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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Educação
Licenciatura em

Física
metodologia da pesquisa científica
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior

pONTA gROSSA - PARANÁ


2009
CRÉDITOS

João Carlos Gomes


Reitor

Carlos Luciano Sant’ana Vargas


Vice-Reitor

Pró-Reitoria de Assuntos Administrativos Colaboradores em EAD


Ariangelo Hauer Dias - Pró-Reitor Dênia Falcão de Bittencourt
Jucimara Roesler
Pró-Reitoria de Graduação
Graciete Tozetto Góes - Pró-Reitor Colaboradores de Informática
Carlos Alberto Volpi
Divisão de Educação a Distância e de Programas Especiais Carmen Silvia Simão Carneiro
Maria Etelvina Madalozzo Ramos - Chefe Adilson de Oliveira Pimenta Júnior
Juscelino Izidoro de Oliveira Júnior
Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância Osvaldo Reis Júnior
Leide Mara Schmidt - Coordenadora Geral Kin Henrique Kurek
Cleide Aparecida Faria Rodrigues - Coordenadora Pedagógica Thiago Luiz Dimbarre
Thiago Nobuaki Sugahara
Sistema Universidade Aberta do Brasil
Hermínia Regina Bugeste Marinho - Coordenadora Geral Colaboradores de Publicação
Cleide Aparecida Faria Rodrigues - Coordenadora Adjunta Denise Galdino de Oliveira - Revisão
Marcus William Hauser - Coordenador de Curso Janete Aparecida Luft - Revisão
Flávio Guimarães Kalinowski - Coordenador de Tutoria Ana Caroline Machado - Diagramação
Milene Sferelli Marinho - Ilustração
Colaborador Financeiro
Luiz Antonio Martins Wosiak Colaboradores Operacionais
Edson Luis Marchinski
Colaboradora de Planejamento Joanice Kuster de Azevedo
Silviane Buss Tupich João Márcio Duran Inglêz
Kelly Regina Camargo
Projeto Gráfico Mariná Holzmann Ribas
Anselmo Rodrigues de Andrade Júnior

Todos os direitos reservados ao Ministério da Educação


Sistema Universidade Aberta do Brasil
Ficha catalográfica elaborada pelo Setor de Processos Técnicos BICEN/UEPG.

F843m Frasson, Antonio Carlos


Metodologia da pesquisa científica./ Antonio Carlos Frasson
e Constantino Riveiro de Oliveira Junior. Ponta Grossa : UEPG/
NUTEAD, 2009.
173p. il.

Licenciatura em Educação Física - Educação a Distância.

1. Ciência. 2. Conhecimento científico. 3. Pesquisa científica.


4. Apresentação de trabalhos – diretrizes. I. Oliveira Junior,
Constantino Ribeiro de. II T.

CDD : 001.42

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA


Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância - NUTEAD
Av. Gal. Carlos Cavalcanti, 4748 - CEP 84030-900 - Ponta Grossa - PR
Tel.: (42) 3220-3163
www.nutead.uepg.br
2009
APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL
Prezado estudante

Inicialmente queremos dar-lhe as boas-vindas à nossa instituição e ao curso que


escolheu.
Agora, você é um acadêmico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG),
uma renomada instituição de ensino superior que tem mais de cinqüenta anos de história
no Estado do Paraná, e participa de um amplo sistema de formação superior criado pelo
Ministério da Educação (MEC) em 2005, denominado Universidade Aberta do Brasil
(UAB).

O Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) não propõe a criação de uma


nova instituição de ensino superior, mas sim, a articulação das instituições
públicas já existentes, possibilitando levar ensino superior público de qualidade
aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior ou
cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos.

Sensível à necessidade de democratizar, com qualidade, os cursos superiores em


nosso país, a Universidade Estadual de Ponta Grossa participou do Edital de Seleção UAB
nº 01/2006-SEED/MEC/2006/2007 e foi contemplada para desenvolver seis cursos de
graduação e quatro cursos de pós-graduação na modalidade a distância.
Isso se tornou possível graças à parceria estabelecida entre o MEC, a CAPES e
as universidades brasileiras, bem como porque a UEPG, ao longo de sua trajetória, vem
acumulando uma rica tradição de ensino, pesquisa e extensão e se destacando também
na educação a distância.
A UEPG é credenciada pelo MEC, conforme Portaria nº 652, de 16 de março
de 2004, para ministrar cursos superiores (de graduação, seqüenciais, extensão e pós-
graduação lato sensu) na modalidade a distância.
Os nossos programas e cursos de EaD, apresentam elevado padrão de qualidade e
têm contribuído, efetivamente, para a democratização do saber universitário, destacando-
se o trabalho que desenvolvemos na formação inicial e continuada de professores. Este
curso não será diferente dos demais, pois a qualidade é um compromisso da Instituição
em todas as suas iniciativas.
Os cursos que ofertamos, no Sistema UAB, utilizam metodologias, materiais e
mídias próprios da educação a distância que, além de facilitarem o aprendizado, permitirão
constante interação entre alunos, tutores, professores e coordenação.
Este curso foi elaborado pensando na formação de um professor competente, no
seu saber, no seu saber fazer e no seu fazer saber. Também foram contemplados aspectos
éticos e políticos essenciais à formação dos profissionais da educação.
Esperamos que você aproveite todos os recursos que oferecemos para facilitar o
seu processo de aprendizagem e que tenha muito sucesso na trajetória que ora inicia.
Mas, lembre-se: você não está sozinho nessa jornada, pois fará parte de uma
ampla rede colaborativa e poderá interagir conosco sempre que desejar, acessando
nossa Plataforma Virtual de Aprendizagem (MOODLE) ou utilizando as demais mídias
disponíveis para nossos alunos e professores.
Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois a sua aprendizagem é o nosso
principal objetivo.

EQUIPE DA UAB/UEPG
SUMÁRIO

■■ PALAVRAS DOS PROFESSORES 7


■■ OBJETIVOS E ementa 9

Ciência
■■ seção 1- a história da ciência
11
13
■■ seção 2- conceitos de ciência  30
■■ seção 3- A ciência e sua classificação 36

Conhecimento
■■ seção 1- Tipos de conhecimento
45
47
■■ seção 2- O processo de conhecimento 55
■■ seção 3- O conhecimento científico 57
■■ seção 4- Metodologia científica e método científico 59

Pesquisa científica
■■ seção 1- Pesquisa científica
73
74
■■ seção 2- Delineamento da pesquisa 79
■■ seção 3- Planejamento da pesquisa 93
■■ seção 4- Projeto de pesquisa 98

D iretrizes para a elaboração e


apresentação de trabalhos 127
■■ seção 1- Leitura 128
■■ seção 2- Fichamento 138
■■ seção 3- Resumos 143
■■ seção 4- Resenhas 151
■■ seção 5- Comunicação Científica 156

■■ PALAVRAS FINAIS 167


■■ REFERÊNCIAS 169
■■ NOTAS SOBRE OS AUTORES 173
PALAVRAS DOs PROFESSORes
A estrutura organizacional das instituições, a partir de Revolução Industrial,
traz em seu contexto significativas marcas de transformações. Os paradigmas
conceituais de sociedade, trabalho, educação e ciência passaram e continuam
passando por significativas mudanças em seu todo. O avanço nos princípios
básicos da ciência aliados aos meios de comunicação e da informática tem sido
a alavanca desse processo.
As concepções advindas desse processo estão transformando o homem e
o seu habitat. Um novo homem está surgindo. A busca constante por avanços
na ciência, nos meios de comunicação, na qualidade de vida, por momentos de
lazer, passa a ser considerada como fator primordial.
Os desafios nesse novo caminhar da sociedade são imensos, visto que
passamos por um processo de transformação. Transformação do trabalho físico
e mental feito por intermédio das máquinas e computadores. Processo de suma
importância no crescimento econômico e social para uma nova era. Nova era que
está se contextualizando no seio da sociedade por base do capital intelectual, o
qual se insere na Sociedade do Conhecimento.
A Educação Física também faz parte desse contexto de mudanças, quer
seja no seu aspecto formal ou não formal. Entretanto, para atender as novas
necessidades dessa nova sociedade que está emergindo é necessário que a
formação desse profissional acompanhe pari passo esse processo evolutivo.
Atento a esse processo, a Universidade Estadual de Ponta Grossa – por intermédio
do Núcleo de Educação a Distância e do curso de Educação Física, adiantam-se
nessa caminhada com a oferta do Curso de Licenciatura em Educação Física a
Distância. Fator esse considerado como significativo dentro dessa nova práxis de
formação profissional, pois vem atender às diversas comunidades distantes dos
centros de excelência acadêmica.
Para isso, a contribuição da disciplina Metodologia da Pesquisa Cientifica
é de fundamental importância nesse momento de construção de novos saberes.
O estudo voltado para as nuances da Educação Física Escolar oportuniza a
aquisição de um novo conhecimento diferenciado. Sobretudo pelo processo de
pesquisa. A coesão entre a pesquisa e a Educação Física Escolar é o núcleo
central de uma concepção realista, capaz de tornar compreensível os avanços
científicos advindos da ciência.
Essa disciplina pode contribuir em muito na consolidação de seus
conhecimentos na área da Educação Física Escolar. Os fundamentos trabalhados
vão ao encontro dos anseios e objetivos dessa nova concepção de ensino.
Portanto, bem vindo ao mundo da pesquisa científica. Um mundo cheio
de nuances, de novas descobertas que você irá percorrer na busca de novos
conhecimentos.

Antonio Carlos Frasson


Constantino Ribeiro de Oliveira Junior
OBJETIVOS E ementa

Objetivo Geral

■■ Compreender os processos metodológicos de construção do saber científico

como meio de organização da ação metodológica na Educação Física.

Objetivos Específicos

■■ Entender os processos metodológicos de construção do conhecimento científico

na Educação Física.

■■ Articular o conhecimento científico de acordo com os princípios científicos.

■■ Compreender a realidade da Educação Física voltado para a área da produção

acadêmica.

■■ Incorporar novas metodologias de estudos a sua prática cotidiana.

Ementa

■■ A ciência, conhecimento científico. Método científico. Pesquisa científica. Pesquisa

bibliográfica. Uso da biblioteca. Diretrizes para a elaboração e apresentação

de trabalhos. Projeto de pesquisa. Comunicação científica. Aspetos técnicos e

metodológicos da Monografia.
UNIDADE I
Ciência

Antonio Carlos Frasson


Constantino Ribeiro de Oliveira Junior

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
■■ Ao término desta unidade, você será capaz de estabelecer reflexões acerca

das relações da ciência com a sociedade por intermédio de um referencial

pautado na sua história, nos seus conceitos e na sua classificação.

ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ Seção 1 - A história da ciência

■■ Seção 2 - Conceitos de ciência

■■ Seção 3 - A ciência e sua classificação


Universidade Aberta do Brasil

PARA INÍCIO DE CONVERSA

Ao dar os primeiros passos na busca de sua formação profissional,


acredito que você está um pouco ansioso para descobrir o que esta
unidade de ensino pode lhe trazer ou ainda representar para a sua vida
profissional.
Desvendar o que é ciência e sua importância no seio da sociedade
desde a pré-história até os nossos dias, analisar os conceitos sobre ciências
e principalmente a classificação e/ou divisão da ciência, são as metas
para esta unidade.
Por que refletir sobre o que é ciência? Qual a sua representatividade
para o mundo em que vivemos? Estas são perguntas corriqueiras que
você já pode ter ouvido.
Veja as respostas para estas questões.
O entendimento dado aos aspectos primários da ciência é de
fundamental importância para que você possa conhecer as nuances de
uma determinada área do conhecimento, como a Educação Física, desde
os princípios básicos de uma aula até as situações mais complexas que
envolvem o ser humano, como exemplo questões de performances.
Ao desenvolver um olhar reflexivo sobre o que ela traz em seu contexto
e principalmente da sua importância para o contexto da sociedade, você
vai descobrir o quanto os procedimentos científicos têm colaborado na
descoberta de novos encaminhamentos econômicos, sociais, políticos,
tecnológicos que, de uma maneira ou outra, trazem benefícios para o
homem.
Embora muitos manuais busquem explicar, de diversas maneiras,
o que é ciência, quais são as suas funções, como ela pode relacionar-se
com as diversas facetas da vida do homem, o mais importante é você
entendê-la em todo o seu contexto e na sequencia relacioná-la com a
Educação Física. Por isso, o conhecimento sobre ciência passará a ter um
significado diferenciado na sua vida.

Bom estudo!

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unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
seção 1
A HISTÓRIA DA CIÊNCIA

A historicidade da ciência enuncia o seu envolvimento com os


processos estruturais da sociedade desde os primórdios da civilização.
Essa não deve ser confundida simplesmente numa ordem cronológica
de determinados objetivos que emergem no dia a dia, mas sim, pelos
acontecimentos que ocorreram ao longo da história. Conhecer a história
da ciência é apaixonante.
Antes, porém, pense um pouco a respeito da presença da ciência no
contexto da sociedade atual.

Você já ouviu estas notícias?


- O Superior Tribunal Federal vota a liberação de pesquisas
com células-tronco embrionárias.
- Satélites japoneses contestam dados do INPE sobre área
desmatada no norte de Mato Grosso.
- Sonda da NASA aterrissa em Marte.
- Descoberto peixe fóssil de 380 milhões de anos de idade.
- Casos de doping na volta da França geram revolta no
ciclismo.
- A periodização é a formulação de um projeto detalhado
de preparação, embasado nos princípios científicos do
treinamento desportivo.
- Alimentos transformados geneticamente - soja transgênica.

Agora, escreva em cinco linhas, o que estas notícias representam


para sua vida.
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Você pode ter chegado à conclusão que estas notícias que foram
manchetes de jornais conduziriam para uma imprescindível presença

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Universidade Aberta do Brasil

do processo científico em todos os quadrantes da sociedade, quer seja


na saúde, no meio ambiente, no esporte ou ainda em qualquer outra
atividade.
Isto porque a sociedade, nos dias atuais, é marcada pela tecnologia,
globalização de mercados, alimentos transformados geneticamente,
engenharia genética, pelos avanços da física quântica, entre outros tantos
que ocorreram nos últimos tempos. Estes avanços fizeram ocorrer uma
transformação no conceito de sociedade.
Outro aspecto importante para você ficar atento é que, com as
frequentes transformações, as estruturas organizacionais da sociedade
foram agregando valores diferenciais em seu contexto. As mudanças dos
paradigmas conceituais presentes na sociedade exigem que o homem e
as organizações estejam cada vez mais atentos aos processos científicos
que se avolumam em cada momento.
Para bem entender a história da ciência torna-se também necessário
você despir-se dos preconceitos existentes, bem como, de considerar que
a ciência não tem dogmas e tampouco verdades absolutas, visto ser essas,
consideradas como transitórias.

A busca pela cientificidade tornou-se uma prioridade para a sobrevivência.


É de extrema valia verificar onde começou esta busca.

A CIÊNCIA NA PRÉ-HISTÓRIA

O saber construído pelo homem no período da Pré-História, a


partir de observações sobre os efeitos da natureza, pelo funcionamento
das coisas, pelo confronto direto com as suas necessidades, pode ser
considerado como o primórdio da ciência.
Há milhares de anos, a luta do homem pela sua sobrevivência
estava presente em todos os instantes de sua vida. A vida de nômade, a
necessidade de obtenção de alimentos, o confronto com outros grupos fez
este homem ater-se para novas descobertas, que foram desde a construção
de armas, utilizando paus e pedras, até a conservação, de forma primária,
de seus alimentos.

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unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
Você sabia que...
O descobrimento do fogo é uma das descobertas mais citadas na
história da humanidade?

Posteriormente, com a passagem da vida de nômade para a


sedentária, novos padrões de comportamento surgiram. A necessidade de
plantar e armazenar os grãos, a construção de suas moradias, a confecção
de seu vestuário, o aperfeiçoamento de suas armas e ferramentas,
estabeleceu um novo ciclo na vida do homem.
Por conta disso, vamos ao ponto central estabelecido nesse período:
O homem precisou construir o saber baseado em suas observações e
na experiência pessoal. Lembre que todos esses momentos têm estreita
relação com os aspectos de nossas vidas. Conhecimento
Esse modelo de conhecimento, denominado de empírico, foi empírico,
caracterizado como
transmitido de pai para filho, de família para família, de geração para de senso comum
geração que, mesmo sem provas metódicas ou científicas, serve ainda, é adquirido no
transcorrer do dia.
nos dias atuais para extrair uma inteligibilidade a respeito da constituição Normalmente é feito
da sociedade nos seus mais diversos aspectos. por tentativas de
acertos e erros.
Você pode constatar que essa forma de conhecimento, muitas
vezes útil para a condução da vida, não é contextualizada a partir de
experiências racionalizadas. Com isto, o homem sentiu que esta forma de
informações era frágil. Ele necessitava de dispor de novos conhecimentos,
construídos de forma segura e confiável.
Esses conhecimentos não desapareceram ao longo dos tempos, eles
permanecem vivos nos dias atuais.

Pense num ensinamento que seu avô ensinou para o seu pai. E este
passou para você. Escreva em cinco linhas este ensinamento.
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Universidade Aberta do Brasil

A CIÊNCIA NA GRÉCIA ANTIGA

A Grécia, neste período, considerada como o berço da civilização,


contava com uma plêiade de filósofos que desempenharam um papel
fundamental na trajetória do conhecimento científico. A genialidade dos
filósofos gregos pode ser considerada como o principal responsável pelo
crescimento da ciência nos mais diversos setores.
Entre esses filósofos encontramos Platão e Aristóteles, os quais
tendo à lógica, aliada ao raciocínio dedutivo e indutivo, passaram a
estabelecer novos conceitos sobre o saber cientifico.

Plêiade:
Reunião ou grupo de É importante você saber que o raciocínio dedutivo parte de uma lei universal
homens ou poetas para o particular. Um exemplo clássico deste refere-se ao seguinte: Todo homem é
célebres mortal, você é mortal, logo todos os homens são mortais. O raciocínio indutivo parte do
Dicionário Aurelio particular para uma lei universal. Um exemplo deste, parte do seguinte: O ferro conduz
eletricidade, o ouro conduz eletricidade, o cobre conduz eletricidade, logo, todos os
metais conduzem eletricidade.

Outros aspectos importantes que aconteceram neste período teve


como personagem o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.). Foi ele que separou
a filosofia da ciência, criou o primeiro sistema de lógica e foi considerado
como um dos primeiros cientistas políticos que se tem notícia.
No que diz respeito aos estudos relacionados à saúde, a civilização
grega teve vários destaques. Hipócrates, estudioso do corpo humano,
foi considerado como um dos maiores vultos da história da medicina e
Galeno, ao qual é atribuído o descobrimento das veias e nervos.

Você sabia que...


Existia na Grécia Antiga um
aparelho chamado de Anticítera,
que podia prever eclipses, além
de prever as datas das próximas
Olimpíadas?

Ao lado fragmentos do Anticítera

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Metodologia da Pesquisa Científica
Mesmo considerando a forte presença dos filósofos, que até nos
dias atuais são citados por contextualizarem significativos avanços para
o processo científico neste período, é de extrema valia você também
conhecer outros fatos importantes legados para toda a humanidade.
Entre estes, você vai encontrar o esporte, o qual era tido como um meio
de transmissão cultural e de culto aos deuses.

Aprofunde seus conhecimentos pesquisando sobre as


atividades esportivas (ginástica e jogos) praticadas na Grécia
Antiga e busque, em cinco linhas, relacioná-las com os dias
atuais.
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A CIÊNCIA NA IDADE MÉDIA

A Idade Média, por muito tempo, foi considerada como a Idade


das Trevas. Razões para que historiadores assim a denominassem não
faltaram ao longo da história. O declínio nas atividades científicas,
artísticas, literárias e culturais, vinculados a um forte controle da igreja
se fez presente.
O rígido controle que a igreja exercia em todas as atividades, calcada
nos princípios de legitimar, difundir o Reino de Deus e as verdades
expressas nas Sagradas Escrituras se fez presente principalmente nas
ciências e na produção do saber. Para a igreja, o saber pagão era considerado
como um fator de ultraje as teorias dogmáticas e aos princípios morais do
cristianismo.
Outros motivos também não faltaram para que este período fosse
assim considerado. A destruição de acervos bibliográficos, as lutas entre
os senhores feudais, a dificuldade de comunicação, contribuíram de
sobremaneira para que este período fosse considerado como principal
elemento prejudicial ao desenvolvimento da ciência.

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Universidade Aberta do Brasil

Apesar da forte presença religiosa e do processo intelectual ter se


concentrado nos mosteiros, fazendo com que os estudos voltados para a
religião fossem priorizados em relação à ciência.

Assista ao filme

O NOME DA ROSA
O filme de Umberto Eco retrata com perfeição o envolvimento da Igreja nas questões sociais e
políticas. A busca pela verdade pode ser considerada como um modelo de investigação. Além de
mostrar a forma que os monges utilizam para preservar os seus manuscritos.

O Nome da Rosa
Fonte: Acesso http/:/www.filmes.com em 18 de março. 2009

Considerando o longo período que abrange a Idade Média, é possível


você observar que houve momentos em que a ciência se fez presente, com
a criação de novos instrumentos e métodos para a agricultura, a utilização
do moinho de vento, entre outras.
O mais interessante deste período, apesar de ser considerado com
o período das trevas, foi a criação e instalação de escolas, no século XII,
as quais foram posteriormente denominadas de universidades e deram
origem ao sistema universitário. Com o advento desse sistema, ampliou-
se o campo de estudos que vieram modificar os paradigmas conceituais
deste período da história, o qual a igreja já não podia mais reprimir.
Com o despontar de uma nova cultura para a ciência, surge novos
pensadores, cientistas, filósofos que desvinculados do pragmatismo
exacerbado da igreja instituíram novos conceitos e estudos sobre os
processos científicos. A consolidação deste processo pode ser considerada
como o embrião da ciência moderna.

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Metodologia da Pesquisa Científica
Você sabia que...
Mesmo com a destruição dos acervos
bibliográficos a Igreja mantinha em seus
conventos um esquema de cópia dos livros?
Esses eram feitos à mão e decorados com
pinturas (iluminuras). Os monges que atuavam
neste trabalho eram chamados de monges
copistas.

Entre tantos cientistas reverenciados conheça três destes. Centrado


na observação da natureza e no processo experimental, tendo como
suporte o conhecimento científico temos Roger Bacon (1214-1294). Tomás
de Aquino (1227-1274), frade dominicano e teólogo buscou realizar uma
integração entre escolástica e aristotelismo. Com a frase “a ciência não
consiste em ratificar o que outros disseram, mas em buscar as causas
dos fenômenos”, Alberto Magno (1193-1280), defendeu a interação entre
ciência e religião.
As reflexões emanadas por estes procedem ao surgimento de duas
linhas de discussão que se constituíram como suporte da produção
científica dos séculos seguintes. A filosofia da ciência e a epistemologia.
A primeira corrente, foi se transformar no Positivismo, a segunda no
Construtivismo.

É importante você saber que o Positivismo criado por Auguste Comte é considerado
como uma linha teórica da sociologia, o qual consiste na observação dos fenômenos,
subordinando a imaginação à observação. O Construtivismo constitui-se pela ação do
homem com o meio social e físico.

Após esta passagem pela história da ciência na Idade Média, você


pode observar momentos diferenciados. Inicialmente calcada na forte
presença da religião e posteriormente com o advento de uma plêiade
de novos cientistas, pensadores e filósofos, os quais construíram novos
paradigmas científicos que perduram até os dias atuais.

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Universidade Aberta do Brasil

Conheça mais sobre outros momentos vivenciados neste


período pesquisando sobre o entendimento dado ao culto do
corpo por intermédio da prática da atividade física e escreva,
em cinco linhas, como você considera este momento.
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A CIÊNCIA NO SÉCULO XVII

O século XVII é distinguido por uma forte presença de filósofos


e cientistas nos mais diversos setores, que marcaram uma brilhante
presença neste período. Assinala também uma ruptura da maneira de ver
e entender a ciência.
Outro fato de suma importância, que você deve observar, refere-se
à construção do saber. O saber neste período passa a ser construído a
partir da realidade que se faz presente na vida do homem. Este processo é
denominado de empirismo. A explicação deste saber é colocada à prova,
a qual é designada como experimentação.
É inegável que o processo da experimentação foi um dos suportes
da ciência moderna que se instala a partir deste século. É interessante
você observar que a ciência moderna traz em seu contexto um fator
fundamental para o seu sucesso, representando pela associação entre
o método experimental e a ciência da matemática, a qual possibilita
diversas aplicações do conhecimento científico.

É importante você saber que através da aplicação do método experimental, a


organização e as leis do universo passaram a ser conhecidas no século XVII, bem como, a
rejeição a intervenção religiosa pelos filósofos se fez presente.

Nesse período, entre tantos cientistas que marcaram presença nesse


século, você deve conhecer alguns destaques.

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Metodologia da Pesquisa Científica
• Francis Bacon (1561 – 1626), filósofo inglês, organizou o método
experimental.
• René Descartes (1595 – 1650), francês, é considerado como um
dos maiores pensadores deste período e criador da geometria
analítica.
• Johannes Kepler (1571-1628), cientista alemão, que utilizando
das formas matemáticas reduziu as leis que tratavam do Sistema
Solar.
• Isaac Newton (1642 – 1727), inglês, formulou a lei da gravidade
e a decomposição da luz.
• Galileu Galilei (1564 – 1642) considerado como um dos maiores
gênios na história da ciência. Foi perseguido e humilhado por
ter afirmado que a terra se move em torno do sol.
• Louis Pasteur (1822 - 1895), cientista francês, que com suas
descobertas no campo da saúde, constitui-se como um marco no
avanço da microbiologia e da imunologia.

Você sabia que...


A primeira contribuição dada por Galileu
Galilei à ciência aconteceu em Duomo de
Pisa? Observando o movimento pendular
de uma lâmpada pendurada em uma corda
que acabara de ser acesa, percebeu que
os movimentos pendulares desta lâmpada
eram iguais às batidas do seu coração.
A partir desta observação, onde os
movimentos das oscilações eram sempre
idênticas formulou a lei do isocronismo.
www.emack.com.br

Outro fato de destaque que ocorreu neste século foi a Revolução


Científica. Essa Revolução veio modificar os paradigmas conceituais
da ciência, a qual passa a ser constituída dentro de um conhecimento
estruturado e prático, desvinculando-se assim dos ditames da filosofia.
É interessante você observar que essa Revolução não aconteceu de
forma isolada, ela foi um movimento muito complexo. A determinação do
seu período de abrangência ainda hoje não está estabelecida, pois não
há consenso sobre isto. A discussão sobre a sua importância é ampla e

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Universidade Aberta do Brasil

provoca uma série de diferentes pontos de vista.


Para entender as nuances deste processo em nossas vidas é
interessante você estudar os elementos que a precederam, os conceitos e
principalmente a sua interação com o processo científico e social que se
estabeleceu. Concomitantemente as descobertas cientificas de Galileu,
Kepler, Newton, entre outros pensadores, ocorreram outros fatos que, de
uma forma ou outra, vieram marcar presença neste processo de construção
de um novo paradigma para a ciência.

Faça uma pesquisa livre na internet sobre a Revolução


Científica e transcreva, em cinco linhas, como você contextualiza
a ciência neste século?
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SÉCULO XVIII – SÉCULO DAS LUZES

Intitulado como o século das Luzes, este século foi marcado por
avanços na ciência e na forma de constituir o saber. A união entre ciência
e tecnologia começou-se fazer presente, trazendo junto de si muitas
descobertas. O surgimento das máquinas a vapor que marca o processo
da Revolução Industrial, as primeiras teorias sobre a origem do universo,

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Metodologia da Pesquisa Científica
além das teorias referentes à formação da terra e dos planetas formuladas
por Buffon e Kant.
Destaque deve ser dado a este século, pelo fato de que o
renascentismo se fazia presente em um estágio avançado e pode-se assim
dizer que o determinantismo científico se fazia presente.
Neste século a presença de cientistas como:
• Anders Celsius (1701 – 1744) tendo a astronomia como seu
principal interesse, desenvolveu estudos que objetivavam a
estabelecer uma escala que visasse classificar a magnitude das
estrelas.
• Georges Buffon (1707 – 1788) ateve-se ao campo das ciências
naturais, sendo considerado no meio academico como um dos
fundadores da história natural. É sua também a teoria sobre a
formação do nosso sistema solar.
• Immanuel Kant (1724 – 1804) traz em seu histórico de vida
uma ligação com a filosofia crítica. É reverenciado pela sua
obra a “Critica da Razão Pura” publicada em 1781, elaborada ao
estudar sobre as questões do conhecimento.

A Revolução Industrial que se iniciou nos meados deste século


pode ser considerada como um marco conceitual no avanço tecnológico
e científico da humanidade. Pois, a partir do seu advento, novas fórmulas
e formas de ver, analisar e refletir sobre a humanidade foram surgindo ao
longo dos tempos com o surgimento das ciências sociais e humanas.
Você pode constatar que o mundo, neste período, vivia cercado pela
mobilidade social que se instalou com a advento da Revolução Industrial, a
qual estabeleceu uma nova relação entre o trabalho e o capital ocasionando
um profundo impacto no processo produtivo, social e econômico.
As condições precárias de trabalho, do ambiente no interior das
fábricas e pelo baixo salário vieram promover mudanças significativas no
comportamento social do homem.

Aprofunde seus estudos pesquisando na internet sobre a Revolução Industrial.

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Universidade Aberta do Brasil

Além da Revolução Industrial, aconteceu outros dois movimentos


que vieram colaborar para estas mudanças.
• A Revolução Americana (1776), movimento com característica
popular, organizado pelas treze colonias inglesas para se livrarem
do julgo inglês. A ruptura política trazia junto de si o desejo de
construirem uma nova vida, dando origem aos Estados Unidos
da América.
• A Revolução Francesa (1789), cujo lema estava centrado na
Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Esta revolução ocorreu
no reinado do rei Luiz XVI. Um dos principais marcos desta
revolução é a Queda da Bastilha, símbolo do poder monárquico
da França.
Perceba, como ficam claros, que os movimentos constituiram-se num
campo vastíssimo para a pesquisa, fornecendo contribuições esssenciais
à reflexão sobre as incontestáveis questões sociais e humanas na busca
da compreensão do homem como um todo.

Pesquise na internet, e escreva em cinco linhas, o por


que da Revolução Industrial ser considerada como um dos
acontecimentos que trouxe influência à ciência.
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SÉCULO XIX – O SÉCULO DA CIÊNCIA

A ciência neste século traz em seu bojo a euforia propagada pela


Revolução Industrial e avança a olhos vistos em diversas áreas do
conhecimento.
O progresso nos métodos matemáticos, a descoberta do mundo
microscópio e a conexão entre as forças elétricas e magnéticas, as
radiações infravermelha e ultravioleta estavam entre os principais
momentos na área da ciência. Vários países criaram instituições voltadas

24
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
em desenvolver estudos científicos.
Outros aspectos considerados importantes que aconteceram neste
século relacionam-se a Darwin (1809 – 1892) e a Pasteur (1822 – 1895).

Darwin com a publicação de seu livro em 1859, “On the Origin of


the Species by Means of Natural Selection” (A origem das espécies pelo
significado da seleção natural), provocou uma revolução na estrutura
social do mundo.
Pasteur juntamente com Robert Koch (1843 – 1910) ao estudarem
sobre os germes microscópios que causavam diversas enfermidades na
população criaram as primeiras vacinas.
Como você está observando, o avanço na produção científica e
teconológica marcaram este século. Observe mais alguns deles e reflita
sobre a importância desses inventos em sua vida.
• Alexander Grahman Bell (1847 – 1922) inventa o telefone.
• Auguste Lumière (1862 – 1954) e Louis Lumière (1864 – 1948)
aperfeiçoaram o sistema de cinematografia.
• Thomas Edison (1847 – 1931) inventa o fonógrafo e o
microfone.
• Marconi (1874 – 1937) inventa o telégrafo sem fio.

Antes de aprofundar os seus conhecimentos sobre ciências no século


XX, cabe ressaltar que a produção acadêmica neste século tem avanços
significativos. Lembre-se que o século XVIII foi marcado por rupturas do
processo social vigente, mudando os paradigmas sociais e econômicos.
Rompidos os laços entre os costumes e tradições, houve uma instalação
e consolidação de uma nova ordem social e econômica, cujas implicações
relacionam-se diretamente com o homem que repercutiu no século XIX.
As ciências humanas consideradas como moderna, surgiram em

25
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

meados da segunda metade do século XIX (1800-1899) inspiradas nos


ditames das ciências naturais. As ciências naturais e matemáticas já se
faziam presente com seus métodos e conhecimentos científicos e tudo o
que se referia ao homem tinha na filosofia o seu centro de estudo.

A esta altura, você já pode perceber que a compreensão e a explicação de fatos


inerentes e presentes no seio da sociedade tem o homem como seu ponto de convergência
científico, quer seja no mundo do trabalho, das ruas ou sociais.

Essa forma de envolvimento com a sociedade coloca em evidência


a espacialidade das ciências humanas, dando margem a diversas
interpretações, partindo de referências diferenciadas.
Como você pode perceber, com o advento das ciências humanas,
as teorias científicas se transformam. O pesquisador volta sua atenção
para o mundo que está em sua volta, alargando desta maneira o seu
foco de atuação. As tendências que hoje apontam para o entendimento
das ciências humanas entre ciência e o mundo e as ciências entre si são
variadas, principalmente quando se busca entender a especificidade do
seu campo de atuação. Esta reflexão deve ser feita para que se possa
refletir sobre o modelo de ciência que vem sendo desenvolvido.

Você sabia que...


Um dos refrigerantes mais consumidos no mundo foi inventado neste século pelo
farmacêutico Dr. John Styth Pemberton em 1886?

Pierre de Frédy, pedagogo e historiador francês, foi o idealizador dos Jogos


Olímpicos da Era Moderna e ficou mais conhecido pelo seu título de Barão Pierre
de Coubertin?

A CIÊNCIA NO SÉCULO XX

Veja agora como a ciência se fez presente no século XX. A primeira


viagem do homem à lua foi, sem dúvida, um dos destaques dos processos
científicos, que se fez presente neste século.
Para que essa incursão na lua, o homem investiu muitos anos

26
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
de estudos e de pesquisas sobre o processo que iriam desfraldar. É
importante lembrar que estas pesquisas asseguraram enormes progressos
científicos.

Você sabia que...


O homem pisou na Lua no dia 20 de julho de 1969, às
23 horas, 56 minutos e 20 segundos de acordo com o
horário de Brasília, a bordo da nave Apolo XI?

Antes desta primeira viagem à lua, a então União Soviética no dia


04 de outubro de 1957, já tinha colocado em órbita da Terra o primeiro
satélite fabricado pelo homem – O Sputnik, e no dia 12 de abril de 1961,
Yuri Gagarin deu a primeira volta em torno do nosso planeta.
Evidentemente, não foi somente este fato que ocorreu. Outros
projetos científicos se fizeram presentes neste século alcançado pela
ciência e pela tecnologia. O estudo da ciência nunca esteve tão presente
na sociedade como se encontra neste século. É notório o avanço do
conhecimento científico.

Observe, mais alguns momentos


vivenciados pela sociedade, no qual
a ciência se fez presente. Comece
por Alberto Santos Dumont (1873 –
1932), que a bordo do 14-BIS realizou
o primeiro voo em um aparelho mais
pesado do que o ar. Atribui-se também
a ele a invenção do relógio de pulso
para substituir os de bolso.

Veja outros acontecimentos científicos que marcaram este século.


• Os estudos da biologia molecular, com a clonagem da ovelha
Dolly, realizada por investigadores do Instituto Roslin – Escócia,
após a transferência nuclear de células.
• A teoria quântica de Max Planck (1858 – 1947);

27
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

• A teoria da relatividade de Albert Einstein (1979 – 1955);


• A descoberta do microscópio eletrônico;
• A descoberta da penicilina por Alexander Fleming (1881 –
1955);
• Os estudos sobre a estrutura do átomo, entre tantos outros
grandes avanços da ciência neste século.

Você sabia que...


A ovelha Dolly foi o primeiro mamífero a ser
clonado com sucesso, em 05 de julho de
1996?
Leia mais sobre a ovelha Dolly acessando o
site:
http://www.ufrgs.br/bioetica/dollyca.htm

Além dessas descobertas, o século XX traz consigo grandes


movimentos sociais que, de uma forma ou outra, a presença da ciência se
faz presente. A primeira guerra mundial (1914 – 1918), a segunda guerra
mundial (1939 – 1945), onde a pesquisa e a tecnologia bélica criaram
aramamentos capazes de destruir, tais como bombas nucleares, radar,
mísseis que foram cruciais para o ser humano.
Trouxe também movimentos sociais capitaneados pelo processo
capitalista, implantados após a Revolução Industrial, tais como:
A teoria de Henry Ford (1863 – 1947), idealizador da linha de
montagem com o objetivo de produzir mais em menor tempo e custo.
A teoria de Frederick Winslow Taylor (1856 – 1915), o qual
revolucionava a organização da empresa visando o aumento de
produção.

28
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
Assista ao filme

TEMPOS MODERNOS
Chaplin retrata com perfeição o envolvimento do homem com a máquina.

Tempos Modernos
Fonte: Acesso http//:www.65anosdecinema.pro.br em 22 de março. 2009

DICAS PARA A SALA DE AULA:


Em pequenos grupos analise a história da ciência.

Ao encerrar este tópico, você teve a oportunidade de conhecer


uma parte da história da ciência. Temos a consciência que muitos fatos e
acontecimentos que marcaram presença foram deixados ao longo desta
retrospectiva histórica da ciência.
Mas, o mais importante neste momento, embora ainda possa ter
algumas dificuldades de compreender o que é ciência, é observar como
ela esta inserida em nossas vidas, bem como, a humanidade pode ver e
compreender os processos científicos que foram se contextualizando ao
longo dos tempos.
Acredito que você pode observar que a ciência, a qual se apresenta
nos dias atuais, traz em seu contexto a continuidade dos fenômenos
que foram, ao longo dos tempos, aperfeiçoando, ampliando, buscando
a sua veracidade no seio da sociedade. Essa evolução, desde os traços
rudimentares instados na pré-história, passando pela revolução científica
ocorrida nos séculos XVI e XVII com Bacon, Copérnico, entre outros
tantos momentos de significativa importância para a sua evolução até
o surgimento de novas configurações, traz um legado que será deixado
para as futuras gerações.
Pense, a cada momento de nossa vida surgem novas descobertas na
área da saúde, no avanço na informática, na educação física, com novas

29
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

abordagens pedagógicas que permitem refletir sobre as formas pelas quais


os futuros profissionais poderão agir no processo educacional. Todos esses
avanços fazem o homem ultrapassar os seus limites, superando todos os
paradigmas até então estabelecidos.
Torna-se emergente pensar a ciência como algo mais complexo,
para isto, vamos ver na próxima seção os conceitos sobre ciência.

seção 2
CONCEITOS DE CIÊNCIA

Agora que você iniciou no universo da história da ciência, é


importante conhecer alguns dos principais conceitos emitidos sobre ela.
Entender os conceitos de ciência é um processo de suma
importância na contextualização do seu conhecimento. A apropriação
deste conhecimento é imprescindível no seu envolvimento com a
pesquisa científica. Assim, conhecer, analisar e refletir sobre os conceitos
de ciência, tendo como parâmetros o que ela é, o que faz, qual o seu valor,
os seus fundamentos, é o caminho para o processo de consecução de um
trabalho científico.
Com relação ao entendimento sobre conceitos e definições, de um
modo geral, torna-se relevante analisar o que Minayo referencia a este
respeito:

Os termos mais importantes de um discurso


científico são os conceitos. Conceitos são
vocábulos ou expressões carregadas de sentido,
em torno dos quais existe muita história e muita
ação social. (2007, p 19 - destaque da autora).

Os conceitos são centrados em uma estrutura verbal, lógica e


psicológica que trazem junto de si menções filosóficas, religiosas,
ideológicas entre outras tantas formas.
É preciso ressaltar que o conceito de ciência é passível de múltiplos
entendimentos, o qual estará atrelado ao olhar do pesquisador.
Atente-se para o fato que a ciência é considerada como um dos

30
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
meios mais transcendentes do conhecimento científico. Dada a esta
sua especificidade, Gutierrez (2005) enfatiza que um dos critérios
fundamentais deste processo está relacionado com a verdade, apesar
destas serem consideradas como relativas, pois ao longo dos tempos as
mesmas são superadas.
Em relação a um conceito mais moderno, Gutierrez (2005, p.10)
demonstra que o mesmo está intimamente atrelado a “possibilidade de
mensuração e repetição de um fenomeno empírico”, enfatizando que
a interpretaçao dos dados científicos não pode ser conduzida de forma
radical, enquanto material imprescindível da produção científica, pois
isso viria de encontro aos ditames estabelecidos para a área de ciências
humanas, o que tornaria de certo modo inaceitável.
Ao analisar a manifestação de Gutierrez, seria interessante observar
que a ciência não pode ser contemplada como um produto romântico,
manifestado por aqueles que a colocam como uma obra sublime ou ainda
de forma árbitrária atrelada a fantasia do homem e tampouco como forma
especulativa por natureza. Esta, deve sim ser vista como uma das formas
mais completas de integração e ajustamento do modo de ser do homem
com a realidade em que vive.

E para você, a partir do conceito de ciência apresentado


por Gutierrez, como a ciência pode ser considerada? Escreva
este entendimento nas linhas abaixo.
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___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________

Outro autor que estabelece uma reflexão sobre os conceitos


emitidos para a ciência é Barros. Nos seus apontamentos, você vai
encontrar novos encaminhamentos para entender o conceito sobre
ciência, destaca que:

a ciência é concebida por alguns estudiosos da


questão como um conjunto de conhecimentos

31
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

que se dá pela utilização adequada de métodos


rigorosos, capazes de controlar os fenômenos e
fatos estudados (2007, p. 49).

Vale ressaltar que para Barros este conceito, em todas as formas,


exclui alguns encaminhamentos dos processos da pesquisa provenientes
das ciências sociais e humanas.

Tal reflexão se torna particularmente fundamental para o entendimento a ser


consignado para ciência. Apesar do homem na incessante busca por novos horizontes
científicos ampliar seus conhecimentos, não consegue resolver os problemas sociais,
presentes no dia-a-dia da sociedade.

É importante ressaltar também que Marconi destaca vários


conceitos sobre ciência e concentra suas atenções sobre os emitidos por
Ander-Egg e Trujillo. Considera-os mais abrangentes que os demais por
apresentarem:

a ciência como um pensamento racional, objetivo,


lógico e confiável, ter como particularidade
o ser sistemático, exato e falível, ou seja, não
final e definitivo, pois deve ser verificável,
isto é, submetido à experimentação para a
comprovação de seus enunciados e hipóteses
[...] (2008, p.23).

Em relação ao conceito emitido por Ander-Egg, Marconi, demonstra


que:

a ciência é um conjunto de conhecimentos racionais,


certos ou prováveis, obtidos metodicamente
sistematizados e verificáveis, que fazem referência
a objetivos de uma mesma natureza (2008, p.22).

A respeito do conceito emitido por Trujillo, Marconi destaca que:

a ciência é todo um conjunto de atitudes e


atividades racionais, dirigidas ao sistemático
conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser
submetido à verificação (2008, p. 22).

Ao mapear os conceitos emitidos/utilizados por Marconi, você

32
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
poderia inicialmente dizer que eles caminham numa mesma direção.
A linguagem utilizada pelos autores em relação aos conceitos emitidos,
exprimem metodologicamente a ideia de que a ciência representa a
forma mais elevada de engajamento, vinculada ao pensamento racional,
ao objetivo, ao lógico e de ser plenamente confiável.
É de bom alvitre você também tomar ciência do conceito emitido
sobre as ciências humanas.
Gutierrez destaca a importância do processo científico tendo como
suporte as ciências humanas. A demonstração desta sua afeição pelas
ciências humanas está explícita quando refere-se que a mesma está
atrelada com a história da humanidade, quer seja pelas manifestações
religiosas, ao tipo de maneiras, ao desenvolvimento da escrita, entre
outros tantos momentos que foram sendo construídos que estão de certa
forma vinculados com a cultura dos povos.
A fim de explicitar melhor o envolvimento das ciências humanas no
contexto da sociedade, Gutierrez demostra que:

a produção em ciências humanas caracteriza-se


por ser rigorosa ao apresentar modelos teóricos
que atendam às exigências metodológicas e que
se fundamentam numa comprovação de validade
através da adequação à realidade concreta e pelo
debate entre os pares (2005, p. 10).

Observe que na conjunção desses fatores, Gutierrez demonstra que


não é conveniente estabelecer comparações desta com outras áreas de
pesquisa. Enfatiza que é necessário observar a “especificidade do campo
de conhecimento em humanas” (2005, p. 11).
Evidentemente que é necessário entender que as reflexões, os
debates e as contribuições que advém das ciências humanas visam
estabelecer parâmetros iguais ou até mesmo superiores de outras áreas
científicas.
Há, assim, boas maneiras de entender a importância das ciências
humanas. Neste caso podemos distinguir perfeitamente a contribuição
que esta traz para a melhoria da condição de vida do homem.
Ao criar este cenário enfatiza “que a produção teórica do campo
das ciências humanas se propaga, interfere e molda condutas no seio da
sociedade” (GUTIERREZ, 2005, p.13).

33
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

As ciências humanas, tendo como suporte o seu acúmulo histórico, dentro de um processo
reflexivo e problematizador da realidade social pode ser um caminho para a inserção da educação física
dentro do processo científico?

Gutierrez, ao contextualizar a importância das ciências humanas


para a sociedade enfatiza que a sua função precipua está centrada
em contextualizar um registro sistematizado dos conhecimentos,
estabelecendo, desta maneira, uma integração ampla entre ciência e
sociedade, moldando assim as condutas do ser humano.
Chaui (2000) considera a situação das ciências humanas como
muito especial e destaca que estas passaram por três momentos:

A FENOMENOLOGIA, a qual traz como princípio


básico o estudo dos fenômenos, buscando o
PRIMEIRO entendimento do mundo por intermédio das
atividades do ser humano formulada dentro de
suas próprias experiências.
O ESTRUTURALISMO, “o qual veio permitir que
as ciências humanas criassem métodos específicos
para o estudo de seus objetos, livrando-as das
SEGUNDO explicações mecânicas de causa e efeito, sem que
por isso, tivessem que abandonar a ideia de lei
científica” (Disponível em http://br.geocities.com,
unidade 7, capítulo 4).
A contribuição do MARXISMO, o qual oportuniza
uma flexibilidade maior a este método. Permite
que o pesquisador compreenda os fatos humanos
TERCEIRO envolvidos nas estruturas sociais e históricas
e não somente pelo significado pelo qual é
construído.

Sobre a fenomenologia, estruturalismo, e marxismo você poderá aprofundar seus estudos nos
estudos de Marilena Chauí. Pesquise em http://br.geocities.com.

34
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
Assim, o estudo sobre CIÊNCIAS HUMANAS fornece uma
compreensão detalhada, a qual você pode considerar que um
dos progressos substanciais referendado para ela encontra-se no
reconhecimento mundial dos cientistas a respeito de sua aplicação.
Por mais avançada que seja a ciência, a principal virtude das ciências
humanas, é a sua contribuição ao desenvolvimento social e cultural da
sociedade. O homem não é um ser abstrato, isolado, mas sim, um ser
que vive, pensa e interage nos meios sociais, econômicos, culturais entre
outros. A sua historicidade revela um traço definidor de seu significado,
o qual se constitui na sua grandeza.
Lembre-se que a sociedade se caracteriza por movimentos sociais,
culturais, econômicos, políticos denominados por capitalismo, neo-
capitalismo, globalização, era da informação, era do conhecimento, entre
outras tantas formas que se manifestam em nossas vidas trazendo em seu
bojo impactos consideráveis para o sistema de vida do homem.
No que se trata sobre as CIÊNCIAS SOCIAIS é interessante você
conhecer o que diz Minayo (2007, p. 10) ao analisar os encaminhamentos
referentes à ciência e cientificidade. Destaca que o campo científico
apesar de sua normatividade e ser envolvido por conflitos e contradições,
apresenta as diferenças existentes entre as ciências da natureza e as
ciências sociais. Diferenças estas que segunda a autora desdobram em
diversas questões. Um dos fatores mais relevantes aventados refere-se
que a cientificidade “tem que ser pensada com uma idéia reguladora
de alta abstração e não como sinônimo de modelos e normas a serem
seguidos”. (2007, p. 11).
Em relação as ciências sociais, Minayo demonstra que o seu objeto
é histórico, que busca o entendimento científico do mundo social, ao
afirmar que:

Sociedades humanas existem num determinado


espaço cuja formação social e configuração são
específicas. Vivem o presente marcado pelo
passado e projetado para o futuro, num embate
constante entre o que está sendo contruído (1994,
p. 13).

Minayo, ao referenciar os aspectos científicos das ciências sociais


como fator preponderante na busca pela objetivação social, traz como

35
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

escopo de sua posição, que o seu objeto é qualitativo, pois trabalha com
os seres humanos, atrelando, desta maneira, em seu contexto visões de
mundo construídos ao longo da história da humanidade.

COMPREENDA
Encontramos nestas palavras de Minayo uma das chaves
para bem entender o avanço significativo que as ciências sociais
tiveram para a sua consolidação no seio da sociedade. Os
pressupostos aventados para a compreensão do homem, quer seja
de forma individual ou em configurações sociais, os movimentos
sociais, a composição social, vieram consolidar uma visão científica,
dentro de um contexto definido pela racionalidade e objetividade,
visando entender a sociedade como um todo.

Na presente abordagem sobre os conceitos de ciência explicita-se


que ela pode ser considerada como um conjunto de práticas que tem como
suporte, príncipios ordenados de forma metódica, no afã de sistematizar
ações para a busca de entendimentos da realidade vivenciada no seio da
sociedade.

Agora que você já conhece alguns dos principais conceitos de ciência,


que tal elaborar o seu?

seção 3
A CIÊNCIA E SUA CLASSIFICAÇÃO

Com o propósito de estabelecer parâmetros científicos bem


definidos, por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa, conhecer as
classificações/divisões consignadas para a ciência se torna necessário.
As descobertas serão muitas, sobretudo no campo do conhecimento
e na condução dos entendimentos sobre os caminhos designados para
a ciência. As teorias referentes à classificação/divisão trazem em seu
contexto várias generalizações nas suas conclusões e interpretações.

36
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
Você sabia que...
Você sabia que os filósofos foram os primeiros a classificar/dividir a ciência? Pois foram!

Os filósofos gregos foram os primeiros a elaborar uma classificação


para ciência. Isto se deu em função de que buscavam estabelecer uma
ordem para o estudo das ciências. Observe como Aristóteles classificava
a ciência:
Física
CIÊNCIAS Considerada como
Matemática
TEÓRICAS especulativa
Metafísica
Objetiva direcionar Ética
CIÊNCIAS
as ações sobre as Economia
PRÁTICAS atividades humanas Política
Poética
CIÊNCIAS Objetiva a produções
Retórica
POLÍTICAS exteriores

Fonte: Adaptado pelos autores de BARROS, Aidil.


Fundamentos da Metodologia Científica. 2007. p.57.

As reflexões feitas por Thomas Hobbes, filósofo e cientista inglês, no


tocante a classificação da ciência, traz em sua essência uma abordagem
centrada na natureza humana, governos e sociedade. Tendo como pano
de fundo a sua obra Leviatã, proporcionou um estudo sobre o absolutismo
político que sucedeu a supremacia da Igreja medieval. Esta obra foi
considerada por muitos críticos como a sua obra prima. Ao ter a sociedade
como centro de seus estudos estabeleceu a seguinte classificação.

Ciência Histórica Tratam dos fatos


Ciência Filosófica Tratam dos antecedentes e consequentes
Fonte: Adaptado pelos autores de BARROS, Aidil.
Fundamentos da Metodologia Científica. 2007. p.57.

Outro filósofo que traz sua contribuição para a ciência é Francis


Bacon. Em seus apontamentos dedicou-se a estabelecer fundamentos
teóricos da nova ciência, que deveria trazer em seu contexto, o domínio

37
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

da realidade pelo homem. Estabelece uma classificação centrada em três


momentos, assim expressos:
• Ciência da Memória
• Ciência da Imaginação
• Ciência da Razão.

É importante também você conhecer a classificação elaborada por


August Comte, considerado como um dos ícones do positivismo e criador
da sociologia. Os seus ensaios oportunizam uma reflexão centrada em
dois momentos:

Estabelece um ponto de partida sobre a evolução do nosso


1º desenvolvimento, centrado em três momentos sucessivos: o
teológico, o metafísico e o positivo.
2º Trata-se da classificação proposta para a ciência.

Pelo que você pode constatar, a proposta elaborada por Comte,


baseada na complexidade crescente, estabelece a seguinte sequencia:
matemáticas, astronomia, física, química, biologia e sociologia.

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unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
Aritmética
Teorias Álgebra
MATEMÁTICAS Geometria
Mecânica racional,
Aplicadas
Astronomia
Física Química
FÍSICO- Minerologia
QUÍMICAS Geologia
Geografia Física
Botânica
BIOLÓGICAS Zoologia
Antropologia
Psicologia
CIÊNCIAS Sociais e Estética
Políticas Lógica
Moral
História
Geografia
MORAIS Psicológicas
Humana,
Arqueologia
Sociologia
Direito
Históricas
Economia
Política
Cosmologia
METAFÍSICAS Psicologia Racional
Teologia racional

Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p.25/6.

Você sabia que...


O lema “Ordem e Progresso”, da nossa bandeira nacional,
foi inspirado na doutrina positivista do filósofo francês August
Comte?

Fonte: www.coqueteclando.wordpress.com

39
unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

Agora que você viu a classificação elaborada por Comte, a qual, vários
outros autores utilizaram para estabelecer novos parâmetros conceituais
e classificatórios sobre ciência, dê uma olhada na classificação elaborada
por Mario Bunge.
Bunge, preocupado com a crise que se instaurou sobre ciência,
apresenta o seu conceito declarando ser este um estilo de pensamento.
A teorização proposta por Bunge, exposta no quadro abaixo, auxilia a
compreensão de seus estudos, no qual levou em consideração a diferença
da natureza dos objetos, dos enunciados e da metodologia aplicada.

Lógica
Matemática
FORMAL Física
Química
Naturais Biologia
Psicologia
CIÊNCIAS individual
FACTUAL Psicologia social
Sociologia
Economia
Culturais
Ciências Política
História Material
História das Idéias

Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p. 27.



Visto esta classificação, é importante agora que você conheça a
classificação contextualizada por Marconi e Lakatos (2008, p.28). Estas
autoras baseiam-se na classificação adotada por Bunge e destacam as
diferenças entre as ciências formais e factuais. Esta classificação centrada
nas ciências formais e factuais traz em seu contexto o que há de mais
representativo dentro deste processo.

40
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
Lógica
Matemática
FORMAL Física
Química
Natural
Biologia
Outras
CIÊNCIAS Antropologia
FACTUAIS Cultural
Direito
Cultural Economia
Política
Psicologia Social
Sociologia

Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica, 2008. p.28.

Como você já viu as diversas formas de classificação da ciência,


observe outro aspecto que é importante. Trata-se das diferenças existentes
entre a ciência formal e factual apresentadas por Barros (2007, P.59), no
tocante as ciências formais e factuais.

Ciência formais Ciências factuais


Possuem objeto de Possuem objeto
estudo determinados de estudo
por um sistema de suscetíveis de ser
definição de axiomas vinculados segundo
Características
mais ou menos procedimentos
explícita dos sistemas regulados por
operatórios que os constatações sensíveis
originaram. e sensitivas.
a) esquema casual:
supõe-se uma a)Esquema casual.
dependência de b)Esquema funcional.
causa e efeito entre os c)Esquema estrutural.
Esquematização
fenômenos.
através de explicação d)Esquema dialético.
b) Esquema de e)Esquema
mensuração e de fenomenológico.
probabilidade.

Fonte: Quadro adaptado de Barros, 2007, p. 59

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unidade 1
Universidade Aberta do Brasil

Completando, a visão sobre a classificação/divisão de ciência serve


para situá-lo dentro do contexto científico como um todo dentro de seus
aspectos metodológicos, ideológicos e conceituais.
Conforme você viu, não há uma única forma de classificar e/ou dividir
a ciência. Cada olhar, reflexão, entendimento, com os avanços constantes
dos processos científicos faz surgir novas formas classificatórias.

DICAS PARA SALA DE AULA


Converse com seus amigos contextualizando
sobre a classificação da ciência.

Nesta unidade, você estudou sobre ciência, de maneira que no futuro possa entender e relacionar
o conhecimento científico e os processos sistematizados sobre pesquisa que serão apresentados
posteriormente.
Na primeira seção, você viu a história da ciência desde os primórdios da humanidade, quando
o homem utilizava de observações sobre a natureza as quais tinham uma estreita ligação com o seu
modo de viver. Posteriormente, foi para a Grécia antiga onde a presença dos filósofos foi fundamental
para os avanços do processo científico para a humanidade. A magia e as superstições deram lugar
à ciência. Na sequencia, viu no século XVII, o surgimento do processo científico denominado de
empirismo e da experimentação. No século XVIII, foi possível identificar um grande avanço da ciência.
A tecnologia começou a se fazer presente nos processos científicos trazendo inúmeras descobertas. A
Revolução Industrial veio modificar a relação entre o trabalho e o capital, o qual oportunizou uma série
de mudanças na sociedade.
Dando sequencia nesta história, viu que o século XIX foi recheado de descobertas e avanços nos
processos científicos e, no século XX, os avanços nos estudos da biologia molecular, na clonagem da
ovelha Dolly, nas células-tronco e o sequenciamento do genoma humano foram os grandes momentos
científicos vivenciados até então.
Na segunda seção, você viu os conceitos emitidos sobre ciência. O conhecimento desses
conceitos traz em sua essência a contextualização do seu conhecimento a respeito de ciência dentro
de princípios educacionais, os quais consideramos como imprescindível para o seu envolvimento com
a pesquisa científica.
Na terceira seção, a abordagem foi em relação à classificação da ciência. Nesta seção, o
objetivo centrou em apresentar a classificação da ciência com o intuito de estabelecer parâmetros
científicos, bem definidos, por ocasião da elaboração do projeto de pesquisa.
Lembre-se, mais uma vez, que os conhecimentos adquiridos nesta unidade vão servir de base
para futuros encaminhamentos que se apresentarão na tua caminhada no ensino superior. Esperamos
que você tenha aproveitado bem esta unidade, pois entendemos que ela é de suma importância na sua
formação acadêmica. O conhecimento não pode mais estar desvinculado dos processos científicos.

42
unidade 1
Metodologia da Pesquisa Científica
1. Escolha um tema relacionado com a educação física que considere importante para ser estudado
na escola (exemplo: as olimpíadas, jogo, esporte e os problemas da juventude, as mudanças de
hábitos e costumes por intermédio da atividade física). Procure relacioná-lo com os conhecimentos
adquiridos nesta unidade.

2. Descreva alguns fatos relacionando ciência e educação física, que na sua opinião, considera
importante para ser estudado na escola.

3. Sobre as várias interpretações sobre o conceito de ciência, apresentado na terceira seção,


responda:
a) qual o conceito possível para nosso tempo?
b) o que eles tem em comum?

4. Em relação à classificação da ciência, apresentado na quarta seção, responda.


a) qual classificação você considera como a ideal para a educação física? Por que?
b) o que as classificações tem em comum? Relacione-as.

5. Elabore uma linha do tempo, com os acontecimentos que você considera como os mais significativos
desde a Grécia antiga até o século XX.

43
unidade 1
44
Universidade Aberta do Brasil

unidade 1
UNIDADE II
Metodologia da Pesquisa Científica
Conhecimento
Antonio Carlos Frasson
Constantino Ribeiro de Oliveira Junior

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
■■ Ao término desta unidade você deverá ser capaz de diferenciar os

tipos de conhecimentos; conhecer os principais métodos que constroem

as bases lógicas da produção do conhecimento e diferenciar método

de metodologia científica.

ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ Seção 1 - Tipos de conhecimentos

■■ Seção 2 - O processo de conhecimento

■■ Seção 3 - O conhecimento científico

■■ Seção 4 - Metodologia científica e método científico

45
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

PARA INÍCIO DE CONVERSA

Até hoje, você construiu formas de compreender o mundo, a


sociedade, a família, a amizade, via a vivência em ambientes diversos.
Seja em casa, na igreja, na escola, no momento de lazer, você construiu
formas de conhecimentos que passam pelo processo de comunicação.
Discutir sobre essas formas de aquisição de conhecimentos será
um dos objetivos dessa segunda unidade. Mais. Aprofundar os tipos
de conhecimentos num processo de construção do mesmo. Qual seria
o caminho a percorrer para construir um conhecimento novo? Como
estabelecer formas de construir e verificar determinados tipos de
conhecimento?
As perguntas apresentadas acima direcionam você a uma reflexão
sobre as formas de se conhecer. Essas formas servirão para que você adentre
ao universo do conhecimento científico. Como exemplo, Marconi e Lakatos
(2000) apresentaram em sua obra formas de conhecimentos. Entre essas
formas, surge a relação entre o conhecimento e a ciência. Essa relação entre
ciência e conhecimento científico é apresentada nas cinco subdivisões do
livro. Na primeira, discute-se o conhecimento científico e outros tipos de
conhecimentos; na segunda, o conceito de ciência; na terceira, a classificação
e divisão da Ciência; na quarta, ciências formais e factuais e na quinta, parte
do capítulo apresenta-se as características das ciências factuais. Por essas
subdivisões, você pode perceber que não é simples discutir o conhecimento
e os meios pelos quais eles são produzidos.
Portanto, nessa segunda unidade, você centrará a atenção sobre os
tipos de conhecimentos, tendo como foco a articulação desses tipos com a
construção do seu conhecimento, sobretudo o conhecimento científico.
Você verá que o conhecimento pode vir de diversas fontes. Viegas
(2007, p. 11) atenta ao fato de diferenciá-los, compreendê-los, para que
você não caia em uma de duas armadilhas conhecidas que ocorrem
quando você inicia a busca por novos conhecimentos. Seria “frustar-se
na busca utópica de uma certeza impossível na ciência ou enredar-se no
subjetivismo ideológico igualmente incompatível com ela”.
Veja as possibilidades do conhecer para não cair nessas
armadilhas.

46
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
seção 1
TIPOS DE CONHECIMENTO

Com o intuito de diferenciar os tipos de conhecimento, Marconi,


Lakatos (2000) apresentam uma situação histórica relacionada à
agricultura, desde a Antiguidade, em que se diferenciam tipos de
conhecimentos.

A idéia foi a de mostrar a evolução dos


conhecimentos relativos ao período de plantio,
de colheita, de manuseio de grão, a inclusão de
maquinários, a utilização de fertilizantes, etc.

Nessa evolução, tanto pessoas iletradas quanto pessoas que


se aperfeiçoaram no processo de plantio possuem conhecimentos
provenientes de locais diferentes. Os conhecimentos a que as autoras se
referem seriam:

[...] vulgar ou popular, geralmente típico do


camponês, transmitido de geração para geração
por meio da educação informal e baseado em
imitação e experiência pessoal; portanto empírico
e desprovido de conhecimento sobre a composição
de solo, das causas do desenvolvimento das
plantas [...]; o segundo, científico, é transmitido
por intermédio de treinamento apropriado, sendo
um conhecimento obtido de modo racional,
conduzido por meio de procedimentos científicos.
Visa explicar “por quê” e “como” os fenômenos
ocorrem, na tentativa de evidenciar os fatos
que estão correlacionados, numa visão mais
globalizante do que relacionada como um simples
fato [...] (MARCONI, LAKATOS, 2000, p. 16).

47
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Pense sobre sua formação:


Os exemplos na área da Educação Física, sobretudo em relação à licenciatura!

Não seria necessário retomar exemplos desde a Antiguidade. Basta


refletir sobre a realidade cotidiana. Dois aspectos sobre os conhecimentos
apresentados acima chama a atenção.
O primeiro seria a ideia do conhecimento popular, também conhecido
como senso comum, adquirido empiricamente no meio informal.

Seria a mesma situação em que qualquer indivíduo adquire


o conhecimento sobre jogos e esportes por meio do convívio com
a família, os amigos, no ambiente familiar ou na rua. Quem não
aprendeu a jogar “bolinhas de gude”? Quais as variações deste
jogo? “Linha”, “triângulo”, “buraco” seriam alguns exemplos. Os
conhecimentos referentes à técnica, as regras são transmitidas de
geração para geração e normalmente jogava-se na rua, ambiente
informal. Não se poderia pensar a mesma situação para o “bete
ombro”?

Ou seja, o empírico a que o texto se refere estaria relacionado


às experiências vivenciadas no cotidiano. Quem não teve acesso a
informações referentes a análises sobre os jogos de futebol efetuados
em ambientes como o do clube, do bar, ou em conversas com amigos?
Discussões acaloradas de torcedores apaixonados que tendem a explorar
conhecimentos repassados pelos colegas, pelas suas experiências, pela
mídia, etc.
O segundo aspecto seria o conhecimento científico, transmitido
via treinamento e sua obtenção por meio racional, via procedimentos
científicos. Via de regra, este conhecimento é transmitido pelo ambiente
formal. Este conhecimento é produzido, armazenado e transmitido no
meio universitário.

48
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
Quais os procedimentos pedagógicos mais utilizados atualmente pelos profissionais da
Educação Física nas escolas brasileiras? Não se discute isto no senso comum. Esta seria uma pergunta
que necessita aprofundamento.

Por mais que a questão levantada acima possa ser genérica, a sua
resposta não se concretiza pela experiência no meio informal. Seria
necessária uma investigação metódica, via procedimentos técnicos
que permita recolher informações a respeito do que são procedimentos
pedagógicos, tanto na teoria quanto na prática. Também necessitaria de
instrumentos de coletas de dados para que os mesmos sejam analisados
para somente após serem transformados em documentos com informações
confiáveis. Nesses dois exemplos são determinadas diferenciações entre
o conhecimento popular e conhecimento científico.
Porém, existem outras características que permitem articular a
diferenciação entre os conhecimentos.

Quais seriam?

Basicamente pela “forma, o modo ou o método e instrumentos do


‘conhecer’” (MARCONI, LAKATOS, 2000, p. 16). Trazendo os exemplos
para a Educação Física, nos jogos citados acima (bolinha de gude e o bete-
ombro) existem pessoas que sabem como jogar, sabem que existe diversão
em torno dos jogos e em função dessa diversão surge a demonstração de
prazer quando da participação. Esses saberes podem ser considerados
um conhecimento verdadeiro e comprovável, porém não científico.
No exemplo dado por Marconi, Lakatos, para um estudo ser científico
seria necessário conhecer categorias como a natureza, composição, ciclo
de desenvolvimento e as particularidades de uma determinada espécie.
A utilização de categorias é marcante no exemplo. Lembre que os autores
se referem a plantação de determinadas safras. Você deve pensar em
categorias a serem usadas nos exemplos sobre a Educação Física.

49
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Qual a natureza do jogo e das brincadeiras para o ser humano?


Todas as pessoas independentes da idade jogam e brincam da
mesma forma e intensidade?
Os jogos são os mesmos em todas as regiões?
Qual o método mais adequado a ser empregado numa pesquisa
com essas preocupações?
Quais os instrumentos pelos quais você poderá recolher
informações a respeito do assunto?

Diante do exposto, via Marconi, Lakatos, o que fica explícito é que

a ciência não é o único caminho de acesso ao


conhecimento e à verdade; um mesmo objeto ou
fenômeno [...] pode ser matéria de observação
tanto para cientista quanto para o homem comum;
o que leva um ao conhecimento e outro ao vulgar
ou popular é a forma de observação (2000, p. 16).

Em relação a diferenciação desses dois tipos de conhecimentos,


as autoras apresentam a interpretação de que ambos buscam a
racionalidade. Ou seja, ambos os conhecimentos procuram a lógica.
Porém, o conhecimento científico baseia-se em teorias, pelas quais se
busca a “construção de imagens da realidade, verdadeiras e impessoais”
que transcendem a vivência particular. Busca-se um conhecimento
por intermédio de construção de hipóteses (respostas provisórias a um
problema) que são submetidas “à verificação planejada e interpretada
com o auxílio de teorias”(MARCONI, LAKATOS, 2000, p.17).

Como diferenciar um conhecimento do outro?


Existem detalhes que nos auxiliem a entender melhor esta divisão para
compreender a ciência?

Marconi e Lakatos abordam o bom senso como uma forma espontânea


de conhecer, sendo, no entanto um conhecimento limitado, obtido de
forma direta nas experiências com os fenômenos e seres humanos.
Esta limitação tem como parâmetro a busca pela racionalidade e
objetividade.

50
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
Esta limitação tem como parâmetro a busca pela racionalidade e
objetividade.

PARA COMPREENDER:
Marconi e Lakatos entendem:
Racionalidade como uma sistematização coerente
de enunciados fundamentados e passíveis de verificação.
Objetividade seria o ideal da objetividade, é
apresentado pelas autoras como uma procura de adaptação
aos fatos ao invés de especulações em controle.

Utilizando-se de Ander-Egg (1978, 13-14), as autoras caracterizam o


conhecimento popular como superficial, sensitivo, subjetivo, assimétrico
e acrítico.

SUPERFICIAL
pelo fato de conformar-se com a SUBJETIVO
aparência, não se aprofunda para
por considerar a organização do
explicar os fenômenos; sensitivo pelo fato
conhecimento pela experiência do sujeito;
de relacionar o conhecimento com as
emoções vivenciadas;

ACRÍTICO
ASSIMÉTRICO
por não haver um tratamento crítico
por não existir uma preocupação em
para verificar a veracidade dos fatos
organizar as idéias;
vivenciados.

Para melhor compreender as diferenças de conhecimentos Viegas


(2007, p.23) apresenta uma Tipologia do Conhecimento. Nessa Tipologia
existe um plano cartesiano sobre o conhecimento.

Seriam os conhecimentos “religioso, ideológico, científico e filosófico”.

51
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Marconi e Lakatos também apresentam quatro tipos.

Seriam “o conhecimento popular, o conhecimento científico, o conhecimento filosófico e o


conhecimento religioso”.

Para Viegas, uma das diferenciações possíveis seria dividir aqueles


conhecimentos em função do plano do sentimento e da razão. Tanto o
conhecimento religioso quanto o ideológico estariam próximos ao plano
do sentimento enquanto o científico e religioso estariam próximos ao
plano da razão. Para Marconi e Lakatos o que diferencia o conhecimento
científico dos demais seria seu contexto metodológico.

O que mais diferencia estes conhecimentos? Quais seriam as características de cada tipo?

As autoras recorrem a Trujillo (1974, p.11) para apresentar as


características de cada tipo de conhecimento. O conhecimento popular é
caracterizado como um conhecimento valorativo, reflexivo, assistemático,
verificável, falível e inexato.

Vejam as especificações:

Valorativo no sentido de que o sujeito que conhece algo deixa este


conhecimento ser influenciado pelo sistema de valores que ele possui.
Fazendo isto, toda compreensão de um novo fenômeno é mediado
pelo estado de humor, sentimento que o sujeito possui no momento,
contaminando este fenômeno;

52
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
Fenômeno pode ser entendido por qualquer objeto
de conhecimento contextualizado no tempo e no espaço.
Poderia ser um novo jogo, as relações interpessoais que
ocorrem num evento, como em um jogo. Ou seja, poderia
ser qualquer acontecimento em que o sujeito vivencia em
um determinado lugar e em determinado momento. Para
aprofundar esta discussão, verifique a diferença entre
fenômeno e tema proposto por Richardson (1999).

Reflexivo, um conhecimento que não pode ser formulado para


explicações gerais, pois a limitação dessa reflexão é feita pela familiaridade
do sujeito com o objeto;
Assistemático pelo fato da organização do conhecimento se limitar
ao plano da experiência do indivíduo e não das ideias que permitam uma
explicação mais abrangente;
Verificável em relação a experiência vivenciada pelo sujeito;
Falível e Inexato pelo fato de ser superficial.

O sujeito contenta-se com a aparência, acredita em situações apenas contadas por outras
pessoas, o conhecimento popular poderia ser caracterizado como aquele em que o indivíduo adquire
pela vivência de situações nas quais a interação é direta e sua apreensão se dá de forma automática,
sem maiores reflexões sobre o fenômeno ou objeto vivenciado.

Outro conhecimento apresentado por Marconi e Lakatos seria o


filosófico. As características deste conhecimento seriam: valorativo,
racional, sistemático, não verificável, infalível e exato.

Vamos compreender estas características. Por que valorativo e racional?

53
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Valorativo pelo fato de que este tipo de conhecimento parte de


experiências que criam hipóteses (respostas provisórias) não verificáveis.
Quer-se dizer que as hipóteses não são aplicáveis a observação. A
racionalidade deste conhecimento deve-se ao fato de que existe uma
correlação lógica aos enunciados; sistemático pelo fato de existir uma
representação coerente da realidade, por meio das hipóteses e enunciados;
não verificável, infalível e exato pelo fato de que as hipóteses não podem
ser confirmadas, nem refutadas, pois não são passíveis de observação.
O terceiro tipo de conhecimento seria o religioso. Suas características?
Valorativo, inspiracional, sistemático, não verificável, infalível e exato.
Quando há referência a este tipo de conhecimento, teológico, diz-se que
é um conhecimento que contém dogmas.

Dogmas de fé que são sagrados e, por isso, é valorativo.

Marconi e Lakatos, apoiando-se em Trujillo demonstram que


é inspiracional pelo fato de ser um conhecimento que é obtido por
revelações que vieram do sobrenatural. Por isso mesmo, são infalíveis e
indiscutíveis. Salienta-se que a característica de sistematização refere-se
ao fato de que o mundo é organizado e explicado pela noção de origem,
significado, finalidade e destino. Por último, os argumentos apresentados
para o conhecimento não ser verificável está justamente no fato de que
as verdades são reveladas via o sobrenatural e a fé é que sustenta sua
aceitação.
Quarto e último conhecimento apresentado seria o científico.

Suas características?
Real, contingente, sistemático, verificável, falível, aproximadamente exato.

Quando existe a referência ao conhecimento real, associa-se o


termo factual para reforçar esta característica. Por quê? Por lidar com
fatos, acontecimentos, fenômenos observáveis. Contingente pelo fato de
utilizar de experimento para falsear ou dar veracidade as proposições e/ou
hipóteses. Sistemático, pelo fato de ordenar as ideias de tal forma que se
constroem teorias. Verificável, caso o conhecimento não seja passível de

54
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
observação e confirmação não se enquadra no conhecimento científico.
Falível e aproximadamente exato por considerar que o conhecimento não
é definitivo. Sempre poderá ser modificado.

Para aprofundar:
Viegas (2007, p12) referencia alguns autores que
fazem uma discussão aprofundada entre cada um dos tipos
de conhecimento. Alguns contrapondo um conhecimento a
outro.

DICAS PARA SALA DE AULA


Dialogue com seus colegas de sala sobre
os tipos de conhecimentos apresentados.

seção 2
O PROCESSO DE CONHECIMENTO

O processo de conhecimento depende de múltiplos fatores. Desde


o nascimento até a entrada na universidade, vários foram os ambientes
vividos que estimularam você a adquirir informações pelas quais você
optou armazenar de uma forma ou outra.

Entre estes ambientes temos o ambiente familiar, o


ambiente escolar, algum ambiente religioso, o meio formal de
ensino, o ambiente da rua ou os campinhos de futebol (local em
que você pode ter conhecido vários amigos). Em vários destes
ambientes o tipo de convivência proporcionou experiências que
pode tê-lo levado a um dos tipos de conhecimentos relacionados
anteriormente. No entanto, como ocorre o processo de
conhecimento?

55
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Viegas apresenta o processo pelo qual surgiram formas de


conhecimento. Para ele, o ser humano conhece via um processo intelectual
pelo qual ele consegue pensar e processar conceitos e ideias. Estes
conceitos e ideias são filtrados, por assim dizer, pelos sentimentos e pela
razão. Em função da multiplicidade de compreensões que surgem via
este filtro é que se teria um tipo de conhecimento específico.

Em função desta explicação é que foi apresentado o conhecimento


religioso e ideológico mais próximo do sentimento e o conhecimento científico e
filosófico mais próximo da razão.

Em todo o processo de aprendizagem existem formas pelas quais


as informações são absorvidas pelo ser humano. Viegas apresenta
duas correntes históricas provenientes da Grécia antiga para explicar a
formação das ideias por meio das sensações:

“O idealismo platônico e o realismo aristotélico”.

Nessa linha de raciocínio, desde Aristóteles a “sensação seria um


processo pelo qual se forma o conhecimento” (VIEGAS, 2007 p. 18).
Esta interpretação começa a mudar com Descartes, que aponta para a
sensação como uma captação dos movimentos que provêm às coisas,
sendo a unidade elementar do conhecimento.
Viegas apresenta mais uma interpretação com base em Kant
para a sensação, demonstrando a evolução na forma de conhecer e a
multiplicidade de formas de conhecer. Para Kant, a sensação seria “o
efeito de um objeto sobre a faculdade de representação, tão logo somos
afetados por ele”(VIEGAS, 2007, p.18). O que torna interessante este
processo para seu estudo é verificar que no processo de construção de
ideias as sensações são os meios pelos quais se percebe um objeto e esta
percepção chega ao intelecto. O sabor depende da análise do indivíduo.
Existem quatro sensações elementares (doce, amargo, sal e ácido). Cabe
ao indivíduo processar a percepção sobre estes elementos. Ou seja, o
indivíduo é central no processo.

56
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
E a razão fica onde neste processo?

Basicamente, Viegas faz uma introdução ao processo do


conhecimento que toma como foco o mix razão- sentimento como os dois
caminhos pelos quais os quatro tipos de conhecimento são construídos.
Ou seja, um dos conhecimentos pode maximizar a razão e minimizar o
sentimento, ou vice-versa.

DICAS PARA SALA DE AULA


Converse com seus amigos, contextualizando o
processo de aquisição de conhecimentos.

seção 3
O CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Neste momento, cabe a você enfocar o conhecimento científico. A


razão para isto seria o foco que se pretende traçar. Pode-se aprofundar
nos processos de aprendizagem para compreender todo o processo.
No entanto, seu foco agora é buscar subsídios para compreensão do
conhecimento científico e iniciar nos caminhos pelos quais pode-se
construir os novos conhecimentos.
Navegue inicialmente por Viegas. Para este autor o conhecimento
científico é aquele em que se busca a maximização da racionalidade
e da sensibilidade para apreender um objeto. Esta apreensão seria a
forma de representação de um determinado fenômeno. Viegas apega-se
a Cuvillier (1961, p. 22) para demonstrar que este conhecimento seria
empírico: “parte da experiência e da verificação para, então, buscar a
sistematização, vale dizer, procura descobrir as relações constantes entre

57
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

os fenômenos, isto é, suas leis ou em outras palavras, suas causas”.


Complementando as características deste tipo de conhecimento,
Viegas apresenta critérios de cientificidade interna e externa, com
base em Demo (1980). Estes critérios garantiriam a verificação das
características de um conhecimento falível, quase exato e não valorativo.
Os critérios internos seriam a coerência, a consistência, a originalidade
e a objetividade.
O que significa cada um?

coerência consistência
Enquanto ausência de contradições; Para resistir a argumentações contrárias;

originalidade objetividade
Não produzir conhecimentos e sim Retratar a realidade como ela é e não
acrescentar contribuição; como se gostaria que fosse.

Fonte: Adaptado de Demo in Viegas (2007, p. 34).

Os critérios externos tendem a integrar o cientista em sua


comunidade. As palavras chave apresentadas por Viegas seriam
intersubjetividade, divulgação, comparação crítica, reprodutibilidade e
reconhecimento.

Como compreender os critérios externos de cientificidade?


Uma dica interessante é resgatar o trabalho de Silva (2001) intitulado “Metodologia da pesquisa e
elaboração de dissertação”. Sobretudo o capítulo sobre o pesquisado e a Comunicação Científica
que trata dos canais formais e informais de comunicação.

Tendo em vista o foco de se pensar os caminhos pelos quais você


poderá se apossar dos conhecimentos existentes e construir novos
conhecimentos, seu próximo passo será adentrar ao universo do método
científico e da metodologia científica.

58
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
seção 4
METODOLOGIA CIENTÍFICA E MÉTODO

Vimos na seção anterior que o conhecimento é produzido pelo


ser humano. A produção do conhecimento se realiza por intermédio do
intelecto, pelas vias da razão e do sentimento. No entanto, a maximização
de um ou o equilíbrio de ambos definem o tipo de conhecimento que se
está construindo.
Você também viu que existem quatro tipos de conhecimento. Entre
eles o conhecimento científico é o foco de seu estudo. Em função disso,
nesta seção, você adentrará a um universo de informações que pretendem
possibilitar que você identifique quais são os caminhos pelos quais se
pode construir um conhecimento científico. Porém, para se construir
conhecimentos é necessário se apropriar dos já existentes.

Espere um pouco:
Qual seria o caminho para se apoderar destes conhecimentos?
Como proceder para construir novos conhecimentos?

A primeira situação a pensar é que você adentrou a uma universidade.


O conhecimento é adquirido por meio de atividades de ensino, pesquisa
e extensão. No caso da pesquisa, é essencial que se adote uma atitude
investigativa. Esta é uma idéia que pode ser aprofundada via Luna (2002).
Na proposta deste autor, o conhecimento é produzido pela pesquisa. E
para ele, pesquisa “visa a produção de conhecimento novo, relevante
teórica e socialmente fidedigno” (2002, p. 15). Sobre este conceito
complementa-se que a pesquisa deve compreender “um conhecimento
que preenche uma lacuna importante no conhecimento disponível em
uma determinada área do conhecimento”.

COMO SABER SE O CONHECIMENTO É RELEVANTE?

Para Luna, “o julgamento último da novidade e da importância do conhecimento produzido


é feito pela comunidade de pesquisadores que estudam aquela área” (2002, p. 15).
No seu caso a área da Educação Física.
Para aprofundar sobre critérios de relevância, consultar Salomon (1999).

59
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Luna (2002, p. 15-16) trabalha com a ideia de objetivos de pesquisa


e não um tipo particular. Entre os objetivos de pesquisa estariam a

demonstração da existência (ou ausência) de relações


entre diferentes fenômenos; estabelecimento da
consistência interna entre conceitos dentro de uma
dada teoria; desenvolvimento de novas tecnologias
ou demonstração de novas aplicações de
tecnologias conhecidas. Aumento da generalidade
do conhecimento; descrição das condições sob as
quais um fenômeno ocorre.

Esses objetivos dariam o rumo para se adentrar no universo da


pesquisa.
Porém, Demo (1995) apresenta algumas formas de entender o que é
pesquisa. Ele apresenta uma síntese de autores que possuem diferentes
ou formas complementares de entendê-la. Uns entendem como pesquisa
coletar e sistematizar dados, permitindo uma descrição do pesquisado,
ou seja, da realidade. Veja que a ênfase aqui é a descrição. Este tipo de
pesquisa irá adotar uma forma de construção lógica do pensamento que
você verá à frente.
Esse mesmo autor apresenta ainda entendimentos diferentes que
levam a realização de pesquisas para explicação. Neste tipo de pesquisa
o estudo e a produção de quadros teóricos de referência constatariam o
que existe sobre uma determinada área. A ênfase é no desvendar por que
existe.
Por último, existem pesquisas que tentam mesclar teoria e prática.
Este tipo de pesquisa visa compreender a realidade e nela intervir.

Entendimentos sobre pesquisa que levam a descrição, explicação ou a intervenção na realidade.

Pois bem, você adentrou a um universo em que a pesquisa é uma


das formas de adquirir e produzir o conhecimento. Então, o que seria a
Metodologia Científica?
Demo (1995) aborda Metodologia como

o estudo dos caminhos, dos instrumentos usados


para se fazer ciência. É uma disciplina instrumental
a serviço da pesquisa. Ao mesmo tempo em que
visa conhecer caminhos do processo científico,
também problematiza criticamente, no sentido de
indagar os limites da ciência, seja com referência

60
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
à capacidade de conhecer, seja com referência à
capacidade de intervir na realidade (1995, p. 11).

Para sua melhor compreensão, recorra a Mattos, Rossetto Jr; Blecher


(2004). Eles apresentam a Metodologia Científica como a forma de
estudar ou conhecer os métodos utilizados para a realização de pesquisas
científicas ou acadêmicas. A Metodologia, segundo os autores, ocupa
espaço nas grades curriculares dos cursos de formação superior enquanto
uma disciplina acadêmica. Essa disciplina serve para facilitar a produção
do conhecimento, “como uma ferramenta capaz de auxiliar e entender os
processos de buscas e respostas” (2004, p. 13).

E AGORA?
Adotando essa entrada sobre a metodologia, cabe a você
questionar: se a metodologia constitui uma disciplina que visa
auxiliar o entendimento dos meios pelos quais se produz o
conhecimento, o instrumental para se fazer ciência,
qual seria o papel do método?

Para conceituar método é importante salientar duas portas de


entrada. Aquela em que o objetivo da ciência é o de chegar a veracidade
dos fatos via a verificabilidade e a de que a ciência substituiu a busca da
verdade pela tentativa de aumentar o poder explicativo das teorias.

Gil (2008, p. 8) aponta para a necessidade de que uma pesquisa científica seja pautada por
operações mentais e técnicas que possibilitem a verificação do conhecimento que se gera.
Ou seja, o método para se chegar ao conhecimento. Dito de outra forma, o método seria
entendido como o “caminho para se chegar a um determinado fim” e o Método Científico “
o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento”.
Neste sentido, o autor fala sobre uma diversidade de métodos que são determinados pelo
tipo de objeto a investigar e pela classe de proposições a descobrir.

Em termos de classificação, os métodos podem ser abordados


por dois grandes grupos: “o dos que proporcionam as bases lógicas da
investigação científica e o dos que esclarecem acerca dos procedimentos
técnicos que poderão ser utilizados” (GIL, 1999, p 27).

61
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Podem ser elencados como os que


buscam abstrações dos fenômenos
naturais e sociais. Possibilitam decidir
O primeiro grupo o alcance da investigação, das regras
de explicação dos fatos e da validade de
(bases lógicas da generalizações. Cada um dos métodos a
investigação científica) ser apresentado vincula-se a “uma das
correntes filosóficas que se propõem a
explicar como se processa o conhecimento
da realidade” (2008, p.9).

O segundo grupo Garantem a objetividade e precisão no


estudo de fatos sociais. Geralmente são
(procedimentos combinados métodos para se chegar ao
técnicos) conhecimento fidedigno.

As bases lógicas da investigação científica, apresentadas por Gil


(2008), seriam os métodos dedutivos relacionado a corrente filosófica do
racionalismo, o indutivo relacionado a corrente filosófica do empirismo, o
hipotético-dedutivo relacionado a corrente filosófica do neopositivismo,
o dialético relacionado ao materialismo dialético e o fenomenológico
relacionado a fenomenologia.
Os procedimentos técnicos enfocando as ciências sociais seriam o
método experimental, o método observacional, o método comparativo, o
método estatístico, o método clínico e o método monográfico.

E na Educação Física?

Esses métodos são utilizados?

A Educação Física é uma área que permite a abordagem de diversos


fenômenos. Sejam eles vinculados as Ciências da Saúde, as Ciências
Sociais, Ciências Biológicas, etc. Nesse sentido, tanto as bases lógicas
quanto os procedimentos técnicos são aplicáveis nessa área.
Sobre alternativas de métodos, você pode optar pela consulta a
Mattos, Rossetto Jr; Blecher (2004). Você encontrará o método descritivo e
experimental. O primeiro possui como característica a observação dos
registro, análise, descrição e correlação de fatos ou fenômenos. Entre os tipos

62
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
de pesquisa encontrados a este método estão o estudo exploratório, estudos
descritivos, survey e estudo de caso. Fenômenos, de tal forma que o ritual da
pesquisa obedece a sequência de registro, análise, descrição e correlação de
fatos ou fenômenos. Entre os tipos de pesquisa encontrados a este método
estão o estudo exploratório, estudos descritivos, survey e estudo de caso.

Cada um desses estudos será abordado na unidade 3. Você poderá se aprofundar consultando
Mattos, Rossetto Jr; Blecher (2004), bem como Silva (1999).

O segundo (método experimental), apresentado por Mattos, Rossetto


Jr; Blecher (2004), é aplicável em estudos em que você irá manipular
variáveis (enquanto fatores que interferem em um determinado objeto de
estudo) proporcionando relações de causa e efeito, bem como o modo pelo
qual o fenômeno é produzido. Os meios técnicos mais utilizados são a
testagem, questionários e medidas para verificar relações entre variáveis.
Esses dois métodos estão relacionados a pesquisa direta que pode
ser dividida em pesquisa de campo ou de laboratório.
A pesquisa direta subdivide-se em pesquisa documental e pesquisa
bibliográfica e usam o método bibliográfico. Esse método busca a
explicação de problemas propostos segundo as “referências teóricas e/
ou revisão de literatura de obras e documentos que se relacionam com o
tema” (MATTOS, ROSSETO Jr; BLECHER, 2004, p.18).

RETORNO:
E quanto as bases lógicas e as técnicas apresentadas
acima com referência a GIL?

Retorne às bases lógicas na construção do conhecimento. Para que


você se forme em Educação Física é necessária uma compreensão de
conceitos e de uma linguagem própria do profissional da área. Isto garante
a comunicação com os pares. Em função disto, tanto para construir o
conhecimento quanto se apropriar dele, essas bases lógicas são usadas.
Em que medida e com quais características?
O método dedutivo é o raciocínio que parte do geral para o específico.
Marconi e Lakatos (2000, p.63), apoiando-se em Salomon (1978, PP.
30-31), apontam para duas características básicas desse método: “I- Se
todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira;
II – Toda informação ou conteúdo fatual da conclusão já estava, pelo

63
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

menos implicitamente, nas premissas.” As conclusões proporcionadas


por esse método são frutos de uma maneira formal em função da lógica.
Os racionalistas propuseram esse método sendo a razão a única forma de
chegar ao conhecimento verdadeiro.

Guardada as limitações, veja o exemplo:


Todo brasileiro gosta de jogar futebol.
João é brasileiro.
Logo, João é jogador de futebol.

No exemplo acima se pode visualizar o silogismo, que segundo


Gil (2008) é uma construção lógica que, a partir de duas proposições
(premissas) retira uma terceira, nelas logicamente implicadas,
denominada conclusão.
Gil argumenta que nas ciências sociais esse método é pouco utilizado
pela “dificuldade de obtenção de argumentos gerais, cuja veracidade não
possa ser colocada em dúvida” (2008, p.10).

Para aprofundar.
Sobre as bases do método dedutivo você poderá
consultar as obras de Richardson (1999)
e a de Alves-Mazzoti e Gewandsznajder (2002).

O método indutivo parte de dados ou observações particulares para


generalizações. Dito de outra forma, por meio de observações empíricas
constatadas chega-se a conclusões que tendem a generalizar os dados.
Para Gil (1999, p. 28) sua origem advém do movimento empirista, cujo
movimento crê que o conhecimento é fundamentado unicamente pela
experiência, sem considerações a princípios preestabelecidos.
Marconi e Lakatos (2000, p. 63), apoiando-se em Salomon (1978,
PP. 30-31), apresentam como características desse método o seguinte:
“I- Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente

64
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
verdadeira, mas não necessariamente verdadeira; II – A conclusão encerra
informação que não estava, nem implicitamente, nas premissas”.
A lógica do método indutivo está na observação de fatos e fenômenos,
na comparação dessa observação para descobrir relações entre elas,
partindo para as generalizações “com base na relação verificada entre os
fatos ou fenômenos” (GIL, 1999, p. 29)

Guardada as limitações, veja o exemplo:


Pedro joga futebol.
João joga futebol.
Pedro e João são brasileiros.
Todo brasileiro joga futebol.

As conclusões apresentadas no exemplo acima são prováveis e


não verdadeiras. A grande colaboração desse método foi o abandono de
posições especulativas para assumir a observação como procedimento
indispensável para o conhecimento científico. Gil (2000) reforça que esse
método permitiu a definição de técnicas de coleta de dados, bem como
instrumentos de mensuração de fenômenos sociais. Entre as críticas a
este método ressalta-se a David Hume (1711-1776) a impossibilidade da
certeza e a evidência. Não é pelo fato de que certo fenômeno venha se
repetindo que não possa ser alterado. Podem existir novos fatores que
alterem os dados de uma observação, o que não permitiria a generalização.
Com a teoria da probabilidade (indica graus de força de um argumento
indutivo) esta crítica foi amenizada, porém retomada posteriormente em
função do método hipotético-dedutivo.

Para aprofundar.
Sobre as bases do método indutivo você poderá
consultar as obras de Richardson (1999) e a de
Alves-Mazzoti e Gewandsznajder (2002) ,
Marconi e Lakatos (2000).

O método hipotético-dedutivo é apresentado como elaboração de


Karl Popper (1902-1994). A ideia mestra, como demonstrada por Viegas,

65
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

seria a falseabilidade. Esta falseabilidade estaria ligada ao fato de tornar


falsa a hipótese do trabalho, tentando desacreditá-la. Porém, busca-se
ao final a corroboração da afirmação científica. Esse método possui este
nome em função da necessidade da hipótese.
Classicamente, a metáfora de cisne é usada para exemplificar esse
método. No entanto, para você melhor entender a proposta de Popper,
Viegas (2007, p.106) apresenta a síntese do método com dizeres de Popper
da seguinte forma: pelo método hipotético-dedutivo “que a ciência não é
um sistema de conceitos, mas, ao contrário, um sistema de enunciados”.
Transcrevendo o exemplo jornalístico de Assis, Viegas apresenta a idéia de
que quanto mais se tenta falsear o enunciado e com isso não se consegue

HIPÓTESE?
derrubá-lo é sinal de que a teoria possui qualidades. Como apresenta
Partindo do princípio de Gil (1999, p. 21) “quando não se consegue demonstrar qualquer caso
que uma pesquisa surge
com a elaboração de
concreto capaz de falsear a hipótese, tem-se a sua corroboração, que não
um problema (dúvida, excede o nível do provisório”.
questionamento) a
respeito de um fenômeno
(contextualizado no Veja o exemplo de Assis (apud VIEGAS, 2007, p. 106)
tempo e no espaço), a
HIPÓTESE seria resposta
provável e provisória a
[...] as teorias científicas não são sugeridas pelos
indagação proposta.
fatos, não vem deles. São produtos da livre
imaginação humana. Depois de formuladas, devem
passar por testes que visem refutá-las. O sucesso
em testes sucessivos marca a qualidade da teoria,
o que não quer dizer que ela seja verdadeira, mas
apenas melhor que as concorrentes.

Pode-se entender o método via quatro procedimentos proposto por


Popper e relatados por Viegas:

a) comparar logicamente as conclusões entre si


para testar a consistência interna do sistema; b)
investigar a forma lógica da teoria para determinar
se ela tem caráter de uma nova teoria empírica ou
TAUTOLOGIA? científica ou se é apenas tautológica; c) comparar
Repetição da mesma a teoria com outras para verificar se ela representa
teoria com palavras um avanço de ordem científica; d) testar a teoria
diferentes. por meio das aplicações empíricas das conclusões
que dela se possam deduzir.

Esse método é bem aceito nas ciências naturais, mas pouco


adequado para as ciências sociais, uma vez que muitas hipóteses são
difíceis de serem falseadas.

66
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
O método dialético, no sentido moderno surge com Hegel.
Anteriormente a isto dialética foi usada no sentido da “arte do diálogo”
(Platão) e na Idade Média como “lógica”.
Gil relata que a trajetória da vida humana apresentada por
Hegel, foi uma trajetória dialética no sentido de que “as contradições
se transcendem, mas dão origem a novas contradições que passam a
requerer solução” (1999, p.31). Uma das características dessa dialética
é o posicionamento de Hegel de que a ideia possui hegemonia sobre a
matéria, tornando-se idealista. Esta concepção foi mudada pelas obras de
Karl Marx e Frederick Engels. Inverte-se a proposta idealista para uma
materialista, na qual a matéria tem hegemonia sobre a ideia. Marconi e
Lakatos (2000, p. 83) exemplificam a dialética materialista:

o pensamento e o universo estão em perpétua


mudança, mas não são as mudanças das ideias
que determinam as das coisas. São pelo contrário,
estas que nos dão aquelas, e as ideias modificam-
se porque as coisas se modificam (POLITIZER
apud MARCONI e LAKATOS, 2000, p. 83).

Ainda Marconi e Lakatos (2000, p. 83) apresentam as quatro leis


fundamentais:

LEIS:
a) Ação recíproca, unidade polar ou “tudo se relaciona”;
b) Mudança dialética, negação da negação ou “tudo se transforma”;
c) Passagem da quantidade à qualidade ou mudança quantitativa;
d) Interpretação dos contrários, contradição ou luta dos contrários.

Sobre a ação recíproca, Marconi e Lakatos explicam que “a dialética


compreende o mundo como um conjunto de processos”. Nesse sentido,
as “coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em
movimento”. Isto quer dizer que “o fim de um processo é sempre o começo
de outro”. A ideia é a de que “todos os aspectos da realidade prendem-se
por laços necessários e recíprocos” (2000, pp. 83-85).
A mudança dialética parte da concepção de processo, de tal forma
que todas as coisas implicam em processo. Como? Todas as coisas, tanto
reais “quanto para seus reflexos no cérebro (ideias) estão sob esta regra”.

67
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

“todas as coisas e ideias movem-se, transformam-se, desenvolvem-se”.


Neste processo a extinção das coisas é relativa, limitada. No entanto,
o movimento, transformação ou desenvolvimento é absoluto. Esses
movimentos e transformações operam por contradições ou mediante a
negação de uma coisa. “A negação de uma coisa é o ponto de transformação
das coisas” (MARCONI e LAKATOS, 2000, p. 85). Por isso, a negação da
negação.
Passagem da quantidade à qualidade refere-se a mudanças
ocorridas em relação a um fenômeno. Digamos que um indivíduo persista
numa atividade física diária. Ao mesmo tempo em que ele acumulará
quantidade de atividade física no decorrer do tempo, também terá uma
mudança qualitativa em relação a sua saúde. Como todas as coisas
estão interligadas, uma saúde melhor proporciona condições de melhor
socialização e de qualidade de vida. Este exemplo foi alterado em relação
aos referenciais utilizados até aqui. Porém, exemplifica o foco central
de que as mudanças passam de meras repetições quantitativas para
mudanças de estados, o que caracteriza a qualidade.
Por fim, a interpretação dos contrários. Veja; o foco de partida de
Marconi e Lakatos para exemplificar este fundamento seria:

toda a realidade é movimento [...] movimento


sendo universal assume as formas quantitativa
e qualitativa [...] ligadas entre si e que se
transformam uma na outra.[...] qual o motor da
mudança e, em particular, da transformação da
quantidade em qualidade ou de uma qualidade
para outra nova?(2000, p. 87).

A ideia é a de que os fenômenos possuem contradições internas. E


essas contradições entram em luta num processo de desenvolvimento.
Nesse sentido, a contradição como princípio do desenvolvimento
apresenta as principais características como: a contradição é interna, é
inovadora a unidade dos contrários.
Didaticamente, essa teoria é apresentada como consistindo de tese
[posição] que produz sua antítese [oposição]. A união dessas duas produz
a síntese [composição] que é uma nova tese que produzirá sua antítese.
Assim, ocorrerá a negação da negação, produzindo transformações
quantitativas (síntese).
A proposição do método fenomenológico visa descrever a realidade,

68
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
o fenômeno, a coisa (como é tratado) como ela é. Marconi e Lakatos
descrevem a fenomenologia como a que concebe a ideia de que o mundo
é criado pela consciência. Nesse sentido, reconhece a importância
do sujeito no processo de construção do conhecimento. A realidade
emerge da intencionalidade da consciência. Desse modo, a realidade
é o compreendido, o interpretado, o comunicado. O método mostra o
que é dado e no esclarecimento desse dado. Aquilo que é aparente a
consciência. A descrição do fenômeno é central.

Para aprofundar.
Consulte a obras de Alves-Mazotti e
Gewandznajder (2002), sobretudo o capítulo
6 – O debate contemporâneo sobre
os paradigmas. Leia sobre o construtivismo social
que enfoca a fenomenologia e o relativismo.

Até aqui, você trabalhou com as bases lógicas para a construção do


conhecimento.
Entre os procedimentos técnicos elencados, buscam-se mecanismos
para você abordar sua pesquisa com certa objetividade e precisão. O
foco está na coleta de informações, sobretudo na orientação da “obtenção,
processamento e validação dos dados”(GIL, 2000, p. 33).
O método experimental é usado para recriar determinadas situações
em que o objeto de estudo é colocado frente a variáveis controladas e
conhecidas pelo pesquisador para verificar quais são os resultados
provenientes desse experimento. É um método geralmente utilizado em
laboratórios e necessita aprovação de um comitê de ética em pesquisa.
Normalmente é pouco utilizado nas ciências sociais. Em Educação Física
este método pode ser utilizado para determinar desempenho físico que
um indivíduo apresenta no momento.
O método observacional é muito utilizado em pesquisas na área
social, sobretudo os estudos comportamentais. Estudos que usam o método
fenomenológico são os que mais ocupam o processo de observação. Este
método possui características como a necessidade de estabelecimento de
uma pauta de observação, que servirão de um roteiro para redação dos
fenômenos observados.

69
unidade 2
Universidade Aberta do Brasil

Para aprofundar.
Consulte a obra de Molina Neto; Triviños (org.) (1999),
sobretudo o capítulo intitulado instrumento de coleta
de informações na pesquisa qualitativa.

O método comparativo busca apresentar as diferenças e


similaridades entre indivíduos, classes ou grupos. Possibilita comparar
“grandes grupos sociais” separados pelo espaço e pelo tempo. Os
resultados deste tipo de procedimento permitem ao estudo elevado grau
de generalização.
O método estatístico utiliza da teoria estatística da probabilidade e
é muito usado em estudos quantitativos. Atualmente existem pesquisas
complexas em que este método é associado a outros métodos qualitativos para
se conseguir resultados mais confiáveis cientificamente. Sua característica
principal seria de um método com razoável grau de precisão.
O método clínico é usado em pesquisa na área de psicologia. O
método se apoia em casos individuais e pode levar o pesquisador ao erro
quando usa esses resultados para generalizações. Existe intensa relação
entre pesquisador e pesquisado.
O método monográfico é compreendido como um estudo de caso
em profundidade. Gil elenca que estes casos podem ser feitos com
indivíduos, instituições, grupos, comunidades, etc.
Conforme você viu, não há uma única forma de conhecimento ou
uma única forma de se apropriar dele. Ao mesmo tempo, não existe um
único método. Existem métodos e em muitas pesquisas a utilização de dois
ou mais métodos podem aumentar o grau de precisão em uma pesquisa.
Dependerá do tipo de pesquisa e do tipo de pergunta que será feita.

DICAS PARA SALA DE AULA


Forme um grupo de cinco colegas e dialoguem sobre
a questão da metodologia científica e do método
relacionados a Educação Física Escolar.

70
unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
Nessa unidade, você teve contato com quatro seções. É importante você contextualizar os
conteúdos trabalhados até aqui.
Os tipos de conhecimentos apresentados são construídos culturalmente. Sua forma de
apreensão depende do intelecto via os sentimentos e a razão. Dependendo da predominância de uma
das vias (sentimento X razão) você tenderá a um dos tipos de conhecimento. Ao mesmo tempo, você
viu que os conhecimentos popular, religioso, filosófico ou científico dependem do ambiente em que
você se insere.
Da mesma forma, você verificou que existem características próprias de cada conhecimento.
Após apresentação dessas características, você viu o foco voltado para o conhecimento científico.
Sobretudo para caracterizar a nova etapa que você inicia na universidade.
Você trabalhou a metodologia científica enquanto uma disciplina curricular que permite o estudo
dos principais métodos e procedimentos técnicos que subsidiam a realização de uma pesquisa. O
caminho que você percorreu foi o de constatar que a pesquisa é um dos caminhos possíveis para que
você se apodere de um rol de conhecimentos próprios de uma determinada área, bem como para que
você construa novos conhecimentos. Por intermédio do ato de pesquisar, você verificou a necessidade
de buscar as bases lógicas que ajudam a construir o conhecimento. Verificou que os métodos dão
condições de traçar uma “trilha” na construção do conhecimento.
Ao mesmo tempo, e para finalizar, você viu os procedimentos técnicos que o ajudarão na
coleta, tratamento e sistematização de dados teóricos e empíricos para a discussão do objeto de estudo
escolhido por você.
Lembre-se, mais uma vez que os conhecimentos adquiridos nessa unidade servirão de base
para futuros encaminhamentos que se apresentarão na sua caminhada no ensino superior.

1. Descreva os quatro principais tipos de conhecimentos e explique-os, relacionando-os com


exemplos da sua experiência.

2. Relacione as principais características de cada tipo de conhecimento.

3. Qual é o papel do conhecimento e da razão na construção dos tipos de conhecimentos?

4. Explique com suas palavras os motivos pelos quais os autores citados nessa unidade colocam
como critérios de cientificidade a coerência; consistência; originalidade; objetividade!

5. Como definir se uma temática é relevante?

71
unidade 2
72
Universidade Aberta do Brasil

unidade 2
Metodologia da Pesquisa Científica
UNIDADE III
Pesquisa científica

Antonio Carlos Frasson


Constantino Ribeiro de Oliveira Junior

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
■■ Ao término desta unidade você deverá ser capaz de estabelecer

reflexões acerca da pesquisa científica por intermédio deste roteiro.

ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ Seção 1 - Pesquisa científica

■■ Seção 2 - Delineamento da pesquisa

■■ Seção 3 - Planejamento da pesquisa

■■ Seção 4 - Projeto de pesquisa

73
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

PARA INÍCIO DE CONVERSA

Quando você ouve sobre o termo pesquisa vem à mente uma série
de preocupações e porque não dizer de aflições. Recorda de um número
significativo de informações que foi passado pela mídia nos últimos
tempos, das frustrações, fracassos e êxitos de muitos pesquisadores que
amealharam vitórias com as suas pesquisas.
Apesar das dúvidas, questionamentos e principalmente pela
ansiedade que são perpassadas para você em relação à pesquisa, este
é um dos momentos mais significativos nas aulas de metodologia da
pesquisa. Esta significância é representada pelo momento de iniciar a
contextualização de um trabalho científico.
Por mais simples que ele seja será um trabalho que ficará registrado
para sempre em sua vida acadêmica.
As pesquisas, nos dias atuais, não têm mais limites ou limítrofes,
ela avança de maneira significativa em todos os setores de nossas vidas.
A sua presença quer seja nos laboratórios, nos esportes, na cultura, na
educação, na agricultura ou na economia tem oportunizado avanços
considerados para o crescimento do homem.
A par disso, essa unidade estabelece uma sequencia de
entendimentos sobre a pesquisa. Partimos da busca do entendimento do
que é pesquisa, sobre o seu delineamento, que servirá por ocasião da
elaboração do projeto de pesquisa e posteriormente do planejamento e do
projeto propriamente dito.

A maneira mais prática e eficaz de aprender a pesquisar é pesquisar.


Assim, atento a esta máxima, vamos pesquisar.

seção 1
PESQUISA CIENTÍFICA

Partindo da máxima popular de que o homem ao interagir com as


coisas e causas do mundo em que vive, atento aos pressupostos sociais,

74
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
culturais, políticos, educacionais, econômicos, entre outros, precisa de
instrumentos que venham dar-lhe o suporte técnico para a sua ação.
A partir desta máxima é possível que você visualize que um dos
instrumentos disponíveis para atender esta necessidade do homem
é a investigação. A necessidade de investigar para estabelecer novos
paradigmas conceituais é premente no homem.

VOCÊ SABIA QUE...


Pesquisa científica e conhecimento andam juntos?
Observe como isto acontece...

Por mais complexo que seja o entendimento que você tem sobre o
que é pesquisa científica, sua finalidade e objetivos, entende-se que a
busca por novos conhecimentos a respeito do que ela representa torna-se
de suma importância neste processo.
Desde os primórdios da civilização, a busca pelo conhecimento
sempre esteve lado a lado com a pesquisa. Atente-se para o fato de que
a pesquisa científica permite a construção de novos conhecimentos que
se fazem presentes em todos os âmbitos de nossas atividades que, de
uma forma ou outra, ajudam a transformar a realidade na qual estamos
inseridos.
Como você pode perceber, esta busca se torna particularmente
fundamental para o entendimento a ser consignado por ocasião da
elaboração do projeto de pesquisa e posteriormente quando da redação
final do relatório referente ao fenômeno pesquisado.

Porém, antes de prosseguir, registre no quadro abaixo qual o conceito


e/ou entendimento que você tem sobre pesquisa.
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

75
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Em virtude da complexidade que se avista para ter uma idéia clara a


respeito da pesquisa, você verá que existem diversas maneiras de buscar
sua melhor compreensão. Uma dessas formas seria iniciar pelos conceitos
emitidos a respeito do assunto.
Você verá que os conceitos aqui apresentados trazem, em sua
totalidade, formas ou modelos que orientam pesquisadores iniciantes
ou mesmo experientes nesta busca do que é pesquisa em conjunto com
suas interfaces, por isso, a incursão no campo dos conceitos é de extrema
valia. Assim, conheça e reflita sobre os conceitos de pesquisa aqui
apresentados.
Nas palavras de Cervo, você vai encontrar um dos conceitos sobre
pesquisa que vem bem ilustrar o que ela é.

A pesquisa é uma atividade voltada para a


investigação de problemas teóricos ou práticos
por meio do emprego de processos científicos. Ela
parte, pois, de uma dúvida ou problema e, com o
uso do método científico, busca uma resposta ou
solução (2007, p. 57).

De forma semelhante, você vai encontrar argumentos conceituais


sobre pesquisa em Barros, que a conceitua como um momento impar para
descobrir e conhecer algo dentro de um processo ativo de questionamento
ao afirmar que a pesquisa “consiste na tentativa de desvelamento de
determinados objetos. É a busca de uma resposta significativa a uma
dúvida ou problema” (2007, p. 81).
Acrescente também aos seus conhecimentos, o conceito elaborado
por Gil. Ao contextualizar sobre o conceito de pesquisa enfatiza que a
sua função precípua pode ser caracterizada “como o processo formal e
sistemático de desenvolvimento do método científico” (2008, p.26).
Outra autora, que traz uma preciosa contribuição para esta análise
é Minayo. Ela vê a pesquisa por outro ângulo, o filosófico. Ao assim fazê-
lo, destaca a pesquisa, como uma “atividade básica das ciências na sua
indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica
de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e
permanente” (1993, p.23).
A essa altura, você pode perceber que todos os conceitos aqui
apresentados caminham para um entendimento. A pesquisa científica é

76
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
uma ação conjunturalmente estruturada e sistematizada cientificamente
cujo objetivo principal está voltado para encontrar uma solução para os
fenômenos ou problemas aventados.

Após conhecer e refletir sobre os conceitos apresentados, elabore


um conceito sobre pesquisa científica.
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Agora que você conhece e já elaborou um conceito de pesquisa


científica avance nesse conhecimento respondendo a seguinte questão.

Para que pesquisamos?

Para encontrar resposta a este questionamento observe o que diz


Richardson (2008, p.16). Ele destaca que existem três objetivos centrais
que esboçam todo o processo de uma pesquisa, além do pressuposto
principal que é o de adquirir conhecimentos. Observe como eles se
constituem:

O primeiro deles centra-se na pesquisa para resolver


problemas. O pesquisador busca neste modelo centrar as suas
1o ações para encontrar soluções e ou respostas para problemas
específicos ou fenômenos que se avistam.
O segundo atem-se para formular teorias. Neste processo, o
pesquisador utiliza da pesquisa para estudar “um problema
2o cujos pressupostos teóricos não estão claros ou são difíceis de
encontrar” (2008, p.17).
E o terceiro volta-se para testar as teorias. Este modelo visa
atender o seguinte quadro: “quando as teorias claramente
3o formuladas são testadas e confirmadas por repetidas vezes
e se se dispõe de informação empírica consistente, pode-se
iniciar nova etapa na formulação de teorias” (2008, p.17).

77
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

VOCÊ SABIA QUE...


A pesquisa não é um fenômeno recente e que a cada
momento ela ganha novas interfaces?

Ao contextualizar os objetivos centrais de uma pesquisa, Richardson


destaca também que não há uma única forma de realizar uma pesquisa
ideal e que dificilmente existirá uma pesquisa considerada como perfeita,
em virtude que “a investigação é um produto humano, e seus produtores
são seres falíveis” (2008, p.15).
Como você pode perceber, o entendimento sobre pesquisa merece
uma discussão mais aprofundada. Fica a solicitação que você busque
mais informações a respeito do assunto, pesquisando na internet sobre
pesquisa científica.
Na próxima seção será abordado o delineamento da pesquisa. Você
verá a importância de se conhecer como a pesquisa pode ser delineada
para a consecução das ações que virão por ocasião da elaboração do
projeto e posteriormente do relatório final da pesquisa. Não esqueça
que o sucesso de uma pesquisa está vinculado com a habilidade de bem
escolher os procedimentos a serem seguidos.

DICAS PARA SALA DE AULA


Dialogue com seus colegas de sala sobre pesquisa
e pesquisa científica.

78
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
seção 2
DELINEAMENTO DA PESQUISA

O delineamento da pesquisa é considerado pelos pesquisadores como


um fator de suma importância na elaboração de um projeto de pesquisa.
Para tanto, você deve conhecer como é consignado este delineamento.
Em sua maioria, as formas estruturais de uma pesquisa científica
podem ser delineadas e/ou classificadas atendendo os pressupostos
teóricos determinados. Esse ato visa facilitar a vida do pesquisador. Esse
conhecimento será muito útil quando você elaborar o seu projeto de
pesquisa.
Observe que o delineamento formal não pode ser arbitrário. Ele
deve estar em plena conexão com as hipóteses que se almeja discutir (ou
comprovar) e principalmente encontrar-se vinculado diretamente com o
problema a ser pesquisado.

Saiba que embora ainda existam diversas formas e modelos


desse delineamento, apresentados em manuais e livros de
pesquisa, elas não são excludentes. Não existe um ferramental
único e universal que venha estabelecer tais paradigmas com
precisão.

Perceba que isto significa que toda classificação apresentada pelos


diversos autores que abordam sobre esta questão deve ser respeitada.
Assim, ao mapear os diversos delineamentos existentes sobre a
pesquisa científica e principalmente o que cada um desses delineamentos
representa para o processo científico, entendeu-se que seria interessante
apresentar a você uma classificação clássica. O saber construído em torno
dessa classificação está dividido em quatro partes: do ponto de vista da
sua natureza, da forma de abordagem do problema, de seus objetivos e
dos procedimentos técnicos.

79
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

1ª - DO PONTO DE VISTA DA SUA NATUREZA

Do ponto de vista da sua natureza a pesquisa pode ser classificada


em:

Pesquisa básica:
A pesquisa básica traz em seu contexto o objetivo de gerar novos
conhecimentos, visando o avanço da ciência. Outro aspecto importante é
que neste tipo de pesquisa o pesquisador tem como meta o saber. O saber
constituído, por intermédio da pesquisa básica, irá saciar a necessidade
intelectual do pesquisador.
Com relação ao entendimento sobre a pesquisa básica, torna-se
relevante conhecer o que Gil referencia a este respeito.

A pesquisa pura busca o progresso da ciência,


procura desenvolver os conhecimentos científicos
sem a preocupação direta com suas aplicações e
conseqüências práticas. Seu desenvolvimento
tende a ser bastante formalizado e objetiva a
generalização, com vistas na construção de
teorias e leis (2008, p 26).

Para entender bem as suas nuances atenha-se ao fato de que esse


modelo não solicita uma ação de intervenção e tampouco de transformação
da realidade social que se faz presente.

Você sabia que...


A pesquisa básica é conhecida também como pesquisa pura?

Pesquisa aplicada:
A pesquisa aplicada traz em seu contexto o objetivo de produzir
conhecimentos para uma aplicação prática voltada para a solução de
problemas específicos, envolvendo verdades e interesses locais.
Nesta práxis investigativa o pesquisador é movido a contribuir

80
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
para fins mais ou menos imediatos, buscando soluções para problemas
concretos, operacionalizando os resultados de seus estudos.
Você vai encontrar nas palavras de Gil uma das chaves para bem
entender as nuances da pesquisa aplicada. Ele destaca que a pesquisa
aplicada:

[...] tem como característica fundamental o


interesse na aplicação, utilização e consequências
práticas dos conhecimentos. Sua preocupação está
menos voltada para o desenvolvimento de teorias
de valor universal que para a aplicação imediata
numa realidade circunstancial (2008, p. 27).

Apesar de estar mais voltada para a resolução de problemas via


aplicação imediata, a pesquisa básica e a aplicada não se excluem e são
indispensáveis para o progresso das ciências e do homem. Enquanto uma
busca a atualização de conhecimentos para uma nova tomada de posição,
a outra pretende, além disso, transformar concretamente os resultados de
seu trabalho.
Veja a ilustração da forma de delineamento no quadro abaixo:

PESQUISA CIENTÍFICA

Gera conhecimentos sem finalidades


Pesquisa Básica imediatas, os conhecimentos são utilizados
ou Fundamental em Pesquisas aplicadas ou tecnológicas

QUANTO A
NATUREZA OBJETO

Pesquisa Aplicada Gera produtos, processos + conhecimentos


ou Tecnológica (resultantes das ações). Possui finalidades
imediatas

Fonte: Adaptado de Gil, 2008.

2ª - DO PONTO DE VISTA DA FORMA DE ABORDAGEM DO PROBLEMA

Em relação à forma de abordagem do problema a pesquisa recebe a


seguinte classificação:

Pesquisa Quantitativa
Dada a sua especificidade, a pesquisa quantitativa diferencia-se das
demais. Em seu contexto estrutural requer o uso de recursos e de técnicas

81
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

que preveem quantificação. Entre essas, se encontra a percentagem,


média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise
de regressão, em outras formas para atender os seus pressupostos.
Para efeito de um maior esclarecimento, o seu objetivo é mensurar
e permitir o teste de hipóteses, já que os resultados são mais concretos e,
consequentemente, menos passíveis de erros de interpretação.

Os índices gerados por este modelo podem ser comparados ao longo do


tempo, permitindo traçar um histórico da informação.

Richardson ilustra bem esse modelo de pesquisa científica ao destacar


que “é frequentemente aplicado nos estudos descritivos, naqueles que
procuram descobrir e classificar a relação entre variáveis, bem como nos que
investigam a relação de causalidade entre os fenômenos” (2008, p. 70).
Ao utilizar de instrumentos estruturados ela é considerada como
uma das formas mais adequadas de ser utilizada, mas para isso, você não
pode esquecer sobre a forma de coletar os dados. Os instrumentos para a
coleta de dados devem ser adequadamente escolhidos. Entre esses, você
pode empregar: questionários e testes estandardizados.

Pesquisa Qualitativa
O saber construído em torno desse modelo traz como escopo principal
uma relação indissociável entre o real e o sujeito tendo como base os
hábitos, as tendências, as atitudes comportamentais do ser humano. Nesse
modelo não se prioriza o emprego de instrumento estatístico. Significa
que no tocante aos seus resultados não é utilizado o fator de medir ou
numerar as categorias.
Os estudos que utilizam a pesquisa qualitativa trazem em seu
contexto uma organicidade estrutural dos fatos, o qual possibilita um
aprofundamento no entendimento do processo em análise.

Você sabia que...


A principal função da pesquisa qualitativa, mesmo centrando
a sua preocupação em analisar e interpretar o comportamento
do ser humano dentro dos aspectos da mais alta
complexidade, reside no fato de que a mesma oportuniza um
acesso fácil ao entendimento do fenômeno pesquisado?

82
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Observe que a pesquisa qualitativa tem como principal pressuposto
a forma descritiva. O pesquisador é central nesse processo, pois participa,
compreende e interpreta os dados pesquisados. Atente-se para o
entendimento dado por Richardson sobre a pesquisa qualitativa.

A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada


como a tentativa de uma compreensão detalhada
dos significados e características situacionais
apresentadas pelos entrevistados, em lugar
da produção de medidas quantitativas de
características ou comportamentos (2008, p. 90).

Observe o quadro abaixo, que ilustra esta forma de delineamento.

Se você quiser saber qual é o nível de flexibilidade de seus alunos


de uma determinada série com o objetivo de verificar a capacidade
de mobilidade deles, deve prover-se de instrumentos adequados que
possam avaliar a condição de flexibilidade de cada aluno.
Desta maneira, o seu trabalho de pesquisa teria uma conotação
vinculada a qual dos modelos acima apresentados?

Respostas
Quanto à natureza__________________________________________________
Quanto à forma_____________________________________________________

3ª - DO PONTO DE VISTA DE SEUS OBJETIVOS

Do ponto de vista de seus objetivos a pesquisa científica traz em seu


contexto a seguinte classificação:

83
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória traz como seu expoente uma maneira
diferenciada de estudar e entender os fenômenos. O saber instado por
esse modelo traz em seu conjunto alguns aspectos significativos. Vejam
quais:

O primeiro por ver a forma de um fenômeno atual pouco


1º explorado.
O segundo centrado na familiaridade com o problema a ser
2º pesquisado.
E como terceiro, talvez o aspecto mais importante, por
3º apresentar o menor grau de rigidez no seu aspecto de
planejamento.

Por ela ser de manuseio fácil faz desse modelo o passo inicial no contexto geral de um processo
de pesquisa.

Para tanto, ela traz consigo algumas características básicas que


você deve observar.

A primeira centra-se na busca pelo entendimento das razões


1a e motivações para determinadas atitudes e comportamentos
das pessoas.
A segunda refere-se que a mesma por não requerer a elaboração
de hipótese a serem testadas no trabalho oportuniza a geração
2a destas e consequentemente na identificação de variáveis que
serão incluídas na pesquisa.
Como terceira característica, ela proporciona a formação de
3a idéias para o entendimento do conjunto do problema.
E como quarta característica, dentro de sua sistemática
4a estrutural, a utilização de amostragem e técnicas quantitativas
não são de forma habitual utilizadas.

84
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Você sabia que...
Apesar de ser considerada no meio acadêmico como um modelo
aquém dos determinantes para uma pesquisa científica, ela é
um dos mais comuns no meio acadêmico?

Gil ao estabelecer parâmetros conceituais sobre esse modelo destaca


que
as pesquisas exploratórias têm como principal
finalidade desenvolver, esclarecer e modificar
conceitos e idéias, tendo em vista a formulação de
problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis
para estudos posteriores (2008, p. 27).

Atente-se ao fato de que por ela ter uma característica acadêmica,


você vai encontrá-la na forma de pesquisa bibliográfica, documental
ou de estudo de caso, envolvendo em seu aspecto organizacional o
levantamento bibliográfico e entrevistas não padronizadas.

Pesquisa descritiva
Uma das características marcantes da pesquisa descritiva que deve
ser observada é o fato dela estar voltada para descrever as particularidades
do fenômeno ou de determinada população ou ainda no intuito de
estabelecer relações entre as variáveis. Fique atento que esses dados não
podem ser manipulados pelo pesquisador.
Cervo ao referenciar a importância da pesquisa descritiva destaca
que a mesma

busca conhecer as diversas situações e relações


que ocorrem na vida social, política, econômica e
demais aspectos do comportamento humano, tanto
do indivíduo tomado isoladamente como de grupos
e comunidades mais complexas (2007, p. 61-62).

Você sabia que...


De uma maneira geral, os estudos caracterizados como
descritivos trazem como princípio básico em seu processo
estrutural a necessidade de que o pesquisador esteja provido
de uma série de informações sobre o assunto que deseja
pesquisar?

85
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Acrescente em seus conhecimentos, que vinculado a isso, encontra-


se a necessidade de estabelecer uma delimitação precisa das técnicas, dos
modelos e das teorias que orientarão a coleta e a interpretação dos dados.
Outro tópico que também merece uma atenção especial nesta práxis é o
fator delimitativo. Nesse fator encontram-se a população, a amostra, os
objetivos, as hipóteses e as questões da pesquisa.

Pesquisa Explicativa
Este forma de práxis científica é considerada como modelo
complexo. A pesquisa explicativa visa analisar e interpretar a ocorrência
dos fenômenos pesquisados.
Gil ao considerar a pesquisa explicativa como um dos modelos mais
complexo destaca:

este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o


conhecimento da realidade, porque explica a
razão, o porquê das coisas. Por isso mesmo é o tipo
de pesquisa mais complexo e delicado, já que o
risco de cometer erros aumenta consideravelmente
(2008, p. 28).

Você sabia que...


Dentro desta premissa, você pode buscar a razão e o porquê
das causas e dos fatos?

Ao buscar estabelecer e compreender a causa e efeito do problema


aventado este modelo de pesquisa contribui em muito com a fundamentação
do conhecimento científico, estabelecendo novos paradigmas conceituais
para os fenômenos estudados.
Observe o quadro abaixo que ilustra esta forma de delineamento.

86
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Atento ao que foi mostrado até aqui e relacionando com o estudo sobre a flexibilidade dos alunos,
como você classificaria a sua pesquisa?

Respostas

Quanto aos objetivos_________________________________________________________________

4ª - DO PONTO DE VISTA DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS

Pesquisa Bibliográfica
Desenvolvida a partir da utilização de livros, artigos científicos,
dissertações, teses e de material disponibilizado na internet, a pesquisa
bibliográfica traz em seu escopo uma característica sui-generis. Ela pode-
se apresentar como um processo totalmente independente ou fazer parte
da pesquisa experimental ou descritiva.

Você sabia que...


A pesquisa bibliográfica é indispensável quando se trata de
estudos históricos?

É interessante entender que uma das vantagens da pesquisa


bibliográfica reside no fato de permitir ao pesquisador obter uma gama de
informações com grande eficácia. Isso oportuniza conhecer teoricamente
o que já foi produzido sobre o assunto que se pretende abordar.

Pesquisa Documental
As principais fontes nesse modelo de pesquisa são os documentos.
Entretanto, você deve saber que o primeiro aspecto fundamental nesse
tipo de pesquisa é distinguir quais são os tipos de documentos que se
encaixam dentro desta categoria.
Você pode distinguir diversas formas de documentos nesse modelo
de pesquisa, desde as publicações oficiais (leis, decretos, atas), artigos

87
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

de jornais, cartas, fotografias, revistas, documentos pessoais e dossiês, os


quais podem ser de forma impressa, sonora ou visual.

Você sabia que...


Mesmo sabendo que esses documentos já podem ter recebido
um tratamento analítico por outro pesquisador, nada impede
que sejam reelaboradas novas análises que venham ao
encontro dos objetivos propostos na sua pesquisa?

Uma das principais características desse modelo de pesquisa que


você deve observar é a sua semelhança com a pesquisa bibliográfica.
A diferença entre ambas está circunscrita na natureza das fontes
pesquisadas.

Pesquisa Experimental
A práxis da pesquisa experimental representa no mundo científico
um modelo bastante valorizado. Adota o critério de manipulação das
suas variáveis, representada pela interferência do pesquisador no fato ou
situação estudada, que proporcionará mudanças nas causas e efeitos do
objeto em estudo.
Observe que para o pesquisador atingir os resultados, ele deve
utilizar de procedimentos adequados ou de aparelhos e instrumentos
que possam tornar perceptível as relações existentes entre os objetos
estudados.

Você sabia que...


Os dados obtidos com esse processo podem ser apresentados
em sua forma mais simplificada, por intermédio de tabelas e
gráficos?

Outro aspecto importante para você ficar atento nesse modelo de


pesquisa refere-se ao delineamento experimental dado nos dias atuais. A

88
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
possibilidade de estudar um fato com várias variáveis já se faz presente
nesse modelo de pesquisa, buscando a sua interrelação, graus de
intensidade e as suas influências.

Levantamento / Survey
O modelo de pesquisa centrada no método de levantamento/survey traz
como fator estruturante aspectos particulares na sua forma de levantamento
de dados, pois envolve a interrogação direta das pessoas, cujo comportamento
e/ou opinião se deseja conhecer em um momento específico.

Você já deve ter visto ou mesmo participado de uma pesquisa centrada neste modelo,
quando foi questionado por meio de questionários e/ou entrevistas pessoais para informar
a sua opinião sobre determinado assunto.

Tendo como suporte uma análise quantitativa, ela é muito usada


por agências de pesquisa para saber a opinião da população sobre um
tema estabelecido. Entre essas formas utilizadas, você pode encontrar
pesquisas de opinião pública, estudos acadêmicos sobre um determinado
assunto, censos demográficos, pesquisa de mercado, entre outras.
As unidades de análise estão assim centradas

Estudo de caso
Se a tua proposta de pesquisa caracterizar-se por um estudo
profundo e exaustivo sobre determinado assunto, cujos resultados venham
proporcionar amplo e detalhado conhecimento, você poderia fazer uso
desse modelo de pesquisa.
Com uma análise centrada de forma detalhada em um caso individual,
o qual torna inteligível a sua dinâmica, observe que o delineamento dado
ao aplicar o estudo de caso enquanto forma metodológica de investigação

89
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

é realizada em torno de poucas perguntas que trazem como escopo o


“como” e o “por que” do assunto a ser pesquisado. Supõe-se dessa
maneira que a aquisição de conhecimentos será plena.
Tendo em vista a sua importância cada vez mais crescente, Yin ao
conceituar estudo de caso, demonstra que o mesmo trata-se de

uma investigação empírica que investiga


um fenômeno contemporâneo dentro do seu
contexto da vida real, especialmente quando os
limites entre o fenômeno e o contexto não estão
claramente definidos (2005, p.32).

Você sabia que...


O estudo de caso traz em seu contexto um cunho descritivo?

O pesquisador não tem a possibilidade de intervir sobre a situação


estudada, mas sim proporcionar o conhecimento tal qual ela lhe surge.
Além disso, esta situação ajuda a gerar novas teorias e questões visando
uma futura investigação.

Pesquisa ex-post-facto
Ao perquirir um fenômeno já ocorrido no contexto em que vivemos
e buscar explicações e entendimento para o ocorrido, você estará usando
de uma classificação de pesquisa ex-post-facto.
A pesquisa ex-post-facto traz como particularidade a abordagem do
fenômeno após a consecução dos fatos em seu meio natural. Busca assim
verificar quais foram os elementos gerados pelo acontecimento ou ainda quais
os caminhos que provavelmente surgirão em decorrência do acontecido.

Você sabia que...


A interferência do pesquisador é totalmente nula? Pois, não
existe nenhuma perspectiva que este consiga alterar qualquer
situação proveniente do ocorrido. Elas chegam ao pesquisador
após a sua ocorrência e efeitos.

90
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Gil define a pesquisa ex-post-facto como

uma investigação sistemática e empírica na qual


o pesquisador não tem controle direto sobre as
variáveis independentes, porque já ocorreram
suas manifestações ou porque são intrinsecamente
não manipuláveis (2008, p. 58).

Ou seja, os fatos já ocorreram e com base nesses fatos é que o


pesquisador procura compreender o ocorrido.

Pesquisa-ação
Como o próprio nome indica, a pesquisa-ação ocorre quando o
pesquisador e os participantes representativos do objeto a ser pesquisado
estão envolvidos com o fenômeno em si, atuam juntos na perspectiva de
um resultado almejado.
Barros destaca que
neste tipo de pesquisa, os pesquisadores
desempenham um papel ativo no equacionamento
dos problemas encontrados. O pesquisador não
permanece só levantando problemas, mas procura
desencadear ações e avaliá-las em conjunto com
a população envolvida (2007, p. 92).

Você sabia que...


A pesquisa-ação tem sido muito utilizada, passando a compor
um campo de interesse no sistema de abordagem teórico
metodológica da práxis investigativa?

Ao assim ser contextualizada esse modelo de pesquisa enseja


uma responsabilidade e co-responsabilidade sobre os dados levantados
aos seus participantes, em razão que ambos atuam e refletem sobre o
fenômeno pesquisado, priorizando problemas e soluções para o mesmo.

Pesquisa Participante
A pesquisa participante traz em seu bojo uma interação entre
pesquisadores e os interlocutores dos fenômenos investigados cuja
finalidade precípua é a de obter dados e assim entender o contexto da
pesquisa. É uma forma de pesquisa orientada para a ação, na qual a
comunidade participa para a análise de sua realidade.

91
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Em relação à interação entre pesquisador e interlocutores, Minayo


ilustra bem esta questão, declarando que:

Na medida em que convive com o grupo, o


observador pode retirar de seu roteiro questões que
percebe serem irrelevantes do ponto de vista dos
interlocutores; consegue também compreender
aspectos que vão aflorando aos poucos, situação
impossível para um pesquisador que trabalha
com questionários fechados e antecipadamente
padronizados (2007, p. 70-1).

Uma das suas características básicas centra no fato de não necessitar


de um planejamento prévio. Esse será construído junto aos participantes
do processo investigativo. Essa práxis investigativa tem como objetivo
compreender, intervir e transformar a realidade da qual os agentes
investigativos fazem parte.
Observe o quadro abaixo, que ilustra esta forma de delineamento.

Atento ao que foi mostrado até aqui como você classificaria a sua
pesquisa em relação à flexibilidade de seus alunos?

Respostas

Quanto aos procedimentos técnicos


______________________________________________________

92
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
DICAS PARA SALA DE AULA
Forme grupos de três colegas e comentem sobre
os caminhos a serem seguidos em suas pesquisas,
no tocante ao seu delineamento.

seção 3
PLANEJAMENTO DA PESQUISA

Agora que você viu o delineamento de uma pesquisa, atenha-se


na questão do seu planejamento. Esse momento é considerado como
significativo, pois ele antecede ao projeto propriamente dito.
Para conhecer o significado da palavra planejamento, faça uso de
um dicionário, ou ainda, aprofunde-se em leituras no intuito de buscar um
entendimento real sobre o mesmo. Mas, atento às diversas matrizes que
você poderia encontrar, neste momento, exponha o seu entendimento
sobre o termo, vinculado com a sua ação na pesquisa.
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Você sabia que...


Planejamento é um processo de preparação técnica, composto por um
conjunto de ações integradas, o qual possibilita traçar metas, objetivos
e caminhos para a consecução de um trabalho acadêmico?

Então, planejar uma pesquisa, não significa aventurar-se em


construir algo sem nexo. Consiste sim, em construir um caminho seguro
entre a proposta inicial e o relatório final. Esse ato, de bem planejar, virá
proporcionar uma sustentabilidade aos objetivos propostos.
Imagine-se como um pesquisador novato que começa a dar os
primeiros passos no meio científico e solicitam para você um trabalho
acadêmico sobre uma determinada ação. Possivelmente você ficaria
atordoado e acabaria sem saber para onde ir e seria excluído do processo.

93
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Esse exemplo permite que você entenda a importância de elaborar


um planejamento consistente para atender a solicitação feita. Assim, é
de grande valia você saber que o planejamento inicial de um trabalho
acadêmico ajuda a evitar os possíveis vieses que poderão ocorrer por
ocasião da consecução do projeto em si.
Para bem contextualizar esse entendimento é interessante saber
que a execução de uma pesquisa centra-se em três momentos que se
inter-relacionam:

O primeiro seria o planejamento da pesquisa, o qual é


1a considerado como de suma importância dentro deste
processo.
2a O segundo é a execução da pesquisa.
3a E o terceiro é a divulgação dos dados pesquisados.

Mas, ainda existem muitos pesquisadores que não acham


interessante a ideia de elaborar um planejamento prévio para a
sua pesquisa. Acreditam estes que é perda de tempo e enquanto
elaboram um planejamento já estariam com um bom caminho
percorrido em seu trabalho.

Veja que um projeto de pesquisa bem planejado ganha espaço nos


meios acadêmicos. Esta ação oportunizará um melhor aproveitamento
dos recursos empregados por ocasião da pesquisa propriamente dita.
Então vem a seguinte pergunta: Devemos planejar?
Sim, para você saber para onde caminhar com a intenção de
pesquisa.
Hoje em dia, em virtude das mudanças que ocorrem a cada momento
no seio da sociedade, estabelecendo novos paradigmas conceituais,
planejar as nossas atividades de pesquisa tornou-se um fator significativo
para todos. O resultado de um bom planejamento, de certa forma, levará a
uma eficaz aplicação dos recursos destinados e permitirá que os resultados
obtidos pela pesquisa sejam utilizados da melhor maneira possível pela
sociedade. Pesquisadores bem sucedidos alcançam sucesso em suas
pesquisas em razão de um planejamento exequível de suas ações.

94
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Esse é o espírito que você deve pautar ao realizar uma pesquisa.

Para você atender ao que preceitua um bom planejamento deve-


se ater ao primeiro problema que surge que é a definição do tema a
ser pesquisado. Considerado por muitos como um fator angustiante no
processo como um todo.
Frases como as expostas abaixo são comuns quando se inicia o
processo de formulação de um planejamento de pesquisa.

“Não sei o que pesquisar”.


“Não faço a mínima ideia do que quero”.
“Será que dou conta”.
“Será que dá para pesquisar sobre [...]”.

Portanto, para superar esse problema inicial, atente-se que a correta


definição do tema visa fornecer ao pesquisador o dimensionamento
adequado do que se pretende estudar (entendido por alguns autores
como o “fenômeno”). Esse momento virá facilitar os passos seguintes da
pesquisa.
Outro fator preponderante na consecução de um planejamento de
pesquisa é apresentado por Quivy e Campenhoudt (1992, p. 25) como
a ruptura, que deve ser feita em relação aos conceitos e preconceitos
acumulados por longo tempo sobre o fenômeno a ser pesquisado. Isso
representa um novo caminhar em busca de soluções adequadas para o
problema aventado.

Além dessa questão central, outras podem ser respondidas. Entre elas:
por que, para que, como, quando e por quem pesquisar? Ou ainda, se o
objeto de estudo é significativo para você e para o contexto acadêmico
em que você está inserido.

São questões que um bom planejamento ajudará a responder.

95
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Como você pode observar a estratégia de elaborar um planejamento


de pesquisa compreende a explicitação de outros momentos além do
tema. Eles também são considerados importantes dentro do processo
da consecução do planejamento e posteriormente da pesquisa em si.
É o momento da integração entre os elementos teóricos e os aspectos
metodológicos a serem utilizados.
Atente-se para o fato que o planejamento não precisa conter uma
interpretação acurada do fenômeno a ser pesquisado. Seu propósito é
estabelecer a estrutura básica que ensejará a pesquisa. Como também
não existe um protocolo pronto e acabado, nem tampouco, considerado
como o melhor para ser seguido.
A escolha, elaboração e a organização do planejamento alteram-se
de uma investigação para outra. Cada uma requer pontos de referência
metodológica que podem ser diferenciados em função dos objetivos que
se pretende alcançar.
Em geral, o que existe são etapas e critérios a serem seguidos.
Mais importante de tudo é você ficar atento para o fato de que quanto
mais amplo for o detalhamento do planejamento, melhor será para o
pesquisador no tocante ao desenvolvimento da pesquisa.

Você sabia que...


O planejamento de uma pesquisa não pode ser estanque? Ele
pode ser modificado para atender possíveis exigências que forem
surgindo ao longo do desenvolvimento da pesquisa.

Observe que o planejamento só pode desempenhar sua função


como suporte metodológico se for bem concebido. A importância do
planejamento para o pesquisador centra-se no fato de que o mesmo
possa constituir um instrumento ordenador de suas ações. Desse modo,
o pesquisador chegará com pleno conhecimento do fenômeno a ser
estudado.
Agora que você viu sobre a importância de elaborar um planejamento
para a consecução de uma pesquisa, deve estar perguntando:

96
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Qual é o instrumento que devo utilizar para isso?

A resposta para a tua pergunta recai sobre o projeto de pesquisa


propriamente dito. O projeto de pesquisa é o instrumento pelo qual você
vai concretizar a ação do planejamento. Ele vai funcionar como um roteiro
para as suas ações na consecução da pesquisa.
Assim, uma vez consolidado os ditames teóricos sobre o que é
pesquisa científica, a sua classificação e principalmente a importância de
elaborar um planejamento, responda uma pergunta:

Você já pensou no tema que pretende abordar?

Não se preocupe, é um momento de muitas dúvidas e ansiedades,


pois surge um turbilhão de temas, assuntos e problemas que gostaríamos
de abordar.
Na próxima seção, você tomará conhecimento de como elaborar um
projeto de pesquisa. Serão abordados quais são os componentes básicos
que compõem a sua estrutura organizacional, os quais vão ajudá-lo a
contextualizar o seu objeto de estudo.

DICAS PARA SALA DE AULA


Em pequenos grupos, discutam sobre a
necessidade de estabelecer um bom planejamento
para a pesquisa.

97
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

seção 4
Projeto de pesquisa

Você deve ter observado que essa unidade de ensino tem uma
característica especial. Desde o seu início, você esta recebendo informações
sobre quais os caminhos a serem seguidos para que obtenha sucesso por
ocasião da elaboração do projeto de pesquisa.
Nas seções anteriores, você tomou conhecimento sobre o que é
pesquisa, seu delineamento, suas etapas e, por último, da importância de
realizar um planejamento. Agora, nesta seção verá como é constituída a
estrutura organizacional de um projeto de pesquisa.
Porém, lembre que o projeto é um processo dinâmico e que pode ser
refeito inúmeras vezes para poder atingir um possível grau de precisão
para a execução da pesquisa.
Veja as funções de um projeto:

Lembre-se, a redação de um projeto de pesquisa tem tudo a ver com


os aspectos de sua vida acadêmica. Esta relação está circunscrita em três
momentos:

98
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Refere-se à busca pelo entendimento sobre o que você
pretende pesquisar, não esquecendo que suas ideias serão
1a ampliadas, analisadas, desenvolvidas e, consequentemente,
questionadas pela comunidade acadêmica.
Relaciona-se com a ruptura dos conhecimentos acumulados
por você ao longo dos anos. Esta ruptura objetiva estabelecer
2a uma nova reflexão sobre o significado do fenômeno a ser
perquirido.
3a Refere-se à constituição do marco teórico conceitual.

Esses momentos são considerados como fundamentais para todo o


processo que virá pela frente.
Assim, é de extrema valia você entender a necessidade de elaborar
um projeto de pesquisa dentro de parâmetros conceituais consistentes.
Isso evita que surjam improvisações, perda de tempo e de recursos por
ocasião da elaboração da pesquisa e posteriormente de seu relatório.

Inicie o seu projeto de pesquisa.


Escreva nas linhas abaixo um assunto que você gostaria de pesquisar.
Ao escolher o assunto você está definindo o tema.
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Para a incursão no campo do projeto de pesquisa foi utilizado os


conhecimentos advindos de Barros e Lehfeld, Minayo, Luna e Vasconcelos,
os quais estabelecem um conjunto de ações que devem ser priorizadas por
ocasião da elaboração de um projeto de pesquisa. Tal iniciativa tem como
respaldo as possíveis interfaces que são apresentadas na constituição
deste projeto.
Barros e Lehfeld (2007, p. 94) apresentam oito questões a serem
inicialmente respondidas pelo pesquisador, as quais estabelecem uma
relação muito próxima com os principais pontos a serem trabalhados na
elaboração do projeto.

99
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

O que fazer? - definição do tema do problema


Por que fazer? - justificativa da escolha do problema
Para que fazer? - propósitos do estudo – objetivos
Quando fazer? - cronograma de execução
Onde fazer? - local: campo de pesquisa
Com que fazer? - recursos: custeio
Como fazer? - metodologia
Feito por quem? - pesquisadores

Aproveite e comece a responder essas questões. Isso se torna um


bom exercício. Ao responder corretamente estas questões, você já passa a
ter o discernimento se está no caminho correto ou ainda necessita rever
alguns pontos em sua intenção de pesquisa.
Compreenda que é neste momento que se começa a estabelecer os
pressupostos teóricos e metodológicos. A busca por esse discernimento se
torna importante na operacionalização do projeto de pesquisa. Acrescente-
se a isso que, quanto maior for o conhecimento e o planejamento do
projeto, o maior beneficiado será o pesquisador.

Você sabia que...


Ao iniciar a elaboração de um projeto de pesquisa, é de
extrema valia, você ver como é constituída a sua estrutura
organizacional?

Na sequencia você conhecerá a estrutura de parte textual do projeto


de pesquisa. É aqui que se concentra a principal e mais importante parte
do projeto. É onde as ideias e as propostas de pesquisa são formalizadas.
Ela não é uma estrutura fixa, pois existem outros modelos ou formas de
elaborar um projeto de pesquisa.
Ela é dividida em sete momentos assim determinados:

100
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
TÍTULO DO PROJETO

TEMA

OBJETIVOS

INTRODUÇÃO

PROBLEMA

JUSTIFICATIVA

HIPÓTESE (S)

REFERENCIAL TEÓRICO

METODOLOGIA

CRONOGRAMA

EXECUTORES

ORÇAMENTO

Agora conheça essa estrutura e a cada tópico a interagir, começando


a escrever o seu projeto.

Título do Projeto

O título de um projeto de pesquisa é caracterizado como o primeiro


contacto que o leitor terá em relação ao seu objeto de estudo. Poderia
também ser entendido como o “cartão de visita”, ou ainda, como um resumo
do tema a ser pesquisado. É importante saber que ele deve expressar
os aspectos essenciais da pesquisa, representados pelos objetivos da
pesquisa, tendo como referencial a delimitação e a abrangência temporal
do que se pretende pesquisar.
Ao expressar o propósito maior do projeto ele necessita ser claro,
conciso e abrangente para permitir uma adequada compreensão do que se
pretende pesquisar, não ultrapassando o limite de duas linhas. Outra questão
importante a ser observada refere-se a não utilização de palavras supérfluas,
tais como, abreviaturas, introdução, fórmulas, entre outras tantas.
É também essencial saber que o título, em algumas vezes, virá
acompanhado de um sub-título. Isto ocorre quando se busca tornar o
título mais específico. Neste caso, recomenda-se a utilização de dois
pontos entre ambos.

101
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

O título de um projeto de pesquisa pode ser considerado como o


xeque-mate em um jogo de xadrez. Ele é um referencial importante na
contextualização do que se pretende pesquisar.

Agora elabore o seu título baseado na sua intenção de pesquisa.


_________________________________________________________________

Agora veja a próxima etapa.

Introdução

Observe que a Introdução é considerada como o primeiro diálogo


entre você e o leitor. Ela é composta por uma infinidade de vozes advindas
de seus interlocutores, tanto quanto as de uma biblioteca. Também ocorre
nesse momento a contextualização da pesquisa, pela qual você vai
demonstrar a sua inserção no contexto científico.
Para isso, ela deve ser capaz de proporcionar ao leitor uma visão
global do pretendido, ressaltando o real motivo da origem da pesquisa e
indicando as razões que o levaram a pesquisar este fenômeno.
Duas perguntas básicas devem permear a Introdução, as quais, de
certo modo irão ajudar a delinear o fenômeno a ser pesquisado.

O QUE SE VAI FAZER?


POR QUÊ?

Ao responder as questões acima, você traçará os primeiros


delineamentos da sua pesquisa. Em linhas gerais, ela deve conter uma
breve contextualização do tema, como esse se encontra em relação à
área pesquisada (estudo da arte), com a apresentação do problema e
hipótese(s), dos objetivos e da justificativa a serem alcançados. Tópicos
esses que você verá a seguir.

102
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
TEMA

Em razão de ser o primeiro momento de um trabalho científico, a


contextualização do tema no processo de uma pesquisa se torna muito
importante.
Cervo ao contextualizar o seu entendimento sobre tema declara
que “o tema de uma pesquisa é qualquer assunto que necessite melhores
definições, melhor precisão e clareza do que já existe sobre ele” (2007,
p.73), o qual pode surgir de interesses particulares ou profissionais.
Tome alguns cuidados na escolha do tema. Observe-os:

Primeiro - Leve em conta o material bibliográfico que se encontra


disponível a respeito do tema a ser pesquisado.
Segundo - Evite tema que já estão exaustivamente estudados.
Terceiro - Fixar a sua extensão, limitando o assunto a ser
focalizado.
Quarto - Indicar sobre que ponto de vista vai focalizá-lo.

Não esqueça que neste instante você deve apresentar uma


explicitação a respeito da pertinência e da relevância social e acadêmica,
em razão dos interesses pessoais que se fazem presentes na pesquisa,
quer sejam de ordem técnica, financeira, social ou institucional.
Lembre-se que, independentemente de sua origem, a apresentação
do tema é de fundamental importância no processo da consecução de um
projeto de pesquisa. É considerada como o ponto de partida do processo
investigativo.

PROBLEMA

QUAL? QUÊ? COMO? QUANDO?

Você já definiu o tema. Agora avançará mais um pouco, verá sobre o


problema, também conhecido como “questão de pesquisa”. Independente
da maneira como é conhecido, ele é considerado como fundamental em

103
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

qualquer projeto. Sem um problema bem delineado, dificilmente você


terá uma pesquisa de qualidade.

Cervo (2007, p.75) ao referenciar sobre


problema entende que: “problema é uma questão que
envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou
prática, para a qual se deve encontrar uma solução”

Na elaboração de um problema atente-se ao fato de que o mesmo


deve ser formulado de uma maneira clara, exata e objetiva. Deve também
evitar termos inexpressivos que possam provocar uma diversidade de
entendimento.
Neste sentido, atente-se para o seguinte:

Não há regras específicas para a elaboração de um problema.


Sugere-se que ele seja elaborado em forma de pergunta.

Saiba que o problema não vem pronto. Quem o contextualiza é o


próprio autor, baseado em questionamentos feitos a partir de um assunto
a ser estudado. Ele pode ser extraído da revisão da literatura ou da sua
experiência.
No entanto, a revisão de literatura é outro momento considerado
como importante na consecução de um problema. Essa afirmativa baseia-
se no fato da necessidade de conhecer para poder investigar.
Gil ao abordar sobre a relevância do problema destaca que:

Um problema será relevante em termos


científicos à medida que conduzir à obtenção de
novos conhecimentos. Para se assegurar disso,
o pesquisador necessita fazer um levantamento
bibliográfico da área, entretanto em contato com

104
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
as pesquisas já realizadas, verificando quais os
problemas que não foram pesquisados, quais os
que não o foram adequadamente e quais os que
vêm recebendo respostas contraditórias (2008,
p.35).

Para atender esse aspecto aventado por Gil, a revisão de literatura


mostra as contribuições já existentes sobre o que se pretende pesquisar
e, assim, estabelecer a delimitação do problema. Ninguém consegue
investigar algo que não tem um prévio conhecimento.
Outras questões devem ser respondidas por você com o objetivo de
ter um problema bem elaborado. Rudio (2000) destaca algumas destas
questões.

Trata-se de um problema original e relevante?


Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim?
Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo?
Existem recursos financeiros para o estudo?
Há tempo suficiente para investigar tal questão?

Escreva um problema de pesquisa!


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_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

HIPÓTESE (S)

A hipótese ou pressupostos tem um papel significativo no projeto


de pesquisa. Elaborada após o problema, busca encontrar uma possível
solução para o problema aventado.
Outra questão importante em relação à hipótese está vinculada
ao fato dela, na tentativa de responder ao problema, levantar e oferecer
outras informações pertinentes ao fenômeno estudado. Servindo também

105
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

como uma base na definição da metodologia a ser aplicada.


Cervo (2007, p 79) ao tratar das nuances da hipótese destaca que a
mesma “orienta a execução da pesquisa. Por isso, os termos empregados
na hipótese devem esclarecer, com o máximo de precisão, o que eles
significam no contexto concreto e objetivo da pesquisa a ser feita”.
Como nos outros tópicos, torna-se necessário que o pesquisador ao
elaborar a hipótese o faça de forma clara, objetiva e específica. Assim, você
pode observar que o processo de sua elaboração é de natureza criativa. Desta
maneira, não é possível estabelecer regras para a sua construção. Atente-se
que é preferível ter uma hipótese simples a uma mais complexa. O importante
é a articulação dessa resposta para o problema formulado por você.
Outro fato interessante a respeito da construção de hipótese está
relacionado com aquelas palavras que envolvem julgamentos de valor.
Essas não podem ser adequadamente testadas. Seria o exemplo das
palavras a seguir: bom, mau, deve, deveria.

HIPÓTESES NÃO são perguntas,


mas SIM AFIRMAÇÕES.
RESPOSTAS provisórias a perguntas realizadas.

Mesmo considerando a sua relevância ao enfocar os possíveis


resultados que se espera encontrar, a hipótese não é obrigatória. Muitos
orientadores refutam a idéia de que a mesma se faça presente.
Outra questão significativa em relação à hipótese é que ela pode ser
analisada entre suas variáveis. Para isso, é preciso que pelo menos uma
delas já tenha sido fruto de conhecimento científico.

Escreva a sua hipótese de pesquisa!


_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

106
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Objetivos

PARA QUÊ?

Outro tópico considerado muito importante em um projeto de


pesquisa refere-se à elaboração dos objetivos. Sua importância está
circunscrita na função precípua de nortear as ações de um pesquisador.
Eles devem ser construídos em relação direta com o problema aventado.
A definição de um objetivo de pesquisa é considerada como um fator
de suma importância neste contexto. Sem ele, não é viável a realização
de um trabalho científico. Pode-se até afirmar que a sua clara definição
colabora em muito na tomada de decisões.
Os maiores cuidados que você deve ter na elaboração dos objetivos
referem-se na aplicabilidade dos verbos, pois eles indicam ação. Lembre-
se que os objetivos estabelecem as metas a serem atingidas num
determinado espaço de tempo. A sua redação deve ser clara e exequível.
Quando ele é bem formulado, oferece uma base sólida para a seleção do
método a ser aplicado.
No que diz respeito às formulações dos objetivos, Richardson (2008,
p.63-4) destaca três momentos como importantes:

1ª) O objetivo deve ser claro, preciso e conciso.


2ª) O objetivo deve expressar apenas uma ideia. Em termos
gramaticais, deve incluir apenas um sujeito e um complemento.
3ª) O objetivo deve se referir apenas à pesquisa que se pretende
realizar […].

A seguir você conhecerá uma série de verbos que podem ser


utilizados quando a pesquisa tem por objetivo:

107
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

CONHECER COMPREENDER ANALISAR


apontar compreender comparar
citar concluir criticar
classificar deduzir debater
conhecer demonstrar diferenciar
definir determinar discriminar
descrever diferenciar examinar
identificar discutir investigar
reconhecer interpretar provar
relatar localizar ensaiar
reafirmar medir
testar

APLICAR SINTETIZAR AVALIAR


desenvolver compor argumentar
empregar construir avaliar
estruturar documentar contrastar
operar especificar decidir
organizar esquematizar escolher
praticar formular estimar
selecionar produzir julgar
traçar propor medir
otimizar reunir selecionar
melhorar sintetizar

Fonte: Adaptado da taxionomia de Bloom. Disponível em http://www.faculdadesdombosco.edu.br

Saiba que os objetivos de uma pesquisa são divididos em dois


momentos: Geral e Específicos.

OBJETIVO GERAL
Normalmente redigido em uma única frase e utilizando o verbo no
infinitivo, o objetivo geral deve ser alinhado diretamente com o problema
aventado na proposta de pesquisa.

Como ponto de partida, visando instituir um objetivo geral


consistente, é necessário estabelecer metas mais específicas
dentro do trabalho. São elas que conduzirão ao desfecho do
objetivo geral. Usualmente, em um projeto é trabalhado com um
único objetivo geral.

108
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
OBJETIVO ESPECÍFICO
Considerados como estratégias para atingir e aprofundar as intenções
determinadas pelo objetivo geral. Devem ser escritos numa ordem lógica
de ação, pois definem os diferentes pontos a serem abordados.
Cuidados especiais terão que ser tomados por ocasião da elaboração
dos objetivos específicos.

1º Refere-se ao número de objetivos. Recomenda-se a utilização de


três a cinco objetivos específicos.
2º Trata-se do cuidado de que os mesmos não sejam novos objetivos
gerais.
3º Refere-se à vinculação com a hipótese(s). No tocante a esta
recomendação lembre-se sempre que para cada hipótese aventada é
necessário um objetivo específico. Portanto, quanto mais hipóteses,
mais complexa é a pesquisa.

Você deve ter notado a importância de bem contextualizar os


objetivos. Mas não esqueça que por ocasião da sua elaboração, sejam eles
classificados como gerais ou específicos, devem ter uma característica
comum: serem modestos e plausíveis, pois são mais fáceis de serem
alcançados.

Nesta altura você já está pensando em como elaborar os objetivos de seu


objeto de estudo. Então vamos lá.
Elabore um objetivo geral e quatro objetivos específicos relacionados ao seu tema!

Objetivo Geral:_____________________________________________________
___________________________________________________________________

Objetivos Específicos:_______________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

109
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Justificativa

POR QUÊ?

Neste momento é que você vai apresentar para a comunidade


científica quais os motivos pelos quais o levaram a propor esta pesquisa e
principalmente demonstrar a relevância que esta tem no contexto social
e acadêmico. A justificativa deve exultar a importância social, teórica e
científica do tema a ser pesquisado. Poderia ser entendida aqui como o
convencimento a ser consignado sobre a importância da real efetivação
da pesquisa.
Observe que a elaboração da justificativa centra-se em alguns
questionamentos. Esses devem conduzir para a exposição dos reais
motivos que o levaram a decidir pelo tema e da finalidade da pesquisa.

O tema é relevante? Por quê?


O trabalho é inédito?
Qual o vínculo do autor com o tema a ser pesquisado?
Que motivos a justificam? Quais as contribuições que a mesma
trará para a ciência e para a sociedade?
Quais são os pontos positivos que ela apresenta?
Quais os pontos positivos você percebe na abordagem da
proposta?

A partir das respostas destas questões, o leitor vai ser cativado


para avançar na leitura do seu projeto e consequentemente demonstrar o
interesse pelo que você esta escrevendo.
Tome cuidado em não responder o que vai ser buscado no trabalho
de pesquisa. Isso ocorre quando pesquisadores não têm argumentos
suficientes para mostrar a importância de seu objeto de estudo.
No que diz respeito à redação da justificativa, saiba que a mesma
deve ser pessoal, com uma linguagem clara, concisa e coerente. Saliente
os motivos pelos quais a sua pesquisa é relevante e oportuna. Relevante
para quem? Por que oportuna?

Então, baseado nas questões acima, elabore a justificativa do seu


tema.

110
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Encerra-se aqui a parte referente à introdução. Agora você passará


para outra parte do projeto que aborda sobre o referencial teórico.

REFERENCIAL TEÓRICO

O QUE JÁ FOI ESCRITO SOBRE O ASSUNTO?

Neste tópico você verá considerações sobre o referencial teórico.


Ele é considerado fundamental na contextualização de uma pesquisa.
Para isto, ele traz como escopo em sua estrutura as fontes necessárias
para o aprofundamento da discussão sobre o tema escolhido por você.

O referencial teórico também recebe as seguintes denominações


no meio acadêmico: revisão bibliográfica, marco referencial, marco
teórico referencial, revisão teórica, fundamentação bibliográfica,
entre outras.

Mesmo com todas essas denominações, ela tem sempre o objetivo


de proporcionar uma fundamentação teórica, histórica, do estado da arte
ou metodológica consistente sobre o objeto contextualizado.
Luna (2002, p. 80) ao tratar sobre os objetivos da revisão de literatura
enfatiza a sua importância para o contexto da sistematização do projeto
ao destacar que “uma revisão de literatura é uma peça importante no
trabalho científico e pode, por ela mesma, constituir um trabalho de
pesquisa”.
Assim, Luna ao referenciar a revisão de literatura como um fator
intrínseco para o projeto de pesquisa destaca que esta deve receber um
dos seguintes tratamentos.

111
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

A qual corresponde “descrever o estado atual


de uma área de pesquisa: o que já se sabe,
Estado da Arte quais as principais lacunas, onde se encontra os
principais entraves teóricos e/ou metodológicos”
(2002, p. 82).
Traz como objetivo “circunscrever um dado
problema de pesquisa dentro de um quadro de
referência teórico que pretende explicá-lo” (2002,
Revisão Teórica p. 83). Destaca também que “neste caso específico,
o problema tem origem num quadro teórico que
lhe dá, supostamente, coerência, consistência e
validade” (2002, p. 83).
Neste tópico enfatiza que “uma das funções mais
Revisão de importantes desse tipo de revisão é a explicação
Pesquisa de como o problema em questão vem sendo
pesquisado, especialmente do ponto de vista
Empírica metodológico” (2002, p. 85).
Demonstra que essas “são extremamente
Revisão importantes, mas, infelizmente, raras. Seu
Histórica principal objetivo é a recuperação da evolução de
um conceito, área, tema, etc. [...]” (2002, p. 87).

Tenha em mente a importância que esta revisão de literatura possui


na elaboração do projeto de pesquisa. Pois, ela favorecerá a definição
de contornos mais precisos por ocasião de estabelecer o que se sabe
sobre o objeto, provendo o pesquisador de um embasamento teórico e
metodológico consistente quando da discussão do objeto de estudo.
Nessa fase, recomenda-se que o pesquisador responda algumas
questões, que de certo modo ajudará na elaboração do referido material.
Silva e Menezes (2001, p.30), destacam as seguintes questões:

Quem já escreveu sobre o assunto?


O que já foi publicado sobre o assunto?
Que aspectos já foram abordados?
Quais as lacunas existentes na literatura?

Atente-se para o fato de que uma revisão da literatura mal elaborada,


incompleta ou feita de afogadilho, pode ocasionar um desperdício de
tempo e consequentemente de recursos.

112
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Gil ao referenciar o uso da biblioteca destaca:

Parte considerável do trabalho de pesquisa


consiste na utilização de recursos fornecidos pelas
bibliotecas. Isso é verdadeiro não apenas para as
pesquisas caracterizadas como bibliográficas,
mas também para os demais delineamentos.
Qualquer que seja a pesquisa, a necessidade de
se consultar material publicado é imperativa. [...]
também se torna necessária a consulta ao material
já publicado tendo em vista identificar o estágio
em que se encontram os conhecimentos acerca do
tema que está sendo investigado (2008, p. 60).

Onde Localizar o material para elaborar o referencial teórico


Uma boa técnica para você executar quando estiver nessa etapa
é utilizar-se de fichamentos/apontamentos, juntamente com comentários
pessoais, objetivando acumular e organizar as ideias relevantes já
produzidas pela ciência. Tópico que você verá na unidade quatro.
Nos dias atuais, a facilidade de encontrar um material bibliográfico
condizente para dar uma sustentação teórica de um projeto de pesquisa
tornou-se muito fácil.
Entre outros tantos meios você vai encontrar:

Os livros proporcionam um bom referencial para


LIVROS iniciar um projeto de pesquisa. Deve-se dar
preferência para as obras científicas.
Nos dias atuais, existe um número significativo
REVISTAS / de revistas/periódicos científicos que abordam os
PERÍODICOS mais diversos temas. São publicações editadas
com uma frequência regular.
São consideradas como uma fonte de excelência.
Fáceis de serem localizadas e até mesmo de
TESES E obtê-las por meio de consultas em sites (ex.:
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br), em sites
DISSERTAÇÕES das universidades que oferecem cursos de pós-
graduação ou no da CAPES (http://www.capes.
gov.br).
BASE DE Outro espaço considerado como uma fonte de
informação prioritária para a obtenção de dados
DADOS referentes ao tema a ser pesquisado.

113
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Agora que você já tomou ciência da importância do referencial


teórico, comece a levantar o material relacionado ao seu tema.

METODOLOGIA

Como? Com quê? Onde?

Essas são as perguntas básicas que compõem a metodologia, as


quais devem ser respondidas por ocasião da elaboração da metodologia.
Nessa etapa é que se esquematizará a execução da pesquisa e o desenho
metodológico que se pretende adotar. Para isso, será necessário relacionar
os procedimentos e pressupostos técnicos a serem utilizados. No entanto,
esses procedimentos e pressupostos não deverão se tornar uma amarra
cujos ditames sejam considerados como um empecilho a criatividade do
pesquisador.
Você também poderá encontrar na bibliografia sobre projetos as
seguintes terminologias: Procedimentos Metodológicos ou Materiais e
Métodos. Aqui não importa a denominação, mas sim o conteúdo.
A metodologia é considerada uma das partes mais intensas de um
projeto, juntamente com a revisão de literatura, pois ela deve apresentar, a
um só tempo, um conjunto de itens e de instrumentos de forma detalhada
e sequencial, de técnicas e métodos a serem utilizados ao longo da
pesquisa.
Minayo (2007, p. 47) ao abordar sobre os aspectos metodológicos de
uma pesquisa declara que:

A seção de metodologia contempla a descrição


da fase de exploração de campo (escolha do
espaço da pesquisa, critérios e estratégias
para escolha do grupo/sujeitos de pesquisa, a
definição de métodos, técnicas e instrumentos
para a construção de dados e os mecanismos
para entrada em campo), as etapas do trabalho de
campo e os procedimentos para análise.

Um aspecto considerado importante seria a definição das etapas


anteriores para melhor formular os instrumentos metodológicos. Ou
seja, a revisão da literatura, o problema, a(s) hipótese(s), os objetivos e a

114
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
justificativa. Pois, só assim será possível estabelecer com fidedignidade
os caminhos a serem utilizados.
Observe que nesse tópico você deverá informar as seguintes
questões:

MÉTODO EMPREGADO
NATUREZA DOS DADOS
Dedutivo - Indutivo - Hipotético - Dedutivo -
Básica - Aplicada
Dialético - Fenomenológico

ABORDAGEM DO PROBLEMA OBJETIVOS


Qualitativa - Quantitativa Expositiva - Descritiva - Experimental

PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
Bibliografia - Documental - Experimental -
Levantamento - Estudo de Caso

Além desses momentos já vistos em delineamento da pesquisa,


existem outros que também deverão ser inseridos no capítulo referente à
metodologia. Entre esses temos:

Coleta de dados
Ao se indagar a realidade, com o objetivo de obter dados, faz-se
com que a coleta de dados seja considerada por muitos pesquisadores
como um dos momentos mais importantes de todo o processo científico. A
qualidade da informação que se deseja obter junto à população pesquisada
é considerada como o suporte científico para a contextualização da
produção intelectual.
Para que a sua coleta de dados atinja um patamar aceitável
cientificamente é necessário estar atento para alguns quesitos, assim
elencados.

115
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

1º Quem deve ser entrevistado? Tamanho da amostra,


características que serão pesquisadas.
2º Qual é o melhor instrumento de coleta de dados a ser utilizado
para o grupo escolhido?
3º Formular as questões, quando for o caso, com clareza.
4º Assegurar a privacidade dos entrevistados.
5º Não direcionar as respostas.
6º Evitar perguntas com duplo sentido.
7º Evitar perguntas com jargões, terminologia técnica ou gírias.
8º Evitar perguntas emocionais ou negativas.
9º Realizar um pré-teste do material a ser utilizado.

Ao lançar mão dos instrumentos para a coleta de dados é interessante


que os registros obtidos sejam organizados e sistematizados para que
você possa utilizá-los de uma maneira adequada.

Características da População
Nesse item é interessante caracterizar a população que será
estudada. Atente-se que a população represente um conjunto de objetos
ou de indivíduos, os quais apresentam determinadas características
que podem ser representadas por uma unidade física ou por indivíduos.
Por exemplo, se você vai estudar o comportamento dos alunos do curso
de Licenciatura em Educação Física a distância nas aulas práticas a
população seria todos os alunos daquele curso. E a amostra poderia ser
uma parcela destes alunos.
Importante ressaltar o que Minayo (2007, p. 47) declara a este
respeito. “O campo de observação precisa ser definido, entendendo-o
como os locais e sujeitos que serão incluídos, o porquê destas inclusões
(critérios de seleção) e em qual proporção serão feitas” (destaques da
autora).

Amostra da População
Considerando que nem sempre é possível analisar a população
como um todo, a amostra configura-se como elemento essencial nestes
casos.

116
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Minayo (2007, p. 48) ilustra bem esse argumento ao
demonstrar que existem dois tipos de amostra: “As
probabilísticas (quando todos os elementos de uma
população possuem probabilidade conhecida e não-
nula de participarem da amostra escolhida) e as não
probabilísticas”.

Atente-se para o fato de que na sua pesquisa você precisa definir a


amostra que será usada para coletar informações sobre sua temática. Este
procedimento garante uma delimitação necessária para a pesquisa.

Instrumentos de coleta de dados


Os instrumentos de coleta de dados mais comumente utilizados
em pesquisas são: questionário, entrevista, observação e recursos
documentais. Entende-se que ao utilizar um desses instrumentos o sujeito
pesquisado pode informar ou demonstrar de forma direta as suas ações e
entendimento sobre o assunto a ser pesquisado.
Em relação à escolha dos instrumentos, Vasconcelos (2002, p. 209),
diz que

a escolha dos instrumentos e das fontes de


informação e dados não deve ser aleatória ou
apenas fruto do desejo ou das competências
técnicas especificadas do pesquisador ou
consultor. Ela deve ser criteriosa e levar em conta
algumas regras básicas.

Em relação a estas regras básicas, Vasconcelos (2002, p. 209),


apresenta o seguinte quadro:
a) Ser coerente com a estrutura teórico-técnica do projeto [...];
b) Levar em conta a disponibilidade e acessibilidade aos dados sob
investigação;
c) Levar em conta e se adequar às características específicas dos
indivíduos, da população, do ambiente ou organização sob investigação,
inclusive ao tamanho da amostra necessária e as condições do contato
para coleta de informação;

117
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

d) Levar em consideração os recursos humanos, financeiros, técnicos


de análise [...]
e) Ser coerente com a estratégia institucional e com as questões
éticas definidas no planejamento do projeto.

A decisão de qual instrumento você deve utilizar vai depender em


muito do porte e/ou da abrangência que vai ser dada à pesquisa em si.
Atente-se ao fato de que qualquer um dos instrumentos utilizados para
o registro e medição dos dados é necessário preencher os seguintes
requisitos: validez, confiabilidade e precisão.
Em relação aos instrumentos de coleta de dados observe o
seguinte:

Questionário
Constitui-se de uma série ordenada de perguntas que devem
ser respondidas por escrito, sem a interferência do pesquisador. A sua
linguagem deve ser simples, direta, clara e limitada. É considerado,
juntamente com a entrevista, como um dos instrumentos mais utilizados
pela comunidade de pesquisadores.
Vasconcelos (2002, p. 222) demonstra que

a confecção de questionários, que a primeira vista


parece ser simples, exige um treinamento prévio
e uma cuidadosa avaliação das características do
tema, da cultura da população amostrada e da
linguagem envolvida no fenômeno.

De acordo com a categoria das perguntas o questionário pode ser


classificado desta maneira:

Apresentam respostas fixas - sim/não ou


Questões Fechadas falso/verdadeiro.
Modelo no qual o pesquisador esta
Questões abertas interessado na opinião mais elaborada do
informante sobre o assunto.
O pesquisador pode obter informações e
Questões mistas opiniões mais elaboradas.

118
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Ao aplicar um questionário recomenda-se que o tempo necessário
para seu preenchimento não ultrapasse uma hora.

ENTREVISTA
Por fornecer uma quantidade considerável de informações, a
entrevista é considerada como um instrumento flexível para a obtenção
de dados. A sua forma estrutural centra-se em quatro momentos a seguir
especificados: entrevistador, entrevistado, local da entrevista e roteiro.

Vasconcelos (2002, p. 220) destaca que a entrevista

é especialmente adequada para obter informações


sobre o que as pessoas e grupos sabem, acreditam,
esperam, sentem e desejam fazer, fazem ou fizeram,
bem como suas justificativas ou representações a
respeito desses temas.

Ela pode ser contextualizada da seguinte maneira:

Onde o pesquisador elabora uma série de


Estruturada questões que visam obter dados uniformes para
uma eventual comparação entre os mesmos.
Onde o pesquisador parte de um roteiro básico,
mas permite que a entrevista aborde outros
Semi-estruturada assuntos que vão surgindo em relação ao tema
principal.
Onde não há questões formuladas previamente
De livre narrativa e o entrevistado fala livremente sobre o
assunto.

Atente-se para o fato que a entrevista oportuniza uma estreita


relação com o entrevistado.

Observação
É uma técnica que consiste em examinar, presencialmente, de forma
criteriosa e seletiva a realidade a ser estudada, observando a descrição dos
sujeitos e das atividades, os diálogos e os comportamentos individuais.
Vasconcelos (2002, p. 219) ao referenciar a coleta de dados com
ênfase na observação destaca que

é importante lembrar que em qualquer processo


de observação a relação entre o observador e o

119
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

mundo observado é bastante crítica e precisa ser


cuidadosamente planejada e ter suas implicações
sistematizadas e incluídas na própria análise do
fenômeno.

Atente-se que esse modelo de coleta de dados pode ser


contextualizado de duas formas:
Quando o pesquisador faz sua observação
Observação de uma maneira informal. Assume uma
simples relação mais externa com o fenômeno a ser
observado.
Observação Nesta categoria o pesquisador participa na
situação pesquisada, assumindo papéis dentro
participante do fenômeno estudado.
Em ambas as situações, todos os possíveis dados reveladores
tais como conflito, diálogos, problemas devem ser avaliados pelo
pesquisador.

Registros documentais
O instrumento de coleta de dados centrado em registro documental
é considerado como uma das primeiras formas a ser considerada pelo
pesquisador. Por ser estável, essa forma de coleta de dados oportunizará
a redução de tempo e custo para o pesquisador. Aqui você pode utilizar a
pesquisa bibliográfica e/ou documental.

Cronograma

QUANDO?

Tendo como base a pergunta “QUANDO”, o cronograma é o espaço


pelo qual você representa o tempo necessário para execução do projeto.
Nele são especificadas todas as etapas da pesquisa, bem como, a duração
de cada uma delas. As apresentações das etapas devem ser feitas em
ordem de execução.
Ao dimensionar cada fase da pesquisa atente-se sempre para ao
fato de que a utilização do tempo deve ser a mais racional possível.
Ao delinear a sequencia da investigação, o cronograma pode
conter uma série de etapas. É possível que duas etapas tenham que

120
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
ocorrer simultaneamente. Para uma boa visualização do cronograma,
recomenda-se o uso de tabelas. Esta tabela pode ser dividida em dias,
semanas, meses, ou ainda por alguma outra forma que venha contemplar
os anseios do pesquisador.
No cronograma devem constar: planejamento, estudos exploratórios
(se for o caso), aquisição de equipamentos, montagem do laboratório,
padronização das técnicas (se for o caso), coleta de dados, organização
dos dados, análise e interpretação, elaboração de relatórios (parcial/
final).
Veja exemplo montado para você:

ATIVIDADES ANO – 2009 ANO – 2010


MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ. JAN. FEV. MAR. ABR. MAI.

Escolha do
tema
Elaboração
do Projeto
Revisão da
literatura
Fichamento
das leituras
Redação da
metodologia
Coleta de
dados
Analise da
coleta de
dados
Redação final

Apresentação

Executores

QUEM VAI FAZER?

Esse tópico constitui-se como um elemento obrigatório. Deve


figurar o nome do pesquisador, a sua filiação institucional, a linha de
pesquisa pretendida. Se for possível deve constar o nome do Orientador
e Co-orientador.

121
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Orçamento

QUANTO CUSTA?

O orçamento de um projeto de pesquisa deve ser elaborado de forma


detalhada em relação aos gastos para o desenvolvimento da pesquisa.

Exemplo:

Material de Consumo
CUSTO
ITEM QUANTIDADE TOTAL
UNITÁRIO
Papel A4 5000
CD 05
Cartucho para
02
impressora
SUB-TOTAL

Material Permante
CUSTO
ITEM QUANTIDADE TOTAL
UNITÁRIO
Mesa
Cadeira

SUB-TOTAL XXX

Serviços de Terceiros

CUSTO
ITEM QUANTIDADE TOTAL
UNITÁRIO
Digitação x
Correção de x
Português
Correção X
das Normas
ABNT
Fotocópias
SUB-TOTAL XXX

122
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
Quadro resumo do orçamento

RUBRICAS TOTAL
MATERIAL DE CONSUMO
MATERIAL PERMANENTE
SERVIÇOS DE TERCEIROS
TOTAL GERAL

As rubricas devem arrolar gastos de consumo, de terceiros, de


outros serviços e encargos e gastos com material permanente. Os
valores devem ser expressos em moeda corrente.

Apesar de ser necessário somente em pesquisas que solicitam apoio


financeiro para a sua execução junto a Agências de Fomento à Pesquisa ou
outros órgãos congêneres, entende-se que ele é de suma importância. Por
isso, não deve ser contextualizado simplesmente por mera formalidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Esse tópico tem a finalidade de relacionar todas as referências


utilizadas na execução do projeto de acordo com as normas emanadas
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em especial as
Normas Brasileira (NBR) 6023:2005.
A finalidade de constar as referências seria a de permitir ao leitor
do projeto verificar as fontes de informações usadas na sua elaboração,
permitindo recuperar e confrontar dados.
Um cuidado especial deve ser tomado com relação às fontes
eletrônicas, especialmente as provenientes da Internet. Todas elas devem
ser referenciadas com a data da consulta e impressas para documentação,
pois são feitas muitas modificações nesse tipo de meio.

123
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

Acrescente a isso que a redação em um projeto de pesquisa deve


utilizar o verbo no tempo futuro, bem como, a apresentação deve ser na
mesma ordem em que será desenvolvida.

DICAS PARA SALA DE AULA


Formem grupos de quatro colegas e apresentem
seus projetos de pesquisa. Seria interessante
que após a apresentação seus colegas fizessem
comentários a respeito de sua proposta.

Nesta unidade procuramos mostrar a você a contextualização de uma pesquisa científica. Por
mais complexo que seja o seu entendimento, na primeira seção você tomou conhecimento da premência
que o homem tem em prover-se de instrumentos adequados para interagir no seio da sociedade desde
os primórdios da civilização, em razão da necessidade de obter novos conhecimentos.
Vimos também a classificação da pesquisa. O delineamento apresentado centrou-se em
pressupostos teóricos entendidos como clássicos dentro deste processo. Você viu como a pesquisa
pode ser classificada dentro de seus diversos aspectos: quanto à natureza; do ponto de vista da
abordagem do problema; dos seus objetivos e dos seus procedimentos técnicos. Lembramos que o
delineamento da pesquisa é considerado pelos pesquisadores como um fator de suma importância na
elaboração de um projeto de pesquisa. Outro fator importante a ser lembrado é que este deve atender
aos pressupostos teóricos determinados e de estar em plena conexão com o problema e hipóteses que
se almeja discutir.
Após a caracterização de cada etapa deste delineamento, você viu o foco voltado para o
planejamento da pesquisa. Com o avanço sistemático da ciência e de novos paradigmas instados a todo
o momento em nossas vidas, buscou-se mostrar a importância de bem planejar as ações voltadas para
a pesquisa científica. Ao bem planejar a sua pesquisa científica, com o intuito de construir um caminho
seguro entre a proposta inicial e o relatório final, com certeza, você evitará uma série de transtornos
e contratempos. Esse ato, de bem planejar, virá proporcionar uma sustentabilidade acadêmica aos
objetivos propostos.
Você deve ter observado que desde o início desta unidade foi recebendo informações sobre
os caminhos a serem seguidos para que obtenha sucesso por ocasião da elaboração do projeto de
pesquisa. Tomou conhecimento sobre o que é pesquisa, seu delineamento, suas etapas e por último,
da contextualização de um projeto de pesquisa.
Essa caminhada traz em seu contexto um objetivo principal, demonstrar a você que o projeto é
um processo dinâmico e que deve atingir um possível grau de precisão para a execução da pesquisa.
Sequencialmente, você trabalhou com a parte textual do projeto representado pela Introdução - tema,
objetivos, problema, hipótese, justificativa, considerada como o primeiro diálogo entre você e o leitor.
Após esta primeira etapa, você trabalhou com o referencial teórico cujo objetivo é o de
proporcionar uma fundamentação teórica, histórica, do estado da arte ou metodológica consistente
sobre o objeto contextualizado. Na sequencia, empregou esforços para estabelecer a metodologia
a ser seguida em seu trabalho. Outro momento significativo na elaboração do projeto, pois é

124
unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
aqui se esquematiza a execução da pesquisa e o desenho metodológico que se pretende adotar.
Posteriormente determinou o cronograma, os executores e o orçamento, fechando desta maneira o
ciclo de um projeto.
Desse modo, você, nesta unidade, teve a oportunidade de começar a esboçar o seu projeto
de pesquisa. Agora convido você para juntos irmos para a próxima unidade onde você conhecerá as
diretrizes para a elaboração e apresentação de trabalhos acadêmicos.

1. Releia a seção 01 e re-elabore o seu conceito de pesquisa científica.

2. Descreva os motivos pelos quais você irá pesquisar!

3. Releia a seção 02 e descreva as principais diferenças entre uma pesquisa qualitativa e quantitativa,
relacionando com as demais classificações.

4. Lendo a seção 03 você ficou sabendo a importância de realizar um planejamento. Explique qual a
importância do planejamento na sua pesquisa.

5. Tendo como referência a seção 4, pesquise em livros sobre metodologia e explique como poderão
ser elaborados os seguintes tópicos: a. Tema; b. Problema; c. Hipótese; d. Objetivos; e. Justificativa;
f. Referencial Teórico; g. Metodologia; h. Cronograma.

125
unidade 3
126
Universidade Aberta do Brasil

unidade 3
Metodologia da Pesquisa Científica
UNIDADE IV
Diretrizes para elaboração e
apresentação de trabalhos.

Antonio Carlos Frasson


Constantino Ribeiro de Oliveira Junior

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
■■ Ao término desta unidade você deverá ser capaz de realizar a

leitura metódica de textos referentes à sua área de formação, usar

e construir fichamentos das leituras de diversas obras, principalmente

de resumo, bem como promover uma análise crítica das leituras por

intermédio da elaboração de resenhas.

ROTEIRO DE ESTUDOS
■■ Seção 1 - Leitura

■■ Seção 2 - Fichamento

■■ Seção 3 - Resumos

■■ Seção 4 - Resenhas

■■ Seção 5 - Comunicação científica

127
unidade 3
Universidade Aberta do Brasil

PARA INÍCIO DE CONVERSA

Você estudou na unidade três a pesquisa científica. Nesta seção,


você identificará formas de organizar a leitura de textos da sua área. Para
tanto, você terá como roteiro as obras de Medeiros (2005), Marconi e
Lakatos (1987) e Quivy e Campenhoudt (1992)
Nesta unidade, você centrará a atenção nos tipos de leitura, como
forma de obtenção de conhecimentos, tendo como foco a articulação
da construção do seu conhecimento, via o conhecimento científico,
realizando os registros em formas de fichamentos. Além disso, você verá
critérios para realizar o resumo dessas obras, bem como terá informações
para a confecção de resenhas. No quinto momento, você vai ver como se
elabora a comunicação científica.

seção 1
LEITURA

Medeiros (2005) apresenta a prática de leitura como um processo


de interação entre o leitor e o autor do texto escolhido. Sobretudo pelo
fato de estabelecer uma compreensão da sociedade via o processo de
linguagem em contextos históricos e sociais. Você observará neste autor
que a leitura é seletiva. Sobretudo, questões são elaboradas para que você
possa realizar uma leitura atenta.

Pense
Quando você lê, o que o a autor quis dizer?
Qual a relação do texto que você leu com outros textos?
Qual a relevância do texto?
O que você entendeu da leitura?

128
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
Com as questões acima, Medeiros apresenta modos de realizar
a leitura. Você deve se preparar para responder aquelas questões,
uma vez que o importante é saber que um texto “é uma unidade que
organiza suas partes; e o contexto é a situação do discurso, ou conjunto
de circunstâncias entre as quais se dá um ato de enunciação” (2005,
p. 68).
A questão central é você identificar o contexto dentro do enunciado;
o conjunto de elementos que precedem e seguem o enunciado.
Dito de outra forma, se não identificar a situação em que ocorre um
enunciado, o leitor perde o sentido global do texto. Para isso, é necessário
identificar o jogo que se estabelece entre o escritor e o leitor. O jogo de
ideias enfrentado no processo de leitura.
Antes de você adentrar as estratégias de leitura, visualize três tipos
de leitor proposto por Mary Kato (apud MEDEIROS, p. 73).

Leitor que privilegia o processamento descendente: apreende facilmente as ideias gerais e principais
do texto, é fluente e veloz. Ponto negativo: tenta excessivamente adivinhar idéias sem confirmá-las com
o texto;

Leitor que privilegia o processamento ascendente: constrói o significado com base nas informações do
texto.
Ponto negativo: dedica pouco a leitura das entrelinhas e tem dificuldades em sintetizar ideias e em
separar ideias principais das secundárias.

Leitor maduro: utiliza ambos os processos [...] complementarmente.


Ponto forte: tem controle consciente e ativo de seu comportamento.

Medeiros apresenta níveis de leitura que um bom leitor deveria


praticar. Sobretudo, o texto desse autor aponta para que você se
conscientize de que numa boa leitura, você deverá ser capaz de identificar
a incompletude de um discurso, identificá-lo como um lugar de confronto
ideológico, e como tal, deve ser desvendado, de tal forma que pressupostos,
contexto situacional e histórico, os mecanismos de produção de sentido, a
intertextualidade, entre outros aspectos devem ser privilegiados.
Apoiando-se em Molina (1992), Medeiros apresenta os níveis
de leitura que tendem a um comprometimento com o resultado de sua
leitura. São eles:

129
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

NÍVEIS DE LEITURA:

1. Leitura elementar: leitura básica ou inicial pela qual se


reconhece cada palavra de uma página.
2. Leitura inspecional: Arte de folhear sistematicamente;
3. Leitura analítica: leitura minuciosa, completa [...] tem em
vista o entendimento;
4. Leitura sintópica: leitura comparativa entre vários livros
correlacionando-os entre si.

Importante ressaltar que os níveis acima são cumulativos. Existem


diferentes leituras que permitem uma interação entre leitor e texto com a
identificação de múltiplos significados.
Medeiros apresenta outras duas práticas de leitura. Uma apoiada em
Morgan e Deese, e outra em Molina. Na primeira, a técnica é conhecida
como SQ3R (MEDEIROS, 2005, p.80) a segunda sugere a você uma série
de passos.

SQ3R:

1. Survey (levantamento);
2. Question (pergunta);
3. Read (leitura);
4. Recite (repetição);
5. Review (revisão).

Com a técnica acima, você pode organizar sua leitura fazendo o


levantamento do que se pretende ler, levanta as questões centrais do
texto, realiza a leitura, repete o processo reconstruindo as ideias do autor
e realiza a revisão de todo o processo.
Por sua vez, os passos apresentados por Molina (apud MEDEIROS,
2005, p. 80) seriam os seguintes:

130
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
PASSOS DE LEITURA:

Visão geral do capítulo;


Questionamento despertado pelo texto;
Estudo do vocabulário;
Linguagem não verbal;
Essência do texto;
Síntese do texto;
Avaliação.

Veja cada um dos passos apresentados acima. Para que você


obtenha uma visão geral do capítulo, você precisa realizar uma leitura
inspecional, de tal forma que você verá a estrutura do capítulo, os títulos
e subtítulos. Medeiros (2005, p. 80) salienta que as seguintes questões
deverão permear sua atenção:

1. Qual o assunto tratado no capítulo?

2. Qual a ordem das idéias expostas?

O questionamento despertado pelo texto seria a segunda etapa


que você trilhará. Para isso, você deverá transformar títulos e subtítulos
proposto pelo autor do texto que está lendo em perguntas. A ênfase é saber
fazer perguntas e assim proporcionar a você uma expectativa crescente
quanto à leitura.

UM EXEMPLO:

O livro de Pessoa (2005), “Dissertação não é bicho-papão: desmistificando


monografias, teses e escritos acadêmicos”, inicia com o tópico “Fazer ou
não fazer a dissertação”.
Você pode transformar esse tópico na seguinte questão:

Por que fazer ou não uma dissertação?

131
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

O estudo do vocabulário refere-se ao emprego do dicionário no


sentido de empregar palavras novas e a análise das mesmas. A leitura
deve lhe proporcionar prazer, consolidando o hábito da leitura. Apoiado
em Molina, Medeiros sugere que o uso do dicionário não deve ser
empregado de forma imediata. Você deve primeiro tentar compreender a
palavra pelo contexto em que foi empregada. Medeiros aponta algumas
pistas para que você consiga visualizar esse contexto.
As pistas seriam as expressões “isto é, ou seja, ou, aposto, ou
expressões que aparecem entre parênteses” (MEDEIROS, 2005, p. 82).
Não conseguindo dar esse contexto recorre-se ao dicionário. Você deverá
ler todo o verbete e localizar uma expressão que melhor se encaixa no
contexto. Outro procedimento seria recorrer à etimologia da palavra.

USE UM DICIONÁRIO

Outro passo é a linguagem não verbal. Por meio dela, você buscará o
entendimento complementar no texto. Medeiros se refere a fotos, mapas,
quadros, gráficos, tabelas, etc... A ideia é olhar atentamente e desvelar
qual a intenção daquela imagem complementar.

132
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
DECIFRE OS
SIGNIFICADOS
DOS DADOS

A essência do texto é alcançada por meio da complementaridade


dos passos anteriores. Chega-se a esse passo com a preocupação de
identificar as idéias principais, situando você no contexto ideológico.

EXIGÊNCIAS DESSE ESTÁGIO DE LEITURA:

1. Apreender as principais proposições do autor;


2. Conhecer os argumentos do autor;
3. Identificar a tese do autor;
4. Avaliar a idéias propostas;

Essencial para você seria a preocupação em localizar a idéia de


cada parágrafo. Para isso, você deve sublinhar o texto. Você deve
destacar as questões relevantes de tal forma que você adquira um método
de marcação. As formas mais usuais, apresentadas por Azevedo (1993)
seriam: riscar o livro ou anotar numa ficha separada. O que importa é
você escolher uma forma e segui-la até o final.

SUBLINHE OS DADOS RELEVANTES

133
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

Medeiros propõe como foco de análise do texto “a validade das ideias,


completude delas, correção de argumentos, coerência do argumento e
suficiência das provas, consecução dos objetivos prometidos” (2005, p.
86).
A síntese do texto é realizada por intermédio do resumo. Entenda
por resumo a recriação do texto original. A ideia é a de que você chegou
até aqui com a incorporação de conhecimentos e, portanto, em condições
de avaliá-lo. Molina apresenta duas formas para realizar a síntese
(resumo). Uma seria oral. Meio pelo qual você irá apresentar o que
reteve sobre o texto estudado e treinará a linguagem oral. Outra seria por
escrito. Uma complementa a outra. Você deverá enfatizar o pensamento
lógico-abstrato. Você dará conta de apresentar as ideias dentro de uma
organização, hierarquização.

SÍNTESE:
ORAL E ESCRITA

Entre os passos apresentados, a avaliação entra como passo final. A


ideia é focalizar você para o exercício da capacidade crítica, permitindo
a autonomia no seu estudo. A ideia é que você responda as questões que
elaborou com os títulos e subtítulos, como também questões que o próprio
texto levantou.

QUESTÕES A SEREM RESPONDIDAS:

1. Que perguntas permanecem sem respostas?


2. Como o autor transmitiu suas ideias?
3. A linguagem é direta ou indireta?

134
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
A crítica faz parte do processo. Ler um texto é compreendê-
lo. Seguindo os passos dados até aqui, você estará a caminho para se
transformar no que Medeiros chama de leitor competente. E como tal,
você poderá ser:

1. Autônomo na busca de novos conhecimentos;


2. Ser interessado em aprender;
3. Ter prazer em estudar.

Entre os vários tipos de leituras elencadas por Salomon (1999) e


Medeiros (2005) você pode centrar na leitura informativa. Você deve dar
ênfase a ela pelo fato de ser este tipo de leitura que o remete a informações,
dados e fundamentações que servem de base para trabalhos científicos.
Medeiros subdivide a leitura informativa em reconhecimento, seletiva,
crítica e interpretativa.
Essas subdivisões servirão para você obter as seguintes
informações:

dar uma visão geral da obra; se encontrará a


informação que necessita; selecionar informações
necessárias; maiores preocupações quanto aos
significados e esforço reflexivo e relacionar
afirmações do autor com os problemas para os
quais se busca uma resposta (2005, p. 88).

Para que você consiga realizar a leitura interpretativa, você deverá


dominar a leitura informativa. Medeiros aponta para algumas capacidades
de conhecimentos necessárias para isso. Seriam: “a compreensão, a
análise, a síntese, a avaliação, a aplicação” (2005, p.103).
Para cada uma dessas capacidades existe uma mensagem para
você decodificar. Por exemplo, a compreensão refere-se ao entendimento
global do texto de acordo com a visão do autor.

135
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

QUESTÕES BASE:

1. Que tese o autor do texto defende?


2. De que trata o texto?

A análise permite a você identificar os nexos lógicos das idéias e


sua organização. Ou seja, como as partes do texto estão construídas e
amarradas.

QUESTÃO CHAVE:

Quais são as partes que constituem o texto?

A síntese refere-se à captação das ideias principais do texto. Você


eliminará o que é secundário.

QUESTÕES CHAVE:

Quais são as idéias principais do texto?

Como elas se inter-relacionam?

A avaliação refere-se ao fato de você emitir um parecer de valor


sobre o texto.

136
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
QUESTÕES CHAVE:

O texto é passível de crítica?

Há pontos fracos?

Há falhas na argumentação?

Quanto à aplicação, Medeiros argumenta que serve para você tentar


aplicar esses conhecimentos para resolver situações semelhantes. A ideia
central é você perceber, compreender o texto e com base nele projetar
novas ideias e obter novos resultados ou conhecimentos.

QUESTÃO CHAVE:

As ideias expostas no texto são passíveis de ser aplicadas em


que contexto?

Quanto à leitura crítica, você deverá ter um conhecimento


prévio sobre o assunto, pois você terá que “diferenciar ideias, saber
hierarquizá-las, analisar a pertinência delas, bem como o nexo que as
une”(MEDEIROS, 2005, p. 104).
Dessa seção, fica a mensagem e as questões que você terá que
se ater para realização de uma boa leitura. No entanto, muitos desses
procedimentos são realizados em momentos de estudos diversos. Pois
bem, por isso você dará sequencia nessa unidade ao conhecimento sobre
o fichamento, resumo e resenha.
O objetivo estará vinculado ao fato de você perceber em que
momento e em qual documento você deverá registrar o que foi apreendido
na leitura.

137
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

DICAS PARA SALA DE AULA


Dialogue com seus colegas de sala a respeito das
técnicas de leitura.

seção 2
FICHAMENTO

Nesta seção você verá os tipos de fichamentos que poderá realizar.


O objetivo central é permitir que você visualize a necessidade de
documentar e armazenar suas leituras. Sobretudo para que você possa
futuramente pesquisar dados sobre o que foi lido, com o intuito de fazer
análises críticas de obras que tratam de uma mesma temática. Mais. Serve
para construir uma revisão bibliográfica sobre um tema de seu interesse.
Recorra a Marconi e Lakatos (1987) para verificar a classificação
das fichas de leitura. Nessa obra, as fichas são tratadas num capítulo que
discute sobre a pesquisa bibliográfica. A apresentação das fichas passa
pelo aspecto físico, que engloba a composição das mesmas, o conteúdo,
exemplos e fichários.
Cabe aqui salientar que com o advento das inovações tecnológicas
e com o uso dos híbridos na produção do conhecimento, a maneira mais
usual de armazenar informações, sobretudo de leituras realizadas, tem
sido nos arquivos dos computadores.
Pois bem, para Marconi e Lakatos (1987) a ficha é um instrumento de
trabalho imprescindível para o pesquisador. Para elas, as fichas permitem
a organização de informações que levam o leitor a:

FICHAS:
Identificar as obras;
Conhecer seu conteúdo;
Fazer citações;
Analisar o material;
Elaborar críticas;

138
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
Quanto ao aspecto físico, cabe salientar que as fichas utilizadas
para indicações bibliografias ou para resumo eram apresentadas em
três tamanhos (pequenas 7,5cm X 12,5 cm, médias 10,5 cm X 15,5 cm e
grandes 12,5 cm X 20,5 cm). No entanto, cabe relembrar que a utilização
dos modelos encontrados nos computadores tem proporcionado a opção
da supressão da compra dessas fichas.
Quanto à composição das fichas, importante você perceber a
utilização de três partes:

PARTES DA FICHA:
a) Cabeçalho.
b) Referência bibliográfica.
c) Corpo ou texto.
Título genérico (remoto e próximo);
título específico; número de
Cabeçalho:
classificação e letra indicativa da
sequencia.
Segue as Normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas;
Consulta a Ficha Catalográfica da
obra;
Referências Bibliográficas
Em artigos, os elementos essenciais
encontram-se na lombada.
Jornais: a primeira página possui
os elementos essenciais.
Vai ser definida de acordo com a
Corpo ou texto:
utilização da ficha.

Exemplo de cabeçalho:

1)

Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola


Título Genérico Próximo: Apresentação


2)
Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola
Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida

139
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

Nos dois exemplos anteriores vale ressaltar que você segue o


sumário do que está lendo. Assim, você terá o cabeçalho de cada parte
trabalhada.

Escolha um texto relacionado com o teu objeto de estudo e de início


ao fichamento elaborando o cabeçalho
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola


Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida
Referência Bibliográfica:
VENÂNCIO, Silvana; FREIRE, João Baptista. O jogo dentro e fora da
escola. Campinas: Autores Associados: apoio: UNICAMP, 2005.
Exemplos de Referências:

Agora faça as referências seguindo como exemplo o texto acima.


___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

140
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
Exemplo de Corpo ou texto, indicação da obra e local:
Título Genérico remoto: O jogo dentro e fora da escola
Título Genérico Próximo: ESTUDO UM Da escola para a vida

Referência Bibliográfica:
VENÂNCIO, Silvana; FREIRE, João Baptista. O jogo dentro e fora da
escola. Campinas: Autores Associados: apoio: UNICAMP, 2005.
a) Bibliográfica da obra inteira ou de
parte dela;
Abordagem, procedimento, etc [...]

b) Citações que você ache pertinente;


Reprodução fiel de frases ou sentenças

c) Resumo ou de Conteúdo;
Síntese bem clara e concisa da ideias
principais do autor ou resumo dos
aspectos essenciais da obra.
Corpo ou Texto
d) Esboço;
Semelhante ao resumo, porém de
forma mais detalhada, quase de
página a página, indicando do lado
esquerdo as páginas que constam as
idéias apresentadas.

e) Comentário ou Analítica.
Interpretação crítica pessoal sobre as
idéias do autor.
Obra indicada para discentes de
Indicação da obra Licenciatura em Educação Física.
Local (onde a obra está Biblioteca da Universidade Estadual
de Campinas
disponível?)

Voce já fez o cabelhaço e a referência que tal agora dar sequência no


fichamento elaborando o corpo do texto?

Cada um dos itens apresentados no corpo do texto pode ser


uma ficha diferente. Medeiros (2005) propõe os mesmos elementos
estruturais de uma ficha que os apresentados por Marconi e Lakatos
(1987).

141
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

Citando Umberto Eco (1989), Marconi (2005, p. 114) apresenta


algumas regras para o fichamento. Entre elas, ele chama atenção para o
fato das fichas substituírem a posse em casa de todos os livros necessários
para uma pesquisa. Salienta que o armazenamento pode ser feito em
fichas ou arquivos (no caso de utilização dos computadores). A novidade
aqui seria a designação e objetivo desses arquivos. Você poderá abrir
arquivos “de leitura, de ideias, de citações”.
Os arquivos de leitura seriam os que proporcionariam “o registro
de resumos, opiniões, citações, [...] ou ideias que defender por ocasião
da redação do texto que tem em vista” (MEDEIROS, op. cit.). Além
dessas situações, Medeiros recomenda a você a prática contínua de
fichamentos. Somente por meio dessa constância você conseguirá
tornar habitual um procedimento que respeitará as normas técnicas
que regulamentam a atividade científica, além de ajudá-lo a superar
a sensação de dificuldade e demora na confecção das fichas ou
arquivos.

FIQUE ATENTO:

Você poderá usar as fichas ou arquivos para


diversos objetivos. Entre eles, fichar:
a) Assunto;
b) Título de uma obra;
c) Transcrições (utilizar NBR 10520)
d) Resumo;
e) Comentário

Entre os fichamentos elencados acima, você possivelmente


trabalhará mais com o fichamento de resumo e de transcrição. Enquanto
o fichamento de resumo se preocupa com a síntese das ideias do autor,
não fazendo uso de citações, o fichamento de transcrições permite a você
elencar partes do texto que enfatizam as ideias principais da obra que
você leu.

DICAS PARA SALA DE AULA


Reúna-se em grupos de três alunos e dialoguem
sobre as técnicas de fichamento apresentadas
nesta unidade.

142
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
seção 3
RESUMOS

Nesta seção você terá como objetivo verificar como deve ser o
procedimento para resumir o que se leu. No entanto, você verá alguns
critérios que estão relacionados com o procedimento de leitura. Vale à
pena repetir que o processo de construção do conhecimento é interligado.
Ao mesmo tempo em que você lê, existem procedimentos que preparam
ao passo seguinte.
Considerando o processo como ações interligadas, pense numa
sequencia de ações para você chegar ao resumo. O primeiro deles seria a
escolha da leitura a ser feita.

FIQUE ATENTO:

ESCOLHA A LEITURA.

Para isso, Quivy e Campenhoudt (1992) apresentam critérios para


você escolher o que ler. Para eles, você deve atentar para escolher textos
que tenham ligação com a pergunta que você formulou. Essa pergunta
faz parte do item “problema” no seu projeto. Quivy e Campenhoudt
relacionam essa pergunta num tópico conhecido como pergunta de
partida.
Encontrando os textos relacionados com suas perguntas (relacionada
ao seu tema de pesquisa), você deverá possuir uma dimensão razoável
de textos para organizar um programa de leitura. Quivy e Campenhoudt
(1992) recomendam uma leva de três livros ou textos. Você deverá dar
preferência a textos que possuam elementos de análise e interpretação
por parte dos autores. Ou seja, que a temática apresentada seja analisada
e interpretada pelo autor do texto. Outra preocupação seria você buscar
textos que tenham abordagens diversificadas. Isso garante a você uma

143
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

visão ampla do fenômeno pesquisado. Por fim, você deverá ler e ter
espaços para discutir e refletir sobre as leituras.

CRITÉRIOS DE ESCOLHA
1. Ligações com a pergunta ( de partida no exemplo
de Quivy e Campenhodt);
2. Dimensão razoável de leitura;
3. Elementos de análise e interpretação;
4. Abordagens diversificadas;
5. Intervalos de tempo para reflexão pessoal e trocas
de pontos de vista.

Fonte: Quivy e Campenhoudt (1992, p. 52)

Atento ao exposto acima escolha um artigo para dar início ao seu resumo.

Feita a escolha, você terá que reler o item sobre leitura para
providenciar os passos indicados na seção 1. Ou seja, você deverá elencar
uma série de perguntas que deverão ser respondidas na sua leitura por
meio da compreensão do texto.

FIQUE ATENTO:

PASSOS NECESSÁRIOS PARA A LEITURA.

Agora seria o momento de você elencar as perguntas a serem respondidas.

Pois bem, você verá agora a lógica de construção de um resumo


proposto por Quivy e Campenhoudt (1992). Para eles, resumo consiste
num processo pelo qual se destaca as idéias principais e suas articulações,
de tal forma que o pensamento do autor aparece de forma una. Dito de
outra forma:

144
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
Resumo seria o destaque das idéias principais e de suas articulações para que a unidade do
pensamento do autor apareça de forma clara.

Os autores destacam que a capacidade de redação de bons resumos


passa obrigatoriamente pela sua formação e pelo seu trabalho, pois
depende da qualidade da leitura que o precedeu.

Qual é o método proposto por Quivy e Campenhoudt?

Quivy e Campenhoudt (1992) propõem a utilização da “Grelha


de Leitura”, que você pode entender como um fichamento. O objetivo
é diferenciar no texto as idéias principais das secundárias e dos dados
ilustrativos ou desenvolvimentos da argumentação.

A GRELHA DE LEITURA

Sobre a grelha de leitura, Quivy e Campenhoudt propõem que você


destaque parágrafo por parágrafo que você leu. Em cada parágrafo você
destacará a ideia central e os dados complementares. Numa grelha, você
transcreverá essas ideias de tal forma que possa colocá-las em ordem. Ao

145
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

lado, você terá espaço para extrair os tópicos para estruturar o texto. Esses
tópicos referem-se ao projeto, aos fatos estabelecidos e as explicações
dadas. A grelha será feita da seguinte forma:

GRELHA DE LEITURA
IDÉIAS-CONTEÚDO Tópicos para a estrutura do texto
1. Idéia conteúdo de cada Qual é o projeto da obra?
parágrafo.
2.

3.

Você elaborou as perguntas, agora baseado nos conhecimentos


adquiridos de seqüência em seu resumo.

Depois de preenchida essa ficha, você poderá determinar o que


é central, o que secundário e o que é explicação. Tendo essa divisão
clara, ajudado pelo que foi preenchido do lado direito da tabela, você
reconstruirá o texto dando as articulações necessárias para manter a
unidade do pensamento do autor. Além disso, você proporcionará para
outro leitor a oportunidade de conhecer o raciocínio de um autor que ele
ainda não tenha lido. Por isso, o texto deverá ser claro e compreensível.
Esse resumo serve também como um caminho para que você possa
construir, mais tarde, resenhas e revisão de bibliografia. Permite que você
compare obras com critérios mais rígidos.
Medeiros (2005) apresenta outros elementos que contribuem para
que você possa realizar seu resumo. Ele inicia sua argumentação sobre o
tema no fichamento do resumo. Você verá essas argumentações aqui, por
conta da ideia de que as ações são integradas. Para ele, o resumo permite
a você reduzir um texto a suas ideias principais. O resumo engloba duas
ações. A compreensão de um texto e a elaboração de outro. Para isso,
apresenta dois métodos.

146
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
MÉTODO ANALÍTICO MÉTODO COMPARATIVO
Preocupa-se com a estrutura
Preocupa-se com inter-relação
geral do texto para responder a
das ideias; articulação do texto;
expectativa que o texto criou no
resumo parágrafo por parágrafo.
leitor.

Adaptação de Medeiros (2005, p.126)

Entre as ações sugeridas por Medeiros, estaria a indicação de


transformar passagens ou tópicos em perguntas. A síntese, etapa que
Quivy e Campenhoudt apresentaram como a reconstituição das idéias
principais, do texto é apresentada com regras a serem seguidas.
Para elaboração da síntese você poderá lançar mão das seguintes
regras:

1. Supressão;
2. Generalização;
3. Seleção;
4. Construção.

Na supressão, você eliminará palavras secundárias do texto. Medeiros


(2005, p. 126) apresenta como palavras secundárias os “advérbios,
adjetivos, preposições, conjunções, desde que não comprometam a
compreensão do texto”.

Exemplo:
Resumindo de maneira clara e direta, poderíamos dizer que o caráter de linguagem está intrínseco
no “jogo de regras” e no “jogo simbólico”. No jogo de “exercício”, pelo seu caráter funcional, no qual o
prazer é conseguido através da pura ação sem a presença da intenção explícita, o caráter de linguagem
não é identificado. (BRUHNS, 1993, p. 55)

Supressão:
Resumindo, o caráter de linguagem está intrínseco no “jogo de regras” e no “jogo simbólico”. No jogo
de “exercício”, pelo seu caráter funcional, o caráter de linguagem não é identificado.

147
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

A generalização diz respeito ao processo de substituição de várias


palavras por uma que as generalize.

Exemplo:
As crianças pularam cordas, saltaram
amarelinhas, apostaram corridas
durante todo o dia na praça do bairro.

Generalizando:
As crianças brincaram durante o dia na
praça.

A seleção suprime as idéias secundárias

Exemplo:
Desvendar os olhos para olhar atentamente o fenômeno
corporeidade é adentrar o domínio do impreciso, do complexo, das
imperfeições e da desordem do mundo real, razão pela qual este
texto não pretende iluminar o visível, mas apenas e tão-somente
excitar o invisível, ou melhor, revelar as possibilidades do sensível,
que normalmente está no outro lado do corpo (MOREIRA, 1995,
p. 17).

Seleção:
Desvendar os olhos para olhar o fenômeno corporeidade é
adentrar o domínio do impreciso, do complexo, das imperfeições e
da desordem do mundo real, razão pela qual este texto pretende
revelar as possibilidades do sensível, que normalmente está no
outro lado do corpo (MOREIRA, 1995, p. 17)

Por fim, a construção. Respeitam-se as ideias do texto original e


constrói-se uma nova frase, conhecida como paráfrase.

Resultado da citação de Moreira (1995):


Olhar a corporeidade significa ver o impreciso, o complexo, as imperfeições e a desordem do mundo
real, razão que remete este texto a revelar as possibilidades do sensível.

148
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
Aprofundando as informações sobre o resumo, Medeiros propõe como
conceito de texto para que você possa identificar elementos necessários
para realização de um resumo. Baseado em Orlandi (MEDEIROS, 2005,
p. 138) o texto seria “uma unidade complexa de significação”, pelo qual
se apresentam ideias inter-relacionadas. Existe uma coerência entre as
afirmações iniciais e finais.
Além do texto, existe o contexto e o intertexto. O contexto possui
duas dimensões que apresentam a superfície e a profundidade que o
texto foi produzido. A superfície trata do sentido produzido pelas orações
e a profundidade desvela a visão de mundo que informa o texto.
Como um texto refere-se a símbolos num processo de comunicação,
você deve visualizar a situação em que o mesmo foi criado. Trata-se das
circunstâncias e do ambiente que motivaram sua construção.
O intertexto seria a relação existente entre a produção de um
texto com outros. Apresenta a paráfrase, a paródia e a estilização como
procedimentos intertextuais.

Recriação das ideias sem alterar a ideia do autor.


Trocam-se palavras por sinônimos.

Pode-se apresentar em graus:


1. Paráfrase a. Primeiro grau  substituição de palavras por
outras equivalentes;
b. Segundo grau  resumo;
c. Terceiro grau  comentários;
d. Quarto grau  juízo de valor.
Apresenta outras ideias que o texto não
2. Paródia apresentou.
Recriação do texto. Desvio do texto original é
3. Estilização maior que na paráfrase.

Adaptação de Medeiros (2005, p.126)

No quadro acima, percebe-se que o resumo entra como um segundo


grau na utilização de paráfrases. Você poderá avaliar que a construção de
conhecimentos passa por etapas e o resumo é uma delas.
Outros elementos são apresentados para que você possa ampliar
seu conhecimento sobre o que será observado na confecção do resumo.
Seriam os elementos estruturais. Entre eles:

149
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

1. Saber partilhado;
2. Informação nova;
3. As provas;
4. A conclusão.

O saber partilhado seria a informação antiga. Normalmente, aparece


no início do texto. Seria um conhecimento do autor que é compartilhado
com o leitor. Você pode até associar com informações particulares que o
autor compartilha com você.
A informação nova é central no texto. Apresenta-se um olhar sobre
o fenômeno que, em tese, o leitor não tinha esse conhecimento. Seria o
olhar particular do autor. Serve para desenvolver o texto.
As provas definem a fundamentação das afirmações expostas.
Seriam os fatos empíricos que são apresentados para ilustrar o que o
autor afirmou.
Por fim, as conclusões são relacionadas às respostas dos objetivos
do autor. Outro dois elementos são destacados por Medeiros (2005, p.
142). Seriam a referência e o tema. Você deve desvelar “do que trata o
texto?” e “sob que perspectiva o texto foi construído?”.

Neste momento convido-o a concluir o resumo. Porém fique atento às Normas Brasileira da ABNT.

Para finalizar, a construção de um resumo deve estar vinculada às


normas técnicas ligadas a Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Sobretudo em relação as NBR 14724; a NBR 10520 e a NBR 6023. Essas
normas estão ligadas a apresentações de trabalhos, formas de utilização
de citação, no caso de fichamentos de citações e referências.

DICAS PARA SALA DE AULA


Apresente aos seus colegas um resumo feito
e aproveitem para dialogar sobre as técnicas
empregadas.

150
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
seção 4
RESENHAS

Nesta seção você verá os objetivos de uma resenha, bem como


identificar as partes necessárias para sua construção.
Inicialmente, lembre que o resumo é utilizado por você para
completar um processo de leitura atenta e criteriosa. Você irá documentar
os conhecimentos adquiridos nessa leitura por meio de um arquivo ou
ficha.

E A RESENHA?

Pois bem, lembre-se que no resumo você não fará juízo de valor.
Na resenha você fará isso e mais. Azevedo (1993) apresenta a resenha
como um resumo crítico de uma obra. Seria uma apreciação sobre
determinada obra, feita de tal forma que a intenção é a de divulgá-la
em revistas especializadas para incentivar outros leitores a buscarem
essa referência após lerem a discussão que você travou com o autor
da obra no processo de construção da resenha. Azevedo trabalha com
um texto direcionado para procedimentos necessários para a confecção
da resenha. Alerta que em média uma resenha possui de duas a dez
laudas.

CONCEITOS

Medeiros (2005) apresenta os conceitos de resenha vinculados


ao conhecimento de quem irá construí-la. Essa associação refere-se
à necessidade de que o autor da resenha tenha conhecimento sobre o
assunto, justamente pelo fato de que precisa realizar uma análise crítica
da obra lida. Apresenta a resenha como resumo crítico mais abrangente

151
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

que o resumo que você viu na seção anterior.


Entre os conceitos apresentados, você encontrará em Medeiros
(2005, p. 158) as referências de que uma resenha apresenta “variadas
modalidades de textos: descrição, narração e dissertação”. Quanto à
estrutura, descreve:

1. Propriedades da obra (descrição física);


2. Relata as credenciais do autor;
3. Resume a obra;
4. Apresenta suas conclusões e metodologia empregada;
5. Expõe o quadro de referências (narração das obras que serviram de
suporte);
6. Apresenta uma avaliação da obra e diz a quem a obra se destina.

RESENHA:
1.1.1. Objetivos:
a. Contextualizar o autor e sua obra no
universo cultural, mostrando a origem
da obra;
b. Interessar o leitor pela resenha e
pela obra.
1.1.2. Extensão: 10 a 20% da extensão
1.1.Introdução: total da resenha.
1.1.3. Estrutura interna:
a. Parágrafo de interesse;
1. ESTRUTURA
GERAL b. Contextualização do autor e da
obra;
c. Parágrafo de transição para o
resumo.
1.2.3. Objetivos:
a. Resumir (re-escrever sinteticamente)
o conteúdo da obra;
1.2. Desenvolvimento: b. Destacar as linhas centrais do
pensamento do autor;
1.2.4. Extensão: 60 a 70 % da extensão
total da resenha.

152
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
1.2.5. Estrutura interna:
a. Introdução – resumo do resumo,
para mostrar as partes constitutivas
básicas da obra;
b. Resumo – síntese do pensamento
do autor;
c. Conclusão – fecho do resumo;
d. Parágrafo de transição para a
crítica.
1.3.3. Objetivos:
a. Apreciar a obra, recomendando-a
ou não ao leitor;
b. Fazer sugestões ao autor e;ou editor
(editora) da obra.
1.3.4. Extensão: 20 a 30 % da extensão
total da resenha.
1.3.5. Estrutura interna:
a. Juízo sintético sobre a obra;
b. Explicação do juízo;
c. Sugestões ao autor;
d. Apreciação final (recomendação de
leitura).
1.3.6. Itens para a crítica:
Da edição:
a. Erros/acertos quanto à
revisão textual;
b. In/existência (e atualidade)
de índices, ilustrações, etc.
c. Apresentação (capa, folhas-
de-rosto, impressão, etc.)

1.3. Crítica: Do conteúdo:


a. Erros/acertos quanto
às informações veiculadas (datas,
nomes, estatísticas, etc.)
b. Seriedade da
documentação (extensão, qualidade
e atualidade das referências
bibliográficas intermediárias e finais;
uso crítico dos autores; criteriosidade
das citações, etc.);
c. In/consistências
(contradições);
d. Disposição do material
(sequência lógica, organização
equilibrada, etc.).

Das ideias:
a. Diálogo com as ideias
básicas do autor;
b. Desvelamento ideológico
de suas propostas e análise das suas
consequências;
c. Avaliação dos argumentos
apresentados.

153
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

a. Redação direta sem entre títulos,


com a divisão se evidenciando pela
organização do texto;
b. Citações formais indispensáveis
Título (criativo,
(in loco: páginas indicadas entre
diferente do título
parênteses);
2. GENERALIDADES: da obra conforme as

normas da ABNT, ao
c. Folha de rosto bem disposta,
alto, à direita).
com título da resenha ao alto, autor
da resenha no centro, finalidade
do trabalho no centro, abaixo;
instituição, local e data bem abaixo.

Fonte: Azevedo (1993, pp. 34-35)

Você observou como Azevedo estabelece uma sequência para elaborar uma resenha.
Agora escolha um texto relacionado com a sua área de interesse e dê início a sua resenha.

Existem alguns periódicos científicos que nas páginas finais são


elencadas regras para a apresentação de resenhas. Algumas regras do
ponto de vista da formatação podem ser diferentes das demonstradas
acima. No entanto, as dicas dadas a você permitirão a estruturação de
uma resenha bem articulada.
Medeiros apresenta outras informações sobre a resenha.
Recomenda a redação do texto em terceira pessoa, buscando certa
neutralidade. No entanto, essa neutralidade é prejudicada pelo fato
de que se espera do resenhista um posicionamento crítico, apoiado
em “fatos, em provas e em argumentos consistentes”, como afirma
Medeiros.
Apoiado em Lakatos e Marconi (apud MEDEIROS, 2005, p. 169)
Medeiros apresenta uma nova estrutura para a prática das resenhas
científicas. A estrutura seria a seguinte:

154
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
MODELO
Autor; Título da obra; Elementos de imprenta (local
1. Referência
de edição, editora, data); número de páginas;
bibliográfica:
formato.
2. Credenciais do Informações sobre o autor, nacionalidade, formação
autor: universitária, títulos, livro ou artigo publicado.
Resumo das ideias principais da obra. De que trata
o texto? Qual sua característica principal? Exige
3. Resumo da
algum conhecimento prévio para entendê-la?
obra (digesto):
Descrição do conteúdo dos capítulos ou partes da
obra.
4. Conclusão da
Quais as conclusões a que o autor chegou?
autoria:
Que métodos utilizou? Dedutivo? Indutivo?
5. Metodologia da Histórico? Comparativo? Estatístico?
autoria:
Que técnicas utilizou? Entrevista? Questionário?
6. Quadro de
Que teoria serve de apoio ao estudo apresentado?
referência do
Qual o modelo teórico apresentado?
autor:
7. Crítica do Julgamento da obra. Qual a contribuição da obra?
resenhista As ideias são originais? Como é o estilo do autor:
(apreciação): conciso, objetivo, simples? Idealista? Realista?
A quem é dirigida a obra? A obra é endereçada a
8. Indicações do
que disciplina? Pode ser adotada em algum curso?
resenhista:
Qual?

Fonte: Medeiros (2005, pp. 169-170)

O primeiro quadro de Medeiros dá uma ideia sobre a estrutura de


resenha. Os dois últimos quadros acima são modelos para a realização de
uma resenha. Seja pelo modelo de Azevedo ou de Marconi e Lakatos, você
possui dois roteiros com elementos concretos para desenvolver resenhas.
O importante é você perceber que a resenha requer procedimentos
anteriores (leitura e resumo) feitos com critério.

DICAS PARA SALA DE AULA


Dialogue com seus colegas de sala sobre os tipos
de resenha e escolha a mais adequada para você.

155
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

seção 5
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

Nesta seção você verá a estrutura existente para a comunicação


científica. Os meios pelos quais você poderá realizar a comunicação do seu
trabalho de pesquisa, bem como a estrutura necessária para apresentar
seu trabalho de acordo com o meio.

Comunicação científica?

Quando se fala em comunicação científica pensa-se num


processo pelo qual você poderá comunicar os resultados obtidos no
desenvolvimento de sua pesquisa aos pares de sua área. Esse processo
garantirá a disseminação do conhecimento por meio de apresentações
e disponibilização dos resultados da sua pesquisa para que outros
pesquisadores possam utilizar as suas informações para novas
pesquisas.
Antes de você adentrar ao universo da comunicação pergunte-se:

O QUE VOCÊ IRÁ COMUNICAR?

Como dito antes, você comunicará o resultado de sua pesquisa.


Você viu que a pesquisa divide-se em dois pontos: projeto e relatório.
Silva (2001) apresenta o planejamento de pesquisa em três fases: a
fase decisória, a fase construtiva e a fase redacional. Entre essas fases,
a redacional é a que se preocupará em colocar os dados coletados e
analisados na forma de relatório.

156
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
Esse relatório poderá obter a estrutura e normas preestabelecidas
de acordo com o momento e a finalidade em que foi redigido.

Quais as formas que um relatório pode assumir?

Medeiros (2005, p. 247) apresenta o termo “trabalhos científicos”


para designar um relatório. Entre as formas mais conhecidas
estariam:

1. A resenha;
2. O informe científico;
3. O artigo científico;
4. A monografia;
5. O paper.

Steffan (1999, p. 233) apresenta o relatório de pesquisa como um


informe que pode ser verbal, escrito ou eletrônico. O tipo do relatório
depende da “natureza do receptor do relatório (uma instituição, uma
pessoa, uma revista, rádio, televisão [...] um grupo de interessados,
etc.)”.
Veja o quadro acima. Escolha agora a monografia. Ela é entendida
como “uma dissertação que trata de assunto particular, de forma sistemática
e completa” (MEDEIROS, 2005, p. 248). Entre os receptores apontados
por Stefan, adote as instituições superiores, que exigem a confecção de
uma monografia para que o discente receba a titulação referente ao curso
que está frequentando. A monografia é apresentada por Medeiros como
podendo ser de:

157
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

É suficiente a revisão bibliográfica,


ou revisão de literatura. É mais um
Graduação trabalho de assimilação de conteúdos, de
confecção de fichamentos e, sobretudo,
de reflexão.
Trabalho de Conclusão Monografias apresentadas ao final de
de Curso (TCC) um curso de pós-graduação.
Exige a revisão de literatura, o domínio
Para obtenção de grau sobre o método de pesquisa e informar a
de Mestre metodologia utilizada. Expõe novas formas
de ver uma realidade já conhecida.
Exige revisão de literatura, a metodologia
Para obtenção do grau utilizada, o rigor da argumentação e
apresentação das provas, a profundidade
de Doutor das idéias, o avanço dos estudos na
área.

Fonte: Texto extraído de Medeiros (2005, pp. 249-250)

A monografia seria a designação para a expressão referente


a trabalhos escritos que “versam sobre um assunto”. E em relação as
instituições de ensino superior, os modelos apresentados no quadro acima
seriam as principais formas de relatório. Esses relatórios são apresentados
de forma oral e escritos. Normalmente, existe uma banca composta por
professores titulados para analisar o material escrito e a apresentação
oral do candidato ao título correspondente.
Entre os tipos de trabalhos científicos apresentados por Medeiros
você encontra o artigo. O que trataria o artigo?
Basicamente, o artigo aborda os resultados de uma pesquisa
científica, porém numa extensão pequena em relação as monografias. O
público a que se destina o artigo seriam leitores de revistas especializadas,
jornais ou periódicos especializados.
Medeiros apresenta a estrutura de um artigo com as seguintes
partes:

158
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
Título do trabalho;
Autor;
Credenciais do autor;
Local das atividades;
Sinopse (resumo em português e em uma língua estrangeira, de
preferência, em Inglês);
Corpo do artigo (introdução, desenvolvimento e conclusão);
Parte referencial (referências bibliográficas, como notas de rodapé ou
de final de capítulo, bibliografia, que é a lista dos livros consultados ou
relativos ao assunto, apêndice, anexos, agradecimentos, data).

Fonte: Medeiros (2005, p. 244).

Além da estrutura, Medeiros apresenta uma classificação dos artigos


quanto ao seu conteúdo e o tipo. Quanto ao conteúdo, o artigo apresenta
abordagens atuais e temas novos. Quanto ao tipo de artigo, existem três
classificações:

Descrevem, classificam e definem o assunto e


levam em conta a forma e o objetivo que se tem
em vista.
Analíticos:
Estrutura:
Definem o assunto; apresentam aspectos relevantes
e irrelevantes, partes e relações existentes.
Ordenamento de aspectos de determinado assunto
e a explicação de suas partes.
Classificatórios: Estrutura:
Definição do assunto, explicação da divisão,
tabulação dos tipos e definição de cada espécie.
Enfoque de um argumento e apresentação dos
fatos que provam ou refutam o fato.
Argumentativos: Estrutura:
Exposição da teoria, apresentação dos fatos,
síntese dos fatos, conclusão.

Fonte: Medeiros (2005, p. 244)

159
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

Entre os motivos pelos quais você realiza um artigo, Medeiros (2005,


p. 244) salienta assuntos que não foram explorados suficientemente,
“necessidade de esclarecimento de questão antiga; inexistência de um
livro sobre o assunto e aparecimento de um erro”. Atualmente, muitos
pesquisadores têm reproduzido partes de suas monografias como artigos
para discussões específicas com os pares sobre a temática desenvolvida.
Essa lógica colocaria o artigo como uma nova etapa a ser vencida. Ou seja,
após a apresentação do relatório para a instituição, o texto é encaminhado
para uma editora para se transformar em livro ou publicado em diversos
eventos com a divisão de suas partes.

COMO IRÁ COMUNICAR?

Alguns aspectos de formatação são necessários, tanto para artigos


como para monografias. Você precisa ter sempre ao seu alcance o livro de
Normalização Bibliográfica (editado pela UEPG) e que retrata as Normas
da ABNT.

PAPEL TAMANHO
Cor - branco LETRA Texto normal - 12
Tamanho - folha A4 Times New Roman / Arial Texto de citações longas e
(21 cm x 29,7 cm) notas de rodapé - 10

MARGENS
DIGITAÇÃO
Esquerda e superior - 3 cm
somente no anverso da folha
Direita e inferior - 2 cm

PAGINAÇÃO
ESPACEJAMENTO PAGINAÇÃO
Todas as folhas a partir da
Texto - 1,5 cm Deve ser feita em algarismos
folha de rosto devem ser
Referências, Citações longas arábicos, no canto superior
contadas e numeradas
e notas de rodapé - simples direito
a partir da 1ª folha textual

160
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
AONDE IRÁ COMUNICAR?

Entre as normatizações, segue o exemplo de algumas ações exigidas


e normatizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT –
NBR 14.724 na confecção de um relatório (trabalho científico).
Como visto na seção três, a consulta às normas são de suma
importância.
Para responder a essa questão, recorra a Silva (2001) para
compreender o processo de comunicação da pesquisa científica. Essa
autora descreve em sua obra, sobretudo na aula 1 – O pesquisador e a
Comunicação Científica, todo o processo que você vivenciará no ato de
comunicação de sua pesquisa.
Considerando a natureza do receptor das informações de seu relatório,
foi elencada uma série de possibilidades. Em relação a essas possibilidades,
Silva apresenta os canais formais e informais do conhecimento. O primeiro
representaria “a parte visível (pública) do sistema de comunicação
científica, representado pela informação publicada em forma de artigos
de periódicos, livros, comunicações escritas em encontros científicos, etc.”
(2001, p. 14). Já os canais informais seriam caracterizados por Silva como
os contatos pessoais, conversas telefônicas, correspondências, etc.

CANAIS FORMAIS E INFORMAIS

Entre as características de cada um dos canais, Silva alerta para o


fato de que os canais informais atendem mais ao processo de construção
do conhecimento. Pois a circulação da informação é mais ágil e seletivo.
Nos canais formais, esse processo tende a ser lento, porém, procura-
se armazenar as informações e trabalhos por período longo. Pois as
instituições formais seriam as universidades, as bibliotecas. Instituições

161
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

que garantem a preservação da memória e a difusão de informações para


o público em geral.
Entre os passos apresentados anteriormente, surge o processo
de avaliação do trabalho científico. Silva recorre a Demo (1991) para
definir essa avaliação. Segundo ele, a qualidade política e qualidade
formal seriam os dois aspectos pelos quais os relatórios são avaliados.
A qualidade política seria a referência aos conteúdos, aos fins a que se
destina o trabalho e substância do trabalho. Já a qualidade formal refere-
se aos meios e formas usados para a confecção do trabalho.
Relacionado a esses critérios de qualidade, você poderá verificar
em Medeiros aspectos que reforçam o entendimento da comunicação
científica. Tratando-se de eventos científicos, a comunicação é limitada
em tempo, pois a exposição é oral (em alguns casos também escrita em
forma de painéis) e destina-se de 10 a 20 minutos para essa exposição.
Medeiros apresenta alguns elementos que são considerados nesses
espaços de comunicação. Seriam:

Finalidade: Tornar os resultados da pesquisa conhecidos.


Informações: Devem ser originais e criativas.
Engloba:
Introdução - (formulação do tema, justificativa,
objetivos, metodologia, delimitação do problema,
abordagem e exposição exata da ideia central)
Estrutura: Desenvolvimento – Inclui exposição do que se
disse na introdução e fundamentação lógica das
ideias apresentadas.
Conclusão – síntese dos resultados.
Linguagem: Vocabulário rigoroso, preciso e claro.
Forma de abordagem do problema, posição do
Abordagem: autor.
Observação importante: Requisitos básicos para divulgação científica:
o conhecimento daquilo que se comunica, a precisão terminológica, a
acessibilidade da linguagem, a adaptação à audiência.

Fonte: Medeiros (2005, p. 245)

Cada um dos elementos expostos acima deve ter uma atenção


redobrada para a preparação de uma comunicação. Utilizando esses
elementos você estará preparado para apresentar, debater e comunicar os
resultados de seu trabalho.

162
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica
DICAS PARA SALA DE AULA
Reúna com seus colegas e analisem um artigo
referente a sua área de interesse, tendo como
base os ensinamentos transmitidos nesta unidade.

Nesta unidade você teve contato com a leitura, o fichamento, resumos, resenhas e a
comunicação científica. Entre esses pontos ficou a mensagem de que o trabalho é integrado e a busca
do conhecimento deve ser balizada por um processo.
Você verificou que a leitura possui etapas e níveis, e dependendo do comprometimento que
você possuir com o ato da leitura poderá adquirir as qualidades de um bom leitor.
Mais do que ler, você verificou na seção dois que existem formas consagradas de se registrar
o que se leu. Seja por intermédio do fichamento em fichas próprias ou por meio dos arquivos no
computador, você viu que o ato de ler e registrar torna-se essencial para um bom aprendizado e para a
busca do conhecimento. Vale lembrar que existem vários tipos de fichamentos, sendo o de citações e
o de resumo os destacados na seção.
Na seção três, você teve contato com o resumo. Foi enfatizada a necessidade de você ter
critérios para a escolha do que ler e resumir. Ao mesmo tempo, destacou-se a necessidade de utilização
da grelha de leitura, entendida como uma forma de fichamento, para que se possam reconstruir as
ideias principais em forma de paráfrase, que define um resumo.
Você foi além. Verificou que o resumo é apenas uma das formas possíveis de trabalho. Visualizou
que um resumo bem feito permite avançar para análise crítica da obra lida. Esse procedimento coloca-o
frente ao desafio de construção de uma resenha. Essa resenha permite comunicar a leitura de uma
determinada obra, de tal forma que você possa indicá-la para outros leitores. Para isso, você verificou
dois modelos que servem de roteiro para construção da resenha.
Por fim, você verificou que a comunicação científica depende da natureza do ouvinte. Dito
de outra forma, dependendo para quem você irá comunicar os resultados de sua pesquisa, você terá
um determinado formato. Se for para instituições de ensino você fará uma monografia. Para eventos
científicos, você privilegiará o artigo. Optou-se pela ênfase no artigo e monografia. Porém, foram
apresentadas outras formas de trabalhos científicos. Você também verificou os tipos de apresentações
oral e escrito. Visualizou regras para ambos. Sobre os trabalhos escritos verificou a real necessidade
de iniciar nos estudos das Normas Técnicas para atender a normalização.
Enfim, você verificou que as formas de se inserir no universo da comunicação científica dependem
de esforço e trabalho, para que você possa comunicar-se com linguagem clara e inequívoca.

163
unidade 4
Universidade Aberta do Brasil

1. Releia a seção 1 e elenque todas as perguntas que uma leitura deve responder!

2. Explique as etapas do SQ3R e os passos para leitura de um texto!

3. Defina e apresente um código para sublinhar um texto.

4. Quais são os tipos de fichamentos que podem ser realizados em uma leitura. Exemplifique cada
um deles.

5. Quais são os elementos essenciais numa ficha ou arquivo de leitura? Quais os passos para a
realização de um fichamento?

164
unidade 4
Metodologia da Pesquisa Científica

165
unidade 4
166
Universidade Aberta do Brasil

unidade 5
Metodologia da Pesquisa Científica
PALAVRAS FINAIS

Não falaremos de despedida ou de encerramento ao finalizarmos


este livro, pois, temos a oportunidade de vivenciar um momento especial
que ficará marcado em nossas vidas. Momento esse representado pela sua
participação no Curso de Licenciatura em Educação Física a Distância,
ensejado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, o qual representa
o início de uma caminhada que não se finda. O processo de construção de
novos paradigmas para a Educação Física sempre estará vivo em nossas
ações.
Portanto, as nossas palavras finais são de agradecimentos, de
incentivo e de um até breve para você que nos acompanhou pari passo
nesta caminhada, na qual buscamos mostrar os melhores meios para se
alcançar o conhecimento científico. Um mundo pluralizado com enfoque
nos métodos, procedimentos e técnicas foi apresentado para você, visando
estabelecer parâmetros conceituais da metodologia científica.
A construção desse material representa uma convergência e
culminância de focos na busca de sistematizar as ações necessárias ao
planejamento do trabalho científico para a Educação Física formal, tendo
como ponto de partida a Ciência, na qual destacamos a sua retrospectiva
histórica, os seus conceitos e principalmente a sua classificação. Essa
disciplina objetivou desenvolver um olhar crítico de como a ciência se
apresenta no contexto da nossa sociedade.
Apresentamos as formas de aquisição do conhecimento e os
principais métodos que constroem as bases lógicas da produção
do conhecimento científico tendo como objetivo dar ênfase mais
procedimental, comprometida com os grandes desafios apresentados pelo
trabalho acadêmico da Educação Física. A construção do entendimento

167
unidade
PALAVRAS 5
FINAIS
do conhecimento científico e dos métodos ajudará na ampliação da
compreensão de suas práticas acadêmicas voltada para a Educação Física
formal, quer seja, pela generalização ou pela distinção que se apresentará
ao longo da sua caminhada.
Um dos eixos nessa disciplina centrou-se em evidenciar a pesquisa
científica, o seu delineamento da pesquisa, planejamento e a construção
do projeto de pesquisa. Esses representam um dos momentos mais
significativos deste nosso trabalho. Lembre-se sempre que por mais
simples que ele seja, sempre será um trabalho que ficará registrado em
sua vida acadêmica.
Por fim, evidenciamos um processo articulador de conhecimentos
em torno da ampliação das práticas de uma leitura metódica de textos,
usar e construir fichamentos das leituras de diversas obras, promover uma
análise crítica das leituras por intermédio da elaboração de resenhas e de
construir o relatório final de seu projeto de pesquisa.
Esperamos que esse trabalho proporcione novos conhecimentos e
encaminhamentos a outros textos, pois entendemos que o mais importante
é não se perder de vista a sintonia entre o tempo escolar e o tempo de
construção de novos paradigmas na Educação Física formal, pois você
pode fazer a diferença.

Um fraterno abraço

Antonio Carlos Frasson


Constantino Ribeiro de Oliveira Júnior
Anatomia Humana e do Movimento
REFERÊNCIAS

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REFERÊNCIAS
Metodologia da Pesquisa Científica
NOTAS SOBRE Os AUTORes

Antonio Carlos Frasson


Possui graduação em Educação Física pela Escola de Educação
Física e Desportos do Paraná (1973), mestrado em Educação pela
Universidade Metodista de Piracicaba (1995) e doutorado em Educação
pela Universidade Metodista de Piracicaba (2002) cujo tema versou sobre
o Ensino Superior em Ponta Grossa: o tempo das faculdades. Foi professor
da Universidade Estadual de Ponta Grossa de 1976 a 2003. Atualmente
é professor do Centro de Ensino Superior Campos Gerais – CESCAGE,
atuando na área da Metodologia da Pesquisa Científica, professor do curso
de especialização da Universidade Estadual de Ponta Grossa e integrante
do quadro próprio do magistério do Governo do Estado do Paraná. É autor
de diversos artigos a respeito da Educação Física e da Qualidade de Vida.

Constantino Ribeiro de Oliveira Junior


Possui graduação em Licenciatura em Educação Física pela
Universidade Estadual de Ponta Grossa (1990), especialização em Teoria
e Prática do Futebol/Futsal pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras
de Arapongas (1991), especialização em Ciência da Educação Motora
pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1993) , especialização em
Pedagogia do Esporte pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1994),
mestrado em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (1996)
e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas
(2003). Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Estadual de
Ponta Grossa e do Programa de Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas.
Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Estudos do
Lazer. Atua principalmente nos seguintes temas: Trabalho, Lazer, Políticas
púbicas, Meninos de rua, Identidade.

173
AUTOR