totais da empresa incluem todos os custos de oportunidade. Isso
significa que o tempo e o dinheiro que os empresários dedicam à empresa já está
incluído nos custos. Além disso a melhor remuneração que deixam de obter por
terem usado o seu capital na empresa também já está incluída nos custos totais.

Curva da oferta de longo prazo num mercado concorrencial com liberdade de entrada e
saída de empresas: a sua análise revela uma implicação surpreendente. Se a quantidade
escolhida pela empresa é aquela em que o preço iguala o custo marginal e se a livre
entrada e saída de empresas no mercado leva a que o preço iguale o custo médio. Então,
num mercado concorrencial com livre entrada e saída de empresas, as empresas
produzirão a quantidade em que o custo marginal e o custo médio se igualam e sejam
iguais ao preço. O custo marginal e o custo médio igualam-se apenas quando as
empresas minimizam o custo médio. Ou seja, no longo prazo, num mercado
concorrencial, com liberdade de entrada e saída de empresas, as empresas estão a
produzir na escala eficiente (custo marginal iguala o custo médio). Daqui também
resulta que a curva da oferta de mercado de longo prazo é horizontal, uma vez que só
há um preço que é igual ao mínimo custo médio e que assegura lucro zero às empresas.
Curva da oferta de longo prazo num mercado concorrencial com liberdade de entrada e
saída de empresas: qualquer preço acima de P (preço que iguala o custo médio) geraria
lucros, levando à entrada de empresas e ao crescimento da quantidade oferecida.
Qualquer preço abaixo de P geraria prejuízos, levando á saída de empresas e ao
decréscimo da quantidade oferecida. Assim, o número de empresas no mercado ajusta-
se, de modo a que o preço iguale o mínimo custo médio (P), sendo o lucro zero, havendo
empresas suficientes para satisfazer a procura a esse preço. A curva da oferta de longo
prazo é, por isso, horizontal. No entanto, pode ser uma curva com inclinação positiva
por duas razões: …………………………………………………………………………………………………………
• Porque os recursos podem ser limitados e os preços dos fatores aumentarem com o
aumento de produção, elevando os custos de todas as empresas;
• Porque as empresas enfrentam diferentes custos de produção (nem todos trabalham
com a mesma eficiência – neste caso haverá empresas com lucros positivos no longo
prazo e outras com lucro zero), pelo que a expansão da oferta dá-se primeiramente com
a entrada dos que têm menores custos, chegando ao mercado por último as empresas
com custos mais elevados (menos eficientes).
(Analisar gráfico slide 118/119)

A eficiência do mercado
 Os excedentes do consumidor e o excedente do produtor são ferramentas que
permitem estudar o bem-estar dos intervenientes no mercado.
 O excedente do consumidor é o benefício dos consumidores por participarem no
mercado.
 O excedente do produtor é o benefício dos produtores por participarem no
mercado.
 O excedente total é a soma dos excedentes do consumidor e do produtor e
corresponde bem estar social originado pela participação no mercado.

Excedente do consumidor = Valor para os compradores – Montante pago pelos


compradores;
Excedente do produtor = Montante recebido pelos vendedores – Custos dos
vendedores;
Sabendo-se que o montante pago pelos compradores é igual ao montante recebido
pelos vendedores, o Excedente total de bem-estar = Valor para os compradores – Custos
dos vendedores.

 O valor para os compradores é a disponibilidade a pagar, então o excedente total é


a disponibilidade a pagar menos os custos de fornecer os bens.
 Quando a afetação de recursos maximiza o excedente total, diz-se que é uma
afetação de recursos eficiente.

Eficiência vs. Equidade

 Eficiência: existe quando por transação no mercado não é possível aumentar o


bem-estar de alguém sem piorar o de outrem.
 Numa situação ineficiente haverá ganhos potenciais através de transação no
mercado:
• Por exemplo, quando um bem não está a ser produzido pelas empresas com
custos mais baixos: nesse caso movendo a produção das empresas com custos
mais elevados para as empresas com custos menores irá baixar o custo total dos
vendedores e assim aumentar o excedente total de bem-estar; • Por exemplo,
quando um bem não está a ser consumido pelos consumidores que mais
valorizam esse bem: nesse caso movendo o consumo do comprador que menos
o valoriza para um comprador que o valoriza mais, irá aumentar o excedente
total de bem-estar.

 Equidade: diz respeita à forma como o bem-estar é distribuído entre os


diferentes produtores e consumidores.

 A eficiência procura que o tamanho do “bolo” (bem-estar) seja tão grande quanto
possível e a equidade diz respeito à forma como as “fatias do bolo” são distribuídas.
 O sistema de mercado gera através da “mão invisível” eficiência, mas nada garante
quanto à “equidade”, ou seja, a distribuição que resulta do funcionamento do
mercado não é necessariamente “justa” do ponto de vista dos critérios de equidade
social.

Avaliação do mercado em equilíbrio: Será que um mercado em equilíbrio é eficiente?


Análise pela soma dos excedentes do consumidor e do produtor (slide 126). Quando o
mercado está em equilíbrio, o preço determina quem são os vendedores e os
consumidores que transacionam os bens.
• Os consumidores que valorizam o bem mais do que o preço, compram o bem (AE);
• Os produtores cujos custos marginais são inferiores ao preço produzem o bem (CE).

 Das observações anteriores resultam alguns postulados sobre os resultados do


mercado e sua eficiência:
1. O mercado a funcionar livremente leva a que a oferta de bens se dirija aos
consumidores que mais os valorizam, com base na sua disponibilidade a
pagar;
2. O mercado a funcionar livremente leva a que a procura de bens se dirija para
os produtores que os produzem a mais baixo custo.
• Deste modo qualquer mudança na afetação dos bens entre produtores ou
consumidores não permitiria um aumento do excedente total de bem-estar.
• Para uma quantidade diferente da determinada naturalmente pelo mercado
será possível existir um aumento do excedente total de bem-estar? A resposta é
negativa, porque:
3. Os mercados a funcionar livremente produzem a quantidade de bens que
maximiza a soma do excedente do consumidor e do excedente do produtor.

Demonstração do postulado 3 (slide 129) • Curva da procura reflete o valor para os


consumidores; • Curva da oferta reflete os custos dos produtores; • A uma quantidade
abaixo do equilíbrio (Q1) o valor marginal para o comprador excede o custo marginal,
pelo que aumentando a quantidade produzida e consumida aumenta o excedente de
bem-estar total; • A uma quantidade acima do equilíbrio (Q2) o valor marginal para o
comprador é inferior ao custo marginal para o vendedor, pelo que reduzindo a
quantidade produzida aumenta o excedente de bem-estar total. • A quantidade de
equilíbrio é a que maximiza o excedente total de bem-estar
Falhas no Mercado:
 Risco e Incerteza:
 Preços dos fatores muito voláteis.
 Comportamento dos concorrentes não pode ser previsto
 Empresa investe no presente, com o objetivo de obter lucros num contexto
de incerteza quanto a muitas variáveis que não controla.
 Especuladores ajudam a reduzir a incerteza - assumem os riscos com o fito
de obter lucros (milho, ou laranja, para quando há escassez).
 A possibilidade de fazer seguro aos riscos incorridos pelo investidor nem
sempre está disponível.
 Mercados de seguros de riscos e incerteza estão contaminados de falhas:
seleção adversa e risco moral.

 Assimetria de informação:

 Risco Moral: A possibilidade de fazer um seguro leva a pessoa a aumentar os


comportamentos de risco, daí que muitas vezes os investidores não
conseguem encontrar no mercado quem segure os seus riscos
Problema: as exclusões (seguros médicos, seguros contra imprevistos na
agricultura, etc)

 Seleção Adversa: Quem incorre em comportamentos mais arriscados é quem


com maior probabilidade está interessado em fazer um seguro. Custos dos
seguros (prémios) tendem a ser elevados para quem não incorre em riscos,
se a seguradora não consegue distinguir os níveis de risco dos segurados.
Problema: mercado dos seguros com preços elevados, poucas coberturas e
exclusão dos indivíduos com comportamentos menos arriscados

 Ineficiência: Vendedor conhece a qualidade dos produtos (exemplo veículo


usado). Comprador não tem a mesma informação (não sabe distinguir). Daí
que bons e maus produtos são colocados ao mesmo preço. Normalmente o
vendedor tem de pagar mais para obter os produtos bons, daí que ganha
mais se apenas colocar à venda produtos maus.
Problema: com assimetrias de informação a eficiência do mercado é afetada
e a parte menos informada ou mal informada é prejudicada.

 Teoria das Agências: Relação de Agência – “Principal” – “Agente”


• Um agente atua em nome ou como representante de outro (principal), num
domínio de tomada de decisões.
o Elementos (perigosos) da relação de agência:
• Poder discricionário - autonomia do agente para tomar decisões que lhe
parecem melhores – poder discricionário do agente dadas as suas
competências e conhecimentos das funções que é chamado a desempenhar
• Não coincidência dos interesses entre as partes.
• Assimetrias de informação entre as partes

 Procura Induzida: criar a procura do “principal” sem este se aperceber de que


já não necessita do serviço. (exemplos agência + procura induzida: profissões
liberais – caso da relação médico – paciente; caso de gestores - acionistas;
parlamento - eleitores). A assimetria de informação exige que o governo
intervenha em muitas situações (normas de obrigação de publicação e
divulgação de informação nos produtos alimentares, por exemplo).

 Dilema do prisioneiro: falha do modelo baseado na racionalidade individual?

 Teoria dos jogos


 Caso em que cada um procurando o que é melhor para si, não leva à melhor
solução (solução eficiente – maximiza a soma do bem-estar das partes) –
Contrário a “mão invisível” defendida por Adam Smith?
 Dois prisioneiros cometeram um crime de homicídio, não há provas de
homicídio, foram colocados em celas separadas sem comunicarem,
autoridades procuram a confissão do crime:
• Se um deles confessar o crime (ou seja, trair o comparsa) e o outro
permanecer em silêncio, quem confessou sai livre enquanto o cúmplice
silencioso cumpre dez anos.
• Se ambos ficarem em silêncio (colaborarem um com ou outro), a polícia só
pode condenar cada um dos suspeitos a um ano de prisão.
• Se ambos confessarem (traírem o comparsa), cada um ficará cinco anos na
cadeia.
Analisando todas as situações hipotéticas, a melhor opção individual é
sempre trair. Entretanto se ambos colaborarem a pena seria menor do que
se ambos traíssem, logo buscar o maior bem estra individual não leva ao
melhor resultado para ambas as partes.

 “Sinalização” de informação – uma ação tomada por uma parte informada para
revelar informação privada para uma parte não informada.

 Exemplos de “sinalização”: Marketing; Educação


 Em ambos uma parte informada (empresa, estudante) usa o “sinal” para
convencer a parte menos informada (o cliente, o empregador) de que a
parte informada está a oferecer algo de grande qualidade. • Um “sinal”
de informação implica um custo, pois de outro modo todos o usariam e
ele não informava de nada, pois não seria “diferenciador”;
 O “sinal” deve implicar um custo inferior, ou ser mais benéfico, para a parte
com o produto de grande qualidade, senão todos usariam o “sinal” e este
não revelaria nada
 A empresa com produto de elevada qualidade terá menor custo com o
“sinal” do que a empresa com produto de baixa qualidade, pois o
consumidor é induzido a repetir o consumo no caso em que a qualidade
corresponde ao “sinal”.
 O estudante com mais talento terá mais facilidade em obter o diploma
do que o que menos talentoso, pelo que o “sinal” custa menos ao mais
talentoso e os empregadores confiarão no “sinal”. Daí que que é racional
que os mais talentosos procurem educação.

Mercado de trabalho e de outros fatores de produção


 Mercados de fatores de produção (inputs para produzir bens e serviços):
 Trabalho (esforço físico e intelectual)
 Terra (espaço físico)
 Capital (máquinas)
 Os mercados de fatores de produção funcionam de forma idêntica aos mercados de
bens e serviços, mas:
• A procura por um fator de produção é uma procura derivada, ou seja, a decisão
de uma empresa procurar um fator de produção deriva da decisão de produzir
um bem ou um serviço noutro mercado;
• A procura de programadores de computadores está ligada á oferta de
software;
• A procura de trabalhadores para a indústria têxtil está ligada à oferta de têxteis.
Objetivo deste tópico: analisar a decisão de uma empresa concorrencial que procura
maximizar lucros sobre quanto (quantidade) utilizar de um dado fator.
 Ascensão de mercados concorrenciais: para a empresa o preço do bem e o preço
dos fatores de produção são dados. A empresa não influencia o nível de preços
dos bens e dos fatores de produção.
 Análise de curto prazo, ou seja, apenas varia um fator de produção, mantendo-
se os demais constantes.
Começa-se por analisar o mercado de trabalho e depois verifica-se que a análise pode
aplicar-se aos outros fatores de produção. (slide 142/143)
Mercado de trabalho: a procura de trabalho
 Valor do produto marginal do trabalho é a curva da procura do trabalho
 Curva decrescente, porque o produto marginal do trabalho é
decrescente;
 Empresa maximizadora de lucros contrata trabalhadores até ao ponto
em que o produto marginal de trabalho iguala o salário.
 A curva da procura de um fator de produção é dada pelo valor do
produto marginal do fator de produção.

 O que faz variar a curva da procura de um fator de produção(curva de produto


marginal em valor)?
Preço do output: como a curva da procura reflete a variação do produto marginal
do fator de produção e como o seu valor é o produto marginal vezes o preço do bem
final, um dos fatores que pode fazer alterar a curva da procura do fator de produção
é o preço do bem final (preço do output).
Mudança tecnológica: Aquilo que os trabalhadores produzem por hora (dia, mês)
depende muito da tecnologia que utilizam - a mudança tecnológica aumenta o
produto marginal do trabalho
• A história tem revelado que isso aumenta a procura de fator trabalho, fazendo
a curva da procura de trabalho deslocar-se para a direita.
• Contudo, nem sempre assim acontece, quando a tecnologia permite dispensar
o fator trabalho ou reduzir o número de trabalhadores necessários para obter o
output – por exemplo, robótica – trata-se então de mudança tecnológica que
reduz uso do fator trabalho.
Oferta dos outros fatores de produção: a quantidade disponível dos outros fatores
de produção afeta o produto marginal de um fator de produção. Por exemplo se a
quantidade de terra disponível para plantação de maçãs diminui, a produtividade de
trabalho na colheita de maçãs seria afetada

 Trade-off entre trabalho e lazer afeta a oferta de trabalho – o custo de oportunidade


de uma hora de lazer é o valor do salário-hora que o indivíduo obteria se trabalhasse
nessa hora.

 Uma curva da oferta de trabalho com inclinação positiva significa que se o salário
subir os indivíduos estarão dispostos a trabalhar mais horas.

 A curva da oferta de trabalho também pode ter uma inclinação negativa: indivíduo
que já atingiu um nível de rendimento elevado e em face a um aumento adicional
do salário-hora está disposto a trabalhar menos horas (conflito entre o efeito
rendimento e o efeito substituição entre trabalho e lazer, sendo que quando o
primeiro é maior que o segundo, a quantidade oferecida de trabalho reduzir-se-á
com um aumento de salário-hora).
 (assume-se doravante que a curva da oferta de trabalho tem uma inclinação
positiva)
 O que faz variar a oferta de trabalho num dado setor?
Alterações nos gostos: há umas gerações atrás as mulheres por regra não
trabalhavam, dedicando-se sobretudo a tarefas domésticas, sendo que em muitos
setores tal situação alterou-se radicalmente;
Alteração das oportunidades alternativas: se trabalhar noutro setor se tornar mais
atrativo em termos salariais, a oferta de trabalho, por exemplo, usada na colheita de
maçãs, pode variar.
Imigração: A entrada de imigrantes faz aumentar a oferta de trabalho em muitos
setores.

 Equilíbrio no mercado de trabalho (slide 148)


 Determinação do salário num mercado de trabalho concorrencial
o O salário ajusta-se de modo a equilibrar a oferta e a procura de trabalho
o O salário iguala o valor do produto marginal do trabalho: a empresa
contratou trabalhadores até que o valor do produto marginal de trabalho
iguala o salário.
o Qualquer evento que altere a procura ou a oferta de trabalho vai alterar o
salário de equilíbrio e o produto marginal do trabalho pelo mesmo montante,
porque têm de ser sempre iguais.

Alterações na oferta de trabalho: (slide 149)


 Admita-se que a imigração aumentou o número de trabalhadores para colher
maçãs
 O salário de equilíbrio vai reduzir, pois a quantidade oferecida de trabalho
excede a quantidade procurada e o emprego vai aumentar, pois como o salário
baixou tornou-se mais atrativo contratar mais trabalhadores até que o produto
marginal do trabalho atinja o desejado.
Alterações na procura de trabalho: (slide 150)
 Imagine-se que as maçãs aumentam de popularidade e passam a ser mais
procuradas, o que leva a que o seu preço aumente;
 Esta alteração não altera o produto marginal do trabalho, mas muda o seu valor,
pois este é determinado multiplicando o produto marginal do trabalho pelo
preço do bem produzido;
 Para um maior preço das maçãs torna-se rentável empregar mais trabalhadores
a colher maçãs. O salário sobe e o número de trabalhadores empregues na
apanha da maçã aumenta;
o Mais uma vez o valor do produto marginal do trabalho e o salário movem-
se em conjunto.
 Esta análise mostra que num mercado de trabalho concorrencial a prosperidade
das empresas de um setor está ligada à prosperidade dos trabalhadores (quando
o preço das maçãs sobe os produtores de maçã têm maiores lucros e os
trabalhadores maiores salários)
 Produtividade e salários:
• A produtividade do trabalho (em valor) é medida pelo valor do produto marginal
do trabalho (Q produzida pelo último trabalhador contratado) x P;
• Os trabalhadores mais produtivos serão mais bem pagos e os menos produtivos
serão menos bem pagos (pois o salário é igual ao produto marginal do trabalho).
• A produtividade do trabalho num dado setor é calculada “por aproximação”: valor
da quantidade produzida nesse setor (Q x P) a dividir pelo número de trabalhadores
(“por aproximação” porque se admite que o produto marginal de trabalho é igual
para todos os trabalhadores) .
Determinantes de diferenças salariais: os trabalhadores diferem entre si, tendo em
conta múltiplas caraterísticas: nível de habilitações, aptidões, gostos por tipos de
trabalho, valor atribuído ao lazer, etc.
 Diferenciais compensatórios: diferença nos salários tendo em conta as
diferenças nas caraterísticas não monetárias do trabalho:
 para um dado trabalhador a escolha de um determinado emprego não
tem apenas em conta o rendimento, medido pelos salários, mas
também caraterísticas não monetárias (se se gosta do tipo de trabalho,
se o ambiente de trabalho é bom, se o trabalho é perigoso, se há riscos
de desgaste rápido da saúde, etc.);
• Assumindo dois empregos que exigem o mesmo nível de habilitações:
o trabalho de um mineiro será melhor remunerado do que o trabalho
de um porteiro, dados os riscos que o primeiro implica e as condições
em que é exercido.

 Capital humano: acumulação de investimento em educação e em formação:


 Implica dispêndio de tempo e de recursos para aumento da
produtividade no futuro;
 Os trabalhadores com maiores níveis de capital humano tendem a ter
maiores salários do que os trabalhadores com níveis mais baixos e esse
diferencial tende a compensar os custos de obter educação e formação

 Jeito, esforço, sorte e beleza: Habilidade especial para o trabalho pode justificar
melhor salários (veja-se o caso dos jogadores de futebol); O esforço de
dedicação ao trabalho também pode ser motivo de diferenciação salarial
(muitas pessoas são pagas de acordo com o esforço de dedicação às empresas);
A sorte também tem um papel na diferenciação remuneratória. O facto de o
indivíduo ter estudado numa área que adquire grande expansão económica,
pode fazer com que ele aufira maior remuneração do que outro indivíduo que
estudou o mesmo número de anos numa área que se tornou obsoleta. A beleza
corporal nalgumas áreas, como a dos modelos, também pode ser motivo de
diferenciação salarial.
Fixação de salários acima do equilíbrio: leis de salário mínimo, sindicatos e salários de
eficiência.

 Nem sempre os salários são estabelecidos em condições concorrenciais:


 Por exemplo, há leis que limitam o valor mínimo dos salários,
impedindo que se gere um equilíbrio no mercado de trabalho;
 Os sindicatos são grupos de interesse que se agregam para defender o
interesse dos trabalhadores por si representados, conseguindo muitas
vezes condições de remuneração superiores às que resultariam de um
equilíbrio do mercado de trabalho em livre concorrência – se as suas
reivindicações não são satisfeitas ameaçam com greves ou com outros
procedimentos que prejudiquem a maximização de lucros da empresa.
 As empresas também podem pagar salários acima do salário de
equilíbrio para incentivar e motivar os trabalhadores aumentando a
eficiência do trabalho, diminuindo a abstinência ou a procrastinação no
exercício laboral.
Salário mínimo e desequilíbrio no mercado de trabalho: algum desemprego,
mas garantia de não exploração excessiva dos trabalhadores
Economia da discriminação

 O exemplo mais estudado de descriminação salarial é o que diferencia os salários


entre homens e mulheres, ou entre pessoas de diferentes raças ou etnias,
independentemente das habilitações, aptidões e esforço serem iguais.
 Estas diferenças salariais não se originam em outras caraterísticas (habilitações,
jeito, esforço) que não sejam a desconsideração social de determinados grupos e,
por isso, devem ser combatidas com determinação.

Terra e Capital como fatores de produção


Dois preços a ter em conta nos fatores terra e capital (são determinados por “forças”
diferentes):
o Preço de compra de terra ou capital: o que se paga para possuir estes fatores
de produção sem data de fim;
o Renda: preço que se paga para usar estes fatores de produção por um período
limitado de tempo.

Pode-se aplicar a teoria desenvolvida para o fator trabalho aos fatores terra e capital:
o salário é o “preço de renda” do trabalho. A renda de capital e a renda da terra são
também determinadas pelo jogo de forças entre a procura e a oferta.
Equilíbrio no mercado de capital (e de terra) (slide 158)
 A lógica de decisão sobre a quantidade de terra ou capital empregar é a mesma da
que se usa no fator trabalho. A empresa aumenta a quantidade arrendada de
capital (ou terra) até que o valor do produto marginal do fator iguale o preço do
fator de produção (capital ou terra). O ganho com o uso de cada fator de produção
(trabalho, capital ou terra) é determinado pelo seu produto marginal.

- Preço de compra de capital ou terra: a renda e o preço de compra estão relacionados,


os proprietários estão dispostos a comprar mais por uma porção de capital ou de terra
se tal for rentável do ponto de vista do rendimento que vão gerar. Mas o valor desse
rendimento iguala o valor do produto marginal do fator. Então o preço de equilíbrio de
compra de uma porção de terra ou de capital depende do valor do produto marginal
do fator no presente e do valor do produto marginal do fator esperado no futuro.
Uma diferença entre o fator capital e o fator terra é que neste fator de produção há
muito pouca elasticidade da oferta (terra disponível para apanha da maçã), uma vez
que por vezes a quantidade do recurso não é expansível. Com uma oferta inelástica, a
quantidade oferecida de terra será a mesma independentemente do valor da renda
(mesmo que esta baixe muito) – ou seja, a renda da terra depende muito do valor do
produto (no exemplo, do preço da maçã) e não o contrário, ou seja o preço da maçã
não dependerá do valor da renda da terra

Interdependências entre os fatores de produção – o uso de cada fator de produção


não é independente do uso dos outros fatores de produção. Assim a determinação da
produtividade de um fator de produção depende da quantidade e qualidade dos
outros fatores que são usados conjuntamente.

Por exemplo, se uma tempestade destrói as escadas (capital) usadas para os trabalhadores
apanharem maçãs: • Isso faz com que a oferta de escadas diminua, o que aumenta a renda do
aluguer de escadas (ou o seu preço de compra); • Mas como há menos escadas disponíveis o
produto marginal do trabalho vai diminuir (menos trabalhadores vão poder usar escadas para
apanhar maçãs); • Então a procura por trabalhadores para a apanha da maçã também vai
diminuir, o que vai fazer com que o salário de equilíbrio se reduza.

Ou seja, um evento que altere a oferta de um dado fator de produção pode alterar os
rendimentos de todos os outros fatores de produção.

Substituição: há uma substituição entre fator capital e fator trabalho, pois a aquisição de um
avanço tecnológico máquina permitiu dispensar alguns trabalhadores.
Complementaridade: entre fator trabalho e fator capital, ou seja, a aquisição de uma
máquina não substitui trabalhadores, mas obriga à contratação de especialistas para usar a
máquina.

 A Tributação: • Impostos (diretos / indiretos; pessoais / reais; centrais / locais; .


. geral / especial; específico ou unitário / “ad valorem”)
• Taxas e Tarifas
• Multas / Coimas
• Contribuições para a Segurança Social (dos trabalhadores (t = .
. 11%) / dos empregadores (t = 23,75% )
• Tarifas aduaneiras

Princípios de configuração da tributação:


Existem duas abordagens para tratar qual é a parcela justa (equidade) que deve ser
exigível a cada um pelo sistema tributário

 Princípio da Equivalência (ou do Benefício)

 Princípio da Capacidade Contributiva (Equidade)


 Igualdade horizontal: significa que indivíduos com a mesma capacidade
contributiva devem pagar o mesmo montante de impostos
 Igualdade vertical: significa que indivíduos com capacidade contributiva
diferente devem pagar montantes de impostos diferentes
Essa escolha possui a problemática do rendimento, do consumo, da riqueza e de
como combinar as fontes de capacidade contributiva.
Teoria da incidência fiscal

 Incidência fiscal = Repercussão dos impostos


 Incidência legal
• Quem é o sujeito passivo do imposto e que o deve pagar?
 Incidência económica
• Quem efetivamente suporta a carga tributária?

Exemplo: Imposto sobre as vendas de gasolina • Incidência legal – Empresas vendedoras


de gasolina • Incidência económica – se o valor do imposto se repercute no preço – os
consumidores de gasolina também vão suportar parte da carga fiscal, ou mesmo toda a
carga fiscal. (slide 169/170/171)

Não neutralidade do imposto: quando um imposto afeta a relação entre os preços de


equilíbrio diz-se que não é neutro, pois vai originar movimentos de substituição entre
bens ou recursos, afastando o resultado final das soluções eficientes de mercado
Surgem então os Custos de Bem Estar da Tributação – custos associados a perdas de
eficiência na economia.
 Incidência económica de um mesmo imposto pode ser muito diferente consoante as
elasticidades-preço da procura e da oferta dos mercados afetados. Isto quer dizer
que a distribuição da carga fiscal entre os agentes de mercado e o nível de custo de
bem-estar dos impostos depende muito da reação dos agentes ao imposto, em
termos de transferência de imposto.

 Relação entre elasticidades e custos de bem-estar da tributação:


Usando o exemplo de um imposto especial unitário por unidade vendida de um bem,
através da análise gráfica em equilíbrio parcial, é fácil perceber que:
1. Quanto mais elástica é a curva da procura e/ou a curva da oferta maior é o
custo de bem-estar dos impostos (porque maior é a reação em termos de
repercussão de imposto);
2. Para uma dada curva da oferta, quanto maior é a elasticidade da procura,
menor será a carga fiscal suportada pelos consumidores (os vendedores não
conseguem repercutir o imposto, pois os consumidores reagem muito
comprando menos);
3. Para uma dada curva da procura, quanto maior é a elasticidade da curva da
oferta, maior é a carga fiscal suportada pelos consumidores (os vendedores
têm maior capacidade para repercutir o imposto, pois vendem muito menos
do produto tributado).

Tributação dos rendimentos de capital


No estudo dos impostos sobre os rendimentos de capital aplica-se exatamente o mesmo
raciocínio que o usado no estudo da incidência dos impostos sobre os rendimentos de
trabalho. Assim, quanto mais elásticas forem as curvas da procura (investimento) ou da
oferta de capital (poupança) maiores serão os custos de bem-estar associados ao
imposto.
Os movimentos de transferência de imposto entre poupadores e investidores
dependem também das elasticidades relativas das curvas da procura e da oferta.
Convém apenas acrescentar, que pode haver efeitos de repercussão de imposto entre
o fator capital e o fator trabalho e vice-versa.

Exemplo: um decréscimo no uso de fator capital provocado pela sua tributação vai
afetar o mercado de trabalho, traduzindo-se numa redução do salário de equilíbrio, se
houver complementaridade entre os dois fatores de produção. O contrário também
poderá acontecer, se houver grande substituição entre capital e trabalho.

Incidência da tributação geral sobre o consumo


 Em Portugal e na União Europeia o imposto mais importante sobre o consumo
incide sobre o valor acrescentado de todos os intervenientes na produção e
venda – IVA (imposto sobre o valor acrescentado).
 Quando o imposto geral sobre as vendas incide só sobre bens de consumo e as
taxas salariais e demais custos de produção não se alteram em resposta ao
imposto, os preços vão subir num montante igual ao imposto [p.(1+t)].
Então o mesmo nível de salários e de outros rendimentos vai permitir que se adquira
um conjunto menor de bens de consumo. O rendimento real dos consumidores reduz-
se e os poupadores não sofrem tanto com o imposto. Ainda que o imposto sobre os bens
de consumo tenha uma taxa marginal única, é visto como um imposto regressivo, uma
vez que a taxa média de imposto de cada agregado vai depender da parte do rendimento
que é dedicada à poupança. Como normalmente os mais pobres gastam quase todo o
rendimento em consumo, vão estar sujeitos a uma taxa média de tributação mais
elevada.
Mas toda a poupança acaba por se transformar em consumo. A diferença em termos de
equidade reside no adiamento de imposto, o que faz com que em termos atualizados se
pague menos imposto.

Ver parte de Evasão Fiscal nos Slides

II.
Micro e Macroeconomia: a microeconomia estuda sobretudo o funcionamento dos
mercados e a forma como isso afeta as empresas que nele se encontram inseridas; mas
essas empresas são, simultaneamente (sob a supervisão do Estado), os atores principais
do tecido económico global, que é o campo de estudo e de atuação da macroeconomia.

O estado tem sempre (em maior ou menor medida) alguma intervenção direta na
economia:
 Existência de serviços públicos
 Criação de utilidades públicas (v.g., no ensino, saúde ou justiça) implica a
aquisição de equipamentos e serviços a agentes privados, e por isso as obras
públicas e contratos públicos
 Pode intervir diretamente na economia em setores abertos à concorrência com
agentes privados, como forma de se autofinanciar: mas isto deve ser uma
exceção e não a regra
Outra função importante do Estado é de regulador de toda a atividade económica:
através dos instrumentos existentes, ele vai condicionar a forma como os agentes
privados podem ou devem conduzir a sua atividade, para assegurar que:
 Setores essenciais ao bom funcionamento sejam regulados por autoridades
administrativas independentes e não fiquem totalmente reféns de interesses
económicos privados.
 Sejam regulados por autoridades administrativas independentes e não fiquem
totalmente reféns de interesses económicos privados
 Concorrência nos vários setores seja equilibrada e promova uma melhoria geral do
bem-estar económico (combatendo cartéis, de monopólios e de outras práticas anti
concorrenciais: é o papel da Autoridade da Concorrência, entidade de regulação
transversal)
 Incentivos ao investimento e ao empreendedorismo (benefícios fiscais, créditos
bonificados, subsídios diretos)
 Consumo seja travado, sempre que isso se mostre necessário para controlar a
inflação.

Essa formulação e execução de políticas orçamentais, económicas e financeiras por


parte do estado tem 3 objetivos principais:
1. Médio-longo prazo – promover o crescimento sustentável da economia
2. Curto-médio prazo – controlar os efeitos negativos dos ciclos económicos
(inflação sentida na fase de expansão e o desemprego agravado sempre em fases
de recessão)
3. Redistribuição do rendimento: deve acompanhar as medidas dos dois objetivos
acima com políticas globais e transversais que a promova. Ex: Sistema fiscal
progressivo (retira uma maior percentagem do rendimento aos contribuintes
cujo rendimento seja maior); Sistema de segurança social (em especial na
vertente assistencialista, que atribui benefícios económicos, em dinheiro ou em
serviços aos que mais necessitam); Prestação de serviços essenciais a preços
subsidiados com uso do dinheiro público (permitindo o acesso a esses serviços
pelos cidadãos que não os poderiam obter a preços de mercado)

Promoção do Crescimento Sustentável


Este objetivo mede-se sobretudo (embora não exclusivamente) através do PIB (produto
interno bruto), que pode ser expresso em termos absolutos ou per capita.
PIB: índice que nos dá a medida da riqueza gerada anualmente por uma economia
nacional. Porém, não traça o retrato completo da situação económica de um país, pois
não fornece indicações quanto à forma como a riqueza gerada é distribuída, ou de como
aquela riqueza vai beneficiar a população de uma forma global através da generalização
de serviços públicos.
A disparidades na distribuição da riqueza gerada, comuns em muitas economias,
sobretudo as chamas “em desenvolvimento”, leva a que uma pequena parte da
população acumule para si a maior parte dessa riqueza, e que a maioria viva na pobreza.
Por isso tem havido um esforço cada vez maior no sentido de afinar os critérios e os
elementos a ter em conta para avaliar a sustentabilidade do crescimento económico
(Esperança de vida; Escolaridade; Conservação de recursos e respeito pelo ambiente;
Igualdade de género; Respeito pelos Direitos Humanos.)

O controle da inflação e do desemprego


Preocupação de curto/médio prazo. Controlar os efeitos negativos dos ciclos
económicos, e que se fazem sentir em duas vertentes essenciais:

 Perda de poder de compra – taxa de inflação que surge como efeito natural do
aumento do consumo que acompanha as fases de expansão – isto, além do,
aumento dos preços ser acompanhado, normalmente, de um aumento
correspondente dos salários.
 Perda do trabalho e da possibilidade de prover ao próprio sustento – traduz no
aumento da taxa de desemprego que é um efeito direto da quebra do consumo,
e consequente diminuição da atividade das empresas, que surge em fases de
recessão.
Tem que se ter em vista na análise o fato de os ciclos económicos, e a consequente
alternância de períodos de crescimento e de recessão, serem uma certeza.

 Fase de expansão: o PIB cresce e as empresas trabalham plenamente,


empregando a maior parte da força de trabalho disponível e pagando salários
mais altos, já que o trabalho é nesta fase um fator de produção com bastante
procura. Isso faz com que haja mais dinheiro a circular, e que por isso o consumo
privado aumente, e em consequência disso os preços subam, a inflação, que
além de afetar o poder de compra dos cidadãos, prejudica a competitividade
internacional das empresas, e, portanto, o saldo da balança comercial. Para
travá-la, o estado tem de tomar medidas que travem o consumo, e, assim, o
crescimento. Para isso, poderá tomar medidas que passem por retirar liquidez
do sistema financeiro, aumentar a taxa de juro, promover políticas de contenção
dos salários ou da despesa pública.

 Fase de recessão: ao adotar políticas de estabilização económica no sentido de


diminuir o consumo (e a inflação), o Estado faz com que as empresas vendam
menos, e, por isso, grande parte delas reduzam seus lucros ou fiquem,
inclusivamente, impossibilitadas de continuar a funcionar, causando a queda do
PIB durante dois trimestres consecutivos. Isso leva ao aumento do desemprego
e uma degradação generalizada do nível de vida, em consequência da redução
dos salários, já que as empresas estão em dificuldades e não podem oferecer
salários altos, e a mão de obra tornou-se, nesta fase, um recurso em que a oferta
supera a procura, descendo o preço.
Para combater estes efeitos, e para além de políticas específicas de apoio social
e de auxílio a alguns setores da economia, o Estado irá tomar medidas inversas
às adotadas no ciclo anterior: fomentar o aumento dos salários, injetar liquidez
no sistema financeiro e facilitar o acesso ao crédito, como formas de aumentar
o consumo e o investimento.

A duração e intensidade desses ciclos nem sempre se poder prever com rigor, porque
dependem de muitos fatores que o estado não controla:
 Conjuntura política externa: a instabilidade em grandes economias e mercados
afeta sempre muito mais economias.
 O preço de certos produtos de base essenciais: o preço de produtos primários
podem condicionar grande parte dos preços de outros produtos e serviços que
os utilizam como fator produtivo.
 A instabilidade nos grandes mercados financeiros: pode ser provocada pela
conduta mais arriscada de algumas empresas ou operadores

A autonomização da macroeconomia:
Durante muitos séculos acreditou-se que a satisfação das necessidades seria
conseguida, no essencial, pela simples ação do mercado: a ‘mão invisível’ referida por
Adam Smith, que fazia com que a atividade produtiva fosse ao encontro das
necessidades dos consumidores, dispensando em geral a intervenção do estado para
esse efeito. Ou seja, durante esses séculos reduziu-se a ciência económica à dimensão
micro: bastava deixar que os agentes privados interagissem para que tudo funcionasse
harmoniosamente.
Não quer dizer que não houvesse estado, nem moeda ou impostos. Simplesmente, esses
instrumentos não eram utilizados para corrigir desequilíbrios na economia ou promover
o crescimento económico, mas sim para enriquecer a nobreza e (mais tarde) a
burguesia, ou para financiar as guerras. Acreditava-se que o mercado resolvia, por si só
o emprego ou crescimento, e desde que a classe dominante vivesse bem, nada disso era
na verdade encarado como um verdadeiro problema, pelo que pura e simplesmente não
precisava de ser resolvido. Isto apenas mudou com a Revolução Francesa, quando os
governantes perceberam que a insatisfação do povo podia ter, para os governantes,
consequências dramáticas.
Essa abordagem aos problemas económicos mudou com a Grande Depressão de 1929.
As consequências brutais da crise em todo o mundo, obrigaram a que se passasse a olhar
para o controlo das crises económicas como uma verdadeira prioridade, e que o Estado
passasse a ter como uma das suas missões essenciais garantir que isto não voltaria a
acontecer.
 “Employment Act”: pela primeira vez, o Estado assume como sua
responsabilidade na delineação das políticas económicas promover ao máximo
“o emprego, a produção e o poder de compra”. Os três grandes objetivos da
política macroeconómica, estão ali identificados: Crescimento económico
(objetivo de médio/longo prazo); Estabilidade da economia a curto/médio prazo,
com a promoção do pleno emprego e do controle da inflação em níveis baixos e
estáveis; Distribuição equitativa do rendimento nacional.

A medição da atividade económica: PIB, IPC e outros indicadores

 PIB = soma do (1) valor monetário (ou de mercado) de (2) todos os bens finais e serviços
produzidos (3) num determinado espaço económico durante (4) um determinado período

1. “Valor monetário ou de mercado” – Como não podemos somar coisas diferentes


(como bens alimentares, automóveis e serviços), para contabilizar o conjunto do
produto converte-se cada uma das suas componentes num valor monetário. Ora ,
esse valor só pode ser o de mercado: - Representa, por um lado, a utilidade que o
output tem para os consumidores/utilizadores finais, além de representar a soma dos
custos de produção com o lucro do empresário.
2. “Todos os bens finais ou serviços” – Por um lado, isto significa que apenas os bens
finais são considerados no cálculo do PIB, pois de outra forma, os bens intermédios
seriam contabilizados N vezes. Há aqui uma ressalva importante: os componentes
adquiridos e não utilizados, são contabilizados como “variação de existências”, a título
de investimento.
Por outro lado, significa que apenas serão contabilizados os bens efetivamente
produzidos no período em consideração, assim excluindo o comércio de bens usados
que sejam revendidos (não significa que o serviço prestado pelo revendedor não seja
contabilizado; apenas que é necessário separar esse serviço do valor de mercado do
bem – o que pode ser extremamente difícil de calcular)
Significa ainda que toda a produção e todo o consumo são contabilizados,
independentemente de o prestador ou o utilizador ser uma entidade pública ou
privada.
Finalmente, significa que tendencialmente todos os bens finais e serviços
efetivamente produzidos serão contabilizados (sendo excluído o auto consumo e as
transações não declaradas/ ilegais)
3. “Em determinado espaço” – significa que os bens produzidos são contabilizados no
PIB do pais onde ele foi produzido. As exportações são consideradas, mas líquidas das
importações; o que se tem em conta para efeitos do PIB é assim o saldo da balança
comercial externa.
4. “Durante determinado período” – normalmente o valor mais publicitado (e mais
relevante) do PIB é o que tem em conta o exercício económico, que corresponde ao
ano civil. Mas também se calcula, e divulga, o PIB trimestral, útil para efeitos de
comparação do ano em curso com anos anteriores, em momentos diferentes do final
do exercício. O conceito de recessão, tal como é aceite pela generalidade dos
economistas, pressupõe mesmo esta contabilização infra-anual: em termos técnicos,
diz-se que estamos em recessão (a fase descendente de um ciclo económico, portanto
um facto relativamente normal e esperável em qualquer economia) quando se
verifica uma quebra no PIB em dois trimestres consecutivos. É diferente de uma
depressão, que acontece quando uma economia não consegue sair da curva
descendente por um período relativamente longo (pelo menos dois anos, embora
quanto a este conceito haja muitas opiniões diferentes entre os economistas).

 PIB Nominal vs. PIB Real – Sendo o PIB calculado a preços de mercado, o seu valor vai
refletir o aumento dos preços dos bens decorrente da inflação, o que não representa em si
mesmo qualquer verdadeiro crescimento económico.
 PIB efetivo (atual) Vs. PIB potencial – Embora os conceitos não sejam equivalentes, o PIB
potencial reflete em traços largos a fronteira das possibilidades de produção de uma
determinada economia; o PIB atual mostra-nos como essas possibilidades foram ou não,
depois, efetivamente aproveitadas pelos agentes económicos.
Em geral, a progressão do PIB potencial é estável, porque normalmente os fatores
produtivos não aparecem de repente, vão-se antes consolidando. No entanto, isso pode
suceder, quando ocorre por exemplo, guerras ou catástrofes naturais, que provoquem uma
diminuição drástica da população ativa ou de outros fatores produtivos; o aparecimento de
um fator produtivo novo e importante, natural ou tecnológico.
A situação normal na economia é a de alinhamento entre o PIB potencial e o atual. No
entanto, pode haver divergências mais ou menos significativas, que podem ser vistas no
gráfico nos períodos de grande crescimento (a capacidade é aproveitada ao limite, podendo
mesmo o produto exceder o que se previa. Há quase pleno emprego e muita moeda a
circular, a consequência é o aumento da inflação) ou recessão (o PIB real não aproveita toda
a capacidade produtiva da economia, nomeadamente a sua mão de obra: a consequência
mais imediata é o aumento do desemprego)

Indicadores económicos complementares do PIB – A Curva de Lorenz e o Coeficiente de Gini

O PIB não é suficiente para medir fatores como: a equidade na repartição dessa riqueza; o
nível de bem-estar da população; a sustentabilidade da produção de riqueza. Por isso, devem
ser completadas com outros instrumentos e ferramentas que meçam outro tipo de dados e nos
permitam formar uma ideia mais completa.

Distribuição de riqueza nacional e transnacional: Ao nível nacional, significa que uma parte da
riqueza gerada pelos cidadãos de rendimentos mais elevados vai ser apropriada pelo Estado e
canalizada para medidas, apoios e infraestruturas que sirvam (apenas ou também) os cidadãos
cujos rendimentos não lhes permitem custear a educação, a saúde ou até a subsistência.
A nível internacional, a redistribuição da riqueza levanta problemas muito mais complicados.
Devido aos diferentes patamares de desenvolvimento económico que se encontram os estados
e com necessidades e possibilidades muito diversas entre si. Depois, e talvez mais importante,
porque não existe uma entidade supranacional com poderes para proceder a essa redistribuição
Índice de Desenvolvimento Humano

O PIB também não consegue avaliar outros fatores extremamente importantes para aferir do
bem estar económico de uma população, e que se prendem agora com o seu nível de
desenvolvimento. Para este efeito, o instrumento mais utilizado (e mais consensual) é o Índice
de Desenvolvimento Humano, elaborado anualmente pelo PNUD – Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento.

O IDH não prescinde do PIB per capita enquanto indicador de riqueza ou bem-estar económico:
um baixo nível de rendimentos significa, entre outras coisas, dificuldades em adquirir bens ao
exterior, o que necessariamente condiciona as possibilidades de desenvolvimento, mas
acrescenta-lhe duas vertentes fundamentais que podem servir para avaliar o desenvolvimento
e a sua sustentabilidade.

 A esperança média de vida, que nos mostra se aquela economia oferece aos seus cidadãos
condições mínimas de sobrevivência. Isto agrega dados que se prendem, por exemplo, com:
Acesso à comida e água; Acesso à habitação; Acesso à saúde e higiene: hospitais, vacinas,
medicamentos, saneamento básico; Segurança: guerras, criminalidade, propensão para
catástrofes naturais.
 A escolaridade, que nos permite avaliar a capacidade de as gerações futuras poderem
prosseguir aquele desenvolvimento. Escolaridade efetiva média, que nos dá a ideia da
capacidade atual da força de trabalho desse país; Escolaridade esperada, que nos diz o que
podemos esperar dessa força de trabalho num futuro próximo.

Uma vantagem do IDH é de ser um índice simples, de muito fácil leitura e compreensão e que
ainda assim consegue fornece indicações muito valiosas à generalidade das pessoas que se
interessem por lê-lo. Porém para poder ser de simples leitura e compreensão, o IDH deixa de
fora muitos indicadores importantes de desenvolvimento, que mesmo não sendo ‘económicos’
na origem têm uma influência grande sobre o bem estar, nomeadamente a liberdade, a
democracia, o combate à corrupção, o respeito pelos direitos humanos em geral e a preservação
do ambiente e do ecossistema. Além disso, não leva em conta as desigualdades internas.

A medição do custo de vida: o IPC

O aumento dos preços é uma consequência natural das fases de expansão dos ciclos
económicos, uma vez que nestas fases há muito emprego, e por isso mesmo também os salários
sobem, permitindo aos trabalhadores assalariados (que constituem a grande maioria da
população ativa) ter mais recursos financeiros, e por isso consumir mais. O aumento da oferta
conduz, naturalmente, ao aumento dos preços.

Ao medir o aumento do preço dos bens, a taxa de inflação representa assim, por outro prisma,
o termo de comparação do valor relativo de uma mesma unidade monetária em diferentes
momentos. Diz-nos, portanto, quantas mais unidades teremos de gastar hoje para manter o
mesmo padrão económico de vida que mantínhamos há um ano.

O mecanismo mais fiável para medir esta variação, e para os governos saberem que medidas
usar no combate à inflação, e sobretudo com que intensidade as usar, é o Índice de Preços no
Consumidor, que mede a variação dos preços tal como estes são repercutidos no consumidor –
ou seja, depois de contabilizados todos os custos de produção, distribuição e outros (transporte,
seguros, etc. – mas já não os impostos sobre o consumo) que o consumidor terá de suportar.
Existem problemas para o cálculo do IPC como por exemplo:
 A não contabilização das alterações de preços na economia paralela.
 “Enviesamento por substituição”: os consumidores, de um ano para o outro, substituem
bens/marcas que se tornaram mais caros por outros que mantiveram o preço, sem que
isso seja imediatamente tido em conta na ponderação do seu peso relativo.
 Surgimento de novos produtos: para além do problema de ser difícil calcular a variação
de preços de um produto novo
 Alteração da qualidade dos produtos: se a qualidade de um bem se deteriora de um ano
para o outro, há uma perda real do valor do rendimento despendido para o adquirir que
não é contabilizada no IPC e na taxa de inflação, porque estas alterações são de difícil
deteção e ainda mais difícil contabilização

 IPC x Deflator do PIB: O deflator aplica-se apenas a bens e serviços produzidos


internamente; o IPC aplica-se a quaisquer bens ou serviços adquiridos pelos
consumidores finais, independentemente da origem da sua produção. Esta diferença é
muito importante, quando se trata de combustíveis. Além disso, o IPC mede a variação
de um cabaz pré-determinado de bens e serviços e o deflator do PIB aplica-se aos bens
e serviços produzidos em determinado ano, aplicando-lhe a correção relativa ao ano-
base em análise.
Normalmente isto não introduz grandes distorções; isso só acontece quando o preço de
um bem em particular, e normalmente com um peso relativo grande, se altera muito
mais do que proporcionalmente em função dos outros

 A inflação como fator de correção de outras variáveis económicas: assim como o


deflator do PIB desconta os efeitos da desvalorização da moeda (da inflação) na
formação dos preços, deixando ficar apenas o aumento real de valor dos bens e serviços
produzidos, o mesmo raciocínio pode aplicar-se a outras variáveis da economia, como
as taxas de juros e a taxa de câmbio

 Taxa de juros: em períodos de expansão, uma das formas de travar a subida da


inflação decorrente do aumento do consumo é encarecer o dinheiro, e,
portanto, tornar mais caro o recurso ao crédito (porque temos de pagar mais
para pedir emprestado) ao mesmo tempo que se incentiva a poupança (porque
recebemos mais se tivermos o dinheiro aplicado). Já em períodos de recessão
as empresas têm dificuldade em escoar a sua produção, porque há mais pessoas
sem trabalho e os salários são mais baixos; para incentivar o consumo, o Banco
Central pode descer a taxa de juro, tornando o dinheiro mais barato e
permitindo aos cidadãos endividarem-se junto dos bancos com menores custos
financeiros.

 Taxas de cambio: menos utilizada do que a distinção anterior, esta outra é


bastante importante para determinar a deterioração do poder de compra de
uma moeda relativamente a outra moeda.
Produtividade: quantidade de bens ou serviços produzidos por unidade de trabalho. ai
depender, no essencial, de 4 grandes fatores: Capital físico; Capital humano; Recursos naturais
e Tecnologia

Com a exceção dos recursos naturais, que são um elemento muito dificilmente modificável, o
aproveitamento de todos os outros será mais ou menos potenciado em função da maior ou
menor disponibilidade de capital financeiro na economia em questão, que funciona como um
5.º fator, transversal aos demais. Para promover o melhor aproveitamento destes elementos,
os governos podem fazer:

 Poupança e investimento – O primeiro e mais importante elemento de uma política


económica voltada para o crescimento é o incentivo à poupança e ao investimento:
apenas investindo na aquisição de novos fatores produtivos ou na melhoria dos fatores
existentes é que uma economia pode aspirar a crescer.
Isto implica, no entanto, que o próprio estado e os seus cidadãos deixem de consumir
uma parte do seu rendimento, o que nem sempre é possível, já que em economias com
um PIB per capita baixo, a maior parte do rendimento das famílias não pode deixar de
ser consumido por uma questão de sobrevivência. Além disso, a existência de políticas
eleitoralistas, avessas a exigir sacrifícios aos cidadãos e a falta de visão estratégica dos
governantes e de espírito de sacrifício dos governados.

 Lei dos rendimentos decrescentes: crescimento da produtividade está sujeito à ela, que dita
que, a utilidade marginal de cada elemento adicional de capital físico, humano ou
tecnológico é progressivamente menos relevante para o aumento da produtividade.

 Efeito de recuperação (catch-up): é a razão de Estados abundantemente dotados daqueles


fatores dificilmente podem aspirar a altas taxas de crescimento e explica igualmente a razão
pela qual encontramos tantos países pobres no topo da lista das economias em crescimento.
As economias com maior margem de progressão crescem mais rapidamente, recuperando
terreno para as mais industrializadas.

 Atração de investimento estrangeiro – poupança e investimento de investidores


estrangeiros, provenientes de economias em que o capital em falta (financeiro,
tecnológico, humano ou físico) seja mais abundante, e tornando parceiros nos em
projetos económicos.

 IDE – Investimento Direto Estrangeiro, quando o investidor cria, de raiz, uma nova empresa
no país de destino;

 Investimento de carteira (ou de portfolio), quando esses investidores externos adquirem o


controlo de empresas do país de destino que já se encontram instaladas.

Na maior parte dos casos, este investimento é realizado por empresas multinacionais de
forte dimensão financeira, que se estabelecem em países com uma margem de
crescimento grande e tentam aproveitar as (e apropriar-se das) oportunidades que eles
oferecem, como abundância de recursos naturais, mão de obra barata, Inexistência de
proteção social e ambiental (sobre-exploração dos recursos naturais e da mão de obra),
mercados não explorados, benefícios fiscais e maior facilidade de negociar diretamente
com os governantes.

 Educação e saúde

 Respeito pela propriedade privada: Inibição de o estado retirar bens aos cidadãos
(nacionalizações e expropriações), que está relacionada com a estabilidade política.
democracia eficaz, que garanta a inexistência de privilégios a algumas classes e que o
poder político prevalece sobre o poder económico. Importância de um sistema jurídico
e um aparelho judicial eficiente, que garanta que qualquer cidadão possa fazer valer os
seus direitos contra terceiros de uma forma rápida e eficaz.

 Liberdade de mercado e de comércio externo: Importância da regulação da


concorrência: impedir que as empresas economicamente mais poderosas absorvam
todo o lucro que o mercado proporciona, abusando da sua posição de domínio.

 Liberdade de trocas internacionais: a existência de entraves significativos à liberdade de


comércio internacional é prejudicial para todos, para além de afastar o investimento
pode dificultar a importação.

 Respeito pela autonomia privada: da mesma forma que o estado não deve expropriar
propriedade privada salvo em casos de absoluta necessidade, também não deve
interferir na gestão privada dessa propriedade, nomeadamente na autonomia dos
privados para celebrar contratos. Isto apenas deve acontecer quando estejam em causa
interesses que não apenas os das partes no negócio, como por exemplo consumidores,
mercados ou terceiros, ou se a ordem pública estiver em risco.

Políticas de promoção de R&D:

 Financiamento da investigação: a investigação é um custo que a maior parte das


empresas não tem condições de suportar apenas com os seus próprios lucros; por isso
é essencial que haja políticas públicas de promoção da investigação nas universidades,
polos tecnológicos e empresas.
 Proteção da propriedade industrial e intelectual: se uma empresa não tem a garantia de
que vai poder explorar economicamente o resultado da sua investigação, não tem
qualquer incentivo para a fazer; por isso, é essencial que as patentes, os desenhos
industriais, os direitos de autor e todos os outros direitos criados para proteger a autoria
e a criatividade desfrutem de uma tutela efetiva

A questão demográfica: O crescimento da população mundial, que por regra se faz sentir
sobretudo em regiões do mundo menos industrializadas (onde, por isso mesmo, as populações
têm menos acesso a planeamento familiar), levanta questões adicionais quando às perspetivas
de crescimento das economias, como a suficiência de recursos, a diluição desses recursos e,
necessariamente, a diminuição da produtividade, além do progresso tecnológico.
Poupança, investimento e sistema financeiro

Mercados financeiros e Intermediários financeiros: o papel dos mercados financeiros, e uma das
funções principais dos intermediários financeiros é promover o encontro entre as poupanças de
uns e o sentido empresarial, de risco e de investimento de outros.

Os bancos funcionam como intermediários financeiros para indivíduos e pequenas empresas


que necessitam de adiantamento de fundos para criar ou ampliar o seu negócio, mas não tem
acesso à bolsa ou aos mercados de obrigações. Se os bancos têm sempre dinheiro disponível
para conceder empréstimos, isso acontece porque, no nosso sistema financeiro, são por
natureza os recetores privilegiados de toda a poupança privada: é aos bancos que a
generalidade dos agentes económicos confia o seu dinheiro, e é portanto pelo sistema bancário
que circula virtualmente toda a riqueza monetária nacional, assumindo as funções de guardar o
dinheiro que lhe é confiado; remunerar com juros esse capital; e facilitar pagamentos.

Ou seja: por assumirem aquelas funções, os bancos são por natureza os agentes que recolhem
a poupança privada, tendo depois a função de a administrar e distribuir, sempre mediante uma
retribuição, por quem pretenda financiar-se com capitais alheios. São assim a forma mais
simples de promover aquele encontro entre a disponibilidade financeira dos que pouparam e
não querem investir e a necessidade de quem pretende investir, mas não tem capital próprio
para o fazer.

Os mercados financeiros - obrigações e ações: estão, por regra, reservados aos grandes
investidores, que procuram chamar a si as poupanças dos pequenos aforradores.

 Dois tipos de financiamento (“debt” e “equity”): as obrigações não são mais do que uma
dívida contraída junto dos credores obrigacionistas, e que terá de ser reembolsada nos
termos pré-definidos; a emissão de ações dá origem à aquisição da qualidade de sócio
(e, por essa via, de direitos equitativos com os dos demais sócios) por parte dos
subscritores

 O mercado obrigacionista (Bond market): Uma obrigação é um título de dívida emitido por
uma sociedade comercial e adquirido por terceiros, mediante a estipulação de um prazo de
vencimento e dos juros a pagar periodicamente ao subscritor. Depende de dois elementos:
- Prazo de vencimento: quanto mais longo for esse prazo, mais alto será o juro, uma vez que
o subscritor se verá privado do capital por mais tempo, e corre maiores riscos de não
conseguir reembolsar o capital.
- O risco apresentado pelo emitente: a dívida emitida pelo estado (“títulos do tesouro”,
“certificados de aforro”) ou por uma grande sociedade normalmente apresentam um risco
pequeno de incumprimento, uma vez que essas entidades têm um património muito vasto
com que os credores podem sempre fazer-se pagar; mas se se tratar de uma sociedade de
menor dimensão, ou que esteja numa posição financeira difícil, é mais plausível que o credor
possa nunca vir a ser reembolsado, por isso, a remuneração do capital terá de ser maior no
segundo caso.

 O mercado bolsista (stock market): emissão (inicial ou em operação de aumento) de ações,


e são títulos representativos do seu capital social. Com juros altos não convém pedir
empréstimos bancários ou emitir obrigações, porque teria de pagar bastante pelo capital
cedido a título de juros.
O produto da venda das ações emitidas para um aumento de capital passa a ser
integralmente património da sociedade, ou seja, ao contrário do que acontece com um
empréstimo obrigacionista, esse montante nunca terá de ser devolvido aos subscritores. O
trade-off desta opção é a necessidade de admitir novos sócios, uma vez que qualquer titular
de uma ação é, por natureza, sócio. Porém, a emissão de capital pode causar problemas
eventuais como a dispersão dos direitos, em especial o direito ao lucro (dividendo) e o
direito de voto, com a consequente redução proporcional e a possibilidade de terceiros
assumirem o controle da sociedade, se conseguirem adquirir o capital que passou a estar
mais disperso.
Tal como acontece no mercado obrigacionista, e aqui com muito mais intensidade, as ações
são diariamente transacionadas nos mercados financeiros por um valor que varia
diariamente em função da oferta e da procura de cada título, e se vai afastando do seu valor
de emissão. A procura de títulos tem a ver, por seu lado, com as expetativas dos investidores
no crescimento da empresa, e na sua capacidade de distribuir lucros a cada ano: comprar
ações de uma empresa que não distribua lucros é um investimento parado.

Instrumentos financeiros: fundos de pensões, fundos de investimento e produtos derivados

 Fundos de pensões: funciona sempre a longo prazo – o investidor compromete-se a não


retirar as suas poupanças durante um período de tempo que pode durar várias décadas. Por
isso mesmo este produto é normalmente bem remunerado em termos de juros e goza
sempre de um tratamento fiscal privilegiado.

 Fundos de investimento: embora muitas vezes incluídos na categoria de intermediários


financeiros, os Fundos são sobretudo um instrumento criado por eles para convencer os
pequenos investidores a colocar as suas poupanças nos mercados de capitais com a
aparência de um menor risco. Isto porque estes Fundos consistem num portfolio de
investimentos diversificados, que podem ser constituídos apenas por ações, apenas por
obrigações, por ambos, ou até incluir outro tipo de valores (por exemplo, ouro e títulos da
dívida pública) Grande problema: a fiabilidade da informação prestada pelos técnicos, que
na ânsia de captar investimentos (e de ganharem prémios de produtividade) muitas vezes
ocultam ou desvalorizam o risco contido naqueles investimentos – ou que pura e
simplesmente não se apercebem dele

 Os produtos derivados: O refinamento dos mercados de capitais levou, nas últimas décadas,
ao surgimento de uma infinidade de produtos financeiros que têm por objeto negócios
(passados, presentes ou futuros) sobre outros produtos, e que por isso mesmo são
designados por “produtos derivados”. “Activo de base”: ativos financeiros ou reias, que
podem ser, ações; obrigações; contratos securatizados (v.g., empréstimos garantidos por
hipotecas); ativos reais: petróleo, borracha, café, gado etc. Estes produtos funcionam
normalmente em mercados ou plataformas de negociação próprios. Durante muito tempo
foram um mercado altamente desregulado, e essa falta de supervisão veio a ter
consequências desastrosas para a economia mundial. Estes produtos são muitas vezes
transacionados por intermediários financeiros diferentes dos bancos, como seguradoras;
instituições financeiras não-bancárias (sociedades de investimento, como por exemplo:
sociedades de corretagem; sociedades gestoras de património; sociedades mediadoras de
câmbios; sociedades de factoring; sociedades de locação financeira.
A Moeda: é um instrumento essencial no controle da inflação e do desemprego – ou seja, nas
políticas de estabilização macroeconómica: Controle da quantidade de moeda que circula;
Estabelecimento do “preço interno do dinheiro” através da taxa de juro; Estabelecimento do
“preço externo do dinheiro” através da taxa de câmbio. Tem como funções: instrumento de
troca, unidade de conta e reserva de valor.

Evolução de moeda: 1) A troca direta: inconvenientes; 2) “Moeda-mercadoria” (commodity


Money): diferenças para a troca direta, com inconvenientes semelhantes; I. a moeda cunhada
em metais preciosos: inconvenientes; II. o padrão-ouro e o padrão-ouro-dólar (referência muito
breve); 3) Moeda fiduciária (fiat money): o dinheiro deixa de estar garantido por reservas de
ouro detidas pelo Tesouro; 4) Moeda escritural: a moeda não tem de ter uma existência física,
podendo consistir apenas em registos contabilísticos a favor do seu titular; 5) Criptomoedas

Os bancos e a “criação de moeda”: através de empréstimos, o dinheiro que receberam como


depósitos, esse dinheiro passa a circular ume segunda vez, aumentando a quantidade de moeda
disponível numa determinada economia, globalmente considerada. Multiplicador da moeda
tem este efeito: permitindo aos bancos utilizar dinheiro que não lhes pertence (leveraging, ou
“alavancagem”) vai multiplicar a moeda por um fator que é o inverso da percentagem de capital
que o banco tem de deter como reserva. Porém, criar liquidez não é criar riqueza, e pode ser
perigoso quando é feito de forma descontrolada.

Desemprego e Inflação: A população ativa é constituída pelo “conjunto de indivíduos com idade
mínima de 15 anos que, no período de referência, constituíam a mão-de-obra disponível para a
produção de bens e serviços que entram no circuito económico (empregados e
desempregados).” A taxa de desemprego representa, assim, ”o peso da população
desempregada sobre o total da população ativa”.

Tipos de desemprego:

 Desemprego natural: Representa a taxa esperada, ou seja, a quantidade de pessoas


desempregadas que aquela economia terá sempre, independentemente do momento
do ciclo económico. Resulta da combinação de alguns elementos das noções de
desemprego friccional e estrutural.
 Desemprego friccional: É a situação das pessoas que estão entre trabalhos, e que
decorre da natural mobilidade da mão de obra: um trabalhador independente entre
duas obras, pessoa que se despediu e está à procura de novo trabalho, etc. Está ainda
associado ao desemprego sazonal, que se refere a alguns trabalhos cuja oferta se
concentra em alguns períodos do ano: especialmente importante no trabalho agrícola.
 Desemprego cíclico: É o desemprego que resulta na natural sucessão dos ciclos da
economia, e que se agrava inevitavelmente em períodos de recessão. É um tipo de
desemprego que facilmente se pode tornar estrutural, sobretudo para os
desempregados com mais idade e maior dificuldade de adaptação a novas exigências
 Desemprego estrutural: Desempego, normalmente de longo prazo, que se prende com
deficiências estruturais de uma economia, e que normalmente resulta dos seguintes
fatores: Falta de preparação/qualificação da força de trabalho; Substituição da força de
trabalho por tecnologia e maquinaria; Excesso da oferta de trabalho relativamente à
procura.
O desequilíbrio estrutural do mercado de trabalho: os preços no mercado de trabalho tendem
para ser fixados acima do ponto de equilíbrio, o que leva a que nunca exista um encontro
perfeito entre a oferta e a procura que resulte na fixação do preço ótimo de mercado. Por isso
temos constantemente desemprego: o mercado não está disposto a absorver toda a oferta
existente naquele ponto acima do preço de equilíbrio. Isso se relaciona com as garantias sociais
e constitucionais de proteção do emprego e de fixação de condições mínimas de dignidade na
remuneração dos trabalhadores, como o salário mínimo e as ações dos sindicatos.

Impacto social: o desemprego, enquanto incapacidade de alguém conseguir prover ao seu


sustento (e ao da sua família, quando for o caso), é uma das principais causas de exclusão social,
de marginalidade e de problemas psicológicos de tipo depressivo;

Impacto económico: A nível da economia privada, o aumento do desemprego provoca uma


descida do consumo, o que significa que as empresas vão ver os seus lucros reduzirem-se ou ter
de encerrar. Já ao nível da economia pública o aumento do desemprego significa ao mesmo
tempo, menos cobrança de impostos e aumento das prestações sociais (auxílio desemprego)

A inflação – definição e causas:

Teoria quantitativa da moeda: o desequilíbrio entre a oferta e a procura de dinheiro é a causa


última da inflação. O valor do dinheiro diminui à medida que ele se torna mais abundante; e se
o dinheiro vale menos, isso significa que os preços relativos dos bens e serviços sobem. Isto
significa que as autoridades monetárias podem controlar a inflação controlando a oferta de
dinheiro.

Tipo de Inflação:

 Inflação moderada, galopante e hiperinflação


 Inflação antecipada e não-antecipada: em condições normais, apenas a última constitui um
problema sério, uma vez que: – Sendo a inflação antecipada, as autoridades monetárias
poderão precaver-se tomando antecipadamente medidas para diminuir os seus efeitos
 Inflação vs. deflação: apesar de os consumidores poderem vem como positiva a descida dos
preços, ela representa normalmente uma incapacidade de escoar a produção, e dessa forma
um problema estrutural da economia
 Inflação por pressão da procura e inflação por pressão do aumento dos custos de produção:
a estagflação (inflação acompanhada de estagnação da economia) e o dilema que coloca aos
bancos centrais, que não têm forma de a combater: reduzia a quantidade de moeda não faz
os preços descerem, e agrava ainda mais o abrandamento do crescimento;
 O caso particular da entrada em vigor do Euro: a inflação por arredondamento

O impacto da inflação:

 Perda do poder de compra: depende do aumento correspondente (ou não) dos salários, e
por isso mesmo a perceção geral deste efeito é em regra bastante superior ao seu impacto
real
 Custos de transação: tanto os consumidores como as empresas vão ter custos adicionais ao
tentar colocar as suas poupanças a salvo da desvalorização e a alterar os preços dos bens e
serviços que oferecem, para que estes acompanhem a inflação.
 Variação dos preços relativos dos bens: uma vez que a inflação não afeta todos os bens e
serviços por igual, fazendo subir alguns preços em proporão superior a outros, isso vai
alterar o seu valor monetário relativo, induzindo confusão nos consumidores e nos
investidores.
 Distorções fiscais: para ser equitativa e traduzir alguma justiça fiscal, a taxa de imposto
deverá ter em conta o efeito da inflação
 Redistribuição arbitrária do rendimento, em benefício dos devedores.

O trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego: não é possível, no curto prazo,
combater em simultâneo, e eficientemente, o desemprego e a inflação. As medidas tendentes
a diminuir um irão sempre fazer aumentar o outro, e por isso mesmo é inevitável a sucessão de
ciclos económicos de curto/médio prazo. Esta relação inversa entre ambos os valores é expressa
na Curva de Phillips.