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Um projeto educacional viável. Iniciativa de sucesso dos alunos do ITA.
CASD DICAS –Vale Paraibano
Química
Neste artigo abordaremos um assunto presente no dia-a-dia de todos nós: as soluções. Na
natureza, raramente nos deparamos com substâncias puras. O ambiente que nos rodeia é constituído por
sistemas formados por mais de uma substância: as misturas.
Solução é a denominação dada ao sistema em que uma substância está distribuída ou
disseminada numa segunda substância sob a forma de pequenas partículas.
No entanto, o conceito acima citado ainda engloba um vasto campo, de modo que podemos
classificar as soluções, segundo vários critérios diferentes. Levando em consideração o tamanho das
partículas dispersas, temos a seguinte classificação:
• solução verdadeira: formada por moléculas ou íons isolados dispersos num solvente. O
tamanho das partículas é inferior a 1 nm (nanômetro). Como exemplos temos a solução de sal em água,
a solução de açúcar em água e a solução de enxofre em sulfeto de carbono.
• solução coloidal: apresentam agregados de moléculas ou íons, macromoléculas ou
macroíons, dispersos num solvente. O tamanho das partículas varia de 1 nm à 100 nm. Entre os
exemplos podemos citar a solução de amido em água.
• solução grosseira: neste caso temos que o tamanho das partículas dispersas é maior
que 100nm. Exemplo: solução de AgCl em água, ou solução de S8 em água.
A partir da classificação dada acima passaremos a chamar solução verdadeira simplesmente de
solução, uma mistura homogênea de duas ou mais espécies de substâncias. È comum denominar
solvente o componente em maior quantidade e soluto o outro componente. A água, entretanto, é
sempre considerada como solvente, não importando a proporção desta na solução. Por isso é
denominada de solvente universal. As soluções que nos recordamos com facilidade são soluções que
têm um líquido como solvente. Entretanto, outras soluções não possuem solvente líquido, por exemplo, o
ar que respiramos, as ligas metálicas, entre outras.
É interessante ressaltar que nas soluções que são aquosas não é necessário citar o solvente. Já
nas soluções em que o solvente é uma substância diferente da água, o mesmo deverá ser citado.

Solubilidade:
Ao prepararmos uma solução, isto é, ao dissolver um soluto em um dado solvente, as moléculas
ou os íons do soluto separam-se, permanecendo dispersos no solvente. Assim, definimos a solubilidade
como sendo a propriedade que as substâncias têm de se dissolverem espontaneamente numa outra
substância denominada soluto.
Substâncias diferentes se dissolvem em quantidades diferentes, numa mesma quantidade
de solvente, na mesma temperatura.
Desta forma, chamamos de solução saturada, como a que contém a máxima quantidade de
soluto numa dada quantidade de solvente, a uma determinada temperatura; essa quantidade máxima é
denominada coeficiente de solubilidade.
O coeficiente de solubilidade geralmente é expresso em gramas por 100 ou 1000 gramas do
solvente. Se o coeficiente de solubilidade for baixo, diz-se que a substância é insolúvel. Por exemplo: o
coeficiente de solubilidade do AgCl é de 0,0014 g / 100g de água a 20º C, ou seja, na temperatura
apresentada, muito pouco do cloreto de prata se dissolve, a maior parte permanece como precipitado no
fundo do recipiente.
Mas como saber que este ou aquele composto se dissolve em determinado solvente?
Observando algumas experiências, constatamos que as substâncias inorgânicas se dissolvem
em água. No entanto, substâncias orgânicas não se dissolvem em água, com exceção dos sais, ácidos e
álcoois. As substâncias orgânicas, porém, se dissolvem em solventes orgânicos, tais como gasolina,
CCl4, benzeno, entre outros. Observando, então, as polaridades dos compostos misturados, chegamos à
uma conclusão importante:
"Uma substância tende a se dissolver em solventes quimicamente semelhantes a ela."
Em outras palavras:
"Uma substância polar se dissolve num solvente polar; uma substância apolar se dissolve
num solvente apolar."
Outras “regras” estabelecem dados verificados em laboratório, que auxiliam na verificação de
quais compostos são ou não solúveis, em especial na água. Vejamos uma esquematização abaixo:
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• Sempre são solúveis os compostos de metais alcalinos, amônio, nitratos e acetatos.

Compostos Solubilidade Observações


Óxidos de metais alcalinos e Reagem com água e formam
a
alcalino-terrosos bases
Reagem com água e formam
Óxidos de não-metais a
ácidos
Óxidos de outros elementos Insolúveis a
Ácidos Solúveis a
Bases de metais alcalinos Solúveis É também solúvel o NH4OH
Bases de metais alcalino- Parcialmente
a
terrosos Solúveis
Bases de outros metais Insolúveis a
Sais: Nitratos, Cloratos,
Solúveis a
Acetatos.
2+
Sais: Cloretos, Brometos, São insolúveis: Ag, Cu, Hg2 ,
Solúveis 2+
Iodetos. Pb , HgI2 e BiI3
2+ 2+ 2+
São insolúveis: Ca , Sr , Ba e
Sais: Sulfatos Solúveis 2+
Pb
São solúveis os sulfetos de
Sais: Sulfetos Insolúveis
metais alcalinos e NH4+
São solúveis os sais de metais
Outros ânions Insolúveis 4+
alcalinos e NH

Curvas de solubilidade:
Chamamos de curva de solubilidade o gráfico
correspondente à solubilidade de uma substância em
função da temperatura.
No gráfico apresentado, observamos curvas de
solubilidade de diversos sais em g / 100g de H2O,
conforme indicado pela legenda em um dos eixos.
Alguns sais apresentam curvas ascendentes,
que representam substâncias cujo coeficiente de
solubilidade aumenta com o aumento da temperatura.
Podemos afirmar, neste caso, que a dissolução é
endotérmica, ou seja, absorve calor.
O contrário é observado em curvas
descendentes, ou seja, a dissolução é exotérmica,
libera calor.
Ouro tipo de curva, são as que possuem pontos
de inflexão. Estas representam substâncias que sofrem
modificações em sua estrutura com a variação de
temperatura. O Na2SO4, conforme podemos verificar no
gráfico, até a temperatura de 32,4ºC, apresenta em sua
estrutura dez moléculas de água, em temperatura acima
de 32,4º o sulfato de sódio perde suas moléculas de
“água de cristalização” e a curva de solubilidade sofre
uma inflexão.
Figura 1
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Assim com base no gráfico, quais sais têm dissoluções exotérmicas, endotérmicas ou
apresentam pontos de inflexão? Tente responder!
Ainda podemos classificar as soluções como:
• Solução insaturada: aquela em que a quantidade de soluto solubilizada é inferior a
quantidade estipulada pelo coeficiente de solubilidade. Graficamente são os pontos abaixo da curva.
• Solução saturada: são os pontos sobre a curva de solubilidade, conforme definição dada
anteriormente.
• Solução supersaturada: aquela em que a quantidade solubilizada do soluto é maior que
a estipulada pelo coeficiente de solubilidade.

Unidades de concentração:
Concentração é a denominação dada a qualquer relação entre a quantidade de soluto e
solvente, ou entre a quantidade de soluto e solução. Entre as expressões matemáticas utilizadas é
importante citar:
• Concentração comum: relação entre a massa do soluto em gramas (m1), e o volume da
solução (V) em litros (L) ou mililitros (mL).
• Concentração em massa ou título: é a razão entre a massa de soluto (m1) e a massa
da solução (m). O título é uma grandeza adimensional, ou seja, sem unidades.
• Molaridade: é a razão entre o número de mols de soluto (n1) e o volume de solução (V)
dado em litros.
• Molalidade: é a razão entre o número de mols de soluto (n1) e a massa do solvente (m2),
dada em Kg.
• Fração molar: é a relação entre o número de mols do componente (soluto ou solvente) e
o número total de mols da solução.
• Densidade: é a razão da massa da solução pelo volume da solução, dada em L ou mL.
OBS: Não é necessário decorar inúmeras expressões matemáticas, mas sim saber os conceitos
relacionados acima de forma a retirar as conclusões necessárias.

Diluição de soluções:
Diluir uma solução significa diminuir a sua concentração. O procedimento mais simples,
geralmente aplicado para diluir uma solução, é a adição de solvente à solução.
Na diluição de soluções, a massa de soluto, inicial e final, é a mesma, somente o volume é maior, logo, a
concentração da solução será menor. Como a massa de soluto permanece inalterada durante a diluição,
pode-se escrever:
C1V1 = C2V2
Em termos de molaridade, obtemos:
M1V1 = M2V2

Mistura de soluções:
Na mistura de soluções, a massa total do soluto e o volume da solução final é igual à soma das
massas dos solutos e dos volumes das soluções que foram misturadas.

Solução 1 Solução 2 Solução final


m1 = massa de soluto m2 = massa de soluto mr = m1 + m2
M1 = molaridade M2 = molaridade Mr = ?
C1 = concentração C2 = concentração Cr = ?

Quando as misturas ocorrem entre solutos diferentes, que não reagem entre si, ocorre apenas a
diluição de ambos os solutos, uma vez que o volume total aumenta. Se os solutos reagem entre eles, a
mistura das soluções deve ser observada como reação química. O cálculo das concentrações é feito de
modo semelhante aos cálculos estequiométricos.

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Questões de vestibulares:

1. (Fuvest – 2005) Industrialmente, o clorato de sódio é produzido pela eletrólise da salmoura* aquecida,
em uma cuba eletrolítica, de tal maneira que o cloro formado no ânodo se misture e reaja com o hidróxido
de sódio formado no cátodo. A solução resultante contém cloreto de sódio e clorato de sódio.
2NaCl(aq) + 2H2O(l) → Cl2(g) + 2NaOH(aq) + H2(g)
3Cl2(g) + 6 NaOH(aq) → 5 NaCl(aq) + NaClO3(aq) + 3H2O(l)

Ao final de uma eletrólise de salmoura, retiraram-se da cuba


eletrolítica, a 90ºC, 310 g de solução aquosa saturada tanto de cloreto
de sódio quanto de clorato de sódio. Essa amostra foi resfriada a
25ºC, ocorrendo a separação de material sólido.
a) Quais as massas de cloreto de sódio e de clorato de sódio
presentes nos 310 g da amostra retirada a 90ºC? Explique.
b) No sólido formado pelo resfriamento da amostra a 25ºC, qual o
grau de pureza (% em massa) do composto presente em maior
quantidade?
c) A dissolução, em água, do clorato de sódio libera ou absorve calor?
Explique.

* salmoura = solução aquosa saturada de cloreto de sódio

Figura 2
2. (Fuvest – 2003) Uma enfermeira precisa preparar 0,50L de soro que contenha 1,5 x 10-2 mol de KCl e
-2
1,8 x 10 mol de NaCl, dissolvidos em uma solução aquosa de glicose. Ela tem à sua disposição
-2
soluções aquosas de KCl e NaCl de concentrações, respectivamente, 0,15 g/mL e 0,60 x 10 g/mL. Para
isso, terá que utilizar x mL da solução de KCl e y mL da solução de NaCl e completar o volume, até
0,50L, com a solução aquosa de glicose. Os valores de x e y devem ser, respectivamente,
2
a) 2,5 e 0,60 x 10
2
b) 7,5 e 1,2 x 10
2
c) 7,5 e 1,8 x 10
2
d) 15 e 1,2 x 10 Dados: massa molar (g/mol)
2
e) 15 e 1,8 x 10 KCl ...............75
NaCl .............59

3. (Fuvest – 2002) Quando o composto LiOH é dissolvido em água, forma-se uma solução aquosa que
+ −
contém os íons Li (aq) e OH (aq). Em um experimento, certo volume de solução aquosa de LiOH, à
temperatura ambiente, foi adicionado a um béquer de massa 30,0 g, resultando na massa total de 50,0 g.
Evaporando a solução até a secura, a massa final (béquer + resíduo) resultou igual a 31,0 g. Nessa
temperatura, a solubilidade do LiOH em água é cerca de 11 g por 100 g de solução. Assim sendo, pode-
se afirmar que, na solução da experiência descrita, a porcentagem, em massa, de LiOH era de
a) 5,0 %, sendo a solução insaturada.
b) 5,0 %, sendo a solução saturada.
c) 11%, sendo a solução insaturada.
d) 11%, sendo a solução saturada.
e) 20%, sendo a solução supersaturada.

Gabarito:
1. a) As massas de NaCl e NaClO3 valem, respectivamente, 40g e 170g.
b) Grau de pureza de 94,6%
c) A solubilidade do NaClO3 é favorecida pelo aquecimento. Logo a dissolução é endotérmica
2. c
3. a
Rafael Cipriano Torres
Plantonista de Química do CASD Vestibulares
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Literatura

LITERATURA EM ALGUNS VESTIBULARES

O vestibular da VUNESP comporta uma prova específica de Português composta por 10


questões dissertativas e uma redação. Não há divulgação de lista de leitura obrigatória, mas textos
literários são utilizados em questões de Literatura, Interpretação de Textos e Gramática. Entretanto, isso
não gera tantas dificuldades, já que os fragmentos de interesse são reproduzidos na prova.
A prova de Português do ITA tem uma proposta de redação e 25 questões (20 testes e 5
questões dissertativas), dentre as quais em torno de 7 referem-se a Literatura. O ITA também não divulga
lista de leitura obrigatória, mas exige conhecimento prévio das obras mais importantes de cada escola
literária. Vale também ressaltar que só é cobrada Literatura Brasileira.
O exame da FUVEST tem duas fases. Até o vestibular 2006, a 1ª fase tinha 20 testes de
Português, sendo que uns 5 eram sobre Literatura. A 2ª fase tem 10 questões dissertativas e, em geral, 4
delas abordam Literatura. A FUVEST costuma restringir a parte de Literatura às obras cobradas,
relacionando-as entre si e com movimentos literários.
O vestibular da UNICAMP também é composto de duas fases. Na 1ª fase, a prova de Português
exige apenas uma redação. Na 2ª fase, são 12 questões dissertativas de Português, sendo que metade
delas cobram análise de poemas e os livros da lista de leitura obrigatória.

LISTA DE LEITURA OBRIGATÓRIA PARA O VESTIBULAR 2007 DA FUVEST E UNICAMP:


1. Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.
2. Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
3. Iracema, de José de Alencar.
4. A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós.
5. Dom Casmurro, de Machado de Assis.
6. Poemas Completos de Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa.
7. A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade.
8. Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
9. Sagarana, de Guimarães Rosa.

OS MOVIMENTOS LITERÁRIOS

TROVADORISMO EM PORTUGAL
O movimento literário, ocorrido na Era Medieval, foi marcado pela música, já que os poemas
eram compostos para que fossem cantados em saraus e festas populares. Por isso, as trovas ficaram
conhecidas como cantigas e foram divididas em 4 tipos: cantigas de amigo, cantigas de amor, cantigas
de escárnio e cantigas de maldizer.

HUMANISMO EM PORTUGAL
Gil Vicente, grande teatrólogo da época, reflete bem a época de transição entre o pensamento
dogmático do medievalismo e o pensamento antropocêntrico do Renascimento: baseadas na moral
cristã, suas peças criticavam racionalmente as corrupções da sociedade. O teatro vicentino é
caracterizado pelo humor crítico e pela rusticidade de produção.

CLASSICISMO
Em Portugal, o Classicismo é representado por Camões, autor de célebres sonetos e da grande
epopéia Os Lusíadas, que narra a viagem de Vasco da Gama às Índias. No Brasil, fala-se em
Quinhentismo, pois a literatura de catequese e de informação da época do descobrimento não chegam a
constituir um movimento literário brasileiro.

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BARROCO
O homem barroco oscila entre os prazeres materiais e a religiosidade, por isso, seu tema
principal é o conflito. Em Portugal, o Pe. Antônio Vieira escreve sermões conceptistas. No Brasil, nosso
primeiro grande escritor, Gregório de Matos, divide-se entre a poesia lírica e a poesia satírica.

ARCADISMO
Como reação ao desequilíbrio barroco, o Arcadismo louva a vida tranqüila e amena dos pastores
nos campos. Porém, a temática repetitiva do movimento cria clichês e o torna superficial. Bocage, escritor
lusitano, acaba rompendo com os valores árcades e desenvolve textos pré-românticos. No Brasil, Tomás
Antônio Gonzaga também deixa transparecer sua angústia em Marília de Dirceu.

ROMANTISMO
O movimento é marcado pelo subjetivismo e pelo sentimentalismo exagerado, mas cada geração
apresenta características próprias. Tanto em Portugal quanto no Brasil, temos uma 1ª geração
nacionalista, uma 2ª geração infectada pelo “mal do século” e uma 3ª que já representa transição para o
Realismo (no Brasil, essa é a geração condoreira, ainda romântica mas voltada para os problemas
sociais). Destacam-se o lusitano Camilo Castelo Branco e os brasileiros José de Alencar, Gonçalves
Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Castro Alves.

REALISMO / NATURALISMO
Ambas as escolas contestam o extremo individualismo e sentimentalismo romântico e voltam-se
para a análise social e psicológica. O Naturalismo ainda tenta estabelecer, baseado em teorias
científicas, relações de causas e conseqüências para os problemas da sociedade. Eça de Queirós monta
um vasto painel da sociedade portuguesa, criticando seus vícios. No Brasil, Machado de Assis atinge alto
nível reflexivo, tornando-se um dos grandes escritores do mundo com obras como Memórias Póstumas
de Brás Cubas e Dom Casmurro, e Aluísio Azevedo escreve a obra naturalista O Cortiço.

PARNASIANISMO NO BRASIL
Sua principal característica é o culto da forma (arte pela arte). Os parnasianos são extremamente
rigorosos na composição de seus textos e buscam sempre a perfeição formal do poema. O principal
poeta aqui é Olavo Bilac.

SIMBOLISMO
Contrariando a atitude descritivista e impessoal dos parnasianos, os simbolistas buscam a
subjetividade e a sugestão de temas por meio de metáforas, símbolos e sinestesias. Em Portugal,
destaca-se Camilo Pessanha e, no Brasil, Cruz e Sousa.

PRÉ-MODERNISMO NO BRASIL
Não existia uma escola literária bem definida nas duas primeiras décadas do século XX, mas
uma mistura entre movimentos já existentes e novas formas de expressão. Por isso, o termo Pré-
Modernismo. Nessa época, temos escritores como Monteiro Lobato, Lima Barreto – autor de Triste Fim
de Policarpo Quaresma –, Euclides da Cunha – autor de Os Sertões – e Augusto dos Anjos.

MODERNISMO
As vanguardas européias (Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo, Expressionismo, Cubismo, etc.)
levaram à liberdade de criação artística, o que deu origem a uma literatura inovadora. Fernando Pessoa,
em Portugal, desdobrou-se em heterônimos e escreveu poemas geniais, demonstrando imenso
conhecimento da alma humana. No Brasil, o movimento divide-se em três momentos. Manuel Bandeira,
Oswald de Andrade e Mário de Andrade foram os grandes nomes da Semana de Arte Moderna e da 1ª
geração, que, preocupada em destruir a concepção parnasiana de arte, abandonou a rigidez formal e
incorporou o cotidiano na poesia. Na 2ª geração, a poesia (Drummond, Murilo Mendes, Cecília Meireles,
etc.) trata da condição humana e a prosa (Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, etc.) trata
de temáticas regionalistas. Por fim, Clarice Lispector e Guimarães Rosa trazem inovações estéticas como
o uso de fluxo de consciência e a recriação da língua, respectivamente.

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Questões de vestibulares:

1.(PUC) O lirismo é uma das vertentes da poesia camoniana e perpetua o poeta na história da
sensibilidade humana. Desse lirismo é incorreto afirmar que
a) se mostra em sonetos, cujos versos são marcados pelo "doce estilo novo", trazido do Renascimento
italiano por Sá de Miranda.
b) dialoga com a sensibilidade e com a inteligência do leitor, mas é possível separar nele emoção e
razão, já que o desconcerto amoroso inexiste neste gênero poético camoniano.
c) se expressa em sonetos de construção racional e que combinam com o estilo de Camões, que é não
apenas de confissão afetiva, mas questionador da própria emoção.
d) apresenta tensão entre os chamados do amor físico, isto é, os desejos e as paixões, e os do amor
platônico, ou seja, o vislumbre do transcendental e a busca da unidade divina do ser no reino das idéias.
e) desenvolve pluralidade de temas, como a transitoriedade da vida, a fugacidade do tempo e da beleza,
a precariedade do destino, a necessidade de fruir o instante que passa e o desconcerto do mundo.

2. (FUVEST)

Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os
que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair são os
que se contentam com pregar na pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a
seara em casa, pegar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a
semeadura, e hão-lhes de contar os passos. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! Os de cá, achar-vos-ei
com mais Paço; os de lá, com mais passos ...

Essa passagem é representativa de uma das tendências típicas da prosa seiscentista, a saber:
a) o Sebastianismo, isto é, a celebração do mito da volta de D. Sebastião, rei de Portugal, morto na
batalha de Alcácer-Quibir.
b) A busca do exotismo e da aventura ultramarina, presentes nas crônicas e narrativas de viagem.
c) A exaltação do heróico e do épico, por meio das metáforas grandiloqüentes da epopéia.
d) O lirismo trovadoresco, caracterizado por figuras de estilo passionais e místicas.
e) O Conceptismo, caracterizado pela utilização constante dos recursos da dialética.

3. (UNIFESP) Leia os versos do poeta português Bocage.

Vem, oh Marília, vem lograr comigo


Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.

Deixa louvar da corte a vã grandeza;


Quanto me agrada mais estar contigo,
Notando as perfeições da Natureza!

Nestes versos,
a) o poeta encara o amor de forma negativa por causa da fugacidade do tempo.
b) a linguagem, altamente subjetiva, denuncia características pré-românticas do autor.
c) a emoção predomina sobre a razão, numa ânsia de se aproveitar o tempo presente.
d) o amor e a mulher são idealizados pelo poeta, portanto, inacessíveis a ele.
e) o poeta propõe, em linguagem clara, que se aproveite o presente de forma simples junto à natureza.

4. (MACK) Assinale o comentário crítico adequado a Manuel Antônio de Almeida.


a) Suas obras tanto focalizam heróis míticos em paraísos selvagens, quanto apresentam figuras de
donzelas e mancebos nos salões da Corte ou em passeios na Tijuca.
b) Na caracterização das personagens, a adjetivação abundante e o léxico elegante e ameno comprovam
que o autor não fugiu às convenções da prosa de seu tempo.

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c) Nesse romance histórico, a vida de “homens comuns” propicia que o autor realize uma crítica
emocional, manifestamente voltada à valorização dos costumes da aristocracia.
d) Longe de qualquer traço idealizante, o método mais realista de composição, próximo de uma crônica
histórica, define de modo meio caricatural vários tipos populares.
e) A exaltação dos costumes, linguagem e vida simples do homem brasileiro convive, nesse autor, com a
defesa de um moralismo que rejeita todo comportamento oportunista.

5. (USF-SP) Pode-se entender o Naturalismo como uma particularização do Realismo que:


a) se volta para Natureza a fim de analisar-lhe os processos cíclicos de renovação.
b) pretende expressar com naturalidade a vida simples dos homens rústicos nas comunidades primitivas.
c) defende a arte pela arte, isto é, desvinculada de compromissos com a realidade social.
d) analisa as perversões sexuais, condenando-as em nome da moral religiosa.
e) estabelece um nexo de causa e efeito entre alguns fatores sociológicos e biológicos e a conduta das
personagens.

6. (F. Carlos Chagas - SP) Os poetas representativos da escola parnasiana defendiam:


a) o engajamento político nas causas históricas da época, fazendo delas matéria para uma poesia
inflamada e eloqüente.
b) a idéia de que a livre inspiração é a garantia maior de que o poema corresponde à expressão direta
das emoções mais profundas.
c) a simplicidade da arte primitiva, razão pela qual buscavam os temas bucólicos e uma linguagem
próxima da fala rústica dos camponeses.
d) o abandono das formas fixas, criando, portanto as condições para o posterior surgimento dos poemas
em verso livre do Modernismo.
e) a disciplina do artista e o trabalho artesanal com a linguagem, de modo a resultar uma obra adequada
aos padrões de uma estética clássica.

7. (VUNESP) Assinale a alternativa em que se caracteriza a estética simbolista.


a) Culto do contraste, que opõe elementos como amor e sofrimento, vida e morte, razão e fé, numa
tentativa de conciliar pólos antagônicos.
b) Busca do equilíbrio e da simplicidade dos modelos greco-romanos, através, sobretudo, de uma
linguagem simples, porém nobre.
c) Culto do sentimento nativista, que faz do homem primitivo e sua civilização um símbolo de
independência espiritual, política, social e literária.
d) Exploração de ecos, assonâncias, aliterações, numa tentativa de valorizar a sonoridade da linguagem,
aproximando-a da música.
e) Preocupação com a perfeição formal, sobretudo com o vocabulário carregado de termos científicos, o
que revela a objetividade do poeta.

8. (FUVEST)

MACUMBA DE PAI ZUSÉ


Na macumba do Encantado
Nego véio pai de santo fez mandinga
No palacete de Botafogo
Sangue de branca virou água
Foram vê estava morta!

É correto afirmar que, neste poema de Manuel Bandeira,


a) emprega-se a modalidade do poema-piada, típica da década de 20, com o fim de satirizar os costumes
populares.
b) usam-se os recursos sonoros (ritmo e metro regulares, redondilha menor) para representar a cultura
branca, e os recursos visuais (imagens, cores), para caracterizar a religião afro-brasileira.
c) mesclam-se duas variedades lingüísticas: uma que se aproxima da língua escrita culta e outra que
mimetiza uma modalidade da língua oral-popular.
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d) manifesta-se a contradição entre dois tipos de práticas religiosas, representadas pelas oposições
negro x branco, macumba x pai de santo, nego véio x Encantado.
e) expressa-se a tendência modernista de encarar a cultura popular como manifestação do atraso
nacional, a ser superado pela modernização.

9. (ITA) O poema abaixo, de autoria de Cecília Meireles, faz parte do livro Viagem, de 1939.

Epigrama 11
A ventania misteriosa
passou na árvore cor-de-rosa,
e sacudiu-a como um véu,
um largo véu, na sua mão.
Foram-se os pássaros para o céu.
Mas as flores ficaram no chão.
(MElRELES, Cecília. Viagem/Vaga Música. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.)

Esse poema
I. mostra uma certa herança romântica, tanto pelo teor sentimental do texto como pela referência à
natureza.
II. mostra uma certa herança simbolista, pois não é um poema centrado no “eu”, nem apresenta excesso
emocional.
III. expõe de forma metafórica uma reflexão sobre algumas experiências difíceis da vida humana.
IV. é um poema bastante melancólico por registrar de forma triste o sofrimento decorrente da perda de
um ente querido.
Estão corretas as afirmações
a) I e III.
b) I, III e IV.
c) II e III.
d) II, III e IV.
e) II e IV.

10. (MACK) Assinale a alternativa correta sobre o autor Graciliano Ramos.


a) Embora pertencendo à segunda geração modernista, seu estilo narrativo caracteriza-se por uma
linguagem metafórica e prolixa.
b) Escreveu Vidas secas, obra em que o retirante Fabiano abandona sua família para atuar como
militante político.
c) Na obra S. Bernardo questiona valores da sociedade capitalista que levam à reificação da vida
humana.
d) É conhecido pelos romances de temática regionalista que compõem o chamado ciclo da cana-de-
açúcar.
e) Contemporâneo de Jorge Amado, notabilizou-se pela criação de personagens típicos da região
cacaueira da Bahia.

GABARITO:
1. B 2.E 3.E 4.D 5.E 6.E 7.D 8.C 9.A 10.C

Maria Cláudia Ferraz


Professora de Literatura do CASD Vestibulares

Transformando seus sonhos em conquista!


Porque as grandes idéias eram sonhos no início...