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ESCOLA BÍBLICA E TEOLÓGICA DE ENSINO

SUPERIOR RHEMA

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Harmatologia

Doutrina do Pecado

2008
Doutrina do Pecado - 2
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Índice
Índice..........................................................................................................................................................................2
INTRODUÇÃO..................................................................................................................................................3
O FATO DO PECADO...............................................................................................................................................3
Capítulo 1........................................................................................................................................................................5
A ORIGEM DO PECADO.................................................................................................................................6
A tentação: sua possibilidade, origem e sutileza.........................................................................................................6
A culpa....................................................................................................................................................................7
O juízo.....................................................................................................................................................................7
A redenção..............................................................................................................................................................9
Capítulo 2........................................................................................................................................................................9
A NATUREZA DO PECADO............................................................................................................................9
O ensino do Novo Testamento..................................................................................................................................11
O pecado descrito como........................................................................................................................................11
CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO.........................................................................................................................13
Fraqueza espiritual................................................................................................................................................13
Castigo positivo....................................................................................................................................................14
Como a Bíblia examina o pecado.........................................................................................................................15
Pecado Imperdoável..................................................................................................................................................17
A Perspectiva do pecado segundo algumas crenças.............................................................................................18
Perspectiva Judaica de Pecado..............................................................................................................................18
Tipos de Pecado e sua Gravidade.........................................................................................................................19
Capítulo 3......................................................................................................................................................................20
PERSPECTIVA CATÓLICA............................................................................................................................20
Os Sete Pecados Capitais..........................................................................................................................................21
Capítulo 5......................................................................................................................................................................23
PERSPECTIVA PROTESTANTE....................................................................................................................23
Descrevendo o pecado..............................................................................................................................................24
O QUE É PECADO?............................................................................................................................................24
O QUE É PECADO ORIGINAL?........................................................................................................................24
E FILHOS DO DIABO, FILHOS DA IRA, FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA,.................................................24
DEUS CRIOU O PECADO?....................................................................................................................................25
O QUE É REMISSÃO DE PECADOS?..............................................................................................................25
O QUE É CONCUPISCÊNCIA...........................................................................................................................25
MASTURBAÇÃO É PECADO?..........................................................................................................................25
O QUE SIGNIFICA “COMER E BEBER PARA SUA PRÓPRIA CONDENAÇÃO”?.....................................27
HOMOSSEXUALISMO É PECADO?................................................................................................................27
Capítulo 6......................................................................................................................................................................29
OS FILHOS PAGAM PELA MALDADE DOS PAIS?...................................................................................29
RESPOSTA:..........................................................................................................................................................30
Questões sobre o pecado.......................................................................................................................................30
A doença da alma......................................................................................................................................................35
O QUE É PECADO?............................................................................................................................................35
São Tomás de Aquino assim explica.....................................................................................................................36
Conceito de Sto. Agostinho para o pecado...........................................................................................................36
REFLEXÃO..........................................................................................................................................................38
Atividade...................................................................................................................................................................39
Bibliografia...............................................................................................................................................................40
Doutrina do Pecado - 3
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INTRODUÇÃO

Está escrito que Deus, ao completar a obra da criação, declarou que tudo era
“muito bom”. Observando, mesmo ligeiramente, chegamos ~i convicção de que muitas
coisas que agora existem não são boas — o mal, a impiedade, a opressão, a luta, a
guerra, a morte, e o sofrimento. E naturalmente surge a pergunta: Como entrou o mal
no mundo? — pergunta que tem deixado perplexos muitos pensadores. A Bíblia ofe-
rece a resposta de Deus; ainda mais, informa-nos o que o pecado realmente é; melhor
ainda, apresenta-nos o remédio para o pecado.

O FATO DO PECADO
Não há necessidade de discutir a questão da realidade do pecado; a história e o
próprio conhecimento íntimo do homem oferecem abundante testemunho do fato.
Muitas teorias, porém, apareceram para negar, desculpar, ou diminuir a natureza do
pecado.

1. 0 ateísmo, ao negar a Deus, nega também o pecado, porque, estritamente


falando, todo pecado é contra Deus; e se não há Deus, não há pecado. O homem pode
ser culpado de pecar em relação a outros; pode pecar contra si mesmo, porém estas
coisas constituem pecado unicamente em relação a Deus. Em fim, todo mal praticado é
dirigido contra Deus, porque o mal é uma violação do direito, e o direito é a lei de Deus.
“Pequei contra o céu e perante ti”, exclamou o pródigo. Portanto, o homem necessita do
perdão baseado em uma provisão divina de expiação.

2. O determinismo é a teoria que afirma ser o livre arbítrio uma ilusão e não uma
realidade. Nós imaginamos que somos livres para fazer nossa escolha, porém
realmente nossas opções são ditadas por impulsos internos e circunstâncias que
escaparam ao nosso domínio. A fumaça que sai pela chaminé parece estar livre, porém
se esvai por leis inexoráveis. Sendo assim — continua essa teoria, — uma pessoa não
pode deixar de atuar da maneira como o faz, e estritamente falando, não deve ser
louvada por ser boa nem culpada por ser má. O homem é simplesmente um escravo
das circunstâncias.

Mas as Esrituras afirmam invariavelmente que o homem é livre para escolher


entre o bem e o mal — uma liberdade implícita em todos os mandamentos e
exortações. Longe de ser vitima da fatalidade e casualidade, declara-se que o homem é
o árbitro do seu próprio destino.
Doutrina do Pecado - 4
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Durante uma discussão sobre a questão do livre arbítrio, o Dr. Johnson, notável
autor e erudito inglês, declarou: “Cavalheiro, sabemos que nossa vontade é livre, e isto
é tudo que há no assunto!” Cada grama de bom senso excede em peso a uma tonelada
de filosofia!

Uma conseqüência prática do determinismo é tratar o pecado como se fosse


uma enfermidade por cuja causa o pecador merece dó ao invés de ser castigado.
Porém, a voz da consciência que diz “eu devo” refuta essa teoria, Recentemente, um
homicida de dezessete anos recusou-se a alegar loucura. Seu crime era indesculpável,
ele declarou, porque sabia que o havia cometido consciente-mente, apesar dos ensinos
que recebera dos pais e na Escola Dominical. Desse modo, insistiu que fosse cumprida
a pena capital. Jovem como era, e diante da morte, recusou enganar-se a si mesmo.

3. O hedonísmo (da palavra grega que significa “prazer”) é a teoria que sustenta
que o melhor ou o mais proveitoso que existe na vida é a conquista do prazer e a fuga à
dor, de modo que a primeira pergunta que se faz não é: “Isto é correto?”, mas: ‘Trará
prazer?” Nem todos os hedonistas têm uma vida de vícios, mas a tendência geral do
hedonista é desculpar o pecado e disfarçá-lo, qual pílula açucarada, com designações
tais como estas: “é uma fraqueza inofensiva”; “é pequeno desvio”; “é mania do prazer”;
“é fogo da juventude”. Eles desculpam o pecado com expressões como estas: “Errar é
humano”; “o que e natural é belo e o que é belo é direito.”

E sobre essa teoria que se baseia o ensino moderno de “auto-expressão”. Em


linguagem técnica, o homem deve “libertar suas inibições”; em linguagem simples,
“ceder à tentação porque reprimi-la é prejudicial à saúde”. Naturalmente, isso muitas
vezes representa um intento para justificar a imoralidade. Mas esses mesmos teóricos
não concordariam em que a pessoa desse liberdade às suas inibições de ira, ódio
criminoso, inveja, embriaguez ou alguma outra tendência similar.

No fundo dessa teoria esta o desejo de diminuir a gravidade do pecado, e


ofuscar a linha divisória entre o bem e o mal, o certo e o errado. Representa uma
variação moderna da mentira antiga: “Certamente não morrerás.” E muitos
descendentes de Adão têm engolido a amarga pílula do pecado, adoçada com a
suposta suavizante segurança: “Isto não te fará dano algum.” O bem é simbolizado pela
alvura, e o pecado pela negrura, porém alguns querem misturá-los dando-lhes uma cor
cinzenta neutra. A admoestação divina àqueles que procuram confundir as distinções
morais, é: “Ai daqueles que chamam o mal bem, e o bem mal!”

4. Ciência Cristã. Esta seita nega a realidade do pecado. Declara que o pecado
não é algo positivo, mas simplesmente a ausência do bem. Nega que o pecado tenha
existência real e afirmam que é apenas um “erro da mente moral”. O homem pensa que
o pecado é real, por conseguinte, seu pensamento necessita de correção. Mas, depois
de examinar o pecado e a ruína que são mais do que reais no mundo, parece que esse
Doutrina do Pecado - 5
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tal “erro da mente mortal” é tão terrível como aquilo que toda gente conhece por
“pecado”! As Escrituras denunciam o pecado como uma violação positiva da lei de
Deus, como uma verdadeira ofensa que merece castigo real num inferno real.

5. A evolução considera o pecado como herança do animalismo primitivo do


homem. Desse modo, em lugar de exortar a gente a deixar o “homem velho”, ou o
“antigo Adão”, os proponentes dessa teoria deviam admoesta-los a que deixassem o
“velho macaco” ou o “velho tigre”! Como j~ vimos, a teoria da evolução é antibíblica.
Além disso, os animais não pecam; eles vivem segundo sua natureza, e não
experimentam nenhum sentido de culpa por seu comportamento. O Dr. Leander Keyser
comenta: “Se a luta egoísta e sangrenta pela existência no reino animal for o método de
progresso que trouxe o homem á existência, por que deverá ser um mal que o homem
continue nessa rota sangrenta?” E certo que o homem tem uma natureza física, porém
essa parte inferior de seu ser foi criação de Deus, e é plano de Deus que esteja sujeita
a uma inteligência divinamente iluminada.

Capítulo 1
Doutrina do Pecado - 6
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A ORIGEM DO PECADO

O terceiro capítulo de Gênesis oferece os pontos chaves que caracterizam a


história espiritual do homem, as quais são: A tentação, a culpa, o juízo e a redenção.

A tentação: sua possibilidade, origem e sutileza.


(a) A possibilidade da tentação. O segundo capítulo de Gênesis relata o fato da
queda do homem, informando acerca do primeiro lar do homem, sua inteligência, seu
serviço no Jardim no Eden, as duas árvores, e o primeiro matrimônio. Menciona
especialmente as duas árvores do destino — a árvore da ciência do bem e do mal e a
árvore da vida. Essas duas árvores constituem um sermão em forma de quadro dizendo
constantemente a nossos primeiros pais: “Se seguirdes o bem e rejeitardes o mal, tereis
a vida.” E não é esta realmente a essência do Caminho da Vida encontrada através das
Escrituras? (Vide Deut. 30:15.)

Notemos a árvore proibida. Por que foi colocada ali? Para prover um teste pelo
qual o homem pudesse, amorosa e livremente, escolher servir a Deus e dessa maneira
desenvolver seu caráter. Sem vontade livre o homem teria sido meramente uma
máquina.

(b) A origem da tentação. “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias
do campo que o Senhor Deus tinha feito.” E razoável deduzir que a serpente, que
naquele tempo deveria ter sido uma criatura formosa, foi o agente empregado por
Satanás, o qual já tinha sido lançado fora do céu antes da criação do homem. (Ezeq.
23:13-17; Isa. 14:12-15.) Por essa razão, Satanás é descrito como “essa antiga
serpente, chamada o diabo” (Apoc. 12:~I)). Geralmente Satanás trabalha por meio de
agentes. Quando Pedro (embora sem má intenção) procurou dissuadir seu Mestre da
senda do dever, Jesus olhou além de Pedro, e disse, “Para trás de mim, Satanás” (Mat.
16:22,23). Neste caso Satanás trabalhou por meio de um dos amigos de Jesus; no
Eden empregou a serpente, uma criatura da qual Eva não desconfiava.

(e) A Sutileza da tentação. A sutileza é mencionada como característica distintiva


da serpente. (Vide Mat. 10:16.) Com grande astúcia ela oferece sugestões, as quais, ao
serem abraçadas, abrem caminho a desejos e atos pecaminosos. Ela começa falando
com a mulher, o vaso mais frágil, que, além dessa circunstância, não tinha ouvido
diretamente a proibição divina. ((I~n. 2:16, 17.) E ela espera até que Eva esteja só.
Note-se a astúcia na aproximação. Ela torce as palavras de Deus (Vide Gên. 3:1 e 2:16,
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17) e então finge surpresa por estarem assim torcidas; dessa maneira ela, astutamente,
semeia dúvida e suspeitas no coração da ingênua mulher, e ao mesmo tempo insinua
que está bem qualificada para ser juiz quanto à justiça de tal proibição. Por meio da
pergunta no versículo 1, lança a tríplice dúvida acerca de Deus. (1) Dúvida sobre a
bondade de Deus. Ela diz, com efeito: “Deus está retendo alguma bênção de ti.” (2)
Dúvida sobre a retidão de Deus. “Certamente não morrereis.” Isto é, “Deus não
pretendia dizer o que disse”. (3) Dúvida sobre a santidade de Deus. No versículo 5 a
serpente diz, com efeito: “Deus vos proibiu comer da árvore porque tem inveja de vós.
Não quer que chegueis a ser sábios tanto quanto ele, de modo que vos mantém em
ignorância. Não é porque ele se interesse por vós, para salvar-vos da morte, e sim por
interesse dele, para impedir que chegueis a ser semelhantes a ele.”

A culpa

Notemos as evidências de uma consciência culpada. (1) “Então foram abertos


os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus. Expressão usada para indicar
esclarecimento milagroso ou repentino. (Gên. 21:19; 2 Reis. 6:17.) As palavras da
serpente (versículo 5) cumpriram-se; porém, o conhecimento adquirido foi diferente do
que eles esperavam. Em vez de fazê-los semelhantes a Deus, experimentaram um
miserável sentimento de culpa que os fez ter medo de Deus. Notemos que a nudez
física é um quadro de uma consciência nua ou culpada. Os distúrbios emocionais
refletem~se muitas vezes em nossas feições. Alguns comentadores sustentam que
antes da queda, Adão e Eva estavam vestidos com uma auréola ou traje de luz, que
era um sinal da comunhão com Deus e do domínio do espírito sobre o corpo. Quando
pecaram, essa comunhão foi interrompida; o corpo venceu o espírito, e ali começou
esse conflito entre a carne e o espírito (Rom. 7: 14-24), que tem sido a causa de tanta
miséria. (2) “E coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” Assim como a
nudez física é sinal de uma consciência culpada, da mesma maneira, o procurar cobrir
a nudez é um quadro que representa o homem a procurar cobrir sua culpa com a
indumentária do esquecimento ou o traje das desculpas. Mas, somente uma veste feita
por Deus pode cobrir o pecado (Verso 21). (3) “E ouviram a voz do Senhor Deus, que
passeava no jardim pela viração do dia: e escondeu-se Adão e sua mulher da presença
do Senhor Deus entre as árvores do jardim.” O instinto do homem culpado é fugir de
Deus. E assim como Adão e Eva procuraram esconder-se entre as árvores, da mesma
forma as pessoas hoje em dia procuram esconder-se nos prazeres e em outras
atividades.

O juízo.

(a) Sobre a serpente. “Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a
besta, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó
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comeras todos os dias da tua vida.” Essas palavras implicam que a serpente outrora foi
uma criatura formosa e honrada. Depois, porque veio a ser o instrumento para a queda
do homem, tomou-se maldita e degradada na escala da criação animal. Uma vez que a
serpente foi simplesmente o instrumento de Satanás, por que deve ser punida? Porque
é a vontade de Deus fazer da maldição da serpente um tipo e profecia da maldição
sobre o diabo e sobre todos os poderes do mal. O homem deve reconhecer, pelo
castigo da serpente, como a maldição de Deus para todo pecado e maldade;
arrastando-se rio pó recordaria ao homem o dia em que Deus derribará até ao pó, o
poder do diabo. Isso é um estimulo para o homem: ele, o tentado, está em pé, erguido,
enquanto a serpente está sob a maldição. Pela graça de Deus o homem pode ferir-lhe
a cabeça — pode vencer o mal. (Vide Luc, 10:18; Rom. 16:20; Apoc. 12:9; 20:1-2, 10.)

(b) Sobre a mulher. “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e atua
concepção; com dor terás filhos; e o teu desejo será para teu marido, e ele te dominará”
(Gên. 3:16). Assim disse certo escritor: A presença do pecado tem sido a a causa de
muito sofrimento, precisamente do modo indicado acima. Não há dúvida que dará luz
filhos constitui um momento crítico e penoso mi rida da mulher, O sentimento de faltas
passadas pesa de uma maneira partícula sobre ela, e também a crueldade e loucura do
homem contribuíram para fazer o processo mais doloroso e perigoso para a mulher do
que para os animais.

O pecado tem corrompido todas as relações da vida, e mui particularmente a


relação matrimonial. Em muitos países a mulher é praticamente escrava do

homem; a posição e a condição triste de meninas viúvas e meninas mães na


Índia têm sido um fato horrível em cumprimento dessa maldição.

(c) Sobre o homem. (Versos 17-19.) O trabalho para o homem já tinha sido
designado (2:15). O castigo consiste no afã, nas decepções e aflições que muitas vezes
acompanham o trabalho. A agricultura é especificada em particular, porque sempre tem
sido um dos empregos humanos mais necessários. De alguma maneira misteriosa, a
terra e a criação em geral têm participado da maldição e da queda do seu senhor (o
homem) porém estão destinadas a participar da sua redenção. Este é o pensamento de
Rom. 8:19-28. Em Isaías 11:1-9 e 65:17-25, temos exemplos de versículos que
predizem a remoção da maldição da terra durante o Milênio. Além da maldição física
que se apossou da terra, também é certo que o capricho e o pecado humanos têm
dificultado de muitas maneiras o labore provocado as condições de trabalho mais
difíceis e mais duras para o homem.

Notemos a pena de morte. “Porquanto és pó, e em pó te tornarás.” O homem foi


criado capaz de não morrer fisicamente; teria existência física indefinidamente se
tivesse preservado sua inocência e continuasse a comer da árvore da vida. Ainda que
volte à comunhão com Deus (e dessa maneira vença a morte espiritual) por meio do
arrependimento e da oração, não obstante, deve voltar ao seu Criador através da
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morte. Visto que a morte faz parte da pena do pecado, a salvação completa deve incluir
a ressurreição do corpo. (1 Cor. 15:54-57.) Não obstante, certas pessoas, como
Enoque, terão o privilégio de escapar da morte física. (Gên. 5:24; 1 Cor. 15:51.)

A redenção.

Os três primeiros capítulos de Génesis contêm as três revelações de Deus, que


por toda a Bíblia figuram em todas as relações de Deus com o homem. O Criador, que
trouxe tudo à existência (cap. 1), o Deus do Pacto que entra em relações pessoais
como homem (cap. 2); o Redentor, que faz provisão para a restauração do homem
(cap. 3).

(a) Prometida. (Vide Gên. 3:15.) (1) A serpente procurou fazer aliança com Eva
contra Deus, mas Deus porá fim a essa aliança. “E porei inimizade entre ti e a mulher, e
entre a tua semente (descendentes) e a sua semente.” Em outras palavras, haverá uma
luta constante entre o homem e o poder maligno que causou a sua queda. (2) Qual será
o resultado desse conflito? Primeiro, vitória para a humanidade, por meio do
Representante do homem, a Semente da mulher. “Ela (a semente da mulher) te ferirá a
cabeça.” Cristo, a Semente da mulher, veio ao mundo para esmagar o poder do diabo.
(Mat. 1:23, 25; Luc. 1:31-35, 76; Isa. 7:14; Gál. 4:4; Rom. 16:20; Col. 2:15; Heb. 2:14,
15; l João3:8; 5:5; Apoc. 12:7, 8,17; 20:1-3, 10.) (3) Porém a vitória não será sem
sofrimento. “E tu (a serpente) lhe ferirás o calcanhar.” No Calvário a Serpente feriu o
calcanhar da Semente da mulher; mas este ferimento trouxe a cura para a humanidade.
(Vide Isa. 53:3,4,12; Dan. 9:26; Mat. 4:1-10; Luc.22:39-44. 53; João 12:31-33; 14:30,31;
Heb. 2:18; 5:7; Apoc. 2:10.)

(6) Prefigurada. (Verso 21.) Deus matou um animal, uma criatura inocente, para
poder vestir aqueles que se sentiam nus ante a sua vista por causa do pecado. Do
mesmo modo, o Pai deu seu Filho, o Inocente, à morte, a fim de prover uma cobertura
expiatória para as almas dos homens.

Capítulo 2
Doutrina do Pecado - 10
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A NATUREZA DO PECADO

Que é pecado? A Bíblia usa uma variedade de termos para expressar o mal de
ordem moral, os quais nos explicam algo de sua natureza. Um estudo desses termos,
nos originais hebraico e grego, proporcionará a definição bíblica do pecado.

1. O ensino do Antigo Testamento. O pecado considerado —As diferentes


palavras hebraicas descrevem o pecado operando nas seguintes esferas:

(a) Na esfera moral. As palavras usadas para expressar o pecado nesta


esfera são as seguintes:

1. A palavra mais comumente usada para o pecado significa “errar o alvo”.


Reúne as seguintes idéias: (1) Errar o alvo, como um arqueiro que atira mas erra, do
mesmo modo, o pecador erra o alvo final da vida. (2) Errar o caminho, como um
viajante que sai do caminho certo. (3) Ser achado em falta ao ser pesado na balança de
Deus.

Em Gên. 4:7, onde a palavra é mencionada pela primeira vez, o pecado é


personificado como uma besta feroz pronta para lançar-se sobre quem lhe der ocasião.

2. Outra palavra significa literalmente “tortuosidade”, e é muitas vezes traduzida


por “perversidade”. Ë, pois, o contrário de retidão, que significa literalmente, o que é
reto ou conforme um ideal reto. 3. Outra expressão comum que se traduz por “mal”,
exprime o pensamento de violência ou infração, e descreve o homem que infringe ou
viola a lei de Deus.

(b) Na esfera da conduta fraternal. A palavra usada para determinar o pecado


nesta esfera, significa violência ou conduta injuriosa. (Gên. 6:11; Ezeq. 7:23; Prov.
16:29.) Ao excluir a restrição da lei, o homem maltrata e oprime seus semelhantes.

(c) Na esfera da santidade. As palavras usadas para descrever o pecado nesta


esfera implicam que o ofensor já usufruiu da relação com Deus. Toda a nação israelita
foi constituída em “um reino de sacerdotes”, cada membro considerado como estando
em contacto com Deus e seu santo tabernáculo. Portanto, cada israelita era santo, isto
é, separado para Deus, e toda a atividade e esfera de sua vida estavam reguladas pela
Lei da Santidade. As coisas fora dessa lei eram “profanas” (o contrario de santas), e o
que participava delas se tornava “imundo” ou contaminado. (Lev. 11:24, 27, 31, 33, 39.)
Se persistisse na profanação, era considerada uma pessoa irreligiosa ou profana. (Lev.
21:14; Heb. 12:16.) Se acaso se rebelasse e deliberadamente repudiasse a jurisdição
Doutrina do Pecado - 11
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da lei da santidade, era considerado “transgressor”. (Sal. 37:38; 51:13; Isa. 53:12.)

Se prosseguia neste último caminho, era julgado como criminoso, e tais eram os
publicanos, na opinião dos contemporâneos do nosso Senhor Jesus.

(d) Na esfera da verdade. As palavras que descrevem o pecado nesta esfera dão
ênfase ao inútil e fraudulento elemento do pecado. Os pecadores falam e tratam
falsamente (Sal. 58:3; Isa. 28:15), representam falsa-mente e dão falso testemunho
(Exo. 20:16; Sal. 119:128; Prov. 19:5, 9).

Tal atividade é “vaidade” (Sal. 12:2; 24:4; 41:6), isto é, vazia e sem valor.

O primeiro pecador foi um mentiroso (João 8:44); o primeiro pecado começou


com uma mentira (Gên. 3:4); e todo pecado contém o elemento do engano (Heb. 3:13).

(e) Na esfera da sabedoria. Os homens se portam impiamente porque não


pensam ou não querem pensar corretamente; não dirigem suas vidas de acordo com a
vontade de Deus, seja por descuido ou por deliberada lgnorancia.

1. Muitas exortações são dirigidas aos “simples” (Prov. 1:4, 22; 8:5). Essa palavra
descreve o homem natural, que não se desenvolveu, quer na direção do bem, quer do
mal; sem princípios fixos, mas com uma inclinação natural para o mal, a qual pode ser
usada a fim de seduzi-lo. Falta-lhe firmeza e fundamento moral; ele ouve mas esquece;
portanto, é facilmente conduzido ao pecado. (Vide Mat. 7:26.)

2. Muitas vezes lemos acerca desses “faltos de entendimento” (Prov. 7:7; 9:4),
isto é, aqueles que por falta de entendimento, mais do que por propensão pecaminosa,
são vítimas do pecado. Faltos de sabedoria, são conduzidos a expressar precipitados
juízos acerca da providência divina e das coisas além da sua compreensão. Desse
modo precipitam-se na impiedade. Tanto essa classe, como os “simples”, são
indesculpáveis porque as Escrituras apresentam o Senhor oferecendo gratuitamente —
sim, rogando-lhes que aceitem (Prov. 8:1-10) — aquilo que os fará sábios para a
salvação.

3. A palavra freqüentemente traduzida “insensato” (Prov. 15:20), descreve uma


pessoa capaz de fazer o bem, contudo está presa às coisas da carne e facilmente é
conduzida ao pecado pelas suas inclinações carnais. Não se disciplina a si mesma nem
guia as suas tendências de acordo com as leis divinas.

4. O “escarnecedor” (Sal. 1:1; Prov. 14:6) é o homem ímpio que justifica sua
impiedade com argumentos racionais contra a existência ou realidade de Deus, e contra
as coisas espirituais em geral. Assim, escarnecedor” é a palavra do Antigo Testamento
equivalente à nossa moderna palavra “infiel”, e a expressão “roda dos escarnecedores”
provavelmente se refere à sociedade local dos infiéis.
Doutrina do Pecado - 12
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O ensino do Novo Testamento.

O pecado descrito como

O Novo Testamento descreve o pecado como:

(a) Errar o alvo, que expressa a mesma idéia que a conhecida palavra do Antigo
Testamento.

(li) Dívida. (Mat. 6:12.) O homem deve (a palavra “deve” vem de dívida) a Deus a
guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida.
Incapaz de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão da
dívida.

(c) Desordem. “O pecado é iniqüidade” (literalmente “desordem”, 1 João 3:4). O


pecador é um rebelde e um idólatra porque deliberadamente quebra um mandamento,
ao escolher sua própria vontade em vez de escolher a vontade de Deus; pior ainda,
está-se convertendo em lei para si mesmo e, dessa maneira, fazendo do eu uma
divindade. O pecado começou no coração daquele exaltado anjo que disse: “Eu farei”,
em oposição à vontade de Deus. (Isa. 14:13, 14). O anticristo é proeminentemente “o
sem-lei” (tradução literal de “iníquo”), porque se exalta a si mesmo sobre tudo que é
adorado ou que é chamado Deus. (2 Tess. 2:4-9.)

O pecado é essencialmente obstinação e obstinação é essencialmente pecado.

O pecado destronaria a Deus; o pecado assassinaria Deus. Na Cruz do Filho de


Deus, poderiam ter sido escritas estas palavras: “O pecado fez isto!”

(d) Desobediência, literalmente, “ouvir mal”; ouvir com falta de atenção. (Heb.
2:2.) “Vede pois como ouvis” (Luc. 8:18.)

(e) Transgressão, literalmente, “ir além do limite” (Rom. 4:15). Os mandamentos


de Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território
perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma.

(f) Queda, ou falta, ou cair para um lado (Efés. 1:7) no grego, donde a conhecida
expressao, cair no pecado. Pecar é cair de um padrão de conduta.

(g) Derrota é o significado literal da palavra “queda” em Rom. 11:12. Ao rejeitar a


Cristo, a nação judaica sofreu uma derrota e perdeu o propósito de Deus.

(h) Impiedade, de uma palavra que significa “sem adoração, ou reverência”.


(Rom. 1:18; 2 Tim. 2:16.) O homem ímpio é o que dá pouca ou nenhuma importância a
Deus e às coisas sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor e
Doutrina do Pecado - 13
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reverência. Ele está sem Deus porque não quer saber de Deus.

(í) O erro (Heb. 9:7) Descreve aqueles pecados cometidos como fruto da
ignorância, e dessa maneira se diferenciam daqueles pecados cometidos
presunçosamente, apesar da luz esclarecedora. O homem que desafiadoramente
decide fazer o mal, incorre em maior grau de culpa do que aquele que é apanhado em
falta, a que foi levado por sua debilidade.

CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO
O pecado é tanto um ato como um estado. Como rebelião contra a lei de Deus, é
um ato da vontade do homem; como separação de Deus, vem a ser um estado
pecaminoso. Segue-se uma dupla conseqüência: o pecador traz o mal sobre si mesmo
por suas más ações, e incorre em culpa aos olhos de Deus. Duas coisas portanto,
devem distinguir-se; as más conseqüências que seguem os atos do pecado, e o castigo
que virá no juízo. Isto pode ser ilustrado da seguinte maneira:

Um pai proíbe ao filho pequeno o fumar cigarros, e fá-lo ver uma dupla
conseqüência: primeira, o fumar fá-lo-á sentir-se doente; segunda, será castigado pela
sua desobediência. O menino desobedece e afirma pela primeira vez. As náuseas que
lhe sobrevêm representam as más conseqüências do seu pecado, e o castigo corporal
subseqüente representa o castigo positivo pela culpa.

Da mesma maneira as Escrituras descrevem dois efeitos do pecado sobre o


culpado: primeiro, é seguido por conseqüências desastrosas para sua alma; segundo,
trará da parte de Deus o positivo decreto de condenação.

Fraqueza espiritual.

(a) Desfiguração da imagem divina. O homem não perdeu completamente a


imagem divina, porque ainda em sua posição decaída é considerado uma criatura à
imagem de Deus (Gên. 9:6; Tia. 3:9) — uma verdade expressa no provérbio popular:
“Há algo de bom no pior dos homens.” Maudesley, o grande psiquiatra inglês, sustenta
que a majestade inerente da mente humana evidencia-se até mesmo na ruma causada
pela loucura.

Apesar de não estar inteiramente perdida, a imagem divina no homem encontra-


se muito desfigurada. Jesus Cristo veio ao mundo tornar possível ao homem a
recuperação completa da semelhança divina por ser recriado à imagem de Deus. (Gál.
3:10.)

(6) Pecado inerente, ou “pecado original”. O efeito da queda arraigou-se tão


profundamente na natureza humana que Adão, como pai da raça, transmitiu a seus
Doutrina do Pecado - 14
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descendentes a tendência ou inclinação para pecar. (Sal. 51:5.) Esse impedimento
espiritual e moral, sob o qual os homens nascem, é conhecido como pecado original.
Os atos pecaminosos que se seguem durante a idade de plena responsabilidade do
homem são conhecidos como “pecado atual”. Cristo, o segundo Adão, veio ao mundo
resgatar-nos de todos os efeitos da queda. (Rom. 5:12-21.)

Esta condição moral da alma é descrita de muitas maneiras: todos pecaram


(Rom. 3:9); todos estão debaixo da maldição (Gál. 3:10); o homem natural é estranho
às coisas de Deus (1 Cor. 2:14); o coração natural é enganoso e perverso (Jer. 17:9); a
natureza mental e moral é corrupta (Gên. 6:5, 12; 8:21; Rom. 1:19-31); a mente carnal é
inimizade contra Deus (Rom. 8:7, 8); o pecador é escravo do pecado (Rom. 6:17; 7:5); é
controlado pelo príncipe das potestades do ar (Efés. 2:2); está morto em ofensas e
pecados (Efés. 2:1); e é filho da ira (Efés. 2:3).

(c) Discórdia interna. No princípio Deus fez o corpo do homem do pó, dotando-o,
desse modo, de uma natureza física ou inferior; depois soprou em seu nariz o fôlego da
vida, comunicando-lhe assim uma natureza mais elevada, unindo-o a Deus. Era o
propósito de Deus a harmonia do ser humano, ter o corpo subordinado à alma. Mas o
pecado interrompeu a relação de tal maneira que o homem se encontrou dividido em si
mesmo;o “eu” oposto ao “eu” em uma guerra entre a natureza superior e a inferior. Sua
natureza inferior, frágil em si mesma,

rebelou-se contra a superior e abriu as portas de seu ser ao inimigo. Na intensi -


dade do conflito, o homem exclama: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do
corpo desta morte?” (Rom. 7:24.)

O “Deus de paz” (1 Tess. 5:23) subjuga os elementos beligerantes da natureza


do homem e santifica-o no espírito, alma e corpo. O resultado é a bemaventurança
interna — “justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rom. 14:17).

Castigo positivo

“No dia em que dela comeres certamente morrerás” (Gên. 2:17) “O salário do
pecado é a morte” (Rom. 6:23).

O homem foi criado capaz de viver eternamente; isto é, não morreria se


obedecesse à lei de Deus. Para que pudesse “lançar mão” da imortalidade e da vida
eterna, foi colocado sob um pacto de obras, figurado pelas duas árvores — a árvore da
ciência do bem e do mal e a árvore da vida. Desse modo, a vida estava condicionada à
obediência; enquanto Adão observasse a lei da vida teria direito à árvore da vida. Mas
desobedeceu; quebrou o pacto de vida, e ficou separado de Deus, a Fonte da vida.
Desde esse momento, teve a morte o seu início e foi consumada na morte física com a
separação da alma e do corpo. Mas notemos que o castigo incluía mais do que uma
Doutrina do Pecado - 15
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morte física; a dissolução física era uma indicação do desagrado de Deus, do fato que o
homem estava sem contacto com a Fonte da vida. Ainda que Adão se tivesse
reconciliado mais tarde com o seu Criador, a morte física continuaria de acordo com o
decreto divino: “No dia em que dela comeres certamente morrerás.” Somente por um
ato de redenção e de recriação o homem teria outra vez direito à árvore da vida que
está no meio do paraíso de Deus. Por meio de Cristo a justiça é restaurada à alma, a
qual, na ressurreição, é reunida a um corpo glorificado.

Vemos, então, que a morte física veio ao mundo como castigo, e, nas Escrituras,
sempre que o homem é ameaçado com a morte como castigo pelo pecado, significa
primeiramente a perda do favor de Deus. Assim, o pecador já está “morto em ofensas e
pecados” e no momento da morte física ele entra no mundo invisível na mesma
condição. Então no grande Julgamento o Juiz pronunciará a sentença da segunda
morte, que envolve “indignação e ira, tribulação e angústia” (Rom. 2:7-12). De maneira
que “a morte”, como castigo, não é a extinção da personalidade, e, sim, o meio de
separação de Deus. Há três fases desta morte: morte espiritual, enquanto o homem
vive (Efés. 2:1; 1 Tim. 5:6); morte física (Heb. 9:27); e a segunda ou morte eterna (Apoc.
21:8; João 5:28, 29; 2 Tess. 1:9; Mat. 25:41).

Por outro lado, quando as Escrituras falam da vida como recompensa pela
justiça, isso significa mais do que existência, pois os ímpios existem no inferno. Vida
significa viver em comunhão com Deus e no seu favor — comunhão que a morte não
pode interromper ou destruir. (João 11:25, 26.) E uma vida que proporciona união
consciente com Deus, a Fonte da vida. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só
(em experiência e comunhão) por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem
enviaste” (João 17:3). A vida eterna é uma existência peifeito; a morte eterna é uma
existência mui, miserável e degradada.

Notemos que a palavra “destruição”, usada quanto à sorte dos ímpios (Mat. 7:13;
João 17:12; 2 Tess. 2:3), não significa extinção. De acordo com o grego, pereceu ser
destruído, não significa extinção e sim ruína. Por exemplo: que os odres “estragam-se”
(Mat. 9:17) significa que já não servem como odres, e não que tenham deixado de
existir. Da mesma maneira, o pecador que perece, ou que é destruído, não é reduzido
ao nada, mas experimenta a ruína no que concerne a desfrutar comunhão com Deus e
a vida eterna. O mesmo uso ainda existe hoje; quando dizemos: “sua vida está
arruinada”, não queremos dizer que o homem está morto, e, sim, que perdeu o
verdadeiro alvo ou objetivo da vida.

Como a Bíblia examina o pecado


Doutrina do Pecado - 16
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Pecado é transgredir a lei de Deus. A Bíblia diz em 1 João 3:4 “Todo aquele que
vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia.” A
Bíblia diz em 1 João 5:17 “Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a
morte.”
O que é a lei de Deus? Deus escreveu a Sua lei com o Seu próprio dedo em tábuas de
pedra. A Bíblia diz em Êxodo 20:3-17 “[1]Não terás outros deuses diante de mim. [2]Não
farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em
baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem
as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos
pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e uso de
misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.
[3]Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por
inocente aquele que tomar o seu nome em vão. [4]Lembra-te do dia do sábado, para o
santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o
sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho,
nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro
que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o
mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o
dia do sábado, e o santificou. [5]Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem
os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. [6]Não matarás. [7]Não adulterarás.
[8]Não furtarás. [9]Não dirás falso testemunho contra o teu proximo. [10]Não cobiçarás
a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a
sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”

Os princípios básicos da lei de Deus resumem-se numa só palavra - Amor. A


Bíblia diz em Mateus 22:37-40 “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de
todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e
primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo
como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

O pecado sai de dentro de nós. A Bíblia diz em Marcos 7:20-23 “E prosseguiu: O


que sai do homem , isso é que o contamina. Pois é do interior, do coração dos homens,
que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os
adultérios, a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a
soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o
homem.”

Ninguém é melhor que os outros porque todos pecamos. A Bíblia diz em


Romanos 3:9-10 “Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois
já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como
está escrito: Não há justo, nem sequer um.”
Doutrina do Pecado - 17
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Sem Jesus, a consequência do pecado é a morte. A Bíblia diz em Romanos 6:23
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em
Cristo Jesus nosso Senhor.”

E se não tenho a certeza quais são os meus pecados? A Bíblia diz em Salmos
139:23-24 “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os
meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo
caminho eterno.”

Confesse os seus pecados a Deus e será perdoado. A Bíblia diz em 1 João 1:9
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e
nos purificar de toda injustiça.”

Há algum pecado imperdoável? A Bíblia diz em Lucas 12:10 “E a todo aquele


que proferir uma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas ao que
blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado.”

Para simbolizar o nosso desejo de deixar o pecado devemos ser baptizados. A


Bíblia diz em Lucas 3:3 “E ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando o
batismo de arrependimento para remissão de pecados.”

Se sente que é um pecador já sem remédio, que deve fazer?


Primeiro, reconhecer o seu pecado. A Bíblia diz em Salmos 51:2-4 “Lava-me
completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as
minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.”

Segundo, pedir que o seu pecado seja perdoado. Deus diz que pode começar
uma vida nova. A Bíblia diz em Salmos 51:7-12 “Purifica-me com hissopo, e ficarei
limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para
que se regozijem os ossos que esmagaste. Esconde o teu rosto dos meus pecados, e
apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova
em mim um espírito estável. Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o
teu santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito
voluntário.”

Terceiro, acreditar que Deus o perdoou e parar de se sentir culpado. A Bíblia diz
em Salmos 32:1-6 “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo
pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniqüidade,
e em cujo espírito não há dolo. Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus
ossos pelo meu bramido durante o dia todo. Porque de dia e de noite a tua mão pesava
sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado,
e a minha iniqüidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas
transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Pelo que todo aquele é piedoso
Doutrina do Pecado - 18
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ore a ti, a tempo de te poder achar; no trasbordar de muitas águas, estas e ele não
chegarão.”

Pecado Imperdoável
Existem três fatores principais que levam o homem a perder a salvação:

Apostasia - Separação de Cristo (1Jo 5.16). Geralmente a pessoa começa a


pregar contra uma ou mais doutrina cardinal (Hb 12.15).

Rebelião - Se levanta contra a obra ou contra a Igreja Universal (Jd 12; Gn 4.9).
O exemplo é Caim. Deus não aceitou o seu sacrifício, pelo conteúdo do sacrifício, mas
por causa da rebelião do seu coração.

Pecado contra o Espírito Santo - Rejeição completa à voz, à ação e à


advertência do Espírito Santo (Mc 3.29; Hb 10.8). Este é chamado o pecado para a
morte, a qual o Apóstolo João dizia: A este digo que não ore (1Jo 5.16; Hb 10:29; Mc
3:29).

Portanto, tenhamos pavor destes três tipos de pecados:

O pecado da Apostasia — afastados de Cristo: 1Jo 5:16; Hb 3:12; 10:26.

O pecado da Rebelião — contra o povo de Deus: Gn 4:9; Jd 12.

O pecado da Blasfêmia — contra o Espírito Santo: Mc 3:29; Hb 10:29.

A Perspectiva do pecado segundo algumas crenças

O Pecado sempre foi um termo principalmente usado dentro de um contexto


religioso, e hoje descreve qualquer desobediência à vontade de Deus; em especial,
qualquer desconsideração deliberada das Leis reveladas. No hebraico e no grego
comum, as formas verbais (em hebr. hhatá; em gr. hamartáno) significam "errar", no
sentido de errar ou não atingir um alvo, ideal ou padrão. Em latim, o termo é vertido por
peccátu.

Perspectiva Judaica de Pecado

O Judaísmo considera a violação de um mandamento divino como um pecado. O


judaísmo ensina que o pecado é um ato e não um estado do ser.A Humanidade
encontra-se num estado de inclinação para fazer o mal (Gen 8:21) e de escolher o Bem
em vez do Mal (Salmo 37:27). O Judaísmo usa o termo"pecado" para incluir violações
da Lei Judaica que não são necessariamente uma falta moral. De acordo com a
Doutrina do Pecado - 19
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Enciclopédia Judaica, "O Homem é responsável pelo pecado porque é dotado de uma
vontade livre ("behirah"); contudo, Ele tem uma natureza fraca e uma tendência para o
Mal: "Pois o coração do Homem é mau desde a sua juventude" (Gen,8,21; Yoma,20a;
Sanh105a). Por isso, Deus na sua misericórdia permitui ao Homem arrepender-se e ser
perdoado. O Judaismo defende que todo o Homem nasce sem pecado, pois a culpa de
Adão não recai sobre os outros homens.

Tipos de Pecado e sua Gravidade

Pecado designa todas as transgressões de uma Lei ou de princípios religiosos,


éticos ou normas morais. Podem ser em palavras, acções (por dolo) ou por deixar de
fazer o que é certo (por negligência ou omissão). Ou seja, onde há Lei, se manifesta o
Pecado. Pode ser tão somente uma motivação ou atitude errada de uma pessoa, e isso,
é chamado de pecado "no coração". No intímo dos humanos e independente da Cultura
a que pertença, existe necessidade de estabelecer princípios de ética e normas de
moral. Quando se viola a consciência moral pessoal, surge o sentimento de culpa.

Chama-se pecado mortal o pecado que faz perder a graça Divina e que leva à
condenação do crente; se não for objecto de confissão (admissão da culpa), genuíno
arrependimento e penitência (retratação perante Deus). Chama-se pecado venial aos
pecados que são menos graves e que não fazem perder a graça Divina. Para os
Cristãos Católicos, a tríade que define o pecado mortal é:

 Matéria grave - precisada pelos dez mandamentos.

 Pleno conhecimento de estar cometendo pecado

 Plena e deliberada adesão da vontade.

Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida


prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave,
mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento.

O pecado contra o Espírito Santo é o chamado pecado imperdoável. Subentende


uma renegação contínua e deliberada do perdão Divino, bem como uma violação
contínua da Lei Divina por parte do pecador.

A expressão pecado original ou pecado adâmico se refere ao pecado que foi


cometido no paraíso Éden pelos primeiros humanos, Adão e Eva. A mulher teria sido o
primeiro ser humano a pecar, e teria induzindo a Adão a pecar. O pecado original
consistiu numa rebelião contra a Autoridade Divina. Em consequência directa do
pecado de Adão, toda a humanidade ficou privada da perfeição e da perspectiva de vida
infindável. A existência do "pecado original" não justifica a prática deliberada do pecado.
Doutrina do Pecado - 20
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No Antigo Testamento, a doutrina da expiação é um conceito de justiça e
misericórdia baseado no arranjo figurativo do sacríficio de animais. O sangue de um
animal era derramado no altar como "resgate" dos pecados cometidos de natureza
menor da Lei de Deus.

No Novo Testamento, a doutrina da expiação é a mesma do Antigo, mas


figurando em Cristo "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29).
Segundo a doutrina cristã, a morte sacrificial do Messias permitirá o resgate perfeito da
humanidade obediente à Lei de Deus - eliminar o pecado adâmico e anular a sentença
de morte. Obedece ao princípio bíblico "uma vida humana [perfeita] por uma vida
humana [perfeita]". O papel de Cristo após a ressurreição é a de um advogado ("MEUS
filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos
um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo." I João 2:1).

Capítulo 3

PERSPECTIVA CATÓLICA
Doutrina do Pecado - 21
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A doutrina católica distingue entre o pecado venial, que justifica somente uma
punição temporária no Purgatório, e pecado mortal, que justifica uma punicão eterna
no Inferno, se não confessado e não demonstrar genuíno arrependimento. Segundo a
Igreja Católica, o pecado original só é purgado no indivíduo pelo baptismo.

Os Sete Pecados Capitais

Pensar a empresa seguindo determinado paradigma é útil e adequado, mas


pensá-la em termos de valores parece ampliar bastante esta visão e com isso podemos
perceber com mais clareza os fatores que influenciam a motivação,isto é, o quanto as
pessoas se dão para a empresa.

Percebi que a maioria dos fatos que aconteciam e freavam o crescimento das
pessoas na empresa eram os 7 Pecados Capitais.A idéia de pecado não tem conotação
religiosa. Pecar vem de "pecare"que significa "errar de alvo ". Sempre que "pecamos",
erramos de alvo.

Conhecer quais são os 7 pecados capitais , suas consequências nas


organizações , nos relacionamentos e exemplificá-los é o objetivo desta reflexão.

A IRA : Tem como sinônimos a raiva, a cólera, agressividade exagerada. Se


pararmos para observar, encontraremos nas empresas várias cenas que ilustram esse
pecado. As origens da ira podem ser por meticulosidade, por perfeccionismo ou até
mesmo por desqualificar nossa capacidade de solucionar problemas bem como a
importância desses problemas.

Basicamente a atitude mental que está por trás da ira é "quero destruir’ ou "eu
quero e você deve". Como ficaria esta atitude em termos de gestão ? Como será o
processo de tomada de decisão sob o impacto da ira ? Certamente o mais destrutível
possível, com ranço de autoritarismo, desrespeito e baixo clima de confiança mútua
entre o gestor e sua equipe.. Uma maneira de detectarmos a manifestação da ira é
observar a destruição do patrimônio da empresa bem como a expressão facial das
pessoas. Por baixo de toda ira quase sempre detectamos medo: de errar, de expressar-
se de outra maneira,de perder espaço,etc. Ao invés de tremer as pessoas atacam para
defender-se de seus fantasmas.

A GULA: No sentido literal, gula é o excesso no comer e beber,na sua simbologia


maior significa voracidade.A característica da gula é engolir e não digerir.A gula pode
ser entendida como gula intelectual inclusive, o sentido que está por trás da gula é o de
estar funcionando abaixo das nossas , potencialidades.
Doutrina do Pecado - 22
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A sensação é de que não estamos fazendo tudo que o nosso potencial permite,
que estamos vivendo sem atender nossas expectativas.

A atitude mental básica é : necessito aprender tudo. Um exemplo da gula nas


organizações é quando compram-se equipamentos de última geração
desnecessariamente ou quando os gestores centralizam o processo decisório e as
informações visivelmente observado nas mesas cheias de papéis.
A gula vai influenciar tanto nos relacionamentos quanto na produtividade das pessoas.

A INVEJA: É o desgosto ou pesar pelos bens do outro, a dificuldade de admirar o


outro, o sentimento de injustiça .O slogan que define a inveja é : Ele é mais do que eu,
também quero" a inveja nos faz perder o contato com nossas reais possibilidades.
Nas organizações podemos entender quando não há apoio das chefias para
determinados projetos, quando alguém tenta apagar o seu "brilho", vemos também a
procrastinação e os processos de "fritura", geralmente quando o discurso é de um jeito
e as ações não são coerentes com ele.

O que deixa a inveja bem caracterizada é a sua expressão pelo comportamento


não verbal, o olhar, principalmente. Não devemos confundir a competição com a
inveja. Esta última é um sentimento negativo que pode transformar o processo de
competição em algo destrutivo.

O ORGULHO: É o brio, a altivez, a soberba. A sensação de que "Eu sou melhor


que os outros" por algum motivo. Isto leva a ter uma imagem de si inflada, aumentada,
não correspondendo a realidade. Surge com isso a necessidade de aparecer, de ser
visto passando inclusive por cima de padrões éticos e vendo os outros colaboradores
ou colegas minimizados. Podemos criar a imagem de pavões relacionando-se na
empresa o que certamente trás resultados desastrosos. Podemos citar o exemplo de
gestores que tomam determinadas decisões por questões de orgulho pessoal ferindo
muitas vezes as metas organizacionais mas com o único objetivo de dar vazão a este
sentimento.

A AVAREZA : Define-se como estar excessivamente apegado a alguma coisa


levando a um grande medo de faltar, uma percepção de escassez. A avareza pode ser
percebida no cotidiano das empresas levando ao slogan: "Não tenho confiança em
ninguém" logo terei avareza com as informações que me chegam as mãos, com a
expressão dos sentimentos e opiniões em relação aos projetos que estou envolvido,
etc. Economizo pensamentos, sentimentos e ações pois não consigo lidar com a
diversidade, com a transparência entrando num clima defensivo. Em termos de gestão
de pesssoas podemos apontar a tendência a centralização como gesto avarento nas
organizações.

A PREGUIÇA: É definida como aversão ao trabalho, negligência. Este


sentimento faz com que as pessoas desqualifiquem os problemas e a possibilidade de
Doutrina do Pecado - 23
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solução destes. A preguiça não se resume na preguiça física mas também na preguiça
de pensar, sentir e agir. A crença básica da preguiça é "Não necessito aprender nada",
levando a um movimento freador das idéias e ações dentro das organizações que no
cotidiano e traduzido pelo "deixa para depois".

A LUXÚRIA: É definida como uma impulsividade desenfreada, um prazer pelo


excesso, tendo também conotações sexuais. Nas empresas este pecado é identificado
pelo assédio sexual: em nome da posição hierárquica "Desfruto do poder de dominar."
Aparece com isso a grande dificuldade de relacionamento entre homens e mulheres
nos ambientes organizacionais, reforçando heranças culturais arraigadas bem como
dificuldades emocionais de expressar a afetividade de forma saudável.

Faz-se necessário perceber de forma ampliada os fatores que influenciam a


gestão de pessoas nas organizações e o seu grau de maturidade para compreender
melhor os processos decisórios, a motivação e a qualidade de relacionamento.

Os fatores culturais, os paradigmas administrativos bem como a saúde


emocional das pessoas que trabalham juntas parecem somarem-se num todo coerente
e explicativo para o grau de desempenho e competências exigidos no modelo de gestão
atua.

Os sentimentos envolvidos nos Pecados Capitais por si só não são negativos. O


negativo é alimentá-los e agir sob o efeito deles não combatendo-os nem trazendo
novas alternativas de comportamento, minando com isso o crescimento e o
fortalecimento das competências dentro das organizações.

São os vicios mais comuns, ou mais importantes, do comportamento humano,


segundo o Catolicismo.

A classificação actual é obra de São Tomás de Aquino, ainda que não tenha feito
mais do trabalhar em cima do já realizado por Gregorio I, o Magno, no ano 600.

Capítulo 5
Doutrina do Pecado - 24
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PERSPECTIVA PROTESTANTE

O segmento protestante, ou evangélico, não crê em purgatório, nem classifica os


pecados como venial, mortal ou capital. Seguindo os preceitos bíblicos, não existe
pecado pequeno ou grande, pois "todos pecaram e destituídos estão da glória de
Deus"(Romanos 3.23). O pecado é um ato, pois "cada um é tentado, quando atraído e
engodado pelo seu próprio desejo. Depois, havendo concebido o desejo, dá à luz o
pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." (Tiago 1:14 e 15). Para que
tenhamos salvação e desfrutemos da vida eterna, devemos tão somente crer ("Pela
graça sois salvos, por meio da fé..." Efésios 2.8) que Jesus é nosso único e suficiente
salvador, e confessar nossos pecados para sermos perdoados ("Se confessarmos os
nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda
a injustiça" I João 1.9). Lembre-se também que é necessário arrependimento, e não
somente remorso, que nos leva a cometer novamente os mesmos erros por não termos
mais lembrança da "culpa" que nos abateu.

Descrevendo o pecado

O QUE É PECADO?

Pecado é tudo que fazemos em desacordo com a vontade de Deus, contrário à


Sua Palavra, em desobediência aos seus mandamentos. O pecado é um ato de
rebeldia: "Todo aquele que pratica o pecado, também transgride a lei, pois o pecado é
a transgressão da lei" (1 João 3.4). Há duas palavras gregas, dentre outras, para definir
pecado: "HARMATIA" (transgredir, pecar contra Deus, praticar o mal) e "ADIKIA"
(iniqüidade, maldade, injustiça).

O QUE É PECADO ORIGINAL?

É o pecado herdado da desobediência de Adão e Eva. O primeiro homem, como


representante da raça humana, corrompeu toda a humanidade ao transgredir a lei de
Deus. O Senhor Deus ordenou ao homem: "De toda a árvore do jardim comerás
livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois
no dia em que dela comeres, certamente morrerás". A mulher, dando ouvidos à
serpente, comeu do fruto da árvore proibida e cometeu o primeiro pecado da
humanidade. "Como semente gera semente da mesma espécie", nós, sementes de
Adão, herdamos a natureza pecaminosa. Assim, "por um só homem entrou o pecado no
Doutrina do Pecado - 25
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mundo / pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". (Gênesis 2.16-17;
3.1-6; Romanos 3.23; 5.12). A esperança é que se "pela desobediência de um só
homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de uns muitos serão
feitos justos". (Romanos 5.19).

E FILHOS DO DIABO, FILHOS DA IRA, FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA,

FILHOS DO MUNDO E FILHOS DA CARNE? São expressões equivalentes que


caracterizam a situação dos que se encontram na prática do pecado, voluntária e
continuamente (Lucas 16.8; Efésios 2.3; 1 Pedro 1.14; 1 João 3.10; Efésios 5.6;
Romanos 9.8).

DEUS CRIOU O PECADO?


Não. Deus é amor. Deus não é a fonte do mal. Acontece que Ele deu ao homem
liberdade para decidir. Deu-lhe o livre-arbítrio. No Éden, Deus estabeleceu o princípio
da obediência. A obediência é necessária para que o homem viva em comunhão com
Seu Criador. Muitos hoje em dia dão ouvidos ao diabo e desprezam as palavras de
advertência do Criador. O resultado é a morte eterna. (Gênesis 2.17; Romanos 6.23).

O QUE É REMISSÃO DE PECADOS?

Significa livramento da culpa do pecado. Remissão quer dizer perdão, redenção,


quitação de uma dívida. Em certos contratos comerciais inserem-se um dispositivo
chamado "cláusula de remissão", onde se define o preço da remissão, a fim de que o
bem hipotecado seja liberado. Uma vez pago o preço acertado, o bem hipotecado fica
livre, sem ônus, sem impedimentos. O preço de nossa redenção, de nossa libertação,
foi o sangue de Jesus: "Sem derramamento de sangue não há remissão". (Hebreus
9.22). "O Cristo padecerá, e ao terceiro dia ressurgirá dentre os mortos, e em seu
nome se pregará o arrependimento e a REMISSÃO DOS PECADOS...". (Lucas 24.46-
47). Sem arrependimento não há remissão dos pecados. Em Jesus "temos a redenção
pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados". (Colossenses 1.14).

O QUE É CONCUPISCÊNCIA

É desejo carnal incontrolável. Diz respeito não apenas aos apetites sexuais, mas
a bens e gozos materiais. É o desejo, sem domínio, de saciar a qualquer custo à
vontade do corpo, da carne. Concupiscência dos olhos: desejo de ver ou presenciar
cenas de violência, tumultos, pornografias, filmes eróticos, obscenidades, etc.
Concupiscência dos ouvidos: desejo de ouvir piadas imorais; de ouvir músicas
profanas; de dar ouvidos a boatos que agridem a privacidade das pessoas.
Concupiscência dos lábios: desejo de dizer "palavrão", palavras imorais, chulas,
Doutrina do Pecado - 26
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indecentes; desejo de comentar e conversar sobre a intimidade das pessoas, das
famílias, das autoridades. Concupiscência do estômago: apego excessivo a boas
iguarias, ao bom prato, ou a determinada espécie de comida. (Gálatas 5.16-21).
Concupiscência é sinônimo de avidez, cobiça e ganância. "Não ameis o mundo, nem o
que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o
que há no mundo, a CONCUPISCÊNCIA da carne, a concupiscência dos olhos e a
soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo". (1 João 2.15-16).

MASTURBAÇÃO É PECADO?

Masturbar-se é o ato de manipular os órgãos sexuais externos com a finalidade


de atingir o orgasmo. A Bíblia não fala diretamente sobre o assunto, mas algumas
passagens nos levam a considerar a masturbação pecado. Vejamos:

1) "Antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne


e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira..." (Efésios 2.3).

2) "Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes
em suas concupiscências [desejo incontrolado]" (Romanos 6.12).

3) “Fugi da prostituição”. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo;


mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo; não sabeis que o nosso corpo é
o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de
vós mesmos?"(1 Coríntios 6.18-19).

4) "Porque as obras da carne são: prostituição, impureza, lascívia... e coisas


semelhantes a estas... os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de
Deus"(Gálatas 5.19-20). Lascívia/luxúria: libidinagem, sensualidade. Libidinoso: aquele
que procura sem pudor o prazer sexual.

5) "Porque esta é à vontade de Deus, a vossa santificação... que cada um de vós


saiba possuir o seu vaso em santificação e honra, não na paixão de
concupiscência...porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a
santificação" (1 Tessalonicenses 4.3-7).

Não se pode negar a existência do impulso sexual nos seres humanos, impulso
criado por Deus para um fim proveitoso - o da multiplicação da espécie humana, ou
seja, o sexo entre homem e mulher, casados. (Gênesis 1.28). Todavia, homens e
mulheres têm de várias formas pervertido esse desejo. O homossexualismo é uma
dessas impurezas e desvio sexual. A masturbação é uma variante da impureza sexual:
vicia, escraviza e causa morte espiritual. O nosso corpo não é para ser usado da
maneira como bem entendemos: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as
Doutrina do Pecado - 27
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coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por
nenhuma" (1 Coríntios 6.12).

Os jovens certamente perguntarão: Como fazer para conter o forte desejo


sexual? Devem primeiramente esvaziar a mente das imagens eróticas captadas via
televisão, revistas, filmes e danças sensuais. Não devemos colocar coisas impuras
diante de nossos olhos. Em segundo lugar, devem encher a mente, coração e alma com
a palavra de Deus. Por último, orar, e orar muito, para não cair em tentação (Lucas
22.40). E poder dizer com Paulo: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu,
mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de
Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2.20).

O QUE SIGNIFICA “COMER E BEBER PARA SUA PRÓPRIA


CONDENAÇÃO”?

A passagem está na primeira carta aos coríntios e inserida nas instruções de


Paulo sobre a celebração da Ceia do Senhor: “PORQUE O QUE COME E BEBE
INDIGNAMENTE COME E BEBE PARA SUA PRÓPRIA CONDENAÇÃO, NÃO
DISCERNINDO O CORPO DO SENHOR” (1 Coríntios 11.29). Referência símile acha-
se no verso 27: “Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor,
indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. “Indignamente” significa
de forma indigna, não respeitosa, não reverente, não adequada. Peca contra o Senhor
quem participa da Ceia de forma indiferente, sem reconhecer que os elementos da
Ceia representam o corpo e o sangue de Cristo; sem a intenção de relembrar o
Calvário. Os que participam da Ceia apenas para cumprir um ritual, uma cerimônia,
sem a intenção de abandonar o pecado, “come e bebe para sua própria condenação”,
pois não fazem distinção entre uma refeição normal e a Ceia. Quem assim procede “é
culpado de crucificar de novo a Cristo e torna-se imediatamente sujeito a juízo e
retribuição específicos”. Quem assim procede coloca-se do lado dos que se rebelam
contra Cristo e Sua Palavra. É bom saber que os coríntios se reuniam periodicamente
numa festa de confraternização, e cada família levava seu próprio alimento.. Por isso,
Paulo recomenda: “Quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros”. Nessas
festas os pobres ficavam com fome e os ricos ficavam “embriagados” de tanto comer
(versos 21-22). Paulo não aprovou essas festas cristãs.

HOMOSSEXUALISMO É PECADO?

Deus criou HOMEM e MULHER e lhes dotou de órgãos específicos e


especialmente destinados à reprodução da espécie, chamados órgãos sexuais ou
genitais. “Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou.
MACHO e FÊMEA os criou” (Gênesis 1.27). Homem e mulher possuem genitália
apropriada à reprodução. Notem que Deus não criou meio termo, não criou um ser
humano que em determinado momento pudesse assumir funções híbridas. Deus não
Doutrina do Pecado - 28
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criou um homem com possibilidades sexuais de desempenhar o papel da mulher no ato
sexual, e vice-versa. Ocorre que a natureza pecaminosa em função da queda no Éden
coloca o homem em rebeldia contra Deus. Pela influência do diabo, o homem continua
se rebelando contra o Criador e Sua palavra. A homossexualidade surgiu em
decorrência dessa rebeldia. Se o homem assume postura própria de mulher; se a
mulher assume funções próprias do homem no ato sexual, caracteriza-se um
comportamento contrário à vontade do Criador. Deus nos criou para uma relação
heterossexual. Dizer que quem nasce gay morre gay; quem nasce lésbica morre
lésbica; que se trata de uma opção sexual válida; que o homossexualismo é uma opção
dentre outras; que tudo é permitido desde que satisfaça as partes envolvidas; que não
existe pecado; que tudo é válido quando existe amor; que o homossexualismo é
genético e por isso irreversível; que a única saída para os pais é aceitar a opção sexual
de seus filhos, e tantos outros argumentos semelhantes, são vozes de pessoas que
desconhecem o poder e a palavra de Deus. Convém dizer que o diabo deseja destruir o
homem, física e espiritualmente, porque o homem é a obra-prima de Deus. Os que
estão no homossexualismo têm chance de reverterem o quadro: devem se arrepender e
aceitar o senhorio de Jesus, que veio para destruir as obras do diabo, libertar os
cativos, aliviar os oprimidos. “SE O FILHO VOS LIBERTAR VERDADEIRAMENTE
SEREIS LIVRES” (Lucas 4.18; João 8.36), livres da prostituição, das impurezas, do
pecado. O homossexualismo é reversível e quem reverte essa situação é o Senhor
Jesus. Ouçamos a voz de Deus:

“Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação” (Levítico


18.22; 20.13).

“Sabendo que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos... para os
fornicadores, para os SODOMITAS... (o realce é meu). (1 Timóteo 1.10)”.

"Pelo que Deus os entregou aos desejos de seus corações, à imundícia, para
desonrarem seus corpos entre si...pelo que Deus os abandonou às paixões infames.
Até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
Semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, inflamaram-
se em sua sensualidade uns para com os outros, HOMEM COM HOMEM, cometendo
torpeza, e recebendo em si mesmos a penalidade devida ao seu erro... estão cheios de
toda iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade, inveja, homicídio, contenda,
engano e malignidade. Embora tenham conhecimento da justiça de Deus (que SÃO
DIGNOS DE MORTE OS QUE TAIS COISAS PRATICAM), não somente as fazem, mas
também aprovam os que as praticam" (Romanos 1.24-32).

"Não erreis: nem impuros... nem adúlteros, nem EFEMINADOS, nem


SODOMITAS herdarão o reino de Deus" (1 Coríntios 6.9-10). Nota: Sodomita, o que
pratica a sodomia: cópula anal, entre homem e mulher ou entre homossexuais
masculinos.
Doutrina do Pecado - 29
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“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém; todas as
coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Coríntios 6.12).

“O corpo não é para prostituição, senão para o Senhor, e o Senhor para o corpo”
(1 Coríntios 6.13b)

Capítulo 6
Doutrina do Pecado - 30
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OS FILHOS PAGAM PELA MALDADE DOS PAIS?
Os filhos devem pagar pelos pecados dos pais? (Isaias 14:21) "Preparai a
matança para os filhos por causa da maldade de seus pais, para que não se levantem
e possuam a terra... (Êxodo 20:5) Pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que
visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração. (Êxodo 34:7) Ao
culpado não tem por inocente; castiga a iniqüidade dos pais sobre os filhos dos filhos
até a terceira e quarta geração. (1Crônicas 15:22) Pois assim como todos morreram
em Adão... (Deuteronômio 5:9) Pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito
a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração".

Os filhos não pagam pelos pecados dos pais? (Ezequiel 18:20) "O filho não
levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho. (Deuteronômio 24:16) Os
pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem os filhos pela culpa dos pais; cada
qual morrerá pelo seu pecado".

RESPOSTA:

A resposta está na própria Bíblia, como acima: CADA UM PAGARÁ PELO QUE
DEVE. Um não paga pelo outro. O único que pagou por nós foi Jesus. Não existe
contradição. A Bíblia complementa e explica o enunciado de Êxodo 20.5, em Ezequiel
18.20 e Deuteronômio 24.16. Moisés fala da CONSEQÜÊNCIA dos pecados dos pais
nos filhos (Êxodo 20.5). Dada a possibilidade real de os filhos seguirem os passos dos
pais, serão eles também punidos. Deus não castiga o inocente. Os filhos serão
castigados se de alguma forma, induzidos ou não, pecarem junto com seus pais.
Todavia, a culpa destes não é transferida àqueles. Quanto ao julgamento de Deus,
devemos ficar tranqüilos porque o Justo Juiz julgará com justiça. Com relação a 1
Coríntios 15.22 e Romanos 5.12 todos os homens pecaram em Adão devemos
entender que semente gera semente da mesma espécie . Somos da espécie de Adão,
da semente de Adão, originários do primeiro ato sexual do primeiro casal. Adão é o
cabeça da raça humana. Logo, herdamos a sua natureza pecaminosa, assim como um
filho herda traços físicos e até morais de seus pais. Não somos, portanto,
completamente distintos de Adão e Eva. E quem é mais sábio do que Deus? Se Ele diz
que pecamos em Adão é porque pecamos. Mas Deus oferece a condição de sairmos
desse laço: ao aceitarmos a Jesus como nosso Senhor e Salvador, somos capacitados
a vencermos a inclinação para o mal. O livre-arbítrio do homem dá-lhe condições de
optar por continuar com sua moral abalada, ligada umbilicalmente a Adão, ou por cortar
os laços do velho homem e receber Novo Nascimento em Cristo Jesus.

Questões sobre o pecado

Com base nas perguntas freqüentes feitas pelos leitores, parece que a doutrina
bíblica do pecado não é bem compreendida por muitas pessoas atualmente. Alguns
cristãos vivem aterrorizados com a possibilidade de perderem a salvação se caírem no
Doutrina do Pecado - 31
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pecado. Ao mesmo tempo, no outro extremo, alguns pensam que têm uma boa
compreensão do assunto, mas mostram sua ignorância ao insistirem que é possível
chegar ao ponto da "perfeição sem pecar" nesta vida. Ambos os extremos estão
totalmente errados, conforme esperamos demonstrar com base na Palavra de Deus.

A definição do Novo Testamento do pecado deriva da palavra grega hamartia,


que literalmente significa "errar o alvo". Podemos pensar nisso como qualquer falha em
atingir o alvo estabelecido por Deus - a 'mosca'. - a perfeição absoluta em
pensamentos, palavras e ações! Ele é perfeição personificada e sua santidade exige
isso de qualquer um que queira comparecer à sua presença. Portanto, onde isso nos
deixa? Alguém seria tão descarado a ponto de afirmar que é perfeito e não peca?
Amados, confio que todos os que estão lendo isto tenham um pouco mais de bom
senso.

"Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há
verdade em nós." [1 João 1:8]

Adão e Eva foram criados perfeitos em todos os aspectos e, aparentemente,


receberam corpos glorificados exatamente como o que Jesus Cristo possui hoje.
Vestidos de luz, eles foram colocados em um paraíso na Terra, chamado Éden e uma
única proibição foi dada a eles - estavam proibidos de comer da "árvore do
conhecimento do bem e do mal". Logicamente, Deus sabia que eles iriam desobedecer
e é por isto que acrescentou a penalidade:

"Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no


dia em que dela comeres, certamente morrerás." [Gênesis 2:17; ênfase adicionada]

O resto, como se diz, é história. Eva foi enganada por Satanás e comeu do "fruto
proibido", destarte colocando-se imediatamente em morte espiritual e iniciando o
processo de morrer fisicamente. Ela cometeu o primeiro pecado praticado por um ser
humano, e Adão logo seguiu o mesmo caminho (Satanás, não o homem, foi o
originador do pecado por causa de sua rebelião contra Deus - veja Ezequiel 28:15). É
interessante que a Bíblia nos diz que Adão não foi enganado e pecou de forma
deliberada, por que quis [1 Timóteo 2:14]. Acredito que ele amava Eva e a seguiu na
desobediência para evitar a separação. No entanto, independente das razões
específicas para o pecado deles, imediatamente descobriram que eram criaturas caídas
- mortais e nus com uma perpectiva de vida totalmente diferente dali para frente. Da
perfeição, desceram à total depravação em que todos os aspectos de seu ser foram
manchados pelo pecado. Essa mudança monumental é evidenciada pela tentativa deles
de cobrirem sua nudez com folhas de figueira e se esconderem de Deus [Gênesis 3:7-
8]. Desde então, o homem pecador tenta se esconder de Deus!
Doutrina do Pecado - 32
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O fato da depravação humana é resumido pelo apóstolo Paulo nos seguintes
versos:

"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que
entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se
fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." [Romanos 3:10-12]

Para aqueles que desejam saber o que a Palavra de Deus diz sobre o assunto
da depravação humana, eis uma relação de versos:

Gênesis 6:5-7,11-13; Gênesis 8:21; 2 Crônicas 6:36; Jó 4:17-19; Jó 9:2-3,20,29-


31; Jó 11:12; Jó 14:4; Jó 15:14-16; Jó 25:4-6; Salmos 5:9; Salmos 14:1-3; Salmos 51:5;
Salmos 53:1-3; Salmos 58:1-5; Salmos 94:11; Salmos 130:3; Salmos 143:2; Provérbios
10:20; Provérbios 20:6,9; Provérbios 21:8; Eclesiastes 7:20,29; Eclesiastes 8:11;
Eclesiastes 9:3; Isaías 1:5-6; Isaías 48:8; Isaías 53:6; Isaías 55:6-7; Isaías 64:6;
Jeremias 2:22,29; Jeremias 6:7; Jeremias 13:23; Jeremias 16:12; Jeremias 17:9-10;
Ezequiel 36:25-26; Oséias 6:7; Oséias 14:9; Miquéias 7:2-4; Mateus 7:17; Mateus
12:34-35; Mateus 15:19; Marcos 7:21-23; Lucas 1:79; João 1:10-11; João 3:19; João
8:23; João 14:17; Atos 8:23; Romanos 2:1; Romanos 3:9-19; Romanos 3:23; Romanos
5:6; Romanos 5:12-14; Romanos 6:6,17,19-20; Romanos 7:5,11-25; Romanos 8:5-8,13;
Romanos 11:32; 1 Coríntios 2:14; 1 Coríntios 3:3; 1 Coríntios 5:9-10; 2 Coríntios 3:4-5;
2 Coríntios 5:14; Gálatas 3:10-11,22; Gálatas 5:17-21; Efésios. 2:1-3,11-12; Efésios.
4:17-19,22; Efésios. 5:8; Colossenses 1:13,21; Colossenses 2:13; Colossenses 3:5,7; 2
Timóteo 2:26; Tito 3:3; Tiago 3:2; 1 Pedro 1:18; 1 Pedro 2:9,25; 1 João 1:8-10; 1 João
2:16; 1 João 3:10; 1 João 5:19; Apocalipse 3:17.

Assim, descobrimos que o homem, no estado não-regenerado, está na pior


situação espiritual possível. Ele está morto em ofensas e pecados [Efésios 2:1], é um
escravo de Satanás [Efésios 2:2], não pode compreender aquilo que se discerne
espiritualmente - a Bíblia [1 Coríntios 2:14], e não busca a Deus [Romanos 3:11]. Para
que o homem seja salvo dessa situação, o próprio Deus precisa tomar a iniciativa -
exatamente como fez no jardim do Éden, quando foi atrás de Adão e Eva.

No entanto, vamos avançar e discutir o pecado com relação à vida cristã. A


regeneração remove a pecaminosidade do coração humano? O quanto eu gostaria que
isso fosse verdade, mas não é! Nossa posição de estar "em Cristo" e justificados diante
de Deus significa que nossa dívida total pelo pecado (passado, presente e futuro) está
cancelada e estamos declarados como totais inocentes à vista de Deus. Mas isso está
falando da nossa posição em Cristo, não na nossa condição prática - não da dura
realidade da vida diária. Nossa posição como filhos de Deus está definida para sempre
nos céus, mas nosso estado diário varia em proporção direta com o nível de
cooperação que demonstramos à liderança do Espírito Santo. Uma vez que somos
regenerados espiritualmente, o processo vitalício de santificação tem início. Ser
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santificado, ou santo, significa estar separado para o serviço de Deus e isso não ocorre
da noite para o dia. Na verdade, haverá uma grande mudança na vida de uma pessoa
após ela se converter e receber o Espírito Santo - mas a verdadeira santidade e
perfeição nesta vida é o objetivo inatingível para o qual precisamos nos esforçar. Cristo
é nosso padrão e somos exortados a imitá-lo, mas é claro que compreendemos que
alcançar sua divina perfeição é impossível aqui na Terra. Não somos e nem podemos
estar sem pecado (embora Deus nos veja assim, posicionalmente), de modo que
precisamos nos esforçar com todas as fibras do nosso ser para procurar acertar o alvo
e cruzar a linha de chegada) para obter o prêmio da soberana vocação de Deus em
Cristo Jesus [Filipenses 3:14], como fez o apóstolo Paulo. O galardão celestial, e não a
salvação, é o "prêmio" que precisamos nos esforçar para conquistar em nossa
caminhada diária com o Senhor neste mundo.

Entretanto, algumas almas sinceras insistem que a Bíblia ensina a possibilidade


de atingir um estágio de perfeição sem pecado, com base em grande parte nas
seguintes palavras do apóstolo em 1 João 3:9:

"Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente
permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus." [1 João 3:9]

Entretanto, isso não significa que um cristão nunca peca! Para reforçar isso,
chamo sua atenção para o que João diz no verso 8 do capítulo 1 (referido
anteriormente) - "Se dissermos que não temos pecado, enganamos-nos a nós
mesmos." Alguns podem tentar argumentar que João estava escrevendo para
incrédulos, mas isso não cola pois toda a epístola de 1 João foi escrita para os crentes,
"os filhinhos". - como vemos no verso 1 do capítulo 2. O verso 4 do capítulo 1 diz "estas
coisas vos escrevo para que não pequeis..." - referindo-se aos crentes, ou "filhinhos",
como João afeiçoadamente refere-se a eles depois. Essa posição é explicada por W. E.
Wine em seu Expository Dictionary of New Testament Words, pg 211, sob o título de
"Commit, Commission", #2 Poieo, "Nota: Em 1 João 3:4,8,9, a Versão Autorizada
errôneamente traz "comete" (um significado impossível no verso 8); a Versão Revisada
corretamente tem "pratica", isto é, um hábito contínuo, equivalente a prasso. O que está
em vista aqui é uma ação contínua, não uma ação eventual."

Este princípio é validado pela própria experiência de Paulo, que encontramos em


Romanos 7:14-25:

"Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o
pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que
aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De
maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito
o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que
Doutrina do Pecado - 34
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quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não
faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando
quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer
na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu
entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a
Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à
lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado." [Romanos 7:14-25; ênfase adicionada]

Esse lamento do apóstolo Paulo não é verdadeiro na sua própria vida, leitor?
Certamente é na minha! Sou um cristão nascido de novo, lavado no sangue do Cordeiro
de Deus e o Espírito Santo me assegura que sou um filho de Deus - mas ainda
experimento a realidade do pecado diariamente! Quando nasci de novo, recebi uma
nova natureza, uma natureza espiritual, mas minha carne, a natureza pecaminosa
depravada que herdei de Adão, não foi destruída. Muito pelo contrário, ela está bem
viva e levanta sua horrenda cabeça continuamente! Por meio da oração e com a ajuda
do Espírito Santo, posso agora (e espero continuar a) pecar muito menos do que
pecava antes de receber a Cristo. No entanto, isso ainda está longe da perfeição. Para
aqueles que ainda insistem que a perfeição seja possível, quero lembrar que não
existem apenas os pecados que cometemos, mas pecados de omissão - coisas que
deveríamos fazer, mas não fazemos. O padrão de Deus de perfeição e sua vontade
para nossas vidas inclui muitos aspectos sobre os quais precisamos orar e pedir
orientação. É somente remotamente concebível para você que devemos discernir todos
e executá-los ao pé da letra? Deixar de perceber e cumprir com as obrigações é pecado
- o pecado da omissão. Ó, meus amigos, não podem ver que somos pecadores, tanto
por natureza quanto por prática? O Espírito Santo, falando por meio de profeta Isaías
deixa isso bem claro com a seguinte declaração:

"Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da
imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um
vento nos arrebatam." [Isaías 64:6]

Deus deseja que reconheçamos nossa excessiva pecaminosidade e, ao


fazermos isso, também reconheçamos a extraordinária grandeza da sua graça, que
perdoa o pecado. Posicionalmente, estamos justificados à sua vista e nossa situação é
absolutamente perfeita em todos os sentidos - um lar eterno nos céus está garantido
para nós. No entanto, o nível de recompensa recebido uma vez que chegarmos lá será
determinado pela forma como batalhamos contra o mundo, a carne e o maligno. [1
Coríntios 3:8-15]

Devemos encarar o pecado com leviandade já que está perdoado? Não, nunca!
Tenha em mente que o pecado somente está perdoado com relação ao nosso destino
eterno. Cada pecado que cometemos como filhos de Deus é inescapável pois ele
Doutrina do Pecado - 35
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conhece cada detalhe de nossas vidas e, sem falha alguma, nos punirá da forma
apropriada. Quando éramos crianças, conseguíamos evitar a punição dos nossos pais
por que eles não tomavam conhecimento de todas as nossas infrações, mas tal nunca é
o caso com Deus! Pode ter certeza que ele vai disciplinar apropriadamente aqueles a
quem ama [Números 32:23 e Hebreus 12:6]. Portanto, se você é um autêntico filho de
Deus, não precisa mais ficar aterrorizado com a possibilidade de perder a salvação.
Transfira esse pavor à possibilidade de ser corrigido pelo seu amoroso Pai Celestial! Os
esforços para ser bom não comprarão para você absolutamente nada com relação à
salvação, mas ajudarão a evitar a mão corretiva de Deus. Anos atrás, as pessoas
referiam-se aos cristãos como "homens e mulheres que temem a Deus" e todos nós
compreendíamos a base para essa expressão. Eu temia meu pai, porque se minha mãe
contasse para ele minhas travessuras, meu traseiro ficava definitivamente em risco!
Esse tipo de temor é necessário e benéfico, pois tende a nos manter no "caminho
estreito e apertado". [Mateus 7:14]

A doença da alma
O pecado é o motivo da tua tristeza. Deixa a santidade ser o motivo da tua
alegria. São Tomás de Aquino, na Exposição do Credo, diz que há duas mortes: a
primeira é a do corpo, física, quando a alma se separa dele; a segunda, é a da alma,
espiritual, quando esta se separa de Deus. A pior é a segunda, e tem como causa o
pecado.

O QUE É PECADO?

Antes de nos determos na análise dos pecados capitais, conheçamos um pouco


daquilo que a Igreja nos ensina sobre a natureza do pecado.

O grande Agostinho de Hipona dizia que "o mal consiste em abusar do bem", e
ainda: "O pecado é o motivo da tua tristeza. Deixa a santidade ser o motivo da tua
alegria." O Catecismo começa dizendo que: "O pecado é uma falta contra a razão, a
consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro, para com Deus e para com o
próximo, por causa de um apego perverso a certos bens".

Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, viam-no como uma "desordem", e


diziam que é "uma palavra, um ato ou um desejo contra a lei eterna".

(Ainda para Santo Agostinho ele é fruto do "amor de si mesmo até o desprezo de
Deus". (Civita Dei 14,21) Jesus ensina que a raiz do pecado está no coração do
homem:

"Com efeito, é do coração que procedem más inclinações, assassínios, adultérios,


prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São estas coisas que tornam o
homem impuro". (Mt 15, 19-20)
Doutrina do Pecado - 36
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Segundo a sua gravidade, a Igreja classifica os pecados em veniais e mortais,
seguindo a sua própria Tradição.

O pecado mortal leva o pecador a perder o "estado de graça", isto é, a "graça


santificante". O Catecismo afirma que:

"Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de


Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa
liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso."

O Catecismo ainda ensina que "o pecado mortal destrói a caridade no coração
do homem por uma infração grave da lei de Deus, desvia o homem de Deus, que é seu
fim último e bem aventurança, preferindo um bem inferior."

São Tomás de Aquino assim explica

Quando a vontade se volta para uma coisa de persi contrária à caridade pela
qual estamos ordenados ao fim último, há no pecado, pelo seu próprio objeto, matéria
para ser mortal... quer seja contra o amor a Deus, como a blasfêmia, o perjúrio, etc., ou
contra o amor ao próximo, como o homicídio, o adultério, etc. Por outro lado, quando a
vontade do pecador se dirige às vezes a um objeto que contém em si uma desordem,
mas não é contrário ao amor a Deus, e ao próximo, como por exemplo palavra ociosa...
tais pecados são veniais".

É bom notar que para haver o pecado mortal é preciso que a pessoa queira
deliberadamente, isto é, sabendo e querendo, uma coisa gravemente contrária à lei de
Deus e ao fim último do homem.

Portanto, para que haja pecado mortal deve haver pleno conhecimento e
consentimento; e quem peca deve saber e deve ter consciência do caráter pecaminoso
do ato a praticar, e de sua ofensa à Lei de Deus.

A ignorância involuntária, isto é, aquela que a pessoa não tem culpa, pode
diminuir ou até eliminar a culpa diante de uma falta mesmo grave, mas é bom lembrar
que Deus imprimiu nas consciências dos homens, a Lei natural, isto é, os princípios da
moral.

A Igreja reconhece que os movimentos da sensibilidade da pessoa, bem como o


mecanismo das paixões, as pressões exteriores, as perturbações patológicas, etc., em
certos casos, podem , diminuir o caráter voluntário e livre do pecado cometido, e
conseqüentemente a sua culpa.

Conceito de Sto. Agostinho para o pecado

"O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave".
Acontece a malícia quando há uma intenção maldosa, uma "exploração do mal", por
Doutrina do Pecado - 37
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sagacidade, sátira, comércio, etc. É diferente o pecado daquele que sucumbiu por
fraqueza, daquele que explorou o pecado. Por exemplo, é muito mais grave explorar a
prostituição do que cair nela, eventualmente, por fraqueza, embora ambas as quedas
sejam graves.

"É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é
cometido com plena consciência e deliberadamente".

"A matéria grave é precisada pelos dez mandamentos segundo a resposta de


Jesus ao jovem rico: 'Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes
falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe'.

Portanto, a gravidade dos pecados pode ser maior ou menor conforme o dano
provocado pelo mesmo. Também a qualidade da pessoa ofendida entra em
consideração. Ofender ao pai é mais grave que ofender um estranho. Santo Afonso de
Ligório, doutor da Moral, diz que o "pecado mortal é um monstro tão horrível, que não
pode entrar numa alma que por longo tempo o destestou, sem se fazer claramente
conhecido."

Dizia ainda o santo doutor que o pecado mortal é aquele que se comete de
"olhos abertos"; isto é, sem dúvidas do mal que se está praticando.

O pecado venial acontece quando não se observa a lei moral em matéria leve,
ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, sem perfeito
conhecimento ou consentimento.

Não nos torna contrários à vontade de Deus e à sua amizade; não quebra a
comunhão com Ele, e portanto, não priva da graça de Deus e do céu.

Contudo, não se deve descuidar dos pecados veniais, pois, eles enfraquecem a
caridade, impede a alma de crescer na virtude, e, quando é aceito deliberadamente e
fica sem arrependimento, leva a pessoa, pouco a pouco, ao pecado mortal.

Santo Agostinho lembra que "o acúmulo dos pequenos vícios traz consigo a
desesperança da conversão".

"O homem não pode enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo
menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideres
insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um
grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas
enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então a nossa
esperança? Antes de tudo a confissão..."

Muitos perguntam o que é o pecado contra o Espírito Santo. A Igreja ensina que
é o daquele que rejeita livremente acolher, pelo arrependimento, a misericórdia de
Deus, "rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo". É
Doutrina do Pecado - 38
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o endurecimento do coração, a tal ponto, que leva a pessoa a rejeitar até a penitência
final. Se morrer neste triste estado, experimentará a perdição eterna.

O pecado gera na pessoa uma tendência ao próprio pecado. Podemos dizer que
quanto mais se peca, mais se está predisposto ao pecado. A repetição torna-se vício. E
assim, nasce na pessoa a inclinação à perversão, obscurece-se a consciência, e vai se
perdendo o discernimento entre o bem e o mal. Não foi sem razão que o Papa Paulo VI
disse certa vez que, o pior pecado deste mundo é achar que o pecado não existe. A
prática do pecado, continuamente, faz com que a pessoa perca a noção da sua
gravidade. No entanto, por pior que seja, o pecado não consegue, de todo, "destruir o
senso moral até a raiz".

Diante de nossos pecados, não adianta se desesperar ou desanimar; a única


atitude correta é enfrentá-los com boa disposição interior e com a graça de Deus. São
Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja, dizia que não adianta ficar "pisando a
própria alma", depois de ter caído no pecado.

Até mesmo os nossos pecados, aceitos com humildade, podem nos ajudar a
crescer espiritualmente. Santo Afonso de Ligório dizia:

"Mesmo os pecados cometidos podem concorrer para a nossa santificação na


medida que a sua lembrança nos faz mais humildes, mais agradecidos às graças que
Deus nos deu, depois de tantas ofensas".

REFLEXÃO

O Senhor nos pede : "Sede Santos como Eu Sou Santo." Portanto procuremos a
Santidade e sempre o perdão para a Reconciliação.
Doutrina do Pecado - 39
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Atividade
1- Elabore um comentário com detalhes sobre o fato do pecado. P3

2- Explique citando textos bíblicos a origem do pecado. P6

3- Como podemos definir a culpa: p7

4- Exemplifique a redenção. P9

5- Qual é a natureza do pecado? P10

6- Como o pecado é descrito? P12

7- Quais são as conseqüências do pecado? P13

8- Explique como ocorre a fraqueza espiritual? P13

9- Analise e determine como a Bíblia vê o pecado? P15

10- O que é o pecado imperdoável? P18

11- Forneça uma descrição de como o judaísmo vê o pecado. P18

12- Cite os tipos de pecados e suas gravidades. P19

13- Analise e comente os sete pecados capitais da igreja católica. P20

14- O movimento tem uma forma de ver o pecado, descreva-a. P24

15- Explique o pecado original. P24

16- Sobre a criação do pecado. Comente dando sua opinião. P25

17- Qual é a implicação bíblica e teológica sobre a masturbação? P26

18- Comente as questões sobre o pecado. P30


Doutrina do Pecado - 40
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19- Porque o pecado é uma doença da alma?

20- Qual é o conceito de Sto. Agostinho em relação ao pecado? P20

Bibliografia

1. Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas: LPC, 1995) –


2. Confissão de Fé de Westminster (São Paulo: Cultura Cristã, 1996).
3. Juan Calvino, Institutas (Rijswijk : FELIRE, 1981).
4. Charles Hodge, Teologia Sistemática (São Paulo: Candeia, 2001)