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Serviço Público Federal

Ministério da Educação
Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Faculdades de Ciências Humanas

PROJETO DE PESQUISA:

POLÍTICAS PÚBLICAS E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE


O SABER, O LUGAR E O FAZER DA PSICOLOGIA NO
ENFRENTAMENTO À DESIGUALDADE SOCIAL E À VIOLÊNCIA

Coordenação: Zaira de Andrade Lopes


zairaal@gmail.com
(67) 999817594
1

SUMÁRIO

POLÍTICAS PÚBLICAS E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE O SABER, O


LUGAR E O FAZER DA PSICOLOGIA NO ENFRENTAMENTO À
DESIGUALDADE SOCIAL E À VIOLÊNCIA.............................................................. 3
RESUMO ......................................................................................................................... 3

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 4

2 OBJETIVO .................................................................................................................... 7

2.1 Geral ........................................................................................................................... 7

2.2 Específicos .................................................................................................................. 7

3 EQUIPE DE PESQUISA .............................................................................................. 8

4 JUSTIFICATIVA: A PSICOLOGIA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS - O SUS E O


SUAS ................................................................................................................................ 8

5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO


CONTEXTO DA PESQUISA ........................................................................................ 13

5.1 A Teoria das Representações Sociais enquanto base teórica ................................... 13

6 APORTES TEÓRICOS METODOLÓGICOS E PROCEDIMENTOS TECNICOS . 15

6.1 Procedimentos técnicos para a produção e organização de dados............................ 19

5.1.1 Etapa 1 – A Produção do saber da Psicologia e a política pública ........................ 19

6.1.2 Etapa 2: processo de formação de psicólogos e psicólogas................................... 20

6.1.3 Etapa 3: o que fazem profissionais da psicologia no SUAS e no SUS ................. 20

6.1.4 Etapa 4: O que desejam as comunidades atendidas pelos serviços e programas do


SUAS e do SUS .............................................................................................................. 21

6.2 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA .................................................................... 22

6.3.1 Participantes da pesquisa – critérios de inclusão ................................................... 23

7 RESULTADOS E CONTRIBUIÇÕES CIENTÍFICAS OU TECNOLÓGICAS DA


PROPOSTA .................................................................................................................... 23

8 MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO ..................................................................... 24


2

9 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DAS METAS/FASE ......................................... 25

10 MATERIAIS E CUSTO ............................................................................................ 27

11 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 28

APÊNDICE 1 ................................................................................................................. 30
Serviço Público Federal
Ministério da Educação
Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Faculdades de Ciências Humanas
Projeto de pesquisa

POLÍTICAS PÚBLICAS E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE O SABER,


O LUGAR E O FAZER DA PSICOLOGIA NO ENFRENTAMENTO À
DESIGUALDADE SOCIAL E À VIOLÊNCIA

RESUMO

A Psicologia é a ciência que tem como objeto de estudo o ser humano em todas as suas
dimensões e inter-relações, nesse sentido o campo das políticas públicas se apresenta
como uma área significativa para contribuição com os estudos dessa ciência. A área de
política pública é um campo em ascensão para a psicologia, tornando imprescindível
refletirmos sobre as práticas psicológicas realizadas nos sistemas únicos da assistência
social e da saúde (SUAS e SUS) com vistas a propor ações qualificadas e que possam
promover o desenvolvimento integral do ser humano e consequentemente da sociedade,
bem como a promoção dos Direitos Humanos e enfrentamento às desigualdades sociais.
Desse modo, a pesquisa tem como finalidade conhecer, descrever e analisar a inserção da
psicologia no Sistema Único de Saúde - SUS e Sistema Único de Assistência Social –
SUAS e as implicações para a práxis psicológica, fundamentado na Teoria das
Representações Sociais - TRS. O objetivo geral é analisar as representações sociais que
orientam a formação e prática de profissionais da psicologia no campo das políticas
públicas de proteção e seguridade social, especificamente no âmbito dos sistemas das
políticas de assistência social (SUAS) e da saúde (SUS) com foco na perspectiva da
promoção dos Direitos Humanos, enfrentamento às desigualdades sociais e à violência.
Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa para compreender os processos
cognitivos que compõem o pensamento humano e seu entendimento sobre a sociedade.
Para a compreensão desse ser humano e suas relações sociais buscou se elementos
teóricos da abordagem Histórico Cultural da Psicologia que se aproximam da TRS. A
população que fará parte do estudo são profissionais psicólogas/os, gestores/as, que atuam
no âmbito do SUS e SUAS, no município de Campo Grande- MS, bem como a população
que utiliza os serviços resultantes das políticas públicas. Para a produção dos dados para
análise serão utilizados levantamento de documentos e estudos sobre a inserção de
profissionais da psicologia nos serviços, realização de entrevistas com profissionais,
gestores/as do âmbito do SUS e SUAS e usuários que aceitarem fazer parte da pesquisa
por meio de assinatura do TECLE, e técnicas de grupos com equipes dos serviços e
morados de comunidade que compõem os territórios abrangidos pelos serviços das
políticas sociais e da saúde. Os resultados poderão contribuir para a compreensão do fazer
da ciência psicológica no SUS e SUAS.
Palavras Chave: Políticas Sociais; SUS; SUAS; Saúde; Gênero, Desigualdades.
Serviço Público Federal
Ministério da Educação
Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Faculdades de Ciências Humanas
1 INTRODUÇÃO

A Psicologia é a ciência que tem como um dos seus objetos de estudo o ser
humano em todas as suas dimensões e inter-relações, nesse sentido o campo da política
pública e social se apresenta como uma área significativa para o fazer psicológico, bem
como a produção de estudos que possam gerar contribuições relevantes para a
compreensão e eliminação das desigualdades.

A área de política pública é um campo em ascensão para a psicologia, tornando


imprescindível a reflexão sobre as práticas psicológicas realizadas nos sistemas: Sistema
Único de Assistência Social (SUAS) e Sistema Único da Saúde (SUS), com vistas a
propor ações qualificadas que promovam o desenvolvimento integral do ser humano, da
sociedade, bem como a promoção dos Direitos Humanos e enfrentamentos à desigualdade
social e à violência.

Em 2006 o Conselho Federal de Psicologia – CFP, inaugurou o Centro de


Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas do Sistema Conselhos de
Psicologia, CREPOP, resultado da preocupação e debates da categoria profissional da
Psicologia que visavam a produção e a consolidação de referências para atuação dos
psicólogos em Políticas Públicas, por meio de pesquisas coordenadas em âmbito local e
nacional.

Conforme informações do sitio do CREPOP (disponível em


http://crepop.pol.org.br/conheca-o-crepop) a criação do CREPOP é um desdobramento
de reflexões sobre a prática profissional das/os psicólogas/os no Brasil iniciadas ainda em
meados dos anos de 1990, sob a designação do Banco Social de Psicologia. Ainda
conforme documentos do CREPOP, tais reflexões se ampliaram em paralelo com a
progressiva inserção dos psicólogos no campo social durante as décadas de 1980 e 1990,
o que tornou urgente a necessidade de aprofundar e embasar melhor os conhecimentos
sobre a relação entre Psicologia e Políticas Públicas.

Além de um papel técnico, o CREPOP tem um importante papel ético e político.


Ético quando pensado a qualificação profissional, orientada para um fazer alinhado com
a garantia de direitos e a transformação de vidas. Político por se tratar de um espaço que
5

demarca as contribuições da Psicologia para o campo das políticas públicas, voltadas para
transformação social.

Diversas políticas públicas, serviços, programas e temas transversais já foram


focos de pesquisa do CREPOP, totalizando, até o anos de 2013, 12 documentos de
referências publicados, além de dois guias orientadores para gestores e diversos relatórios
de pesquisa. Existem no momento mais 10 documentos de referência em fase de
elaboração e três ciclos de pesquisas que foram programados para serem executadas ao
longo de 2018 com publicações previstas para 2019.

Assim, o Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas


(CREPOP) é uma iniciativa do Sistema Conselhos de Psicologia (Conselho Federal de
Psicologia - CFP e Conselhos Regionais de Psicologia, CRPs), criado em 2006 e produziu
pesquisas na intenção de promover a qualificação da atuação profissional de
psicólogas/os que atuam nas diversas políticas públicas, contudo ainda são poucas as
iniciativas sistematizadas, externas ao sistema conselhos e nos meios acadêmicos da
psicologia, com o propósito de evidenciar essa preocupação durante a formação.

A proposta da presente investigação é descrever e analisar a inserção da psicologia


no Sistema Único de Saúde - SUS e Sistema Único de Assistência Social – SUAS e as
implicações e mudanças ocorridas nos últimos 12 anos, tomando como referência a
criação do CREPOP, na formação e na práxis psicológica. No estudo serão realizadas
interfaces com as diferentes ações pertinentes às políticas públicas no âmbito das
desigualdades sociais e econômicas, bem como a identificação e análise das ações e
conteúdos desenvolvidos no âmbito da formação de novos psicólogos e psicólogas
destinadas à superação das desigualdades. Em especial às desigualdades intersecionadas
com o campo das diversidades étnico raciais e de gênero. A pesquisa terá como
pressuposto teórico e metodológico a Teoria das Representações Sociais - TRS, bem
como no entendimento que os processos educativos e de formação humana estão
diretamente ligados aos contextos históricos e culturais, além da compreensão de que a
fala (linguagem), o discurso e o fazer das pessoas em seus diferentes grupos sociais são
orientados e desenvolvidos na mediação com as representações sociais. Assim as
representações sociais serão a categoria central do estudo, dado seu papel significativo
nos processos de aprendizagem e constituição humana, principalmente na discussão sobre
o papel da linguagem e da dialogicidade para a Psicologia.
6

Ivana Marková (2006), tem produzido importante discussão sobre a dialogicidade


e representações sociais, para essa pesquisadora a linguagem possui enorme quantidade
de termos, palavras para expressar mudanças, movimentos e passagens de um
comportamento a outro. Ela propõe uma teoria do conhecimento social. Para Marková
(2006) a teoria do conhecimento social é uma teoria que enfatiza a dinâmica e, portanto,
a historicidade. O conhecimento social, nas palavras da autora “é o conhecimento em
comunicação e o conhecimento em ação”. Para a estudiosa “não pode haver conhecimento
social a menos que seja formado, mantido, difundido e transformado dentro da sociedade,
entre indivíduos ou entre indivíduos e grupos, subgrupos e culturas. (MARKOVÁ, 2006,
p.27). assim salienta que o conhecimento social se refere às dinâmicas da estabilidade e
das mudanças.

Desse modo este estudo buscará identificar e analisar os conteúdos que compõem
a linguagem e ações dos diferentes grupos sociais que estão envolvidos na constituição,
no gerenciamento, nas ações e nos benefícios instituídos e utilizados nas políticas sociais.
Assim toma-se como eixo as ideias apresentadas por Markova para traçar o objetivo geral
dessa investigação, a saber,

A teoria das representações sociais pressupõe que os conteúdos e significados


das representações sociais são estruturados e que o objetivo da teoria é o de
identificar, descrever e analisar estes conteúdos e estes significados
estruturados. O estudo dos conteúdos ou materiais que são estruturados e
comunicados em situação de vida real, em pessoas normais, difere do estudo
das estruturas como conceitos gerais e abstratos, que é o caso em várias formas
de estruturalismo. A teoria de representações sociais não examina tão pouco,
os processos e as regras de comportamento, em termos gerais, como o fazem,
por exemplo, o funcionalismo, as abordagens comportamentais ou a cognição
social.” (MARKOVÁ, 2006, P. 243)

A pesquisa com as representações sociais busca desvendar o modo pelo qual a


história, a cultura e as circunstâncias contemporâneas contribuíram com a estabilidade e
as dinâmicas de um ou outro fenômeno social. (MARKOVÁ, 2006).

Com essas prerrogativas iniciais, a seguir apresenta-se os objetivos da


investigação no âmbito da formação para atuação e na prática da psicologia no campo das
políticas de assistência social e de saúde.
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2 OBJETIVO

Conforme apontado na seção anterior apresenta-se a seguir os objetivos da


investigação

2.1 Geral
Analisar as representações sociais que orientam a formação e prática de
profissionais da psicologia no campo das políticas públicas de proteção e seguridade
social, especificamente no âmbito dos sistemas das políticas de assistência social (SUAS)
e da saúde (SUS) com foco na perspectiva da promoção dos Direitos Humanos,
enfrentamento às desigualdades sociais e à violência.

2.2 Específicos
1. levantar e caracterizar os estudos produzidos no âmbito da psicologia e suas
interfaces com as políticas públicas entre os anos 2006 e 2018 por meio dos
estudos de teses e dissertações e artigos científicos de periódicos relevantes
para a ciência psicológica;
2. levantar e analisar as diretrizes estabelecidas em documentos jurídicos,
normativas e projetos pedagógicos que estabelecem orientações para os cursos
de formação de profissionais da psicologia para atuar no âmbito das políticas
de proteção social e da saúde;
3. conhecer as demandas para o setor de psicologia nos serviços que compõem
o SUAS e SUS no Município de Campo Grande MS;
4. conhecer os sentidos e significados atribuídos às práticas de profissionais da
psicologia no campo das políticas públicas, prioritariamente da assistência
social e da saúde no município de Campo Grande- MS por meio de entrevistas
realizadas com profissionais da psicologia;
5. Identificar e caracterizar as ações desenvolvidas pela psicologia, por sob o
ponto de vista de gestores das políticas públicas;
6. identificar os sentidos e significados atribuídos às ações de profissionais da
psicologia por pessoas beneficiárias das políticas e que utilizam os serviços de
assistência social e saúde no município de Campo Grande – MS
7. identificar os sentidos atribuídos às ações de profissionais da psicologia por
pessoas nas comunidades beneficiárias de serviços decorrentes de políticas
8

públicas de Campo Grande-MS, mas que não estabeleceram nenhum tipo


vínculo com os serviços públicos;
8. identificar ações realizadas pelas pessoas das comunidades onde existem os
serviços de assistência social e saúde para o enfrentamento das condições de
vulnerabilidades econômicas e sociais.
9. Identificar a interlocução da Psicologia com os processos de formulação,
gestão e execução em políticas públicas.

3 EQUIPE DE PESQUISA

Nome Instituição Função

Zaira de Andrade Lopes UFMS Coordenador(a)

Jacy Corrêa Curado UFMS Pesquisador(a) / Executor(a)

Gabriela Lopes de Aquino UFPR Pesquisador(a) / Executor(a)

Colaborador(a) / Aluno(a) de
Luis Carlos dos Santos Nunes UFMS
Graduação

Colaborador(a) / Aluno(a) de
Mary Lucia Sargi do Nascimento UFMS
Graduação

Colaborador(a) / Aluno(a) de
Aline Cantini Ibarra UFMS
Mestrado

Colaborador(a) / Aluno(a) de
Regi Morais Pereira UFMS
Mestrado

Renato Martins de Lima UFMS Colaborador(a) / Aluno(a) de Mestra

Observação: o detalhamento das atividades e carga horária consta no apêndice 1.

4 JUSTIFICATIVA: A PSICOLOGIA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS - O


SUS E O SUAS
As políticas sociais têm origem nos movimentos dos trabalhadores na busca de
garantir seus direitos. Para Piana (2009) com o fortalecimento da classe trabalhadora e
por se tratar de um governo capitalista, onde todos os direitos dependem do mercado, no
final do século XIX mais precisamente no século XX, o Estado se viu pressionado, diante
9

da força dos movimentos a criar políticas assistenciais que visavam o bem estar social,
desenvolvendo leis que garantiam os direitos e serviços sociais para atender e minimizar
casos de extrema pobreza.

Antes de apresentar os argumentos que justificam essa investigação é preciso


apresentar o entendimento de políticas. Sem a pretensão de construir um arcabouço
teórico acerca da área de política pública, é necessário delimitar, sob qual perspectiva
considera-se essa temática. Souza (2006) resgata a multiplicidade de estudos nesse
campo, que ressurgiu nas últimas décadas e se apresenta como uma disciplina bastante
profícua de debates.

Conforme Souza (2006), política pública permite distinguir entre o que o governo
pretende fazer e o que, de fato, faz. A pesquisadora salienta que a política pública envolve
vários atores e níveis de decisão, embora seja materializada através dos governos, e não
necessariamente se restringe a participantes formais, já que os informais são também
importantes. A política pública é abrangente e não se limita a leis e regras.

Para a pesquisadora mencionada, as múltiplas definições dessa categoria teórica


têm o mérito de guiar o olhar da sociedade para o locus no qual os embates em torno dos
interesses, preferências e ideias se processam, ou seja, os governos. Para ela, sob o ponto
de vista teórico-conceitual, esta temática se caracteriza por ser um campo multidisciplinar
cujo eixo central gira em torno das explicações sobre a sua natureza e de seus processos.

A pesquisadora Gonçalves (2010), em estudo que discute Psicologia,


subjetividade e políticas públicas defende que

Falar em políticas públicas é falar da relação entre Estado, a sociedade e a


economia no capitalismo, ou seja, falar dessa relação no interior da relação capital
trabalho. Nesse sentido politicas públicas sociais devem ser consideradas à luz das
relações de classe em determinada sociedade. (GONÇALVES, 2010, p. 33)

A Constituição Federal, promulgada 1988, se constitui como um marco para a


população brasileira. Pela primeira vez, a carta magma garantiu direitos referentes à saúde
e assistência social, possibilitando a criação do Sistema Único da Saúde - SUS e o Sistema
Único da Assistência Social - SUAS. Ter a carta magna do país instituindo a Seguridade
Social, organizando as políticas sociais que visam amparar o cidadão concretiza as
bandeiras de lutas dos movimentos sociais.
10

A Seguridade Social pode ser compreendida como a grande e significativa


inovação da Constituição, principalmente por que se expande para o âmbito da população
rural, além da urbana. O financiamento também se garante de modo tripartite entre
empregados, empregadores e governo.

Em linhas gerais, considera-se neste estudo que seguridade social que consiste em
um conjunto de ações e políticas sociais, que por objetivo promover o estabelecimento de
uma sociedade com menos desigualdades sociais e orientada pelos direitos humano para
permitir a cada cidadã e cidadão e suas famílias melhoria das condições de vida em
múltiplas situações de vulnerabilidade e etapas do desenvolvimento, seja na infância, na
velhice, o desemprego e a doença.

A seguridade social, ou segurança social se constitui como um sistema de proteção


social, assegurando às pessoas alguns direitos básicos relativos à saúde, à previdência e à
assistência social. Estes direitos são considerados os pilares fundamentais da seguridade
social, conforme preconiza a Constituição brasileira de 1988.

Esta investigação terá foco as ações que envolvem as políticas de saúde e da


assistência social, constituintes da proteção e promoção social. Assim, buscará identificar
se o princípio básico da seguridade social que trata de buscar alcançar uma sociedade
igualitária e justa para todas as pessoas vem se concretizando por meio do ensino e das
práticas de profissionais da Psicologia.

É notório que as desigualdades sociais e econômicas acabam por provocar


inúmeros conflitos sociais, violências, discriminações, conflitos étnicos raciais, conflitos
desencadeados por relações de gênero desiguais, entre outras, questões que ferem os
direitos humanos e fundamentais.

Com a consolidação da área de políticas públicas necessário se faz a organização


das ações e atividades decorrentes desse novo modus operadi dos serviços públicos.
Assim a nova realidade exigiu também novos profissionais e novas habilidades
profissionais.

A psicologia é um campo da ciência e se propõem a produzir conhecimento e atuar


com pessoas e comunidades, e cada vez mais se apresenta para produzir conhecimentos
e propor ações voltadas para o espaço da políticas públicas e este então se constitui como
espaço de atuação da ciência psicológica, nesse sentido faz-se necessário saber se a
11

psicologia enquanto profissão está preparada para este campo de trabalho, identificar se
a formação acadêmica está atenta as reais demandas da sociedade.

Para Pereira e Guareschi (2017) o surgimento do Sistema Único de Assistência


Social, promoveu, definitivamente a inserção da psicologia na assistência social. Os
autores salientam inclusive que a presença de profissionais da psicologia está prevista e
“inclusive obrigatória, em alguns casos, na composição das equipes dos dois principais
serviços de proteção social que estruturam essa política: CRAS (Centro de Referência de
Assistência Social) e CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência
Social).” (PEREIRA, GUARESCHI, 2017, p. 2)

Senra e Guzzo (2012) no estudo que trata sobre as tensões e conflitos do psicólogo
no cotidiano do serviço público, principalmente no tocante das atribuições das ações de
profissionais da psicologia e do serviço social. Para as pesquisadoras

A atuação do psicólogo no âmbito da Assistência Social pode ser considerada


recente no Brasil. Apesar de relevante e de se constituir como uma ampliação
necessária do campo profissional para um envolvimento mais direto com as
questões sociais, essa realidade ainda impõe inúmeros desafios e problemas
aos profissionais. (SENRA, GUZZO, 2012 p. 293)

As pesquisadoras Senra e Guzzo apontam que os desafios demonstram que em


uma realidade com profundas desigualdades sociais, de modo contundente, é revelado no
cotidiano do sistema público, que o fazer de profissionais da psicologia, apesar dos
esforços, confirma o quanto a psicologia, como ciência e profissão, manteve um
distanciamento histórico das questões sociais considerando as individuais como mais
centrais põe inúmeros desafios e problemas aos profissionais.

Bock (2008) identifica que na história da psicologia, a atuação na área de políticas


públicas não se fez sempre presente, que a inserção de profissionais nesse campo está
relacionado ao processo de redemocratização do Brasil nos anos de 1980 e 1990. Para a
pesquisadora a redemocratização do país, os movimentos grevistas e operários, o
surgimento dos movimentos sociais que se constituíram, e cita como exemplo o da anistia,
possibilitou à Psicologia questionar seu vínculo com a sociedade e grupos progressistas
ocuparem as entidades ou as criarem.

Ainda, conforme Bock (2008), no contexto e momento histórico citado, a


psicologia, ainda que até então, se colocasse de costas para a realidade social com uma
prática que acredita ser possível explicar o humano sem considerar sua realidade
12

econômica, cultural e social, se voltou para a sociedade, desse modo se constitui uma
psicologia com objetivo de atender a comunidade, a Psicologia Comunitária.

O surgimento da Psicologia Comunitária e a inserção e desenvolvimento da


prática dos psicólogos na saúde pública podem ser considerados aspectos importantes do
projeto de compromisso que iria surgir. (BOCK, 2008)

Pensar uma nova proposta para a psicologia significava, conforme Bock (op cit.),
romper com a psicologia desvinculada das questões sociais e iniciar a construção de um
novo lugar para a psicologia; construir uma nova relação dessa ciência com a sociedade
e que se colocasse à serviço dos interesses da maioria da sociedade e acessível a todos.

Para Brigagão, Nascimento e Spink (2011), em estudo sobre as interfaces entre


psicologia e políticas públicas e a configuração de novos espaços de atuação,
desenvolvem o argumento de que os psicólogos têm se aproximado do campo das
políticas públicas por meio das ações desenvolvidas no cotidiano profissional, em
diversas áreas, e têm construído diferentes modos de reinvenção da prática a partir da
interpretação das políticas. O estudo citado conclui que nos últimos anos ampliou-se
significativamente a interface entre Psicologia e Políticas Públicas, condição que tem
possibilitado o crescimento dos dois campos, e que a atuação de profissionais da
psicologia nas diferentes áreas e instituições levou estes profissionais a criar novas
técnicas e estratégias de trabalho e fazer uma verdadeira reinvenção da prática
psicológica. Conforme o estudo citado:

Para as políticas públicas, a participação ativa dos profissionais da Psicologia


tem possibilitado que estas incluam, tanto nos textos quanto nas práticas, o
diálogo interdisciplinar como fundamental para auxiliar na busca de soluções
para os conflitos e problemas sociais. (BRIGAGÃO, NASCIMENTO E
SPINK, 2011, p )

Diante de tal realidade é necessário promover o contato de acadêmicas/os com os


serviços que se constituirão um lócus significativo de atuação da psicologia e fonte de
emprego, e que hoje ainda não é devidamente valorizado na formação acadêmica. E como
consequência encontra-se profissionais com conhecimentos e práticas desarticuladas com
as necessidades dos serviços.
13

5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO


CONTEXTO DA PESQUISA
Inspirado pela obra de Serge Moscovici este trabalho pretende estabelecer as
relações entre a Teoria das Representações Sociais (TRS), os estudos sobre as políticas
públicas e o processo de formação e a prática em psicologia.

5.1 A Teoria das Representações Sociais enquanto base teórica


A proposição central da Teoria das Representações Sociais é apresentar uma
abordagem sobre o processo de formação do conhecimento social do ser humano, ou,
como aponta Moscovici (2003), compreender o pensamento como ambiente. Para o
estudioso o mundo em que se vive é totalmente social, para tanto não se pode desvincular
a produção da consciência ou representações do sujeito sem considerar o seu contexto.

Lopes (2000, 2009; 2010) salienta que a Teoria das Representações Sociais (TRS)
se constituíram a partir da crítica aos modelos que reduziam a participação do sujeito,
tanto na sua capacidade criativa pessoal, quanto em sua participação na produção da
história. Assim, conforme Lopes (op cit) a gênese das representações sociais (RS) está
alicerçada nas atividades do sujeito com o mundo e na sua relação com os outros,
permitindo mediação entre o sujeito e o mundo que, o indivíduo ao mesmo tempo,
descobre e constrói.

Desse modo é preciso salientar que os processos que envolvem a formação das
Representações Sociais (RS) estão, o tempo todo, imersos nas comunicações e práticas
sociais: diálogo, discurso, rituais, padrões de trabalho, arte, produção. Assim é possível
identificar as dimensões das RS conforme apontadas por Moscovici (1978).

Moscovici (1978) em seu estudo sobre a representação social da psicanálise,


admite a dimensão dos grupos sociais estabelecendo, assim, a relação da representação
com a coletividade que a produziu. O pesquisador indica as três dimensões para explicar
o caráter social das representações. As dimensões descritas são:

a) atitude: referenciando a orientação ou aproximação favorável ou desfavorável


do sujeito em relação ao objeto da representação ou frente ao objeto da representação
social. Expressa a posição do sujeito. Permite o destaque da representação;

b) informação (dimensão ou conceito): refere-se à organização dos conhecimentos


que o grupo elaborou acerca do objeto social ou fenômeno; diz respeito ao conhecimento
prévio;
14

c) campo de representação ou a imagem: esta dimensão remete à ideia de imagem,


de modelo social e ao conteúdo concreto e limitado de proposições que fazem referência
a um aspecto inequívoco do objeto da representação.

Todavia, deve se salientar que na construção das RS o sujeito não necessariamente


faz uma cópia da realidade, procede, no entanto, uma reconstrução dessa realidade ou
objeto. Esse processo ocorre articulado com o conteúdo que constitui sua subjetividade
individual, elaborada histórica, social e culturalmente.

Dos estudos sobre a TRS (MOSCOVICI, 1978, 2003; JODELET, 1989;


ARRUDA, 2002, entre outros) compreende-se as representações sociais como uma forma
de conhecimento socialmente elaborado e partilhado, construído historicamente pelo
sujeito a partir da sua intervenção na realidade objetiva, na busca de compreendê-la, e é
nesse aspecto que se identifica o seu caráter psicológico.

Para Jodelet (1989, p. 37), as RS “[...] são abordadas ao mesmo tempo como
produto e processo de uma atividade de apropriação da realidade exterior ao pensamento
e da elaboração psicológica e social dessa realidade”.

As RS são processos cognitivos construídos e organizados pelos indivíduos que


decorrem das experiências vividas e das relações mantidas nos grupos sociais com os
quais interagiu ao longo do seu processo de constituição identitária. Essas elaborações
cognitivas vão delinear o modo de agir, a comunicação e as atitudes do sujeito frente a
realidade. Assim, orientam as práticas e a fala dos sujeitos, de tal forma que sua análise
proporciona o entendimento dos processos ou fenômenos que ocorrem nos contextos
sociais. Estas permitem perceber os caminhos e as diretrizes a serem adotadas para a
eliminação ou atenuação, por exemplo, da violência contra a mulher sob o recorte de
gênero, a compreensão do trabalho com as políticas sociais, a representação das pessoas
que fazem uso dos serviços designados pela política, entre outras questões.

As RS expressam desse modo as ideias e o pensamento de um determinado grupo


social, em uma determinada época. São os significados e os sentidos que o grupo atribui
à realidade. Cada integrante do grupo vai internalizando tais significados e constituindo
sua subjetividade. Os processos que as produzem estão o tempo todo imersos nas
comunicações e práticas sociais: diálogo, discurso, rituais, padrões de trabalho, arte,
produção, entre outros.
15

6 APORTES TEÓRICOS METODOLÓGICOS E PROCEDIMENTOS


TECNICOS
Trata-se de uma proposta de pesquisa social, de abordagem qualitativa, visto que
busca identificar e compreender os múltiplos e complexos processos histórico-sociais,
que permeiam o saber e o fazer de profissionais da área de psicologia nos espaços que
compreendem as políticas públicas destinadas ao enfrentamento das desigualdades
sociais, bem como, a configuração da subjetividade dos sujeitos sociais que constituem
as comunidades onde estão inseridos as ações de assistência e seguridade social. De
acordo com Minayo (2004) a pesquisa social tem uma carga histórica, e tal como as
teorias sociais, refletem posições frente à realidade, momentos do desenvolvimento e da
dinâmica social, preocupações e interesses de classes e de grupos específicos.

O estudo caracteriza-se ainda como pesquisa explicativa, conforme definido por


Gil (2002), considerando que se pretende investigar a variedade de fatores que
determinam a prática da psicologia enquanto ciência e profissão e contribuem para
materializar as ações e processos sociais da realidade que constituem o fazer e as
condições materiais de existência de homens e mulheres. Buscar-se-á analisar os
elementos significativos e os sentidos atribuídos pelas pessoas participantes do estudo
que formalizam suas representações sociais acerca das temáticas que envolvem a
pesquisa.

Conforme Gil (2002) a pesquisa explicativa, além de registrar, analisar e


interpretar os fenômenos estudados tem a preocupação primordial em identificar fatores
que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos ou processos, ou
mesmo, investigar suas causas para permitir aprofundar o conhecimento acerca da
realidade explicando a razão da existência do objeto em estudo.

O estudo parte da premissa de que a formação de cada pessoa e de sua


subjetividade está diretamente ligada às inter-relações que esta estabelece com o contexto
histórico-cultural no qual está inserida. Nesse processo, situam-se as representações
sociais que vão mediar a configuração do discurso, do comportamento e da relação do
sujeito com os objetos da realidade. As RS são manifestadas nas atitudes, expressas pelos
significados e sentidos presentes nas ações, falas e, sobretudo, em suas perspectivas de
vida.

As representações sociais (RS), definidas por Moscovici (1978) e Denise Jodelet


(1989), são processos cognitivos construídos e organizados pelos indivíduos decorrentes
16

das experiências vividas e das relações mantidas em seu grupo social. Essas elaborações
cognitivas determinam o modo de agir, a comunicação e as atitudes do sujeito frente à
realidade. Assim sendo, orientam as práticas e a fala, de tal modo, que sua análise
proporciona o entendimento dos processos ou fenômenos que ocorrem nos contextos
sociais.

A identificação das RS permite perceber os caminhos e as diretrizes a serem


adotadas para a eliminação ou atenuação das desigualdades e relações de poder
hierarquizado entre diferentes pessoas que estão inseridas na comunidade estudada, os
profissionais, gestores das políticas públicas, bem como docentes e discentes durante
processos de formação. Outrossim, de certo modo, as representações sociais tornam
visíveis as relações que perpetuam as condições de subjugação de grupos que compõem
as minorias ativas (MOSCOVICI, 2011) frente à realidade, constituindo contextos sociais
de opressão tanto de homens quanto das mulheres, crianças, pessoas idosas, bem como,
de exclusão daqueles que não se enquadram nos ditames das normas sociais padronizadas
pela ordem patriarcal de gênero, como os grupos LGBTs.

As representações sociais expressam desse modo, as ideias, o pensamento de um


determinado grupo social, em uma determinada época. São os significados e os sentidos
que o grupo atribui à realidade. Cada integrante do grupo vai internalizando tais
significados e constituindo sua subjetividade. Os processos que as produzem estão o
tempo todo imersos nas comunicações e práticas sociais: diálogo, discurso, rituais,
padrões de trabalho, arte, produção.

Os estudos dessas elaborações mentais levam à compreensão de que “a realidade


é socialmente construída e o saber é uma construção do sujeito, mas não desligado de sua
inscrição social”. (ARRUDA, 2002, p. 131)

Para Arruda, Moscovici, em sua teoria, propõe uma psicossociologia do


conhecimento, com base fortemente vinculada à sociologia, sem, contudo, ignorar os
processos cognitivos e subjetivos que compõem a compreensão da realidade. Ela explica
que as representações sociais são formas de conhecimento socialmente elaboradas e
partilhadas, com o objetivo prático de guiar as ações do indivíduo, contribuindo para a
construção de uma realidade comum a um conjunto social. Elas imprimem sentidos aos
comportamentos das pessoas, estabelecendo conexões em torno do objeto do
conhecimento, e são sempre vinculadas a grupos sociais.
17

O cotidiano está repleto de ideias, mensagens, ordens e outros elementos que vão
compor a subjetividade humana e determinar suas ações, desejos, bem como a linguagem
nas trocas comunicativas. Por considerar o pensamento como um ambiente e como uma
atmosfera social e cultural, Moscovici (2003, p. 330) salienta que “cada um de nós está
obviamente cercado, tanto individualmente como coletivamente, por palavras, ideias e
imagens que penetram nossos olhos, nossos ouvidos e nossa mente, quer queiramos, quer
não, e que nos atingem sem que saibamos [...]”. Para ele, na assimilação ou incorporação
dessa realidade é que se percebe a ação das representações sociais na constituição do
indivíduo.

Com essas considerações Moscovici identifica duas relevantes funções das RS. A
primeira permite convencionalizar os objetos, pessoas ou acontecimentos que se
apresentam ao indivíduo, dando-lhes uma forma definitiva, organizando-os em uma
determinada categoria e “gradualmente os colocam como modelo de determinado tipo,
distinto e partilhado por um grupo de pessoas”. (MOSCOVICI, 2003, p. 34) Os novos
elementos que se apresentarem ao sujeito serão incorporados e sintetizam-se nesse
modelo elaborado.

A segunda função diz respeito ao caráter prescritivo das representações. Elas se


interpõem sobre as pessoas como uma força irresistível e, conforme Moscovici (2003, p.
36), “essa força é uma combinação de uma estrutura que está presente mesmo antes que
nós comecemos a pensar e de uma tradição que decreta o que deve ser pensado”. Essa
função deixa evidente, por exemplo, como a ideologia patriarcal, ou a ordem patriarcal
de gênero, conforme denominado por Saffiotti (2004), perpetua-se no contexto social,
fazendo com que as mulheres se sujeitem e se submetam às imposições de seus parceiros.

Para Miranda e Furegato (2006), como dimensão e estratégia metodológica, as


representações sociais permitem a compreensão da inter-relação entre conteúdo, objeto e
sujeito, e favorecem reflexões sobre o espaço, as interações e as práticas sociais dos
sujeitos, permitindo atribuição de valor ao saber do senso comum e da ciência.
Possibilitam perceber os conflitos que geram desequilíbrios e que levam os indivíduos a
restabelecer o equilíbrio para garantir níveis satisfatórios e compatíveis com suas
angústias, defesas, elaborações simbólicas para readaptações compartilhadas em suas
“relações intrapessoais, interpessoais e interinstitucionais”. (MIRANDA; FUREGATO, 2006, p.
2-3)
18

Nessa investigação as desigualdades sociais, econômicas, étnicas-raciais, de


gênero estarão em foco, uma vez que as políticas de assistência social e de saúde devem
ter como objetivo a, senão erradicação, ao menos diminuir e minimizar tais desigualdades.

Na compreensão da noção de gênero, raça, bem como na análise dos aspectos


decorrentes da compreensão das desigualdades nas relações sociais e econômicas, este
estudo orienta-se pela concepção de ser humano na perspectiva histórico-cultural,
representada principalmente em articulação com as ideias propostas por Lev Vygotsky
(1989). Essa escola teórica permite a compreensão do sujeito em sua integralidade
histórica e social e é capaz de responder às indagações concernentes à constituição e à
formação da subjetividade, bem como aos processos que desencadeiam os
comportamentos de cada ser humano, numa perspectiva integralizadora e dialética.

A corrente histórico cultural da psicologia, delineada principalmente pelos


psicólogos russos Vygotski, Rubinstein e Luria aponta e delimita de forma clara, precisa
e organizada em marcos teóricos consistentes o caráter sociocultural da psique. (REY,
2003)

A perspectiva histórico cultural permite a compreensão da relação dialética que se


estabelece na formação das funções mentais superiores, que vão, de modo geral,
dimensionar as condutas e atitudes dos indivíduos frente à realidade e aos sujeitos sociais
e é nesse processo que as representações sociais vão se desenhar, proporcionando os
processos de ancoragem e objetivação que lhes são inerentes.

A pesquisadora e psicóloga Gonçalves salienta que

Toda intervenção ou atuação profissional no campo social aponta a


necessidade de uma compreensão da realidade que vá para além de aspectos
globais, de relações amplas, de movimentos de grupos ou de parcelas da
população, de processos gerais. É preciso também uma compreensão das
subjetividades aí envolvidas, como se manifestam, como contribuem para a
constituição desses processos, como são por eles afetadas. (Gonçalves, 2010,
p. 28)

O pensamento de Gonçalves corrobora e permite sustentar a articulação e


aproximação entre a TRS e a compreensão do sujeito em uma perspectiva histórica e
cultural.
19

6.1 Procedimentos técnicos para a produção e organização de dados

O desenvolvimento da pesquisa será desenvolvido em quatro etapas, descritas a


seguir.

Para a coleta de dados serão utilizados os seguintes instrumentos:


1. Entrevistas individuais com roteiro semi-estruturado;
2. Participação em reuniões realizadas nas comunidades;
3. Participação em reuniões das associações e organizações comunitárias, de
trabalho, tais como associação de moradores (as), sindicato de trabalhadores,
entre outros;
4. Visitas domiciliares às famílias envolvidas no estudo.

5.1.1 Etapa 1 – A Produção do saber da Psicologia e a política pública

Nessa etapa será levantado a produção cientifica sobre as ações da psicologia


realizada no âmbito das políticas públicas, buscando identificar o que a psicologia tem
realizado, como tem realizado e que áreas tem atuado.

a) Para o levantamento e análise da produção do saber será compreendido entre os


anos de 2006 até o ano 2018. O ano de 2006 foi estabelecido por ser o ano de
criação do CREPOP.

Serão utilizados os seguintes instrumentos para identificar a produção científica


da psicologia

b) banco de dados de dissertações e teses – BDTD, priorizando os programas de


pós-graduação em Psicologia e outras áreas afins que estabeleçam relação com as
politicas sociais e da saúde.
c) 6 periódicos científicos de importância significativa para a psicologia – sendo 2
com qualis A (1 e 2) 2 qualis B (1 e 2) para a área da psicologia e 2 que tenham
qualis A e B em outras áreas mas que se constituem relevante para a área de
politicas de assistência social e saúde. Os periódicos serão definidos a posterior
conforme decisão da equipe de pesquisa.
d) No levantamento serão realizadas diferentes combinações do termo
PSICOLOGIA e os descritores:
POLÍTICAS PÚBLICAS, POLÍTICAS SOCIAIS. SAÚDE SUS, SUAS,
VULNERABILIDADE; DESIGUALDADE; POBREZA; GÊNERO, SAÚDE;
20

Nessa etapa, no decorrer da investigação, se necessário poderão ser introduzidos


outros descritores como filtro da pesquisa caso ocorram dificuldades na
identificação da produção.

6.1.2 Etapa 2: processo de formação de psicólogos e psicólogas

Nessa etapa serão analisados os documentos que compõem a legislação e normas


que tratam das diretrizes para a criação dos cursos de psicologia bem como os projetos
pedagógicos dos cursos de psicologia que aceitarem fazer parte do estudo. O foco das
análises dos documentos será a interface entre as diretrizes apresentadas nos documentos
e a formação de profissionais da Psicologia para a atuação no campo das políticas
públicas. Buscando destacar aspectos da formação que levem em conta a realidade social
e a prática profissional.

Será enviado uma carta convite às instituições que tenham o curso de graduação
em psicologia com sede nos Município de Campo Grande, Dourados, Corumbá e
Paranaíba, totalizando oito cursos de psicologia no Estado de Mato Grosso do Sul. Farão
parte do estudo as instituições que aceitarem o convite e disponibilizarem os projetos
pedagógicos dos cursos e outros documentos que permitam conhecer as diretrizes e
orientações do curso.

6.1.3 Etapa 3: o que fazem profissionais da psicologia no SUAS e no SUS

Nessa etapa serão realizadas entrevistas com diferentes grupos de participantes


que seguirão um roteiro semi-estruturado, poderão ser realizadas entrevistas indivicuais
e em grupo

1. profissionais da psicologia que atuem com políticas de assistência social e/ou


saúde pública;
2. gestores que atuem em serviços onde se desenvolvam as políticas de
assistência social e/ou saúde pública;
3. docentes que ministrem disciplinas na área das políticas de assistência social
e/ou saúde pública em curso de graduação em psicologia;
4. discentes que cursam o último ano do curso de graduação em psicologia.
21

6.1.4 Etapa 4: O que desejam as comunidades atendidas pelos serviços e programas do


SUAS e do SUS

Nessa etapa serão realizadas atividades em grupos nas comunidades e nos serviços
para conhecer os desejos e anseios da população, bem como identificar os sentidos e
significados atribuídos pelos grupos sobre as políticas públicas para que utiliza os
serviços e aquelas pessoas que ainda não participaram de atividades e programas do
SUAS e SUS. Serão realizadas ainda as seguintes atividades:

1. participação em reuniões realizadas nas comunidades;


2. participação em reuniões das associações e organizações de trabalho, tais
como associação de moradores, associação de bairro, entre outras
organizações pertinentes à comunidade;
3. visitas domiciliares às famílias da comunidade envolvida no estudo.

6.2 Organização e análise dos dados produzidos

Com as ações desenvolvidas em cada uma das etapas será possível evidenciar os
elementos que compõem os sentidos e significados que permeiam o saber, o fazer e o
lugar da psicologia nas políticas de assistência social e da saúde, e se esses elementos
compõem representações sociais que poderão orientar a linguagem e a prática da
psicologia.

Os conteúdos encontrados nos discursos dos/as participantes, nos documentos


analisados serão fundamentais para entender as práticas realizadas, pois eles se inter-
relacionam e complementam-se, permitindo identificar os componentes sociais,
históricos, culturais e particularidades individuais de cada uma das pessoas envolvidas na
investigação. Serão utilizados os recursos de gravação das entrevistas para posterior
transcrição. As reuniões dos grupos serão filmadas para captação de detalhes que possam
contribuir para a análise.

Para organização e análise dos dados, pretende-se desenvolver os seguintes


procedimentos: ordenar dos dados obtidos nas entrevistas individuais, nas reuniões e
visitas, para agrupar as categorias temáticas evidenciadas nas falas, comportamentos e
práticas dos grupos de participantes do estudo. Para a análise buscar-se-á identificar o
conteúdo significativo das representações sociais das sobre o saber, o fazer e o lugar da
psicologia nas políticas públicas, sintetizados nas ideias que se evidenciam nos múltiplos
discursos na dimensão oral e de comportamento de cada participante e qual a influência
e implicações em seus cotidianos.
22

O material oriundo dos múltiplos discursos será organizado com base na análise
de conteúdo, proposta por Laurence Bardin (1977), de modo a permitir a análise
qualitativa e a identificação dos elementos comuns e/ou divergentes em cada um dos
discursos das mulheres entrevistadas. Conforme a autora citada, esta é uma técnica de
investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do
conteúdo que se expressa nas modalidades de comunicação.

A análise de conteúdo permite o tratamento quantitativo e qualitativo,


especialmente quando se trabalha com categorias definidas a priori, com vistas ao
possível leque de conteúdos esperados do discurso dos grupos participantes da pesquisa.
A proposta possibilita apreender o significado da totalidade da fala dos sujeitos do estudo,
contextualizando-a em relação às variáveis significantes do fenômeno investigado.
Contudo, não se pode esquecer que as categorias estabelecidas, a priori ou a posteriori,
devem apresentar coerência com os objetivos da pesquisa, funcionando como eixos
temáticos do estudo.

Com esse procedimento, pretende-se evidenciar elementos de articulação


particular e universal, que caracterizam a dinâmica individual-social das representações
sociais. Tal análise garante, de forma objetiva e concreta, a identificação da representação
social quanto às relações da prática, do conhecimento construído por profissionais, pelas
pessoas da comunidade, bem como a classificação dos multifatores que envolvem as
temáticas do estudo e suas implicações na vida em sociedade.

6.2 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA

Para realização de todas as entrevistadas será entregues o Termo de Livre e


Consentimento Esclarecido (TCLE), aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
UFMS, e o questionário semiestruturado que permita alcançar os objetivos. Também,
serão privilegiados outros tipos de fontes como os relatórios, planos, pactos, anotações e
observações de campo.

Em relação aos riscos da pesquisa são mínimos podendo causar constrangimento


e a não disponibilidade dos/as participantes em responder o roteiro semiestruturado,
porém será realizada a orientação e esclarecimento de quaisquer dúvidas em relação ao
23

procedimento fazendo com que o risco seja mínimo. Além deste a pesquisa não apresenta
outros riscos.

Quanto aos benefícios, o presente estudo pretende contribuir para a compreensão


e relevância do tema, assim como gerar mais discussões a respeito e entender como as
representações dos usuários influenciam na prática. Além disso, será possível pensar, se
necessário, em melhorias do serviço, de forma que isso provoque a ampliação dos estudos
e possibilite novas pesquisas. Depois de feita a pesquisa os resultados serão entregues nos
órgãos competentes e farei um encontro com os(as) participantes para passar o resultado
final.

6.3.1 Participantes da pesquisa – critérios de inclusão


Todos os/as participantes deverão ter acima de 18 anos e assinarem o TECLE
devidamente aprovado pelo Comitê de ética em pesquisa com seres humanos.

Os profissionais de psicologia entrevistados deverão ter no mínimo dois anos de


formados.

Os docentes deverão ter lecionado pelo menos uma disciplina no âmbito na área
das políticas públicas, com duração mínima de um semestre.

Os gestores deverão estar em atividade na gerencia de serviços decorrentes da


política.

As pessoas que compõem a comunidade devem residir no território abrangente do


serviço.

7 RESULTADOS E CONTRIBUIÇÕES CIENTÍFICAS OU


TECNOLÓGICAS DA PROPOSTA
1. Subsidiar o desenvolvimento de ações e implementação de políticas públicas
integradas para a promoção da igualdade e equidade de gênero, raça e etnia.
2. Subsidiar o desenvolvimento de políticas de ação afirmativa, como
instrumento necessário para a garantia do pleno exercício de todos os direitos
e liberdades fundamentais para os diferentes grupos sociais .
3. Fortalecer as iniciativas de estudos e pesquisas na área das relações de gênero,
mulheres e diversidades, nos cursos de psicologia, especialmente na
graduação e pós-graduação e psicologia da UFMS
4. Incentivo à participação dos acadêmicos em projetos de pesquisas nas
temáticas de políticas públicas, desigualdades sociais, vulnerabilidades,
relações de gênero, mulheres, feminismo, bem como das questões relativas à
diversidade racial e étnica.
24

5. Identificar novos espaços de atuação para psicólogas e psicólogos nos


sistemas da assistência social e da saúde pública visando colaborar para
ampliar e qualificar a práxis psicológica na sociedade.
6. levantar as estratégicas de participação da Psicologia nas políticas públicas;
7. Ampliar e qualificar a práxis psicológica na sociedade com foco na promoção
dos Direitos Humanos, enfrentamento às desigualdades sociais e
desenvolvimento integral do ser humano por meio da ampliação e qualificação
da atuação de psicólogas e psicólogos na esfera pública

8 MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO

Considerando que este projeto é uma ação de pesquisa, seu monitoramento e avaliação
serão realizados por meio de:

1. Acompanhamento do desenvolvimento das atividades realizado pelas instâncias


responsáveis da própria UFMS.
2. Divulgação dos resultados parciais e finais em eventos técnico-científicos que
vierem a ser desenvolvidos no período de execução e posteriormente a este.
3. Os resultados finais serão avaliados, também, pelo relatório final.
4. Um conjunto de textos que articulem teórica e metodologicamente os aspectos
psicossociais, culturais e econômicos, bem como as representações sociais que
orientam a formação e prática de profissionais da psicologia no campo das
políticas públicas de proteção e seguridade social, especificamente no âmbito dos
sistemas das políticas de assistência social (SUAS) e da saúde (SUS) com foco na
perspectiva da promoção dos Direitos Humanos, enfrentamento às desigualdades
sociais e à violência. que serão publicados na forma de artigos, discussões em
eventos científicos e, ao final, em um livro.
5. Envolvimento de alunos da Graduação e pós-graduação, no trabalho conjunto e a
troca/construção de conhecimentos no grupo com níveis de formação
diferenciados.
25

9 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DAS METAS/FASE

ANO: 2019 ANO: 2020


ATIVIDADES

MÊS DE EXECUÇÃO MÊS DE EXECUÇÃO

J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
A E A B A U U G E U O E A E A B A U U G E U O E
N V R R I N L O T T V Z N V R R I N L O T T V Z
Elaboração e aprovação do projeto X X X
Constituição da equipe X X
1ª ETAPA: PRODUÇÃO DO SABER DA
PSICOLOGIA E A POLITICA PÚBLICA
Definição dos bancos de dados a serem incluídos X X X
na investigação
Elaboração dos instrumentos para a coleta de X X
dados sobre a produção cientifica
Levantamento das produções nos bancos e X X X X X X
periódicos definidos
Elaboração dos fundamentos teóricos a partir do X X X X
levantamento da produção cientifica
Estudos e discussões dos materiais identificados X X X X X
ETAPA 2: PROCESSO DE FORMAÇÃO DE
PSICÓLOGOS E PSICÓLOGAS TRABALHO
DE CAMPO
Elaboração dos instrumentos para a coleta dos X X X
dados das instituições convidadas
Levantamento das IES na região e envio das X X X X
cartas convites
Levantamento dos dados X X X X X
26

Organização e análise do material coletado X X X X X X


Tratamento dos dados levantados em campo e X X X X
interpretação dos resultados das Análises
Produção de artigos sobre a primeira e segunda X X X X
etapa

ATIVIDADES ANO: 2021 ANO: 2022


MÊS DE EXECUÇÃO MÊS DE EXECUÇÃO

ETAPA 3: O QUE FAZEM PROFISSIONAIS J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D


DA PSICOLOGIA NO SUAS E NO SUS A E A B A U U G E U O E A E A B A U U G E U O E
N V R R I N L O T T V Z N V R R I N L O T T V Z
Contato com os profissionais da psicologia, X X X X
gestores e discentes e envio dos convites para a
participação do estudo
Formação dos grupos que aceitarem fazer parte do X X
estudo
Realização de entrevistas individuais e grupos X X X X X
Organização do material coletado X X X
Tratamento dos dados levantados em campo e X X X
interpretação dos resultados das Análises
Produção de artigos sobre a primeira e segunda X X X X X
etapa
ETAPA 4: O QUE DESEJAM AS
COMUNIDADES ATENDIDAS PELOS
SERVIÇOS E PROGRAMAS DO SUAS E DO
SUS

Contato e vistas às comunidades e apresentação X X X X


dos convites para a participação do estudo
27

Realização dos grupos X X X X


Organização do material coletado X X X X X
Tratamento dos dados levantados em campo e X X X
interpretação dos resultados das Análises
Produção de artigos sobre a primeira e segunda X X X X
etapa
Elaboração do Relatório final do projeto X X X

10 MATERIAIS E CUSTO

MATERIAL DE CONSUMO

ESPECIFICAÇÃO Quantidade Custo Custo Fonte Custo por ANO


Unitário Total Finan. 1º ANO 2º ANO 3º ANO 4º ANO

Resma de Papel sulfite A4 40 unid. 20,00 800,00 Recursos 200,00 250,00 250,00 100,00
próprios
equipe
Pen Drive 32GB - 4 unid 30,00 120,00 Recursos 120,00 - - -
próprios
Sandisk - Cruzer Blade equipe
Pasta L Esselte Leitz 4unid 30,00 120,00 Recursos 60,00 60,00 -
Organizadora Combifile próprios
Brancaa equipe
TOTAL 80,00 1.040,00 Recursos 320,00 310,00 310,00 220,00
próprios
equipe
28

11 REFERÊNCIAS
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pesquisa, n. 17, nov. 2002.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.
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BRIGAGÃO, J.; NASCIMENTO, V.; SPINK, P. As interfaces entre psicologia e políticas
públicas e a configuração de novos espaços de atuação. REU - Revista de Estudos
Universitários, v. 37, n. 1, p. 199-215, 11.
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LOPES, Z. A. Meninas para um lado, meninos para outro: um estudo sobre
representação social de gênero de educadores de creche. Campo Grande: Ed. da UFMS,
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experiências vividas por mulheres agredidas. Tese, apresentada à Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras de Ribeirão Preto / USP – Dep. de Psicologia e Educação Ribeirão
Preto, 2009.
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Psicologia Social e Políticas Públicas: contribuições e controversias. 1ed.Goiania: PUC
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MINAYO, M. C. de S. O desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8 ed.
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29

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VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
30

APÊNDICE 1
DETALHAMENTO DAS ATIVIDADES E CARGA HORARIA DA EQUIPE

Atividade (A-1): ETAPA 1- Elaboração dos instrumentos de coleta de dados de produção cientifica
definição dos bancos de dados
Início: 1º Mês Duração: 2 Mês(es) C. H. S.: 2 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-2): ETAPA 1 - Coleta de dados sobre a produção Cientifica
Início: 4º Mês Duração: 6 Mês(es) C. H. S.: 4 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Gabriela Lopes de Aquino [Responsável] Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Renato Martins de Lima
Luis Carlos dos Santos Nunes
Atividade (A-3): ETAPA 1 - Organização de dados da produção Cientifica
Início: 6º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 4 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Gabriela Lopes de Aquino [Responsável] Mary Lucia Sargi do Nascimento
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Atividade (A-4): ETAPA 2 - Levantamento das IES e estabelecer os contatos para enviar convite para
participação do estudo.
Início: 8º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 1 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Luis Carlos dos Santos Nunes
Mary Lucia Sargi do Nascimento [Responsável]
Atividade (A-5): ETAPA 1 - Análise de dados e Produção artigos
Início: 8º Mês Duração: 5 Mês(es) C. H. S.: 1 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado

Atividade (A-6): ETAPA 2 - Elaboração de instrumento para coleta de dados das IES participantes
Início: 8º Mês Duração: 3 Mês(es) C. H. S.: 2 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Aline Cantini Ibarra [Responsável] Mary Lucia Sargi do Nascimento
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Atividade (A-7): ETAPA 2 - Levantamento de dados das IES participantes
Início: 14º Mês Duração: 5 Mês(es) C. H. S.: 1 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Aline Cantini Ibarra Mary Lucia Sargi do Nascimento [Responsável]
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima

Atividade (A-8): ETAPA 2 - Organização e análise dos dados encontrados


Início: 18º Mês Duração: 6 Mês(es) C. H. S.: 2 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Gabriela Lopes de Aquino Luis Carlos dos Santos Nunes
Aline Cantini Ibarra Jacy Corrêa Curado
31

Mary Lucia Sargi do Nascimento


Regi Morais Pereira
Renato Martins de Lima [Responsável]
Atividade (A-9): produção de artigos
Início: 20º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 1 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-10): produção de artigos
Início: 20º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 1 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-11): elaboração do Relatório parcial - Tratamento dos dados levantados em campo e
interpretação dos resultados das Análises
Início: 21º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 2 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado [Responsável]

Atividade (A-12): ETAPA 3- Contato com os profissionais da psicologia e envio dos convites
para a participação do estudo
Início: 25º Mês Duração: 1 Mês(es) C. H. S.: 2 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino
Aline Cantini Ibarra
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-13): ETAPA 3 - Contato com os gestores e envio dos convites para a participação
do estudo
Início: 26º Mês Duração: 2 Mês(es) C. H. S.: 2 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Aline Cantini Ibarra [Responsável]
Mary Lucia Sargi do Nascimento
Renato Martins de Lima
Atividade (A-14): ETAPA 3 - Contato com os discentes e envio dos convites para a participação
do estudo
Início: 27º Mês Duração: 2 Mês(es) C. H. S.: 2 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Luis Carlos dos Santos Nunes [Responsável]
Mary Lucia Sargi do Nascimento
Renato Martins de Lima
Atividade (A-15): ETAPA 3 - Realização de entrevistas com os participantes
Início: 31º Mês Duração: 5 Mês(es) C. H. S.: 8 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-16): ETAPA 3 - Organização do material coletado, transcrição
32

Início: 33º Mês Duração: 3 Mês(es) C. H. S.: 8 Horas


Membros: Zaira de Andrade Lopes
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes [Responsável] Renato Martins de Lima
Mary Lucia Sargi do Nascimento

Atividade (A-17): Análise do material e produção de artigos


Início: 34º Mês Duração: 5 Mês(es) C. H. S.: 8 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-18): ETAPA 4- Contato e formação de grupo com pessoas usuárias de serviços de
assistência social
Início: 37º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 8 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Gabriela Lopes de Aquino [Responsável] Jacy Corrêa Curado
Luis Carlos dos Santos Nunes Mary Lucia Sargi do Nascimento
Atividade (A-19): ETAPA 4- Contato e formação de grupo com pessoas usuárias de serviços de
saúde
Início: 37º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 8 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Aline Cantini Ibarra [Responsável]
Luis Carlos dos Santos Nunes
Mary Lucia Sargi do Nascimento
Atividade (A-20): ETAPA 4- realização de grupos para coleta dos dados
Início: 38º Mês Duração: 4 Mês(es) C. H. S.: 8 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-21): ETAPA 4 - Organização do material coletado
Início: 41º Mês Duração: 5 Mês(es) C. H. S.: 4 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado [Responsável]
Atividade (A-22): ETAPA 4 - Elaboração do Relatório final do projeto
Início: 46º Mês Duração: 3 Mês(es) C. H. S.: 1 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Mary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima
Jacy Corrêa Curado
Atividade (A-23): ETAPA 4 - Elaboração artigos
Início: 46º Mês Duração: 3 Mês(es) C. H. S.: 5 Horas
Membros: Zaira de Andrade Lopes [Responsável]
Gabriela Lopes de Aquino Jacy Corrêa CuradoMary Lucia Sargi do Nascimento
Aline Cantini Ibarra Regi Morais Pereira
Luis Carlos dos Santos Nunes Renato Martins de Lima