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TEMA 1

FISIOLOGIA DIGESTIVA E COMPORTAMENTO ALIMENTAR DE CÃES E


GATOS
Conhecer o aparelho digestivo é muito importante no estudo da nutrição devido a
estreita relação existente entre o trato gastrointestinal (TGI) e a utilização dos alimentos
e nutrientes.
As funções primárias do TGI e seus órgãos acessórios são a digestão e absorção
de nutrientes essenciais aos processos metabólicos dos animais.
Os cães e gatos são anatomicamente carnívoros e seu trato digestivo pode ser
considerado como um tubo oco, curto e relativamente simples, havendo porções que se
diferenciam por sua estrutura e por sua função. Os dentes caninos são bem desenvolvidos,
adaptados ao tipo de alimentação de um carnívoro. Sua digestão é principalmente
enzimática, com mínima digestão microbiana (ceco pouco desenvolvido), com ação
digestiva orientada principalmente para digestão de proteínas e gorduras.
Em termos gerais os cães e gatos apresentam características fisiológicas
digestivas, com relação a enzimas, processos de digestão e absorção, muito semelhantes
a outras espécies de estômago simples não herbívoras, embora apresentem diferenças
quanto a capacidade do aparelho digestivo.
Antes de se chegar as necessidades nutricionais dos animais é preciso considerar
o processo de quebra e absorção dos grandes compostos (carboidratos, lipídios e
proteínas). O processo de digestão desdobrará essas grandes moléculas de modo que
possam ser então absorvidas e utilizadas pelo animal para mantença e produção.
A digestão pode ser mecânica e química ou enzimática. A primeira consiste na
mastigação, mistura e movimento do alimento no TGI. A segunda consiste na quebra das
ligações químicas dos nutrientes por hidrólise.
Todo esse processo de digestão e absorção começa com a apreensão dos alimentos
e termina com a excreção fecal das partículas não digeridas.
BOCA
A boca é a primeira porção do canal alimentar. Está limitada lateralmente pelas
bochechas, dorsalmente pelo palato, ventralmente pelo corpo da mandíbula e pelos
músculos milo-hióides e caudalmente pelo palato mole.
O tamanho e o formato da boca variam grandemente entre diferentes raças de cães
sendo a cavidade, em algumas raças, longa e estreita, e, em outras curta e larga.
Os órgãos anexos são os lábios, os dentes, língua e glândulas salivares.
Os lábios no geral têm a função de apreensão do alimento, mas nos cães e gatos
este processo é frequentemente executado pelos membros anteriores. Eles agarram e
seguram suas presas com os dentes (caninos e incisivos) e rasgam ou mordem pedaços de
alimento, enquanto as extremidades anteriores são parcialmente utilizadas para segurar.
Através de movimentos de cabeça e mandíbula, o alimento é levado para dentro da
cavidade oral e, no caso do cão, é engolido sem mastigação prévia. Alimentos pastosos e
líquidos são apreendidos com a língua.
Os carnívoros utilizam a língua para a ingestão de líquidos. Os cães dão forma de
colher à extremidade anterior da língua e, assim, transportam os líquidos para a cavidade
bucal. No gato, o líquido permanece retido entre as inúmeras papilas da língua e é levado
à cavidade oral, quando a língua é recolhida novamente.
Após a ingestão o alimento é mastigado e nesse momento ocorre a mistura com a
saliva que atua como lubrificante facilitando a mastigação e a deglutição. Os cães e gatos
normalmente deglutem grandes bolos de alimento com pouca ou nenhuma mastigação.
Nos gatos a mastigação permite uma decomposição mecânica do alimento, mas os cães
praticamente devoram seu alimento sem mastigar. No entanto, se o alimento é duro, os

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cães e gatos têm a dentição apropriada para um comportamento carnívoro, e são bem
equipados para rasgar, abocanhar e mastigar.
A massa dentária superior é mais larga do que a inferior e a mastigação ocorre em
apenas um lado de cada vez, em plano vertical, apenas cortando e esmagando o alimento,
produzindo uma ação de cisalhamento.
A oclusão normal dos cães e gatos é a mordida em “tesoura”; os incisivos
maxilares devem sobrepor-se levemente aos incisivos mandibulares, a fim de que os
incisivos mandibulares encontrem os incisivos maxilares no cíngulo do incisivo maxilar
Os cães e gatos não possuem dentes ao nascer. Os incisivos começam a irromper
com duas semanas de idade e toda a dentição decídua está normalmente presente por volta
de 8 semanas de idade. Ocorrem variações no tipo de erupção entre diferentes raças, com
a erupção nas raças de porte grande tendendo a começar alguns dias mais cedo que nas
raças de porte menor. A erupção dos dentes permanentes se inicia ao 3 meses de idade e
está completa aos 7 meses.
O gato não possui o 1° pré molar maxilar e o 1° e o 2° pré-molares mandibulares.
As fórmulas dentárias decíduas e permanentes do cão e do gato são:
Decídua do Cão 2(I3/3, C1/1, P3/3) = 28 dentes
Decídua do Gato 2(I3/3, C1/1, P3/2) = 26 dentes
Permanente do Cão 2(I3/3, C1/1, P4/4, M2/3) = 42 dentes
Permanente do Gato 2(I3/3, C1/1, P3/2, M1/1) = 30 dentes

Como podemos observar os cães e gatos possuem o mesmo número de incisivos


e caninos, mas a boca do cão contém mais pré-molares e molares do que o gato. Estes
dentes associam-se ao aumento de mastigação e esmagação do alimento, o que é
indicativo de uma dieta com maior conteúdo de matéria vegetal. Portanto a dentição do
cão é mais sugestiva de uma dieta mais onívora que a dentição dos gatos, que é mais típica
do padrão observado entre os carnívoros. Mesmo sendo ambos carnívoros, o cão evoluiu
até consumir uma dieta mais onívora que a do gato.
A língua possui as funções de preensão, mistura e deglutição do alimento. Nela
encontram-se as papilas gustativas, responsáveis pelo paladar.
As glândulas salivares, parótidas, submaxilares e sublinguais, secretam a saliva,
composta de água, mucina, lisozima e íons. A visão e o cheiro estimulam a produção de
saliva pelas glândulas salivares.
Nos cães, a secreção salivar tem uma função especial na termorregulação através
do aumento da secreção das glândulas parótidas, permitindo perda de calor por
evaporação.
A deglutição transfere o alimento da boca para o esôfago, um tubo relativamente
curto, que se comunica com o estômago.
O esôfago é relativamente largo e dilatável, exceto em sua origem, o lúmen
faringoesofágico, onde há uma constrição. Constituído de tecido muscular estriado,
apresentando glândulas tubualveolares em toda submucosa esofágica.
As células da mucosa do esôfago secretam muco, lubrificando suas paredes,
facilitando a passagem do alimento e evitando danos mecânicos em seus tecidos. Não há
secreção de enzimas.
A presença do alimento estimula o peristaltismo, que empurra o alimento para o
estômago. Através de ondas peristálticas o alimento dirige do esfíncter esofagiano
superior para o inferior. A força da onda peristáltica nos carnívoros é bastante elevada
permitindo uma maior facilidade na deglutição de grandes pedaços de carne e ossos.
A deglutição inicia-se com o movimento da língua para cima, até entrar em
contato com o palato duro e, em seguida, desloca-se par trás, forçando o alimento que

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está na boca em direção à faringe. À medida que o alimento passa pelas fauces, receptores
sensoriais, situados nessa região transmitem sinais para o tronco cerebral, a fim de
provocar o reflexo da deglutição. Esse reflexo, por sua vez, isola a nasofaringe da faringe,
fecha o orifício da passagem para a traqueia, puxa a laringe para a frente, o que abre a
parte superior do esôfago e desencadeia a contração da faringe, que começa na parte
superior do órgão, propagando-se para baixo, o que força a passagem de seu conteúdo
alimentar para o esôfago. Uma vez no esôfago, o alimento distende suas paredes, o que
estimula o plexo mioentérico a produzir ondas peristálticas que forçam o alimento a
passar pelo resto da distância esofagiana para o estômago.
Nos cães o processo de deglutição, ou seja, a passagem do alimento da cavidade
bucal, através da faringe e do esôfago, para o estômago ocorre muito rapidamente.
O cão possui um estômago simples que apresenta a sua forma ideal apenas quando
moderadamente repleto. O fundo e o corpo fundem-se suavemente e são capazes de
grande expansão, enquanto a parte pilórica cilíndrica e de parede espessada é menos capaz
de se dilatar. O cárdia geralmente é amplo e isso pode estar relacionado com a facilidade
com que o cão vomita. O piloro, por outro lado, é estreito e a estenose pilórica não é rara
no animal jovem.
A capacidade do estômago varia de 0,5 a 6,0 litros, com média de 2,5 litros, assim,
é relativamente grande em relação ao tamanho corpóreo.
O estômago simples do cão é relativamente volumoso, revestido com três
principais tipos de tecido: mucosa pilórica, mucosa gástrica própria e mucosa cárdica. Na
mucosa gástrica ocorre a secreção de HCl, pepsinogênio e muco, na região pilórica há
secreção de muco, pouco pepsinogênio e produção de gastrina e na região cárdica, apenas
muco. No estômago ocorre também secreção da lipase gástrica que inicia a digestão de
lipídios.
A secreção de ácido, muco e enzimas depende da quantidade e composição do
alimento no estômago, e está sob controle hormonal e nervoso.
Em animais jovens o pH do estômago é mais alto, entre 3 e 5, permitindo a ação
da quimosina (renina), que atua coagulando as proteínas do leite. Este pH mais elevado é
devido a uma menor produção de HCl nesses animais A presença de microrganismos
desejáveis nesta fase é muito importante para impedir o desenvolvimento desordenado de
flora indesejável, através de competição competitiva. Os principais microrganismos
presentes são os lactobacillus que ajudam na manutenção do pH ideal para digestão
estomacal, através da pequena produção de ácidos graxos voláteis (AGV), fornecendo
ainda, energia para mucosa estomacal.
No suco gástrico do cão há HCl principalmente sob forma livre, na concentração
de 0,5 a 0,6%. O pH varia entre 0,38 e 0,80.
As funções principais do estômago são misturar e armazenar os alimento ingeridos
e iniciar a digestão de proteínas e lipídios. Além disso, na parte distal do estômago ocorre
trituração dos alimentos, aumentando a superfície específica propiciando uma melhor
ação enzimática.
A digestão da proteína inicia-se no estômago, através da ação de HCl e da pepsina.
O HCl, desnatura as proteínas e ativa o pepsinogênio. A pepsina atua como uma
endopeptidase, quebrando as proteínas em pontos internos ao longo das cadeias de
aminoácidos resultando na produção de peptídeos de cadeia curta. No estômago, as
proteínas são desdobradas em proteoses, peptonas e polipeptídeos de cadeia curta.
A digestão da gordura através da lipase estomacal é bem reduzida principalmente
quando comparada com a lipase pancreática. A digestão de ácidos graxos de cadeia curta
(3 a 5 carbonos),ocorre, devido ao baixo pH estomacal, permitindo que o ácido graxo de
cadeia curta fique protonado, hidrofóbico, forma esta de maior eficiência absortiva pela

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mucosa estomacal. Os ácidos graxos de cadeia maior são inicialmente emulsificados no
estômago, devido a intensa mistura e agitação estomacal, quebrando estas moléculas em
glóbulos menores de gordura. No intestino o processo é intensificado pela ação dos sais
biliares. Há formação de micelas que permitem aos lipídios se difundirem pelo lúmen
estomacal e principalmente intestinal. O estômago libera para o intestino, moléculas de
triglicerídeos e ácidos graxos livres.
O esvaziamento gástrico é controlado principalmente, pela resposta ao alimento
que chega ao duodeno. A distensão do duodeno provoca um reflexo mioentérico que atua
sobre o estômago, reflexo enterogástrico, que inibe as contrações gástricas, ao mesmo
tempo que promove a contrição do esfíncter pilórico, o que impede a saída de qualquer
fração do conteúdo gástrico para o duodeno, até que cesse a distensão duodenal. Esse
reflexo enterogástrico também pode ser desencadeado pela presença de ácido no duodeno,
impedindo o esvaziamento gástrico até que essa acidez seja neutralizada pelas secreções
pancreática e intestinal. Esse mecanismo é muito importante, visto que as secreções
gástricas são fortemente ácidas e capazes de digerir a própria parede duodenal, caso não
sejam neutralizadas.
O tipo de alimento influencia o esvaziamento gástrico (EG). Dieta rica em óleo,
composta principalmente de ácidos graxos de cadeia média a longa, afeta o esvaziamento
gástrico, diminuindo o tempo do esvaziamento, melhorando a digestibilidade. Isto ocorre,
devido a um maior tempo necessário para digestão desse tipo de alimento, afetando a
digestão da dieta como um todo.
A velocidade de esvaziamento gástrico é afetada pela pressão osmótica, pelo
tamanho das partículas e pela viscosidade do quimo, assim como pelo volume e o grau
de acidez gástrica.
Com relação ao intestino delgado, similarmente ao dos outros carnívoros, o
comprimento do ID de cães e gatos é relativamente curto (4 m), tendo talvez três a quatro
vezes o comprimento do corpo, para o que o duodeno contribui, em média, só com 25
cm. Ele ocupa a maior parte da cavidade abdominal caudalmente ao fígado e estômago.
Está claramente dividido em uma parte fixa e uma parte mesentérica. A parte fixa é
denominada de duodeno, enquanto a parte mesentérica é arbitrariamente dividida em
partes denominadas jejuno e íleo.
O duodeno se entende do esfíncter pilórico até aproximadamente 10% do
comprimento do ID. O restante é dividido igualmente em jejuno e íleo.
Nos cães e gatos, os principais mecanismos de digestão e absorção dos
carboidratos solúveis, gorduras e proteínas estão localizados no intestino delgado
proximal.
O intestino delgado possui uma estrutura peculiar, capaz de aumentar inúmeras
vezes a superfície de contato entre a mucosa e os alimentos em trânsito pelo tubo
digestivo, favorecendo assim o processo de absorção. A primeira estrutura que aumenta
a área de absorção são as dobras da mucosa que formam pregas transversais, que
aumentam a área de superfície da mucosa absortiva em cerca de três vezes e se projetam
para a luz intestinal as quais são menos proeminentes no segmento distal do intestino. A
segunda estrutura, são as vilosidades, que são prolongamentos digitiformes, medindo,
cada um, 0,5 a 1,5mm de comprimento e que recobrem a superfície mucosa intestinal em
toda sua extensão. Por último, as vilosidades por si mesmas são recobertas com uma
membrana superficial, a borda em escova, composta de microvilosidades microscópicas
que aumentam ainda mais a área superficial.
A digestão no ID é basicamente enzimática. Quatro secreções estão presentes
nesse local: suco duodenal, bile, suco pancreático e suco entérico.

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O suco duodenal é produzido pelas glândulas de Brunner, é constituído por uma
secreção alcalina que tem a função de lubrificar a mucosa duodenal e protegê-la do HCl
oriundo do estômago.
O pâncreas secreta todas as enzimas necessárias para a digestão das proteínas,
carboidratos, gorduras além de HCO3 responsável pelo controle do pH ideal
principalmente no duodeno. As células exócrinas do pâncreas são organizadas em ácinos.
Cada ácino é drenado por um ducto, cujas células mais proximais são chamadas células
centroacinares. As células acinares são a fonte das enzimas pancreáticas e as células do
ducto proximal e centroacinares são a fonte o fluido rico em bicarbonato.
Quando o quimo atinge o duodeno, com pH extremamente ácido, há liberação do
hormônio secretina, que estimula a secreção de água e HCO3. O bicarbonato reage com o
ácido do quimo neutralizando-o.
A colecistocinina é outro importante hormônio regulador da secreção pancreática,
atuando na presença de lipídeos e proteínas, estimulando a liberação de enzimas
digestivas.
A bile é um fluido produzido continuamente pelo fígado, armazenado na vesícula
biliar e liberada quando solicitada no duodeno. A bile é composta por sais biliares,
pigmentos, e vários produtos residuais do fígado. Seu pH é entre 7,4 –7,9.
No cão e no gato a bile é concentrada durante o seu armazenamento na vesícula,
podendo-se assim, nestes animais, distinguir-se uma bile vesicular e uma hepática. A bile
hepática contém mais água no cão que oscila entre 95,5 a 97,5%. A bile vesicular é mais
densa e apresenta no cão um conteúdo de massa seca até 10 vezes maior do que a bile
hepática.
Os sais biliares ativam as lipases pancreáticas e principalmente atuam na
emulsificação das gorduras. Os sais biliares atuam como ânions, apresentando um grupo
carboxilíco (hidrofílico) e um corpo esteroidal (hidrofóbico). A porção hidrofóbica
penetra na gordura e a porção hidrofílica fica na parte externa da gota lipídica. A retração
das porções, mais a movimentação intestinal faz com que a gota de gordura se rompa
aumentando sua superfície específica para atuação da lipase.
Os sais biliares são absorvidos na partes terminal do íleo para que sejam
reaproveitados na digestão de gorduras, pois o fígado não consegue produzir quantidade
suficiente à demanda.
A secretina, aumenta o conteúdo de bicarbonato e a velocidade de fluxo da bile e
a colescitocinina promove a contração da vesícula biliar e a liberação da bile.
O suco entérico é produzido nas criptas de Lieberkün, e tem como componentes
as enzimas sacarase, maltase, lactase, oligo-1,6-glicosidade, aminopeptidases,
dipeptidases, etc. Estas enzimas estão presentes nas células da mucosa, sendo, por isso,
denominadas enzimas intracelulares.
Os carboidratos da dieta são principalmente amidos, sacarose, lactose e
carboidrato fibroso. A degradação dos carboidratos ocorre em duas etapas:
desdobramento intraluminal e digestão por contato.
A fase luminal da digestão do amido consiste na hidrólise enzimática pela -
amilase pancreática das ligações interiores -1,4 da molécula do amido, para liberar os
produtos finais no lúmen do duodeno. Os produtos finais da digestão são: trissacarídeos
com ligações -1,4 e dissacarídeos (maltotriose e maltose) e um grupo de
oligossacarídeos ramificados que contêm tanto ligações -1,4 e -1,6 e são conhecidas
como -dextrinas limite. Nenhuma glicose livre é formada pela hidrólise da amilase
pancreática. Além disso, a amilase é incapaz de hidrolisar os polímeros da glicose com
ligações .

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Os produtos da digestão luminal dos carboidratos não podem ser absorvidos pela
mucosa e devem ser mais degradados em monossacarídeos.
A fase mucosa é realizada por sacaridases específicas na borda em escova. As
enzimas dessa fase são denominadas de acordo com seus substratos e incluem a maltase,
isomaltase, sacarase, e lactase. Uma -dextrinase ( isomaltase ou oligo-1,6-glicosidade)
rompe as ligações 1,6-glicosídicas ramificadas em maltose e glicose. O produto único da
digestão da maltose e da isomaltose é a glicose, ao passo que, além da glicose, a frutose
e a galactose são produzidas a partir da digestão da sacarose e da lactose, respectivamente.
Todos os polissacarídeos são digeridos a monossacarídeos antes da absorção.
Em carnívoros, alimentados com uma dieta de teor relativamente baixo em fibras,
a maior parte dos carboidratos solúveis é hidrolisada e absorvida antes que o bolo
alimentar atinja a parte terminal do jejuno.
A digestão das proteínas ocorre principalmente no intestino delgado proximal. Há
dois grupos de proteases inativas secretadas pelo pâncreas para dentro do duodeno:
endopeptidases (tripsinogênio, quimotripsinogênio e elastase) e exopeptidases
(carboxipeptidases A e B).
Os principais produtos da hidrólise pancreática da protease são aminoácidos
básicos e neutros e oligopeptídeos que contêm seis aminoácidos ou menos misturados.
Os peptídeos com mais três aminoácidos não podem ser absorvidos no epitélio. A
hidrólise desses oligopeptídeos ocorre na borda em escova tendo como produtos finais
aminoácidos, dipeptídeos e tripeptídeos.
Os lipídeos compõem uma grande porção das dietas dos carnívoros. O lipídeo
dietético primário é o triglicerídeo, que tanto pode ser de fontes vegetais como animais.
Outros lipídeos dietéticos importantes incluem o colesterol de origem animal, ceras de
origem vegetal e fosfolipídeos, tanto de origem vegetal como animal.
A assimilação lipídica pode ser dividida em quatro fases: emulsificação, hidrólise,
formação de micelas e absorção. A fase de emulsificação começa no estômago, sendo
completada no intestino delgado pela ação detergente dos ácidos biliares. As gotículas do
processo de emulsificação sofrem a ação das enzimas hidrolíticas, a lipase e a colipase.
Os produtos da lipase são: dois ácidos graxos livres e um monoglicerídeo, a partir de cada
molécula de triglicerídeo hidrolisada. Esses produtos combinam-se com os ácidos biliares
e fosfolipídeos para formação da micela, que são pequenas agregações hidrossolúveis,
que permitem a difusão dos lipídeos pelo lúmen intestinal .
Os ácidos graxos de cadeia curta e média são hidrossolúveis não necessitando,
portanto, de solubilização micelar, sendo diretamente absorvidos na célula intestinal, o
mesmo ocorrendo com o glicerol.
O conteúdo do ID entra no intestino grosso (IG) pela válvula ileocecal. Pouco do
alimento e da água ingerido na boca chega até o IG; a água é principalmente destinada à
evacuação na forma de fezes.
O intestino grosso tem uma média de cerca de 60 a 75 cm de comprimento. Seu
calibre é aproximadamente igual ao do intestino delgado, não possuindo nem tênias nem
saculações. O ceco tem em média cerca de 12,5 a 15 cm de comprimento.
O intestino grosso não tem vilosidades, então sua superfície de absorção é limitada
e, apesar de ser capaz de retirar um pouco de água e de eletrólitos, não possui nenhum
dos mecanismos de transporte necessários para os nutrientes orgânicos. A água é
absorvida de maneira diferente, passando pelos espaços intercelulares dependendo dos
gradientes. O grau de absorção é afetado pelo estado fluido do organismo, refletido pela
presença ou ausência dos hormônios aldosterona e angiotensina.O íleo e o cólon são
particularmente sensíveis a eles. Há também uma leve ação inibitória da secretina, da
gastrina e da colecistocinina sobre a captação de água.

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O IG tem como funções a digestão microbiana e a reabsorção de água e eletrólitos;
para que essas funções possam ocorrer é necessário um grande volume de líquido com
substâncias tamponantes para neutralizar o pH do líquido luminal, isto porque os produtos
finais da digestão microbiana são liberados na forma ácida.
A digestão no intestino grosso é basicamente fermentativa, uma vez que suas
células são do tipo mucosas não produtoras de enzimas. A digestão da maior parte dos
componentes solúveis já ocorreu no intestino delgado, de modo que somente chega ao
intestino grosso a fibra –celulose, hemicelulose e lignina – e algum material que resistiu
à digestão enzimática no intestino delgado, além do material aprisionado no interior dos
tecidos lignificados.
A fermentação microbiana nos cães é pequena, devido ao trânsito rápido e ao
intestino grosso curto, apresentando pouca importância energética. Entretanto, uma certa
fermentação é necessária para a manutenção da integridade da mucosa intestinal e para
impedir o crescimento de flora indesejável como a de clostrídeos. As vitaminas
produzidas pelos microrganismos (complexo B e vitamina K) podem ser parcialmente
absorvidas e aproveitadas pelos cães, se bem que sejam insuficientes para suprir as
necessidades nutricionais do cão adulto.
Finalmente, as fezes que abandonam o intestino grosso, através do ânus, são
compostas de água, resíduos não digeridos de alimentos, células epiteliais de descamação,
bactérias, sais inorgânicos e muitos produtos da fermentação ocorrida no intestino grosso.
As características das fezes de cães e gatos podem ser afetadas significativamente
pelo tipo e quantidade de matéria indigestível presente na dieta. A digestão bacteriana
desses materiais produz gases, AGV e outros sub-produtos. Proteínas não degradas que
chegam ao IG são atacadas pelos microrganismos produzindo-se as aminas indol e
escatol. Essas substâncias, junto com o gás sulfídrico produzido pela ação das bactérias
sobre os aminoácidos sulfurados que chegaram ao IG dão intenso odor as fezes e aos
gases intestinais.
O grau de flatulência e de odores fecais intensos nos cães e gatos aos quais se
administra material escassamente digerível varia com a quantidade e o tipo de alimento e
com a flora intestinal presente no cólon do animal.

Nutriente Diferença
-Os felídeos possuem um metabolismo único para glicose (maior
semelhança ao metabolismo de ruminantes do que ao de canídeos).
-Cães, fisiológica e metabolicamente, possuem melhor adaptação a
Carboidratos carboidratos que os carnívoros restritos (felinos). Desse ponto de
vista, podem ser considerados onívoros. Estes animais possuem
maior tolerância a carboidratos na dieta - não possuem amilase
salivar mas possuem amilase pancreática.
-Os felinos possuem maior exigência protéica que os cães,
Proteínas e
necessitam de taurina, são extremamente sensíveis à deficiência de
aminoácidos
arginina e são inaptos para a conversão de triptofano para niacina.
-Os felinos possuem uma das enzimas necessárias para a conversão
do ácido graxo essencial linoléico em araquidônico, o que é possível
Lipídios
em cães. Por isso, os felinos necessitam de uma fonte dietética de
araquidônico.
-Os gatos são inaptos para a conversão de betacaroteno em vitamina
Vitaminas A, necessitando de uma fonte de vitamina A pré formada na dieta, o
que não acontece com os cães.

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COMPORTAMENTO INGESTIVO DE CÃES E GATOS

O comportamento ingestivo de cães e gatos está sendo bastante estudado nos


últimos anos, principalmente as preferências alimentares, porém boa parte dessa
informação permanece escondida com os principais fabricantes de ração.
O estudo com cães está mais adiantado que o com gatos, mas guardando as devidas
proporções, podemos considerar as mesmas informações para os felinos.
Examinar a maneira como os ancestrais selvagens do cão e do gato caçavam e
consumiam alimentos pode esclarecer o comportamento alimentar normal que mostram
os animais domésticos. Como já sabemos, embora ambos sejam carnívoros, o gato é um
carnívoro mais estrito que o cão, sendo que o cão se adaptou a uma dieta mais onívora
que o gato. Essa diferença se manifesta em características metabólicas e anatômicas
únicas, assim como nas diferentes maneiras que têm estas duas espécies de obter e ingerir
o alimento.
Os cães comem rapidamente e isso pode ser um problema pois estão mais
predispostos a engasgar ou a engolir muito ar. Caso os cães estejam consumindo muito
rápido devido a facilidade social (comportamento alimentar competitivo), devemos
separa-los na hora de alimentá-los, isso muitas vezes leva a normalização da velocidade
de ingestão. Outras opções seriam utilizar alimentos menos saborosos ou difíceis de
serem consumidos rapidamente (por ex:tamanho dos peletes, textura e nível de umidade
do alimento).
Essa facilidade social pode ajudar a estimular o consumo de um cão que coma
menos. Isso pode ser observado por vários proprietários. Os estudos têm mostrado que
mesmo filhotes consomem mais quando em grupo do que quando sozinhos. Estando o
alimento disponível a qualquer momento, algumas vezes esse comportamento pode ser
mínimo. Mas, sendo os animais alimentados em grupos pode aparecer as relações de
dominação, sendo que os dominantes, normalmente consomem mais alimento que os
dominados, os quais ingerem menos do que necessitam. Algumas sugestões para diminuir
a velocidade de ingestão de alimento pelos cães são: dar alimento menos apetitoso, dar
ração seca aos animais, umedecer o alimento seco antes de oferece-lo, treinar os cães
adultos a só se alimentarem em suas vasilhas e alimentar os filhotes em vários pratos.
Para desespero de muitos proprietários, algumas vezes, os cães apresentam o
comportamento acumulativo de alimento apresentado pelos lobos e passam a enterrar
ossos ou a esconder alimentos cobiçados nos móveis ou embaixo de camas. O pior é que
a grande maioria deles acaba esquecendo o local onde o alimento foi escondido e não
voltam a desenterrá-lo.
Quanto ao gato é importante lembrar que não descende dos grandes felinos
selvagens, que caçavam grandes animais. O gato é originado do pequeno gato norte-
africano, cujo principal alimento são pequenos roedores. Então o antecessor do gato não
se caracteriza por uma alimentação intermitente como dos grandes felinos. Ao contrário,
o gato se alimenta várias vezes ao dia. O gato norte africano é um animal solitário que
vive caça sozinho a maior parte de sua vida e se relaciona com outros membros apenas
por época da reprodução. Essa característica solitária faz com que o felino se alimente
lentamente e não se iniba com a presença de outros animais.
Se puderem se alimentar de acordo com a sua vontade, os gatos comerão pequenas
porções ao longo do dia, ao invés de uma única e grande quantidade.

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Observações do comportamento desse animal mostraram que quando o alimento
está disponível, o gato come com frequência e de maneira aleatória entre 13 a 16 vezes
por dia, tendo cada ingestão o valor calórico de apenas 23 kcal (uma ratazana têm 30
kcal).
A maioria dos gatos é mantida em casas onde são o único gato (ou cão), ou seja,
onde não há mais do que um outro animal da mesma espécie.
Os proprietários devem, no entanto, trata-los como indivíduos, e necessitam
desenvolver práticas alimentares adequadas para seus animais, considerando
circunstâncias particulares, gostos e preferências do animal e deles prórpios considerando
custo, facilidade de trato etc.
Devemos identificar as necessidades de cada animal e achar uma combinação de
alimentos que a atendam.
Não devemos prescrever regimes de alimentação (quanto dar, como dar,
frequencia do fornecimento) como receitas, existem os esquemas básicos de regimes
alimentares, que devem ser adequados a cada situação.
Um dos melhores critérios para se julgar a adequação do regime alimentar é a
saúde e aparência do animal. Se estiverem em boas condições com pele e pelos bonitos,
alertas, ativos e nem muito gordos, nem magros, estão num regime adequado.
O comportamento ingestivo dos animais começa à medida que os neonatos
começam a mamar.
Quando a cadela entra em trabalho de parto, na maioria das vezes, ela só apresenta
interesse em amamentar o primeiro recém nascido quando o último feto tiver nascido, ou
seja, ela só fica quieta apresentando a superfície mamária quando todos os filhotes
estiverem nascidos e limpos.
Os recém nascidos apresentam pouca força e pequena coordenação motora e
assim, suas primeiras tentativas em mamar são desajeitadas e sem resultado. Neste
momento, a ajuda humana é bem vinda, apenas orientando o neonato a chegar até a teta.
Porém, devido ao “reflexo de fossamento” que todos os neonatos possuem, isso ocorre
muito bem sem a orientação humana (demora mais).
Este reflexo é o ato de se enfiar em qualquer superfície macia e quente que eles
encontrem. É justamente esse reflexo que os levam a se aquecerem nos irmãos ou na mãe,
assegurando calor e alimento.
Depois de tocar no mamilo da cadela, o neonato fará muitas tentativas de agarrá-
lo, outras várias tentativas de mamar, antes de conseguir uma sucção apropriada,essa
técnica vai se aprimorando com a idade.
Ao mamar o filhote realiza um movimento rítmico e massageante com os
membros dianteiros, isto ocorre para ajudar a estimular o fluxo lácteo e, também, como
possuem uma aparência maciça (o nariz só vai se alongar com algumas semanas) ele usa
essa técnica para afastar o abdome da mãe do seu nariz. Com 17 dias de vida, as investidas
dos membros dianteiros não são mais tão observadas e com 21 dias a sucção não é mais
rítmica, se tornando mais ruidosa e irregular.
É o “reflexo suctório labial” que assegura que os neonatos tentem mamar em
superfícies macias. Esse reflexo independe da fome ou do consumo alimentar, isto é,
podemos observar sucção mesmo não sendo nutricional, em filhotes adormecidos.
Durante as três primeiras semanas é a mãe que inicia todas as sessões de
amamentação: realiza a abordagem, apresenta a área mamária e estimula os filhotes,
lambendo-os. Nessa fase eles não têm posição de mamilos preferencial.

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O estômago de filhotes com menos de oito dias podem conter de 1 a 5 ml de leite
o que mostra a necessidade de mamadas frequentes. O consumo diário médio é de 150 a
175 ml de leite. Acima de 8 dias a capacidade estomacal aumenta para 10 a 20 ml e o pico
de consumo lácteo se dá por volta dos 26 dias de idade.
Por volta das 4 semanas de idade, os filhotes começam a desenvolver
comportamentos de ingestão que utilizarão quando adultos, ainda que continuem a
mamar.
Quatro semanas é a idade na qual o filhote deve começar a ingerir alimentos
sólidos. É a época em que a cadela se torna menos cooperativa nas rodadas de
amamentação, então os filhotes ficam aptos a pedir a mãe para mamar, é a partir desse
momento que os filhotes iniciam as rodadas de amamentação. A mãe começa a restringir
a duração das mamadas e se ausenta do ninho por mais tempo, podendo até agredir os
filhotes para impedi-los de mamar.
Os dentes decíduos encontram-se em perfeita ordem e posição já com três semanas
de idade e só irão ser trocados pelos permanentes por volta de 4 a 6 meses e meio. Esses
dentes são finos e pontiagudos, causando dor e escoriações nos tetos da cadela; isso
também ajuda a fazer com que a cadela diminua o tempo e a frequência da amamentação.
Nesta época devemos tomar cuidado para não haver competição entre a mãe e os
filhotes pelo alimento. A fêmea deve estar sempre bem alimentada.
Com essa idade, os filhotes apresentam uma variação individual considerável na
quantidade de leite e consumo de alimentos sólidos, mas ocorre uma correlação
significativa entre consumo de alimentos sólidos e o peso do filhote.
Enquanto a ninhada permanece junta, a competição por alimento estimula o
consumo até serem estabelecidas as relações de dominância.
Filhotes alimentados em grupo consomem de 14 a 50% mais do que filhotes
alimentados sozinhos.
O desmame completo ocorre 2 a 2,5 meses.
O comportamento de ingestão juvenil é substituído gradualmente pelo adulto.
Os canídeos silvestres tem o comportamento de banquete ou fome, pois a caça de
presas grandes é esporádica. A tendência com esse padrão é comer exageradamente
quando o alimento é abundante para esquecer quando era escasso. Os cães tendem a reter
essa característica de banquete ou fome e, assim, comerão mais calorias do que o
necessário caso o alimento esteja disponível. Quando ração seca estiver à vontade os cães
tendem a comer sempre que se oferece alimento fresco e geralmente ingerirão de três a
seis refeições diárias, porém se estiver em grupo, esse número subirá para 9 a 12 refeições
diárias.
Alguns estudos têm sido realizados sobre o comportamento do proprietário ao
alimentar seu animal de estimação e estes estudos mostram que: 26% dos proprietários
oferecem a refeição uma vez ao dia; 74% dos proprietários dividem a quantidade diária
de ração em mais de uma vez ao dia e 100% dos proprietários oferecem petiscos além da
refeição.
Com relação ao consumo hídrico, cães e gatos lambem a água com a língua. A
língua é enrolada para trás e serve como uma concha para levar a água para a boca. Como
o enrolamento tem um corte quase plano em vez de forma de concha, boa parte da água
espirra para os lados, antes dele coloca-la na boca. Dependendo da velocidade de
lambedura, tamanho da língua, tamanho do prato de água e distância entre a boca e a
água, o animal poderá babar água por uma área grande ou deixa-la quase toda na tigela.

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A quantidade de água que um animal bebe durante o dia depende de muitos
fatores, porém o mais importante é seu tamanho: um cão médio - 1100 ml/dia. Dessa
quantidade aproximadamente a metade provém da ingestão de alimentos e a outra metade
de água ingerida. Na média, um cão bebe nove vezes ao dia, com média de 600 ml por
vez. Á medida que a temperatura ambiental aumenta, a ingestão de água também
aumenta.
A regulação de ingestão de água também é feita por vários fatores; por um curto
período de tempo, a quantidade de água que atravessa a boca e a faringe pode acarretar
um fim temporário da ingestão; um segundo fator é a própria distensão gástrica e uma
saciedade permanente acompanha a absorção intestinal, que repõe o déficit hídrico do
organismo.
O gato parece ser muito mais sensível que o cão à qualidade de seu alimento (odor,
sabor, textura), e apresenta características específicas. Produtos usados para melhorar a
palatabilidade de alimentos para cães não causam efeito em gatos; O paladar humano
também não é um bom critério de seleção. Os odores e sabores desagradáveis para o
homem podem ser fortemente apreciáveis pelos gatos. Um gato pode permanecer muito
tempo em jejum se um alimento não o agrada. Por isso, os hábitos alimentares
representam um papel importante.
Se submetido a um ambiente estressante, um gato preferirá seu alimento habitual,
já se em ambiente equilibrado, ele preferirá à novidade.
Gatos alimentados à vontade se alimentam de 10 a 20 vezes/dia (24h). O espaçamento
entre as refeições é indiferente durante o dia ou a noite. A relação entre o consumo de água e
MS está próxima de 2 ou 3, dependendo da disponibilidade de água fresca.
Os gatos preferem água em movimento (torneira aberta) a uma água parada. Existe
uma grande variação individual quanto ao consumo de água, mas o hábito alimentar é
determinante.
Gatos possuem uma preferência por alimentos ligeiramente ácidos (pH entre 5 e
7), e uma sensibilidade particular a certos aminoácidos livres como prolina, cisteina,
ornitina, lisina, histidina ou alanina.
Quanto ao nível adequado de gordura, existe uma grande variação nas opiniões.
No geral gatos preferem alimentos secos com grandes quantidades de gordura (8 a 25%).
A carne aumenta a palatabilidade da dieta, o que parece estar relacionado à
sensibilidade a certos aminoácidos.
Gatos evitam o sabor amargo e apreciam pouco o sabor doce.
Aspecto oleoso ou uma textura do tipo pulverizada parecem igualmente pouco
favoráveis.
O gato consegue diferenciar poucas cores como o azul e o vermelho, e poucos
estudos têm sido feitos sobre o impacto da cor do alimento sobre a ingestão.
Todos esses parâmetros são fortemente independentes, e a generalização de um
determinado comportamento frente a todas as situações encontradas requer muita cautela.
O importante é lembrar sempre que existe uma grande variação individual quanto à
apreciação de um determinado alimento e a importância dos hábitos alimentares
adquiridos durante a idade jovem no comportamento alimentar posterior do animal.
Os seguintes fatores a serem considerados na escolha do regime alimentar,
necessidade diária do animal em nutrientes e energia; conteúdo nutricional e
biodisponibilidade de nutrientes no alimento; sabor e aceitação; efeitos sobre o
funcionamento do trato digestivo; teor Calórico; digestibilidade da dieta e efeitos da
alimentação a longo prazo.

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Existem basicamente 3 regimes para se alimentar cães e gatos: De livre escolha,
com tempo controlado ou com a quantidade controlada.
A escolha se qual regime usar está diretamente relacionada aos hábitos do
proprietário, ao número de animais a serem alimentados e a aceitação pelo animal do
método escolhido.
No regime de livre escolha deve sempre existir uma quantidade extra de alimento
disponível para o animal a qualquer momento. Permite que o animal coma o quanto desejar
e a hora que quiser do sai.
Esse método se baseia no fato do consumo ser regulado pela ingestão de energia,
assim o animal comeria uma determinada quantidade de alimento para atender suas
necessidades energéticas.
O alimento seco é o mais adequado devido a sua durabilidade. Mas mesmo assim,
é importante limpar o prato do animal diariamente ao se renovar o alimento.
Esse método geralmente é o escolhido por proprietários que não têm horários
muito certos de sua ida para casa. Exige por parte do mesmo, uma quantidade mínima de
trabalho e conhecimentos.
Outro aspecto é a diminuição dos ruídos causados na hora do trato quando se fala de
canis com muitos animais dentro do perímetro urbano, além da presença constante do
alimento diminuir o aborrecimento que o confinamento causa aos animais, contribuindo
assim para minimizar os comportamentos indesejáveis (coprofagia e ladrar excessivo) e um
último aspecto, a comida à vontade nos fornece a segurança que animais submissos terão a
oportunidade de se alimentarem de forma desejada devido à presença constante de comida.
Mesmo que o alimento esteja à vontade, é importante verificar se todos animais
estão realmente consumindo, pois, algum caso de anorexia pode passar despercebido.
Algum problema de falta de apetite pelo animal pode passar despercebido até que o
animal tenha perdido uma quantidade substancial de peso. Se a queda no consumo for
devido a algum problema de saúde, pode ter passado um tempo importante até ter se
diagnosticado o problema.
O contrário também deve ser considerado. Hoje com as rações bastante palatáveis
existentes no mercado, muitas vezes não podemos utilizar esse regime de alimentação
pois o sabor da dieta supera o controle pelo consumo de energia e assim o animal acaba
consumindo mais do que precisa e ficando obeso.
Se colocados nesse sistema pela primeira vez a tendência é uma elevação do
consumo e depois ocorre o ajuste às necessidades energéticas.
O regime de tempo controlado baseia-se em parte na capacidade do animal em
regular o seu consumo energético diário. Na hora estabelecida para a refeição, oferece-se
ao cão uma quantidade abundante de alimento e permite-se que ele como durante um
período fixo de tempo. A maioria dos cães e gatos adultos sem problemas fisiológicos
consomem em 15 a 20 minutos a quantidade de alimento disponível para satisfazer suas
necessidades diárias.
Uma única refeição pode satisfazer suas necessidades diárias, mas é melhor (mais
saudável e satisfatório) dar o alimento em duas vezes ao dia.
Cães de raças grandes alimentados em uma única refeição apresentam mais
chance de terem problemas de dilatação e torção de estômago. Além disso, se fornecido
em duas vezes estaremos diminuindo a fome entre as refeições e minimizando os
problemas de comportamento associados à alimentação (roubar e mendigar comida).
Alguns animais não se adaptam a esse método. Os animais de alta exigência
podem não comer o suficiente no período de tempo permitido. Outros aprenderão a comer
muito vorazmente pois sabem que tem tempo para comer tudo ou sua vasilha será retirada.

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O regime com alimento controlado permite o melhor controle sobre a alimentação
do animal, pois sabemos exatamente quanto ele está comendo.
Oferece-se ao animal uma ou mais refeições diárias de modo a atender suas
exigências.
Permite avaliar o consumo e qualquer alteração na ingestão ou no comportamento
alimentar.
Com esse sistema podemos controlar o crescimento e o peso dos animais para
ajustar a quantidade e o tipo de comida oferecida. Como resultado pode-se corrigidas o
aumento ou a perda de peso ou mesmo uma velocidade de crescimento inadequada podem
ser corrigidas mais precocemente.
Mas esse tipo de regime alimentar exige mais tempo e conhecimento por parte do
criador. As embalagens de alimentos para animais de estimação trazem informações que
podem servir de partida na determinação da quantidade a ser fornecida. Quanto ao tempo
ele só é mais problemático se o número de animais a alimentar for grande.

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