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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUÍZADO

ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE XXXX.

XXXXX, brasileira, casada, advogada, portadora do documento de identidade XXXX,


inscrita no CPF sob o n.º XXXX e inscrita na OAB/MG XXXX, residente e domiciliada
na XXX, nesta cidade e comarca de XXXX, E-mail: XXX; atuando em causa própria,
vem, muitíssimo respeitosamente à presença de Vossa Excelência, promover a
presente:

AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS POR ACIDENTE DE TRÂNSITO

em desfavor de XXXXX, brasileiro, estado civil e profissão desconhecida, portador


do documento de identidade XXXX, inscrito no CPF sob o n.º XXX, E-MAIL: XXX,
residente e domiciliado na XXX, nesta cidade e comarca de XXX, e XXXXX,
brasileiro, estado civil e profissão desconhecida, portador do documento de
identidade XXXX, inscrito no CPF sob o n.º XXX, E-MAIL: XXX, residente e
domiciliado na XXX, nesta cidade e comarca de XXX, pelos fatos e fundamentos que
a seguir expõe:

I- PRELIMINARMENTE:

I-I DA JUSTIÇA GRATUITA

Preliminarmente, o Réu afirma nos termos da Lei nº 1.060/50 com as alterações da


Lei 7.510/86, ser pessoa juridicamente pobre, sem condição de arcar com as custas
judiciais e honorários advocatícios sem prejuízo do próprio sustento, motivo pelo
qual faz jus a gratuidade de justiça.
Desta forma, requer, que lhe seja deferido o benefício da justiça gratuita, pelos
motivos supramencionados, e ainda por ser a única forma de proporcionar o amplo
acesso ao poder judiciário, avocados no inciso LXXIV, art. 5º da Constituição
Federal e no art. 98 e seguintes do Código de Processo Civil.

II – DOS FATOS

XXXXX

XXXXX

Ressalta-se, que diante da inércia do Réu em reparar os danos causados, socorre-


se a Autora do manto do Poder Judiciário, com vistas a obter a necessária tutela
jurisdicional.

III- DO DIREITO

Conforme o artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:

X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,


assegurado o direito à indenização por dano material ou moral decorrente de sua
violação.”

De acordo com a luz do artigo 186 do Código Civil, “aquele que, por ação ou
omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.
Neste sentido, dispõe o artigo 927 do Código Civil: “Art. 927. Aquele que, por ato
ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.” (grifo
nosso)]

Ademais, de acordo com o artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro: “Art. 28. O


condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com
atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito.” (grifo nosso)

Todavia, o Réu não manteve observância aos cuidados indispensáveis à segurança


do trânsito, agindo com total falta de atenção, posto que simplesmente ignorou a
regras de trânsito ao vir ultrapassando os veículos pela direita e não observou que o
veículo da parte Autora estava entrando em um Oficina Mecânica.

Contudo, deixou de observar as normas do artigo 29 do Código de Trânsito


Brasileiro, sendo uma delas que o condutor do veículo deve guardar certa distância
de segurança lateral e frontal entre o seu e demais veículos, além da velocidade
permitida para o local, outras condições e que toda ultrapassagem deve ser feita
pela esquerda.

De acordo com o incisos II e IX do artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro:

“Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às
seguintes normas:

II - o condutor deverá guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu e


os demais veículos, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no
momento, a velocidade e as condições do local, da circulação, do veículo e as
condições climáticas; (grifo nosso)

IX - a ultrapassagem de outro veículo em movimento deverá ser feita pela esquerda,


obedecida a sinalização regulamentar e as demais normas estabelecidas neste
Código, exceto quando o veículo a ser ultrapassado estiver sinalizando o propósito
de entrar à esquerda; (grifo nosso)
Neste sentido, já se manifestou o Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal,
considerando ato ilícito aquele que tenta fazer ultrapassagem pela direita e acaba
por interceptar a trajetória do veículo que ultrapassava, cuja a ementa transcreve-se:

CIVIL. REPARAÇÃO DE DANOS. COLISÃO DE VEÍCULOS. ULTRAPASSAGEM


PELA DIREITA. ATO ILÍCITO. 1.COMETE ATO ILÍCITO AQUELE QUE TENTA
FAZER ULTRAPASSAGEM PELA DIREITA E ACABA POR INTERCEPTAR A
TRAJETÓRIA DO VEÍCULO QUE ULTRAPASSAVA. 2.RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO. 3.RECORRENTE VENCEDORA, SEM SUCUMBÊNCIA. (TJ-DF - ACJ:
20131010071794 DF 0007179-32.2013.8.07.0010, Relator: FLÁVIO AUGUSTO
MARTINS LEITE, Data de Julgamento: 15/04/2014, 2ª Turma Recursal dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais do DF, Data de Publicação: Publicado no DJE:
23/04/2014 . Pág.: 275). (grifo nosso)

Entretanto, já se manifestou o E. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul:

RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. MOTOCICLISTA QUE


TENTA ULTRAPASSAGEM PELA DIREITA NO EXATO MOMENTO EM QUE O
VEÍCULO DA FRENTE FAZ INFLEXÃO À DIREITA, SINALIZANDO NESSE
SENTIDO, PARA ADENTRAR EM SUA RESIDÊNCIA. SENTENÇA MANTIDA POR
SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. Recurso improvido. (Recurso Cível Nº
71003892155, Terceira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Luís
Francisco Franco, Julgado em 13/12/2012). (TJ-RS - Recurso Cível: 71003892155
RS, Relator: Luís Francisco Franco, Data de Julgamento: 13/12/2012, Terceira
Turma Recursal Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 17/12/2012).
(grifo nosso)

ACIDENTE DE TRÂNSITO. ULTRAPASSAGEM PELA DIREITA. IMPRUDÊNCIA. O


condutor do veículo que ultrapassa pela direita age com manifesta imprudência e é
responsável pelo sinistro. Responsabilidade caracterizada. Recurso não provido.
(Recurso Cível Nº 71001248541, Segunda Turma Recursal Cível, Turmas
Recursais, Relator: Eduardo Kraemer, Julgado em 28/03/2007). (TJ-RS - Recurso
Cível: 71001248541 RS, Relator: Eduardo Kraemer, Data de Julgamento:
28/03/2007, Segunda Turma Recursal Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça
do dia 18/04/2007). (grifo nosso)

ACIDENTE DE TRÃNSITO. ULTRAPASSAGEM PELA DIREITA. IMPRUDÊNCIA.


Age culposamente, na modalidade de imprudência, o condutor que efetua manobra
de ultrapassagem pela direita e invadindo a área de estacionamento, em via urbana
de mão dupla e pista simples, vindo a colher veículo que, à sua frente, efetua regular
manobra de conversão à direita. Recurso provido. Unânime. (Recurso Cível Nº
71000594655, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: João
Pedro Cavalli Junior, Julgado em 10/02/2005). (TJ-RS - Recurso Cível:
71000594655 RS, Relator: João Pedro Cavalli Junior, Data de Julgamento:
10/02/2005, Primeira Turma Recursal Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça
do dia 23/02/2005). (grifo nosso)

Conforme a jurisprudência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais:

RESPONSABILIDADE CIVIL - AÇÃO INDENIZATÓRIA - ACIDENTE DE TRÂNSITO


- ULTRAPASSAGEM PELA DIREITA - BOLETIM DE OCORRÊNCIA - CULPA -
DOCUMENTO NOVO - PRECLUSÃO. O boletim de ocorrência goza de presunção
relativa. Não sendo elidido pelas demais provas dos autos, prevalece o que está
nele descrito. A ultrapassagem de veículo em movimento pela direita revela
imprudência, caracterizando o primeiro elemento da responsabilidade civil. O
documento novo só deve ser admitido nas hipóteses do artigo 397 do CPC. (TJ-MG
200000044400510001 MG 2.0000.00.444005-1/000 (1), Relator: MAURÍCIO
BARROS, Data de Julgamento: 15/12/2004, Data de Publicação: 24/12/2004). (grifo
nosso)

A manobra de ultrapassagem pelo lado direito viola a regra de trânsito prevista no


artigo 29, inciso VI, do CTB e configura infração média, nos termos do art. 199 do
mesmo diploma legal.
O Código Civil ainda dispõe que: Art. 402. Salvo as exceções expressamente
previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele
efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.

Ademais, as fotos (anexas) dão dimensão dos danos causados ao veículo, de modo
que para consertá-lo o Autor ora proprietário, junta em anexo os orçamentos dos
valores, para que os Réus reparem os danos e eventual valor devido à
desvalorização do veículo ocasionada pelo acidente.

IV – DA LEGITIMIDADE PASSIVA

Por se tratar de acidente automobilístico, existe a responsabilidade objetiva e


solidária entre o proprietário e condutor do veículo, sendo legítimos para figurar no
polo passivo da lide, conforme o fulcro do artigo 942, caput, do CC, senão vejamos:

“Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem


ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um Autor,
todos responderão solidariamente pela reparação. (...)”

A Legitimidade do primeiro Réu, não a que se questionar acerca de sua


responsabilidade, que está devidamente comprovada no Boletim de Ocorrência,
uma vez que era o condutor e causador do acidente de trânsito.

XXXX

Sendo assim, está cabalmente demonstrada a responsabilidade solidária dos Réus,


portanto, a legitimidade passiva dos Réus e o seu dever de indenizar o Autor.

V- AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

Tendo em vista a natureza do direito e demonstrando espírito conciliador, a par das


inúmeras tentativas de resolver amigavelmente a questão, o Requerente desde já,
nos termos do art. 334 do Código de Processo Civil, manifesta interesse em auto
composição, aguardando a designação de Audiência de Conciliação.
VII- DOS PEDIDOS

Em razão do quanto foi exposto, requer o Requerente a Vossa Excelência:

a) Os benefícios da Justiça Gratuita nos termos da Lei n.º 1.060/50, por se tratar de
pessoa pobre no sentido jurídico do termo, não podendo arcar com as custas e
despesas processuais sem prejuízo alimentar próprio ou de sua família, conforme
declaração anexa (doc.1);

c) A citação dos Réus, no endereço XXX, por intermédio do Sr. Oficial de Justiça
para, querendo, responder no prazo de 15 (quinze) dias (art. 335, NCPC), sob pena
de revelia e serem tidos por verdadeiros todos os fatos aqui alegados (art. 344,
NCPC), facultando-se ao Sr. Oficial de Justiça encarregado da diligência proceder
nos dias e horários de exceção (art. 212, § 2º).

d) Julgue TOTALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, condenando os Réus


solidariamente na reparação dos danos ocasionados no veículo (orçamentos em
anexo): no valor de XXX, devendo ser corrigidos monetariamente e acrescidos dos
juros legais desde a data do acidente até a data do efetivo pagamento.

e) REQUER, também a condenação em honorários advocatícios e que os mesmos


sejam arbitrados em percentual equivalente 20% (vinte por cento) nos termos do
artigo 85, § 2º do Código de Processo Civil;

f) Que os valores proferidos em sentença sejam corrigidos e atualizados segundo os


índices da tabela da Corregedoria Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Estado
de Minas Gerais (TJMG).

g) Por fim, REQUER, que as futuras publicações ou intimações de atos processuais,


sejam realizadas em nome XXX, que advoga em causa própria, sob pena de
nulidade processual.
Protestam provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito, em
especial pela juntada de documentos, oitiva de testemunhas que serão arroladas
oportunamente, além da juntada de novos documentos e demais meios que se
fizerem necessários.

Atribui-se à causa o valor de R$ XXX

Termos em que,

Pede e espera deferimento.

Cidade/Estado, data mês e ano.

XXXXX

ADVOGADO

OAB/___N.º