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OS DISPOSTOS SE ATRAEM

É muito estranho como a nossa vida muda por causa de outras pessoas. Nos feriados passados eu
estaria, provavelmente, contando as horas para cair na farra com os meus primos. Viagem de família
sempre rola isso, a galera se reúne, enche a cara e brinca bastante. O problema é que dessa vez tudo
seria diferente por causa dela…

Eu olhava o meu celular de cinco e cinco minutos, queria saber se tinha recebido alguma mensagem,
mas não tinha absolutamente nada. Aquela menina conseguiu o que as outras tentaram, mas
fracassaram. Como diriam os meus amigos, eu estava com os quatro pneus arriados por conta daquela
morena.

Recentemente, ouvi um texto do Marcos Piangers, ele falava sobre tragédia. Esse texto é um daquela
série de coisas simples, que já sabemos, está bem na nossa cara, mas fazemos questão de esquecer, e
fazemos de forma tão fácil que nem percebemos que já sabíamos disso tudo.

No dicionário, o significado de tragédia se dá por uma ação que cominou em acontecimentos fatais,
funestos. Engraçado pensar sobre a nossa capacitada de significar a linguagem, uma significação muito
peculiar e intrínseca, mas às vezes também muito convencionada ao comum de uma sociedade que se
apresenta de forma muito fácil como seca, obscura e desesperançosa. Tenho pensando seriamente
sobre o que pra mim se apresenta como trágico. E corroboro com as reflexões do Piangers, quando diz
que: a morte não é trágica, ela aconteceu porque tinha que acontecer, afinal, o destino tão distante de
todos nós é a morte; a separação de um casal não é trágica, na verdade, trágico é você deixar de
experimentar momentos extraordinários por querer estar ao lado de uma pessoa que não te faz feliz.
Passar a vida toda solteiro não é trágico, quando na verdade, trágico é passar a vida toda procurando
ser a metade de alguém quando você já se senti inteiro/a.

Mas então, no findar dos meus vinte quatro anos, aprendi o que pode ser trágico.
Trágico é meu sobrinho de dois anos e meio preferir assistir vídeos de crianças brincando de carrinho
no YouTube, na maior parte do tempo, do que brincar com seus próprios carrinhos. Trágico é você
nunca ter experimentado ir ao cinema sozinho por achar que sempre precisa do outro pra ser mais
divertido. Também é muito trágico você nunca responder um “eu te amo” de volta pra um amigo, amor
vai muito além de atração – na verdade, atração não é amor. Trágico é você achar que tem que ser
bom em tudo que faz, e esquecer que pode ser melhor ainda naquilo que realmente gosta de fazer.

Trágico é perder a oportunidade de ser feliz por sempre achar que há um tempo depois. É trágico, é
fatal, é sem tempo, é funesto.