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2ª edição

2ª edição Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Delmo Mattos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Delmo Mattos

2ª edição Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Delmo Mattos
2ª edição Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Delmo Mattos

DIREÇÃO SUPERIOR

DIREÇÃO SUPERIOR Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Chanceler Joaquim de Oliveira Reitora Marlene

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Chanceler

Joaquim de Oliveira

Reitora

Marlene Salgado de Oliveira

Presidente da Mantenedora

Jefferson Salgado de Oliveira

Pró-Reitor de Planejamento e Finanças

Wellington Salgado de Oliveira

Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento

Jefferson Salgado de Oliveira

Pró-Reitor Administrativo

Wallace Salgado de Oliveira

Pró-Reitora Acadêmica

Jaina dos Santos Mello Ferreira

Pró-Reitor de Extensão

Manuel de Souza Esteves

Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

Marcio Barros Dutra

DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA

Diretora

Claudia Antunes Ruas Guimarães

Assessora

Andrea Jardim

FICHA TÉCNICA

Texto: Delmo Mattos

Revisão: Lívia Antunes Faria Maria e Walter P. Valverde Júnior

Projeto Gráfico e Editoração: Andreza Nacif, Antonia Machado, Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

Supervisão de Materiais Instrucionais: Janaina Gonçalves de Jesus

Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

COORDENAÇÃO GERAL:

Departamento de Ensino a Distância

Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420

www.universo.edu.br

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói

M444e

Mattos, Delmo. Ética, valores humanos e transdisciplinaridade / Delmo Mattos ; revisão de Lívia Antunes Faria Maria e Walter P. Valverde Junior. 2. ed. – Niterói, RJ: UNIVERSO, 2011.

167 p. ; il.

1. Ética. 2. Moral. 3. Ética empresarial. 4. Responsabilidade social da empresa. I. Maria, Lívia Antunes Faria. II. Valverde Junior, Walter P. III. Título.

CDD 170

Bibliotecária: ELIZABETH FRANCO MARTINS – CRB 7/4990

© Departamento de Ensino a Distância - Universidade Salgado de Oliveira Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO).

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Informações sobre a disciplina Carga horária: 60 Créditos: 04 Ementa:

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Informações sobre a disciplina

Carga horária: 60

Créditos: 04

Ementa: Ética

e

moral.

A

ética

profissional.

A

responsabilidade

social.

A

questão da alteridade como principio da relação social. Os valores humanos

e

convergência de conhecimentos.

fundamentais à construção

de

uma

cultura

de

paz.

Transdisciplinaridade

Objetivo geral: oferecer ao discente as condições de referência para a compreensão da ética e da moral, do ponto de vista filosófico, bem como, a sua importância para a sua atividade profissional e acadêmica. Além disso, refletir e discutir sobre a dimensão ética na existência do ser humano, dentro do contexto da crise dos valores da nossa sociedade, conduzindo a uma compreensão global da influência da reflexão ética no âmbito das decisões e responsabilidades inerentes aos atores sociais e econômicos da atualidade.

Conteúdo programático

Unidade 1 – Fundamentos da Ética e da Moral: contexto histórico e social, conceitos e definições fundamentais.

Distinguindo Ética da Moral.

O caráter histórico e social da Moral.

O caráter histórico e social da Ética.

Unidade 2 – Problemas Éticos e problemas morais: consciência moral, virtude, amizade, liberdade e felicidade.

A consciência moral e os valores éticos.

A busca da felicidade: virtude e o bem viver em Aristóteles.

Aristóteles e a amizade como um problema ético-moral.

Pensando a liberdade: La Boétie e Sartre.

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Unidade 3 – Ética aplicada: a ética na empresa e

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Unidade 3 – Ética aplicada: a ética na empresa e nos negócios.

Pressupostos teóricos

desenvolvimento.

da

ética

empresarial:

história

e

Empresa ética e visão ético-empresarial.

A ética nos negócios ou negociando com ética: lucro x princípios morais.

O código de ética profissional: funções e limites.

Unidade 4 - Ética profissional e responsabilidade social.

Ética profissional: os valores sociais da profissão.

O desempenho ético-profissional: ambiência e relações pessoais.

Ética e responsabilidade social nos negócios.

Decisões morais racionais.

Bibliografia Básica

VAZQUEZ, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. 304p.

CAMARGO, M. Fundamentos de ética geral e profissional. 3ª. ed. Petrópolis:

Vozes, 2002. 118p.

Bibliografia Complementar

NASH, L. Ética nas empresas: boas intenções à parte. São Paulo: Makron Books, 2001. 359p.

ASHLEY, P. A. (Coord.). Ética e Responsabilidade Social nos Negócios. São Paulo: Saraiva, 2002. 340p.

Palavra da Reitora

Palavra da Reitora Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,

exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de

Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que reúne os diferentes

segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi

desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero

bem-sucedidas mundialmente.

São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio

dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço

presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio

tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se

responsável pela própria aprendizagem.

O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que

permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo

momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de

nossa plataforma.

Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores

especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são

fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.

A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a

distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-

sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo

de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,

graduação ou pós-graduação.

Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando

as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o

programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.

Seja bem-vindo à UNIVERSO Virtual! Professora Marlene Salgado de Oliveira

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Reitora

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Reitora

Sumário

Sumário Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 1. Apresentação da disciplina 09 2. Plano da disciplina

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

1. Apresentação da disciplina

09

2. Plano da disciplina

11

3. Unidade 1 – Fundamentos da Ética e da Moral: contexto histórico e

social, conceitos e definições fundamentais

13

4. Unidade 2 – Problemas éticos e problemas morais: consciência moral, virtude,

amizade, liberdade e

47

5. Unidade 3 – Ética aplicada: a ética na empresa e nos negócios

85

6. Unidade 4 – Ética profissional e responsabilidade social

117

7. Considerações finais

153

8. Conhecendo a autora

154

9. Referências

155

10. Anexos

165

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Apresentação da Disciplina Caro aluno, Seja bem-vindo à disciplina

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Apresentação da Disciplina

Caro aluno,

Seja bem-vindo à disciplina Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade.

O tema da ética constitui-se em uma das áreas de conhecimento da Filosofia que mais desperta interesse em nossa sociedade nos dia de hoje. Sabe-se, por exemplo, a maioria das profissões e empresas possui seus códigos de ética, o que nos leva a supor que estas se preocupam, especificamente, na fundamentação e sistematização dos princípios e valores que orientarão respectivamente as ações dos seus profissionais e dos seus funcionários. Também, podemos constatar um profundo interesse em discutir e refletir sobre os problemas relacionados à vida humana, principalmente, devido às descobertas mais recentes da medicina, da biologia e da genética que promovem uma alteração inigualável nos padrões habituais pelo qual pensávamos e reagíamos a situações, como a clonagem humana, o uso de alimentos transgênicos e a utilização de células tronco.

Por outro lado, igualmente, constata-se uma preocupação em revisar os parâmetros habituais do homem em relação ao meio ambiente, assim como do nosso dever em conscientizarmos, do ponto de vista ético, a responsabilidade com o futuro de nossa espécie e das demais que habitam o nosso planeta. Estas são apenas algumas das questões que suscitam um debate relacionado à ética e à moral verificadas por nós diariamente nos jornais, revistas e nos noticiários da televisão.

Mas porque este interesse tão grande sobre a ética? A ética, mais do que qualquer outra disciplina, está diretamente relacionada à nossa experiência cotidiana. Ela nos conduz a uma reflexão crítica acerca dos valores adotados por nós, o sentido dos atos praticados e a forma pela qual as nossas decisões são tomadas e que tipo de responsabilidade devemos ter sobre elas. A ética é um campo de estudo altamente controverso e absolutamente relevante para nossa época.

Desejando ou não, todos nós somos confrontados por questões éticas a cada dia. Cada vez mais somos sobrecarregados de perguntas que, no fundo, são estritamente éticas. Vemo-nos cercados por decisões acerca de como devemos viver e de que tipo de pessoas devemos ser. De certa forma, possuímos consciência

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade de que o que fazemos e quem somos são coisas

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

de que o que fazemos e quem somos são coisas absolutamente relevantes para nossa conduta enquanto ser social. Diante dessa perspectiva, estamos todos, de certa forma, refletindo sobre a ética.

Neste sentido, é concebível afirmar que a ética está tão próxima de nós quanto estamos próximos dela. Contudo, o estudo da ética não se deve limitar em discutir e apresentar apenas os seus pressupostos fundamentais. Necessitamos ir sempre além deles, promovendo em nossa prática cotidiana os elementos que nos conduzirão a sermos indivíduos mais atentos com os valores básicos de nossa sociedade, e assim, tornando-nos capazes de possuirmos responsabilidade sobre nossas ações a fim de torná-las eticamente possíveis. Por isso, espera-se que o estudo da ética não seja tomado somente como exigência acadêmica. A ética é muito mais do que isso!

Esta disciplina fora construída tendo em vista a fornecer um quadro geral de uma determinada questão ou problema, o que facilita o seu estudo em profundidade, pois permite facilmente uma visão crítica do âmbito em que está colocada cada questão particular da ética. Sendo assim, esta disciplina não se constitui em uma síntese esquemática e sufocante como muitas vezes acontece com certas apostilas e manuais, mas procura oferecer uma exposição que contempla o que há de mais valioso sobre uma determinada questão ou assunto da ética, deixando outras para que você tenha iniciativa de investigá-la por conta própria diante das variadas sugestões de bibliografia que serão apresentadas ao longo das unidades.

Neste contexto, a disciplina apresenta uma integração que se manifesta no equilíbrio da sua exposição, na proporção e divisão dos assuntos abordados de modo a facilitar a compreensão em seu conjunto. Por outro lado, o desenvolvimento linear das unidades tem por finalidade fazer você se contagiar pelo gosto da disciplina, do raciocínio e da utilização da reflexão ética na sua vida pessoal e profissional, pois veremos então que esta disciplina, em lugar de ser penosa como muitos pensam, é condição para o viver em harmonia e liberdade respeitando as diferenças.

Estaremos sempre presentes para auxiliá-lo em suas tarefas.

Bons estudos!

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Plano da Disciplina

Plano da Disciplina Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Esta disciplina fora construída tendo em vista a

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Esta disciplina fora construída tendo em vista a fornecer um quadro geral de uma determinada questão ou problema, o que facilita o seu estudo em profundidade, pois permite facilmente uma visão crítica do âmbito em que está colocada cada questão particular da ética.

Desse modo, esta não se constitui em uma síntese esquemática e sufocante como muitas vezes acontece com certas apostilas e manuais, mas procura oferecer uma exposição que contempla o que há de mais valioso sobre uma determinada questão ou assunto da ética, deixando outras para que você tenha iniciativa de investigá-la por conta própria diante das variadas sugestões de bibliografia que serão apresentadas ao longo das unidades.

Diante desse contexto, a disciplina Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade apresenta uma integração que se manifesta no equilíbrio da sua exposição, na proporção e divisão dos assuntos abordados de modo a facilitar a compreensão em seu conjunto. Sendo assim, faremos um breve resumo de cada unidade, enfatizando seus objetivos para que você tenha uma visão geral daquilo que irá estudar:

Unidade 1: Fundamentos da Ética e da Moral: contexto histórico e social, conceitos e definições fundamentais

Apresenta esquematicamente os aspectos históricos e sociais da ética e da moral e situa os seus elementos constitutivos no desenvolvimento da humanidade.

Objetivo: expor a problemática relativa à distinção entre ética e moral e suas respectivas definições e objetos de estudo.

Unidade 2: Problemas Éticos e problemas morais: consciência moral, virtude, amizade, liberdade e felicidade

Esta unidade fornece os problemas norteadores da ética e discute a problemática da liberdade, da responsabilidade e do determinismo nos filósofos La Boétie e Sartre e, em seguida, dá noções de felicidade amizade e virtude na reflexão filosófica de Aristóteles.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Objetivo: refletir sobre a nossa prática cotidiana e avaliar a

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Objetivo: refletir sobre a nossa prática cotidiana e avaliar a direção para a qual nossos valores éticos dirigem-se no mundo em que vivemos hoje.

Unidade 3: Ética aplicada: a ética na empresa e nos negócios

Trata dos pressupostos teóricos da ética empresarial e seus fundamentos, para a partir deste, expor os aspectos éticos presentes nas relações comerciais ou nos negócios.

Objetivo: abordar a prática da ética no nível das organizações e nos negócios.

Unidade 4: Ética profissional e responsabilidade social

Esta unidade versará sobre problemática relativa à distinção aos valores sociais da profissão. Trata-se, portanto, de debater a essência da ética profissional.

Objetivo: expor os conceitos capitais da ética e da responsabilidade social nos negócios e expor os princípios norteadores das decisões morais racionais.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 1 Fundamentos da Ética e da Moral: contexto histórico e

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

1 Fundamentos da Ética e da Moral: contexto histórico e social, conceitos e definições fundamentais

Distinguindo Ética de Moral. O caráter histórico e social da Moral. O caráter histórico e social da Ética.

Distinguindo Ética de Moral. O caráter histórico e social da Moral. O caráter histórico e social
Distinguindo Ética de Moral. O caráter histórico e social da Moral. O caráter histórico e social
Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Caro aluno, bem-vindo à nossa primeira unidade de estudo. Comecemos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Caro aluno, bem-vindo à nossa primeira unidade de estudo. Comecemos esta módulo apresentando a você o contexto histórico do surgimento da ética e da moral, assim como os principais conceitos e definições que as envolvem. Trata-se, portanto, de uma unidade introdutória cujo teor da abordagem preparará você ao entendimento seguro das questões tratadas nas unidades seguintes. Espero que, por intermédio desta explicação, você sinta-se confortável ao se introduzir no universo especulativo da ética e seus problemas fundamentais.

Objetivos da unidade

Apresentar a problemática relativa à distinção entre ética e moral, assim como as suas respectivas definições e objetos de estudo.

Esboçar, de forma esquemática, os aspectos históricos e sociais da ética e da moral.

Situar

humanidade.

os

seus

Plano da unidade

elementos

constitutivos

Distinguindo Ética de Moral.

no

O caráter histórico e social da Moral.

O caráter histórico e social da Ética.

desenvolvimento

da

Como parceiros de sua aprendizagem, desejamos sucesso na sua formação!

Bons Estudos!

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Distinguindo Ética da Moral

Distinguindo Ética da Moral Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade No sentido geral, a palavra ética

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

No sentido geral, a palavra ética origina-se do grego antigo ήθική [ήθική φιλοσοφία] "filosofia moral" e do adjetivo ήθος (ēthos) que quer dizer "costume, hábito". Conexo ao conceito de ética está o conceito de moral, também originado de uma palavra grega “mores(ήθος = mos) possui aparentemente um significado semelhante ao de ética. No entanto, se atentarmos como os gregos realmente usavam a grafia e a pronúncia do termo ēthos, nota-se uma nítida diferença de significado entre ambas. São elas:

 (pronunciado como êtos) = para designar "costume”.

 (pronunciado como étos) = para designar a índole, no sentido de caráter e temperamento natural da pessoa.

Compreendeu como a diferença da pronúncia de ēthos altera substancialmente o seu significado? Certamente, em um ato concreto realizado por uma pessoa a diferença de sentido entre ambas não são claramente percebida. Por exemplo: o ato do cidadão grego de partir, com seus iguais, para a guerra, em defesa da cidade-estado (pólis), está presente nos dois sentidos indicados pelas duas palavras gregas. É costume da cidade grega que o cidadão seja soldado e não escravo, pois o ato de defender a cidade é um ato honroso. Com efeito, o ato de ir à guerra diz também algo íntimo acerca do homem, pois está relacionado ao seu caráter: ele é um homem corajoso e, como tal, valoroso. Vejam, nestas frases comuns entre nós, como os dois sentidos da palavra ēthos utilizados pelos gregos antigos estão intimamente relacionados:

a) "O rapaz foi muito ético: não revidou agressão."

b) “Aquele político é um homem ético."

c) "Todos aqui o respeitam como um homem de moral."

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Diferentemente dos gregos, os romanos utilizavam a palavra latina mos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Diferentemente dos gregos, os romanos utilizavam a palavra latina mos (mores) para designar o costume ou costumes. Foi a partir deste termo romano que surge o modo como entendemos o significado de moral na Língua Portuguesa. Sendo assim, na nossa Língua, os dois termos, ética e moral, implicam, simultaneamente, de alguma forma, nos dois significados diferentes antigos e, de fato, tanto a ética quanto a moral, incidem sobre estas duas dimensões, ou seja, uma valoração do homem como tal e do seu agir em conformidade ou não com os costumes e a tradição.

Reconhecendo as dificuldades para separar de modo consensual e técnico o que é ético do que é moral, em um terreno em que não há acordo fácil entre os filósofos sobre a distinção entre ambas, vejamos como o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda as define:

1. ÉTICA: refere-se ao "estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto" (HOLANDA, 1999, p. 848-849).

2. MORAL: refere-se ao "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada" (HOLANDA, 1999, p. 978-

979).

IMPORTANTE: A distinção do dicionarista está de acordo com a certa tradição filosófica: a de
IMPORTANTE:
A
distinção do
dicionarista está de
acordo
com a
certa tradição
filosófica: a de considerar moral como as normas de convivência social e ética como
o estudo e a reflexão teórica, sobre a moral, o comportamento moral dos homens e
as valorações morais das diferentes culturas e sociedade, segundo uma
metodologia estritamente racional, ou seja, filosófica e científica (Cf. VÁZQUEZ,
2001).
Percebe-se claramente que as definições de ética e moral fornecidas pelo
dicionarista apresentam uma diferença técnica entre os dois termos, segundo seu
uso correto em nossa língua, em que está também a chave da solução para

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade entender o modo confuso e equivocado com que as duas

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

entender o modo confuso e equivocado com que as duas palavras são usadas: os homens modernos não gostam de dizer que suas ações são morais, pois isto equivaleria a dizer que elas são corretas apenas porque são conformes ao costume e à tradição. Preferem dizer que agem segundo uma ética para denotar um suposto caráter independente, reflexivo e filosófico de sua posição existencial e política.

Diante dos clamores da imprensa, dos políticos e dos militantes dos movimentos sociais por "mais ética na política", nos

últimos anos, usa-se o termo ética e não o termo moral para uma fuga, até certo ponto fictícia, do caráter "tradicionalista" da moral. Por um lado, se avaliarmos bem

quais seriam os "princípios éticos" que, em última análise, se espera dos políticos, encontraríamos antigos valores da cultura ocidental, consignados em mandamentos da lei de Deus, conforme a tradição mosaica e incorporada pelo cristianismo: “Não matarás; não roubarás”; “não levantarás falso testemunho”; “não cobiçarás as coisas alheias” (Cf. VÁZQUEZ, 2001).

Tradição mosaica:

tradição proveniente dos ensinamentos de Moisés.

Diante disso, o apelo por mais ética na política nada mais é do que um apelo por mais fidelidade aos antigos valores morais do mundo ocidental. Desta forma, lá onde se alardeia uma novidade, produto de uma reflexão "filosófico-ética" original, nada mais há do que valores antigos sob novos nomes ou "novas fachadas". Por outro lado, há níveis de complexidade dos problemas humanos reais e concretos que já não são tão facilmente resolvidos com base nos costumes tradicionais.

Veja-se que ninguém precisa fazer apelo à reflexão ética para dizer que "é imoral um vizinho roubar o cachorro do outro e dá-lo de presente a um amigo". Em geral, poder-se-ia dizer que a lei moral "não roubarás" surgiu neste mesmo contexto elucidativo, ou seja, problemas humanos antigos continuam sendo suficientemente bem resolvidos pela moral tradicional. Logo, um dos grandes dilemas dos estudos da moral na atualidade pode ser resumido nas seguintes questões: existem ou não valores morais válidos para todos os homens? Como justificar a classificação das ações em moralmente corretas ou incorretas, boas ou más?

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Retomando a problemática da distinção conceitual entre ética e moral,

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Retomando a problemática da distinção conceitual entre ética e moral, Vázquez afirma que a “ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, é a ciência de uma forma específica do comportamento humano” (VÁZQUEZ, 2001, p. 12). Essa definição ressalta o caráter científico da ética, isto é, corresponde à necessidade de uma abordagem científica dos problemas morais.

Por outro lado, Valls afirma que:

“a ética preocupa-se com as formas humanas de resolver as contradições entre necessidade e possibilidade, entre tempo e eternidade, entre o individual e o social, entre o econômico e o moral, entre o corporal e o psíquico, entre o natural e o cultural e entre a inteligência e a vontade, evidenciando as contradições enfrentadas pelos indivíduos na tomada de decisões envolvendo dilemas éticos (VALLS, 1996, p.

48).

Comparando

seguinte esquema:

as definições fornecidas

pelos autores, poderemos traçar

o

1. a ética relaciona-se com a ciência (o conhecimento científico);

2. a ética relaciona-se com avaliação da conduta humana;

3. a ética é uma ciência normativa;

4. a ética, pelo contrário, é uma reflexão filosófica, logo puramente racional;

5. a ética possui um caráter universalista opostamente ao caráter restrito da moral.

Conforme explicitado, os problemas éticos caracterizam-se pela sua generalidade; isto os distingue dos problemas morais relativos à vida cotidiana. De acordo com Vázquez, “por causa de seu caráter prático (…), tentou-se ver na ética uma disciplina normativa, cuja função fundamental seria a de indicar o comportamento melhor do ponto de vista moral” (VÁZQUEZ, 2001, p. 10). Desse

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade modo, o ético tornar-se-ia uma espécie de “legislador do comportamento

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

modo, o ético tornar-se-ia uma espécie de “legislador do comportamento moral” dos indivíduos ou da comunidade.

No entanto, ainda segundo Vázquez:

A função fundamental da ética é a mesma de toda teoria: explicar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade, elaborando os conceitos correspondentes. Por outro lado, a realidade moral varia historicamente e, com ela, variam os seus princípios e as suas normas (VÁZQUEZ, 2001, p. 10).

Portanto, não cabe à ética formular juízos de valor sobre a prática moral de outras sociedades ou épocas, mas sim explicar a razão de ser destas mudanças de moral, esclarecendo o fato de o homem ter recorrido a práticas morais diferentes e até opostas. É importante notar que a ética não deve ser confundida com moral, como podem induzir expressões correntes como “ética católica” ou “ética do capitalismo”.

Segundo Robert Srour:

Enquanto a moral tem uma base histórica, o estatuto da ética é teórico, corresponde a uma generalidade abstrata e formal. A ética estuda as morais e as moralidades, analisa as escolhas que os agentes fazem em situações concretas, verifica se as opções se conformam aos padrões sociais. (…). Distingue-se das morais históricas que imbuem coletividades amplas (nações, classes ou categorias sociais) e que remetem a conceitos específicos ou de “espécie” (SROUR, 2000, p.

270).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Embora sejam temas de natureza teórica, as definições construídas pela

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Embora sejam temas de natureza teórica, as definições construídas pela ética podem interferir substancialmente nas práticas morais. Por isso, Vázquez afirma que teoria ética e a prática moral, ainda que distintas, devem viver entrelaçadas ou, nas suas palavras, em “retroalimentação” permanente. Neste sentido, a ética estudaria os comportamentos “prático- morais”, trazendo-lhes depois questionamentos e proposições.

Retroalimentação significa, neste contexto, uma troca constante e mútua de elementos da moral e da ética que se entrecruzam simultaneamente.

Quanto à moral, entende-se um conjunto de normas e regras destinadas a regular as relações entre os indivíduos. O seu significado, função e validade não podem deixar de receber uma variação histórica nas diferentes sociedades. De fato, o comportamento moral varia de acordo com o tempo e o lugar, conforme as exigências nas quais os indivíduos se organizam ao estabelecerem as formas de relacionamento e as práticas de trabalho. À medida que estas relações se alteram, exige- se uma modificação progressiva nas normas do comportamento coletivo. Por exemplo, a idade média caracterizava-se pelo regime feudal, baseado, sobretudo, na hierarquia de suseranos, vassalos e servos (ARANHA, 2003).

Neste regime, o trabalho era garantido pelos servos, possibilitando aos nobres uma vida dedicada ao ócio e à guerra. A moral cavalheiresca deriva e baseia-se no pressuposto da superioridade da nobreza, exaltando a virtude da lealdade e da fidelidade — suporte do “sistema de suserania”. Em contraposição, o trabalho é desvalorizado e restrito aos servos. Esta situação foi alterada substantivamente com o aparecimento da burguesia, a qual, formada pelos antigos servos libertos, tendeu a valorizar o trabalho e criticar a ociosidade (Cf. ARANHA, 2003).

IMPORTANTE:

Diante disso, é possível perceber que uma mudança radical na estrutura

é possível perceber que uma mudança radical na estrutura social acarreta uma mudança fundamental de moral.

social acarreta uma mudança fundamental de moral. Em cada indivíduo,

entrelaça-se, de modo particular, uma série de relações sociais próprias ou particulares

de sua época ou da sua sociedade, o que demonstra que a sua individualidade possui

também um caráter social. Percebe-se, por outro lado, que existe uma gama de padrões

que, em cada sociedade, modelam o comportamento individual, o seu modo de

trabalhar, o seu modo de se vestir, sentir, amar, etc. Estes padrões variam de uma

sociedade para outra e, por isso, não há sentido em falar de uma individualidade fora

das relações que os indivíduos encontram na sociedade.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Contudo, ainda que a moral mude historicamente, e uma mesma

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Contudo, ainda que a moral mude historicamente, e uma mesma norma moral possa apresentar um conteúdo diferente em diferentes contextos sociais, a função social da moral em seu conjunto ou de uma norma particular é a mesma, isto é, regular as ações dos indivíduos nas suas relações mútuas ou as do indivíduo com a comunidade, objetivando preservar a sociedade no seu conjunto ou a integridade do grupo social.

Para Vázquez (2001, p. 233):

Assim a moral cumpre uma função social bem definida: contribuir para que os atos dos indivíduos ou de um grupo social desenvolvam-se de maneira vantajosa para toda a sociedade ou para uma parte.

A moral implica, portanto, uma relação livre e consciente entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade. Mas esta relação está também socialmente condicionada, precisamente porque o indivíduo é um ser social ou um nexo das relações sociais. O indivíduo se comporta moralmente no quadro de certas relações e condições sociais determinadas que ele não escolheu e dentro também de um sistema de princípios, valores e normas morais que não inventou, mas que recebe socialmente e segundo o qual regula as suas relações com os demais ou com a comunidade inteira.

Com base nestes elementos conceituais, podemos definir a moral da seguinte forma:

“A moral é um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livre e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa e impessoal (VÁZQUEZ 2001, p. 84).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade A moral, portanto, possui um caráter social, porque os indivíduos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

A moral, portanto, possui um caráter social, porque os indivíduos se sujeitam a

princípios, normas ou valores socialmente estabelecidos. Também, regula somente

atos e relações que acarretam consequências para outros e exigem

necessariamente a sanção dos demais. Por outro lado, cumpre a função social de

induzir os indivíduos a aceitar livre e conscientemente determinados princípios, valores e interesses.

Com base na definição de moral em Vázquez, delinearemos um quadro comparativo entre ética e moral. Vejamos a seguir:

ÉTICA

 

MORAL

Parte da filosofia prática que objetiva elaborar um reflexão sobre os problemas fundamentais da moral fundamentado em um estudo metafísico do conjunto de regras da conduta considerada como universalmente válida.

A

moral é uma forma de comportamento

humano que compreende tanto uma aspecto

normativo quanto um aspecto factual.

Diferente da moral, a ética preocupa-se em detectar os princípios de uma vida conforme a sabedoria filosófica, em elaborar uma reflexão sobre as razões de se desejar a justiça e a harmonia e sobre os meios de alcançá-la.

A

moral é um fato social.

A ética é a ciência da moral, ou seja, de uma esfera do comportamento humano. Neste sentido, a ética não é moral nem a moral é científica.

Embora a moral possua um caráter social, o individuo tem um papel fundamental, pois a moral exige a interiorização das normas e deveres.

Diante desse quadro comparativo, é possível constatar a confluência dos enunciados com as definições de ética e moral formuladas anteriormente. Ética e moral relacionam-se, mas com objetos diferenciados, específicos e bem definidos. Com efeito, ambas as palavras mantêm uma relação que não possuíam propriamente em suas origens etimológicas. Certamente, a moral diz respeito ao conjunto de normas ou regras adquiridas pelo hábito. Neste caso, a ela refere-se ao comportamento adquirido socialmente ou modo de ser conquistado pelo homem.

A ética, por sua vez, baseia-se em um modo de comportamento que não

corresponde a uma disposição natural, mas é adquirido ou conquistado pelo hábito. É precisamente esse caráter não-natural da forma de ser do homem que, no período antigo da humanidade, conferia a este mesmo homem uma “dimensão moral”.

A seguir, discutiremos com mais detalhe o caráter histórico e social da moral,

especificando esta dimensão moral do homem. Preparados?

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade O caráter histórico e social da Moral Mesmo considerando a

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O caráter histórico e social da Moral

Mesmo considerando a origem divina das ideias morais, por intermédio das quais os indivíduos teriam adquirido a consciência dos meios adequados à sua elevação ao plano espiritual dos valores perenes, a investigação do problema da moral não pode desprezar os processos históricos responsáveis pelos mecanismos de criação, funcionamento e aplicação dos padrões e das regras morais. Todas as sociedades humanas possuem valores padrões, normas de conduta e sistemas que garantem a aplicação e o funcionamento das mesmas.

O estudo do modo de implementação social desses sistemas de regulação moral revela-nos que o fundamento sobre o qual repousam constitui-se de hábitos

e atitudes firmados diante de “padrões de conduta”, que funcionam como

“cimento da unidade social dos grupos humanos”. A questão que nos interessa é

saber se estes padrões de conduta moral são impostos a partir da própria estrutura

de poder vigente ou se refletem a natureza geral humana.

IMPORTANTE:

No primeiro caso, a existência desses padrões é objetiva: está posta nas leis e normas emanadas das instâncias de poder. No segundo caso, fazem-se necessárias especulações e discussões sobre o que é a natureza humana e como ela deve ser cuidada para se manter fiel a si mesma. Para auxiliarmos no entendimento destas questões, verificaremos o comentário de Howard Parsons (1982, p. 158) sobre esta problemática:

no entendimento destas questões, verificaremos o comentário de Howard Parsons (1982, p. 158) sobre esta problemática:

A “moral”, em suas raízes latinas, caracteriza-se como algo de pesado, inamovível e campesino: os mores são os usos e costumes de um povo, embebido de hábitos que estão na base dos seus caracteres e que os une num sólido liame. Destruam os mores, destruirão os homens e a sociedade. A moral tradicional, porém, não satisfaz muita gente hoje em dia. A sociedade e a mores estão em uma convulsão como nunca se viu antes. Deriva daí que a nossa pesquisa não deve voltar-se nem tanto para uma nova moral (os frutos), nem tampouco para velhas morais (troncos vazios), e sim para raízes eternas.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Baseados no comentário citado pelo autor, podemos dividir as concepções

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Baseados no comentário citado pelo autor, podemos dividir as concepções quanto à origem da moral em dois tipos básicos: aquelas que explicam esta origem por princípios metafísicos e, como tal, supra-históricos ou a-históricos. Alinham-se neste primeiro tipo as teorias que veem um poder sobre-humano como fonte das normas morais. Também as que veem o homem como origem e fonte da moral, mas referindo-se a uma essência eterna e imutável a todos os indivíduos. De outro lado, estão as teorias historicistas, ou seja, as que procuram a origem da moral no horizonte da história, vendo-a como produto histórico e social do homem.

Entre as teorias a-historicistas ou metafísicas, poder-se-ia citar a posição Neotomista. Esta corrente de pensamento europeia e católica (representada por Garrigou-Lagrange e Jacques Maritain) surgiu entre as duas grandes guerras mundiais e que teve penetração no Brasil a partir dos anos cinquenta através do Pe. Leonel Franca e de Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Ataíde). Estes seguem o pensamento de São Tomás de Aquino e afirmam que o homem é dotado de um senso moral natural, "no sentido de que possui uma infalibilidade resultante da própria natureza da inteligência" (Cf. ARANHA, 2003, p. 67).

O senso moral, segundo Tomás de Aquino, é o "sentimento imediato e absoluto da lei reguladora do conhecimento e da ação práticos", define-se "adequada e essencialmente pelo princípio de que é preciso fazer o bem e evitar o mal". Desta forma, a vontade humana tende necessariamente para o bem. Por esta razão, os sentimentos morais, considerados componentes da consciência moral, manifestem uma tendência ao bem e uma repulsa ao mal, o respeito do dever e a antipatia pela má conduta.

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Tomás de Aquino que foi chamado o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios. Seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do mundo, introduzindo o aristotelismo, sendo redescoberto na Idade Média, na escolástica anterior, compaginou um e outro, de forma a obter uma sólida base filosófica para a teologia e retificando o materialismo de Aristóteles. Em suas duas "Summae", sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de sua época : são elas a "Summa Theologiae", a "Summa Contra Gentiles" (Disponível em:

<www.wikpedia.com.br>. Acesso em 16 maio 2008.)

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade As teorias historicistas, por outro lado, defendem que a moral

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As teorias historicistas, por outro lado, defendem que a moral de uma comunidade encontra-se essencialmente em seus costumes. Em outras palavras, para estes os costumes dizem como cada homem deve agir em situações concretas em função daquilo que a comunidade considera como sendo o bem e o mal. Por isso, consideram o modo de agir e de pensar baseado na "moral" como aquele que está em conformidade com a moralidade. Por sua vez, para estes a moralidade consiste na obediência ao costume de tal forma que onde não há nenhum costume classificado como certo, não há moralidade, pois se pode agir de diferentes modos sem que nenhum deles seja visto pela comunidade como um ato imoral ou amoral.

Mas o que é imoral e amoral? No sentido geral, o termo imoral significa algo que é contrário à moral. Especificamente, diz respeito a uma conduta ou regra que contraria a moral prescrita pela sociedade. Em outras palavras, entende-se por imoral tudo aquilo que uma sociedade (em um determinado espaço e tempo) consensualmente não admite ou julga ser correto ou justo em relação à conduta ou ao comportamento social de um indivíduo e um grupo de indivíduos que pertencem a ela.

De outra forma, o termo amoral significa propriamente ausência de moral, ou seja, é o instante que não se pode avaliar ou emitir um juízo de valor de natureza moral ou imoral sobre o agir de um indivíduo ou mesmo um grupo de indivíduos pertencentes a uma determinada sociedade.

Percebeu como estes dois termos estão intimamente relacionados ao comportamento dos indivíduos no seio da sociedade? É exatamente este o ponto de vista de Vázquez (2001, p. 244):

A necessidade de ajustar o comportamento de cada membro aos interesses da coletividade leva a que se considere como bom ou proveitoso tudo aquilo que contribui para reforçar a união ou a atividade comum e, ao contrário, que se veja como mau ou perigoso o oposto; ou seja, o que contribui para debilitar o minar a união; o isolamento, a dispersão dos esforços, etc. Estabelece-se, assim, uma linha divisória entre o que é bom e o que é mau, uma espécie de tábua de deveres

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade ou obrigações baseada naquilo que se considera bom ou útil

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ou obrigações baseada naquilo que se considera bom ou útil para a comunidade. Destacam-se, assim, uma série de deveres: todos são obrigados a trabalhar, a lutar contra os inimigos da tribo, etc. Estas obrigações comuns comportam o desenvolvimento das qualidades morais relativas aos interesses da coletividade:

solidariedade, ajuda mútua, disciplina, amor aos filhos da mesma tribo, etc. O que mais tarde se qualificará como virtudes ou como vícios acha-se determinado pelo caráter coletivo da vida social. Numa comunidade que está sujeita a uma luta incessante contra a natureza, e contra os homens de outras comunidades, o valor é uma virtude principal porque o valente presta um grande serviço à comunidade. Por razões análogas, são aprovadas e exaltadas a solidariedade, a ajuda mútua, a disciplina, etc. Ao contrário, a covardia é um vício horrível na sociedade primitiva porque atenta, sobretudo contra os interesses vitais da comunidade. E se deve dizer a mesma coisa de outros vícios como o egoísmo, a preguiça, etc.

Cabe notar que a partir desta consideração, Vázquez entra em uma calorosa discussão entre as teses metafísicas e historicistas sobre a origem da moral, o que nos conduz a uma reflexão sobre os seus fundamentos, ou seja, uma discussão a respeito da legitimidade com que a moral se impõe aos indivíduos. Se a moral possui uma origem metafísica, não está ao alcance do

homem modificar seus postulados fundamentais, tais como, o princípio "faça o bem e evite o mal". Um princípio

metafísico como este garante por si mesmo uma forte fundamentação teórica para o ordenamento moral da sociedade. Se concepções historicistas da origem da moral estiverem certas, a moral a que estamos submetidos relativiza-se os nossos próprios atos, o que torna um desafio repensar os seus fundamentos.

Barbárie: estado ou

condição de bárbaro.

Com efeito, torna-se possível não apenas reformá-la, mas fazê-la com a consciência de que ela é apenas um produto humano. Isto retira boa parte de sua força de imposição e legitimidade proveniente da ideia de sua origem metafísica, transcendente e sagrada. O que acontece com o indivíduo e com a sociedade que dessacraliza sua moral? Surge o risco da desordem e da desestruturação da sociedade? Desestruturar a sociedade é correr risco de voltarmos para a animalidade, para a barbárie.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Por conta disso, o âmbito da moral passar a existir

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Por conta disso, o âmbito da moral passar a existir como um traço de formação que todo homem recebe do processo de interação. Essa formação é inteiramente não-religiosa na sua própria justificação: por isso se diz que a moral do homem moderno é laicizada. Os valores morais não são reconhecidos como revelados por uma um origem divina, ou seja, trata de valores que não são sagrados. Ao contrário, estes valores são resultantes do processo histórico de sua dessacralização. A eles recusa-se qualquer transcendência, qualquer caráter sagrado. Mas existem objetivamente e sua existência pode até ser estatisticamente verificada, ou seja, justificada através de critérios científicos.

Não é somente o critério científico que a moral justifica-se. Ela pode ainda ser justificada pelos seguintes critérios:

critério de justificação social: na medida em que a moral desempenha a função social de garantir o comportamento dos indivíduos de uma comunidade numa determinada direção, toda norma corresponderá aos interesses e necessidades sociais. Em suma, em uma comunidade em que se verifica a necessidade de um indivíduo ou o interesse de um indivíduo particular, justifica-se uma norma que exige o seu comportamento adequado;

critério de justificação prática: uma norma moral somente pode ser justificada se forem verificadas as condições reais para que a sua aplicação não se ponha às necessidades sociais da comunidade. Sendo assim, em uma determinada comunidade na qual se verificam as condições necessárias, justifica-se a norma que corresponde a tais condições;

critério de justificação lógica: a justificação lógica das normas satisfaz plenamente a função social de toda moral, pois impede que uma comunidade determinada elabore normas arbitrárias ou caprichosas que, precisamente, por não se integrarem no respectivo sistema normativo, entrariam em contradição com os interesses e necessidades da comunidade. Neste contexto, uma norma se justifica logicamente se demonstrada a sua coerência e não- contraditoriedade com respeito às demais normas do código moral do qual faz parte.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Veremos a seguir alguns aspectos desta discussão, apresentando a você

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Veremos a seguir alguns aspectos desta discussão, apresentando a você o contexto histórico e social da ética. Vamos lá?

O caráter histórico e social da Ética

Como já discutimos, toda coletividade humana possui sua própria moral ou suas morais (diferentes morais para diferentes grupos da mesma sociedade). Isto, porém, não significa que todo povo tenha uma ética, entendida como um estudo racional da moral. O nascimento (origem ou gênese) da moral data do próprio nascimento da coletividade humana e do seu processo de interação. Pode-se afirmar que as doutrinas éticas nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens e, em particular, pelo seu comportamento moral efetivo.

Por essa razão, existe uma estreita vinculação entre os conceitos morais e as realidades humana e social, sujeitas historicamente à mudança. Com efeito, as doutrinas éticas não podem ser consideradas isoladamente, mas dentro de um processo de mudança e de sucessão que constitui propriamente a história. Ética e história, portanto, relacionam-se duplamente: com a vida social e com a sua própria história, uma vez que cada doutrina ética está em conexão com as anteriores.

Toda moral efetiva se elaboram certos princípios, valores ou normas. Assim, mudando radicalmente a vida social, muda também a vida moral. Os princípios, valores e normas encarnados nela entram em crise e exigem a sua justificação ou a sua substituição por outros. Assim explica-se o surgimento e sucessão de doutrinas éticas fundamentais em conexão direta com a mudança e sucessão de estruturas sociais e, dentro delas, da vida social.

A gênese da moral é também um problema em relação à moral estabelecida na atualidade. O fato de ela estar estabelecida, de sustentar-se e perpetuar-se historicamente exige uma explicação. Por isso, do ponto de vista filosófico, há uma necessidade intrínseca para explicar a gênese e os pressupostos fundamentais da moral. A ética, enquanto estudo da moral, por outro lado, tem data de nascimento certa e, graças à história da filosofia, podemos conhecer o seu surgimento e a sua evolução.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade A ética surgiu na Grécia, no século V a.C., com

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A ética surgiu na Grécia, no século V a.C., com o surgimento dos sofistas e com

a atitude de reação aos sofistas por parte de Sócrates. A sofística aparece num

momento cultural e político muito específico da história e cultura grega. No

período clássico grécia, os sofistas rejeitam a tradição mítica ao considerar que os

princípios morais resultam de convenções humanas. Embora na mesma linha de

oposição aos fundamentos religiosos, Sócrates se contrapõe aos sofistas ao buscar explicar os princípios morais não nas convenções, mas na natureza humana.

Segundo Hamlyn (1990 p. 25):

A ética propriamente dita começou com Sócrates, embora os sofistas lhe tenham dado um estímulo importante. Isto a despeito do fato de que Sócrates, a julgar pelas indicações que nos dá Platão, se opunha a eles. Para seus contemporâneos, de qualquer maneira, eles provavelmente pareciam mais próximos a ele do que nos parece hoje. Os sofistas eram mestres ambulantes que davam cursos ou aulas individuais sobre vários assuntos e cobravam por esse privilégio. Alguns deles, pelo menos, parecem ter ganho bom dinheiro com essas atividades. É tentador atribuir a esse fato o desfavor em que são hoje tidos, embora seja duvidoso que cobrar honorários por serviços prestados tenha sido motivo de desaprovação para o ambiente ateniense típico de meados do século V a.C. Sócrates censurava-os porque achava que eles alegavam fornecer mais do que realmente davam. Em especial, alegava que eles diziam que podiam ensinar virtude ao homem e achava que não faziam nada disso.

Um sofista era um professor e, por este motivo, a palavra sophistés era utilizada para se referir aos poetas, que foram os primeiros educadores na Grécia. Em princípio, a palavra sofista não possui um sentido pejorativo que veio adquirir mais tarde, em Atenas, quando os seus inimigos os acusavam de charlatães e mentirosos. O que ensinavam os sofistas? Os sofistas ensinavam a arte de argumentar e persuadir, arte decisiva para quem exerce a cidadania em uma democracia direta.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Mais uma vez, contudo, se acreditarmos nos diálogos de Platão,

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Mais uma vez, contudo, se acreditarmos nos diálogos de Platão, os próprios argumentos de Sócrates, considerados puramente como tais, são amiúde pouco melhores do que os de seus adversários sofistas. Pouca dúvida pode haver de que os contemporâneos de Sócrates o teriam julgado tão inigualável a esse respeito como os sofistas. Por outro lado, muitos tributavam a todos eles uma análoga admiração prudente. Sócrates, no entanto, exercia um fascínio próprio, como dá notícia Alcibíades em O Banquete, de Platão, e era o caráter do homem e a profundidade de sua consciência moral que o tornava especial.

de sua consciência moral que o tornava especial. Inúmeros são os diálogos de Platão em que

Inúmeros são os diálogos de Platão em que são descritas as discussões socráticas a respeito das virtudes e da natureza do bem. Resulta daí a convicção de que a virtude se identifica com a sabedoria e o vício com a ignorância. Neste termos, para Platão, a virtude pode ser aprendida. Na célebre passagem de República em que Platão descreve o mito da caverna reaparece essa ideia: o sábio é o único capaz de se soltar das amarras que o obrigam a ver apenas sombras e, dirigindo-se para fora, contempla o sol, que representa a ideia do Bem. Portanto, "alcançar o bem" se relaciona com a capacidade de "compreender bem". Todavia, apenas o filósofo atinge o nível mais alto de sabedoria, só a ele cabe a virtude maior da justiça e, portanto, lhe é reservada a função de governar a cidade. Outras virtudes menores, mas também importantes para a cidade, caberão aos soldados defensores da pólis e aos trabalhadores comuns, artesãos e comerciantes.

IMPORTANTE:

IMPORTANTE: Herdeiro do pensamento de Platão, Aristóteles aprofunda a discussão a respeito das questões éticas. Mas,

Herdeiro do pensamento de Platão, Aristóteles aprofunda a discussão a respeito das questões éticas. Mas, para este, o homem busca a felicidade, que consiste não nos prazeres nem na riqueza, mas na vida teórica e contemplativa cuja plena realização coincide com o desenvolvimento da racionalidade. O que há de comum no pensamento dos dois filósofos gregos em questão é a concepção de que a virtude resulta do trabalho reflexivo, da sabedoria, do controle racional dos desejos e paixões. Além disso, o sujeito moral não pode ser compreendido ainda, como nos tempos atuais, na sua completa individualidade. Os homens gregos são, antes de tudo, cidadãos, membros integrantes de uma comunidade, de modo que a ética se acha intrinsecamente ligada à política e a pólis.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade No período helenista, os filósofos se ocupam predominantemente com

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No período helenista, os filósofos se ocupam predominantemente com questões morais, e destacam-se duas tendências opostas: hedonismo e o estoicismo. Para os hedonistas (do grego hedoné, "prazer"), o bem se encontra no prazer. O principal representante do hedonismo grego, Epicuro (341-270 a.C.), considera que os prazeres do corpo são causas de ansiedade e sofrimento. Para permanecer imperturbável, a alma precisa desprezar os prazeres materiais, o que leva Epicuro a privilegiar os prazeres espirituais, dentre os quais aqueles referentes à amizade.

Na mesma época, o estoico Zenon de Cítio (336- 264 a.C.) despreza os prazeres em geral, ao considerá- los fonte de muitos males. As paixões devem ser eliminadas, porque só produzem sofrimento e, por isso, a vida virtuosa do homem sábio, que vive de acordo com a natureza e a razão, consiste em aceitar com impassibilidade o destino e o sofrimento (Cf. ARANHA, 2003).

Epicuro (341-270 a.C.), filósofo grego (nascido em Samos) atomista, fundador do epicurismo. A base de seu sistema é uma física fundada nos *átomos como em Demócrito. Pontos últimos se deslocando no vazio. Os átomos constituem a explicação última do mundo: nada existe a não ser os átomos e o vazio no qual se move: a alma, como tudo o que existe, é formada de átomos materiais: tudo o que acontece no mundo deve-se às ações e interações mecânicas dos átomos.

Visão teocêntrica é aquela que atribui Deus como centro de tudo.

As teorias estoicas foram bem aceitas pelo cristianismo ainda na época do Império Romano,

tendo também fecundado as ideias ascéticas do período medieval. Durante a Idade Média, a visão teocêntrica do mundo fez com que os valores religiosos impregnassem as concepções éticas, de modo que os critérios do bem e do mal se achavam vinculados à fé e dependiam da esperança de vida após a morte. Na perspectiva religiosa, os valores são considerados transcendentes, porque resultam de doação divina, o que determina a identificação do homem moral com o homem temente a Deus.

No entanto, a partir da Idade Moderna, culminando no movimento da Ilustraçao no século XVIII, a moral se torna laica, secularizada. Ou seja, ser moral e ser religioso não são polos inseparáveis, sendo perfeitamente possível

que um homem ateu seja moral e, mais ainda, que o fundamento dos valores não se encontre em Deus, mas no próprio homem.

Laico e secular significam respectivamente o oposto ao eclesiástico.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade O movimento intelectual do século XVIII conhecido como Iluminismo,

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O movimento intelectual do século XVIII conhecido como Iluminismo, Ilustração ou Aujklärung e que caracteriza o chamado Século das Luzes exalta a capacidade humana de conhecer e agir pela "luz da razão". Esta critica a religião que submete o homem à heteronomia, que o subjuga a preconceitos e o conduz ao fanatismo. Rejeita toda tutela que resulta do princípio de autoridade. Em contraposição, defende o ideal de tolerância e autonomia.

No lugar das explicações religiosas, a Ilustração fornece três tipos de justificação para a norma moral: aquela se funda na lei natural (teses jusnaturalistas), no interesse (teses empiristas, que explicam a ação humana como busca do prazer e evitação da dor) e na própria razão (tese kantiana).

A máxima expressão do pensamento iluminista encontra-se em Kant (1724- 1804) que, além da Crítica da razão pura escreveu a Crítica da razão prática e Fundamentação da metafísica dos costumes, nas quais desenvolve a sua teoria moral e ética. A razão prática diz respeito ao instrumento para compreender o

mundo dos costumes e orientar o homem na sua ação. Analisando os princípios da consciência moral, Kant conclui que a vontade humana é verdadeiramente moral quando regida por imperativos categóricos. O

imperativo categórico é assim chamado por ser incondicionado, absoluto, voltado para a realização da ação tendo em vista o dever.

Imperativo categórico: Kant criou o termo imperativo no seu livro Fundamentação da Metafísica dos Costumes, escrito em 1785. Esta palavra pode ser entendida, segundo alguns autores, como uma analogia ao termo bíblico Mandamento.

A tradição da moral ocidental encontrou no pensamento do filósofo alemão do século XVIII um momento de aparente resolução do antagonismo histórico entre as fontes judaicas e helênicas da moralidade. Para este, uma ação moralmente

justificável deve ser pública e, como tal, não pode estar a serviço de qualquer intenção ou interesse particular ou egoísta. Deve-se, portanto, agir somente na medida em que a nossa ação possa ser imitada por todos sem prejuízo a ninguém. Ou seja, a norma a que obedeço é a norma que eu próprio me dou, mas que deve poder ser defendida publicamente, para que possa ser seguida por toda a humanidade como um “lei universal” ou , no mínimo, não ser rejeitada por esta.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Para Kant, esse ato de autonomia e de poder agir

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Para Kant, esse ato de autonomia e de poder agir publicamente, sem ser acusado por ninguém, é a fonte da satisfação moral. Essa atitude moralmente válida decorre unicamente do uso de nossa capacidade racional, da liberdade da nossa vontade e, sobretudo, da orientação que, por educação, imprimimos à nossa vontade para que se torne boa ou para que seja absolutamente boa.

Nesse sentido, fica patente que Kant rejeita as concepções morais predominantes até então, quer seja da filosofia grega, quer seja da cristã, e que norteiam a ação moral a partir de condicionantes como a felicidade ou o interesse privado. Por exemplo, para Kant não faz sentido agir bem com o objetivo de ser feliz ou evitar a dor, ou ainda para alcançar o céu ou não merecer a punição divina. O agir moralmente funda-se exclusivamente na razão. A lei moral que a razão descobre é universal, pois não se trata de descoberta subjetiva (mas do homem

enquanto ser racional) e é necessária, pois é ela que preserva a dignidade dos homens. Isso pode ser sintetizado nas seguintes afirmações do próprio Kant (1988, p. 34):

Lei moral é a expressão de um princípio moral, sob forma que explicite o que é o bem e o mal, a partir do qual se pode justificar a validade das normas ou valores morais por ele aceitos como fonte de sentido para a sua existência.

"Age de tal modo que a máxima de tua ação possa sempre valer como princípio universal de conduta"; "Age sempre de tal modo que trates a Humanidade, tanto na tua pessoa como na do outro, como fim e não apenas como meio".

A autonomia da razão para legislar supõe a liberdade e o dever. Pois todo imperativo se impõe como dever, mas a exigência não é heterônoma — exterior e cega e sim livreniente assumida pelo sujeito que se autodetermina. Vamos exemplificar: suponhamos a norma moral "não roubar”. Para a concepção cristã, o fundamento da norma se encontra no sétimo mandamento de Deus. No entanto, para os teóricos jusnaturalistas (como Rousseau e Hobbes), ela se funda no direito natural, comum a todos os homens; por outro lado, para os empiristas (como Locke, Condillac) a norma deriva do interesse próprio, pois o sujeito que a desobedece será submetido ao desprazer, à censura pública ou à prisão.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Para Kant, a norma se enraíza na própria natureza da

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Para Kant, a norma se enraíza na própria natureza da razão; ao aceitar o roubo e consequentemente o enriquecimento ilícito, elevando a máxima (pessoal) ao nível universal, haverá uma contradição: se todos podem roubar, não há como manter a posse do que foi furtado.

A reflexão ética de Kant foi importante para fornecer as categorias da moral iluminista racional, laica, acentuando o caráter pessoal da liberdade. Mas, a partir do final do século XIX e ao longo do século XX, os filósofos começam a se posicionar contra a moral formalista kantiana fundada na razão universal, abstrata, e tentam encontrar o homem concreto da ação moral. É nesse sentido que podemos compreender o esforço de pensadores tão diferentes como Marx, Nietzsche, Freud, Kierkegaard e os existencialistas.

Vejamos a posição de Nietzsche. O pensamento de Nietzsche (1844- 1900) se orienta no sentido de recuperar as forças inconscientes, vitais, instintivas subjugadas pela razão durante séculos. Para tanto, critica Sócrates por ter encaminhado pela primeira vez a reflexão moral em direção ao controle racional das paixões. Segundo Nietzsche, nasce aí o homem desconfiado de seus instintos, tendo essa tendência culminado com o cristianismo, que acelerou a "domesticação" do homem (ARANHA,

2003).

acelerou a "domesticação" do homem (ARANHA, 2003). Segundo Machado (1999), em diversas obras, como A

Segundo Machado (1999), em diversas obras, como A genealogia da moral, Para além do bem e do mal e Crepúsculo dos ídolos Nietzsche faz a análise histórica da moral e denuncia a incompatibilidade entre esta e a vida. Em outras palavras, o homem, sob o domínio da moral, se enfraquece, tornando-se doentio e culpado. Nietzsche relembra a Grécia homérica, do tempo das epopeias e das tragédias, considerando-a como o momento em que predominam os verdadeiros valores aristocráticos, quando a virtude reside na força e na potência, sendo atributo do guerreiro belo e bom, amado dos deuses.

Nessa perspectiva, o inimigo não é mau: "Em Homero, tanto o grego quanto o troiano são bons. Não passa por mau aquele que nos inflige algum dano, mas aquele que é desprezível". Ao fazer a crítica da moral tradicional, Nietzsche preconiza a "transvaloração de todos os valores" e denuncia a falsa moral, "decadente", "de rebanho", "de escravos", cujos valores seriam a bondade, a humildade, a piedade e o amor ao próximo. Também, contrapõe a ela a moral "de senhores", uma moral positiva que visa à conservação da vida e dos seus instintos fundamentais. A “moral de senhores” é positiva, porque baseada no sim à vida e se

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade configura sob o signo da plenitude, do acréscimo. Por isso,

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configura sob o signo da plenitude, do acréscimo. Por isso, ela funda-se na “capacidade de criação”, de invenção, cujo resultado é a alegria, consequência da afirmação da potência. O homem que consegue superar-se é o “super-homem”, diz Nietzsche apud MACHADO (1999, p. 67).

À moral aristocrática, “moral de senhores”, que é sadia e voltada para os instintos da vida, Nietzsche contrapõe o pensamento socrático-platônico (que provoca a ruptura entre o trágico e o racional) e a tradição da religião judaico- cristã. A moral que deriva daí é a moral de escravos, moral decadente, porque baseada na tentativa de subjugação dos instintos pela razão, o “homem- fera”, “animal de rapina”, é transformado em “animal doméstico ou cordeiro”.

De acordo com Nietzsche, a moral plebeia estabelece um sistema de juízos que considera o bem e o mal valores metafísicos transcendentes, isto é, independentes da situação concreta vivida pelo homem. O que é proveitoso constitui o valor. O homem é o criador de valores, mas se esquece de sua criação. A moralidade é o instinto gregário do indivíduo, pois quem é punido é quem pratica os atos. Para Nietzsche, na sociedade, existem os “instintos de rebanho”. Atribui-se às palavras um sentido fixo e acha que ela espelha a realidade, que tem caráter transitório. O homem chega, pelos costumes, à convicção de que é preciso obedecer. No inverso disso, existe o prazer, a autodeterminação e a liberdade de vontade.

De acordo com Nietzsche (1987, p. 45):

Qual a genealogia da moral, isto é, a origem do

conceito

daqueles aos quais se fez o “bem”! Foram os “bons” mesmos, isto é, os nobres, poderosos, superiores em posição e em pensamento, que sentiram e estabeleceram a si e a seus atos como bons, ou seja, de primeira ordem, em oposição a tudo o que era baixo, de pensamento baixo, vulgar e plebeu (

O juizo “bom” nao provém

“bom”?]

(

)

De uma forma geral, o que Nietzsche denomina de valor e, ao contrário do que

poderíamos pensar, não é uma entidade utilizada para ajuizamento moral, mas o

nome com que se designa todo tipo de manifestação engendrada por esse

conflito. Quanto a sua apreensão, os valores podem apresentar-se sob duas disposições fundamentais para o filósofo em questão:

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 1. “disposição afirmativa” , como aquela que se faz em

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1. “disposição afirmativa”, como aquela que se faz em sintonia com o lance e cadência do citado binômio, afirmando-o como modo estrutural da realidade em sua gênese;

2. “disposição reativa”, que não se conforma com este modo constitutivo, fazendo que irrompa uma perspectiva derivada, que se arroga no direito de requerer um modo de realização da existência diverso do que se dá nessa instauração.

Estes modos dos valores são possibilidades de realização dessa vida para Nietzsche. Estes, por estarem articulados com o próprio modo de dar-se da vida, isto é, com o movimento da vontade, são sempre passíveis de apreensão através de duas disposições fundamentais: as disposições afirmativas e reativas. Respectivamente, aquelas que indicam sintonia e dissintonia com a compreensão de vida como valor. No primeiro caso, a disposição afirmativa surge na sintonia com uma perspectiva que se constrói a partir do “aquecimento” do modo de ser sempre eterno da gênese de realidade, celebrando a vida enquanto experiência de criação (Cf. MACHADO, 1999, p. 78).

De acordo com Machado (1999), a esse processo Nietzsche chama “vontade criadora”. No segundo caso, a disposição negativa irrompe em uma perspectiva que, ao se instaurar, nega a si mesma enquanto perspectiva e se arroga o direito de determinar — para além de toda e qualquer instância de realização — o modo de ser da totalidade dos entes. Esta é a compreensão da verdade, como uma instância que surge em função da separação radical frente ao mundo fenomênico, e recebe o nome de “vontade de verdade”.

O que Nietzsche revela com isso é que os escravos negam os valores vitais e resulta na passividade, na procura da paz e do repouso. Nesta perspectiva, o homem se torna enfraquecido e diminuído em sua potência.

A alegria é transformada em ódio à vida, isto é, o “ódio dos impotentes”. A conduta humana, orientada pelo ideal ascético, torna-se marcada pelo ressentimento e pela “má consciência”. O ressentimento nasce da fraqueza e é nocivo ao fraco. Por sua vez, para Nietzsche, o “homem ressentido”, incapaz de

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade esquecer, é como o dispéptico: fica "envenenado" pela sua inveja

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esquecer, é como o dispéptico: fica "envenenado" pela sua inveja e impotência de

vingança. Ao contrário, o homem nobre sabe "digerir" suas experiências e esquecer

é uma das condições de manter-se saudável. A má consciência ou sentimento de

culpa é o ressentimento voltado contra si mesmo, daí fazendo nascer a noção de pecado, que inibe qualquer ação.

Neste sentido, o ideal ascético nega a alegria da vida e coloca a mortificação como meio para alcançar a outra vida num mundo superior, do além. Assim, as práticas de altruísmo destroem o amor de si, domesticando os instintos e produzindo gerações de fracos. É por isso que, contra o enfraquecimento do

homem, contra a transformação de fortes em fracos (tema constante da reflexão nietzschiana), é necessário assumir uma perspectiva além de bem e mal, isto é, "além da moral". Mas, por outro lado, para além de bem e mal não significa para além de bom e mau. A “dimensão das forças”, dos instintos, da vontade de potência, permanece fundamental. "O que é bom? Tudo que intensifica no homem

o sentimento de potência, a vontade de potência, a própria potência. O que é mau?

Tudo que provém da fraqueza” (MACHADO, 1999, p. 77).

IMPORTANTE:

Os pontos de vistas éticos apresentados não são os únicos existentes

vistas éticos apresentados não são os únicos existentes e nem representam a totalidade dos problemas relativos

e nem representam a totalidade dos problemas relativos a ética. Existem várias

doutrinas que se debruçaram sobre o tema da ética apresentado e refletindo sobre

seus fundamentos e aplicacações. Cabe neste momento, apresentar as principais teorias ou doutrinas de ética e suas respectivas especifidades teóricas:

egoísmo ético: pressupõe que devemos agir apenas em função do nosso interesse pessoal. A única obrigação moral é promovermos o nosso próprio bem-

estar. Critério moral: são as consequências que as ações têm para nós próprios que as tornam certas ou erradas. O egoísmo ético é, portanto, uma teoria consequencialista: o que conta são as consequências que as ações têm para nós próprios. Regra moral básica: “age sempre e apenas em função do teu próprio

bem-estar”;

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade ● utilitarismo ético : pressupõe que devemos agir com a

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

● utilitarismo ético : pressupõe que devemos agir com a finalidade de promover o máximo

utilitarismo ético: pressupõe que devemos agir com a finalidade de promover o máximo de bem-estar a um maior número possível de pessoas, numa perspectiva imparcial. O utilitarismo é também uma teoria consequencialista: o que conta são as consequências que as ações têm para a generalidade das pessoas (e não já apenas para nós próprios). Critério moral: são as consequências que as ações têm para o maior número de pessoas que as tornam certas ou erradas. Sendo assim, uma ação está moralmente certa apenas quando maximiza o bem-estar, ou seja, quando promove tanto quanto possível o bem- estar e está errada quando não o promove. Regra moral básica: “age de tal modo que as tuas ações possam proporcionar o maior bem possível ao maior número de pessoas, imparcialmente consideradas”;

ética deontológica: pressupõe que devemos agir de acordo com o Dever e não pensar nas consequências das nossas ações. A pergunta a fazer é: toda as pessoas deveriam fazer o mesmo em idênticas circunstâncias? A ética deontológica é, portanto, uma teoria anticonsequencialista. O critério moral desta é a relação das ações com os deveres universais (são os esmos para todos os seres humanos) que as tornam certas ou erradas. Há, portanto, ações intrinsecamente más (ou seja, são más em si mesmas), ainda que tenham consequências boas. Desse modo, uma ação está moralmente certa quando não infringe os nossos deveres e está errada quando infringe intencionalmente algum desses deveres. Regra moral básica: “age de tal modo que as tuas ações possam valer para todo o ser racional, sem nunca infringir os deveres universais”.

SUGESTÃO DE FILME Pegue seu caderno de anotações, sente-se e assista ao filme A Letra

SUGESTÃO DE FILME

Pegue seu caderno de anotações, sente-se e assista ao filme A Letra Escarlate de Douglas Day Stewart, baseado em livro de Nathaniel Hawthorne. Ele contextualizará melhor ainda o conteúdo que você acabou de estudar.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade LEITURA COMPLEMENTAR Visando enriquecer seu processo de aprendizagem,

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

LEITURA COMPLEMENTAR

LEITURA COMPLEMENTAR Visando enriquecer seu processo de aprendizagem, procure efetuar a leitura complementar dos seguintes

Visando enriquecer seu processo de aprendizagem, procure efetuar a leitura complementar dos seguintes textos:

ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. FILOSOFANDO - Introdução à Filosofia. 3ª edição. São Paulo: Editora Moderna, 2001. 439p.

MACHADO, R. Nietzsche e a verdade. São Paulo: Brochura, 1999. 116p.

HAMLYN, D. W. Uma história da filosofia ocidental. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1990. 416p.

GRENZ, S. J. & SMITH, J. T. Dicionário de Ética. 1ª Edição. São Paulo: Brochura, 2005. 184p.

VALLS, Á. L.M. O que é ética. 9 a edição. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1996. 84p.

PARSONS, H. As raízes humanas da moral: Moral e sociedade. Rio de Janeiro:

Paz e Terra, 1982. 300p.

VAZQUEZ, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. 304p.

PEREIRA, O. O que é moral? São Paulo: Brasiliense, 1996. 90p.

É HORA DE SE AVALIAR! Lembre-se de realizar as atividades propostas no caderno de exercícios!
É HORA DE SE AVALIAR!
Lembre-se
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trabalhado, a sistematizar as ideias e os conceitos apresentados, além de
proporcionar a sua autonomia no processo ensino-aprendizagem. Caso prefira,
redija suas respostas no caderno de exercícios e depois as envie através do nosso
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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Nesta unidade, você estudou o contexto histórico do surgimento da

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Nesta unidade, você estudou o contexto histórico do surgimento da ética e da moral, assim como os principais conceitos e definições que as envolvem. Apresentamos a problemática da distinção entre ética e moral, assim como as suas respectivas definições e objetos de estudo. Além disso, esboçamos, de forma esquemática, os aspectos históricos e sociais da ética e da moral, objetivando situar você nos elementos do contexto do desenvolvimento da humanidade.

Na próxima unidade, discutiremos alguns dos problemas fundamentais no qual a ética se ocupa. Trata-se, portanto, de apresentar a você os temas recorrentes da ética, tais como, a consciência moral e os valores éticos e a dicotomia liberdade versus determinismo, a felicidade, a virtude e a amizade.

Bons estudos e até a próxima unidade!

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Exercícios - unidade 1

Exercícios - unidade 1 Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 1ª QUESTÃO: Assinale a letra correspondente à

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1ª QUESTÃO: Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche CORRETAMENTE as lacunas do texto a seguir:

do comportamento moral

dos homens em sociedade. Ou seja, é a ciência de uma forma específica do

“Vázquez (2001, p. 12) afirma que a “ética é a

a) Senso comum ou ciência - comportamento antissocial

b) Hermenêutica ou ciência - comportamento surreal

c) Teoria ou ciência - comportamento humano

d) Psicologia jurídica - comportamento social

e) Teoria ou anticiência - comportamento antirreal

2ª QUESTÃO: Qual das alternativas abaixo NÃO se relaciona aos pressupostos da ética?

a) A ética relaciona-se com a ciência.

b) A ética relaciona-se com avaliação da conduta humana.

c) A ética é uma ciência normativa.

d) Os problemas éticos caracterizam-se pela sua particularidade e a ausência de critérios normativos e científicos.

e) A função fundamental da ética é a mesma de toda teoria: explicar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade, elaborando os conceitos correspondentes.

3ª QUESTÃO: Segundo Robert Srour: “Enquanto a moral tem uma base histórica, o estatuto da ética é teórico, corresponde a uma generalidade abstrata e formal” (SROUR, 2000, p. 270). Seguindo a afirmativa de Srour, indique qual das alternativas abaixo corresponde ao correto sentido da ‘moral’.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade a) A moral implica uma relação livre e consciente entre

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

a) A moral implica uma relação livre e consciente entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade.

b) moral não se relaciona em nada com a ética.

A

c) moral não cumpre uma função social bem definida.

A

d) A moral não possui um caráter social, porque os indivíduos se sujeitam a princípios, normas ou valores socialmente estabelecidos.

e) A moral possui um caráter social, porque os indivíduos se sujeitam a princípios, normas ou valores socialmente construídos com base em normas artificiais.

4ª QUESTÃO: Mesmo considerando a origem divina das ideias morais, por intermédio das quais os indivíduos adquirem consciência dos meios adequados à sua elevação ao plano espiritual dos valores perenes, a investigação do problema da moral não pode desprezar os processos históricos responsáveis de fato pelos mecanismos de criação, funcionamento e aplicação dos padrões e das regras morais. Como base nesta explicação, podemos afirmar que:

a)

âmbito da moral passa a existir como um traço de desinformação que se recebe no processo de interação e de identificação a priori.

o

b)

as regras morais em nada correspondem aos pressupostos morais.

c)

os costumes nunca dizem como cada homem deve agir em situações

concretas em função daquilo que a comunidade considera como sendo o bem

e

o mal.

d)

o

termo imoral significa algo que é o mesmo que o de moral.

e)

todas as sociedades humanas possuem valores padrões, normas de conduta e sistemas que garantem a aplicação e o funcionamento das mesmas.

5ª QUESTÃO: Não é somente o critério científico que a moral justifica-se. Ela pode ainda ser justicada por alguns critérios. Entre estes critérios podemos apontar:

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade a) o critério de justificação social e o critério de

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a) o critério de justificação social e o critério de justificação prática.

b) o critério de justificação metafísica e o critério de justificação anárquica.

c) o critério de justificação eloquente e o critério de justificação factual.

d) o critério de justificação ilusório e o critério de justificação fatídico.

e) o critério de justificação anormal e o critério de justificação multissocial.

6ª QUESTÃO: As doutrinas éticas nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens e, em particular, pelo seu comportamento moral efetivo. Uma dessas doutrinas é o egoísmo ético. Sobre esta doutrina afirma-se:

a) que devemos agir com a finalidade de promover o mínimo de bem-estar a um menor número possível de pessoas, numa perspectiva imparcial.

b) que devemos agir de acordo com o coração e a mente e não pensar nas consequências das nossas ações.

c) que devemos agir de acordo com o Dever e não pensar nas consequências das nossas ações.

d) que devemos agir com a finalidade de promover o máximo de bem-estar a um maior número possível de pessoas, numa perspectiva imparcial.

e) que devemos agir apenas em função do nosso interesse pessoal. Para esta a única obrigação moral é promovermos o nosso próprio bem-estar.

7ª QUESTÃO: No sentido geral, a palavra ética origina-se do grego antigo ήθική [ήθική φιλοσοφία] "filosofia moral" e do adjetivo ήθος (ēthos) que quer dizer "costume, hábito". Diferentemente dos gregos, os romanos utilizavam a palavra latina mos (mores) para designar o costume ou costumes. Foi a partir deste termo romano que surge o modo como entendemos o significado de moral na língua portuguesa. Diante do exposto, podemos afirmar que:

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade a) na nossa Língua, os dois termos, ética e moral

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

a) na nossa Língua, os dois termos, ética e moral, implicam, simultaneamente, de alguma forma, nos dois diferentes significados antigos e, de fato, tanto a ética quanto a moral, incidem sobre estas duas dimensões, ou seja, uma valoração do homem como tal e do seu agir de conformidade ou não aos costumes e à tradição.

b) na nossa Língua, os dois termos, ética e moral, implicam, simultaneamente, de alguma forma, os dois diferentes significados antigos e, de fato, tanto a ética quanto a moral, não incidem sobre estas duas dimensões, ou seja, uma valoração do homem como tal e do seu agir de conformidade ou não aos costumes e à tradição.

c) na nossa Língua, os dois termos, ética e moral, não implicam, simultaneamente, de alguma forma, nos dois diferentes significados antigos e, de fato, tanto a ética quanto a moral, incidem sobre estas duas dimensões, ou seja, uma valoração do homem como tal e do seu agir de conformidade ou não aos costumes e à tradição.

d) na nossa Língua, os dois termos, ética e moral, implicam, simultaneamente, de alguma forma, nos dois diferentes significados antigos e, de fato, tanto a ética quanto a moral não relaciona-se as duas dimensões, ou seja, uma valoração do homem como tal e do seu agir de conformidade ou não aos costumes e à tradição.

e) na nossa Língua, os dois termos, ética e moral, diferem, simultaneamente, de alguma forma, dos dois diferentes significados antigos e, de fato, tanto a ética quanto a moral, afasta-se das dimensões contemporânea e medieval, ou seja, uma valoração do homem como tal e do seu agir de conformidade ou não aos costumes e à tradição.

8ª QUESTÃO: Apesar de serem conceitos aparentemente idênticos, ética e moral possuem diferenças fundamentais. O ato de perceber os valores, de avaliar as nossas ações de acordo com o que é bom e o que é mau, ou quais são justas e injustas, corretas ou não é o que, de certa forma, diferencia o comportamento humano do comportamento animal. Neste contexto, podemos dizer que:

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade a) para o animal, o campo da moralidade é inacessível,

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

a) para o animal, o campo da moralidade é inacessível, pois seu comportamento jamais pode ser guiado pelos seus instintos imediatos. Os seres humanos, por sua vez, possuem a consciência moral, ou seja, a “faculdade de observar a própria conduta e formular juízos sobre os atos passados, presentes e as intenções futuras”.

b) para o animal, o campo da moralidade é completamente acessível, pois seu comportamento é guiado pelos seus instintos imediatos. Os seres humanos, por sua vez, possuem a consciência moral, ou seja, a “faculdade de observar a própria conduta e formular juízos sobre os atos passados, presentes e as intenções futuras”.

c) para o animal, o campo da moralidade é inacessível, pois seu comportamento

é guiado pelos seus instintos imediatos. Os seres humanos, por sua vez,

possuem a consciência moral, ou seja, a “faculdade de observar a própria conduta e formular juízos sobre os atos passados, presentes e as intenções futuras”.

d) para o animal, o campo da moralidade é inacessível, pois seu comportamento

é guiado pelos seus instintos imediatos. Os seres humanos, por sua vez,

possuem a consciência amoral, ou seja, a “faculdade de observar a própria conduta e formular juízos sobre os atos passados, presentes e as intenções futuras”.

e) para o animal, o campo da moralidade é inacessível, pois seu comportamento

é guiado pelos seus razões imateriais. Os seres humanos, por sua vez,

possuem a consciência moral, ou seja, a “faculdade de observar a própria conduta e formular juízos sobre os atos passados, presentes e as intenções futuras”.

9ª QUESTÃO: A experiência moral é comum a todos os homens, em todas as sociedades. Entretanto, nem todos são capazes de desenvolver uma crítica do conteúdo da moral. Essa é, portanto, tarefa da ética. Como você sabe há uma tendência de empregar indiscriminadamente os termos moral e ética. Em que consiste a moral?

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 10ª QUESTÃO: De acordo com Vázquez (2001, p. 10): “A

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10ª QUESTÃO: De acordo com Vázquez (2001, p. 10): “A função fundamental da ética é a mesma de toda teoria: explicar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade, elaborando os conceitos correspondentes. Por outro lado, a realidade moral varia historicamente e, com ela, variam os seus princípios e as suas normas”. Comente esta consideração de Vázquez.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 2 Problemas éticos e problemas morais: consciência moral, virtude,

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2 Problemas éticos e problemas morais: consciência moral, virtude, amizade, liberdade e felicidade.

A consciência moral e os valores éticos.

A busca da felicidade: virtude e o bem viver em Aristóteles.

Aristóteles e a amizade como um problema ético-moral.

Pensando a liberdade: La Boétie e Sartre.

em Aristóteles. Aristóteles e a amizade como um problema ético-moral. Pensando a liberdade: La Boétie e

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Na unidade anterior, você teve a oportunidade de estudar o

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Na unidade anterior, você teve a oportunidade de estudar o processo histórico da moral e da ética, assim como seus conceitos e definições mais relevantes. Nesta unidade, discutiremos alguns dos problemas fundamentais no qual a ética se ocupa. Trata-se, portanto, de apresentar a você os temas recorrentes da ética, tais como, a consciência moral e os valores éticos e a dicotomia liberdade versus determinismo e a liberdade versus responsabilidade. Para tanto, apresentaremos o ponto de vista filosófico sobre esta problemática em La Boétie e Sartre. Além disso, buscaremos debater o que é ser virtuoso e o que é necessário para ser feliz, segundo a perspectiva de Aristóteles. Esperamos que você desfrute dessa discussão e compreenda estes conceitos tão fundamentais na nossa prática cotidiana. Vamos lá!

Objetivos da unidade

Fornecer alguns dos problemas norteadores da ética.

Discutir sobre a problemática da liberdade, da responsabilidade e do determinismo nos filósofos La Boétie e Sartre.

Compreender as noções de felicidade, amizade e virtude na reflexão filosófica de Aristóteles.

Avaliar a direção para a qual nossos valores éticos dirigem-se no mundo em que vivemos hoje.

Plano da unidade

A consciência moral e os valores éticos.

A busca da felicidade: virtude e o bem viver em Aristóteles.

Aristóteles e a amizade como um problema ético-moral.

Pensando a liberdade: La Boétie e Sartre.

Bons estudos!

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade A consciência moral e os valores éticos A ideia de

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

A consciência moral e os valores éticos

A ideia de valor tem sido objeto de muitas reflexões ao longo da história da filosofia. Não cabe expor os pormenores deste debate nem o seu desdobramento na contemporaneidade. No entanto, propomos a você as seguintes noções gerais sobre os conceitos de “valor” e “valorar”:

os valores não são coisas. Não podem ser percebidos como se percebe as coisas, pois os valores são qualidades que as coisas têm, mas que não estão nas coisas de modo real e sensível, como estão a figura, o peso, a cor, etc;

o valor não se caracteriza pelo prazer que produz, se o produz. É errôneo dizer que as coisas são valiosas porque nos produzem prazer. Na realidade, os valores valem independentemente do prazer que produzem.

os valores podem se classificados também em “valores-meio” e “valores- fim”. Os “valores-meio” são aqueles cuja valia consiste em servir para a obtenção de outros valores. Por sua vez, os “valores-fim” são os que valem por si e sem necessidade de servirem à obtenção de outros valores.

Diante desses apontamentos gerais, podemos adiantá-lo que valorar implica uma avaliação e uma apreciação pelo qual emitimos juízos. Diante disso, toda moral e toda ética se relacionam diretamente aos juízos, que são avaliações e apreciações seja da melhor forma de vida, seja da boa ou má ação. Sendo assim, os valores são nada mais do que regras que orientam a conduta humana, servindo de padrão às deliberações dos indivíduos e dando coerência à sua vida social.

Neste momento, você deve estar indagando sobre o que é um juízo. Pois bem, juízos são avaliações e apreciações da melhor ou pior forma de vida e da boa ou má ação. No entanto, podemos identificar dois tipos principais de juízos. Por exemplo: se dissermos “está amanhecendo”, estaremos enunciando um acontecimento constatado por nós e o juízo proferido é um juízo de fato. Se, porém, falarmos “o amanhecer é bom para os animais” ou “o amanhecer é esplêndido”, estaremos interpretando e avaliando um acontecimento. Nesse caso, proferimos um juízo de valor.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Os juízos de fato são aqueles que dizem o que

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Os juízos de fato são aqueles que dizem o que as coisas são, como são e por que são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e nas ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos de valor — avaliações sobre coisas, pessoas e situações — são proferidos na moral, nas artes, na política e na religião. Estes juízos avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis.

Todos os juízos éticos de valor são normativos, isto é, enunciam normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos e nossos comportamentos. Estes juízos determinam obrigações e avaliam intenções e ações segundo o critério do correto e do incorreto. Por outro lado, os juízos éticos normativos nos dizem quais sentimentos, intenções, atos e comportamentos devemos ter ou fazer para alcançarmos o bem e a felicidade. Além disso, enunciam que atos, sentimentos, intenções e comportamentos são condenáveis ou incorretos do ponto de vista moral vigente.

IMPORTANTE:

Cabe indagar: qual é a origem da diferença entre os dois tipos de juízos, isto é, os de fato e os de valor? A diferença está na distinção entre a natureza e a cultura. A primeira é constituída por estruturas e processos necessários, que existem em si e por si mesmos, independentemente de nós: o amanhecer é um fenômeno cujas causas e cujos efeitos necessários podemos constatar e explicar. Por sua vez, a cultura nasce da maneira como os seres humanos interpretam a si mesmos e suas relações com a natureza, acrescentando- lhe sentidos novos, intervindo nela, alterando-a através do trabalho e da técnica, dando-lhe valores. Dizer que o “amanhecer é bom para as plantas” pressupõe a relação cultural dos humanos com a natureza, através da agricultura. Considerar o amanhecer belo pressupõe uma relação valorativa dos humanos com a natureza, percebida como objeto de contemplação.

o amanhecer belo pressupõe uma relação valorativa dos humanos com a natureza, percebida como objeto de

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Com efeito, para que haja conduta ética, é preciso que

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Com efeito, para que haja conduta ética, é preciso que exista o agente consciente (a consciência moral), isto é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais diferenças, mas também se reconhece como capaz de julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em conformidade com os valores morais, sendo por isso responsável por suas ações e seus sentimentos e pelas consequências do que faz e sente. Consciência e responsabilidade são condições indispensáveis da vida ética (Cf. VÁZQUEZ, 2001).

A consciência moral manifesta-se, antes de tudo, na capacidade para deliberar diante de alternativas possíveis, decidindo e escolhendo uma delas antes de lançar-se na ação. Esta possui a capacidade para avaliar e refletir as motivações pessoais, as exigências feitas pela situação, as consequências para si e para os outros, a conformidade entre meios e fins — empregar meios imorais para alcançar fins morais é impossível —, a obrigação de respeitar o estabelecido ou de transgredi-lo se o estabelecido for imoral ou injusto.

ou de transgredi-lo se o estabelecido for imoral ou injusto. Em outras palavras, a consciência moral

Em outras palavras, a consciência moral diz respeito a uma escuta individual que todos temos como seres racionais e que às vezes faz com que sintamos remorso por ter agido de uma forma em vez de outra. Ou seja, pela consciência moral, operam-se julgamentos de adequação entre comportamentos escolhidos voluntariamente e ideais de conduta adotados pela máxima a que se deve obedecer.

Por essa razão, o conceito de consciência moral está estritamente vinculado com o conceito de obrigatoriedade. Cabe observar que as normas obrigatórias mantêm-se sempre em um plano geral e, por conseguinte, não fazem referência ao modo de agir em cada situação concreta ou especifica. É a consciência moral que, neste caso, atua informando-se da situação concreta e com a ajuda das normas estabelecidas interioriza-as, tomando as decisões que consideramos adequadas e internamente julga os seus próprios atos como morais ou não (Cf. VÁZQUEZ, 2001).

O ato amoralmente válido subdivide-se em duas formas fundamentais: o normativo e o fatual.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade  Normativo: constituído pelas normas ou regras de ação e

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Normativo: constituído pelas normas ou regras de ação e pelos imperativos que enunciam algo que deve ser;

Fatual:

efetivamente,

pensamos que deveriam ser.

constituído

ou

por

seja,

certos

que

são

atos

humanos

que

se

independentemente

realizam

como

de

No âmbito normativo, estas regras postulam determinados comportamentos, tais como: “cumpra o seu dever como cidadão”; “ama a teu próximo como a ti mesmo”, etc. É importante frisar que o normativo e o fatual não coincidem, mas encontram-se em mútua relação. O normativo exige ser realizado e, dessa forma, orienta-se no sentido do fatual. Assim, o realizado ou o fatual somente possui algum significado moral na medida em que pode ser referido a uma norma. Não existem normas que sejam indiferentes à sua realização, nem existem fatos que na esfera moral não sejam vinculados com as normas vigentes. Desse modo, o normativo e o factual — no âmbito da moral — são dois planos que podem ser distinguidos, mas não podem ser completamente apartados.

A seguir, vamos discutir a problemática da virtude e da felicidade em Aristóteles. Note ao longo da discussão como o filósofo apresenta de forma clara e distinta a relação da felicidade e a virtude em relação ao “bem viver”.

A busca da felicidade: virtude e o bem viver em Aristóteles

Segundo Savater (2002), se considerarmos que o preceito fundamental da ética é aquele que diz respeito ao “saber-viver” ou a “arte de viver”, então podemos afirmar que os homens agem em direção ao viver e, acima de tudo, ao viver bem. Ora, para viver bem, é preciso alguns requisitos fundamentais que satisfaçam as exigências mínimas para alcançar este fim ou objetivo proposto. Entre estes requisitos está a felicidade.

Para Aristóteles, a felicidade é o resultado do saber viver. Entendendo a ética como a “arte de viver”; o resultado desse viver seria, portanto, a felicidade. O que é necessário fazer para atingir a virtude e, portanto, ser feliz? A virtude, que segundo Aristóteles, é o que vai garantir ao homem a felicidade, é “o hábito que torna o homem bom e lhe permite cumprir bem a sua tarefa”, a virtude é “racional, conforme e constante”. (Cf. ARISTÓTELES, 2001).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Na obra Ética a Nicômacos, Aristóteles discute a finalidade de

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Na obra Ética a Nicômacos, Aristóteles discute a finalidade de toda arte, indagação, ação e propósito da vida humana e conclui que é sempre o bem a que todas visam. Ao debater qual seria este bem que é a finalidade da vida humana, o filósofo nos apresenta a felicidade. Só que, simultaneamente, afirma que a felicidade é o “bem supremo” e indaga pela função própria do homem.

De acordo com este:

o bem para o homem vem a ser o exercício

ativo das faculdades da alma de conformidade com a excelência, e se há mais de uma excelência, de conformidade com a melhor e mais completa entre

elas. Mas devemos acrescentar que tal exercício ativo deve estender-se por toda a vida, pois uma andorinha

da mesma forma um dia só, ou um

não faz verão (

certo lapso de tempo, não faz um homem bem- aventurado e feliz (ARISTÓTELES, 2001, p. 24-25).

) (

);

Pressupondo que a felicidade é a finalidade de nossa vida, Aristóte- les preocupa-se em demonstrar que a vida humana possui em si uma finalidade, ou seja, uma função para a qual está dada. E, portanto, tal finalidade se objetiva dentro da função a que a vida acontece. Sendo assim, a felicidade resultará do atendimento a esta função. O que está pressuposto não é a felicidade em si mesma, mas a relação da mesma com a arte de viver, com o saber viver que estamos discutindo desde o início. Neste momento, cabe atentarmos para o modo como Aristóteles caracteriza a felicidade:

para o modo como Aristóteles caracteriza a felicidade: Parece que a felicidade, mais que qualquer outro

Parece que a felicidade, mais que qualquer

outro bem, é tida como este bem supremo, pois a escolhemos sempre por si mesma, e nunca por causa

de algo mais; mas as honrarias, o prazer, a inteligência e todas as outras formas de excelência, embora as

escolhemo-las por causa

da felicidade, pensando que através delas seremos felizes. Ao contrário, ninguém escolhe a felicidade por causa das várias formas de excelência, nem, de um modo geral, por qualquer outra coisa além dela mesma. (ARISTÓTELES, 2001. p. 23).

escolhamos por si mesmas (

) (

),

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Aristóteles fundamenta a ética — a arte de bem viver

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Aristóteles fundamenta a ética — a arte de bem viver — tendo como refe- rência primordial o papel do homem, ou seja, da vida humana, pois não se trata da vida de um homem e sim do ser humano em geral. Com base nisso, o filósofo aponta para a felicidade como sendo a busca, em si mesma, da vida humana, ou seja, o bem supremo a que toda arte, indagação, ação e propósito o qual devam ter em vista. Devemos atentar para a Ética a Nicômacos, lugar onde Aristóteles discute as condições necessárias para ser feliz.

Devemos observar que cada uma das formas

de excelência moral, além de proporcionar boas condições à coisa a que ela dá excelência, faz com que esta mesma coisa atue bem; por exemplo, a excelência dos olhos faz com que tanto os olhos quanto a sua atividade sejam bons, pois é graças à excelência dos olhos que vemos bem. De forma idêntica a excelência de um cavalo faz com que ele seja ao mesmo tempo bom em si e bom para correr e levar seu dono e para sustentar o ataque do inimigo. Logo, se isto é verdade em todos os casos, a excelência moral do homem também será a disposição que faz um homem bom e o leva a desempenhar bem a sua função. (ARISTÓTELES, 2001, p. 41).

) (

O termo excelência utilizado por Aristóteles é corriqueiramente entendido também por virtude. Há duas espécies de excelência: a intelectual e a moral. A intelectual nasce e se desenvolve com a instrução, ou seja, com o processo educativo e formativo. Por isso, desenvolve-se com o tempo e a experiência. É o que de certa forma estamos fazendo desde que iniciamos nossa vida escolar e que vai se aprimorando à medida que nos dedicamos mais aos estudos. Cada um de nós pode perceber o quanto se aprimorou desde o dia em que esteve pela primeira vez em uma sala de aula. Já a excelência moral é produto do hábito, é tudo aquilo que podemos alterar pelo hábito.

Virtude: etimologicamente, a

palavra virtude deriva do latim

virtus, que significa a qualidade

própria da natureza humana. De

modo geral, a expressão virtude

designa, atualmente, a prática

constante do bem,

correspondendo ao uso da

liberdade com responsabilidade. O

oposto da virtude é o vício, que

consiste no hábito de praticar o

mal, correspondendo ao uso da

liberdade sem responsabilidade.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade IMPORTANTE: Então a excelência moral é adquirida através da

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

IMPORTANTE: Então a excelência moral é adquirida através da prática, assim como as artes. Por

IMPORTANTE:

Então a excelência moral é adquirida através da prática, assim como as artes. Por exemplo: você toca violão na medida em que passa a praticar e quanto mais tempo praticar, maior será sua habilidade e chances de se tornar um exímio tocador. Por que o desenvolvimento da excelência moral é tão importante para nós? Porque está relacionada com as ações e emoções, que por sua vez estão relacionadas com o prazer ou sofrimento e, por isso, a excelência moral se relaciona com os prazeres e sofrimentos. Pode-se dizer que a excelência moral é a capacidade que vamos desenvolver para lidar com nossas emoções e ações na relação direta com o prazer e o sofrimento. E disso resultará o bom uso que faremos ou não do prazer e do sofrimento.

Para Aristóteles (2001, p. 38), “toda a preocupação, tanto da excelência moral quanto da ciência política, é com o prazer e com o sofrimento, porquanto o homem que os usa bem é bom e o que os usa mal é mau”. Mas o fato de a excelência estar relacionada ao domínio que fará do prazer e sofrimento implica em que a excelência é o que garantirá atingir o alvo do meio-termo. Isto porque em relação as nossas ações e emoções há excesso, falta e meio-termo. Portanto, “a excelência moral é o que fará com que se busque sempre atingir o meio termo” (Cf. TUNGENDHAT, 1997).

Vamos retomar o que o filósofo entende por disposição de caráter para que possamos entender o que seja a excelência moral ou virtude do homem. Ora, disposições de caráter são “os estados de alma em virtude dos quais estamos bem ou mal em relação às emoções” (ARISTÓTELES, 2001, p. 40). Isto nada mais seria que a nossa disposição em relação às coisas, ou melhor, como sentimos, encaramos a realidade que nos cerca, com certo grau de intensidade e ou indiferença.

Por exemplo, pode-se sentir medo, confiança, desejos, cólera, piedade, e de um modo geral prazer e sofrimento, demais ou muito pouco e, em ambos os casos, isto não é bom; mas experimentar estes sentimentos no momento certo, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa, é o meio-termo e o melhor, isto é, característico da excelência. (ARISTÓTELES, 2001, p. 41-42).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Fala-se que a excelência moral é o desenvolvimento de hábitos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Fala-se que a excelência moral é o desenvolvimento de hábitos que nos farão escolher nossas ações e emoções, que são marcadas pelo excesso, falta e meio- termo. Mas o que é o “meio-termo” para Aristóteles?

De tudo que é contínuo e divisível é possível tirar uma parte maior, menor ou igual, e isto tanto em termos da coisa em si quanto em relação a nós; e o igual é um meio termo entre o excesso e a falta. Por “meio termo” quero significar aquilo que é equidistante em relação a cada um dos extremos, e que é único e o mesmo em relação a todos os homens; por “meio termo em relação a nós” quero significar aquilo que não é nem demais nem muito pouco, e isto não é único nem o mesmo para todos” (ARISTÓTELES, 2001. p. 41).

Portanto, a busca é pelo “meio-termo”, ou seja, o equilíbrio entre o excesso e a falta. Encarar este equilíbrio é o desafio e enfrentamento diante de cada ação e emoção. É por isso que a formação da excelência moral é uma busca constante e depende da capacidade racional, pois exige a todo o momento reflexão e escolha. A mediania não é algo pronto e dado, mas escolhido e que precisa ser entendido para que se chegue a atingi-la.

Ao estudar o pensamento de Aristóteles, percebermos facilmente que a virtude do homem está relacionada às escolhas que cada um faz. Essas escolhas não no sentido de querer ou não um ou outro objeto, mas escolhas no sentido de nossa racionalidade (da nossa razão), ou seja, de agirmos de uma ou outra forma. São esco- lhas que orientam o nosso agir e que estão ligadas ao que dissemos já no início, a arte de bem viver. Para Aristóteles, o homem só pode viver na pólis, cidade grega, e isto por ser, por natureza, um animal político, ou seja, que vive na pólis, portanto, em sociedade, pois seu agir não é isolado ou solitário, mas é sempre um agir em relação ao outro (Cf. ROOS, 1987).

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sociedade, pois seu agir não é isolado ou solitário, mas é sempre um agir em relação
Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Ora, se nossa vida ocorre em sociedade e nossas ações

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Ora, se nossa vida ocorre em sociedade e nossas ações se dão em relação ao outro com quem convivemos, como ser virtuoso? O que Aristóteles nos aponta como meio de atingirmos a virtude, haja vista que somos marcados por escolhas e desde que nos levantamos pela manhã até nos deitarmos à noite? Ora, a excelência moral se relaciona com as emoções e as ações, nas quais o excesso é uma forma de erro, tanto quanto a falta, enquanto o meio-termo é louvado como um acerto; ser

louvado e estar certo são características da excelência moral. A excelência moral,

portanto,

(ARISTÓTELES, 2001).

É adequado destacar que a ética aristotélica não se apresenta de forma alguma como algo imperativo, ou seja, “faça isto”, não “faça aquilo”. O que está em questão é a opção a cada um de nós para que façamos as escolhas e sejamos assim sujeitos de nossos próprios atos e escolhas. Sendo assim, não há uma verdade preestabelecida e que nos cabe apenas segui-la, sem reflexão ou questionamento.

Assim nos deparamos com a necessidade de, a cada ação, fazer a escolha e o desafio é o de fazer a escolha certa. É, portanto, mais difícil, pois exige de nós uma atitude ativa e não simplesmente passiva diante da vida e das coisas e escolhas que nos cercam. Veja como poder escolher e, portanto, poder errar é sempre o que acaba por inibir as pessoas. Precisamos refletir e desenvolver nossa capacidade de análise da realidade, pois isso depende exclusivamente de nós. E como o mundo que nos cerca é também o mundo das relações humanas, saber escolher é um desafio constante e que diante das escolhas que fizermos não há retrocesso. Para o pensamento aristotélico, tudo isso diretamente relacionado com o fato de eu viver na pólis, ou seja, “viver em sociedade”.

é

algo

como

a

equidistância,

pois

(

)

seu alvo é o meio-termo.

IMPORTANTE: Para o mundo grego, a ética e a política estão juntas, pois entendem que

IMPORTANTE:

Para o mundo grego, a ética e a política estão juntas, pois entendem que a comunidade social é o lugar necessário para a vivência ética. O homem só pode viver e buscar sua finalidade, que para Aristóteles é a felicidade, na

comunidade social, pois é um animal político, ou seja, social. Portanto, não pode o homem levar uma vida moral como indivíduo isolado, pois vive e é membro de uma comunidade. E como a vida moral não é um fim em si mesmo, mas um meio para se alcançar a felicidade, não se pensa a ética fora dos limites das relações sociais, ou seja, não se pressupõe a ética sem a política. É por isso que, segundo

Savater (2002, p. 16), “(

política de idiotés, palavra que significava pessoa isolada, sem nada a oferecer às demais, obcecada pelas mesquinharias de sua casa e, afinal de contas, manipulada por todos”.

)

os antigos gregos chamavam quem não se metia em

57

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Você compreendeu como a questão da felicidade em Aristóteles é

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Você compreendeu como a questão da felicidade em Aristóteles é um tema relevante na sua reflexão sobre a ética? Vejamos, a seguir, como a amizade é também um problema ético e moral na reflexão aristotélica.

A amizade como um problema ético-moral

A amizade foi também motivo de investigação em Aristóteles em Ética a Nicômacos. Este, nos livros IX e X, discorre de forma minuciosa e exaustiva sobre o tema. Para Aristóteles, a amizade parece também manter as cidades unidas, e parece que os legisladores se preocupam mais com ela do que com a justiça; efetivamente a concórdia parece assemelhar-se à amizade, e eles procuram assegurá-la mais do que tudo, ao mesmo tempo em que repelem tanto quanto possível o facciosismo, que é a inimizade nas cidades. Quando as pessoas não têm necessidade de justiça, mesmo quando são justas, elas necessitam da amizade; considera-se que a mais autêntica forma de justiça é uma disposição amistosa.

A amizade não é somente necessária diz o filósofo; “ela também é nobilitante, pois louvamos as pessoas amigas de seus amigos, e pensamos que uma das

coisas mais nobilitantes é ter muitos amigos; além disto, há quem diga que a bondade e a amizade se encontram nas mesmas pessoas” (Aristóteles, 2001, p. 153-154).

Nobilitante: aquele que nobilita, ou seja, aquele que se torna nobre ou engrandecedor.

Aristóteles apresenta a amizade como fundamental para a união das cidades e dos povos. A inimizade entre as cidades e países gera conflitos e guerras, por isso a preocupação dos legisladores em evitar que haja divisões. Para entender melhor a questão da amizade como uma questão ética é preciso ter claro o que Aristóteles pressupõe, ou seja, os valores que fundamentam e dão sustentação à amizade. A “amizade perfeita”, que poderíamos aqui denominar de “correta”, ocorre entre pessoas boas e inexiste a calúnia, pois há confiança e sinceridade, já que pessoas boas gostam do que é bom. Por que Aristóteles diz isso?

calúnia, pois há confiança e sinceridade, já que pessoas boas gostam do que é bom. Por

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Por entender que:

Por entender que: Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade aquilo que é irrestritamente bom e agradável parece

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

aquilo que é irrestritamente bom e agradável

parece ser estimável e desejável, e para cada pessoa o

bom ou o agradável é aquilo que é bom ou agradável

para ela; e uma pessoa boa é desejável e estimável para

outra pessoa por ambas estas razões (

tornando-se amiga, torna-se um bem para seu amigo” (ARISTÓTELES, 2001, p.159).

) a pessoas boas,

“(

)

Então a amizade para Aristóteles está diretamente ligada à bondade. E a bondade é algo agradável e desejável e, por isso, torna-se busca para as pessoas boas.

Mas o que nos torna bons, segundo Aristóteles, é o fato de agirmos de forma

certa, buscando em tudo o equilíbrio em nossas ações e diante de nossas emoções.

A amizade está relacionada a esta ação, equilíbrio por ter como características e

causas a boa disposição e a sociabilidade, pois “(

as pessoas boas são ao mesmo

tempo agradáveis e úteis”. (ARISTÓTELES, 2001, p. 160).

)

Ao mesmo tempo em que Aristóteles apresenta as características e causas da amizade e as afirma nas pessoas boas, procura destacar que nem sempre as pessoas estão em igualdade de situação nas relações de amizade. Ele passa a relacionar as espécies de amizade em que há a superioridade de uma das partes.

São os casos de amizade entre pai e filho, pessoas idosas e jovens, marido e mulher

e, em geral, entre quem manda e quem obedece. São amizades que diferem entre

si, pois a excelência moral e suas funções, bem como as razões de envolvimento

os benefícios que cada parte

das pessoas são diferentes. Nestas amizades “(

recebe e pode pretender da outra não são os mesmos da outra”. (ARISTÓTELES, 2001, p. 161).

)

Sendo assim, nestes tipos de amizade o que ocorre é a diferença na proporcionalidade de amor que cada uma das partes recebe e tem para com a

outra. Então, se na justiça “(

proporcional ao merecimento”;

primordial e a proporcionalidade ao merecimento é secundária” (ARISTÓTELES,

) há um

grande desequilíbrio entre as partes em relação a excelência moral ou à deficiência moral ou à riqueza ou a qualquer outra coisa”. (ARISTÓTELES, 2001, p. 161).

a igualdade quantitativa é

o que é igual no sentido primordial é aquilo que é

)

na

amizade

“(

)

2001, p. 161). Segundo Aristóteles, isto é mais evidente em casos onde “(

59

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade A maioria das pessoas, por causa de sua ambição, parece

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

A maioria das pessoas, por causa de sua ambição, parece que prefere ser amada a amar, e é por isso que a maioria gosta de ser adulada; efetivamente, o adulador é um amigo de qualidade inferior, ou que tem a pretensão de ser amigo e quer estimar mais do que ser estimado; ser estimado é quase a mesma coisa que receber honrarias, e são a estas que a maioria das pessoas aspira. (ARISTÓTELES,

2001).

Pelo fato de haver proporcionalidade ao merecimento no caso da amizade ser secundário, já que há relações de amizade em que há superioridade de uma das partes, Aristóteles alerta que por ser comum as pessoas preferirem serem amadas a amarem, ou seja, serem aduladas, atraírem para junto de si amigos de qualidade inferior: o adulador.

IMPORTANTE:

Um outro conceito que Aristóteles apresenta relacionado à amizade é

que Aristóteles apresenta relacionado à amizade é a justiça. Afirma que entre amigos não há necessidade

a justiça. Afirma que entre amigos não há necessidade de justiça. Aristóteles

pressupõe a vida do homem na pólis, na cidade, por ser o homem um ser social. O

conceito de justiça está diretamente ligado à vida na pólis. Quando se fala da pólis é

preciso esclarecer que existem dois espaços: o da pólis – público — e o do oikos, da

casa, o privado. A amizade entre os cidadãos Aristóteles denomina concórdia. Se-

gundo ele, a amizade não é apenas necessária, mas também nobilitante, ou seja,

nobre, louvável. Conclui que a amizade e a bondade encontram-se nas pessoas que

são amigas de seus amigos. Antes de opinar sobre o que seja a amizade, Aristóteles

apresenta o que os estudiosos de sua época diziam, ou seja, alguns filósofos que o

antecederam ou foram seus contemporâneos (Cf. ROOS, 1987).

Mas não poucos aspectos da amizade são objeto de contestação. Alguns

estudiosos do assunto definem a amizade como uma espécie de semelhança entre as pessoas e dizem que as pessoas semelhantes são amigas — daí vem os

provérbios como “o semelhante encontra seu semelhante” (

achar uma explicação mais profunda e mais física para este sentimento. Eurípides, por exemplo, escreve: “A terra seca ama a chuva, e o divino céu pleno de chuva ama molhar a terra!” Heráclito, em contraste, diz: “Os contrários andam juntos”, “A

mais bela harmonia é feita de tons diferentes” e “Tudo nasce do antagonismo!” Outros sustentam um ponto de vista oposto a este, principalmente Empédocles, segundo o qual “o semelhante busca o semelhante” (ARISTÓTELES, 2001, p. 154).

Outros tentam

).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade De acordo com os intérpretes, segundo Aristóteles, basicamente dois

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

De acordo com os intérpretes, segundo Aristóteles, basicamente dois

princípios definem o sentimento amizade: o de Heráclito — “os contrários andam juntos” e o de Empédocles — “o semelhante busca o semelhante”. É preciso esclarecer que tanto Heráclito como Empédocles apresentam uma explicação física para a amizade. Independente de qual dos dois autores você tenha escolhido, para continuar é preciso posicionar-se em relação aos problemas que Aristóteles nos apresenta, após afirmar que em ambos os casos, Heráclito e Empédocles, a amizade é examinada como um problema

problemas relativos ao homem, per-

físico e que deve ser analisada como “(

tinentes ao caráter e aos sentimentos. (ARISTÓTELES, 2001, p. 154.).

)

Para responder aos questionamentos que havia levantado, Aristóteles começa

por afirmar que há várias espécies de amizade e “(

de amizades talvez possa ser esclarecida se antes chegarmos a conhecer o objeto do amor”. (ARISTÓTELES, 2001, p. 154). Também diz: “Parece que nem todas as coisas são amadas, mas somente aquelas que merecem ser amadas e estas são o que é bom, ou agradável, ou útil”. (ARISTÓTELES, 2001, p. 154).

a questão das várias espécies

)

Aristóteles assevera a existência de várias espécies de amizades e admite que as mesmas estejam relacionadas aos objetos de amor, ou seja, de que amamos o que é bom, ou agradável, ou útil e, portanto, a amizade vai estar relacionada a isso. É preciso lembrar que Aristóteles concebe o homem como algo que realmente é:

Ato; e algo que tende a ser: Potência. Então, o homem por meio de seus atos poderá ou não realizar o que é em potência. Isto irá ocorrer em busca de sua finalidade, isto é, a felicidade. Para isso, o homem dispõe da razão que lhe serve como guia, orientadora de suas ações. Por meio da razão o homem irá construir, desenvolver hábitos e formas de agir a partir da excelência moral, a virtude, que o possibilitará fazer as escolhas equilibradas para suas ações e emoções, ou seja, buscar a harmonia.

Portanto, quando Aristóteles refere-se à amizade, e que a amizade perfeita é a que se dá entre pessoas boas, é preciso saber que, para o filósofo grego, as pessoas não são boas em si mesmas, mas o bem e a bondade estão em potência nas pessoas, que poderão, a partir de suas escolhas, atingirem ou não. Aristóteles pressupõe a existência da amizade entre os diversos tipos de pessoas e diz que o que demonstra uma pessoa ser boa ou má é a excelência moral de suas ações. “A amizade perfeita é a existente entre as pessoas boas e semelhantes em termos de excelência moral” (ARISTÓTELES, 2001, p. 156).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Havendo então três motivos pelos quais as pessoas amam, a

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Havendo então três motivos pelos quais as pessoas amam, a palavra “amizade”

não se aplica ao amor às coisas inanimadas, já que neste caso não há reciprocidade

de afeição, e também não haverá o desejo pelo bem de um objeto (

relação a um amigo dizemos que devemos desejar-lhe o que é bom por sua causa.

Entretanto, àqueles que desejam o bem desta maneira atribuímos apenas boas intenções se o desejo não é correspondido; quando há reciprocidade, a boa intenção é a amizade. (ARISTÓTELES, 2001, p. 155). A amizade, segundo Aristóteles, pressupõe reciprocidade. É um sentimento específico para os nossos semelhantes, pois precisamos que nosso sentimento seja correspondido. É por isso que muitos intérpretes de Aristóteles e do pensamento grego afirmam que a amizade para os

gregos é o “(

)

mas em

)

que torna, entre si, semelhantes e iguais” (VERNANT, 1973).

para que as pessoas sejam amigas deve-se

constatar que elas têm boa vontade recíproca e se desejam bem reciprocamente”.

(ARISTÓTELES, 2001, p. 155). Havendo então três motivos pelos quais as pessoas amam, a palavra “amizade” não se aplica ao amor às coisas inanimadas, já que neste caso não há reciprocidade de afeição e também não haverá o desejo pelo

bem de um objeto (

mas em relação a um amigo dizemos que devemos desejar-

lhe o que é bom por sua causa. Entretanto, àqueles que desejam o bem desta maneira atribuímos apenas boas intenções se o desejo não é correspondido; quando há reciprocidade, a boa intenção é a amizade. (ARISTÓTELES, 2001, p. 155).

Então, segundo Aristóteles, “(

)

)

Existem espécies de amizade em que predomina a busca pelo útil ou agradável ou algo passageiro, segundo Aristóteles, pois é uma característica do ser, que ele chama de “acidente”, por se tratar de características que não são permanentes, pois a utilidade está sempre em mudança, pelo fato de ser o resultado de algum bem ou prazer. Este tipo de amizade, segundo Aristóteles, parece existir principalmente entre as pessoas idosas (nesta idade as pessoas buscam não o agradável, mas o útil) e, em relação às pessoas que estão em plenitude ou aos jovens, entre aqueles que buscam o proveito. Entre estas amizades se incluem os laços de família e de hospitalidade. (Cf. ARISTÓTELES,

2001.).

62

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Aristóteles afirma ainda que entre os jovens o motivo da

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Aristóteles afirma ainda que entre os jovens o motivo da amizade é o pra- zer, por viverem sob a influência das emoções e buscarem o que agradável, porém o prazer muda com a idade. Para tanto, o filósofo faz uma observação minuciosa das fases da vida e de como as emoções e o prazer são diferentes em cada uma delas. Não está, contudo afirmando ou declarando que não seja possível outro tipo de amizade nestas fases da vida, mas demonstrando o que lhes é mais comum.

A amizade perfeita é a existente entre as pessoas boas e semelhantes em termo de excelência moral. Neste caso, cada uma das pessoas quer bem à outra de maneira idêntica, porque a outra pessoa é boa, e elas são boas em si mesmas. Então as pessoas que querem bem aos seus amigos por causa deles são amigas no sentido mais amplo, pois querem bem por causa da própria natureza dos amigos e não por acidente. Logo, sua amizade durará enquanto estas pessoas forem boas e ser bom é uma coisa duradoura (ARISTÓTELES, 2001, p. 156).

Aristóteles apresenta em que consiste uma “amizade perfeita”. A “amizade perfeita” acontecerá entre pessoas boas e semelhantes em relação à virtude, ou seja, as que fazem a escolha adequada de suas ações e emoções e que querem o bem aos amigos por causa deles mesmos, da própria natureza dos amigos e não por ser agradável ou útil. Toda amizade é baseada no bem ou no prazer. Portanto, a baseada no bem só poderá ocorrer entre pessoas boas. Quando se fala em bem, considera-se a ética, pois pressupõe que o homem age sempre em busca de ser feliz e que conseguirá isto se buscar o bem, pois o seu contrário lhe acarretará a infelicidade.

As pessoas boas são aquelas que possuem uma vida orientada pela busca do agir ético, visam ao equilíbrio em suas ações e emoções. Então, quando a amizade é por prazer ou por interesse, mesmo duas pessoas más podem ser amigas, ou então uma pessoa boa e outra má, ou uma pessoa que não é nem boa nem má pode ser amiga de outra qualquer espécie; mas pelo que são em si mesmas é óbvio que somente pessoas boas podem ser amigas. Na verdade, pessoas más não gostam uma da outra a não ser que obtenham algum proveito recíproco (ARISTÓTELES, 2001).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade De acordo com Ross (1987, p. 34), “Aristóteles fala da

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De acordo com Ross (1987, p. 34), “Aristóteles fala da amizade que se dá pelo prazer ou interesse e a que se dá pelo que as pessoas são em si mesmas. Considera que a que se dá por prazer ou interesse poderá existir entre as pessoas más”. Mas a amizade perfeita só poderá ocorrer entre as pessoas boas e semelhantes pelo fato de que amam a pessoa em si mesma. Você já deve ter ouvido muito o ditado popular: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Esse ditado popular é muito usado quando nos orientam a respeito de nossas amizades, de nossas com- panhias. Ele traduz o que nos ensina Aristóteles a respeito da amizade. Pois, podemos estar andando com pessoas más sem percebermos que o que em nós as atrai não é o que somos, mas o que lhes oferecemos ou temos a oferecer.

Compreendeu como Aristóteles apresenta o seu conceito de amizade? A seguir discutiremos como os filósofos La Boétie e Sartre compreendem um outro tema importante para a temática geral ética, isto é, a liberdade. Vamos lá!!

Pensando a liberdade: La Boétie e Sartre

Hannah Arendt, na obra Entre o passado e o futuro, apresenta-nos a indagação sobre que é liberdade?

Citemos a filósofa:

O campo em que a liberdade sempre foi conhecido, não como um problema, é claro, mas como um fato da vida cotidiana, é o âmbito da política. E mesmo hoje em dia, quer saibamos ou não, devemos ter sempre em mente, ao falarmos do problema da liberdade, o problema da política e o fato de o homem ser dotado com o dom da ação; pois ação e política, entre todas as capacidades e potencialidades da vida humana, são as únicas coisas que não poderíamos sequer conceber sem ao menos admitir a existência da liberdade, e é difícil tocar em um problema político particular sem, implícita ou explicitamente, tocar em um problema da liberdade humana. A liberdade, além disso, não é apenas um dos inúmeros problemas e fenômenos da esfera política propriamente dita, tais como a justiça, o poder ou a igualdade; a liberdade, que só raramente – em épocas de crise

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade ou de revolução – se torna o alvo direto da

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ou de revolução – se torna o alvo direto da ação política, é na verdade o motivo por que os homens convivem politicamente organizados. Sem ela, a vida política como tal seria destituída de significado. A raison d‘être da política é a liberdade, e seu do- mínio de experiência é a ação (ARENDT, 2003, p. 191-192).

Partindo desta citação de Hannah Arendt, comecemos a analisar a discussão de La Boétie. A obra Discurso da servidão voluntária, de Etienne de La Boétie, é de um momento histórico bastante distinto. O período em que ela surge e é divulgada é marcado pelo que denominam os historiadores da filosofia de “nova ordem social”. Trata-se de um período de ruptura dos antigos laços sociais de dependência social e das regras corporativas; promovem, portanto, a liberação do indivíduo e os empurram para a luta da concorrência com outros indivíduos, conforme as condições postas pelo Estado e pelo capitalismo. O sucesso ou o fracasso nessa nova luta dependeria de quatro fatores básicos: acaso, engenho, astúcia e riqueza. Para os pensadores renascentistas, a educação seria o fator decisivo.

Percebe-se que é um tempo em que as mudanças estão produzindo novas necessidades. É nesse contexto que é escrito o Discurso da servidão voluntária. É preciso atenção, sobretudo, para a questão da liberdade, pois ela age como princípio ético para a ação humana diante das circunstâncias por ele vivenciadas. La Boétie começa a discutir buscando entender porque os homens abrem mão de sua liberdade concedendo a um, no caso o rei, o direito de decidir e a todos comandar.

Segundo este:

Nossa natureza é de tal modo feita que os deveres comuns da amizade levam uma boa parte de nossa vida; é razoável amar a virtude, estimar os belos feitos, reconhecer o bem de onde recebemos, e muitas vezes diminuir nosso bem-estar para aumentar a honra e a vantagem daquele que se ama e que o merece. Em consequência, se os habitantes de um país en- contraram algum grande personagem que lhes tenha dado provas de grande providência para protegê-los, grande cuidado para governá-los, se doravante cativam-se em obedecê-lo e se fiam tanto nisso a ponto

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade de lhe dar algumas vantagens, não sei se seria sábio

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de lhe dar algumas vantagens, não sei se seria sábio tirá-lo de onde fazia o bem para colocá-lo num lugar onde poderá malfazer; mas certamente não poderia deixar de haver bondade em não temer o mal de quem só se recebeu o bem. (LA BOÉTIE, 2001, p. 12)

A questão que intriga La Boétie é o fato de os homens abrirem mão de sua

liberdade em benefício de outro. Pensa ser estranho até mesmo quando este outro é alguém que sempre tenha a todos feito o bem, tenha agido como amigo. Ao

da

e mesmo

assim (

bravura que a liberdade põe no coração daqueles que a defendem (

em todos os países, em todos os homens, todos os dias, faz com que um

homem trate cem mil como cachorros e os prive de sua liberdade?” (LA BOÉTIE,

2001, p. 14).

fazer uma análise ao longo da história, observou o fato de que apesar “(

)

),

)

Isto é tão ilógico e irracional para La Boétie que ele assim pergunta: “Quem acreditaria nisso se em vez de ver apenas ouvisse dizer?” (LA BOÉTIE, 2001, p. 14). O filósofo está falando diretamente a seus contemporâneos, procurando sensibilizá- los a lutar pela liberdade, a romperem com a servidão. Passa a indicar o que no seu entendimento faz com que os homens estejam sobre pesados jugos, afirmando que:

Portanto são os próprios povos que se deixam, ou melhor, se fazem dominar, pois cessando de servir estariam quites; é o povo que se sujeita, que se degola, que, tendo a escolha entre ser servo ou ser livre, abandona sua franquia e aceita o jugo; que consente seu mal – melhor dizendo, persegue-o. Eu não o exortaria se recobrar sua liberdade lhe custasse alguma coisa; como o homem pode ter algo mais caro que restabelecer-se em seu direito natural e, por assim dizer, de bicho voltar a ser homem? Mas inda não desejo nele tamanha audácia, permitindo-lhe que prefira não sei que segurança de viver miseravelmente a uma duvidosa esperança de viver à sua vontade. Que! Se para ter liberdade basta desejá-la, se basta um simples querer, haverá nação no mundo que ainda a

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade estime cara demais, podendo ganhá-la com uma única aspiração, e

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

estime cara demais, podendo ganhá-la com uma única aspiração, e que lastime sua vontade para recobrar o bem que deveria resgatar com seu sangue – o qual, uma vez perdido, toda a gente honrada deve estimar a vida desprezível e a morte salutar? (LA BOÉTIE, 2001, p.

14-15).

La Boétie afirma que são os próprios homens quem se fazem dominar, pois bastariam rebelar-se que teriam de volta a liberdade que lhes fora roubada. Nesse sentido, este trabalha com uma ideia revolucionária, que é o fato de atribuir ao povo, à população, o papel de sujeito da própria História. Por conseguinte, alerta para o fato de que se não o faz, talvez o seja pela segurança que sente sob o jugo do poder dos reis e príncipes. Porém, ao agir dessa forma, os homens vivem como se fossem bichos. E qual seria a causa de todas as mazelas que o homem sofre no seu dia-a-dia?

Segundo La Boétie:

A liberdade, todavia um bem tão grande e tão aprazível que, uma vez perdido, todos os males seguem de enfiada; e os próprios bens que ficam depois dela perdem inteiramente seu gosto e sabor, corrompidos pela servidão. Só a liberdade os homens não desejam; ao que parece não há outra razão senão que, se a desejassem, tê-la-iam; como se se recusassem a fazer essa; bela aquisição só porque ela é demasiado fácil. (LA BOÉTIE, 2001, p. 15).

O filósofo insiste na ideia de que se não temos liberdade é porque não a que- remos. E que todos os males que sofremos são decorrência de a havermos perdido

e, no entanto, não nos dispomos a recuperá-la. Para sermos felizes, segundo ele,

vivêssemos com os direitos que a natureza nos deu e com as

bastaria que “(

lições que nos ensina seriamos naturalmente obedientes aos pais, sujeitos à razão e servos de ninguém” (LA BOÉTIE, 2001, p. 17).

)

67

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade IMPORTANTE: Pressupondo que é de nossa própria natureza ser livre,

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

IMPORTANTE: Pressupondo que é de nossa própria natureza ser livre, La Boétie rejeita a tese

IMPORTANTE:

Pressupondo que é de nossa própria natureza ser livre, La Boétie rejeita a tese de que uns sejam mais felizes do que outros, como alguns teóricos da “Teoria do direito divino”, que pressupunham que o rei e a família real eram mais em dignidade que o restante dos homens, o que justificava a obediência e reverência a eles prestadas. Por isso, procura de forma contundente denunciar o marasmo diante da servidão. De acordo com este: “É incrível como o povo, quando se sujeita, de repente cai no esquecimento da franquia tanto e tão profundamente que não lhe é possível acordar para recobrá-la, servindo tão francamente e de tão bom grado que ao considerá-lo dir-se-ia que não perdeu sua liberdade e sim ganhou sua servidão” (LA BOÉTIE, 2001, p. 20).

Embora fale para o conjunto da população, como os que detêm o poder em relação a rebelar-se contra o jugo da servidão, La Boétie tem o cuidado de distinguir entre aqueles que jamais conheceram a liberdade. Pode-se aqui entender a população a quem sempre foi negado tais direitos, daqueles que tornam o povo objeto de tirania:

Por certo não porque eu estime que o país e a terra queiram dizer alguma coisa; pois em todas as regiões, em todos os ares, amarga é a sujeição e aprazível ser livre; mas porque em meu entender deve- se ter piedade daqueles que ao nascer viram-se com o jugo no pescoço; ou então que sejam desculpados, que sejam perdoados, pois não tendo visto da liberdade se- quer a sombra e dela não estando avisados, não percebem que ser escravos lhes é um mal. (LA BOÉTIE, 2001, p. 23).

Com efeito, o filósofo procura ser mais enfático ao falar daqueles que são instrumentos da tirania:

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Vendo, porém essa gente que gera o tirano para se

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Vendo, porém essa gente que gera o tirano para se encarregar de sua tirania e da servidão do povo, com frequência sou tomado de espanto por sua maldade e às vezes de piedade por sua tolice. Pois, em verdade, o que é aproximar-se do tirano senão recuar mais de sua

liberdade e, por assim dizer, apertar com as duas mãos

e abraçar a servidão? Que ponham um pouco de lado

sua ambição e que se livrem um pouco de sua avareza,

e depois, que olhem-se a si mesmos e se reconheçam; e

verão claramente que os aldeões, os camponeses que espezinham o quanto podem e os tratam pior do que a forçados ou escravos – verão que esses, assim maltratados, são no entanto felizes e mais livres do que eles” (LA BOÉTIE, 2001, p. 33).

Realmente, você concorda que a posição de La Boétie é tão atual? Não é interessante o seu ponto de vista sobre a questão da liberdade? A sua discussão poderia perfeitamente caber na nossa época atual? Bem, reflita sobre estas indagações em seguida, pois discutiremos agora o que Sartre propõe como debate sobre a liberdade. Vamos lá!

Primeiramente, cabe ressaltar que Sartre preocupa-se em esclarecer que há dois tipos de existencialismo, o cristão, que tem como representantes Jaspers e

Gabriel Marcel do o “existencialismo ateu”, que tem como representante Martin Heidegger, os “existencialistas franceses” e o próprio Sartre. O que há em comum

entre os existencialistas cristãos e ateus é “(

existência precede a essência. (SARTRE, 2004, p. 4-5). Isso significa que, diferente dos filósofos anteriores, sobretudo, da filosofia do século XVIII, os existencialistas não aceitam o fato de o homem possuir uma natureza humana. Por sua vez, o “existencialismo ateu”, do qual Sartre é um dos mentores, fundamenta a inexistência de uma natureza humana pelo fato de afirmarem a inexistência de Deus.

o fato de considerarem que a

)

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Sobre isto, reflete Sartre:

Sobre isto, reflete Sartre: Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Se Deus não existe, há pelo menos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Se Deus não existe, há pelo menos um ser no

qual a existência precede a essência, um ser que existe

antes de poder ser definido por qualquer conceito: este

ser é o homem (

mo, surge no mundo e só posteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada:

o homem existe, encontra a si mes-

) (

)

só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo (SARTRE, 2004, p. 5-6).

Para o existencialismo, o homem ao nascer não está definido, mas irá através

de sua existência fazer-se homem. Quando nasce, diferente dos demais animais, o homem tem em suas mãos o que poderá tornar-se. Como afirma Silva “( ) liberdade implica que posso sempre ser um outro projeto, porque nenhuma

escolha é em si justificada”. Sendo que “(

nenhuma escolha decidirá sobre a

própria liberdade, porque não posso escolher ser livre” (SILVA, 2004, p. 144).

)

Sartre alerta para o fato de que mesmo que a escolha seja subjetiva, ou seja, individual, o homem está sempre relacionado aos limites da pró- pria realidade humana. Assim, escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos. Se, por outro lado, a existência precede a essência, e se nós queremos existir ao mesmo tempo em que moldamos nossa imagem, essa imagem é válida para todos e para toda a nossa época. (SARTRE, 2004, p. 6-7).

todos e para toda a nossa época. (SARTRE, 2004, p. 6-7). Para Borheim (2000), a realidade,

Para Borheim (2000), a realidade, a existência de cada um de nós se dá inserida nos limites da subjetividade humana. O ser humano ao mesmo tempo em que é

indivíduo, torna-se e realiza-se enquanto ser através da sua relação com os demais de sua espécie e, portanto, as escolhas que faz são escolhas que engajam toda a

humanidade. Entretanto, “(

essa escolha de ser, como todas as que poderiam ser

feitas, está sempre em questão, porque a realidade humana é uma questão:

nenhuma resolução, nenhuma deliberação assegura a persistência da escolha”. (SILVA, 2004, p. 145). É importante destacar que a ética sartreana fundamenta-se no

)

70

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade valor e na responsabilidade. Desse modo, instituir valores é

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

valor e na responsabilidade. Desse modo, instituir valores é implicitamente negar valores, pois devo optar por um único critério e, quando o faço, os outros não permanecem como virtualidades positivas, mas se desvanecem como não-valores.

É nesse sentido que a universalidade está implicada na instituição do valor

imanente à escolha: só posso escolher um negando os outros e então aquele que escolho torna-se universal; naquele momento, ele é o único capaz de orientar a minha escolha, porque foi essa própria escolha que o posicionou como único. A “radicalidade” da escolha não permite que a instituição de um valor conserve uma pluralidade possível: ela anula todos os outros critérios. (SILVA, 2004, p. 147).

O que, na realidade, Silva busca alertar é para o fato de que não há um valor

em absoluto e que a cada escolha, ao instituir-se valores, ocorre a anulação dos demais critérios utilizados anteriormente. Na discussão da responsabilidade, e

tendo claro que “(

possível não escolher, não é possível não assumir responsabilidade pelas escolhas”. (SILVA, 2004, p. 150-151).

não é

)

toda decisão é sempre decisão de criar valores (

)

Nesse sentido, é interessante discutir a questão histórica de responsabilidade do cidadão alemão comum com o Holocausto. É o que afirma o historiador Michael Marrus, quando afirma que: “Assim, temos apenas uma ideia muito vaga das relações entre a política antijudaica nazista e a opinião pública. Embora haja uma crença disseminada de que o antissemitismo fazia parte da força de coesão ideológica do Terceiro Reich, mantendo unidos elementos opostos da sociedade alemã, os historiadores não foram capazes de identificar um impulso assassino fora da liderança nazista”.

Eu argumentei que as variedades populares de antissemitismo, sozinhas, nunca foram fortes o suficiente para apoiar a perseguição violenta na era moderna. No caso de certos grupos, como o alto comando da Wehrmach, é muito provável que as predisposições antijudaicas tenham facilitado sua colaboração efetiva no genocídio. Em outros casos, “a indiferença ou a superficialidade parecem ter sido mais comuns — o que é suficientemente chocante quando vemos horrores do Holocausto, mas de fato isto é muito diferente de um incitamento ao assassinato em massa” (MARRUS, 2003, p. 180-181).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade A discussão historiográfica mais recente busca entender como se

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

A discussão historiográfica mais recente busca entender como se comportava

a população alemã diante do genocídio. Há alguns historiadores que responsabilizam a população alemã pelo fato de ter se comportado de forma indiferente ao que ocorria. Contudo, a posição do historiador Michael Marrus é de que apesar de sua indiferença não é possível responsabilizá-la.

É interessante destacar que toda essa discussão histórica tem uma forte

conotação ética por se tratar de valorar as ações dos homens diante de um acontecimento considerado hediondo, pelo fato de estender a responsabilidade a toda a população e ter saído do corriqueiro que é atribuir apenas aos governantes

e aos que estavam a serviço do poder, mas também ao cidadão comum que se

portou de forma indiferente ao que ocorria em sua pátria naquele momento. Para Sartre, o homem é liberdade.

Como entender essa afirmação? Entende-se que não há certezas e nem

modelos que possam servir de referência, cabe ao homem inventar o próprio homem e jamais esquecer-se que é de sua responsabilidade o resultado de sua invenção. Pelo fato de ser livre é o homem quem faz suas escolhas e que ao fazê- las, torna-se responsável por elas. É por isso que: o existencialista declara repetidamente que o “homem é angústia”. Tal afirmação significa o seguinte: o homem que se engaja e que se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo

e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade. (SARTRE, 2004).

O conceito angústia está relacionado ao binômio: liberdade versus res- ponsabilidade. Faço as escolhas e ao fazê-las sou eu, exclusivamente eu, o único responsável por elas. A angústia é o sentimento de cada homem diante do peso de sua responsabilidade, por não ser apenas por si mesmo, mas por todas as consequências das escolhas feitas. Com a angústia, há um outro sentimento que é fruto também da liberdade: o desamparo. É preciso lembrar que o conceito de angústia foi desenvolvido pelo filósofo Kierkegaard e o conceito de desamparo, pelo filósofo Heidegger (Cf. BORHEIM, 2000).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade O existencialista, pelo contrário, pensa que é extremamente incômodo

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

O existencialista, pelo contrário, pensa que é extremamente incômodo que

Deus não exista, pois, junto com ele, desaparece toda e qualquer possibilidade de encontrar valores num céu inteligível; não pode mais existir nenhum bem a priori, já que não existe uma consciência infinita e perfeita para pensá-lo; não está escrito em nenhum lugar que o bem existe, que devemos ser honestos, que não devemos mentir, já que nos colocamos precisamente num plano em que só existem homens. Dostoiévski escreveu: ‘”Se Deus não existisse, tudo seria permitido” (SARTRE, 2004, p. 9).

O

desamparo se dá pelo fato de o homem saber-se só. É por isso que Sartre diz

que “(

)

o homem está condenado a ser livre”. (SARTRE, 2004, p. 9). Pois não há

nenhuma certeza, não há nenhuma segurança e tudo o que fizer é de sua irrestrita responsabilidade. De fato o homem, sem apoio e sem ajuda, está condenado a “( )

inventar o homem a cada instante”. (SARTRE, 2004, p. 9). Diante da constatação de

somos nós mesmos que escolhemos nosso ser”. (SARTRE, 2004, p. 12),

surge o outro sentimento: o desespero. O que marca o desespero é o fato de que só podemos contar com o que depende da nossa vontade ou com o conjunto de probabilidades que tornam a nossa ação possível. Quando se quer alguma coisa, há sempre elementos prováveis.

que “(

)

Posso contar com a vinda de um amigo. Esse amigo vem de trem ou de ônibus; sua vinda pressupõe que o ônibus chegue na hora marcada e que o trem não descarrilhará. Permaneço no reino das possibilidades, porém trata-se de contar com os possíveis apenas na medida exata em que nossa ação comporta o conjunto desses possíveis. A partir do momento em que as possibilidades que estou considerando não estão diretamente envolvidas em minha ação, é preferível desinteressar-me delas, pois nenhum Deus, nenhum desígnio poderá adequar o mundo e seus possíveis a minha vontade. Não posso, porém contar com os homens que não conheço, fundamentando-me na bondade humana ou no interesse do homem pelo bem-estar da sociedade, já que o homem é livre e que não existe natureza humana na qual possa me apoiar (SARTRE, 2004, p. 12).

Pelo fato de a realidade ir além, extrapolar os domínios de minha vontade e de minhas ações, o reino das possibilidades passa a evidenciar que minha ação deverá ocorrer sem qualquer esperança. O desespero é, portanto, o sentimento de que não há certezas e verdades prontas, é o sentimento de insegurança que impregna a vontade e o agir, pelo fato de ambos serem confrontados com o reino das possibilidades e apontarem para o limite a liberdade de cada indivíduo.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade o homem nada mais é do que o seu projeto;

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

o

homem nada mais é do que o seu projeto; só existe na

medida em que se realiza; não é nada além do conjunto

de seus atos, nada mais que sua vida (SARTRE, 2004, p.

13).

A realidade não existe a não ser na ação; (

)

Segundo Borheim (2000, p. 23), “uma vez que não existe para cada um senão

aquilo que faz, ou seja, o resultado de suas ações; a vida é, portanto, a somatória

dos próprios atos”. Sendo assim, Sartre destaca a ideia de que o homem é levado a

agir, pois é por meio do engajamento que direciona seus atos em relação aos

outros homens. Alerta Sartre que não se nasce herói, covarde ou gênio, mas é o engajamento que faz com que assim se torne. Isso se dá pelo fato de que:

se bem que seja impossível encontrar em cada

homem uma essência universal que seria a natureza humana, consideramos que exista uma universalidade humana de condição. Não é por acaso que os pensadores contemporâneos falam mais frequentemente da condição do homem do que de sua natureza. Por condição, eles entendem, mais ou menos claramente, o conjunto dos limites a priori que esboçam a sua situação fundamental no universo (SARTRE, 2004, p. 16).

) (

IMPORTANTE:

Ao falar da condição do homem, Sartre apresenta o que delimita o

da condição do homem, Sartre apresenta o que delimita o agir. Portanto, para este cada um

agir. Portanto, para este cada um enfrentará os limites de sua própria

existência que está dada em sua condição e diante da qual “(

em certo sentido, porém o que não é possível é não escolher. Eu posso sempre escolher, mas devo estar ciente de que, se não escolher, assim mesmo estarei escolhendo.” (SARTRE, 2004, p. 17). É interessante que as escolhas são ativas ou passivas e a responsabilidade pesa sobre elas, seja qual delas for. É verdade no sentido em que, cada vez que o homem escolhe o seu engajamento e o projeto com toda a sinceridade e toda a lucidez, qualquer que seja, aliás, esse projeto, não é possível preferir-lhe um outro; é ainda verdade na medida em que nós não acreditamos no progresso; o progresso é uma melhoria; o homem permanece o mesmo perante situações diversas e a escolha é sempre uma escolha numa situação determinada (SARTRE, 2004, p. 18).

a escolha é possível,

)

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade É o homem quem escolhe seu engajamento e isto, segundo

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

É o homem quem escolhe seu engajamento e isto, segundo Sartre, “jamais mudará”. É por isso que o filósofo preocupa-se em dizer que não há a ideia de progresso em relação ao homem, já que o mesmo sempre estará diante da escolha de seu engajamento. Talvez fique mais evidenciada a ideia de que o homem não é uma essência, pois não se trata de chegar a um ponto ou lugar determinado, antes o que resta a cada um é fazer sua escolha, a escolha que lhe for possível. Quando declara que a liberdade, através de cada circunstância concreta, não pode ter outro objetivo senão o de querer-se a si própria, quero dizer que, se alguma vez o homem reconhecer que está estabelecendo valores, em seu desamparo, ele não poderá mais desejar outra coisa a não ser a liberdade como fundamento de todos os valores. Isso não significa que ele a deseja abstratamente. Mas simplesmente, que os atos dos homens de boa fé possuem como derradeiro significado a procura da liberdade enquanto tal (SARTRE, 2004, p. 19).

Portanto, o valor máximo da existência humana é a liberdade. Mas a liberdade não é algo individual, ou seja, a nossa liberdade implica na dos outros. Apesar das circunstâncias é a liberdade o valor imprescindível da vida humana. O alerta que faz Sartre em relação à liberdade como fundamento de todos os valores é o de que:

Temos que encarar as coisas como elas são. E, aliás, dizer que nós inventamos os valores não significa outra coisa senão que a vida não tem sentido a priori. Antes de alguém viver, a vida, em si mesma, não é nada; é quem a vive que deve dar-lhe um sentido; e o valor nada mais é o que esse sentido escolhido. (SARTRE, 2004, p. 21).

O homem, pelo fato de ser livre e tornar-se homem, já que a existência precede a essência, depara-se com a situação de que a vida não possui sentido anteriormente dado. O sentido da vida é traçado a partir das escolhas que faz e através dos atos que realiza. Sendo assim, Sartre não aceita os demais humanismos, pois apresenta um sentido à vida humana como sendo uma meta, algo pronto e acabado ao qual cada indivíduo deva alcançar.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Existe uma universalidade em todo projeto no sentido em que

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Existe uma universalidade em todo projeto no sentido em que qualquer projeto é inteligível para qualquer homem. Isso não significa de modo algum que esse projeto defina o homem para sempre, mas que ele pode ser reencontrado. Temos sempre a possibilidade de entender o idiota, a criança, o primitivo ou o estrangeiro, desde que tenhamos informações suficientes. Nesse sentido, podemos dizer que há uma universalidade do homem, porém ela não é dada, ela é permanentemente construída. (SARTRE, 2004, p. 16).

Uma das diferenças entre o humanismo divulgado pelo existencialismo está no fato de que há uma universalidade humana que é uma “construção do próprio homem”, contrária à afirmação de uma essência humana já que a mesma entende-se como algo dado, pronto e sempre o mesmo. Por não haver valores estabelecidos, o homem pode inventá-los e, ao fazê-lo, atribui sentido à própria vida. O humanismo do qual fala o existencialismo é o que permite que os homens, por meio da invenção de valores, criem a comunidade humana. Deve-se destacar o fato de que não há um modelo ou meta predeterminada, mas se dá por meio da própria ação dos homens (Cf. BORHEIM, 2000).

por meio da própria ação dos homens (Cf. BORHEIM, 2000). o homem é liberdade” depara-se com

o homem é liberdade” depara-se com o humanismo

proposto pelo existencialismo que entende que o homem não pode ser colocado como meta ou fim. É por isso, que mesmo havendo a meta, para os demais humanismos, Sartre a rejeita pelo fato de entender que é por meio de sua ação — engajamento —, o homem, por não haver valores estabelecidos, pode inventá-los e, ao fazê-lo, atribui sentido à própria vida. O humanismo do qual fala o existencialismo é o que permite que os homens por meio da invenção de valores criem a comunidade humana.

A afirmação de Sartre “(

)

De acordo com Silva (2004, p. 34)

) (

deve-se destacar o fato de que não há um

modelo ou meta predeterminada, mas se dá por meio da própria ação dos homens. Também, por entender que o homem não é uma meta, é impossível, para Sartre, admitir que o homem possa julgar o homem”.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Quando recusou o prêmio Nobel de literatura, o fez por

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Quando recusou o prêmio Nobel de literatura, o fez por entender que nin-

guém poderia valorar, ou seja, julgar a sua obra. Para o existencialismo, o

humanismo está dado na realização da própria vida, em que por meio das escolhas

e diante das circunstâncias e condições o homem realiza sua existência por meio

da liberdade.

O problema da liberdade é verdadeiramente uma questão intrigante e atual.

Espero que você tenha aprendido sobre esta problemática de forma tranquila e segura, pois não é tão difícil como aparenta ser.

SUGESTÃO DE FILME

 
SUGESTÃO DE FILME  

Pegue seu caderno de anotações, sente-se e assista ao filme A Dona

da História de Daniel Filho. Ele contextualizará melhor ainda o conteúdo

que você acabou de estudar.

 

LEITURA COMPLEMENTAR

 
LEITURA COMPLEMENTAR  

Visando enriquecer seu processo de aprendizagem procure efetuar a leitura complementar dos seguintes textos:

ARISTÓTELES (Tradução de Mário da Gama Kury). Ética a Nicômacos. 4ª ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília - UNB, 2001. 240p.

ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. 5ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2003.

350p.

BORHEIM, G. A. Sartre. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000. 320p.

 

LA BOETIE. E. Discurso da Servidão Voluntária. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001. 455p.

TUNGENDHAT, E. Lições sobre ética. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1997. 432p.

VAZQUEZ, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. 304p.

 

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e Pensamento entre os gregos. 28ª ed. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 2005. 400p.

MARRUS, M.

R.

A

assustadora

história

do

Holocausto.

Rio

de

Janeiro:

Ediouro, 2003. 340p.

 

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo . São Paulo:

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Brochura, 2004. 257p.

SAVATER, F. Ética para meu filho. São Paulo: Martins Fontes, 2002. 189p.

SILVA, F. L. Ética e Literatura em Sartre: ensaios introdutórios. São Paulo:

UNESP, 2004. 264p.

É HORA DE SE AVALIAR! Lembre-se de realizar as atividades propostas no caderno de exercícios!
É HORA DE SE AVALIAR!
Lembre-se
de
realizar
as
atividades
propostas
no
caderno
de
exercícios! Elas são fundamentais para ajudá-lo a fixar o conteúdo teórico
trabalhado, a sistematizar as ideias e os conceitos apresentados, além de
proporcionar a sua autonomia no processo ensino-aprendizagem. Caso prefira,
redija suas respostas no caderno de exercícios e depois as envie através do nosso
ambiente virtual de aprendizagem (AVA).

Procure

interagir

permanentemente

conosco

e

utilize

todos

os

recursos

didáticos e pedagógicos disponibilizados com o objetivo de aprimorar a sua formação acadêmica.

Nesta unidade, procuramos fornecer alguns dos problemas norteadores da ética. Vimos a discussão sobre a problemática da liberdade, do determinismo e da responsabilidade nos filósofos La Boétie e Sartre. Também, buscou-se compreender as noções de felicidade amizade e virtude na reflexão filosófica de Aristóteles. Além disso, debatemos o que é ser virtuoso e o que é necessário para ser feliz, segundo a perspectiva de Aristóteles. Espero que você tenha desfrutado dessa discussão e tenha compreendido a relevância destes conceitos tão na nossa prática cotidiana. Na próxima unidade discutiremos a aplicação prática dos fundamentos da ética.

Bons estudos! Te vejo na próxima unidade!

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Exercícios - unidade 2

Exercícios - unidade 2 Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade “Para definir um , temos de ponderar,

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

“Para definir um

, temos de ponderar, avaliar, ajuizar, apreciar ou

estimar. Neste sentido, valorar implica uma avaliação e uma

Logo, toda

moral e toda ética se relacionam diretamente aos

,

que são avaliações e

apreciações seja da melhor forma de vida, seja da boa ou má ação”.

a) Valor – apreciação - instintos

b) Valor – apreciação - juízos

c) Humor – discriminação - instintos

d) Valor – apreciações - juízos

e) Humor – discriminação - instintos

2ª QUESTÃO: Marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas e assinale a alternativa CORRETA.

( ) Valorar é dar preferência ao que é melhor.

( ) Juízos são avaliações e apreciações da melhor ou pior forma de vida e da boa ou má ação.

( ) Alguns dos juízos éticos de valor são informativos.

a) V, V, F.

b) V, V, V.

c) F, V, F.

d) V, F, F

e) F, F, F.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 3ª QUESTÃO: É o homem quem escolhe seu engajamento e

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

3ª QUESTÃO: É o homem quem escolhe seu engajamento e isto, segundo Sartre,

“jamais mudará”. É por isso que o filósofo preocupa-se em dizer que não há a ideia

de progresso em relação ao homem, já que o mesmo sempre estará diante da

escolha de seu engajamento. Em relação a esta afirmativa, podemos afirmar que, para Sartre:

a)

o homem, pelo fato de ser livre e tornar-se homem, já que a existência sucede

a essência, depara-se com a situação de que a vida não possui sentido

anteriormente dado.

b)

o

homem, pelo fato de ser livre e tornar-se homem, já que a existência

precede a essência, depara-se com a situação de que a vida não possui sentido anteriormente dado.

c)

o

homem, pelo fato de não conseguir ser livre e tornar-se um animal, já que a

existência precede a essência, depara-se com a situação de que a vida não possui sentido anteriormente dado.

d)

o

homem, pelo fato de ser livre e tornar-se homem, já que a existência

precede a inconsistência, depara-se com a situação de que a vida possui um sentido anteriormente dado.

e)

o homem, pelo fato de ser livre e tornar-se homem, já que a essência precede

a existência, depara-se com a situação de que a vida não possui sentido

anteriormente dado.

4ª QUESTÃO: Para La Boétie é preciso atenção, sobretudo, para a questão da

liberdade, pois ela age como princípio ético para a ação humana diante das

circunstâncias por ele vivenciadas. Seguinte a esta sentença, é possível afirmar que:

a)

b)

c)

d)

e)

para La Boétie, os homens são escravos e a sua existência precede a sua essência.

a questão que intriga La Boétie é o fato de os homens abrirem mão de sua liberdade em benefício de um outro.

La Boétie afirma enfaticamente que a lei moral é um imperativo categórico.

a questão que intriga La Boétie é aquela que diz respeito ao profissionalismo religioso.

para La Boétie, a amizade é um fenômeno sagrado e impositivo.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 5ª QUESTÃO: Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

5ª QUESTÃO: Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche

CORRETAMENTE as lacunas do texto a seguir:

em que predomina a busca pelo útil ou agradável, ou

algo passageiro, segundo Aristóteles, pois é uma característica do ser, que

Aristóteles

permanentes, pois a utilidade está sempre em mudança, pelo fato de ser o resultado de algum bem ou prazer.”

a) espécies de moralidade - “acidente”

b) espécies de coragem - “lei moral”

c) espécies de amizade - “acidente”

d) espécies de coragem - “lei moral”

e) espécies de amizade - “imperativo”

, por se tratar de características que não são

Existem

chama

de

6ª QUESTÃO: Leia atentamente o texto a seguir:

“De tudo que é contínuo e divisível é possível tirar uma parte maior, menor ou igual, e isto tanto em termos da coisa em si quanto em relação a nós; e o igual é um

meio termo entre o excesso e a falta. Por “meio termo” quero significar aquilo que é equidistante em relação a cada um dos extremos, e que é único e o mesmo em relação

a todos os homens; por “meio termo em relação a nós” quero significar aquilo que não

é nem demais nem muito pouco, e isto não é único nem o mesmo para todos” (ARISTÓTELES, 2004. p. 41).

Com base na sua leitura podemos afirmar que:

a) para Aristóteles, a busca é pelo “meio-termo”, ou seja, o equilíbrio entre o excesso e a falta.

b) para Aristóteles, o “meio-termo” é a própria essência da felicidade.

c) para Aristóteles, a busca é pelo “meio-termo”, ou seja, o equilíbrio entre o processo e a falta.

d) para Aristóteles, o “meio-termo” é o meio para o fim da coragem.

e) para Aristóteles, o equilíbrio e a falta são termos metafísicos fora do alcance da infelicidade.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 7ª QUESTÃO: Dentre as alternativas a abaixo, qual delas é

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

7ª QUESTÃO: Dentre as alternativas a abaixo, qual delas é completamente FALSA?

a) Aristóteles fundamenta a ética — a arte de bem viver — tendo como refe- rência primordial o papel do homem, ou seja, da vida humana, pois não se tra- ta da vida de um homem e sim do ser humano em geral.

b) para Aristóteles, a felicidade é o resultado do saber viver.

c) para Aristóteles toda a preocupação, tanto da excelência moral quanto da ciência política, é com o prazer e com o sofrimento, porquanto o homem que os usa bem é bom e o que os usa mal é mau.

d) na obra Ética a Nicômacos é o lugar onde Aristóteles discute as condições necessárias para ser feliz.

e) o termo excelência utilizado por Aristóteles é corriqueiramente entendido também por coragem.

8ª QUESTÃO: Considere as afirmativas:

I. Para que haja conduta ética, é preciso que exista o agente consciente.

II. A consciência moral não só conhece tais diferenças, mas também se reconhece

como capaz de julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em conformidade com os valores morais.

III. A consciência moral manifesta-se, antes de tudo, na incapacidade para deliberar

diante de poucas possíveis, decidindo e escolhendo uma delas antes de lançar-se na ação.

IV. A consciência moral diz respeito a uma escuta coletiva que todos temos como seres irracionais e que às vezes faz com que sintamos remorso por ter agido de uma forma em vez de outra.

Assinale a alternativa verdadeira.

a) I e II são corretas; III e IV são falsas.

b) I e III são corretas; II e IV são falsas.

c) II e IV são corretas; I e III são falsas.

d) I e II são falsas; III e IV são corretas.

e) I, II e IV são falsas; III é correta.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 9ª QUESTÃO: O ato amoralmente válido subdivide-se em duas formas

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

9ª QUESTÃO: O ato amoralmente válido subdivide-se em duas formas fundamentais: o normativo e o fatual. Como se constitui o ‘ato normativo’?

10ª QUESTÃO: Todos os juízos éticos de valor são normativos, isto é, enunciam normas que determinam o “dever ser” de nossos sentimentos, nossos atos, nossos comportamentos. Com base no que você estudou nesta unidade, discorra sobre as especificidades dos juízos éticos de valor normativos.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 84

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade 3 Ética aplicada: a ética na empresa e nos negócios

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3 Ética aplicada: a ética na empresa e nos negócios

Pressupostos teóricos da ética empresarial: história e desenvolvimento.

Empresa ética e visão ético-empresarial.

A ética nos negócios ou negociando com ética: lucro x princípios morais.

O código de ética profissional: funções e limites.

negócios ou negociando com ética: lucro x princípios morais. O código de ética profissional: funções e

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Seja bem-vindo à terceira unidade de estudo. Na unidade anterior,

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Seja bem-vindo à terceira unidade de estudo. Na unidade anterior, você teve a oportunidade de estudar alguns dos temas mais recorrentes da ética, no plano tradicional da história da filosofia. O estudo daqueles temas foi fundamental para que você se sentisse confortável e seguro para entender o que estudaremos a partir desta unidade. Trata-se, portanto, de discutirmos a aplicação prática dos fundamentos da ética. Sendo assim, nesta unidade, ressaltaremos a aplicação da ética no plano das empresas e dos negócios. Uma abordagem estritamente fundamental para quem atua ou atuará no ramo da administração ou da contabilidade, assim como os que possuem interesse em compreender como procedem as relações éticas no âmbito empresarial em geral. Bom estudo!

Objetivos da unidade

Discutir a abordagem prática da ética no nível das organizações e nos negócios.

Compreender os aspectos éticos presentes nas relações comerciais ou nos negócios.

Discutir o código de ética e seus fundamentos.

Plano da unidade

Pressupostos teóricos

desenvolvimento.

da

ética

empresarial:

história

e

Empresa ética e visão ético-empresarial.

A ética nos negócios ou negociando com ética: lucro x princípios morais.

O código de ética profissional: funções e limites.

Bons estudos!

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Pressupostos teóricos da ética empresarial: história e desenvolvimento

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Pressupostos teóricos da ética empresarial:

história e desenvolvimento

Atualmente é notória a importância da ética no desenvolvimento das organizações, isto é, da postura que as empresas adotam para terem uma conduta ética e dos instrumentos de aplicação da mesma. Estas investem cada vez mais na criação de estruturas adequadas ao fortalecimento das relações éticas com os seus consumidores, fornecedores e a comunidade em que está inserida. Qualquer que seja a razão ou o motivo, tudo isto nos faz compreender que a ética é realmente um “ótimo negócio”!

Segundo Moreira (2002), o comportamento ético nos negócios é esperado e exigido por toda a sociedade, pois é a única forma de obtenção de lucro com respaldo moral ou ético. Por sua vez, Nash (2001) avalia que vários empresários vêm resgatando os valores morais compreendidos pela conduta ética nos negócios, tais como: honestidade, justiça, respeito pelos outros, compromisso cumprido, confiabilidade, entre outros. Para a autora, a aplicação da ética nos negócios consiste em um diferencial competitivo, que pode determinar a permanência da empresa no mercado tão competitivo. Mas o que é uma empresa? O que a caracteriza?

Considerando a empresa como uma “unidade econômica”, podemos dizer que, através dela, todo empresário utiliza os três fatores técnicos em relação à sua produção: a natureza, o capital e o trabalho. Estes fatores aliados suscitam um resultado bem definido, que é um serviço ou um bem ou até mesmo um direito. O bem, ou o serviço, ou o direito é, por sua vez, vendido ao mercado pelo preço mais adequado que este puder oferecer. Por conseguinte, a diferença entre o preço da venda e o custo da produção é o proveito monetário designado de lucro. Deste modo, defini-se uma empresa como uma organização cujo seu objetivo final é a garantia do lucro.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Nestes termos, a ética empresarial objetiva avaliar ou investigar as

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Nestes termos, a ética empresarial objetiva avaliar ou investigar as consequências do comportamento de uma empresa, isto é, de uma “unidade econômica” quando a sua ação está ou não em conformidade com os princípios morais e as regras do bem proceder aceitas pela coletividade nas quais está inserida. Por outro lado, a ética empresarial reflete e discute as normas e valores dominantes de uma empresa, também interroga pelos fatores qualitativos que fazem com que determinado agir seja um agir eticamente válido. Por outro lado, sob o prisma da ética aplicada, ela tem como meta estabelecer, através do acordo com as pessoas atingidas, pelo agir empresarial, normas materiais e processuais que foram postas em vigor na empresa como possuindo “caráter vinculante” (MOREIRA, 2002, p. 22).

Por fim, podemos ainda enfatizar que a ética empresarial ou organizacional pode ser apreendida como o “descobrimento e a aplicação dos valores e normas compartidos pela sociedade no âmbito da empresa ou organização, especificamente, no processo de tomada de decisões a fim de aumentar sua qualidade” (MOREIRA, 2002, p. 33). Pensando assim, a tarefa principal da ética empresarial consiste em elucidar o sentido e o fim da atividade empresarial e propor orientações e valores éticos específicos para alcançá-los. Com efeito, as decisões concretas ficam nas mãos dos sujeitos que são responsáveis por elas e, portanto, não “podem tomá-las sem considerar o fim que se persegue, os valores éticos orientadores, a consciência ética socialmente alcançada e os contextos e consequências de cada decisão” (TOFFLER, 1993, p. 34).

Cabe salientar que estas definições somente fazem sentido se tivermos em mente as características fundamentais da ética empresarial. Quais são estas características? Como se caracteriza a ética empresarial? Toffler (1993) destaca os seguintes pontos:

A ética empresarial não consiste em uma ética de convicção, mas sim de responsabilidade pelas consequências das decisões tomadas. No entanto, deve-se evitar extremos, pois aquele que pauta seu agir puramente pela ética da responsabilidade, sem convicções, pode transformar-se em um frio calculador de consequências”;

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Entende-se por ética de convicção a que prescreve ou proíbe

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Entende-se por ética de convicção a que prescreve ou proíbe determinadas

ações, incondicionalmente, como boas ou más em si, sem levar em conta as

condições em que devem realizar-se ou omitir-se ou, ainda, sem considerar as

consequências que podem advir de sua realização ou omissão. E por ética da

responsabilidade, a que ordena ponderar as consequências previsíveis das próprias decisões ou das circunstâncias em que ocorrem.

“Uma vez que a atividade empresarial tem uma função social que a

legitima, a empresa que esquece este aspecto não logra esta

legitimação. Desta forma, os consumidores são interlocutores válidos

e constitui-se uma exigência para a ética da empresa ter em conta seus interesses através de mecanismos de participação efetiva”;

“Os membros da empresa devem cumprir com suas obrigações e

“co-responsabilizarem-se” pelo andamento de suas atividades com a

cooperação, suplantando o conflito e a apatia”.

Com isso, pode-se concluir que, de acordo com Toffler, uma empresa ou organização que atua de forma eticamente adequada é a que persegue os objetivos pelos quais realmente existe, isto é, satisfazer as necessidades humanas e caracteriza-se fundamentalmente pela agilidade e iniciativa, pelo fomento da cooperação entre seus membros, pela solidariedade, pelo “risco racional” e pela “co-responsabilidade”. Contudo, todas estas evidências devem ocorrer dentro dos parâmetros da justiça, sem o qual a organização estaria em desacordo com os princípios éticos e morais da sociedade em que está inserida (TOFFLER, 1993, p. 56).

pressupostos

empresarial, vejamos alguns dos seus pressupostos históricos. Vamos lá?

Bem,

depois

dessa

breve

explanação

sobre

os

da

Ética

A evolução histórica da ética empresarial seguiu concomitantemente ao desenvolvimento econômico, histórico e social da nossa civilização. Este desenvolvimento concomitante fez surgir vários problemas. Você deve estar perguntando que problemas são estes? Bem, inicialmente, na economia baseada em “troca” das sociedades primitivas e antigas, não havia lucro e nem efetivamente o que hoje denominamos de empresa. Com efeito, o advento do conceito de lucro como finalidade das operações econômicas representou uma dificuldade para a moral e para a ética, assim como para o que hoje entendemos como empresa. Você deve estar se perguntando: como assim?

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Durante muito tempo, pensadores, intelectuais e estadistas debruçaram-se

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Durante muito tempo, pensadores, intelectuais e estadistas debruçaram-se a estudar apenas a “economia de troca”, na qual se assumiam valores idênticos para os bens comercializados. Em função disso, consideravam o lucro como um acréscimo indevido ou um “ato imoral” (contra a moral ou antiético). Todavia, no século XVII, Adam Smith demonstrou, na sua obra A Riqueza das Nações (1776), que o lucro não e um “acréscimo indevido” nem algo de imoral, mas um “vetor de distribuição de renda” e de “promoção do bem-estar social”. Com isso, Adam Smith logrou expor pela primeira vez a compatibilidade entre ética e a atividade lucrativa (Cf. TOFFLER,

1993).

Não obstante, a primeira tentativa formal de impor um comportamento ético a empresa foi encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII. Nela, foram expostos os princípios éticos fundamentais aplicáveis aos relacionamentos entre a empresa e seus empregados. Esses princípios valorizavam, sobretudo, o respeito aos direitos e a dignidade dos trabalhadores.

Em 1890, nos Estados Unidos, vigorou a lei denominada Sherman Act a qual passou a proteger a sociedade contra acordos entre empresas contrárias ou restritivas da livre concorrência. Ainda nos Estados Unidos, foi promulgada, no começo do século XX, a Lei Clayton, modificada na década de 30, mediante a emenda Pattman Robison. Essa lei complementou a Sherman Act, proibindo a prática de discriminação de preço por parte de uma empresa em relação aos seus clientes.

Por conseguinte, nas décadas seguintes, de 50 a 70 do século passado, os Estados Unidos permitiram que outras nações como Alemanha e Japão, por exemplo, crescessem sem quaisquer obstáculos, perdendo importantíssimas empresas para concorrentes estrangeiros. Os países de origem Alemã, na década de 60, começaram a incentivar debates sobre a ética nos negócios, com o objetivo de fazer do trabalhador um participante dos conselhos de administração das organizações ou das empresas.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Ainda na década de 60, tanto as faculdades de administração

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Ainda na década de 60, tanto as faculdades de administração e de negócios

nos Estados Unidos, iniciaram a inclusão em seus currículos o ensino da ética,

quando alguns filósofos e intelectuais deram suas contribuições aproximando suas

pesquisas com o ensino da ética. Como consequência imediata da aproximação e

aplicação do ensino da ética nas Universidades americanas, surge os primeiros

balbucios da Ética empresarial. Contrário aos Estados Unidos, na América Latina, o

desenvolvimento do estudo e da pesquisa da ética nos negócios ou nas empresas

iniciaram-se a partir dos esforços isolados de professores e pesquisadores

universitários, além das atividades subsidiárias das empresas multinacionais

instaladas em alguns países.

Com efeito, foi somente na segunda metade do século XX que o tema da ética empresarial de fato ganhou importância fora do meio acadêmico. Como exemplo, podemos citar o ano de 1972 quando a organização das nações unidas (ONU) realizou em Estocolmo, na Suécia, a conferência internacional sobre o meio- ambiente. Este evento serviu para alertar todos os segmentos sociais, inclusive as empresas, sobre a necessidade de se preservar a proteger o nosso planeta. Depois dessa conferência, quase todos os países do mundo adotaram ou reforçaram as suas leis, subordinando a atividade econômica à proteção do meio ambiente.

Em 1977 o congresso norte-americano aprovou uma lei relativa à ética empresarial, que chamou a atenção do mundo. Ela foi denominada Foreign Corrupt Practices Act (FCPA). Tal lei passou a proibir e a estabelecer penalidades para pessoas ou organizações que oferecessem subornos a autoridades estrangeiras para obter negócios ou contratos. Em 1980, os jesuítas abrem, em Wall Street, um “centro de reflexão” para os banqueiros e os bolsistas católicos, procurando estimular um debate qualificado sobre a ética empresarial ou dos negócios através de seminários, palestras e estudos dirigidos.

Neste mesmo ano, a Universidade de Harvard recebe uma doação de 23 milhões de dólares do presidente da Securities and Exchange Commission (SEC) para financiar pesquisas na área de ética. Em 1988, a ética nos negócios tornou-se disciplina obrigatória para todos os seus estudantes de administração de empresas nos Estados Unidos. Também, criaram-se, numerosos manuais para o ensino da ética empresarial, abrangendo conceitos básicos e soluções práticas ou aplicadas.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Posteriormente, a ética dos negócios ou empresarial converte-se em tema

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Posteriormente, a ética dos negócios ou empresarial converte-se em tema de um best-seller com a publicação do Manager Minute, de Kenneth Blanchard. Em seguida, este publica com Norman Peale, The Power of Ethical Management. Em 1988, Gordon Shea publica Pratical Ethics, promovida no meio dos negócios e nas Universidades pela American Management Association (AMA).

No Brasil, mais especificamente em São Paulo, a Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN), pioneira na área, mantém no currículo o ensino da ética desde sua fundação, em 1941. Contudo, somente em 1992, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) aconselhou que todos os cursos de graduação e pós- graduação prestigiassem o ensino da ética e seus desdobramentos teóricos. Neste mesmo ano, foi desenvolvida uma sólida pesquisa sobre a Ética nas empresas brasileiras pela Fundação (FIDES) (ARRUDA, 2002).

Cabe salientar que, em 1992, a Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, criou o (CENE), isto é, o Centro de Estudos de Ética nos Negócios. Depois de vários projetos de pesquisa desenvolvidos com empresas, os próprios estudantes da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) solicitaram a ampliação dos objetivos do CENE para incluir organizações do governo e não-governamentais. A partir de 1997, o CENE passou a ser denominado Centro de Estudos de Ética nas Organizações e introduziu novos projetos em suas atividades contribuindo decisivamente para os estudos da ética empresarial no Brasil (Cf. ARRUDA, 2002).

Tanto o Brasil como em outros países, as leis e, principalmente, as decisões judiciais voltam-se no sentido de exigir das empresas um comportamento ético em todos os seus relacionamentos. Para motivá-las a seguir os princípios da ética, através do estímulo aos seus “instintos egoísticos” alguns países permitem que os tribunais imponham condenações milionárias às empresas infratoras e antiéticas. Atualmente, a preocupação com a ética empresarial, em todo o mundo, é de tal relevância que podemos afirmar estarmos vivendo uma nova era nesse assunto.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade De acordo com Jacomino (2000, p. 56): A importância da

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

De acordo com Jacomino (2000, p. 56):

A importância da ética nas empresas cresceu a partir da década de 80, com a redução das hierarquias e a consequente autonomia dada às pessoas. Os chefes, verdadeiros xerifes até então, já não tinham tanto poder para controlar a atitude de todos, dizer o que era certo ou errado.

Não obstante, é importante ressaltar que a questão da ética empresarial passa necessariamente pela questão do indivíduo. São os indivíduos que formam as organizações e nela convivem diariamente. Neste sentido, a conscientização da importância de valorização da ética deve partir do indivíduo. Sobre esta questão Jacomino (2000, p. 29) destaca: “Além de ser individual, qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais. Ser ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros”.

IMPORTANTE: Com efeito, o “agir eticamente” é, acima de tudo, uma “decisão pessoal e moral”,

IMPORTANTE:

Com efeito, o “agir eticamente” é, acima de tudo, uma “decisão pessoal e moral”, ou seja, uma opção particular de cada indivíduo. A partir do momento que há o despertar para a relevância sobre assunto, ele passa a estar cada vez mais presente nas atitudes das pessoas que compõem a organização e nas decisões que venham a ser tomadas.

Ainda segundo Jacomino (2000, p. 31):

Não podemos ser inocentes e pensar que empresas são apenas entidades jurídicas. Empresas são formadas por pessoas e só existem por causa delas. Por trás de qualquer decisão, de qualquer erro ou imprudência estão seres de carne e osso. E são eles que vão viver as glórias ou o fracasso da organização. Por isso, quando falamos de empresa ética, estamos falando de pessoas éticas.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Para tanto, é fundamental que a empresa defina regras claras

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Para tanto, é fundamental que a empresa defina regras claras para a condução dos seus negócios e para o relacionamento entre as pessoas que compõem as equipes de trabalho, buscando promover a participação de todos na discussão dos “limites éticos na organização”.

No entanto, para Arruda (2002, p. 34):

Enquanto a ética profissional está voltada para as profissões, os profissionais, associações e entidades de classe do setor correspondente, a ética empresarial atinge as empresas e organizações em geral. A empresa necessita desenvolver-se de tal forma que a conduta ética de seus integrantes, bem como os valores e convicções primários da organização se tornem parte de sua cultura.

De forma geral, Srour (2000, p. 45) indica que a:

ética empresarial ou dos negócios responde de

forma instrumental às necessidades empresariais, valendo o esforço de conciliar os conflitos dos mais variados, relacionamento com clientes, conquistar novos consumidores potenciais que simpatizam com determinada atividade comercial”.

) (

Além disso, esta produz no imaginário social a ideia de que se preservam os valores morais internamente e externamente, e, sobretudo, a necessidade de se alcançar os objetivos intentados pela empresa pela tomada “racional” de decisões que exigem grande poder de deliberação em decorrência da análise das circunstâncias e das complexidades que a envolve.

Compreendeu como a ética empresarial se constitui? Percebeu as nuances que

a caracteriza? Vejamos a seguir as razões que identificam uma empresa ética: o que

é visão ético-empresarial?

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Empresa ética e visão ético-empresarial Como já dissemos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Empresa ética e visão ético-empresarial

Como já dissemos anteriormente, o comportamento ético por parte da empresa é “esperado e exigido por toda a sociedade” (MOREIRA, 2002). Ele é a única forma de obtenção de lucro com “respaldo da moral”. Este respaldo impõe que a empresa aja com ética em todos os seus relacionamentos, especialmente com clientes, fornecedores, competidores e seu mercado, empregados, governos e públicos em geral.

Você deve estar indagando: ora, as afirmações são suficientes para esclarecer os motivos básicos para que uma empresa se convencesse a agir com ética ou eticamente? Sim, você tem toda razão. No entanto, existem outros motivos bem definidos e específicos. Vejamos quais são.

Uma empresa ética incorre em custos menores do que uma antiética. A empresa ética não faz pagamentos irregulares ou imorais, como subornos, compensações indevidas e outros. Exatamente por não fazer este tipo de transação, ela consegue colocar em prática uma avaliação de desempenho de suas áreas operacionais com mais precisão e eficácia do que a empresa antiética.

com mais precisão e eficácia do que a empresa antiética. Uma empresa ética cultiva valores, define

Uma empresa ética cultiva valores, define suas estratégias de acordo com princípios, possui responsabilidade social baseado em juízos estritamente racionais, enquanto a empresa antiética não se pauta por valores e nem possui responsabilidade alguma. A empresa ética propõe valores, como a integridade, honestidade, transparência, qualidade do produto, eficiência do serviço, respeito ao consumidor, entre outros. Por outro lado, na empresa antiética, o comprador se envolve com o fornecedor e acaba favorecendo-o mesmo sem a intenção de fazê- lo.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade De acordo com Camargo (2006, p. 56), A legitimação de

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

De acordo com Camargo (2006, p. 56),

A legitimação de uma empresa, assim como a sua identidade na sociedade, só se constrói pela ética.

A consciência tranquila e o caminho da virtude dão a merecida credibilidade e confiança a uma instituição. Quanto menos um funcionário de uma empresa internalizar esses valores, maior será o sinal de fraqueza dessa organização. Por outro lado, a internalização se da quando uma instituição estabelece os canais de comunicação numa perspectiva de realização pessoal. O sujeito passa a ser ator e não receptor passivo das ordenações.

Diante do exposto, percebemos que uma empresa ética possui a necessidade de criar uma “autoidentidade”, estabelecendo uma interiorização de valores, crenças e interesses, ou seja, promover a ideia de pertencimento, uma “identidade espiritual” que se consolida tanto externa como internamente.

Portanto, a identidade da empresa ética está baseada em três princípios fundamentais:

internalizar;

exteriorizar;

objetivar.

Estes princípios são passíveis de análise crítica, pois são eles que distinguirão a ética do lucro ou a ética construída no dia-a-dia, a partir do envolvimento daqueles que compõem a empresa.

Obviamente, diz Camargo (2006), uma empresa que prima por bons princípios éticos procura, no funcionário, um “ser crítico”. A consciência crítica é fundamental para a construção da ética e, se viver em sociedade constitui um preceito para a condição humana, a empresa é uma das instituições mais relevantes para fornecer credibilidade e moral à constituição de uma ética fundamentada.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Por isso, neste contexto, a consciência crítica tem a função

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Por isso, neste contexto, a consciência crítica tem

a função de desmascarar as falsas intenções, pois o

indivíduo não pode ser visto somente como “fazedor de coisas” e objeto daquilo que faz, mas como sujeito de suas ações, ou seja, deve saber por que, como e para que realiza suas ações ou atividades.

Também, a consciência crítica ajuda a estabelecer

a diferença entre o discurso e a práxis, na medida em que a desconexão entre teoria e prática é compreendida como algo danoso para o estabelecimento do “agir ético” na empresa (CAMARGO, 2006, p. 34). Em outras palavras, compreender quando uma empresa prega as “boas intenções” (a teoria), mas que sua ação pode ser carregada do “ranço autoritário” (prática), por exemplo.

Assim, viver socialmente na empresa não pode constituir-se em um fardo, mas uma “condição existencial ética” que personifique uma nova “estrutura do ser” integrado e preocupado com o outro

e as diferenças. Com efeito, para que isso ocorra, torna- se fundamental que os empregados participem das

decisões, propiciando um ambiente de união e cooperação em que exista cumplicidade entre as partes, de modo que todos saiam ganhando neste processo.

Isso somente pode ser obtido se a empresa souber trabalhar e identificar as diferenças, respeitando-as e compreendendo-as. Assim, o desafio a ser alcançado, em termos éticos pela empresa, é perceber-se como parte de uma equipe na qual, se um indivíduo ganha ou perde, todos ganham ou perdem. Daí a importância da empresa ver a pessoa não como uma peça de engrenagem, mas como motor de uma estrutura organizacional.

Cabe ressaltar que uma empresa ninguém está isolado, em decorrência disso, estabelece-se uma rede de confiabilidade e solidariedade em vista a tecer um bom entrosamento e proporcionar a construção de uma convivência humana, de forma ética e sólida. Este entrosamento possibilita a construção de amizades e afetividades, numa perspectiva que se aproxima perfeitamente da harmonia e da cooperação.

Práxis: na filosofia marxista, a palavra grega práxis é usada para designar uma relação dialética entre o homem e a natureza, na qual o homem, ao transformar a natureza com seu trabalho, transforma a si mesmo. A filosofia da práxis se caracteriza por considerar como problemas centrais para o homem os problemas práticos de sua existência concreta:

"Toda vida social é essencialmente prática. Todos os mistérios que dirigem a teoria para o misticismo encontram sua solução na práxis humana e na compreensão dessa práxis"

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade IMPORTANTE: Nesta perspectiva, cabe salientar que ética distinguem-se

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

IMPORTANTE: Nesta perspectiva, cabe salientar que ética distinguem-se em dois grandes planos de ação que

IMPORTANTE:

Nesta perspectiva, cabe salientar que ética distinguem-se em dois grandes planos de ação que são propostos como desafios às empresas: de um lado, em termos de projeção de seus valores para o exterior (exteriorização), fala-se em “empresa cidadã”, no sentido de respeito ao meio ambiente, incentivo ao trabalho voluntário, realização de algum benefício para a comunidade, responsabilidade social, sustentabilidade, etc. Por outro lado, sob a perspectiva de seu público mais próximo, tais como: executivos, acionistas, empregados, colaboradores, fornecedores, percebe-se esforços para a criação de um sistema que assegure um modo ético de operar, sempre respeitando os princípios gerais da empresa e os princípios do direito, da justiça e da moral.

Enfim, na atualidade a empresa que quiser ser competitiva e obter sucesso tanto no mercado nacional como no mundial, terá de manter impreterivelmente uma sólida reputação no que diz respeito a seu comportamento ético-moral. Para tanto, é necessário que a empresa tenha bem definida a sua missão, a sua filosofia de atuação e a sua visão empresarial.

Você deve estar se perguntando: o que significam estes termos? A “filosofia de uma empresa” consiste em um conjunto de princípios, diretrizes e atitudes que auxiliam a programar metas, planos e regras para todos os seus empregados. Por outro lado, a “visão” de uma empresa está diretamente relacionada à ideia de futuro. A “visão” de uma empresa é a visão que ela possui do seu futuro e do futuro da sociedade. Por fim, a “missão de uma empresa” esta relacionada à ideia de encargo ou incumbência, ou mesmo, dever a cumprir e compromisso. Nestes termos, a “missão da empresa” indica e afirma a forma pela qual ela faz e age em seus negócios.

Com efeito, esta noção de missão poderia ser ampliada, contemplando-se também a história, as intenções atuais, os fatores de ambientes, etc. Neste sentido, a missão tem o objetivo de orientar e delimitar a ação da empresa, definindo o que ela se propõe a fazer e a forma como atua. Na verdade, é a missão quem exprime a razão de existência da empresa.

A seguir, apresentaremos a você alguns exemplos de como certas grandes empresas definem suas respectivas missões:

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Sony: “ Experimentar a alegria de fazer avançar a tecnologia

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Sony: “Experimentar a alegria de fazer avançar a tecnologia e aplicá-la em benefício das pessoas”.

Cobra: “Contribuir para a informatização da sociedade, mediante o domínio e a difusão da tecnologia, ofertando soluções para a realidade brasileira”.

3M: “Resolver problemas ainda pendentes de maneira inovadora”.

Medtronics: “Ajudar as pessoas a voltarem a viver plenamente”.

Mary Kay Cosmetics: “Dar às mulheres oportunidades ilimitadas”.

Merck: “Preservar e melhorar a vida humana”.

Wal-Mart: “Dar às pessoas comuns a chance de comprar as mesmas coisas que as pessoas ricas”.

Walt Disney: “Fazer as pessoas felizes”.

Depois dessa breve exposição sobre a visão, missão e filosofia da empresa ética e os seus pressupostos fundamentais, a seguir discutiremos de forma específica e contextualizada alguns elementos da ética nos negócios. Então, vamos lá?

A ética nos negócios ou negociando com ética:

lucro x princípios morais

Em sua obra A ética protestante e o espírito do capitalismo (1905), Max Weber

reproduz as teses fundamentais apresentadas por Benjamin Franklin que

permeiam o “espírito” ou a essência do capitalismo. Com base nestas teses, Weber

faz uma investigação minuciosa a respeito da ética capitalista baseada estritamente no “utilitarismo”.

Max Weber foi um dos principais responsáveis pela formação do pensamento social contemporâneo, sobretudo do ponto de vista metodológico, quanto à constituição de uma epistemologia das ciências sociais que, segundo sua visão, deve ter um modelo de explicação próprio diferente do das ciências naturais. É de grande importância sua distinção entre a razão instrumental e a razão valorativa, sendo que os juízos de valor não podem ter sua origem nos dados empíricos. Em sua análise da formação da sociedade contemporânea, Weber investigou os traços fundamentais do Estado moderno, da sociedade industrial que o caracteriza e da burocracia que tem nele um papel central.

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Segundo Weber (1967, p. 32-35): Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade O homem é dominado pela

Segundo Weber (1967, p. 32-35):

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

O homem é dominado pela produção de dinheiro, pela aquisição encarada como finalidade última da sua vida. A aquisição econômica não mais está subordinada ao homem como meio de satisfazer as suas necessidades materiais. Esta inversão do que poderíamos chamar de relação natural, tão irracional de um ponto de vista ingênuo, é evidentemente um princípio orientador do capitalismo, tão seguramente quanto ela é estranha a todos os povos fora da influência capitalista. Um estado mental como o expresso nas passagens de Franklin e que receberam o aplauso de todo um povo, teria sido proscrito como o mais baixo tipo de avareza e como uma atitude inteiramente desprovida de autorrespeito, tanto na Antiguidade como na Idade Média.

Percebe-se que Weber destaca a condição última do capitalismo à qual vai se sujeitar toda a cadeia de “valores éticos” e comportamentais da sociedade, a saber: a utilidade. Em uma sociedade regida por este pressuposto, só tem valor o que pode ser considerado útil. Este conceito de utilidade está intrinsecamente relacionado no capitalismo à ideia de lucro, aumento de capital e de patrimônio. Sendo assim, o que é útil é o que produz algum tipo de ganho econômico.

Daí, as pessoas serem levadas a uma busca incessante pelo “ter”, pelo “acumular”, numa corrida desenfreada em que os fins sempre justificarão os meios. É um verdadeiro “vale-tudo”, em que ficam para trás valores como honestidade, lealdade, solidariedade e outros, a menos que estes se subordinem à ideia do “útil”, quando, então, deixarão de ser legítimos.

Essa situação remete-nos à principal reflexão Srour sobre a ética nos negócios, na medida em que, para este, nos momentos de decisão e condução de um negócio, o agente deve saber o que é certo fazer em relação ao lucro ou a utilidade. Todavia, o limiar desta transição pode modificar-se, fazendo com que o agente (o empresário) deixe de tomar a decisão certa, justificando-se mediante as possíveis vantagens que vislumbrou diante do desconhecimento do outro e, a partir daí, “fazendo deslizar na incerteza moral às vezes peculiar do comportamento humano” (Cf. SROUR, 2000).

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Para Srour (2000, p. 274), existem três inferências que nos

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Para Srour (2000, p. 274), existem três inferências que nos ajudam a entender

uma situação como esta: as pessoas não são legítimas, isto é, totalmente boas ou

totalmente más; não basta enunciar normas morais e

pautas de decência para que os agentes ajam com

probidade; controles permanentes e sanções

Pragmático: relacionado à

doutrina filosófica que adota

como critério da verdade a

intimidadoras são indispensáveis para que as normas

morais prosperem. A moral e a ética estão de certa

forma entrelaçadas no mundo dos negócios, porque,

por um lado, não se ganha dinheiro sem ser pragmático e, noutro sentido, não se

é pragmático sem se preocupar em refletir eticamente sobre as ações que se deve

utilidade prática.

tomar.

O

autor mostra sua visão sobre este paradigma

dos negócios:

Paradigma: modelo padrão.

Ora, pode-se contra-argumentar dizendo que toda a organização – e, sobretudo toda empresa capitalista – opera em um ambiente hostil em que os stakeholders defendem interesses próprios. Uma vez que as contrapartes são vulneráveis a produtos, ações e mensagens, as decisões organizacionais não podem ser neutras. Quem decide faz escolhas entre diferentes cursos de ação e deflagra consequências. Aí entra a reflexão ética. Ela antecipa o que poderia ser danoso aos negócios e responde a algumas indagações tais como: o que afeta o meio ambiente? Quais os efeitos colaterais os produtos geram nos consumidores? Como as políticas corporativas atingem empregados e clientes? Quem se beneficia e quem sai prejudicado? (Srour, 2000, p. 291)

A razão de ser desta “reflexão ética” mencionada pelo autor mostra-nos que as

empresas possuem tendências a não operarem mais com tomadas de decisões em curto prazo e sem preocupação em agir de forma ética, principalmente, aquelas que podem expor ao risco a sua imagem publicamente. Cada vez mais as ações e decisões das empresas, consideradas com responsabilidade social, são submetidas ao crivo do cidadão disposto a retaliar as empresas que negligenciem a confiança e credibilidade dos seus parceiros e sociedade.

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Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade Ainda se pode afirmar que as decisões das empresas não

Ética, Valores Humanos e Transdisciplinaridade

Ainda se pode afirmar que as decisões das empresas não são em totalidade

imorais e morais em sentido forte do termo, pois suas atividades não estão acima

do bem e do mal. Se desta forma fossem, as operações econômicas ilícitas seriam

legitimadas dentro da normalidade do mercado e os efeitos colaterais gerados de

seus produtos seriam desconsiderados e sem repercussão da responsabilidade

caso atingisse de forma maléfica o meio ambiente ou o ser humano.

Podemos perceber que a reflexão acima a despeito da imagem das

organizações é de extrema responsabilidade e aponta a importância de resguardar

e zelar por ela, pois a imagem representa a sustentação e continuidade dos

negócios e, além disso, é o patrimônio essencial para o reconhecimento no

mercado.

E dentro desta análise, Srour (2000, p. 292) confirma que:

A imagem da empresa não pode ser vilipendiada impunemente, nem pode ser reduzida à mera moeda publicitária, porque ela representa um ativo econômico sensível a credibilidade que inspira. Então, afirmar sem mais nem menos que as empresa simulam serem morais apenas para manterem as aparências ou para não sofrer penalidades legais, seria pressupor que elas estariam dispostas a quaisquer imoralidades para obter lucros.

Pode-se ainda, dentro dessa reflexão do autor, aprofundar a análise e concluir que é extremamente difícil desvencilhar moral e interesses organizacionais e desvinculá-las também das pressões exercidas pela sociedade civil. Desta forma, o que importa é saber se as organizações têm um código de ética ou se suas ações são provenientes de uma “essência moral do seu estatuto” ou se os reflexos de suas tomadas de decisões são ou não legais e benéficas para os seus parceiros comerciais e a socied