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Um Apocalipse Budista Sino-Indiano do Século IV:

O Fa-Mieh-Chin-Ching (Sutra da Extinção da Lei)

Ricardo Mário Gonçalves


Instrutor da Cadeira de História da Civilização Antiga e Medieval da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP)

Comunicações. I. História Geral


Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica (SBPH). Anais da VII Reunião
São Paulo. 1988

1. Introdução

O texto budista chinês, cuja tradução, feita diretamente do chinês clássico,


agora apresentamos ao público estudioso brasileiro, é um interessante exemplo
da literatura apocalíptica dentro da tradição budista. Está vinculado com o culto
de Maitreya (Mi-lo-fo, em chinês), uma tradição de conotações messiânicas
bastante difundida no mundo budista, particularmente na China e no Japão. Ao
contrário da maior parte dos Sutras (textos canônicos que contêm discursos
doutrinários atribuídos a Buda), este texto não traz nenhuma indicação sobre a
data de sua tradução para o chinês nem o nome do seu tradutor. A análise de
seu conteúdo permite concluir que ele foi composto no século IV d.C.1 Segundo
o pesquisador Shôkei Watanabe, ele pode ser um dos numerosos Sutras
apócrifos compostos na China, sem referência a nenhum original indiano escrito
em sânscrito.2

O principal interesse deste Sutra está em ser o mesmo uma fonte primária para
o estudo das idéias que inspiraram os movimentos sociais de cunho messiânico
no Extremo-Oriente tradicional. A história da China tradicional é rica em guerras
camponesas contra a autoridade imperial. Muitas delas tomam a forma de
movimentos messiânicos que aspiram à instalação na terra, do reino de
Maitreya, o Buda Futuro, verdadeiro Messias do Budismo, cujo culto, de origem
indo-iraniana, penetrou no Celeste Império juntamente com os textos e
doutrinas budistas. Os principais movimentos messiânicos chineses vinculados
com o culto de Maitreya são os seguintes:

 Usurpação do trono dos Tang em 690 pela imperatriz Wu Tser-Tien, que


promoveu, para garantir apoio popular, ampla campanha de divulgação
de um texto budista apócrifo, o Sutra da Grande Nuvem, em que se
apresentava como a encarnação de Maitreya;
 Revolta popular contra a Dinastia Song em 1047;
 Revoltas da Seita do Lótus Branco contra o domínio mongol em 1281 e
1308;3
 Movimentos de resistência contra os mongóis de adéptos de Maitreya no
Henan em 1335, no Hunan em 1337 e dos Turbantes Vermelhos (1335-
1366);
 Revoltas da minorias tibeto-birmanesas no início do século XVI liderados
por Pu Fae, que pregava o iminente advento de Maitreya;
 Insurreição da Seita do Lótus Branco contra a Dinastia Mandchu em fins
do séc. XVIII e início do séc. XIX;4
 A rebelião Tai-Ping (1850-1864) que, embora influenciada pelo
milenarismo cristão, não pode ser explicada senão como herdeira de
uma longa tradição de movimentos messiânicos budistas5. No Japão
também encontramos movimentos milenaristas ligados ao culto de
Maitreya, principalmente nos sécs. XIX e XX. Foram particularmente
intensos nos anos da chamada Restauração Meiji, entre 1860 e 1880,
compreendendo agitações camponesas de caráter revolucionário e a
formação de comunidades religiosas populares à margem das religiões
oficializadas pelo Estado.6

2. O texto e sua estrutura

O texto que aqui apresentamos revela nítida conotação escatológica e


messiânica. Consiste num discurso que teria sido enunciado por Sâkyamuni, o
fundador do Budismo, pouco antes de sua morte, no bosque de Kusinagara, na
Índia setentrional. O Buda anuncia o declínio progressivo de sua doutrina, a
crescente degradação moral da humanidade em geral e dos monges budistas
em particular, a existência de um grupo de justos que embora perseguidos
perseverarão no caminho do bem, a destruição quase total da humanidade
através da água (influência das tradições sobre o Dilúvio) e, finalmente, a
regeneração do mundo e a instalação de um reino utópico de paz e felicidade
sob a égide do salvador Maitreya. Essa estrutura é praticamente a mesma de
textos apocalípticos compostos na mesma época no mundo mediterrâneo sob a
influência de idéias iranianas, como o Pequeno Apocalipse do tratado hermético
Asclepius7 o que nos permite concluir pela presença de idéias persas em nosso
texto. Estas explicam-se facilmente pela penetração do Maniqueísmo e de
correntes budistas "iranizadas"na China.8

3. Tradução do texto9

O SUTRA DA EXTINÇÃO DA LEI


Pregado por Buda

Assim eu ouvi:

Certa ocasião, o Buda estava Kusinagara10, três meses antes de penetrar no


Nirvana11. Estavam junto ao Buda numerosos monges, Bodhisattvas12 e uma
multidão inumerável. O Senhor Bem-Aventurado permanecia imerso em
profunda calma, mantinha-se calado, não pregava a doutrina e não emitia luz.

O sábio Ananda13 saudou o Buda e dirigiu-lhe a palavra dizendo:

— O Senhor Bem-Aventurado sempre prega a doutrina e manifesta sua luz.


Agora, uma grande multidão está reunida, mas a luz não se manifesta. Isto
deve ter um profundo significado. Suplico-vos que nos explicai essa razão.

O Buda, calado, não deu resposta e por três vezes Ananda enunciou sua súplica
dessa maneira.

Disse então o Buda a Ananda:

— Depois de Eu penetrar no Nirvana, quando se aproximar a época da extinção


da Lei Búdica, numerosos serão os praticantes dos cinco crimes capitais14, e no
mundo impuro predominarão as práticas diabólicas. Seres diabólicos assumirão
a aparência de monges e se infiltrarão na comunidade e no meio dos fiéis,
tumultuando e destruindo a doutrina de dentro para fora. Os monges diabólicos
se deliciarão em vestirem trajes de leigos e se alegrarão envergando mantos e
vestes de cinco cores não autorizadas pela tradição. Os monges diabólicos
beberão álcool, comerão carne com avidez e matarão seres vivos, nada os
detendo na busca insaciável de sabores agradáveis. A compaixão estará
totalmente ausente de seus corações. O ódio e a inveja os lançarão uns contra
os outros.

Entretanto, mesmo nessa época existirão Bodhisattvas, Pratyeka-buddhas15 e


Arahats16 que com perseverança se entregarão à ascese e à prática das
virtudes, alcançando o respeito e a veneração das pessoas. Eles instruirão de
maneira equânime todas as pessoas, terão compaixão dos pobres, tratarão com
carinhos os velhos, proporcionarão socorro aos desamparados e alimentarão e
protegerão as vítimas das calamidades. Eles sempre terão consigo Sutras e
imagens búdicas, ensinarão a importância da dedicação ao serviço do próximo
e pregarão a veneração aos Budas. Praticarão todas as virtudes. Sua vontade,
seu caráter e seus pensamentos serão benévolos. Não agredirão nem
prejudicarão qualquer pessoa. Sacrificar-se-ão em prol da salvação das coisas
de outrem. Serão pacientes e delicados com as pessoas.

Quando existirem homens assim, os monges diabólicos os invejarão, os


insultarão e os caluniarão. Divulgarão amplamente seus pontos fracos entre o
povo, para desacreditá-los. Eles serão expulsos dos mosteiros e dos templos,
não mais lhes será permitido residirem nos mesmos. Quando dessa forma os
verdadeiros praticantes desaparecerem de suas vistas, os monges diabólicos,
como não se entregam à prática do caminho correto, não se preocuparão em
restaurar os mosteiros e os templos quando estes se arruinarem, entregando-
os ao abandono. Apenas se empenharão em ambicionar e em entesourar bens
e dinheiro em seu próprio benefício, não se preocupando com a prática da
caridade. Entregar-se-ão ao comércio de escravos. Ararão e semearão os
campos e farão queimadas na floresta, ferindo os seres vivos, já que não
possuem compaixão em seus corações.

Escravos se tornarão monges e escravas serão monjas. Não existirá mais


nenhuma moral. Não haverá nenhuma distinção entre homens e mulheres
quanto à prática do mal e ao desregramento sexual. O Caminho de Buda
entrará em declínio por causa das ações dessa gente.

Muitos procurarão se tornar monges para escaparem aos cobradores de


impostos. Serão monges apenas na aparência, não praticarão as regras e
preceitos. A leitura quinzenal das regras será feita com má vontade e
negligência, não haverá esforço para ouvi-las com atenção nem para ensiná-las
na sua totalidade. Não estudarão os Sutras e, ainda que haja alguém capaz de
lê-los, o sentido de suas palavras não mais será compreendido. Embora sua
leitura seja falha, inventarão explicações arbitrárias ao invés de recorrerem aos
que entendem as palavras. Embora sua compreensão seja deficiente,
ambicionarão se tornarem famosos, serão orgulhosos e sempre procurarão o
elogio das pessoas. Embora não possuam sabedoria e virtudes, andarão com
ares imponentes e procurarão reverência das pessoas.

Quando a vida desses monges diabólicos se extinguir, seus espíritos serão


precipitados no inferno dos sofrimentos sem intervalo, onde se juntarão aos
praticantes dos cinco crimes capitais. Experimentarão os mundos dos fantasmas
famintos e dos animais, onde renascerão por um período imensurável, superior
a dez milhões de anos. Mesmo quando forem resgatadas suas faltas,
renascerão em países onde as Três Jóias17 são desconhecidas.

Quando a Lei estiver para se extinguir, as mulheres serão diligentes e


constantemente acumularão virtudes. Os homens, porém, serão negligentes,
não farão o menor esforço para ouvir a Lei de Buda. Aos olhos dos homens, os
monges serão semelhantes a esterco misturado com terra, ele não terão
nenhuma fé.

Quando a Lei se extinguir, todos os deuses derramarão lágrimas e se


lamentarão. Os cereais deixarão de crescer, epidemias grassarão, muitos
morrerão e inúmeros serão os sofrimentos dos homens. Os impostos serão
pesados, serão cobrados impostos totalmente contrários ao bom senso. Os
homens promoverão desordens e aproveitarão todas as oportunidades para
obter prazer. Os maus serão tão numerosos quanto os grãos de areia do
oceano e só serão encontrados um ou dois bons.

Quando o mundo estiver na iminência de se acabar, os dias e meses serão mais


curtos e a vida humana também irá encurtando paulatinamente. Com quarenta
anos as cabeças estarão cobertas de cabelos brancos. Os homens se
entregarão à libertinagem, perderão logo seu sêmen e morrerão jovens. Ainda
que tenham vida longa, não passarão dos sessenta. A vida dos homens será
curta e a das mulheres alcançará setenta, oitenta, noventa ou cem anos.
Grandes inundações infindáveis aparecerão inesperadamente. Como as pessoas
do mundo não têm fé, julgarão que este mundo permanecerá para sempre.
Com as inundações, tanto os ricos como os miseráveis se afogarão, serão
arrastados pelas águas e transformados em comida para os peixes. Então, os
Bodhisattvas, Pratyeka-buddhas e Arahats serão perseguidos por numerosos
demônios com a aparência de monges. Refugiar-se-ão nas montanhas dos Três
Veículos18, de onde passarão para a Terra da Felicidade e da Virtude19.
Praticarão todos eles a Lei com firmeza e obedecerão os preceitos, nisso
encontrando sua alegria. Sua vida será prolongada e eles serão protegidos
pelos deuses.

Então, o Bodhisattva Candra-prabha20 se manifestará neste mundo e durante


cinqüenta e dois anos promoverá minha Lei. Desaparecerão primeiro os Sutras
Surangama21 e Pratyutpanna-samadhi22. As doze coleções de Sutras23 também
desaparecerão progressivamente e não mais será possível ver suas letras. Os
mantos dos monges passarão a ser brancos24.

Quando a Lei de Buda se extinguir, ela será semelhante à luz de uma lâmpada
de azeite que ganha um brilho repentino pouco antes do combustível se
extinguir. Nada mais posso ensinar além disto.

Algumas dezenas de milhares de anos depois de tudo isto, Maitreya 25 descerá a


este mundo e através de sua ascese se transformará em Buda. Reinará a paz
sob os céus e todos os fluídos venenosos serão eliminados. As chuvas serão
frescas e abundantes e os cereais crescerão com vigor. As árvores alcançarão
grande altura e a estatura dos homens será de oito "jo"26. A duração das vidas
humanas será de oitenta e quatro mil anos. Impossível será contar o número
de seres viventes que atingirão a iluminação búdica.

Então, o sábio Ananda reverenciou o Buda e dirigiu-lhe a palavra dizendo:

— Que nome deverá ter este Sutra e de que maneira devemos nos consagrar a
ele?

O Buda respondeu:

— Ananda! O nome deste Sutra deverá ser Sutra da Extinção da Lei. Poderá
ser pregado a todos os seres, sem discriminação, o que produzirá incontáveis
méritos.

Os discípulos das quatro categorias27, ao ouvir este Sutra, mergulharam em


profunda tristeza e por esse mesmo motivo despertaram seus corações para o
Supremo Caminho da Nobre Verdade. Então, todos reverenciaram o Buda e se
retiraram.

O Sutra da Extinção da Lei, pregado pelo Buda.

4. Algumas questões

Não sendo possível, neste pequeno espaço, comentar em profundidade todo o


texto, limitar-nos-emos a apontar algumas questões significativas.

4.1. Ordenação de escravos

O texto alude à ordenação de escravos como um dos indícios da decadência do


Budismo no fim dos tempos:

“Escravos se tornarão monges e escravas serão monjas.”

A ordenação de escravos era proibida pelo Vinaya, coletânea das regras


monásticas que data dos primeiros séculos da história da comunidade budista28.

O tema é lembrado por pensadores budistas que se ocupam do tema da


decadência do Budismo, como por exemplo o patriarca japonês Shinran (1173-
1262), fundador da Verdadeira Escola da Terra Pura (Jôdo-Shinshû), que, em
seu Shôzômatsu Wasan (Hinos das Três Épocas), alude ao costume, vigente no
Japão de seu tempo, de se designar escravos e servos por títulos monásticos:

“Como prova dos males e das cinco impurezas


Os veneráveis nomes de monges e mestres
Serão aplicados a escravos e criados
Por serem considerados nomes vis.

Como prova do desprezo em que é tida a Lei de Buda,


Monges e monjas são tidos como escravos,
E os títulos veneráveis de mestres e monges
São atribuídos aos criados.”29

4.2 Monges e imunidade fiscal

O texto alude a elementos que se tornam monges apenas para gozar de


imunidade fiscal:
“Muitos procurarão se tornar monges apenas para escaparem aos cobradores
de impostos.”

Uma vez que os Estados extremo-orientais garantiam imunidade fiscal aos


monges, freqüentemente encontramos, ao longo da história da China, do Japão
e outros países budistas decretos imperiais e outras disposições
governamentais procurando controlar e restringir as ordenações budistas para
evitar essa prática. Lembremos, como exemplo, os decretos imperiais no Japão
do período de Nara (710-784) contra os chamados Shidosô (pessoas que
assumiram a condição de monges sem autorização do Estado).

4.3 Crenças sobre a sexualidade

O texto alude à crença segundo a qual o desperdício de sêmen por parte dos
homens libertinos acarreta enfraquecimento e encurtamento da vida:

“Os homens se entregarão à libertinagem, perderão logo seu sêmen e morrerão


jovens.”

Essa é uma crença básica dos chineses em relação à sexualidade:

“Voici donc deux notions fondamentales que la littérature sexuelle chinoise ne


se lasse pas de mettre em avant. La primière c'est que la semence d'um
homme est sa possession la plus précieuse, la source non seulement de sa
santé, mais de sa vie même; toute émission de semence diminuera cerre force
vitale, à moins qu'elle ne soit compensée par l'acquisition d'une quantité
équivalente d'essence yin féminine... L'onanisme est entièrement interdit à
l'homme, car il entraine une perte complète d'essence vitale... On considère
avec inquiétude les émissions involuntaires qui se produisent pendat le
sommeil.”30

É interessante lembrar que idéias semelhantes existiam também no mundo


mediterrâneo na Antigüidade tardia, sendo difundidas por médicos como
Soranos, que consideram a abstinência sexual como fundamental para a saúde:

“Foi num livro de ginecologia que Soranos afirmou: toda emissão de sêmen
(masculino) é nociva à saúde; as relações sexuais são prejudiciais em si
mesmas.” (I, 30-31).31

Cumpre lembrar, porém, que em nosso texto o encurtamento da vida através


do desperdício de sêmen é apenas um aspecto de um tema mais amplo, o da
degeneração conjunta física e moral no fim dos tempos. Na literatura
apocalíptica indo-iraniana o físico e o moral aparecem estreitamente
interligados. Nas épocas de perfeição moral, a duração da vida é calculada em
dezenas de milhares de anos e o próprio tamanho do corpo humano atinge
proporções gigantescas. À medida que a degeneração se desencadeia, tamanho
do corpo e duração da vida vão diminuindo progressivamente para serem
restaurados em suas proporções originais por ocasião da regeneração. A
própria natureza é envolvida no processo: as colheitas abundantes e as
condições naturais aprazíveis das eras de perfeição são substituídas pelas más
colheitas, pelas inundações e toda a espécie de catástrofes naturais das eras de
degeneração. Tais idéias não podiam deixar de encontrar ampla aceitação na
China, onde a longevidade é um ideal almejado por todos e particularmente
enfatizado na mística taoísta e onde as correspondências entre a ordem moral e
a ordem cósmica constituem um dos temas fundamentais da historiografia
oficial de inspiração confuciana. Semelhantes convergências de idéias
certamente facilitaram o processo de aclimatação do Budismo no universo
cultural chinês.

1. ONO, Genmyô (Editor). Bussho Kaisetsu Daijiten (Grande Dicionário Explicativo de Textos
Budistas), Tóquio, Daitô Shuppansha, 1977, 10º vol., p. 121.

2. WATANABE, Shôkei. Shirasarenakatta Shakuson no Oshie (O Ensinamento de Buda que foi


mantido oculto), Tóquio, Shirogane, 1975, p. 25-26.

3. MICHIBATA, Ryôshu. Chûgoku Bukkyo-shi (História do Budismo chinês), Kyoto, Hozokan,


1966, p. 192-195.

4. GERNET, Jacques. O mundo chinês, Lisboa, Cosmos, 1975, 2 vols., 1º vol: p. 350-351 e
389; 2º vol: p. 74-75.

5. Para estudo do movimento Tai-Ping e outras insurreições populares dos séculos XIX e XX
ver: CHESNEAUX, Jean e outros. Mouvements populaires et sociétés secrètes en Chine aux
XIX e et Xxe siècle, Paris, François Maspero, 1970.

6. KASAHARA, Kazuo e outros. Shukyô-shi (História religiosa), Tóquio, Yamakawa, 1964, p.


327-377.

7. HERMÈS TRISMÉGISTE. Corpus Hermeticum, Paris, Les Belles-Lettres, 1954, 4 vols., 2º


vol., p. 326-331 e 379, nota nº 201.

8. Sobre o Maniqueísmo na China: DECRET, François. Mani et la tradition manichéene, Paris,


Seuil, 1974, p. 130-134; TARDIEU, Michel. Le Manichéisme, Paris, P.U.F., 1981, p. 69, 79 e
119-123. Sobre a "iranização"do Budismo: BREUIL, Paul de. Zarathustra et la transfiguration
du monde, Paris, Payot, 1978, 364-371. Lembremos ainda que um dos primeiros missionários-
tradutores budistas que atuaram na China, Na Shih-Kao (séc. II d.C.) era natural da Pérsia (cf.
MICHIBATA, Ryôshu. op. cit., p. 15). Um excelente estudo atualizado sobre as influências
iranianas no Budismo chinês é: SUGIYAMA, Jiro. Gokuraku Jôdo no Kigen (A origem da Terra
Pura da Suprema Alegria), Tóquio, Chikuma, 1984.

9. Na presente tradução seguimos a edição japonesa Taishô (Taishô nº 396) cotejando-a com a
tradução para o japonês moderno de Shôkei Watanabe (cf. WATANABE, Shôkei. op. cit., p. 6-
13).

10. Localidade da Índia setentrional, próxima da atual aldeia de Kasya onde, segundo as
escrituras, Sâkyamuni faleceu aos 80 anos de idade.

11. Nas escrituras budistas usa-se a expressão “penetrar no Nirvana”, ou seja, no absoluto
incondicionado, para designar o falecimento do fundador do Budismo.

12. Ascetas leigos que representam o ideal de perfeição espiritual proposto pelo Budismo do
Grande Veículo.

13. Primo do fundador do Budismo e um de seus principais discípulos. Segundo a tradição, era
dotado de memória prodigiosa e, após a morte de Buda, foi encarregado pelos demais
discípulos da transmissão dos sermões do mesmo sob a forma de sutras ou discursos que, mais
tarde, vieram a constituir a primeira parte do Tripitaka ou tríplice coleção de textos canônicos.

14. Cinco crimes cruéis passíveis da mais pesada condenação aos infernos: 1) matar o pai, 2)
matar a mãe, 3) matar um Arahat (discípulo iluminado), 4) ferir um Buda derramando seu
sangue, 5) quebrar a harmonia da comunidade budista, provocando cisões.

15. Praticantes do Budismo do Pequeno Veículo que alcançaram a Iluminação sozinhos, sem
ouvirem as pregações de Buda.

16. Praticantes do Budismo do Pequeno Veículo que atingiram o mais alto grau de perfeição
individual depois de ouvirem as pregações de Buda.

17. TRIRATNA em sânscrito. Compreendem o Buda (Mestre), o Dharma (Doutrina) e o Sangha


(Comunidade), os três elementos básicos que constituem o Budismo. Por extensão, essa
expressão designa o próprio Budismo.

18. As doutrinas dos Bodhisattvas, Pratyeka-buddhas e Arahats.

19. O Nirvana.

20. Literalmente, o Bodhisattva da Luz Lunar.

21. Importante Sutra do Budismo do Grande Veículo, uma das principais exposições das bases
teóricas da prática do Budismo Zen.

22. Sutra do Budismo do Grande Veículo que ensina um tipo de meditação que provocaria a
aparição das divindades do panteão búdico a seus praticantes.

23. O Budismo indiano dividia os Sutras em doze coleções distintas, conforme a forma e o
conteúdo.

24. Na Índia o branco é a cor típica das vestes dos leigos, enquanto que os monges costumam
usar mantos e hábitos amarelos ou cor de açafrão.

25. O Buda futuro ou o Messias budista. Segundo a tradição, foi discípulo do Buda Sâkyamuni
que lhe anunciou sua futura realização como Buda alguns milhões de anos no futuro. Desde sua
morte até sua futura encarnação como Buda permanece no Céu Tusita, o mesmo mundo
paradisíaco em que Sâkyamuni viveu sua derradeira existência antes de renascer na terra pela
última vez para se tornar Buda. Alguns lhe atribuem origem iraniana e mesmo helenística,
outros preferem explicar a formação e a evolução de seu culto dentro de um contexto
exclusivamente indiano e budista. Assim, Sylvain Lévy e toda uma corrente de orientalistas vê
sua origem no culto iraniano de Mithra. Existe aliás um parentesco etimológico entre Mithra,
deus salvador iraniano ligado ao Sol, Mitra, deus védico dos contratos e juramentos e Maitreya
(Metteya em páli). A palavra “mitra” significa “amigo” e é aparentada ao termo “maitri” que no
vocabulário budista designa a virtude da compaixão. Por isso Maitreya é também chamado o
Senhor da Compaixão. Da mesma forma com que influenciaram o mundo judaico-cristão, as
tradições messiânicas iranianas teriam penetrado também no mundo indiano, estimulando o
culto de Maitreya no Budismo e o do Kalkin-Avatara no Hinduísmo. Segundo a tradição
hinduística registrada em textos como o Visnu-Purana, o deus Visnu, que já se encarnou na
Terra muitas vezes sob diversas formas manifestar-se-á pela última vez com o nome de Kalkin-
Avatara no fim do Kali-Yuga, a idade sombria de decadência e corrupção que corresponde à
época atual. Já outros orientalistas como André Bareau e Shoko Watanabe explicam a formação
do culto de Maitreya a partir das tradições referentes a um discípulo de Sâkyamuni do mesmo
nome, natural de Varanasi (Benares) a quem Sâkyamuni teria predito sua realização como Buda
no futuro. O estudioso canadense George Woodcock chega a admitir uma influência helenística,
ao dizer que por detrás da figura de Maitreya e outros salvadores messiânicos indianos se
encontram influências das tradições que faziam de Alexandre o Grande um rei-salvador de
origem divina.

26. Aproximadamente 24 m. O "jo" é uma medida de comprimento sino-japonesa que,


conforme a época, varia entre 2,25 m. e 3,11 m.

27. Monges, monjas, leigos e leigas.

28. Vinaya I, 39-51, cf. HAJIME, Nakamura. Genshi Bukkyo no Seiritsu (A formação do
Budismo primitivo), Tóquio, Shunjû-sha, 1969, p. 246 e 248.

29. TABATA, Ôjun e outros. Shinran-shû, Nichiren-shû (Textos de Shinran e Nichiren), Tóquio,
Iwanami, 1966, p. 107 e 108.

30. VAN GULIK, Robert. La vie sexuelle dans la Chine ancienne, Paris, Gallimard, 1971, p. 76-
77.

31. ROUSSELLE, Aline. Pornéia. Sexualidade e amor no mundo antigo, S. Paulo, Brasiliense,
1984, p. 24.

Templo Budista Apucarana Nambei


Honganji
Travessa Dorizon, s/n
86802-265 - Apucarana - Paraná
Telefone/Fax: (0xx43) 423-0315
Monge Responsável: Rev. Wagner Bronzeri (Sh.
Haku-Shin)
E-mail: honganji@dharmanet.com.br

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