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Obras Públicas de Edificação

e de Saneamento

Módulo 1
Planejamento

Aula 3
Orçamentação
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RESPONSABILIDADE PELO CONTEÚDO


Tribunal de Contas da União
Secretaria Geral da Presidência
Instituto Serzedello Corrêa
Diretoria de Educação Corporativa de Controle
Serviço de Educação Corporativa de Controle - Seducont

CONTEUDISTA
Bruno Martinello Lima
Gustavo Ferreira Olkowski
Marcelo Almeida de Carvalho
Rafael Carneiro Di Bello
Victor Hugo Moreira Ribeiro
Rommel Dias Marques Ribas Brandao

REVISORES TÉCNICOS
Jose Ulisses Rodrigues Vasconcelos
Eduardo Nery Machado Filho

TRATAMENTO PEDAGÓGICO
Flávio Sposto Pompêo

PROJETO GRÁFICO e DIAGRAMAÇÃO


Vanessa Vieira

Este material tem função didática. A última atualização ocorreu em agosto de 2017.

As afirmações e opiniões são de responsabilidade exclusiva do autor e podem não

expressar a posição oficial do Tribunal de Contas da União.


Módulo 1 - Planejamento 3

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Aula 3 - Orçamentação

Quando Como elaborar o orçamento de uma obra pública ?


Quais os referenciais de preços devemos adotar?

Continuamos com o curso de Planejamento, Contratação e Fiscalização de Obras Públicas


de Edificações e de Saneamento, e hoje estudaremos a aula 3.

Na aula anterior, estudamos a diferença entre anteprojeto, projeto básico e projeto exe-
cutivo, quais elementos mínimos devem conter cada um deles, as formas de elaboração (pelo
próprio órgão ou por contratação de empresa privada) e a importância destes para a licitação e
execução de uma obra pública. Vimos também alguns dos principais aspectos a serem levados
em conta na elaboração dos projetos, tais como: licenciamento ambiental, norma de desempe-
nho e norma de acessibilidade.

Trataremos nesta aula do tema orçamento de obras públicas, focando especificamente as


obras de edificações e saneamento.

Os conceitos fundamentais apresentados nesta aula foram obtidos, em sua maioria, do


relatório e voto que fundamentaram o Acórdão nº 2622/2013-TCU-Plenário, o qual incluiu im-
portantes diretrizes conceituais para as análises dos Custos Diretos (CD) e Indiretos (CI) de obras.

Para facilitar o estudo, esta aula está organizada da seguinte forma:

Obras Públicas de Edificação e de Saneamento...................................................................... 1

Módulo 1 - Planejamento..................................................................................................................... 3

Aula 3 - Orçamentação ......................................................................................................................... 3

1.Estimativa de Custos versus Orçamento ............................................................................... 6

1.1 Custo Unitário Básico (CUB)................................................................................................. 6

1.2 Parâmetros para obras de saneamento......................................................................... 8

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1.3 Orçamento...................................................................................................................................... 9

2. Diferença entre o preço e o custo de uma obra............................................................. 11

3. Classificação dos custos da obra: diretos e indiretos............................................... 11

4. Elaboração do orçamento – 1º passo: discriminação do serviços........................ 13

5. Elaboração do orçamento – 2º passo: levantamento de quantidades............... 14

6. Elaboração do orçamento – 3º passo: composições de custo ................................. 25

6.1 Sinapi............................................................................................................................................... 26

6.2 Salários e encargos sobre a mão de obra.................................................................. 28

6.3 Equipamentos............................................................................................................................. 31

6.4 Materiais de Construção ................................................................................................... 32

6.5 Obrigatoriedade de cotações dos materiais mais importantes da obra.. 34

7. Elaboração do orçamento – 4º passo: cálculo do BDI................................................. 35

7.1 Taxa de Administração Central...................................................................................... 37

7.2 Riscos.............................................................................................................................................. 37

7.3 Seguros.......................................................................................................................................... 37

7.4 Garantias..................................................................................................................................... 38

7.5 Despesas Financeiras............................................................................................................. 38

7.6 Remuneração do Construtor............................................................................................ 39

7.7 Tributos........................................................................................................................................ 39

8. Orçamento Sintético e Analítico............................................................................................ 40

9. Como orçar itens de serviço não abrangidos pelo Sinapi......................................... 42

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9.1 Adaptações de composições do Sinapi.......................................................................... 43

9.2 Outros sistemas referenciais de custos . ................................................................. 43

Síntese......................................................................................................................................................... 46

Bibliografia.............................................................................................................................................. 47

Glossário.................................................................................................................................................... 48

Ao final da aula, espera-se que o participante seja capaz de, no exercício de suas respon-
sabilidades como gestor de obras públicas municipais de edificações e saneamento:

1. elaborar estimativas de custos de obras de edificações e saneamento;

2. quantificar serviços usuais;

3. avaliar os impactos dos prazos e dos critérios de medição e pagamento dos serviços nas
quantidades e custos unitários;

4. analisar expeditamente composições de custo unitário, diferenciando os custos diretos


dos indiretos;

5. conceituar o BDI e os encargos sociais, descrever as rubricas que os compõem, a fim de


escolher referenciais adequados para refletir os preços de mercado; e

6. diferenciar orçamento sintético e analítico.

Pronto para começar? Então, vamos!

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1.Estimativa de Custos versus Orçamento


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Antes de iniciarmos o estudo dos orçamentos, passamos a demonstrar a diferenciação en-


tre os termos (i) estimativa de custos, também denominado orçamento expedito ou paramétrico,
e (ii) orçamento propriamente dito, conforme legislação e literatura técnica pertinente.

Enquanto em uma estimativa se utilizam analogias (comparações) entre informações ve-


rificadas em projetos anteriores, um orçamento tende a demonstrar cada passo do raciocínio
para se chegar ao preço final de uma obra, calculando-se as quantidades de cada serviço e seus
respectivos preços.

Elaborar uma estimativa não requer informações muito detalhadas, por isso o tempo des-
pendido na sua elaboração, e por consequência seu custo de elaboração, é menor do que para
elaborar um orçamento completo. Aí reside uma vantagem de sua aplicação, especialmente
quando ainda se está numa etapa de estudos de viabilidade, analisando várias alternativas técni-
cas/construtivas para uma mesma obra.

Conforme vimos em aula anterior, é com base na estimativa de custos que se determina
a viabilidade econômica dos empreendimentos. Escolhida a alternativa mais vantajosa, entre
aquelas consideradas viáveis do ponto de vista econômico, esta deve ser melhor desenvolvida na
etapa de detalhamento dos projetos, os quais subsidiarão a elaboração do orçamento.

Em contrapartida, as estimativas exigem (i) muita experiência do estimador naquele objeto


sob investigação, além de (ii) sensibilidade para as devidas analogias (comparações), e (iii) infor-
mações atualizadas, de modo a avaliar os custos o mais próximo da realidade. Afinal de contas,
ainda que realizada de forma expedita, tal estimativa subsidiará importantes decisões, vinculadas
a elevados investimentos públicos.

1.1 Custo Unitário Básico (CUB)

Para estimativas de custos envolvendo edificações, o método mais usual é o Custo Unitário
Básico (CUB), que nada mais é do que um valor por unidade de área construída (R$/m²), o qual
deve ser multiplicado pela área total a ser edificada, a fim de se obter a estimativa de custos de
uma obra.

O CUB foi criado pela Lei nº 4.591/1964 para servir como parâmetro na determinação
dos custos dos imóveis, obrigando os Sindicatos Estaduais da Indústria da Construção Civil
(Sinduscon) a divulgarem mensalmente os custos unitários da construção do respectivo Estado.

Atualmente a Norma Brasileira que estabelece a metodologia de cálculo do CUB é a ABNT


NBR 12721/2006.

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Para saber mais...
ÂÂ Para aprofundamento do assunto, recomendamos a leitura da Cartilha do Sinduscon/MG “Custo
Unitário Básico (CUB/ m2): Principais Aspectos”, disponível em www.sinduscon-mg.org.br/site/arquivos/
cub/cartilha_cub.pdf

Há que se ressaltar que o CUB/m² representa o custo parcial da obra e não o global (total),
isto é, não leva em conta os custos relacionados com a execução de várias etapas importantes de
uma obra, dentre as quais se destacam:

• aquisição de terrenos;

• projetos;

• impostos, taxas e emolumentos cartoriais;

• remuneração/lucro do construtor.

• fundações especiais, paredes-diafragma e/ou muros enterrados;

• rebaixamento de lençol freático;

• elevadores;

• equipamentos e instalações (bombas de recalque, ar-condicionado e outros);

• obras e serviços complementares (urbanização, recreação, ajardinamento, etc.);

Conforme a NBR 12721/2006, os projetos-padrão são caracterizados quanto ao acaba-


mento como baixo, normal e alto, correspondentes a diferentes projetos arquitetônicos. Eles
fazem parte dos anexos da norma, que apresenta detalhadamente tais especificações nos orça-
mentos dos projetos-padrão residenciais, comerciais, galpão industrial e residência popular.

Projetos-padrão: Projetos selecionados para representar os diferentes tipos


de edificações, que são usualmente objeto de incorporação para construção
em condomínio e conjunto de edificações, definidos por suas características
principais:
a) número de pavimentos;
b) número de dependências por unidade;
c) áreas equivalentes à área de custo padrão privativas das unidades
autônomas;
d) padrão de acabamento da construção; e
e) número total de unidades
Estas características servem de base aos Sindicatos da Indústria da Construção
Civil para o cálculo dos custos unitários básicos.

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EXEMPLO
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No estado da Bahia, um gestor pretende construir um conjunto habitacional com 20 unidades de 32 m² cada uma.
Calcule o custo médio de cada unidade habitacional (adotar data-base janeiro/2013).
Resposta: No site do Sinduscon da Bahia (http://www.sinduscon-ba.com.br/), podemos encontrar os seguintes custos
unitários básicos para o mês de janeiro/2013:

Adotamos, então, o valor referente à residência popular (RP1Q), qual seja: R$ 997,63/m². Multiplicando esse custo pela
área das unidades habitacionais (32 m²) temos que a construção de cada residência custará, em média, R$ 31.924,16,
devendo-se acrescer, ainda, o valor do terreno, dos projetos, o lucro da contratada, os impostos e outros custos não
contemplados pelo CUB.

1.2 Parâmetros para obras de saneamento

Em 2010, o Ministério das Cidades produziu informações de custos parciais e globais para
implantação de infraestrutura de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Os dados fo-
ram obtidos com base nos contratos de saneamento financiados pelo próprio Ministério e estão
disponíveis para consulta no link:

http://www.cidades.gov.br/index.php/biblioteca-saneamento.html.

São informações referentes ao custo de obras de adução, estação de tratamento de água


e esgoto, reservação, rede de distribuição de água, rede coletora de esgoto, ligações domiciliares
de água, entre outras, todas na data-base dezembro/2010.

Vale registrar que essa estimativa de custos de saneamento não tem atualizações periódi-
cas e, portanto, antes de utilizá-la, deve-se promover o reajuste dos preços a partir da data-base.

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EXEMPLO

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No estado do Pará, um gestor pretende implantar um sistema de abastecimento de água para 1,5 mil domicílios.
Calcule o custo médio para implantar esse sistema.
Resposta: No site do Ministério das Cidades (link anteriormente descrito), podemos encontrar os seguintes custos
médios para sistemas de abastecimento de água (tabela 1.10):

Sabendo que a obra localiza-se na região Norte, teremos, portanto, um custo médio do sistema de R$ 543,00/
habitante. Para se chegar a uma estimativa do valor total, este valor deve ser multiplicado por 3,5 habitantes
(quantidade extraída da tabela acima) e depois por 1.500 (quantidade de domicílios atendidos pelo sistema), ou seja,
todo o sistema custaria em torno de R$ 2.850.750,00.
Se depois disso o gestor quiser saber quanto gastaria, em média, só para fazer a rede de abastecimento de água, ele
pode adotar as seguintes distribuições de custo (mesmo link da tabela anterior):

Vê-se que, na região Norte, o custo da rede de abastecimento é, em média, 23% do custo total do sistema. Logo,
estima-se que o gestor gaste em torno de R$ 655.672,50 na execução da rede de abastecimento de água.
Vale observar que as estimativas acima referem-se à data-base janeiro/2010, devendo o gestor reajustá-la para uma
data mais atual (o assunto reajuste será visto em outro módulo deste curso).

1.3 Orçamento

O orçamento é uma etapa mais avançada de uma mera estimativa de custos. A elaboração
de um orçamento só é possível quando o projeto já se encontra definido, permitindo o levanta-
mento de todos os serviços necessários e suas respectivas quantidades e preços.

Nesse sentido, o orçamento é um documento técnico, no qual se registram as operações


de cálculo de todos os custos da construção. Deve-se obedecer o projeto aprovado e o estabe-
lecido nas especificações técnicas, não omitindo nenhum dos serviços necessários à construção
do empreendimento.

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Os procedimentos adotados na elaboração do orçamento diferem consideravelmente dos


que se adotam na estimativa. Em linhas gerais, em um orçamento, para se chegar ao preço final
da obra, o orçamentista deve discriminar, quantificar e precificar todos os serviços, lançando mão
de consultas a tabelas oficiais de preços (por exemplo, o Sinapi) e a fornecedores, solicitando-lhes
cotação para equipamentos, materiais e serviços já perfeitamente definidos.

O Decreto n. 7.983, de 8/4/2013, estabeleceu regras e critérios para elaboração do orça-


mento de referência de obras e serviços de engenharia. Esse regulamento define “orçamento de
referência” como a peça técnica que traz o detalhamento do preço global a ser adotado pelo
órgão público (preço de referência), e que expressa a descrição, quantidades e custos unitários
de todos os serviços, incluídas as respectivas composições de custos unitários, necessários à exe-
cução da obra e compatíveis com o projeto que integra o edital de licitação1.

A palavra “orçar” tem origem no latim popular do Século XV, ORTiA,


ORZARE (na língua italiana), e significa “aproximar o navio da linha do
vento”. Ou seja, remete à ideia de dar uma direção, um rumo a ser
seguido, de forma a otimizar os esforços empreendidos

O desenho a seguir ilustra as etapas para a elaboração de um orçamento de referência:


>> Cálculo dos custos diretos da obra:
• Discriminação de todos os serviços necessários à execução da obra
• Levantamento das quantidades de cada serviço
• Cálculo do custo unitário de cada serviço


>> Cálculo do BDI da obra, composto pelos custos indiretos e pelo lucro do
construtor


>> Cálculo do preço total da obra

Antes de estudarmos o passo a passo de como é elaborado o orçamento de uma obra, faz-
-se necessário entendermos alguns conceitos importantes, a saber: diferença entre preço e custo
de uma obra e classificação dos custos de uma obra (diretos e indiretos).

1 - art. 2º, inciso VIII

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2. Diferença entre o preço e o custo de uma obra

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O conhecimento dos conceitos de preço e custo é fundamental tanto para quem elabora
um orçamento como para quem, de qualquer modo, vai utilizar suas informações. Confusões so-
bre estes conceitos podem acarretar grandes erros na interpretação de um orçamento de obras.

Custo é tudo aquilo que onera o construtor; representa a soma


dos insumos necessários à realização de um serviço. Preço é o valor
final pago ao contratado pelo contratante; é o custo acrescido da remu-
neração do construtor (também denominado de benefício, bonificação ou
lucro) e das despesas indiretas.

A expressão matemática que ilustra o método adotado para o cálculo do preço de venda
de uma obra pode ser apresentada da seguinte forma:

Em que:

PV = Preço de Venda;

CD = Custos Diretos; e

BDI = Benefício e Despesas Indiretas.

O preço de venda, por força do art. 43, inciso IV, da Lei 8.666/1993, deve ser sempre
compatível com os valores praticados no mercado, o que, por conseguinte, exige também que
os custos estimados e a remuneração desejada estejam, obrigatoriamente, compatíveis com os
valores de mercado.

3. Classificação dos custos da obra: diretos e indiretos


De um modo geral, os custos de uma obra são classificados em diretos ou indiretos. Essa
classificação depende, essencialmente, (i) da viabilidade técnica e conveniência de identificar,
associar e mensurar um custo em relação a cada objeto de custeio, e (ii) da viabilidade de se
proceder à sua mensuração.

Os custos diretos compreendem os componentes de preço que podem ser devidamente


identificados, quantificados e mensurados na planilha orçamentária da obra, de forma objetiva,
por meio de alguma unidade de medida (quilogramas de materiais consumidos, horas de mão
de obra utilizadas etc.).

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É importante registrar que todos os serviços da planilha devem ser embasados em


composições de custo unitário, a qual deve listar cada um dos insumos (mão-de-obra, ma-
terial e equipamentos) necessários à execução do respectivo serviço, seus coeficientes, que re-
presentam o consumo (no caso de materiais) ou a produtividade (no caso de mão de obra e
equipamentos), o preço do insumo e seu preço total por unidade de serviço.

São exemplos de custos diretos, além de todos os serviços necessários à execução da obra
(forma, armação, concreto, alvenaria, pintura, etc.):

• administração local da obra: corresponde aos gastos com a mão de obra para gerenciar
a obra (engenheiros, encarregados, técnicos, estagiários) e para efetuar o controle
tecnológico de qualidade da obra (laboratoristas);

• equipamentos de proteção da integridade física dos trabalhadores, individuais e


coletivos;

• custos de mobilização e desmobilização: correspondem aos gastos com transporte de


equipamentos, ferramentas, utensílios e pessoal para o canteiro de obras. Normalmente
o orçamentista não sabe o local da sede da licitante vencedora e o pessoal que será
deslocado para a obra, impossibilitando a estimativa exata dos custos com mobilização e
desmobilização. Como solução, adota alguma hipótese ou premissa sobre a origem dos
equipamentos e do pessoal a ser mobilizado, devendo sempre justificar suas escolhas
por meio de relatório técnico circunstanciado;

• instalação do canteiro de obras: correspondem aos custos para montagem da


infraestrutura física da obra necessária ao perfeito desenvolvimento da execução
composta de construção provisória, compatível com a utilização, para escritório da
obra, sanitários, oficinas, centrais de fôrma, armação, instalações industriais, cozinha/
refeitório, vestiários, alojamentos, tapumes, bandeja salva-vida, estradas de acesso,
placas da obra e ligações provisórias de água, esgoto, telefone e energia, devendo-se
considerar também os custos para desmanche do canteiro ao término da obra;

• manutenção do canteiro de obras: (i) telefonia e transmissão de dados, (ii) água e


energia elétrica, (iii) materiais de consumo, (iv) aluguéis de contêineres, (v) demais
equipamentos administrativos do canteiro, como o veículo usado para a fiscalização
da obra em suas várias frentes ou o caminhão pipa usado para a umectação das vias.

Os custos indiretos, por sua vez, são custos gerais não atribuíveis a determinado(s) serviço(s)
ou custos comuns a diversos objetos de custeio alocados indiretamente por meio de critérios de
rateios e, por isso, não são medidos individualmente. São calculados por meio de estimativas e
aproximações, cuja precisão da mensuração pode conter algum grau de subjetividade.

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São exemplos de custos indiretos: seguros de obra, alguns impostos, custos de manuten-
ção da sede da construtora, o lucro da contratada, etc.

4. Elaboração do orçamento – 1º passo: discriminação do serviços


O orçamento não deve omitir nenhum dos gastos que, em cada caso concreto, forem
necessários. Para tanto, o orçamento é elaborado em estrita obediência aos demais elementos
técnicos constituintes do projeto aprovado, isto é, de acordo com o estabelecido nos desenhos,
memoriais descritivos, especificações técnicas e demais cláusulas contratuais que regem direitos
e obrigações de ambas as partes.

Súmula TCU nº 177: “a definição precisa e suficiente do objeto licitado constitui


regra indispensável da competição, até mesmo como pressuposto do postulado
de igualdade entre os licitantes, do qual é subsidiário o princípio da publicidade,
que envolve o conhecimento, pelos concorrentes potenciais das condições
básicas da licitação (...)”.

Deve o gestor público ter a exata noção do escopo da contratação, ou seja, quais são os
produtos a serem entreguem pela empresa de projetista/orçamentista.

Os projetos de construção civil possuem, na maior parte dos casos, grau de complexidade
elevado em sua estrutura de produtos. Portanto, para permitir um gerenciamento eficaz, é ne-
cessário fragmentar esse ambiente complexo em estruturas menores.

Dessa forma, relacionam-se, em uma planilha, os grupos de serviços necessários à execu-


ção da obra. Por exemplo: fundações (transmitem a carga de toda a estrutura ao terreno), es-
truturas (recebem a carga de seu peso próprio e dos móveis e pessoas do interior da edificação,
transmitindo às fundações), vedações (paredes, que isolam ambientes externos e interno, ou dois
ambientes internos de funções distintas), cobertura (proteção contra chuva e sol), revestimentos
e acabamentos (protegem as estruturas e vedações contra intempéries, além de exercer função
estética), instalações elétricas, hidráulicas, de esgoto sanitário, de combate à incêndio, de prote-
ção contra descargas atmosféricas, e especiais (ar condicionado, elevadores etc.).

Após isso, relacionam-se todos os serviços a serem realizados em cada grupo de serviços.

Chamamos de Estrutura Analítica de Projetos (EAP; ou Work Breakdown Structure – WBS,


em inglês) essa “decomposição hierárquica” da obra em etapas. Cada nível descendente na
hierarquia da EAP representa uma definição cada vez mais detalhada dos trabalhos, facilitando
sobremaneira o gerenciamento de a cobrança de metas (qualidade, prazos e custos).

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Apesar de cada projeto ser exclusivo, a EAP de um projeto anterior semelhante, com mes-
mos requisitos de desempenho, pode ser utilizada como modelo inicial para a nova EAP. Por
esse motivo, atualmente é muito comum que as empresas projetistas já tenham um banco de
dados informatizado para a EAP, com níveis de detalhamento e responsabilidades bem definidas,
inclusive controle de tempos e recursos, o que promove ganhos de produtividades relevantes,
conforme figura a seguir

Nível 1 Pintar uma sala

Preparação de Preparação da Pintura da Limpeza da


Nível 2
materiais sala sala sala

- Comprar tinta - Remoção do papel de parede - Pintar grandes áreas - Jogar fora, ou guardar
- Comprar escada antigo com rolo a tinta que sobrou
Nível 3 - Comprar rolos - Remoção das decorações - Pintar rodapés com - Limpar pincéis e rolos
- Comprar removedor destacáveis pincel - Jogar fora jornais
de papel de parede - Cobrir chão com jornais - Remover e limpar
- Cobrir tomadas com fita lençóis
- Cobrir móveis com lençóis
velhos

5. Elaboração do orçamento – 2º passo: levantamento de


quantidades
A quantificação dos serviços se dá com base no levantamento das suas quantidades (áre-
as, volumes, perímetros, unidades etc.), obedecendo-se as respectivas especificações técnicas e
critérios de medição e pagamento.

O Sinapi possui documento denominado "Cadernos Técnicos" (www.caixa.gov.br/sinapi),


onde podem ser encontradas especificações técnicas e critérios de medição e pagamento para
os serviços mais usuais encontrados em obras de edificação e saneamento. Outra possível fonte
para tais informações é o Manual de Obras Públicas de Edificações - Prática da Secretaria de
Estado da Administração e do Patrimônio - SEAP (www.comprasnet.gov.br/). Contudo, por for-
ça do Decreto 7.983/2013, é recomendável que se utilize nos orçamentos de obras públicas de
edificação e saneamento a referência do Sinapi, passando para outros sistemas apenas quando
este se mostrar inviável (mais detalhes sobre o Sinapi serão apresentados nos capítulos seguintes
desta aula).

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Importante: o critério de medição deve estar explícito no edital de licitação!

Outro ponto importante a se considerar no levantamento de quantitativos é a escolha da


unidade de medida, que deve ser coerente com as práticas de mercado e devidamente explicita-
da no caderno de encargos ou especificação técnica sobre a forma de medição e pagamento de
cada item da planilha.

Para melhor entendimento do assunto, vamos realizar o levantamento das quantidades


de alguns serviços para o projeto do posto de saúde a seguir apresentado (exemplo extraído
do livro “Orçamento e Controle de Preços de Obras Públicas”, autor André Pacchioni Baeta,
editora Pini, 1ª edição):

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1. Qual a área do piso em cerâmica que deve constar da planilha orçamentária?

Resolução do Problema:

É possível obter a área do piso de cerâmica diretamente da soma das áreas dos diversos
cômodos da edificação:

Cômodo Área (m2)


Recepção 12,39
Sala de Espera 11,76
Sala de Curativos 6,89
Circulação 4,72
WC Masculina 1,62
WC Feminino 1,62
Consultório 1 11,76
Consultório 2 11,76
Total 62,52

Como já informado, a referência oficial para obras de edificação é o Sinapi. Sendo assim,
o critério de medição deveria ser o constante naquele sistema. No entanto, o exemplo proposto
foi extraído do livro anteriormente referenciado, que adota como referência o Manual da SEAP.
Para manter a fidedignidade com a fonte, optou-se aqui pela manutenção do uso do mencio-
nado manual que, para fins didáticos, não altera a compreensão da técnica de levantamento de
quantidades.

O citado Manual de Obras Públicas de Edificações – Prática da Secretaria de Estado da


Administração e do Patrimônio (SEAP) – Caderno de Projeto prevê o seguinte critério de medição
para pisos cerâmicos (item 04.01.512):

“A medição será efetuada pela área de piso, conforme as dimensões indicadas no projeto,
em m², sendo descontadas as áreas de vazios ou interferências que excederem a 0,50m²”

Neste caso, a única superfície com mais de 0,50 m2 que poderia não ser revestida seria a
área sob os bancos de concreto da sala de espera e da recepção. Contudo, o projeto não fornece
indicação se os bancos de concreto são ou não vazados por baixo, prejudicando a área de cálculo
do piso de cerâmica.

Assim, as áreas apresentadas no quadro acima consideram que os bancos de concreto são
vazados e há revestimento de cerâmica sob os referidos bancos.

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2. Qual é a área de alvenaria? (considerar um pé-direito de 2,80 m e que serão
utilizados blocos de concreto em sua execução)

Ao tentarmos calcular a área de alvenaria, percebemos que existe uma indicação apa-
rentemente errada no projeto. Em um dos consultórios, consta a legenda “C1”, indicando que
serão executados cobogós de 1,30 x 1,00. No entanto, o desenho indica que serão executadas
janelas de 1,30 x 1,00 com peitoril a 1,10 m de altura do piso. Para resolver o problema, vamos
considerar como correta a indicação de janelas no segundo consultório.

No entanto, o desenho indica que serão executadas janelas de 1,30 x 1,00 com peitoril a
1,10 m de altura do piso. Para resolver o problema, vamos considerar como correta a indicação
de janelas no segundo consultório.

Conforme indicado no enunciado da questão, o aluno deverá adotar os critérios de medi-


ção e pagamento previstos no Manual de Obras Públicas de Edificações – Prática da Secretaria
de Estado da Administração e do Patrimônio (SEAP) – Caderno de Projeto. O referido caderno
de encargos prevê o seguinte critério de medição para alvenaria de blocos de concreto (item
04.01.105):

“A medição será efetuada por m², apurando-se a área conforme as dimensões indicadas
no projeto e descontando-se integralmente todos os vãos, áreas de vazios ou de elementos
estruturais que interfiram nas alvenarias.”

Registra-se que a localização e dimensões dos pilares e vigas interferem no cálculo exato
da área de alvenaria da edificação. Porém, para fins desse exemplo, vamos desconsiderar a exis-
tência desses elementos estruturais.

A prática sugere que a forma mais racional e rápida de calcular a área de alvenaria é somar
o comprimento total de paredes, multiplicá-lo pelo pé direito, e depois subtrair as áreas de todos
os vãos, portas e janelas:

• Comprimento total das paredes: 4 x (6,45 m + 4,20 m + 2,75 m) + 4,35 + 1,25 m +


0,80 m = 60 m

• Área de paredes (sem descontar vãos): = 2,80 m x 60 m = 168 m²

• Área total dos vãos, portas e janelas: 32,2 m², calculados da seguinte forma:

• Janelas: 8 x 1,30 m x 1,00 m = 10,4 m²

• Portas: 2 x (0,60 m + 0,80 m) x 2,10 m + (1,00 + 0,70) x 2,10 m = 9,45 m²

• Cobogós: 5 x (1,30 m x 1,00 m) + 0,3 m x 2,10 m + 2 x 1,30 m x 0,5 m = 8,43 m²

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Tribunal de Contas da União

• Vão (entre a circulação e a sala de espera): 1,4 m x 2,8 m = 3,92 m²

• Área de alvenaria: 168 m²- 32,2 m²= 135,8 m²

3. Qual é a área de pintura acrílica a ser planilhada? Admitir que o teto e todas as
paredes internas e externas são pintadas, inclusive banheiros.

Para calcular a área de pintura, observar o que dispõe o critério de medição e pagamento
da Seap:

“A medição será efetuada por m², descontando-se, apenas, o que exceder a 2,00m², áreas
de vazios ou interferências.”

Devemos considerar que a pintura será realizada dos dois lados das paredes e que o teto
será pintado também. O projeto apresentado demonstra que uma pequena marquise de 0,60 m,
nas laterais, e de 0,80 m, na frente e nos fundos, será executada ao longo da edificação, portan-
to, consideramos que toda a área interna será coberta por uma laje de concreto.

A área a ser pintada da laje corresponde à área calculada anteriormente para o assenta-
mento da cerâmica, 62,52 m², acrescida da área da marquise, 27,98 m² (2 x 0,8 m x 12,95 m +
2 x 6,05 m x 0,6 m), resultando em 90,50 m². Observamos que não existe na marquise e na laje
interferências com área superior a 2,00 m².

Antes de calcular a área de pintura das paredes, devemos identificar os vazios e interfe-
rências cuja área seja superior a 2,00 m², no caso apenas a porta de entrada do posto de saúde
(2,10 m²) e o vão entre a circulação e a área de espera (3,92 m²).

Agora, basta multiplicar a área total de paredes (168 m²), subtraindo-se a área dos vão
identificados acima (5,02 m²), por dois (considerando os dois lados das paredes). Obtivemos o
valor de 325,96 m² para a pintura de paredes.

Note que a forma como foi descrito o critério para desconto de vãos pode dar margem a
outra interpretação. Em vez de se descontar a área total dos vãos superiores a 2 m² (5,02 m²),
alguns podem entender descontar somente aquilo que extrapola 2 m² em cada vão (0,10 + 1,92
= 2,02 m²).

Para fins didáticos, fizemos uma leitura estrita do critério de medição do caderno da Seap.

Tudo terminado? Não!

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19

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Ainda falta considerar quatro pequenas áreas indicadas na figura abaixo, as quais não fo-
ram consideradas no cálculo da área total de alvenaria:

As quatro áreas indicadas na figura acima representam área total de pintura de 1,68 m².
Somando-se essa área com as áreas de pintura de laje e alvenaria calculadas anteriormente, ob-
temos o valor de:

• Área total de pintura: 418,14 m² (62,52 + 27,98 + 325,96 + 1,68)

Este número realmente está correto?

Está correto, mas é um cálculo no qual fizemos algumas hipóteses simplificadoras. Vamos
refazer as contas de uma forma diferente, pois no cálculo anterior há uma simplificação em pe-
gar a área de alvenaria e multiplicar por dois. Ocorre que a área exata de pintura não é a mesma
nos dois lados da alvenaria. As paredes têm espessura e a área externa é superior a área interna.
Também é preciso lembrar que as áreas de encontro entre as paredes não são pintadas. Por outro
lado, deixamos de considerar a área de pintura no interior dos peitoris das esquadrias.

A área total de pintura externa, segundo o critério de medição da Seap, é de:

• 4 x 6,45 m x 2,8 m + 2 x 11,75 m x 2,8 m + 12 x 0,20 m x 2,8 m – 2,10 m2 = 106,54 m2

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Tribunal de Contas da União

Chamamos a atenção do aluno para a necessidade de considerar as áreas laterais das sali-
ências das alvenarias, conforme indicado na figura a seguir:

A área total de pintura interna, segundo o critério de medição da Seap, é de:

• 2,80 x (3 x 5,75 m + 5 x 2,8 m + 2 x 0,95 m + 4 x 1,25 m + 6 x 4,20 m + 4 x 2,75 m +


4 x 1,30 m) – 2,10 m² – 3,92 m² = 216,72 m².

Onde os quatro primeiros termos na expressão acima entre parênteses referem-se às pare-
des verticais e os últimos três termos referem-se às paredes horizontais.

Somando-se a área de teto com as áreas de pintura interna e externa, obtemos:

• Área total de pintura: 90,50 m² + 106,54 m² + 216,72 m² = 413,76 m²

O segundo resultado apresenta uma diferença de quase 5 m² quando comparado com o


primeiro, mas ambos são igualmente razoáveis.

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Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


4. Qual é a quantidade (em m2) de vidros a ser considerada pelo orçamentista na
elaboração da planilha orçamentária?

A quantidade de vidros é bem simples de ser calculada. O caderno da Seap dispõe que:

“A medição será efetuada pela área de vidro obtida através das dimensões de cada peça,
conforme o projeto, em m², devendo ser arredondadas para mais, em múltiplos de 0,05m.”

No caso, observando-se que as indicações “C1” existentes no segundo consultório estão


em desconformidade com a representação gráfica das janelas, consideramos haver 8 janelas de
1,30 m x 1,00 m, não necessitando, portanto, fazer o arredondamento para mais, em múltiplos
de 0,05 m. Dessa forma, a área de vidros é: 8 x 1,30 m x 1,00 m = 10,4 m².

5. Considerando que a calçada externa será executada em concreto com espessura


de 7 cm, qual é o volume de concreto a ser adotado pelo orçamentista na
elaboração do orçamento da obra? (desconsiderar a rampa de deficiente físico).

A calçada que envolve a edificação tem 0,50 m de largura nas laterais e 0,70 m de largura
na frente e nos fundos. A área total da calçada é de 23,9 m² (2 x 0,70 m x 12,75 m + 2 x 0,50
m x 6,05 m).

A escolha do critério de medição e pagamento do caderno da Seap causa certa dificuldade,


pois não existe um tópico que descreva exatamente o serviço. Achamos que o item 03.01.321
(lastro de concreto) é o mais adequado ao caso:

“A medição será feita pelo volume obtido através das dimensões indicadas no projeto, em
m³.”

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Tribunal de Contas da União

Assim, ainda devemos descontar as áreas indicadas abaixo, pois elas interferem no cálculo
do volume de concreto:

A área destes elementos é de 8 x 0,2 m x 0,15 m = 0,24 m², devendo ser descontada da
área calculada anteriormente (23,9 m2). Assim, a área a ser computada para o cálculo de volume
de concreto é de 23,66 m². O volume de concreto corresponde à multiplicação dessa área pela
espessura da calçada (0,07 m):

• Volume de concreto na calçada = 0,07 m x 23,66 m² = 1,6562 m³.

----------

A etapa de levantamento das quantidades de cada item de serviço possibilita não apenas
levantar a quantidade de insumos (materiais) a serem adquiridos, mas efetuar também o dimen-
sionamento das equipes da obra (mão de obra e equipamentos).

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Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Responsabilidade Técnica do Engenheiro

As últimas Leis de Diretrizes Orçamentárias e o recente Decreto 7.983/2013 estabelecem a necessidade de anotação de
responsabilidade técnica (ART) para o engenheiro que elaborou as planilhas orçamentárias.

Decreto 7.983/2013 - Art. 10. A anotação de responsabilidade técnica pelas planilhas orçamentárias deverá constar do
projeto que integrar o edital de licitação, inclusive de suas eventuais alterações.

No caso de contratação de empresa específica para elaborar o orçamento da obra, o gestor


deve proceder à revisão dos produtos entregues pelas contratadas, a fim de realizar a conferência
dos principais quantitativos de serviços das obras.

Quando o orçamentista, ou mesmo o gestor público, revisando um orçamento de obras,


não consegue quantificar algum item da planilha a partir das informações apresentadas no pro-
jeto básico, é necessário revisar/complementar esse projeto.

Caso o projeto não seja revisto, as licitantes (construtoras), provavelmente, irão se deparar
com o mesmo problema e questionarão a comissão de licitação. Ou, pior, não perceberão o erro
ao elaborar suas propostas de preços e poderão reivindicar correções no decorrer da execução
contratual, alegando que a Administração deveria ter fornecido um projeto adequado, a fim de
que todos os licitantes tivessem, de forma isonômica, total conhecimento do objeto licitado.

O orçamentista e o gestor revisor devem fazer uma leitura cuidadosa das plantas, iden-
tificando eventuais inconsistências em níveis de piso, dimensões de paredes, simbologias de
esquadrias, etc.

Por vezes, uma simples omissão de uma cota (dimensão do projeto) inviabiliza a conferên-
cia de um quantitativo. Outras vezes, falta algum detalhamento ao projeto ou, simplesmente,
não há projeto dos serviços que se pretende quantificar (ex.: falta do projeto de paginação do
revestimento da fachada).

No projeto do posto de saúde anterior, por exemplo, os seguintes problemas prejudicaram


uma melhor precisão do orçamento:

• Não há indicação se os bancos de concreto são ou não vazados por baixo, prejudicando
a área de cálculo do piso de cerâmica;

• Não dispomos de projeto estrutural, impossibilitando o cálculo exato da área de


alvenaria;

• Há uma contradição na indicação das esquadrias do segundo consultório. O projeto


indica que será executado um cobogó, mas o que está efetivamente desenhado é uma
esquadria;

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Tribunal de Contas da União

• Não há indicação do tamanho da esquadria na sala de curativos;

• Nas áreas molhadas não foi especificado se existirá algum tipo revestimento, influindo
no cálculo da área de pintura;

• Não há indicação clara da largura das calçadas frontal e posterior. No canto inferior
esquerdo do desenho, dá pra inferir que a largura da calçada frontal e posterior é
aproximadamente 0,7.

DICAS

A seguir, apresentam-se particularidades de alguns serviços que devem ser observadas para
se evitar problemas na quantificação:

• Serviços de escavação, corte, aterro, carga e transporte de terra (m³): o critério de medição deve deixar claro se o
volume medido será calculado em projeto ou o solo solto, pois este solo sofre o fenômeno do “empolamento”, isto é, o
aumento do volume total do solo, em virtude do acréscimo de vazios, após este ser removido do seu estado natural, em
que se encontrava compactado.

• Serviços de transporte de terra ou entulho: é importante avaliar a documentação de suporte às premissas adotadas
para se estabelecer as chamadas Distâncias Médias de Transporte (DMTs) para os diversos materiais movimentados
durante a execução da obra (aterro vindo da jazida, ou refugo da escavação sendo levado ao bota-fora).

• Serviço de execução de coberturas (telhados): o critério de medição deve deixar claro se considera a área de projeção
horizontal do telhado ou a área de telhado inclinada, efetivamente executada, a qual sofre influência do grau de
inclinação do telhado e do número de águas executadas.

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6. Elaboração do orçamento – 3º passo: composições de custo

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


O custo de cada serviço da planilha é calculado por meio da sua composição de custo uni-
tário, que é uma planilha em que constam discriminados todos os insumos (materiais, mão-de-
-obra e equipamentos) e suas respectivas quantidades necessárias à execução de uma unidade
do serviço (1 m, 1 m², 1 m³, 1 kg, 1 unidade, etc.), bem como seus preços.

A seguir, apresenta-se exemplo de uma Composição de Custo Unitário do SINAPI para o


serviço concreto fck=15MPa, preparado na obra com betoneira:

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De acordo com o que consta no caderno técnico - Sinapi da composição acima, ela remu-
nera desde o carregamento dos materiais e colocação na betoneira, tempo de mistura e tempo
de descarregamento. Vê-se que, para o preparo de 1 m³ desse concreto, são necessárias 1 hora e
41 minutos (1,690 horas) de operador de betoneira, 271,62 kg de cimento, 0,831 m³ de areia e
0,576 m³ de brita. Vemos ainda que, nesse ciclo de 1 hora e 41 minutos, em 52 minutos (0,870
horas) a betoneira está efetivamente produzindo (CHP - Custo Horário Produtivo) e no restante
ela está aguardando os demais tempos da jornada, seja para carregamento ou descarregamento
(CHI - Custo Horário Improdutivo). Por fim, são previstas 2 horas e 40 minutos de servente (2,680
horas), ou seja, utilizam-se mais de um servente nesse ciclo, para ajudar no carregamento e des-
carregamento da betoneira.

Ao final da composição, podemos observar a "árvore de composições de concreto", que


foi o modo adotado pelo sistema para possibilitar a visualização rápida de todas as possíveis
composições desse serviço.

Como visto, as composições apresentam o consumo dos materiais e a produtividade dos


equipamentos e mão-de-obra necessários à execução de uma unidade de serviço.

Existem várias circunstâncias e eventos que podem causar um declínio no nível de pro-
dutividade, tais como a maior facilidade e/ou dificuldade de execução de cada serviço também
impacta a sua produtividade, o absenteísmo (falta ao trabalho), a rotatividade da mão de obra,
excesso de horas extras, escassez de mão de obra, equipamentos ou materiais, baixa qualificação
dos trabalhadores, retrabalho, condições climáticas adversas, etc.

Vale destacar que quando desenhos ou especificações estão com erros, ambiguidade ou
simplesmente não estão claros o suficiente, é provável haver declínio de produtividade, pois os
integrantes da equipe não estão certos sobre a forma exata de desenvolver suas atribuições ou
simplesmente vão perder mais tempo interpretando os projetos.

6.1 Sinapi

As Leis de Diretrizes Orçamentárias federal, desde a Lei 10.524/2002 (LDO/2003) até a Lei
12.708/2012 (LDO/2013), e depois o Decreto Federal 7.983/2013, determinam que, no caso de
orçamentos de referência de obras públicas, devem ser adotadas as produtividades e consumos
utilizados pelos sistemas referenciais de custos, sempre se tomando o cuidado de buscar aquele
serviço que mais se assemelha às condições particulares da obra a ser orçada.

Para saber mais...


ÂÂ Sinapi: Disponível para consulta no link: www.caixa.gov.br/sinapi
ÂÂ Sicro 2: Disponível para consulta no link: www.dnit.gov.br

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Dentre as principais fontes para a definição dos custos diretos nos orçamentos de obras
públicas , merecem destaque: (i) o Sistema de Custos Rodoviários – Sicro, para obras rodoviárias
e (ii) o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), para obras
de edificações e/ou realizadas em ambiente urbano.

O Sicro é mantido pelo Dnit como referencial oficial de preços para obras rodoviárias. Ele
possui atualização bimestral para 23 unidades da federação e se encontra em sua segunda ver-
são, denominada Sicro-2.

O Sinapi, por sua vez, é um banco de dados de composições de serviços, alimentado por
meio de pesquisa mensal de custos dos insumos da construção civil. As entidades que gerenciam
e mantém o Sinapi são a Caixa Econômica Federal e o IBGE.

Os principais relatórios gerados pelo Sinapi são:

a. Relatório de custos de insumos;

b. Relatório sintético do custo de serviços;

c. Relatório composições analíticas com a discriminação dos insumos utilizados e dos


coeficientes previstos por unidade de serviço, disponibilizado apenas para os órgãos
conveniados;

d. Relatório conjuntura – evolução de custo e indicadores da construção civil;

e. Relatório custos de projetos – residenciais, comerciais, equipamentos comunitários,


saneamento básico, emprego e renda, baseados em projetos-padrão desenvolvidos
pela Caixa.

Desses relatórios, merece destaque o relatório de composições analíticas, pois ele é quem
vai mostrar as composições dos serviços, as quais poderão ser apropriadas no orçamento da
obra.

Além disso, a Caixa também disponibiliza os Cadernos Técnicos, onde constam as com-
posições, metodologias construtivas e critérios de medição de cada serviço, e as Fichas de
Insumo, onde constam as especificações técnicas dos materiais e equipamentos considerados
nas composições.

É importante registrar que as composições do Sinapi não trazem em seu bojo as parcelas
listadas a seguir:

• BDI do construtor;

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28
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• Mobilização e desmobilização;

• Equipamentos de proteção coletiva (bandejas, sinalização, extintores, guarda-corpo


etc.);

• Horas extras e adicional noturno no caso de obras executadas em mais de um turno;

Esses custos deverão ser apropriados separadamente pelo orçamentista.

Vale registrar que o Decreto 7.983/2013, além de ratificar as disposições das citadas LDOs,
de que os custos de obras e serviços de engenharia deverão ser obtidos a partir do Sinapi e do
Sicro, ainda estimula que sejam desenvolvidos novos sistemas de referência de custos pelos ór-
gãos e entidades da Administração Pública Federal.

CASO PRÁTICO

Suponha que, em um orçamento de reforma de uma edificação hipotética, uma parcela relevante do preço da obra se
refere à pintura. Na composição do Sinapi para o citado serviço, consta que é necessário 0,4 hora de pintor para cada
1m². Contudo, por uma falha do orçamentista, a composição de pintura do orçamento de referência registrou 4,0 horas/
m², ou seja, dez vezes mais. Somente uma empresa foi habilitada na concorrência e, em sua proposta, ela simplesmente
copiou todos os preços unitários que constavam no orçamento de referência, sagrando-se vencedora com o mesmo
preço do orçamento de referência. Com base nesta situação hipotética, seria correto solicitar à empresa a devolução dos
valores recebidos indevidamente por causa de um erro no orçamento de referência do órgão licitante?

Resposta: Sim. O Acórdão 117/2014-TCU-Plenário confirmou que o regime jurídico-administrativo a que estão sujeitos
os particulares contratantes com a Administração não lhes dá direito adquirido à manutenção de erros observados
nas composições de preços unitários, principalmente quando em razão de tais falhas estiver ocorrendo o pagamento
de serviços acima dos custos necessários e realmente incorridos para a sua realização. Constatada a sua presença de
sobrepreço no ajuste, o controle do TCU deve incidir para promover a adequação necessária. Sendo materializado o
enriquecimento sem causa da contratada, a saída é a devolução dos valores pactuados em excesso.

6.2 Salários e encargos sobre a mão de obra

As principais fontes de valores referenciais de salários são os sistemas referenciais de pre-


ços de obras (Sicro e o Sinapi) e os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, disponíveis
no sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego (http://www2.mte.gov.br/sistemas/
mediador/).

Para saber mais...


ÂÂ A memória detalhada de cálculo dos encargos sociais, tanto para os trabalhadores horistas quanto
para os mensalistas, assim como todas as premissas estatísticas e embasamentos legais, pode ser obtida
em consulta ao item I.2.3.6 (Encargos sociais) do Roteiro de Auditoria de Obras Públicas, aprovado pela
Portaria-Segecex nº 33, de 7/12/2012.

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Além do pagamento dos salários propriamente ditos, o empregador deve arcar ainda com
os custos dos encargos sociais.

Encargos Sociais são os custos incidentes sobre a folha de pagamentos de salários e têm
sua origem na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, na Constituição Federal de 1988, em leis
específicas e nas convenções coletivas de trabalho. Por este motivo, devem ser considerados nas
composições de custo unitário, sendo usual já considerá-lo no custo horário de cada profissional
(engenheiro, pedreiro, servente, carpinteiro, etc.).

Os encargos sociais são tratados de duas formas diferentes: (i) sobre a folha de pagamen-
to, no caso de profissionais do quadro permanente da empresa, chamados mensalistas, ou (ii)
sobre o custo operacional de mão de obra nas diversas frentes de trabalho da obra, chamados
profissionais horistas (com apropriação das horas tomadas por apontadores).

A lei não determina quais profissionais devem ser horistas e quais devem ser mensalistas.
Na prática, os trabalhadores dedicados aos serviços propriamente ditos, tais como o pedreiro, o
servente, o eletricista, o encanador, o carpinteiro, o armador, entre outros, são considerados ho-
ristas, e os que não são atribuíveis a serviços da obra, tais como, engenheiro, estagiário, mestre-
-de-obra, encarregados, laboratoristas, entre outros, são considerados mensalistas.

Os encargos sociais podem ser classificados em quatro grandes grupos, a seguir


discriminados:

• Grupo A – Encargos Sociais Básicos: são as contribuições sociais obrigatórias por lei, que
incidem sobre a folha de pagamento;

• Grupo B – São aqueles que sofrem incidência dos encargos sociais básicos;

• Grupo C – São aqueles que não sofrem incidência dos encargos sociais básicos; e

• Grupo D – Taxa de Reincidência.

Para a mão de obra horista, não existe nenhum encargo incluído no salário hora. Portanto,
no percentual dos encargos sociais deve ser considerado tanto o repouso semanal remunerado
quanto os feriados, pois essas parcelas não constam do valor do Homem-hora, sendo pagas aos
empregados complementarmente.

Para a mão de obra mensalista, os valores dos salários já englobam certos itens do custo, a
exemplo do repouso semanal remunerado e dos feriados considerados como leis sociais.

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Apresenta-se a seguir exemplo de detalhamento dos encargos sociais, extraído do Sinapi,


para o Distrito Federal.

Fonte: http://www.caixa.gov.br/Downloads/sinapi-encargos-sociais-sem-desoneracao/SINAPI_Encargos_Sociais_A_
PARTIR_DE_MARCO_2016.pdf (acesso em 19/6/2017)

Vale observar que a Lei 12.546/2011 (modificada pela Lei 12.844/2013) instituiu nova re-
gra que visa desonerar as empresas dos encargos previdenciários.

De acordo com a referida lei, deve-se excluir dos encargos sociais a rubrica de 20% refe-
rente à Contribuição Previdenciária e, como medida compensatória, deve-se incluir diretamente
no BDI uma alíquota sobre o lucro bruto relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Renda
Bruta (CPRB), que pode ser de 2 ou 4,5%, a depender do ramo de atuação da empresa, confor-
me art. 7º-A da Lei 12.546/2011.

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Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Essa regra é válida apenas para os Cadastros Específicos do INSS (CEI) criados posterior-
mente à vigência da Lei Contudo, sua aplicabilidade, atualmente, é opcional. Assim, cabe ao
orçamentista avaliar qual alternativa é mais vantajosa, se incluindo a alíquota no cálculo do
BDI ou se mantendo a rubrica de 20% nos encargos sociais. A tabela com o detalhamento dos
encargos sociais desonerados é apresentada na figura anterior. Na prática, a desoneração tem
se mostrado vantajosa quando o valor da mão de obra é relevante, se comparado ao valor dos
materiais e equipamentos.

Por fim, um último ponto que costuma causar bastante discussão diz respeito aos chama-
dos “encargos adicionais da mão de obra”: (i) transporte de empregados, (ii) alimentação, (iii)
planos de saúde, (iv) seguros de vida em grupo, (v) equipamentos de proteção individual, (vi)
ferramentas manuais, dentre outros custos associados exclusivamente à mão de obra.

No site www.caixa.gov.br/sinapi o orçamentista pode encontrar o Livro de


Metodologias e Conceitos do Sinapi. É recomendável que se estude esse livro,
para evitar duplicidades e outros erros no orçamento.

Desde 2014, o Sinapi calcula o custo horário proporcional de cada item, com base em
dados de preço, utilização e durabilidade, e acresce o somatório desses custos ao valor de remu-
neração e encargos das diversas categorias, a título de "encargos sociais complementares". Com
isso, o valor da mão de obra com os encargos sociais já considera esses custos, não devendo ser
apropriados na planilha, pois se estaria considerando em duplicidade.

6.3 Equipamentos

O custo dos equipamentos é expresso nas composições de custo unitário em unidades de


hora de trabalho, podendo ser classificados em:

• custos operativos: corresponde aos custos do equipamento em pleno funcionamento.


É calculado somando-se os custos horários de operação (mão de obra do operador,
combustíveis e lubrificantes), manutenção (mão de obra de manutenção, pneus, peças
e reparos), e propriedade (juros, depreciação, seguros e impostos).

• custos improdutivos: corresponde ao custo do equipamento parado, com o motor


desligado, mas o operador à disposição. Nas horas improdutivas, alguns sistemas
referenciais de preços, a exemplo do Sicro-2 (do DNIT, para rodovias), consideram
apenas o custo da mão de obra do operador do equipamento. No Sinapi, por outro
lado, são consideradas as parcelas decorrentes da propriedade do bem (depreciação e
juros) e da mão de obra do operador.

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Tribunal de Contas da União

As composições dos sistemas referenciais, em sua maioria e especialmente o Sinapi e o


Sicro, consideram que o construtor seja o proprietário dos equipamentos. Entretanto, é cada vez
mais comum na construção civil a prática de locar equipamentos, aumentando a parcela do cus-
to improdutivo, pois o contrato de aluguel remunera o equipamento quer ele funcione ou não.

A escolha da locação ou aquisição está sujeita a uma análise econômica e a possibilidade


de se utilizar os equipamentos adquiridos em futuras obras, de forma que os custos de aquisição
possam ser diluídos em vários contratos.

O construtor terá algumas vantagens no caso de optar pela locação de equipamentos,


tratando-se de caso usual em obras de edificações, com cronogramas mais curtos frente àqueles
da construção pesada. Por exemplo, a responsabilidade sobre os reparos e manutenção do equi-
pamento é, geralmente, da empresa locadora.

No caso de se optar por equipamentos locados, as composições devem ser readequadas


para esta opção e o preço da locação deve ser embasado em pesquisas de mercado.

6.4 Materiais de Construção

As composições do Sinapi já apresentam os coeficientes de consumo de todos os materiais


necessários à execução de cada serviço, computando, na maioria dos casos, a perda dos mate-
riais (ex: tijolos, cerâmicas, aço etc.).

Citamos como exemplo da aceitação de perdas no coeficiente de consumo de materiais a


composição de armação do Sinapi.

Importante: as perdas dos materiais devem ser consideradas apenas no coeficiente


das composições de custo, nunca na planilha orçamentária!

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Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Figura – Material Aço CA-50, dentro da Composição do Serviço de Armação.

Pode-se observar que, para cada 1 kg de armação produzida, são necessários 1,11 kg de
aço, o que demonstra uma perda estimada de 11% na execução do serviço.

A especificação dos serviços também exerce grande influência no preço unitário dos mate-
riais, pois podem ser especificados materiais de qualidade e preço diferenciados.

Também deve ser avaliado pelo orçamentista qual é o local e as condições de entrega dos
materiais. Importantes são os conceitos de (i) custo “na obra”, chamado de custo CIF (custos
da aquisição do material na fábrica + seguros de transporte + frete, na sigla em inglês “cost,
insurance and freight”, indicando que o preço é o do material já posto na obra pelo vendedor), e
(ii) custo “sem frete”, chamado de custo FOB (no local na fábrica ou do revendedor, na sigla em
inglês “free on board”, cabendo ao comprador arcar com o transporte até a obra).

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34
Tribunal de Contas da União

Os sistemas de referência costumam apresentar uma tabela com todos os materiais pes-
quisados, adotando-se algum critério estatístico como preço de referência (média de preços,
mediana, menor cotação etc.).

6.5 Obrigatoriedade de cotações dos materiais mais importantes da


obra

O TCU tem orientado os jurisdicionados a empreender pesquisas no mercado local para os


insumos mais relevantes da obra, ainda que tais insumos constem dos sistemas referenciais de pre-
ços oficiais, como o Sinapi e o Sicro (Acórdãos 56/2013-TCU-Plenário e 2984/2012-TCU-Plenário).

A intenção é incorporar alguns dos descontos possíveis em face da escala da obra (com-
pras em grandes quantidades), bem como as vantagens do efeito barganha (negociação entre
comprador e vendedor). Não é admissível que a pesquisa de preços de mercado feita pela enti-
dade seja destituída de juízo crítico acerca da consistência dos valores levantados, especialmente
quando observados indícios de preços destoantes dos praticados no mercado.

A Lei de Licitações exige que o orçamento detalhado seja fundamentado em fornecimen-


tos “propriamente avaliados”2. Ou seja, com o intuito de orçar “propriamente” (adequadamen-
te) os custos dos fornecimentos o gestor deve, necessariamente, realizar detalhada pesquisa de
mercado, tecendo as devidas considerações acerca das especificidades da obra, pois só assim
poderá bem fundamentar sua decisão. Portanto, há que se considerar a natural ausência de
um “redutor” de preços (descontos para compras em grande escala) em qualquer sistema de
preços referenciais unitários.

A busca pela definição de parâmetros de mercado não deve se limitar a simples consultas
junto a um ou dois fabricantes, principalmente se a obra for de maior porte, a envolver impor-
tâncias significativas. O estudo prévio para a definição de preços referenciais, principalmente
quando inexista correspondência nos sistemas referenciais aceitos pelo Tribunal (Sinapi, Sicro
e outros), deve se estender não só para cotações diretas junto a fabricantes, mas também, por
exemplo, para o resultado de licitações realizadas por órgãos e entidades da Administração
Pública, com especial atenção nos pregões eletrônicos (Acórdão 1.108/2007-Plenário e Voto
condutor do Acórdão 3059/2010-TCU-Plenário).

2 - art. 6º, inciso IX, alínea ‘f ’ (Projeto Básico)

Obras Públicas de Edificação e de Saneamento


35

7. Elaboração do orçamento – 4º passo: cálculo do BDI

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Os Benefícios e Despesas Indiretas (BDI), por vezes denominado Lucro e Despesas Indiretas
(LDI), são um percentual aplicado linearmente sobre todos os itens da planilha que representa o
total dos custos indiretos mais o lucro do construtor.

Por ser um percentual e visando dar transparência a todos os valores constantes nos orça-
mentos de obras públicas, os editais de licitação devem apresentar em anexo, além das compo-
sições de custos unitários dos serviços da planilha, ainda o detalhamento do BDI, com a devida
discriminação de cada componente de custos, fundamental para conferir transparência e contro-
le nas contratações de obras públicas.

Lembrete: Componentes do BDI: Administração Central, Despesas Financeiras,


Impostos, Riscos e Imprevistos, Remuneração do Construtor

A taxa de BDI de obras públicas é composta por três grupos: (i) despesas indiretas, compre-
endendo: taxas de rateio da administração central, riscos, seguros, garantias e despesas finan-
ceiras; (ii) remuneração da empresa contratada; e (iii) tributos incidentes sobre o faturamento.

Na literatura especializada, encontra-se uma grande variedade de métodos de cálculo do


BDI, mas o TCU, em seus julgados, tem adotado a seguinte fórmula:

Em que:

AC = taxa representativa das despesas de rateio da administração central;

R = taxa representativa de riscos;

S = taxa representativa de seguros;

G = taxa representativa de garantias;

DF = taxa representativa das despesas financeiras;

Tribunal de Contas da União


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Tribunal de Contas da União

L = taxa representativa do lucro/remuneração; e

T = taxa representativa da incidência de tributos.

O Acórdão 2.369/2011-TCU-Plenário, retificado pelo Acórdão 2.409/2011-TCU-Plenário,


traz disposições para o estabelecimento de um BDI paradigma para edificações. Contudo, o
Acórdão 2.622/2013-TCU-Plenário modificou um pouco esses valores, conforme tabelas a seguir:

VALORES DO BDI POR TIPO DE OBRA


Tipos De Obra 1º Quartil Médio 3º Quartil
Construção de Edifícios 20,34% 22,12% 25,00%
Construção de Ferrovias 19,60% 20,97% 24,23%
Construção de Redes de Abastecimento de Água,
20,76% 24,18% 26,44%
Coleta de Esgoto e correlatas
Obras Marítimas e Fluviais 22,80% 27,48% 30,95%
BDI para itens de mero fornecimento de materiais e 1º Quartil Médio 3º Quartil
equipamentos 11,10% 14,02% 16,80%
Figura – Tabela de faixa de percentuais de BDI por tipo de obras.

1º Quartil Médio 3º Quartil


Tipos De Obra 1º 3º 1º 3º 1º 3º
Médio Médio Médio
Quartil Quartil Quartil Quartil Quartil Quartil
Construção de Edifícios 3,00% 4,00% 5,50% 0,80% 0,80% 1,00% 0,97% 1,27% 1,27%

Construção de Ferrovias 3,80% 4,01% 4,67% 0,32% 0,40% 0,74% 0,50% 0,56% 0,97%

Construção de Redes de Abastecimento


3,43% 4,93% 6,71% 0,28% 0,49% 0,75% 1,00% 1,39% 1,74%
de Água, Coleta de Esgoto e correlatas

Obras Marítimas e Fluviais 4,00% 5,52% 7,85% 0,81% 1,22% 1,99% 1,46% 2,32% 3,16%
Despesa Financeira Lucro
Tipos De Obra 1º 3º 1º 3º
Médio Médio
Quartil Quartil Quartil Quartil
Construção de Edifícios 0,59% 1,23% 1,39% 6,16% 7,40% 8,96%
Construção de Ferrovias 1,02% 1,11% 1,21% 6,64% 7,30% 8,69%
Construção de Redes de Abastecimento de Água, Coleta de Esgoto e
0,94% 0,99% 1,17% 6,74% 8,04% 9,40%
correlatas
Obras Marítimas e Fluviais 0,94% 1,02% 1,33% 7,14% 8,40% 10,43%

BDI para itens de mero fornecimento de materiais e equipamentos

Parcela do BDI 1º Quartil Médio 3º Quartil

Administração Central 1,50% 3,45% 4,49%

Seguro + Garantia 0,30% 0,48% 0,82%

Risco 0,56% 0,85% 0,89%

Despesa Financeira 0,85% 0,85% 1,11%

Lucro 3,50% 5,11% 6,22%


Figura – Tabela de faixa de percentuais de cada componente do BDI por tipo de obras.
Obras Públicas de Edificação e de Saneamento
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Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Vejamos cada um desses componentes em maiores detalhes.

7.1 Taxa de Administração Central

A taxa de administração central consiste em uma estimativa média de gastos para manter
em operação a estrutura central das empresas, ou seja, gastos com salários de todo o pessoal ad-
ministrativo e técnico lotado na sede central, no almoxarifado central, na oficina de manutenção
geral, pró-labore de diretores, viagens de funcionários a serviço, veículos, aluguéis, consumos de
energia, água, gás, telefone fixo ou móvel da sede da empresa, combustível, refeições, trans-
porte, materiais de escritório e de limpeza, seguros, dentre outros. Esses valores são somados e
distribuídos pelas obras em andamento da empresa.

É influenciada principalmente pelo porte, faturamento e eficiência da empresa, bem como


pela quantidade de contratos em execução pela empresa.

7.2 Riscos

Quanto aos riscos, a literatura geralmente os definem como eventos futuros e incertos,
originados de fontes internas e externas, que podem influenciar de forma significativa o alcance
dos objetivos de uma organização, cuja probabilidade de ocorrência e seus impactos não podem
ser determinados com precisão antecipadamente. Em um orçamento de obra, por mais detalha-
do e criterioso que seja, é impossível prever com exatidão todas as peculiaridades do projeto.
Sempre existirá um certo grau de incerteza na implantação de qualquer empreendimento, cujos
diversos tipos de riscos podem afetar de forma positiva ou negativa os objetivos do projeto, tais
como: prazo de execução, qualidade dos serviços executados, custos totais, escopo do objeto,
dentre outros.

Vale lembrar que a modalidade de licitação adotada impacta significativamente no risco


a ser assumido pelo construtor. Na modalidade empreitada por preço unitário, por exemplo, o
risco do construtor é relativamente baixo, já que todos os quantitativos dos serviços previstos na
planilha serão revistos para fins de medição.

7.3 Seguros

As apólices de seguros são contratos regidos pelo direito privado, firmados entre o par-
ticular (segurado) e a companhia seguradora (segurador), por meio dos quais o segurador se
obriga, mediante o recebimento antecipado de um prêmio, a reparar danos causados ao parti-
cular segurado, ou a terceiros, pela ocorrência de eventos alheios a sua vontade devidamente
especificados na apólice de seguro. Limita-se essa obrigação ao valor da importância segurada a
que tem direito o segurado pela ocorrência do sinistro.

Tribunal de Contas da União


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Tribunal de Contas da União

Nos orçamentos de obras públicas, considera-se que a parcela de seguros da composição


de BDI refere-se ao valor monetário do prêmio de seguro, que pode variar de acordo com o perfil
dos segurados e as características do objeto segurado, como: custos totais de implantação, com-
plexidade e porte da obra, cronograma de execução, condições locais, métodos construtivos,
dentre outras variáveis.

Deve ser feita análise custo-benefício da relação existente entre o acréscimo de custos da
obra com o repasse dos encargos financeiros do prêmio de seguro e os benefícios dessa con-
tratação com a redução da taxa de riscos a ser mensurada na composição de BDI. Entretanto,
mesmo com a exigência de contratação de seguros, deve-se considerar que sempre existe um
risco residual a que o particular ainda continua descoberto, que deve ser tratado e mensurado
na taxa de riscos do BDI.

7.4 Garantias

A garantia contratual tem por objetivo resguardar a Administração Pública contra possíveis
prejuízos causados pelo particular contratado em razão de inadimplemento das disposições con-
tratuais, sendo exigida por decisão discricionária do administrador público, desde que prevista
no instrumento convocatório3.

A garantia prestada pelo particular é de no máximo 5% do valor do contrato e terá seu


valor atualizado nas mesmas condições daquele. Para obras de grande vulto, o limite da garantia
poderá ser elevado até 10% do valor contratado.

O contratado é livre para escolher uma das quatro modalidades de garantia previstas em
lei: [i] caução em dinheiro, [ii] caução em títulos da dívida pública, [iii] fiança bancária ou [iv]
seguro-garantia.

Ao final da obra, o valor da garantia é restituído ao contratado. Por este motivo, o valor
que deve constar no BDI referente à garantia é apenas para cobrir os eventuais custos com fiança
bancária ou seguro-garantia, e não o percentual da garantia propriamente dita.

7.5 Despesas Financeiras

As despesas financeiras são gastos relacionados ao custo do capital decorrente da neces-


sidade de financiamento exigida pelo fluxo de caixa da obra, e ocorrem sempre que os desem-
bolsos acumulados forem superiores às receitas acumuladas, sendo correspondentes à perda
monetária decorrente da defasagem entre a data de efetivo desembolso e a data do recebimento
da medição dos serviços prestados.

3 - art. 56 da Lei 8.666/1993

Obras Públicas de Edificação e de Saneamento


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Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


No caso de obras públicas, esse custo de oportunidade geralmente é mensurado com base
na taxa de juros referencial da economia (Taxa Selic).

O cálculo das despesas financeiras leva em consideração, especialmente, o prazo médio de


financiamento da obra, isto é, o intervalo de tempo entre a data dos desembolsos financeiros e a
data das receitas correspondentes, sendo considerado o período em que efetivamente a empresa
terá que financiar as suas atividades operacionais, como estocagem, produção, pagamento aos
fornecedores, medição dos serviços e recebimento das receitas.

Para saber mais...


ÂÂ Caso o participante tenha interesse em ampliar os conhecimentos relacionados à acessibilidade,
poderá encontrar referência adicional na biblioteca do curso, que trata do desenho universal, um
conceito que vai um pouco além das diretrizes previstas na norma e na legislação brasileira.

7.6 Remuneração do Construtor

Ao longo do tempo, diversas terminologias foram empregadas pela literatura especializa-


da para descrever o significado da letra ‘B’ da sigla BDI, sendo as mais tradicionais aquelas que
expressam o significado de ‘Bônus’, ‘Bonificação’ ou ‘Benefício’ e as mais recentes as que têm
atribuído o significado contábil de ‘Margem de Contribuição’ ou ‘Lucro Líquido ou Operacional’.

Seja qual for o procedimento de cálculo adotado, deve-se lembrar que o lucro declarado
no BDI é apenas uma meta, que, se alcançada, torna possível a justa remuneração da empresa
em decorrência da obra.

7.7 Tributos

Os tributos que incidem sobre o faturamento (receita bruta) de uma obra pública e que
são inseridos no BDI compreendem: (i) o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS);
(ii) o Programa de Integração Social (PIS); e (iii) a Contribuição Social para Financiamento da
Seguridade Social (COFINS). Esses tributos podem ter suas alíquotas alteradas com a adoção do
regime diferenciado do Simples Nacional em relação às microempresas e empresas de pequeno
porte.

Além desses, como visto no tópico referente aos encargos sociais, um novo tributo inci-
dente sobre o faturamento (receita bruta), denominado de Contribuição Previdenciária sobre a
Receita Bruta (CPRB), cuja alíquota pode ser de 2 ou 4,5%, a depender do ramo de atuação da
empresa (art. 7º-A da Lei 12.546/2011), foi criado por medidas provisórias para substituir tempo-
rariamente a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamento, devendo
este também ser incluído no BDI.

Tribunal de Contas da União


40
Tribunal de Contas da União

Ressalta-se que os tributos incidentes sobre a renda ou lucro, tais como o Imposto de
Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL), por não serem
tributos incidentes sobre a atividade necessária à prestação de serviços, não devem ser discrimi-
nados na taxa de BDI de obras públicas.

Súmula TCU Nº 254/2010O


IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – e a CSLL – Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido – não se consubstanciam em despesa indireta passível de
inclusão na taxa de Bonificações e Despesas Indiretas – BDI do orçamento-base
da licitação, haja vista a natureza direta e personalística desses tributos, que
oneram pessoalmente o contratado.

8. Orçamento Sintético e Analítico


Agora que já vimos todos os passos para a elaboração de um orçamento, passamos a
estudar a principal classificação dos orçamentos, que é em função do seu conteúdo, a saber: o
orçamento sintético e analítico.

Orçamento Sintético: o orçamento sintético é a própria planilha orçamentária, ou seja, é


a relação de todos os serviços da obra com as respectivas unidades de medida, quantida-
des e preços unitários, calculados a partir dos projetos, cronograma e demais especifica-
ções técnicas, apresentando ainda os preços totais de cada serviço e o preço total da obra.

Obras Públicas de Edificação e de Saneamento


41

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Para ilustrar, apresenta-se o orçamento sintético de uma típica obra de edificação:

Vale ressaltar que todos os serviços necessários à execução das obras devem estar discri-
minados na planilha. Dessa forma, apesar do termo “sintético”, a planilha orçamentária da obra
pode englobar milhares de itens, abrangendo diversas etapas ou parcelas de um empreendimen-
to e ser formado por uma grande quantidade de planilhas orçamentárias distintas.

Tribunal de Contas da União


42
Tribunal de Contas da União

Súmula TCU 258/2010


As composições de custos unitários e o detalhamento de encargos sociais e do
BDI integram o orçamento que compõe o projeto básico da obra ou serviço de
engenharia, devem constar dos anexos do edital de licitação e das propostas das
licitantes e não podem ser indicados mediante uso da expressão “verba” ou de
unidades genéricas.

Orçamento Analítico: também denominado de orçamento detalhado, é a planilha orça-


mentária (orçamento sintético) detalhada em Composições de Custos Unitários de todos
os serviços, pois, para se chegar ao preço unitário de cada serviço, é necessário estimar
o consumo ou produtividades de cada insumo (mão de obra, equipamentos e materiais).

Vale registrar que, nos termos do art. 7º, §2º, da Lei 8.666/93, as obras e os serviços so-
mente poderão ser licitados quando existir orçamento detalhado (analítico) em planilhas que
expressem a composição de todos os seus custos unitários.

9. Como orçar itens de serviço não abrangidos pelo Sinapi


O Sinapi muitas vezes não permite a aplicação direta de suas composições para o serviço a
ser orçado. Dessa forma, existem duas possibilidades para calcular o preço unitário desses servi-
ços que não tem similar no Sinapi:

a. Adaptar a composição do Sinapi; ou

b. Adotar composição constante de outro sistema referencial; ou

c. Adotar cotações de outros fornecedores ou preços do mesmo serviço de obras similares.

Da mesma forma, as tabelas de referência nem sempre apresentam o custo de todos os


insumos necessários à execução da obra. Nesse sentido, o Acórdão 3.272/2011-TCU-Plenário
traz importante direção jurisprudencial quanto à preferência a ser adotada na seleção da origem
dos preços referenciais da Administração, conforme se vê a seguir:

ACÓRDÃO 3.272/2011-TCU-PLENÁRIO

9.1.1.9 (...) adotar, nesta ordem, os seguintes critérios para avaliação dos preços referenciais máximos permitidos:
9.1.1.9.1 mediana dos preços do Sinapi, localidade (...);
9.1.1.9.2 subsidiariamente, preços do Sicro 2, localidade (...);
9.1.1.9.3 subsidiariamente, preços de outros sistemas aprovados pela Administração Pública, na hipótese de não serem
encontradas referências nos sistemas anteriores, ou em caso de incompatibilidade técnica das composições desses
paradigmas frente às peculiaridades do serviço, desde que demonstrada documentalmente mediante justificativa técnica;
9.1.1.9.4 subsidiariamente, cotação de mercado contendo o mínimo de três cotações de empresas/fornecedores
distintos, fazendo constar do respectivo processo a documentação comprobatória pertinente aos levantamentos e
estudos que fundamentaram o preços estimado;
Obras Públicas de Edificação e de Saneamento
43

9.1 Adaptações de composições do Sinapi

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


A adaptação de composições do Sinapi é uma das técnicas mais usuais. Sua metodologia
consiste em escolher a composição do Sinapi que mais se aproxima do serviço a ser orçado, e
modificar seus insumos, coeficientes e produtividades a fim de aperfeiçoá-la.

9.2 Outros sistemas referenciais de custos

Além do Sinapi e do Sicro, existem outros sistemas de custos de obra que são mantidos por
outras instituições da Administração Pública, em suas diversas esferas. A fim de informar acerca
de sua existência, elencam-se a seguir aqueles que são de maior interesse para orçamentos de
obras de edificações e saneamento.

• Tabela de engenharia consultiva do DNIT, disponível em: http://www.dnit.gov.br/


servicos/tabela-de-precos-de-consultoria

• Novo Sicro – Sistema de custos referenciais de obras (em fase de estudos pela FGV e
pelo DNIT);

• Tabela DNOCS – Mantido pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas;

• Sistema Atrium da Codevasf – Mantido pela Companhia de Desenvolvimento de dos


Vales do São Francisco e Parnaíba – não disponível para consulta pública;

• ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – sites com os


preços de distribuição de produtos asfálticos: http://www.anp.gov.br;

• Aneel – Banco de preços para serviços de transmissão de energia elétrica – orçamento


de linhas de transmissão e subestações;

• Eletrobrás – Sistema para elaboração de orçamentos de obras civis de Usinas Hidrelétricas


(Sisorh), site: http://www.eletrobras.gov.br;

• EMOP – Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro;

• SCO-RIO – Sistema de custos de obras mantido pela Prefeitura Municipal do Rio de


Janeiro, boa ferramenta de pesquisa de preços de referência, pode ser consultado em:
http://www2.rio.rj.gov.br/sco/;

• IOPES - Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo, link: http://www.iopes.


es.gov.br;

Tribunal de Contas da União


44
Tribunal de Contas da União

• ORSE – Orçamento de Obras de Sergipe – O Orse é um dos melhores sistemas disponíveis


para consulta pública, link: http://www.cehop.se.gov.br/orse/;

• Seinfra/CE – Secretaria de Infraestrutura do Estado do Ceará – sistema com grande


número de composições de serviços novos, boa ferramenta de pesquisa, link: http://
www.seinfra.ce.gov.br/index.php/tabela-de-custos;

• Seinf/Fortaleza – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura da


Prefeitura de Fortaleza/CE;

• Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras – Prefeitura de SP – Tabelas


com custos unitários para obras de infraestrutura e edificações. Disponível em: http://
www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/tabelas_de_custos/index.
php?p=149301;

• Sinfra/MT – Secretaria de Estado de Infraestrutura de Mato Grosso. Preços de Obras


Civis e Composições de Preços unitários de referência. Link: http://www.sinfra.mt.gov.
br;

• SETOP/MG – Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais, link:


http://www.transportes.mg.gov.br;

• Secretaria de Estado de Infraestrutura do Rio Grande do Norte/RN;

• SEOP/PA – Secretaria de Estado de Obras Públicas do Governo do Estado do Pará, link:


http://www.seop.pa.gov.br;

• SEOP/PR – Secretaroa de Estado de Obras Públicas do Paraná, link: http://www.seop.


pr.gov.br;

• SEOP/AC – Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas do Estado do Acre;

• SMH/RJ – Secretaria Municipal de Habitação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro;

• SEINF/TO – Secretaria de Infraestrutura do Governo do Estado de Tocantins;

• SEINF/AM – Secretaria de Estado de Infraestrutura do Amazonas;

• SEIE/PB – Secretaria de Estado de Infraestrutura da Paraíba, link: http://www.propacto.


pb.gov.br/sinco/menuprincipal.jsp;

• CDHU/SP – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano – Secretaria de


Habitação – SP;

Obras Públicas de Edificação e de Saneamento


45

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


• Novacap/DF – Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil – Tabela de Insumos
e Serviços da Área de Edificações;

• SUCAB/BA – Superintendência de Construções Administrativas da Bahia – Secretaria de


Desenvolvimento Urbano do Governo da Bahia;

Frise-se que existem ainda sistemas mantidos por companhias estaduais de saneamento,
entre as quais, a Caesb, Saneago, Sanepar, Compesa, Copasa/MG, Sabesp, Embasa, Agespisa/
PI, Cagepa/PB, Cagece, Corsan, etc., sem contar os sistemas referenciais de departamentos es-
taduais de estradas de rodagem.

Por fim, há os sistemas de responsabilidade de entidades privadas, como a TCPO e a


Revista Construção e Mercado, ambas publicações da Editora Pini, as quais também podem ser
utilizadas subsidiariamente na elaboração dos orçamentos, observadas as orientações e cuidados
apresentados nesta aula.

Tribunal de Contas da União


46 Síntese
Tribunal de Contas da União

Na aula de hoje estudamos os diversos tipos de orçamento, quais se-


jam, a estimativa, também denominada de orçamento expedito ou paramé-
trico, o orçamento sintético e o orçamento analítico.

Na sequência, diferenciamos custo direto e custo indireto e vimos as


principais fontes de referência de custo na administração pública, em especial o Sinapi, que deve
ser adotado nos orçamentos de obras de edificação e saneamento.

Estudamos ainda os custos diretos, tais como mão de obra, materiais, equipamentos e
outros custos que o TCU entende que devem ser discriminados na planilha orçamentária, e os
custos indiretos, que compõem o BDI.

Por fim, vimos como orçar itens de serviço não abrangidos pelo Sinapi.

Na aula seguinte, estudaremos as questões relativas ao procedimento licitatório de uma


obra pública, os termos do edital, requisitos de habilitação técnica das licitantes, exigências sobre
as propostas, entre outras questões.

Obras Públicas de Edificação e de Saneamento


Bibliografia 47

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Altounian, Cláudio Sarian. “Obras Públicas: Licitação, Contratação, Fiscalização e Utilização” - 3ª
Edição, Ed. Fórum, 2012.

BAETA, André Pachioni. “Orçamento e Controle de Preços de Obras Públicas” - 1ª Edição, Ed.
Pini, 2012.

BAETA, André Pachioni. Curso realizado no Ambiente Virtual de Educação Corporativa do TCU:
“Auditoria de Obras Públicas – Módulo 1: Orçamento de Obras” – 2ª Edição, Instituto Serzedello
Corrêa do Tribunal de Contas da União – ISC/TCU, Brasília, abril/2012.

BRASIL. Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. Secretaria de Estado da Administração


e do Patrimônio. “Manual de Obras Públicas – Edificações – Práticas da Seap: Projeto”. Disponível
em: <www.comprasnet.gov.br>.

BRASIL. Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. Secretaria de Estado da Administração


e do Patrimônio. “Manual de Obras Públicas – Edificações – Práticas da Seap: Construção”.
Disponível em: <www.comprasnet.gov.br>.

BRASIL. Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. Secretaria de Estado da Administração


e do Patrimônio. “Manual de Obras Públicas – Edificações – Práticas da Seap: Manutenção”.
Disponível em: <www.comprasnet.gov.br>.

LIMMER, Carl V. “Planejamento, Orçamentação e Controle de Preços de Projetos e Obras”,


Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, Rio de Janeiro, 2013.

TCU – Tribunal de Contas da União. “Obras Públicas: Recomendações Básicas para a Contratação
e Fiscalização” – 3ª Edição, TCU/SecobEdificação, 2013.

Tribunal de Contas da União


48 Glossário
Tribunal de Contas da União

Orçamento paramétrico – o mesmo que orçamento expedito.

CUB – sigla utilizada para Custo Unitário Básico. (CUB). O CUB foi criado pela Lei nº 4.591/1964
e é um valor por unidade de área construída (R$/m²), o qual deve ser multiplicado pela área to-
tal edificada, a fim de se obter a estimativa de custos de uma edificação. Atualmente a Norma
Brasileira que estabelece a metodologia de cálculo do CUB é a ABNT NBR 12721/2006.

Projetos-padrão - Projetos selecionados para representar os diferentes tipos de edificações, que


são usualmente objeto de incorporação para construção em condomínio e conjunto de edifica-
ções, definidos por suas características principais:

• número de pavimentos;

• número de dependências por unidade;

• áreas equivalentes à área de custo padrão privativas das unidades autônomas;

• padrão de acabamento da construção; e

• número total de unidades

Estas características servem de base aos Sindicatos da Indústria da Construção Civil para o cálculo
dos custos unitários básicos.

Orçamento de referência - peça técnica que traz o detalhamento do preço global a ser ado-
tado pelo órgão público (preço de referência), e que expressa a descrição, quantidades e custos
unitários de todos os serviços, incluídas as respectivas composições de custos unitários, necessá-
rios à execução da obra e compatíveis com o projeto que integra o edital de licitação.

Custo direto - compreendem os componentes de preço que podem ser devidamente identifica-
dos, quantificados e mensurados na planilha orçamentária da obra, de forma objetiva, por meio
de alguma unidade de medida (quilogramas de materiais consumidos, horas de mão de obra
utilizadas etc.).

Custo indireto - são custos gerais não atribuíveis a determinado(s) serviço(s) ou custos comuns
a diversos objetos de custeio alocados indiretamente por meio de critérios de rateios e, por isso,
não são medidos individualmente. São calculados por meio de estimativas e aproximações, cuja
precisão da mensuração pode conter algum grau de subjetividade.

Obras Públicas de Edificação e de Saneamento


49

Módulo 1 - Aula 3 - Orçamentação


Estrutura analítica de projetos (EAP) – é a “decomposição hierárquica” de uma obra em eta-
pas e/ou serviços de modo a facilitar o levantamento das quantidades e seu acompanhamento.

ART – sigla utilizada para Anotação de Responsabilidade Técnica. Instituída pela Lei 6.496/1977,
a ART é o documento que define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendi-
mento de engenharia, arquitetura e agronomia.

Sicro – sigla utilizada para Sistema de Custos Referenciais de Obras Rodoviárias, mantido pelo
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT.

Sinapi - sigla utilizada para Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção
Civil, mantido pela Caixa Econômica Federal.

Encargos sociais - são os custos incidentes sobre a folha de pagamentos de salários e têm sua
origem na CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, na Constituição Federal de 1988, em leis
específicas e nas convenções coletivas de trabalho.

BDI – sigla para Benefícios e Despesas Indiretas. É um percentual aplicado linearmente sobre
todos os itens da planilha que representa o total dos custos indiretos mais o lucro do construtor.

Orçamento sintético - é a própria planilha orçamentária, ou seja, é a relação de todos os servi-


ços da obra com as respectivas unidades de medida, quantidades e preços unitários, calculados a
partir dos projetos, cronograma e demais especificações técnicas, apresentando ainda os preços
totais de cada serviço e o preço total da obra.

Orçamento analítico - é a planilha orçamentária (orçamento sintético) acrescida das Composições


de Custos Unitários de todos os serviços.

Orçamento detalhado – o mesmo que orçamento analítico.

Tribunal de Contas da União