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Itens do Edital que correspondem a proposta:

6.5 - O formulário deverá ser preenchido com as seguintes informações:

a) Identificação da proposta: Chamada CNPq N º 09/2018 – Bolsas de Produtividade em


Pesquisa
b) Proponente: Maria Dilnéia Espíndola Fernandes
c) Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
d) Área de Conhecimento: Educação. Subárea de Conhecimento: Política Educacional
e) Título: Remuneração docente em contexto federativo
Palavras-chave: Política Educacional, PSPN, Remuneração Docente, Contexto
Federativo.
Title: Teachers' remuneration nationwide
Keywords: Education Policy, PSPN, Teachers' Remuneration, Nationwide Context.

6.6.1 – Recomenda-se que o arquivo do projeto a ser anexado ao formulário


eletrônico contenha as seguintes informações:

a) Resumo

A pesquisa objetiva desvelar em contexto federativo, o comportamento da remuneração


docente pós aprovação da Lei n. 11.738/2008, que instituiu o Piso Salarial Profissional
Nacional (PSPN) para os professores da educação básica da rede estadual de ensino,
tomando como unidade de análise o estado de Mato Grosso do Sul. Trabalhar-se-á com a
legislação de âmbito federal e estadual, o Banco de Dados Relação Anual de Informações
Sociais (RAIS), documentos produzidos pelas Secretarias de Estado da Fazenda e de
Educação e do movimento sindical docente. Também se utilizará da técnica de entrevista
semiestruturada com administradores da gestão pública estadual e com dirigentes do
movimento sindical estadual. Com efeito, no período de 2012 a 2017, o estado de Mato
Grosso do Sul pagou uma das maiores remunerações docentes da federação brasileira.
Tal fato foi possível mediante contexto de aumento de finanças públicas estaduais por um
lado, e, por outro, dado o grau de organicidade do movimento sindical docente. A partir
da conjuntura político-econômica instalada em 2016, com a aprovação da Emenda
Constitucional n. 95/2016 que institui o “Novo Regime Fiscal”, em interseção federativa,
o estado de Mato Grosso do Sul aprovou a Emenda à Constituição Estadual n. 77/2017,
para se adequar a indução da União no que concerne ao “Regime de Contenção de Gastos”
públicos. Nesse novo contexto de restrição de gastos públicos, muitas poderão ser as
implicações e consequências para a reprodução do trabalho docente e suas condições
materiais de existência. Diante disso, o imperativo desta pesquisa será desvelar, na
conjuntura de restrição de gastos públicos em interseção federativa, quais efeitos o
cenário provocará no direito ao PSPN e sua incidência na estrutura da carreira profissional
docente.
b) Objetivos Geral e Específicos;

O objetivo geral da pesquisa é desvelar os efeitos da restrição de gastos públicos em


interseção federativa no direito ao PSPN e sua incidência na estrutura de remuneração da
carreira dos docentes da rede estadual de ensino do estado de Mato Grosso do Sul, no
período de 2018 a 2021.

Os objetivos específicos se elencam a seguir:

1 – Verificar se o pagamento do PSPN em contexto de restrições de gastos públicos será


mantido aos docentes da rede estadual de ensino do estado de Mato Grosso do Sul, no
período de 2018 a 2021;

2 – Desvelar quais efeitos provocará ao cumprimento do PSPN aos docentes da rede


estadual de ensino do estado de Mato Grosso do Sul no período de 2018 a 2021, as
aprovações da Emenda Constitucional n. 95/2016 e da Emenda à Constituição Estadual
n. 77/2017 que se deram em interseção federativa;

3 – Desvelar o efeito provocado na estrutura da remuneração e da carreira profissional


docente da rede estadual de ensino do estado de Mato Grosso do Sul no período de 2018
a 2021, mediante a aprovação da Emenda Constitucional n. 95/2016 e da Emenda à
Constituição Estadual n. 77/2017 que se deram em interseção federativa.

c) Metodologia;

A presente proposta de pesquisa é de caráter qualiquantitativa, porque na


historicidade dos processos sociais quantidade e qualidade são inerentes a estes processos
e estão inter-relacionados.
Certamente, a ação humana ao longo da História, é instituidora e constituidora de
processo sociais que podem ser observados, explorados, analisados, avaliados e
mensurados tanto de forma qualitativa quanto quantitativa.
Com efeito, pontua-se que “os conjuntos de dados quantitativo e qualitativo não
se opõem, ao contrário, complementam-se; pois a realidade que eles abrangem interage
dinamicamente.” (DUARTE et al, 2009, p. 177).
Nesse sentido, ainda que na instituição e constituição de processos sociais e em
seus desenvolvimentos históricos, os conjuntos de dados qualitativos e quantitativos
possam ser identificados, observados, verificados, desvelados e analisados de forma
isolada uns dos outros, importa considerar que, para que se consiga desvelar a totalidade
do processo em questão, qualidade e quantidade culminam dialeticamente em teses,
sínteses e antíteses e, a partir disso, a alteração em um ou em outro, concorre para a
transformação de uma determinada realidade.

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Diante disso, a abordagem qualiquantitativa para o desvelamento de processos
sociais se apresenta por um lado, como uma perspectiva que, ao considerar a historicidade
das ações humanas, a entende como determinações múltiplas, contraditórias,
conciliatórias, sendo realizada em movimento de correlação de forças sociais. Por outro
lado, a dinâmica com a qual a correlação de forças sociais se movimenta, se forja em
determinada conjuntura política, econômica, social e cultural, pode ser mensurada pelos
dados que a própria conjuntura pode estar produzindo que, ao depender do grau de
desenvolvimento do conhecimento e de seu acúmulo em cada momento histórico,
possibilita avançar em ferramentas e instrumentos para o desvelamento dos processos
sociais.
Assim, considera-se nesta proposta de pesquisa, as ações do Estado na atual
conjuntura brasileira, que se movimenta em processo de correlação de forças sociais,
condensando tais forças (POULANTZAS, 2000), para garantir a produção e reprodução
da força de trabalho docente em perspectiva histórica.
Certamente, a República Federativa Brasileira tem como grande fiador do pacto
federativo (VIEIRA, 2015), a Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988). Foi na
Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) que o tema da valorização do magistério
da educação básica, tendo como imperativo a qualidade da educação, em termos de
concepção, foi instituído com nova vitalidade. A matéria foi normatizada pela legislação
infraconstitucional, Lei n. 9.394/1996 (BRASIL, 1996a).
No intervalo de tempo entre a aprovação da Constituição Federal de 1988 e da Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1988, 1996a), a temática da
valorização do magistério, tanto quanto a da qualidade da educação, foram objetos de
disputas na correlação de forças sociais. Momentaneamente, em termos de
materialização, a aprovação da Lei n. 9.424/1996 (BRASIL, 1996b) que instituiu o Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do
Magistério (Fundef), garantiu a valorização do magistério da educação básica, ao dispor
a obrigatoriedade de reserva orçamentária para os salários dos professores do ensino
fundamental, bem como, a obrigatoriedade de Planos de Cargos, Carreira e Remuneração
(PCCRs) aos docentes dessa etapa da educação básica.
O efeito produzido pela legislação educacional na materialidade da vida dos
professores da educação básica, ainda se mostrava incompleta, dado que o Fundef
normatizou a valorização docente somente aos professores do ensino fundamental.

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Nesse processo, quantitativamente, a valorização docente se expressou em termos
de garantia de, no mínimo, 60% dos recursos orçamentários do fundo destinados aos
professores do ensino fundamental. Qualitativamente, a expressão foi a garantia, pelos
entes federativos, de PCCRs aos membros do magistério em processo de indução pela
União. Esta foi a mediação possível de ser construída nesse momento histórico em
processo de correlação de forças sociais entre o Estado e frações da sociedade para a
valorização docente.
Contudo, o processo de valorização docente durante o período de 1996 a 2007, foi
se desenhando em termos qualiquantitativo, para se chegar a um outro acúmulo mediante
o desenvolvimento do processo social. Destaca-se nesse desenvolvimento, a luta docente
pela instituição de um Piso Salarial Nacional que foi substituído pelo valor do
custo/aluno/ano/mínimo pelo Fundef em processo de correlação de forças sociais.
Nessa perspectiva, o processo de valorização docente avançou de forma
quantiqualitivo, e, mais uma vez, construiu a síntese possível no momento histórico. Com
efeito, a aprovação da Lei n. 11.494/2007 (BRASIL, 2007) que instituiu o Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais
da Educação (Fundeb) colocou a questão da valorização docente em novo patamar
quantiqualitativo. Houve alteração no padrão quantitativo, em razão de que a reforma no
campo do financiamento da educação operada pelo fundo, abrangeu todos os professores
da educação básica, diferentemente do Fundef, cujos recursos para salários se destinaram
exclusivamente aos professores do ensino fundamental. Também de caráter quantitativo,
mas que em seguida promoveu mudanças qualitativas, foi o dispositivo do Fundeb em
seu artigo 41, sobre a aprovação de lei especifica, até 31 de agosto de 2007, para instituir
o Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) para os profissionais do magistério público
da educação básica. (BRASIL, 2007).
Tal fato marcou o cenário de valorização docente e promoveu tensões nas relações
federativas brasileiras. Por um lado, a União induziu os entes federados a assumirem uma
reivindicação histórica do movimento docente organizado em suas representações
orgânicas. Por outro lado, em modelo de políticas sociais descentralizadas, quando a
materialidade da força de trabalho docente da educação básica é de responsabilidade dos
entes federativos subnacionais, a questão específica do PSPN ganhou centralidade na
conjuntura da valorização docente e estremeceu a correlação de forças sociais entre
Estado e setores sociais.

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Nesse contexto, o primeiro indício de tensão federativa foi a postergação da
aprovação da Lei que deveria instituir o PSPN como dispôs o Fundeb. Somente em julho
de 2008, foi aprovada a Lei n. 11.738 (BRASIL, 2008a). Sua aprovação agudizou a tensão
federativa. Com efeito, governadores e prefeitos nas unidades federativas tentavam,
naquele momento histórico, conter mudanças de caráter qualiquantitativas que se
processariam a partir da assunção da valorização do magistério por meio do pagamento
do PSPN. (FERNANDES, RODRIGUEZ, 2011).
A aprovação em nível nacional da Lei n. 11.738/2008 (BRASIL, 2008a) não
significou sua imediata materialização pelas unidades subnacionais no contexto
federativo brasileiro. Assim a tensão federativa se agravou quando governadores
estaduais decidiram questionar a Lei por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADIn)1 no Supremo Tribunal Federal (STF) (BRASIL, 2008b). Questionaram os
governadores na ADIn, sobretudo, quebra de autonomia federativa pela União. Qual seja,
entendiam os governadores que a União não deveria legislar nesse caso para as unidades
federativas.
Essa situação refreou qualiquantitativamente a valorização do magistério por meio
do pagamento do PSPN, tanto quanto impediu seus possíveis efeitos na estrutura da
carreira do professor mediante os PCCRs, até o julgamento da Ação pelo STF. A “fuga
para a frente” (FIORI, 2003, p. 185), da valorização do magistério foi até 2011, quando
o STF deu ganho de causa parcial à União na matéria (BRASIL, 2011).
Medida importante para o campo da valorização docente, ainda que a implantação
do PSPN estivesse em compasso de espera diante da contenda federativa, foi a aprovação
pelo Conselho Nacional de Educação, da Resolução n. 02/2009, que fixou as Diretrizes
Nacionais para os Planos de Cargos, Carreira e Remuneração dos Profissionais do
Magistério da Educação Básica Pública (PCCRs) (BRASIL, 2009). Esta Resolução:

em seu parágrafo único, estabelece que a remuneração dos profissionais


do magistério deve se pautar, primeiro, na Lei do Piso, ou seja, as
carreiras terão que ser constituídas a partir do mínimo, isto é, o valor
definido a cada ano do referido piso. (ALMEIDA, 2009, p. 100).

Pontua-se que em 2014, a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE 2014-


2024) pela Lei n. 13.005 (BRASIL, 2014), instituiu também o alinhamento a ele dos

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A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) n. 4.167, foi acionada pelos governadores dos estados do
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará. Estes governadores contaram com
o apoio dos governadores dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e do Distrito Federal na Ação.
(FERNANDES, RODRIGUEZ, 2011, p. 96).

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Planos Estaduais e Municipais de Educação. A aprovação dos Planos Educacionais em
alinhamento revigorou os dispositivos para o PSPN e seus efeitos na estrutura da carreira
docente para cada ente federativo. Ademais, reconheceu o PNE 2014-2024, que os
professores da educação básica até 2014, recebiam 33% a menos que outras profissões
com formação equivalente e mesma jornada de trabalho. Diante disso a Meta 17 do PNE
2014-2024 e correspondentes Planos Estaduais e Municipais viriam a corrigir tal
desproporção.
Ainda assim, na historicidade dos processos sociais, a questão do PSPN foi se
configurando em disputa social entre unidades federativas, seus intelectuais orgânicos
(GRAMSCI, 1988) e o movimento sindical organizado dos professores de educação
básica.
Entre os principais intelectuais orgânicos presentes na conjuntura em questão,
para reivindicar a posição dos municípios e provar cientificamente que estes não teriam
condições financeiras de pagar o PSPN, ao menos sem a ajuda supletiva da União,
estiveram o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) e a Confederação
Nacional de Municípios (CNM). Este último por exemplo, em 2017, reivindicou o
reajuste do PSPN pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), dado que:

entre 2010 e 2017, o INPC acumulou crescimento de 51,50% e o


Fundeb aumento de 61,79%. No mesmo período, o piso dos professores
foi atualizado em 124,49% e o salário mínimo nacional teve reajuste de
83,73%. (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS MUNICÍPIOS, 2017,
p. 01).

Com efeito, tal reivindicação contraria em larga medida a tessitura normativo-


legal que sustentou a construção histórica do PSPN enquanto valorização da força de
trabalho, tanto em início, quanto na estrutura da carreira docente, dado que um dos
dispositivos do Fundeb é o reajuste do PSPN com o mesmo índice de correção que o valor
do custo/aluno/ano do Fundo.
Por tudo isso, os processos sociais em desenvolvimento constroem pontos de
saturação que podem ser verificados no conjunto de dimensões qualitativas e
quantitativas, que poderão promover alterações substancias na dinâmica destes processos.
Isto posto, a dinâmica conjuntural construída a partir do impedimento da
Presidente Dilma Vana Roussef em 2016, e o contexto de aprovação da Emenda
Constitucional n. 95/2016 (BRASIL, 2016), para instituir Novo Regime Fiscal por meio
de congelamento de gastos públicos para as políticas sociais por um período de 20 anos,

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tem induzido os entes federativos a ajustes da mesma natureza. É o caso do estado de
Mato Grosso do Sul, que já aprovou a Emenda à Constituição Estadual n. 77/2017, com
vistas a instituir Regime de Limitação de Gastos (MATO GROSSO DO SUL, 2017).
Nesse contexto jurídico-legal, a hipótese é a de que o pagamento do PSPN e
ganhos na estrutura da carreira advindo dele para os docentes da educação básica,
enfrentarão fortes limitações para se concretizar. As razões de Estado (CHOMSKI, 2008)
nesse momento histórico, tendem a criar novos processos de tensões no entorno da
demanda da valorização do magistério por meio do PSPN e de seus efeitos na carreira.
Nesse cenário, as dimensões qualiquantitativas desse processo tenderão a ser
profundamente alteradas.
Diante disso, esta proposta de pesquisa trabalhará o plano metodológico
apresentado a partir das seguintes fontes:
A legislação educacional e de finanças públicas que normatizam a matéria
produzidas no âmbito da União;
A Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) produzido pelo Ministério do
Trabalho e Emprego: Este banco2 de dados tem permitido a extração da massa salarial,
salário nominal, salário real, média salarial, quantitativos de professores, jornada de
trabalho e contrato de trabalho das redes de ensino;
Os documentos produzidos no âmbito do estado de Mato Grosso do Sul, como os
Balanços Gerais de Contas de Governo, elaborados ano a ano e que permitem desvelar os
gastos com a política educacional do Estado, que agrega as funções e subfunções da conta
Educação com os gastos em manutenção e desenvolvimento do ensino. Compõem esta
conta enquanto receita, os recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino,
oriundos da vinculação constitucional de recursos (BRASIL, 1988; MATO GROSSO DO
SUL, 2017), de onde também se originam os recursos do Fundeb. Essa receita, ao ser
executada, se transforma em despesa, quando pode-se constatar o que o Estado gastou
com folha de pagamento na conta de pessoal. Também é uma fonte que permite verificar
com quais recursos o estado está pagando os professores aposentados: se com os recursos

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Temos utilizado a RAIS nos procedimentos metodológicos de pesquisa de grupo nacional como foi o caso
da Pesquisa “Remuneração de professores de escolas públicas da educação básica – configurações,
impactos, impasses e perspectivas”, financiada pelo Edital n. 001/2008 CAPES/INEP/SECAD -
Observatório da Educação; A pesquisa “Remuneração de professores de escolas públicas de educação
básica no contexto do Fundeb e PSPN”, financiada pelo Edital n. 049/2012/CAPES/INEP, Programa
Observatório da Educação. E por último, na pesquisa financiada na modalidade “Produtividade em
Pesquisa” CNPq, Edital 2015, com vigência entre março de 2016 a fevereiro de 2019, “Política educacional
e movimento sindical docente: o PSPN na esfera estadual”.

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de manutenção e desenvolvimento do ensino, o que restringe recursos para o conjunto
dos professores na ativa, ou se está pagando com recursos da seguridade social que seria
a fonte de recursos normatizada para tal;
Outra fonte a ser trabalhada na perspectiva do desvelamento da remuneração
docente, serão as Folhas de Pagamento de Professores, elaboradas mês a mês. Pontua-se
que, como já constatado em pesquisa em andamento3 quando já foram coletadas as folhas
de pagamento do pessoal da educação dos anos de 2015 a 2017, a produção desse material
não está mais sendo feita pelo estado de Mato Grosso do Sul. Tal serviço foi terceirizado
pelo estado e a responsável pelo seu processamento é uma empresa prestadora de
serviços. As folhas de pagamento do pessoal da educação permitem desvelar dados
qualiquantitativos da composição da remuneração como: tempo e direitos conquistados
ao longo da carreira, números de professores efetivos e temporários em qualquer período
do ano, se os aposentados estão sendo pagos com recursos para manutenção e
desenvolvimento do ensino, qual o montante de recursos que a educação dispõe para tal
conta e qual também o comportamento dos recursos do Fundeb para salários docentes;
Assume também importância fundamental em termos metodológicos para o
desvelamento do objeto de pesquisa, a produção de material sobre remuneração docente
da Federação de Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS). A
FETEMS, filiada a Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE),
publica regularmente, mês a mês, senão a composição da remuneração, mas o salário base
em cada fase da carreira do professor. Este material pode ser cotejado com as folhas de
pagamento da educação para auferir a composição da remuneração. Também será em
material produzido pela FETEMS que se encontrará as demandas da categoria docente
pelo pagamento do PSPN e seu efeito na estrutura da carreira docente;
Fonte importante para desvelar o processo social em curso em tempo presente para
a garantia do PSPN e de seus efeitos na carreira docente, onde poderá se encontrar os
principais embates em torno da questão entre Poder Executivo Estadual e categoria
laboral docente, é a imprensa local assim como a imprensa sindical. São fontes que
permitem desvelar o embate de ideias em torno da questão e que revelam posições de
diferentes atores no processo de correlação de forças sociais.

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Pesquisa financiada na modalidade “Produtividade em Pesquisa” CNPq, Edital 2015, com vigência entre
março de 2016 a fevereiro de 2019, “Política educacional e movimento sindical docente: o PSPN na esfera
estadual”.

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As pesquisas em políticas educacionais guardam uma especificidade temporal.
Via de regra, os objetos de estudos da política educacional se encontram no tempo
presente. No tempo presente se encontram sujeitos, atores sociais e coletivos que se
movimentam, interferem, influenciam, modificam, aceitam e negam determinada política
em curso. Há aqui um viés de pesquisa a ser explorado por meio da técnica de entrevista
enquanto a melhor forma, pois, além de o pesquisador se inteirar de algo que ainda não
foi registrado por nem um meio, a oportunidade de dialogar com estes sujeitos e atores
sociais e coletivos que influenciam de uma forma ou de outra, o rumo de determinada
política. Por tudo isso, esta proposta de pesquisa se utilizará da técnica semiestruturada
de entrevista para com dirigentes do sistema educacional estadual e do movimento
sindical docente.
Feita a exposição da metodologia da proposta de pesquisa, de seus procedimentos
e fontes principais, passe-se agora, a justificar o objeto de pesquisa em questão.

Justificativa:

Certamente, a questão da valorização do magistério e seu vinculo com a qualidade


da educação, implica em que:

Quando se discute a melhoria da qualidade da educação,


frequentemente surgem questões relacionadas ao trabalho e aos salários
dos professores. E, como o pagamento dos salários representa o maior
percentual dos gastos com educação, tratar da remuneração docente
suscita a discussão sobre financiamento da educação e,
consequentemente, a relação deste com a qualidade da educação.
(BARBOSA, 2014, p. 513).

Tal fato fica ainda mais evidente no contexto da descentralização das políticas
educacionais promovida pela federação brasileira. Nesse contexto, a federação repartiu
competências e responsabilidades entre seus entes que, no caso da educação básica, esta
tem sido assumida pelos estados e municípios.
Como estados e municípios podem ser muitos distintos entre si nas dimensões
sociais, políticas, econômicas e culturais, estas diferenças tendem a se expressar também
na política educacional que tende a reproduzir as desigualdades originadas nas dimensões
aqui elencadas.

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Assim, no contexto federativo, a política educacional enquanto modalidade
setorial da política social, pode assumir a condição de política de coordenação federativa
para responder as desigualdades produzidas, por meio de coesão entre os entes. Nesse
sentido:

A União tem um papel importante de promover a equalização e a


redistribuição. Num ambiente federativo democrático, com múltiplos
centros de poder (embora este seja distribuído de forma assimétrica) e
consequente ocorrência de negociações, cabe ao poder central
coordenar as políticas. A coordenação federativa requer que os atores
compartilhem decisões e tarefas. (MARTINS, 2011, p. 31).

No caso da valorização do magistério e de seu vínculo intrínseco com a qualidade


da educação, a aprovação da Lei n. 11.738/2008 (BRASIL, 2008a) que instituiu o PSPN,
demonstrou a capacidade da União de conduzir processos de indução entre os entes
federativos com vistas a redução de desigualdades regionais e locais.
Com efeito, o PSPN por ser um piso, deve corresponder a remuneração do
professor em inicio de carreira. E deve compor daí em diante a estrutura da carreira do
professor somando-se aos direitos e vantagens que advém da mesma. Por isso mesmo, o
PSPN enquanto piso não pode ser transformado em teto remuneratório muito menos ser
tão somente atração inicial de carreira do professor, sem incidir em seus ganhos e
reajustes na estrutura dessa mesma carreira.
Ainda que essa concepção estivesse garantida por meio do escopo jurídico-legal
da Lei n. 11.738/2008 (BRASIL, 2008a) e que a União tivesse construído as condições
objetivas para, dai em diante, o PSPN ser uma política de coordenação federativa com
vistas a romper com assimetrias regionais e locais, a materialidade do PSPN se daria por
meio das “competências concorrentes, o que requer a cooperação, na medida em que as
três esferas são implicadas na realização de políticas públicas no mesmo setor”.
(MARTINS, 2011, p. 28).
Os entes federativos subnacionais nesse caso, contudo, fizeram valer o
“reconhecimento dos conflitos como aspecto central do sistema federativo” (MARTINS,
2011, p. 29). Materializaram o conflito por meio de uma ADIn (BRASIL, 2008b) que
atrasou a valorização do magistério por meio do pagamento do PSPN em três anos.
Enquanto isso, os professores de educação básica de todo país se movimentaram
por meio de suas entidades orgânicas com o objetivo de fazer cumprir os dispositivos da
Lei 11.738/2008 (BRASIL, 2008a), pois,

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a Lei do Piso foi fruto de amplo debate envolvendo setores da
sociedade, o Congresso Nacional e os gestores das três esferas de
governo e se apresentou como resposta estatal à reivindicação histórica
dos trabalhadores docentes e do movimento sindical por melhoria
salarial em toda a década de 1990. (DUARTE, MELO, 2013, p. 210).

E como lembrou Vieira (2013, p. 41), a “luta dos educadores brasileiros por um
piso salarial remonta a [mais de] duzentos anos”. Pontua-se que a organização dos
professores da educação básica em suas entidades representativas acompanha o modelo
de descentralização das políticas educacionais em contexto federativo. Por isso mesmo,
ainda que a maioria dos sindicatos dos professores da educação básica estejam filiados a
uma Confederação, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE),
a organização sindical na base apresenta múltiplas e diferentes formas, dada a organização
da educação básica brasileira diante de suas competência e responsabilidades pelos entes
federados. Assim a CNTE apresenta como norma estatutária que podem filiar-se a ela
“entidades sindicais de Trabalhadores em Educação de abrangência estadual, municipal
ou regional, e no Distrito Federal, desde que tenham como objetivo precípuos a defesa
dos interesses da categoria e o aprimoramento da educação”. (CONFEDERAÇÃO
NACIONAL DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO, 2017a, p. 03). Certamente,

o estabelecimento do PSPN foi considerado por algumas organizações


− entre elas, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
(CNTE) − como uma medida de suma importância no cenário nacional
que é marcado por disparidades entre os entes federativos, uma vez que
se observa uma enorme variação remuneratória dos docentes diante das
desigualdades regionais. (DUARTE, MELO, 2013, p. 209).

Diante desse cenário de valorização docente ao objetivar a qualidade da educação,


esta proposta de pesquisa tomará como unidade de análise em interseção federativa, o
PSPN e seus efeitos na estrutura da carreira docente da rede estadual de ensino do estado
de Mato Grosso do Sul, no período de 2018 a 2021.
O problema de pesquisa que se coloca é: em contexto de restrição orçamentária
operadas a partir das aprovações das Emendas Constitucionais, Emenda Constitucional
n. 95/2016 e Emenda à Constituição Estadual n. 77/2017 (BRASIL, 2016; MATO
GROSSO DO SUL, 2017), o PSPN e seus efeitos na estrutura da carreira docente da rede
estadual de ensino de Mato Grosso do Sul permanecerão? Como o estado conduzirá a
valorização do magistério estadual por meio do PSPN e de seus efeitos na carreira docente
mediante a reforma administrativa em curso para se adequar aos dispositivos das
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Emendas acima mencionadas em interseção federativa? Diante do cenário de restrição de
recursos como reagirá a organicidade docente por meio de sua representação sindical?
Cabe pontuar que os docentes da rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul
no contexto de implantação do PSPN o conseguiram por meio do “Pacto de Valorização
dos Trabalhadores em Educação e Modernização do Estatuto dos Profissionais da
Educação Pública de MS que foi selado em 2012 entre a FETEMS e o governo do estado”.
(FERNANDES, FERNANDES, 2016, p. 279).
O “Pacto” demarcou também a revisão do PCCR docente da rede estadual de
ensino com a aprovação das Leis Complementares n. 82, de 2013 e n. 200, de 2015
(MATO GROSSO DO SUL 2013, 2015). A revisão jurídico-legal do PCCR, deu-se para
legitimar o pagamento do PSPN de forma escalonada.
A primeira Lei escalonou seu pagamento na totalidade até 2018, e a segunda, até
2021. Essa revisão jurídico-legal do PCCR estadual contemplou em parte a Resolução n.
02/2009 do CNE (BRASIL, 2009), todavia, convém lembrar que “as resoluções
aprovadas são indicadores de procedimentos. Portanto, as diretrizes não são impositivas
aos estados e municípios” (VANELLI, 2009, p. 109).
Mesmo diante disso, o estado de Mato Grosso do Sul em 2015, pagou o quinto
maior salário do país aos docentes de sua rede de ensino (PAVÃO, REZENDE, 2015).
Em 2016, a FETEMS anunciou: “Conquista da FETEMS, reajuste de 11,36% coloca MS
em 1º lugar no ranking nacional de salários” (FETEMS, 2016, p. 01). Em maio de 2018,
foi o segundo maior salário docente do país, ficando atrás somente do salário docente do
estado do Maranhão (MIDIANEWS, 2018). Tal feito, como pode ser observado na tabela
2, na sequência abaixo, contemplou a remuneração do professor formado em nível médio.
O docente formado em nível superior (Licenciatura Plena) ainda não está incluído em
remuneração igual ao PSPN em sua estrutura de carreira.
Na tabela 1 pode-se observar os valores do PSPN instituído pela Lei n.
11.738/2008 (BRASIL, 2008) durante os anos de 2008 a 2017, seu valor nominal e seu
valor corrigido nacionalmente. Importa considerar que o PSPN na tabela 1 é o valor pago
ao professor em início de carreira, formado em nível médio e com jornada de trabalho de
40 horas.

12
Tabela 1 – BRASIL. Valores do PSPN e Índices de Correção (2008 a 2017)
Brasil

Anos¹ Índice de Correção Valor Nominal Valor Corrigido


Anual (%) (R$) (R$)

2008 .. 950,00 1.722,89


2009 .. 950,00 1.618,02
2010 7,86 1.024,67 1.676,24
2011 15,85 1.181,34 1.815,18
2012 22,22 1.451,00 2.101,74
2013 7,97 1.567,48 2.137,95
2014 8,32 1.697,39 2.193,14
2015 13,01 1.917,78 2.332,62
2016 11,36 2.135,64 2.334,48
2017 7,64 2.298,80 2.357,59
Fonte: Elaborada pela autora a partir de: BRASIL, anos de 2008 a 2017.
Notas:.
Em 2009 o valor nominal do PSPN não teve correção.
Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico.
O valor nominal refere-se a outubro de cada ano.
Valores corrigidos pelo INPC/IBGE de março de 2018.

Na tabela 2 tem-se o vencimento docente da rede estadual de ensino de Mato


Grosso no período de 2007 a 2017. Apresenta-se o vencimento docente com formação
em nível médio e superior no início e final da carreira do professor com jornada de
trabalho de 40 horas. O PSPN, portanto, incidindo na estrutura da carreira docente.

Tabela 2 – MATO GROSSO DO SUL: Vencimentos* docentes inicial e final da rede


estadual de ensino, formação em nível médio e formação em licenciatura
plena – 40 horas semanais (2007 a 2017)

Mato Grosso do Sul

Formação Nível Médio Formação Licenciatura Plena


Anos¹ Vencimento Vencimento
Vencimento Inicial Vencimento Final
Inicial Final
2007 1.010,89 1.627,52 1.516,35 2.441.30
2008 1.346,75 2.168,26 2.020,14 3.252,40
2009 1.645,70 2.649,59 2.466,90 3.974,36
2010 1.971,42 3.173,98 2.957,13 4.760,98
2011 1.947,57 3.135,59 2.921,36 4.703,40
2012 2.072,52 3.336,75 3.108,78 5.005,14
2013 2.379,15 3.830,43 3.568,72 5.745,64
2014 2.910,04 4.685,17 4.365,07 7.027,75
2015 3.180,43 5.120,50 4.770,65 7.680,75
2016 3.244,69 5.223,95 4.867,03 7.835,92
2017 3.640,08 5.860,52 5.460,11 8.790,78
Fonte: Elaborado pela autora a partir de: FETEMS (2008, 2009, 2010, 2011, 2012b, 2013, 2014, 2015,
2016, 2017). Valores correntes referentes ao mês de outubro de cada ano, corrigidos pelo INPC/IBGE
março de 2018.

13
*Optou-se por deixar a mesma nomenclatura utilizada pela FETEMS no nome da tabela. Vencimento
aqui refere-se a remuneração.

Os dados da tabela 2 mostram que o professor formado em nível médio, em início


de carreira com jornada de 40 horas semanais, somente em 2013 tem o vencimento
equiparado ao PSPN, enquanto que, o vencimento do professor em início de carreira
formado em nível superior com mesma jornada de trabalho, ainda em 2017, recebeu
menos que o PSPN: cerca 61% do seu valor. Observa-se também pela 2, que o grau de
dispersão4 entre os salários iniciais e finais do professor formado em nível médio se
manteve constante no período de 2007 a 2017: cerca de 70%. Para o professor formado
em nível superior o grau de dispersão se inicia em 70%, mas, de 2010 em diante se
estabelece em cerca de 61% na série apresentada. Este é um dado importante na
valorização da carreira docente, dado que a sua estabilidade tem permitido vislumbrar a
incidência de reajustes ao longo da carreira por igual e que a carreira não se paralisa em
determina fase dela. Contudo, pode não significar atratividade na carreira docente pois,
“é possível afirmar que a estrutura de remuneração de professores, apesar de incentivar a
elevação dos anos de estudo dos profissionais da educação, apresenta uma taxa de retorno
à escolaridade inferior às categorias de trabalho considerada”. (BECKER, 2008, p. 62).
Ainda também permanece incompleto para os docentes da rede estadual de ensino,
a jornada de trabalho de 1/3 sem a presença dos educandos, dispositivo da Lei n.
11.738/2008 (BRASIL, 2008a).
A conjuntura econômico-política no estado de Mato Grosso do Sul de 2008 a
2017, apresentou ganhos crescentes de receitas para compor seu fundo público.
(FERNANDES, FERNANDES, 2016). Isso associado ao grau de organização,
representatividade e mobilização da FETEMS, possibilitou o pagamento do PSPN aos
docentes formados em nível médio. Também aproximou cada vez mais no período, a
remuneração na estrutura de carreira do docente formado em nível superior ao PSPN,
ainda que este não esteja sendo pago em sua totalidade.
Ao se levar em consideração a remuneração docente em contexto federativo
(CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO, 2015,
2017b) quando cada uma das vinte e sete unidades da federação tem autonomia para pagar
a remuneração docente a partir da relação de interdependência com a União que se

4
Grau de dispersão é “[...] a distância entre a menor e a maior remuneração que correspondem,
respectivamente, ao início e ao fim da carreira de uma determinada categoria profissional.” (DUTRA
JÚNIOR et al., 2000, p. 131).

14
explicita na Lei n. 11.738/2008 (BRASIL, 2008a), com efeito, o estado de Mato Grosso
do Sul apresentou a tendência, ainda inconclusa, de maior aproximação de valorização
docente por meio do PSPN incidindo na estrutura docente. Como afiançado por meio do
“Pacto” no estado, isto se completaria no ano de 2021.
A conjuntura econômico-política iniciada em 2016 com o processo de afastamento
da Presidente Dilma Vana Rousseff, colocou em questão o cenário imediatamente
anterior. As medidas tomadas pelo Governo Federal e seguidas pelos governos estaduais,
como é o caso do estado de Mato Grosso do Sul desde então, vem anunciando tempos
com maiores obstaculizações à valorização docente por meio do pagamento do PSPN e
de seus efeitos na estrutura das suas carreiras.
Com efeito, no caso do estado de Mato Grosso do Sul, a já mencionada Emenda
à Constituição Estadual n. 77/2017, ao ser aprovada, colocou ao mesmo tempo uma
reforma administrativa ao estado para contenção de gastos que aumentou a contribuição
previdenciária dos servidores públicos estaduais. Esta elevou-se do patamar de 11% para
14% de contribuição. Fato que já imprimiu perda salarial ao conjunto dos servidores
públicos estaduais, incluídos aí, os docentes.
A contribuição da presente proposta de pesquisa se coloca nessa direção: desvelar
a valorização docente por meio do pagamento do PSPN e de seus efeitos na estrutura da
carreira no período de 2018 a 2021, tendo como unidade de análise no contexto federativo
brasileiro, o estado de Mato Grosso do Sul. A questão a ser respondida será, qual o
comportamento que a valorização do magistério da rede estadual de ensino assumirá
frente aos desafios da atual conjuntura de restrição de gastos públicos.

d) Resultados esperados;

Os resultados esperados são aqueles pertinentes à produção científico-acadêmica


e ao desenvolvimento intelectual que um trabalho dessa natureza abrange.
Na dimensão científico-acadêmica espera-se que a proposta de pesquisa
aprofunde e amplie seus lastros de produção de conhecimento por meio de orientações,
desde as de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), Iniciações Científicas por meio de
Programas como o PIBIC/CNPq, Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado, o que
contribui enormemente não só para a ampliação do conhecimento sobre a temática, como
também na formação de quadros qualificados para a docência, a pesquisa e a socialização
do conhecimento por meio da formação na graduação e pós-graduação.

15
Tal produção deve estar balizada pelo diálogo com a produção da área para que o
pensamento intelectual e crítico se mantenha e se atualize com o vigor necessário.
Também se espera como resultado, a dimensão da socialização da produção da
pesquisa mediante o diálogo com a área e pares, por meio de participações em congressos,
seminários, encontros, reuniões, intercâmbios e colóquios de pesquisa. Considera-se estes
como o primeiro espaço onde deve ser apresentado resultados da pesquisa, enquanto ainda
checagem de validades de dados e análises abertas aos pares.
Na sequência, se espera a divulgação e socialização da pesquisa por meio do que
se considera um outro espaço de divulgação, que mantém muitas das características do
primeiro aqui mencionado e que via de regra deve incorporá-los, principalmente a
contribuição de debates e discussões, contudo, enquanto uma proposta mais efetiva e
robusta de aprofundamento da temática que é a publicação em periódicos da área.
Ainda deve-se considerar enquanto socialização da pesquisa a produção e a
organização em livros de resultados da pesquisa. Cabe considerar que a publicação de
livros ainda é muito importante na área da educação, principalmente quando se pretende
dialogar com o professor da educação básica.
Um outro resultado esperado, refere-se a processos de internacionalização para a
pesquisa e a pós-graduação, dado que a temática aqui proposta encontra correspondência
similar nos demais países. De fato, remuneração docente é um tema candente e se
encontra presente em qualquer país onde a política educacional enquanto ação do Estado
materializa o direito à educação. (MORDUCHOWICZ, 2003). Nesse sentido, já se
iniciou um trabalho bastante fecundo com pesquisadores chilenos desde 2015, inclusive
com acadêmico de doutorado que realizou estudos com bolsa sanduíche no Chile em
2017, na Universidade Estadual de Talca. Também se encontra em formação um grupo
de pesquisa entre Brasil e Portugal para estudos sobre o tema de remuneração de
professores desde 2015. Em síntese, estes são os resultados esperados pela presente
proposta de pesquisa.

e) Relevância e impacto do projeto para o desenvolvimento científico, tecnológico ou


de inovação;

A temática da remuneração de professores de educação básica apresenta grande


relevância para o grau de desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação em
contextos onde o Estado, por meio de suas ações, materializa o direito à educação
mediante as políticas educacionais.

16
A primeira questão que se coloca nessa perspectiva, é que a educação enquanto
área de conhecimento, é a que desenvolve e guarda e os aspectos intrínsecos a
multidisciplinaridade/interdisciplinaridade. É uma área onde esta condição se mantém
sine qua nom, e que, sobretudo: a “educação é um campo de estudo multidisciplinar e é
um desafio para nós que o integramos fortalecer esse campo de conhecimento através do
diálogo entre as diferentes áreas.” (KRAWCZYK, 2012, p. 10).
Diante disso, as possibilidades de construção do conhecimento no campo da
educação se colocam enquanto mediações para o desenvolvimento de processos cada vez
mais elaborados e sofisticados de padrões científicos, tecnológicos e de inovação.
Particularmente, padrões científicos que uma sociedade é capaz de desenvolver
em cada momento histórico, podem estar diretamente articulados com o grau de
desenvolvimento de seus sistemas de ensino e de seus processos de escolarização que se
objetiva por meio do trabalho docente. Tal desempenho pode se associar a padrões de
desenvolvimentos de tecnologias e pode ser ainda, o grande impulsor destes que,
dialeticamente, se expressam em inovações sociais mediadas por processos educacionais.
Tais relações ao serem construídas e processadas com e para o conjunto da sociedade,
quando se apresenta enquanto objetivo das relações entre ciência e tecnologia, um projeto
de desenvolvimento societário com vistas a emancipação humana, podem-se atingir graus
muito importantes de inovação social.
Na atual fase de desenvolvimento das forças produtivas quando, cada vez mais o
trabalho se realiza mediado por padrões científicos e tecnológicos, ainda que o trabalho
docente guarde a sua especificidade, assim como muitas outras profissões, fato é que
também o trabalho docente, para além da mediação, pode ser ele mesmo o potencial de
inovações sociais, dado que o seu fazer se realiza e se intensifica pelo grau do seu saber.
Assim o trabalho docente que se caracteriza pela dinâmica de lidar com sujeitos
que se movimentam em processo sociais, é ele mesmo instituinte e constituinte desses
processos, que por si só podem engendrar, potencializar e dinamizar inovações.
Nesse sentido, a própria formação para o trabalho docente ao longo da história
tem sido realizada em consonância ao grau de um padrão de desenvolvimento científico
e tecnológico que, ao mesmo tempo que se coloca no tempo presente, também se coloca
no devir histórico.
Diante disso, especificamente na sociedade brasileira ao se considerar a história
do trabalho docente e de seu engendramento a um determinado grau de desenvolvimento
científico e tecnológico, há que se compreendê-la permeada por “pluralidades e também

17
por debates e reivindicações da categoria que tange as suas condições de preparo, trabalho
e estatuto socioeconômico”. (VICENTINI, LUGLI, 2009, p. 25).
Por isso tudo, a instituição de um PSPN para a categoria laboral docente no Brasil
e de seus possíveis efeitos na estrutura de carreira constitui-se em inovação social.
Inovação social porque materializa nas condições de vida de milhares de professores da
educação básica uma reivindicação que, ao mesmo tempo que é da categoria laboral,
também o é enquanto consenso social no Brasil entre classes e frações de classes.
Com efeito, a instituição do PSPN e de seus efeitos na carreira docente até então,
marcam o grau de desenvolvimento de um processo social que se ampliou para ampliar
também o direito à educação no país. Isto também se constitui em inovação social porque
rompeu com um ciclo anterior, à medida que a instituição do PSPN e de seus efeitos na
carreira docente marcam o inicio de um padrão igualitário no que tange a remuneração
docente. A partir da vigência do PSPN ele é o patamar mínimo de remuneração docente
em todas as unidades federativas. Diferenciações remuneratórias se colocam a partir dele
na condução de PCCRs em cada uma das unidades federativas.
A inovação social tendo como exemplo o PSPN e seus efeitos na carreira docente
deu-se por indução da União. Este é um fato que as unidades federativas, ao tempo que o
absorvem, também o contradizem. Tal inovação para a materialidade da força de trabalho
docente e atratividade na carreira ainda não se generalizou para todo o país,
principalmente ao se considerar as experiências municipais sobre a questão.
Também se constituiu em inovação social a aprovação do PNE 2014-2024 sem
veto da Presidência da República – o que promoveu ruptura em dado contexto – quando
este exigiu a ele o alinhamento dos PEEs e dos PMEs e ficou garantido a valorização
docente tendo como piso docente o PSPN.
A conjuntura iniciada em 2016 com a aprovação da Emenda à Constituição n.
95/2016 (BRASIL, 2016) e seus efeitos nas unidades federativas coloca em risco este
cenário inovador para a remuneração docente, entre outras restrições de direitos, impostas
pela Emenda mencionada.
Paradoxal e contraditoriamente, a conjuntura atual pode estar a negar a inovação
social neste caso para a remuneração docente por meio do PSPN e de sua incidência na
carreira, que foi posto pela conjuntura imediatamente anterior.
Contudo, a historicidade dos processos sociais, seus sujeitos em luta em sua
construção, poderão indicar em contexto de restrição de recursos por indução da União
para as políticas sociais, o que será protagonizado em contexto federativo na atual

18
conjuntura, ao se considerar o PSPN e seus efeitos na carreira docente enquanto uma
inovação social, cuja magnitude o tempo da pesquisa poderá dimensionar.
O grau de organicidade e representação social do movimento docente e o apoio
de setores da sociedade brasileira ao PSPN e seus efeitos na estrutura de carreira do
professor da educação básica na atual conjuntura, constitui o atual patamar possível de
manutenção de um padrão de desenvolvimento cientifico e tecnológico que se expressa
em inovação social. Daí o entendimento de que desvelar e analisar este processo social
mediante a proposta de pesquisa ora apresentada, é uma contribuição de relevância para
a defesa do direito à educação e da valorização docente enquanto parte estruturante desse
direito.

f) Compilação sucinta das atividades de pesquisa desenvolvidas, consideradas pelo


requerente as mais relevantes, indicando a produção gerada por elas até 2018.
Tais atividades podem ser demonstradas por intermédio de artigos científicos,
capítulos de livros ou livros, trabalhos completos em eventos científicos, patentes,
softwares, documentos que subsidiaram a elaboração de leis e/ou implementação
de políticas públicas, entre outros. Também podem ser mencionados
financiamentos recebidos de agências públicas ou instituições privadas,
orientações concluídas ou em andamento e parcerias institucionais;

A proposta de pesquisa ora apresentada mantém vínculos e lastros com pesquisas


já desenvolvidas e em desenvolvimento. A primeira delas remete ao período de 2001 a
2003, quando participamos da Pesquisa: “O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério no Mato Grosso do Sul:
acompanhamento e avaliação do impacto”. Destaca-se que a pesquisa teve inserção e
coordenação nacional, sendo realizada em oito estados da federação brasileira. Assim a
pesquisa caracterizou-se pela construção também de grupos estaduais de pesquisa que, no
caso, nos coube a análise no estado de Mato Grosso do Sul.
Na sequência, participamos de outra pesquisa de abrangência nacional, que, tanto
quanto a primeira, foi essencialmente caracterizada pelo contexto federativo, dado a
natureza do objeto. Essa pesquisa foi financiada pelo Edital n. 01/2008
CAPES/INEP/MEC, intitulada: “Remuneração de professores de escolas públicas da
educação básica: configurações, impactos, impasses e perspectivas” no período de 2008

19
a 2013. Nesta pesquisa coordenamos o grupo de pesquisa do estado de Mato Grosso do
Sul5. A pesquisa foi concluída em 2013.
Praticamente concomitante a pesquisa anterior porque desenvolvida de 2009 a
2013, foi nossa participação enquanto coordenação do grupo de pesquisa do estado de
Mato Grosso do Sul, da pesquisa intitulada: “Ação sindical docente e investimento em
educação: análise comparada de municípios nas regiões da Grande Dourados/MS, Campo
Grande/MS e Região Metropolitana de Curitiba/PR”, sob a coordenação geral do
Professor Dr. Marcos Ferraz (UFPR) e que foi financiada pelo Edital Universal CNPq.
Pesquisa também concluída em 2014.
Em 2012 tivemos a pesquisa nacional em rede financiada pelo Edital n. 049/2012,
CAPES/INEP/MEC, Programa Observatório da Educação, intitulada: “Remuneração de
professores de escolas públicas de educação básica no contexto do Fundeb e do PSPN”,
na qual compus a coordenação nacional e, ao mesmo tempo, coordenei o grupo de
pesquisa do estado de Mato Grosso do Sul6. Esta pesquisa, pontua-se, está em fase de
finalização.
Também em 2013, participamos da pesquisa financiada pelo Edital Universal
CNPq, intitulada: “Sindicalismo docente e o Piso Salarial Profissional Nacional em cinco
estados brasileiros”, sob a coordenação geral do Professor Dr. Marcos Ferraz (UFPR).
Pesquisa concluída também.
Atualmente desenvolvo a pesquisa financiada pelo Edital 2015/CNPq/PQ,
intitulada: “Política educacional e movimento sindical docente: o PSPN na esfera
estadual” que será concluída em fevereiro de 2019.
Como resultados e produções deste esforço de pesquisa, destaco inicialmente a
formação e o envolvimento de alunos de graduação por meio de Trabalhos de Conclusão
de Curso (TCC) e de Iniciação Cientifica. Os trabalhos de iniciação cientificas estiveram
vinculadas tanto as pesquisas financiadas pelos editais CAPES/INEP/MEC – cujos editais
permitiram tal vínculo por meio de bolsas – quanto ao Programa PIBIC/CNPq/UFMS.
No quadro 1 pode-se observar os TCCs e Relatório Finais de IC.

5
A pesquisa foi realizada tomando como unidade de análise os seguintes estados da federação: São Paulo,
Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Piauí, Rio
Grande do Norte, Pará, Paraíba e Roraima.
6
Esta pesquisa tomou como unidades de análises os seguintes estados da federação: São Paulo, Minas
Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Piauí, Rio Grande
do Norte e Pará.

20
Quadro 1 – Trabalhos de Conclusão de Curso e Relatórios Finais de Iniciação Científica
vinculados às Pesquisas aqui registradas
Trabalhos de Conclusão de Curso Relatório Finais de Iniciação Científica
Remuneração de professores de escolas A implantação do PSPN em Mato Grosso
públicas de educação básica no contexto do Sul
do Fundeb e do PSPN: estado do
conhecimento
A valorização docente: vencimento O piso salarial profissional no estado de
salarial dos professores da rede estadual Mato Grosso do Sul: o pacto repactuado.
de ensino de Mato Grosso do Sul (2007 a
2015).
Jornada de trabalho de 20 horas na rede
Jornada de trabalho de 20 horas na rede
municipal de ensino de Campo Grande:
municipal de ensino de Campo Grande:
entre o local e o nacional entre o local e o nacional.
Trabalho docente: dimensões da
A implantação do Piso Salarial
valoração social Profissional Nacional no estado de Mato
Grosso do Sul: O Pacto pela Valorização
Docente
Formação inicial de professores da Jornada de trabalho de 20 horas na rede
educação básica no Brasil. municipal de ensino de Campo Grande:
entre o local e o nacional.
Trabalho docente e precarização: o
professor convocado na rede municipal de
ensino do município de Campo Grande
O impacto da implantação do fundeb nos
salários de professores da rede municipal
de ensino de Campo Grande (2008-2011)
trabalho docente e precarização: o
professor convocado na rede estadual de
ensino do estado de Mato Grosso do Sul.
Piso Salarial Profissional Nacional
(PSPN): um estudo sobre sua formulação.
Regulações do trabalho docente: o
Estatuto do Magistério do estado de Mato
Grosso do Sul.
O impacto do Fundeb para o salário
docente no orçamento municipal de
Campo Grande.
O impacto do Fundef no financiamento do
ensino médio em Mato Grosso do Sul
(1998 a 2000)
O PSPN no estado de Mato Grosso do Sul
no contexto do Novo Regime Fiscal. Em
andamento
O Piso Salarial Profissional Nacional no
contexto federativo brasileiro

21
Também as pesquisas aqui mencionadas e suas temáticas tem atraído para a
formação em nível de pós-graduação de mestres e doutores no âmbito do Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Destaco
que todos os egressos estão na atualidade atuando na educação superior pública. Ainda
alguns que se encontram em formação também são professores de instituições públicas
de educação superior. No quadro 2 pode ser observado as orientações de mestrado e de
doutorado desenvolvidas no âmbito das pesquisas mencionadas.

Quadro 2 – Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado defendidas e em andamento


no âmbito das pesquisas mencionadas
Dissertações de Mestrados Teses de Doutorado
O Vencimento Salarial dos Professores da A política de remuneração docente e
Rede Estadual de ensino de Mato Grosso valorização do magistério no município de
do Sul (2006 a 2013). Concluída Campo Grande (MS): impactos da
implantação do Fundeb (2007-2012).
Concluída
O financiamento da "Escola Guaicuru- A gestão dos fundos contábeis para o
vivendo uma nova lição" para o ensino financiamento do ensino no município de
médio. Concluída Campo Grande, MS. Concluída
Política de financiamento da educação: o Política educacional e educação a
custo/aluno de duas escolas da rede distância: as contradições engendradas no
estadual de ensino de Mato Grosso do Sul. âmbito do trabalho docente. Concluída
Concluída
A valorização docente no contexto dos Remuneração de professores de escolas
planos nacional e estadual: o alinhamento públicas da educação básica no estado de
em relação à meta 17 no estado de Mato Rondônia (2006 a 2013). Em andamento
Grosso do Sul. Em andamento
Financiamento da educação no contexto Políticas educacionais e intensificação do
do PNE (2104-2024): o alinhamento do trabalho docente: análise da profissão em
PEE em relação à Meta 20. Em andamento Mato Grosso do Sul. Em andamento
Planos Municipais de Educação no
alinhamento com o PNE 2014-2014. Em
andamento

Importa destacar também a produção referente as pesquisas aqui listadas, cujo


campo de conhecimento tem pertencimento as políticas educacionais na temática do
financiamento da educação e que tem como objeto de análise, a valorização docente por
meio da remuneração, publicadas em periódicos da área. No quadro 3 pode-se observar
as publicações em periódicos.

Quadro 3 – Publicações em Periódicos no âmbito das pesquisas mencionadas

22
Título do Artigo Periódico
Remuneração de professores de educação Educação e Pesquisa
básica nos setores público e privado na
esfera municipal.
Vencimento salarial docente - O caso do Retratos da Escola
Fundeb e do PSPN
Vencimento e carreira na Rede Estadual FINEDUCA
de Educação em Rondônia: em busca da
valorização docente
A gestão e o financiamento da educação Cadernos ANPAE
infantil na esfera municipal em tempos de
políticas de fundos
Gestão de recursos para manutenção e Cadernos de Pesquisa
desenvolvimento do ensino na esfera
municipal
Salário docente em âmbito municipal na Cadernos ANPAE
vigência das políticas dos fundos
contábeis.
O Fundeb no contexto das finanças Educação e Realidade
públicas municipais de Campo Grande
Em tempos de valorização dos Jornal de Políticas Educacionais
profissionais da educação.
Vencimento salarial de professores na FINEDUCA
esfera municipal em tempos de fundos
contábeis
Professores e sindicatos: do Educar em Revista
associativismo corporativo à organização
autônoma
Direito à educação e compromisso Revista Brasileira de Política e
docente: quando o sucesso e o fracasso Administração da Educação
escolar encontram o culpado.
Remuneração salarial de professores em Educação em Revista
redes públicas de ensino
A valorização dos profissionais da Educação & Sociedade
educação básica no contexto das relações
federativas brasileiras
Jornada de 20 horas no magistério: uma FINEDUCA
conquista ou um retrocesso histórico?
Remuneração de professores no Brasil: Educação e Pesquisa
um olhar a partir da Relação Anual de
Informações Sociais (RAIS).
O processo de elaboração da Lei n. Revista HISTEDBR On-line
11.738/2008 (Lei do Piso Salarial
Profissional Nacional para carreira e
remuneração docente): trajetória, disputas
e tensões.
O Fundef no Estado de Mato Grosso do FINEDUCA
Sul: Balanço da Política de

23
Financiamento para o Ensino
Fundamental (1998 a 2006).
O Fundo de Manutenção e Série-Estudos
Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do
Magistério (Fundef) em Dourados, MS -
acompanhamento do impacto e avaliação
(1998 a 2000)

Parte da produção da pesquisa também se encontra registrada em capítulos de


livros e na organização de um deles como mostra o quadro 4.

Quadro 4 – Publicação de livro organizado e capítulos de livros no âmbito das pesquisas


mencionadas

Livro Organizado Título do Capítulo Título do Livro


Financiamento da Alguns apontamentos O financiamento da
Educação no Brasil: os sobre o custo, o gasto e o educação básica no Brasil
desafios de gastar 10% do custo-aluno-qualidade em em tempos do golpe
PIB em dez anos. pesquisas educacionais parlamentar e da EC
95/2016 - antigos desafios
e novas possibilidades
Remuneração de Escrita da Pesquisa em
professores de escolas Educação no Centro-Oeste
públicas de educação
básica no Brasil: percursos
teórico-metodológicos de
pesquisa
O Fundeb no contexto das Financiamento da
relações federativas Educação no Brasil: os
brasileiras: implicações desafios de gastar 10% do
para a valorização docente PIB em dez anos
Vencimento salarial de Vencimento e remuneração
professores e fundos docente no Brasil:
contábeis em Campo resultados de pesquisa
Grande.
Em tempos de valorização Valorização dos
dos profissionais da profissionais da educação:
educação formação, remuneração,
carreira e condições de
trabalho
Conjuntura política e Educação e conflito: luta
sindicalismo de sindical docente e novos
professores da educação desafios.
básica (1988-2012)
O custo/aluno/ano de duas América Platina: textos
escolas da rede estadual de escolhidos

24
ensino de Mato Grosso do
Sul
O estado de Mato Grosso Trabalho, educação e
do Sul e os recursos política pública
vinculados
constitucionalmente para a
educação

Na trajetória de socialização de resultados da pesquisa e de sua interlocução com


pares, buscamos também a participação com apresentação de trabalhos, participação em
coordenações de mesas, palestras em eventos como congressos, encontros, seminários,
reuniões e colóquios de pesquisas. Participamos também de Comitês Científicos de vários
desses eventos. Nesses espaços, para além da participação, buscamos sobretudo a
interlocução com atores e grupos nacionais e internacionais de pesquisas. Resultam
desses espaços e encontros nossa articulação enquanto grupo de pesquisa com
pesquisadores chilenos e portugueses, como já mencionado aqui. As informações sobre,
tanto quanto as registradas em quadros aqui, constam no Currículo Lattes.
Muito importante também na minha formação de pesquisadora, foi a oportunidade
de, enquanto bolsista produtividade CNPq no período de 2016 até então, ter sido
consultora ad hoc do CNPq. Destaco que essa condição permite que possamos, de forma
privilegiada, acompanhar o que a área apresenta como agenda de pesquisa, o esforço que
a mesma concentra para mostrar os resultados das pesquisas e a produção resultante do
processo de conhecimento, bem como, o debate atual que se coloca e mobiliza o campo.

g) Demais informações relevantes sobre o projeto a ser desenvolvido.

A proposta de pesquisa que ora se apresenta tem como temática o financiamento


da educação no campo de conhecimento da política educacional e tem como objeto a ser
investigado, a remuneração docente em contexto federativo, ao se tomar como unidade
de análise o estado de Mato Grosso do Sul.
Com efeito, a proposta de pesquisa da sequência a trajetória de envolvimento com
a temática e o objeto de pesquisa em questão.
Torna-se relevante informar e reforçar que a instituição do PSPN foi por indução
da União. Tal fato em contexto federativo de descentralização de políticas educacionais,
poderia ser revelador de um grande consenso social construído em torno da valorização
docente por meio da remuneração. Contudo, quando cada uma das unidades federativas
teve que custear a política de valorização docente, o consenso social em torno da questão

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ruiu em muitas dessas unidades. Assim, desde 2008, o pagamento do PSPN, ainda que
seu reajuste anual seja decidido nacionalmente aos moldes do reajuste do
custo/aluno/ano/mínimo do Fundeb, as unidades federativas, via de regra, tendem a
aceitar o reajuste decidido nacionalmente somente para o professor em inicio de carreira.
Tendem a não aceitar e não implantar o reajuste do PSPN na estrutura de carreira docente.
No caso dos docentes da rede estadual de ensino do estado de Mato Grosso do Sul, por
exemplo, até a atualidade, o PSPN na estrutura de carreira não chegou aos 100% do
mesmo. Ainda é pago na estrutura de carreira cerca de 83% do valor do PSPN
(FERNANDES, FERNANDES, 2016).
Por isso o “Pacto” assinado entre o governo do estado e a FETEMS de pagar o PSPN
escalonado até 2021. Portanto, os docentes só terão o PSPN incidindo na carreira em sua
totalidade em 2021.
Este fato por si só é emblemático no que tange a garantia da valorização docente
por meio da política educacional enquanto ação do Estado. Desvelar essa contradição da
afirmação da valorização docente enquanto concepção e sua negação pela materialidade,
é o que move esta proposta de pesquisa.
Relevante também considerar que a valorização docente por meio da remuneração
tem sido objeto de estudo no contexto latino-americano. Estudo como o de
Morduchowicz (2003), que toma como objeto de análise a estrutura da carreira docente
no contexto latino-americano, informa que, ao tempo que a remuneração é central frente
aos gastos e investimentos com educação pelo Estado, esta demanda também é muito
diferente em cada um e para cada um destes Estados. O que tem em comum no contexto
latino-americano é que a carreira docente se sustenta em antiguidade e titulação.
Saforcada e Vassiliades (2011), por sua vez, informam a importância da
remuneração na carreira e do trabalho docente para a garantia do direito à educação.
Também um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), constatou que os professores brasileiros da educação básica ganhavam naquele
ano, portanto depois da instituição do PSPN, uma massa remuneratória abaixo da média
da metade de seus países membros. Ainda, que a jornada de trabalho destes professores
brasileiros, também era superior à média dos países membros da OCDE. O relatório
assinalou também a precariedade das condições estruturais das escolas brasileiras, o local
de trabalho do professor. (OECD, 2016).
De forma que, a questão da valorização do magistério por meio da remuneração
na atual conjuntura econômico-política, continua em aberto. Como também continua

26
inconcluso no país o direito à educação. Assim, a valorização docente por meio de sua
remuneração se constitui em instigante agenda de pesquisa tendo como imperativo o
direito a educação pública, laica e socialmente referenciada.
Cumpre informar o Grupo de Pesquisa registrado no Diretório Geral de
Pesquisas/CNPq “Observatório de salários docentes em Mato Grosso do Sul”. O link é:
dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/9760790944250446.
Por último, se apresenta o cronograma de pesquisa e estratégias do plano
metodológico.

Quadro 5 - Cronograma e estratégias


Cronograma/estratégias Meses
1a6 7 a 12 13a 18 19a24 25a30 31a36
1. Acompanhar por meio da RAIS e das x x x x x x
folhas de pagamento o valor do PSPN
e a jornada de trabalho docente de 1/3
sem educandos no estado.
1.1 Checar por meio da RAIS e das folhas x x x x x x
de pagamento a forma de admissão
docente: se por concurso público ou
contrato temporário.
2. Verificar se o PSPN no estado de Mato x x x x x x
Grosso do Sul continuará a incidir na
carreira docente.
2.1. Acompanhar, por meio das x x x x
publicações no Diário Oficial do estado
“Diosul”, as tabelas salariais do
magistério para verificação de Piso e Teto
salarial.
2.2. Acompanhar, ano a ano o reajuste x x x
salarial docente para verificar se o PSPN
está sendo cumprido.
2.3. Verificar se o pagamento do PSPN x x x
incidirá somente no início da carreira ou
se será pago ao longo da carreira enquanto
valorização docente.
3. Verificar o impacto da implantação de x x x x x
1/3 da jornada de trabalho na configuração
quantitativa docente.
3.1. Acompanhar a realização de x x x x x
concursos públicos no estado para cumprir
a demanda da jornada de trabalho de 1/3
de acordo com a Lei n. 11.738/2008 e
legislação local de regulamentação.
3.2. Verificar por meio de folha de x x x x x x
pagamento salarial o volume de recursos

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despendido para a jornada de trabalho de
1/3.
4. Verificar e desvelar as ações da x x x x x x
FETEMS para a efetivação no estado da
normatização completar em consonância
com a Lei n. 11.738/2008 como
instrumento de valorização docente.
4.1. Proceder a entrevistas com dirigentes x x x
da FETEMS e delegados de base sindical
sobre a valorização docente no estado por
meio de sua normatização e efetivo
cumprimento.
5. Proceder a entrevistas com dirigentes x x x
do sistema estadual de ensino sobre a
valorização docente por meio do
pagamento do PSPN e de seus efeitos na
carreira docente

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Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei no 10.195, de 14 de fevereiro de
2001; revoga dispositivos das Leis nos 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880, de 9
de junho de 2004, e 10.845, de 5 de março de 2004; e dá outras providências. Brasília:
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30
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