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DIALOGO
Este primeiro número de DIÁLOGO UNIVERS[TÁ· dem ao pensamento independente dos autores, e não neces-
RIO está sendo publicado simultaneamente em quatro edi· sariamente representam o que pensam os membros da Co-
ções paralelas (inglês, francês, português e espanhol) sob missão de Apoio a Ulu versitários e Profissionais Adventis-
o patrocínio da Comissão de Apoio a Universitários e Pro- tas.
fissionais Adventistas (CAUPA), organ ismo da Conferên· Correspondência editorial: deve ser dirigida a um dos
cia Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, 6840 Eastern Secretários da CAUPA: 6840 Eastern Avennue NW, Wa·
Ave. NW, Washington D. C. 20012, EUA . shington D. C. 20012, EUA.
Copyright © da CA UPA. Todos os direitos reserva· Correspondê nc ia Sobre Circulação: deve ser dirigi-
dos. Parte alguma desta publicação pode ser reproduzida da ao Representante Regional da CAUPA na região em
sem a prévia permissão da CAUPA. que resid e o leitor. Os nomes e endereços destes repre-
Os pontos de vista expressos em DlÁLOGO correspon· sentantes encontram-se abaixo.

COMISSÃO INTERNACIONAL

Calvin B. Rock, Presidente Membros: Graham Binghmn, Clarenee E. Bmcebridge, Lo·


George H. Akers e George Knowles, Vicc-presidentes renzo Grant, Gordon Madgwick , Esther Rosado e Ted
Jsrael Leito e Humberto M. Rasi, Secretários Wick .

REPRESENTANTES REGIONAIS

DIVISÃO ÁFRI CA-OCEANO ÍNDICO DIVISÃO SUL-AMERICANA


Representante: Ph ineas Bahimba Representantes: Nevi l Gorski e Jorge de Sousa
Endereço: C id ~x 03 C 84, Riviera 1, Abidjan, Coso Matias
ta do Mar rim, Africa Ocidental Endereço: Caixa Postal 12-2600, 70279 Brasilia,
DIVISÃO DA ÁFRICA ORIENTAL DF, Brasil
Representante: Tommy H. Nkungula DIVISÃO SUL-ASIÁTICA
Endereço: P. O. Box 14756, Nairobi, Quénia, Áfri· Representantes: Lowell C. Cooper e John M, Fowler
ca Oriental Endereço: Post Box 15, Poona 411001 , índia
DIVISÃO EURO-AFRICANA DIVISÃO TRANS-EUROPÉIA
Representante : Pietro Copiz Representantes : James M. Huzzey e Orville
Endereço: p , O. Box 219, 3000 Berne 32, Suíça Woolford
DIVISÃO DO EXTREMO ORIENTE Endereço: 191 St, Pete r' s Street, Sl, Albans
Representante: Jonathan Kuntara r Herts" Ali 3EY, Grã·B retanha
Endereço: 800 Thomson Road, Cingapura 1129, UNIÃO AFRICANA DO SUL
República de Cingapura Representantes: F, N, Case e G, B, Vaze
DIVISÃO INTERAMERICANA Endereço: f . O, Box 46061, Orange Grove 2119
Representantes: Alfredo Garcia·Marenko e [·Ier· Transvaal, Arrica do Sul
hert F letcher UNIÃO DO ORIENTE MÉDIO
Endereço: p, O, Box 140760, Miami, Florida 33114· Representante: Svein Johansen
0760, EUA Endereço: p , O, Box 2043, Nicosia, Chip"e
DIVISÃO NORTE-AMERICANA UNIÃO SUL-AFRICANA
Representantes: Gordon Madgwick e Ted Wick Representantes: p, W, Coetser e B. E. Sterley
Endereço: 6840 Eastern Ave, NW, Washington E ndereço: p, O, Box 468, Bloemronlein 9300,
D, C, 20012, EUA Orange Free State, África do Sul
DIVISÃO DO SUL DO PACÍFICO
Representantes : Gerald Clifford e Barr)' Gane
Endereço: 148 Fox Valley Road, Wahroonga, N,
S, W, 2076, Austrália

2 DIÁLOGO 1 - 1989
Conteúdo
Editorial 3 Logos
Artigos em Destaque A Outra Grande
Missão na Tecnópole G. Oosterwal ........ 4 Comissão James Cox .... 20
Bioética Cristã J. W. Provonsha ..... 8 O Salmo do Físico Albert E. Smith 21
Fé, Razão e Vida Universitária
Vulnerabilidade M. Pearson ......... 11 Vinho Novo e Odres Novos Paul Jensen ... 22
Cristianismo e Ciência Dei Ratszch ......... 14 Em Ação .. ............... 26
Perfis Associações Profissionais ................ 28
Helen Ward Thompson R. Weismeyer ...... 16 Para Sua Informação
Clayton Rossi H. M. Rasi ......... 18 CAUPA: Um Ministério Especial .............. 33
Ellen G. White e os Estudantes
Universitários 34

Editorial
,
E crescente o número de moços e moças adventis-
tas do sétimo dia que estão efetuando estudos uni-
versitários em diversas partes do mundo. Ao passo que
de diferença neste mundo enquanto se preparam e ajudam
outros a preparar-se para o retorno de Jesus? Existem pro-
fissionais adventistas em vossos campos de atividade, com
desenvolvem seus talentos, preparam-se para maior utili- os quais seja possIveI manter relacionamento proveitoso?
dade à igreja de Deus, à sua terra natal e à humanidade 3. Compartilhar Sua Fé. O que tem a $ão adventista
como um todo. do sétimo dia acerca do mundo a dizer diante de nossa cul-
Em breve estes jovens adultos tornar-se-ão professo- tura crescentemente secularizada? Quais são a.lgumas das
res, ministros, cientistas, empresários, especialistas no tra- maneiras pelas quais vocês poderão comunicar eficazmente
tamento da saúde, artistas e profissionais dos mais varia- as suas crenças aos outros - aos seus amigos, professores
dos ramos. Alguns decidirão oferecer seu tempo integral e vizinhos? De que modo poderão vocês contribuir para que
à obra denominacional; outros trabalharão em setores go- a igreja local se torne mais vigorosa, ao mesmo tempo que
vernamentais, na indústria, no comércio, ou como profis- estiverem cooperando com sua missão global?
sionais liberais. Independentemente de suas opções pro- Neste primeiro número de DIÁLOGO - que está sendo
fissionais, serão eles indivíduos que desempenharão um publicado em português, inglês, espanhol e francês - ten-
papel-chave na condução da Igreja Adventista do Sétimo tamos tratar algumas destas desafiadoras questões. Até que
Dia ao grande evento da segunda vinda de Cristo ... ou, ponto logramos êxito? Por bondade, reserve alguns minu-
então, ao Século XXI, adentro. (Leia mais a este respeito tos para responder à "Pesquisa Junto a Leitores" que apa-
à página 33.) rece neste número. A seguir, destaque-a e remeta-a pelo cor-
Se você é estudante de nível superior, DIÁLOGO foi reio, de acordo com as instruções que a acompanham. Sua
preparada especialmente para você. Enquanto viajamos resposta será cuidadosamente analisada e contribuirá para
e encontramos nossos jovens nas igrejas, nos acampamen- que decidamos pelo melhor caminho no futuro.
tos e nos ambientes universitários, tornamo-nos mais e Caso você já tenha ultrapassado os estudos universi-
mais familiarizados com os seus sonhos e com as suas preo-
tários e se encontre no desempenho de alguma profissão,
certamente encontrará também nesta revista vários as-
cupações. Com base naquilo que temos ouvido de vocês, pectos sobre os quais refletir e, posteriormente, para uti-
reconhecemos que, na qualidade de jovens adventistas, vo- lizar como profissional adventista do sétimo dia. Caso vo-
cês almejam basicamente três coisas: cê seja capelão em algum campus universitário ou pastor
1. Conhecer Melhor a Sua Fé. De que modo relacio- de uma congregação na qual existam estudantes ou pro-
nam-se os ensinamentos bfulicos com os complexos assun- fissionais de nível superior, cremos que este número tam-
tos que vocês encontram em seus estudos e na sociedade bém será valioso e lhe prestará apoio no desempenho de
da qual vocês constituem parte? Como lhes seria possIvel seu ministério.
compreender mais profundamente o caráter de Deus e Sua Agora, leia-a para informar-se, sentir-se estimulado in-
mensagem para o nosso tempo? O que poderão vocês rea- telectualmente e desafiado. Comunique-se com outros ad-
lizar a fim de crescer tanto em conhecimento quanto na ventistas que estejam igualmente refletindo e agindo com
fé? De que maneira lhes será possIvel tomar decisões éti- base em sua fé. Depois de fazê-lo, compartilhe sua pró-
cas consistentes com as suas convicções religiosas? pria reação com os representantes relacionados à página
2. Viver Melhor a Sua Fé. Porventura existem formas 2. Queremos ouvi-lo I!0 exato momento em que estamos
de alguém ser ativo e útil no mundo sem chegar a tor- começando nosso DIALOGO.
nar-se mundano? Qual a relevância dos princIpios cristãos
para a vida diária - para os seus. estudos, tempo de lazer,
família, finanças, igreja e futura profissão ou atividade co- Os Editores
mercial? De que modo poderão vocês constituir um ponto

DIÁLOGO 1 - 1989 3
MISSÃO NA
TECNÓPOLE
Progresso Adventista Num Mundo em Transformação

Gottfried Oosterwal

o mundo material, abaixo. Embo-


V ivemos num mundo que está
experimentando aceleradas
transformações. Os últimos 200
na moderna tecnópole. O filóso-
fo cristão, Cornelius Van Peur-
sen, num artigo fascinante, deli-
ra o ser humano e suas obras se-
jam claramente .diferenciados
anos - durante os quais o Pro- neia três estágios históricos no diante de outras realidades - e
testantismo e o Adventismo do desenvolvimento de nossa atual este é um passo-chave no proces-
Sétimo Dia estabeleceram suas maneira de pensar. 1 . so de secularização - os huma-
missões - caracterizaram-se pe- O primeiro estágio é identifica- nos continuam ainda a represen-
lo predomínio global dos países do por Van Peursen como o Pe- tar parte de um cosmo coerente,
ocidentais, por Uma economia ríodo do Mito, no qual os seres o que lhes provê um sentimento
agrária e pela fé religiosa. Tudo humanos vêem-se a si próprios de segurança e identidade, e uma
isso está se alterando. O próprio como parte integral do mundo. clara perspectiva para (j uso de
termo missão está sendo visto Tudo o que neste exi~te - ani- sua capacidade de raciocínio.
por muitos como um ranço da já mais, pessoas, as forças da natu- Nesta ordem hierárquica cada
superada época colonial. reza - forma parte de um siste- elemento ocupa o lugar que lhe
Neste artigo consideraremos . ma coerente, que obtém seu sig- foi designado por Deus. .
os desafios à missão adventista nificado e identidade da crença Tudo isso desaparece no tercei-
que estão sendo produzidos pelas em um poder ou poderes que são ro estágio, que agora estamos co-
dramáticas mudanças que hoje a fonte de todo conhecimento e meçando: o Estágio Funcional.
vivemos: de um estilo de vida existência. Esta compreensão re- Nesta nova era desmantela-se to-
orientado para a comunidade lo- ligiosa dos seres humanos e de do o arcabouço da compreensão
cal, com suas feições rurais, seus seu ambiente encontra a mais vi- totalizadora da vida, caracterís-
valores e tradições religiosas, pa- gorosa expressão nos mitos, e es- tica do estágio anterior. O mun-
ra nosso atual sistema social: ur- tes manifestam-se através de ri- do vem sendo compartimentali-
bano, secular, dominado pela ciên- tuais. zado em miríades de partes, de
cia e tecnologia. O segundo estágio de Van acordo com o seu papel e função.
Que significam estes desafios Peursen é o Período Ontológico. Religião, caso persista de alguma
para a nossa igreja em termos Neste, as pessoas adquirem forma, é algo a ser relegado a
gerais, e particularmente para os maior controle sobre seu próprio apenas um dos compartimentos,
profissionais e estudantes univer- ambiente, via compreensão mais com suas funções especializadas.
sitários adventistas? racional do mesmo. Isto coloca o Ela não mais representa o centro
ser humano numa posição de re- da vida, o cimento unificador de
Três Estágios no lacionamento diferente com aqui- todas as coisas, a base de todo
lo que o cerca. A visão comum da pensamento e comportamento
Desenvolvimento do ordem cósmica nesse período, é humanos, tal como no primeiro
Pensamento Humano a de uma escada. No topo da es- estágio~ Tampouco prossegue ela
cada encontram-se os seres celes- sendo o fator integrativo e con-
As transformações básicas que tiais, que obedecem determinada troladorque representou o signi-
hoje vivencia nossa sociedade, ordem hierárquica, com Deus no ficado da existência humana no
encontram suas raízes num mo- mais alto ponto. As coisas mate- segundo período. A crescente ca-
do de pensar radicalmente novo, riais da vida situam-se no degrau pacidade das pessoas em com-
..0 qual influi sobre nossas atitu- inferior da escada. No meio da preender e controlar seu ambien-
des, valores e estilo de vida. A mesma acha-se a humanidade, o te sem valer-se do sobrenatural,
compreensão desta nova realida;. que indica sua dependência em levou-as a crer que elas s~o os
de do pensamento é essencial pa- relação ao mundo dos seres celes- verdadeiros dirigentes de seu
ra que seja eficaz o evangelismo tiais acima, e seu controle sobre próprio habitat. Não mais neces-

4 DIÁLOGO 1 -1989
sitam de outra fonte de poder. duzem no viver diário dos seres como uma realidade funcionaI e
Efetivamente, os indivíduos pas- humanos, na rotina do trabalho viva que nossos contemporâneos
saram a questionar seriamente a mecanizado, ou no vácuo de sen- possam ver e aceitar.
existência de qualquer outra rea- tido que se verifica em nossa
lidade que não aquela natural- existência secularizada. O mesmo
mente perceptível. aplica-se às noções de Deus, Je- Da Tribo à Vila e Desta à
A secularização, portanto, re- sus Cristo, igreja e salvação que Tecnópole
.presenta o processo pelo qual o desejamos comunicar. Estas de-
ser humano perde o senso de es- veriam tornar-se palavras funcio- o ensaio de Van Peursen e ou-
tar vivendo num mundo coeren- nais no evangelismo adventista, tros trabalhos posteriores têm
te, que pode ser compreendido corporificadas na experiência co- estimulado o pensamento de vá-
mediante a razão humana, embe- tidiana de cada membro da igre- rios teólogos, historiadores e so-
bida na - e informada pela - fé ja. Neste Período Funcional o ciólogos cristãos, levando-os a re-
e ritual religiosos. Os passos que evangelho não será apresentado fletir sobre o significado das mu-
constituíram este processo po- principalmente por meio de argu- danças que ocorrem em nosso
dem ser assim resumidos: no Pe- mentos racionais expostos por es- tempo e o significado das mes-
ríodo do Mito, a questão primor- pecialistas, senão mediante o tes- mas como desafio à missão do
dial era que ezistia algo como temunho convincente da vida e evangelho. Um destes pensado-
fonte e móvel propulsor de tudo das palavras de cada crente pa- res é Harvey Cox, teólogo de
aquilo que existe. No Período On- ra quem Deus e o evangelho Harvard. Em seu poderoso livro,
tológico, a questão deslocara-se constituem realidades funcionais. "The Secular City: Seculariza-
para o que constituía esta outra Porventura não é isto que nos tion and Urbanization in Theolo-
realidade, com o que ela se asse- ensina a Bíblia? Nas Escrituras gical Perspective" [A Cidade Se-
melharia. No Período Funcional, a palavra 'Verdade refere-se so- cular: Secularização e Urbaniza-
a questão básica é: "Isto funcio- bretudo àquilo em que se pode ção Sob a Perspectiva Teológi-
na?" ou, ainda: "De que modo is- confiar, e não tanto àquilo que ca], 2 Cox substitui as categorias
to funciona?" pode ser racionalmente com- Mítica, Ontológica e FuncionaI de
Consideremos, por exemplo, o preendido. E uma relação da qual Peursen por categorias sociológi-
conceito de verdade, tão funda- o ser humano participa, e não cas: Tribo, Vila e Cidade.
mental no pensamento e missão meramente uma proposição que Durante o Período da Tribo (o
do adventismo. Durante o Perío- pode ser captada pela mente. No Período Mítico de Van Peursen),
do Ontológico, ao longo do qual Período Ontológico, Deus era vis- a vida centraliza-se na farnflia ou
surgiu a Igreja Adventista, consi- to principalmente em Seus atri- na comunidade aldeã, onde as
derava-se como verdade aquilo butos. Os debates em torno des- pessoas vivem em constante re-
que se harmonizava com o siste- tas "verdades" eram interminá- lacionamento face-a-face. Em vis-
ma de pensamento então vigen- veis. No Período Funcional, tais ta de sua tecnologia primitiva, as
te. Os adventistas compartilha- proposições racionais perderam pessoas deste período dependem
vam com outras igrejas cristãs muito de seu impacto. Para nos- fundamentalmente dos recursos
certas convicções acerca de Deus, sos contemporâneos Deus Se tor- naturais para a sobrevivência.
de Jesus Cristo e das Escrituras na conhecido através de um en- Como resultado, vivem em con-
Sagradas. Sobre esta base nossos contro pessoal - não por meio tato íntimo com seu ambiente. A
pregadores estavam habilitados a daquilo que Ele é, mas através tradição é vigorosa, as relações
demonstrar a veracidade de nos- daquilo que Ele faz e do modo co- são pessoais, e a religião consti-
sas crenças distintivas, tais como mo age. tui o cerne e o foco da vida comu-
o verdadeiro sábado, o santuário A natureza pragmática e fun- nal. Ela representa a base para
celestial ou o estado dos mortos. cional do pensamento do século o pensamento e o comportamen-
Semelhante abordagem jaz ainda 20 adapta-se bastante bem à re- to, encontrando-se i~separavel­
hoje no coração de muitos esfor- velação bíblica. Os cristãos que mente entretecida com a condu-
ços evangelísticos empreendidos mantêm a atitude corresponden- ta da comunidade. No presente,
pela igreja. te ao Período Ontológico vêem-se cerca de cinco por cento da popu-
Para os modernos seres huma- confrontados com a árdua tarefa lação mundial (em números apro-
nos, contudo, verdade é uma ex- de aprender a ler a Bíblia sem as ximados, cerca de 250 milhões de
periência, e não uma abstração lentes racionalistas às quais estão pessoas) vivem ainda exclusiva-
racionaI. E algo em que podemos habituados, e que no passado pro- mente no Período da Tribo.
confiar pelo fato de que funciona. viam a estrutura básica através Cox vê o Período da Vila (cor-
Levar as pessoas a aceitar, e até da qual compreendiam as coisas. respondente ao Estágio Ontol6-
mesmo a ouvir, as verdades bíbli- Nossa aproximação à mentalida- gico de Peursen) como uma épo-
cas neste Período Funcional, de:- de funcional de nossos dias deve ca de transformações fundamen-
pende de nossa habilidade em de- basear-se na compreensão do tais na história. Neste período, as
monstrar as diferenças - para evangelho eterno como sendo pessoas rompem com os laços do
melhor - que tais verdades pro- uma relação. pessoal com Deus, parentesco tribal a fim de desen-

DIÁLOGO 1 -1989 5
volver comunidades menos isola- emergiu inicialmente na Europa volucionária (e compreendê-la
das e mais abertas, onde crescem e América do Norte. As mudan- significa condição sine qua non
as liberdades individuais, a espe- ças trazidas à lume pela indus- para poder ajudar as pessoas a
cialização e a diferenciação, e on- trialização e urbanização surgi- ouvir o evangelho e conduzi-las a
de predomina uma visão mais ra- ram lentamente a princípio, e de- Cristo), a maioria das pessoas da
cional do mundo. Tal espécie de pois explodiram, lançando a so- Tecn6pole não possuem clara
sociedade emergiu pela primeira ciedade moderna nos braços de consciência da mesma. Elas vi-
vez nas planícies da Mesopotâ- vertiginosas modificações. Em vem sua cultura, mais do que
mia. Caracterizou também as an- não mais que umas poucas déca- pensam a respeito dela. E o que
tigas civilizações da Índia, China, das esta civilização da Tecnópo- vivem como resultado é uma so-
Grécia e Roma, México, Guate- le espalhou-se por todo o mundo. ciedade de massa, onde as pes-
mala e Peru; suas características Atualmente cerca de 55 a 60 por soas se vinculam mediante cone-
estendem-se ainda à vida na Eu- cento da população mundial (cer- xões funcionais e contratos im-
ropa e América do Norte até qua- ca de 3 bilhões de habitantes) es- pessoais, em vez de simples laços
se o final do século dezenove. tão sendo fortemente afetados de sangue ou comunitários. A vi-
Ainda hoje, cerca de 35 a 40 por por ela. Em virtude do crescen- da em Tecnópole é altamente
cento da população mundial (al- te contato entre as nações e a rá- complexa, grandemente móvel,
go em tomo de 2 bilhões de pes- pida industrialização e urbaniza- especializada e sob constantes
soas) pertencem a estas socieda- ção do Terceiro Mundo, podemos mudanças. Ela é manipulativa,
des camponesas, sobretudo em imaginar que por volta do ano materialista e em grande medida
áreas da América Latina, África 2000 aproximadamente 75 por orientada para o eu e o sucesso.
e Ásia. cento da população mundial cons- Para viver em tal mundo a pes-
Dentre as características dis- tituirá parte da nova civilização soa não pode deixar-se subjugar
tintivas da sociedade do Período da Tecnópole. Isso representa, pela tradição ou guiar-se por va-
da Vila, destacam-se sua depen- sem dúvida, a mais poderosa for- lores religiosos absolutos. A pes-
dência da agricultura e sua pro- ça que move a história em dire- soa deve ser pragmática e indi-
ximidade em relação à natureza. ção ao desenvolvimento de uma vidualista. Em tal civilização, a
Suas cidades são principalmente cultura global, com as pessoas religião e a igreja, tal como hoje
centros de administração e co- participando de uma cosmovisão as conhecemos, deixam de exer-
mércio (cidades-mercados), inse- única. cer influência. A teologia torna-
paravelmente associados à eco- Quais são algumas das caracte- se obsoleta, e os papéis tradicio-
nomia agrária. A maioria destas rísticas da nova cultura "tecnopo- nalmente desempenhados pelo
economias são um tanto estáti- litana"? Em seu livro, Naming the ministro ou sacerdote, passam
cas, vinculadas à tradição e ba- Whirlwind /Dando Nome ao Fu- agora às mãos do especialista:
seadas no parentesco e outras racão/, 3 Langdon Gilkey capta o conselheiros matrimoniais, edu-
formas fechadas de organização humor dominallte em Tecnópole cadores na área de saúde, soció-
social. a partir destas quatro facetas: logos e psicoterapeutas. Esta
Düerentemente do Período da contingência, autonomia, tempo- mudança parece irreversível. Co-
Tribo, onde a religião ocupava o ralidade e relatividade. Contin- mo resultado, a religião institu-
centro do pensamento e da con- gência refere-se à noção segundo cional, como fator modelador da
duta, a religião da Era da Vila a qual tudo aquilo que existe foi vida humana, prosseguirá em de-
torna-se organizada e institucio- causado por algum fenômeno na- clínio. Os valores humanos esva-
nalizada. Ela se dissocia de ou- tural anterior, não deixando as- ziam-se de sua santidade, a fé so-
tras esferas da vida. Desenvol- sim lugar para Deus ou uma ex- fre erosão e as instituições reli-
vem-se as igrejas e as teologias, planação religiosa das origens. O giosas perdem sua função e au-
e aparecem as várias classes de mundo passa a ser construído pe- toridade.
especialistas religiosos (sacerdo- lo homem, sendo este o centro da
tes, ministros). Ainda assim, nes- vida, o criador de seu próprio des-
tas sociedades pré-industriais, tino e a única norma para definir
Igreja e Missão na
orientadas para a comunidade e o que é certo ou não. A humani- Tecnópole
agrárias, a religião prossegue dade é responsável unicamente
sendo o fator social aglutinante, perante si mesma. Não existem Como deveríamos nós, adven-
que dá significado à existência. valores absolutos. Toda a vida é tistas do sétimo dia, responder a
Tudo isto se altera radical- temporária. Não existe o além, este processo de secularização?
mente com o advento da moder- nem mundo futuro, de tal modo Devemos reconhecer que ele se
na Cidade (o Período Funcional que o pensamento e as ações do encontra nas mãos de Deus. O
de Van Peursen), que nós identi- homem carecem de transcendên- Senhor está conduzindo a histó-
ficaremos como Tecnópole. Esti- cia. A morte representa o fim de ria humana ao :fim por Ele pre-
mulada pelas novas descobertas tudo, e afinal de contas tudo terá tendido. Estas mudanças consti-
e pelo desenvolvimento da ciên- de morrer. tuem parte da grande controvér-
cia e da tecnologia, esta era Ainda que esta postura seja re- sia entre Satanás e Cristo. A des-

6 DIÁLOGO 1 - 1989
peito de seus aspectos demonía- do a realidade deste processo de paz, justiça e liberdade, aceitação
cos, o processo revela igualmen- secularização, suas conseqüên- social e trabalho significativo.
te elementos positivos. Ele libe- cias sobre a vida e o pensamento Em terceiro lugar, a igreja de-
ra as pessoas do controle de sis- do homem, reflexionando quan- verá reconhecer que Tecn6pole
temas de pensamento que até to a seu significado à luz da Pa- não é um todo monolítico, senão
agora as impediram de ouvir o lavra de Deus. O processo possui um colorido mosaico de pessoas.
evangelho. Mais que isto, a for- tanto dimensões positivas quan- Nenhuma forma padronizada de
ma funcional de pensamento que to negativas, demoníacas e divi- evangelismo será capaz de atin-
é desenvolvido pelas pessoas da nas. Constitui parte da grande gir todas elas. Em nossa socieda-
Tecnópole, em muitos aspectos controvérsia através da qual de diferenciada e pluralista, a mis-
está mais próxima da revelação Deus está conduzindo a história são também deverá ser multidi-
bíblica concernente à vida e à a seu final. Cristo convida Sua mensional e diversa. Portanto, o
verdade, do que a abordagem ra- igreja a restaurar o Seu reino evangelismo deverá ser tanto pú-
cionalista do Período Ontológico. nesta geração. Isto demanda blico quanto pessoal, e endereça-
Tudo isto abre as portas a novas uma resposta de pleno coração de do às necessidades humanas. Pa-
possibilidades para ~s missões e nossa parte, a renovação de nos- ra os profissionais e universitários
o evangelismo efetivo. Disto são sa fé e comprometimento, bem adventistas, isto abre muitas pos-
abundantes as evidências - den- como uma nova forma de missão, sibilidades de alcance pessoal fa-
tre as quais o renovado interesse que se caracterize por levar em ce a seus colegas que operam na
pela leitura da Bíblia na seculari- conta os recentes acontecimentos cultura "tecnopolitana".
zada Europa, o surgimento de e suas conseqüências. Finalmente, a igreja - todos
movimentos populares em dire- A nova missão na Tecn6pole n6s - deve implementar consis-
ção a Cristo em grande número deverá possuir as seguintes ca- tentemente a idéia de que missão
de sociedades agrárias e o apare- racterísticas: em primeiro lugar, é trabalho leigo, empreendido
cimento de muitos movimentos a igreja terá de aprender a identi- através dos dons particulares que
messiânicos. ficar-se com a cultura de Tecn6- Deus outorgou a todos os cren-
Não podemos negar, todavia, pole, tal como teve de fazê-lo em tes, e de modo particular no con-
de que Tecnópole apresenta mui- seu passado desenvolvimento texto da vida diária do crente in-
tas dificuldades à religião. Dos missionário mundial. Nosso gran- dividual.
tempos bíblicos até o presente, a de modelo é o próprio Senhor Je- Talvez demore algum tempo
religião e a fé têm estado intima- sus, que em todas as coisas tor- até que esta missão na Tecn6po-
mente vinculadas à economia nou-Se semelhante às pessoas le alcance plena maturidade.
agrária, ao estilo rural de vida e que veio resgatar. O mesmo fez Afortunadamente, vários líderes
pensamento e, especialmente, à o ap6stolo Paulo, cujo conselho eclesiásticos, em diversas partes
existência em comunidades de pe- foi que nos tornássemos urbani- do mundo, estão desenvolvendo
queno tamanho, onde os relacio- zados face aos habitantes urba- estratégias em resposta a este
namentos são pessoais, a orienta- nos, de modo a salvar para Cris- novo desafio vivido pela missão
ção é grupal e existem normas to o maior número deles (veja I adventista. Nossa lealdade à
morais. A alteração fundamental Coríntios 9:19 a 23). Esta repre- mensagem que nos foi confiada
que estamos presenciando - de senta, provavelmente, a parcela como igreja, requer que esteja-
um estilo de vida comunitário pa- mais difícil de nossa missão na mos plenamente abertos à dire-
ra o de uma sociedade diversifi- Tecn6pole, uma vez que muitos ção do Espírito Santo e ansiosos
cada - despoja a religião de seu adventistas têm considerado a ci- por prestar-Lhe obediência en-
contexto e função básicos. A dade como símbolo do mal e têm quanto Ele nos estiver conduzin-
ameaça à religião na Tecnópole, insistido em que devemos sepa- do nesta fase crucial da missão
portanto, não advém primaria- rar-nos dela. divina aqui na Terra.
mente do ateísmo agressivo, mas Em segundo lugar, a igreja de-
da própria sociedade, com suas verá identificar-se com as neces- NOTAS
1. Cornelius Van Peursen, "Man and Rea-
atitudes e pressuposições subja- sidades das pessoas que vivem na lity: The History oi Human Thought", Tke Stu-
centes. Algumas das tendências Tecn6pole, e assim proclamar o dent World, ne.! 1 (1963).
2. Harvey Cox, The Secular City: Seculari-
recentes dentro da Igreja Adven- evangelho de uma forma que se zation and Urbanizaticm in TkeoU>gical Pers-
tista atestam muito bem esta rea- relacione com as necessidades do pective (New York: Macmillan, 1965)_
lidade. Contudo, Deus não aban- povo. Dentre tais necessidades 3. Langdon Gilkey, Naming the Wkirlwind
(New York: Bobbs-Merrill, 1969), página 71.
donou este mundo à sua pr6pria podemos citar a busca de relacio-
sorte. Tecn6ROle é sem dúvida o namentos pessoais e comunitá- Gottfried Oosterwal obteve títulos dou-
Seu mundo. E Seu desejo que to- rios, o sentimento de certeza e torais em estudos religiosos e antropolo-
das as pessoas se salvem e che- segurança, valores básicos para gia junto à Universidade de Utreckt, em
guem ao conhecimento do evan- o norteamento da conduta huma- sua terra natal, Holanda. Desde 1969 ele
é o diretor do Seventhrday Adventist 1m-
gelho (veja I Timóteo 2:4). na, senso de dignidade, a expe- titute ofWorld Mission, junto à Univer-
Como deveremos responder a riência da salvação, esperança sidade Andrews, em BerrienSprings, Mi-
esta nova situação? Reconhecen- quanto ao futuro, a certeza de chigan, EUA.

DIÁLOGO 1 - 1989 7
BIOÉTICA CRISTÃ
Decisões Racionais em Questões de Vida ou Morte
Jack W. Provonsha

cionais." É bem verdade que os dicionado pelos pontos de vista


E m outubro de 1984, umaequi-
pe médica da Universidade
de Loma Linda, liderada pelo Dr.
escritores bíblicos jamais pensa-
ram em assuntos como fertiliza-
de Santo Tomás de Aquino no t0-
cante a estas "leis naturais", in-
Leonard Bailey, substituiu o co- ção invitro, mães que gestam em clusive as atitudes concernentes
ração malformado de uma garo- seu ventre o filho de outra mu- a anticoncepcionais e outros as-
tinha de doze dias de idade, pelo lher (maternidade sub-rogada), suntos relacionados com a repro-
coração de um macaco. Esta ci- engenharia genética, e a retira- dução humana. Embora baseada
rurgia sem precedentes - o pri- da ou desligamento de aparelhos na razão e na observação da na-
meiro transplante de um órgão que mantêm artificialmente a vi- tureza, a ética de Tomás de Aqui-
pertencente a outra espécie bio- da de pacientes terminais. Em no carrega consigo o peso da au-
lógica para um recém-nascido hu- parte alguma alude ela a estas toridade da igreja.
mano - conseguiu prolongar a questões. Seria a razão, neste ca- Utilitarismo. Com o advento
vida da pequena por mais vinte so, a única orientação sobre a do Iluminismo - cuja influência
dias e popularizou o nome de qual podemos basear nossas de- têm-se observado ac, longo dos úl-
Baby Fae em todo o mundo. cisões bioéticas? Caso utilizemos timos três séculos - apareceu
Como resultado desta operação a Bíblia, qual a relação a ser man- uma ética adaptada ao pensa-
extraordinária, recebemos mui- tida entre a sua autoridade e mento da época: indutiva, "cien-
tas cartas interessantes, tratan- aquilo que aprendemos racional- tífica", racionaI e oposta à auto-
do de questões éticas. "Como vo- mente por meio da ciência? ridade religiosa. O utilitarismo
cês se atrevem a misturar o san- Estas são as questões que eu foi concebido neste contexto. Tra-
gue de um macaco com o de um apreciaria trazer à discussão ao tou-se de uma tentativa "cientí-
ser humano?" quis saber uma se- longo deste artigo. fica" de estabelecimento de prin-
nhora, que a seguir citava um cípios morais com base em obser-
texto bíblico: "Nem toda carne é vações racionais, pela qual se ten-
a mesma; porém uma é a carne
Decisões Éticas tava descobrir o que "deveria
dos homens, outra a dos animais, Baseadas na Natureza ser" a partir daquilo que "é".
outra a das aves e outra a dos pei- O pensamento utilitário poderia
xes" (I Corfntios 15:39). Em vis- Três métodos racionais, todos expressar-se mais ou menos da
ta dessa explícita declaração bí- baseados em a natureza, domina- seguinte forma: quando observa-
blica, dizia-nos ela, o transplan- ram a maior parte das decisões mos o que os seres humanos pra-
te do coração de um macaco es- éticas tomadas ao longo dos últi- ticam na vida diária, descobrimos
tava condenado ao fracasso des- mos séculos. que, acima de tudo o mais, eles
de o começo. Outro indivíduo ci- A Lei Natural. Santo Tomás procuram a felicidade e evitam a
tava a problemática declaração de Aquino (1224-1274) foi, indu- infelicidade e a dor. Esta deveria
de 'Ellen G. White a respeito da bitavelmente, um dos grandes ser a nossa premissa ética.
"amalgamação entre homens e pensadores da história cristã. O utilitarismo foi preeminente
bestas" 1, como se o xenotrans- Embora reconhecesse que os se- durante o século dezoito e porção
plante houvesse convertido Baby res humanos necessitavam da re- inicial do século dezenove. À me-
Fae em uma combinação híbrida velação divina para compreender dida que a ciência parecia escla-
de macaco e ser humano! algumas verdades morais, cria recer as lacunas de nossa com-
No outro extremo dessa discus- ele que "certos axiomas ou pro- preensão, Deus passou a ser con-
são bioética encontram-se moder- posições são universalmente siderado como desnecessário. Tu-
nos secularistas que rejeitam a auto-evidentes". Referiu-se a es- do que agora faltava, era expli-
autoridade das Escrituras. "A tas "leis naturais" como "aque- car de que modo a natureza é au-
Bíblia reflete meramente a mora- las coisas às quais o homem se in- to-suficiente; em sendo isto pos-
lidade das pessoas que a escreve- clina naturalmente ... atuando de sível, o naturalismo passaria a
ram", dizem eles. "Não aceita- acordo com o seu raciocínio". 2 preencher plenamente o papel de
mos estas antigas autoridades re- Praticamente todo o pensa- base da ética.
ligiosas. Basearemos nossas de- mento católico contemporâneo Sobrevivência do Mais Capaz.
cisões éticas sobre princípios ra- em questões éticas tem sido con- Charles Darwin, em seu livro Ori-

8 DIÁLOGO 1 -1989
gem das Espécies, providenciou deveremos gerar e desejar, compridas. De acordo com tal
tal descrição, vindo a tornar-se a por ser de mais valor, mais ponto de vista, o nome do jogo da
base para o materialismo huma- digno de viver, mais seguro sobrevivência é poder - poder
nístico e raciomuista. Como re- quanto a seu futuro? Mesmo sobre o fraco, e a disposição de
sultado, apareceu o mais abran- no passado este tipo superior utilizá-lo. Esta é a lei da nature-
gente dos "naturalismos" morais aparec~u com certa freqüência za, e os seres humanos - partes
até então '- e, por certo, aquele - mas como um feliz aciden- que são da natureza ~ revelam-
de mais pavorosas conseqüên- te, como uma exceção, e ja- se mais autênticos quando se
cias. O correto foi definido como mais como algo que se tenha comportam de modo semelhante
tudo aquilo que favorecesse a so- buscado. Efetivamente, esse ao resto dos animais.
brevivência da espécie e promo- tipo de indivíduo tem sido te- 'As idéias têm conseqüências.
vesse os interesses dos indivíduos mido - e como resultado des- Ainda que fosse injusto atribuir
mais "aptos" a sobreviver. Me- se temor, a humanidade tem às idéias de Nietzsche maior cré-
diante a simples observação do desejado, gerado e produzido dito do que elas merecem, exis-
mundo natural, dizia-se, os cien- o animal domesticado, o ani- tem fortes evidências de que es-
tistas poderiam determinar "o mal de rebanho, o enfermo te filósofo forneceu a maior par-
que deve ser". animal humano - o cristão .... te do substrato filosófico subja-
Marx e Engels - que à época O cristianismo é identificado cente às duas grandes guerras
estavam desenvolvendo suas teo- como a religião da piedade.
mundiais. Diz-se que Hitler dor-
rias econômicas - entusiasma- Ocorre que a piedade se en-
contra em oposição às emo- mia com a obra de Nietzsche sob
ram-se ao ler estas exposições. o travesseiro. Por certo a seme-
Pediram a Darwin que lhes per- ções revigorantes que promo-
vem nossa vitalidade; ela exer- lhança entre o ser humano supe-
mitisse usar seu nome no prefá- rior de Nietzsche, este que "de-
ce efeito depressor. A compai-
cio de Das Kapital; ele, para seu xão contradiz a lei do desen- veremos gerar e desejar, por ser
próprio crédito, declinou polida,; de mais valor, mais digno de vi-
volvimento biológico, que é a
mente da solicitação. lei da seleção. Ela preserva ver, mais seguro quanto a seu fu-
aquilo que está maduro pata turo", e a super-raça ariana de
Os Devastadores ser destruído; defende aqueles Hitler não é meramente aciden-
Conceitos de Nietzsche que foram abandonados e con- tal. Atitudes similares encontra-
denados pela vida; e pelo fato vam-se no cerne da guerra inicia-
Friedrich Nietzsche ....:. um dos de serem abundantes os fra- da pelo Kaiser.
mais influentes pensadores do cassos de todas as espécies
mundo ocidental - levou Darwin que ela preserva com vida, es- Natureza e Razão:
muito a sério no tocante a assun- ta apresenta-se com um aspec- Constituem Elas
tos morais. Tal fato transpira cla- to melancólico e questionável. Orientações Adequadas?
ramente da leitura de seu livro Sempre que os Instintos dos
Der Antichrist [O Anticristo], um teólogos têm prevalecido, os A razão humana procura resol-
, título que reflete sua crença de julgamentos de valor têm pro- ver os dilemas éticos mediante a
qUe ,o judaísmo e o cristianismo fo- vindo de suas cabeças e os con- observação das operações da na-
ram responsáveis pela maioria das ceitos de "verdadeiro" e "fal- tureza. Santo Tomás de Aquino
mazelas do mundo, especialmente so" têm sido necessariamente afirmara que pelo menos algumas
em termos sociais. Aqui estão as invertidos:' tudo aquilo que é das soluções eram "auto-evidentes
gélidas palavras dé Nietzsche: mais danoso à vida tem sido para a razão desejada/' 4 Nietzs-
Que é o bem? Tudo aqUilo que identificado como "verdade"; che e Hitler nos obrigam a reava-
faz crescer o sentimento de p0- tudo aquilo que a eleva, en- liar esta conclusão. Contudo, se a
der do homem, sua ganância de grandece, afirma e justifica, razão humana, por si SÓ, não é ca-
poder, o próprio poder. tornando-a triunfante, é iden- paz de manusear todos os proble-
O que é mal? Tudo aquilo tificado como "falso".3 mas humanos, a única alternativa
que é gerado pela fraqueza- De onde obteve Friedrich Nie- é a orientação sobrenatural.
Em que consiste a felicidade? tzsche estas idéias? As palavras- Entretanto, Deus deciciu não
Em sentir que o poder cresce, chave por ele utilizadas dão-nos nos outorgar orientação explíci-
que a resistência está sendo a pista: "desejo de poder", "auto- ta para a solução dos mais intrin-
vencida. Não a resignação, e preservação" e "lei da seleção". dicados dilemas que a tecnologia
sim o poder; não a paz, senão Elas provêm diretamente de 0ri- tem colocado diante de nós. Por
a guerra; não a virtude, mas a gem das Espécies: os peixes gran- exemplo: qual o ponto das Escri-
aptidão .... O que é mais dano- des engolem os pequenos, e estes turas Sagradas ao qual' possamos
so do que qualquer vício? A se alimentam dos menores. Os in- recorrer para solucionar as ques-
piedade ativa em favor dos divíduos aptos sobrevivem na lu- tões surgidas com a inseminação
fracassados e débeis: ou seja, ta pela existência pelo fato de artificial, fertilização in vitro e
o cristianismo ... possuírem maior astúcia, mús- maternidade sub-rogada? Qual o
Qual o tipo de homem que culos mais fortes e unhas máis capítulo e versículo que deveria-

DIÁLOGO 1 - 1989 9
mos consultar a fim de obter ser". Todavia, este quadro da feito e sem distorções. A ética p0-
orientações morais no tocante à criação original só nos está dis- deria ter sido um empreendimen-
engenharia genética? Em que ponível mediante a revelação. So- to cientifico. A pessoa poderia ha-
ponto da Bíblia existem orienta- mente o relato inspirado é capaz ver descoberto a verdade relacio-
ções quanto ao momento em que de oferece~-nos um quadrq, au- nada com o comportamento, da
se devem iniciar procedimentos têntico do Eden, do futuro Eden mesma forma como hoje descobri-
que prolongam a vida, ou quan- restaurado e do caráter do Cria- mos a verdade no tocante aos áto-
do cessar os mesmos, e sob quais dor, manifestado em Cristo; so- mos, plantas e estrelas. As leis da
circunstâncias? mente neles podemos basear-nos natureza eram as leis de Deus, e
confiantemente quanto ao "deve não havia um compartimento es-
Razão e Revelação ser" atual. pecial reservado à ética, separa-
Retornando, agora, à nossa per- do da verdade natural. Num mun-
Gostaria de sugerir que existe gunta inicial, torna-se claro que do ideal como esse, a resposta à
apenas uma forma para alcançar- somente o cristão que conhece e pergunta: "Pode a bioética cristã
mos respostas satisfatórias dian- aceita a revelação divina pode ser construída apenas com base
te destas difíceis questões: obser- exercer uma ética racional coe- na razão?", deveria ser: "Sim, evi-
vação e razão. Contudo, de que rente, uma vez que só ele tem a dentemente!"
modo evitaremos os riscos de se seu dispor os dados que lhe per- A bioética cristã de nossos dias
empregar unicamente a razão hu- mitirão atingir conclusões váliaas. necessita basear-se na criação. Os
mana, sem outra orientação pa- A bioética racional cristã, por- cristãos poderão descobrir esta
ra resolver os dilemas éticos' tanto, proverá destaque à restau- bioética através do uso da razão,
A resposta a esta pergunta, ração e cumprimento das inten- desde que não separada da reve-
creio eu, repousa na identificação ções originais do Criador, à me- lação, antes, alimentada por esta.
da fonte do erro de Nietzsche: os dida que tais intenções possam Neste mundo as pessoas necessi-
dados em que ele se baseou. Ain- ser estabelecidas mediante as tam de ajuda para poderem esta-
da que nosso processo racional se- fontes inspiradas. Desta forma, belecer premissas corretas, se é
ja inquestionável, as conclusões às qualquer engenharia biológica que desejam chegar a conclusões
quais cheguemos serão tão boas que restaure a criação original, acertadas mediante o uso da razão.
- ou tão más - quanto os dados deve ser apoiada, ao mesmo tem-
sobre os quais nos baseamos. po que nos oporemos a tudo aqui- NOTAS
Os naturalistas estavam essen- lo que se encaminhe na direção 1. Ellen G. White, Spiritual
cialmente corretos ao derivar "o proposta por Nietzsche. Devere- Gifts (Washington, D. C.: Review
que deve ser" daquilo que "é". mos saudar alegremente aquelas and Herald, 1945), volume 3, pá-
Seu fracasso consistiu em identi- inovações de fertilização e repro- ginas 64 e 75.
ficar corretamente o que "é". A dução que contribuam para que 2. Anton C. Pegis, editor, Ba-
bioética cristã, particularmente se alcance o que Deus tinha em sic Writings of St. Thomas Aqui-
naquelas áreas que a Bíblia não mente ao criar a primeira famí- nas (New York: Randon House),
analisa, deve basear-se primaria- lia. Em contrapartida, tudo aqui- volume 2, páginas 774 a 775 e 777.
mente na criação de Deus, em vez lo que ameace a família deve re- 3. Friedrich Nietzsche, Der
de fazê-lo sobre pronunciamentos ceber a nossa oposição. Qualquer Antichrist, in Walter Kaufman,
morais específicos da revelação. ação cujo efeito final seja de al- editor, The Portable Nietzsche
Não devemos esquecer, contu- guma forma diminuir a criação (New York: The Viking Press,
do, que é a revelação que nos fa- original, é imoral. 1954), páginas 570 a 572 e 576.
miliariza com a criação. Aquilo A criação tem-se tornado co:' 4. Ibidem.
que hoje "é", pode não ser o mes- nhecida aos humanos através da
mo que "era" na criação. O es- revelação. O Criador outorgou Jack W. Provonsha completou
quema original da criação não se também à mente a capacidade de estudos doutorais em, medicina e
acha disponível para nós nos dias perceber a verdadeira natureza ética. É também ministro orde-
de hoje, mesmo que pesquisemos desta criação, desde que os seres nado e autor de três livros. Em
ativamente no laboratório, à sua humanos se esforcem com persis- 1989, foi um dos fundadores do
procura. A natureza decaída for- tência e dedicação e não rejeitem Center for Christian Bioethics
neceu a base para o sistema mo- a maior de todas as fontes de ver- [Centro de Bioética Cristã], jun-.
ral racional de Nietzsche. Uma dade, a Bíblia. Inspiração e razão to à Universidade de Loma Lin-
vez que ele rejeitou qualquer ou- dedicada e persistentemente apli- da, na Calif6rnia. Recentemente
tra espécie de natureza, suas con- cada, sob a orientação do Espíri- ele foi nomeado Professor E~­
clusões vieram a apresentar-se to Santo, são capazes de condu- to de Filosofia da Religião e Eti-
inevitavelmente erradas. zir à verdade moral. ca Cristã nesta mesma institui-
A ética cristã deve basear-se Antes da Queda, provavelmen- ção universitária. O presente ar-
sobre a criação antes da queda. te a razão por si só teria sido ca- tigo é uma versão publicada do
O primitivo "é" forma a base ver- p,az de chegar à verdade moral. O conteúdo de conferências proferi-
dadeira para o presente "deve 'é" daqueles dias era bom, per- das pelo Dr. Provonsha.

10 DIÁLOGO 1 -1989
FÉ, RAZÃO E
VULNERABILIDADE
Michael Pearson

O relato bíblico de nossas origens


afirma que fomos criados
imagem de Deus, o que - dentre ou-
à
de de seu relacionamento com Deus,
Abraão sentiu que deveria transfor-
mar seu filho !saque numa oferta sa-
creio ser conveniente definir breve-
mente os termos que empregaremos.
Pouco importa que, em uso normal,
tras coisas - implica em que recebe- crifical. Entretanto, tal ação parecia você prefira utilizá-los de modo dife-
mos autoridade sobre o reino animal. contrariar todos os ditames da lógi- rente. Necessitamos deixar claro co-
Efetivamente, muitos pensadores ca e dos códigos morais. Qual pode- mo eles serão empregados ao longo
têm asseverado que é precisamente ria ser o sentido de sacrificar o lon- desta análise. Em primeiro lugar de-
a posse de uma mente que nos dis- gamente esperado filho da promes- sejo contrastar crença e ccmhemmen-
tingue do reino animal e nos carac- sa? Por certo uma tal ação poderia to, ao afirmar que para saber ou co-
teriza como humanos. Nosso valor tão-somente constituir violenta nhecer algo, o objeto de nosso conhe-
superior reside na capacidade de as- agressão a uma consciência sensível. cimento deve ser verdadeiro. Apesar
sumir decisões inteligentes, na habi- O desejo de ser fiel a Deus, por um disso, alguém poder crer em qual-
lidade para aceitar responsabilida- lado, e a força da lógica, por outro, quer coisa, até mesmo irreal ou fal-
des, na facilidade de expressar, atra- pareciam ditar cursos de ação intei- sa. Também devemos deixar clara a
vés de símbolos, os pensamentos e as ramente opostos. diferença entre prova e e1Jid.ência. A
emoções. Nossa singularidade no Conflito de semelhante ordem foi evidência tende a corroborar uma
contexto da criação deriva desta ra- aquele com o qual tive de defrontar- afirmação específica, ao passo que a
cionalidade que Deus nos conferiu ao me nos anos iniciais de meu curso na prova é incontestável. O adjetivo ver-
efetuar a nossa criação. Universidade de Londres. Era meu dadeiro indica que determinada de-
Entretanto, em outros textos bí- desejo prosseguir crendo e confian- claração descreve com certeza a con-
blicos somos informados de que pos- do em Deus. Contudo, os procedi- vicção psicológica de uma pessoa; por
suímos mais uma capacidade que nos mentos racionais nos quais eu esta- outro lado, existem muitos que estão
torna singulares enquanto seres hu- va sendo diariamente treinado na seguros em relação a coisas que dian-
manos: esta é a capacidade da fé. Universidade, recomendavam-me te de nós aparecem como patente-
Exercemos esta capacidade quando cautela. Recebia instruções no sen- mente falsas. Por fim, devemos con-
nos aproximamos de Deus, em res- tido de submeter todas as alternati- trastar dúvida e incredulidade. In-
posta a Suas iniciativas à nossa pro- vas ideológicas que se me apresen- credulidade é o estado mental que re-
cura. Em grau menor, também a co- tassem, a cuidadoso escrutínio, antes jeita determinada afirmação por con-
locamos em prática quando estabe- de aceitar qualquer uma delas. As- siderá-la falsa; dúvida (que deriva da
lecemos relações íntimas com outros sim, eu desejava crer, mas ao mes- mesma raiz que duplo) denota ambi-
seres humanos. mo tempo não queria tornar-me ví- valência mental, a qual considera
Ocorre, entretanto, que muitas ve- tima de um engodo. Não queria des- duas ou mais opções como suscetíveis
zes estas duas capacidades que nos cobrir, anos mais tarde, que meu de- de aceitação.
tornam as criaturas especiais que so- sejo de segurança me houvera con- Havendo obtido acordo quanto ao
mos, entram em conflito entre si. duzido a conclusões erradas. Não de- modo como utilizaremos estas pala-
Aliás, pode-se dizer, efetivamente, sejava também que meu desejo de vras, podemos prosseguir com a
que este conflito é, de per si, urna ca- conforto distorcesse a visão que eu apresentação do tema. Minha tese é
racterística distintiva da condição hu- possuía acerca do que era a verdade. que em todos os assuntos importan-
mana. Nosso desejo de confiar, de es- Os parágrafos seguintes consti- tes da vida - o que inclui a religião
tabelecer relacionamentos, é mode- tuem um relato abreviado da forma - não podemos saber, senão apenas
rado por nossas faculdades racionais como tentei reconciliar as exigências crer. Não dispomos de provas; neces-
críticas. Essas duas capacidades por conflitantes que se me apresenta- sitamos contentar-nos com evidên-
vezes nos conduzem a direções opos- vam. Esta não é uma resposta final, cias. Não seremos capazes de chegar
tas; lutam entre si, à procura de nos- mas ainda assim representa algo vi- a um ponto em que nos seja possível
sa lealdade. vo para mim. demonstrar que determinada decla-
Segundo muitos pensadores obser- ração é inquestionavelmente verda-
varam ao longo dos séculos, o exem- Definição de Termos deira, ainda que estejamos certos de
plo clássico deste conflito é a histó- que ela o é. Necessitamos admitir
ria de Abraão e Isaque. Na intimida- Antes de apresentar a matéria, que por vezes enfrentamos dúvidas,

DIÁLOGO 1 - 1989 11
mas podemos resistir à increduli- se manterem fiéis a suas convicções. ge-se que formemos a nossa própria
dade. O caso de Copérnico, que refutou a cosmovisão.
concepção ptolemaica do Universo, Apliquemos agora o modelo espe-
Interpretação das Evidências constitui exemplo clássico do que es- cificamente a nossas crenças cristãs.
tamos dizendo. Se imaginarmos que estas consti-
Alguém poderá criticar minhas c0- Um dos problemas que enfrenta- tuem um círculo, deveremos reco-
locações, dizendo que elas são exces- mQs quando desejamos integrar fé e nhecer que certas áreas de ativida-
sivamente tentativas, que elas pare- razão na experiência religiosa, deri- de racional, certas disciplinas acadê-
cem não permitir a espécie de dedi- va parcialmente da autoridade espú- micas, suprem-nos de evidências que
cação total que o evangelho deman- ria que atribuímos à ciência. Parece- necessitam ser levadas em conside-
da, que de alguma forma elas redu- nos por vezes que a tarefa cientifica ração, ou seja, devem ser acomoda-
zem o comprometimento. De modo consiste em descobrir, através de das dentro de nossa visão particular
algum! Em todos os aspectos impor- meios experimentais, dados que po- do mundo. (Figura 1)
tantes da vida as coisas ocorrem tal dem ser acrescentados à montanha
como as situei. do conhecimento, e esta se manterá FIGURA 1 História
Em política, o primeiro-ministro e como uma massa monolítica, inamo-
o líder da oposição muitas vezes es- vível por toda a eternidade. Isto
tão em desacordo, não tanto em re- constitui, entretanto, uma imagem
lação aos fatos, senão quanto ao mo- distorcida da ciência. Na verdade, os
do de interpretá-los. No campo da cientistas procuram estabelecer da-
moral e da estética, a diferença fun- dos confiáveis, que logo depois serão
damental entre defensores de postu- interpretados com base num deter-
ras contrárias deve-se ao modo como minado esquema que lhes será impos-
cada grupo interpreta as evidências. to. A explicação científica que requer
Em assuntos de economia, os propo- a nossa aceitação, é aquela que incor- Ciências Flslcu

nentes do livre mercado e os que de- pora o menor número de anomalias


fendem a vigorosa intervenção go- ou exceções. Contudo, em toda teo- As alegaç6es estabelecidas pelos crlslaos afetam vá-
vernamental em assuntos econômi- ria e explicação científica sempre rias áreas da Investigação humana; portanto, os cris-
tãos devem levar seriamente em consideração as evi-
cos, ao analisarem o mesmo quadro existirão anomalias. Isto significa dências fornecidas por essas dlsclpllnas.
fiscal de um país, chegarão a conclu- que a ciência sempre envolverá inter-
sões radicalmente diferentes quanto pretação, e desta forma ela não é es- A filosofia, por exemplo, coloca
aos remédios para as mazelas nacio- sencialmente diferente do discurso questões embaraçosas, cuja validade
nais, exatamentepor causa dos pon- moral, econômico ou político. Portan- nos cumpre reconhecer. Como adep-
tos de vista pré-concebidos que estão to, não estaremos sendo sábios se tos de uma religião histórica, os cris-
subjacentes a uma e a outra oposição. tentarmos tornar nossas reivindica- tãos devem reconhecer as evidências
Os educadores apóiam diferentes es- ções religiosas tão "respeitáveis" providas pelos historiadores. Deve-
pécies de reformas em virtudes de quanto supomos serem as reivindica- mos reconhecer, também, que os
suas diferenças básicas quanto ao ções cientificas. Em vez disso, deve- cientistas sociais têm importantes
modo de compreender a natureza hu- ríamos reconhecer que as declara- contribuições a oferecer à compreen-
mana. Os administradores conflitam ções científicas compartilham da são da origem e manutenção do com-
entre si quanto às decisões a serem mesma subjetividade encontrada em portamento religioso. A evidência da
tomadas, já que o esquema de prio- áreas como a religião, a moral ou a filologia (ou lingüística) diz coisas im-
ridades de uns e de outros são dife- política. portantes a respeito da época e cons-
rentes. Alguns indivíduos, quer seja entre trução dos livros canônicos. E assim
Algo parecido ocorre em assuntos os fervorosamente religiosos, quer por diante.
religiosos. As pessoas que atuam em seja entre os defensores da comuni- Nossa tarefa consiste em avaliar
todas estas esferas, assemelham-se dade científica, sem qualquer dúvi- as evidências que se impõem, embo-
muito mais aos membros de um júri da se sentirão desconfortáveis dian- ra possam ser parciais, acomodando-
- que depois de haverem analisado te desse modelo, já que ele propõe as à nossa cosmovisão particular. De-
as evidências chegam a estabelecer que talvez a pessoa "saiba" muito vemos examinar onde se encontra o
um juízo de grupo, baseado em infor- menos do que imagina. Talvez essa peso das evidências; devemos estar
mações, mas ainda assim talvez im- idéia os faça sentirem-se insegu- dispostos a operar alterações em nos-
perfeito - do que a um cientista que ros. Ainda assim creio que em todas sa visão do mundo. Caso esta visão
realiza experiências no laboratório e as atividades importantes que na vi- seja substancialmente correta, nada
ao final apresenta seus resultados da nos impomos, necessitamos cons- temos a temer diante de semelhante
com base em levantamentos estatís- truir um modelo com base nos da- espécie de investigação. Este proce-
ticos. Em cada um desses campos os dos brutos que nos chegam às mãos, dimento possui a virtude de habilitar-
seres humanos necessitam tomar de- de tal modo que o esquema adotado nos a descobrir parcelas de evidên-
cisões e assumir compromissos, ten- inclua o menor número possível de cias que nos causam perplexidades,
do de enfrentar oposição e por vezes exceções ou anomalias. Ou, para sem que deitem por terra a estrutu-
até mesmo perder a vida pelo fato de expressá-lo em outras palavras, exi- ra de nossas crenças básicas. Sempre

12 DIÁLOGO 1 - 1989
existirão anomalias. Nossa convicção apresentada pelas Escrituras, nos giosa, indicamos que nos sentimos
depende do peso das evidências. Por parece esteticamente satisfatória. prazerosos diante de tudo aquilo que
outro lado, devemos estar dispostos Também afeta a nossa decisão a ma- Cristo representa.
- em princípio, ao menos - a aban- neira pela qual nossa igreja aplica es- Permitam-me expor outro modelo,
donar nossas convicções, caso as evi- ses ensinamentos, e se esta aplicação que parece incorporar tudo aquilo
dências cheguem a apresentar-nos nos parece adequada e satisfatória. que foi dito até aqui. Nossa fé cristã
tantas anomalias, a ponto de ser-nos Além disso, queremos estar conven- pode ser comparada a uma bola que
impossível conservar a nossa cosmo- cidos de que os imperativos éticos en- está sendo impulsionada em determi-
visão anterior. Isto é bastante razoá- carnados por Jesus nos são aceitá- nada direção (Figura 3). Omomento
vel, já que não representa mais do veis, tanto em teoria quanto na prá- da fé é sustentado pelo ímpeto pro-
que aquilo que pedimos que façam as tica. Por outro lado a vontade afeta vido por nosso intelecto, nossas emo-
outras pessoas! nossa fé quando decidimos, por ções, nossos desejos, nossa posição
Alguém poderia objetar que este exemplo, servir a outros em vez de social e assim por diante. Entretan-
método possui o potencial de levar- sermos servidos. A fé também é afe- to, o momento reduz-se a partir de
nos a desenvolver crenças instáveis,
o que contrariaria o conceito do "no-
vo nascimento" exposto por Cristo.
MOMENTO
Parece-me, todavia, que toda pessoa FIGURA 3
genuinamente decidida a encontrar Racionai
e manter uma visão coerente do
mundo, provavelmente não se deixa- Emocionai Forças que, em
rá envolver por tal frivolidade. A Bí- • • vários nivers,
blia nos exorta a "julgar todas as coi- Social

sas e reter o que é bom" (I Tessalo- Volltlvo


• • tendem
nicenses 5:21), o que não é a mesma •
coisa que "provar algumas coisas e Estético
• a reprimir
conservar apenas aquilo que é tradi- •
cional." Espiritual a fé

Assumindo Compromissos
Aqui necess!tamos dar um passo A fé é a resposta de todo o nosso ser. Seu desenvolvimento por vozes encontra resistências.
significativo. E importante que, co-
mo seres racionais, reconheçamos tada por fatores sociais, de modo que quando encontra resistência prove-
que muitas de nossas decisões e de temos de indagar o ser social que niente de várias fontes. Objeções in-
nossos compromissos se baseiam em dentro de nós existe. Porventura nos telectuais podem criar atrito, de mo-
fatores que longe estão de serem ra- satisfaz o ambiente particular de nos- do a reduzir o momento de fé. Todos
cionais. Ainda que por vezes ofere- sa igreja? E assim sucessivamente. os demais tipos de reservas íntimas,
çamos explicações plausíveis para (Figura 2) o desejo de aceitação, a indisposição
justificar nossas racionalizações, com de exercer a vontade e outros fato-
freqüência essas decisões respondem res podem fazer com que se reduza
a impulsos intuitivos, emocionais e o momento de fé.
volitivos; neste caso, temos que ad- FIGURA 2 estético
Portanto, nossa fé apresenta vá-
mitir, bem no profundo de nosso ser, rios componentes: intelectual, emo-
que estamos sendo muito menos ra- cional, social, volitivo, estético, éti-
cionais do que pretendemos ser. Par- co e talvez mais alguns. A fé é o es-
te importante de nosso desenvolvi- tado de prontidão para agir em de-
mento intelectual envolveo exercício terminada direção, nossa disposição
intuitivo da imaginação. para agir como se nossa visão do
Nosso comprometimento com de- mundo fosse verdadeira.
terminado estilo religioso depende- Há que se observar, ainda, que a
rá em grande medida de nosso con- fé possui um componente especial
teúdo emocional. No caso dos cris- que não pode ser assimilado por ne-
tãos ele dependerá de o caminho de nhum outro, ao qual eu chamaria de
Jesus - e do modo particular em que "espiritual". Creio que o bom Espí-
este é apresentado em nossa igreja rito de Deus está agindo incessante-
o racionai é apenas um dos vários nlveis aos quais mente, procurando gerar o momen-·
- satisfazer nossos mais íntimos an- nós respondemos quando vivemos a vida de fé.
seios. Aqui, o emocional se limita to da fé no coração de todos os ho-
com o estético, quando decidimos que Em outras palavras, ao aceitarmos
a visão total da realidade, segundo o cristianismo como convicção reli- Continua na pág. 27

DIÁLOGO 1 - 1989 13
CRISTIANISMO E
CIÊNCIA
São Compatíveis?

DeI Ratzsch

E mbora muitos cristãos tenham


aceitado e praticado a ciên-
cia, sendo que até mesmo muitos
nea do Universo e a da evolução,
que são contrárias ao que a Bíblia
ensina? Duas observações devem
permissível, não quer isto dizer
que existem boas razões para efe-
tivamente se fazê-lo. Porventura
dos mais conhecidos cientistas fo- ser aqui introduzidas. Em primei- existem, para o cristão, boas ra-
ram historicamente cristãos, ou- ro lugar, o que freqüentemente zões para praticar a ciência? Por-
tros têm imaginado que a ciência causa problemas é a generaliza- ventura a ciência possui algum
não é uma atividade própria pa- ção das (supostas) pressuposições valor distintivo e compensador
ra um cristão. O que tem estado da ciência, estendendo-as ao para o cristão?
por detrás desta rejeição? mundo como um todo, em vez de Muitos cristãos têm respondi-
Em primeiro lugar, alguns cris- mantê-Ias limitadas e restritas ao do positivamente a estas pergun-
tãos crêem que não devemos uso científico propriamente dito. tas, e ampla variedade de justifi-
ocupar-nos das coisas deste mun- Em segundo lugar, mesmo que a cativas têm sido oferecidas como
do, e que outras atividades mais ciência por vezes produza teorias apoio. Por exemplo, Deus nos
diretamente relacionadas com a individuais que contrariam as Es- concedeu a tarefa de cuidar do
missão do cristianismo devem re- crituras, condenar todo o proje- mundo depois que este foi criado
ceber prioridade - o testemunho to científico diante desse fato se- (Gênesis 2:15). Entretanto, a
evangélico, por exemplo. É cer- ria mais ou menos como conde- mordomia responsável requer
to que a propagação do evange- nar toda a arte culinária pelo fa- que tomemos conhecimento de
lho é tarefa da mais elevada im- to de às vezes as pessoas serem como funciona aquilo que nos foi
portância, e se tivéssemos que envenenadas por utilizarem al- confiado, conhecimento relacio-
decidir entre esta e a prática da gum alimento preparado sob con- nado com a forma apropriada de
ciência, por certo a ciência deve- dições sanitárias impróprias. Má se utilizar as coisas que foram co-
ria ser relegada a segundo plano. cozinha não torna a cozinha má. locadas sob o nosso domínio. A
Mas a questão não se reduz a op- Em ambos os casos seria mais ciência pode ser um veículo me-
tar entre uma ou outra posição apropriado que condenássemos diante o qual se adquirirá o refe-
para a comunidade cristã como as técnicas incorretas do que con- rido conhecimento.
um todo, e em geral nem mesmo denarmos todo o projeto. Adicionalmente, muitos cristãos
para o indivíduo. A vida cristã é Em terceiro lugar, alguns cris- crêem que a ordem divina de que
uma vida completa, abundante, e tãos crêem que as ciências se o homem subjugasse a terra (Gê-
nela existem espaços para o pes- imiscuem em assuntos que não nesis 1:28) ainda se encontra em
cador, o médico, o fabricante de pertencem à alçada humana, já vigor (ao passo que outros admi-
tendas, o cobrador de impostos ... que procuram descobrir coisas tem que ela não mais prossegue
e .o cientista. ocultas. Entretanto, não nos diz .sendo válida após a queda.) Sub-
Em segundo lugar, alguns cris- Provérbios 25:2 que "a glória de jugar a terra também é algo que
tãos consideram que a ciência é, Deus é encobrir as coisas, mas a requer conhecimento, justificando
talvez inerentemente, contrária glória ..dos reis é esquadrinhá- novamente o papel da ciência.
ao cristianismo. Não é éerto, por- las"? E a glória dos reis tentar A maioria dos cristãos acredi-
ventura, que a ciência pressupõe pesquisar algum assunto! Não me ta que Deus nos criou como seres
o determinismo (com o que é eli- parece muito sábio imaginar que inteligentes. Parece que os seres
minada a responsabilidade moral seja impróprio tentar descobrir humanos estão sempre querendo
do indivíduo) e a estrita uniformi- os segredos da criação! conhecer e compreender as coi-
dade de causa-efeito (com o que sas. Somos teorizantes invetera-
se nega a possibilidade de Deus dos, e a ciência é o canal formal
agir miraculosamente no Univer- Razões Para Praticar mais evidente, pelo qual podemos
so)? Porventura não foram os a Ciência dar vasão a este aspecto de nos-
cientistas que propuseram teo- sa natureza, em relação às obras
rias como a da origem espontâ- Pelo simples fato de algo ser da criação.

14 DIÁLOGO 1 - 1989
Têm sido igualmente apresen- ça uma tarefa permissível ao cris- Os cristãos, contudo, viam o
tadas razões adicionais, de cará- tão, e ainda que existam razões mundo como resultado de uma
ter mais teológico. Por exemplo, distintivas pelas quais um cristão criação (portanto ordenado e uni-
a natureza é a criação de Deus, deseje praticar a ciência, e mes- forme) de uma Pessoa (portanto
e muitos cristãos têm visto a na- mo que a ciência e seus resulta- racional), e que foi criado livre-
tureza como reveladora do cará- dos possam ser de valor especial mente (requerendo, portanto, in-
ter de Deus. Ao estudarem a na- para o cristão, ainda asSIm os vestigação empírica), não confi-
tureza, esperam eles não apenas· cristãos que estão envolvidos nado a nossos preconceitos e ex-
conhecer aquilo que Deus criou, com a ciência devem sentir-se sob pectativas (requerendo, assim,
como também conhecer o próprio a profunda obrigação de exami- investigação de mentes esclare-
Deus. A natureza tem sido por nar suas razões particulares pa- cidas e abertas). Assim, o caráter
vezes mencionada como um livro ra a prática da mesma. Devem básico da ciência desenvolveu-se
de revelações, e é através da eles considerar o potencial de da- a partir daquilo que se poderia
ciência que aprendemos a ler es- no e rebelião contra Deus que seu considerar como uma visão cris-
te livro. 1 Crêem alguns cristãos trabalho particular poderá de- tã. Isto não quer dizer que se po-
que praticar a ciência, empreen- mandar, e devem eles agir no deria deduzir os lineamentos bá-
der novas descobertas, explorar sentido de envidar esforços para sicos do método científico a par-
os aspectos intrincados da natu- que a ciência por eles praticada tir do cristianismo, mas estes li-
reza e chegar a apreciar os deta- se enquadre nos parâmetros mais neamentos por certo se ajustam
lhes da criação, são formas de se amplos da obediência de Deus. bem à doutrina cristã. Ao IMO de
glorificar a Deus. Foi o próprio Fora de tal contexto, o trabalho temas mais genéricos, existem
Deus que considerou boa a Sua de um cientista - mesmo daque- outras características específicas
criação (Gênesis 1:31). Este fato, le que diz estar comprometido e pressuposições da ciência que o
por si só, é considerado por al- com Cristo - pode ser desastro- cristianiEfrno antecipa ou para as
guns como suficiente para que se so em mais de um sentido. quais provê justificação.
busque conhecer melhor esta boa A ciência pressupõe, de modo
criação. Cristianismo e os geral, que existe uma realidade
Finalmente, fomos instruídos objetiva e independente de nós
especificamente no sentido de Fundamentos da Ciência mesmos, que pode ser estudada
ajudar o enfermo, o faminto e o (contrariamente ao que afirmam
pobre. Certamente estaremos em Vários autores têm argumen- as várias formas de idealismo e
melhor posição para ajudar nes- tado que a crença num Criador relativismo). Isto é exatamente o
tes casos se conhecermos as cau- pessoal representou, se não um que alguém .poderia esperar, se a
sas da doença, o adequado trata- pré-requisito para o surgimento natureza estudada pela ciência é
mento das enfermidades, como da moderna ciência, pelo menos o produto de uma criação. Deus
produzir melhores colheitas, e as- um enorme apoio ao seu desen- criou independentemente de nós,
sim por diante. A ciência pode volvimento. Embora outras cul- de acordo com Seu pIano, e sem
ajudar-nos a bem cumprir as ta- turas apregoem possuir mais tra- o nosso auxílio ou consentimento.
refas que nos foram atribuídas. dição histórica e tecnológica, foi Outra pressuposição básica é a
Evidentemente, a ciência tem na Europa Ocidental, com sua da uniformidade e previsibilida-
desempenhado um papel igual- forte tradição cristã, que emer- de dos fenômenos naturais, a
mente destacado no processo de giu a moderna ciência. qual também provê o ~poio para
destruição em que os seres huma- Alguns gregos da antiguidade a exigência usual de que os resul-
nos estão permanentemente en" tendiam a ver o mundo material tados científicos possam ser re-
gajados. De fato, pode-se consta- como indigno de estudo. Noutras produzidos. As Escrituras, por
tar historicamente que as exigên- antigas culturas pagãs, a nature- outro lado, nos falam da fidelida-
cias militares têm sido a maior za era vista como uma divindade, de de Deus na condução do Uni-
força propulsora por detrás de o que levava as pessoas a imagi- verso. Uniformidade é o que po-
vários tipos de pesquisa, bem co- nar que a especulação desta na- deríamos esperar de uma criação
mo grande fonte de apoio finan- tureza(querexperimental, quer estabelecida por um Deus que é
ceiro à ciência e aos cientistas. O empiricamente) era inapropriada fiel e governa com base em Seus
mesmo papel tem sido desempe- e até mesmo perigosa. Muitas próprios editos.
nhado pela ganância (em alguns culturas orientais viam a realida- Outra pressuposição da ciência
casos de pesquisa científica em- de como sendo dirigida por ne- é a de que a natureza é' com-
presarial), o desejo de fugir às cessidades rígidas, tornando su- preensível, de que podemos en-
conseqüências da ação da :pessoa pérflua a investigação empírica. tendê-la. Isto é o que poderíamos
(por exemplo, certas pesqwsas na Outras viam o acaso ou o caos co- esperar de um Deus que nos
área das técnicas de aborto) e mo o princípio governante, tor- criou com sabedoria e nos dotou
uma ampla variedade de motiva- nando a investigação da nature- de raciocínio capaz de compreen-
ções não muito elegantes. za sem sentido e inevitavelmen-
Assim, embora a ciência pare- te fadada ao fracasso. Continua na pág.31

DIÁLOGO 1 - 1989 15
PERFIL
HELEN WARD THOMPSON
Diálogo com a Vice-presidente Acadêmica da Universidade de Loma Linda
ra no La Sierra College, Califórnia. tos acadêmicos na Universidade de
Obteve seu Mestrado em Inglês na Loma Linda.
Universidade de Stanford em 1955, Em anos recentes esta instituição,
e no mesmo ano tornou-se precepto- com seu belo campus situado no sul
ra e professora de Inglês no Walla da Califórnia, vem-se destacando no
Walla College. Desempenhou estas noticiário mundial em virtude do
funções durante dez anos, sendo que transplante de coração efetuado em
em 1965 obteve o Doutorado em In- Baby Fae, além de outros procedi-
glês em Stanford. A partir daí lide- mentos pioneiros no campo da cil-ur-
rou o Departamento de Inglês do gia. Reconhecida como centro de pes-
Walla Walla College durante onze quisas que exerce liderança em vá-
anos. rias áreas da medicina, saúde e éti-
Em 1976 ela aceitou o posto de de- ca, a Universidade de Loma Linda é
cana acadêmica junto ao Southwes- a instituição-líder do sistema global

H elen Ward Thompson comple-


tou seus estudos pós-secundá-
rios no Walla Walla College, em Col-
tem Adventist College, em Keene,
Texas. Após seu casamento, em
1979, com o Dr_ Thomas Thompson,
de saúde mantido pelos adventistas.
Quando O Conselho Deliberativo da
Universidade indicou a Dm. Helen
lege Place, Washington. Graduou-se retornou ao Walla Walla College, a Thompson como vice-presidente de
em Inglês e Educação Física, inician- fim de desempenhar-se como direto- assuntos acadêmicos, tornou-se ela a
do sua carreira profissional como ra de assuntos estudantis. Em 1984 mulher a ocupar a mais elevada posi-
professora de inglês e \~ce-precepto- tornou-se vice-presidente de assun- ção no mundo acadêmico adventista.

O ra- Thompson, você acredi-


ta que sua posição atual
abre espaço para outras mulhe-
contra essa tentação.
Não sei se a minha posição diz
muito acerca das possibilidades
por eu ocupar esta posição, e que
isto lhes traz uma perspectiva di-
ferente daquela que existiria se'
res adventistas? Existe alguma de outras mulheres_ Embora, co- um homem ocupasse o cargo.
vantagem em que uma senhora mo igreja, estejamos progredin- Aqui e no Southwestern College,
ocupe esta posição? do no sentido de empregar as os alunos e o corpo docente apre-
Raramente penso a esse respei- pessoas mais habilitadas para a ciaram uma perspectiva femini-
to_ Quando isto ocorre, entretan- função, o progresso é lento. Pa- na a nível administrativo, a com-
to, duas idéias me vêm à mente. ra que uma mulher chegue a qua- preensão especial da mulher e de
Ao perceber que sou a única mu- lificar-se para assumir funções de suas necessidades_Uma vez que
lher participando de um Conse- lideranças, é necessário que lhe a maioria dos redutos universitá-
lho Deliberativo, sinto que minha seja permitido ter acesso às opor- rios adventistas conta com mais
indicação é única_ Por outro lado, tunidades de crescimento pes- de 50 por cento de mulheres (aqui
percebo que para muitos de meus soal. Isto se relaciona parcial- na Universidade de Loma Linda
colegas o fato de terem de rela- mente com a qualidade de seu a porcentagem de mulheres é de
cionar-se com uma senhora nes- trabalho. Entretanto, quando 51), é necessário que elas estejam
ta posição, é uma experiência no- penso nas muitas mulheres com- representadas no topo da hierar-
va_ De modo geral, as pessoas petentes que tenho conhecido ao quia administrativa.
com as quais me relaciono estão longo dos anos, percebo que o su- Como você chegou a tornar-
mais interessadas na qualidade cesso feminino também está re- se adventista do sétimo dia?
de meu trabalho do que no fato lacionado com a disposição dos Ir- Enquanto eu freqüentava um
de eu ser mulher. deres masculinos em colocar mu- colégio público no Estado de
Aprendi a distinguir entre a lheres nas posições de responsa- Washington, uma vizinha me le-
avaliação crítica de minha efi- bilidade. vava regularmente à escola saba-
ciência como vice-presidente e Uma instituição educacional - tina, junto com suas filhas. De-
o preconceito que pode surgir pe- de fato, qualquer tipo de institui- pois prossegui estudando a Bíblia
lo fato de eu ser mulher. Ser-me- ção - recebe vantagens ao dis- por mim mesma e lendo livros ad-
ia mais fácil ficar pensando que, por de uma administração cen- ventistas, até que decidi batizar-
ao alguém não concordar comigo, t ral com participação mista. As me_ Ao terminar os estudos se-
isto ocorre porque sou mulher. mullleres são bastante francas ao cundários, tomei a decisão de
Tenho procurado precaver-me dizer-me que se sentem felizes prosseguir estudando numa ins-

16 DIÁLOGO 1 - 1989
tituição de nível superior perten- nos de lá podem obter créditos da muitas atividades e discussões de
cente à igreja. Universidade de Loma Linda. grupo que aqui existem. Adicio-
Em que medida as suas cren- Nossa Faculdade de Educação nalmente, ambos lemos com afin-
ças influenciam suas decisões e oferece cursos em vários locais da co e mantemos boas conversas
planos? Você agiria de modo di- Divisão Norte-Americana, assim um com o outro e também com
ferente se estivesse num am- como na Austrália e na Costa Ri- amigos, a respeito desta vida e da
biente não-adventista? ca. O programa educacional Sa'Ú- que está no porvir. Muitas das
Minhas crenças desempenham dJJ Familiar é oferecido na Aus- pessoas que vivem em nosso am-
papel da maior importância em trália, e a Terapia Respirat6ria, biente universitário são eruditos
minhas decisões e planos. Parto na Arábia Saudita. em teologia e no pensamento
da premissa de que trabalho nu- Refletindo sobre o caso Baby cristão. Sentimos que os debates
ma universidade adventista. Des- Fae, você acredita que ele foi com eles são muito proveitosos.
te modo, todas as decisões e pla- positivo para a Universidade de Além de tudo, oro bastante.
nos relacionam-se com esta posi- Loma Linda e a igreja? A sua posição atuallhe per-
ção. Desejamos que saiam daqui O programa de transplantes mite oportunidades de compar-
pessoas com boa formação, inte- cardíacos certamente trouxe a tilhar pessoalmente de sua fé
ressadas em prestar serviço, e Universidade e a igreja a um pla- com outros? De que modo con-
comprometidas com a igreja. Cla- no de atenção mundial. No mo- segue fazê-Io?
ro que eu agiria de forma diferen- mento a Universidade de Loma Estamos numa instituição ad-
te num ambiente não adventista. Linda desenvolve projetos de ventista cujo compromisso é com
Quais os aspectos de seu tra- pesquisa da ordem de 5 milhões a vida espiritual e as necessida-
balho que lhe fornecem as de dólares. Esperamos elevar es- des da humanidade. Valores e
maiores satisfações? te montante a 10 milhões ou conceitos espirituais ocupam
Sinto-me impressionada com a mais, nos próximos anos. Além sempre um lugar central em nos-
qualidade do corpo estudantil. do Dr. Leonard Bailey, um bom so trabalho. Esforçamo-nos por
Em ambos os campus os alunos número de nossos pesquisadores lembrar sempre este fato. Por
são capazes, estudantes ávidos, e são bastante conhecidos no mun- exemplo, constituímos uma co-
eu aprecio esta qualidade. Na do científico. Dr. Lawrence Lon- missão especial na universidade
maioria dos casos eles também go e seu grupo, Dr. Brian BulI, a fim de revisar as maneiras pe-
são cristãos conscientes. os pesquisadores da Escola de las quais a nossa religião poderá
Aprecio o contato com o corpo Saúde e muitos outros estão de- ser melhor estruturada dentro do
docente. São verdadeiros erudi- senvolvendo uma ativa base. de currículo, a fim de promover o
tos e excelentes professores. Meu pesquisas aqui. A nível da admi- enriquecimento espiritual dos
trabalho com os decanos das fa- nistração, estamos envidando to- alunos. A congregação universi-
culdades é particularmente com- dos os esforços possíveis a fim de tária inclui os resultados do tra-
pensador. Eles são administrado- estimular nossa comunidade de balho desta comissão na agenda
res dedicados, profundamente pesquisadores. do retiro anual de Il:0sso pessoal
comprometidos em prover a ex- Como você consegue manter o docente. Adicionalmente, os de-
celência acadêmica e em promo- equibõrio entre suas atividades safios da administração provêem
ver os valores cristãos e adven- profissionais e a vida doméstica? muitas oportunidades para com-
tistas a seus alunos. Nem sempre é fácil. Ocorre partilhar da segurança e regozi-
De que modo a Universidade que meu esposo me oferece gran- jo que desfrutamos em Jesus.
de Loma Linda provê apoio à de apoio, e tomou junto comigo Qual seria o seu conselho a
missão da Igreja Adventista, em a decisão de aceitar este cargo. mulheres mais jovens, que as-
termos nacionais e estrangeiros? Trabalho intensamente da ma- piram a desempenhar-se com
Estamos produzindo forman- nhã de segunda-feira até à meia- êxito no mundo acadêmico?
dos capacitados em seu campo de tarde de sexta-feira. Contudo, Façam um bom trabalho. Man-
atuação, e eles são orientados no procuro cuidadosamente reser- tenham a disciplina acadêmica. Se
sentido de servir a igreja e com- var os finais de semana para a vi- você, pessoalmente, deseja in-
prometer-se com ela. A qualquer da familiar. gressar na administração, conver-
lugar que eu vá, encontro gradua- De que forma você mantém ta-se numa especialista em admi-
dos por Loma Linda que se acham viva a sua atividade espiritual? nistração - em sua teoria e em
profundamente envolvidos com Onde você encontra tempo pa- sua prática. Aprenda as habilida-
sua profissão, com suas comunida- ra isto? des administrativas mediante o
des e com suas igrejas. Várias de O ponto alto da semana, para envolvimento ao nível da estru-
nossas faculdades - tais como a mim, é o sábado. Thomas e eu tura que estiver a seu dispor.
de Saúde, Odontologia e Medicina usualmente praticamos uma lon- Disponha-se a oferecer serviço
- possuem programas no Exte- ga caminhada, depois vamos à pleno e ainda mais que isto. Fi-
rior. Adicionalmente, o Colégio Escola Sabatina, e então ao cul- nalmente, aprenda a desfrutar do
Adventista de Hong Kong é afilia- to divino. Durante as tardes de prazer de uma tarefa bem feita.
do a nós, de modo que certos alu- sábado, escolhemos dentre as Richard Weismeyer

DIÁLOGO 1 - 1989 17
PERFIL
elA VTON ROSSI
Diálogo com um Procurador da República do Brasil
ra e defende o governo em Brasüia, lacionadas com liberdade religiosa e
em causas legais que se originam dependência de drogas. Tem partici·
dentro ou fora do pars. Além disso, pado de muitas conferências interna·
leciona Direito Penal na Universida· cionais de Direito e recebeu várias
de de Brasrlia. distinções, incluindo a Comenda Pre·
Nascido em 1930, o advogado Ros· sidencial, que lhe foi outorgada por
si obteve seu bacharelado em 1957, sua pátria em 1977.
na Universidade Federal de Minas Clayton Rossi foi um dos membros
Gerais, cidade de Belo Horizonte. fundadores da Igreja Adventista
Antes de chegar a ocupar o cargo Central de Brasrlia, tendo sido o seu
atual, exerceu a profissão na vida primeiro ancião desde aquela época
particular e foi também procurador até o presente. Sua esposa, Dejani·
de um departamento público civil. ra, é professora. O casal tem duas fi·
O Dr. Rossi tem apresentado mui· lhas, uma das quais empreende um
nesde 1967 Clayton Rossi ocupa tas palestras sobre assuntos éticos, curso superior na área de Psicologia,
J...I o cargo de procurador da Re· ao mesmo tempo que se mantém ati· e a outra está completando seus es·
pública do Brasil. Como tal, assesso· vamente envolvido em questões re· tudos a nrvel de segundo grau.

D r. Rossi, de que maneira


você descobriu sua vocação
para as leis?
a aplicação consistente dos p1'Ín-
cípios cristãos verdadeiramente
favorece o exercrcio de nossa pro-
por devotos adventistas, mudou-
se para a nossa vizinhança e co-
meçou a visitá-Ia.
Quando eu tinha 10 ou 11 anos fissão. Em minhas aulas falo fre· Que ocorreu a seguir?
de idade, meu pai começou a qüentemente da validade dos Achava-me eu, nesta ocasião,
levar·me ao tribunal local, em mi· princlpios éticos do cristianismo com 18 ou 19 anos de idade, e es-
nha cidade natal de Pouso Ale· para a prática do Direito. Gosto tudava fora de casa, em São Pau-
gre. Sentia·me fascinado ao ou- de dizer, por exemplo, que se to· lo. Minha mãe contou-me numa
vir o advogado defensor e o pro- dos compreendessem e aplicas· de suas cartas, que começara a
motor público enquanto estes sem a declaração de Paulo, de estudar a Blblia em profundida-
apresentavam seus argumentos que havia aprendido a sentir-se de. Mais tarde fiquei sabendo que
dIante dos sete membros do júri. contente em todas as situações, ela e meu irmão haviam sido ba-
A seguir, ouvia o veredicto quan- haveria uma tremenda redução tizados na Igreja Adventista do
do este era pronunciado e o juiz nos casos que atulham os nossos Sétimo Dia. Foi quando eu pró-
aplicava a lei. tribunais. prio me encontrei com os Rocco
O que atraiu você ao estudo Como ocorreu o seu contato e senti-me impressionado com o
e à prática da advocacia? com os adventistas do sétimo seu conhecimento da Brblia e a
Creio que o fato de vários de d·Ia•. . autêntica piedade cristã que pra-
meus parentes serem advogados, Nasci e fui educado no seio de ticavam.
influiu em minha decisão. Basica- uma tradicional famflia católica Qual o papel desempenhado
mente, contudo, fui conduzido pe· I'Omana. Em minha adolescência pela Bíblia em sua conversão?
lo contInuo desafio da profissão mamãe começou a ler o livro Pa- Sem dúvida, um papel muito
de advogado, e pela possibilida- 17-iarcas e P?'ofetas, da autoria de importante. Ela me ajudou a
de de contribuir para a aplicação ElIen G. White, o qual fora parar compreender, por exemplo, que
da justiça na vida real. providencialmente em meu lar. a salvação é um dom gratuito de
Algumas pessoas acreditam Ela sentiu-se muito impressiona- Deus, recebido por meio da fé em
que é praticamente impossível da com a relevância do sábado do Cristo, e não algo que podemos
ser um bom cristão e um bom sétimo dia, como o dia designa- adquil;r por meio de nossas ati-
advogado ao mesmo tempo. do por Deus para a adoração, re- vidades e rituais. Devo admitir,
Qual a sua opinião a este res- pouso e serviço. Durante vários contudo, que a princfpio a Bíblia
peito? anos ela encontrou respostas sa- pareceu-me muito difícil de ser
Com base em minha própria tisfatórias a suas perguntas em compreendida. Foi a famflia Roc-
experiência, não posso concor M
meio a seus contatos com católi- co que me aj udou a pesquisar os
dar. Na qualidade de jurista e cos e presbiterianos. A esta altu- Evangelhos, os Salmos, Provér-
professor de Direito, penso que ra a famrlia Rocco, constituída bios e as Eprstolas do Novo Tes-

18 DIÁLOGO 1 - 1989
tamento. Aos poucos comecei a lo. Sempre que percebo que mi- estrangeiro em que servia, du-
compreender e a apreciar a Bíblia. nhas obrigações profissionais e rante um período de agitação po-
Quanto tempo levou você pa- sociais estão ocupando demasia- lítica que ali se desenrolava. Após
ra unir-se à Igreja Adventista? do espaço em minha agenda, de- negociações delicadas, por meio
Foi um processo que demorou liberadamente reservo tempo ex- de contatos estabelecidos junto
aproximadamente três anos. Ti- tra para as atividades espirituais: aos mais elevados níveis adminis-
nha eu muitos amigos e achava- cultos matutinos, estudo da lição trativos de nosso país e de outras
me um tanto envolvido pela vida da Escola Sabatina, leitura siste- agências internacionais, tivemos
social. Uma vez, porém, que o mática da Bíblia, meditação e a felicidade de obter a libertação
Espírito Santo me conduziu a oração. Considero essencial man- de nosso irmão e seu retorno, em
uma decisão favorável, comecei a ter o equilíbrio entre a adoração segurança e em companhia da fa-
efetuar mudanças em minha particular, familiar e pública. Es- mília, a seu país natal.
perspectiva e estilo de vida. O sá- tas atividades capacitam-me a de- Você encontra oportunidades
bado demonstrou-se importante, sempenhar com eficiência as de- para testemunhar de sua fé?
como ocasião especial para fami- mais responsabilidades. Sim, freqüentemente, com co-
liarizar-me com o plano de Deus Você considera ser difícil de- legas, juízes e autoridades gover-
para a minha vida. Adaptei meus sempenhar o cargo de procura- namentais, bem como junto a
hábitos de alimentação e bebida dor da República e ao mesmo meus alunos na universidade.
aos padrões da Palavra de Deus. tempo conservar-se ativo como Entretanto, isso deve ser feito
Passei a separar o dízimo de membro da Igreja Adventista? com muito tato e após se orar, pe-
meus modestos rendimentos, an- Não, penso que não. Quando dindo a intervenção do Espírito
tes mesmo de ser batizado. Des- ainda estudava Direito, tive de Santo. Há alguns anos vivi uma
ta forma, fui efetuando mudan- tomar algumas decisões difíceis experiência emocionante. Um an-
ças à medida que compreendia a entre a guarda do sábado e a tigo aluno meu fez-me parar no
necessidade de efetuá-Ias, ava- prestação de exames escolares meio da rua e disse, excitadamen-
liando e aplicando à minha vida nesse dia. Dou graças a Deus, p0- te, que desejava compartilhar
pessoal aquilo que ia aprendendo. rém, pelo fato de sempre haver duas novidades comigo. "Fui re-
Minha família, os Rocco e, espe- conseguido resolver satisfatoria- centemente nomeado juiz em mi-
cialmente, as Sagradas Escritu- mente a situação, quer através nha cidade natal, de modo que
ras, todos eles desempenharam da abordagem direta do profes- você pode orgulhar-se de mim",
uma parte em minha conversão. sor envolvido, quer por meio das disse ele. "Mais que isto, uni-me
Hoje considero a Bíblia como um autoridades educacionais corres- à Igreja Adventista do Sétimo
Livro extraordinário, a genuína pondentes. Agora, na qualidade Dia. Agora sou seu irmão!"
mensagem de Deus para nós. de funcionário público, vivo a si- Finalmente, qual seria a sua
Esta convicção levou-o a tor- tuação favorável de aos sábados recomendação a um jovem -
nar-se bastante ativo dentro da não existir expediente, de modo moço'ou moça - adventista do
Sociedade Bíblica do Brasil. que posso observar o dia santo sétimo dia, que esteja conside-
É verdade. Servi esta entida- num clima de perfeita liberdade rando a possibilidade de seguir
de como vice-presidente durante religiosa. carreira em Direito, e talvez no
dois anos, e como presidente en- Você tem tido a oportunida- serviço público?
tre os anos 1980 e 1984. Desen- de de prestar assistência a seus Com base em minha experiên-
volvemos vários projetos impor- irmãos e a sua igreja, a partir cia aqui no Brasil, gostaria de es-
tantes. A cada ano, em coopera- do cargo oficial que ocupa? timular estes jovens a desenvol-
ção com outros cristãos envolvi- Sim, muitas vezes, mas sempre verem uma sólida base no tocan-
dos nesse ministério, promove- dentro dos mais claros princípios te à fé. Deveriam estabelecer ele-
mos distribuições maciças das éticos. Recentemente tive de vados alvos em termos de estu-
Escrituras em nosso país, pro- apresentar nosso caso quando fo- dos e ao mesmo tempo permane-
vendo incentivo para leitura das ram programadas eleições para o cer fiéis a suas convicções. De-
mesmas, e erigindo monumentos dia de sábado. Também existem pois, como profissionais, por
"em honra à Bíblia em várias ci- ocasiões em que meu conselho é meio de análise e pesquisa cuida-
dades do Brasil. Patrocinamos procurado por parte dos líderes dosa de cada caso, poderão com-
também o desenvolvimento de da igreja. Creio que grandes re- pensar a restrição que porventu-
uma nova tradução da Bíblia pa- sultados podem ser alcançados ra enfrentem por não quererem
ra o português, destinada ao lei- quando as lideranças denomina- lançar mão de expedientes legais
tor comum. Este projeto começa cionais e leigas operam conjunta- questionáveis. A fidelidade aos
agora a produzir frutos. mente, uns apoiando os outros. princípios de Deus em todas as
De que modo mantém você o Talvez o caso mais dramático que suas atividades, certamente lhes
equilíbrio entre os interesses eu tenha vivido, envolvendo um fará alcançar plena realização na
de sua profissão, de sua vida es- membro da igreja, tenha sido vida.
piritual e de sua família? quando um missionário brasilei-
Não é fácil, mas pode-se fazê- ro foi preso injustamente no país Humberto M. Rasi

DIÁLOGO 1 - 1989 19
LOGOS
A OUTRA GRANDE COMISSÃO
James Cox

A o aproximar-se o final do mi-


nistério terrestre de Jesus,
começou Ele a preparar os discí-
dia após dia - até o último dia
desta era escatológica."
Por outro lado, quando ouvi-
perava que os leitores recordas-
sem a resposta a esta pergunta,
já registrada antes por ele pró-
pulos para o desafio de pregar o mos referências à comissão evan- prio: "Deus não enviou Seu Filho
evangelho a todos os povos da gélica, raramente - se é que al- ao mundo para condenar a este.
Terra: Poucos dias antes da as- guma vez - pensamos nas pala- Pelo contrário [Ele O enviou] pa-
censão, atribuiu-lhes Ele uma ta- vras de Jesus, com as quais João ra salvar o mundo" e "Não vim
refa que eu decidi identificar co- emoldura um dos últimos movi- para condenar o mundo. Bem ao
°mo "a outra grande comissão". mentos de seu Evangelho. Ali en- contrário, vim para salvá-lo"
Quando ouvimos referências à contramos "a outra grande co- (João 3:17; 12:47).2 João deseja-
comissão evangélica, quase ins- missão". va também que seus leitores com-
tintivamente pensamos na me- "Assim como o Pai Me enviou, preendessem que a função dos
morável declaração de Jesus, Eu vos envio ... Recebei o Espí- seguidores de Cristo era salvar o
usualmente identificada como "A rito Santo ... Os pecados que per- mundo, e não condená-lo. (Con-
Grande Comissão", com a qual doardes serão perdoados, e aque- denar é prerrogativa pertencen-
Mateus encerra o seu Evangelho: les que retiverdes serão retidos" te a Deus.)
Toda autoridade no céu e (João 20:21 a 23). Jesus prosseguiu com Sua co-
na terra me foi dada. Portan- Esta passagem também regis- missão ao tornar ainda mais ex-
to, ide, fazei discípulos entre tra uma "grande" comissão de plícito qual deveria ser o cerne do
todas as gentes, batizai-os em Jesus. Ela consiste de: serviço salvífico para o qual Ele
nome do Pai e do Filho e do Uma grande missão: "As- estava chamando os discípulos.
Espírito Santo, e ensinai-os a sim como o Pai Me enviou, Eu Havendo-os convidado a recebe-
observar todos os Meus man- vos envio." rem o Espírito Santo, sem o qual
damentos. Podeis contar com Um grande convite: "Recebei eles não teriam o poder necessá-
Minha presença dia após dia o Espírito Santo." rio para cumprir a missão rece-
(literalmente, "todos os Uma grande responsabilida- bida, Ele acrescentou: "Os peca-
dias") - até o último dia des- de: "Os pecados que perdoardes dos que perdoardes serão perdoa-
ta era escatológica (Mateus se,rão perdoados, e aqueles que dos, e aqueles que retiverdes se-
28:18 a 20).1 retiverdes serão retidos." rão retidos."
Esta é sem dúvida uma gran- Tarde no domingo da ressur- Em vista de todo o debate - a
de comissão. Repousa so~re a au- reição, conta-nos João, Jesus unill- maior parte do qual irrelevante
toridade final de Deus. E global Se a Seus fiéis (porém temerosos) - que se produziu em torno des-
quanto à visão, nobre quanto às discípulos, saudando-os de um tas cortantes palavras, nós tam-
aspirações e rica em suas pro- modo tipicamente palestino: sha- bém olvidamos facilmente o pon-
messas. Observe, ainda, a repe- lcnn alekem (paz seja convosco). to central. Em primeiro lugar,
tição aparentemente intencional Ali Ele os comissionou com as pa- devemos lembrar que aqui apare-
e com propósito definido, do qua- lavras: "Assim como o Pai Me ce um paralelismo semítico, o que
lificativo: "Toda autoridade, to- enviou, Eu vos envio." significa que a força negativa da
das as gentes, todos os Meus Ao apresentar Sua grande ora- segunda linha reforça a expres-
mandamentos, todos os dias." ção intercessória swno-sacerdotal, são positiva da primeira linha. É
Esta comissão consiste de: Jesus utilizou palavras extrema- como se Jesus houvesse declara-
Uma grande declaração: "To- mente semelhantes: "Assim como do: "Assim como Eu o fui, vocês
da autoridade no Céu e na Terra Tu [ó Pai] Me enviaste ao mundo, também devem ser condutos
Me foi dada." assim Eu os envio" (João 17:18). através dos quais o perdão de
Quatro grandes ordens: "Ide, Indubitavelmente, João tencio- Deus fluirá para o mundo. Não é
fazei discípulos, batizai-os, en- nava que seus leitores perguntas- parte de sua comissão condenar
sinai-os." sem: "De que modo enviou o Pai o mungo. Deus Se engarregará
Uma grande promessa: "Po- ao Filho?" Pouca dúvida pode ha- disso. E sua responsabilidade co-
deis contar com Minha presença ver, também, que o apóstolo es- municar o Seu perdão.

20 DIÁLOGO 1 - 1989
o SALMO DO FÍSICO
Quero ter a certeza de que vocês "Devemos encontrar a Deus naquilo que conhecemos, e não no que
entenderam isso. Portanto, eu não conhecemos; Deus quer que nos apercebamos de Sua presença, não
os considerarei como responsá- em meio aos problemas sem solução, e sim naqueles que foram resolvi-
veis se vocês fracassarem." dos... Ele deve ser reconhecido como o centro da vida."
A história da mulher apanhada Dietrich Bonhoeffer
em adultério representa notória
ilustração deste ponto (veja João Toda a terra está cheia da glória de Deus.
8:2 a 11). Depois que os escribas Ela pode ser vista por todos os que possuem olhos e ouvidos,
e fariseus haviam tentado conde- Que receberam a bênção do dom da compreensão.
nar a pobre mulher com base nu- Para os que pensam e trabalham com as coisas, é bom que
ma interpretação legalista da To- ofereçam graças e louvores.
rab, Jesus, aplicando as intenções É apropriado expressar adoração em meio ao mundo que nos
do Evangelho, ofereceu a ela exa- rodeia.
tamente o oposto - o perdão di-
vino. Ele disse: "Nem Eu te con- Louvemos a Deus no laboratório.
deno. Vai, e não peques mais." Louvemos a Deus com o telescópio e o microscópio,
Deus nos alcança através de com prismas e pipetas.
Seu filho, de Seu Espírito, de Seu Ouçamos o rurdo de louvor do motor e da bomba d'água.
povo, e oferece perdão ao mun- Louvemos a Deus com medidas à décima casa decimal.
do. Efetivamente, em nome do Rendamos-Lhe homenagem com termômetros e ciclotrons,
Filho e sob a orientação e estímu- com osciloscópios e "microchips".
lo do Espírito Santo, é nossa mis-
são comunicar ao mundo o per- Louvemos a Deus com idéias.
dão - e não a condenação - de Louvemo-Lo com as leis da conservação e os princípios
Deus. da simetria.
Se esta é verdadeiramente a Sobre o quadro-negro e no papel, em fitas de computador e
nossa missão, devemos fazer uma telas de vídeo.
pausa e colocar algumas questões Em equações e gráficos, mediante estatísticas e integrais.
pertinentes. De que modo pode- Em meio à atividade e nos momentos de quietude, seja a sua
remos comunicar a disposição glória expressa pela obra das mãos e das mentes.
perdoadora de Deus se nós mes-
~os não a aceitamos, quer no pla-
Louvemos a Deus com coisas, visíveis ~ invisíveis; com o
no individual, quer como grupo? comum e com o que escassamente poderíamos imaginar.
Ellen White, numa carta ende- Motores e polias, bolhas e fótons,
reçada a G. I. Butler (à época,
Junto com o neutrino e o frsico, o quark e o quasar,
presidente da Associação Geral),
escreveu estas comoventes pala- Coisas ocultas e coisas reveladas - tudo é Sua criação.
vras: "Temo sancionar o pecado O vazio e a plenitude, microssegundo e o século são Seus.
e temo perder o pecador ... Se ti- Ele é o Oculto, o Criador; que todas as nossas obras se
vermos de errar, que o façamos juntem para louvá-Lo.
pelo lado da misericórdia e não
pelo da condenação."3 Certa- Louvemos a Deus com expressões de admiração e surpresa.
mente a sua observação achava- Louvemo-Lo com a sensação da vastidão do espaço e o vazio
se sintonizada com a atitude de do núcleo,
Jesus, revelada no quarto evan- Em presença da estabilidade e da mudança, da simetria
gelho. Certamente a declaração e do caos.
é também relevante aqui. As incertezas Suas são, e nEle o infinito pode ser medido.
Uma das razões por que temos Que as maravilhas e a admiração e a glória sejam expressas
tanta dificuldade em comunicar com paradoxo e harmonia, em números e unidades.
o perdão de Deus, é que temos
também muita dificuldade em Todo o Universo está cheio da glória de Deus.
aceitar este mesmo perdão em Que tudo aquilo que existe, seja um instrumento de louvor
nossa vida. Outra razão é a noção a Ele!
incorreta de que reconhecermos Albert E. Smith
o perdão de Deus estendido aos
outros, implica em nossa aprova- Albert E. Smith (Ph. D. pela Michigam State University) leciona
ção ao pecado. física no campus La Sierra da Universidade de LO'ma Linda.

DIÁLOGO 1 - 1989 21
VIDA UNIVERSITÁRIA
VINHO NOVO E ODRES NOVOS
Respondendo às Necessidades Humanas Através de Pequenos Núcleos

Paul Jensen

O que estão bebendo nos dias


de hoje os estudantes de
instituições públicas? Não me re-
da da mulher foi radicalmente
modificada. Como resultado, to-
da a sua cidade natal, Sicar, foi
cassos em praticar o que é certo?
De que forma consegue você vi-
ver em paz com o passado, de tal
firo ao que é vendido nos bares transformada por aquilo que sa- modo que não reprima o erro mas
favoritos do campus. Em vez dis- ciara a sua própria sede. permita-lhe viver livre e criativa-
so, refiro-me ao que os estudan- mente no presente, assim prosse-
tes estão fazendo para mitigar a Oito Tipos de Sede Humana guindo rumo ao futuro? Como vo-
sede íntima, inerente ao ser hu- cê se relaciona com aqueles a
mano. Chuck Miller, diretor do Na qualidade de aluno de uma quem prejudicou?
Barnabas Ministries, identifica faculdade ou universidade públi- 5. Necessidade de novas ex-
cinco tipos básicos de sede entre ca, que espécie de sede você sen- periências. Sua vida se encontra
os jovens: amor, segurança, reco- te? De que modo a fé em Jesus em crescimento e expansão? Em
nhecimento, libertação da culpa Cristo poderia saciar esta sede, quais áreas você está apenas so-
e a necessidade de novas expe- de modo a fazer sentido no am- brevivendo? A rotina pode ser
riências. Eu acrescentaria a inte- biente de seu campus? Porventu- destrutiva, caso não conduza à
gração intelectual, propósito e ra os seus colegas são atraídos satisfação ou a novas descober-
poder. por aquilo que vêem em sua vida? tas. Você aprende e se toma mais
João 4 descreve o dramático Talvez você possa considerar co- sensível quando necessita enfren-
encontro entre Jesus e uma jo- mo úteis as seguintes questões, tar dor e sofrimento? .Você se
vem senhora que estava à pro- ao analisar de que modo você e sente mais vinculado(a) à vida do
cura de realização fora dos parâ- outros em seu ambiente univer- que há cinco anos?
metros sociais e religiosos de sua sitário se relacionam com as es- 6. Integração intelectual.
cultura. Jesus passou por alto as pécies de sede já mencionadas. Qual a sua visão do mundo? Vo-
barreiras sociais e raciais que O 1. Amor. Você desfruta de re- cê procura reunir tudo aquilo que
separavam da mulher samarita- lacionamentos em que o compro- conhece num campo unificado de
na, e identificou sua sede insatis- misso é incondicional e perma- compreensão, que faça sentido?
feita, que a conduzira de um ca- nente? Muitas vezes as relações Você acredita que as questões e
so amoroso a outro. Sem conde- envolvem atitudes e ações que di- problemas presentes em sua for-
ná-la, o Senhor reconheceu que zem: "Cuidarei de você se ... " ou ma de pensar poderão contribuir
os anseios da mulher eram legí- "Interesso-me por você por- para novas compreensões me-
timos, ainda que até então mal que ... ", em vez de: "Tenho inte.; diante estudo adicional? Você
encaminhados. Ela necessitava resse em você, e ponto final." procurou examinar honestamen-
saciar sua sede, e Ele o sabia. 2. Segurança. O que possui te várias formas de ver o mundo,
Foi em virtude disto que Jesus você, que não lhe pode ser toma- de modo a descobrir qual delas
lhe fez a surpre,endente promes- do? Quanto maior o risco, mais satisfaz mais plenamente a sua
sa, de que Ele era capaz de satis- vulnerável é você. A segurança compreensão do mundo, tanto fí-
fazer a sede interior de qualquer exige proteção. sico quanto metafísico?
pessoa, em qualquer cultura ou 3. Reconhecimento. Quem re- 7. Propósito. O que você gos-
oportunidade, desde que o seden- conhece você e suas realizações, taria de produzir na vida? Seria
to bebesse o que Ele tinha para e qual é a base para tal aprecia- capaz de morrer em favor de al-
oferecer. Quando ela expressou ção? Porventura o reconhecimen- guma causa? Qual? Alguém dis-
o anelo de receber aquilo que lhe to tem feito com que você sinta se que a pessoa ainda não viveu
aplacaria a sede, Ele revelou que é capaz de significar uma realmente, se não descobriu algo
quão bem conhecia a insatisfação grande diferença na vida das pes- em favor do que seria capaz de
daquela vida. Disse-lhe também soas? Como você se sente em re- depor a vida.
que era o Messias prometido: lação àquilo que tem feito para 8. Poder. A que fontes de po-
"Sou Eu, Aquele que fala conti- obter reconhecimento? der, fora de você, tem recorrido
go" (João 4:26). 4. Libertação da culpa. De a fim de tomar-se mais do que
No momento em que creu, a vi- que modo lida você com os fra- você é hoje? Existe um vácuo de

22 DIÁLOGO 1 - 1989
poder entre aquilo que as pessoas favor" (sede dos tipos 1, 6 e 7). de Marty e sua esposa, Laurie,
gostariam de ser e aquilo que ho- Após cada debate, a conversa- haverem desenvolvido em rela-
je efetivamente são. Você gosta- ção prosseguia em pequenos gru- ção a ele uma autêntica amizade.
ria de influenciar outros? Quais pos, enquanto cristãos e não- A nova fé do casal raramente era
os princípios que norteiam a for- cristãos compartilhavam do re- objeto de conversação, mas o re-
ma em que você utiliza a influên- fresco e discutiam assuntos lacionamento crescia em calor
cia e o poder? quaisquer. Durante o último en- humano e franqueza. Naqueles
contro Mike, um iraniano que dias Roger estava experimentan-
Vinho Novo: Bebendo-o na crescera na fé islâmica, pergun- do a dor do rompimento senti-
Casa dos Barkley tou por que alguns de nós éramos mental com sua noiva. Durante
cristãos. Vários cristãos apresen- as reuniões sociais, Roger desco-
Há algum tempo dirigi um pe- taram suas razões. Marty decla- briu convincentes evidências co-
queno grupo de estudos bíblicos rou eloqüentemente que era cris- mo base para a fé cristã e chegou
orientado para estudantes, casais tão em virtude dos milagres. a compreender os requisitos de
e jovens profissionais. Nosso gru- Contou que havia sobrevivido Jesus Cristo e do evangelho. Cer-
po participou de uma série de quando o carro em que viajava se ca de dois meses mais tarde ele
reuniões sociais para não-cris- lançara abaixo, com todos os ocu- entregou sua vida a Jesus e pas-
tãos, sob o patrocínio de Don pantes bêbados, caindo de uma al- sou a freqüentar um pequeno
Barldey, diretor de programas tura de mais de 60 metros. Ele grupo de estudos bíblicos com
missionários na Associação do não apenas sobrevivera, como Marty e Laurie. No Natal seguin-
Sul da Califórnia. Aquilo que também fora capaz de sair do hos- te, Roger uniu-se a outras 160
aconteceu nestas reuniões sociais pital na manhã seguinte e acom- pessoas na festa que o nosso mi-
ilustra a diferença que a fé cris- panhar a polícia até o local do aci- nistério organiza para os delin-
tã representa para a sede huma- dente. Ele tinha mais de dois me- qüentes juvenis do Condado de
na. Durante várias semanas nos- tros de altura e explicou que a Orange. Ele participou de um dos
so grupo estudou os princípios adulação de que era alvo depois oito grupos que trataram de tor-
que deveriam nortear o relacio- de vencer as partidas de basque- nar o Natal um pouco mais agra-
namento com amigos que não co- te, jamais haviam sido capazes de dável para cerca de 160 juvenis
nhecem a Cristo, orou por eles, preencher o vazio que trazia den- problemáticos e perturbados. A
compilou uma lista de convidados trode si. Ele nos contou o modo experiência comoveu-o tanto, que
e preparou as reuniões sociais. como, no ano anterior, chegara a decidiu oferecer-se como voluntá-
Todos os debates iniciaram sob desenvolver genuína e permanen- rio para visitar regularmente a
três premissas: te fé em Jesus Cristo, a certeza instituição de reeducação juvenil,
1. Toda questão a respeito da do perdão divino e a garantia da gastando nisto várias horas por se-
vida ou de Deus será bem-vinda salvação, as quais preencheram o mana (sede dos tipos 1, 2, 6 e 7).
e tornar-se-á objeto de análise. vazio que sentia no íntimo, de um
2. A discussão limitar-se-á a modo como nada conseguira an- Odres Novos
uma hora. (Os convidados rece- tes fazê-lo (sede dos tipos 1 a 4 e
biam algo para beber antes e de- 6 a 8). Houve uma prolongada Jesus declarou que poderia sa-
pois do debate.) pausa quando ele terminou seu ciar a mais profunda sede da pes-
3. O líder estimulará o debate, testemunho. soa que bebesse aquilo que Ele
em vez de apresentar uma aula. Foi Mike quem rompeu o silên- oferecia. Marty, Laurie e um nú-
Ele oferecerá uma perspectiva cio, por fim. "Marty' , disse ele, mero incontável de estudantes
bíblica para a consideração do "até hoje à noite eu mesmo não chegaram a descobrir que tal
grupo quando este estiver tratan- seria capaz· de explicar por que afirmação é verdadeira, tanto
do de assuntos relacionados com me encontrava participando des- histórica quanto experimental.
a Bíblia. sas discussões, mas agora eu o Jesus utilizou a metáfora da água
No primeiro encontro Jesse, jo- sei. Ouvir o que você disse, apro- e do vinho para ilustrar o que Ele
vem médico e agnóstico, que le- ximou-me bastante de tomar oferece: o Espírito Santo opera
ra amplamente no campo da as- uma decisão ao lado de Jesus no crente com poder e produz no-
trofísica, declarou que não conse- Cristo. Você é a razão pela qual va vida, e Sua morte é capaz de
guia encontrar evidências impe- eu deveria estar presente aqui". perdoar e purificar todos aqueles
lentes para crer em Deus. Gasta- Mike ainda não se tomou cristão. que vêm a Ele e confessam suas
mos a maior parte da tarde tra- Ele prossegue a pesquisa. Â necessidades.
tando com várias cosmomsões, questão que mais o atormenta é Ele falou, porém, de uma ten-
que negam a existência de Deus. a divindade de Cristo (sede dos ti- são que se cria entre vinho novo
Durante o debate Jesse admitiu pos 6 a 8). e odres velhos. Vinho novo é o
algo incrível: "Eu gostaria de Roger, o chefe de Marty, é um símbolo da nova vida q}le Ele ofe-
crer em Deus, mas não o consi- bem-sucedido analista e progra- rece aos crentes. Os odres velhos
go. Se eu conseguisse crer, cor- mador de computadores. Ele veio representam os antigos padrões,
reria por todo o mundo em Seu participar das reuniões pelo fato tanto em sua vida particular quan-

DIÁLOGO 1 - 1989 23
to em seu relacionamento com a surreição de Cristo como a base • Comece com oração. Se vo-
comunidade secular e espiritual. para (a) nossa aceitação incondi- cê sente que Deus lhe está pro-
"E ninguém põe vinho novo em cional diante de Deus, (b) nossa vendo ânimo para começar um
odres velhos, pois que o vinho no- adoração oferecida a Deus e (c) grupo ou fazer parte de algum,
vo romperá os odres; entornar- nosso crescimento pessoal nEle. peça ao Senhor que envie ao seu
se-á o vinho novo e os odres se es- 2. Cultivo de crescente amor a encontro outras pessoas que te-
tragarão. Pelo contrário, vinho Cristo, mediante o emprego de nham a mesma idéia. Ore regular-
novo deve ser posto em odres no- tempo adequado a sós com Ele, mente, abrindo sua própria vida
vos" (Lucas 5:37 e 38). e amando-O e obedecendo-Lhe à direção do Espírito Santo. Não
George Webber, autor de The em todas as áreas de nossa vida. se surpreenda ao encontrar opo-
Congregation ín Mission, escre- Desenvolver verdadeira cama- sição. Mantenha-se em oração.
veu: "Nenhum relacionamento radagem cristã, o que envolve: • Não seja impaciente. Gasta-
de amor se desenvolverá, se não 1. Começar com nossos fami- se bastante tempo em formar um
existirem estruturas sobre as liares e outras pessoas, no lugar grupo a partir do nada. Caso seja
quais ele possa crescer." O pa- em que vivemos. necessário, deixe que decorram
drão dos seres humanos, tanto na 2. Transformar nosso relacio- dois ou três meses nessa tarefa.
sociedade quanto na igreja, é namento com outros membros do • Não se preocupe com o ta-
construir estruturas decadentes, "grupo celular" em algo prioritá- manho. Um dos mais significati-
as quais refletem o egoísmo de rio, reservando tempo uns para vos grupos de que alguma vez
nossas naturezas pecaminosas. os outros fora dos horários de participei, era constituído por
Mas o novo vinho que Cristo ofe- reuniões. três membros. Caso você dispo-
rece é o amor serviçal, e devemos Prestar serviço através de re- nha de apenas um colega cristão,
medir continuamente a efetivida- lacionamento com pessoas des- já é o suficiente para que se de-
de de nossas estruturas sociais crentes, o que envolve: senvolva companheirismo.
cristãs a partir do amor que nu- 1. Orar em favor de nossos • Convide outros cristãos a
trimos uns pelos outros (veja amigos descrentes, pedindo a meditarem sobre a possibilida-
João 15:12). . Deus que nos conceda portas de de se integrarem ao grupo .
Uma pergunta significativa pa- abertas, amor, ousadia, clareza e Conceda-lhes tempo para pensar
ra o estudante cristão é: Que es- sensibilidade (veja Efésios 6:19; e orar a respeito da idéia. Faça-
pécie de odre é mais compatível Colossenses 4:2 a 6). os saber que você aceitará a de-
com o evangelho em nosso am- 2. Estreitar laços de amizade cisão deles, seja ela qual for.
biente universitário? Muitas es- com não-cristãos ao reservar • Quando houver um número
truturas são apropriadas, mas tempo para nossos amigos des- suficiente de pessoas, reúna-as
para nós a mais útil vem sendo a crentes, convidando esses amigos e passe a considerar com elas as
de pequenos grupos. Isto tem si- para eventos como grupos do- seguintes questões:
do verdade em muitos movimen- mésticos de debate, reuniões so- Quais são os alvos e propósitos
tos reformatórios ao longo da his- ciais e programas em beneficio do grupo? O que os membros gos-
tória. Os morávios e os wesleia-. da comunidade, onde as pessoas tariam de ver acontecer?
nos do século dezoito constituem possam ser expostas ao cristia- Qual deveria ser a composição
dois exemplos notáveis. Em seu nismo prático, sem se sentirem do grupo? Deveria haver provi-
excelente livro, The Problem of pressionadas ou ameaçadas. sões para o seu crescimento e ex-
Wineskins [O Problema dos Embora existam outros tipos pansão?
Odresl, Howard Snyder cita vá- de grupos em nosso ministério, Quando, onde e durante quan-
rias vantagens dos pequenos gru- com diferentes objetivos, estes to tempo deverão realizar-se as
pos. Eles são flexíveis, móveis, in- foram os alvos que o nosso gru- reuniões?
clusivos e pessoais. Podem cres- po celular adotou. As necessida- Quanto tempo deverá durar o
cer através de divisão, tornando- des daqueles que compõem o gru- compromisso grupa1? Pode ser es-
se um meio efetivo de evangelis- po devem determinar os alvos e tabelecida uma data-limite, quan-
mo. Requerem um mínimo de li- agenda do grupo. A estrutura do deverá ocorrer uma avaliação
derança profissional, e são adap- grupal deve constituir um auxí- e então se poderá tomar uma de-
táveis à igreja institucional. lio - e não um obstáculo - à cisão quanto ao possível prossegui-
atuação do Espírito de Deus no mento do compromisso grupal.
Grupos Evangelizadores trato com a sede e a necessidade Qual deverá ser o nível do tes-
das pessoas. temunho cristão?
Nosso estudo bíblico de sextas- Quais serão as normas de dis-
feiras à noite era conhecido como Comece Você o Seu ciplina do grupo (confidencialida-
"grupo celular". Aqui estão os al- Próprio Grupo de, horários de início e término,
vos que formulamos inicialmente: avisar se a pessoa não puder es-
Desenvolver a maturidade es- As sugestões seguintes pode- tar presente, etc.)?
piritual, o que envolve: rão ajudar você a montar o seu Quem liderará o grupo? A lide-
1. Apreciação da morte e res- próprio "grupo celular". rança será rotativa?

24 DIÁLOGO 1 - 1989
* Ponha o acordo no papel. cida por um pequeno grupo é es- universitárias, sob os auspícios
Tendo em vista a clareza e tam- sencial para que se evite a sobre- do College and Career Ministries
bém a possibilidade de avaliação carga de uma s6 pessoa. (P. O. Box 2471, Orange, Calif6r-
ao final do projeto, poderá ser * Evite que se crie um grupo nia 92669, EUA).
útil que o grupo transfira para o fechado. Em termos finais, se se
papel aquilo que foi combinado. deseja que o grupo conserve a vi- A Outra Grande ..
* O programa das reuniões talidade, deve ele exercer sua in- Continuação da pág. 21
deve incluir certos ingredientes. fluência sobre outros.., fora de
Compartilhar a Palavra de seus limites pr6prios. E fácil con- um conduto através do qual o
Deus, enfatizando o que ela diz, verter-se num "punhado de san- perdão de Deus flui livremente
o seu significado, e como aplicá- tos" voltados para si mesmos. para o mundo. Aceitemos tam-
la à vida pessoal de cada um. • Leia acerca de pequenos bém o Seu perdão em relação às
Compartilhar a história da vi- grupos. muitas oportunidades em que
da de cada um, as circunstâncias Estes princípios têm funciona- fracassamos - face a nosso lega-
presentes e os sonhos futuros. do na América do Norte, e a lismo e intolerância - em repar-
Dedicar tempo de modo natu- maior parte deles funcionarão tir o Seu perd~ ao mundo.
ral à oração, não forçando-a. Nes- igualmente bem em outras cultu-
tes momentos os membros po- ras. Eles poderão habilitar você a NOTAS
dem regoZijar-se com as Escritu- descobrir agora aquilo que os cris- 1. Todas as citações dos Evan-
ras e orar em favor das necessi- tãos têm aprendido em ambientes gelhos foram traduzidas direta-
dades e relacionamentos dos de- universitários ao redor do mundo mente do texto grego.
mais membros. e ao longo da história - que Je- 2. A tradução literal de João
* Aceite as pessoas assim co- sus Cristo Se encontra presente 3:17 deveria ser: "Pelo contrário,
mo elas são. Você não pode mo- a fim de capacitar Seu povo a vi- (Ele O enviou) para que o mundo
dificar as pessoas. Somente elas ver de forma prática o Seu amor pudesse ser salvo por Ele."
pr6prias, com a ajuda de Deus, em meio a pessoas sedentas da 3. Veja a Carta 16, 21 de abril
podem tomar a decisão de mu- água e do vinho que Ele, por Sua de 1887.
dar. Seu papel é ensinar, estimu- morte, Se habilitou a oferecer.
lar e aceitar as pessoas no ponto "Nisto conhecerão os homens que James Cox é Ph. D. pela Uni-
em que elas se encontram. sois Meus discípulos, se vos amar- versidade Harvard. Nasceu na
* Desenvolva relacionamento des uns aos outro" (João 13:35). Nova Zelândia e serviu CQ'TYU) pre-
entre as reuniões. O cristianismo, sidente do A vondale College, na
em algumas culturas ocidentais, Paul Jensen oferece cursos de Austrália. Atualmente ele é vice-
tende a centralizar-se em eventos. capacitação em liderança e pes- presidente do Washington Insti-
Certifique-se de que as expressões quisa, e consulto ria para pasto- tute ofContemporary Issues, em
de apreço e interesse não se limi- res e capelães de instituições Washington, D. C., EUA.
tem apenas aos encontros.
• Planeje um equilíbrio entre
os que dão e os que recebem Recursos Úteis
apoio. Algumas pessoas possuem
necessidades emocionais tão
grandes, que pouco são capazes Ministério Universitário
de oferecer a outros. Um grupo O National Council of Churches [Concílio Nacional de Igrejas] pu-
que s6 apresente "recebedores" blicou em 1986 uma coleção de ensaios e um guia de estudos de 205
e não tenha "ofertantes", certa- páginas, intitulado: Invitation to Dialogue: The Theology of College
mente não funcionará. Chaplaincy and Campus Ministry [Convite ao Diálogo: A Teolo-
• Não tenha temor de dissol- gia da Capelania e Ministério em Ambiente Universitário]. Cópias
ver o grupo ao final do período podem ser obtidas por US$ 4,00 cada, escrevendo-se para: Education
estabeleCIdo. Se o grupo concor- in the Society, NCC; 475 Riverside Drive, Room 710; New York, NY
dou em se reunir apenas durante 10115, EUA.
um período estabelecido, ninguém
necessitará sentir-se mal se o gru- Resposta ao Secularismo
po se dissolver. Alguns poderão A Comissão Sobre Secularismo da Associação Geral publicou, atra-
desejar reorganizá-lo para funcio- vés da editora da Universidade Andrews, uma seleção de ensaios e
nar durante mais algum tempo, e seu relatório final sobre o assunto. O livro de 206 páginas, que inclui
isto é prerrogativa deles. bibliografia selecionada, intitula-se Meeting the Secular Mind: Some
* Se você é quem lidera, evi- Adventist Perspectives [Enfrentando a Mentalidade Secular: Algumas
te o desgaste excessivo. Temos Perspectivas Adventistas] (editado por Humberto M. ·Rasi e Fritz Guy),
constatado que na maioria dos 2~ edição, 1987. Número limitado de cópias pode ser obtido a US$ 5,00
grupos de atividades formados cada, escrevendo-se para: Education Department - Room 342; 6840
por estudantes, a liderança exer- Eastern Ave. NW; Washington, D. C. 20012, EUA.

DIÁLOGO 1 - 1989 25
EM AÇÃO
Divisão Euro-Africana apoio aos adventistas. Usualmen- tes, como Belém, Rio de Janeiro,
te o pastor adventista da congre- São Paulo e Maringá, no Brasil;
Existem várias associações de gação local também atua como Córdoba, Tucumán e Buenos Ai-
universitários adventistas no ter- capelão universitário. res, na Argentina; Lima, Cuzco e
ritório de nossa divisão. A maio- Os estudantes ministeriais de Juliaca, no Peru; e Guaiaquil, no
ria também inclui entre seus nossos seminários participam da Equador. Em Belém e Concep-
membros os profissionais adven- maioria destas reuniões. Deste ción mantemos residências para
tistas. Segue aqui um resumo de modo se estabelecem laços de ami- 15 a 20 de nossos universitários.
suas atividades. zade que mais tarde facilitarão a A nível de divisão, o diretor de
Itália. A associação nacional cooperação entre os pastores e os educação trabalha conjuntamen-
de universitários e profissionais profissionais da igreja local. te com o diretor associado de mi-
adventistas (AUDA) realiza uma Nosso departamento procura nistérios da igreja para assuntos
convenção anual, geralmente por manter-se em contato com o ele- jovens, coordenando o apoio aos
volta da Páscoa. As reuniões cos- vado número de universitários ad- estudantes. Nosso escritório pu-
tumam focalizar um tema espe- ventistas existentes nos países em blica uma revista ocasional em
cífico, como a drogadição, criação que não existem associações orga- português e espanhol, intitulado
versus evolução, ou o secularis- nizadas. Desejamos atender suas O Universitário Adventista, cuja
mo. AUDA publica um periódico, necessidades espirituais e intelec- distribuição é gratuita. Além dis-
L 'Opinione. O Instituto Adven- tuais, prevenindo assim a erosão so, a divisão repassa às uniões um
tista Vila Aurora, de Florença, da fé que a solidão pode causar, fundo para ajudar um seleto nú-
oferece em setembro de cada ano assim como o impacto do pensa- mero de estudantes universitá-
um programa especial para jo- mento secular e a influência ge- rios. A cada ano, cerca de 150 uni-
vens que estão a ponto de inicIar ral das universidades públicas. versitários recebem este auxílio.
estudos nas universidades públi- Um dos desafios adicionais que Embora não se tenha designa-
cas. Este programa desenvolve- enfrentamos é localizar o grande do nenhum pastor ou capelão pa-
se ao longo de quatro semanas. número de estudantes adventis- ra a responsabilidade especial de
Espanha. A associação de es- tas que chegam à Europa proce- apoiar estes estudantes, em al-
tudantes graduados e profissio- dentes de outros países, muitas guns territórios o diretor de edu-
nais adventistas (AUGUAE) rea- vezes sob o patrocínio dos respec- cação da união ou da associação
liza uma convenção anual, man- tivos governos, sendo que procu- atende-os em suas necessidades.
tendo reuniões mais freqüentes a ramos ainda prover-lhes acompa- Quando nos reunimos com os uni-
nível regional. Em 1987 o prin- nhamento depois que eles retor- versitários, constatamos que a
cipal orador da convenção foi o nam a seus países de origem. So- maioria deles participa ativamen-
Dr. Robert Olson, secretário-exe- mente uma ativa instituição in- te da vida da igreja local, seja co-
cutivo do White State. A associa- terdivisão poderá ajudar-nos a o mo anciãos, seja como diretores
ção também publica um boletim evitar a perda de muitos destes de jovens, professores da Escola
informativo. capacitados futuros líderes da Sabatina, diáconos ou diretores
Suíça. Estudantes universitá- igreja. de coral e música. Também orga-
rios e profissionais adventistas Pietro Copiz nizam Seminários do Apocalipse
reúnem-se uma vez ao ano no cha- para grupos seletos. Muitos pas-
lé da juventude, situado próximo Divisão Sul-Americana tores distritais consideram que
a St. Stefan, e as reuniões são con- essa participação é em extremo
duzidas em francês e alemão. Den- Cerca de 10.000 estudantes ad- proveitosa para o desenvolvimen-
tre os oradores recentes, destaca- ventistas freqüentam instituições to e crescimento da igreja.
ram-se a filósofa Jeanne Hersch educacionais de nível superior no Durante vários anos os jovens
e o notável médico-escritor Paul território de nossa divisão. Des- universitários do Sul do Brasil
Tournier. tes, por volta de 6.000 estudam patrocinaram o Projeto Prisma.
Alemanha Ocidental. Aproxi- em universidades não-adventis- Este consistia na organização de
madamente 150 universitários tas. Nas cidades em que o núme- pequenos grupos missionários de
adventistas se reúnem a cada ro é elevado, têm sido organiza- estudantes avançados de medici-
mês de novembro a fim de consi- das associações de universitários, na, enfermagem, teologia e edu-
derar tópicos de interesse. Os jo- tendo como conselheiro o pastor cação, os quais eram enviados a
vens que planejam empreender local ou o diretor de educação da regiões necessitadas do país a ca-
estudos em universidades públi- associação. da verão, a fim de prover ajuda
cas são estimulados a fazê-lo em Existem associações desse tipo durante o dia e a realização de
uma que conte com estrutura de em centros nacionais importan- campanhas evangelfsticas à noi-

26 DIÁLOGO 1 -1989
te. Os resultados foram muito p0- Fé, Razão ••• velmente, Deus confia tanto em nós,
sitivos, tanto para os participan- Continuação da pág. 13 que nos permite fazê-Io.
tes quanto para os beneficiados Aquele que nos criou com a capa-
pelo programa. cidade da razão e do exercício da con-
Nevil Gorski mens e mulheres. Por vezes o Espí- fiança, não nos deixou entregues à
rito satisfará nosso intelecto, outras nossa própria sorte no tocante à ex-
Divisão Sul-Asiática vezes Ele (uso este pronome pessoal ploração deste potencial. Pelo con-
dada a ausência de outro melhor) nu- trário, Ele nos proveu recurso pelo
Quando Meshach Nymiaka On- trirá nossas emoções, outras vezes qual possamos desenvolver a nossa
guti começou a estudar Odonto- galvanizará nossas vontades. Atra- fé - a evidência das Escrituras, o
logia na Univ~rsidade de Mani- vés da leitura meditativa das Escri- testemunho de Seu bom e santo Es-
paI, no sul da India, mal seria al- turas, de nossa vida de oração, nos- pírito operando na vida de seres hu-
guém capaz de imaginar que ali so compartilhar com outros de nos- manos, a vida de Jesus, a Palavra
estavam se abrindo as portas da sas convicções religiosas, nossos atos transformada em carne na vida de
oportunidade para a Igreja Ad- de adoração em companhia de outros nossos amigos, intrincado projeto do
ventista do Sétimo Dia. crentes, concedemos ao Espírito de cosmo, nossas próprias experiências
Onguti faz parte de uns 400 Deus a oportunidade de manter nos- de tristeza e felicidade. Ele ·decidiu
universitários adventistas da so momento de fé. Outras vezes, con- não deixar o assunto em termos am-
.Mrica OrientaI, que estudam na tudo, Ele agirá independentemente bíguos. Existem evidências a serem
India. Saiu do Quênia, sua terra de tudo isso. O certo é que Ele não pesadas, julgamentos a serem esta-
natal, a fim de obter preparo pro- deixará de explorar nenhum canal belecidos, comprometimentos a se-
fissional em Manipal, a cª,pital pelo qual Lhe seja possível gerar em rem formados. Em termos finais,
cultural da costa oeste da India, nós esta resposta de confiança que contudo, temos de aceitar a respon-
onde se pode obter preparo em identfficamos como fé. sabilidade por nossas escolhas: estas
várias especialidades, como me- Quando dois jovens se sentem mu- devem ser genuinamente nossas.
dicina, odontologia, engenharia e tuamente atraídos pela primeira vez, Quanto a mim, decidi seguir o ca-
artes liberais, todas sustentadas expressarão cautelosamente seus minho de Jesus. Melhor dizendo, con-
por fundações privadas. Conse- sentimentos, esperando que o outro tinuo escolhendo este caminho, pois
qüentemente, a universidade responda de modo semelhante, a me- às vezes minhas forças esmorecem e
atrai estudantes de várias partes nos que tenham a tendência de "tra- necessito tomar a decisão de retomar
do mundo. zer o coração nas mãos". Deste mo- a marcha. Ao encontrar novas evi-
Quando Onguti começou a es- do vão expressando gradualmente, e dências de qualquer tipo - pessoais,
tudar na Faculdade de Odontolo- com clareza cada vez maior, as suas racionais ou de outra natureza -
gia - nos últimos anos da déca- emoções e confiança mútua. Se o fi- com disposição mental inteiramente
da de 70 - era ele o único aluno zessem desde o início com maior aberta, devo reacender meu compro-
adventista da instituição. Desde franqueza, estariam se expondo à re- metimento a decidir novamente se-
o primeiro momento, contudo, jeição e. subseqüente dor. guir o caminho de Jesus. Este é o ca-
nosso jovem irmão determinou-se Pois bem: o Deus dos cristãos é um minho rumo ao ideal a ser correta-
a tomar conhecidos os adventis- Deus vulnerável, um Deus que Se ex- mente perseguido pelos adventistas
tas perante o mundo acadêmico põe, por assim dizer. Uma vez que fo- - inteireza pessoal. A abordagem
de Manipal. mos criados à imagem de Deus, nós que aqui sugiro envolve risco, mas es-
Durante a primeira semana de também estamos sujeitos à vulnera- te sempre esteve presente no disci-
aulas, Onguti. faltou às horas de bilidade: o risco de sustentar nossas pulado.
estudo da sexta-feira à noite, crenças por vezes face a paradoxos Pessoalmente, cada um de nós
bem como esteve ausente das au- sem solução aparente, a necessidade deve tomar decisões tão transcen-
las do sábado. Seus colegas per- de manter nossa confiança apesar da dentais quanto aquelas defrontadas
ceberam a diferença, e seus pro- dor emocional que experimentamos, por Abraão. Nunca devemos temer
fessores observaram sua ausên- o dever de exercitar a vontade quan- a ordem de "examinar tudo e reter
cia das atividades acadêmicas. do muito anelamos uns momentos de o bem".
Em breve começaram as pergun- pausa.
tas movidas pela curiosidade, e
logo seguiram-se as ameaças.
Não lhe seria permitido efetuar Assumindo Riscos Michael Pearson é Doutor em
exames se ele prosseguisse fal- Filosofia pela Universidade de
tando às aulas. A vida de fé é uma vida de vulne- Oxford e leciona filosofia e ética
Onguti, contudo, permaneceu rabilidade, que traz consigo tanto ale- junto ao Newbold College, na
fiel a suas convicções. Comoes- grias quanto amarguras. A vida de Grã-Bretanha. Seu livro, Millen-
tudava com muita dedicação, ob- Jesus oferece amplo testemunho nes- nial Dreams and Moral Dilemmas
tinha boas notas. Por volta do fi- te sentido. Cada um de nós necessi- [Sonhos Milenares e Dilemas Mo-
ta escolher suas próprias certezas. rais] será publicado em 1989 pe-
Continua na pág. 33 Não existe outro caminho. Admira- la Cambridge University Press.

DIÁLOGO 1 - 1989 27
ASSOCIAÇÕES PROFISSIONAIS

U ma das medidas da vitalidade e maturidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia é o elevado número
de seus membros que se dedicam com êxito a carreiras profissionais. Muitos deles formaram associa-
ções em seus respectivos ~mpos de atuação, à procura de companheirismo e aplicação dos princípios cris-
tãos a suas profissões. DIALOGO está fornecendo esta relação de associações com o propósito de apoiar
as atividades das mesmas e ampliar sua esfera de ação.
Estimulamos os universitários adventistas que estejam obtendo preparo em qualquer destas áreas a
estreitarem laços de amizade com seus colegas. Poderão contatar os presidentes das respectivas associa-
ções a fim de obter informações adicionais.
Os dirigentes de associações de profissionais adventistas que não tenham sua presença aqui registrada,
estão convidados a prover as informações pertinentes a um dos secretários da CAUPA (veja a página
2), para futura inclusão em nosso indicador.

na área de agronomia, bem como


Advogado.s os que se interessem por essas Capelães
atividades, sob voto da comissão
O Escritório de Assuntos Le- diretora. Quota: US$ 10,00 a ca-
da dois anos.
o Serviço de Capelania da As-
gais da Associação Geral mantém sociação Geral mantém um dire-
um diretório dos advogados ad- Reuniões: a cada dois anos. tório dos capelães que prestam
ventistas e publica JD, um anuá- serviços nas Forças Armadas dos
rio em inglês, com temas de in- Estados Unidos, e também em
teresse profissional. Estudantes Bibliotecários hospitais e clínicas, penitenciá-
de direito e advogados adventis- rias, indústrias, empresas comer-
tas são convidados a enviar seus Association of Seventh-day ciais e universidades.
nomes e a solicitarem um exem- Adventist Librarians Os capelães adventistas e pes-
plar de JD, escrevendo para: Of- Presidente soas interessadas neste minis-
fice of General Counsel; 6840 Keith Clouten erio são convidados a dirigir-se
Eastern Ave. NW; Washington, Canadian Union College ao diretor: Pastor Clarence E.
D. C. 20012, EUA. Box 430, College Heights Bracebridge; 6840 Eastern Ave.
Alberta, Canadá TOC OZ NW; Washington, D.C, 20012
Membros: Regulares - profis- EUA.
Agrônomos sionais adventistas com título em Publicação: The Adventist
biblioteconomia. Associados - Chaplain, trimestral. Valor da
Professional Agricultural Ma- bibliotecários sem título profis- subscrição: US$ 10,00.
nagement Association sional e estudantes de bibliote- Reuniões: Uma reunião anual
Presidentes conomia. Quota: US$ 10,00 por para os capelães especializados
Estados Unidos (Leste): ano para os membros regulares; dos Estados Unidos, e uma reu-
David Nelson US$ 5,00 por ano para os mem-
bros associados. nião a nível internacional a cada
Andrews University cinco anos, com todos os capelães
Berrien Springs, MI 49104, Publicações: ASDAL ACTION
"Classification for Adventist and adventistas.
EUA
Estados Unidos (Oeste): Ellen White" - Modificação do
Fred L. Webb catálogo da Biblioteca do Con-
Loma Linda University gresso BX 6101-6189. Conselheiros e
4601 Pierce Street Psicólogos
Riverside, CA 92505, EUA
Membros: Podem ser sócios os Coordenadora
adventistas que se dedicam a al- Selma A. Chaij
guma atividade relacionada com Andrews University
a agricultura, o planejamento e Berrien Springs, MI 49104,
cuidado de jardins em institui- EUA
ções adventistas ou da ASI (As- Membros: Convida-se a todos
sociação de Serviços e Indústrias os profissionais adventistas em
Leigos Adventistas), ao ensino psicologia educacional e clínica,

28 DIÁLOGO 1 -1989
os conselheiros e orientadores, o vegetarianismo), Eat for Life publicar uma seleção de artigos
bem como os professores e estu- (folheto que acompanha o vídeo). sobre educação em espanhol,
dantes avançados destas discipli- Reuniões: anuais. francês e português.
nas a que enviem seu nome, en-
dereço e ur.n breve cUlTfc~o à
Dra. Selma Chaij. Editores e Redatores Engenheiros e
Publicação: Uma vez que a as- Arquitetos
sociação se organize oficialmen- International Association of
te pretende-se publicar ur.na cir- Seventh-day Adventist Editors
cular com os temas de maior in- Association of Seventh-day
Presidente Adventist Engineers and Archi-
teresse profissional. J. David Newman tects
6840 Eastern Ave. NW Secretário-tesoureiro Executivo
Washington, D. C. 20012, F. R. Bennett
Dentistas EUA 36 Tremont Drive
Membros: Podem ser sócios os College Place, WA 99324, EUA
National Association of Se- redatores das publicações de- Membros: Podem ser sócios os
venth-day Adventist Dentists. nominacionais, os estudantes estudantes adventistas de enge-
Presidente avançados de jornalismo e os re- nharia e arquitetura, assim como
Robert Dery, D. D. S. datores jubilados. Quota anual: os profissionais destas áreas que
139 Port S. Lucie Blvd. SW US$ 25,00 (membros regula- desempenham suas atividades em
St. Lucie, FL 33452, EUA res); US$10,00 (associados e s6- consonância com os princípios da
Membros: Dentistas adventis- cios residentes fora dos Estados igreja.
tas, em uma das seguintes cate- Unidos). Quotas: US$ 25,00 anuais pa-
gorias: ativo, vitalício, afiliado, Publicações: IASDAE News- ra os membros regulares; US$
associado, estudante e honorário. letter. 3,00 anuais para os estudantes.
Para maiores informações, comu- Reuniões: Anuais, nos Esta- Publicação: Adventist Engi-
nique-se com o presidente da en- dos Unidos, durante a convenção neer, semestral.
tidade. As quotas são anuais e va- da Associated Church Press.
riam entre US$ 48,00 e US$ 1,00
segundo a categoria. Empresários e
Educadores Industriais
Dietistas Association of Seventh-day Adventist-Laymen's Services
Adventist Educators and Industries
Seventh-day Adventist Diete- Presidente Diretor Executivo
tic Association A. C. Segovia W. C. Arnold
Presidente 6840 Eastern Ave. NW 6840 Eastern Ave. NW
Ed Noseworthy Washington, D. C. 20012, Washington, D. C. 20012, EUA
Box 75 EUA Membros: A Associação de
Loma Linda, CA 92354, EUA Membros: Professores adven- Serviços e Indústrias de Leigos
Membros: Podem ser sócios os tistas com tft~o profissional; Adventistas agrupa os empresá-
dietistas adventistas diplomados, educadores adventistas que ensi- rios e industriais independentes
os que trabalham em serviços de nam em instituições públicas ou que levam a cabo suas atividades
nutrição ap6s haverem completa- privadas; estudantes avançados empresariais de acordo com os
do os estudos da especialidade, os da ciência da educação e educa- princípios da Igreja. A quota anual
estudantes avançados de dietéti- dores aposentados. é estabelecida de acordo com o vo-
ca e os dietistas não adventis- Existem representantes regio- lume comercial da empresa.
tas que trabalham em institui- nais em cada uma das divisões Publicação: ASI News, seis
ções denominacionais. Quotas: mundiais (veja a lista à página 2). vezes ao ano; os membros da as-
US$ 20,00 por ano para os dietis- Publicações: The Journal of sociação recebem-na gratuita-
tas formados; US$ 8,00 por ano Adventist Education, cinco nú- mente.
para os estudantes avançados; meros por ano. Subscrição: Reuniões: convenções anuais
um ano gratuito para os que se US$ 12,25. Existe o projeto de se nos Estados Unidos.
estão preparando para o exame
final de habilitação.
Publicações e Materiais: Se- Enfermeiros
venth-day Dietetic Association
News, SDADADietManual, Ve-
getarian Meal Plan, "Eating for Association of Seventh-day
Life" (videocassete que promove Adventist Nurses, Inc.

DIÁLOGO 1 - 1989 29
Presidente 6840 Eastern Ave. NW
Anna May Vaughan Médicos Washington, D C. 20012, EUA
6840 Eastern Ave. NW Membros: Podem ser sócios
Washington, DC 20012, EUA Adventist International Medi- da Associação Ministerial Adven-
Membros: Podem ser sócios os cal Society tista os pastores ordenados e li-
enfermeiros e enfermeiras ad- Presidente cenciados da Igreja. Cada uma
ventistas ativos, jubilados e es- William Wagner das divisões mundiais, cuja lista
tudantes. A quota anual é de 11530 Richardson Street aparece à página 2, conta com
US$ 30,00 para os primeiros e de Loma Linda, CA 92354, EUA um secretário regional da asso-
US$ 15,00 para os dois últimos. Membros: Podem ser sócios ciação.
Publicações: ASDAN Forun, da Associação Médica Adventis- Publicações: Ministry, revis-
trimestral; ASDAN Network, bi- ta Internacional (AIMS) os médi- ta mensal para os pastores, suas
mestral. cos interessados em manter con- esposas e estudantes ministe-
tato com colegas de outros paí- riais. A edição em português (O
ses, em cooperar com o evange- Ministério Adventista) é publica-
Físicos lismo da saúde e em participar de da a cada dois meses.
projetos missionários.
Publicação: AIMS Journal,
Association of Adventist Phy- trimestral.
sicists Professores de
Presidente Economia Doméstica
Terry L. Anderson
Walla Walla College Músicos
College Place, WA 99324, Home Economics Association
EUA of Seventh-day Adventists
International Adventist Musi-
Membros: Podem ser sócios os cians Association Presidente
físicos e professores adventis- Presidente F. Colleen Steck
tas de física, assim como os estu- Dan M. Schulz Andrews University
dantes avançados desta área, por Walla Walla College Berrien Springs, MI 49104,
decisão da comissão diretiva. College Place, W A 99324, EUA
Quota anual: US$ 10,00. EUA Membros: Podem ser sócios os
Publicação: Newsletter, tri- Membros: Podem ser sócios os que hajam completado estudos
mestral. músicos adventistas e os profes- avançados de economia domésti-
Reuniões: anuais, nos Estados sores de música interessados em ca, assim como os estudantes da
Unidos, durante a convenção cooperar com os objetivos da as- área.
conjunta da American Associa- sociação. Quotas: US$ 10,00 por ano ou
tion of Physics Teachers e da Quota anual: US$ 15,00. US$ 25,00 por três anos.
American Physics Society. Publicações: The lAMA Jour- Publicação: HEASDA News-
nal e The lAMA Newsletter. letter, dois números ao ano.
Reuniões: anuais, nos Estados Reuniões: anuais, nos Estados
Historiadores Unidos, durante a convenção da Unidos, durante a convenção da
National Association of Schools American Rome Economics As-
of Music. sociation, em junho.
Association of Seventh-day
Adventist Historians
Presidente
Richard Osborn Professores de
5427 Twin Knolls Rd. Pastores
Inglês
Columbia, MD 21045, EUA
Membros: Podem ser sócios os Secretário Internacional
professores e estudantes avança- Floyd Bresee Adventist English Association
dos de história, assim como ou- Presidente
tros adventistas interessados na Delmer Davis
disciplina. Andrews University
Quota anual: US$ 5,00. Berrien Springs, MI 49104,
Publicação: ASDAH News- EUA
letter. Membros: Podem ser sócios os
Reuniões: anuais, nos Estados estudantes avançados de inglês,
Unidos, durante a convenção da professores de inglês e adventis-
American Historical Association, tas que tenham interesse nesta
em dezembro. disciplina. As quotas anuais va-

30 DIÁLOGO 1 - 1989
riam desde US$ 2,50 (individual) Cristianismo e ... compreendamos. Mantemos, to-
até US$ 50,00 para instituições Continuação da pág.15 davia, a expectativa de que eles
com mais de 3.000 alunos. estejam ali. Poderemos até mes-
der a realidade natural que Ele mo encontrar justificativas para
Publicação: The Adventist En- mesmo trouxe à existência.
glish Newsletter, semestral. alguns assuntos epistemológicos
Reuniões: gerais, a cada qua- mais básicos. Por que devería-
tro anos, nos Estados Unidos. A
Valores Epistemológicos mos, por exemplo, confiar em
próxima ocorrerá na Universida- nossos sentidos, conforme exige
de Andrews, de 6 a 9 de agosto Os valores epistemológicos têm todo labor empírico? Por que
de 1989. sido vistos, em anos recentes, co- acreditamos que outros possuem
mo cruciais às teorias da racionali- experiências e realizam inferên-
dade científica. Existem justifica- cias semelhantes às nossas, o que
tivas cristãs para o formato de al- nos permite verificar mutuamen-
Professores de guns conceitos emergentes, concer- te e de modo objetivo as expe-
Línguas Modernas nentes à racionalidade científica. riências que são levadas a cabo
Vários dentre estes valores pa- na comunidade cientifica? A res-
recem ser aspectos düerentes de posta que o cristão pode dar a to-
Adventist Language Teachers uma mesma intuição - de que a das estas perguntas é que Deus
Association natureza é o cosmo. Portanto, po- nos criou como seres racionais, a
Presidente demos antecipar que as teorias fim de que neste mundo exerci-
Margarete Hilts que propõem esquemas lógicos temos as nossas faculdades. Isto
Department of Modern em vez de meras coincidências, não garante a nossa infalibilida-
Languages têm maior probabilidade de se- de epistemológica, mas por cer-
Loma Linda University rem corretas, e isto é o próprio to nos assegura sólido fundamen-
Riverside, CA 92515, EUA cerne da noção de simplicidade. to epistemológico, e isto é algo
Membros: Podem ser sócios os Também podemos imaginar que que muitas epistemologias secu-
professores ou estudantes avan- as teorias que propõem esquemas lares não são capazes de oferecer
çados de línguas modernas. A abrangedores de amplas áreas da - nenhuma delas, talvez.
quota é de US$ 5,00 por ano. realidade estão mais próximas da
verdade do que aquelas que se Realismo
Publicação: Alta Vox, semes- restringem a pequenos espaços.
tral. Este é o cerne do principio da Embora o cristianismo não nos
Reuniões: anuais, nos Estados amplitude. Podemos ainda pres- obrigue a fazê-lo, favorece, por
Unidos, durante a convenção da supor que as teorias que revelam certo, que nos inclinemos em di-
Modern Language Association, novos esquemas da realidade, ou reção a uma perspectiva realista.
em dezembro. que apresentam esquemas anti- Deus nos criou com faculdades
gos sob uma nova perspectiva, racionais e sensoriais, e muitos
até então oculta, aproximam-se cristãos têm afirmado que nossos
mais do que é correto do que sentidos e nossa razão são apro-
Professores de aquelas que não conseguem fazê- priados para serem congruentes
Técnicas Secretariais lo. Este é o conceito da fertilida- com a realidade, desde que cor-
de. Finalmente, uma vez que par- retarnente utilizados. Se as coisas
timos da idéia de um cosmo or- são assim, e se utilizarmos corre-
Seventh-day Adventist Busi- denado - que exclui o caos fun- tarnente nossas habilidades, sere-
ness Education Association damental - insistimos em acei- mos capazes de aprender verda-
Presidente tar teorias que são auto-consis- des, até mesmo verdades ocultas,
Bernelda Cash tentes; uma vez que nos inclina- a respeito da natureza. 2
Union College mos em favor de esquemas am- Se não existisse tal conexão en-
3800 South 48th St. plos e unificados, esperamos que tre nossas faculdades e a realida-
Lincoln, NE 68506, EUA as teorias que se aproximam da de, seria inevitável aceitar algum
Membros: Podem ser sócios os verdade sejam compatfveis entre tipo de anti-realismo. Uma evo-
professores adventistas de técni- si. O cristão dispõe de poderosas lução puramente naturalista, por
cas secretariais e os estudantes razões para acreditar que vive- exemplo, não seria capaz de pro-
avançados dessa disciplina. mos num cosmo. É a criação de ver-nos tal conexão. A evolução
Quota anual: US$ 5,00. Deus que, segundo Suas próprias não necessariamente seleciona
Publicação: The President's palavras, revela o Seu caráter. em favor da verdade dos concei-
N ewsletter, trimestral. Assim, nossa expectativa é em tos. Sobrevivência e aptidão de-
Reuniões: anuais, nos Estados favor de simetria e unidade. Es- pendem de se possuir determina-
Unidos, durante a convenção da peramos ordem e regularidade. das características e do envolvi-
National Business Education As- Os esquemas do cosmo podem mento em comportamento ade-
sociation. ser profundos. Talvez não os quado, independentemente da-

DIÁLOGO 1 - 1989 31
quilo que alguém pense estar fa- rais essenciais à ciência. Se os ção dos fatos simples da vida hu-
zendo. O próprio Darwin reco- cientistas demonstrarem falta de mana. A perda desta última pers-
nheceu isto, e durante determi- integridade em relação a seus co- pectiva distorce os fatos relativos
nada etapa de sua vida chegou a legas, falta de honestidade rela- à Vida.
temer que a teoria por ele siste- cionada com seu trabalho, falta
matizada viesse a subverter por de humildade diante dos resulta- NOTAS
completo a confiança na raciona- dos de suas pesquisas, mesqui- 1. Veja, por exemplo, Ber-
lidade da mente humana. Afinal nhez no compartilhamento de in- nard Ramm, The Christian View
de contas, perguntava-se ele, formações, ausência de auto- of Science and Scripture (Lon-
quão a sério podemos levar as controle diante da frustração, fal- don: Paternostér Press, 1955),
conjecturas da mente de um sí- ta de perseverança diante de fra- página 25.
mio evoluído? 3 cassos experimentais e reduzida 2. Considerável número de
Assim, é possível que o natura- paciência em épocas em que o pontos desta seção foram sugeri-
lismo puro não seja suficiente pa- progresso é pequeno, existirá dos por observações do Professor
ra justificar o realismo que histo- pouca ciência digna desse nome. Alvin Plantinga.
ricamente tem predominado no Entretanto, as Escrituras desta- 3. "Ao descobrir o segredo
trabalho dos cientistas e que na cam estas virtudes, oferecem au- da origem humilde da humanida-
atualidade segue exercendo in- xílio para que a pessoa as desen- de, Darwin havia perdido a con-
fluência prioritária. O fato de Deus volva e lhes provê uma base fun- fiança na capacidade da razão e
haver-nos criado para este mundo damental através dos manda- intuição humana para penetrar
e na qualidade de seres racionais, mentos da lei de Deus. os enigmas do Universo. Confes-
por certo oferece um ponto de par- Devemos conservar em mente sou que tinha a 'íntima convicção'
tida para tal justificativa. que a objetividade da ciência acha- de que o Universo não era resul-
Esta justificativa também cria- se protegida, em parte, pelo fato tado do acaso. 'Entretanto -
ria a possibilidade de nos aproxi- de ser ela de natureza comunitá- acrescentava ele - resta-me a
marmos de' verdades teóricas. ria. Por que é necessária esta pro- horrível dúvida quanto a se as
Nossa condição pecaminpsa ex- teção? Uma das razões é que nem convicções da mente humana,
plica parcialmente o fato de não sempre todas as virtudes citadas que evoluiu a partir de animais
t.ermos garantia de poder alcan- acima são honradas, de modo que inferiores, têm algum valor ou
çar tais verdades. a comunidade científica necessita até mesmo são dignas de confian-
de proteção corltra as falhas. Con- ça. Acaso poderíamos confiar nas
Atitudes e Conduta tudo, os eventuais fracassos por convicções de um símio, se é que
parte de cientistas, em termos de existem em sua mente tais con-
Existem várias atitudes que aplicação dessas virtudes, não de- vicções?'" (John C. Greene, The
são requeridas .para que se exer- veria surpreender o cristão fami- Death ofAdam [Ames: Iowa Sta-
ça apropriadamente a ciência, e liarizado com o claro ponto de vis- te University Press, 1959], pági-
o cristianismo oferece apoio a to- ta das Escrituras no tocante a na 336). A citação interna pro-
das elas. nosso estado, nossas inclinações e vém de uma carta enviada por
Respeito à natureza. Por exem- tendências. Darwin a William Graham, emi-
plo, o cristianismo promove o Perspectiva. Em resumo, o tida em Down, aos 3 de julho de
adequado respeito à natureza, cristianismo oferece justificati- 1881, e colhida de Francis Dar-
que é requerido pela boa prática vas para muitos aspectos do ca- win, editor: The Life anel Letters
científica.4 Para o cristão, o ráter das ciências naturais, seus of Charles Darwin Including an
mundo e tudo o que nele está con- métodos e pressuposições. Além Autobiographical Chapter (New
tido pertence ao Senhor, e con- disso, porém, o cristianismo co- York, sem identificação de edito-
seqüentemente deve ser respei- loca a ciência sob perspectiva cor- ra, 1898), 1:285.
tado e tratado adequadamente. reta: ela é valiosa, mas não de va- 4. Idéias do Professor Nicho-
Não temos o direito de abusar da lor absoluto; é competente, mas las Wolterstorff.
natureza. Este respeito deve ser não onipotente; constitui parte
mantido em equilíbrio com o fa- importante da vida humana, mas Del Ratzsch é Doutor em Filo-
to de Deus haver-nos assegurado não é tudo; é algo que os huma- sofia pela Universidade de Mas-
o uso da natureza e com a reali- nos fazem, mas não representa a sachusetts e leciona Filosofia no
dade, revelada por Deus, de que mais alta prossecução dos mes- Calvin College, Michigan, EUA.
ela é, afinal de tudo, uma criação. mos; provê solução para alguns Este artigo foi extraído de seu li-
Nosso respeito a ela não necessi- problemas, mas não cons~gue fa- vro Philosophy and Science: The
ta (e não deve, na verdade) che- zê-lo em relação ao maior de to- Natural Sciences in Christian
gar ao extremo da adoração, já dos os problemas humanos, a Perspective [Filosofia e Ciência:
que tal atitude significaria o pró- alienação face ao nosso'Criador. As Ciências NaJ:urais Sob a Pers-
prio fim da ciência. A perda da perspectiva em pectiva Cristã] (Downers Grave,
Virtudes e Princípios Morais. qualquer destas áreas gera uma Illinois: Inter Varsíty Press,
Também existem princípios mo- distorção da realidade e a nega- 1986). Usado com permissão.

32 DIÁLOGO 1 - 1989
CAUPA: UM MINISTÉRIO ESPECIAL

A dinâmica do adventismo es-


timula muitos moços e mo-
ças a cursar estudos superiores.
locais e no desempenho de fun-
ções junto a nossas escolas, insti-
tuições de saúde, centros adminis-
CAUPA, encarregada de coorde-
nar o programa a nível regional.
Os universitários, capelães, pro-
As estimativas atuais indicam trativos e outros serviços especia- fissionais e outras pessoas inte-
cerca de 80.000 universitários ad- lizados da igreja como um todo. ressadas neste ministério espe-
ventistas em todo o mundo. Apro- Vários líderes denominacionais cial podem comunicar seus co-
ximadamente a metade estuda sensíveis, em muitas partes do mentários e sugestões com res-
em nossos colégios superiores e mundo, reconhecem os desafios peito a esta primeira fase do pro-
universidades; a outra metade, especiais que os universitários grama. Devem dirigir sua corres-
por certo, freqüenta instituições adventistas têm de enfrentar, e pondência ao representante re-
não pertencentes à igreja. assim procuram prestar-lhes au- gional da CAUPA, cujo nome
Alguns estudantes deste último xílio mediante o' apoio de cape- aparece à página 2.
grupo poderiam estudar em nos- lães, bolsas escolares, retiros es-
sas escolas superiores, mas deci- pirituais, associações estudantis
diram não fazê-lo por. razões co- . e progr~mas destinados a mantê- Em Ação
mo a situação familiar, a distân- los ativos no ambiente da igreja. Continuação da pág. 27
cia do lar, ou falta de recurso~ fi- Ainda assim, nem sempre os seus
nanceiros. A maioria, contudo, es- esforços têm sido apoiados ou nal do primeiro ano, sua fé e es-
tuda em instituições seculares pe- mais amplamente imitados. tilo de vida haviam logrado pro-
lo fato de não lhes oferecennos os Em vista desta realidade, três duzir impressão mui favorável
programas nos quais eles estão in- departamentos da Associação em seus colegas e professores.
teressados, ou pelo simples fato Geral - Capelania, Educação e Foi então que ele decidiu convi-
de não existirem em seus países Ministérios da Igreja - estão dar os dirigentes da igreja para
natais quaisquer escolas adventis- unindo forças para prover apoio que oferecessem cursos gratuitos
tas de nível superior. . aos líderes que desejam satisfa- .para deixar de fumar, visando a
Os jovens que vivem em nossos zer as necessidades espirituais, beneficiar estudantes e professo-
90 colégios superiores e univer- intelectuais e sociais deste setor res. O díretor de saúde e tempe-
sidades, desfrutam de vários be- de nossa igreja. A Comissão de rança da Divisão Sul-Asiática, R.
nefícios: ambiente cristão, aulas Apoio a Universitários e Profis- N. Baird, foi o primeiro a dirigir
de Bíblia, cultos regulares, pro- sionais Adventistas (CAUPA) - tal espécie de curso na U niversi-
gramas missionários e apoio es- cuja diretoria aparece na segun- dade. Seu êxito foi notável, não
piritual dos capelães. Em cons- da página deste número - tem apenas porque vários deixaram
traste, os que empreendem seus à sua disposição alguns fundos de fumar, como também porque
estudos em outras instituições para levar avante um programa a comunidade reconheceu que os
têm de enfrentar vários desafios: que, inicialmente, se propõe a: adventistas vivem e ensinam a vi-
a influência de professores des- 1. Apoiar as divisões mundiais ver a vida mais abundante.
crentes, o estilo de vida livre que que desejam organizar seminá- Na atualidade, a Igreja Adven-
predomina, as pressões políticas, rios e retiros espirituais para uni- tista· está mantendo um acordo
e por vezes exames aos. sábados. versitários adventistas. com a Faculdade de Medicina de
Ainda assim, eles também des~ 2. Cooperar com as divisões Manipal, de modo que a cada ano
frutam de oportunidades únicas que oferecerem escritórios de tra- podemos inscrever cinco de nos-
no sentido de compartilhar sua fé balho para capelães e pastores de sos melhores estudantes nessa
com colegas e professores. igreja em centros universitários. prestigiosa instituição. Por sua
Coletivamente, ambos os gru- 3. Preparar materiais que for- vez, a Faculdade envia seus pro-
pos representam um setor talen- taleçam a vida espiritual dos .uni- fessores para cursos de especia-
toso e altamente motivado de nos- versitários e os animem a com- lização na Universidade de Loma
so conjunto de membros, e to- partilhar sua fé. Este primeiro Linda, Califórnia.
mam decisões críticas em suas vi· número de DIÁLOGO é parte Meshach Onguti - estudante
das. Dentro de poucos anos eles deste programa. adventista numa universidade
começarão a definir o rumo de Foi sugerido que em cada divi- não adventista - foi um· genuí-
nosso movimento, na qualidade são da igreja mundial se estabe- no pioneiro.
de líderes leigos das congregações leça uma entidade paralela à John Fowler

DIÁLOGO 1 - 1989 33
Ellen G. White e os Estudantes Universitários

Ellen G. White foi cofundado- Amparados pelos princípios re- la, para que a luz possa difundir-
ra da Igreja Adventista do Séti- ligiosos, podeis atingir qualquer se. Mostrem eles que respeitam
mo Dia e escritora inspirada. Es- altura que desejardes. Alegrar- todas as regras e regulamentos
creveu amplamente nas áreas de nos-ia ver-vos elevando-vos à no- da escola~ O fermento começará
educação, saúde, família, a Bíblia bre altura que Deus quer que al- a atuar; pois podemos confiar
e cristianismo prático. Ela esti- canceis. I muito mais no {>?der de Deus ma-
mulou moços e moças a desenvol- nifestado na VIda de Seus filhos
verem plenamente as habilidades do que em quaisquer palavras que
recebidas de Deus, através de es- Progresso Contínuo sejam proferidas. Mas eles tam-
tudos avançados, conforme de- bém devem falar aos indagadores,
monstram os trechos que a se- Mais elevado do que o sumo numa linguagem bem simples,
guir selecionamos. pensamento humano pode atin- das singelas doutrinas da Bíblia.
gir, é o ideal de Deus para com Há os que, depois de estarem
Seus filhos. A santidade, ou se- estabelecidos, arraigados e fun-
Alturas Que Podem ja, a semelhança corp. Deus, é o damentados na verdade, deviam
Ser Atingidas alvo a ser atingido. A frente do ingressar nessas instituições de
estudante existe aberta a senda ensino como estudantes. Eles po-
Querida mocidade, qual é o al- de um contínuo progresso. Ele dem manter os vivos princípios
vo e propósito de vossa vida? tem um objetivo a realizar, uma da verdade e observar o sábado,
Tendes a ambição de educar-vos norma a alcançar, os quais in- e terão também a oportunidade
para poderdes ter nome e posição cluem tudo que é bom, puro e no- de trabalhar para o Mestre lan-
no mundo? Tendes pensamentos bre. Ele progredirá tão depressa, çando sementes da verdade em
que não ousais exprimir, de po- e tanto, quanto for possível em corações e mentes. Sob a influên-
derdes um dia alcançar as alturas cada ramo do verdadeiro conhe- cia do Espírito Santo, essas se-
da grandeza intelectual; de po- cimento. 2 mentes irão brotar e produzir
derdes assentar-vos em conse- fruto para a glória de Deus, e re-
lhos deliberativos e legislativos, sultarão na salvação de almas....
cooperando na elaboração de leis Oportunidades e Perigos Não devem ser suscitadas contro-
para a nação? Nada há de errado vérsias abertas, mas haverá
nessas aspirações. Podeis, cada Os valdenses ingressavam nas oportunidade para fazer pergun-
um de vós, estabelecer um alvo. escolas do mundo como estudan- tas sobre doutrinas bíblicas, e a
Não vos deveis contentar com tes. Eles não tinham pretensões; luz será projetada em muitas
realizações mesquinhas. Aspirai aparentemente, não davam aten- mentes. Será despertado um es-
à altura, e não vos poupeis tra- ção a pessoa alguma; mas prati- pírito de investigação.
balhos para alcançá-la. cavam o que criam. Nunca sacri- Mas eu quase não ouso apre-
O temor do Senhor está à base ficavam algum princípio, e seus sentar este método de trabalho;
de toda verdadeira grandeza. A in- princípios logo se tornaram co- pois há o perigo de que os que
tegridade, a inabalável integrida- nhecidos. Isso era diferente de não têm ligação com Deus se co-
de, é o princípio que sempre pre- tudo que os outros estudantes ti- loquem nessas escolas, e, em vez
cisais levar convosco em todas as nham visto, e eles começaram a de corrigir o erro e difundir a luz,
relações da vida. Levai convosco perguntar para si mesmos: Que eles mesmos sejam desencami-
a religião em vossa vida escolar, significa tudo isso? Por que esses nhados. Mas essa obra precisa
em vossa pensão, em todas as vos- homens não podem ser induzidos ser realizada, e será efetuada pe-
sas prossecuções. A importante a desviar-se de seus princípios? ... los que são guiados e ensinados
questão convosco é agora como es- Os que têm o Espírito de Deus, por Deus. 3
colher e aperfeiçoar vossos estu- estando plenamente imbuídos da
dos de maneira a conservar a so- verdade, devem ser animados a NOTAS
lidez e pureza de imaculado cará- ingressar em faculdades, e viver 1. Mensagens aos Jovens,
ter cristão, mantendo todas as exi- a verdade, como Daniel e Paulo págs. 36 e 37.
gências e interesses temporais em o fizeram. Cada um deve procu- 2. Educação, págs. 18 e 19.
sujeição aos reclamos mais eleva- rar ver qual é a melhor maneira 3. Mensagens Escolhidas, voI.
dos do evangelho de Cristo... de introduzir a verdade na esco- 3, págs. 233 e 234.

34 DIÁLOGO 1 - 1989
E S P E C I A L

"Portanto, ide
a todas as
"
naçoes... ,.."

Ass im falou J esus há quase d o is


mil an os. Suas palavras a inda
co ntinuam a co nvida r um gr upo
se leto de cristãos. Gente esp ec ial.
H o mens e mu lh ere s bem
capacitados e dispostos a ser vir co m
sac rifí cio.
Se você é um Adventista d o Sétimo Dia que ama
verdadeiramente a J esus e desej a con sagrar a Ele seu s talentos,
a igreja pode necess ita r se us préstimos, es pec ialme nte se fala
o id io ma ingl ês o u fra ncês.
Em mui tas pa n es d o mund o a o bra das m issões
necessita de gente es p ecial: admin istrad ores e avi ad o res,
dentistas e dietistas, e nferm e iras e eletri cistas, méd icos
e professores . A lista é bastante longa .
Para obter ma io r info rmação sobre as necess id ades
alUais de pessoal pa ra as m issões adventistas, esc reva-n os uma
carta incl uindo a segui nte inJo r mação p essoal :
• Nome completo
• Endereço e te lefo ne
• Idade e estado civ il
• Estudos rea lizad os
• Pro fi ssão e expe riência profission al
Dirij a-se à : Secre ta r ia, Associação Geral d a I AS D ,
684 0 Eastern Ave . N W, Washing-to n, De 2001 2, EUA.
Conquiste novos
horizontes!
VIAGENS - UII <HW ao Se rvi ço Voluntário dos

Jovens Adventis tas c vi.!je por lug-arc:, fascinantes cio mundu

inteiro. Enqu<lmo você passa um aliO no ex ter ior, pode conhet:er

pessoalmente lima (: uhura c.o, tran gc ira e aprender lima no va

língua. _ AMIZADE - Não é fácil

deixar () lar paterno l' os amigos por

um allo illl('iro. rvlas \'ale a pena. Ao

sa ir par;\ ;ü udar a outros você

desenvo lver;'! ' !Illitadcs Illl1ilO

especiais COIII as pessoas a quem serve c. ac im a de [udo, com Deus.

3 AVENTURA - Osjovcns advelllistas volullt{.rios traba lh am

ardU<UIlClllC. Porem, eles encontram (cmpo para <I\'Cl1luras

tambêm,liulIo no trilbalho cm favor de outros ( ' 01110 no Iai'er sad io

você encontrará mane iras de

dCSC II\olver IIIll Glril tcr equilibrado.

Poderá LOrnar~se um líder cri!\tàn seguro de si e possuidor el<: Ulll

bom-senso de oriclllí.l\,;\O. NÃO PODE SA I R DE CASA? -

o Serv iço VOIUIl I{lrio dos .I(I"cns Adw; ll tistas necessita de jo"ens
inteligemes, cheios de c nergia, e dedicados p;lra se r virern como

voluntários. Pessoas CO IIIO voce. Sc

por a lguma raz:lo você nflO puder sa ir

de casa este aliO. lembre-se qu e

poderá contribuir COI1l ii sua própria

igreja, comu llidade. ou país. Emre

cm contato COIll o Oepanamemo dos r\'linislerios da Igreja da SlIiI

Divisão h(~j c mesmo e descubra rlluilo mais aCCI'Gl de COlllO

participar do Scrvi(o Voluntário dosJ()ve ns Adventistas.

SERViÇO VOLUNTÁR IO DOSJOVf.NS ADVENTISTAS


Oepanamemo dos Ministi;rios da Igrt:ja