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ESCOLA SECUNDÁRIA DE SANTA MARIA DA FEIRA

Neste trabalho irei relacionar as falácias abordadas em aula com o filme visualizado.
O filme visualizado foi “Filadelfia”, este, é interpretado pelas personagens principais – Tom Hanks
que encarna como Andrew Beckett e Denzen Washington que interpreta Joe Miller. Foi realizado por
Jonathan Demme.
Este filme reproduz de maneira eficiente o repúdio desmedido face aos homossexuais e a pessoas
aidéticas existente na década 80. De forma bastante sucinta, o filme consiste na história de um
advogado (Andrew Beckett) homossexual abrangido pela doença SIDA, que fora despedido da grande
firma de Filadelfia. Andrew Beckett, ciente dos seus direitos e sabendo que foi despedido não pela
incompetência alegada pelos seus superiores, mas sim pela sua situação sanitária e orientação sexual,
decide abrir um caso em tribunal para combater essa injustiça.
Ao longo do filme desenvolve-se uma dialética constituída por argumentos de acusação e de
defesa. No conjunto destes argumentos é possível evidenciar bastantes incorreções de raciocínio, ou
seja, falácias informais.
Passando agora à enumeração das falácias em particular, temos em primeiro lugar, a mais, penso
eu, evidente e fácil de se identificar - a falácia ad hominen (contra a pessoa). Esta é uma das falácias
mais frequentes tanto em caso de argumentação jurídica como no caso de argumentação quotidiana e,
pode ser, como qualquer outra falácia, usada de forma intencional ou não intencional. A falácia ad
hominen consiste na refuta de um argumento, descredibilizando o autor do argumento e não o
argumento em si. No filme, esta falácia é praticada em ambos os lados (acusa e defesa), pois, o
julgamento é marcado pela troca de acusações de ambas as partes - os donos da firma, eram rotulados
de machistas e homofóbicos, já o protagonista era caracterizado pela sua vida cheia de relacionamentos
sexuais imprudentes. Neste sentido, os autores dos argumentos são “atacados” e não são refutados os
seus respetivos argumentos.
A segunda falácia que podemos também identificar sem grande dúvida, é a falácia do boneco de
palha (ou espantalho). Esta falácia consiste em, ao invés de refutarmos o argumento apresentado na sua
integra, aduzimos uma versão distorcida do mesmo, para que, deste modo, seja mais fácil refutá-lo.
Podemos evidenciar este comportamento falacioso, na parte em que a empresa alega ter despedido
Andrew Beckett, não pela sua orientação sexual, mas sim pela incompetência que tinha vindo a atentar
nos últimos tempos. Para comprovar o que alegam, apresentam o exemplo da promoção de uma afro-
americana, e assim, provam que não eram xenófobos como foram denominados.
Ainda podemos identificar uma terceira falácia. Desta vez, a falácia da derrapagem (ou “bola de
neve”). Esta, ocorre quando, para se refutar um argumento, encadeia-se de forma exagera
consequências que podem resultar de uma situação específica. No filme, esta falácia observa-se quando
a empresa alega que os comportamentos insensatos que Andrew Beckett realizou ao longo da sua vida
(aludem o exemplo da atividade sexual sem método contracetivo) provocaram a sua morte social, e que,
a morte social antecede a morte física. Como visto, verifica-se aqui um encadeamento de forma
exagerada de consequências, com vista a refuta do argumento.
Por fim, mas não menos importante, pode constatar-se uma quarta falácia – a falácia do falso
dilema. Esta falácia é cometida quando se reduz opções possíveis a apenas duas (normalmente opostas
e injustas para o interlocutor). No filme esta falácia é detetada na apresentação do caso em tribunal,
quando Joe diz “Irão ouvir duas versões, e terão que escolher uma”. Como visto, há aqui uma
desconsideração de outras alternativas.
Portanto, finalizando a explicitação de cada falácia e a sua respetiva relação com o filme, considero
também conveniente patentear o bom e o mau uso da retórica, isto é, dos argumentos.
O bom uso da retórica é quando não é utilizada a manipulação para levar alguém a aceitar a nossa
perspetiva. Assim sendo, o bom uso da retórica está presente no filme quando os advogados para
convencer o juiz, respeitam a sua autonomia, apresentando argumentos claros, cujo o próprio juiz pode
confirmar a solidez. Já o mau uso da retórica é quando se persuade alguém utilizando a manipulação.
No filme este caso expressa-se quando os advogados de defesa utilizam factos falsos para comprovar a
incompetência de Andrew Beckett (fizeram um documento crucial da empresa desaparecer às mãos
dele).

TRABALHO DE FILOSOFIA 11ºH LUÍS MARTINS