Você está na página 1de 23

U N I V E R S I D A D E F E D E R A L D O E S TA D O D O R I O D E

JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS – CCH
LICENCIATURA EM HISTÓRIA

Monografia

Getúlio Vargas: o autoritarismo do pai dos pobres

Aluno(a): Mônica de Siqueira Fonseca farias


Matrícula: 14116090164
Polo: Resende

2018
U N I V E R S I D A D E F E D E R A L D O E S TA D O D O R I O D E
JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS – CCH
LICENCIATURA EM HISTÓRIA

Monografia

Getúlio Vargas: o autoritarismo do pai dos pobres

Aluno(a): Mônica de Siqueira Fonseca farias


Matrícula: 14116090164
Polo: Resende

Anteprojeto de pesquisa apresentado ao Curso de


Licenciatura em História (Modalidade à
Distância)/ UNIRIO/CEDERJ como requisito
parcial para a aprovação na disciplina de
Metodologia da Pesquisa Histórica

2018
Sumário
1. Apresentação e delimitação do tema de pesquisa ............................................................... 4
2. Objetivos ............................................................................................................................. 6
3. Referenciais teóricos ........................................................................................................... 7
4. Fontes e Metodologias ...................................................................................................... 16
5. Roteiro de redação ............................................................................................................ 18
6. Fontes Documentais .......................................................................................................... 20
7. Bibliografia ....................................................................................................................... 20
1. Apresentação e delimitação do tema de pesquisa
Esta pesquisa terá como recorte temporal o século XX da História do Brasil, mais
especificamente o período conhecido como Era Vargas, que teve início em 1930, com o
Governo Provisório, e encerrou-se em 1945, após a deposição de Getúlio, que governava como
ditador desde 1937, ano da instauração da ditadura do Estado Novo.
A Era Vargas é um período reconhecido como controverso e complexo por diversos
historiadores, como bem destaca Jorge Ferreira em sua contribuição à obra de Bastos e Fonseca,
“existiram vários Getúlios” (BASTOS e FONSECA, 2012, p.296). Vez por outra vemos a
figura de Getúlio ser evocada em inúmeros trabalhos e mesmo na mídia, como foi o caso da
eleição promovida pelo Jornal Folha, onde Getúlio Vargas foi eleito o “maior Brasileiro de
todos os tempos” (SPINELLI, 2007).
Vargas se via como salvador da pátria, herança castilhista (RODRIGUEZ, 2017) e
para levar a solução a população, não hesitava em utilizar de coesão. Ele mesmo se reconhece
como ditador “O período ditatorial tem sido útil, permitindo a realização de certas medidas
salvadoras, de difícil ou tardia execução dentro da órbita legal.” (NETO, 2013, posição 5).
Além do destaque para a figura do antigo presidente, a compreensão da Era Vargas
em si é de suma importância uma vez que a forte influência de sua herança alcança os dias
atuais através de instituições e projetos, seu legado “é inseparável das instituições que ajudaram
a direcionar o desenvolvimento econômico e social posterior do país” (BASTOS e FONSECA,
2012, p.9-10).
É interessante assinalar que esse período do Governo Vargas (de 1937 a 1945, o
Estado Novo), tratou-se não apenas de um período de fortes mudanças políticas, mas também
social e cultural. A cultura passa então a ser um assunto de Estado e ganha ampla atenção por
parte do Governo. Ela deveria ter necessariamente uma função, formar homens comprometidos
com a pátria e, logicamente, com o governo.
O período de instauração do Estado Novo é um período bastante controverso da
história do Brasil. Seguiu-se como um desenrolar da Intentona, em 1935, e após a divulgação
do suposto Plano Cohen, culminando na suspensão das eleições, o fechamento do Congresso e
o exílio da oposição.
Um outro aspecto interessante a ser destacado durante o Estado Novo é o aspecto
modernizador de Vargas que, influenciado pelo Castilhismo (RODRIGUEZ, 2017 e 2000;
FONSECA, 2001), via o Governo como o responsável, não apenas por um aprimoramento
moral da sociedade, mas também por um aprimoramento material, modernizando, assim, o
patrimonialismo tradicional (GARSCHAGEN, 2013; PAIM, 1978; RODRIGUEZ, 2000;
SCHWARTZMAN, 2015). “Num contexto marcado pelo patrimonialismo tradicional... o
espírito republicano castilhista constituía uma posição modernizadora...” (RODRIGUEZ, 2000,
p.251). Desta forma, o Estado patrimonial modernizador, ao mesmo tempo que é centralizador
e autoritário, incorpora o “caráter tutelar-moralista e conservador” (RODRIGUEZ, 2000,
p,256) da política castilhista, buscando o aprimoramento material da nação.
Nesse contexto então, pretendo abordar dois aspectos aparentemente contraditórios
da figura de Vargas que, vez por outra, aparecem em discussões e trabalhos acadêmicos. O
Getúlio ditador e Getúlio “pai dos pobres”. É difícil encontrar com pessoas que viveram o
período que se recordem do ex-presidente de uma maneira diferente de “o bom presidente”, “o
presidente do povo” e coisas do tipo.
Para tanto, acredito que seja necessário que minha pesquisa promova primeiramente
a identificação das inúmeras medidas repressivas ao longo do governo Vargas no período do
Estado Novo, mais especificadamente no que diz respeito à repressão política através de
prisões, torturas, exílio e possíveis assassinatos de oponentes políticos e à censura. Também
acredito ser necessária a pesquisa e análise de indícios que demonstrem a idealização de sua
figura pelo povo como o pai dos pobres, fazendo assim um comparativo dos dois aspectos,
mostrando ambos como dois lados de uma mesma moeda, como um dos “vários Getúlios”
(BASTOS e FONSECA, 2012).
Uma breve pesquisa bibliográfica demostra que o tema deste estudo é
constantemente abordado de maneira indireta em diversos trabalhos, penso ser relevante reunir
num só local as opiniões de diversos autores a respeito dessa ambiguidade do Estado Novo e
da aparente contradição entre os diferentes “Getúlios”, buscando assim a resposta para nossa
questão central.
2. Objetivos
Objetivo geral
• Descobrir porque, no imaginário brasileiro, o aspecto de pai dos pobres é o que
costuma falar mais alto na figura de Getúlio Vargas, mesmo sendo sua ela amplamente
conhecida também por seu outro aspecto, o de ditador.

Objetivos específicos:
• Identificar o processo que levou Getúlio a ser conhecido como pai dos pobres e
esse reconhecimento na memória do brasileiro comum
• Identificar as medidas repressivas ao longo do governo Vargas no período do
Estado Novo, para demonstrar o aspecto autoritário da figura de Getúlio;
• Comparar as informações para encontrar as razoes que levam o aspecto
paternalista (de pai dos pobres) sobressair sobre o aspecto autoritário da figura de Getúlio
Vargas.
3. Referenciais teóricos
É muito relevante que se passe agora a expor alguns conceitos centrais que
nortearão esse trabalho e possibilitarão que ao final se responda à questão inicial que o motivou.
Para tal fim, apresentaremos tais ideias a partir de uma pequena revisão bibliográfica do
assunto, partindo desde as ideias mais gerais até as mais específicas e diretamente relacionadas
com o objetivo geral.
Vejamos primeiramente algumas informações historiográficas gerais a respeito da
Era Vargas e, inserido nela, o período do Estado Novo. A breve apresentação desses dados
historiográficos do regime nos permite vislumbrar um pouco da relevância e atualidade do tema.
Levine (2001), caracteriza a Era Vargas como um período controverso e Gomes
(2013) apresenta Getúlio Vargas como uma figura “ambígua e complexa”. Essa ambiguidade e
complexidade podem ser vistas de forma bastante clara no trecho abaixo:

Getúlio Vargas consolidou-se na memória coletiva brasileira pelos temas de sua


Carta-Testamento: como o mártir que se sacrificou na defesa do interesse do povo-
nação contra seus inimigos... há uma memória negativa – do ditador, do político
demagogo e do caudilho – consagrada pelas forças de oposição ao varguismo. E estas
vão desde os grupos conservadores... até intelectuais de esquerda, os quais
consagraram a crítica acadêmica ao denominado populismo. (BASTOS e FONSECA,
2012, p.7).

Amado por uns e odiado por outros, a figura mítica de Getúlio Vargas vez por outra
vem à tona, abordados diretamente ou indiretamente em vários trabalhos acadêmicos e livros,
algumas vezes nem mesmo historiográficos (DOS ANJOS, 2016).
O primeiro período da Era Vargas teve início em 1930 com o estabelecimento do
Governo Provisório e encerrou-se em 1945 com a deposição do ditador. Após a Revolução de
30, Getúlio Vargas é colocado à frente do Governo Provisório. O intervencionismo nos estados
e a centralização demonstram logo de início a mudança da política antiga por parte do governo.
O Congresso Nacional é dissolvido e os estados da Federação passam a receber intervenções
federais. Já em março de 1931 Getúlio estabelece por decreto a nova Lei de Sindicalização que
“submete as associações operarias ao novo Ministério do Trabalho” (GOMES, 2013, p.12). Em
outubro 1932 o Governo Provisório, após grande repressão a Revolta Constitucionalista,
eclodida em São Paulo, inicia os preparativos para a reconstitucionalização e, após eleições, a
Assembleia Constituinte é instalada em novembro de 1933, Getúlio é eleito indiretamente,
dando início ao Governo Constitucional, que deveria durar de 1934 a 1938.
Se a Era Vargas como um todo é considerada controversa, pode-se identificar
dentro dela um outro período talvez ainda mais intenso nesse sentido: O Estado Novo. Nas
palavras de Pandolfi “Poucas fases da história do Brasil produziram um legado tão extenso e
duradouro como o Estado Novo.” (PANDOLFI, 1999, p.6)
A instauração do Estado Novo ocorrerá em novembro de 1937 após dois episódios.
O primeiro é a Intentona Comunista de 1935, de cujos “levantes foram rapidamente dominados,
e a repressão que se seguiu foi rigorosa, resultando em milhares de prisões.” (D’ARAÚJO,
2011, p.32). É declarado o estado de sítio no país e o Congresso é fechado. As próximas eleições
estavam previstas para 1938, mas não ocorreram pois, (e temos aqui o segundo episódio) com
a posição de Vargas fortalecida pela ameaça comunista e após a divulgação de um suposto
segundo plano comunista, o Plano Cohen, Vargas, em novembro de 1937, “com apoio militar,
deu um golpe de Estado: fechou o Congresso, outorgou nova Constituição, cancelou as eleições
e manteve-se no poder” (D’ARAÚJO, 2011, p.33).
A partir de 1938, Vargas intensificou o uso de “um programa de propaganda política
e de festas cívicas de modo a engrandecer seu nome e fortalecer o espírito de nacionalidade.
Tal tarefa, assim como a censura à imprensa escrita e falada, cabia ao Departamento Nacional
de Propaganda (DNP)” (D’ARAÚJO, 2011, p.33). Era o modelo em voga nos regimes
totalitários da época, Hitler, Mussolini, Stalin fizeram o mesmo. (D’ARAÚJO, 2011).
Enquanto ditador, Vargas passou a agir por meio de decretos-leis, enfraquecendo
legislativo, e o judiciário perdera totalmente a autonomia. Com o intuito de manter a ordem e a
paz, os meios de comunicação são censurados, evitando-se assim qualquer tipo de
manifestação. “Na área trabalhista, em 1939 foi sancionada nova Lei de Sindicalização, que
restringiu a autonomia sindical... em 1º de maio de 1943, foi editada a Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT)” (D’ARAÚJO, 2011, p.34) de inspirações claramente fascistas (BASTOS
e FONSECA, 2012).
A entrada do Brasil na segunda guerra despertou muitos para a contradição de o
Brasil lutar contra um país fascista e, certamente, contribuiu para o enfraquecimento do regime
(PANDOLFI, 1999). A ditadura entra em sua fase final em 1945, novas eleições são convocadas
a partir em fevereiro daquele ano. O movimento queremista, a favor a da permanência de
Getúlio e a desconfiança de um novo golpe para essa permanecia levaram à deposição de
Vargas em outubro desse ano (D’ARAÚJO, 2011).
Após expormos brevemente um pouco da historiografia do período, faz-se
imprescindível a apresentação de alguns conceitos que estarão constantemente presentes em
nosso trabalho. Trataremos a seguir brevemente dos conceitos de paternalismo e autoritarismo,
aspectos que marcaram a figura de Vargas (e que serão analisados e confrontados neste estudo).
Marcaram também a história brasileira, no que diz respeito ao autoritarismo (LAMOUNIER,
2009; SCHWARTZMAN, 2015) e de maneira particular o Estado Novo, no que diz respeito ao
paternalismo ( PANDOLFI, 1999).
A primeira impressão que os termos deixam transparecer é de haver contradição
entre eles, mas ao verificar inicialmente a trajetória de Getúlio e suas influências, vemos que
não são. A política castilhista, grande influenciadora de Vargas, como já vimos, remete a

Uma filosofia política que inspira um governo autoritário, não-representativo, que


pospõe a liberdade e as garantias dos indivíduos ante o supremo interesse da segurança
do Estado, assumindo forte caráter tutelar-moralista e conservador. No cume de todo
o sistema castilhista encontramos a figura do líder carismático, que sabe para onde
deve guiar os destinos da sociedade e é consciente do papel salvador que lhe cabe
(RODRIGUEZ, 2000, p.272)

Vemos claramente a questão do autoritarismo, pela posposição da liberdade e as


garantias dos indivíduos, e o paternalismo, na figura do líder carismático, guia e salvador da
sociedade. Tal descrição pode ser facilmente atribuída a Getúlio Vargas, tanto que Rodriguez
(2000), em sua obra, atribui a Vargas o papel de representante desta política.
Nas definições de paternalismo que apresentaremos a seguir é possível perceber
que é constante a ideia da apresentação de uma solução ou de evitar-se um dano, como meta,
mesmo que para alcança-la seja necessária a limitação da liberdade. Não há grande
diferenciação entre conceitos, mas sim entre os limites e formas que ele é utilizado, bem como
as diferentes áreas em que se aplica.
Grecco (2007) conceituou o termo de uma maneira bastante simples e razoável em
seu artigo: “Por paternalismo deve-se entender a teoria segundo a qual prevenir dano a
determinada pessoa é uma boa razão para limitar a liberdade dessa mesma pessoa.”
Dworkin define paternalismo como “a interferência sobre a liberdade de ação de
uma pessoa justificada por razões referentes, exclusivamente, ao bem-estar, ao benefício, à
felicidade, às necessidades, aos interesses ou aos valores da pessoa coagida” (DWORKIN, 1972
apud NWORA, 2010, p.72)
Uma crítica a essas visões de paternalismo é a de Negro (2004), que as encara como
simplistas, pois a descrição é feita apenas na perspectiva dominante. Tal crítica é compartilhada
também por Martins que, citando Thompson (1995), acredita que “paternalismo é um termo
muito vago e amplo que geralmente descreve as relações sociais de uma perspectiva das classes
dominantes.” (MARTINS, 2008, p.233).
A despeito disso, ao observarmos as ações de Getúlio Vargas e principalmente a
propaganda estatal, identificamos vários aspectos dos conceitos abordados acima. Dentro
desses diversos níveis e modos de paternalismos o que irá nos interessa é o praticado pelo
estado, visto que foi o praticado à época do governo de Vargas. Portanto, para efeito do
desenvolvimento deste trabalho os conceitos de paternalismo de Dworkin, serão tomados como
base estudo, definição esta que se encontra publicada também na Enciclopédia de Stanford
(DWORKIN, 2017).
Tendo apresentado a definição de paternalismo, passamos agora para o segundo
termo importante de nosso trabalho: autoritarismo. Há uma dificuldade no estabelecimento de
uma definição por conta da excessiva amplitude (BORGES FILHO e FILGUEIRAS, 2005).
Decidimos por apresentar as definições partindo de um outro conceito, o de totalitarismo, ou
seja, apresentando o autoritarismo a partir do que ele não é. Isso por dois motivos: por conta do
contexto do nosso recorte temporal e para efeito de distinção entre os dois termos (uma
preocupação presente nos ideólogos do autoritarismo). O período entre guerras é conhecido
pela ascensão de regimes totalitários (Hitler, Stalin, Mussoline...) e como Vargas, (apesar de
assumirmos a posição de que ele se enquadre mais como um autoritário) assumiu alguns dos
aspectos desses regimes, achamos importante fazer a distinção. Nesse sentido vale a pena
relembrar que um dos objetivos de Azevedo Amaral e outros dos expositores contemporâneos
ao regime era “proteger — de forma mais ou menos eficaz — a acusação de ser o Brasil sob
Vargas um Estado totalitário ou fascista.” (SANTOS, 2010, p.36), daí preocupação em
diferenciar os dois tipos de regime.
Três autores são apontados como “os grandes ideólogos do autoritarismo”
(PANDOLFI, 1999), Oliveira Viana, Francisco Campos e Azevedo Amaral. Santos (2010) cita
o livro de Karl Loewenstein, “Brasil under Vargas” de 1942, como referência até os dias atuais
para a análise da diferenciação entre autoritarismo, fascismo e totalitarismo. Visto o
reconhecimento que esses autores têm nos artigos encontrados, apontaremos aqui os conceitos
e diferenciações de alguns deles. Abordaremos também o conceito de Hannah Arendt, autora
consagrada que contextualizou o totalitarismo em nosso século (SANTOS, 2010).
Ao apresentarmos as definições de alguns autores, veremos que há uma
congruência com relação ao fato de o totalitarismo se estender a toda esfera da vida, inclusive
a privada e não tolerar oposição alguma, enquanto no autoritarismo, um certo grau de oposição
e de liberdades individuais são tolerados.
Para Loewenstein (1942, p.370), “Autoritário” refere-se à forma de governo, ao tipo
e técnica de configuração política do poder. “Totalitário”, por outro lado... implica que a esfera
privada da vida do cidadão ou do sujeito individual está subordinada às políticas de interesse
público do Estado (apud SANTOS, 2010, p.10)
No pensamento de Hannah Arendt (1949) a característica central de um regime
totalitário é a “necessidade de controle das massas urbanas” (apud SANTOS, 2010, p.2) e “a
dominação permanente de todos os indivíduos em toda e qualquer esfera da vida” (HARENDT,
1989, p.375 apud DE SOUZA, 2007, p.243).
Azevedo Amaral via que não haveria contradição entre autoritarismo e democracia,
“O autoritarismo é compreendido como uma característica intrínseca ao exercício do governo
político, condição para a atuação “eficiente” do Estado... não envolve o aniquilamento da
personalidade humana acarretado pelo totalitarismo fascista.” (AMARAL, 1938, p.96 apud
SANTOS, 2010, p.25). Por outro lado, num regime totalitário, “o equilíbrio político e a ordem
social dependem implicitamente da subalternização completa dos componentes individuais da
sociedade ao ritmo ditado pelo interesse coletivo” (AMARAL, 1938, p.276 apud SANTOS,
2010, p.28).
Considerando então que a semelhança entre autoritarismo e totalitarismo é
conhecida entre os estudiosos, este trabalho irá optar pela distinção feita por Azevedo Amaral
e Loewenstein e que de certa forma, pode ser observada em Hanna Arendt.
Tendo colocado então a visão de alguns autores a respeito dos dois termos base
deste trabalho, veremos agora a questão do paternalismo de Vargas e o fato de ele ter ficado
gravado no imaginário brasileiro como pai dos pobres.
Segundo Levine (2001), o termo teria sido criado pelo então ministro do trabalho
Marcondes Filho. Getúlio Vargas, de maneira inédita na história política do Brasil, buscou sua
legitimidade no povo (BASTOS e FONSECA, 2012), por isso estabeleceu relação direta com
ele. Além disso, para evitar radicalismo político das massas, “resultado inevitável de um Estado
economicamente omisso” (BASTOS e FONSECA, 2012, p.254), Vargas buscou então uma
“reforma do capitalismo e da rede urbana de proteção social antes que o povo fizesse a
revolução” (BASTOS e FONSECA, 2012, p.255).
Para o alcance dessa legitimidade, era necessário buscar o fortalecimento da figura
de Getúlio. Nesta perspectiva, é de grande consenso o papel do Departamento de Imprensa e
Propaganda (DIP) na divulgação e estabelecimento da figura do Getúlio Vargas, “pai dos
pobres”. (BRANDI, 2018; MARTINS, 2008; PANDOLFI, 1999; NETO, 2013). A propaganda
em rádio era pensada justamente para atingir a massa que, em sua maioria, era de analfabetos,
sendo que mesmo os alfabetizados, em sua maioria, não tinham o costume de ler nem mesmo
jornais. Investindo pesado na propaganda, “Getúlio Vargas conseguia reforçar sua imagem de
protetor da classe trabalhadora” (PANDOLFI, 1999, p.11).
Além da máquina de propaganda do governo, o grande conjunto de políticas
públicas do governo Vargas “levava” essa imagem também, buscando assim reafirmar o que
dizia a propaganda. “O ‘mito’ Vargas não foi criado simplesmente na esteira da vasta
propaganda política, ideológica e doutrinária veiculada pelo Estado” (BASTOS e FONSECA,
2012, p.298). É o que nos demonstra Ângela de Castro Gomes em um dos capítulos da obra de
A Era Vargas: desenvolvimentismo, economia e sociedade.

Seu impacto e duração devem-se à articulação estabelecida com um amplo e


diversificado conjunto de políticas públicas, com destaque para as sociais, entre as
quais aquelas desenvolvidas pelos novos ministérios da Educação e Saúde e do
Trabalho, Indústria e Comércio. Grandes hospitais, escolas secundárias e
profissionais, pensões e aposentadorias, carteira de trabalho e estabilidade de
emprego, além de uma Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) atestavam o vínculo
entre a pessoa do presidente e, como se dizia na linguagem da época, as experiências
imediatas das massas. (BASTOS e FONSECA, 2012, p.87)

Corroborando tal pensamento, Martins destaca que “A propaganda e as políticas


sociais contribuíram para a construção da imagem do presidente como líder da Nação e defensor
dos trabalhadores”. Vemos então que propaganda e políticas públicas deviam andar de mãos
dadas para a construção da imagem de “Pai dos Pobres” (MARTINS, 2008, p.4).
Martins (2008) fez uma análise de algumas cartas enviadas pelo povo brasileiro a
Getúlio. Ela identifica nas cartas a melhor aplicabilidade da imagem de “Pai dos Pobres” e nelas
observa, para além do teor subalterno e conformista, o retrato de brasileiros despossuídos e
impotentes. Ela destaca a tentativa daquele que escrevia a carta, de se provar merecedor de seu
pedido, provando que sua família representava os valores divulgados pela propagando Estado.
Neste sentido, as cartas constituíram “instrumentos políticos, formas encontradas pelas pessoas
comuns para se comunicar com a autoridade que poderia melhorar suas vidas.” (MARTINS,
2008, p.26).
Desta forma, é possível ver a noção de paternidade assumida pela massa pobre e
estampada em suas cartas ao presidente, estas são “evidências da complexidade das relações
entre poderosos e pessoas comuns, bem como das formas encontradas por estas de adequar suas
necessidades e seus valores ao ideário político dominante.” (MARTINS, 2008, p.26).
Tratado então esse aspecto de Getúlio prossigamos então para seu aspecto
autoritário, apresentando algumas medidas repressivas tomadas ao longo da Era Vargas.
Apesar de os ideólogos da época destacarem o fato de que o Brasil não passava por
um regime totalitário, como ressaltou Loewenstein,
Nada está mais afastado da verdade do que a suposição de que a vida social no Brasil
sob Vargas é totalitária no sentido preciso do sacrifício da esfera privada do indivíduo
ao Leviatã do Estado. A vida privada, o direito privado, a família, os negócios, a
recreação e as atividades culturais permanecem não afetados pelo regime sob a
circunstância de que não obstruam políticas públicas (LOEWENSTEIN, 1942, p. 370
apud SANTOS, 2010, p.10),

É bem verdade também que o regime repressivo de Getúlio foi intenso e que o
governo, em determinadas situações, não fazia questão de esconder os números da repressão
(NETO, 2013). Eram inúmeras as denúncias de tortura, Neto dedica em seu livro um capítulo
apenas para essa questão. “Ao longo dos seis meses seguintes [à Intentona Comunista], em
meio a uma onda incontrolável de histeria e clamor popular anticomunista, a polícia política
faria um total de 7056 prisões, conforme as estatísticas oficiais apresentadas com orgulho pelo
próprio Filinto Müller.” (NETO, 2013, posição 5142-5143).
Vargas entendia o regime ditatorial como necessário para a execução de “certas
medidas salvadoras, de difícil ou tardia execução dentro da órbita legal. A maior parte das
reformas iniciadas e concluídas não poderia ser feita em um regime em que predominasse o
interesse das conveniências políticas e das injunções partidárias.” (NETO, 2013, posição 1047).
Apesar de o período repressivo ter se intensificado após a Intentona, não foi algo
exclusivo do Estado Novo. Já durante o governo constitucional podia-se falar de repressão,
assassinato e tortura (ALAMINO, 2015). Marques (2011) dedicou uma tese de mestrado a
respeito do uso que Vargas fazia da constituição para repressão política, analisando apenas o
período entre 1935 e 1937. Um dos estopins para eclosão da Revolução de 1932 foi a repressão,
uma vez que jovens que protestavam contra o governo morreram por mãos de tropas getulistas
em maio de 1932. Campinho (2006) aborda também a questão da repressão aos sindicatos no
período do Governo Constitucional.
A ditadura do Estado Novo inaugura, porém, um novo tempo e promove uma
ampliação considerável das medidas repressivas. “Com a implantação do Estado Novo, Vargas
cercou-se de poderes excepcionais. As liberdades civis foram suspensas... e a repressão policial
instalou-se por toda parte.” (PANDOLFI, 1999, p.10) e Boris Fausto, em um dos capítulos de
“Repensando o Estado Novo”, completa “Os homens do regime encarceram, censuram, em
alguns casos torturam, promovem e também enquadram os sindicatos.” (PANDOLFI, 1999,
p.20). Tudo feito à margem da lei (NETO, 2013). Vargas também não impediu a tortura como
método investigativo, as denúncias de violência não eram apuradas e os políticos que haviam
feito denúncias de tortura acabaram presos ou exilados (NETO, 2013).
Apesar de esses dois aspetos da figura de Vargas, nos levarem, num primeiro
momento, a ideia de que são contraditórios, nossa bibliografia nos mostrou que na verdade não
são. Pois o paternalismo, como vimos, vai levar necessariamente a redução de liberdades. As
observações em Bastos e Fonseca (2012) de que na verdade, existiram “vários Getúlios” e que,
tanto a visão de quem “ama” quanto a visão de quem “odeia” o ditador, estão corretas, também
corrobora o fato de não ser uma contradição vermos os dois aspectos em Vargas. Demonstra-
se que Vargas

Governou como ditador e como democrata; foi o reformador social e enquadrou os


sindicatos com leis coercitivas; censurou a imprensa e patrocinou o cinema, o teatro,
as artes plásticas, a literatura e o canto orfeônico; perseguiu os comunistas e fundou a
Petrobras. Para conhecê-lo, portanto, é preciso aceitar que o reformador social e líder
nacionalista foi o mesmo que manteve simpatias por regimes autoritários e perseguiu
as esquerdas (BASTOS e FONSECA, 2012, p.296)

Assim sendo, a partir da leitura de alguns autores podemos começar a estabelecer


alguns motivos que levaram o aspecto de “Pai dos Pobres” da figura de Vargas prevalecer no
imaginário brasileiro.
Um primeiro motivo e, de certa forma, mais claro, diz respeito à propaganda estatal
bem sucedida, como bem destacou Maria Luiza Tucci Carneiro, essa ideia de um Getúlio pai
dos pobres, “é, ainda nos dias de hoje, sinal de que a doutrinação sustentada pela propaganda
estado-novista surtiu efeitos e alcançou um dos objetivos almejados: o do culto à personalidade
de Vargas, (PANDOLFI, 1999, p.327)
Na linha de que autoritarismo e paternalismo andam juntos, Ângela de Castro
Gomes, em sua contribuição para a obra de Bastos e Fonseca (2012) ressaltou que era
justamente o autoritarismo que permitia a ligação direta entre ditador e povo pois, “a
identificação entre Estado e nação, bem como a concentração da autoridade do Estado na figura
do presidente, eliminava a necessidade de corpos intermediários entre o povo e o governante
(BASTOS e FONSECA, 2012, p.78). Ela faz também uma referência ao personalismo e ao
corporativismo que ajudariam a “explicar porque figuras carismáticas estariam sempre no
horizonte do imaginário político brasileiro.” (BASTOS e FONSECA, 2012, p.87).
Para Levine (2001), apesar de Vargas, durante seu governo, muito pouco ter
mudado na situação dos pobres e ter mantido o esquema oligárquico brasileiro, suas ações
foram capazes de, pela primeira vez, elevar a dignidade do brasileiro. A população via-o como
alguém acessível e que intercederia por. Talvez aqui esteja a “chave” para a compreensão da
visão “pai dos pobres”. É algo que pode-se ver em Martins (2008) e, de é certa forma por Ângela
de Castro Gomes, quando ela diz que o autoritarismo o aproximava do povo.
Podemos ver então, através dos diversos autores que foram apresentados a
relevância e sempre atualidade do tema. Em nosso estudo buscaremos reunir e analisar variadas
informações e opiniões de estudiosos do tema, a fim de esclarecer um pouco mais ao leitor a
respeito das diversas possíveis razões da a manutenção, no imaginário brasileiro, de um Getúlio
Vargas “Pai dos pobres”.
4. Fontes e Metodologias
Este estudo será desenvolvido com base em fontes primárias e secundárias. Como
fontes documentais podemos citar alguns discursos de Getúlio Vargas e alguns trechos de cartas
de brasileiros ao mesmo. Os discursos encontram-se na publicação "A nova política do Brasil"
que trata dos discursos de Vargas entre os anos de 1938 1947, impresso em 11 volumes dos
quais 9 se encontram disponíveis no site da biblioteca da presidência1 e também estão
reproduzidos parcialmente na obra de D’Aaraújo (2011). Os trechos das cartas de brasileiros a
Getúlio podem ser encontrados reproduzidos parcialmente no artigo de Martins (2008).
Ainda nas fontes documentais temos o livro “Estado Novo: um autorretrato
(Arquivo Gustavo Capanema)”, organizado por Simon Bolívar, é uma coletânea de textos da
época, inicialmente um projeto do governo Vargas da década de 1930 (basicamente uma grande
propaganda do governo). Trata-se então de uma obra escrita pela perspectiva dos governantes,
nada imparcial, mas como uma grande quantidade de informações e dados.
Acredito encontrar nestas fontes dados que indiquem aspectos do pensamento e
personalidade de Getúlio Vargas. Tais aspectos poderão ser encontrados de uma maneira direta
em seus discursos e no arquivo de Gustavo Capanema e de maneira indireta nas cartas do povo
a Getúlio. Procurarei também encontrar os dados referentes aos números da repressão no livro
organizado por Simon Bolívar.
Dentre as fontes secundárias, serão utilizadas livros e artigos científicos sobre o
tema, amplamente disponíveis na internet e dos quais gostaríamos de citar alguns.
Primeiramente os livros “Bases do autoritarismo Brasileiro” de Simon
Schwartzman e “Castilhismo: uma filosofia da República”, de Ricardo Veles Rodríguez
tornam-se imprescindível para a compreensão da herança autoritária que acompanha a história
do Brasil, bem como as influências do autoritarismo e paternalismo na trajetória de Getúlio
Vargas.
As obras “Repensando o Estado Novo” e “A Era Vargas: desenvolvimentismo,
economia e sociedade”, organizadas por Pandolfi e, Bastos e Fonseca, respectivamente,
fornecem, através dos diversos autores, uma visão bastante abrangente do período, tratando de
temas como, autoritarismo, corporativismo, desenvolvimento, trabalhismo, políticas públicas,
cultura, propaganda, repressão.

1
Os referidos volumes encontram-se disponíveis em:
http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/publicacoesoficiais/catalogo/getulio-vargas/
O livro de Levine terá também grande importância em nosso estudo, uma vez que
ele se mostra bastante crítico ao fato de Getúlio Vargas ser conhecido como “pai dos pobres”.
Para o autor, não haveria em Vargas preocupação alguma em diminuir a desigualdade de
distribuição de renda, dessa forma, apesar de o trabalhador, “pobre e ingênuo”, ver nele a figura
paterna, o autor afirma que a vida desse trabalhador não mudou muito durante todo o governo
de Getúlio Vargas. O autor considera que as leis do trabalho estabelecidas durante o período do
Governo Vargas foram as responsáveis pelo estabelecimento do controle social. Apesar disso,
Levine reconhece que as ações de Vargas elevaram, pela primeira vez, a dignidade do brasileiro.
A população via-o como alguém acessível e que intercederia por eles, o que podemos considerar
como sendo umas das “chaves” para a compreensão dessa visão de Vargas pelo brasileiro.
Apesar disso, Levine declara que o tratamento dado por Getúlio a seus “filhos” seria
diferenciado, privilegiando os “filhos obedientes” que o ajudassem em seu projeto industrial e
nacionalista.
O estudo consistirá em uma pesquisa bibliográfica de caráter exploratório e
descritivo. A pesquisa bibliográfica visará o aprofundamento historiográfico do tema proposto,
bem como a posterior descrição e busca de respostas para nossos objetivos específicos na
bibliografia selecionada.
A partir dessas leituras, a partir de um aprofundamento na análise do conteúdo das
obras mais relevantes à pesquisa, apresentaremos as congruências e divergências dos autores e
das fontes, relacionando-as, de forma a gerar os resultados e respostas a que esse estudo se
propõe.
5. Roteiro de redação
1) Introdução
a. Na introdução pretende-se abordar brevemente a história da chegada de Getúlio
Vargas ao poder, contextualizando o leitor através de uma breve história da trajetória política
de Vargas, bem como da situação política do Brasil no momento de sua ascensão, situando-o,
dessa forma, com relação ao período, ambiente e pessoa de que se irá tratar.

2) Breve revisão bibliográfica do período do Estado Novo


a. Neste capítulo será abordado suscintamente a historiografia do Estado Novo,
indicando seu início, contexto e razões de sua implantação, bem como a respeito da deposição
de Vargas em 1946. Já aqui serão fornecidos, mas não ainda de maneira sistemática, alguns
dados que permitirão certo vislumbre a respeito dos aspectos totalitário e paternalista de Getúlio
Vargas.

3) Conceituar paternalismo e totalitarismo


a. Este capítulo fornecerá uma breve a apresentação de alguns diferentes conceitos
de paternalismo a partir da visão de determinados historiadores a respeito do assunto, apontando
semelhanças e discordâncias entre eles. Feito isso o leitor será informado a respeito de quais
desses conceitos serão utilizados neste trabalho para o desenvolvimento do tema que se propõe.
b. Neste item abordarei o conceito de totalitarismo, buscando diferentes conceitos
entre alguns historiadores. Buscarei também trazer um breve histórico do surgimento dos
regimes totalitários. Após a análise entre semelhanças e diferenças entres os conceitos será
informado ao leitor qual deles norteará o trabalho.

4) Medidas repressivas no Estado Novo: a face totalitária de Getúlio


a. No item seguinte procurar-se-á aprofundar e destacar um considerado volume
de dados a respeito das medidas repressivas adotadas ao longo do governo Vargas no período
do Estado Novo, para demonstrar, a partir dos dados apresentados, o aspecto totalitário da figura
de Getúlio.
b. Será verificado neste segundo item a que classe de pessoas as medidas
repressivas se dirigiam e se tais medidas chegavam ao conhecimento da população. Buscar-se-
á saber se na época tais fatos causavam algum tipo de reação.

5) O último adeus ao “Pai dos pobres”


a. Este item abordará como e quando surgiu a expressão “Pai dos pobres” e como
a expressão começou a ser difundida.
b. Procurar-se-á demonstrar neste item, através de uma breve revisão bibliográfica
ou pesquisa de campo que Getúlio Vargas é amplamente conhecido e lembrado como pai dos
pobres pelo brasileiro de uma maneira geral.
c. No item seguinte será abordado o processo que levou Getúlio a ser conhecido
como pai dos pobres e ter amplo reconhecimento popular, dando ênfase aos aspectos
paternalistas da política Vargas e ao amplo uso da propaganda no período.
d. Neste item será buscado responder se esse reconhecimento de Getúlio como pai
dos pobres pode ser identificado já durante seu governo ou se foi algo mais caracterizado após
sua morte e perpetuado ao longo do tempo.

6) O autoritarismo do pai dos pobres


a. No seguinte capítulo procurar-se-á analisar e comparar as informações obtidas
nos capítulos quatro e cinco de maneira a tentar encontrar e destacar as razões que levaram
Getúlio Vargas a ser reconhecido como “pai dos pobres” entre os brasileiros de um modo geral,
apesar dos aspectos totalitários identificados em sua figura, respondendo então à questão que
norteou esse estudo.

7) Conclusão
a. Na conclusão espera-se repropor a discussão em torno da figura emblemática de
Getúlio Dornelles Vargas. Isso a partir de uma exposição mais clara a respeito das razões que
levaram Vargas a ser reconhecido mais como pai dos pobres, do que como ditador.
6. Fontes Documentais

SCHWARTZMAN, Simon. Estado Novo: um autorretrato (Arquivo Gustavo


Capanema). Brasília, Editora UNB, 1983.

D’ARAÚJO, Maria Celina. Perfis políticos: Getúlio Vargas. Biblioteca Digital da


Câmara dos Deputados – Centro de documentação e informação. Brasília, 2011

VARGAS, Getúlio. A nova política do Brasil. J. Olympio, 1930. Disponível em:


<http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/publicacoes-oficiais/catalogo/getulio-vargas/>.
Acesso em: 17 set. 2018.

7. Bibliografia

ALAMINO, Caroline Antunes Martins. Repressão e assassinato no Governo


Constitucional de Getúlio Vargas: o caso de José Constâncio Costa. Semina-Revista dos Pós-
Graduandos em História da UPF, v. 14, n. 1, p. 67-83, 2015. Disponível em:
<http://www.seer.upf.br/index.php/ph/article/view/5311>. Acesso em: 17 set. 2018

BASTOS, Pedro Paulo Z.; FONSECA, Pedro Cezar D. (Org.). A Era Vargas:
desenvolvimentismo, economia e sociedade. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

BORGES FILHO, Nilson; FILGUERAS, Fernando. Estado autoritário e violência


no Brasil. Revista portuguesa de história, Portugal, n. 37, p. 105-130, 2005. Disponível em:
<https://slidex.tips/download/juiz-de-fora-maio-de-2005>. Acesso em 20 set. 2018.

BRANDI, Paulo. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro / CPDOC / FGV.


Verbete Getúlio Vargas. Disponível em: <http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-
biografico/getulio-dornelles-vargas>. Acesso em: 17 set. 2018

CAMPINHO, Fábio. Sindicalismo de Estado: controle e repressão na era Vargas


(1930-1935). Revista Eletrônica do CEJUR, Paraná, UFPR, v. 1, n. 1, ago./dez, p. 114-135,
2006. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/cejur/article/view/14838/9959>. Acesso em: 17
set. 2018

D’ARAÚJO, Maria Celina. Perfis políticos: Getúlio Vargas. Biblioteca Digital da


Câmara dos Deputados – Centro de documentação e informação. Brasília, 2011

DE SOUZA, Ricardo Luiz. Hannah Arendt e o totalitarismo: o conceito e os


mortos. Vitória da Conquista, v.7, n.1, p. 243-260, 2007. Disponível em:
<http://periodicos.uesb.br/index.php/politeia/article/viewFile/230/248>. Acesso em:

DOS ANJOS, Marta Figueiredo. Um estudo preliminar sobre os movimentos de


institucionalização da matemática aplicada no Brasil. In: Anais eletrônicos do 15º Seminário
Nacional de História da Ciência e da Tecnologia. 2016, Florianópolis, SC. Disponível em:
<http://www.15snhct.sbhc.org.br/resources/anais/12/1474321500_ARQUIVO_SNHCMartad
osAnjoscorrigido.pdf.> Acesso em: 20 set. 2018.

DWORKIN, Gerald, “Paternalism”; Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2017


Disponível em: <https://plato.stanford.edu/entries/paternalism/>. Acesso em: 21 out 2018.

FONSECA, Pedro Cezar Dutra. As fontes do pensamento de Vargas e seu


desdobramento na sociedade brasileira. In: RIBEIRO, Maria Thereza Rosa (Org.). Interpretes
do Brasil–Leituras críticas do pensamento social brasileiro”, Porto Alegre: Mercado aberto,
2001. p. 103-124,.

GARSCHAGEN, Bruno. Pare de acreditar no governo. Rio de Janeiro: Record,


2015.

GOMES, Ângela de Castro (Coord.). Olhando para dentro: 1930-1964. Rio de


Janeiro: Objetiva, 2013.

GRECCO, Luis. A crítica de Stuart Mill ao paternalismo. Revista Brasileira de


Filosofia, Curitiba, v.4, n.7, p. 81-92, 2012. Disponível em:
<http://www.sistemacriminal.org/site/images/Revista_n.7.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018.
LAMOUNIER, Bolívar. Bases do autoritarismo revisitado: diálogo com Simon
Schwartzman sobre o futuro da democracia brasileira, In: SCWARTZMAN, L.F. et al. (org.).
O Sociólogo e as Políticas públicas: ensaios em homenagem a Simon Schwartzman. Rio de
Janeiro: FGV, 2009. p. 53-66. Disponível em:
<http://www.schwartzman.org.br/simon/fest2_bolivar.pdf>. Acesso em: 10 out. 2018.

LEVINE, Robert M. Pai dos pobres?: o Brasil e a Era Vargas. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.

MARQUES, Raphael Peixoto de Paula. Repressão política e usos da constituição


no governo vargas (1935-1937): a segurança nacional e o combate ao comunismo. 2011, 209
f. Dissertação (Mestrado em Direito) – Universidade de Brasília, Faculdade de Direito,
Brasília. 2011.

MARTINS, Ana Paula Vosne. Dos pais pobres ao pai dos pobres: cartas de pais e
mães ao presidente Vargas e a política familiar do Estado Novo. Diálogos-Revista do
Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História, Maringá, v. 12,
n. 2-3, p. 209-235, 2008. Disponível em: <
http://eduem.uem.br/ojs/index.php/Dialogos/article/viewFile/38158/19855>. Acesso em: 10
out. 2018.

NEGRO, Antonio Luigi. Paternalismo, populismo e história social. Cadernos


AEL, Campinas, v. 11, n. 20/21, p.9-39, Primeiro e Segundo Semestres, 2004. Disponível em:
<https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/24672/1/2004%20negro%20CADs%20AEL.PDF>.
Acesso em: 10 out. 2018.

NETO, Lira. Getúlio Do Governo Provisório à ditadura do Estado Novo (1930-


1945). São Paulo, Cia das Letras, 2013.

NWORA, Emmanuel Ifeka. Liberdade do indivíduo versus autoridade do


Estado na filosofia política de John Stuart Mill. 2010. 121 f. Dissertação (Mestrado em
Filosofia) - Universidade de Brasília, Brasília, 2010.
PAIM, Antônio. A querela do estatismo. 1a. edição. Rio de Janeiro, Tempo
Brasileiro, 1978.

PANDOLFI, Dulce Chaves et al. Repensando o Estado Novo. 1999. Rio de


Janeiro: FGV, 1999.

RODRÍGUEZ, Ricardo Vélez. O novo conceito de Era Vargas - Sua fundamentação


teórica. Revista Estudos Filosóficos, São João del Rei, n. 3, p. 154-166, 2009.

______. Castilhismo: uma filosofia da República. 2000. Brasília: Senado


Federal, Conselho Editorial, 2000. (Coleção Brasil 500 anos)

SANTOS, Rogério Dultra dos. O conceito de totalitarismo em Azevedo


Amaral. Paper apresentado no XXXIV Encontro Anual da ANPOCS: Caxambu, 2010

SCHUNEMANN, Bernd. A crítica ao paternalismo jurídico penal: um trabalho de


Sísifo?. Revista Brasileira de Filosofia, Curitiba, v.4, n.7, p. 47-70, 2012. Disponível em:
<http://www.sistemacriminal.org/site/images/Revista_n.7.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018.

SCHWARTZMAN, Simon. Bases do autoritarismo brasileiro. 5ª edição,


Campinas: Editora da Unicamp, 2015.

SPINELLI, Laura Capriglione Evandro. Getúlio Vargas é apontado como "Maior


Brasileiro de Todos os Tempos" Folha de São Paulo, 2007. Disponível em:
< https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u90833.shtml>. Acesso em: 25 de set. 2018.