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Sefaz-df

Auditoria
Conceitos de Auditoria e da Pessoa do
Auditor

Livro Eletrônico
MARCELO ARAGÃO

Auditor Federal de Controle Externo do TCU


desde 2006. Foi Analista de Finanças e Controle
do Sistema de Controle Interno do Poder Exe-
cutivo Federal (SCI) durante 14 anos. No Tribu-
nal, exerce atualmente a função de Ouvidor e já
ocupou, entre outras, as funções de assessor do
Secretário-Geral de Controle Externo, coorde-
nador do projeto Controle Externo do Mercosul,
chefe do Serviço de Coordenação de Redes de
Controle, coordenador das Ações de Controle
sobre os projetos da Copa do Mundo FIFA 2014
e secretário de Controle Externo no estado de
Alagoas. É professor das disciplinas Controle
Interno e Externo e Auditoria Geral e Governa-
mental em diversas instituições de ensino. Além
disso, é autor de dois livros de auditoria pela
editora Método. Graduado em Administração
pela Universidade Federal Fluminense, possui
especialização em Administração Pública (FGV)
e Auditoria Interna e Controle Governamental
(ISC/CEFOR).

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AUDITORIA
Conceitos de Auditoria e da Pessoa do Auditor
Prof. Marcelo Aragão

SUMÁRIO
1. Apresentação do Professor, do Conteúdo e da Metodologia do Curso...............5
1.1. Conteúdo e Metodologia do Curso...........................................................6
1.2. Dicas de estudo....................................................................................7
2. Conceitos de Auditoria e da Pessoa do Auditor.............................................8
2.1. O surgimento e o progresso da auditoria..................................................8
2.2 Conceitos de Auditoria.......................................................................... 11
3. Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis................ 26
4. Objetivos Gerais do Auditor Independente e a Condução da Auditoria em
Conformidade com Normas de Auditoria (NBC TA 200)................................... 31
5. Conjunto Completo de Demonstrações Financeiras Adotadas no Brasil.......... 36
6. Demonstrações para Fins Gerais e para Propósitos Especiais........................ 37
7. Responsabilidades da Administração e do Auditor....................................... 38
8. Risco de Auditoria – Risco Inerente, de Controle e de Detecção.................... 56
8.1 O Risco de Distorção Relevante.............................................................. 59
8.2 O Risco Inerente.................................................................................. 60
8.36. O Risco de Controle........................................................................... 61
8.4 O Risco de Detecção............................................................................. 61
Questões de Concurso................................................................................ 66
Gabarito................................................................................................... 79
Gabarito Comentado.................................................................................. 80
Referências Bibliográficas......................................................................... 109

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Conceitos de Auditoria e da Pessoa do Auditor
Prof. Marcelo Aragão

Olá, aluno(a)!

É com muita alegria e satisfação que estamos dando início a mais um curso, em

parceria com o Gran Cursos Online.

O nosso curso é de Auditoria para o concurso de Auditor Fiscal da Receita do

Distrito Federal.

O concurso da SEFAZ/DF foi autorizado e, em 17/01/2018, mediante a Portaria

n. 16, foi criado um Grupo de Trabalho com o objetivo de elaborar Termo de Refe-

rência para a contratação de serviços de organização, planejamento e realização do

concurso público. O prazo para conclusão era o dia 15/02/2018. O próximo passo

é o processo de contratação da banca organizadora.

Como ainda não foi definida a banca e precisamos antecipar a nossa preparação

para o concurso, elaboramos este curso, compreendendo um conteúdo bem amplo,

que abrange todos os assuntos do último edital e vários outros que geralmente são

cobrados em concursos para a área de auditoria fiscal.

Certamente, o conteúdo para o presente concurso será diferente daquele esta-

belecido em 2001, quando do último edital.

Pode confiar! O nosso curso é tão abrangente que dificilmente será cobrado al-

gum tema no edital a ser publicado que não tenha sido ministrado em nossas aulas.

Caso aconteça, prontamente farei uma complementação.

Pelo fato de não ter sido definida a banca, vou comentar questões de autoria de

algumas instituições, especialmente aquelas que, a meu ver, podem ser contrata-

das pela SEFAZ/DF, como o Cebraspe, a FCC e a Funiversa.

Além de tudo, o nosso curso está bem atualizado! Ele contempla questões co-

mentadas de provas recentemente aplicadas pelo Cebraspe, neste ano de 2018, a

exemplo dos concursos do STM e da SEFAZ/RS (CAGE).

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1. Apresentação do Professor, do Conteúdo e da Metodologia do


Curso

Inicialmente, peço licença para uma breve apresentação pessoal.


Meu nome é Marcelo Chaves Aragão e sou formado em Administração pela
Universidade Federal Fluminense, com especialização em Administração Pública
na Fundação Getúlio Vargas e em Auditoria Interna e Controle Governamental no
Instituto Serzedello Corrêa.
Possuo experiência de 10 anos de trabalho no setor privado, nas áreas de admi-
nistração e finanças, e de aproximadamente 26 anos no setor público, na área de
controle e auditoria governamental.
Durante 14 anos, fui Analista de Finanças e Controle do Sistema de Controle
Interno do Poder Executivo Federal, onde exerci várias funções de direção na Se-
cretaria Federal de Controle Interno e na Controladoria-Geral da União.
Desde 2006, sou Auditor Federal de Controle Externo no Tribunal de Contas da
União, já tendo exercido várias funções gerenciais, as últimas como Secretário do
Tribunal de Contas da União no Estado de Alagoas e Chefe de Assessoria da Ouvi-
doria do TCU – ouvidor.
Sou instrutor formado pela ESAF e pelo ISC/TCU e coordenei a disciplina audi-
toria em cursos de formação e de progressão da carreira de finanças e controle na
ESAF. Tenho lecionado as disciplinas auditoria pública e privada, controle interno e
controle externo na administração pública em cursos preparatórios para concursos

públicos em várias instituições de ensino e em cursos de treinamento profissional

e de pós-graduação.

Tenho dois livros de auditoria publicados pela Editora Método e lancei, recente-

mente, uma nova obra em conjunto com professores de outras disciplinas intitulada

Questões Discursivas Comentadas – Tribunal de Contas.

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1.1. Conteúdo e Metodologia do Curso

O curso está organizado em 11 aulas, divididas da seguinte forma:

AULA CONTEÚDO
• Conceitos de auditoria e da pessoa do auditor.
• Objetivos gerais do Auditor Independente e Condução da Auditoria em Conformidade
Aula 1
com Normas de Auditoria.
• Risco de Auditoria.
• Distinção entre Auditoria Interna e Externa.
Aula 2
• Normas Brasileiras de Auditoria Interna.
• Responsabilidade legal e ética profissional.
• Independência nos trabalhos de auditoria.
Aula 3
• Controle de qualidade da auditoria de Demonstrações Contábeis.
• Concordância com os termos do trabalho de auditoria independente.
• Planejamento da Auditoria.
• Identificação e Avaliação dos Riscos de Distorção Relevante por meio do Entendi-
mento da Entidade e do seu Ambiente.
Aula 4 • Materialidade e Relevância no planejamento e na execução dos trabalhos de audito-
ria.
• Resposta do auditor aos riscos avaliados.
• Avaliação das distorções Identificadas.
• Execução dos trabalhos de auditoria.
Aula 5 • Evidenciação.
• Procedimentos de auditoria.
• Documentação de auditoria.
Aula 6 • Fraudes e a Responsabilidade do Auditor.
• Auditoria de estimativas Contábeis.
Aula 7 • Amostragem em Auditoria.
• Utilização de trabalhos da auditoria interna.
Aula 8 • Uso de trabalhos técnicos de especialistas.
• Eventos subsequentes.
• Relatórios de Auditoria (Formação de Opinião, Novo Relatório do Auditor, Comunica-
Aula 9 ção dos Principais Assuntos de Auditoria, Opinião Modificada: com ressalva, adversa
e abstenção de opinião, Parágrafos de ênfase e de outros assuntos).
• Auditoria em Áreas Específicas das Demonstrações Contábeis.
Aula 10
• Presunção de Omissão de Receitas.
• Tópicos complementares: Auditoria no Setor Público; normas e procedimentos do
Aula 11
IBRACON; outras normas de auditoria das demonstrações contábeis.

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O curso será completo com teoria e exercícios, contendo a solução de questões

de provas aplicadas em concursos anteriores.

1.2. Dicas de estudo

Como é um concurso para a área de auditoria tributária, o conteúdo de auditoria

que certamente prevalecerá estará voltado para as normas de auditoria indepen-

dente das demonstrações contábeis, as NBC TAs (normas técnicas) e as NBC PAs

(normas profissionais).

Logo, a leitura e o estudo das principais normas são fundamentais para o suces-

so na prova de auditoria.

Nesta primeira aula, logo após estudarmos os conceitos de auditoria e da pes-

soa do auditor, apresento para você como as normas de auditoria publicadas pelo

CFC estão organizadas.

Na sequência, veremos os objetivos gerais do auditor independente e a con-

dução da auditoria em conformidade com normas de auditoria, de acordo com a

“norma mãe” da auditoria das demonstrações contábeis, que é a NBC TA 200. Por

fim, um assunto “palpitante”: o risco de auditoria.

Antes que você me peça dicas de livros para o estudo em auditoria das demons-

trações contábeis, a grande referência bibliográfica para qualquer banca é o livro

Auditoria e Revisão de Demonstrações Financeiras, de Claudio Gonçalo Longo, da

editora Atlas:

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Gonçalo Longo, além de professor e escritor, foi auditor

independente e lidera o Comitê de Normas de Auditoria do

IBRACON, que teve sob responsabilidade a análise, revisão

e implementação das traduções das normas internacionais

de auditoria (ISAs do IAASB da IFAC), que deram origem

às NBC TA (aprovadas pelo CFC).

Portanto, Gonçalo Longo é “o cara” em auditoria das

demonstrações financeiras.

De todo modo, ao final desta aula, eu apresento as demais referências biblio-

gráficas que utilizei para elaborar as nossas aulas.

Feitas as orientações iniciais, daremos início às nossas aulas. Inicialmente, ve-

remos os conceitos fundamentais de auditoria.

2. Conceitos de Auditoria e da Pessoa do Auditor

2.1. O surgimento e o progresso da auditoria

Hilário Franco e Ernesto Marra, em Auditoria Contábil, ensinam que, enquanto

prática sistematizada, a auditoria surgiu no século XIX na Inglaterra, à época po-

tência hegemônica do comércio mundial, a partir do advento das grandes compa-

nhias de comércio e do imposto sobre a renda dessas corporações.

Essa visão é compartilhada por outros autores, quando afirmam que a atividade

de auditoria, nos moldes que conhecemos nos dias atuais, teve seu início na In-

glaterra nos idos do século XIX, em decorrência da revolução industrial verificada

alguns anos antes. Era necessário auditar as novas corporações que substituíam a

produção artesanal.

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De fato, em função do crescimento das empresas, tornou-se impossível que

os proprietários controlassem sozinhos todos atos de seus subordinados, surgindo

daí a necessidade de se confiar a tarefa de controle a terceiros, que começaram

a analisar e emitir opinião independente sobre os demonstrativos elaborados pela

Contabilidade.

As demonstrações contábeis não se destinam tão somente a auxiliar os gestores

das próprias organizações no controle do patrimônio, mas também a resguardar os

interesses que terceiros têm quanto a esse patrimônio, como investidores (titula-

res do patrimônio), credores, o fisco e trabalhadores, que participam da atividade

produtiva e se beneficiam das contribuições da entidade aos fundos de assistência,

de previdência social e de garantia do tempo de serviço dos empregados.

Assim, a auditoria externa (contábil) passa a ter uma importância muito grande

em função do crescimento das empresas, interessando não só aos sócios proprietá-

rios administradores, mas, sobretudo, a terceiros que não participam da gestão das

empresas, e necessitam de uma opinião independente e confiável quanto à situa-

ção do patrimônio das empresas. Neste último grupo – terceiros –, temos os sócios

investidores, os credores e o próprio Estado interessado no resultado das empre-

sas, em função de arrecadação do imposto de renda, além de outros interesses.

O surgimento e o progresso da auditoria, em todos os países do mundo, são con-

sequências dos seguintes fatores:

• o crescimento de empresas cuja complexidade e ramificações tornaram im-

possível aos administradores controlar todos os atos de seus subordinados;

• o aparecimento, cada vez em maior número, de sociedades abertas;

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• a utilização, sempre crescente, de capitais de terceiros por parte das empre-

sas, principalmente de financiamentos de entidades particulares e emprésti-

mos junto ao público;

• o crescimento da importância do imposto de renda – com base no resultado

do exercício – na receita pública de muitos países;

• o controle, cada vez maior, do Poder Público sobre as empresas particulares e

entidades que exercem atividades relacionadas com o interesse público;

• a exportação de capitais, ou seja, a instalação de subsidiárias de empresas

multinacionais, exigindo a fiscalização e o controle das atividades dessas sub-

sidiárias. Igualmente, a associação de multinacionais com empresas locais,

gerando o interesse das empresas em controlar seu investimento.

Logo, nesse contexto de crescimento e expansão das empresas, surgem os

administradores profissionais para gerirem o negócio representando o dono do ca-

pital – cotistas e sócios investidores -, e ainda o auditor independente, que tem o

papel de examinar o desempenho do empreendimento e as demonstrações finan-

ceiras e emitir um relatório ou parecer contendo informações úteis para a tomada

de decisão segura quanto à manutenção do investimento ou de novas aplicações

de recursos.

Veja a seguinte questão do Cespe/Cebraspe acerca da origem da auditoria.

1. (CESPE/FUB/AUDITOR/2013) A origem da auditoria nas empresas está associa-

da ao aumento de seu tamanho e à sua expansão geográfica, circunstâncias que

favoreceram o surgimento de administradores profissionais, que não se confundem

com os próprios acionistas.

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Certo.

A origem da auditoria nas empresas está associada ao aumento de seu tamanho

e à sua expansão geográfica, cuja complexidade e ramificações tornam impossível

aos próprios acionistas, donos do capital, de controlar a boa gestão dos recursos

investidos. Esse cenário favoreceu o surgimento de administradores profissionais

(conselheiros de administração e executivos), que não se confundem com os pró-

prios acionistas, bem como do auditor externo e independente, para confirmação

dos registros contábeis e proteção ao seu patrimônio.

2.2 Conceitos de Auditoria

De uma forma geral, os livros de auditoria conceituam a auditoria contábil como

o exame de documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações

e confirmações, internas e externas, relacionadas com o controle do patrimônio,

objetivando mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis

deles decorrentes.

Franco e Marra consideram que a auditoria é a técnica contábil utilizada para

avaliar as informações relativas à estrutura e à composição do patrimônio de uma

entidade e, portanto, apresentam a seguinte definição para auditoria:

A técnica contábil que – através de procedimentos específicos que lhe são peculiares,
aplicados no exame de registros e documentos, inspeções, e na obtenção de infor-
mações e confirmações, relacionados com o controle de patrimônio de uma entidade
– objetiva obter elementos de convicção que permitam julgar se os registros contábeis
foram efetuados de acordo com os princípios fundamentais e normas de Contabilidade
e se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem adequadamente a situação
econômico-financeira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado
e as demais situações nelas demonstradas.

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Assim, podemos concluir que a auditoria é um dos meios de que a contabilidade

dispõe para atingir suas finalidades.

O objeto da contabilidade é o patrimônio administrado. A auditoria, sendo um

dos meios utilizados pela Contabilidade, tem o mesmo objeto: o patrimônio, espe-

cificamente no que tange ao seu controle e às informações sobre o seu estado e

variações.

Como meios para atingir os seus fins, a Contabilidade utiliza o registro dos fatos

contábeis, a exposição sintética da situação patrimonial e suas variações, através

das demonstrações contábeis e, complementarmente, a técnica auditorial destina-

da a comprovar os fatos registrados e suas demonstrações.

A auditoria completa e valoriza a contabilidade, pois:

• fiscaliza o controle do objeto comum – o patrimônio;

• confirma a confiabilidade dos meios que ela utiliza – o registro dos fatos e as

demonstrações contábeis;

• aperfeiçoa seus fins – divulgação de informações para fins de orientação ad-

ministrativa e de investidores, cumprimento de obrigações legais e fiscais e

controle patrimonial;

• atesta a adequação dos registros;

• informa as deficiências observadas.

Vale ressaltar que as definições feitas por Franco e Marra referem-se ao conceito

de auditoria em sentido estrito, pois se referem exclusivamente a auditoria contábil

(ou financeira), que é aquela em que o auditor tem por objetivo emitir uma opinião

ou parecer sobre a adequação das demonstrações contábeis ou financeiras.

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William Boynton e outros autores, no livro Auditoria, apresentam uma definição

completa, ou seja, um conceito de auditoria em sentido lato, que permite a nossa

compreensão acerca do processo de auditoria, qual seja:

Auditoria é um processo sistemático de obtenção e avaliação objetivas de evidências


sobre afirmações a respeito de ações e eventos econômicos, para aquilatação do grau
de correspondência entre as afirmações e critérios estabelecidos, e de comunicação dos
resultados a usuários interessados.

Da definição citada anteriormente, os autores destacam os seguintes atributos:

• processo sistemático: dá uma conotação de uma série de procedimentos lógi-

cos, estruturados e organizados, estabelecidos em normas de auditoria;

• obtenção e avaliação objetivas: exame da fundamentação das afirmações e

avaliação criteriosa dos resultados, sem preconcepções favoráveis ou desfa-

voráveis sobre quem faz as afirmações;

• afirmações a respeito de ações e eventos econômicos: representações feitas

pelo indivíduo ou entidade – o objeto da auditoria. Afirmações compreendem

informações contidas nas demonstrações contábeis e em relatórios operacio-

nais internos;

• grau de correspondência: refere-se a quão proximamente as afirmações po-

dem ser identificadas com critérios estabelecidos;

• critérios estabelecidos: normas pelas quais as afirmações ou representações

são julgadas. Podem ser estabelecidos pela legislação, por orçamentos ou

medidas de desempenho definidos pela administração ou por princípios con-

tábeis;

• comunicação dos resultados: materializa-se em relatório ou parecer por es-

crito que indica o grau de correspondência entre as afirmações e os critérios

estabelecidos, o qual aumenta ou diminui a credibilidade das afirmações;

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• usuários interessados: indivíduos que utilizam os resultados da auditoria. Em


um ambiente de negócios, compreendem os acionistas, administração, credo-
res, agências governamentais e o público em geral.

De acordo com esse conceito amplo, a administração auditada faz afirmações, e


o auditor obtém evidência de que essas afirmações estão em conformidade ou não
com determinados critérios, comunicando o resultado dessa avaliação aos usuários
interessados.
Ou seja, conforme o esquema a seguir, auditoria é o processo de confrontação
entre uma situação encontrada, também denominada de condição, com um
determinado padrão preestabelecido (critério), ou seja, a comparação entre o fato
ocorrido com o que deveria ocorrer.

Auditoria é um trabalho de asseguração


A NBC TA 01 aprovou a Estrutura Conceitual para Trabalhos de Asseguração,
que são úteis para o entendimento das normas de auditoria.
Trabalho de asseguração consiste em um trabalho no qual o auditor indepen-
dente expressa uma conclusão com a finalidade de aumentar o grau de confiança
dos outros usuários previstos, que não seja a parte responsável, acerca do resulta-

do da avaliação ou mensuração de determinado objeto de acordo com os critérios

aplicáveis.

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Logo, a auditoria é um trabalho de asseguração, que envolve três partes: a

parte responsável pela informação, o auditor e os usuários da informação.

Já uma consultoria não constitui um trabalho de asseguração, porque o consultor

não expressa uma conclusão com a finalidade de aumentar o grau de confiança

dos outros usuários. A consultoria envolve apenas duas partes: o consultor e o

cliente.

Gonçalo Longo nos ensina que o termo asseguração vem do inglês assurance,

que é o mesmo que pledge (garantia), cujo verbo assure tem como sinônimo insure

e a explicação igual à da expressão to give confidence to... (dar confiança a...).

Os grupos de estudo do Conselho Federal de Contabilidade preferiram, ao tra-

duzir as normas internacionais de auditoria contábil, batizar a expressão assurance

como asseguração ou segurança, passando-se pela análise dos termos atesta-

ção, certificação e outros. No setor público, as normas de auditoria adotam a ex-

pressão certificação.

Um trabalho de asseguração possui (5) cinco elementos, que são os seguintes:

a) relacionamento entre três partes, envolvendo o auditor independente, a par-

te responsável e os usuários previstos;

b) objeto apropriado;

c) critérios adequados;

d) evidências apropriadas e suficientes;

e) relatório de asseguração escrito na forma apropriada para trabalho de asse-

guração razoável ou para trabalho de asseguração limitada.

a) Relacionamento entre três partes

Como já frisei antes, os trabalhos de asseguração envolvem três partes distin-

tas: o auditor independente, a parte responsável e os usuários previstos.

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A parte responsável é a pessoa (ou as pessoas) que é responsável (são res-

ponsáveis) pelo objeto do trabalho de auditoria ou pela informação sobre o objeto

(a afirmação). Em auditoria de demonstrações contábeis, a parte responsável pe-

las demonstrações financeiras é a administração da entidade. A parte responsável

pode ser ou pode não ser a parte que contrata o auditor independente (a parte

contratante).

Os usuários previstos são as pessoas ou o grupo de pessoas para quem o audi-

tor independente submete seu relatório de asseguração. A parte responsável pode

ser um dos usuários previstos, como, por exemplo, a própria administração da en-

tidade auditada, mas não pode ser o único.

A parte responsável e os usuários previstos podem ser de diferentes entidades

ou da mesma entidade. Como exemplo do último caso, na estrutura de adminis-

tração dualista, o conselho de administração pode procurar asseguração acerca da

informação proporcionada pela diretoria executiva da entidade.

O relacionamento entre a parte responsável e os usuários previstos necessita

ser visto no contexto de trabalho específico e pode diferir de linhas de responsabili-

dade mais tradicionalmente definidas. Por exemplo, um executivo da alta adminis-

tração da entidade (usuário previsto) pode contratar o auditor independente para

executar um trabalho de asseguração sobre um aspecto particular das atividades

da entidade, aspecto esse que é da responsabilidade imediata de um nível mais

baixo de gestão (parte responsável), mas pelo qual o executivo, em última análise,

é responsável.

b) Objeto

O objeto e a informação sobre o objeto de trabalho de asseguração podem to-

mar várias formas, como:

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a) desempenho ou condições financeiras (por exemplo, posição patrimonial e

financeira histórica ou prospectiva, desempenho das operações e fluxos de caixa)

para os quais a informação sobre o objeto pode ser o reconhecimento, a mensura-

ção, a apresentação e a divulgação nas demonstrações contábeis;

b) desempenho ou condições não financeiras (por exemplo, desempenho da

entidade) para os quais a informação sobre o objeto pode ser o principal indicador

de eficiência e eficácia;

c) características físicas (por exemplo, capacidade de instalação) para os quais

a informação sobre o objeto pode ser um documento de especificações;

d) sistemas e processos (por exemplo, o controle interno da entidade ou o sis-

tema de tecnologia da informação) para os quais a informação sobre o objeto pode

ser uma afirmação acerca da sua eficácia;

e) o comportamento (por exemplo, governança corporativa da entidade, con-

formidade com regulamentação, práticas de recursos humanos) para o qual a in-

formação sobre o objeto pode ser uma declaração de conformidade ou uma decla-

ração de eficácia.

Os objetos têm diferentes características, incluindo o grau em que a informação

acerca deles é qualitativa versus quantitativa, objetiva versus subjetiva, histórica

versus prospectiva, e se relaciona a uma determinada data-base ou abrange um

período. Essas características afetam: a precisão com que o objeto pode ser avalia-

do ou mensurado de acordo com os critérios; e a persuasão da evidência disponível.

Um objeto apropriado tem as seguintes características:

a) é identificável e passível de avaliação ou mensuração com base em critérios

identificados;

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b) as informações sobre esse objeto podem ser submetidas aos procedimentos

que proporcionem evidência suficiente e que permitam uma conclusão apropriada,

quer se trate de asseguração razoável quer de asseguração limitada.

c) Critérios

Os critérios são os pontos de referência (benchmarks) usados para avaliar ou

mensurar o objeto, incluindo, sempre que relevante, referências para a apresen-

tação e a divulgação. Os critérios podem ser formais; por exemplo, na elaboração

de demonstrações contábeis, os critérios podem ser as práticas contábeis adotadas

no Brasil.

São exigidos critérios adequados para a avaliação ou para a mensuração razoa-

velmente consistente de um objeto dentro do contexto de julgamento profissional.

Sem uma base de referência proporcionada por critérios adequados, qualquer con-

clusão está sujeita à interpretação individual e a mal-entendidos.

d) Evidências

O auditor independente planeja e executa o trabalho de asseguração com ati-

tude de ceticismo profissional para obter evidência apropriada e suficiente

sobre se a informação relativa ao objeto está livre de distorções relevantes.

O auditor independente considera a materialidade, o risco do trabalho de asse-

guração, a quantidade e a qualidade das evidências disponíveis quando planeja e

executa o trabalho, em especial quando determina a natureza, a época ou a exten-

são dos procedimentos de obtenção de evidência.

Ceticismo profissional implica que o auditor deve estar sempre alerta para ou-

tras evidências que possam comprometer um entendimento inicial ou que colo-

quem em dúvida a confiabilidade de uma informação ou documento.

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Evidências são informações ou provas obtidas pelo auditor sobre determinado

objeto para que ele alcance segurança razoável de que este objeto esteja em con-

formidade com o critério ou livre de distorções relevantes.

Ao longo do nosso curso, quando estudarmos as normas específicas e o proces-

so de auditoria, aprofundaremos este assunto, abordando os seguintes aspectos

citados anteriormente:

• a materialidade,

• o risco de auditoria,

• a quantidade e a qualidade das evidências, e

• a determinação da natureza, da época ou da extensão dos procedimentos de

obtenção de evidência.

e) Relatório de asseguração

O auditor apresenta relatório contendo uma conclusão que expresse a seguran-

ça obtida acerca da informação sobre o objeto. Trata-se do produto final gerado

pelo trabalho do auditor, que é o seu relatório conclusivo.

As normas técnicas de auditoria (NBC TAs) estabelecem os elementos básicos

dos relatórios de auditoria. Adicionalmente, o auditor independente considera ou-

tras responsabilidades referentes à emissão de relatório, inclusive a comunicação

com os responsáveis pela governança corporativa, quando apropriado.

Você sabe quem são os responsáveis pela governança?

Os responsáveis pela governança são agentes ou instâncias responsáveis por

estabelecer as estratégias e por supervisionar a atuação dos administradores. O

Conselho de Administração é o melhor exemplo de instância ou órgão de governan-

ça dentro de uma empresa.

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Em um trabalho que se baseia em afirmações, o relatório do auditor pode ser


direto ou sobre a informação (indireto), da seguinte forma:
a) relatório direto: diretamente em termos do objeto e dos critérios (por exem-
plo, “em nossa opinião, os controles internos são eficazes, em todos os aspectos
relevantes, de acordo com os critérios XYZ”);
b) relatório indireto: em termos da afirmação da parte responsável (por
exemplo: “em nossa opinião, a afirmação da parte responsável de que os controles
internos são eficazes, em todos os aspectos relevantes, de acordo com os critérios
XYZ, é adequada”)
Finalizando, o relatório pode ser limpo ou conter modificação em relação ao re-
latório limpo (ressalva, adverso ou abstenção de opinião).
Na aula 9, veremos de forma aprofundada o processo de formação da opinião
do auditor independente das demonstrações contábeis, a estrutura do relatório do
auditor e os tipos de opinião.

Reflexos da auditoria sobre a riqueza patrimonial


Outro conceito ou aspecto geral da auditoria que pode ser cobrado pela banca
examinadora é a proteção que a auditoria oferece à riqueza patrimonial, dando
maior segurança e garantia aos administradores, proprietários, fisco e financiado-
res do patrimônio, quanto aos seguintes aspectos:
• sob o aspecto administrativo: contribui para a redução de ineficiência, negli-
gência, incapacidade e improbidade de empregados e administradores;
• sob o aspecto patrimonial: possibilita melhor controle dos bens, direitos e
obrigações que constituem o patrimônio;
• sob o aspecto fiscal: fator de mais rigoroso cumprimento das obrigações fis-
cais, resguardando o patrimônio contra multas, o proprietário contra pena-
lidades decorrentes de lei de sonegação fiscal e o fisco contra sonegação de
impostos;

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• sob o aspecto técnico: contribui para mais adequada utilização das contas,

maior eficiência dos serviços contábeis, maior precisão das informações e a

garantia de que a escrituração e as demonstrações contábeis foram elabora-

das de acordo com os princípios e normas de contabilidade;

• sob o aspecto financeiro: resguarda créditos de terceiros – fornecedores e

financiadores – contra possíveis fraudes e dilapidações do patrimônio, permi-

tindo maior controle dos recursos para fazer face a esses compromissos;

• sob o aspecto econômico: assegura maior exatidão dos custos e veracidade

dos resultados, na defesa do interesse dos investidores e titulares do patri-

mônio;

• sob o aspecto ético: examina a moralidade do ato praticado, pois o registro

poderá estar tecnicamente elaborado e o fato legalmente comprovado, po-

rém o ato da administração poderá ser moralmente indefensável, cabendo à

auditoria apontá-lo para julgamento dos titulares do patrimônio ou de seus

credores;

• sob o aspecto social: dá credibilidade às demonstrações contábeis das em-

presas e assegura a veracidade das informações, das quais dependerá a tran-

quilidade quanto à sanidade das empresas e à garantia de empregos.

Conceitos e normas relativas à pessoa do auditor

Para o exercício da função de auditor independente, o profissional deverá ser

contador e registrado em Conselho Regional de Contabilidade – CRC. Além disso,

para atuar em determinadas áreas regulamentadas, como no mercado de capitais e

companhias abertas, o auditor deverá providenciar o seu registro junto aos respec-

tivos órgãos controladores, como a Comissão de Valores Mobiliários, por exemplo.

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Contudo, a formação em contabilidade e o registro no CRC não são condições


suficientes para a realização da auditoria contábil. O contador, na função de auditor
independente, deve manter seu nível de competência profissional pelo conheci-
mento atualizado dos Princípios Contábeis, das Normas Brasileiras de Contabilida-
de, das técnicas contábeis, especialmente na área de auditoria, da legislação ine-
rente à profissão, dos conceitos e técnicas administrativas e da legislação específica
aplicável à entidade auditada.
Portanto, além da formação adequada, o auditor tem que possuir conhecimento
técnico e experiência profissional, que lhe permita realizar a auditoria com compe-
tência e eficiência.
Além disso, para assumir a responsabilidade por uma auditoria das demonstra-
ções contábeis, o auditor deve ter conhecimento da atividade da entidade auditada,
de forma suficiente para que lhe seja possível identificar e compreender as tran-
sações realizadas pela mesma e as práticas contábeis aplicadas, que possam ter
efeitos relevantes sobre a posição patrimonial e financeira da entidade, e a opinião
a ser por ele emitida sobre as demonstrações contábeis.
A seguir, apresento uma síntese dos principais requisitos normativos acerca da
pessoa do auditor independente, sabendo-se que esse assunto será aprofundado
na aula 3, quando estudarmos os princípios éticos que o profissional da contabili-
dade, incluindo o auditor independente, deve cumprir.
Competência Técnico-profissional
O contador, na função de auditor independente, deve manter seu nível de com-
petência profissional. Antes de aceitar o trabalho, o auditor deverá obter conheci-
mento preliminar da atividade da entidade a ser auditada, de modo a poder avaliar
se está capacitado a assumir a responsabilidade pelo trabalho a ser realizado. Esta
avaliação deve ficar evidenciada de modo a poder ser comprovado o grau de pru-
dência e zelo na contratação dos serviços.

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O auditor deve recusar os serviços sempre que reconhecer não estar adequa-

damente capacitado para desenvolvê-los. Contudo, pode utilizar especialistas em

outras áreas, em face da especialização requerida e dos objetivos do contratante,

como, por exemplo, advogados, engenheiros etc.

Com relação à competência técnico-profissional, bancas como a ESAF e a FGV têm

cobrado em provas recentes uma definição contida na NBC TA 230 acerca de au-

ditor experiente.

Segundo a referida norma, auditor experiente é um indivíduo (interno ou externo

à firma de auditoria) que possui experiência prática de auditoria e conhecimento

razoável de:

(i) processos de auditoria;

(ii) normas de auditoria e exigências legais e regulamentares aplicáveis;

(iii) ambiente de negócios em que opera a entidade;

(iv) assuntos de auditoria e de relatório financeiro relevantes ao setor de atividade

da entidade.

Cuidado, pois as bancas tentam confundir os candidatos quanto aos assuntos ou

normas que um auditor considerado experiente tem que conhecer. Note que a

norma considera um auditor experiente aquele que possua conhecimento razoável

dos processos e normas de auditoria e não de outras normas e assuntos como, por

exemplo, normas tributárias, financeiras, demandas judiciais etc.

Atenção também quanto ao fato da norma não exigir tempo de experiência e atu-

ação em auditoria para se considerar um auditor experiente.

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Veja a seguinte questão que caiu na prova de Contador do Ministério da Fazen-

da, elaborada pela ESAF.

2. (ESAF/MF/CONTADOR/2013) Em conformidade com as normas de auditoria,

para que um auditor seja considerado experiente, deve demonstrar que tem expe-

riência prática de auditoria e conhecimento razoável de:

a) processos de auditoria, demandas judiciais e de relatórios econômicos e finan-

ceiros que servem de base para a estratégia de negócios semelhantes e dos con-

correntes.

b) normas tributárias, processos de produção das principais atividades econômicas

e formação em administração de empresas, economia ou contabilidade.

c) ambiente de negócios que opera a entidade, experiência prática de planejamen-

to de auditorias em empresas semelhantes e concorrentes, atuação em auditoria

em tempo superior a 5 anos.

d) normas de auditoria e exigências legais, assuntos de auditoria e de relatório

financeiro relevantes ao setor de atividade da entidade e processos de auditoria.

e) normas contábeis, identificação de fraudes e atuação em auditoria em tempo

superior a 3 anos.

Letra d.

Considera-se auditor experiente um indivíduo (interno ou externo à firma de audi-

toria) que possui experiência prática de auditoria e conhecimento razoável de: (i)

processos de auditoria; (ii) normas de auditoria e exigências legais e regulamenta-

res aplicáveis; (iii) ambiente de negócios em que opera a entidade; e (iv) assuntos

de auditoria e de relatório financeiro relevantes ao setor de atividade da entidade.

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Independência e Objetividade

O auditor deve expressar sua opinião com base nas evidências obtidas dos exa-

mes de auditoria, não se deixando influenciar por fatores estranhos ao trabalho,

seja por preconceitos, fatores materiais ou afetivos que pressuponham perda de

sua independência.

Zelo Profissional

O auditor deve aplicar o máximo de cuidado e zelo na realização dos trabalhos

e na exposição de suas conclusões e ao opinar sobre as demonstrações contábeis,

o auditor deve ser imparcial.

O exame das demonstrações contábeis não tem por objetivo precípuo a desco-

berta de fraudes. Todavia, o auditor independente deve considerar a possibilidade

de sua ocorrência. Quando eventuais distorções, por fraude ou erro, afetarem as

demonstrações contábeis de forma relevante, cabe ao auditor independente, caso

não tenha feito ressalva específica em seu parecer, demonstrar que seus exames

foram conduzidos de forma a atender às Normas de Auditoria Independente das

Demonstrações Contábeis e às normas profissionais

Sigilo Profissional

O auditor independente não deve revelar, em nenhuma hipótese, salvo as situ-

ações especiais permitidas na norma e na legislação, as informações que obteve e

tem conhecimento em função de seu trabalho na entidade auditada.

O sigilo profissional do auditor independente deve ser observado nas seguintes

circunstâncias: na relação entre o auditor independente e a entidade auditada; na

relação entre os auditores independentes; na relação entre o auditor independente

e os organismos reguladores e fiscalizadores; e na relação entre o auditor indepen-

dente e demais terceiros.

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O auditor independente, sob pena de infringir o sigilo profissional, somente

deve divulgar a terceiros, informações sobre a entidade auditada ou sobre o tra-

balho por ele realizado, caso seja autorizado, por escrito, pela administração

da entidade com poderes para tanto, que contenha, de forma clara e objetiva, os

limites das informações a serem fornecidas.

Rodízio dos Líderes de Equipe de Auditoria

A utilização dos mesmos profissionais de liderança (sócio, diretor e gerente) na

equipe de auditoria, numa mesma entidade auditada, por longo período, pode criar

a perda da objetividade e do ceticismo, necessários na auditoria.

O risco dessa perda deve ser eliminado adotando-se a rotação, a cada inter-

valo menor ou igual a cinco anos consecutivos, das lideranças da equipe de

trabalho de auditoria.

A NBC PA 290 estabelece que, em trabalhos de auditoria de entidade de interes-

se público, o profissional não deve atuar como sócio-chave da auditoria por mais de

cinco anos. Depois desse período de cinco anos, a pessoa não deve ser membro da

equipe de trabalho ou sócio-chave da auditoria para o cliente pelo prazo de dois anos.

Conforme combinado, veja agora um pouco acerca da organização das normas

de auditoria independente das demonstrações contábeis.

3. Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Con-


tábeis

Nesta aula, vamos estudar a norma fundamental da auditoria contábil que é a

NBC TA 200. Antes, porém, vamos conhecer as normas como um todo, em uma

breve síntese.

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Segundo Crepaldi, normas de auditoria são entendidas como as regras estabe-

lecidas pelos órgãos reguladores da profissão contábil, em todos os países, com o

objetivo de regulamentar o exercício da função do auditor, estabelecendo orienta-

ção e diretrizes a serem seguidas por esses profissionais no exercício de suas fun-

ções. Elas estabelecem conceitos básicos sobre as exigências em relação à pessoa

do auditor, à execução de seu trabalho e ao parecer que deverá por ele ser emitido.

Em 13 de fevereiro de 2009, o Conselho Federal de Contabilidade – CFC editou

a Resolução n. 1.156/09, que dispõe sobre a estrutura das Normas Brasileiras de

Contabilidade (NBC), que devem seguir os mesmos padrões de elaboração e estilo

utilizados nas normas internacionais.

As Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) compreendem o Código de Ética

Profissional do Contabilista e as seguintes normas:

NORMA SIGLAS
Normas de Contabilidade NBC PG; NBC TG; NBC TSP
Normas de Auditoria Independente e de Asse- NBC PA; NBC TA; NBC TR; NBC TO; NBC TSC
guração
Normas de Auditoria Interna NBC PI; NBC TI
Normas de Perícia Contábil NBC PP; NBC TP

Como se verifica no quadro anterior, as normas cobrem aspectos de conduta

profissional (NBC P...) e técnicos (NBC T...). Na sequência, identifica-se a área a

que a norma se refere pela adição da letra que a identifique.

No caso da auditoria independente, a sigla é completada com a letra A, forman-

do as siglas:

• NBC PA – norma profissional de auditoria;

• NBC TA – norma técnica de auditoria independente e de asseguração.

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Logo, a identificação completa das normas compreende um código alfanuméri-

co. A norma 200, por exemplo, tem sua identificação completa da seguinte forma:

NBC TA 200, que significa: Norma Brasileira de Contabilidade Técnica de Audito-

ria 200.

Vale ressaltar ainda que a numeração das normas brasileiras de auditoria é a

mesma adotada pelas normas internacionais. A NBC TA 200 é a tradução, com

pequenos ajustes, da ISA 200 (ISA = International Standard on Auditing – Norma

Internacional de Auditoria).

As NBC TAs entraram em vigor para trabalhos de auditoria de demonstrações

financeiras, cujos exercícios são iniciados em ou a partir de 1º de janeiro de 2010

e que se encerram em ou após 31 de dezembro de 2010.

Essas normas técnicas de auditoria estão assim classificadas:

Seção 200 – Princípios Gerais e Responsabilidades

NBC TA 200 – Objetivos Gerais do Auditor Independente e a Condução de uma

Auditoria em Conformidade com as Normas de Auditoria..

NBC TA 210 – Concordância com os Termos de Trabalho de Auditoria

NBC TA 220 – Controle de Qualidade de uma Auditoria de Demonstrações Con-

tábeis.

NBC TA 230 – Documentação de Auditoria.

NBC TA 240 – Responsabilidade do Auditor Relacionada com Fraude em Audi-

toria de Demonstrações Contábeis.

NBC TA 250 – Considerações de Leis e Regulamentos em Auditoria de Demons-

trações Contábeis.

NBC TA 260 – Comunicação com os Responsáveis pela Governança.

NBC TA 265 – Comunicação de Deficiências de Controle Interno.

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Seção 300 e Seção 400 – Avaliação dos Riscos e Respostas aos Riscos

Avaliados

NBC TA 300 – Planejamento de uma Auditoria de Demonstrações Contábeis.

NBC TA 315 – Identificação e Avaliação dos Riscos de Distorção Relevante por

meio do Entendimento da Entidade e do seu Ambiente.

NBC TA 320 – Materialidade no Planejamento e na Execução de Auditoria.

NBC TA 330 – Resposta do Auditor aos Riscos Avaliados.

NBC TA 402 – Considerações de Auditoria para a Entidade que Utiliza uma Or-

ganização Prestadora de Serviços.

NBC TA 450 – Avaliação de Distorções Identificadas durante a Auditoria.

Seção 500 – Evidência de Auditoria

NBC TA 500 – Evidência de Auditoria.

NBC TA 501 – Evidência de Auditoria – Considerações Específicas para Itens

Selecionados.

NBC TA 505 – Confirmações Externas.

NBC TA 510 – Trabalhos Iniciais – Saldos Iniciais.

NBC TA 520 – Procedimentos Analíticos.

NBC TA 530 – Amostragem em Auditoria.

NBC TA 540 – Auditoria de Estimativa Contábil, Inclusive do Valor Justo e Di-

vulgações Relacionadas.

NBC TA 550 – Partes Relacionadas.

NBC TA 560 – Eventos Subsequentes.

NBC TA 570 – Continuidade Operacional.

NBC TA 580 – Representações Formais.

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Seção 600 – Utilização do Trabalho de Outros

NBC TA 600 – Considerações Especiais.

NBC TA 610 – Utilização do Trabalho de Auditoria Interna.

NBC TA 620 – Utilização do Trabalho de Especialistas.

Seção 700 – Conclusão da Auditoria e Emissão de Relatórios

NBC TA 700 – Formação da Opinião e Emissão do Relatório do Auditor Inde-

pendente sobre as Demonstrações Contábeis.

NBC TA 701 – Comunicação dos Principais Assuntos de Auditoria no Relatório

do Auditor Independente.

NBC TA 705 – Modificações na Opinião do Auditor Independente.

NBC TA 706 – Parágrafos de Ênfase e Parágrafos de Outros Assuntos no Rela-

tório do Auditor Independente.

NBC TA 710 – Informações Comparativas – Valores Correspondentes e De-

monstrações Contábeis Comparativas.

NBC TA 720 – Responsabilidade do Auditor em Relação a Outras Informações

Incluídas em Documentos que Contenham Demonstrações Contábeis Auditadas.

Seção 800 – Áreas Específicas

NBC TA 800 – Considerações Especiais – Auditorias de Demonstrações Contá-

beis Elaboradas de Acordo com Estruturas Conceituais de Contabilidade para Pro-

pósitos Especiais.

NBC TA 805 – Considerações Especiais – Auditoria de Quadros Isolados das

Demonstrações Contábeis e de Elementos, Contas ou Itens Específicos das De-

monstrações Contábeis.

NBC TA 810 – Trabalhos para Emissão de Relatório sobre Demonstrações Con-

tábeis Condensadas.

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Bom, agora que você já tem uma visão geral sobre as normas de auditoria

das demonstrações financeiras, cabe novamente lembrar que, nesta aula, veremos

NBC TA 200.

Nas próximas aulas, você verá as principais normas técnicas de auditoria inde-

pendente, conforme indicado no quadro a respeito do conteúdo do nosso curso.

4. Objetivos Gerais do Auditor Independente e a Condução da


Auditoria em Conformidade com Normas de Auditoria (NBC TA
200)

De acordo com a NBC TA 200 que é a “mãe das demais normas de auditoria das

demonstrações contábeis” e que define o alcance e a autoridade das demais nor-

mas, o objetivo da auditoria é

• aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos

usuários e esse objetivo é alcançado mediante a expressão de uma opinião

pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em to-

dos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório

financeiro aplicável.

Para deixar bem claro o que significa esse objetivo e o processo de auditoria

contábil, vamos abordar alguns aspectos dessa definição:

• aumentar o grau de confiança → a opinião profissional e independente do

auditor sobre as demonstrações contábeis é que aumenta a confiança e a

credibilidade sobre as mesmas. Assim, usuários de demonstrações contábeis

beneficiam-se da segurança, trazida pela auditoria, de que elas não contêm

distorções relevantes, causadas por erro e/ou por fraude;

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• por parte dos usuários → são muitos os usuários das demonstrações acompa-

nhadas da opinião do auditor, como, por exemplo, os acionistas investidores,

o conselho de administração, o comitê de auditoria, a diretoria da empresa, o

fisco e o mercado em geral. É por isso que se diz que o auditor independente

assume uma responsabilidade de ordem pública;

• expressão de opinião → a auditoria conduzida em conformidade com as nor-

mas de auditoria e exigências éticas relevantes capacita o auditor a formar

a opinião sobre as demonstrações. O auditor busca evidências suficientes

e adequadas que lhe deem segurança razoável sobre se as demonstrações

estão livres de distorções relevantes. A opinião será expressa mediante rela-

tório de auditoria em forma de parecer, a ser publicado em conjunto com as

demonstrações contábeis;

• em todos os aspectos relevantes → a relevância (ou materialidade) constitui

aspecto fundamental em auditoria contábil. O conceito reconhece que algu-

mas questões contábeis são importantes para uma apresentação adequada

das demonstrações contábeis, e outras, não.

Portanto, mediante julgamento profissional, o auditor define o que é relevante

para as demonstrações e o que significaria uma distorção capaz de influenciar as

decisões econômicas de um usuário das demonstrações. Nesse sentido, o auditor

planeja seus exames para encontrar omissões ou distorções que, individualmente

ou em conjunto, sejam materiais e capazes de prejudicar os usuários.

As normas exigem que o auditor defina a materialidade para as demonstrações

como um todo e para cada saldo de conta a ser testada. Nesse sentido, materiali-

dade é um valor mínimo de distorção (por erro ou fraude) estabelecido pelo auditor

a partir do qual ele entende que afeta de forma relevante as demonstrações e pre-

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judica os usuários, ou seja, a materialidade refere-se à relevância das distorções

agregadas nas demonstrações contábeis.

Assim, distorções acima do nível ou valor definido são materiais ou relevantes.

Distorções abaixo do valor são toleráveis e não ensejam modificação no parecer ou

opinião do auditor.

Para compreender melhor o conceito de materialidade das demonstrações contá-

beis ou de um saldo contábil, não se deve confundi-lo com o tamanho das demons-

trações ou com o tamanho de um saldo contabilizado. Isso porque uma conta com

saldo muito pequeno pode estar subavaliada (com saldo a menor por omissão de

lançamento) de forma material.

O conceito de materialidade é aplicado pelo auditor no planejamento e na exe-

cução da auditoria, e na avaliação do efeito de distorções identificadas sobre a audi-

toria e de distorções não corrigidas, se houver, sobre as demonstrações contábeis.

A opinião do auditor considera as demonstrações contábeis como um todo e,

portanto, o auditor não é responsável pela detecção de distorções que não

sejam relevantes para as demonstrações contábeis como um todo.

Materialidade ou relevância é a magnitude das distorções existentes em uma

demonstração contábil que prejudica um usuário dessas demonstrações.

Em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável →

estrutura de relatório financeiro aplicável é a estrutura de relatório financeiro ado-

tada pela administração e, quando apropriado, pelos responsáveis pela governança

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na elaboração das demonstrações contábeis, que é aceitável em vista da natureza

da entidade e do objetivo das demonstrações contábeis ou que seja exigida por lei

ou regulamento.

Dito de outra forma, a estrutura de relatório financeiro corresponde ao conjunto

de normas e práticas contábeis estabelecido pela lei e pelos órgãos normatizadores

que definem o arcabouço das demonstrações financeiras (balanço patrimonial, de-

monstração do resultado do exercício etc.) que uma entidade se obriga a cumprir

ao elaborar e publicar suas demonstrações financeiras, para prover informação a

diversos usuários (acionistas, investidores, fisco etc.).

A NBC TA 200 diferencia e define as estruturas de relatório financeiro: estrutura

de apresentação adequada e estrutura de conformidade.

A expressão “estrutura de apresentação adequada” é utilizada para se referir

a uma estrutura de relatório financeiro que exige conformidade com as exigências

dessa estrutura e:

a) reconhece explícita ou implicitamente que, para conseguir a apresentação

adequada das demonstrações contábeis, pode ser necessário que a administração

forneça divulgações além das especificamente exigidas pela estrutura;

b) reconhece explicitamente que pode ser necessário que a administração se

desvie de uma exigência da estrutura para conseguir a apresentação adequada das

demonstrações contábeis. Espera-se que tais desvios sejam necessários apenas

em circunstâncias extremamente raras.

A expressão “estrutura de conformidade” (compliance) é utilizada para se referir

a uma estrutura de relatório financeiro que exija a conformidade com as exigências

dessa estrutura, mas não reconhece os aspectos contidos em (a) e (b).

A forma da opinião do auditor depende da estrutura de relatório financeiro apli-

cável e de lei ou regulamento, que sejam aplicáveis.

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Quando a estrutura de relatório financeiro é uma estrutura de apresentação

adequada, como geralmente ocorre no caso de demonstrações contábeis para

fins gerais, a opinião exigida pelas normas é se as demonstrações contábeis foram

apresentadas adequadamente, em todos os aspectos relevantes.

Quando a estrutura de relatório financeiro é uma estrutura de conformidade,

a opinião exigida é se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os

aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura.

Entendeu a diferença entre estrutura de apresentação adequada e estrutura de

conformidade?

A diferença básica é que na de conformidade não se permite que a administra-

ção faça divulgações adicionais além das exigidas na estrutura e a administração

deixe de cumprir excepcionalmente uma determinada exigência. Essa flexibilidade

existe na estrutura de apresentação adequada, como na maioria das empresas

que aplicam as normas e práticas contábeis publicadas pelo CFC ou pelo Comitê de

Pronunciamento Contábil – CPA e publicam Balanço Patrimonial, Demonstração de

Resultado, Fluxo de Caixa, Mutações do Patrimônio Líquido e as Notas Explicativas.

ESTRUTURA DE APRESENTAÇÃO ADE-


ESTRUTURA DE CONFORMIDADE
QUADA

– Permite divulgações adicionais (flexível). – Não reconhece a necessidade de divulgações


– Opinião do auditor se as Demonstrações con- além das exigidas na estrutura.
tábeis foram apresentadas adequadamente. – Opinião do auditor se as DC foram elaboradas
em conformidade com a estrutura.

A Estrutura Conceitual para Elaboração e Apresentação de Demonstrações Contá-

beis, aprovada pelo CFC, é uma estrutura de apresentação adequada. Dessa

forma, as demonstrações financeiras de uso geral, preparadas pelas entidades para

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atender às necessidades dos mais diversos usuários (acionistas, bancos, forne-

cedores, órgãos reguladores etc.), são auditadas no contexto de apresentação

adequada.

Embora a opção de auditoria no contexto de conformidade seja pouco ou raramente

utilizada no Brasil, ela existe e nada impede que um órgão regulador, por exemplo,

passe a requerer que as entidades por ele reguladas passem a preparar outro jogo

adicional de demonstrações financeiras de acordo com as normas específicas esta-

belecidas por ele (estrutura de conformidade), além das demonstrações financeiras

elaboradas de acordo com as práticas adotadas no Brasil (estrutura de apresenta-

ção adequada).

5. Conjunto Completo de Demonstrações Financeiras Adotadas


no Brasil

Gonçalo Longo nos ensina que a estrutura de relatório financeiro (estrutura con-

tábil) também determina o que seja o conjunto completo de demonstrações finan-

ceiras. No caso brasileiro, a Estrutura Conceitual para Elaboração e Apresentação

de Demonstrações Contábeis emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis

– CPC e aprovada pelo CFC e órgãos reguladores (CVM, Banco Central e outros)

estabelece que as demonstrações financeiras devem fornecer informações sobre

a posição patrimonial e financeira, que é proporcionada pelo balanço patrimonial,

sobre o desempenho por meio da demonstração de resultado, sobre as mutações

do patrimônio líquido e sobre os fluxos de caixa.

Assim sendo, as demonstrações básicas para atender às necessidades gerais

compreendem o balanço patrimonial e as demonstrações do resultado, das muta-

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ções do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa, acompanhadas das respectivas

notas explicativas necessárias ao seu completo entendimento. No caso das compa-

nhias abertas, a Lei n. 6.404/1976 requer mais uma demonstração compreenden-

do os valores adicionados (DVA), que em outros países é considerada informação

suplementar.

6. Demonstrações para Fins Gerais e para Propósitos Especiais

As demonstrações contábeis podem ser elaboradas em conformidade com uma

estrutura de relatório financeiro desenhada para satisfazer:

• às necessidades de informação financeira comuns de um amplo leque de usu-

ários (isso é, “demonstrações contábeis para fins gerais”);

• às necessidades de informação financeira de usuários específicos (isso é, “de-

monstrações contábeis para propósitos especiais”).

As demonstrações financeiras para fins gerais são aquelas exigidas pelo Comitê

de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e aprovadas pelo CFC e outros órgãos regu-

ladores, quais sejam o balanço patrimonial e as demonstrações do resultado, das

mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa, acompanhadas das respec-

tivas notas explicativas.

São exemplos de demonstrações contábeis para propósitos especiais demons-

trações financeiras elaboradas de acordo com:

a) base de caixa (Demonstração de Recebimentos e Pagamentos de um condomí-

nio, por exemplo);

b) cláusulas de um contrato em que as partes envolvidas estabelecem os critérios

a serem utilizados;

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c) base fiscal para acompanhar a declaração de Imposto de Renda;

d) critérios estabelecidos por uma agência reguladora.

A estrutura de relatório financeiro aplicável muitas vezes abrange normas de

contabilidade estabelecidas por organização normatizadora autorizada ou reconhe-

cida ou por exigências legislativas ou regulamentares. Em alguns casos, a estrutura

de relatório financeiro pode abranger normas de informação contábil estabelecidas

por organização normatizadora autorizada ou reconhecida e exigências legislativas

ou regulamentares.

Outras fontes podem fornecer orientação sobre a aplicação da estrutura de

relatório financeiro aplicável. Em alguns casos, a estrutura de relatório financeiro

aplicável pode abranger tais fontes ou pode até mesmo consistir nelas. Tais fontes

podem incluir:

• o ambiente legal e ético, incluindo estatutos, regulamentos, veredictos e obri-

gações éticas profissionais em relação a assuntos contábeis;

• interpretações contábeis publicadas de diferente autoridade emitidas por or-

ganizações normatizadoras, profissionais ou reguladoras;

• pontos de vista publicados de diferentes autoridades sobre assuntos contá-

beis emergentes, emitidos por organizações normatizadoras, profissionais ou

reguladoras;

• práticas gerais e de indústria amplamente reconhecidas e prevalecentes;

• literatura contábil.

7. Responsabilidades da Administração e do Auditor

As demonstrações contábeis sujeitas à auditoria são as da entidade, elaboradas

pela sua administração, com supervisão geral dos responsáveis pela governança.

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As normas de auditoria independente não impõem responsabilidades à adminis-

tração ou aos responsáveis pela governança e não se sobrepõem às leis e regula-

mentos que governam as suas responsabilidades.

Contudo, a auditoria é conduzida com base na premissa de que a administração

e os responsáveis pela governança têm conhecimento de certas responsabilidades

que são fundamentais para a condução da auditoria. A auditoria das demonstrações

contábeis não exime dessas responsabilidades a administração ou os responsáveis

pela governança.

Que responsabilidades são essas?

• Responsabilidade pela elaboração das demonstrações contábeis em confor-

midade com a estrutura de relatório financeiro aplicável, incluindo quando

relevante sua apresentação adequada.

• Responsabilidade pelo tipo de controle interno que como administradores e,

quando apropriado, os responsáveis pela governança determinam ser neces-

sário para permitir a elaboração de demonstrações contábeis que estejam

livres de distorção relevante devido a fraude ou erro.

• Responsabilidade por fornecer ao auditor:

a) acesso a todas as informações, as quais a administração e, quando apropria-

do, aqueles responsáveis pela governança tenham conhecimento, que sejam rele-

vantes para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis; tais como

registros e documentação, e outros assuntos;

b) informações adicionais que o auditor possa solicitar da administração e, quan-

do adequado, dos responsáveis pela governança para a finalidade da auditoria;

c) acesso irrestrito às pessoas da entidade das quais o auditor determine ser

necessário obter evidências de auditoria.

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Nos termos da NBC TA 200, responsável pela governança é a pessoa ou or-

ganização com a responsabilidade de supervisionar de forma geral a direção estra-

tégica da entidade e obrigações relacionadas com a responsabilidade da entidade.

Isso inclui a supervisão geral do processo de relatório financeiro.

Nas grandes empresas, existem os responsáveis pela gestão (diretoria) e os

responsáveis pela governança (conselho de administração, por exemplo). Os ges-

tores ou diretores conduzem os negócios da empresa e prestam contas, elaborando

as demonstrações contábeis e outros relatórios. Os responsáveis pela governança

definem estratégias, supervisionam e controlam os atos de gestão. Os responsáveis

pela governança assumem uma função mais de controle, representando o dono da

empresa (acionistas e cotistas). É por isso que muitos afirmam que o Conselho de

Administração é o principal agente de governança nas empresas.

As NBC TAs estabelecem que, geralmente, a administração é responsável por

elaborar as demonstrações, e os responsáveis pela governança por supervisionar

essa tarefa. Contudo, em algumas empresas essas funções são compartilhadas,

não havendo separação clara entre administração e governança. Nesses casos,

todos são responsáveis pela elaboração das demonstrações e implantação e ma-

nutenção dos controles.

A elaboração das demonstrações contábeis, pela administração e, quando ade-

quado, pelos responsáveis pela governança requer:

• a identificação da estrutura de relatório financeiro aplicável, no contexto de

leis ou regulamentos relevantes.

• a elaboração das demonstrações contábeis em conformidade com essa estrutura.

• a inclusão de descrição adequada dessa estrutura nas demonstrações contá-

beis.

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A elaboração das demonstrações contábeis exige que a administração exer-

ça julgamento ao fazer estimativas contábeis razoáveis nas circunstâncias, assim

como ao selecionar e ao aplicar políticas contábeis adequadas. Esses julgamentos

são estabelecidos no contexto da estrutura de relatório financeiro aplicável.

As responsabilidades do auditor independente estão restritas ao seu objetivo

principal de expressar opinião sobre as demonstrações contábeis. Portanto, o au-

ditor deve aplicar os procedimentos de auditoria, em cumprimento às normas e à

legislação, para obter evidência de auditoria suficiente e adequada que lhe dê se-

gurança razoável para expressar opinião sobre as demonstrações financeiras.

Qualquer que seja a estrutura de relatório financeiro adotado pela entidade,

o auditor deve expressar sua opinião sobre as demonstrações no seu relatório ou

parecer, contendo de forma concisa a conclusão se as demonstrações financeiras

foram ou não elaboradas, em todos os seus aspectos relevantes, de acordo com a

estrutura de relatório que seja aplicável.

A opinião do auditor não fornece qualquer segurança sobre a viabilidade futura

da entidade, nem quanto à eficiência e eficácia de como são conduzidos os negócios

da entidade, pois esse não é o objetivo da auditoria de demonstrações contábeis.

Uma entidade pode ter seus negócios conduzidos de forma péssima, mas o seu ba-

lanço patrimonial pode espelhar de forma apropriada a péssima posição patrimonial

e financeira e, portanto, a opinião do auditor sobre o balanço não conterá qualquer

ressalva. Portanto, um relatório ou parecer de auditoria sem ressalvas não significa

um atestado de boa gestão ou garantia de viabilidade futura da entidade.

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Objetivos Gerais do Auditor

Ao conduzir a auditoria de demonstrações contábeis, os objetivos gerais do au-

ditor são:

• obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo

estão livres de distorção relevante, independentemente se causadas por frau-

de ou erro, possibilitando assim que o auditor expresse sua opinião sobre se

as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos rele-

vantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável;

• apresentar relatório sobre as demonstrações contábeis e comunicar-se como

exigido pelas NBC TAs, em conformidade com as constatações do auditor.

Perceba que o objetivo do auditor é obter segurança razoável de que as demons-

trações contábeis como o um todo estão livres de distorção relevante. Logo, jamais

se alcança segurança absoluta no contexto de um trabalho executado por um

auditor, que se vale de procedimentos que permitem fornecer um nível apropriado

de segurança aos usuários de um trabalho de asseguração razoável, a um tempo e

custo razoáveis.

Logo, o nível de segurança a ser alcançado pelo auditor pela aplicação dos procedi-

mentos de auditoria e obtenção de evidência é elevado, mas não absoluto, pois não

existe “risco zero” em auditoria. A auditoria é um trabalho de asseguração razoável!

Outro cuidado em prova é ficar atento às artimanhas da banca ao tentar con-

fundir o candidato quanto ao objetivo da auditoria e aos objetivos gerais do auditor.

Como vimos, o objetivo da auditoria de DC é aumentar o grau de confiança dos

usuários das demonstrações e o objetivo geral do auditor é obter segurança razo-

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ável de que as demonstrações contábeis como um todo estão livres de distorção

relevante, possibilitando, assim, que o auditor expresse sua opinião sobre se as

demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em

conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável.

Muita atenção, pois NÃO constituem objetivos gerais do auditor independente:

• elaborar demonstrações contábeis;

• detectar fraudes e erros. A responsabilidade primária pela detecção de erros

e de sua correção é da administração da empresa. O auditor planeja os seus

trabalhos com o intuito de detectar fraudes e erros que tenham efeito rele-

vante sobre as demonstrações;

• melhorar a eficácia dos controles internos. Contribuir para a melhoria dos

controles é um objetivo secundário da auditoria externa, que decorre do ob-

jetivo global de expressar opinião sobre as demonstrações. O auditor interno

possui este objetivo e não o auditor independente ou externo;

• assegurar a viabilidade futura da entidade e atestar a eficiência e a eficácia

com que a administração conduziu os negócios da entidade. Não é objetivo

da auditoria independente avaliar o desempenho da entidade auditada. Por-

tanto, uma opinião sem ressalva não significa garantia de viabilidade futura

da entidade ou algum tipo de atestado de eficácia da administração na gestão

dos negócios. Significa apenas que as demonstrações não contêm erros, dis-

torções ou omissões relevantes.

Outras responsabilidades de comunicação

O relatório (parecer) do auditor sobre as demonstrações contábeis não é o úni-

co “produto” da auditoria. O auditor também pode ter outras responsabilidades de

comunicação e de relatório, perante os usuários, a administração, os responsáveis

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pela governança ou partes fora da entidade, a respeito dos assuntos decorrentes

da auditoria.

Essas outras responsabilidades podem ser estabelecidas pelas NBC TAs, por lei

ou regulamento aplicável, como, por exemplo, NBC TA 260 – Comunicação com os

Responsáveis pela Governança, e item 43 da NBC TA 240 que trata da responsabi-

lidade do auditor em relação a fraude, no contexto da auditoria de demonstrações

contábeis.

Entre as questões a serem discutidas e/ou comunicadas à administração e aos

responsáveis pela governança, incluem-se:

• controles internos;

• práticas contábeis importantes;

• estimativas contábeis e julgamentos realizados pela administração;

• ajustes contábeis significativos;

• descobertas de fraudes;

• divergências com a administração;

• dificuldades encontradas na realização da auditoria.

Note que o principal objetivo do auditor é expressar opinião em relatório sobre a

adequação das demonstrações contábeis. Todavia, por exigência normativa, o audi-

tor deverá emitir outras comunicações ou relatórios, como por exemplo, para apre-

sentar comunicações específicas aos responsáveis pela governança; para comunicar

deficiências de controles internos; para comunicar a ocorrência de fraudes etc.

Requisitos para o Exercício da Auditoria

A NBC TA 200 estabelece alguns requisitos necessários para o exercício da au-

ditoria independente:

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1. requisitos éticos;

2. ceticismo profissional;

3. julgamento profissional;

4. evidência de auditoria apropriada e suficiente e risco de auditoria;

4. condução da auditoria em conformidade com as NBC TAs.

Os requisitos éticos relacionados à auditoria serão estudados na aula 3. Vere-

mos a seguir os demais requisitos.

Ceticismo Profissional

As normas de auditoria destacam que a auditoria deve ser planejada e execu-

tada com o necessário ceticismo de que existem situações que causam distorções

nas demonstrações financeiras.

Ceticismo profissional é a postura que inclui uma mente questionadora e alerta

para condições que possam indicar possível distorção devido a erro ou fraude e

uma avaliação crítica das evidências de auditoria.

O ceticismo profissional inclui estar alerta, por exemplo, a:

• evidências de auditoria que contradigam outras evidências obtidas;

• informações que coloquem em dúvida a confiabilidade dos documentos e res-

postas a indagações a serem usadas como evidências de auditoria;

• condições que possam indicar possível fraude;

• circunstâncias que sugiram a necessidade de procedimentos de auditoria além

dos exigidos pelas NBC TAs.

A manutenção do ceticismo profissional ao longo de toda a auditoria é necessá-

ria, por exemplo, para que o auditor reduza os riscos de:

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• ignorar circunstâncias não usuais;


• generalização excessiva ao tirar conclusões das observações de auditoria;
• uso inadequado de premissas ao determinar a natureza, a época e a extensão
dos procedimentos de auditoria e ao avaliar os resultados destes.

O ceticismo profissional é necessário para a avaliação crítica das evidências de


auditoria. Isso inclui questionar evidências de auditoria contraditórias e a confiabili-
dade dos documentos e respostas a indagações e outras informações obtidas junto
à administração e aos responsáveis pela governança. Também inclui a consideração
da suficiência e adequação das evidências de auditoria obtidas considerando as cir-
cunstâncias, por exemplo, no caso de existência de fatores de risco de fraude e um
documento individual, de natureza suscetível de fraude, for a única evidência que
corrobore um valor relevante da demonstração contábil.
O auditor pode aceitar registros e documentos como genuínos, a menos que
tenha razão para crer no contrário. Contudo, exige-se que o auditor considere a
confiabilidade das informações a serem usadas como evidências de auditoria. Em
casos de dúvida a respeito da confiabilidade das informações ou indicações de pos-
sível fraude (por exemplo, se condições identificadas durante a auditoria fizerem
o auditor crer que um documento pode não ser autêntico ou que termos de docu-
mento podem ter sido falsificados), as normas de auditoria exigem que o auditor
faça investigações adicionais e determine que modificações ou adições aos proce-
dimentos de auditoria são necessários para solucionar o assunto.
Não se pode esperar que o auditor desconsidere a experiência passada de ho-
nestidade e integridade da administração da entidade e dos responsáveis pela go-
vernança. Contudo, a crença de que a administração e os responsáveis pela gover-
nança são honestos e têm integridade não livra o auditor da necessidade de manter
o ceticismo profissional ou permitir que ele se satisfaça com evidências de auditoria
menos que persuasivas na obtenção de segurança razoável.

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Julgamento Profissional

Julgamento profissional é a aplicação do treinamento, conhecimento e expe-

riência relevantes, dentro do contexto fornecido pelas normas de auditoria, con-

tábeis e éticas, na tomada de decisões informadas a respeito dos cursos de ação

apropriados nas circunstâncias do trabalho de auditoria.

O julgamento profissional é essencial para a condução apropriada da auditoria.

Isso porque a interpretação das exigências éticas e profissionais relevantes, das

normas de auditoria e as decisões informadas requeridas ao longo de toda a audito-

ria não podem ser feitas sem a aplicação do conhecimento e experiência relevantes

para os fatos e circunstâncias.

O julgamento profissional é necessário, em particular, nas decisões sobre:

• determinação do nível de materialidade e avaliação do risco de auditoria;

• determinação da natureza, a época e a extensão dos procedimentos de audi-

toria aplicados para o cumprimento das exigências das normas de auditoria e

a coleta de evidências de auditoria;

• avaliação se foi obtida evidência de auditoria suficiente e apropriada e se algo

mais precisa ser feito para que sejam cumpridos os objetivos das NBC TAs e,

com isso, os objetivos gerais do auditor;

• avaliação das opiniões da administração na aplicação da estrutura de relatório

financeiro aplicável da entidade;

• extração de conclusões baseadas nas evidências de auditoria obtidas, por

exemplo, pela avaliação da razoabilidade das estimativas feitas pela adminis-

tração na elaboração das demonstrações contábeis.

O julgamento profissional precisa ser exercido ao longo de toda a auditoria. Ele

também precisa ser adequadamente documentado. Nesse aspecto, é exigido que

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o auditor elabore documentação de auditoria suficiente para possibilitar que outro

auditor experiente, sem nenhuma ligação prévia com a auditoria, entenda os jul-

gamentos profissionais significativos exercidos para se atingir as conclusões sobre

assuntos significativos surgidos durante a auditoria.

Evidência de Auditoria Apropriada e Suficiente

Evidências de auditoria são as informações utilizadas pelo auditor para funda-

mentar suas conclusões em que se baseia a sua opinião. As evidências de auditoria

incluem informações contidas nos registros contábeis subjacentes às demonstra-

ções contábeis e outras informações.

Portanto, as evidências constituem todos os meios de prova obtidos pelo au-

ditor para ajudá-lo a formar uma base razoável para emissão de opinião sobre as

demonstrações contábeis que estão sendo auditadas.

A evidência de auditoria é de natureza cumulativa e primariamente obtida a

partir de procedimentos de auditoria executados durante o curso da auditoria. Con-

tudo, também pode incluir informações obtidas de outras fontes, como auditorias

anteriores ou procedimentos de controle de qualidade do auditor para aceitação e

continuidade de clientes.

Além de outras fontes dentro e fora da entidade, os registros contábeis da enti-

dade são uma fonte importante de evidência de auditoria. Além disso, informações

que possam ser usadas como evidências de auditoria podem ter sido elaboradas

por especialista empregado ou contratado pela entidade.

As evidências de auditoria abrangem informações que sustentam e corroboram

as afirmações da administração e informações que contradizem tais afirmações.

Além disso, em alguns casos, a ausência de informações (por exemplo, a recusa da

administração de fornecer uma representação solicitada) é usada pelo auditor e,

portanto, também constitui evidência de auditoria.

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A maior parte do trabalho do auditor na formação de sua opinião consiste na

obtenção e avaliação da evidência de auditoria.

A suficiência e adequação das evidências de auditoria estão inter-relaciona-

das.

A suficiência é a medida da quantidade de evidência de auditoria. A quan-

tidade necessária de evidência de auditoria é afetada pela avaliação pelo auditor

dos riscos de distorção (quanto mais elevados os riscos avaliados, maior a proba-

bilidade de que seja necessária mais evidência de auditoria) e pela qualidade de

tais evidências de auditoria (quanto melhor a qualidade, menos evidência pode ser

necessária). A obtenção de mais evidência de auditoria, porém, pode não compen-

sar a sua má qualidade.

A adequação é a medida da qualidade da evidência de auditoria, isso é, a sua

relevância e confiabilidade no suporte das conclusões em que se baseia a opinião

do auditor. A confiabilidade da evidência é influenciada pela sua fonte e sua natu-

reza e depende das circunstâncias individuais em que são obtidas.

O que é uma distorção? É a diferença entre o valor, a classificação, a apre-

sentação ou a divulgação de uma demonstração contábil relatada (divulgada nas

demonstrações) e o valor, a classificação, a apresentação ou a divulgação que é

exigida para que o item esteja de acordo com a estrutura de relatório financeiro

aplicável.

Portanto, pode envolver o registro de uma operação por valor inadequado, um

erro de classificação ou uma falha na divulgação de informação em Nota Explicati-

va, por exemplo.

As distorções podem originar-se de erro ou fraude. Quando o auditor expressa

uma opinião sobre se as demonstrações contábeis foram apresentadas adequada-

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mente, em todos os aspectos relevantes, as distorções também incluem os ajustes

de valor, classificação, apresentação ou divulgação que, no julgamento do auditor,

são necessários para que as demonstrações contábeis estejam apresentadas ade-

quadamente, em todos os aspectos relevantes.

Risco de Auditoria

Risco de auditoria é a probabilidade de o auditor expressar uma opinião ina-

dequada sobre demonstrações contábeis que apresentem distorções relevantes.

Ou seja, é o risco de o auditor emitir opinião sem ressalva acerca de demonstrações

contábeis que contenham erros ou fraudes relevantes.

O objetivo do auditor é reduzir o risco de auditoria a um nível aceitavelmente

baixo, mediante a obtenção de evidência de auditoria suficiente e apropriada,

Por ser um dos assuntos mais cobrados em prova de auditoria, o risco de audi-

toria será tratado de forma destacada ainda nesta aula.

Limitação Inerente da Auditoria e Asseguração Razoável

Como base para a opinião do auditor, as normas exigem que ele obtenha segu-

rança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo estão livres de

distorção relevante, independentemente se causadas por fraude ou erro.

Asseguração razoável é um nível elevado de segurança. Esse nível é conse-

guido quando o auditor obtém evidência de auditoria apropriada e suficiente para

reduzir a um nível aceitavelmente baixo o risco de auditoria (isso é, o risco de que

o auditor expresse uma opinião inadequada quando as demonstrações contábeis

contiverem distorção relevante).

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Asseguração razoável não é um nível absoluto de segurança. O auditor não é

obrigado e não pode reduzir o risco de auditoria a zero, e, portanto, não pode obter

segurança absoluta de que as demonstrações contábeis estão livres de distorção

relevante devido à fraude ou erro. Isso porque uma auditoria tem limitações ine-

rentes, e, como resultado, a maior parte das evidências de auditoria que propiciam

ao auditor obter suas conclusões e nas quais baseia a sua opinião são persuasivas

(convincentes) em vez de conclusivas.

As limitações inerentes de uma auditoria originam-se da:

• natureza das informações contábeis;

• natureza dos procedimentos de auditoria; e

• necessidade de que a auditoria seja conduzida dentro de um período de tem-

po razoável e a um custo razoável.

Natureza das Informações Contábeis

A elaboração das demonstrações contábeis envolve o julgamento da adminis-

tração na aplicação das exigências da estrutura de relatório financeiro aplicável aos

fatos e circunstâncias da entidade.

Além disso, muitas demonstrações contábeis envolvem decisões ou avaliações

subjetivas ou um grau de incerteza e pode haver uma série de interpretações ou

julgamentos aceitáveis que podem ser estabelecidos.

Consequentemente, alguns itens das demonstrações contábeis estão sujeitos

a um nível inerente de variabilidade que não pode ser eliminado pela aplicação de

procedimentos adicionais de auditoria. É o caso de certas estimativas contábeis.

Contudo, as normas de auditoria exigem que o auditor considere especificamente

se as estimativas contábeis são razoáveis no contexto da estrutura de relatório

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financeiro aplicável e divulgações relacionadas, e os aspectos qualitativos das prá-

ticas contábeis da entidade, inclusive indicadores de possível tendência nos julga-

mentos da administração.

Natureza dos Procedimentos de Auditoria

Há limites práticos e legais à capacidade do auditor de obter evidências de au-

ditoria. Por exemplo:

• Existe a possibilidade de que a administração ou outros possam não fornecer,

intencionalmente ou não, as informações completas que são relevantes para

a elaboração das demonstrações contábeis ou que tenham sido solicitadas

pelo auditor. Portanto, o auditor não pode ter certeza da integridade da in-

formação, embora tenha executado os procedimentos de auditoria para obter

certeza de que todas as informações relevantes foram obtidas.

• A fraude pode envolver esquemas sofisticados e cuidadosamente organiza-

dos para sua ocultação. Portanto, os procedimentos de auditoria aplicados

para coletar evidências de auditoria podem ser ineficazes para a detecção de

distorção relevante que envolva, por exemplo, conluio para a falsificação de

documentação que possa fazer o auditor acreditar que a evidência de audi-

toria é válida quando ela não é. O auditor não é treinado nem obrigado a ser

especialista na verificação de autenticidade de documentos.

• A auditoria não é uma investigação oficial de suposto delito. Portanto, o au-

ditor não recebe poderes legais específicos, tais como o poder de busca, que

podem ser necessários para tal investigação.

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Oportunidade das Informações Contábeis e o Equilíbrio entre Custo e

Benefício

A dificuldade, falta de tempo ou custo envolvido não são, por si só, base válida

para que o auditor omita um procedimento de auditoria para o qual não há alterna-

tiva ou que deva ser satisfeito com evidências de auditoria menos que persuasivas.

O planejamento adequado ajuda a tornar suficientes o tempo e os recursos dis-

poníveis para a condução da auditoria. Apesar disso, a relevância da informação e,

por meio dela, o seu valor tende a diminuir ao longo do tempo, e há um equilíbrio

a ser atingido entre a confiabilidade das informações e o seu custo.

Isso é reconhecido em certas estruturas de relatório financeiro, como por exem-

plo, no Brasil, a “Estrutura para a Elaboração e Apresentação de Demonstrações

Contábeis”, aprovada pelo CFC. Portanto, os usuários de demonstrações contábeis

têm a expectativa de que o auditor formará uma opinião sobre as demonstrações

contábeis dentro de um período de tempo e a custo razoáveis, reconhecendo que

é impraticável tratar de todas as informações que possam existir ou tratar cada

assunto exaustivamente com base na premissa de que as informações são erradas

ou fraudulentas até prova em contrário.

Consequentemente, é necessário que o auditor:

• planeje a auditoria de modo que ela seja executada de maneira eficaz;

• dirija o esforço de auditoria às áreas com maior expectativa de distorção re-

levante, independentemente se causada por fraude ou a erro, com esforço

correspondentemente menor dirigido a outras áreas;

• aplique testes e outros meios para examinar populações em busca de distor-

ções.

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Em decorrência das limitações inerentes de uma auditoria, há um risco inevitá-

vel de que algumas distorções relevantes das demonstrações contábeis não sejam

detectadas, embora a auditoria seja adequadamente planejada e executada em

conformidade com as normas de auditoria. Portanto, descoberta posterior de uma

distorção relevante das demonstrações contábeis, resultante de fraude ou erro,

não indica por si só, uma falha na condução de uma auditoria em conformidade

com as normas de auditoria.

Contudo, os limites inerentes de uma auditoria não são justificativas para que

o auditor se satisfaça com evidências de auditoria menos que persuasivas (convin-

centes). Se o auditor executou ou não uma auditoria em conformidade com as nor-

mas de auditoria, são determinados pelos procedimentos de auditoria executados

nas circunstâncias a suficiência e adequação das evidências de auditoria obtidas

como resultado desses procedimentos e a adequação do relatório do auditor com

base na avaliação dessas evidências considerando os objetivos gerais do auditor.

E quando o auditor não consegue obter segurança razoável para opinar sobre as

demonstrações contábeis?

Nesse caso, a NBC TA 200 estabelece que, quando a opinião com ressalva no

relatório do auditor for insuficiente nas circunstâncias para atender aos usuários

previstos das demonstrações contábeis, o auditor deve abster-se de emitir sua

opinião ou renunciar ao trabalho, quando a renúncia for possível de acordo com

lei ou regulamentação aplicável.

Portanto, diante de uma limitação no trabalho ou ausência de evidência e, por

consequência, de segurança razoável, o auditor tem três saídas:

1ª – se a limitação é relevante, mas não generalizada, o auditor pode optar pela

opinião com ressalva em seu relatório;

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2ª – se a ressalva for insuficiente nas circunstâncias para atender aos usuários,

o auditor deve optar pela abstenção de opinião em seu relatório;

3ª – se é muito grave a limitação e o auditor conclui que não existe segurança

para continuar o trabalho, ele pode renunciar, caso a renúncia seja possível e per-

mitida por lei ou regulamento.

Condução da Auditoria em Conformidade com NBC TAs

A NBC TA 200 estabelece ainda que o auditor deve observar todas as NBC TAs

relevantes para a auditoria. Uma NBC TA é relevante para a auditoria quando ela

está em vigor e as circunstâncias tratadas nela existem na situação específica.

O auditor não deve declarar conformidade com as normas de auditoria (brasi-

leiras e internacionais) no seu relatório, a menos que ele tenha cumprido com as

exigências desta Norma e de todas as demais NBC TAs relevantes para a auditoria.

Portanto, o auditor deve cumprir com cada exigência de uma NBC TA, a menos

que, nas circunstâncias da auditoria:

a) a NBC TA inteira não seja relevante. Por exemplo, se a entidade não tem a

função de auditoria interna, nenhum aspecto da NBC TA 610 – Utilização do Traba-

lho de Auditoria Interna é relevante;

b) a exigência não seja relevante por ser condicional e a condição não existir.

Por exemplo, o requisito de modificar a opinião do auditor se houver uma limitação

de alcance (NBC TA 705 – Modificações na Opinião do Auditor Independente) repre-

senta uma exigência condicional explícita.

Em circunstâncias excepcionais, o auditor pode julgar necessário não considerar

uma exigência relevante em uma NBC TA. Em tais circunstâncias, o auditor deve

executar procedimentos de auditoria alternativos para cumprir o objetivo dessa

exigência.

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Se um objetivo em uma NBC TA relevante não pode ser cumprido, o auditor

deve avaliar se isso o impede de cumprir os objetivos gerais de auditoria e se isso

exige que ele, em conformidade com as NBC TAs, modifique sua opinião ou renun-

cie ao trabalho (quando a renúncia seja possível de acordo com lei ou regulamento

aplicável).

Quadro-resumo:

SÃO RESPONSABILIDADES DO AUDITOR NÃO SÃO RESPONSABILIDADES OU


INDEPENDENTE DAS DEMONSTRAÇÕES OBRIGAÇÕES DO AUDITOR INDEPENDENTE
CONTÁBEIS: DAS DC:

• avaliar riscos de distorções relevantes nas DC; • atestar a eficácia da administração;


• obter evidência suficiente e apropriada/segu- • assegurar a continuidade da empresa audi-
rança razoável; tada;
• emitir opinião/relatório sobre as DC; • revelar distorções (erros e fraudes) irrelevan-
• comunicar-se de acordo com as normas (não tes;
conformidades, fraudes etc.); • prevenir e detectar fraudes;
• cumprir as exigências éticas relevantes, inclu- • eliminar o risco de auditoria;
sive as pertinentes à independência; • elaborar demonstrações contábeis e implantar
• planejar e executar a auditoria com ceticismo normas;
profissional; • ter certeza da integridade das informações
• exercer julgamento profissional ao planejar e fornecidas pela entidade;
executar a auditoria; • proceder à investigação de fraude mediante
• observar todas as NBC TAs relevantes para a busca e apreensão de documentos;
auditoria. • cumprir normas que não sejam relevantes
para a auditoria.

A seguir, você verá o último assunto desta aula, que é o risco de auditoria.

8. Risco de Auditoria – Risco Inerente, de Controle e de Detecção

Sabemos que a auditoria é um trabalho complexo, que envolve a aplicação de

variados e sofisticados procedimentos para sua consecução. Assim, é inevitável que

em todos os trabalhos de auditoria haja certo grau de risco de que erros ou irre-

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gularidades existentes nos registros, nas demonstrações contábeis e/ou na gestão

dos recursos públicos possam não ser detectados durante o procedimento audito-

rial.

Quando os erros não são significativos e, consequentemente, não invalidam as

demonstrações contábeis examinadas ou a gestão, o risco de ser o auditor respon-

sabilizado por sua omissão é pequeno e seus efeitos no conceito do auditor podem

ser irrelevantes. Pode ocorrer, entretanto, que um erro ou irregularidade relevante

não seja descoberto e isso pode macular o prestígio do auditor e envolvê-lo em

processo de responsabilização seriamente prejudicial à sua carreira profissional.

Portanto, tomar decisões sobre risco de auditoria representa um dos passos

principais na realização de uma auditoria. O conceito de risco de auditoria é impor-

tante como forma de expressão da ideia de segurança razoável. O auditor avalia os

componentes do risco de auditoria – risco inerente, risco de controle e risco de de-

tecção –, para orientar suas decisões tanto sobre a natureza, a época de realização,

a extensão de procedimentos de auditoria e sobre a formação da equipe.

Risco de auditoria é a probabilidade de o auditor expressar uma opinião ina-

dequada sobre demonstrações contábeis que apresentem distorções relevantes.

Ou seja, é o risco de o auditor emitir opinião sem ressalva acerca de demonstrações

contábeis que contenham erros ou fraudes relevantes.

Os conceitos de risco e de segurança razoável são o inverso um do outro. Quan-

to mais certo o auditor desejar estar de que está expressando uma opinião correta,

mais baixo será o risco de auditoria que estará inclinado a aceitar. Por exemplo, se

desejar um nível de certeza de 98%, o risco de auditoria será de 2%.

O objetivo da auditoria é reduzir o risco de auditoria a um nível aceitavelmente

baixo. NÃO EXISTE RISCO ZERO!

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Cuidado em prova para situações que não configuram risco de auditoria. Para fins

das normas de auditoria contábil, o risco de auditoria não inclui o risco de que o au-

ditor possa expressar uma opinião de que as demonstrações contábeis contêm dis-

torção relevante quando esse não é o caso. Esse risco geralmente é insignificante.

Vou explicar melhor. As normas exigem que o auditor, diante de uma possível dis-

torção relevante, discuta o caso com a administração e aplique procedimentos adi-

cionais para se certificar de que realmente ocorreu uma distorção relevante. Logo,

esse risco (tipo de conclusão errônea) afeta a eficiência da auditoria e não a sua

eficácia, porque ela normalmente levaria a um trabalho adicional para estabelecer

que as conclusões iniciais estavam incorretas.

A NBC TA 200 estabelece ainda que o risco de auditoria é um termo técnico relacio-

nado ao processo de auditoria; ele não se refere aos riscos de negócio do auditor,

tais como perda decorrente de litígio, publicidade adversa ou outros eventos surgi-

dos em conexão com a auditoria das demonstrações contábeis.

O risco de auditoria possui dois elementos-chave:

1. o risco de distorção relevante, que se divide em riscos inerentes e de controle;

2. o risco de detecção.

O risco de auditoria é uma função dos riscos de distorção relevante e do risco de

detecção. Isso porque o auditor considera o risco de distorção relevante, avaliando

o risco inerente e o risco de controle, para estabelecer o nível de risco que deve

aceitar em seus testes: o chamado risco de detecção.

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Para um dado nível de risco de auditoria, o nível aceitável de risco de detecção

tem uma relação inversa com os riscos avaliados de distorção relevante no nível da

afirmação. Por exemplo, quanto maiores são os riscos de distorção relevante que o

auditor acredita existir, menor é o risco de detecção que pode ser aceito e, portan-

to, mais persuasivas as evidências de auditoria exigidas pelo auditor.

8.1 O Risco de Distorção Relevante

Os riscos de distorção relevante podem existir em dois níveis:

a)no nível geral da demonstração contábil;

b) no nível da afirmação para classes de transações, saldos contábeis e divul-

gações.

Riscos de distorção relevante no nível geral da demonstração contábil referem-

-se aos riscos de distorção relevante que se relacionam de forma disseminada às

demonstrações contábeis como um todo e que afetam potencialmente muitas afir-

mações.

Os riscos de distorção relevante no nível da afirmação (saldo de uma conta, por

exemplo) são avaliados para que se determine a natureza, a época e a extensão

dos procedimentos adicionais de auditoria necessários para a obtenção de evidên-

cia de auditoria apropriada e suficiente.

Essa evidência possibilita ao auditor expressar uma opinião sobre as demons-

trações contábeis em um nível aceitavelmente baixo de risco de auditoria.

Os auditores usam várias abordagens para cumprir o objetivo de avaliar os ris-

cos de distorção relevante. Por exemplo:

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o auditor pode fazer uso de um modelo que expresse a relação geral dos compo-

nentes do risco de auditoria em termos matemáticos para chegar a um nível acei-

tável de risco de detecção. Alguns auditores julgam tal modelo útil no planejamento

de procedimentos de auditoria.

Os riscos de distorção relevante no nível da afirmação consistem em dois com-

ponentes: risco inerente e risco de controle. Eles são riscos da entidade; eles

existem independentemente da auditoria das demonstrações contábeis!

8.2 O Risco Inerente

O risco inerente é a probabilidade de distorções relevantes não levando em

conta os controles internos existentes. Depende da natureza da entidade ou da

área ou da conta examinada, sem considerar os controles. Ele varia de acordo com

a atividade da entidade, afirmações e saldos e divulgações.

O risco inerente é mais alto para algumas afirmações e classes relacionadas de

transações, saldos contábeis e divulgações do que para outras. Por exemplo, ele

pode ser mais alto para cálculos complexos ou contas compostas de valores deriva-

dos de estimativas contábeis sujeitas à incerteza significativa de estimativa.

Fatores na entidade e no seu ambiente, relacionados a várias ou todas as clas-

ses de transações, saldos contábeis ou divulgações também podem influenciar o

risco inerente relacionado a uma afirmação específica. Tais fatores podem incluir,

por exemplo, falta de capital de giro suficiente para a continuidade das operações

ou uma indústria em declínio caracterizada por um grande número de falências (ou

fracassos de negócio).

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8.36. O Risco de Controle

O risco de controle depende da eficácia do desenho, implementação e ma-


nutenção do controle interno pela administração no tratamento dos riscos identi-
ficados que ameaçam o cumprimento dos objetivos da entidade relevantes para a
elaboração das demonstrações contábeis da entidade.
Contudo, o controle interno, independentemente da qualidade do seu desenho
e operação, pode reduzir, mas não eliminar, os riscos de distorção relevante nas
demonstrações contábeis, por causa das limitações inerentes ao controle interno.
Essas limitações incluem, por exemplo, a possibilidade de erros ou equívocos hu-
manos, ou de controles contornados por conluio ou burla inapropriada da adminis-
tração. Portanto, algum risco de controle sempre existe.
As normas de auditoria geralmente não se referem ao risco inerente e ao risco
de controle separadamente, mas a uma avaliação combinada dos “riscos de distor-
ção relevante”. Contudo, o auditor pode fazer avaliações separadas ou combinadas
do risco inerente e do risco de controle, dependendo das técnicas de auditoria ou
metodologias e considerações práticas.
A avaliação dos riscos de distorção relevante pode ser expressa em termos
quantitativos, como porcentagens, ou em termos não quantitativos. De qualquer
maneira, a necessidade de que o auditor faça avaliações adequadas é mais impor-
tante do que as diferentes abordagens pelas quais elas são feitas.

8.4 O Risco de Detecção

O risco de detecção se relaciona com a natureza, época e extensão dos proce-

dimentos que são determinados pelo auditor para reduzir o risco de auditoria a um

nível aceitavelmente baixo. Portanto, é uma função da eficácia de um procedimento

de auditoria e de sua aplicação pelo auditor.

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Algumas medidas ajudam os auditores a aprimorarem a eficácia de um procedi-

mento de auditoria e de sua aplicação e reduzem a possibilidade de que um auditor

possa selecionar um procedimento de auditoria inadequado, aplicar erroneamente

um procedimento de auditoria adequado ou interpretar erroneamente os resulta-

dos da auditoria. Portanto, reduzem o risco de detecção. São elas:

a) planejamento adequado;

b) designação apropriada de pessoal para a equipe de trabalho;

c) aplicação de ceticismo profissional;

d) supervisão e revisão do trabalho de auditoria executado.

As normas de auditoria estabelecem exigências e fornecem orientação sobre

o planejamento de uma auditoria de demonstrações contábeis e as respostas do

auditor aos riscos avaliados. O risco de detecção, porém, só pode ser reduzido,

não eliminado, devido às limitações inerentes de uma auditoria. Portanto, sempre

existe risco de detecção.

RISCO DE AUDITORIA → risco ou probabilidade de que o auditor emita uma opi-

nião inadequada sobre um objeto (demonstrações financeiras) que contém distor-

ções relevantes. O risco de auditoria é uma função dos riscos de distorção relevante

e do risco de detecção.

RISCO DE DISTORÇÃO RELEVANTE → risco ou probabilidade de ocorrência de

erro e fraude relevante antes da auditoria, pois é da entidade, sendo avaliado pelo

auditor considerando-se o risco inerente e o risco de controle.

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RISCO INERENTE (OU INTRÍNSECO) → probabilidade de distorções relevantes,

não levando em conta os controles internos existentes. Depende da natureza da

entidade ou da área ou da conta examinada, sem considerar os controles.

RISCO DE CONTROLE → probabilidade de que os controles internos não previnam

ou detectem erros e fraudes relevantes. É uma função da eficácia dos controles

internos.

RISCO DE DETECÇÃO → se relaciona com a natureza, a época e a extensão dos

procedimentos que são determinados pelo auditor para reduzir o risco de auditoria

a um nível baixo aceitável. Portanto, é uma função da eficácia do procedimento de

auditoria e de sua aplicação pelo auditor.

Quanto ao risco em auditoria, ressalto ainda a contribuição de William Boynton

e outros autores, no livro Auditoria, obra muito utilizada pelo Cespe/Cebraspe.

Os autores ensinam que os riscos podem ser definidos de uma forma quantita-

tiva (mediante percentuais, por exemplo) ou qualitativa (alto, médio ou baixo, por

exemplo). Se o tratamento dado for quantitativo, o modelo do risco de auditoria

segue uma expressão matemática, na qual o risco de auditoria (RA) é a resultante

da multiplicação do risco inerente (RI), risco de controle (RC) e risco de detecção

(RD), conforme a seguir:

RA = RI x RC x RD

Por exemplo:

Considere-se a situação descrita de um risco de auditoria desejado de 5%. Supon-

do-se que o auditor após a realização de testes avaliou um risco inerente de 80%

e um risco de controle de 50%, o risco de detecção será de:

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RD = RA / (RI x RC) = 0,05 / (0,8 x 0,5) = 12,5%

Como a confiança é o valor complementar do risco de detecção (1- 0,125), a con-

fiança necessária para os testes substantivos deve ser de 87,5%, isto é o auditor

deve planejar testes substantivos tais que a probabilidade de que eles não detec-

tem erros, omissões ou irregularidades existentes seja de 12,5%.

O risco inerente e de controle são assim avaliados pelo auditor, mediante a

aferição da adequação e efetividade dos diversos controles internos (podem uti-

lizar evidências obtidas a partir dos exames de controle efetuados em auditorias

anteriores), que servirão para definir o risco de auditoria. Vê-se, portanto, que a

análise de risco e de controle é uma medida importante na fase de planejamento

dos trabalhos, posto que visa definir a natureza e extensão dos procedimentos e

testes de auditoria.

Portanto, podemos concluir pelo que foi visto até aqui, que os testes de controle

estão relacionados ao risco de controle e os testes substantivos estão vinculados ao

risco de detecção. Quanto maior o risco de controle avaliado pelo auditor, menor deve

ser o risco de detecção a ser aceito, devendo o auditor modificar e ampliar os testes

substantivos, em função do risco maior de erros e distorções nas demonstrações.

Portanto, há uma relação inversa entre os testes de controle e os testes

substantivos. Poderíamos dizer ainda de outra forma: Quanto menor a confiança

constatada nos controles internos, maior a extensão e profundidade na aplicação

dos testes substantivos!

Efeito do risco avaliado na extensão dos procedimentos de auditoria:

RISCO BAIXO – procedimento aplicado a uma amostra pequena de operações ou

bens.

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RISCO MODERADO – procedimento aplicado a uma amostra razoável de opera-

ções ou bens.

RISCO ALTO – procedimento aplicado a uma amostra grande ou sobre a integra-

lidade das operações ou bens.

8.4.1 Providências que Reduzem o Risco de Detecção

O auditor pode reduzir o risco de não detectar um erro ou fraude relevante,

adotando as seguintes medidas:

a) realizando um planejamento adequado;

b) ampliando os testes de auditoria e obtendo maior quantidade de evidência;

c) adotando o ceticismo profissional;

d) aplicando os testes em data mais próxima das demonstrações;

e) utilizando procedimentos de auditoria mais complexos e eficazes;

f) formando a equipe com auditores mais experientes;

g) ampliando a supervisão dos trabalhos.

Exercite agora o que você aprendeu nesta aula, resolvendo as seguintes ques-

tões de provas anteriores sobre os assuntos estudados até aqui.

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QUESTÕES DE CONCURSO

Conceitos de auditoria e da pessoa do auditor

1. (CESPE/CGE/PB/2008) Com relação às origens da auditoria e seus tipos, assina-

le a opção correta.

a) O surgimento da auditoria externa está associado à necessidade das empresas

de captarem recursos de terceiros.

b) Os sócios-gerentes e acionistas fundadores são os que têm maior necessidade

de recorrer aos auditores independentes para aferir a segurança, liquidez e renta-

bilidade de seus investimentos na empresa.

c) A auditoria externa surgiu como decorrência da necessidade de um acompanha-

mento sistemático e mais aprofundado da situação da empresa.

d) A auditoria interna é uma resposta à necessidade de independência do exame

das transações da empresa em relação aos seus dirigentes.

e) Os auditores internos direcionam o foco de seu trabalho para as demonstrações

contábeis que a empresa é obrigada a publicar.

2. (CESPE/FUB/AUDITOR/2013) A função precípua da auditoria é a detecção de

fraudes com base nos registros contábeis e na documentação existente na entida-

de. A obtenção de informações de terceiros e o caráter preventivo das ações reali-

zadas pela auditoria são o efeito residual e aleatório de sua atuação.

3. (CESPE/ANP/2012) Com a evolução da atividade empresarial e o crescimento

da captação de recursos de terceiros, os investidores precisam conhecer a posição

financeira e patrimonial das entidades, o que ocorre por meio do parecer emitido

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pela auditoria interna das entidades a respeito da adequação das demonstrações

contábeis.

4. (CESPE/TELEBRAS/AUDITOR/2015) Auditoria é um processo sistemático em que

o auditor procura avaliar se as evidências encontradas produzem informação con-

vergente com os critérios preestabelecidos e se essas evidências são competentes

e suficientes para lhe permitir fundamentar sua opinião.

5. (FUNDATEC/AUDITOR DO ESTADO RS/2014) De acordo com a Estrutura Con-

ceitual de Trabalhos de Asseguração, são elementos que necessariamente devem

estar presentes em um trabalho de asseguração executado por um auditor inde-

pendente, EXCETO:

a) Relacionamento entre duas partes.

b) Objeto apropriado.

c) Critérios adequados.

d) Evidências apropriadas e suficientes.

e) Relatório de asseguração escrito de forma apropriada.

Objetivos e requisitos da auditoria – NBC TA 200

6. (CESPE/SEDUC/AM/2011) Asseguração razoável de que as demonstrações con-

tábeis como um todo estão livres de distorção relevante, para efeito de emissão

da opinião do auditor, corresponde a um nível elevado de segurança ou a um risco

suficientemente baixo de uma opinião equivocada quando as demonstrações conti-

verem distorção relevante.

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7. (CESPE/CGE/PI/2014) Uma auditoria independente é feita com base na premis-

sa de que a administração da entidade auditada é responsável pela elaboração das

demonstrações contábeis segundo a estrutura de relatório financeiro aplicável.

8. (CESPE/ANAC/2012) O planejamento e a execução de uma auditoria devem ser

realizados com base no conceito de materialidade, a fim de que se avaliem o efeito

das distorções identificadas em relação às demonstrações contábeis e à formação

da opinião expressa no relatório do auditor.

9. (CESPE/ANP/2012) Quanto à natureza dos procedimentos realizados durante a

auditoria, o auditor é limitado em sua investigação pela possibilidade de distorção

nas informações fornecidas pela administração da auditada.

10. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Um dos principais objetivos

do auditor é definir e realizar os procedimentos de auditoria apropriados para a

emissão de uma opinião fundamentada relativa às evidências obtidas.

11. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Considere que uma conta

contábil apresente saldo divergente da avaliação patrimonial realizada no curso de

uma auditoria, devido a erro de classificação contábil de elementos patrimoniais.

Nessa situação, esse fato não pode ser considerado uma distorção.

12. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Uma evidência de auditoria

pode ser considerada suficiente e adequada para a finalidade a que se destina se

forem aplicados os procedimentos de auditoria apropriados a sua avaliação, poden-

do incluir informações obtidas pelo auditor em fontes diversas.

13. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) No caso de auditoria realiza-

da em entidade da administração indireta ligada ao Ministério das Comunicações,

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a avaliação da materialidade de diferença de valor nas retenções de tributos efetu-

adas pela auditada pode ser afetada por responsabilidade atribuída ao auditor em

norma específica para o setor público, independentemente das normas de auditoria.

14. (CESPE/TCU/2013) De acordo a NBC TA 200, os mandatos para auditoria de

demonstrações contábeis de entidade do setor público podem ser mais detalhados

que os de outras entidades, o que implicaria responsabilidades adicionais para a

administração, tais como a responsabilidade pela execução de transações e even-

tos em conformidade com a legislação, regulamentação ou outra autoridade.

15. (CESPE/TCE/SC/2016) Embora a opinião do auditor independente a respeito

das demonstrações contábeis geralmente não modifique as decisões gerenciais,

pode haver situações específicas em que ele deve expressar a sua opinião a res-

peito de outros temas que sejam relevantes para o alcance dos objetivos gerais do

seu trabalho.

16. (CESPE/TELEBRAS/2013) Quando o auditor detecta inconsistência entre evi-

dências oriundas de fontes diferentes, o julgamento profissional é o parâmetro para

decidir qual a fonte mais confiável.

17. (CESPE/TELEBRAS/2013) Caso desconfie que um documento analisado não

seja fidedigno e pretenda caracterizar possível fraude de adulteração desse docu-

mento, o auditor deve aplicar um procedimento adicional de auditoria que busque

aumentar a quantidade de indícios da irregularidade, o que se relaciona com a

adequação da evidência.

18. (CESPE/TCE/RN/2016) As exigências relevantes expressas em NBC–TA são de

cumprimento obrigatório por todo profissional de auditoria.

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19. (CESPE/TRE/BA/2017) A atitude de ceticismo profissional refere-se à manei-

ra pela qual o auditor independente avalia criticamente, de forma mentalmente

questionadora, a validade da evidência obtida e mantém-se alerta para qualquer

evidência que contradiga ou ponha em dúvida a confiabilidade de documentos ou

representações da parte responsável. A partir dessa informação, assinale a opção

que corresponde à realidade de auditoria quanto ao ceticismo profissional.

a) As situações que o auditor deve observar com cuidado mais apurado não in-

cluem aquelas que possam indicar possíveis fraudes, pois tais situações ensejam a

instauração de inquérito policial.

b) O auditor deve planejar e executar a auditoria com ceticismo profissional, man-

tendo-se alerta para circunstâncias que causem distorções relevantes nas demons-

trações financeiras.

c) O ceticismo profissional inclui executar a auditoria com máximo zelo, o que não

obriga a considerar evidências de auditoria que contradigam outras evidências ob-

tidas.

d) Informações que coloquem em dúvida a confiabilidade dos documentos e res-

postas às indagações a ser usadas como evidências de auditoria em exame são

fatos para a análise das futuras auditorias.

e) Circunstâncias que gerem a necessidade de outros procedimentos de auditoria,

que não estejam previstos nos padrões profissionais, não correspondem a possíveis

alertas no que se refere a ceticismo profissional.

20. (FCC/TRF/1ª REG/2011) Considere as assertivas a seguir:

I – A auditoria é uma investigação oficial de suposto delito. Portanto, o auditor

não recebe poderes legais específicos, tais como o poder de busca, que po-

dem ser necessários para tal investigação.

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II – Desde que o auditor assine declaração de independência, não é mais neces-

sário que decline de trabalhos nos quais existam, na administração da em-

presa auditada, parentes em nível de segundo grau.

III – Em decorrência das limitações inerentes de uma auditoria, há um risco ine-

vitável de que algumas distorções relevantes das demonstrações contábeis

não sejam detectadas, embora a auditoria seja adequadamente planejada e

executada em conformidade com as normas legais de auditoria.

Está correto o que se afirma SOMENTE em:

a) II e III.

b) I e II.

c) I.

d) II.

e) III.

21. (FCC/TCE/CE/AUDITOR/2015) A firma de auditoria Lopes & Auditores foi con-

tratada, por determinada empresa de economia mista estadual, para realizar a

auditoria das demonstrações contábeis do exercício de 2014. Para tanto, o auditor

deve conduzir a auditoria com base na premissa de que a administração e, quando

apropriado, os responsáveis pela governança reconhecem e entendem que têm,

entre outras, a responsabilidade

I – de permitir acesso irrestrito às pessoas da entidade, que o auditor determine

ser necessário obter evidências de auditoria.

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II – pela confiabilidade das informações a serem usadas como evidências de au-

ditoria, e pela indicação de pessoas da entidade para participar na elaboração

do relatório de auditoria.

III – de fornecer, ao auditor, quando solicitado, o nome das pessoas da entidade

suspeitas de envolvimento com fraude.

IV – de fornecer informações adicionais que o auditor possa solicitar da adminis-

tração e, quando apropriado, dos responsáveis pela governança para a fina-

lidade da auditoria.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e III.

b) I e IV.

c) II e III.

d) III e IV.

e) I, II e IV.

22. (FUNIVERSA/GDF/AUDITOR/2014) O ceticismo profissional é necessário para a

avaliação crítica das evidências de auditoria. A esse respeito, assinale a alternativa

correta.

a) a manutenção do ceticismo, ao longo dos trabalhos, é necessária para reduzir

os riscos de generalização excessiva das conclusões resultantes das observações

de auditoria.

b) o ceticismo requer vigilância a evidências que estejam em conformidade com

outras evidências obtidas.

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c) o ceticismo inclui a consideração da suficiência e da adequação das evidências

obtidas quando não há indícios de risco de fraude.

d) o auditor deve sempre duvidar de registros e desconfiar de documentos tidos

como genuínos.

e) a crença de que os responsáveis pela auditoria sejam honestos permite evidên-

cias menos que persuasivas na obtenção de segurança razoável.

23. (FCC/TCE/RS/AUDITOR/2014) Durante a realização do seu trabalho, o auditor

não conseguiu obter segurança razoável relativa às informações nem emitir opinião

com ressalva. Nesse caso, o auditor deve

a) abster de emitir opinião ou renunciar ao trabalho, se possível.

b) aumentar o tamanho da amostragem.

c) convocar reunião com os administradores da instituição auditada.

d) solicitar reforço para sua equipe de auditoria.

e) trancar a auditoria.

24. (FCC/ISS/SP/2012) No processo de auditoria, o auditor

a) não pode ter certeza da integridade da informação, embora tenha executado os

procedimentos de auditoria para obter certeza de que todas as informações rele-

vantes foram obtidas.

b) pode, tendo aplicado os procedimentos de auditoria, atestar a integridade da

informação, mas não pode se eximir de certificar, por meio de seu relatório, a exa-

tidão das demonstrações contábeis.

c) não deve atestar a integridade das informações contábeis, das notas explicati-

vas e dos demais relatórios publicados pela empresa, enquanto não obtiver uma

carta da administração atestando as demonstrações em conjunto.

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d) deve, em conjunto com a administração, atestar que todos os processos, riscos

e possibilidades de fraudes foram avaliados e ter certeza da integridade da infor-

mação.

e) pode, após ter executado todos os testes, ter a certeza da integridade da infor-

mação atestando todas as demonstrações contábeis exigidas em seu parecer de

auditoria.

25. (ESAF/CGU/ANALISTA/2012) Na execução de uma auditoria, espera-se do au-

ditor independente que

a) exerça o seu direito de busca de documentos, no caso de suspeita de fraude.

b) assegure a eficácia com a qual a administração conduziu os negócios da entida-

de.

c) otimize o planejamento dos trabalhos de modo a reduzir o risco de auditoria a

zero.

d) aplique os mesmos procedimentos a entidades de pequeno, médio ou grande

porte.

e) mantenha-se cético ao questionar evidências de auditoria contraditórias.

Risco de auditoria

26. (CESPE/TCU/2011) A hipótese de o auditor se equivocar ao manifestar opinião

de que as demonstrações contábeis contêm distorção relevante constitui, na acepção

das normas brasileiras de contabilidade um tipo de risco considerado insignificante.

27. (CESPE/TCE/PA/2016) Risco inerente consiste na possibilidade de que uma

afirmação a respeito de uma classe de transação seja distorcida; risco de controle

é a suscetibilidade de uma afirmação a respeito de uma transação, saldo contábil

ou divulgação.

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28. (CESPE/TCU/2013) Os auditores não podem examinar todas as possíveis evi-

dências que eliminariam os riscos de um julgamento equivocado. Um desses pos-

síveis riscos é o risco inerente, presente, por exemplo, na situação em que uma

empresa competidora de licitação bilionária é levada a elaborar demonstrações

contábeis que favorecem sua imagem quanto à sua real situação econômico-finan-

ceira.

29. (CESPE/TCU/2015) O risco de auditoria é a possibilidade de o auditor, por

algum motivo alheio a sua vontade, vir a emitir uma opinião tecnicamente inade-

quada sobre demonstrações contábeis significativamente incorretas. Para fins de

análise, o risco de auditoria divide-se em três componentes: risco inerente, risco

de controle e risco de detecção.

30. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Por mais que se ampliem

os procedimentos de auditoria aplicados, sempre haverá algum nível de risco de

detecção.

31. (FCC/TRF/3ªREG/ANALISTA/2016) Um auditor independente verificou que o

valor de uma demonstração contábil, antes da auditoria, era diferente daquele exi-

gido de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Nos termos da NBC

TA 200, a possibilidade dessa diferença ser relevante é considerada um risco de

a) auditoria.

b) distorção relevante.

c) asseguração razoável.

d) derivado do julgamento profissional.

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e) derivado do ceticismo profissional.

32. (FCC/TCE/SP/AUDITOR/2013) Em auditoria, o denominado risco de detecção

a) independe da suficiência e adequação das evidências de auditoria coletadas pelo

auditor para emissão de seu relatório.

b) é uma função direta da eficácia dos controles internos da entidade que está

sendo auditada.

c) é invariável, qualquer que seja a atividade da entidade e as classes de transa-

ções por ela praticadas.

d) existe independentemente da auditoria das demonstrações contábeis, ou seja,

é inerente à entidade.

e) está diretamente relacionado com a natureza, a época e a extensão dos proce-

dimentos de auditoria.

33. (FCC/TRT/6ª REG/ANALISTA/2012) A empresa Condor S.A. atua no segmento

de crédito pessoal, com financiamentos de até R$ 30.000,00. Como sua política

de análise de crédito é bastante flexível, possui um volume de operações grande,

fazendo com que as perdas por inadimplência sejam absorvidas pelas operações.

Como a política comercial é atuar junto a grandes lojas de varejo, a empresa con-

cede aos inadimplentes, 80% de perdão nas multas e juros, concedido pelo próprio

colaborador no caixa, desde que o cliente venha até as lojas parceiras para quitar

os débitos. O auditor constatou que devido à facilidade da concessão dos descon-

tos, os funcionários passaram a se apropriar das quitações em dinheiro feita pelos

inadimplentes, dando o desconto e ficando com o dinheiro. Segundo os conceitos

de auditoria externa, referida fraude evidencia um risco de

a) detecção.

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b) controle.

c) monitoramento.

d) inerente.

e) operações.

34. (ESAF/MF/CONTADOR/2013) Com base nas afirmativas a seguir, assinale V

para as verdadeiras e F para as falsas e, a seguir, indique a opção correta.

 (  ) A auditoria é uma investigação oficial de suposto delito. Portanto, o auditor

não recebe poderes legais específicos, tais como o poder de busca, que podem

ser necessários para tal investigação.

 (  ) O risco de detecção se relaciona com a natureza, a época e a extensão dos

procedimentos que são determinados pelo auditor para reduzir o risco de au-

ditoria a um nível baixo aceitável. Portanto, é uma função da eficácia do pro-

cedimento de auditoria e de sua aplicação pelo auditor.

 (  ) Os riscos de distorção relevante no nível da afirmação consistem em dois

componentes: risco inerente e risco de controle. O risco inerente e o risco de

controle são riscos da entidade; eles existem independentemente da auditoria

das demonstrações contábeis.

a) F, V, V

b) F, F, F

c) F, V, F

d) V, V, V

e) V, F, F

35. (ESAF/ANAC/2016) Por Risco Inerente se entende:

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a) a composição dos riscos de detecção e de auditoria.

b) aquele que deriva do conjunto procedimental adotado ao longo de uma audito-

ria.

c) a incapacidade de um sistema de controle em evitar erros ou fraudes.

d) aquele vinculado à natureza do objeto analisado.

e) o mesmo que risco geral da Auditoria.

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GABARITO

1. a 24. a

2. E 25. e

3. E 26. C

4. C 27. E

5. a 28. C

6. C 29. C

7. C 30. C

8. C 31. b

9. C 32. e

10. E 33. b

11. E 34. a

12. C 35. d

13. C

14. C

15. C

16. E

17. E

18. E

19. b

20. e

21. b

22. a

23. a

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GABARITO COMENTADO

Conceitos de auditoria e da pessoa do auditor

1. (CESPE/CGE/PB/2008) Com relação às origens da auditoria e seus tipos, assina-

le a opção correta.

a) O surgimento da auditoria externa está associado à necessidade das empresas

de captarem recursos de terceiros.

b) Os sócios-gerentes e acionistas fundadores são os que têm maior necessidade

de recorrer aos auditores independentes para aferir a segurança, liquidez e renta-

bilidade de seus investimentos na empresa.

c) A auditoria externa surgiu como decorrência da necessidade de um acompanha-

mento sistemático e mais aprofundado da situação da empresa.

d) A auditoria interna é uma resposta à necessidade de independência do exame

das transações da empresa em relação aos seus dirigentes.

e) Os auditores internos direcionam o foco de seu trabalho para as demonstrações

contábeis que a empresa é obrigada a publicar.

Letra a.

Na medida em que as empresas passam a captar recursos de terceiros, em forma

de investimentos, empréstimos, fornecimentos etc., surge a necessidade de uma

auditoria externa, independente dos administradores, para atestar a situação fi-

nanceira e patrimonial dessas entidades.

b) Errada. Os acionistas mais distantes da administração das empresas são aque-

les que apresentam maior necessidade de recorrer aos auditores independentes

para aferir a segurança de seus investimentos na empresa.

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c) Errada. A auditoria interna que surgiu como decorrência da necessidade de um

acompanhamento sistemático e mais aprofundado da situação da empresa.

d) Errada. A auditoria externa é que constitui uma resposta à necessidade de in-

dependência do exame das transações da empresa em relação aos seus dirigentes.

A auditoria interna surge para dar uma resposta mais gerencial, de controle, asses-

soria e administração aos dirigentes das organizações.

e) Errada. O auditor externo é quem direciona o foco do trabalho para as demons-

trações contábeis, com o propósito de emitir uma opinião, geralmente materializa-

da em um parecer, sobre a exatidão dessas demonstrações. O âmbito de trabalho

ou escopo da auditoria interna compreende todas as áreas, operações e sistemas

de informação das organizações, inclusive o sistema contábil e financeiro.

2. (CESPE/FUB/AUDITOR/2013) A função precípua da auditoria é a detecção de

fraudes com base nos registros contábeis e na documentação existente na entida-

de. A obtenção de informações de terceiros e o caráter preventivo das ações reali-

zadas pela auditoria são o efeito residual e aleatório de sua atuação.

Errado.

A primeira parte do item apresenta erro, pois a função precípua da auditoria não é a

detecção de fraudes. A segunda parte também apresenta erro ao afirmar que a ob-

tenção de informações de terceiros e o caráter preventivo das ações realizadas pela

auditoria são o efeito residual e aleatório de sua atuação. Como visto, a auditoria

baseia-se em informações obtidas fora da empresa, tais como as relativas à confir-

mação de contas de terceiros e de saldos bancários. As confirmações obtidas de fon-

tes externas geralmente oferecem melhores características de credibilidade do que

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aquelas obtidas dentro da própria entidade auditada. Sobre esse objeto, a auditoria

exerce sua ação preventiva, saneadora e moralizadora, para confirmar a veracidade

dos registros e a confiabilidade dos comprovantes, com o fim de opinar sobre a ade-

quação das situações e informações contidas nas demonstrações contábeis.

3. (CESPE/ANP/2012) Com a evolução da atividade empresarial e o crescimento

da captação de recursos de terceiros, os investidores precisam conhecer a posição

financeira e patrimonial das entidades, o que ocorre por meio do parecer emitido

pela auditoria interna das entidades a respeito da adequação das demonstrações

contábeis.

Errado.

A auditoria externa é que oferece mais segurança aos investidores mediante a

emissão de parecer a respeito da adequação das demonstrações contábeis.

4. (CESPE/TELEBRAS/AUDITOR/2015) Auditoria é um processo sistemático em que

o auditor procura avaliar se as evidências encontradas produzem informação con-

vergente com os critérios preestabelecidos e se essas evidências são competentes

e suficientes para lhe permitir fundamentar sua opinião.

Certo.

Conforme estudamos, a auditoria é um processo sistemático de obtenção e avalia-

ção objetivas de evidências sobre afirmações a respeito de ações e eventos econô-

micos, para aquilatação do grau de correspondência entre as afirmações e critérios

estabelecidos, e de comunicação dos resultados a usuários interessados.

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5. (FUNDATEC/AUDITOR DO ESTADO RS/2014) De acordo com a Estrutura Con-

ceitual de Trabalhos de Asseguração, são elementos que necessariamente devem

estar presentes em um trabalho de asseguração executado por um auditor inde-

pendente, EXCETO:

a) Relacionamento entre duas partes.

b) Objeto apropriado.

c) Critérios adequados.

d) Evidências apropriadas e suficientes.

e) Relatório de asseguração escrito de forma apropriada.

Letra a.

Lembra dos cinco elementos de um trabalho de asseguração? São eles: a) relacio-

namento entre três partes; b) objeto apropriado; c) critérios adequados; d) evi-

dências apropriadas e suficientes; e e) relatório de asseguração escrito.

Objetivos e requisitos da auditoria – NBC TA 200

6. (CESPE/SEDUC/AM/2011) Asseguração razoável de que as demonstrações con-

tábeis como um todo estão livres de distorção relevante, para efeito de emissão

da opinião do auditor, corresponde a um nível elevado de segurança ou a um risco

suficientemente baixo de uma opinião equivocada quando as demonstrações conti-

verem distorção relevante.

Certo.

A auditoria de demonstrações financeiras é um trabalho de asseguração razoável,

posto que a opinião expressa pelo auditor não oferece segurança absoluta, uma vez

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que o auditor se vale de técnicas e procedimentos que permitem fornecer um nível

apropriado de segurança aos usuários de um trabalho de asseguração razoável, por

um custo não proibitivo.

Assim, asseguração razoável é um nível elevado de segurança; não é um nível

absoluto. Esse nível é conseguido quando o auditor obtém evidência de auditoria

apropriada e suficiente para reduzir a um nível aceitavelmente baixo o risco de au-

ditoria, isto é, o risco de que o auditor expresse uma opinião inadequada quando

as demonstrações contábeis contiverem distorção relevante.

O auditor não é obrigado e não pode reduzir o risco de auditoria a zero, e, portanto,

não pode obter segurança absoluta de que as demonstrações contábeis estão livres

de distorção relevante devido à fraude ou erro. Isso porque uma auditoria tem limi-

tações inerentes, e, como resultado, a maior parte das evidências de auditoria que

propiciam ao auditor obter suas conclusões e nas quais baseia a sua opinião são

persuasivas (convincentes) em vez de conclusivas.

7. (CESPE/CGE/PI/2014) Uma auditoria independente é feita com base na premis-

sa de que a administração da entidade auditada é responsável pela elaboração das

demonstrações contábeis segundo a estrutura de relatório financeiro aplicável.

Certo.

A auditoria é conduzida com base na premissa de que a administração e os res-

ponsáveis pela governança têm conhecimento de certas responsabilidades que são

fundamentais para a condução da auditoria. A auditoria das demonstrações contá-

beis não exime dessas responsabilidades a administração ou os responsáveis pela

governança. Entre as responsabilidades inclui-se a de elaboração das demonstra-

ções contábeis em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável,

incluindo quando relevante sua apresentação adequada.

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8. (CESPE/ANAC/2012) O planejamento e a execução de uma auditoria devem ser

realizados com base no conceito de materialidade, a fim de que se avaliem o efeito

das distorções identificadas em relação às demonstrações contábeis e à formação

da opinião expressa no relatório do auditor.

Certo.

O conceito de materialidade ou relevância é aplicado pelo auditor no planejamento

e na execução da auditoria, e na avaliação do efeito de distorções identificadas na

auditoria e de distorções não corrigidas, se houver, sobre as demonstrações contá-

beis e na formação da opinião no relatório do auditor independente.

9. (CESPE/ANP/2012) Quanto à natureza dos procedimentos realizados durante a

auditoria, o auditor é limitado em sua investigação pela possibilidade de distorção

nas informações fornecidas pela administração da auditada.

Certo.

A natureza dos procedimentos de auditoria é considerada como limitação inerente

da auditoria. Por exemplo, os procedimentos de auditoria são realizados a base de

testes e aplicados para coletar evidências de auditoria podem ser ineficazes para

a detecção de distorção relevante que envolva, por exemplo, conluio para a falsi-

ficação de documentação que possa fazer o auditor acreditar que a evidência de

auditoria é válida quando ela não é.

A NBC TA 200 estabelece que há limites práticos e legais à capacidade do auditor de

obter evidências de auditoria. Por exemplo, existe a possibilidade de que a admi-

nistração ou outros possam não fornecer, intencionalmente ou não, as informações

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completas que são relevantes para a elaboração das demonstrações contábeis ou

que tenham sido solicitadas pelo auditor. Portanto, o auditor não pode ter certeza

da integridade da informação, embora tenha executado os procedimentos de au-

ditoria para obter certeza de que todas as informações relevantes foram obtidas.

A fraude pode envolver esquemas sofisticados e cuidadosamente organizados para

sua ocultação. Portanto, os procedimentos de auditoria aplicados para coletar evi-

dências de auditoria podem ser ineficazes para a detecção de distorção relevante

que envolva, por exemplo, conluio para a falsificação de documentação que possa

fazer o auditor acreditar que a evidência de auditoria é válida quando ela não é. O

auditor não é treinado nem obrigado a ser especialista na verificação de autentici-

dade de documentos.

10. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Um dos principais objetivos

do auditor é definir e realizar os procedimentos de auditoria apropriados para a

emissão de uma opinião fundamentada relativa às evidências obtidas.

Errado.

Em conformidade com a NBC TA 200, ao conduzir a auditoria de demonstrações

contábeis, os objetivos gerais do auditor são:

• obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo

estão livres de distorção relevante, independentemente se causadas por frau-

de ou erro, possibilitando assim que o auditor expresse sua opinião sobre se

as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos rele-

vantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável;

• apresentar relatório sobre as demonstrações contábeis e comunicar-se como

exigido pelas NBC TAs, em conformidade com as constatações do auditor.

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Logo, definir e realizar os procedimentos de auditoria apropriados para a emissão

de uma opinião fundamentada relativa às evidências obtidas não constitui um dos

objetivos gerais ou principais do auditor independente.

11. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Considere que uma conta

contábil apresente saldo divergente da avaliação patrimonial realizada no curso de

uma auditoria, devido a erro de classificação contábil de elementos patrimoniais.

Nessa situação, esse fato não pode ser considerado uma distorção.

Errado.

Distorção é a diferença entre o valor, a classificação, a apresentação ou a divul-

gação de uma demonstração contábil relatada (divulgada nas demonstrações) e o

valor, a classificação, a apresentação ou a divulgação que é exigida para que o item

esteja de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Portanto, pode

envolver o registro de uma operação por valor inadequado, um erro de classificação

ou uma falha na divulgação de informação em Nota Explicativa, por exemplo.

12. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Uma evidência de auditoria

pode ser considerada suficiente e adequada para a finalidade a que se destina se

forem aplicados os procedimentos de auditoria apropriados a sua avaliação, poden-

do incluir informações obtidas pelo auditor em fontes diversas.

Certo.

Evidências de auditoria são as informações utilizadas pelo auditor para fundamen-

tar suas conclusões em que se baseia a sua opinião. As evidências de auditoria in-

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cluem informações contidas nos registros contábeis subjacentes às demonstrações


contábeis e outras informações, obtidas diretamente pelo auditor como resultado
da aplicação dos seus procedimentos de auditoria ou obtidas de fontes diversas.

13. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) No caso de auditoria realiza-


da em entidade da administração indireta ligada ao Ministério das Comunicações,
a avaliação da materialidade de diferença de valor nas retenções de tributos efetu-
adas pela auditada pode ser afetada por responsabilidade atribuída ao auditor em
norma específica para o setor público, independentemente das normas de auditoria.

Certo.
De acordo com a NBC TA 200, as responsabilidades do auditor do setor público
podem ser afetadas pelo contrato de auditoria ou por obrigações sobre entidades
do setor público decorrentes de lei, regulamento ou outra autoridade (por exem-
plo, diretrizes ministeriais, exigências de política governamental ou resoluções do
legislativo), que podem ter um alcance mais amplo do que uma auditoria de de-
monstrações contábeis em conformidade com as NBC TAs. Essas responsabilidades
adicionais não são discutidas nas NBC TAs. Elas podem ser discutidas nos pronun-
ciamentos normatizadores nacionais, ou em orientação desenvolvida pelas agên-
cias de auditoria governamentais.

14. (CESPE/TCU/2013) De acordo a NBC TA 200, os mandatos para auditoria de


demonstrações contábeis de entidade do setor público podem ser mais detalhados
que os de outras entidades, o que implicaria responsabilidades adicionais para a
administração, tais como a responsabilidade pela execução de transações e even-

tos em conformidade com a legislação, regulamentação ou outra autoridade.

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Certo.

Conforme prevê a NBC TA 200 (A13), os mandatos de auditoria para auditoria de

demonstrações contábeis de entidade do setor público podem ser mais detalhados

do que os de outras entidades. Como resultado, a premissa relativa às responsabi-

lidades da administração sobre a qual é conduzida a auditoria das demonstrações

contábeis do setor público pode incluir responsabilidades adicionais, tais como a

responsabilidade pela execução de transações e eventos em conformidade com a

legislação, regulamentação ou outra autoridade.

15. (CESPE/TCE/SC/2016) Embora a opinião do auditor independente a respeito

das demonstrações contábeis geralmente não modifique as decisões gerenciais,

pode haver situações específicas em que ele deve expressar a sua opinião a res-

peito de outros temas que sejam relevantes para o alcance dos objetivos gerais do

seu trabalho.

Certo.

A opinião do auditor sobre as demonstrações contábeis trata de determinar se as

demonstrações contábeis são elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em

conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Em algumas si-

tuações, porém, lei e regulamento aplicáveis podem exigir que o auditor forneça

opinião sobre outros assuntos específicos, tais como a eficácia do controle interno

ou a compatibilidade de um relatório separado da administração junto com as de-

monstrações contábeis. Embora as NBCs TA incluam exigências e orientação em

relação a tais assuntos na medida em que sejam relevantes para a formação de

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uma opinião sobre as demonstrações contábeis, seria exigido que o auditor empre-

endesse trabalho adicional se tivesse responsabilidades adicionais no fornecimento

de tais opiniões.

16. (CESPE/TELEBRAS/2013) Quando o auditor detecta inconsistência entre evi-

dências oriundas de fontes diferentes, o julgamento profissional é o parâmetro para

decidir qual a fonte mais confiável.

Errado.

Questão interessante! Ela tenta confundir o candidato com relação aos requisitos

do ceticismo e do julgamento profissional. Quando o auditor detecta inconsistência

entre evidências oriundas de fontes diferentes, o auditor deve aplicar o ceticismo

profissional, buscando evidência adicional, por exemplo, junto a uma terceira fonte.

17. (CESPE/TELEBRAS/2013) Caso desconfie que um documento analisado não

seja fidedigno e pretenda caracterizar possível fraude de adulteração desse docu-

mento, o auditor deve aplicar um procedimento adicional de auditoria que busque

aumentar a quantidade de indícios da irregularidade, o que se relaciona com a

adequação da evidência.

Errado.

O item apresenta dois erros. O primeiro está na afirmação de que o auditor deve

aplicar um procedimento adicional de auditoria que busque aumentar a quantidade

de indícios da irregularidade. Diante de um risco de fraude, o auditor deve aplicar

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procedimento adicional que forneça mais evidência e não indício. O outro erro refe-

re-se ao requisito da adequação da evidência. Como o auditor está buscando mais

evidência, ou seja, maior quantidade, o requisito é o da suficiência. A adequação

está relacionada ao aspecto qualitativo das evidências (relevância e confiabilidade).

18. (CESPE/TCE/RN/2016) As exigências relevantes expressas em NBC–TA são de

cumprimento obrigatório por todo profissional de auditoria.

Errado.

Questão polêmica, envolvendo a interpretação das normas. Ocorre que a NBC TA

200 estabelece que o auditor deve observar todas as NBC TAs relevantes para a

auditoria. Uma NBC TA é relevante para a auditoria quando ela está em vigor e as

circunstâncias tratadas nela existem na situação específica. Contudo, ela prevê

que, em circunstâncias excepcionais, o auditor pode julgar necessário não consi-

derar uma exigência relevante em uma NBC TA. Em tais circunstâncias, o auditor

deve executar procedimentos de auditoria alternativos para cumprir o objetivo des-

sa exigência. Logo, nem todas as exigências relevantes expressas em uma norma

são de cumprimento obrigatório por todo profissional de auditoria.

19. (CESPE/TRE-BA/2017) A atitude de ceticismo profissional refere-se à manei-

ra pela qual o auditor independente avalia criticamente, de forma mentalmente

questionadora, a validade da evidência obtida e mantém-se alerta para qualquer

evidência que contradiga ou ponha em dúvida a confiabilidade de documentos ou

representações da parte responsável. A partir dessa informação, assinale a opção

que corresponde à realidade de auditoria quanto ao ceticismo profissional.

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a) As situações que o auditor deve observar com cuidado mais apurado não in-

cluem aquelas que possam indicar possíveis fraudes, pois tais situações ensejam a

instauração de inquérito policial.

b) O auditor deve planejar e executar a auditoria com ceticismo profissional, man-

tendo-se alerta para circunstâncias que causem distorções relevantes nas demons-

trações financeiras.

c) O ceticismo profissional inclui executar a auditoria com máximo zelo, o que não

obriga a considerar evidências de auditoria que contradigam outras evidências ob-

tidas.

d) Informações que coloquem em dúvida a confiabilidade dos documentos e res-

postas às indagações a ser usadas como evidências de auditoria em exame são

fatos para a análise das futuras auditorias.

e) Circunstâncias que gerem a necessidade de outros procedimentos de auditoria,

que não estejam previstos nos padrões profissionais, não correspondem a possíveis

alertas no que se refere a ceticismo profissional.

Letra b.

As normas de auditoria destacam que a auditoria deve ser planejada e executada

com o necessário ceticismo de que existem situações que causam distorções nas

demonstrações financeiras. Ceticismo profissional é a postura que inclui uma men-

te questionadora e alerta para condições que possam indicar possível distorção

devido a erro ou fraude e uma avaliação crítica das evidências de auditoria.

a) Errada. As situações que o auditor deve observar com cuidado mais apurado

incluem aquelas que possam indicar possíveis fraudes; não constitui objetivo da

auditoria a instauração de inquérito policial.

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c) Errada. O ceticismo profissional inclui executar a auditoria com máximo zelo, o

que obriga o auditor a considerar evidências de auditoria que contradigam outras

evidências obtidas.

d e e) Erradas. O ceticismo requer que o auditor esteja alerta à possiblidade de

aplicar procedimentos de auditoria adicionais. Em casos de dúvida a respeito da

confiabilidade das informações ou indicações de possível fraude (por exemplo, se

condições identificadas durante a auditoria fizerem o auditor crer que um documen-

to pode não ser autêntico ou que termos de documento podem ter sido falsifica-

dos), as normas de auditoria exigem que o auditor faça investigações adicionais e

determine que modificações ou adições aos procedimentos de auditoria são neces-

sários para solucionar o assunto.

20. (FCC/TRF/1ª REG/2011) Considere as assertivas a seguir:

I – A auditoria é uma investigação oficial de suposto delito. Portanto, o auditor

não recebe poderes legais específicos, tais como o poder de busca, que po-

dem ser necessários para tal investigação.

II – Desde que o auditor assine declaração de independência, não é mais neces-

sário que decline de trabalhos nos quais existam, na administração da em-

presa auditada, parentes em nível de segundo grau.

III – Em decorrência das limitações inerentes de uma auditoria, há um risco ine-

vitável de que algumas distorções relevantes das demonstrações contábeis

não sejam detectadas, embora a auditoria seja adequadamente planejada e

executada em conformidade com as normas legais de auditoria.

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Está correto o que se afirma SOMENTE em:

a) II e III.

b) I e II.

c) I.

d) II.

e) III.

Letra e.

Cuidado com o NÃO. A auditoria não é uma investigação oficial de suposto delito.

Portanto, o auditor não recebe poderes legais específicos, tais como o poder de

busca, que podem ser necessários para tal investigação.

Não há exigência nas normas de auditoria de que o auditor assine declaração de inde-

pendência. Existem certas salvaguardas quando presentes as ameaças à independên-

cia do auditor, dentre as quais o auditor declinar ou abster-se de participar como mem-

bro da equipe em situações de ameaças de familiaridade com a entidade auditada.

Em decorrência das limitações inerentes de uma auditoria, há um risco inevitável

de que algumas distorções relevantes das demonstrações contábeis não sejam

detectadas, embora a auditoria seja adequadamente planejada e executada em

conformidade com as normas de auditoria. Portanto, descoberta posterior de uma

distorção relevante das demonstrações contábeis, resultante de fraude ou erro, não

indica por si só, uma falha na condução de uma auditoria em conformidade com as

normas de auditoria.

21. (FCC/TCE-CE/AUDITOR/2015) A firma de auditoria Lopes & Auditores foi con-

tratada, por determinada empresa de economia mista estadual, para realizar a

auditoria das demonstrações contábeis do exercício de 2014. Para tanto, o auditor

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deve conduzir a auditoria com base na premissa de que a administração e, quando

apropriado, os responsáveis pela governança reconhecem e entendem que têm,

entre outras, a responsabilidade

I – de permitir acesso irrestrito às pessoas da entidade, que o auditor determine

ser necessário obter evidências de auditoria.

II – pela confiabilidade das informações a serem usadas como evidências de au-

ditoria, e pela indicação de pessoas da entidade para participar na elaboração

do relatório de auditoria.

III – de fornecer, ao auditor, quando solicitado, o nome das pessoas da entidade

suspeitas de envolvimento com fraude.

IV – de fornecer informações adicionais que o auditor possa solicitar da adminis-

tração e, quando apropriado, dos responsáveis pela governança para a fina-

lidade da auditoria.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e III.

b) I e IV.

c) II e III.

d) III e IV.

e) I, II e IV.

Letra b.

Vale lembrar que a NBC TA 200 estabelece que o auditor deve conduzir a auditoria

com base na premissa de que a administração e, quando apropriado, os respon-

sáveis pela governança reconhecem e entendem que têm, entre outras, a respon-

sabilidade por fornecer ao auditor:

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a) acesso às informações que os administradores e, quando apropriado, os respon-

sáveis pela governança, tenham conhecimento que sejam relevantes para a elabo-

ração e apresentação das demonstrações contábeis como registros, documentação

e outros assuntos;

b) quaisquer informações adicionais que o auditor possa solicitar da administração

e, quando apropriado, dos responsáveis pela governança para o propósito da au-

ditoria; e

c) acesso irrestrito àqueles dentro da entidade que o auditor determina ser neces-

sário obter evidências de auditoria.

22. (FUNIVERSA/GDF/AUDITOR/2014) O ceticismo profissional é necessário para a

avaliação crítica das evidências de auditoria. A esse respeito, assinale a alternativa

correta.

a) a manutenção do ceticismo, ao longo dos trabalhos, é necessária para reduzir

os riscos de generalização excessiva das conclusões resultantes das observações

de auditoria.

b) o ceticismo requer vigilância a evidências que estejam em conformidade com

outras evidências obtidas.

c) o ceticismo inclui a consideração da suficiência e da adequação das evidências

obtidas quando não há indícios de risco de fraude.

d) o auditor deve sempre duvidar de registros e desconfiar de documentos tidos

como genuínos.

e) a crença de que os responsáveis pela auditoria sejam honestos permite evidên-

cias menos que persuasivas na obtenção de segurança razoável.

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Letra a.

A manutenção do ceticismo profissional ao longo de toda a auditoria é necessária,

por exemplo, para que o auditor reduza os riscos de: a) ignorar circunstâncias não

usuais; b) generalização excessiva ao tirar conclusões das observações de audito-

ria; c) uso inadequado de premissas ao determinar a natureza, a época e a exten-

são dos procedimentos de auditoria e ao avaliar os resultados destes.

b) Errada. O ceticismo requer vigilância a evidências que não estejam em confor-

midade com outras evidências obtidas.

c) Errada. O ceticismo inclui a consideração da suficiência e da adequação das

evidências obtidas quando há indícios de risco de fraude.

d) Errada. O auditor pode aceitar registros e documentos como genuínos, a menos

que tenha razão para crer no contrário. Contudo, exige-se que o auditor considere

a confiabilidade das informações a serem usadas como evidências de auditoria.

e) Errada. Não se pode esperar que o auditor desconsidere a experiência passa-

da de honestidade e integridade da administração da entidade e dos responsáveis

pela governança. Contudo, a crença de que a administração e os responsáveis pela

governança são honestos e têm integridade não livra o auditor da necessidade de

manter o ceticismo profissional ou permitir que ele se satisfaça com evidências de

auditoria menos que persuasivas na obtenção de segurança razoável.

23. (FCC/TCE/RS/AUDITOR/2014) Durante a realização do seu trabalho, o auditor

não conseguiu obter segurança razoável relativa às informações nem emitir opinião

com ressalva. Nesse caso, o auditor deve

a) abster de emitir opinião ou renunciar ao trabalho, se possível.

b) aumentar o tamanho da amostragem.

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c) convocar reunião com os administradores da instituição auditada.

d) solicitar reforço para sua equipe de auditoria.

e) trancar a auditoria.

Letra a.

Se durante a realização do seu trabalho, o auditor não conseguiu obter segurança

razoável relativa às informações nem emitir opinião com ressalva, ele deve abster

de emitir opinião ou renunciar ao trabalho, se possível.

24. (FCC/ISS/SP/2012) No processo de auditoria, o auditor

a) não pode ter certeza da integridade da informação, embora tenha executado os

procedimentos de auditoria para obter certeza de que todas as informações rele-

vantes foram obtidas.

b) pode, tendo aplicado os procedimentos de auditoria, atestar a integridade da

informação, mas não pode se eximir de certificar, por meio de seu relatório, a exa-

tidão das demonstrações contábeis.

c) não deve atestar a integridade das informações contábeis, das notas explicati-

vas e dos demais relatórios publicados pela empresa, enquanto não obtiver uma

carta da administração atestando as demonstrações em conjunto.

d) deve, em conjunto com a administração, atestar que todos os processos, riscos e

possibilidades de fraudes foram avaliados e ter certeza da integridade da informação.

e) pode, após ter executado todos os testes, ter a certeza da integridade da infor-

mação atestando todas as demonstrações contábeis exigidas em seu parecer de

auditoria.

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Letra a.

De acordo com a NBC TA 200, em função das limitações inerentes da auditoria,

existe a possibilidade de que a administração ou outros possam não fornecer, in-

tencionalmente ou não, as informações completas que são relevantes para a ela-

boração das demonstrações contábeis ou que tenham sido solicitadas pelo auditor.

Portanto, o auditor não pode ter certeza da integridade da informação, embora te-

nha executado os procedimentos de auditoria para obter certeza de que todas as

informações relevantes foram obtidas.

25. (ESAF/CGU/ANALISTA/2012) Na execução de uma auditoria, espera-se do au-

ditor independente que

a) exerça o seu direito de busca de documentos, no caso de suspeita de fraude.

b) assegure a eficácia com a qual a administração conduziu os negócios da entidade.

c) otimize o planejamento dos trabalhos de modo a reduzir o risco de auditoria a zero.

d) aplique os mesmos procedimentos a entidades de pequeno, médio ou grande porte.

e) mantenha-se cético ao questionar evidências de auditoria contraditórias.

Letra e.

De acordo com a NBC TA 200, o ceticismo profissional é a postura que inclui uma

mente questionadora e alerta para condições que possam indicar possível distor-

ção devido a erro ou fraude e uma avaliação crítica das evidências de auditoria.

O ceticismo profissional inclui estar alerta, por exemplo, a evidências de auditoria

que contradigam outras evidências obtidas. Logo, na execução de uma auditoria,

espera-se do auditor independente mantenha-se cético ao questionar evidências de

auditoria contraditórias.

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O auditor não tem poderes de busca e apreensão de documentos, pois a auditoria

não é uma investigação de suposto delito.

Por outro lado, não se espera do auditor contábil que assegure a eficácia com a

qual a administração conduziu os negócios da entidade, pois esse não é o propósito

da auditoria independente das demonstrações contábeis.

Para que o risco de auditoria fosse reduzido a zero ou eliminado, o auditor teria

que examinar todas as transações contábeis, o que seria impossível, e mesmo

assim, ainda existiria o risco de o auditor errar em seus testes e na interpretação

dos resultados. Portanto, não existe a hipótese de se otimizar o planejamento dos

trabalhos de modo a reduzir o risco de auditoria a zero.

Por óbvio que dependendo do porte da entidade, o planejamento será mais ou

menos formal e o auditor aplicará os procedimentos de auditoria necessários, de

acordo com as caraterísticas da entidade.

Risco de auditoria

26. (CESPE/TCU/2011) A hipótese de o auditor se equivocar ao manifestar opinião

de que as demonstrações contábeis contêm distorção relevante constitui, na acepção

das normas brasileiras de contabilidade um tipo de risco considerado insignificante.

Certo.

Para fins das normas de auditoria contábil, o risco de auditoria não inclui o risco

de que o auditor possa expressar uma opinião de que as demonstrações contábeis

contêm distorção relevante quando esse não é o caso. Esse risco geralmente é in-

significante.

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27. (CESPE/TCE-PA/2016) Risco inerente consiste na possibilidade de que uma

afirmação a respeito de uma classe de transação seja distorcida; risco de controle

é a suscetibilidade de uma afirmação a respeito de uma transação, saldo contábil

ou divulgação.

Errado.

O risco inerente corresponde à probabilidade ou possibilidade de que uma afirma-

ção contida nas demonstrações financeiras apresente distorção relevante. O risco

inerente é aquele que varia conforme a natureza da conta ou classe de transações

e é avaliado pelo auditor independentemente da eficácia dos controles internos. Os

dois exemplos dados no item correspondem ao risco inerente.

28. (CESPE/TCU/2013) Os auditores não podem examinar todas as possíveis evi-

dências que eliminariam os riscos de um julgamento equivocado. Um desses pos-

síveis riscos é o risco inerente, presente, por exemplo, na situação em que uma

empresa competidora de licitação bilionária é levada a elaborar demonstrações

contábeis que favorecem sua imagem quanto à sua real situação econômico-finan-

ceira.

Certo.

Repare que o item não se refere a riscos relacionados aos procedimentos de audi-

toria ou ao relatório do auditor. Logo, estão eliminados os riscos de detecção e de

auditoria. Restariam, portanto, os riscos de distorção relevante da própria entidade

que são os riscos inerente e de controle. A possibilidade da empresa de elaborar

demonstrações contábeis que favorecem sua imagem quanto à sua real situação

econômico-financeira é inerente ou intrínseca à participação em uma licitação bi-

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lionária. O item não se refere a possível fragilidade nos controles internos da em-

presa, que poderiam levar a ocorrência dessa fraude. Por conclusão, esse risco é

inerente.

29. (CESPE/TCU/2015) O risco de auditoria é a possibilidade de o auditor, por

algum motivo alheio a sua vontade, vir a emitir uma opinião tecnicamente inade-

quada sobre demonstrações contábeis significativamente incorretas. Para fins de

análise, o risco de auditoria divide-se em três componentes: risco inerente, risco

de controle e risco de detecção.

Certo.

O risco de auditoria é o risco de que o auditor expresse uma opinião de auditoria

inadequada quando as demonstrações contábeis contiverem distorção relevante.

O risco de auditoria é uma função dos riscos de distorção relevante e do risco de

detecção. Como o risco de distorção relevante é composto dos riscos inerente e

de controle, o risco de auditoria divide-se em três componentes considerados pelo

auditor: risco inerente e de risco de controle (da entidade) e risco de detecção (de-
corre dos procedimentos do auditor).

30. (CESPE/MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES/2013) Por mais que se ampliem

os procedimentos de auditoria aplicados, sempre haverá algum nível de risco de

detecção.

Certo.

O risco de detecção se relaciona com a natureza, época e extensão dos procedi-

mentos que são determinados pelo auditor para reduzir o risco de auditoria a um

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nível aceitavelmente baixo. Portanto, é uma função da eficácia de um procedimento

de auditoria e de sua aplicação pelo auditor.

As normas de auditoria estabelecem exigências e fornecem orientação sobre o pla-

nejamento de uma auditoria de demonstrações contábeis e as respostas do auditor

aos riscos avaliados. O risco de detecção, porém, só pode ser reduzido, não eli-

minado, devido às limitações inerentes de uma auditoria. Portanto, sempre existe

risco de detecção.

31. (FCC/TRF 3ª REG/ANALISTA/2016) Um auditor independente verificou que o

valor de uma demonstração contábil, antes da auditoria, era diferente daquele exi-

gido de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Nos termos da NBC

TA 200, a possibilidade dessa diferença ser relevante é considerada um risco de

a) auditoria.

b) distorção relevante.

c) asseguração razoável.

d) derivado do julgamento profissional.

e) derivado do ceticismo profissional.

Letra b.

Vamos relembrar quais são os tipos de riscos na auditoria:

• risco de auditoria (da opinião ser inadequada);

• risco de distorção relevante (de existir erros e fraudes relevantes nas DC,

antes da auditoria);

• risco inerente (depende da natureza da conta, informação etc);

• risco de controle (dos controles internos mantidos pela entidade falharem);

• risco de detecção (do auditor errar na aplicação dos procedimentos).

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32. (FCC/TCE-SP/AUDITOR/2013) Em auditoria, o denominado risco de detecção

a) independe da suficiência e adequação das evidências de auditoria coletadas pelo

auditor para emissão de seu relatório.

b) é uma função direta da eficácia dos controles internos da entidade que está

sendo auditada.

c) é invariável, qualquer que seja a atividade da entidade e as classes de transa-

ções por ela praticadas.

d) existe independentemente da auditoria das demonstrações contábeis, ou seja,

é inerente à entidade.

e) está diretamente relacionado com a natureza, a época e a extensão dos proce-

dimentos de auditoria.

Letra e.

O risco de detecção será menor se o auditor obtém evidência em maior quantida-

de (suficiência) e qualidade (adequação). Conforme a natureza da entidade e das

classes de transações por ela praticadas, haverá um risco de distorção relevante

maior ou menor, fazendo com que o auditor aceite um risco de detecção menor ou

maior, respectivamente.

O risco de detecção está relacionado com a natureza, época e extensão dos proce-

dimentos que são determinados pelo auditor para reduzir o risco de auditoria a um

nível aceitavelmente baixo. Portanto, é uma função da eficácia de um procedimento

de auditoria e de sua aplicação pelo auditor.

33. (FCC/TRT 6ª REG/ANALISTA/2012) A empresa Condor S.A. atua no segmento

de crédito pessoal, com financiamentos de até R$ 30.000,00. Como sua política

de análise de crédito é bastante flexível, possui um volume de operações grande,

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fazendo com que as perdas por inadimplência sejam absorvidas pelas operações.

Como a política comercial é atuar junto a grandes lojas de varejo, a empresa con-

cede aos inadimplentes, 80% de perdão nas multas e juros, concedido pelo próprio

colaborador no caixa, desde que o cliente venha até as lojas parceiras para quitar

os débitos. O auditor constatou que devido à facilidade da concessão dos descon-

tos, os funcionários passaram a se apropriar das quitações em dinheiro feita pelos

inadimplentes, dando o desconto e ficando com o dinheiro. Segundo os conceitos

de auditoria externa, referida fraude evidencia um risco de

a) detecção.

b) controle.

c) monitoramento.

d) inerente.

e) operações.

Letra b.

Questão interessante. Dada uma situação hipotética, pede-se que seja identificado

qual o risco. Para solução de questões dessa natureza, sugiro que o candidato che-

gue a alternativa correta por eliminação.

Sabendo-se que os riscos podem ser de auditoria, inerente, de controle e de detec-

ção, estariam “de cara” eliminadas as letras “c” e “e”.

Vamos agora ao exame da situação exposta no enunciado, para identificação da (s)

causa (s) do desvio (fraude) cometido pelos empregados.

A fraude decorreu de erro por parte do auditor? É óbvio que a resposta é negativa.

Logo, está eliminada também a letra “a”.

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Sobraram as letras “b” e “d”. Para ser risco inerente, a fraude decorreria simples-

mente da natureza da organização e/ou de suas transações. Não podemos afirmar

que a fraude ocorreu simplesmente porque a empresa atua no segmento de crédito

pessoal. Sabemos que instituições financeiras possuem um risco maior, mas se o

sistema de controle interno mantido pela entidade para salvaguardar seus ativos

e assegurar o compliance for eficaz, o risco de ocorrer fraude seria aceitavelmente

baixo.

Por eliminação, já sabemos, então, qual a alternativa correta. Perceba que houve

uma falha no sistema de controle da entidade, pois não foi assegurado o princípio

da “segregação de funções”. O responsável pelo “caixa” (por receber numerário em

nome da empresa) não pode também ser responsável por cancelar vendas, servi-

ços ou operações nem por conceder descontos. Essas atividades são incompatíveis

de estarem sob a responsabilidade de um mesmo setor ou pessoa. Isso porque um

empregado pode simular um desconto e desviar os recursos correspondentes. Foi

justamente o que aconteceu!

34. (ESAF/MF/CONTADOR/2013) Com base nas afirmativas a seguir, assinale V

para as verdadeiras e F para as falsas e, a seguir, indique a opção correta.

 (  ) A auditoria é uma investigação oficial de suposto delito. Portanto, o auditor

não recebe poderes legais específicos, tais como o poder de busca, que podem

ser necessários para tal investigação.

 (  ) O risco de detecção se relaciona com a natureza, a época e a extensão dos

procedimentos que são determinados pelo auditor para reduzir o risco de au-

ditoria a um nível baixo aceitável. Portanto, é uma função da eficácia do pro-

cedimento de auditoria e de sua aplicação pelo auditor.

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 (  ) Os riscos de distorção relevante no nível da afirmação consistem em dois

componentes: risco inerente e risco de controle. O risco inerente e o risco de

controle são riscos da entidade; eles existem independentemente da auditoria

das demonstrações contábeis.

a) F, V, V

b) F, F, F

c) F, V, F

d) V, V, V

e) V, F, F

Letra a.

A auditoria não é uma investigação oficial de suposto delito. As demais afirmações

são transcrições literais do que dispõe a NBC TA 200 acerca dos riscos de auditoria.

35. (ESAF/ANAC/2016) Por Risco Inerente se entende:

a) a composição dos riscos de detecção e de auditoria.

b) aquele que deriva do conjunto procedimental adotado ao longo de uma auditoria.

c) a incapacidade de um sistema de controle em evitar erros ou fraudes.

d) aquele vinculado à natureza do objeto analisado.

e) o mesmo que risco geral da Auditoria.

Letra d.

O risco inerente (intrínseco) corresponde à probabilidade de distorção relevante

devido às características particulares da classe de transações, saldos de contas ou

divulgações relevantes, não se considerando os controles internos correspondentes.

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Concluímos aqui nossa primeira aula.

Bons estudos e até a próxima aula do nosso curso!

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CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil – Teoria e Prática. 8ª ed. São

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