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LÍNGUA PORTUGUESA

PROFESSORA VERÔNICA MARIANO

ESTRUTURA TEXTUAL
TIPOS MAIS COBRADOS DE REDAÇÃO

1. Redação com um tema aberto:

2. Redação com um tema e tópicos:

3. Redação com estudo de caso e tópicos:

REDAÇÃO COM TEMA ABERTO

INTRODUÇÃO

Trata-se do início da redação. O primeiro parágrafo e deve apresentar informações sucintas sobre
o tema abordado. Deve ter entre cinco e sete linhas, com pelo menos dois períodos. Use
palavras-chave da proposta, deixando claro o tema que será abordado.

Pode-se iniciar a introdução com:


-artigos e leis
- uma afirmação
- uma citação
- uma retrospectiva histórica (falando sobre dados passados)
- dados estatísticos (desde que verídicos e atuais)
- um posicionamento sobre o tema

DESENVOLVIMENTO

É nessa parte da redação que os argumentos são abordados e a ideia é exposta. Deve ser
constituído de, no mínimo, dois parágrafos de cinco a sete linhas cada um. Tente responder às
seguintes perguntas:
 POR QUÊ?
 COMO?
 PARA QUÊ?

Pode-se desenvolver os argumentos por meio de relações de:


- causa-consequência (ação-reação)
- contraste (diferença, oposição)
- semelhança
- tempo (passado, presente)
- espaço (territorialidade)
- enumeração (apresentação sucessiva de argumentos)
- explicitação (esclarecimento)
- provas concretas
- contra-argumentos
- exemplos e ilustrações
- verdades universais

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Exemplos de expressões utilizadas em parágrafos de desenvolvimento:


Confronto
"É possível que... no entanto..." “Por outro lado, ...”
"É certo que... entretanto..." “Sob outro prisma, ...”
"É provável que ... porém..." “Analisando-se o tema sob outra ótica, ...”

Divisão de ideias
"Em primeiro lugar ...; em segundo ...; por último ..."
"Por um lado ...; por outro ..."

Enumeração
"É preciso considerar que ..." "Também não devemos esquecer que ..."
"Não podemos deixar de lembrar que..."

Uso de citações
"Segundo ..." "Conforme ..."
"De acordo com o que afirma ..."

Reafirmação
"Compreende-se então que ..." "Deve-se acrescentar ainda que ...".
"É interessante ressaltar ..."

Exemplificação
"A fim de comprovar o que foi abordado, ..." "Para exemplificar, ..."
"Exemplo disso é ..."

Atenção a algumas expressões que podem ser utilizadas em seu texto:

"Para tanto, ..." "Para isso, ..."


"Além disso, ..." "Se é assim, ..."
"Na verdade, ..." "É fundamental que ..."
"Nesse momento, ..." "De forma que, ..."
"De tal forma que ..." "Em ambos os casos, ..."

CONCLUSÃO
É o último parágrafo. Nele deve haver a retomada do tema e reafirmação da tese. Uma dica é
utilizar as palavras-chave do tema. Nesse parágrafo deve ser exposta, sempre que possível, uma
proposta de solução, desde que ela seja exequível.

Pode-se utilizar expressões iniciais do tipo:


- "Diante dessa realidade, pode-se observar que...”
- "Mediante os fatos expostos,..."
- "Dessa forma, ..."
- "Diante do que foi abordado ..."
- "Em vista disso, pode-se constatar que ..."
- "Considerando-se tal contexto, pode-se afirmar que...”
- "Nesse sentido, ..."
- "Com esses dados, entende-se que ..."

Pode-se fazer na conclusão uma:


- sugestão - advertência - afirmação

CUIDADO
Jamais utilize o termo: Conclui-se.
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REDAÇÃO COM UM TEMA E TÓPICOS

INTRODUÇÃO
 Inicie o texto apresentando o tema

 Use todas as palavras-chave do tema e dos tópicos (só aqui você já consegue ter toda
estrutura da introdução – observe isso nos exemplos negritados)

 Fazendo isso, mostrará para a banca que entendeu o tema

DESENVOLVIMENTO
Tema com tópicos a serem respondidos
 Em caso de tema com tópicos a serem respondidos (muito comum na banca Cespe), é
necessário que cada tópico seja respondido em um parágrafo.

 Atente-se para tópicos com a conjunção aditiva “E”. Trata-se de uma soma, portanto, dois
assuntos em um mesmo tópico.

CONCLUSÃO
 Retome o tema
 Apresente uma solução para o problema apresentado
 Use a lei novamente, de forma genérica, enfocando a importância da legislação para a
manutenção da ordem

TEMA COM ESTUDO DE CASO E TÓPICOS

Nesse modelo de tema, a Banca traz um caso hipotético e espera que você, baseando-se nele,
responda os tópicos seguintes.

No curso de uma investigação policial, atendendo a representação da autoridade policial, foi


autorizada judicialmente medida de busca e apreensão de bens e documentos, a ser realizada em
endereço determinado, conforme descrito no competente mandado. De posse do mandado, os
agentes de polícia, acompanhados da autoridade policial, chegaram ao sobredito imóvel somente
no período noturno, devido a vários contratempos havidos no decorrer das diligências. Confirmado
o endereço, constatou-se a presença de várias pessoas no interior do imóvel, entre elas, o
proprietário da casa, indiciado no inquérito policial que originou o mandado de busca e apreensão.
Adicionalmente, constatou-se a existência de três veículos na garagem do imóvel.

 Natureza jurídica da busca e apreensão, seus objetivos e suas características e normas


gerais.
 Requisitos para o cumprimento da busca e apreensão em suas modalidades domiciliar e
pessoal.
 Relativamente à situação hipotética apresentada: possibilidade jurídica de realização da
diligência no horário noturno.

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INTRODUÇÃO:
 Inicie o texto apresentando o tema
 Faz-se necessário apresentar um breve resumo do caso
 Use as palavras-chave do tema e dos tópicos
 Fazendo isso, mostrará para a banca que entendeu o tema

DESENVOLVIMENTO
Tema com tópicos a serem respondidos
 Neste modelo, é preciso ir situando o corretor sobre o caso hipotético. Sempre que for
responder a um tópico, citar o caso.
 Em caso de tema com tópicos a serem respondidos (muito comum na banca Cespe), é
necessário que cada tópico seja respondido em um parágrafo.
 Atente-se para tópicos com a conjunção aditiva “E”. Trata-se de uma soma, portanto, dois
assuntos em um mesmo tópico.

CONCLUSÃO
 Retome o tema
 Apresente uma solução para o problema apresentado
 Use a lei novamente, de forma genérica, enfocando a importância da legislação para a
manutenção da ordem

MODELOS DE REDAÇÃO

MODELO REDAÇÃO COM TEMA ABERTO


Tema:
Cidadão consciente é aquele que, capaz de exercer seus direitos,
cumpre também seus deveres.

Introdução
A palavra cidadão, pela interpretação da Constituição Federal, é a pessoa no gozo dos
seus direitos políticos – direitos de sufrágio, de atuação na vida pública do país. Entende-se,
então, que essa pessoa possui capacidade e discernimento para tomada de decisões. No
entanto, esse conceito pode ir além. Para ser considerado um cidadão consciente, é preciso
que ele seja capaz de exigir seus direitos e de cumprir seus deveres.

Desenvolvimento
Verifica-se, porém, que uma quantidade significativa de cidadãos brasileiros não conhece o rol de
direitos e deveres que lhes são garantidos e cobrados, por meio da Constituição Federal. O
Estado, por sua vez, parece que se aproveita desse desconhecimento para deixar, muitas vezes,
de cumprir seu papel, sendo relapso com suas obrigações de pessoa política.
As desigualdades sociais e a baixa qualidade da educação, em especial no nível
fundamental, pode ser uma das justificativas para a falta de acesso do cidadão ao conhecimento
dos seus direitos - como direito a saúde, saneamento básico, educação, segurança pública.
Enquanto de um lado o cidadão enfrenta as mazelas da falta de eficiência e de probidade da
administração pública, do outro estão seus direitos que não são exigidos. Contudo, não há só
direitos que precisam ser exercidos. O cidadão ainda conta com um rol de deveres, que
precisam ser observados para o bom funcionamento da democracia e da política nacional. Entre
esse rol, há o dever de votar, cumprir as leis, respeitar os direitos sociais de outras pessoas e
proteger a natureza.

Conclusão
Diante desse contexto, infere-se, portanto, que é importante que o cidadão busque
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formas de informar-se de seus direitos e, assim, fazer valer o ordenamento jurídico sob o qual o
país é regido. Contudo, há, em contrapartida, deveres que são impostos aos cidadãos e que
também são imprescindíveis à ordem social e ao regime democrático do país. Por isso, deveres
e direitos sempre andarão lado a lado. Para que um seja cobrado, o outro deverá ser
cumprido.

MODELO DE REDAÇÃO COM TÓPICOS

MODELO I – SÓ INTRODUÇÃO

AS DROGAS ILÍCITAS E A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA


Tema:
Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:

 as drogas na sociedade contemporânea;


 o negócio lucrativo das drogas;
 o narcotráfico e o crime organizado global

Introdução
A sociedade, em sua história, já se viu assolada por diversas ondas criminosas. Houve o
tempo dos bárbaros, dos crimes de guerra, do Holocausto e tantos outros que envolveram a
sociedade em um sentimento de terror. Já na sociedade contemporânea, os crimes estão, em
sua maioria, ligados à droga ilícita, pois, sejam eles motivados pelo tráfico, sejam pelo uso,
acabam resultando em diversos crimes, como: roubos, furtos ou homicídios. Trata-se, portanto,
de um negócio lucrativo, uma vez que o narcotráfico, por meio do crime organizado global,
movimenta cifras bilionárias em todo mundo

MODELO II
Tema: A Constituição Federal de 1988 elenca os princípios inerentes à administração pública, cuja
função é a de dar unidade e coerência ao direito administrativo, controlando as atividades
administrativas de todos os entes que integram a federação brasileira (União, estados, Distrito
Federal e municípios). Esses princípios devem ser seguidos rigorosamente pelos agentes públicos,
sob pena de estes praticarem atos inválidos e exporem-se à responsabilidade disciplinar civil ou
criminal, a depender do caso.

Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija um texto
dissertativo acerca do seguinte tema.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Ao elaborar seu texto, faça, necessariamente, o que se pede a seguir.


 Nomine os princípios constitucionais expressos da administração pública.
 Descreva o significado de cada um dos referidos princípios constitucionais;

Ao ser engendrada, a Constituição Federal trouxe princípios que norteiam toda a atuação dos
entes que integram a federação brasileira – União, Estados, Distrito Federal e municípios.
Expressos na Constituição são cinco os princípios: legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência. A observância de tais princípios é obrigatória para toda administração
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pública dos três poderes - Legislativo, Executivo e Judiciário.


Com base no princípio da legalidade, a administração pública depende de legislação prévia
para atuar, podendo fazer somente o que a lei autoriza ou determina. No desrespeito a esse
princípio haverá, portanto, a prática de um ato ilegal, que, conforme rege a legislação, deverá ser
anulado.
Já a impessoalidade, deve ser interpretada observando duas vertentes. A primeira, no sentido
de finalidade, prevendo que para toda atuação pública estão vedados favorecimentos injustificados
de pessoas. A segunda interpretação, está ligada ao princípio da publicidade, que veda a
promoção pessoal. A publicidade dos atos, programas, campanhas ou serviços da administração
pública devem ter caráter informativo, orientativo ou educativo.
Dessa forma, no princípio da publicidade, os atos administrativos para terem validade devem
ser publicados em órgãos de comunicação oficiais. Tal exigência é para dar transparência à atuação
pública. O princípio da moralidade é sinônimo de ética, decoro, honestidade e boa-fé. Seu
desrespeito resultará em improbidade administrativa, regulamentada pela lei 8429/92, que
prevê sanção civil, administrativa e criminal para o agente público.
O último princípio, da eficiência, norteia a atuação pública no sentido de que seu serviço seja
realizado com presteza, qualidade, rendimento e rapidez, tornando assim, eficientes os resultados
obtidos pela administração pública. Com isso, infere-se que os princípios são necessários para
nortear e organizar a estrutura pública, sendo, além disso, requisito para uma boa
administração, evitando que haja abuso de poder e atos ilegais vindos de agentes e
administradores públicos.

MODELO DE ESTUDO DE CASO

INTRODUÇÃO
O Código Penal Brasileiro (CP) traz, em seu artigo 155, o tipo penal do furto. Descrevendo também
suas variações e qualificações. A lei ainda prevê que o agente pode valer-se do benefício do privilégio ou
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bagatela, que pode ser aplicado pelo juiz se forem preenchidos os requisitos exigidos pela lei. Para
exemplificar tal benefício do furto, tem-se um caso hipotético em que Maurício, maior e sem antecedentes
criminais, pratica um furto em que o dano causado foi de R$ 115,00, sendo detido antes que pudesse evadir-
se do local. Nesse caso, Maurício, por ser primário e ter furtado coisa de pequeno valor poderá ser
enquadrado no furto privilegiado.

 Discorra sobre o furto privilegiado e sobre furto de bagatela, apresentando as diferenças entre
ambas e as figuras e apontando qual modalidade se enquadraria a conduta de Maurício.

Tal espécie de furto possui como requisitos: ser o agente primário e a res furtiva ser de pequeno
valor. Dessa forma, cabe ao juiz aplicar a substituição da pena de reclusão por detenção, a redução da pena
em 1/3 ou só a aplicação da multa. Esse tipo não deve ser confundido com o furto de bagatela, que, por sua
vez, não está tipificado no CP. Nesse caso, não haverá crime quando a res furtiva for de valor ínfimo,
aplicando, assim, o princípio da insignificância. Como não há crime, muitos doutrinadores acreditam ser
paradoxal nominar por furto de bagatela um princípio que é considerado fato atípico.

 Responda se Maurício consumou o furto, esclarecendo se as circunstâncias do caso autorizam a


lavratura do flagrante por furto na modalidade tentada.

Ainda observando o caso hipotético acima, o fato de Maurício não conseguir evadir-se do local do
furto não desconfigura a consumação crime. Segundo o Supremo Tribunal Federal, para que haja a
consumação do furto, ou até mesmo do roubo, não há a necessidade de o agente sair da esfera de
vigilância da vítima ou de terceiro, bastando, para isso, que o agente se apodere do bem.

 Esclareça se a devolução da coisa furtada é admitida como causa de exclusão da tipicidade do


crime de furto.
Para o agente que se arrepende posteriormente e restitui ou repara o dano, o CP tipifica a ação em
seu artigo 16. Dessa forma, caso venha a se arrepender, antes do recebimento da denúncia ou queixa, irá ter
sua pena reduzida. No entanto, se tal arrependimento acontecer após o prazo previsto, será apenas mera
atenuante de pena, não sendo, em nenhum momento considerado excludente de tipicidade. Diante do
exposto, pode-se inferir que os legisladores ao engendrarem a legislação penal brasileira levaram em
consideração os mais diversos acontecimentos possíveis, prevendo seus possíveis desdobramentos e os
tipificando. Com isso, buscaram garantir a manutenção da ordem no país e o progresso da nação.

ESTUDO DE CASO

A lei rege a administração pública imputando-lhe princípios que devem ser observados.
Tais princípios podem ser evocados pelos cidadãos na defesa de seus direitos. Por exemplo, um
usuário do Sistema Público de Saúde, após uma consulta médica, não teve acesso aos
medicamentos receitados. Por se sentir lesado com a situação, procurou o Ministério Público (MP)
e fez uma denúncia de suspeita de desvios financeiros no hospital.
Diante do fato, um dos princípios feridos é o da Eficiência, no qual a administração pública
tem o dever de atuar de modo a otimizar os meios que possui e melhorar os resultados finais.
Para isso, deve racionalizar a máquina administrativa, aperfeiçoar o atendimento e a prestação do
serviço público, garantindo, por exemplo, que o paciente tenha acesso a medicamentos
receitados. Além disso, se comprovada a suspeita de desvios financeiros, o princípio da
Moralidade também será infringido, uma vez que nele há a obrigação de ser probo – honesto.
Ainda observando a situação citada acima, vale ressaltar que, cabe ao MP o controle da
probidade administrativa e da defesa dos direitos fundamentais, como saúde, educação,
segurança. O instrumento capaz de ensejar a defesa de tais direitos é a ação civil pública. No
entanto, para o fato apresentado, primeiramente, o MP deverá apurar a procedência da denúncia.
Durante o processo de investigação deverá entrar com ação para garantir que o denunciante
receba o medicamento necessário para seu tratamento.
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Sendo assim, regido por leis complementares, o MP, consoante ao fato mencionado,
poderá valer-se, para a defesa do interesse do denunciante, dos seguintes fundamentos:
soberania e representatividade popular; princípio da moralidade; zelo dos direitos assegurados na
Constituição Federal sobre serviços de saúde. Além disso, a lei prevê ainda, que o MP receba
notícias de irregularidades ou reclamações de qualquer natureza, promova as apurações cabíveis
e tome as soluções adequadas, assim como propõe o caso hipotético supracitado.

TEMA ABERTO
TRE – AC 2010
Prova Discursiva – Redação
Discorra sobre a inviolabilidade domiciliar no sentido constitucional. Fundamente.

A Constituição Federal Brasileira, em seu artigo 5°, inciso XI, assegura como direito
fundamental da pessoa humana “a casa”, a qual, segundo essa, é asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, exceto em casos de flagrante
delito, desastre, para prestar socorro ou, durante o dia, por determinação judicial.
Vale ressalvar, conforme interpretação majoritária acerca do referido texto constitucional, que o
conceito jurídico de “casa” deve ser compreendido de forma ampla, ou seja, a inviolabilidade não
alcança somente “casa”, no sentido de residência do indivíduo, mas também qualquer recinto
fechado, não aberto ao público, ainda que de natureza profissional, tais como, escritório do
advogado, consultório do médico, entre outros. Esse entendimento é resultado de uma
interpretação que leva em conta a Constituição como um todo, haja vista que as normas
constitucionais são harmônicas entre si e complementares umas em relação às outras.
Nota-se ainda, segundo o texto constitucional, que na ocorrência de flagrante delito,
desastre e prestação de socorro, é autorizada a invasão domiciliar sem o consentimento do
morador, a qualquer momento, seja o período de incurso diurno ou noturno. Os demais casos de
violação devem ocorrer durante o dia e por determinação judicial, situação em que se garante a
reserva constitucional de jurisdição, o que impede a invasão da morada por autoridade
administrativa, membro do Ministério Público ou mesmo Comissão Parlamentar de Inquérito.
Cuidou a Constituição, ao prever o direito em comento, de garantir ao indivíduo uma esfera de
privacidade, intimidade, vida privada e segurança pessoal. A própria Carta Magna prevê inúmeros
institutos para assegurar esse caráter íntimo, ou seja, possibilita ao indivíduo, em caso de violação
ao direito à inviolabilidade domiciliar, valer-se de ação jurídica, podendo requerer, por meio dessa,
indenização de cunho moral ou material.
Logo, é notável a preocupação dada pelo poder constituinte originário, no momento de
elaboração da Carta Política, à casa do indivíduo, protegendo-a de eventuais abusos do poder
público e de membros da sociedade. Mais memorável é a mensagem implícita constante do texto,
pois, ao possibilitar a invasão domiciliar em caso de desastre e prestação de socorre, recorda o
cidadão do dever de prestar auxílio ao próximo em casos emergenciais.

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A SOCIEDADE DO TIMELINE
A década de 1990 para os dias atuais vem presenciando um exacerbado crescimento do uso das
redes sociais. Tal uso está criando a nova sociedade/vida virtual, a qual pode ser caracterizada
como a vida idealizada. A sociedade contemporânea encontra-se na busca constante pelo
reconhecimento pessoal, que é obtido pela participação ativa dessa vida virtual. Ocorre que esse
reconhecimento que proporciona a felicidade instantânea ocasiona causas e
consequências identificáveis.
O sociólogo polonês Zygman Bauman, em uma das suas entrevistas, afirmou que a
sociedade vivencia o tempo da “modernidade líquida”, a qual as pessoas estão cada vez mais
conectadas somente ao presente. Os cidadãos vivem e sobrevivem como se não tivesse ocorrido
o ontem, de maneira que o passado, as heranças não tivesse influência no presente. Vive-se a
sociedade da imediatidade. Em que pese, destaca-se que a evolução tecnológica do mundo atual
e o uso constante das redes sociais contribuíram por essa busca demasiada do reconhecimento
pessoal, visto que, nos dias atuais as pessoas estão compartilhando em suas timelines cada vez
mais suas vidas idealizadas, ou seja, regradas de restaurantes caros, roupas da moda, viagens e
passeios.
Paralelo a isso, infere-se as consequências negativas dessas condutas. Para atender o
padrão imposto pela sociedade virtual percebe-se o consumo exagerado, gerando consumidores
com cartões de crédito extrapolados e endividadas. Além disso, destaca-se ainda o crescimento
de pessoas depressivas, conforme dados da Organização Mundial de Saúde – OMS. Um dos
fatores que contribuíram para o crescimento do índice é devido pois para fazer parte dessa
sociedade é necessário estar dentro dos padrões impostos. Padrões esses que proporcionam
apenas felicidade momentânea.
Desse modo, com intuito de diminuir as mazelas ocasionadas por essa busca constante do
reconhecimento pessoal, a sociedade poderá utilizar dos recursos da reengenharia social
combinados com os serviços educacionais e psicológicos, para que possam ter maior clareza e
conhecimento que a felicidade não se resume ao que é compartilhado e que o padrão imposto
não é obrigatoriamente a ser seguido por todos. Entender que a vida é repleta de ocasiões
alegres e tristes, mas que isso é normal. E ter consciência e sabedoria de que para ser
reconhecido não é necessário repetir padrões.