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MITO

OU
REALIDADE ?
ANTONIO DE OLIVEIRA FARIA
“Bebe a água da tua própria cisterna,
e das correntes do teu poço.
Derramar-se-iam por fora as tuas fontes,
e pelas praças os ribeiros de águas?
Sejam para ti somente
e não para os estranhos contigo.
Seja bendito o teu manancial,
e ategra-te com a mulher da tua mocidade,corça de
amores, e gazela graciosa.
Saciem-te os seus seios em todo o tempo;
e embriaga-te sempre com as suas carícias.
Por que, filho meu, andarias cego pela estranha,
e abraçarias o peito de outra?
Porque os caminhos do homem estão perante os
olhos do Senhor, e ele considera todas
as suas veredas.
Quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão,
e com as cordas do seu pecado será detido.
Ele morrerá pela falta de disciplina,
e pela sua muita loucura perdido cambaleia.”
Provérbios 5.15-23.
Antonio de Oliveira Faria

CASTIDADE
Mito
ou
Realidade?
Diretoria Executiva:
Diretor-Presidente: Addy Félix de Carvalho
Diretor-Editor. Valter Graciano Martins
Diretor-Comercial: Edezildo Barros Corrêa

Revisão:
Valter Graciano Martins
Cremilda Alves Martins
Gecy Soares de Macedo

Arte:
Jader de Almeida

Composição:
Tarcízio José de Freitas Carvalho

Primeira Edição 1992 — 3.000 exemplares

CASA EDITORA PRESBITERIANA


Rua Miguel Teles Júnior, 382/394 — Cambuci
01540-040 - São Paulo - SP
- Fone: (011)270-7099
índice
1. Algumas Palavras............................................................ 07
2. Introdução............................................................ 13
3. A Verdade sobre a Castidadade .....................................19
4. Sexo e Necessidade Fisiológica...................................... 23
5 .0 Auto Domínio ............................................................ 31
6. Educação Sexual ............................................................ 43
7. Sexo e Religião................................................................49
8. Sexo e Casamento ....................... 55
O Melhor da Religião
Pacto com a prosperidade
“Bem-aventurado o varão que não anda segundo o
conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos peca­
dores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes,
tem o seu prazer na Lei do Senhor, e na sua Lei medita de
dia e de noite.

Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de


águas, a qual dá o seu fruto na estação própria e cujas
folhas não caem, e tudo o que fizer prosperará".
Salmo 1

O Melhor da Filosofia
Pacto com a inteligência
“Não confieis em boatos, na tradição, no que foi trans­
mitido de tempos antigos, em rumores, em raciocínios e
deduções lógicas, em aparências exteriores, em opiniões
favoritas, em especulações e possibilidades, como tam­
bém não creiais, pelo fato de ser eu o vosso mestre.

Se virdes, porém, pela vossa própria experiência, que


uma coisa é má e conduz a dissabores e sofrimentos, é
preciso rej eitá-la; se virdes que uma coisa é boa, irrepreen­
sível, e conduz ao bem-estar e à salvação, deveis então
praticá-la”.
Buda

O Melhor da Medicina
Pacto com a saúde
“Que o teu único remédio seja o teu alimento”.
Hipócrates
Algumas Palavras
Diante da realidade do sexo, só nos resta uma alterna­
tiva — ou deixamos que ele nos escravize ou o domina­
mos.
Daí decorrem duas idéias principais, e que torturam
muita gente, principalmente os jovens. A castidade é uma
realidade e perfeitamente praticável ou o sexo é uma
“necessidade fisiológica”, e se o ser humano não praticá-
lo regularmente ficará doente.
Uma dessas idéias é mito ou mentira; a outra é realidade
ou verdadeira.
É preciso esclarecer, desde já, que dominar o instinto
sexual não significa tentar anulá-lo como querer negar sua
existência, considerando-o algo sujo, pecaminoso, etc.
Isto é recalcar, é tentar repreender uma das forças mais
poderosas e criadoras existentes no universo — o instinto
de preservação das espécies. Tal atitude não pode ser
inteligente e muito menos saudável. Façamos uma com­
paração — com uma pessoa que se encontra em meio à
correnteza de um rio e queira chegar à sua margem,
nadando contra a correnteza. É mais provável que chegue
ao fundo.
Por outro lado, não seria o caso de se deixar levar,
despreocupadamente, pela força das águas. Sabe-se que
quase todos os rios têm suas corredeiras cheias de pedras,
suas quedas e precipícios. E muitos incautos perdem aí
suas vidas.
Assim, para se atravessar um rio com segurança, há
necessidade de três coisas importantes. Primeiro, saber
nadar; segundo, conhecer o rio e seus pontos perigosos; a
terceira é conseqüênda das outras duas, isto é, ter confian­
ça no sucesso.
Com o sexo não é diferente, quando o rapazinho, na
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puberdade, se vê com o pênis ereto ante uma exigência
erótica, ou a menina moça observando as mudanças em
seu corpo e notando que ele passou a ser um objeto
desejado.
Não seria o mesmo que, de repente, encontrar-se em
meio à correnteza de um rio?
Quem aprendeu a nadar, e conhece o rio, não terá
problemas, chegará à margem com plena confiança e
sucesso.
Agora, quem não sabe...
É triste ver ... ou vai para o fundo, ou termina se
arrebentando nas pedras, ou ainda nas profundezas de um
abismo.
A maioria das pessoas inicia a atividade sexual com o
mínimo de conhecimentos da anatomia dos órgãos geni-
tais e sua fisiologia, ignoram por completo sua função
orgânica e psíquica.
Não é raro encontrar homens e mulheres adultos, pos­
suidores muitas vezes até de certo preparo intelectual,
convencidos de que, se o menino depois de ficar rapazinho
não “pegar” uma mulher de vez em quando, poderá ficar
com o pênis atrofiado, ficar impotente ou até ir parar num
hospital psiquiátrico.
Do mesmo modo, mulheres preocupadas com a idéia
de que a permanência do hímem dá câncer.
Quem divulga essas imbecilidades? Só os que usam a
atividade do sexo com fins de lucro.
Desmentir estes e outros absurdos já séria um bom
pretexto para escrever um livro sobre o assunto.
Mas meu objetivo vai um pouco além. Num trágico
momento em que o sexo está tão grosseiramente explora­
do como fonte de lucro, e que lucros? Que o digam as
revistas, livros e jornais que inundam e emporcalham as
livrarias e bancas de jornais; as pomochanchadas e o
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erotismo desenfreado que tomaram conta dos cinemas e
agora avançam em nossos lares através da televisão; as
extensas redes de motéis, casas de “massagens”, etc.
E nesta cega busca de lucros, vai a nossa juventude
sendo arrastada aos extremos da corrupção e da degrada­
ção moral. A mulher sendo reduzida a um objeto de carne
do mais baixo consumo— a prostituição e promiscuidade
sexual. A dissolução dos lares e, por fim, mais uma vez, a
decadência da civilização.
É hora de colocar um basta em toda essa estupidez.
Vamos salvar— se não é pedir muito— as nossas famílias
que, em seu conjunto, formam a Pátria, como disse Rui
Barbosa.
Fala-se muito em patriotismo, principalmente nos quar­
téis, nas escolas e em datas cívicas. 0 patriotismo começa
na honra de cada um. Sem honra é impossível defender a
Pátria!
É possível que este meu brado de protesto seja em
respeito à figura da mulher. Afinal, nasci de uma; tenho
outra que me ajuda a criar meus sete filhos, e cuida de
mim; e outra ainda que é minha filha.
E jamais gostaria de vê-las envolvidas neste jogo imun­
do que estão fazendo com suas semelhantes.
É tempo de orientar nossas moças no sentido de que não
há diferença entre a “estrela-pornô”, no auge de carreira,
e cujo corpo é exposto nas principais revistas da imprensa
de consumo, e a analfabeta que roda bolsinha nas esqui­
nas, chamando homens para camas sujas e infectadas, e
em troca de algum dinheiro.
Ambas fazem da intimidade de seus corpos e da explo­
ração sexual um meio de vida(ou de morte?).
E o nome desta profissão chama-se PROSTITUIÇÃO,
cujo fim tanto para a pobre e analfabeta como para a rica
e letrada é um só: desonra e solidão. Exemplos não faltam.
E falar que prostituição é um mal necessário para a
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sociedade é outra imbecilidade que precisa ser desmenti­
da. Afinal, na China, país de maior população do mundo,
a prostituição é eventual. E para acabar com esta atividade
degradante para a mulher e desagregadora da família, não
é preciso usar violência como os ditadores costumam
fazer.
Não é preciso matar ninguém. É uma questão de cons­
cientização.
E isto é um trabalho para verdadeiros dirigentes de um
povo que almeja um dia ser nação.
E nem mesmo a fome seria uma justificativa para uma
moça se prostituir; afinal, não havería alguém de bom
coração para saciar a fome de seu semelhante, sem pedir
sua honra em troca?
Mas a questão é outra: o que se prega é que neste mundo
competitivo vale tudo. Os fins justificam os meios. E o
negócio é ser rico e não depender de ninguém.
Porém, a verdade é outra — a maior fortuna do mundo
não vale a honra de um ser humano!
E com isto não se quer dizer que , sendo honrado e
inteligente, o ser humano está destinado a ser pobre e a
passar necessidades.
Esta é outra forma estúpida de interpretar a verdade.
O que é certo é que sucesso e fortunas, conseguidas com
a perda da honra e desonestidade, não trazem felicidade
para a pessoa e seus descendentes, e, portanto, não têm o
valor que se lhe atribui. É só conferir.
O ser humano, sendo honrado e honesto, está destinado
ao sucesso e à prosperidade, e só desta forma será feliz e
poderá cumprir bem a missão a que está destinado.
Porque, quando se está feliz, é que se tem vontade de
ver todo mundo igualmente feliz. E pode haver alguma
outra forma melhor de levar a vida?
Quando, por volta dos 17 anos, a atração pela aventura
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tomou conta de mim, ao ver paraquedistas em saltos de
exibição em minha cidade, ingressei, então como volun­
tário, na Brigada de Paraquedistas do Exército.
Uma das instruções militares que o recruta recebe é
como evitar doenças venéreas. E apesar deste cuidado,
muitos as adquirem.
Lembro-me da minha surpresa ao ver o médico, que
ministrava a aula, não abordar a castidade como o meio
mais eficaz e natural de evitar as doenças venéreas. Não
praticando o sexo em promiscuidade, é óbvio que a con­
taminação é impossível.
Minha surpresa foi maior quando, após explicar em
detalhes, como usar preservativos, examinar a mulher, etc,
tudo me parecendo extremamente ridículo, o médico, ao
final da aula, em tom de piada, referiu-se à castidade, e
todos riram, como se tal prática fosse coisa de idiotas.
Senti pena, principalmente, do médico; afinal, eu não
havia completado nem o ginásio, primeiro grau nos dias
de hoje, e estava mais informado sobre atividade sexual
que aquele médico. Na verdade, já havia alguns anos que
desfrutava dos conhecimentos, da prática e das vantagens
da castidade.
Naquela hora, de surpresa e indignação, decidi que um
dia iria estudar Medicina, para ter a autoridade científica,
como médico, e poder, então, ensinar a verdade a respeito
da castidade, a única forma saudável de comportamento
sexual para os seres humanos.
Dezoito anos após, isto é, aos 35 anos, trabalhando,
estudando, e sendo pai de cinco filhos, consegui a primeira
etapa do meu ideal— ser médico. E, de forma muito além
de minhas expectativas, consegui formar-me na mais fa­
mosa Escola de Medicina do País.
Desde então, tenho me dedicado inteiramente à Medi­
cina em meu consultório particular, e à minha família, e
então experimentado o doce sabor do sucesso profissional,
assistindo a prosperidade da família. Fazendo uma refle­
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xão sobre esta felicidade, conclui que tudo começou quan­
do fiz um estudo sério sobre o comportamento sexual, e
um dos livros que nunca esqueci foi A Vida Sexual dos
Solteiros e Casados — João Mohana.
A partir desta reflexão, senti que havia chegado a hora
de cumprir a segunda parte de meu ideal — ensinar a
verdade sobre a castidade, e passar adiante os conheci­
mentos que adquiri e que, colocados em prática, trouxe-
ram-me sucesso, prosperidade e muita felicidade.

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Introdução
A discussão sobre a sexualidade humana, em termos de
medicina, vem a partir do século passado, quando Freud,
na busca de compreender a loucura, encontrou nos confli­
tos sexuais a maior parte das explicações.
Freud, a despeito de seu conflito religioso, era um
dedicado e bondoso médico que, ao atender seus pacien­
tes, não dava apenas remédios, mas conversava também
com eles. Perguntava-lhes acerca de suas vidas, fatos
marcantes, a infância, sonhos, etc. E com esta extraordi­
nária experiência, elaborou uma teoria sobre o desenvol­
vimento da sexualidade humana que ocorre em fases. O
que pode ser constatado por qualquer bom observador.
A primeira fase, dita oral, corresponde ao primeiro ano
de vida, quando toda sensação de prazer está ligada à
alimentação. E, a partir daí, os problemas já podem come­
çar, se a criança não for alimentada como um ato de amor.
Depois, vem a fase anal, por volta dos dois ou três anos,
quando a criança, naturalmente, se desperta para o contro­
le muscular, e aí percebendo que pode controlar o ato de
urinar e evacuar, e tem nisto uma sensação de prazer. Se
a criança, nesta fase, também não for conduzida com amor
e compreensão, somam-se os problemas.
A terceira fase, denominada “fálica”, por volta dos três
ou quatro anos, é quando a criança descobre a sexualidade,
e se identifica com o sexo oposto e se apaixona por ele. O
menino pela mãe e a menina pelo pai. E surge, então, o
primeiro conflito existencial para este ser em desenvolvi­
mento. Conflito este que pode ser passageiro, ou perpe-
tuar-se. É a primeira competição: o menino compete com
o pai — complexo de Édipo; e a menina compete com a
mãe — complexo dê Eléctra.
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É muito interessante a observação de Freud nesta fase
para explicar os grandeS conflitos humanos. Se a criança
estiver sendo criada em um lar onde impere a harmonia,
em que os pais são pessoas razoavelmente equilibradas, e
aceitam as competições da vida como fatos normais, em
que às vezes se ganha, outras vezes se perde, tudo bem. A
criança aceita perder a competição desigual e desvia o
impulso sexual — a libido — para os brinquedos e mais
tarde para os estudos. E esta fase termina com um período
a que Freud dá o nome de latência; é como se a atividade
sexual não existisse.
Caso contrário, pais competitivos em demasia, dispu­
tando inclusive entre os dois quem deve “mandar na casa”,
e detalhes sobre a educação da criança, etc, estaria aí,
então, formado um quadro neurótico, em que a criança
aprende que perder “é feio” e não aceita perder a compe­
tição, desenvolvendo a partir daí um ódio latente pelo
genitor do mesmo sexo; a menina pela mãe e o menino
pelo pai. Complexo de Eléctra e Complexo de Édipo,
respectivamente. Como não existem pais perfeitos, todas
as pessoas desenvolvem estes complexos, em maior ou
menor grau. Portanto, tais complexos podem ser facilmen­
te superados, ou podem permanecer indefinidamente. Es­
ta ria a í a e x p lic a ç ã o de F reud p ara caso s de
homossexualismo, machismo, feminismo, e outras formas
de desajuste sexual e social.
A fase fálica, segundo Freud, em seu período de latên­
cia, vai até a puberdade, quando surge a fase genital. O
menino vai se transformando em rapazinho, e a menina
em moça.
O menino, agora rapazinho, mesmo sem ser estimula­
do, passa a ter sonhos eróticos quando “descarrega” seu
esperma. Muitas vezes, acontecem reações (o pênis fica
duro e crescido) sem nenhuma razão aparente, e em situa­
ções e locais que deixam o rapaz um tanto “atrapalhado”.
A menina, após a menarca (primeira menstruação),
começa tambéjn a ter sensações estranhas. Maior sensibi­
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lidade em certas partes do corpo, bico dos seios, região
genital, etc. Observa também que passou a ser atração para
os olhares dos homens.
Até aqui, Freud explica. Se os pais amaram e educaram
seus filhos, adequadamente, é pouco provável que surjam
conflitos sérios na vida adulta.
Mas, e a partir daqui? Como ficam os jovens? De um
lado, um estímulo cada vez maior para uma iniciação
sexual. Os meios de comunicação, usando o sexo como
veículo de propaganda em busca de lucro fácil; a ignorân­
cia cercada de mitos — se não se praticar o sexo desde a
puberdade, pode-se ficar atrofiado ou louco, ou virgindade
dá câncer.
De outro lado, as conseqüências desastrosas da inicia­
ção sexual precoce: angústias, sofrimentos produzidos por
desilusões amorosas, doenças venéreas, abortos, casa­
mentos precipitados sem sustentação econômica, etc.
É preciso que alguém diga aos jovens que ninguém é
obrigado a praticar atividade sexual antes do tempo. E que
a energia sexual — a libido, como Freud a chamava — as
crianças razoavelmente equilibradas devem desviá-las
para os brinquedos e os estudos, na fase fálica; deixando-
se em estado latente, os adolescentes também podem fazer
o mesmo, desviando-a para os esportes, os estudos e as
artes.
Aqui, porém, cada um já é meio dono do seu nariz. Não
há de se esperar que os pais venham a conduzi-los para as
decisões mais importantes de suas vidas. E nem as insti­
tuições, como as escolas, as igrejas ou os amigos.
E nisto é que consiste a maior grandeza do ser humano.
O de assumir o seu próprio destino. A partir da adolescên­
cia, ninguém é dono de ninguém. A não ser que consinta-
mos, por algum motivo, que alguém decida conosco o
próximo passo a ser dado em nossa vida que, com toda
certeza, será para o nosso bem no futuro, e não haverá
prejuízo.
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Os adolescentes devem ser alertados de que esta é uma
decisão que vai ter uma' conseqüência para o resto de suas
vidas. Pais infelizes e mal orientados podem desgraçar a
vida dos filhos. E pode haver alguém que queira melhor
para outro ser humano que seja os pais em relação aos
filhos?
E se não dá para confiar “cegamente” nos pais, como é
que fica o adolescente? Quando os jovens encontram a
resposta para esta pergunta, é que eles se tornam adultos,
isto é, senhores de seus destinos.
A melhor orientação que encontrei até hoje, em quem
confiar, na hora em que se quer um bom conselho, vem
do Cristo — “Pelos frutos os conhecereis”! — ora, é pelo
fruto que se conhece a árvore; ou seja, só pessoas felizes
podem realmente encaminhar outras, dar bons conselhos,
etc.
Poderiamos reforçar ainda o ensino de Cristo — Cego
não deve conduzir cego, senão ambos cairão na cova
(Mateus 15.14).
Mas se os jovens prestarem atenção, verão que a maio­
ria das pessoas, tidas como adultas, não considera esta
extraordinária lição de vida de Cristo. E isto, principal­
mente, nos países sub-desenvolvidos como é o nosso. As
pessoas são estimuladas através dos persuasivos meios de
comunicação a buscarem orientação, “proteção” e sucesso
nos terreiros de umbanda, na astrologia, nos jogos de azar,
na “proteção” dos sindicatos, dos partidos e até do gover­
no, etc.
E quando se conclui que nada está dando certo, busca-
se um “bode expiatório”, que, geralmente, acaba sendo a
incompetência dos governantes. E o desânimo geral— “É,
isto aqui não tem jeito; o nosso povo não presta”, etc, etc.
Culpar os outros, os pais, o governo, a sociedade, as
nações ricas que nos exploram, ou o destino, pelas desgra­
ças pessoais ou coletivas, nos parece uma forma estúpida
de querer justificar o sofrimento.
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Todos os seres humanos nascem destinados à felicida­
de, à saúde e à prosperidade, independente de qualquer
condição. A História da humanidade está cheia de exem­
plos, de pessoas e nações que saíram das condições mais
adversas, e hoje são donos de seus destinos.
E, para tanto, há necessidade apenas de uma atitude —
BUSCAR A VERDADE, nunca fazer o jogo da mentira.
Crescer, crescer sempre em direção à Verdade.
“Crescei e multiplicai-vos”, dizem as Escrituras Sagra­
das. Os povos subdesenvolvidos estão sendo conduzidos
mais na direção da multiplicação, sem considerar em o
que se está multiplicando.
Se a maioria das pessoas neste mundo está infeliz,
sofrendo, grande parte passando fome, está na hora de se
fazer uma análise séria sobre as causas deste desastre.
Não será a origem das pessoas que está ruim? Não será
porque a multiplicação não está sendo feita antes da hora?
Antes do crescimento se completar pelo menos a um nível
adequado?
Em um trecho deste trabalho, referimo-nos à multipli­
cação dos animais inferiores e dos vegetais, que não
acontece antes de atingirem uma condição mínima de
crescimento. Mas eles não têm responsabilidade, pois
fazem tudo dentro de uma programação prévia, uma orde­
nação sábia do Criador. E o crescimento aqui é apenas a
nível biológico, vegetativo.
Já o ser humano, sendo, além do biológico ou vegeta­
tivo, um ser emocional, mental e social, teria necessaria­
mente que completar seu crescimento nestes aspectos,
para só então, e a partir daí, promover sua multiplicação.
No mesmo trecho referimos, também, que não há um
limite para o crescer emocional, mental e social do ser
humano. Mas há uma condição mínima em que ele já pode
ser considerado adulto.
Um mínimo de aprimoramento nos estudos faz da
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criança-adolescente uma pessoa de idéias próprias, ao
contrário dos “maria-val- com-as-outras”. Um sentimento
religioso elevado conduz a criança-medrosa-adolescente
ao adulto que domina razoavelmente suas emoções.
Daí, chegar ao sucesso profissional e a uma necessária
independência sócio-econômica não será impossível.
Exercendo então um pleno domínio de suas vidas, os seres
humanos estariam aptos a se multiplicar.
A multiplicação como vem ocorrendo, com este estí­
mulo imbecil, promovido por um lado pela sociedade de
consumo e por outro pelas nações ricas que nos querem
ver cada vez mais miseráveis e menos esclarecidos, para
continuarem seus domínios e exploração, vem benefician­
do apenas estes exploradores sem escrúpulos.
Cabe ainda esclarecer aos jovens que a vida não acaba
aos vinte e cinco anos. A expectativa de vida de todos nós
deve ser a de que um dia venhamos a ser pais, avós e até
bisavós. E que tudo que estamos fazendo no presente terá
reflexos e conseqüências diretas sobre nossos descen­
dentes, que terão alegria e orgulho ao se referir a nós, ou
tristeza e vergonha.
E esta estória de que a bomba vai explodir, que o mundo
vai acabar, que Jesus já vai voltar, é outra forma estúpida
de desestimular os jovens a lutarem por um mundo melhor.
O próprio Jesus Cristo admite que nem a Ele, nem aos
anjos dos céus era dado saber este dia, mas somente ao
Pai, isto é, ao Criador (Mateus 24.36).
Em tudo na vida existem duas formas de aprender: pelo
crescimento — a busca da Verdade — ou pela via doloro­
sa. A escolha é de cada um.
O autor deste livro escolheu, naturalmente, a primeira.
E tendo alcançado o sucesso e a felicidade, expõe aqui sua
experiência para aqueles que quiserem crescer ao contrá­
rio de sofrer.

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Capítulo I
A Verdade sobre a Castidade
Antes de dar um conceito da verdade sobre a castidade,
permitam- me explicar o significado desta palavra —
verdade, sob o ponto de vista de um médico.
Um indivíduo pode ter certeza de estar vivendo a ver­
dade sobre qualquer coisa, quando a atitude que ele toma
sobre esta coisa o conduz, e à maioria das pessoas a quem
está ligado, a uma condição de prosperidade, bem-estar e
saúde de forma estável e duradoura.
E está vivendo em mentira quando se dá o contrário.
Viver a verdade pode significar muitas vezes algum
sacrifício, e até mesmo algumas frustrações momentâ­
neas. Mas a prosperidade, o bem-estar e a saúde estarão
sempre garantidos.
Enquanto que a mentira geralmente oferece prazeres
imediatos, é avessa ao sacrifício, mas acaba sempre em
sofrimentos e doenças, quando não em tragédias.
A primeira vez que ouvi falar em castidade foi na
infância, no catecismo da Igreja Católica, em que o sexto
mandamento da Lei de Deus orienta que não se deve
praticar atividade sexual fora do casamento.
Ao atingir a adolescência, entrei em conflito; por um
lado queria seguir a lei de Deus, pois já percebia as
vantagens daí advindas e, por outro lado, me sentia impe­
lido a contrariar a orientação de Deus, quer pela minha
natureza ao ver uma mulher atraente ou diante de qualquer
estímulo erótico. E, principalmente, pela expectativa que
os adultos em geral criam sobre o rapazinho — que para
mostrar que é homem tem que “procurar” mulheres.
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E o pior, que incrivelmente ainda é defendido por
pseudo-cientistas-que a' atividade sexual é uma necessi­
dade fisiológica, e se o homem não pratica o sexo regular­
mente após a puberdade pode ficar louco, impotente,
atrofiado, etc.
Felizmente, naquela época existia na Igreja Católica a
prática da confissão individual, em que um católico de
sorte poderia encontrar um excelente psicoterapeuta num
confissionário, e sem despesas.
Expondo meu conflito existencial a um sábio sacerdote,
o que já ficara claro para mim quanto a seguir a lei de Deus.
Mas como ter saúde e praticar a castidade?
E a resposta do sábio sacerdote:
- “Meu filho, como poderia Deus em sua bondade
infinita orientar o homem, sua obra prima, para a ruína e
doença? Se é Deus quem orienta o homem a praticar a
castidade, é porque esta é a única forma de o ser humano
ser feliz em sua vida sexual. Procure fazer um estudo sério
sobre o assunto e você chegará a esta conclusão.”
Como já deve ter ficado claro, castidade é uma atitude
que se toma em relação à atividade sexual. É o controle
desta atividade, seu total domínio. Isto é, praticar o sexo,
não por obrigação, ou porque nos vemos impelidos a isto
por forças fora de nosso controle. Ao contrário do que se
prega, viver o sexo desta forma, longe de ser liberdade
sexual, é uma escravidão.
Castidade, sim, é liberdade sexual. Significa desenvol­
ver um poder pessoal de praticar o sexo, quando, como e
um porquê que justifique racionalmente tal prática, ou a
abstinência dela.
A atividade sexual para os seres humanos implica em
tamanha responsabilidade, que explica a queda e a ascen­
são de civilizações e nações.
Não foi por outra razão que Mao The Tung convenceu,
a poder de baionetas, os jovens na China a deixar o sexo
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para depois; as mulheres após 25 anos e os homens após
30 anos. E o resultado desta atitude é só conferir.
Na China, a maior população do mundo, não existem
menores carentes, crianças desamparadas, prostituição,
juventude corrompida com as drogas. E os dirigentes
daquela nação não a estão submetendo aos caprichos do
F.M.I. ou influências de qualquer potência estrangeira. A
China conquistou a posição de nação soberana.
Não advogo a violência ou a lavagem cerebral para se
chegar à castidade. Citei os chineses apenas para conferir
resultados. Mas é através da conscientização que devemos
chegar a ela, com a inteligência e a liberdade que nos
foram dadas por Deus.
Na verdade, há de se ter uma motivação importante: no
plano individual podería ser o que é o ideal de todo
indivíduo— a busca do sucesso e prosperidade; e no plano
coletivo, uma grande causa. Jesus Cristo, seus apóstolos,
sobressaindo Paulo, são exemplos na religião. Gandhi o é
na política. Nos cientistas e artistas temos exemplos de
sobra.
Outro dia, lendo sobre a guerrilha do Araguai pude
constatar como foi marcante para a população local a
moral dos guerrilheiros, que tinham o maior respeito pelas
mulheres locais. O sexo não era importante para eles.
Tinham uma causa maior.
Com os atletas ocorre o mesmo, principalmente os
olímpicos.
Mas motivação não é tudo, há de se ter também a
informação. Saber que a abstinência sexual não afeta a
saúde, não atrofia o pênis, não enlouquece e nem causa
impotência.
O tecido do pênis e parte da vagina são constituídos de
tecidos membranosos especiais, chamados corpo caverno­
so e corpo esponjoso, que se enchem de sangue quando o
indivíduo está excitado. É isto que intumece a vagina e
mantém a ereção do pênis.
21
Teria cabimento em falar de atrofia por falta de uso, se
o pênis fosse constituído de músculo esquelético como o
braço. Se uma pessoa fica com o braço imobilizado por
muito tempo, o músculo realmente pode sofrer um proces­
so de atrofia. E também pode apresentar hipertrofia quan­
do muito excitado, como acontece com os halterofilistas.
Mas o corpo humano é perfeito. Imagine se todos os
tecidos fossem músculos esqueléticos, com que tamanho
ficaria nosso coração depois de alguns anos de trabalho
sem parar!
Portanto, o pênis, como todos os órgãos do corpo,
depois que atinge seu crescimento total, ficará com este
tamanho para o resto da vida do indivíduo. Tenha ou não
atividade sexual.
Quanto ao hímem, a existência dele, na verdade, é para
proteger a mucosa vaginal de freqüentes contaminações.
E a incidência de câncer em órgãos genitais femininos só
pode ser mais freqüentes em mulher que vive em promis­
cuidade sexual, contraindo toda sorte de doenças.
As repercussões da castidade na saúde psíquica será
assunto abordado nos capítulos seguintes.

22
Capítulo II
Sexo e Necessidade Fisiológica
Necessidade fisiológica é uma atividade sem a qual o
organismo vivo não sobrevive. Para o ser humano é a
respiração, o sono, a alimentação e a excreção (eliminação
de resíduos alimentares).
Aos seres inferiores, animais irracionais, a atividade
sexual, mais que necessidade fisiológica, é um imperativo
da natureza, para que haja reprodução e perpetuação das
espécies. E estes seres praticam o sexo em épocas progra­
madas pela natureza. Fora desta época, o cio das fêmeas
é como se o sexo não existisse.
Porém, com o ser humano a natureza foi bem mais
generosa. Dotou-o de inteligência, concedeu-lhe o direito
de programar-se e escolher a época mais propícia para a
prática do sexo e usufruir de todos os benefícios que esta
prática, feita de forma inteligente e na época apropriada,
pode trazer ao indivíduo e ao grupo social a ele ligado.
Ou então, não usar a inteligência, e não programar- se,
e aí é o caos.
A China, antes de seu grande líder Mao Tse Tung
assumir o poder, pode ser usada também como exemplo.
As crianças eram reproduzidas como coelhos e mor­
riam como moscas, com índice de mortalidade infantil
absurdo.
A prostituição, o jogo, o tráfico e uso de drogas e toda
forma de banditismos eram atividades “organizadas”.
Ainda é possível ver, em filmes feitos naquela época,
chineses como animais, puxando numa espécie de carri­
nho, a pé, os turistas das grandes potências, que eram os
23
verdadeiros senhores da China. Todo mundo lá mandava,
menos os chineses. Depois, a coisa mudou, como todo
mundo já sabe.
O que quero esclarecer é que o homem precisa de
conscientização: ou ele se program a, ou seja, assume o
comando da sua vontade, do seu corpo, da sua mente e do
seu espírito, e só então pode decidir o que é melhor para
ele e o grupo social a que está ligado. Seja a família, a
comunidade ou a nação.
Ou, então, acomoda-se, e deixa que os outros decidam
por ele — o que deve fazer, como deve pensar ou agir. Os
outros apossam- se então de seu corpo, de sua mente e de
seu espírito.
O homem então passa a ser iludido, achando que está
até curtindo a maior liberdade; liberdade de jogar na loto;
liberdade de usar drogas; liberdade de comprar a presta­
ções (como disse um humorista, fazendo comercial para
uma financeira — o importante não é ter dinheiro, é ter
crédito) e, também, a liberdade sexual. "Fazer" sexo
quando e como quiser, sem considerar as conseqüências.
Há pouco tempo noticiou-se que uma ministra do go­
verno da França deu a generosa idéia de exportarmos
nossas crianças, “abandonadas” nas nossas ruas, para eles.
Eles, naturalmente, estão precisando de empregados do­
mésticos e operários.
E muita gente aqui gostou da idéia. Afinal iria “limpar”
nossas ruas, portas de restaurantes, e até mesmo diminuir
a despesa do erário nas tentativas de recuperação e con­
trole dos “trombadinhas”.
Mas, felizmente, a inconseqüência total das autoridades
ainda não chegou a tamanho absurdo.
Será que, se o homem não fosse condicionado ^ p r o ­
gramado) pelos persuasivos meios de comunicação de
massa, ele optaria por estas pseudoliberdades, que não
conduzem a nada, a não ser criar ilusões passageiras e
mantê-lo escravo dessas ilusões?
24
E o pior é que a vida continua, e os homens e nações
que passam a usar a inteligência e tomam o destino de suas
vidas em suas mãos, isto é, se programam, avançam na
prosperidade, riqueza e soberania enquanto os escravos...
permanecem escravos.
Que fique claro para os jovens, principalmente, que
essa história de que a atividade sexual é uma “necessidade
fisiológica” é uma mentira. De que, desde a puberdade,
idade em que o menino começa a ejacular e a menina a
menstruar, se os jovens não praticarem atividade sexual
poderão ficar doentes, principalmente o rapazinho, que
poderá ter atrofia do pênis, ou impotência, ainda ficar
doente mental.
Isto é uma estupidez que está levando os jovens a um
desgaste de suas potencialidades físicas, emocionais e por
que não dizer até mentais, antes de estarem preparados.
O adolescente é a criatura que está deixando de ser a
criança dependente dos pais e se preparando para ser o
adulto independente. E nesta trajetória, as únicas preocu­
pações que deveríam passar por suas cabeças seriam,
naturalmente, as da preparação.
Sobretudo as de preparação profissional, através dos
estudos. O restante do tempo, então, sobra para o desen­
volvimento cultural através das artes, da prática dos espor­
tes, etc.
Mas se os adolescentes se deixam apanhar pela arma­
dilha da atividade sexual precoce, é só conferir os resulta­
dos. É sempre uma mentira puxando a outra. O prazer
sexual incompleto por medo de gravidez indesejada,
doenças, etc. Quando da gravidez, o drama do aborto ou
casamento precipitado, sem sustentação econômica, emo­
cional, etc. Quanto a esses arremedos de casamentos, que
esperar disso que podería até ser uma família? Se os
parceiros não têm nem o que dar para si ou um para o outro,
o que se espera deles para os filhos? Naturalmente, que
estes serão criados por avós, creches, ou ainda em pregadas
25
domésticas; isto, na melhor das hipóteses, para não dizer
os que são atirados nas' sarjetas e vão se transformar nos
tristemente famosos trombadinhas, que acabam trucida­
dos heroicamente pela mesma sociedade que os produz.
O homem só se torna adulto, e portanto em condições
de direito natural de praticar a atividade sexual, após haver
alcançado sua condição de independência sócio-econômi-
ca, isto é: poder pagar um aluguel de casa ou comprá-la,
e sustentar-se e à provável família que possa ser formada.
E a mulher quando se torna adulta? Acrescente-se ao
aspecto da independência sócio-econômica, que hoje é
privilégio da mulher moderna, a maturidade emocional,
que não deve ser menos importante para o homem. Mas é
a mulher que acalenta em seu ventre o novo ser humano
em formação.
E se esta mulher não está preparada emocionalmente
para este privilégio, o que ocorre na verdade é um desastre
como nos referimos atrás.
Está na hora de acabar com este endeusamento do sexo,
mesmo para os adultos, como se fosse realmente uma
necessidade fisiológica. As pessoas que se consideram
inteligentes deveríam parar um pouco e perceber que,
como a religião deixou de ser ópio do povo, haveria
necessariamente de algo que substituísse as preocupações
que são naturais, tais como: a questão da soberania, indi­
vidual e das nações.
Se não, a coisa descamba para as raias da imbecilidade,
como, por exemplo, a declaração de determinado jogador
de futebol (e médico) em entrevista a uma destas revistas
que exploram mulheres, de que o jogador de futebol,
quando em viagem, ou pratica adultério ou tem que partir
para a masturbação.
Ora, a experiência sexual envolve o ser humano como
um todo. Não é apenas uma questão mecânica, física ou
até emocional. Compromete também a honra, a dignidade
das pessoas. -
26
Mas existem aqueles que pregam que este “negócio” de
honra, dignidade, moral é coisa do passado, isto j á era,
dizem. Também concordo. Para quem julga que perdeu
tais valores e não se acha em condições de recuperar-se,
por ignorância ou orgulho, j á era mesmo.
Este é o famoso Complexo de Caim. Quem está sujo,
e tem preguiça de limpar-se, não suporta ver os outros
limpos. A limpeza o incomoda. E existe muita gente boba
que embarca nesta canoa furada.
O problema surge é na hora de conseguir um bom
emprego, um cargo importante ou o sucesso na profissão
liberal. Quem escolhería um médico libertino para cuidar
de sua família, orientar seus filhos? O juramento dos
médicos fala claro a esse respeito: A questão da dignidade.
E o mais importante não é tanto o que as pessoas
possam pensar de nós. Não se trata de narcisismo. Mas
ninguém poderá nos amar, nos admirar e nos respeitar, se
estes sentimentos não partirem de um sério julgamento a
nosso próprio respeito.
Há também a questão do sentido amplo que existe em
certas palavras. Quando se fala em honra, moral, religião,
etc., a maioria das pessoas tem uma tendência a pensarem
restrição à liberdade. E até certo ponto estas pessoas têm
razão, dada a hipocrisia com que se têm usado estas
palavras.
Basta falar em m oral cristã, para afugentar meio mun­
do. E com justa razão, pois certos dirigentes, ditos cris­
tãos, disseminaram por este mundo a fora justamente
aquilo que Cristo mais condenou — A HIPOCRISIA— ,
faça o que eu falo e não o que eu faço.
A facção menor do Cristianismo — a protestante —
tomou-se a “religião do não-pode”. A ponto de pretende­
rem impedir as pessoas até de tomar um saboroso cafezi­
nho, como é o caso dos Adventistas.
É pena que a maioria não se dá ao trabalho de buscar
a verdade, como o próprio Mestre nos estimula em mar-
27
cante expressão evangélica — E conhecereis a Verdade
e a Verdade vos libertará (Jo 8.31 e 32).
Quanto à palavra moral, podemos considerá-la num
sentido mais amplo. Quando se fala que um atleta ou sua
equipe está com a moral elevada, se quer dizer que estão
confiantes no sucesso, cheios de coragem e entusiasmo,
isto é, estão se valorizando. Assim, moral tem o sentido de
VALOR, ou seja, uma pessoa de moral elevada não é
PURITANA, mas alguém que se dá valor, que tem digni­
dade.
Considerando estes aspectos, a expressão moral cristã
adquire então o verdadeiro sentido que encerra o objetivo
de toda a mensagem do Cristianismo. O cristão é o indi­
víduo que busca a Verdade e não se conforma jamais com
a mentira. E, à medida que vai encontrando a Verdade,
adquire uma liberdade cada vez maior, o que lhe acrescen­
ta coragem e entusiasmo, sempre crescentes nos desafios
a que a vida nos vai submetendo.
A essa coragem e entusiasmo podemos dar o nome de
FÉ. E como se sabe, o ser humano dotado de fé é um
constante vencedor nos desafios a que é submetido. O
homem de fé se diferencia do otimista insensato que se
ufana e se ensoberbece ante as adversidades, “cantando a
vitória antes da guerra”, e depois amarga humilhantes
derrotas.
O ser humano dotado de fé é humilde e sereno, chegan­
do a ser flexível; porém, o determinismo que o conduz é
inquebrantável como o aço, pois ele sabe que a Força que
o conduz transcende o limitado ser humano — ela é
onipotente. Ela é o próprio Deus.
E vendo o problema da desmoralização num contexto
mais amplo, do domínio que as nações mais poderosas
exercem sobre as nações subdesenvolvidas, está claro que
o domínio pela força, pelas armas, fica cada vez mais
difícil. Um confronto neste campo nos levará ao extermí­
nio da humanidade.
28 I
Assim, a coisa ficou mais sutil, mais delicada Já foi
noticiado que os serviços de espionagem de certas nações
investem verdadeiras fortunas na publicação de livros. E
por que não imaginar que o mesmo não vem acontecendo
para revistas, filmes, enfim, o domínio dos poderosos e
persuasivos meios de comunicação, como a televisão?
Principalmente esta, que acaba fazendo a cabeça —
PROGRAMANDO — da maioria das pessoas?
A í está uma razoável explicação para a existência da
pornografia, que domina cada vez mais os meios de co­
municação que nos são oferecidos. E o raciocínio fica fácil
para quem quiser parar para pensar. Quem está interessado
em ver seus filhos entrarem na rodinha da prostituição,
promiscuidade, homossexualismo, aborto, etc.? Por outro
lado, para dominar um povo, desmoralizá-lo pode ser uma
tática
Fica, portanto, a critério de cada um, assumir o destino
de sua vida. Não deixar que outros, visando apenas seus
interesses escusos, façam sua cabeça. Cada um de nós,
com um pouco de boa vontade e muita astúcia, pode sair
desta Assumindo aquilo de mais nobre que o Criador nos
concedeu — a liberdade.
Só que para isto é preciso parar de vez em quando. Parar
para pensar.Meditar. O que significa perguntar para si
mesmo: “É isto que eu gostaria de estar fazendo? Foi isto
que sonhei para mim quando criança, adolescente? Foi
este ideal que tracei para minha vida? Epara meus filhos?
Para a minha descendência? Isto que estou fazendo é
verdade ou mentira? Está havendo vantagens para mim e
o maior número de pessoas a mim ligadas?”
Isto é fazer a própria cabeça, é assumir o próprio
destino, é buscar a felicidade que se tem direito.
Nunca é demais apresentar fatos para confrontar a
mentira. A abstinência sexual, ou a castidade, ou, ainda,
deixar de praticar a atividade sexual por algum tempo, até
ter condições de assumí-la plenamente, não traz doença
29
ou comprometimento para o pleno desempenho desta
atividade. Antes, muito pelo contrário. É só perguntar aos
idosos em plena atividade sexual, aos religiosos que dei­
xaram o celibato sacerdotal e se casaram. Por fim, os que
ainda tiverem dúvida façam uma viagem pela China ou
perguntem aos que lá estiverem sobre a atividade sexual
naquele que é o país mais populoso do mundo, e, por
incrível que pareça, atualmente, um dos mais bem organi­
zados socialmente.

30
Capítulo III
O Auto-Domínio - Como Programar-se
A grande questão passa a ser então :
- Ou o ser humano aprende a programar-se, procurando
se conhecer, descobrindo suas reais necessidades, e natu­
ralmente satisfazê- las, sem esforçar-se acima de sua ca­
pacidade, e suas posses... e terá então sempre reservas ao
seu dispor. Reserva de saúde, de energia; reserva de afeto,
de amor; reserva de dinheiro, de bens materiais, à medida
que for necessitando. E com serenidade, saberá empregar
tudo isso em seu benefício e do grupo social a que estiver
ligado. Estará sempre com saúde, próspero e feliz. Isto é
o pleno gozo da liberdade e da soberania. O ser humano
foi criado para viver desta forma.
- Ou então, não se interessa na busca da verdade sobre
seu corpo, sua vida e os acontecimentos. Isto dá muito
trabalho. Afinal, o governo está aí é para isto. Para resolver
nossos problemas. Ou então, de repente a gente acerta na
loteria. Não vale a pena esquentar a cabeça. E assim, a
maioria vai seguindo a Lei do M enor Esforço.
Ora, isto é o mínimo que a Natureza nos solicita para
nos dar o direito à felicidade ou à soberania. Este, possi­
velmente, vem sendo o maior erro dos dirigentes dos
países subdesenvolvidos, de acharem que nós vamos nos
tornar nações soberanas com a ajuda dos ricos. E depois,
para quem eles iriam emprestar dinheiro, e continuar se
enriquecendo com os juros?
O mesmo raciocínio se aplica aos indivíduos. Os que
exploram a ignorância do povo não desejam ver este
esclarecido. Porque se o povo ficar esclarecido, como é
que eles vão ganhar dinheiro?
31
E assim, as pessoas que não querem esquentar a cabe­
ça vão se mantendo subdesenvolvidas, exploradas, po­
bres, doentes e revoltadas.
Simplesmente por não quererem assumir uma respon­
sabilidade natural, peculiar a cada ser humano a partir da
adolescência. Isto é o crescei, do crescei e multiplicai-
vos. O ser humano não pode fazer como os animais
inferiores e as plantas que, uma vez completado seu cres­
cimento biológico — só se multiplicam.
Nós somos mais privilegiados. Foi-nos dada uma inte­
ligência para desenvolver. Uma capacidade de sentir emo­
ções — alegria, prazer, ou, tristeza e dor. Isto é, como tudo
neste mundo, há sempre dois pesos e duas medidas. Para
cada privilégio há sempre uma responsabilidade. Se ao ser
humano foi dado o privilégio da mente e do espírito sobre
os outros seres, dele é exigido algo em troca.
Nós devemos crescer. Se para o crescimento biológico
ou físico não é exigido nenhum esforço além da alimen­
tação e conservação da saúde, já o crescer no sentido
mente e espírito não tem jeito. Há a necessária boa von­
tade, como está nas Escrituras: Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens de boa vontade. (Lucas 2.14)
Há gente que chega a dizer que detesta o hábito da
leitura. Para quê ler se as coisas sempre continuam como
estão, argumentam eles em estúpida explicação. Outros
preferem nem aprender a ler, e se mantêm analfabetos.
Para se ter uma idéia, e até uma explicação, por que somos
um país subdesenvolvido é só imaginar que mais ou
menos 40% de conterrâneos nossos, acima de quatorze
anos, ou pouco mais de trinta milhões de brasileiros, não
sabem ler, e se acrescentarmos a estes milhões outros
tantos milhões que sabem ler, mas ... não gostam, não
têm tempo, etc...
Está aí uma explicação porque continuamos a ser o
paraíso das multinacionais.
Sem a boa vontade o homem não cresce mental e
32
espiritualmente, e, portanto, não atinge seu crescimento
integral. E estaria ele assim em condições de multiplicar-
se?
Naturalmente, não. Os exemplos estão aí para conferir.
Voltando ao exemplo da China, Mao Tse Tung concluiu
que a mulher atingiría o crescer integral por volta dos 25
anos e o homem aos 30, quando liberados para multipli-
car-se.
A ciência confere que é nessa fase que se completa o
crescimento fisiológico, ou físico. E se considerarmos que
nossas emoções estão diretamente ligadas a secreções
hormonais de nossas glândulas, então um razoável equilí­
brio emocional, extremamente necessário para assumir a
maternidade ou paternidade, só nesta época seria possível.
E por fim, e o que é da maior importância, seria a
acomodação social. O ditado diz: Quem casa q u er casa.
Mais do que querer, torna-se indispensável, para a harmo­
nia familiar, que a família — pai, mãe e filhos — tenha
vida própria e independência sócio-econômica. Fora daí,
é sempre um desastre.
E quando, com que idade o homem atinge seu crescer
sódo- econômico, podendo assumiras despesas da manu­
tenção de uma família?
Mas será que o homem sempre precisará de um Mao
Tse Tung ou um Aiatolá para, a poder de fuzis, forcas, ou
lavagem cerebral ser colocado nos eixos? Ou viver de
forma disciplinada e organizada por estes expedientes?
É claro que não. O homem não foi criado para ser um
robô.
Mas não nos iludamos. Aqui no nosso mundo, tido
como livre, o homem pode se tornar um robô. Robô das
falsas religiões: lembram-se do Jim Jones — o pastor do
diabo? Porém existem as religiões de fachadas muito
bonitas, mas estéreis, pois não conduzem ao crescer espi­
ritual. Robô das modas, do consumismo estúpido que
33
rouba dinheiro da alimentação e do lazer. E por fim, robô
das paixões desenfreadas, estimuladas pela busca cega do
lucro daqueles que emporcalham nossas vistas e nossas
mentes com o sexo desvairado, que nada tem a ver com o
prazer, a alegria e a saúde que o Criador planejou nos
proporcionar.
Nos Estados Unidos, a matriz cultural do mundo oci­
dental, já estão usando criancinhas para fazer cenas de
sexo explícito em filmes pornográficos. O índice de pros­
tituição infantil é alarmante. Em meados de 1985, só em
Los Angeles tinham sido fichadas trinta mil crianças entre
sete e quatorze anos, vivendo desse expediente.
Já na Suécia, a Associação Sueca de Educação Sexual,
responsável pela revogação, em 1971, da lei que restringia
a divulgação de material pornográfico, agora reconhece
que a liberação não deu certo. Seu presidente, Hans
Nestins, declarou: “Com a liberação, os capitalistas do
sexo entraram em cena, e o que temos é todo um aparato
de pornografia fria, mecânica, violenta e degradante. E
chama a atenção para o fato de que no material impresso
— as famosas revistinhas — predominam o sadismo,
estupros, animalismo e a pedofiha (sexo com criança)”.
Assim, a Suécia, onde tudo começou, país dos mais
organizados do mundo, onde praticamente não existe mi­
séria, onde a mãe solteira recebe todo amparo do Estado,
onde o índice de mortalidade infantil é insignificante,
reconheceu o dever que o Estado tem em controlar a
divulgação de material ligado a erotismo. E a partir de
1982, a pornografia voltou a ser proibida na Suécia. Um
exemplo de nação inteligente, que considera o famoso
ditado: errar é humano, persistir no erro é burrice.
Em nosso país, onde a miséria absoluta é alarmante,
apesar de sermos proclamados a oitava economia do mun­
do, carregamos um título nada invejável: o sétimo maior
índice de mortalidade infantil. Para se medir o nível de
vida, ou o grau de civilização ou organização social de um
povo ou nação, criou-se este índice, ou seja, o número de
34
crianças que morrem antes de atingir um ano de idade,
entre mil crianças que nascem vivas. Estamos perdendo
disparadamente para outros países das regiões mais atra­
sadas do planeta.
Em um quadro desses, em que nós, brasileiros, deveria­
mos estar morrendo de vergonha, ao ver tanta desmorali­
zação e corrupção, um ministro de Estado, e logo o da
Justiça, critica publicamente um chefe de família, conhe­
cedor de leis, que, heroicamente, impede que seja trans­
mitido pela televisão um filme que, na melhor das
hipóteses, deveria se restringir ao público adulto.
E o argumento do ministro, de que a censura deve ser
feita pela família, chega a ser hilariante. Só mesmo quem
está todos os dias atrás de uma mesa de consultório médi­
co, e se dá ao trabalho de buscar as C ausas Reais das
doenças, conversando e ouvindo seus pacientes, sabe,
realmente, a que está reduzida a família, neste país.
Na verdade, a autoridade dos chefes de família em
nosso país foi corroída com os achatam entos salariais,
que fazem o salário- mínimo no Brasil ser inferior ao do
Paraguai, por exemplo.
Em compensação, os ricos ficaram muito mais ricos nos
últimos vinte anos. E qual foi a fórmula usada pelos que
dominaram o poder para evitar que o povo percebesse tal
golpe e se revoltasse em reivindicações justas?
Criaram ilusões para o povo, tais como o baú da felici­
dade; a loteria esportiva; o crediário, onde todo mundo
pode comprar o que quiser. Enfim, chegará riqueza deixou
de ser uma questão de estudo e trabalho sério e honesto,
para ser tudo uma questão de sorte.
E enquanto a sorte não chega, vamos manter as m entes
ocupadas com superstições e fantasias. E a televisão
surgiu então como o ópio ideal. Então este ministro da
Justiça não está sabendo que quem impõe o padrão moral
e cultural de nossas famílias é :
O Roque Santeiro, a garota do Fantástico e os enlatados
35
que nos são em purrados goela abaixo? E o futebol e o
carnaval que, originalmente, eram cultura popular, passa­
ram a ser impostos como religião; isto para não M ar da
astrologia, candomblé, espiritismo e outras formas de
alienação do indivíduo.
É preciso esclarecer aos jovens e à nossa gente que os
exploradores, seja a nível de nação para nação, seja de
indivíduo para indivíduo, não querem que as pessoas
parem para pensar, tomem consciência de suas vidas,
conversem entre si, e busquem soluções racionais para
uma independência e soberania cada vez maior para suas
vidas.
O dia em que o Brasil se tomar uma nação soberana,
nós vamos nos tomar a grande nação do Hemisfério Sul,
ou seja, da metade da terra. E os países ricos, que atual­
mente nos exploram, não querem permitir que isso acon­
teça, naturalmente.
E como conquistar essa soberania? Tem que ser a partir
de cada um de nós, de indivíduo para indivíduo. Nós, que
ainda não nos deixamos dominar pelas superstições e
fantasias, pelas drogas, pela pornografia e conseguimos
manter a dignidade de nossas vidas e nossas famílias.
Vamos ensinar aos que tiverem contato conosco que as
condições de vida de cada pessoa não devem ser conse-
qüência de sorte ou azar, ou, muito menos, de serem
patrocinadas por circunstâncias externas ou outras pes­
soas. Mas apenas e tão-somente pela própria pessoa.
Fatores como saúde ou doença, riqueza ou pobreza, paz
de espírito ou medo, decorrem de pensamentos que nos
ocupam a mente, isto é, de idéias que chegaram a nós, e
as aceitamos.
E aí, sim, entra a possibilidade de sermos influenciados,
de fazerem a nossa cabeça se nós mesmos não a fizermos.
Senão, as circunstâncias e as outras pessoas o farão. E,
naturalmente, visando sempre os interesses deles, não os
nossos. E o resultado está aí. Erros, sofrimento, medos,
36
doenças e escravidão, para a maioria.
E se o Criador nos concedeu o privilégio de elaborar­
mos os nossos pensamentos — program arm os —, por
que não o fazemos??? Nós temos o poder de pensar o que
quisermos. Podemos escolher os pensamentos que vamos
aceitar e os que pretendemos rejeitar. Assim como faze­
mos com a comida que sabemos que poderá nos fazer bem
ou mal, e, naturalmente, rejeitamos aquela que irá nos
prejudicar. Isto não é maravilhoso?
Mas aí vem o preço deste privilégio. Quaisquer pensa­
mentos que você escolher e acolher em sua mente, serão
depois expressos no mundo físico exterior como coisa e
acontecimentos, e isso depende de sua vigilância. Esco­
lhidos os pensamentos, você não poderá mais mudar as
conseqüências externas que eles determinarão. Sua esco­
lha está em aceitá-los ou rejeitá-los, fixá-los ou expulsá-
los da sua mente. Se não quiser que certas conseqüências
recaiam sobre você, vindo a prejudicá-lo, e aos seus, deve
abster-se de pensamentos que possam acarretar tais pre­
juízos. Isto é program ar-se.
Quando não se quer que um motor funcione, não se dá
a partida; quando não se quer que uma campainha toque,
não se aperta o botão. Compreendendo esse princípio
elementar, você vigiará, doravante, seus pensamentos
com o máximo cuidado, se quiser.
O funcionamento de nosso organismo tem muito a ver
com as máquinas. As mais sofisticadas são cópias aproxi­
madas dos órgãos que nos compõem — células fotoelétri-
cas, termostato e, por fim, o computador ou o cérebro
eletrônico.
O que nós pensamos, e em conseqüência acabamos
fazendo, pode ser explicado pelo funcionamento do com­
putador.
Quando pensamos, nós estamos nos program ando,
isto é, estamos retendo idéias em nossa memória que nos
vão levar a tomar determinadas atitudes.
37
E os nossos pensamentos são frutos de quê? São dados,
informações que chegam ao nosso cérebro, através de
nossos sentidos— visão, audição, olfato, paladar e tato.
Existe ainda a percepção extra-sensorial ou sexto senti­
do.
Da mesma forma que podemos evitar uma comida que
sabemos estar envenenada para nos tirar a vida, podemos
também rejeitar visões distorcidas da realidade, que mais
tarde poderão nos tirar a paz, a saúde e até o dinheiro, que
poderiamos empregar em coisas mais úteis, como alimen­
tação e lazer.
Em minha adolescência, foi quando após compreender
o sentido da castidade optei por ela, ou seja, deixei a
atividade sexual para época oportuna, ou quando atingisse
meu crescimento integral. Devo abrir um parêntese. O
crescer mental e espiritualmente não tem um limite como
o crescimento físico ou biológico. Mas existe um estágio
em que o ser humano pode ser considerado adulto.
Na minha concepção de adolescente, naquela época, e
hoje mais do que nunca, creio que o sexo só deve ser
praticado por adultos.
Assim, naquela época, após haver chegado a esta con­
clusão, e que a abstinência do sexo neste caso estava nos
planos de Deus, e cientificamente, era perfeitamente sau­
dável, e socialmente mais adequada, parti então em busca
do desafio.
Dizia um dos livros que li na época: Não querer ficar
excitado é muito simples. É só não provocar. E só evitar a
entrada de dados no computador — ou pensamentos eró­
ticos no cérebro. E aí não haverá PROGRAMAÇÃO — e
o motor não dará a partida.
Não havendo visões, leituras, contatos eróticos, não
haverá pensamento erótico, e portanto a atividade sexual
permanecerá desligada. E aqui entra o problema da ne­
cessidade fisiológica e do comportamento da saúde.
Há pessoas que decidem evitar a atividade sexual por
38
preconceitos religiosos. Lembro-me de uma senhora que
me perguntou se era válido, para crescer espiritualmente,
evitar sexo com o marido. E um caso terrível que consta
nos anais do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clí­
nicas de São Paulo, de um jovem que se castrou para
cumprir ao pé da letra o contido do Evangelho de Mateus
5.29 e 30.
Isto não é castidade. São visões distorcidas de sexo e
religião.
Há também os que não conseguem dominar a curiosi­
dade e caem na armadilha da pornografia dos filmes, das
revistas e outras formas de estímulos, e depois querem se
segurar. Aí também não dá. Muitos partem para a mas-
turbação, a fim de não se comprometer. A coisa também
não funciona, pois, para os humanos, a atividade sexual
inclui o componente afetivo que acaba sendo, afinal, o
mais gratificante. E depois, os seres humanos são metades
que se completam aos pares. O Criador planejou assim.
O ser humano pode realizar-se sozinho, afetivamente,
quando se doa a grandes causas da humanidade, como na
vida voluntária de religiosos, na ciência, nas artes, na
política, etc. Mas aí não entra o sexo físico. São os eunu-
cos, que se fazem eunucos por amor ao reino dos céus (Mt
19.12). Existem inúmeros. Existem outras passagens das
Sagradas Escrituras que explicam este ideal maior de
algumas raras e privilegiadas criaturas (Is 56.4 e 5; I Co
7.2 e 33).
Voltando à necessidade fisiológica relativa ao sexo,
creio que já devo ter esclarecido que ela não existe natu-
ralmente. Ela é provocada. Pode ser despertada por
fatores externos.
Mas, se aceita e assumida pelo indivíduo, este é um
problema único e exclusivamente dele, que deve assumir
as conseqüências de satisfazê-la quando e como e as
decorrências advindas daí, para si e o grupo social a ele
ligado.
39
Não podemos ficar jogando a culpa do sofrimento e da
miséria material, moraf e social que estamos assistindo, no
governo, nos donos de redes de televisão, produtores de
cinema, revistas, etc. Grande parte deles já convertida em
\gigolôs de gravata. Não nos cabe julgá-los ou condená-
los; eles mesmos o farão. Avida é uma escola maravilhosa.
O livro que me ensinou o segredo do auto-controle dizia
que até mesmo quando cruzasse com uma mulher na rua,
o meu instinto iria conduzir minha visão para suas partes
eróticas, o que naturalmente iria “ligar” o motor. Porém,
se estivesse mesmo a fim de mantê-lo desligado, deveria
então comandar a minha visão e dirigi-la às partes belas
da mulher, como os olhos, cabelos, etc. Se a mulher fosse
toda erotismo, deveria então proceder como em relação às
revistas, filmes e todas as apresentações eróticas — evitar
olhar.
Embora tal conduta possa parecer ridícula ou estúpida,
ela já era ensinada pelos sábios antigos, como podemos
constatar na página 542 da Bíblia Sagrada, edição Barsa,
livro do Eclesiástico, capítulo 9, versículos 5,6, 7, 8 e 9,
que transcrevemos:
“Não detenhas teus olhos em ver a donzela, para que
não suceda que sua beleza te seja ocasião de queda.
Não entregues de modo algum a tua alma às mulheres
prostitutas: para que te não deites a perder a ti, e a tua
herança
Não lances os olhos por toda parte, pelas ruas da cidade,
nem andes vagueando pelas suas praças.
Aparta os teus olhos da mulher enfeitada, e não olhes
com curiosidade para a formosura alheia
Por causa da formosura da mulher pereceram muitos:
porque é daí que se acende a concupiscência, como fogo".
Que tal conduta iria exigir, no início, um pouco de boa
vontade e esforço, como o que se necessita para aprender
a escrever à máquina, ou dirigir um automóvel, etc. Depois
40
esta atitude ficaria automática e passaria a ser usada sem
se perceber.
As vantagens seriam para o resto da vida.
Tinha então 15 ou 16 anos. Achei a coisa meio impos­
sível, mas paguei para ver.
Lá pelos 20 anos, estando com um conhecido em uma
praça, veio correndo em nossa direção, e passando por nós,
uma garota exuberante. O primeiro comentário foi o meu:
- Reparou que cabelos bonitos?
E ele, que conhecia minha namorada na época, e com
cara de quem estava vendo um fantasma, disse-me:
- Esta garota veio sacudindo uns enormes seios, só para
nos provocar, e você só viu os cabelos dela?
Foi então minha vez de indagar-me o que estava acon­
tecendo. E também ficar espantado. O que demorei fração
de segundos, pois percebi então que havia atingido o
autom ático. Já não estava fazendo nenhum esforço. Já
não era mais sacrifício.
Na verdade, há muito que não deveria estar me esfor­
çando. Só que não estava percebendo. É que ninguém
havia me chamado a atenção para o detalhe.
E assim fui até ao casamento. Após o nascimento de
cada um dos meus sete filhos, quando a mãe ficou impos­
sibilitada por algum tempo de atividade sexual, também
não foi sacrifício algum praticar a abstinência nestes
períodos. Minha motivação era estar semeando a felicida­
de futura de meus filhos.
Noutra ocasião, em que estive quatro meses no exterior,
afastado de minha esposa, em missão de trabalho, também
não foi sacrifício. Já meus colegas, folheando as revistas
pornográficas que na época — 1967 — já circulavam na
Europa, e assistindo aos ‘strip-teases’, e, portanto, acaba­
vam procurando prostitutas, não compreendiam meu sa­
crifício, segundo eles.
41
Na verdade não estava havendo sacrifício algum. Meu
pensamento estava voltado para minha filha e a mãe dela,
que estavam aqui no Brasil. E evitava os Program as
Eróticos, pois já sabia quais seriam as conseqüências
naturais de tais programações.
Quando aqui chegamos, nossas esposas nos aguarda­
vam no Rio de Janeiro. Da minha, recebi o respeito,
admiração e carinho em um agradável segunda lua-de-
mel.
Já não foi o mesmo com aqueles que chegaram porta­
dores de doenças venéreas, tais como sífilis e gonorréia.
A prática sexual em tais circunstâncias, além de crimino­
sa, deve ser muito desagradável.

42
Capítulo IV
Educação Sexual
A educação sexual, como feita até aqui, tem na maioria
das vezes visado apenas a localizar e explorar os órgãos
genitais como objeto de prazer, como se fossem brinque­
dos de criança para se usar, sem a menor responsabilidade.
Se apenas informações a nível biológico pudessem
levar o indivíduo à plena realização sexual, todos os
médicos seriam felizes, pelo menos neste aspecto, e, como
se sabe, nem sempre isto acontece.
O crescei e multiplicai-vos resume todo o problema.
O multiplicai-vos, que em outras palavras autoriza o ser
humano o usufruto da atividade sexual, é precedido de
outra orientação:
Crescei!
Assim como uma planta ou animal inferior não repro­
duz antes de atingir sua condição de completo crescimen­
to, racionalmente, o ser humano não deveria praticar o
sexo antes de se tornar adulto.
E como se sabe, ser adulto para o ser humano é muito
mais uma condição psicológica e um ajuste social do que
apenas o crescimento biológico; isto é, o rapazinho já ter
barba e bigode, e a mocinha, os seios desenvolvidos.
E fazer uma abordagem desta forma parece até o óbvio.
Mas não é.
Pois a não conscientização deste fato, de que só depois
de estar preparado para sustentar uma família, viver em
função dela, é que um homem deveria ir para cama com
uma mulher. E por seu lado, a mulher deveria estar cons­
ciente das profundíssimas implicações para seu ser, diante
43
da atividade sexual, antes de assumi-la. Por não assumir
esta atitude racional, aí estão as tragédias humanas.
O homem desmoralizado, a mulher um obj eto, a criança
desamparada.
E este é o prato feito para aqueles que exploram a
miséria humana.
O homem desmoralizado é aquele que vê a atividade
sexual como uma droga, uma fuga. Ante um estímulo
qualquer, como uma prostituta, uma revista, livro ou filme
pornográfico, ele esquece, por momentos, de seus proble­
mas e frustrações.
E à medida que ele vai se entregando a este vício, mal
percebe que a ele vai se escravizando e dando lucro aos
que vivem desses expedientes, que são os gigolôs.
Existem aqueles que espancam e sacrificam brutalmen­
te as prostitutas, até as deixarem na mais completa miséria
moral e material, atiradas nas sarjetas.
Mas não são também gigolôs os donos de redes de
televisão, das editoras, que publicam as mais sofisticadas
revistas, e que estão explorando o sexo como meio de
lucro?
Aí aparece a figura da mulher-objeto — aquela que é
capaz de deixar o lar, o marido e os filhos para posar nua
para uma revista pornográfica E os gigolôs chegam a
convencê-la de que isto é arte.
A mulher foi criada para embelezar o mundo, não
emporcalhá-lo. A mulher foi criada para completar o ho­
mem, para acolhê-lo em seu colo, desde a mais tenra idade,
e fazer dele ou ajudá-lo a fazer-se ser humano.
A obra prima da criação, um ser dotado de inteligência
e amor ao mesmo tempo, isto é, sábio. E a partir daí, a
exemplo de seu Criador, o homem faz maravilhas.
Ou, então, a mulher faz o contrário. Transforma-se num
objeto de consumo — com roupas provocantes ou sem
44
elas — , estimula o instinto sexual do homem, perverten­
do-o à condição de um animal. E o pior dos animais, pois
é capaz de raciocinar. E ao contrário de criar, ele passa a
destruir e como!
O dicionário ensina que educar é “estimular, desenvol­
ver e orientar as aptidões do indivíduo, de acordo com os
ideais de uma sociedade determinada, ou, ainda, aperfei­
çoar e desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e
morais de...” !
E preciso criar, estabelecer um ideal para o nosso povo.
Exemplos, bons exemplos, é o que não faltam.
Os norte-americanos chegaram a se constituir a grande
nação democrata, baseados na religião e em princípios
morais, sem o quê o homem livre se transforma num
animal predador.
De um trecho do discurso do primeiro presidente da­
quela nação, George Washington:
- “A religião e a moral são os apoios indispensáveis de
todas as disposições e hábitos conducentes ao bem-estar.
Em vão reclama o título de patriota quem trabalhar para
subverter estas grandes colunas de felicidade humana,
estes fortíssimos sustentáculos dos deveres dos homens e
do cidadão!"
Que lição para os nossos atuais dirigentes. Os que estão
no poder ou os que estão agora querendo alcançá-lo.
Os que estão no poder político, no poder econômico,
ou poder reügioso, no poder das comunicações de massa.
Vocês, que estão fazendo deste povo maravilhoso, pa­
cífico, alegre e criativo, esta miséria absoluta, que já não
dá para esconder.
Será que com as lições da História não dá para apren­
der? O poder só é legítimo quando aquele que o assume
está capacitado para exercê-lo.
Quando ilegítimo, imbeciliza o homem, cega-o. Ele
45
deixa de considerar as mais elementares lições da huma­
nidade, deixa de compreender as leis mais simples, como
as leis da natureza, que são imutáveis, impessoais, não
considera pessoas, nem respeita instituições ou poder
algum sobre a terra.
Uma destas leis é a lei da gravidade. Tudo o que se atira
para cima, até certa altura, volta a cair.
Outra lei generalizada é a lei da retribuição, muito
aceita pelos budistas, hinduistas, e ensinada de forma
diferenciada por CRISTO, que se pode resumir em “Tudo
que aqui se faz, aqui se paga”!
Cristo estabeleceu que não existe esta estória de desti­
no. E a lei do Carma existe para aqueles que a aceitam e
rejeitam Seus ensinamentos. Outra passagem das Sagra­
das Escrituras que toma claro o privilégio dos cristãos
sobre a lei do Carma ou o destino é quando Cristo expõe
a parábola do filho pródigo (Evangelho de Lucas, cap.
15.11 a 32).
Uma parte da humanidade é representada pelo filho
pródigo — corajoso para assumir a liberdade e até sujeito
a cometer erros e vir a sofrer; mas humilde para reconhe­
cer o erro e voltar para o Pai, que no caso é Deus, como
Cristo enfatiza, é o Pai nosso, o Senhor de toda a humani­
dade. Já o irmão do filho pródigo representa outra parte
da humanidade, os justos a seus próprios olhos, e que
acham que praticar religião é ficar fechado nas igrejas com
medo do pecado, e condenando todo mundo.
A herança das propriedades do pai rico, que Cristo
coloca ainda nesta parábola, pode ser interpretada como
sendo a liberdade que Deus dá a cada ser humano. Assim,
a lição é de que viver com Deus, ao contrário do que m uita
gente pensa,não é negar- se a viver uma vida plena e
abundante e na mais legítima liberdade. Mas se não fizer­
mos o uso correto da herança... aí, como o filho pródigo,
poderemos nos dar mal e ficaremos sofrendo enquanto não
voltarmos para a casa do Pai, ou vivermos sob a orientação
46
de Deus.
Os cristãos, parece, ficam mais privilegiados com o
ensino de que em se afastando da prática dos erros são
perdoados — voltam a usufruir o privilégio de viver em
harmonia com as leis do Criador e obter todos os benefí­
cios daí advindos.
Isto é, não há fatalismo e nem LEI DO CARMA. E os
que aceitam tais ensinamentos passam a governar seus
destinos. E não é este o poder dado aos humanos em
relação a toda a criação?
Mas este poder para levar o homem à felicidade tem
que ser legítimo, e para tanto o homem tem que estar
capacitado para exercê-lo, e isto será alcançado somente
a partir do momento em que cada um de nós se faz adulto.
Em outras palavras, o homem não tem que ser escravo
de sua ignorância; escravo de seus erros passados. Há uma
tendência natural neste sentido.
Quando se comete um erro, fica sempre a idéia fatalista
de que não tem mais jeito. A pessoa está condenada a viver
sempre errada, e a cometer mais e mais erros.
Isto parece agradar muito as forças do mal, e, possivel­
mente, deve ser uma principal tática no combate ao Bem,
e de conquistar novos adeptos. E a este embuste aliam-se
os falsos moralistas, que permeiam as igrejas ditas cristãs,
ressuscitando a hipocrisia dos fariseus.
Lembro-me de uma estória na televisão em que uma
prostituta esteve a ponto de casar-se com um personagem
de destaque — na verdade, o Capitão “Zeca Diabo”, da
famosa série “O Bem Amado”: após a condenação hipó­
crita de toda a sociedade, a mulher desistiu e reconheceu
que o seu destino já estava traçado, tinha que ser prosti­
tuta, e voltou para a prostituição com as bênçãos da
sociedade, inclusive da igreja.
Esta mesma sociedade teria apedrejado, até à morte, a
famosa adúltera da Bíblia, que teve a graça de ser apre-
47
sentada a Cristo para que Ele se pronunciasse a respeito
(João 8).
Para um cristão esclarecido, portanto, não existe esta
estória do destino, lei do Carma, “pau que nasce torto não
tem jeito, morre torto”; “filho de peixe peixinho é”. A
verdade é outra e pode ser dita também com um famoso
ditado popular: “Errar é humano, persistir no erro é
burrice.”
A questão, então, passa a ser como evitar o erro e, uma
vez nele, como sair; ou, complicando mais um pouco, o
que é certo, o que é errado?
No Capítulo I deste livro tentamos dar um conceito
sobre a verdade, sob o ponto de vista médico. O mesmo
se aplica ao que é certo ou errado.
Quem está vivendo sua sexualidade de maneira certa,
está, em primeiro lugar, em paz consigo e com as pessoas
que lhe são afetas. E desse estado de paz decorre tudo de
bom que uma pessoa inteligente pode desejar: saúde,
bem-estar e prosperidade.
Esta então seria a razão de ser da atividade educadora:
orientar as pessoas a viverem em harmonia com as leis do
Criador, em que não há doença e nem sofrimento.

48
Capítulo V
Sexo e Religião
Seria uma hipocrisia ou até injustiça de nossa parte, se
não dedicássemos um capítulo deste livro ao aspecto
religioso que encerra a atividade sexual.
Pois foi a partir de uma forma séria de estudar a Lei de
Deus que nos ocorreu a necessidade de fazer um estudo
igualmente sério sobre a castidade, conforme comentamos
no início.
E ao contrário do que muitos pensam, conhecer melhor
a Deus e suas orientações não significa abdicar de coisas
que sentiremos pena em perder.
Um pai sensato não nega ao filho aquilo que lhe vai
fazer bem e conduzí-lo a uma vida saudável e feliz. Por
outro lado, estará sempre cuidadoso quanto ao que poderá
desgraçar a vida do filho.
Mas isto até certa idade. Porque depois, seria interferir
na liberdade de cada um, impedindo a chance de cresci­
mento. E a todo indivíduo deve ser dada a oportunidade
de crescer pelas suas próprias experiências.
Aí entra um aspecto interessante: a maioria acredita e
aceita que as pessoas para aprender a viver têm que passar
por sofrimentos e sacrifícios.
Isto é mentira, pois não foi esta a experiência de vida
do autor deste livro e de outras pessoas.,, que fizeram um
estudo sério, a partir da adolescência, sobre o sexo e
religião.
A finalidade deste trabalho é justamente esta: provar
que, com esclarecimentos, muitas pessoas podem deixar
de sofrer.
49
E não teria sido também com este objetivo que Deus
usou os profetas para que, através das Escrituras Sagradas,
fizesse chegar até nós os seus Sábios Conselhos? Para que
pudéssemos evitar o sofrimento para aprender?
Então, qual a explicação para o fato de a maioria das
pessoas evitar Deus, a não levar a Bíblia a sério, e de
preferir recorrer às crendices populares, à umbanda, ao
espiritismo, e a toda sorte de filosofias?
Por um lado a culpa fica com os falsos profetas, os
falsos moralistas e hipócritas que povoam as igrejas ditas
cristãs, que pregam um deus intolerante, castigador, e que
maltrata seus filhos com os mais atrozes castigos pelas
mínimas faltas.
Ao contrário do Deus Pai, cheio de amor, que abraça e
beija o filho desobediente mas agora arrependido, e faz-
lhe a maior festa quando este volta para casa, conforme
Jesus Cristo nos ensina em Lucas 15.11-32. E também da
forma como Ele tratou a famosa adúltera (João 8). Ele não
a marginalizou ou a condenou; na verdade deu-lhe a
chance de se reerguer, se valorizar, levantar a cabeça.
De antemão, Ele, em sua bondade e compreensão, sabia
que ninguém comete adultério, ou qualquer transgressão
à Ix i do bem viver, se não foi por um motivo muito forte.
Outra explicação para o sofrimento da maioria é que as
pessoas deixam de buscar a Verdade por comodismo. O
ser humano é preguiçoso por natureza; tende sempre para
a lei do m enor esforço. Temos ouvido pessoas ligadas a
umbanda, espiritismo, gurus e filosofias, e, portanto, evi­
tando Deus, por estarem presas àquela armadilha do erro
que referimos atrás.
Uma vez cometido um erro, sempre errado, a sociedade
não perdoa mesmo, e nem Deus; assim pensam, e se
resignam ao sofrimento. Na verdade, isto é falta de escla­
recimento, pelo menos em relação a Deus, como Jesus
Cristo deixa claro, em várias passagens dos Evangelhos.
Quanto à opinião das pessoas, aí torna-se muito difícil
50
ficar esperando compreensão, pois a maioria tende sempre
a condenar mais que compreender, porque a maioria está
sempre infeliz.
E também existe o fato de que nas pseudo-religiões não
há um comprometimento moral. Não há uma definição
clara do “Vá e não peques mais!” Quer dizer, as pessoas
ficam numa falsa ilusão de que podem persistir em um ou
mais erros desobedecendo a Lei de Deus (que, numa
linguagem mais sofisticada, poderiamos dizer também
“Lei do equilíbrio universal”), que nada de mal irá lhes
acontecer, pois, afinal, elas estarão sob a proteção de
outros deuses, como os pais e mães de santo.
Isto seria a mesma coisa de imaginar que se a terra
resolvesse mudar de trajetória em torno do sol, que nos
parece imutável, desde a criação; ou seja, se ela resolvesse
aproximar-se mais ou afastar-se do sol, alguma força ou
poder iria impedir que virássemos fogo ou gelo.
É a isto que denominamos equilíbrio universal. Tudo o
que existe tem uma razão de ser e deve seguir uma lei
natural que, se transgredida, acarreta alguma conseqüên-
cia ao transgressor.
Já está na hora de acabar com esta estória de ficar
jogando a culpa de nossas desgraças nas outras pessoas e,
de uma forma extremamente injusta, em Deus, que, como
Jesus Cristo esclarece, é todo Ele amor.
Ora, se uma pessoa não se aplica nos estudos ou no
trabalho, não deve ficar jogando a culpa de suas vicissitu-
des no outro ou no destino. Se as pessoas não buscam a
Verdade, não devem responsabilizar os outros por estar
sendo escravizadas pela mentira, e suas conseqüências
desastrosas.
A história está cheia de grandes exemplos de crianças
de origem humilde que se tomaram célebres no contexto
da humanidade, não no sentido de acumularem riquezas,
mas no que contribuíram para o engrandecimento do
gênero humano. E é evidente que não terminaram seus
51
dias na miséria.
E aqueles, inclusive religiosos, que querem jogar no
Estado a responsabilidade única de promover a prosperi­
dade das pessoas, deveríam ver os exemplos da China e
Rússia, onde a igualdade imposta pela força teve a vanta­
gem de acabar com a miséria, mas não levou essas nações
à prosperidade, além de acabar com a liberdade. Já na
Holanda, num socialismo liberal, se constatou que os
trabalhadores é que estão sustentando os que não querem
trabalhar e se mantêm com o seguro desemprego. Logo,
já se está prevendo que algo precisa ser feito para impedir
a derrocada sócio-econômica.
Assim fica o homem, simples criatura, rejeitando seu
Criador e sua sábia lei, e mergulhando-se em problemas
cada vez mais complicados. Desde conflitos de sua esfera
mais íntima, como as questões do aborto, homossexualis-
mo, drogas, etc., aos de contexto mais amplo como a sede
de poder que embriaga indivíduos e nações.
Como a vida é simples e agradável para aqueles que
buscam e encontram a Verdade, e seguem os sábios con­
selhos de Deus.
Não há necessidade de aborto quando o sexo é pratica­
do com amor e responsabilidade, ou seja, por pessoas
adultas. Não constatamos, até hoje, nenhum caso de ho-
mossexualismo, dependência de drogas, gravidez preco­
ce, aborto, e outras formas de desajuste social em pessoas
que saíram de lares onde a educação se estendeu também
no plano religioso.
Ninguém pode ensinar religião aos filhos melhor que
os próprios pais. Partindo do conceito de religião que está
nos dicionários: “Religião é o conjunto de princípios e
regras que regem o relacionamento entre o homem e a
divindade”. E como está no “Aurélio”, no item 9, no
conceito de religião: Modo de pensar e agir.
Assim, resumiriamos que uma pessoa, ou uma família,
ou uma nação-está praticando religião quando a forma de
52
pensar e agir desta pessoa, desta família ou desta nação
está de acordo com a orientação daquilo que se julga ser
a divindade.
Há uma passagem nas Sagradas Escrituras que diz:
“Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, referindo-se ao
Deus Triúno, como Cristo nos ensina. E seguir a orienta­
ção de Cristo é algo que incomoda muita gente. É dizer
não à mentira, à hipocrisia do faça o que falo e não o que
faço. E o exemplo tem que partir de cima; dos pais, dos
dirigentes, senão a coisa não funciona. O ditado as pala­
vras convencem, mas o EXEM PLO ARRASTA, é do
maior significado.
Assim, pais infelizes, desencontrados, medrosos, prati­
cando adultério, chantagens emocionais, ou qualquer for­
ma de mentira, não devem se iludir que terão prole sadia
e feliz. Esta é a ilusão mais tola que a humanidade vem
cometendo em toda a sua existência até aqui. Mas nunca
é tarde para deixar a mentira e buscar a prática da Verdade.
Este é um recado aos pais que estão com medo de que
seus filhos ou filhas se tomem viciados em drogas, homos­
sexuais, tenham problemas com aborto, ou escravos de
qualquer mentira.
A solução, como escrevi atrás, não está fora dos lares,
e do alcance dos pais. Antes, muito pelo contrário. Se o
exemplo não partir dos próprios pais, muito pouco pode-se
fazer para evitar desastres.
E nunca é demais lembrar a conclusão dos estudiosos
do comportamento humano, que é nos três primeiros anos
de vida que se forma a base da estrutura emocional das
pessoas. Depois é só aprimoramento.
E FORMAR é muito mais simples que ter que TRANS­
FORMAR mais tarde.
Já os pais que descobriram a Verdade, e convivem com
ela, não apenas aos domingos, fechados em igrejas, mas
em casa, na rua, no trabalho, em cada instante de suas
vidas, tenho certeza de que não estão preocupados com o
53
futuro dos filhos e de suas vidas, pois a convicção do
sucesso e da prosperidade é conseqüência natural para
aqueles que rejeitam a mentira e buscam a verdade.

54
Capítulo VI
Sexo e Casamento
Se as pessoas pararem para pensar e buscar uma expli­
cação para a existência dos trom badinhas, dos traficantes
de drogas, dos que se deixam drogar, das prostitutas, dos
homossexuais, dos machistas, das feministas, dos ditado­
res, e de todos que sofrem neste mundo e promovem
sofrimentos, chegarão a uma só conclusão — tais pessoas
não foram originadas de casamentos estruturados.
E o que será um casamento estruturado? Quem com­
preendeu o objetivo deste livro deve ter a resposta. Pois,
o que tentei deixar claro é que os seres humanos não
podem continuar a desobedecer as leis do Criador. E, caso
persistam nesta estupidez, não devem culpar as institui­
ções, os governos, ou até Deus por não ter feito as coisas
perfeitas.
A responsabilidade pela manutenção da saúde, da busca
da felicidade e sua preservação, é de cada indivíduo. E a
mesma responsabilidade, as pessoas devem assumir para
com aqueles que elas colocam neste mundo através do
gozo sexual.
E quando um homem ou uma mulher está preparado
para assumir essas responsabilidades? Quando um ho­
mem e uma mulher se tomam adultos? Donos de suas
vidas? As respostas estão no texto deste livro.
Abordando este aspecto da preparação, nos parece até
fácil fazer comparações. Quando uma atividade humana
está ligada à conservação da vida, como é o caso da
Medicina, há uma preocupação muito grande na prepara­
ção de tais profissionais. E quando o profissional, mais
que um técnico, torna-se um idealista, ele vai além dos
ensinos acadêmicos, e faz cursos de pós-graduação, e
55
procura manter-se sempre atualizado. Todo mundo sabe
distinguir um profissional bem sucedido daqueles que
vivem de salários.
Ora, o casamento, mais do que profissão, é uma missão,
que tem por finalidade mais do que a preservação da vida,
a estruturação para ela. É no casamento que as pessoas
recebem todo o condicionamento inicial para a vida. Se­
gundos os estudiosos, tudo o que vemos, ouvimos e sen-
tim o s em n o sso s p rim e iro s anos de v id a, fica
indelevelmente marcado em nossas mentes. Assim, fica
claro que o sucesso da pessoa adulta depende muito da­
quilo que a criança vivenciou nos seus primeiros anos.
Com isto não se quer estabelecer fatalismo, ou justificar o
sofrimento ou insucesso da maioria das pessoas. Na ver­
dade, nesta vida, quase tudo dá para consertar. Mas, com
um alfaiate, ou costureira, vamos aprender que é melhor
fazer uma roupa, novamente, que consertar uma mal feita.

Qual seria a explicação para tanta gente infeliz, tanto


sofrimento e insucesso dos seres humanos?

Diz o Evangelho Cristão: “Quando um homem constrói


sua casa em uma rocha ou sobre um forte alicerce, e vem
a tempestade, essa casa resiste e permanece de pé ao passar
a tormenta. Não acontece o mesmo com aquele que cons­
trói em frágeis alicerces, ou sobre a areia”. Como todas
lições bíblicas, o contexto desta passagem deve ser amplo.
O que Cristo quis ensinar é que toda vez que as pessoas
assumem compromisso para o qual não estão devidamente
preparadas, o fracasso é uma questão de tempo.

Para a preparação das atividades humanas mais com­


plexas, como a Medicina, a Engenharia, o Direito, as
Artes, como a Música, etc., são necessários anos e anos
para a formação acadêmica. E para aqueles que querem
realmente ser bem sucedidos, mais outros anos de estágios
e cursos de pós-graduação, e um contínuo aperfeiçoamen­
to e pertinaz dedicação para o resto de suas vidas. O
sucesso então é garantido.
56
Por que para com o casamento, a mais nobre e impor­
tante missão dos seres humanos, deveria ser diferente? E
aí pode estar o grande equívoco da maioria da humanida­
de. Desprezar tanto a preparação para o casamento e um
contínuo aperfeiçoamento para a sua manutenção.
E a estupidez chega a um ponto de infelizes afirmarem
que casamento já era. É coisa do passado. Muito bem. E
os novos seres humanos, como virão a este mundo? Como
serão estruturados e condicionados? Nas provetas e nas
câmaras de encubação, e depois passarão para os pavi­
lhões de condicionamento como no livro “Admirável
Mundo Novo, de Aldous Huxley”? E as palavras mãe e
pai também cairão no já era e se tornarão coisas do
passado? E também palavras como amor, e todos os
sentimentos nobres que distinguem os seres humanos dos
animais inferiores e das máquinas?
Em experiências não tão avançadas na Rússia e em
Israel, onde as creches são consideradas atividades de alto
interesse do Estado, e as pessoas são muito bem prepara­
das e consideradas para essa missão, chegou-se à conclu­
são do quanto é danoso criarem-se seres humanos sem o
aconchego familiar. Observou-se a diferença entre os
adolescentes e adultos criados nas creches e no ambiente
familiar. Os primeiros, muito objetivos e extremamente
racionais, como os robôs ou máquinas, praticamente, sem
sentimentos, ao contrário dos outros, apenas e tão-somen­
te seres humanos. Racionais, mas também dotados de
sentimentos nobres, como o amor e a capacidade de rir e
chorar.
Os apologistas do casamento já era deveríam ler Ad­
mirável Mundo Novo, e ver a que o racionalismo puro
pode reduzir a atividade sexual dos seres humanos. Nesta
visão, o autor fala do sexo sem amor, reduzido apenas a
jogos e diversão. Estimulado para as crianças e adolescen­
tes, e também para os adultos. E depois o soma, a droga
anti-depressiva para criar o clima da falsa felicidade. Só
que neste livro, segundo o autor, a droga era distribuída
57
pelo Estado, e não era comprada a peso de ouro como
fazem os idiotas hoje còm a cocaína, heroína e maconha.
A verdade que é preciso ser dita para crianças e adoles­
centes é outra. Que o organismo humano é a criação
mais perfeita que existe neste universo conhecido. Nós
somos dotados de uma capacidade muito especial a que se
dá o nome de inteligência. Isto nos possibilita, a partir da
adolescência, sermos livres, isto é, não nos deixar escra­
vizar por nada que venha comprometer nossa saúde, nossa
prosperidade e sucesso na vida. A inteligência pode ser
descrita como a consciência e percepção que cada um tem
de sentir o que é certo ou errado, verdade ou mentira, bem
ou mal, e nos afastar, naturalmente, do errado, da mentira
e do mal.
Ninguém está destinado, originalmente, ao fracasso ou
sofrimento, à doença ou à morte precoce. Se isto acontece
com as crianças, a responsabilidade única e exclusiva deve
ser assumida pelos pais, que colocam os filhos neste
mundo através do gozo sexual. Afirmo isto, não levado
por sentimentalismo barato, mas como pai de sete filhos
que sou e como médico. É preciso parar com este aparente
paternalismo dos governos e instituições pretensamente
filantrópicas, religiosas em sua maioria. E é bom que se
diga que pediatras, vacinas e vitaminas não evitam molés­
tias, mutilações e morte precoce das crianças. A verdadeira
Medicina Preventiva para as crianças é o leite materno até
mais ou menos seis meses de idade, o carinho e a proteção
da mãe que, a exemplo dos animais ditos inferiores, pre­
cisa nesta fase do carinho e proteção do macho.
E a partir da adolescência é cada um por si. Os adoles­
centes superprotegidos, ou os que ficam esperando dos
pais essa superproteção, nunca chegarão a assumir a con­
dição de adultos, e, portanto, dificilmente estão em condi­
ções de assumir um casamento estruturado e formar filhos
que poderão ser bem sucedidos na vida.
Os bons conselhos e orientações devem ser considera­
dos, mas nem sempre seguidos cegamente. A colocação
58
de Buda, transcrita no início deste livro, pode ser um bom
parâmetro. Aexperiência deve sempre falar mais alto. Mas
não que tenhamos que repetir experiências, sabiamente,
mal sucedidas que a história da humanidade ou os que nos
antecederam já sofreram por nós. Pois persistir no erro e
buscar o sofrimento conscientemente é burrice im per­
doável.
Vamos então refletir sobre os erros cometidos pela
humanidade até aqui, em relação ao casamento, e quem
sabe evitando-os possamos oferecer às novas gerações
alcançar êxito e gratificação nesta desafiante aventura que
é encontrar a felicidade e oferecê-la a novas e indefesas
criaturas.

Muita gente já deve ter ouvido a expressão que casa­


mento é loteria, isto é, para ser bem sucedido no casamen­
to não é preciso ter estudo, religião e uma razoável
estabilidade sócio-econômica. Tudo fica reduzido a uma
questão de sorte ou azar. Isto é ignorância. O estudo em
nível de primeiro grau j á dá uma base boa de conhecimen­
tos, além de chance de um salário razoável. É evidente que
quanto maior for o nível de estudo, melhores as chances
de sucesso.

Para a educação dos sentimentos, o controle das emo­


ções, o ser humano precisa desenvolver seu instinto reli­
gioso. A maioria prefere negá-lo ou ignorá-lo, enquanto
isto é possível, e na hora que a coisa aperta, tomam-se
presas fáceis de charlatães e falsos profetas, enquanto os
verdadeiros estão fáceis, ao alcance de todos os que sabem
ler, na Bíblia, e com uma despesa insignificante. Mas é
preciso ter boa vontade.

Com um razoável nível cultural, e com uma evolução


espiritual adequada, o indivíduo naturalmente estará go­
zando da independência sócio-econômica necessária para
assumir o desafio que é tentar fazer a felicidade de outro
ser humano, e de outros que poderão surgir desta relação.
Isto é a base e o alicerce para um casamento estruturado.
59
Existem os preconceitos em relação ao casamento.
Principalmente os religiosos, ou seja, que é uma união
indissolúvel. Será que o Papa, os cardeais e os bispos não
lêem a Bíblia? Vejam em Mateus 19.8 e I Coríntios 7.15.
Se observarmos bem, veremos que a base do casamento é
a amizade entre dois seres humanos adultos e de sexo
oposto, que são atraídos pela admiração e atração mútua,
e firmada pelo respeito e consideração que devem ser
também de ambas as partes.
A manutenção do casamento só pode ser estável e
duradoura quando a amizade é conservada. Quero que
alguém me convença de que uma amizade entre seres
humanos pode ser mantida sem que haja admiração, res­
peito e consideração mútuos. É mais do que natural que
haja divergência de opiniões entre homens e mulheres.
Basta observar as diferenças físicas e psicológicas de
ambos, e deve ser por isso que um faz o complemento do
outro. Porém, a dignidade é a mesma, e nada justifica o
desrespeito ou a desconsideração de um para com o outro.
Se a mulher, de um lado, é mais frágil física e emocional­
mente, e necessita do homem para complementá-la, o que
será do homem sem uma mulher que o ame, admire e lhe
conceda o privilégio de ser pai?
Aúnica razão que deve manter a união entre um homem
e uma mulher no casamento é uma conscientização cada
vez maior do quanto um é necessário ao outro, para que a
vida se tome cada vez mais plena e feliz. A humildade
necessária de reconhecer que um depende do outro. E
quanto mais consciente for esta interdependência, maior
será o esforço para um fazer o outro mais feliz.
As sociedades de consumo, que estimulam a individua­
lidade e a competição, têm uma ação nefasta no casamen­
to. As mulheres têm sido estimuladas cada vez mais a
reivindicar o direito de só terem relações sexuais quando
estiverem a fim. Imaginem se os homens também assu­
mirem este direito. Por outro lado, quando a mulher está
grávida ou as crianças estão pequenas, a fêmea, a exemplo
60
dos animais ditos inferiores, precisa da proteção e do
sustento do macho. Mas se a mulher não concebe a idéia
de sujeitar-se à dependência econômica do marido, o
desastre está formado.
Ao contrário da pregação das sociedades de consumo,
vejamos o que dizem as Sagradas Escrituras em I Corín-
tios 7.3-5: “O homem deve cumprir seu dever como
marido, e a mulher também deve cumprir seu dever como
esposa. A mulher não é dona de seu próprio corpo, pois
este pertence ao marido. Assim, também o marido não é
dono de seu próprio corpo, pois este pertence à mulher.
Que os dois não se neguem um ao outro, a não ser que
concordem em fazer isso por algum tempo para se dedi­
carem à oração. Mas depois devem ter relações normais,
para que Satanás não os tente por não poderem se domi­
nar.”

Tentando traduzir para linguagem mais simples, pode-


se dizer que quem está com a barriga cheia em casa não
vai procurar comida na rua.

Para finalizar, uma última mensagem aos jovens, a


quem dedico este livro. A adolescência é uma fase mara­
vilhosa na vida. É a fase das descobertas, das aventuras,
e, sobretudo, da preparação. Não é época para assumir
compromissos.

Aprocriação é, sem sombra de dúvida, o compromisso


mais sério que os seres humanos podem assumir nesta
vida. Toda miséria humana à nossa volta, e de que temos
conhecimento, é decorrência da não conscientização desta
realidade cristalina. Nenhuma moça ou rapaz perde a
honra ou a dignidade, ou a condição plena de alcançar o
sucesso e a felicidade, por gozarem a companhia um do
outro, de andarem de mãos dadas ou trocarem carícias
superficiais. Isto é o namoro, uma das experiências mais
sensacionais e de doces recordações que os seres humanos
podem desfrutar, e também é muito importante, pois é a
preparação para o casamento.
61
Mas as sociedades de consumo, na busca cega dos
lucros, através dos persiiasivos meios de comunicação —
a televisão, o cinema, os livros e revistas — têm levado os
jovens à armadilha da sexualidade precoce. A mentira de
que existem métodos garantidos de evitar a gravidez, ou
a defesa do aborto como algo inofensivo para evitá-la.
Tudo isto, e mais a hipocrisia das instituições religiosas,
têm levado os adolescentes a interromperem sonhos ple­
namente realizáveis como sucesso nos estudos, nas artes,
nos esportes, e por fim profissional e no casamento, se esta
for uma opção voluntária, consciente e adulta.

A atividade sexual só é benéfica para os seres humanos


quando praticada no casamento estruturado, isto é, quando
assumido por um homem e uma mulher quando estes
atingem a condição de adultos. Aí tudo é permitido, tudo
é assumido, e as consequências são sempre benéficas para
os cônjuges e para a sociedade. A saúde, a prosperidade e
a felicidade são conquistadas a cada dia, de forma estável
e duradoura. Aí pode-se ter a certeza de estar vivendo o
sexo de verdade.
Fora esta condição, é só conferir as conseqüências: as
doenças venéreas, que sempre deixam seqüelas; as preo­
cupações — enquanto não desce a menstruação, é aquele
inferno; a gravidez não planejada que desmancha sonhos
dourados; o aborto que deixa seqüelas piores que as doen­
ças venéreas; a promiscuidade sexual que reduz seres
humanos à condição inferior aos próprios animais irracio­
nais, pois corrói a honra, a dignidade e o respeito por si
mesmo. Isto para não falar das tragédias que a imprensa
de consumo explora e faz manchetes que é d o agrado dos
infelizes. Aí pode-se ter a certeza de estar vivendo o sexo
de mentira. Será que vale a pena?
Como é o Homem Feliz?

Certamente não poderemos confundí-lo com o exalta­


do, nem com o tolo conformista, e nem com o otimista
insensato.
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É em primeiro lugar aquele que se sente homem, vive
em toda a sua plenitude, sua dignidade humana, sem
orgulho, sem sentir-se humilhado.
É aquele que cada dia renova sua tarefa, com a sereni­
dade eficiente de quem não teme a vida e nem a morte,
pois se sente seguro no nível que lhe corresponde, e no
qual não se mantém pela graça dos demais, nem tampouco
às expensas deles, mas pelo desenvolvimento do seu plano
vital, conscienciosamente elaborado.
É, além disso, aquele que tem fé em si, e na obra que
realiza, a qual não compara com as demais, mas a ela
própria, tendo em conta sempre a equação de aptidões,
créditos e resistências que a condicionam.
É aquele que desenvolveu um caráter flexível, e sem
dúvida inquebrantável como o aço. Sabe criar também,
com seu exemplo, paz, confiança e bem-estar ao seu redor,
sem exageros místicos.
Soube seguir uma série de passos ascendentes que o
levaram a merecer seu bem-estar, e que se pode resumir
assim:

Estudou para saber; soube para fazer; fez para


valer; valeu para servir; serviu para merecer a S E R
FELIZ.

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