Você está na página 1de 1

Brasil Colônia

cação da atividade mercantil. No caso de Por- A burguesia comercial, apoiada pelo povo,
tugal, tal ocorrência contribuiu para fortale- assumiu um movimento revolucionário con-
cer um novo segmento social: a burguesia mer- tra a nobreza portuguesa e contra Castela, e
cantil. O Estado, dirigido pelos reis de acabou levando ao poder D. João, mestre da
Borgonha, via nesse grupo a possibilidade de ordem de Avis, que era filho bastardo de D.
fortalecer-se economicamente, por isso pas- Pedro I, pai do rei morto (D.Fernando). A cha-
sou a estimulá-lo. Enquanto isso, a nobreza, mada Revolução de Avis durou dois anos
proprietária de terras, via seus interesses pre- (1338-1385) e foi sustentada financeiramente
judicados pela intensificação do êxodo rural. pela burguesia mercantil e comandada mili-
tarmente por Nuno Álvares Pereira.
Depois da derrota dos castelhanos na ba-
talha de Aljubarrota, D. João, mestre de Avis,
foi coroado rei de Portugal com o nome de D.
João I, fundando assim a Dinastia de Avis, que
governaria Portugal até o ano 1580. Mais im-
portante, entretanto, é destacar que a Revo-
lução de Avis levou ao poder, além do novo
rei, o grupo mercantil, cujos interesses, evi-
dentemente, seriam privilegiados a partir de
então.
Estava concluído, assim, o processo de cen-
tralização política de Portugal, isto é, estava cri-
Com a reabertura do Mediterrâneo à navegação ado o primeiro Estado Nacional Moderno da Eu-
européia, possibilitando o comércio entre Ocidente
e Oriente, foi possível o crescimento e o
ropa. Isso explica, em grande parte, o pioneirismo
aparecimento de vilas e cidades na Europa. O português na Expansão Comercial iniciada no
comércio e a burguesia foram os grandes século XV, na qual deve ser inserida a chegada
responsáveis pela sucessão de mudanças que dos europeus na América e no Brasil.
ocorreriam na Baixa Idade Média. Na gravura, uma
rua de uma cidade, concentrando comerciantes e
artesãos. Os comerciantes reuniam-se nas Ligas, e
os artesãos nas Corporações de Ofício.
1.4. A Revolução de Avis
No ano de 1383 morreu aquele que seria o últi-
mo rei da Dinastia de Borgonha, D. Fernando,
o Formoso, sem deixar herdeiros varões. Sua
única filha, D. Beatriz, era casada com o rei de
Castela, D. João I, que, apoiado pela nobreza
castelhana, tinha interesse em anexar Portu-
gal ao seu reino. Se por um lado a nobreza
portuguesa via tal possibilidade como uma
Batalha de Aljubarrota – foi decisiva para a
saída para a crise em que estava mergulhada,
ascensão de D. João de Avis ao trono português,
por outro, o grupo ligado ao comércio, a bur- em 1385. Os portugueses, contando com a ajuda
guesia mercantil, entendia que a união preju- dos eficientes arqueiros ingleses, conseguiram
dicaria seus interesses, evidentemente muito derrotar os castelhanos e manter a independência
de Portugal, ao mesmo tempo em que
distintos dos da nobreza. O povo via a anexa-
consolidavam o Estado Nacional com a
ção como um retrocesso, isto é, a volta de uma centralização do poder político e sua aliança com a
situação de opressão que a maioria da chama- camada mercantil. Esses fatores foram
da “arraia miúda” já conhecia. fundamentais para o pioneirismo português na
expansão ultramarina.

Capítulo 01. Portugal e Sua Expansão PV2D-06-HIB-11 11