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A respeito desta situação de crise no capitalismo Antunes (1999, p.

36) afirma o
seguinte:

Embora a crise estrutural do capital tivesse determinações mais


profundas, a resposta capitalista a essa crise procurou enfrentá-la tão
somente na sua superfície, na sua dimensão fenomênica, isto é,
reestruturá-la sem transformar os pilares essenciais do modo de
produção capitalista.

Para reforçar ainda mais este entendimento, julga-se ser extremamente


produtivo acrescentar o posicionamento de Mandel (1990, p.01):

As crises que acometem as sociedades capitalistas não são resultados


do acaso e nem produto de elementos exógenos (..) elas
correspondem ao contrário, à lógica imanente do sistema, embora
fatores exógenos e acidentais desempenham evidentemente um papel
nas particularidades e cada ciclo.

Fordismo é um sistema de produção, criado pelo empresário norte-americano Henry Ford,


cuja principal característica é a fabricação em massa. Henry Ford criou este sistema em 1914
para sua indústria de automóveis, projetando um sistema baseado numa linha de montagem.

Objetivo do sistema

O objetivo principal deste sistema era reduzir ao máximo os custos de produção e assim
baratear o produto, podendo vender para o maior número possível de consumidores. Desta
forma, dentro deste sistema de produção, uma esteira rolante conduzia a produto, no caso
da Ford os automóveis, e cada funcionário executava uma pequena etapa. Logo, os
funcionários não precisavam sair do seu local de trabalho, resultando numa maior velocidade
de produção. Também não era necessária utilização de mão de obra muito capacitada, pois
cada trabalhador executava apenas uma pequena tarefa dentro de sua etapa de produção.

O fordismo foi o sistema de produção que mais se desenvolveu no século XX, sendo
responsável pela produção em massa de mercadorias das mais diversas espécies.

Declínio do fordismo

Na década de 1980, o fordismo entrou em declínio com o surgimento de um novo sistema


de produção mais eficiente. O Toyotismo, surgido no Japão, seguia um sistema enxuto de
produção, aumentando a produção, reduzindo custos e garantindo melhor qualidade e
eficiência no sistema produtivo.

Fordismo para os trabalhadores

Enquanto para os empresários o fordismo foi muito positivo, para os trabalhadores ele gerou
alguns problemas como, por exemplo, trabalho repetitivo e desgastante, além da falta de
visão geral sobre todas as etapas de produção e baixa qualificação profissional. O sistema
também se baseava no pagamento de baixos salários como forma de reduzir custos de
produção.

Antunes (2009b, p.33) assinala que como resposta à sua própria crise, iniciou-se um processo de
reorganização do capital e de seu sistema ideológico e político de denominação, cujos contornos
mais evidentes foram o advento do neoliberalismo, com a privatização do Estado, a
desregulamentação dos direitos do trabalho e a desmontagem do setor produtivo estatal. A isso
se seguiu também um intenso processo de reestruturação da produção e do trabalho, com vistas
a dotar o capital do instrumental necessário para repor os patamares de expansão anteriores.

Antunes (2009) explica que o capital deflagrou várias transformações no próprio


processo produtivo, por meio da constituição das formas de acumulação flexível, das formas de
gestão organizacional, do avanço tecnológico, dos modelos alternativos ao binômio
taylorismo/fordismo, em que se destaca especialmente o toyotismo ou o modelo japonês. A esse
regime de acumulação, chama-se, “acumulação flexível” de acordo com Harvey (2014). Esse
autor explica que o regime de acumulação é marcada por um confronto direto com a rigidez do
fordismo que se apoia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos
produtos e dos padrões de consumo.
Nesse sentido, é lógico que o capital busque alternativas para contornar sua própria
crise. Antunes (2009b, p.33) assinala que como resposta à sua própria crise, iniciou-se um
processo de reorganização do capital e de seu sistema ideológico e político de denominação,
cujos contornos mais evidentes foram o advento do neoliberalismo, com a privatização do
Estado, a desregulamentação dos direitos do trabalho e a desmontagem do setor produtivo
estatal. A isso se seguiu também um intenso processo de reestruturação da produção e do
trabalho, com vistas a dotar o capital do instrumental necessário para repor os patamares de
expansão anteriores.
As estratégias de superação das crises – neoliberalismo, globalização, reestruturação
produtiva e Terceira Via – redefinem o papel do Estado, principalmente para com as políticas
sociais.