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ECONOMIA REGIONAL E URBANA

Redes Urbanas e Sistemas de Cidades


REDES URBANAS E SISTEMAS DE CIDADES

• A Teoria do Lugar Central


CHRISTALLER, W. Central Places in Southern Germany, New Jersey,
Prentice-Hall, 1966, Parte B.
• Teorias de Crescimento das Cidades
JACOBS, J. The economy of cities, Random House, New York, 1969.
(caps. 1, 2, 4, 5 e 6)
REDES URBANAS E SISTEMAS
DE CIDADES

• A Teoria do Lugar Central


CHRISTALLER, W. Central Places in Southern
Germany, New Jersey, Prentice-Hall, 1966,
Parte B.
Teoria do Lugar Central
Esta é uma teoria preocupada com a importância funcional dos lugares
(espaços).
Explica o tamanho, a distribuição e o número de cidades
Christaller (1966) desenvolve o conceito de “lugar central”, que são
os pontos do espaço nos quais os agentes econômicos se dirigem
para efetivar suas demandas específicas. Os chamados “lugares
centrais” seriam aqueles mais elevados hierarquicamente,
justamente por disporem de maior dotação de bens e serviços de
mais alta especificidade. (silva, 2011).
Teoria do Lugar Central
CHRISTALLER (1966) desenvolve o conceito de “lugar central”,
que são os pontos do espaço nos quais os agentes econômicos
se dirigem para efetivar suas demandas específicas. Os
chamados “lugares centrais” seriam aqueles mais elevados
hierarquicamente, justamente por disporem de maior dotação de
bens e serviços de mais alta especificidade. (Silva, 2011).
Esses locais seriam chamados de “lugar central de primeira ordem”
(central places of a higher order). Partindo desses conceitos,
Christaller concebe a existência de um sistema de cidades, onde a
posição de cada uma delas depende diretamente da quantidade e
variedade de bens centrais e de serviços ofertados o que determinaria
o seu grau de centralidade .
Lugar Central
É um lugar (assentamento, estabelecimento,
espaço) que oferta bens e serviços. Este lugar
pode ser pequeno (aldeia, povoado) ou grande
(cidade principal)
• Todos os lugares formam um elo na hierarquia

London 7m

Peterborough
156,000

Norwich 122,000
Cambridge
108,000
Porque exitem poucos
lugares grandes?
Hierarquia dos lugares
(espaços)
• Porque há muito poucos grandes lugares?
• Grandes cidades (lugares) precisam de uma
grande população para manter todas as
suas funções (serviços) – demanda
• Grandes cidades (lugares) ofertam funções
de ordem (superior) muito alta (atividades
especializadas, complexas e sofisticadas).
• Porque funções altamente especializadas
requerem demanda suficiente para mantê-
las em um dado local
Área (esfera) de influência
• É uma área em torno (ao redor) de cada
lugar (espaço) que está sob o seu controle
(domínio) econômico, social e político.

Cambridge
Luton

Reading London 7m
Área de influência
• A extensão da área (esfera) de influência
dependerá do tamanho do lugar (espaço) e das
funções dos locais circunvizinhos do lugar
central.

Cambridge Norwich
Luton

Reading
London
Funções do Lugar Central
Função = um serviço
• Estes são bens e serviços produzidos para os
consumidores locais e clientes for a deste local
provenientes da sua grande área de influência.

Luton Cambridge

Reading London

O tamanho da população não necessariamente determina a importância do lugar central


Distância e Limite
• A extensão (range) de um bem e serviço é a distância
máxima distance que as pessoas estão prepadas para
viajar para obter os bens e serviços (distâncias curtas
para itens de baixa ordem – serviços e bens menos
complexos)
• O limite ou limiar (threshold) da oferta de bens e
serviços é o número mínimo de pessoas requeridas para
manter tais atividades (demanda). Atividades complexas
e sofisticadas não são produzidas em lugares que
detém uma demanda insuficiente. (especialidades
médicas, hipermercados,Universidades)
• A existência de serviços especializados requer
maior número de pessoas (demanda) para torná-los
rentáveis.
Distância e Limite
• Intens de baixa ordem (serviços básicos)= jornal
• Itens de alta ordem – ordem superior (serviços
especializados)= mobiliário
• Funções de baixa ordem – ordem inferior (serviços
básicos)= lojinhas / escolas primárias
• Funções de alta ordem (serviços especializados)=
universidades/ hospital
• Lugares produtores de serviços de baixa ordem =
lugares de ordem baixa na hierarquia (rural)
• Lugares produtores de serviços de alta ordem =
lugares de alta ordem na hierarquia (urbanos)
Mudanças no tamanho da população e
número de funções
• Tamanho dos lugares muda • A classificação das
ao longo do tempo (por meio
de nascimentos, mortes, funções (serviços) muda
migração) ao longo do tempo.
• Ao longo dos últimos 50
1998 anos na UK= decréscimo
dos serviços disponíveis
Número de funções

nos lugares pequenos e


1940 um aumento nos serviços
produzidos pelos grandes
lugares (cidades)

Tamanho dos lugares – aumento


Fatores que afetam os lugares
e o número de funções
• Despovoamento ou crescimento da população
• Maior riqueza e mobilidade significa que algumas
populações rurais não vão mais demandar seus serviços
locais mas sim irão procurar serviços de ordem superior
(mais complexos) em lugares de maior ordem na
hierarquia urbana.
• Mudanças internas (congeladores) significam que as
famílias não vão fazer usos diários de serviços de baixa
ordem (compras em aldeias – leite, verduras)

O tamanho da população não necessariamente determina


a importância do lugar central  mas existe uma forte
correlação
A regra (padrão) das
hierarquias funcionais
• 1. Quanto maiores forem os lugares (cidades) menor
será seu número (menor número de cidades grandes e
maior número de cidades pequenas)
• 2. Quanto maior o crescimento dos lugares (cidades) em
tamanho, maior a distância entre elas. (cidades grandes
são distantes uma da outra).
• 3. Quando um lugar (cidade) aumenta de tamanho, a
gama (diversidade) e o número de suas funções
crescerão.
• 4. Quando um lugar (cidade) aumenta no tamanho, o
número de serviços de alta ordem também crescerá (os
serviços tornam-se mais especializados)
A Teoria do Lugar Central

Walter Christaller
O modelo do Lugar Central de Walter
Christaller
• O modelo de Christaller tem profunda influência sobre a
análise de determinação e também no entendimento da
organização espacial dos mercados e dos lugares centrais.
• O aspecto distintivo do modelo de Christaller é que ele
focaliza sobre as funções (serviços e bens manufaturados)
orientadas para os mercados (market oriented), e
consequentemente não as não orientadas (not oriented),
por exemplo, a localização de fonte de energia, matéria-
prima, insumos manufaturados e trabalho. Esta orientação
de mercado na oferta de funções está associada com a
natureza dispersa do mercado, resultante de uma clara
correspondência entre a distribuição espacial da oferta e a
distribuição espacial da demanda, e a força desta
correspondência varia de função para função, sendo
dependente de economias de escalas e custos de transporte
á la Losch. Tais correspondências representa a
característica definidora do modelo de Christaller e tudo
relacionado ao modelo do lugar central.
O modelo do Lugar Central de Walter
Christaller -
• Esboço do modelo de Christaller (sistema urbano)
• 2 hipotéses: (sistema hierarquico do lugar central – hierarchical
central place system).
• Se uma função com um dado tamanho de área de mercado
fosse ofertada por um centro particular, este centro também
deveria ofertar todas as funções tendo o mesmo e o menor
tamanho de áreas de mercado. (centro maior produz todas as
funções ofertadas por um lugar de áreas de mercado menor)
• Taxa de crescimento do tamanho da área de mercado –
Christaller argumentou que a área de mercado aumenta do
menor tamanho para o próximo por um fator constante, o qual
designou como K (uniformidade das planícies)
• Sistema de Christaller: N conjunto de funções (bens e
serviços), N nível de centros, e N nível de áreas de mercado.
• A estrutura espacial do sistema é caracterizada pelo valor de K,
definido como um fator pelo qual a área de mercado aumenta
(decresce) do nível 1 para o próximo maior (menor) nível
Um Lugar Central
 Um Lugar central é um local (espaço) que produz bens e
serviços
 Lugar central é o centro urbano (uma cidade, por exemplo) de
uma região, à qual fornece bens e serviços centrais. Os lugares
mais importantes, isto é, de ordem mais elevada prestam mais
e mais variados serviços que os lugares de ordem inferior.
 Este espaço pode ser uma vila, metrópole (Aglomeração
formada por uma cidade e suas cidades-satélites) ou cidade.
Isso forma uma hierarquia
 À área servida por um lugar central chama-se área
complementar.
 Estas áreas são tanto mais extensas quanto mais elevada for
a ordem do lugar central respectivo.
REDES URBANAS E SISTEMAS DE
CIDADES - sistema de hierarquia das
cidades

No. de
serviços Capital
ofertados alta
Cities (cidades)
(produzidos) ordem
Large Towns (grandes centros)

Small towns (Small towns) Média


Ordem
Village (vilas)

Hamlet (aldeia, lugarejo) Baixa


ordem
Tamanho da população das localidades (espaços)
hipóteses
 Quanto maior o lugar (cidade) menor em
número será (poucas cidades grandes)
 Quanto maior o crescimento em tamanho dos
lugares mais distantes, eles estarão um do outro
(quanto maiores forem as cidades, maior a
distância entre elas)
 Quando um lugar cresce em tamanho,
consequentemente o número de suas funções
cresce também.
 Quando um lugar cresce em tamanho, o número
de serviços de alta ordem (mais complexos e
especializados) crescerá
Distância e limite
 Funções do Lugar Central são as atividades
ofertadas no mercado de bens e serviços neste
lugar central atendendos os consumidores locais e
os consumidores fora provenientes de um interior
do país (cidade mais amplo do interior)
 Distância (range) é a distância máxima que as
pessoas estão dispostas a viajar para obter um
bem ou serviço
 O limite mínimo (threshold) é o número de
pesssoas necessário para manter a atividade
econômica (demanda).
O modelo do Lugar Central de
Walter Christaller
• A teoria diz que o limite e a distância (threshold e
range) atuam como leis que governam o número,
tamanho e distribuição dos lugares (cidades)
• Quando estes 2 fatores atuam conjuntamente, eles
criam uma hierarquia
• Christaller notou que nas planícies no sul da Alemanha
que as cidades de um certo tamanho eram
rigorosamente equidistantes (uniformente distribuídas)
• Christaller afirmou que a forma ideal para área de
influência das cidades deveria ser um hexágono porque
os circulos deixam espaços vazios (os quais não são
atendidos pelo lugar central) ou a sobreposiçao dos
circulos (significa que uma área é atendida por muitos
lugares centrais)
O modelo do lugar Central de
Christaller
 Walter Christaller
 Alemanha
 1933 publicou um livro para demonstrar o
sentido de ordem (hieraraquia) no espaço
e as funções dos lugares
 Seu estudo foi baseado no Sul da
Alemanha
Teoria do Lugar Central
 Objetiva explicar a organização
espacial dos lugares (espaço) e seus
interiores.
 Teoria baseada na hipótese de que
existe algum tipo de ordem no padrão
e nas funçoes dos lugares (hierarquia
urbana)
Hipóteses
 Planície entre os lugares (espaços) de modo que
os transportes são de fáceis acessos e barato em
todas as direções.
 População uniformente distribuída (padrão
triangular equilátero que garante distâncias
iguais entre os compradores mais próximos)
 Recursos são uniformente distribuídos
 Bens e serviços são obtidos no lugar central mais
próximo de forma a minimizar a distância
percorrida (custos de transporte).
 Todos os consumidores tem a mesma renda e
demanda similar pelos bens e serviços.
Hipóteses (cont)
 Alguns lugares centrais tem apenas bens de
menor ordem para os quais a população não está
disposta a viajar longe, e consequentemente, este
lugar tem menor área de influência
 Para bens de alta ordem (mais complexos) a
população estaria disposta para viajar afim de
obtê-los.
 Nenhum lucro excedente seria realizado por um
lugar central e cada um iria localizar o mais
distante possível de seu rival para maximizar o
lucro
Hipóteses (cont)
 A procura dos bens e serviços nos lugares centrais
é assegurada pela sua própria população e pela
da sua região complementar
 Os bens e serviços são de ordens de importância
variáveis, os mais raramente procurados são os de
ordem mais elevada
 A ordem dos bens e serviços oferecidos num
centro está associada à própria ordem de
importância (ou centralidade) do centro
Modelo da teoria
 A forma ideal da área de influência
(sphere of influence) seria circular

Lugar Todas as
central distâncias até
a margem
Fronteiras da
área de (borda) do
comércio círculo são
(mercado) iguais
A introdução de outros lugares
centrais

Os espaços
vazios não
são
atendidos
pelo lugar
central
Circulos sem intertíscios (espaços vazios)

Problema: áreas
servidas por mais
de um cento- isso
é inconsistente
com os princípios
básicos do modelo
Melhor forma: hexágonos
A teoria do lugar central de Christaller

• Para fazer sua teoria funcinar, Christaller fez


algumas hipóteses
• Cada área de mercado tem uma superfície
isotrópica (toda área tem a mesma
característica)
• toda área é plana
•  existe apenas uma forma de transporte
(custos de transportes são proporcionais as
distâncias)
•  A população é uniformente distribuída em
todas as planícies
What's wrong with circles?

What’s wrong with circles?

Source: http://www.uwec.edu/bfoust/155/G155_RS3/sld002.htm
As áreas dentro dos
pontos negros
mostram as áreas de
influência (trading
area) dos lugares
maiores

Legenda:
Village – aldeia, povoação,
arraial
Town – cidade
-

Conurbation – conurbação
( unificação das malhas
urbanas de duas ou mais
cidades, que passam a
formar um aglomerado
urbano contínuo, mantendo
suas autonomias politico -  Londres
administrativas – áreas
metropolitanas
A teoria do lugar central de Christaller
• Christaller afirma que a melhor forma para
representar a área de influência é o hexágono. Esta
forma significa que os consumidores tem acesso
aos lugares centrais de maior ordem (ordem
superior) e suas áreas de comércio provém de
todas as partes do hexágono.
• A ideia central de Christaller: Os consumidores
vão para o local central de ordem superior mais
próximo para comprar bens e serviços
• Lugares centrais de maior ordem ou ordem superior
atuam como um ímã para os consumidres.
• Ele denominou este fenômeno de K=3 (princípio de
mercado)
K=3 Princípio de mercado
Example –o lugar destacado de menor ordem
(vila X) terá 1/3 de seus consumidores indo para
A alta ordem ou ordem a cidade (lugar A) e 1/3 indo para centro (town
superior (3 ordem) Y) e 1/3 indo para centro Z (centro de ordem
lugar (A) no meio é média - middle order settlements)
cercado por lugares de Todos os outros lugares de menor ordem
ordem média (pontos (pontos vermelhos) seguirão o mesmo padrão
pretos) e por lugares de
baixa ordem (pontes
vermelhos pequenos).
Os consumidores são
atraídos na mesma
Y
intensidade para Settlement X
qualquer lugar central
maior mais próximo.
Z
Porque chamamos de K=3?
Sugestão  ver o número de
consumidores que irão visitar o lugar de
ordem mais alta
K4= O príncípio do Transporte (Tráfego)
No modelo K=4 o
lugar de menor
ordem (pontos
vermelhos) tem
apenas a escolha
de 2 lugares de
ordem maior para ir
com a finalidade de
comprar bens e
serviços.
-Metade deles vão
ao lugar
(estabelecimetno)A
e a outra metade
vai ao
estabelecimento de
ordem média
(ponto preto)
K=4 - Princípio do transporte tráfego
O modelo K=4 é
Linhas de trens chamado de Princípio
do tráfego porque o
modelo mostra como
Neste exemplo o os consumidores são
estabelecimento de
influenciados onde
baixa ordem ou ordem
vão comprar bens e
inferior (ponto vermelho
pequeno) está serviços pelas rotas
localizado ao longo de de transporte.
uma rota de transporte.
Isso significa que estas
vilas de baixa ordem
podem apenas visitar
outros estabelecimentos
(locais) que estáo
também sobre suas
rotas de transporte.
Então eles são limitados
a visitar os lugares
(estabelecimentos)
atrás deles sob a rota de
transporte ou
estabeleicimentos na
frente deles.
Este modelo mostra a hierarquia do
K=7 Princípio Administrativo controle  os lugares de menor nivel
estão dispostos dentro da área de
influência do lugar de maior ordem.
Um lugar de alta ordem
ou de ordem superior é Os lugares de baixa ordem ou ordem
mostrado na figura inferior podem ser completamente
(ponto vermelho). controlados pelos lugares de maior
nivel ou ordem superior
-Todos os lugares de
ordem menor ou de
ordem inferior situam
Z U
dentro da área do
hexagonal(U,V,W,X,Y)

Y V
Porque K7?
6*1 = 6
6+1 = 7
X W
O uso do modelo do lugar
central de Christaller
 O modelo é sempre usado por governantes para
planejar a localização de novos centros e serviços
de alta ordem ou ordem superior (hospitais,
universidades, etc)
 É usado pelas autoridades de transporte para
planejar rotas de transportes (todas as áreas tem
acessos iguais modelo K4)
 As empresas podem usar o modelo para decidir
onde instalar uma nova loja
Limitações do modelo de Christaller
Os problemas nas premissas do modelo:

 Pessoas e riquezas não se distribuem uniformente


no espaço (se pessoas mais pobres vivem em
certas áreas e lugares de alta ordem próximos a
estes é muito caro, então as pessoas pobres não
irão visitar tais locais de alta ordem)
 Govermos sempre controlam onde novos centros
são localizados, não as forças de mercado
(exemplo não necessariamente onde a demanda
por bens e serviços é mais alta)
Limitações do modelo de Christaller
• Os problemas nas premissas do modelo:

• As pessoas nem sempre vão ao lugar central


mais próximo (elas devem escolher novas
fronteiras da cidade mais distantes ) assim, a
teoira K3 não funciona.

• Grandes áreas planas não existem na realidade.


Montanhas e morros etc, distorcem as rotas de
transportes (teoria K4 theory não funciona)

morros
Linha de trem
Hierarquia Urbana Brasileira – Oferta de Crédito

Fonte: Silva (2012) – tese doutorado - UFMG


from Betty (1967) Geography of Market
Centers and Retail Distribution.
REDES URBANAS E SISTEMAS
DE CIDADES
 A Economia das cidades

Tema do livro: cómo los poblados se


transforman en ciudades donde se
añade trabajo nuevo al antiguo y cómo
se sostiene el proceso
Como as aldeias se transformam em
cidades onde se adiciona trabalho novo
ao antigo e como se sustenta (mantém)
o processo.
Jane Butzner Jacobs nascida em
Scranton, Pensilvânia no dia 4 de maio
de 1916 e falecida em Toronto, 25 de
Abril de 2006, foi uma escritora e
ativista política do Canadá, nascida
nos Estados Unidos da América. Sua
obra mais conhecida é The Death and
Life of Great American Cities de
(1961), na qual critica duramente as
práticas de renovação do espaço
público da década de 1950 nos
Estados Unidos.
JACOBS, J. The economy of cities,
Random House, New York, 1969.
(caps. 1, 2, 4, 5 e 6)
O modelo de crescimento urbano de Jacobs

 Livro: “A Economia das Cidades” (1969) propõe um


modelo teórico para entender o processo de
crescimento econômico dos centros urbanos com
base no histórico de grandes metrópoles mudiais
Londres e Nova York, e regionais, como Birmingham
e Detroit.
 O crescimento econômico é localizado nas cidades,
este decorre de economias de aglomeração
advindas da diversificação produtiva local.
 As cidades são lugares onde se adiciona grande quantidade de
trabalho novo ao antigo, e este trabalho novo multiplica-se e
diversifica as divisões de tarefas da cidade. Graças a este
processo, as cidades se desenvolvem e como consequência de
eventos não relacionados a ele; as cidades inventam e reinventam
a vida econômica rural; a criação de um novo trabalho é diferente
da simples repetição e expansão eficiente da produção de bens e
serviços já existentes, e requer, portanto, condições diferentes e
contrárias às requeridas para a produção eficiente; as cidades
geram, ao crescer, sério problemas práticos que são resolvidos,
apenas com novos bens e serviços aumentando, assim, a
abundância econômica. O progresso passado de uma cidade não é
garantia de desenvolvimento futuro, porque a cidade pode parar a
vigorosa adição de novo trabalho, e pode, portanto, estagnar.
 A expansão (crescimento) das economias é adicionar novos tipos de
trabalho. Com a inovação, a economia se amplia (cresce) e se
desenvolve. A economia que não incorpora novos gêneros de
produtos e serviços e que unicamente continua realizando o velho
trabalho não se expande (cresce), por definição, não desenvolve.
 As economias não cresceram (desenvolveram) simplesmente
aumentando a produtividade, isto é, realizando maior quantidade
do mesmo trabalho.
 A ampliação da economia ocorre pela adição de novos tipos de
trabalho. Com a inovação, a economia se expande e se desenvolve.
A economia que não incorpora novos gêneros de produtos e
serviços e que somente continua realizando o velho trabalho no
cresce ou expande, por definição, não se desenvolve.
 O cerne de seu modelo está na idéia de que as variáveis
motoras do crescimento econômico são a base exportadora
local e o processo de substituição de importações
 O desenvolvimento do modelo é apresentado em duas
partes: “o processo gerador de novas exportações” e o de
“substituição de importações”
 A vida econômica de uma cidade “embrionária” é dividida
em quatro blocos: a produção de bens intermediários (P), a
produção de bens de consumo (C), a produção para
exportação (E) e as importações (I), que abastecem os três
primeiros setores
 A elevação das exportações aumenta a capacidade de
importação da economia urbana e da cidade.
 Parte das importações vai diretamente suprir os insumos
intermediários das novas exportações, enquanto o restante
nutre o setor de bens intermediários — que está se
ampliando e diversificando devido à elevação das
exportações — e o setor de bens finais — que também
cresce para atender às demandas da força de trabalho em
expansão.
 O crescimento inicial da economia local resultantes das
exportações denomina-se “efeito multiplicador das
exportações”.
 A poderosa fonte de crescimento vigoroso das economias locais :
o processo de substituição de importações e seu
subjacente efeito multiplicador.
 Quanto maior o volume e a variedade de bens e serviços finais e
intermediários que uma cidade importa maior tende a ser a
difusão desses produtos nas relações interindustriais locais,
estimulando o aprendizado tecnológico e a capacitação dos
produtores locais para substituição de parte desses produtos por
uma versão doméstica.
 À medida que a economia local consegue produzir internamente
bens e serviços antes importados (novo trabalho), a renda, o
emprego e a demanda de todos os produtos locais crescem -
“efeitos multiplicadores do processo de substituição de
importações”
 No caso da cidade embrionária, cujo crescimento inicial das
exportações gerou renda suficiente para aumentar as
importações em volume e variedade, se as firmas locais
substituírem parte das importações serão responsáveis pela
criação de novos empregos e renda que, por seu turno,
também dispara o gatilho do processo multiplicador elevando
a renda ainda mais.
 Jacobs adverte que somente as cidades que mantiverem um
processo contínuo de substituição de importações
permanecerão crescendo sustentavelmente a altas taxas.
 Os processos de crescimento via exportações e substituições
de importações acontecem de maneira integrada, compondo
um sistema recíproco de crescimento.
 Se uma cidade, já sob os efeitos do multiplicador das
exportações, começa a substituir importações e a alterar
sua pauta importadora, sua economia torna-se cada vez
mais diversificada e, consequentemente, sujeita a
economias de urbanização mais intensas.
 O sistema recíproco mostra o avanço da teoria de Jacobs
admitindo uma base exportadora endógena, dependente da
escala urbana e, por conseguinte, das economias de
aglomeração.
Processos multiplicadores integrados de Jacobs
 Principal força motora do crescimento econômico urbano é o
processo de substituição de importações.
 O segredo do crescimento urbano está, então, na capacidade
das economias locais em empreenderem um rápido processo
de substituição de importações e, portanto, ancora-se na
capacidade local de desenvolver e absorver ligeira e
continuamente novas tecnologias. Daí a importância que
Jacobs confere às economias de urbanização.
 A solução dos problemas urbanos passa pela criação de bens
e serviços que colaboram para a pujança econômica da
cidade; problemas não resolvidos e acumulados são sinais de
estagnação.
Referências Bibliográficas
MONASTERIO, L; CAVALCANTE, L, R. Fundamentos do pensamento
econômico regional. Economia regional e urbana : teorias e
métodos com ênfase no Brasil / organizadores: Bruno de Oliveira
Cruz ... [et al.]. Brasília : Ipea, 2011.
JACOBS, J. La Economia de las ciudades. Barcelona: Ed. Península,
1975.
GALINARI, R. Retornos crescentes urbano-industriais e spillovers
espaciais: evidências a partir da taxa salarial no estado de São Paulo.
Dissertação (mestrado). UFMG, Belo Horizonte, 2006. (1.4.2. - O
modelo de crescimento urbano de Jacobs pg. 35 a 41)
SILVA, F. F. Centralidade e impactos regionais de política
monetária: um estudo dos casos brasileiro e espanhol. Tese
(doutorado). UFMG, Belo Horizonte, 2012.

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