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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE BIOQUÍMICA E BIOLOGIA MOLECULAR
BACHARELADO EM BIOTECNOLOGIA
ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO BIOLÓGICA

Amanda Maria Alencar de Moura 373615


Cristiane Maria Pereira da Silva 373620
Fpelipe Rhaynan da Silva Andrade 373625
Francisco Lennon Camilo Rosa 373627
Larissa Santana Belizário Duarte 373635
Mateus Monteiro Maciel 380642
Milena Maciel Holanda Coelho 373640

Professor: Rafael Carvalho da Costa

ATIVIDADE 3

FORTALEZA

2016
COMO DISCERNIR ENTRE EXPLICAÇÕES PARA VARIAÇÕES
FENOTÍPICAS ENTRE POPULAÇÕES?

Três plantas da mesma espécie, pertencentes a populações diferentes,


apresentam uma coloração particular de suas flores: uma planta apresenta flores
brancas, outra apresenta flores rosas e a terceira planta, por fim, apresenta flores lilases.
Existem três possíveis explicações para essas variações fenotípicas. Na primeira
possibilidade, os três organismos possuem genótipos diferentes no locus que determina
a coloração das flores da planta. Assim sendo, as plantas possuem fenótipos diferentes
por terem genótipos diferentes. Neste caso, mudanças no ambiente não influenciam de
forma considerável a manifestação do fenótipo. A segunda possível explicação é que as
três plantas possuem genótipos iguais nesse locus, porém as condições do ambiente em
que cada planta se desenvolveu determinam a expressão fenotípica. Ou seja, mudanças
no ambiente acarretam em mudanças no fenótipo. Logo, a manifestação da cor das
flores da planta apresenta, caso esta hipótese esteja correta, uma característica chamada
de plasticidade fenotípica. Na terceira possibilidade, a cor das flores não só é um
resultado do fenômeno da plasticidade fenotípica, como a relação fenótipo-ambiente é
diferente para os organismos em questão. Ou seja, caso as plantas sejam submetidas a
variações gradativas da característica ambiental que determina o fenótipo, as três
apresentarão respostas diferentes. Neste caso, diz-se que a cor das flores da planta é
explicada por um fenômeno conhecido por plasticidade fenotípica com normas de
reação diferentes. O presente trabalho visa elaborar experimentos hipotéticos que
indiquem qual das três hipóteses explicam a variação nos fenótipos das plantas.

EXPERIMENTO 1 – MUDANÇAS DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS EM QUE


AS PLANTAS SÃO DESENVOLVIDAS.

Inicialmente, fez-se uma busca na literatura botânica para se identificar


possíveis fatores ambientais que estejam relacionados com a coloração de flores. Viu-se
que o pH do solo em que plantas se desenvolvem pode estar relacionado com essa
característica. É o que ocorre, por exemplo, com as hortênsias. A intensidade das cores
das flores dessas plantas depende do teor de acidez ou alcalinidade do solo; quanto mais
ácido for o solo, mais azul-escura essas flores são; e quanto mais básico for o solo, mais
clara é a cor das flores. Após isso, observaram-se as condições ambientais em que cada
um dos três organismos em análise se desenvolvia. Foram verificadas as condições de
temperatura, pH, salinidade, disponibilidade de água e sais minerais no solo, entre
outros fatores. Percebe-se que a condição ambiental que mais se dinstinguia nos
ambientes dos três organismos foram os valores de pH. As demais características
apresentaram apenas leves variações. Logo, houve um forte indício de que o pH esteja
influenciando na variação fenotípica dessas três populações. Caso isso se confirme, a
cor das flores trata-se de uma característica explicada por plasticidade fenotípica.

Para comprovar essa hipótese (plasticidade fenotípica), as sementes que


originavam plantas com flores brancas foram cultivadas em um local de condições
ambientais próximas ao das plantas com flores rosas e lilases. Fez-se modificações no
pH do solo em que essa planta foi cultivada. O mesmo procedimento foi realizado com
as demais plantas. Observou-se que, ao serem cultivadas em um ambiente de pH
diferente, as plantas apresentaram flores com a mesma coloração das plantas que
originalmente pertenciam àquele ambiente com aquele valor de pH. Comprova-se, dessa
forma, que a cor das flores das plantas dessa espécie são determinadas pelo fenômeno
de plasticidade fenotípica. Ou seja, as três plantas possuem genótipos iguais no locus
em questão. Caso contrário, se a planta que originalmente possuía flores brancas, por
exemplo, continuasse dando origem apenas a flores brancas, mesmo quando houve uma
modificação no ambiente em que a mesma se desenvolveu, concluiria-se que elas teriam
genótipos diferentes nesse locus. Ou seja, a primeira hipótese explanada na introdução
deste trabalho estaria correta.

Visto que a plasticidade fenotípica foi manifestada, fez-se novos


experimentos para definir se este é um caso de plasticidade fenotípica com normas de
reação diferentes. Cada planta foi submetida a um gradiente de pH, de modo a tornar
possível a observação da variação da coloração de suas flores com relação ao mesmo.
Os dados foram colhidos, organizados e plotados no seguinte gráfico:
Gráfico 1 – Coloração exibida pelas flores de três plantas da mesma espécie
quando submetidas a um gradiente de pH.

O gráfico 1 mostra que cada organismo apresentou comportamento diferente


ao serem submetidos a um gradiente de pH. A flor C, por exemplo, mostrou uma
sensibilidade maior ao pH na manifestação desse fenótipo, se comparada com a flor A.
A flor A precisa de um pH maior para apresentar coloração branca do que a flor C.
Tudo isso sugere que o fenômeno de plasticidade fenotípica com normas de reação
diferentes explica este caso. Se as normas de reação não fossem diferentes, o
comportamento das plantas com relação à variação de pH seria similar e a segunda
hipótese mostrada no início do presente trabalho explicaria o caso.

EXPERIMENTO 2 – CRUZAMENTOS ENTRE AS PLANTAS

Após ser verificado que o pH poderia ser o fator mais diretamente


relacionado à mudança na coloração das flores da espécie em análise, executou-se os
experimentos descritos no tópico anterior. Porém, constatou-se que não se tratava de um
caso de plasticidade fenotípica. Plantas que originalmente davam origem a flor de cor
lilás, por exemplo, continuaram apresentando flores com essa coloração, independente
do ambiente em que as sementes dessas plantas foram cultivadas. O mesmo ocorreu
com as plantas com flores de cores brancas e lilases. Logo, presumiu-se que os três
organismos possuem genótipos diferentes no locus de determinação da cor das flores e a
primeira hipótese aqui explanada é a que, de fato, explica este caso. Para se comprovar
essa hipótese, foram executados cruzamentos genéticos entre essas três populações de
plantas da mesma espécie.

Para isso, foram realizados os seguintes cruzamentos-teste, com os seus


respectivos resultados. No primeiro cruzamento teste, foram usadas as flores cor-de-rosa
e as flores lilás, e obteve-se na primeira geração (F1) um total de 100% de flores lilás.
Feito um cruzamento entre a F1, obteve-se uma segunda geração (F2) cujas proporções
são: ¾ de flores lilás e ¼ de flores cor-de-rosa. A partir disso, pode-se concluir que
existe um alelo de dominância na cor lilás em relação a cor rosa, e as seguintes tabelas
puderam ser feitas.

aa Aa
AA A a Aa A a

A Aa Aa A AA Aa

A Aa Aa a Aa aa

Tabela 1 – Cruzamento-teste 1 Tabela 2 – Cruzamento-teste 2

Dados esses resultados, conclui-se que existe uma relação de dominância do


alelo A, que transmite um fenótipo de flor lilás, em relação ao alelo a, que transmite um
fenótipo de cor rosa. Pôde-se concluir também que os parentais se tratam de
comunidades homozigotas, devido a proporção de 100% de flores lilás na geração F1, o
que explica o não surgimento de flores lilás nas comunidades de flores cor-de-rosa e
vice-versa.

Em nenhuma das gerações foram observadas flores brancas, o que leva a


acreditar que existe outro alelo nas flores brancas que não estão presentes ou não atuam
nas flores lilás nem nas cor-de-rosa, o que nos leva ao cruzamento-teste 3 e 4.

Sabendo que os organismos originais são homozigotos, foram feitos outros


dois cruzamentos-teste, dessa vez utilizando como parentais: flores brancas x flores lilás
e flores brancas x flores cor-de-rosa.
Os resultados obtidos foram: em ambas as gerações F1 de ambos os
cruzamentos, todas as flores foram brancas. Na geração F2 do cruzamento das flores
lilás e brancas, foram obtidos 3/16 de flores lilás, 1/16 de flores rosas e 2/16 de flores
brancas, o que leva a comprovação de que existe um segundo gene responsável pela não
pigmentação das flores, que é homozigoto recessivo na comunidade das flores róseas e
lilás e homozigoto dominante nas comunidades apenas na comunidade de flores
brancas.

Os cruzamentos são mostrados nas tabelas a seguir:

P: Flores lilás x Flores brancas


AaBB
aB aB
AAbb

Ab AaBb AaBb

Ab AaBb AaBb

Tabela 3 – cruzamento-teste 3

P - F1: flores brancas x flores brancas


AaBb
AB Ab aB Ab
AaBb

AB AABB AABb AaBB AABb

Ab AABb AAbb AaBb AAbb

aB AaBB AaBb aaBB AaBb

ab AaBb Aabb aaBb Aabb

Tabela 4 – cruzamento-teste 4
Através dos resultados obtidos dentre todos os cruzamentos realizados,
pode-se deduzir que as características são de fato definidas por diferenças genéticas, e
os genótipos originais de cada comunidade são:

Flor Branca: AaBB

Flor Lilás: AAbb

Flor Rosa: aabb

No caso das flores pigmentadas, as comunidades eram puras no locus A,


pois se fossem homozigotas eventualmente surgiriam as outras duas cores nas
populações, o mesmo se aplica as flores brancas porem no locus do alelo B, onde todos
os organismos eram homozigotos dominantes.

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