Você está na página 1de 4

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

ESCOLA DE MÚSICA

Liana Monteiro de Araújo

Plano de aula

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM MÚSICA: CONCEPÇÕES E


PERSPECTIVAS

1. Formação do professor de música: Ensino e pesquisa (Relação


ensino/pesquisa vinculada a questões contemporâneas
relacionadas à formação do professor)
 Formação do professor e suas competências como pesquisador,
como frutos de um processo de construção elaborado no decorrer
do curso;
 Estágio valida as práticas educativas
 Introduz as ações de pesquisa, uma vez que os procedimento
vivenciados se assemelham as etapas de uma pesquisa:
observação, coleta de dados, análise e elaboração de relatórios;
 Prática de ensino (docência) como fruto da relação
docente/discente;
 Sala de aula como campo de atuação;

2. Discussão da temática entre autores da área de educação


musical (Ler citação)

3. Diretrizes oficiais (documentos)

 Diretrizes Curriculares para a Formação de Professores da


Educação Básica (BRASIL, CNE/CP 2/2002), o estágio passou a
ser essencial na matriz curricular das licenciaturas, tendo sua
carga horária ampliada para 400 horas.
 O Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2002) define o
estágio curricular como uma atividade de aprendizagem social,
profissional e cultural, e deve ser proporcionado aos licenciandos
através da participação em situações reais de trabalho, sempre sob
responsabilidade da instituição de ensino.
 Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em
Música, aprovadas em 8 de março de 2004, no artigo 2˚,
mencionam o “incentivo à pesquisa como necessário
prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a
iniciação científica” (DCN de Música, 2004, Art. 2˚, par. 1º, IX). No
documento, o estágio compreende a integração entre a teoria e a
prática.

4. Concepções distorcidas sobre o estágio ser a “parte prática do


curso”
 o estágio é uma atividade teórica de conhecimento,
fundamentação, diálogo e intervenção na realidade. Essa
intervenção é o que possivelmente causa a visão focada na prática,
mas se a atividade de estágio não abarcar as etapas teóricas e de
fundamentação que antecedem e/ou acompanham
simultaneamente a intervenção na realidade, podemos nos
deparar com experiências rasas, desarticuladas, e em certos casos
até considerá-las como traumatizantes para os licenciandos,
quando se deparam com desafios reais sem o preparo psicológico
e/ou pedagógico compatível à realidade da sala de aula.
(PIMENTA, LIMA, 2005)
 [...] o estágio supervisionado não pode ser tomado como uma
etapa em que o aluno transpõe os conhecimentos teóricos
adquiridos durante a formação inicial formal para a prática. Deve
constituir-se como um dos momentos integrantes
fundamentais do curso de formação de professores, integrado ao
âmbito de todos os componentes curriculares e experiências já
internalizadas (BELLOCHIO; BEINEKE, 2007, p. 75)

Metáfora da casa de areia: Ação pedagógica sem fundamentos

Os alicerces construídos num terreno arenoso são frágeis, sem profundidade, e


poderão ceder e desmoronar a qualquer momento frente às circunstâncias
naturais que poderão surgir. Assim é uma prática carente de fundamentação
teórica: sem objetivos claramente traçados, conteúdos incompatíveis com a
faixa etária, pouca criatividade para lidar com situações diversas, carência de
versatilidade para trabalhar nos diferentes contextos de ensino, entre outros
aspectos que emergem nessa situação.

Metáfora da escola de natação: teoria sem aplicação prática


Imagine uma escola de natação que se dedica […] a ensinar anatomia e fisiologia
da natação, psicologia do nadador, química da água e formação dos oceanos,
custos unitários das piscinas por usuário, sociologia da natação (natação e
classes sociais), antropologia da natação (o homem e a água) e, ainda, a história
mundial da natação, dos egípcios aos nossos dias. Tudo isso, evidentemente, à
base de cursos enciclopédicos, muitos livros, além de giz e quadro-negro, porém
sem água. Em uma segunda etapa, os alunos-nadadores seriam levados a
observar, durante outros vários meses, nadadores experientes; depois dessa
sólida preparação, seriam lançados ao mar, em águas bem profundas, em
um dia de temporal (JACQUES BUSQUET apud PEREIRA, 1999, p.112).

5. Importância do estágio supervisionado na formação do discente


em música
O estágio exerce um papel fundamental, pois:
 importante estímulo as ações iniciais de pesquisa;
 norteia ações pedagógicas e condutas acadêmicas futuras;
 funde os conhecimentos e as competências adquiridas no decorrer
do curso, articulando-os e transformando-os em ações
pedagógicas;
 Troca de experiências entre os estagiários nas aulas presenciais;
 Auxilio na construção de sequência didática e planos de aula,
 Uniformização do modelo de relatório (elaborado ao longo dos
anos pelos professores da EMUFRN);
 Repensar novas formas de avaliação em música;
 Maior gama de contextos de atuação;
 Mapeamento do mercado de trabalho (escolas especializadas e
espaços não escolares);

6. Cenário do estágio supervisionado na escola de música da UFRN


(LUNA,2015)
 2005 deu-se início à primeira turma de licenciatura em música da
EMUFRN;
 Os estágios supervisionados eram divididos da seguinte maneira:
 Estágio Supervisionado I - Educação Infantil;
 Estágio Supervisionado II - Ensino Especializado;
 Estágio Supervisionado III - Ensino Fundamental;
 Estágio Supervisionado IV - Ensino Médio;
 2010 e 2011 iniciou-se uma transformação no perfil da licenciatura
em música da UFRN (Ingresso de novos professores)
 Mantendo se a divisão em 4 estágios, com 100h para cada um dos
estágios.
 Desenvolvimento das disciplinas de atividades orientadas: aulas
presenciais, observação do campo, relatório sobre as
observações. (constitui pré-requisito as disciplinas de estágio
supervisionado).

7. Desafios enfrentados pelos cursos de licenciatura em música na


realização dos estágios supervisionados
 Maior articulação entre as disciplinas dos cursos de formação e a
realidade;
 Presença da disciplina música nas escolas estagiadas, conforme
lei;
 Maior interlocução entre os alunos participantes da disciplina em
favor de projetos em conjunto no campo;
 Preparação psicológica e cultural para resolução situações
inesperadas que geram o questionamento de valores internalizados
como verdades;
 Orientação educacional de um projeto político pedagógico
específico para aquele espaço;
 Viés humano: ampliar o olhar sobre o aluno não apenas como
matéria de estudo ou experimento, mas como um ser humano único e
com motivações, contexto social e histórias de vida específicas.