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brasil: história
História e historiografia da escravidão no
Brasil: identidades, caminhos e percursos

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História e historiografia da escravidão no
Brasil: identidades, caminhos e percursos

Flávio Gomes

Vários autores escreveram sobre a história da escravidão no Brasil desde


o início do século XX. Quais foram as suas preocupações? Quais as fontes e
temas que destacaram em suas reflexões? Em que medida as imagens que
hoje temos sobre a escravidão – nos livros didáticos por exemplo – foram
desenhadas por estes autores e reproduzidas de forma não crítica nas salas
de aula? O texto que segue tem como objetivo fazer você refletir sobre esta
montagem da historiografia. Refletir como a história da escravidão foi escrita,
quais seus principais autores e as preocupações temáticas que tinham, em
parte informadas pelo tempo em que viviam.
Considerando o fim da escravidão indígena decretado em meados As numerosas levas de
do século XVIII (ainda que esta liberdade fosse uma ficção, uma vez que as imigrantes estran-
geiros trazidos para
frentes de “civilização” e expansão econômica do século XIX podiam utilizar o as lavouras datam da
trabalho compulsório dos índios) e a Lei Áurea de 1888, temos 3/4 da história segunda metade do
século XIX).
do Brasil com a utilização do trabalho escravo. Portanto, os historiadores têm
a tarefa e o desafio de incluir na história do trabalho do Brasil as experiências
das populações indígenas, africanas e de seus descendentes porque, até o
momento, a história do Brasil tão somente incluiu na história do trabalho as
experiências dos trabalhadores imigrantes ou a marca cronológica da Abolição
em 1888.
Durante a vigência da escravidão, em muitas regiões, 2/3 da população
livre era constituída de negros, e homens livres pobres. Em diversas áreas
fizeram greves, motins e organizaram-se mesmo em sociedades e sindicatos.
Isso tudo antes do 13 de maio de 1888. Devemos lembrar que
com suas lógicas e
Podemos citar ainda a resistência das populações nos aldeamentos significados próprios,
missionários nos séculos XVI e XVII, ou falar da “greve negra” em Salvador, em a sociedade atual ou
outras anteriores ao
1857, quando escravos urbanos organizados em seus “cantos de trabalho” período da escravidão
paralisaram o setor de transporte e abastecimento, insatisfeitos com as mudanças moderna não foram
menos violentas.
nas leis municipais que regulavam suas atividades. Para além dos quilombos,
fugas e rebeliões – nas áreas rurais e nas cidades – escravos politizaram seus
cotidianos, organizando suas famílias e comunidades. A despeito da violência
da sociedade escravista, os cativos e outros setores sociais (a grande camada de
homens pobres livres fundamentalmente de negros e mestiços) constituíram-
se como sujeitos de suas próprias vidas e história.

1. Percursos da Historiografia
A história social da escravidão no Brasil, em suas diferentes tendências,
aspectos teórico-metodológicos e recortes históricos e historiográficos,
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tem trilhado vários caminhos. Mas do que mencionar teorias e influências, é
importante destacar o redescobrimento da pesquisa histórica. É sobre ela – nas
suas mais variadas dimensões e caminhos – que se têm debruçado renovadas
gerações de historiadores nos últimos 20 anos.
É fundamental destacar, porém, as bases destas transformações
historiográficas. Até os anos 1960 falava-se de escravidão tão somente. A
sociedade escravista aparecia como homogênea. Ora branda, ora cruel. Só
havia espaço para senhores e escravos, e o palco privilegiado era a casa-grande,
a plantation e a economia agro-exportadora.
O tema da escravidão geral no Brasil cedeu espaço às análises sobre o
escravismo nos anos 1960 e 1970. O que importava agora era entender a
sociedade escravista por meio do seu sistema, articulado e estrutural.
Tanto na idéia de escravidão generalizante como naquela de escravismo,
poucos espaços havia para os sujeitos históricos, fundamentalmente os
escravos.
Essa foi a principal contribuição da historiografia a partir de meados
dos anos 1980 e principalmente nos anos 1990. A escravidão generalizante
e o escravismo cederam a vez para a História dos Escravos. É possível falar –
ampliando temáticas para além do fim da escravidão – em experiência negra
no Brasil. Nos próximos anos devemos incluir os escravos e negros no interior da
história social do trabalho. Esta via de regra só tem começado com a imigração
européia, a tal da transição ou o 14 de maio – o dia seguinte à abolição.
Como tem sido escrita a historia da escravidão no Brasil? O tema da
Temática da teve um papel fundamental nos novos percursos da historiografia brasileira.
escravidão - Vários As temáticas da escravidão (e aquelas das relações raciais) tiveram sempre
e importantes
intelectuais brasileiros espaços nobres na literatura das ciências sociais sobre o Brasil. Fundamental
– em diversos – de início – seria tentar conectar as mudanças de perspectivas e enfoques da
contextos – se
dedicaram ao assunto. historiografia sobre a escravidão e o contexto da sua produção.
De Nina Rodrigues,
considerado o “pai” da Para lançar mão da comparação, podem ser citados os Estados Unidos
Antropologia no Brasil
no final do século XIX, e alguns países da América Latina, onde os estudos sobre o negro e o índio,
passando por Gilberto respectivamente, ganharam fôlego, redirecionamento e principalmente
Freire nos anos 1930.
visibilidade com os movimentos pelos direitos civis e as lutas das populações
indígenas. A preocupação com as experiências históricas das chamadas
“minorias” vinculou-se também a um movimento intelectual internacional de
historiar mulheres, negros, índios, entre outros. As chamadas “minorias” e sua
inclusão no discurso histórico e historiográfico foi também um movimento da
história destes grupos sociais e pessoas.
A questão não era somente incluir “minorias” – no caso dos africanos e
de seus descendentes. Era permitir uma outra concepção de história. Quais os
fatores de mudança na história? No caso da escravidão, tais questões estariam
implícitas em vários discursos. Preste atenção em três questões, algumas
das quais destacadas mais enfaticamente do que outras pela historiografia
brasileira:

1.1 Primeira questão - o eixo econômico


Escravidão e principalmente escravos seriam quase sempre descritos pela
sua importância econômica. Seriam propriedades dos senhores, transformados
110 meramente em mercadorias. Mesmo algumas análises mais contemporâneas
insistem em abordagens voltadas para a demografia, nas quais os escravos
aparecem meramente como números e estatísticas. É o tráfico, a família escrava,
a alforria. Apesar da ênfase nos números, tais estudos são importantes. Alguns
fundamentais.
Neles, a família escrava apareceria com seus arranjos sociais, mudanças
estruturais e cíclicas. O debate sobre a mesma – quase sempre marcado
pelo preconceito e utilização sem críticas das fontes de viajantes – ganharia
consistência e fôlego com a pesquisa quantitativa e demográfica das fontes
seriais de inventários, censos e listas nominativas.
Outro ponto importante seria o das estruturas de posse dos escravos.
Havia estruturas diferenciadas. A propriedade escrava estava disseminada em
todo o Brasil. Podia haver – numa mesma região – tanto grandes fazendeiros
absenteístas da agro-exportação como pequenos lavradores produtores de
alimentos.
Já o tema do tráfico e suas dimensões numéricas possibilitaria esquadrinhar
o litoral africano e fundamentalmente a idéia de “produção do escravo”. A África
romantizada não mais teria vez. Revelava-se agora o papel do tráfico e dos
traficantes na própria história africana, não só aquela econômica, mas a social
e política.
Quanto às abordagens sobre as alforrias, apontariam para as classificações
sociais internas dos escravos, suas origens, ocupações e estratégias. Não seria o
caso só de tratar o tema no universo do paternalismo. A partir dos índices sobre
alforrias (ou seja, quem é alforriado, porquê, como e quando isso acontecia)
surgiria uma outra face da organização escrava. Crioulos, mulheres e aqueles
de ocupações especializadas tinham mais chances de comprar e/ou conquistar
sua liberdade através da alforria. Além disso, o preço estipulado assim como a
possibilidade de revogação, os padrões de alforrias condicionais demonstraram
as complexidades das relações de poder das classes senhoriais.
Junto com as alforrias merecem destaque os estudos sobre os libertos
e a população negra livre. A partir deste enfoque, também entenderíamos
as percepções de liberdade e da escravidão. Cabe por último destacar que o
estudo das alforrias no Brasil foi o mais original em termos de pesquisas de
escravidão nas Américas.
Ainda dentro do eixo econômico ganham destaque os estudos sobre
escravidão urbana. Estes estudos, para além das caracterizações econômicas
específicas do contexto escravo nas áreas urbanas, articular-se-iam com os
estudos de cultura escrava. As formas de sociabilidades, as solidariedades, os
regimes de trabalho, padrões de ocupação e moradia eram diversas. Escravidão
no cenário urbano seria alvo das principais formas de controle social no Brasil
do século XIX. Surgiram excelentes estudos sobre as moradias populares, os
libertos nas áreas urbanas, irmandades religiosas de escravos e da população
negra, festas e capoeiras.

1.2 Segunda questão - o eixo político e a escravidão


Com destaque especial para as abordagens sobre os movimentos escravos
e as percepções políticas.
De uma maneira geral, o protesto escravo só tinha sido analisado como 111
“reação”. Enfim, escravos não agiam, supostamente só “reagiam”. Numa
escravidão boa como proposta por Gilberto Freire não havia reação. Enquanto
na escravidão violenta da escola sociológica paulista, só valia destacar a “reação”
como forma de enfatizar a crueldade do regime escravista.
Um escravo-passivo nas análises anteriores cedia a vez ao escravo-rebelde.
Escravos não seriam apresentados como sujeitos históricos nestas análises. Se
eram coisa-passiva transformavam-se em coisa-rebelde.
Mais recentemente, alguns estudos sobre revoltas escravas procuraram
perscrutar os significados dos protestos e as percepções políticas. Como escravos
se pensavam a si mesmos em sua condição jurídica e social? A partir desta
perspectiva podemos pensar como eles agiram, interagiram e se transformaram
em sujeitos de suas próprias histórias.
Escravos sempre avaliaram o mundo a sua volta. Portanto, suas ações de
enfrentamento não foram frutos da irracionalidade, dos castigos e maus-tratos.
Cativos faziam política nas senzalas, nos quilombos, nas insurreições e nas
cidades. A questão aí – para o historiador – seria identificar as formas de fazer
política. Uma historiografia mais tradicional sempre entendeu política como
ação exclusiva das elites. Pelo contrário, a política estava nas ruas. E também nas
áreas rurais. E lá também estavam escravos, libertos e homens livres pobres. A
propósito, escravos – em vários contextos – articulariam suas lutas com outros
setores da sociedade.
Houve todo um esforço de revisão sobre os aspectos da suposta idéia
de docilidade dos cativos e do caráter brando da escravidão no Brasil. Com uma
importância marcante, uma corrente historiográfica surgida no final dos anos
1950 teve um profundo impacto quanto aos estudos sobre os movimentos dos
escravos e a idéia de política. Primeira e originalmente com a obra de Clóvis
Moura, e depois com os estudos de Alípio Goulart, Luís Luna e Décio Freitas, as
formas de resistência seriam revisitadas numa perspectiva de luta de classe, na
qual as ações de protesto significavam os enfrentamentos de escravos contra os
desmandos senhoriais. Em tais estudos procurar-se-ia dar destaque às diversas
formas de protesto, sendo que os quilombos assumiriam o papel principal nas
análises sobre a rebeldia escrava.

1.3 Terceira questão - a cultura


Não necessariamente a escravidão, mas o negro apareceu como foco de
estudo associado ao folclore e os temas da contribuição cultural. Falava-se em
reminiscência da cultura africana no Brasil. Era necessário classificá-la e também
escolher seus cenários. A África no Brasil teria um palco privilegiado: a Bahia,
onde supostamente guardaria a seus mistérios e encantos. Foi um pouco por aí
que a antropologia caminhou numa tradição que – guardada as especificidades
– percorreu de Nina Rodrigues, a Artur Ramos, a Edison Carneiro, a Roger Bastide
e Pierre Verger.
Mais recentemente – anos 1980 – outras perspectivas antropológicas
demonstraram os caminhos da “invenção” africana no Brasil. Havia muita
mais uma determinada invenção – quase romântica – de uma idéia cultural
inventada sobre as organizações sociais na África do que perspectivas de pensar
as transformações. Enfim, mais “usos e abusos” de imagens sobre a “África no
112 Brasil” Uma tradição inventada. Contudo este debate – ainda bem – está longe
de ganhar um ponto final. Isto não só para o Brasil. Aqui ou acolá, com falas ora
permeadas da eloqüência acadêmica ou da força da militância, estas questões
reaparecem.
Para além da fragmentação, mas sim recuperando a diversidade, novos
estudos sobre o Brasil escravista têm avaliado as experiências dos trabalhadores
escravizados, sua agência, arranjos familiares, cotidiano, mentalidades e
reinvenções culturais.

2. Justificativas, dimensões do tráfico e identidades


Nas Américas, o trabalho compulsório constituiu-se num fato social Negros da Terra ou
– sequer questionado no início – para o desdobramento da colonização e a Negros da Guiné eram
as denominações para
produção de riquezas. as populações indíge-
nas e africanas utili-
Já no final do século XVI, índios e africanos trabalhavam juntos nas mesmas zadas como escravos.
Negro, neste primeiro
e péssimas condições de trabalho das unidades produtivas açucareiras do momento, significava
nordeste colonial. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, paulatinamente, escravidão escravo. Podia ser da
terra ou da Guiné (co-
virou sinônimo de escravidão africana. Fugas, epidemias e dizimação de mo era chamado em
termos gerais as áreas
um lado, conflitos entre autoridades, colonos e setores da Igreja de outro, do tráfico africano).
marcam os debates sobre a escravidão dos Negros da Terra. A escravidão, fosse
indígena ou africana, estava totalmente contemplada pelo projeto escravista
cristão. Enquanto isso, há a pressão demográfica, no sentido da demanda das
economias coloniais por braços escravos e, fundamentalmente, o negócio
lucrativo do tráfico africano que envolvia, além de comerciantes europeus, as
elites coloniais. Foram estas as que mais lucraram com o tráfico e constituíram
suas riquezas.
Ao longo dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX houve a migração forçada de
milhões de africanos e a formação moderna de uma escravidão atlântica. Como
e onde tudo começou ? Qual a participação européia?
Portugueses, holandeses, espanhóis, franceses, dinamarqueses e ingleses
participaram das redes do tráfico, assim como as elites coloniais e pós-
coloniais de norte-americanos, brasileiros e cubanos. Até 1600, o volume do
tráfico transatlântico alcançou 260 mil africanos. Na literatura especializada
mais recente (estudos revisionistas de cálculos, estimativas e tendências) há
consenso sobre o volume total de africanos trazidos para as Américas. Foram
embarcados cerca de 11.863.000 e chegaram aos portos da diáspora entre
9.600.000 e 10.800.000, dependendo da época e local para calcular a taxa de
mortalidade. Para uma idéia da dimensão do tráfico para o Brasil, temos – em
números aproximados – cerca de 50 mil africanos entrados no século XVI; 560
mil no século XVII; 1.400.000 no século XVIII e cerca de 2 milhões no século XIX,
isto com o tráfico sendo considerado ilegal no final de 1830. O Brasil recebeu
cerca de 40% dos africanos desembarcados nas Américas.
Enganam-se aqueles que pensam que os africanos foram transportados
somente para o nordeste colonial, para as áreas de mineração e depois para
as plantações cafeeiras do sudeste escravista do século XIX. Chegariam – em
volumes e procedências diferentes – para todas as regiões, fosse no Rio Grande
no século XVIII fosse na Amazônia desde o século XVII, passando por áreas de
criação de gado em Sergipe, lavouras de fumo na Bahia até regiões mineradoras
de Goiás e Mato-Grosso. Também estavam nas canoas, no transporte, na
produção de farinha e nas drogas do sertão do Grão-Pará, onde há informações 113
de africanos nas últimas décadas do século XVII, alcançando mesmo a região do
Rio Negro, onde os encontramos trabalhando junto às populações indígenas
aldeadas em missões e vilas. No Maranhão, trabalhavam na produção de
algodão, arroz e anil. Mais do que em qualquer outra região colonial, para a
Amazônia do século XVIII vieram africanos da Alta Guiné, devido às ações de
companhias de comércio da metrópole portuguesa que procuravam incentivar
e controlar o comércio de escravos, especialmente as conexões luso-africanas
em feitorias de Cabo Verde, Guiné e Bissau.
A literatura (historiográfica e antropológica) criou e cristalizou uma
determinada idéia de africanos. Afinal, quem eram? Quais eram suas identidades,
redefinições, invenções, personagens e cenários?
Partindo dos pressupostos de uma história atlântica dos estudos sobre
escravidão e pós-emancipação e identidades, é possível utilizar o conceito de
diáspora. O que isto significa? Um movimento migratório em grande escala em
termos de cultura e tradições de costumes realizados por povos e populações.
Mas é fundamental utilizar tal conceito num sentido ampliado, preocupando-se
com as armadilhas que transformam o mesmo numa perspectiva cristalizada.
Entenda: povos, tradições e culturas não podem ser transformados em
homogêneos. E no vasto continente africano existiam vários povos (com
diferentes sistemas políticos, culturais e sociais). Portanto não podemos buscar
uma singularidade (aspecto comum) exclusiva em torno deles. Mas sim analisar
mudanças e transformações permanentes que também continuaram com os
africanos transportados como escravos.
Os temas da etnicidade e da diáspora têm envolvido importantes
intelectuais também numa perspectiva atlântica. Pelo menos desde a década
de 20, do século XX, e mais destacadamente a partir dos estudos de Herskovits,
têm surgido polêmicas, investigações, revisões e principalmente perspectivas
teóricas e metodológicas inovadoras. Tais debates e diálogos, é bom lembrar,
têm faces metodológicas e políticas em termos de análises.
De início, havia aqueles que defendiam a possibilidade de identificar
uma suposta continuidade da cultura africana nas Américas. Procuravam
reminiscências, traços do passado e permanências no próprio continente
africano das “culturas africanas”. Partia-se das idéias de que alguns significados
da cultura material africana teriam sido transferidos quase que intactos e assim
permanecido na diáspora. Como as formas religiosas, músicas e danças, por
exemplo. Alguns estudos transformaram-se quase em coleções analíticas de
tais traços e signos transplantados e mantidos protegidos sob um suposto
invólucro cultural.
Este debate foi internacional e intelectuais brasileiros tiveram um importante
diálogo com tais perspectivas. Destacamos aqui o antropólogo brasileiro
Arthur Ramos – nos anos 1930 e 1940 – inclusive por meio da sua própria
correspondência com importantes intelectuais internacionais que estavam
estudando a formação da cultura africana nas Américas, como o norte-americano
Melville Herskovits e outros. Eles eram estudiosos que faziam pesquisas sobre os
impactos da cultura trazida pelos africanos em regiões como Suriname, Cuba,
Jamaica, Venezuela, Colômbia, etc. Havia uma intensa colaboração intelectual
em torno da identificação e entendimento das semelhanças e aproximações
das várias culturas africanas nas Américas. Inventava-se – com recortes teóricos
114 e metodológicos originais – o “afro-americano” e, em conseqüência, o “afro-
brasileiro”.
Surgia uma imagem única de “culturas negras” nas Américas: a de que os
africanos escravizados e seus descendentes teriam trazido aspectos culturais
que foram “redescobertos” em várias regiões das Américas.
Apareceriam análises críticas para estas simplificações, especialmente com
os estudos de Sidney Mintz e Richard Price, antropólogos norte-americanos
que analisaram o Caribe. Mais do que a perspectiva de uma “continuidade”
cultural, eles destacaram os aspectos da “criação” de novas identidades culturais
dos africanos e seus descendentes. A ênfase para o papel da “criação” ajudou a
redefinir os contornos sobre a idéia de diáspora. Mais recentemente tem havido
uma retomada – tal como as polêmicas dos anos 1970 e 1980 – do debate, em
parte provocado pelas importantes pesquisas tanto sobre a escravidão como
aquelas de especialistas em África pré-colonial. Alguns estudos chamam atenção
para tal movimento de “criação” – desde a África – e, portanto, não sendo só
um movimento da experiência da escravidão. Ou seja, é fundamental retornar
à própria história africana e considerar seus movimentos de transformações
ocorridos antes da travessia atlântica.
A questão da identidade étnica no passado e no presente permeou parte
deste debate intelectual, acadêmico mas também político. Seria a identidade
étnica apenas um passado cultural cristalizado? Existiriam evidências para
determinar as origens étnicas dos africanos trazidos no comércio atlântico? Como
eram denominados os africanos no Brasil? Os documentos falam de “nações”,
como por exemplo “Angola”, “Congo”. “Benguela”, etc. Seriam estas identidades
étnicas africanas? Ou apenas terminologias inventadas para classificar africanos
com histórias diversas? É fundamental analisarmos as narrativas nos documentos
e as construções do tráfico negreiro, das lógicas senhoriais e também das
invenções africanas das mais diversas. Neste caso, a temática dos contextos
específicos, do impacto demográfico e das perspectivas das histórias africanas
em várias partes do atlântico. Pensamos aqui nas construções das idéias de
“nações” africanas a partir das classificações. Ainda que genéricas, podem ter
sido consideradas como identidades mais amplas – nos termos do “guarda-chuva
étnico” proposto por João Reis – sob o qual algumas comunidades africanas se
moveram no Rio de Janeiro urbano do século XIX. Enfim, podemos considerar
tais nações igualmente como identidades étnicas em construção. Estariam elas
informadas – em movimento histórico de permanente transformação étnica
– pelas mudanças e lógicas culturais das invenções da África em espaços da
diáspora. Trata-se de um movimento transnacional, onde tais construções
identitárias eram informadas pelos contextos urbanos e não apenas como fruto
de supostas heranças africanas sem mudanças. Cabindas, angolas, congos,
minas e outras tantas classificações de identidades étnicas eram diferentes entre
si, em contextos rurais e urbanos em partes diversas do Brasil e das Américas.
Um “nagô” em Porto Alegre era diferente daquele de Salvador, a despeito da
migração interna deles. Assim seria com os “minas” do Rio de Janeiro e os de
São Luís.
Para o Rio de Janeiro, uma das regiões mais afetadas pelo tráfico atlântico
de escravos africanos, não basta apenas considerar o peso sócio-demográfico
da África Centro-Ocidental, dominada pelos povos bantos de regiões de
procedência angola, benguela, cabinda, cassange, congo, monjolo, rebolo. E o
movimento comercial junto aos africanos ocidentais? E a nação moçambique?
Deve ser considerada de forma homogênea como igualmente banto? 115
Nas Américas, as denominações étnicas africanas ou “nações” eram
“reconstituições ou invenções”. Ressalta-se o número reduzido dos principais
portos de embarques (ainda que pudesse haver embarque em pequenos portos
ou aqueles intermediários) de africanos relacionados, em contraste com as
vastas regiões africanas alcançadas pela rede terrestre do tráfico. Também havia
profundas diferenças entre as classificações étnicas das várias micro-sociedades
africanas, na visão dos traficantes, africanos ou europeus, e dos senhores.

3. Mundos do Trabalho e cotidiano


Mundos do trabalho são sempre complexos. Os quase quatrocentos anos
de trabalho compulsório com feitorização, castigo e violência não podem ser
obstáculos para ampliarmos o nosso entendimento na direção de uma história
do trabalho que articule experiências dos escravos e dos trabalhadores livres,
com africanos, imigrantes europeus e indígenas e os descendentes de todos.
Já no Séc. XVII Seiscentos, índios aldeados e africanos dividiam as mesmas
e péssimas condições de trabalho das unidades do açúcar colonial. Não seria
diferente no último quartel do século XIX, quando crioulos escravos – filhos
dos africanos aqui nascidos – e imigrantes europeus, principalmente italianos e
portugueses, compartilharam (com as devidas especificidades, é bom destacar)
da dureza da labuta e da intolerância de fazendeiros nas áreas cafeeiras, com
dietas alimentares, condições de moradia e cotidiano muito semelhantes.

No fim da década
de 1940, a partir de
pesquisa de arquivos
A história do trabalho é uma só.
e de relatos de ex-
escravos e de seus Africanos escravizados, sem dúvida, formaram a base desta classe
descendentes, o trabalhadora por mais de três séculos. Mas não eram uma multidão ou massa
historiador norte-
americano Stanley trabalhadora – sem rosto ou forma – como ainda insistem em dizer alguns
Stein reconstituiu manuais. Por detrás da coisificação jurídica e social, milhões de africanos
a rotina diária
de trabalho nas redefiniram suas identidades, os mundos e a cultura do trabalho. Ainda que
grandes fazendas em houvesse escravidão em diversas áreas, com variadas economias e modelos de
Vassouras.
exploração, o cenário típico do trabalho escravo era a plantation: monocultura e
latifúndio. O Nordeste açucareiro e o Sudeste cafeeiro produziram as principais
paisagens.
Vamos conhecer um pouco do cotidiano do trabalho numa fazenda do
sudeste, em meados do Séc. XIX. Uma outra história da vida cotidiana. Segue
uma descrição da vida e trabalho escravo a partir das pesquisas pioneiras do
historiador norte-americano Stanley Stein realizadas no município cafeeiro em
Vassouras, a partir de depoimentos de ex-escravos e filhos destes.
Muito antes que os primeiros raios de sol alcançassem aquele “mar de
colinas”, que caracterizava tal região, os cativos eram despertados pelos feitores
e capatazes. Nas grandes propriedades, o início do dia de trabalho podia ser
anunciado por um sino que soava estridente por todo o terreiro. Algumas
escravas cozinheiras acordavam mais cedo, visando preparar a alimentação
matinal dos demais, que invariavelmente consistia num café fraco e rapadura,
e talvez pedaços ressecados de angu. Em Vassouras, a maior parte deve ter
habitado senzalas coletivas, talvez divididas entre homens e mulheres solteiros,
sendo que os casados, muitas vezes, residiam em pequenas senzalas separadas.
116 Despertados pelo irritante badalar, os cativos dirigiam-se a um grande tanque
d’água onde se lavavam. Tudo muito rápido. Ainda sonolentos, iam se agrupando
no terreiro da fazenda. Aguardavam a presença do administrador ou raramente
do próprio dono da fazenda, para receber as instruções de mais um dia na
lavoura. Só depois de distribuídos em turmas, respeitando-se ocupações e as
necessidades diárias do serviço, recebiam a primeira refeição.
Dirigiam-se então ao paiol da fazenda, onde pegavam ferramentas:
enxadas, foices, facões, peneiras e cestos. Uma parte da escravaria permanecia
na fazenda. Afora os considerados incapacitados e doentes, era constituída de
cativos domésticos e alguns com ocupações específicas. Ali ficavam mucamas,
lavadeiras, costureiras, cozinheiras e demais empregadas no serviço da casa-
grande e os de ofícios especializados, como: ferreiros, carpinteiros, pedreiros,
tropeiros etc. que realizavam tarefas diversas no âmbito das fazendas. Nas
grandes fazendas de café, como não poderia deixar de ser, a maior parte dos
escravos ocupava-se no serviço de roça. Este era o trabalho do nosso José,
embora tivesse depois da sua chegada aprendido alguma coisa de carpintaria.
Os escravos da roça seguiam para plantações distantes numa grande
caravana. O sol ainda não estava firme, mas os olhares vigilantes dos feitores
e dos capatazes sim. Muitos deles também podiam ser cativos. Conduziam
uma pequena carroça puxada por uma junta de bois, levando caldeirões e
mantimentos para prepararem a refeição no campo. As crianças, mesmo bem
pequenas, muitas vezes acompanhavam seus pais. Era comum as mulheres
carregarem seus filhos para as plantações, podendo também os recém-nascidos
ficar na sede da fazenda sob os cuidados de alguns velhos, aleijados ou avaliados
como incapazes para o trabalho no eito (roçado).
Na lavoura todos eram redistribuídos em grupos, sendo destacados para
partes diversas dos cafezais. Passava pouca coisa das seis horas da manhã.
Separados num sistema de trabalho por “gangs” ou turmas denominado
“corte” e “beirada”, os cativos considerados mais aptos, sempre os jovens e mais
robustos, eram escolhidos para ditar o ritmo da colheita. Quatro trabalhadores
são colocados na beirada dos cafezais, sendo o cortador e o contra-cortador
de um lado e o beirador e o contra-beirador do outro. Os mais velhos e lentos
colocados no meio. Homens e mulheres na mesma turma. Colhiam em média
cinco a sete alqueires diariamente.
Não demorou muito, José percebeu que os ritmos do trabalho não tinham
somente os sons do chicote e da gritaria imposta pelos feitores. Aprendeu e logo
se animava com os vissungos, cantigas africanas. Sob formas de versos cifrados,
repetidos refrões e com significados simbólicos, também serviam como senhas,
através das quais resenhavam suas vidas e expectativas e mesmo avisavam uns
aos outros sobre a aproximação de um feitor. O ngoma – como diziam – podia
estar perto. A despeito da violência e péssimas condições, tentar definir alguns
sons e ritmos do trabalho era uma face fundamental da organização de suas
próprias vidas escravas.
Alguns eram destacados para prepararem as refeições coletivas no campo.
Dez horas da manhã ou um pouco mais tarde: uma pausa. O almoço. Formavam
fila em frente a um rancho improvisado que servia de cozinha. Recebiam em
pequenas cuias refeições, constituídas de angu – a base da alimentação escrava
– e um pouco de feijão temperado com pedaços de toucinho e gordura de
porco. Não raro alguns legumes, como batata-doce e abóbora, e farinha de
mandioca. Muitas escravas aproveitavam para amamentar seus filhos. O total da
pausa não durava uma hora. Logo retornavam ao trabalho e só bem mais tarde 117
havia outro breve intervalo. Na ocasião, sem se afastarem dos locais da colheita,
recebiam um pouco de café, substituído nos dias frios e chuvosos por pequenas
doses de aguardente. O trabalho continuava até às 16 horas, quando era servido
o jantar, via de regra, a sobra do angu do almoço. Estas cenas cotidianas foram
desenhadas por Victor Frond, e posteriormente acompanharam como litografias
a publicação dos relatos de viagens de Charles Ribeyrolles.
Era também nesse longo dia de penoso e extenuante trabalho que os
cativos, castigados pelo sol escaldante, pelos espinhos dos arbustos de café
ou pelo chicote dos feitores truculentos, procuravam formas diversas de
socialização. O castigo era uma realidade que rondava. Mas aproveitando
uma fugidia frouxidão na vigilância, conversavam a respeito de seu cotidiano,
alimentando sonhos de melhores dias. Ao escurecer, quase às 19 horas nos dias
de verão, preparavam-se para voltar à fazenda. Novamente formavam em frente
ao terreiro e reuniam-se aos que tinham permanecido trabalhando na sede
da fazenda. Retornariam às senzalas. A jornada de trabalho podia continuar
madrugada adentro na separação e ensacamento dos grãos de café colhidos.
À noite, em torno das pequenas fogueiras que mantinham – nunca
apagavam as brasas – no interior das senzalas, o cansaço dominava absoluto.
Uma esperança renovada semanalmente surgia nas vésperas dos domingos.
Poderiam cultivar suas roças próprias, produzindo alimentos para seu consumo.
Eram concessões senhoriais que souberam transformar em conquistas e
direitos costumeiros, podendo obter recursos extras com a comercialização dos
excedentes. Nos dias santos promoviam seus jongos e caxambus. Alimentavam
tanto seus espíritos como daqueles não mais presentes.

4. Abolição e memória social


O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão negra: 13 de
maio de 1888. Ainda nas últimas décadas do século XIX, autoridades, fazendeiros,
políticos, cientistas e parlamentares discutiam o fim da escravidão e o destino
dos libertos. Muitos acreditavam – e defendiam – que a escravidão poderia
durar até as primeiras décadas do século XX. Abolicionistas e emancipacionistas
falariam em progresso e civilização, que só poderiam ser alcançados no Brasil
com a abolição. Insistiam também da necessidade da vinda de homens livres
para o trabalho, especialmente imigrantes europeus. Já alguns homens das
ciências e das letras argumentariam – com pessimismo – que o destino da então
jovem nação estaria prejudicado com a intensa miscigenação entre brancos
População negra e negros. Haveria uma raça degenerada. Para outros, a miscigenação seria a
- IBGE – Instituto
Brasileiro de Geografia própria salvação. Negros e seus descendentes continuamente miscigenados
e Estatística a classifica
de pardos e pretos. teriam que se transformar em brancos, e portanto “cidadãos civilizados”.
E a pós-emancipação? É interessante como, no Brasil, escravidão e pós-
emancipação foram fundidos num só campo de estudo, e neste caso, a pós-
emancipação virou apenas um tema do qual se produziu mais silêncios e
esquecimentos. É possível refletir sobre uma pós-emancipação (termo aliás
pouco utilizado na cronologia tradicional da historiografia brasileira) dentro de
um processo histórico (menos na lógica temporal) mais amplo. A liberdade e seus
significados – fundamentalmente para ex-escravos, ex-africanos livres, libertos
por alforria, ingênuos (nascidos no pós-1871), tutelados e para a população de
livres e pobres em geral (devemos esquadrinhar os sistemas de classificações
118 raciais da época) – foram constantemente redefinidos. Talvez fossem – ao
contrário do que até agora pensamos – cada vez mais reconfigurados, de um
lado pelo imaginário e desenho de uma sociedade projetada para tornar-se
“civilizada” e “igualitária”, com o advento da República e, de outro, por experiências
históricas concretas vivenciadas em áreas urbanas e rurais no Brasil, entre o
último quartel do século XIX e a primeira metade do século XX, nas quais tais
valores foram quotidianamente contestados.
Passados quase 120 anos da Abolição, o Brasil tem uma população negra
de mais de 90 milhões de pessoas. Trata-se do segundo maior país de população
negra do mundo. O primeiro é a Nigéria. Não obstante isso, no Brasil, a população
negra é quase que invisível. Encontra-se sub-representada no parlamento, nos
fóruns de poder institucional e nas universidades etc. Mesmo na televisão e
propagandas, homens e mulheres negras são invisíveis. Nos indicadores sócio-
econômicos, a população negra aparece – sempre – em nítida e reproduzida
desigualdade em relação ao restante da população.
Em 1988, quando da comemoração do centenário da Abolição, houve dois
movimentos de reflexão. Um deles foi feito pelo mundo acadêmico – sempre
com apoio institucional – com publicações, seminários e congressos, muitos dos
quais internacionais. Tentava-se analisar as formas da escravidão e abolição no
Brasil. A marca desses eventos foi mostrar um passado escravista heterogêneo
e muito distante. O passado era lembrado para marcar sua distância no tempo.
E as mudanças e transformações para a população afro-descendente? Houve?
Esta foi justamente a reflexão dos movimentos organizados que denunciavam
a discriminação racial. Por meio de atos públicos, palestras e uma importante
passeata no centro da cidade do Rio de Janeiro, reunindo milhares de pessoas,
houve uma ampla reflexão e sobretudo denúncia a respeito das condições de
desigualdades sócio-raciais no ano do centenário da abolição.

119
FIQUE DE OLHO
Com este texto você pode refletir sobre como a história da escravidão
foi escrita pelos historiadores ao longo do século XX. Com os seguintes
destaques:
a) Havia uma imagem da historiografia que tendia a comparação de Brasil
e EUA, avaliando a história da escravidão a partir da idéia de harmonia e
tensões raciais contemporâneas. Dizia-se que no Brasil a escravidão teria
sido boa, daí a inexistência de conflito racial e, nos EUA a escravidão teria
sido ruim, produzindo antagonismos raciais. Vimos que estas foram muito
mais imagens idealizadas dos historiadores do que a realidade histórica e
seus contextos;
b) Parte da historiografia da escravidão também produziu certa imagem de
África e da cultura dos africanos no Brasil, privilegiando pressupostos de uma
cultura sem transformação. Ao contrário, vários estudos têm demonstrado
o papel das recriações dos africanos na diáspora;
c) Você conheceu também uma face reconstituída do cotidiano do trabalho
escravo, ressaltando locais, rotinas e atividades;
d) Abordamos a memória da abolição e como ela foi “esquecida” em termos de
lutas e expectativas para a população negra, ao mesmo tempo ressaltada
apenas como uma dádiva da Princesa Isabel em 1888. Vários estudos têm
destacado os sentidos políticos das lutas para o fim da escravidão e as
expectativas da população negra em torno de direitos e cidadania.

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Referências

ALENCASTRO, Luis Felipe de. O trato dos viventes. A formação do Brasil


no Atlântico Sul. São Paulo, Cia. das Letras, 2000.
AZEVEDO, Célia Maria Marinho de. Onda negra, medo branco. O negro
no imaginário das elites, Século XIX. 2ª ed. São Paulo, AnnaBlume, 2004.
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KARASCH, Mary. A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São
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na década da abolição. Rio de Janeiro, Ed. UFRJ/EDUSP, 1994.
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Rio de Janeiro, Conquista, 1972.
REIS, João José. rebelião escrava no Brasil. A história do levante dos malês
em 1835. Edição revista e ampliada. São Paulo, Cia. das Letras, 2003.
SCHWARTZ, Stuart B. Escravos, roceiros e rebeldes. São Paulo, Cia. das
Letras, 2001.
SLENES, Robert. Da senzala uma flor: esperanças e recordações na
formação da família escrava. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999.

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