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1324 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.

o 42 — 19 de Fevereiro de 2002

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA Artigo 4.o


Alteração ao Código de Processo Civil
Lei n.o 13/2002 O artigo 1083.o do Código de Processo Civil passa
a ter a seguinte redacção:
de 19 de Fevereiro

APROVA O ESTATUTO DOS TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS E FIS- «Artigo 1083.o


CAIS (REVOGA O DECRETO-LEI N.o 129/84, DE 27 DE ABRIL) Âmbito de aplicação
E PROCEDE À 3.A ALTERAÇÃO DO DECRETO-LEI N.o 59/99, DE
2 DE MARÇO, ALTERADO PELA LEI N.o 163/99, DE 14 DE SETEM- O disposto no presente capítulo é aplicável às acções
BRO, E PELO DECRETO-LEI N.o 159/2000, DE 27 DE JULHO, de regresso contra magistrados, propostas nos tribunais
À 42.A ALTERAÇÃO DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, À 1.A ALTE- judiciais, sendo subsidiariamente aplicável às acções do
RAÇÃO DA LEI N.o 168/99, DE 18 DE SETEMBRO, E À 2.A ALTE- mesmo tipo que sejam da competência de outros
RAÇÃO DA LEI N.o 11/87, DE 7 DE ABRIL, ALTERADA PELO tribunais.»
DECRETO-LEI N.o 224-A/96, DE 26 DE NOVEMBRO. Artigo 5.o
Alterações ao Código das Expropriações
A Assembleia da República decreta, nos termos da
alínea c) do artigo 161.o da Constituição, para valer Os artigos 74.o e 77.o do Código das Expropriações,
como lei geral da República, o seguinte: aprovado pela Lei n.o 168/99, de 18 de Setembro, passam
a ter a seguinte redacção:
Artigo 1.o
«Artigo 74.o
Aprovação [. . .]

É aprovado o Estatuto dos Tribunais Administrativos 1— .........................................


e Fiscais, que se publica em anexo à presente lei e que 2— .........................................
dela faz parte integrante. 3— .........................................
4 — Se não for notificado de qualquer decisão no prazo
de 90 dias a contar da data do requerimento, o interessado
Artigo 2.o pode fazer valer o direito de reversão no prazo de um
ano, mediante acção administrativa comum a propor no
Disposição transitória
tribunal administrativo de círculo da situação do prédio
1 — As disposições do Estatuto dos Tribunais Admi- ou da sua maior extensão.
nistrativos e Fiscais não se aplicam aos processos que 5 — Na acção prevista no número anterior, é cumulado
se encontrem pendentes à data da sua entrada em vigor. o pedido de adjudicação, instruído com os documentos men-
2 — As decisões que, na vigência do novo Estatuto, cionados no artigo 77.o, que o tribunal aprecia, seguindo
os trâmites dos artigos 78.o e 79.o, no caso de reconhecer
sejam proferidas ao abrigo das competências conferidas
o direito de reversão.
pelo anterior Estatuto dos Tribunais Administrativos e
Fiscais são impugnáveis para o tribunal competente de Artigo 77.o
acordo com o mesmo Estatuto. [. . .]

1 — Autorizada a reversão, o interessado deduz, no


Artigo 3.o prazo de 90 dias a contar da data da notificação da
autorização, perante o tribunal administrativo de círculo
Alteração ao regime jurídico das empreitadas de obras públicas da situação do prédio ou da sua maior extensão, o pedido
de adjudicação, instruindo a sua pretensão com os
O artigo 259.o do Decreto-Lei n.o 59/99, de 2 de seguintes documentos:
Março, que estabelece o regime jurídico das empreitadas
de obras públicas, passa a ter a seguinte redacção: a) ........................................
b) ........................................
c) ........................................
«Artigo 259.o d) ........................................
e) ........................................
[. . .]
2 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .»
1— .........................................
2 — Proferida a decisão e notificada às partes, o
processo será entregue no Conselho Superior de Obras Artigo 6.o
Públicas e Transportes, onde ficará arquivado, com- Alteração à Lei de Bases do Ambiente
petindo ao presidente do Conselho Superior decidir
tudo quanto respeite aos termos da respectiva exe- O artigo 45.o da Lei n.o 11/87, de 7 de Abril (Lei
cução por parte das entidades administrativas, sem de Bases do Ambiente), passa a ter a seguinte redacção:
prejuízo da competência dos tribunais administrativos
para a execução das obrigações do empreiteiro, «Artigo 45.o
devendo ser remetida ao juiz competente cópia da deci- Tutela judicial
são do tribunal arbitral para efeitos do processo
executivo. 1 — Sem prejuízo da legitimidade de quem se sinta
3 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .» ameaçado ou tenha sido lesado nos seus direitos, à actua-
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ção perante a jurisdição competente do correspondente 8 — O Governo adoptará os procedimentos neces-


direito à cessação da conduta ameaçadora ou lesiva e sários ao desenvolvimento regulamentar do regime esta-
à indemnização pelos danos que dela possam ter resul- belecido no presente artigo.
tado, ao abrigo do disposto no capítulo anterior, também
ao Ministério Público compete a defesa dos valores pro-
tegidos pela presente lei, nomeadamente através da uti- Artigo 8.o
lização dos mecanismos nela previstos. Norma revogatória
2 — É igualmente reconhecido a qualquer pessoa,
independentemente de ter interesse pessoal na São revogados:
demanda, bem como às associações e fundações defen-
soras dos interesses em causa e às autarquias locais, a) O Decreto-Lei n.o 45 006, de 27 de Abril de
o direito de propor e intervir, nos termos previstos na 1963;
lei, em processos principais e cautelares destinados à b) O Decreto-Lei n.o 784/76, de 30 de Outubro;
defesa dos valores protegidos pela presente lei.» c) O Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fis-
cais, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 129/84, de
27 de Abril;
Artigo 7.o d) O Decreto-Lei n.o 374/84, de 29 de Novembro;
Disposição transitória relativa ao recrutamento e formação de juízes e) A Lei n.o 46/91, de 3 de Agosto;
f) A Portaria n.o 116/92, de 24 de Fevereiro.
1 — No prazo máximo de 180 dias a contar da data
da publicação desta lei, é aberto concurso de recru-
tamento de juízes para os tribunais administrativos e Artigo 9.o
para os tribunais tributários ao qual podem concorrer Entrada em vigor
magistrados judiciais e do Ministério Público com pelo
menos cinco anos de serviço e classificação não inferior A presente lei entra em vigor um ano após a data
a Bom e juristas com pelo menos cinco anos de com- da sua publicação, com excepção do artigo 7.o, que entra
provada experiência profissional na área do direito em vigor no dia seguinte ao da publicação da presente
público, nomeadamente através do exercício de funções lei.
públicas, da advocacia, da docência no ensino superior
ou na investigação, ou ao serviço da Administração Aprovada em 20 de Dezembro de 2001.
Pública.
2 — A admissão a concurso depende de graduação
O Presidente da Assembleia da República, António
baseada na ponderação global dos factores enunciados
no artigo 61.o do Estatuto aprovado pela presente lei de Almeida Santos.
e os candidatos admitidos frequentam um curso de for-
mação teórica de três meses, organizado pelo Centro Promulgada em 31 de Janeiro de 2002.
de Estudos Judiciários, e, caso não sejam magistrados, Publique-se.
realizam um estágio de seis meses.
3 — Os candidatos admitidos ao concurso têm, O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
durante a frequência do curso de formação teórica refe-
rido no número anterior, o mesmo estatuto remune- Referendada em 7 de Fevereiro de 2002.
ratório e os mesmos direitos, deveres e incompatibi-
lidades dos restantes auditores de justiça do Centro de O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira
Estudos Judiciários e, no caso de serem funcionários Guterres.
ou agentes do Estado, de institutos públicos ou de
empresas públicas, podem frequentar o curso em regime ANEXO
de requisição e optar por auferir a remuneração base
relativa à categoria de origem, retomando os respectivos ESTATUTO DOS TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS E FISCAIS
cargos ou funções sem perda de antiguidade em caso
de exclusão ou de desistência justificada. TÍTULO I
4 — A frequência do curso de formação teórica por
magistrados judiciais e do Ministério Público e o seu Tribunais administrativos e fiscais
eventual provimento em comissão de serviço na juris-
dição administrativa e fiscal dependem de autorização, CAPÍTULO I
nos termos estatutários.
5 — A graduação dos nomeados para a jurisdição Disposições gerais
administrativa e fiscal, uma vez terminado o curso de
formação a que se refere o n.o 2, depende da classi- Artigo 1.o
ficação obtida, sem prejuízo do disposto no n.o 3 do
artigo 61.o do Estatuto aprovado pela presente lei. Jurisdição administrativa e fiscal
6 — As reclamações das decisões proferidas no
âmbito do concurso têm efeito meramente devolutivo. 1 — Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal
7 — Os juízes recrutados no âmbito do concurso pre- são os órgãos de soberania com competência para admi-
visto nos números anteriores têm as honras, precedên- nistrar a justiça em nome do povo, nos litígios emer-
cias, categorias, direitos, vencimentos e abonos que com- gentes das relações jurídicas administrativas e fiscais.
petem aos juízes de direito, dependendo a respectiva 2 — Nos feitos submetidos a julgamento, os tribunais
progressão na carreira dos critérios a que se referem da jurisdição administrativa e fiscal não podem aplicar
os n.os 4 e 5 do artigo 58.o do Estatuto aprovado pela normas que infrinjam o disposto na Constituição ou os
presente lei. princípios nela consagrados.
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Artigo 2.o danos resultantes do exercício da função política


Independência
e legislativa, nos termos da lei, bem como a
resultante do funcionamento da administração
Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal são da justiça;
independentes e apenas estão sujeitos à lei. h) Responsabilidade civil extracontratual dos titu-
lares de órgãos, funcionários, agentes e demais
Artigo 3.o servidores públicos;
i) Responsabilidade civil extracontratual dos sujei-
Garantias de independência tos privados, aos quais seja aplicável o regime
1 — Os juízes da jurisdição administrativa e fiscal são específico da responsabilidade do Estado e
inamovíveis, não podendo ser transferidos, suspensos, demais pessoas colectivas de direito público;
aposentados ou demitidos senão nos casos previstos na j) Relações jurídicas entre pessoas colectivas de
lei. direito público ou entre órgãos públicos, no
2 — Os juízes da jurisdição administrativa e fiscal âmbito dos interesses que lhes cumpre pros-
podem incorrer em responsabilidade pelas suas decisões seguir;
exclusivamente nos casos previstos na lei. l) Promoção da prevenção, da cessação ou da per-
3 — Os juízes da jurisdição administrativa e fiscal seguição judicial de infracções cometidas por
estão sujeitos às incompatibilidades estabelecidas na entidades públicas contra valores e bens cons-
Constituição e na lei e regem-se pelo estatuto dos magis- titucionalmente protegidos como a saúde
trados judiciais, nos aspectos não previstos nesta lei. pública, o ambiente, o urbanismo, o ordena-
mento do território, a qualidade de vida, o patri-
mónio cultural e os bens do Estado, das Regiões
Artigo 4.o Autónomas e das autarquias locais;
Âmbito da jurisdição m) Contencioso eleitoral relativo a órgãos de pes-
soas colectivas de direito público para que não
1 — Compete aos tribunais da jurisdição administra- seja competente outro tribunal;
tiva e fiscal a apreciação de litígios que tenham nomea- n) Execução das sentenças proferidas pela juris-
damente por objecto: dição administrativa e fiscal.
a) Tutela de direitos fundamentais, bem como dos
direitos e interesses legalmente protegidos dos 2 — Está nomeadamente excluída do âmbito da juris-
particulares directamente fundados em normas dição administrativa e fiscal a apreciação de litígios que
de direito administrativo ou fiscal ou decorren- tenham por objecto a impugnação de:
tes de actos jurídicos praticados ao abrigo de a) Actos praticados no exercício da função política
disposições de direito administrativo ou fiscal; e legislativa;
b) Fiscalização da legalidade das normas e demais b) Decisões jurisdicionais proferidas por tribunais
actos jurídicos emanados por pessoas colectivas não integrados na jurisdição administrativa e
de direito público ao abrigo de disposições de fiscal;
direito administrativo ou fiscal, bem como a c) Actos relativos ao inquérito e instrução crimi-
verificação da invalidade de quaisquer contratos nais, ao exercício da acção penal e à execução
que directamente resulte da invalidade do acto das respectivas decisões.
administrativo no qual se fundou a respectiva
celebração; 3 — Ficam igualmente excluídas do âmbito da juris-
c) Fiscalização da legalidade de actos material- dição administrativa e fiscal:
mente administrativos, praticados por quaisquer
órgãos do Estado ou das Regiões Autónomas, a) A apreciação das acções de responsabilidade
ainda que não pertençam à Administração por erro judiciário cometido por tribunais per-
Pública; tencentes a outras ordens de jurisdição, bem
d) Fiscalização da legalidade das normas e demais como das correspondentes acções de regresso;
actos jurídicos praticados por sujeitos privados, b) A fiscalização dos actos materialmente admi-
designadamente concessionários, no exercício nistrativos praticados pelo Presidente do
de poderes administrativos; Supremo Tribunal de Justiça;
e) Questões relativas à validade de actos pré-con- c) A fiscalização dos actos materialmente admi-
tratuais e à interpretação, validade e execução nistrativos praticados pelo Conselho Superior
de contratos a respeito dos quais haja lei espe- da Magistratura e pelo seu Presidente;
cífica que os submeta, ou que admita que sejam d) A apreciação de litígios emergentes de contratos
submetidos, a um procedimento pré-contratual individuais de trabalho, que não conferem a
regulado por normas de direito público; qualidade de agente administrativo, ainda que
f) Questões relativas à interpretação, validade e uma das partes seja uma pessoa colectiva de
execução de contratos de objecto passível de direito publico.
acto administrativo, de contratos especifica-
mente a respeito dos quais existam normas de Artigo 5.o
direito público que regulem aspectos do res- Fixação da competência
pectivo regime substantivo, ou de contratos que
as partes tenham expressamente submetido a 1 — A competência dos tribunais da jurisdição admi-
um regime substantivo de direito público; nistrativa e fiscal fixa-se no momento da propositura
g) Responsabilidade civil extracontratual das pes- da causa, sendo irrelevantes as modificações de facto
soas colectivas de direito público, incluindo por e de direito que ocorram posteriormente.
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2 — Existindo, no mesmo processo, decisões diver- 3 — O desdobramento e a agregação de tribunais pre-


gentes sobre questão de competência, prevalece a do vistos neste artigo são determinados por portaria do
tribunal de hierarquia superior. Ministro da Justiça, sob proposta do Conselho Superior
dos Tribunais Administrativos e Fiscais.
4 — Mediante decreto-lei, o Tribunal Central Admi-
Artigo 6.o nistrativo pode ser desdobrado em tribunais adminis-
Alçada trativos regionais e podem ser criados tribunais admi-
nistrativos especializados e secções especializadas nos
1 — Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal tribunais superiores.
têm alçada.
2 — A alçada dos tribunais tributários corresponde
Artigo 10.o
a um quarto da que se encontra estabelecida para os
tribunais judiciais de 1.a instância. Turnos
3 — A alçada dos tribunais administrativos de círculo
corresponde àquela que se encontra estabelecida para A existência e organização de turnos de juízes para
os tribunais judiciais de 1.a instância. assegurar o serviço urgente rege-se, com as devidas
4 — A alçada do Tribunal Central Administrativo cor- adaptações, pelo disposto na lei a respeito dos tribunais
responde à que se encontra estabelecida para os tri- judiciais.
bunais de relação.
5 — Nos processos em que exerçam competências de CAPÍTULO III
1.a instância a alçada do Tribunal Central Administrativo Supremo Tribunal Administrativo
e do Supremo Tribunal Administrativo corresponde,
para cada uma das suas secções, respectivamente à dos SECÇÃO I
tribunais administrativos de círculo e à dos tribunais
tributários. Disposições gerais
6 — A admissibilidade dos recursos por efeito das
alçadas é regulada pela lei em vigor ao tempo em que Artigo 11.o
seja instaurada a acção.
Sede, jurisdição e funcionamento
o
Artigo 7. 1 — O Supremo Tribunal Administrativo é o órgão
superior da hierarquia dos tribunais da jurisdição admi-
Direito subsidiário
nistrativa e fiscal.
No que não esteja especialmente regulado, são sub- 2 — O Supremo Tribunal Administrativo tem sede
sidiariamente aplicáveis aos tribunais da jurisdição admi- em Lisboa e jurisdição em todo o território nacional.
nistrativa e fiscal, com as devidas adaptações, as dis-
posições relativas aos tribunais judiciais. Artigo 12.o
Funcionamento e poderes de cognição
CAPÍTULO II
1 — O Supremo Tribunal Administrativo funciona
Organização e funcionamento dos tribunais por secções e em plenário.
administrativos e fiscais 2 — O Supremo Tribunal Administrativo com-
preende duas secções, uma de contencioso administra-
tivo e outra de contencioso tributário, que funcionam
Artigo 8.o em formação de três juízes ou em pleno.
Órgãos da jurisdição administrativa e fiscal
3 — O plenário e o pleno de cada secção apenas
conhecem de matéria de direito.
São órgãos da jurisdição administrativa e fiscal: 4 — A Secção de Contencioso Administrativo
conhece apenas de matéria de direito nos recursos de
a) O Supremo Tribunal Administrativo; revista.
b) O Tribunal Central Administrativo; 5 — A Secção de Contencioso Tributário conhece
c) Os tribunais administrativos de círculo e os tri- apenas de matéria de direito nos recursos directamente
bunais tributários. interpostos de decisões proferidas pelos tribunais tri-
butários.
Artigo 9.o Artigo 13.o
Desdobramento e agregação dos tribunais e constituição Presidência
de secções especializadas
1 — O Supremo Tribunal Administrativo tem um pre-
1 — Os tribunais administrativos de círculo e os tri- sidente, que é coadjuvado por três vice-presidentes, elei-
bunais tributários podem ser desdobrados em juízos e tos de modo e por períodos idênticos aos previstos para
estes podem funcionar, em local diferente da sede, den- aquele.
tro da respectiva área de jurisdição. 2 — Dois dos vice-presidentes são eleitos de entre
2 — Quando o seu diminuto movimento o justifique, e pelos juízes da Secção de Contencioso Administrativo,
os tribunais administrativos de círculo e os tribunais tri- sendo o outro vice-presidente eleito de entre e pelos
butários podem ser agregados. juízes da Secção de Contencioso Tributário.
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Artigo 14.o 4 — O julgamento em plenário efectua-se nos termos


da secção IV deste capítulo.
Composição das secções
5 — As decisões são tomadas em conferência.
1 — Cada secção do Supremo Tribunal Administra-
tivo é composta pelo Presidente do Tribunal, pelos res- Artigo 18.o
pectivos vice-presidentes e pelos restantes juízes para
ela nomeados. Adjuntos
2 — Cada uma das secções pode dividir-se, por sub-
secções, às quais se aplica o disposto para a secção 1 — Entre os juízes que integram cada formação de
respectiva. julgamento deve existir uma diferença de três posições
quanto ao lugar que lhes corresponde na escala da dis-
Artigo 15.o tribuição no Tribunal ou na secção, sendo a contagem
Preenchimento das Secções
dos lugares realizada a partir da posição que corres-
ponde ao relator.
1 — Os juízes são nomeados para cada uma das sec- 2 — Cada adjunto é substituído, em caso de falta ou
ções e distribuídos pelas subsecções respectivas, se as impedimento, pelo juiz que imediatamente se lhe segue.
houver.
2 — O Presidente do Tribunal pode determinar que
Artigo 19.o
um juiz seja agregado a outra secção, a fim de acorrer
a necessidades temporárias de serviço, com ou sem dis- Eleição do Presidente e dos vice-presidentes
pensa ou redução do serviço da secção de que faça parte,
conforme os casos. 1 — O Presidente do Supremo Tribunal Administra-
3 — A agregação pode ser determinada para o exer- tivo é eleito, por escrutínio secreto, pelos juízes em exer-
cício integral de funções ou apenas para as de relator cício efectivo de funções no Tribunal.
ou de adjunto. 2 — Os vice-presidentes são eleitos, por escrutínio
4 — O juiz que mude de secção mantém a sua com- secreto, pelos juízes que exerçam funções na secção res-
petência nos processos já inscritos para julgamento em pectiva e de entre os que se encontrem nas condições
que seja relator e naqueles em que, como adjunto, já referidas no número anterior.
tenha aposto o seu visto para julgamento. 3 — É eleito o juiz que obtenha mais de metade dos
votos validamente expressos e, se nenhum obtiver esse
número de votos, procede-se a segunda votação, apenas
Artigo 16.o entre os dois juízes mais votados.
Sessões de julgamento 4 — Em caso de empate, são admitidos a segundo
sufrágio os dois juízes mais antigos que tenham sido
1 — As sessões de julgamento realizam-se nos mes- mais votados e, verificando-se novo empate, conside-
mos termos e condições que no Supremo Tribunal de ra-se eleito o juiz mais antigo.
Justiça, sendo aplicável, com as devidas adaptações, o
disposto quanto a este Tribunal.
2 — O Presidente do Supremo Tribunal Administra- Artigo 20.o
tivo pode determinar que em certas sessões de julga- Duração do mandato
mento intervenham todos os juízes da secção, quando
o considere necessário ou conveniente para assegurar 1 — O mandato do Presidente e dos vice-presidentes
a uniformidade da jurisprudência. do Supremo Tribunal Administrativo tem a duração de
3 — Na falta ou impedimento do Presidente e dos cinco anos, sem lugar a reeleição.
vice-presidentes, a presidência das sessões é assegurada 2 — O Presidente e os vice-presidentes mantêm-se
pelo juiz mais antigo que se encontre presente. em funções até à tomada de posse dos novos eleitos.
4 — Quando esteja em causa a impugnação de deli-
beração do Conselho Superior dos Tribunais Adminis-
trativos e Fiscais ou decisão do seu Presidente, a sessão Artigo 21.o
realiza-se sem a presença do Presidente do Supremo Substituição do Presidente e dos vice-presidentes
Tribunal Administrativo, sendo presidida pelo mais
antigo dos vice-presidentes que não seja membro do 1 — O Presidente é substituído pelo vice-presidente
Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fis- mais antigo.
cais ou pelo juiz mais antigo que se encontre presente. 2 — Na ausência, falta ou impedimento do Presidente
e dos vice-presidentes, a substituição cabe ao juiz mais
antigo no Tribunal.
Artigo 17.o
Formações de julgamento
Artigo 22.o
1 — O julgamento em cada secção compete ao relator Gabinete do Presidente
e a dois juízes.
2 — O julgamento no pleno compete ao relator e aos 1 — Junto do Presidente funciona um gabinete diri-
demais juízes em exercício na secção. gido por um chefe de gabinete e composto por adjuntos
3 — O pleno da secção só pode funcionar com a pre- e secretários pessoais, em número e com estatuto defi-
sença de, pelo menos, dois terços dos juízes. nidos na lei.
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2 — O Gabinete coadjuva o Presidente no exercício SECÇÃO II


das suas funções administrativas e presta-lhe assessoria
Secção de Contencioso Administrativo
técnica.
Artigo 24.o
Artigo 23.o
Competência da Secção de Contencioso Administrativo
Competência do Presidente
1 — Compete à Secção de Contencioso Administra-
1 — Compete ao Presidente do Supremo Tribunal tivo do Supremo Tribunal Administrativo conhecer:
Administrativo: a) Dos processos em matéria administrativa rela-
a) Representar o Tribunal e assegurar as suas rela- tivos a acções ou omissões das seguintes enti-
ções com os demais órgãos de soberania e quais- dades:
quer autoridades; i) Presidente da República;
b) Dirigir o Tribunal, superintender nos seus ser- ii) Assembleia da República e seu Presi-
viços e assegurar o seu funcionamento normal, dente;
emitindo as ordens de serviço que tenha por iii) Conselho de Ministros;
necessárias; iv) Primeiro-Ministro;
c) Propor ao Conselho Superior dos Tribunais v) Tribunal Constitucional e seu Presidente,
Administrativos e Fiscais os critérios que devem Presidente do Supremo Tribunal Admi-
presidir à distribuição, no respeito pelo princípio nistrativo, Tribunal de Contas e seu Pre-
do juiz natural; sidente e Presidente do Supremo Tribu-
d) Planear e organizar os recursos humanos do Tri- nal Militar;
bunal, assegurando uma equitativa distribuição vi) Conselho Superior de Defesa Nacional;
de processos pelos juízes e o acompanhamento vii) Conselho Superior dos Tribunais Admi-
do seu trabalho; nistrativos e Fiscais e seu Presidente;
e) Providenciar pela redistribuição equitativa dos viii) Procurador-Geral da República;
processos, no caso de alteração do número de ix) Conselho Superior do Ministério Público;
juízes;
f) Determinar os casos em que, por razões de uni- b) Dos processos relativos a eleições previstas
formização de jurisprudência, no julgamento nesta lei;
devem intervir todos os juízes da secção; c) Dos pedidos de adopção de providências cau-
g) Fixar o dia e a hora das sessões; telares relativos a processos da sua competência;
d) Dos pedidos relativos à execução das suas
h) Presidir às sessões e apurar o vencimento nas
decisões;
conferências; e) Dos pedidos cumulados nos processos referidos
i) Votar as decisões, em caso de empate; na alínea a);
j) Assegurar o andamento dos processos no res- f) Das acções de regresso, fundadas em respon-
peito pelos prazos estabelecidos, podendo sabilidade por danos resultantes do exercício das
determinar a substituição provisória do relator, suas funções, propostas contra juízes do
por redistribuição, em caso de impedimento Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal
prolongado; Central Administrativo e magistrados do Minis-
l) Dar posse aos juízes do Supremo Tribunal tério Público que exerçam funções junto destes
Administrativo e ao presidente do Tribunal tribunais, ou equiparados;
Central Administrativo; g) Dos recursos dos acórdãos que ao Tribunal Cen-
m) Solicitar o suprimento de necessidades de res- tral Administrativo caiba proferir em primeiro
posta adicional através do recurso à bolsa de grau de jurisdição;
juízes; h) Dos conflitos de competência entre tribunais
n) Estabelecer a forma mais equitativa de inter- administrativos;
venção dos juízes adjuntos; i) De outros processos cuja apreciação lhe seja
o) Agregar transitoriamente a uma secção juízes deferida por lei.
de outra secção, a fim de acorrerem a neces-
sidades temporárias de serviço; 2 — Compete ainda à Secção de Contencioso Admi-
p) Fixar os turnos de juízes; nistrativo do Supremo Tribunal Administrativo conhe-
q) Exercer a acção disciplinar sobre os funcionários cer dos recursos de revista sobre matéria de direito inter-
de justiça em serviço no Tribunal, relativamente postos de acórdãos da Secção de Contencioso Admi-
a penas de gravidade inferior à de multa; nistrativo do Tribunal Central Administrativo e de deci-
r) Dar posse ao secretário do Tribunal; sões dos tribunais administrativos de círculo, segundo
s) Elaborar um relatório anual sobre o estado dos o disposto na lei de processo.
serviços;
t) Exercer as demais funções que lhe sejam atri- Artigo 25.o
buídas por lei. Competência do pleno da Secção

2 — O Presidente pode delegar nos vice-presidentes 1 — Compete ao pleno da Secção de Contencioso


a competência para a prática de determinados actos Administrativo do Supremo Tribunal Administrativo
conhecer:
ou sobre certas matérias e para presidir às sessões do
pleno da secção e, no secretário do Tribunal, a com- a) Dos recursos de acórdãos proferidos pela Sec-
petência para a correcção dos processos. ção em 1.o grau de jurisdição;
1330 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002

b) Dos recursos para uniformização de jurispru- bunais administrativos de círculo e tribunais tributários
dência. ou entre as Secções de Contencioso Administrativo e
de Contencioso Tributário.
2 — Compete ainda ao pleno da Secção de Conten-
cioso Administrativo do Supremo Tribunal Administra-
tivo pronunciar-se, nos termos estabelecidos na lei de Artigo 30.o
processo, relativamente ao sentido em que deve ser Funcionamento
resolvida, por um tribunal administrativo de círculo,
questão de direito nova que suscite dificuldades sérias 1 — O plenário só pode funcionar com a presença
e se possa vir a colocar noutros litígios. de, pelo menos, quatro quintos dos juízes que devam
intervir na conferência, com arredondamento por
defeito.
SECÇÃO III 2 — A distribuição dos processos é feita entre os juí-
zes, incluindo os vice-presidentes.
Secção de Contencioso Tributário 3 — Não podem intervir os juízes que tenham votado
as decisões em conflito, sendo nesse caso chamado, para
Artigo 26.o completar a formação de julgamento, o juiz que, na
Competência da Secção de Contencioso Tributário respectiva secção, se siga ao último juiz com intervenção
no plenário.
Compete à Secção de Contencioso Tributário do
Supremo Tribunal Administrativo conhecer: CAPÍTULO IV
a) Dos recursos dos acórdãos da Secção de Con-
Tribunal Central Administrativo
tencioso Tributário do Tribunal Central Admi-
nistrativo, proferidos em 1.o grau de jurisdição;
SECÇÃO I
b) Dos recursos interpostos de decisões dos tri-
bunais tributários com exclusivo fundamento em Disposições gerais
matéria de direito;
c) Dos recursos de actos administrativos do Con- Artigo 31.o
selho de Ministros respeitantes a questões
fiscais; Sede, jurisdição e poderes de cognição
d) Dos requerimentos de adopção de providências 1 — O Tribunal Central Administrativo tem sede em
cautelares respeitantes a processos da sua com- Lisboa e jurisdição em todo o território nacional.
petência; 2 — O Tribunal Central Administrativo conhece de
e) Dos pedidos relativos à execução das suas matéria de facto e de direito.
decisões;
f) Dos pedidos de produção antecipada de prova,
formulados em processo nela pendente; Artigo 32.o
g) Dos conflitos de competência entre tribunais Organização
tributários;
h) De outras matérias que lhe sejam deferidas por 1 — O Tribunal Central Administrativo compreende
lei. duas secções, uma de contencioso administrativo e outra
de contencioso tributário.
Artigo 27.o
2 — Cada uma das secções pode dividir-se por sub-
Competência do pleno da Secção secções, às quais se aplica o disposto para à secção
respectiva.
Compete ao pleno da Secção de Contencioso Tri-
butário do Supremo Tribunal Administrativo conhecer: Artigo 33.o
a) Dos recursos de acórdãos proferidos pela Sec- Presidência do Tribunal
ção em 1.o grau de jurisdição;
b) Dos recursos para uniformização de jurispru- 1 — O Tribunal Central Administrativo tem um pre-
dência. sidente, coadjuvado por dois vice-presidentes, um por
cada secção.
SECÇÃO IV 2 — Salvo se não existirem juízes com essa categoria,
o presidente do Tribunal Central Administrativo é eleito
Plenário de entre os juízes com a categoria de conselheiro que
exerçam funções no Tribunal
Artigo 28.o 3 — À eleição do Presidente e dos vice-presidentes
Composição são aplicáveis, com as necessárias adaptações, as dis-
posições estabelecidas para idênticos cargos no Supremo
O plenário do Supremo Tribunal Administrativo é Tribunal Administrativo.
composto pelo Presidente, pelos vice-presidentes e pelos 4 — O mandato do presidente e dos vice-presidentes
três juízes mais antigos de cada uma das secções. do Tribunal Central Administrativo tem a duração de
cinco anos, não sendo permitida a reeleição.
Artigo 29.o 5 — A substituição do presidente é assegurada pelos
Competência
vice-presidentes, a começar pelo mais antigo.
6 — Os vice-presidentes substituem-se reciproca-
Compete ao plenário do Supremo Tribunal Admi- mente e a substituição destes cabe ao juiz mais antigo
nistrativo conhecer dos conflitos de jurisdição entre tri- da respectiva secção.
N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 1331

Artigo 34.o o) Agregar transitoriamente a uma secção juízes


de outra secção, a fim de acorrerem a neces-
Composição, preenchimento das secções e regime das sessões
sidades temporárias de serviço;
1 — Cada secção do Tribunal Central Administrativo p) Fixar os turnos de juízes;
é composta pelo presidente do Tribunal, pelo vice-pre- q) Exercer a acção disciplinar sobre os funcionários
sidente respectivo e pelos restantes juízes. de justiça em serviço no Tribunal, relativamente
2 — São aplicáveis ao Tribunal Central Administra- a penas de gravidade inferior à de multa;
tivo, com as necessárias adaptações, as disposições esta- r) Dar posse ao secretário do Tribunal;
belecidas para o Supremo Tribunal Administrativo s) Elaborar um relatório anual sobre o estado dos
quanto ao preenchimento das secções e ao regime das serviços;
sessões de julgamento. t) Exercer as demais funções que lhe sejam atri-
buídas por lei.

Artigo 35.o 2 — O Presidente é apoiado administrativamente por


um secretário pessoal, nos termos a fixar em diploma
Formação de julgamento
complementar.
1 — O julgamento em cada secção compete ao relator 3 — O Presidente pode delegar nos vice-presidentes
e a dois outros juízes. a competência para a prática de determinados actos
2 — As decisões são tomadas em conferência. ou sobre certas matérias e no secretário do Tribunal
3 — É aplicável aos adjuntos o disposto no artigo 18.o a competência para a correição dos processos.

Artigo 36.o SECÇÃO II

Competência do Presidente Secção de Contencioso Administrativo

1 — Compete ao Presidente do Tribunal Central Artigo 37.o


Administrativo:
Competência da Secção de Contencioso Administrativo
a) Representar o Tribunal e assegurar as relações
Compete à Secção de Contencioso Administrativo do
deste com os demais órgãos de soberania e
Tribunal Central Administrativo conhecer:
quaisquer autoridades;
b) Dirigir o Tribunal, superintender nos seus ser- a) Dos recursos das decisões dos tribunais admi-
viços e assegurar o seu funcionamento normal, nistrativos de círculo para os quais não seja com-
emitindo as ordens de serviço que tenha por petente o Supremo Tribunal Administrativo,
necessárias; segundo o disposto na lei de processo;
c) Nomear, no âmbito do contencioso administra- b) Dos recursos de decisões proferidas por tribunal
tivo, os árbitros que, segundo a lei de arbitragem arbitral sobre matérias de contencioso adminis-
voluntária, são designados pelo presidente do trativo, salvo o disposto em lei especial;
tribunal de relação; c) Das acções de regresso, fundadas em respon-
d) Propor ao Conselho Superior dos Tribunais sabilidade por danos resultantes do exercício das
Administrativos e Fiscais os critérios que devem suas funções, propostas contra juízes dos tri-
presidir à distribuição, no respeito pelo princípio bunais administrativos de círculo e dos tribunais
do juiz natural; tributários, bem como dos magistrados do
e) Planear e organizar os recursos humanos do Tri- Ministério Público que prestem serviço junto
bunal, assegurando uma equitativa distribuição desses tribunais;
de processos pelos juízes e o acompanhamento d) Dos demais processos que por lei sejam sub-
do seu trabalho; metidos ao seu julgamento.
f) Providenciar pela redistribuição equitativa dos
processos, no caso de alteração do número de
juízes; SECÇÃO III
g) Determinar os casos em que, por razões de uni- Secção de Contencioso Tributário
formização de jurisprudência, no julgamento
devem intervir todos os juízes da secção;
h) Fixar o dia e a hora das sessões; Artigo 38.o
i) Presidir às sessões e apurar o vencimento nas Competência da Secção de Contencioso Tributário
conferências;
Compete à Secção de Contencioso Tributário do Tri-
j) Votar as decisões em caso de empate;
bunal Central Administrativo conhecer:
l) Assegurar o andamento dos processos no res-
peito pelos prazos estabelecidos, podendo a) Dos recursos de decisões dos tribunais tribu-
determinar a substituição provisória do relator, tários, salvo o disposto na alínea b) do
por redistribuição, em caso de impedimento artigo 26.o;
prolongado; b) Dos recursos de actos administrativos respei-
m) Solicitar o suprimento de necessidades de res- tantes a questões fiscais praticados por membros
posta adicional através do recurso à bolsa de do Governo;
juízes; c) Dos pedidos de declaração de ilegalidade de
n) Estabelecer a forma mais equitativa de inter- normas administrativas de âmbito nacional, emi-
venção dos juízes-adjuntos; tidas em matéria fiscal;
1332 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002

d) Dos pedidos de adopção de providências cau- 3 — O Conselho Superior dos Tribunais Administra-
telares relativos a processos da sua competência; tivos e Fiscais pode determinar a substituição por modo
e) Dos pedidos de execução das suas decisões; diferente do estabelecido nos números anteriores.
f) Dos pedidos de produção antecipada de prova
formulados em processo nela pendente; Artigo 43.o
g) Dos demais meios processuais que por lei sejam
submetidos ao seu julgamento. Presidente do tribunal

1 — Os presidentes dos tribunais administrativos de


CAPÍTULO V círculo são nomeados pelo Conselho Superior dos Tri-
bunais Administrativos e Fiscais para um mandato de
Tribunais administrativos de círculo cinco anos.
2 — Os presidentes dos tribunais administrativos de
Artigo 39.o círculo com mais de três juízes são nomeados de entre
juízes com a categoria de conselheiro ou de desembar-
Sede, área de jurisdição e instalação gador e não têm processos distribuídos.
3 — É da competência administrativa do presidente
1 — A lei determina os locais onde têm sede os tri- do tribunal administrativo de círculo:
bunais administrativos de círculo, bem como a área da
respectiva jurisdição. a) Representar o tribunal e assegurar as relações
2 — O número de juízes em cada tribunal adminis- deste com os demais órgãos de soberania e
trativo de círculo é fixado por portaria do Ministro da quaisquer autoridades;
Justiça. b) Dirigir o tribunal, superintender nos seus ser-
3 — Os tribunais administrativos de círculo são decla- viços e assegurar o seu funcionamento normal,
rados instalados por portaria do Ministro da Justiça. emitindo as ordens de serviço que tenha por
necessárias;
c) Propor ao Conselho Superior dos Tribunais
Artigo 40.o Administrativos e Fiscais os critérios que devem
Funcionamento
presidir à distribuição, no respeito pelo princípio
do juiz natural;
1 — Os tribunais administrativos de círculo funcio- d) Determinar os casos em que, para uniformiza-
nam com juiz singular, a cada juiz competindo o jul- ção de jurisprudência, devem intervir no julga-
gamento, de facto e de direito, dos processos que lhe mento todos os juízes do tribunal;
sejam distribuídos. e) Assegurar o andamento dos processos no res-
2 — Nas acções administrativas comuns que sigam o peito pelos prazos estabelecidos, podendo
processo ordinário, o julgamento da matéria de facto determinar a substituição provisória do relator,
é feito em tribunal colectivo, se tal for requerido por por redistribuição, em caso de impedimento
prolongado;
qualquer das partes.
f) Planear e organizar os recursos humanos do tri-
3 — Nas acções administrativas especiais de valor
bunal, assegurando uma equitativa distribuição
superior à alçada, o tribunal funciona em formação de de processos pelos juízes e o acompanhamento
três juízes, à qual compete o julgamento da matéria do seu trabalho;
de facto e de direito. g) Solicitar o suprimento de necessidades de res-
Artigo 41.o posta adicional através do recurso à bolsa de
juízes;
Intervenção de todos os juízes do tribunal h) Estabelecer a forma mais equitativa de inter-
venção dos juízes-adjuntos;
1 — Quando à sua apreciação se coloque uma questão i) Providenciar pela redistribuição equitativa dos
de direito nova que suscite dificuldades sérias e se possa processos no caso de alteração do número de
vir a colocar noutros litígios, pode o presidente do tri- juízes;
bunal determinar que o julgamento se faça com a inter- j) Fixar os turnos de juízes;
venção de todos os juízes do tribunal, sendo o quórum l) Exercer a acção disciplinar sobre os funcionários
de dois terços. de justiça em serviço no tribunal, relativamente
2 — O procedimento previsto no número anterior tem a penas de gravidade inferior à de multa;
obrigatoriamente lugar quando esteja em causa uma m) Dar posse ao secretário do tribunal;
situação de processos em massa, nos termos previstos n) Elaborar um relatório anual sobre o estado dos
na lei de processo. serviços;
o) Exercer as demais funções que lhe sejam atri-
Artigo 42.o
buídas por lei.
Substituição dos juízes
4 — Sem prejuízo do disposto no n.o 2, o Conselho
1 — Os juízes são substituídos pelo que imediata- Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais esta-
mente se lhes segue na ordem de antiguidade em cada belece em que condições há distribuição de processos
tribunal. aos presidentes dos tribunais administrativos de círculo
2 — Quando não se possa efectuar segundo o disposto e, quando as circunstâncias o justifiquem, determina a
no número anterior a substituição defere-se ao juiz do redução do número dos processos que, nesse caso, lhes
tribunal tributário. devem ser distribuídos.
N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 1333

Artigo 44.o goria de conselheiro ou de desembargador e não têm


processos distribuídos.
Competência dos tribunais administrativos de círculo
3 — É da competência administrativa do presidente
1 — Compete aos tribunais administrativos de círculo do tribunal tributário:
conhecer, em 1.a instância, de todos os processos do a) Representar o tribunal e assegurar as suas rela-
âmbito da jurisdição administrativa, com excepção ções com os demais órgãos de soberania e quais-
daqueles cuja competência, em 1.o grau de jurisdição, quer autoridades;
esteja reservada aos tribunais superiores e da apreciação b) Dirigir o tribunal, superintender nos seus ser-
dos pedidos que nestes processos sejam cumulados. viços e assegurar o seu funcionamento normal,
2 — Compete ainda aos tribunais administrativos de emitindo as ordens de serviço que tenha por
círculo satisfazer as diligências pedidas por carta, ofício necessárias;
ou outros meios de comunicação que lhes sejam diri- c) Assegurar o andamento dos processos no res-
gidos por outros tribunais administrativos. peito pelos prazos estabelecidos, podendo
determinar a substituição provisória do relator,
por redistribuição, em caso de impedimento
CAPÍTULO VI prolongado;
Tribunais tributários d) Planear e organizar os recursos humanos do tri-
bunal, assegurando uma equitativa distribuição
de processos pelos juízes e o acompanhamento
Artigo 45.o
do seu trabalho;
Sede, área de jurisdição e instalação e) Solicitar o suprimento de necessidades de res-
posta adicional através do recurso à bolsa de
1 — A lei determina os locais onde têm sede os tri- juízes;
bunais tributários, bem como a área da respectiva f) Estabelecer a forma mais equitativa de inter-
jurisdição. venção dos juízes-adjuntos;
2 — O número de juízes em cada tribunal tributário g) Providenciar pela redistribuição equitativa dos
é fixado por portaria do Ministro da Justiça. processos no caso de alteração do número de
3 — Os tribunais tributários são declarados instalados juízes;
por portaria do Ministro da Justiça. h) Fixar os turnos de juízes;
i) Exercer a acção disciplinar sobre os funcionários
Artigo 46.o de justiça em serviço no tribunal, relativamente
a penas de gravidade inferior à de multa;
Funcionamento j) Dar posse ao secretário judicial;
l) Elaborar um relatório anual sobre o estado dos
1 — Os tribunais tributários funcionam com juiz sin- serviços;
gular, a cada juiz competindo o julgamento, de facto m) Exercer as demais funções que lhe sejam atri-
e de direito, dos processos que lhe sejam distribuídos. buídas por lei.
2 — Quando à sua apreciação se coloque uma questão
de direito nova que suscite dificuldades sérias e se possa
vir a colocar noutros litígios, pode o presidente do tri- 4 — Sem prejuízo do disposto no n.o 2, o Conselho
bunal determinar que o julgamento se faça com a inter- Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais esta-
venção de todos os juízes do tribunal, sendo o quórum belece em que condições há distribuição de processos
de dois terços. aos presidentes dos tribunais tributários e, quando as
circunstâncias o justifiquem, determina a redução do
Artigo 47.o número dos processos que, nesse caso, lhes devem ser
distribuídos.
Substituição dos juízes
Artigo 49.o
1 — Os juízes são substituídos pelo que imediata-
mente se lhes segue na ordem de antiguidade em cada Competência dos tribunais tributários
tribunal.
1 — Compete aos tribunais tributários conhecer:
2 — Quando não se possa efectuar segundo o disposto
no número anterior, a substituição defere-se ao juiz do a) Dos seguintes recursos contenciosos de anu-
tribunal administrativo de círculo. lação:
3 — O Conselho Superior dos Tribunais Administra-
tivos e Fiscais pode determinar a substituição por modo i) Dos actos de liquidação de receitas fiscais
diferente do estabelecido nos números anteriores. estaduais, regionais ou locais, e parafis-
cais, incluindo o indeferimento total ou
parcial de reclamações desses actos;
Artigo 48.o ii) Dos actos de fixação dos valores patri-
Presidente do tribunal moniais e dos actos de determinação de
matéria tributável susceptíveis de impug-
1 — Os presidentes dos tribunais tributários são nação judicial autónoma;
nomeados pelo Conselho Superior dos Tribunais Admi- iii) Dos actos praticados pela entidade com-
nistrativos e Fiscais para um mandato de cinco anos. petente nos processos de execução fiscal;
2 — Os presidentes dos tribunais tributários com mais iv) Dos actos administrativos respeitantes a
de três juízes são nomeados de entre juízes com a cate- questões fiscais que não sejam da com-
1334 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002

petência do Supremo Tribunal Adminis- Artigo 52.o


trativo ou do Tribunal Central Admi-
Representação
nistrativo;
1 — O Ministério Público é representado:
b) Da impugnação de decisões de aplicação de coi-
mas e sanções acessórias em matéria fiscal; a) No Supremo Tribunal Administrativo, pelo Pro-
c) Das acções destinadas a obter o reconhecimento curador-Geral da República, que pode fazer-se
de direitos ou interesses legalmente protegidos substituir por procuradores-gerais-adjuntos;
em matéria fiscal; b) No Tribunal Central Administrativo, por pro-
d) Dos incidentes, embargos de terceiro, verifica- curadores-gerais-adjuntos;
ção e graduação de créditos, anulação da venda, c) Nos tribunais administrativos de círculo e nos
oposições e impugnação de actos lesivos, bem tribunais tributários, por procuradores da Repú-
como de todas as questões relativas à legitimi- blica.
dade dos responsáveis subsidiários, levantadas
nos processos de execução fiscal; 2 — Os procuradores-gerais-adjuntos em serviço no
e) Dos seguintes pedidos: Supremo Tribunal Administrativo e no Tribunal Central
Administrativo podem ser coadjuvados por procurado-
i) De declaração da ilegalidade de normas res da República.
administrativas de âmbito regional ou
local, emitidas em matéria fiscal;
ii) De produção antecipada de prova, for- CAPÍTULO VIII
mulados em processo neles pendente ou
a instaurar em qualquer tribunal tribu- Fazenda Pública
tário;
iii) De providências cautelares para garantia Artigo 53.o
de créditos fiscais;
Intervenção da Fazenda Pública
iv) De providências cautelares relativas aos
actos administrativos recorridos ou recor- A Fazenda Pública defende os seus interesses nos
ríveis e às normas referidas na subalí- tribunais tributários através de representantes seus.
nea i) desta alínea;
v) De execução das suas decisões;
vi) De intimação de qualquer autoridade Artigo 54.o
fiscal para facultar a consulta de docu- Representação da Fazenda Pública
mentos ou processos, passar certidões e
prestar 1 — A representação da Fazenda Pública compete:
informações;
a) Na Secção de Contencioso Tributário do Supremo
Tribunal Administrativo, ao director-geral dos
f) Das demais matérias que lhes sejam deferidas
Impostos e ao director-geral das Alfândegas e
por lei.
dos Impostos Especiais sobre o Consumo, que,
nas suas ausências, faltas ou impedimentos,
2 — Compete ainda aos tribunais tributários cumprir podem fazer-se substituir pelos respectivos sub-
os mandados emitidos pelo Supremo Tribunal Admi- directores-gerais ou por funcionários superiores
nistrativo ou pelo Tribunal Central Administrativo e das respectivas direcções-gerais licenciados em
satisfazer as diligências pedidas por carta, ofício ou Direito;
outros meios de comunicação que lhes sejam dirigidos b) Na Secção de Contencioso Tributário do Tri-
por outros tribunais tributários. bunal Central Administrativo, ao subdirector-
-geral dos Impostos e ao subdirector-geral das
Artigo 50.o Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o
Consumo que, nas suas ausências, faltas ou
Competência territorial impedimentos, podem fazer-se substituir por
À determinação da competência territorial dos tri- funcionários superiores das respectivas Direc-
bunais tributários são subsidiariamente aplicáveis os cri- ções-Gerais licenciados em Direito;
térios definidos para os tribunais administrativos de c) Nos tribunais tributários, aos directores de
círculo. finanças e ao director da alfândega da respectiva
sede que, nas suas ausências, faltas ou impe-
CAPÍTULO VII dimentos, podem fazer-se substituir por funcio-
nários da Direcção-Geral dos Impostos e da
Ministério Público Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos
Especiais sobre o Consumo licenciados em
Artigo 51.o Direito.
Funções
2 — Quando estejam em causa receitas fiscais lan-
Compete ao Ministério Público representar o Estado, çadas e liquidadas pelas autarquias locais, a Fazenda
defender a legalidade democrática e promover a rea- Pública é representada por licenciado em Direito ou
lização do interesse público, exercendo, para o efeito, por advogado designado para o efeito pela respectiva
os poderes que a lei processual lhe confere. autarquia.
N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 1335

Artigo 55.o 4 — A progressão na carreira dos juízes da jurisdição


administrativa e fiscal não depende do tribunal em que
Poderes dos representantes
exercem funções, mas de critérios a estabelecer em
Os representantes da Fazenda Pública gozam dos diploma próprio.
poderes e faculdades previstos na lei. 5 — Para os efeitos do disposto no número anterior,
os juízes dos tribunais administrativos e dos tribunais
tributários só podem ascender à categoria de juiz de
CAPÍTULO IX círculo após cinco anos de serviço nesses tribunais com
a classificação de Bom com distinção, sem prejuízo de
Serviços administrativos outros requisitos legais.

Artigo 56.o
Artigo 59.o
Administração, serviços de apoio e assessores
Distribuição de publicações oficiais
1 — Nos tribunais administrativos de círculo e nos
tribunais tributários com mais de uma dezena de magis- 1 — Os juízes da jurisdição administrativa e fiscal têm
trados existe um administrador do tribunal, sendo apli- direito a receber gratuitamente o Diário da República,
cável o disposto a propósito dos tribunais judiciais. 1.a e 2.a séries e apêndices, o Diário da Assembleia da
2 — No Tribunal Central Administrativo e no República e o Boletim do Ministério da Justiça, ou, em
Supremo Tribunal Administrativo existe um conselho alternativa, têm acesso electrónico gratuito aos suportes
de administração, constituído pelo Presidente do Tri- informáticos das publicações referidas.
bunal, pelos vice-presidentes, pelo secretário do Tribu- 2 — Os juízes dos tribunais sediados nas Regiões
nal e pelo responsável pelos serviços de apoio admi- Autónomas também têm direito a receber as publicações
nistrativo e financeiro, sendo aplicável o disposto a pro- oficiais das Regiões ou a ter acesso electrónico gratuito
pósito dos tribunais judiciais. aos respectivos suportes informáticos.
3 — Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal
dispõem de serviços de apoio, regulados na lei.
4 — Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal CAPÍTULO II
dispõem de assessores que coadjuvam os magistrados Recrutamento e provimento
judiciais.
SECÇÃO I
TÍTULO II
Disposições comuns
Estatuto dos juízes
Artigo 60.o
CAPÍTULO I Requisitos e regime de provimento
Disposições gerais 1 — Só podem ser juízes da jurisdição administrativa
e fiscal os cidadãos portugueses licenciados em Direito
Artigo 57.o que preencham, além dos requisitos previstos na lei geral
Regras estatutárias para nomeação de funcionários do Estado, os estabe-
lecidos na presente lei.
Os juízes da jurisdição administrativa e fiscal formam 2 — Os juízes da jurisdição administrativa e fiscal
um corpo único e regem-se pelo disposto na Consti- oriundos da magistratura judicial e do Ministério Público
tuição da República Portuguesa, por este Estatuto e podem exercer o cargo em comissão de serviço.
demais legislação aplicável e, subsidiariamente, pelo 3 — A comissão de serviço referida no número ante-
Estatuto dos Magistrados Judiciais, com as necessárias rior depende de autorização nos termos estatutários,
adaptações. sem prejuízo da manutenção das situações de comissão
permanente de serviço existentes à data da entrada em
Artigo 58.o vigor do presente Estatuto.
Categoria e direitos dos juízes 4 — O exercício de funções constitui serviço judicial
e o serviço prestado em comissão considera-se prestado
1 — O Presidente, os vice-presidentes e os juízes do no lugar de origem.
Supremo Tribunal Administrativo têm as honras, pre- 5 — A comissão de serviço é dada por finda a reque-
cedências, categorias, direitos, vencimentos e abonos rimento ou por aplicação de pena disciplinar de trans-
que competem, respectivamente, ao Presidente, aos ferência, suspensão por mais de 60 dias ou pena superior
vice-presidentes e aos juízes do Supremo Tribunal de e, ainda, tratando-se de magistrados judiciais, quando
Justiça. forem promovidos a categoria superior à que tenham
2 — O Presidente, os vice-presidentes e os juízes do no tribunal onde exerçam funções.
Tribunal Central Administrativo têm as honras, prece-
dências, categorias, direitos, vencimentos e abonos que
competem, respectivamente, aos presidentes, aos vice- Artigo 61.o
-presidentes e aos juízes dos tribunais de relação. Provimento das vagas
3 — Os juízes dos tribunais administrativos de círculo
e dos tribunais tributários têm as honras, precedências, 1 — As vagas de juízes dos tribunais administrativos
categorias, direitos, vencimentos e abonos que compe- de círculo e dos tribunais tributários são preenchidas
tem aos juízes de direito. por transferência de outros tribunais administrativos de
1336 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002

círculo ou tribunais tributários e nos tribunais superiores da sua renovação a requerimento do interessado ou em
de outra secção do mesmo tribunal, bem como por consequência de aplicação de pena disciplinar de sus-
concurso. pensão ou superior.
2 — A admissão a concurso depende de graduação 4 — À matéria do presente artigo é aplicável, com
baseada na ponderação global dos seguintes factores: as devidas adaptações, o disposto no domínio da orga-
nização e funcionamento dos tribunais judiciais.
a) Classificação positiva obtida em prova escrita
de acesso;
b) Anteriores classificações de serviço, no caso de Artigo 64.o
o candidato ser um magistrado;
c) Graduação obtida em concurso; Posse
d) Currículo universitário e pós-universitário; 1 — O Presidente do Supremo Tribunal Administra-
e) Trabalhos científicos ou profissionais;
tiva toma posse perante os juízes do Tribunal.
f) Actividade desenvolvida no foro, no ensino jurí-
2 — Tomam posse perante o Presidente do Supremo
dico ou na Administração Pública;
g) Antiguidade; Tribunal Administrativo:
h) Entrevista, quando esteja em causa o preenchi- a) Os vice-presidentes e os restantes juízes do
mento de vagas nos tribunais administrativos de Tribunal;
círculo ou nos tribunais tributários; b) O Presidente do Tribunal Central Adminis-
i) Outros factores relevantes que respeitem à pre- trativo.
paração específica, idoneidade e capacidade do
candidato para o cargo.
3 — Tomam posse perante o Presidente do Tribunal
Central Administrativo os vice-presidentes e os restantes
3 — O ingresso na jurisdição administrativa e fiscal, juízes do Tribunal.
uma vez terminado o curso de formação a que se refere 4 — Os juízes dos tribunais administrativos de círculo
o artigo 72.o, depende de apreciação positiva formulada e dos tribunais tributários tomam posse perante os res-
pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos
pectivos presidentes e estes perante os seus substitutos.
e Fiscais, com base nos elementos de avaliação facul-
tados pelo Centro de Estudos Judiciários.
SECÇÃO II
o
Artigo 62.
Supremo Tribunal Administrativo
Permuta
Artigo 65.o
1 — É permitida a permuta entre juízes dos tribunais
administrativos de círculo e dos tribunais tributários, Provimento
bem como, nos tribunais superiores, entre juízes de dife-
rentes secções do mesmo tribunal, quando tal não pre- O provimento de vagas no Supremo Tribunal Admi-
judique direitos de terceiros nem o andamento dos pro- nistrativo é feito:
cessos que lhes estejam distribuídos, e desde que tenham
a) Por transferência de juízes de outra secção do
mais de dois anos de serviço no respectivo lugar.
Tribunal;
2 — Em casos devidamente justificados, pode o Con-
selho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais b) Por nomeação de juízes do Supremo Tribunal
autorizar a permuta com dispensa do requisito temporal de Justiça, a título definitivo ou em comissão
referido no número anterior. permanente de serviço;
c) Por concurso.

Artigo 63.o
Artigo 66.o
Quadro complementar de juízes
Concurso
1 — Na jurisdição administrativa e fiscal existe uma
bolsa de juízes para destacamento em tribunais, quando 1 — Ao concurso para juiz do Supremo Tribunal
se verifique uma das seguintes circunstâncias e o período Administrativo podem candidatar-se:
de tempo previsível da sua duração, conjugado com o
a) Juízes do Tribunal Central Administrativo com
volume de serviço, desaconselhem o recurso ao regime
cinco anos de serviço nesse Tribunal;
de substituição ou o alargamento do quadro do tribunal:
b) Juízes dos tribunais de relação que tenham exer-
a) Falta ou impedimento de titular do tribunal ou cido funções na jurisdição administrativa e fiscal
vacatura do lugar; durante cinco anos;
b) Necessidade pontual de reforço do número de c) Procuradores-gerais-adjuntos com 10 anos de
juízes no tribunal para acorrer a acréscimo tem- serviço, 5 dos quais junto da jurisdição admi-
porário de serviço. nistrativa e fiscal, no Conselho Consultivo da
Procuradoria-Geral da República ou em audi-
2 — Cabe ao Conselho Superior dos Tribunais Admi- torias jurídicas;
nistrativos e Fiscais efectuar a gestão da bolsa de juízes. d) Juristas com pelo menos 10 anos de comprovada
3 — O destacamento é feito por período certo a fixar experiência profissional na área do direito
pelo Conselho, renovável enquanto se verifique a neces- público, nomeadamente através do exercício de
sidade que o ditou, podendo cessar antes do prazo ou funções públicas, da advocacia, da docência no
N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 1337

ensino superior ou da investigação, ou ao serviço Artigo 71.o


da Administração Pública.
Concurso
2 — O concurso é aberto para cada uma das secções Ao concurso para juiz dos tribunais administrativos
e tem a validade de um ano, prorrogável até seis meses. de círculo e dos tribunais tributários podem candi-
datar-se:
Artigo 67.o
a) Juízes de direito com 5 anos de serviço e clas-
Quotas para o provimento sificação não inferior a Bom;
1 — O provimento de lugares no Supremo Tribunal b) Procuradores e procuradores-adjuntos com anti-
Administrativo é efectuado por cada grupo de seis vagas guidade na magistratura e classificação não infe-
em cada secção, pela ordem seguinte: rior à dos candidatos da alínea anterior;
c) Juristas com pelo menos 5 anos de comprovada
a) Um juiz, de entre os referidos na alínea b) do experiência profissional na área do direito
artigo 65.o e na alínea b) do n.o 1 do artigo 66.o, público, nomeadamente através do exercício de
preferindo os primeiros aos segundos; funções públicas da advocacia, da docência no
b) Três juízes de entre os indicados na alínea a) ensino superior ou da investigação ou ao serviço
do artigo 65.o e na alínea a) do n.o 1 do da Administração Pública.
artigo 66.o, preferindo os primeiros aos segun-
dos;
c) Um magistrado, dos referidos na alínea c) do Artigo 72.o
n.o 1 do artigo 66.o;
d) Um jurista, de entre os referidos na alínea d) Formação dos juízes administrativos e fiscais
do n.o 1 do artigo 66.o Os candidatos que sejam admitidos em concurso para
a jurisdição administrativa e fiscal, sem terem experiên-
2 — Na impossibilidade de observar a ordem indi- cia anterior no âmbito desta jurisdição, frequentam
cada, são nomeados candidatos de outra alínea, sem curso de formação organizado pelo Centro de Estudos
prejuízo do restabelecimento, logo que possível, mas
Judiciários, nos casos e termos a estabelecer em diploma
limitado ao período de quatro anos, da ordem esta-
próprio.
belecida.
SECÇÃO III Artigo 73.o
Formação complementar periódica dos juízes administrativos e fiscais
Tribunal Central Administrativo
A formação complementar periódica a ministrar aos
Artigo 68.o juízes da jurisdição administrativa e fiscal é regulada
Provimento em diploma próprio.
O provimento de vagas no Tribunal Central Admi-
nistrativo é feito:
TÍTULO III
a) Por transferência de juízes de outra secção do
Tribunal; Conselho Superior dos Tribunais Administrativos
b) Por concurso. e Fiscais
Artigo 69.o Artigo 74.o
Concurso
Definição e competência
1 — Ao concurso para juiz do Tribunal Central Admi-
nistrativo podem candidatar-se juízes dos tribunais 1 — O Conselho Superior dos Tribunais Administra-
administrativos de círculo e dos tribunais tributários com tivos e Fiscais é o órgão de gestão e disciplina dos juízes
5 anos de serviço nesses tribunais e classificação não da jurisdição administrativa e fiscal.
inferior a Bom com distinção. 2 — Compete ao Conselho:
2 — O concurso é aberto para cada uma das secções a) Nomear, colocar, transferir, promover, exonerar
e tem a validade de um ano, prorrogável até seis meses. e apreciar o mérito profissional dos juízes da
jurisdição administrativa e fiscal e exercer a
SECÇÃO IV acção disciplinar relativamente a eles;
b) Apreciar, admitir, excluir e graduar os candi-
Tribunais administrativos de círculo e tribunais tributários datos em concurso;
c) Conhecer das impugnações administrativas inter-
Artigo 70.o postas de decisões materialmente administrativas
Provimento proferidas, em matéria disciplinar, pelo Presi-
dente do Tribunal Central Administrativo, pelos
O provimento de vagas nos tribunais administrativos presidentes dos tribunais administrativos de cír-
de círculo e nos tribunais tributários é feito: culo e pelos presidentes dos tribunais tributários,
a) Por transferência de juízes de qualquer daqueles bem como de outras que a lei preveja;
tribunais com mais de 2 anos de serviço no lugar d) Ordenar averiguações, inquéritos, sindicâncias
em que se encontrem; e inspecções aos serviços dos tribunais da juris-
b) Por concurso. dição administrativa e fiscal;
1338 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002

e) Elaborar o plano anual de inspecções; os respectivos titulares nas suas ausências, faltas ou
f) Elaborar as listas de antiguidade dos juízes; impedimentos.
g) Suspender ou reduzir a distribuição de proces- 5 — Para a eleição dos juízes referidos na alínea c)
sos aos juízes que sejam incumbidos de outros do n.o 1 têm capacidade eleitoral activa todos os juízes
serviços de reconhecido interesse para a juris- que prestem serviço na jurisdição administrativa e fiscal
dição administrativa e fiscal ou em outras situa- e capacidade eleitoral passiva só os que nele se encon-
ções que justifiquem a adopção dessas medidas; trem providos a título definitivo ou em comissão de
h) Aprovar o seu regulamento interno, concursos serviço.
e inspecções; 6 — Quando necessidades de funcionamento o exi-
i) Emitir os cartões de identidade dos juízes, de jam, o Conselho pode afectar, em exclusivo, ao seu ser-
modelo idêntico aos dos juízes dos tribunais viço um ou mais dos seus membros referidos na alínea c)
judiciais; do n.o 1, designando para substituir cada um deles, no
j) Propor ao Ministro da Justiça providências legis- tribunal respectivo, um juiz auxiliar.
lativas com vista ao aperfeiçoamento e à maior
eficiência da jurisdição administrativa e fiscal;
l) Emitir parecer sobre as iniciativas legislativas Artigo 76.o
que se relacionem com a jurisdição administra-
Funcionamento
tiva e fiscal;
m) Fixar, anualmente, com o apoio do departa- 1 — O Conselho reúne ordinariamente uma vez por
mento do Ministério da Justiça com competên- mês e extraordinariamente sempre que convocado pelo
cia no domínio da auditoria e modernização, presidente, por sua iniciativa ou a solicitação de pelo
o número máximo de processos a distribuir a menos um terço dos seus membros.
cada magistrado e o prazo máximo admissível 2 — O Conselho só pode funcionar com a presença
para os respectivos actos processuais cujo prazo de dois terços dos seus membros.
não esteja estabelecido na lei;
n) Gerir a bolsa de juízes;
o) Estabelecer os critérios que devem presidir à Artigo 77.o
distribuição nos tribunais administrativos, no
respeito pelo princípio do juiz natural; Presidência
p) Exercer os demais poderes conferidos no pre- 1 — O presidente do Conselho Superior dos Tribu-
sente Estatuto e na lei. nais Administrativos e Fiscais é substituído pela ordem
seguinte:
3 — O Conselho pode delegar no presidente, ou em
outros dos seus membros, a competência para: a) Pelo mais antigo dos vice-presidentes do Supremo
Tribunal Administrativo que faça parte do Con-
a) Praticar actos de gestão corrente e aprovar selho;
inspecções; b) Pelo mais antigo dos juízes do Supremo Tri-
b) Nomear os juízes para uma das secções do bunal Administrativo que faça parte do Con-
Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal selho.
Central Administrativo;
c) Ordenar inspecções extraordinárias, averigua-
ções, inquéritos e sindicâncias. 2 — Em caso de urgência, o presidente pode praticar
actos da competência do Conselho, sujeitando-os a rati-
ficação deste na primeira sessão.
Artigo 75.o
Composição Artigo 78.o
1 — O Conselho Superior dos Tribunais Administra- Competência do presidente
tivos e Fiscais é presidido pelo Presidente do Supremo
Tribunal Administrativo e composto pelos seguintes Compete ao presidente do Conselho Superior dos
vogais: Tribunais Administrativos e Fiscais:
a) Dois designados pelo Presidente da República; a) Dirigir as sessões do Conselho e superintender
b) Quatro eleitos pela Assembleia da República; nos respectivos serviços;
c) Quatro juízes eleitos pelos seus pares, de har- b) Fixar o dia e a hora das sessões ordinárias e
monia com o princípio da representação pro- convocar as sessões extraordinárias;
porcional. c) Dar posse aos inspectores e ao secretário do
Conselho;
2 — É reconhecido de interesse para a jurisdição d) Dirigir e coordenar os serviços de inspecção;
administrativa e fiscal o desempenho de funções de e) Elaborar, por sua iniciativa ou mediante pro-
membro do Conselho. posta do secretário, as instruções de execução
3 — O mandato dos membros eleitos para o Conselho permanente;
é de quatro anos, só podendo haver lugar a uma f) Exercer os poderes que lhe sejam delegados
reeleição. pelo Conselho;
4 — A eleição dos juízes a que se refere a alínea c) g) Exercer as demais funções que lhe sejam defe-
do n.o 1 abrange dois juízes suplentes, que substituirão ridas por lei.
N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 1339

Artigo 79.o Artigo 83.o


Serviços de apoio Competência dos inspectores

1 — O Conselho Superior dos Tribunais Administra- 1 — Compete aos inspectores:


tivos e Fiscais dispõe de uma secretaria com a orga-
nização, quadro e regime de provimento do pessoal a a) Averiguar do estado, necessidades e deficiências
fixar em diploma complementar. dos serviços dos tribunais da jurisdição admi-
2 — O Conselho tem um secretário, por si designado, nistrativa e fiscal, propondo as medidas con-
de preferência entre juízes que prestem serviço nos tri- venientes;
bunais administrativos de círculo ou nos tribunais b) Colher, por via de inspecção, elementos escla-
tributários. recedores do serviço e do mérito dos magis-
trados e em função deles propor a adequada
Artigo 80.o classificação;
Funções da secretaria c) Proceder à realização de inquéritos e sindicân-
cias e à instrução de processos disciplinares.
À secretaria do Conselho Superior dos Tribunais
Administrativos e Fiscais incumbe prestar o apoio admi- 2 — O processo será dirigido por inspector de cate-
nistrativo e a assessoria necessários ao normal desen- goria superior à do magistrado apreciado ou de categoria
volvimento da actividade do Conselho e à preparação igual mas com maior antiguidade.
e execução das suas deliberações, nos termos previstos 3 — Quando no respectivo quadro nenhum inspector
em diploma complementar e no regulamento interno. reúna as condições estabelecidas no número anterior,
é nomeado juiz que preencha tais requisitos.
Artigo 81.o
Competência do secretário Artigo 84.o
Compete ao secretário do Conselho: Recursos

a) Orientar e dirigir os serviços da secretaria, sob 1 — As deliberações do Conselho Superior dos Tri-
a superintendência do presidente e conforme bunais Administrativos e Fiscais relativas a magistrados
o regulamento interno; são impugnáveis perante a Secção de Contencioso
b) Submeter a despacho do presidente os assuntos Administrativo do Supremo Tribunal Administrativo.
da sua competência e os que justifiquem a con- 2 — São impugnáveis perante a mesma Secção as
vocação do Concelho; decisões do presidente do Conselho proferidas no exer-
c) Propor ao presidente a elaboração de instruções cício de competência delegada, sem prejuízo da respec-
de execução permanente; tiva impugnação administrativa perante o Conselho, no
d) Promover a execução das deliberações do Con- prazo de 15 dias.
selho e das ordens e instruções do presidente;
e) Preparar a proposta de orçamento do Conselho; TÍTULO IV
f) Elaborar os planos de movimentação dos magis-
trados; Disposições finais e transitórias
g) Assistir às reuniões do Conselho e elaborar as
respectivas actas; Artigo 85.o
h) Promover a recolha junto de quaisquer entida-
des de informações ou outros elementos neces- Competência administrativa do Governo
sários ao funcionamento dos serviços;
i) Dar posse ou receber a declaração de aceitação A competência administrativa do Governo, relativa
do cargo quanto aos funcionários ao serviço do aos tribunais da jurisdição administrativa e fiscal, é exer-
Conselho; cida pelo Ministro da Justiça.
j) Exercer as demais funções que lhe sejam defe-
ridas por lei. Artigo 86.o
Quadros
Artigo 82.o
Inspectores São fixados em diploma próprio os quadros dos magis-
trados e dos funcionários dos tribunais da jurisdição
1 — O Conselho Superior dos Tribunais Administra- administrativa e fiscal.
tivos e Fiscais dispõe de inspectores com quadro a fixar
em diploma próprio.
2 — O provimento de lugares de inspector é feito Artigo 87.o
por nomeação e em comissão de serviço, por três anos, Tempo de serviço
renovável, de entre juízes conselheiros com mais de dois
anos na categoria. 1 — O tempo de serviço prestado pelo Presidente do
3 — A comissão de serviço rege-se pelo disposto no Supremo Tribunal Administrativo é contado a dobrar
Estatuto dos Magistrados Judiciais. para efeitos de jubilação.
4 — Os inspectores são apoiados pelos serviços do 2 — O disposto no número anterior aplica-se às situa-
Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e ções constituídas à data da entrada em vigor da presente
Fiscais. lei.
1340 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 42 — 19 de Fevereiro de 2002

Artigo 88.o Lei n.o 14/2002


Presidência dos tribunais superiores de 19 de Fevereiro

O disposto no n.o 1 do artigo 20.o, no n.o 4 do Regula o exercício da liberdade sindical e os direitos de negociação
artigo 33.o e no n.o 1 do artigo 43.o é apenas aplicável colectiva e de participação do pessoal da Polícia de Segurança
aos mandatos que se iniciem a partir da data da entrada Pública (PSP).
em vigor da presente lei.
A Assembleia da República decreta, nos termos da
alínea c) do artigo 161.o da Constituição, para valer
Artigo 89.o como lei geral da República, o seguinte:
Funcionamento transitório do Conselho Superior
dos Tribunais Administrativos e Fiscais
TÍTULO I
1 — O Conselho Superior dos Tribunais Administra-
tivos e Fiscais mantém a sua composição anterior até Âmbito de aplicação
ao 90.o dia posterior à data do início de vigência desta
lei. Artigo 1.o
2 — Até ao início de funcionamento da secretaria, Objecto
os serviços do Conselho são assegurados pela secretaria
do Supremo Tribunal Administrativo. 1 — A presente lei regula o exercício da liberdade
3 — O expediente pendente na secretaria deste Tri- sindical e os direitos de negociação colectiva e de par-
bunal transita naquela data para a secretaria do Con- ticipação do pessoal da Polícia de Segurança Pública
selho. com funções policiais, designada abreviadamente pela
sigla PSP.
Artigo 90.o 2 — Ao pessoal da PSP não integrado em carreiras
Inspectores técnico-policiais aplica-se o regime geral dos trabalha-
dores da Administração Pública.
1 — Até à criação do quadro de inspectores, as res-
pectivas competências são exercidas por juízes desig-
nados pelo Conselho Superior dos Tribunais Adminis- TÍTULO II
trativos e Fiscais.
2 — Os processos que se encontrem pendentes Da liberdade sindical
naquela data transitam para os inspectores.
CAPÍTULO I
Artigo 91.o Direitos e garantias fundamentais
Estatística
Artigo 2.o
Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal reme-
tem ao respectivo Conselho Superior, nos termos por Direitos fundamentais
ele determinados, os elementos de informação estatís- 1 — É assegurada ao pessoal da PSP com funções
tica que sejam considerados necessários. policiais liberdade sindical, nos termos da Constituição
e do regime especial previsto na presente lei.
Artigo 92.o 2 — O direito de filiação e participação activa em
associações sindicais está restrito às associações sindicais
Publicações compostas exclusivamente por pessoal com funções poli-
ciais em serviço efectivo nos quadros da PSP.
1 — Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal 3 — São assegurados, ainda, os direitos de exercício
recebem gratuitamente o Diário da República, 1.a e colectivo, nos termos constitucionalmente consagrados
2.a séries, e apêndices, o Diário da Assembleia da Repu- e concretizados em lei, sem prejuízo do disposto na pre-
blica, as publicações jurídicas da Imprensa Nacional e sente lei.
as publicações jurídicas periódicas dos serviços da Admi- 4 — As associações sindicais legalmente constituídas
nistração Pública ou, em alternativa, têm acesso elec- prosseguem fins de natureza sindical, sem prejuízo do
trónico gratuito aos suportes informáticos das publica- disposto no artigo 3.o da presente lei.
ções referidas. 5 — Está vedada às associações sindicais a federação
2 — Os tribunais sediados nas Regiões Autónomas ou confederação com outras associações sindicais que
recebem também as publicações oficiais das Regiões. não sejam exclusivamente compostas por pessoal com
funções policiais em serviço efectivo nos quadros da
PSP.
Artigo 93.o
6 — Sem prejuízo do disposto no número anterior,
Salvaguarda de direitos adquiridos as associações sindicais têm o direito de estabelecer rela-
ções com organizações, nacionais ou internacionais, que
Os juízes dos tribunais administrativos de círculo e sigam objectivos análogos.
dos tribunais tributários em funções à data da entrada 7 — É reconhecida às associações sindicais a legiti-
em vigor do presente Estatuto conservam a categoria midade processual para defesa dos direitos e interesses
de juízes de círculo. colectivos e para defesa colectiva dos direitos e interesses