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Apelação Cível Nº 1.0713.12.

002984-6/001

<CABBCBAACDDCAABACBBCABCCBBCADAABDACA
ADDADAAAD>
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL – CONHECIMENTO DO PROCESSO EM
REEXAME NECESSÁRIO – ADMINISTRATIVO – PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO
ORDINÁRIA – SERVIDOR MUNICIPAL – HORAS EXTRAS – BASE DE
CÁLCULO – HORA NORMAL DE TRABALHO – CONSIDERAÇÃO DOS
QUINQUÊNIOS E DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE – ACOLHIMENTO DO
PEDIDO – ATUALIZAÇÃO DO DÉBITO – ART. 1º-F DA LEI N.º 9.494/97 –
REDAÇÃO DADA PELO ART. 5º DA LEI N.º 11.960/2009 –
INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL – ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA
– IPCA.
1. Segundo a melhor exegese do art. 66 da Lei n.º 810/91, do Município de
Viçosa, o valor da hora normal de trabalho do servidor compreende não
apenas o vencimento básico, como também os quinquênios e o adicional de
insalubridade, motivo por que o acréscimo de cinquenta por cento para
remuneração do serviço extraordinário deve incidir sobre tais vantagens,
sem que isto resulte em violação ao inc. XIV do art. 37 da Constituição da
República.
2. Conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em
decorrência da declaração de inconstitucionalidade parcial, por
arrastamento, do art. 5º da Lei 11.960/2009 – que deu nova redação ao art. 1º-
F da Lei 9.494/97 – na ADI 4.357/DF, julgada pelo exc. Supremo Tribunal
Federal, as parcelas remuneratórias devidas a servidor público devem ser
corrigidas monetariamente pelo IPCA e acrescidas de juros pelos índices
oficiais de juros aplicados à caderneta de poupança.
3. Sentença parcialmente reformada, em reexame necessário, e recurso
voluntário prejudicado.

V.v.: EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO - APELAÇÃO CÍVEL - SERVIDOR


PÚBLICO MUNICIPAL - SAAE - REMUNERAÇÃO DO SERVIÇO
EXTRAORDINÁRIO - BASE DE CÁLCULO - VENCIMENTO BÁSICO -
DESCONSIDERAÇÃO DOS QUINQUENIOS.
1 - O cálculo da remuneração do serviço extraordinário deve ser realizado
com base no vencimento básico do servidor, desconsiderando os
adicionais por tempo de serviço, sob pena de ofensa à vedação imposta
pelo art. 37, inc. XIV, da CR/88.
2 - Em reexame necessário, reformar a sentença, para julgar improcedente o
pedido inicial, prejudicado o recurso voluntário.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0713.12.002984-6/001 - COMARCA DE VIÇOSA - APELANTE(S): SAAE SERVIÇO


AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE VIÇOSA - APELADO (A) (S): NILO SERGIO PEREIRA

AC Ó R D ÃO

Vistos etc., acorda, em Turma, a 8ª CÂMARA CÍVEL do


Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata
dos julgamentos em REEXAME NECESSÁRIO, REFORMAR

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PARCIALMENTE A SENTENÇA, VENCIDO O RELATOR, PREJUDICADO


O RECURSO VOLUNTÁRIO.

EDGARD PENNA AMORIM


RELATOR P/ ACÓRDÃO

ROGÉRIO COUTINHO
RELATOR VENCIDO

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ROGÉRIO COUTINHO (RELATOR)

VOTO

1 - Trata-se de recurso de apelação interposto pelo SAAE -


Serviço Autônomo de Água e Esgoto em face da sentença proferida
pela Juíza da 2ª Vara Cível da Comarca de Viçosa, que, nos autos da
Ação Ordinária ajuizada por Nilo Sérgio Pereira em desfavor do SAAE -
Serviço Autônomo de Água e Esgoto, julgou procedente o pedido, para
condenar o requerido a proceder ao cálculo correto do pagamento do
adicional de serviço extraordinário, incluindo na base de cálculo, o
adicional e o quinquênio. Determinou, ainda, que sobre os valores
devidos, seja acrescido juros de mora à taxa de 1% ao mês, a partir da
citação, respeitada a prescrição quinquenal. Condenou o requerido no
pagamento de honorários advocatícios fixados em 20% sobre o valor
da condenação (f.307/309-verso)

O apelante alega que “a regência estatutária do vínculo sub


judice afasta a aplicação do raciocínio em favor do qual a Justiça
Especializada elegeu a habitualidade como pressuposto para a
cumulação de acréscimos” (f. 316). Aduz que ainda que não fosse o
vinculo estatutário, mesmo para os casos de emprego público não se
poderia aditar as normas e interpretações trazidas pela CLT. Assevera
que a lógica de acumular verbas ao argumento de que são recebidos
em caráter habitual não se amolda ao fato de que o apelado está a
serviço do Poder Público. Afirma que com a supressão da
condicionante pela EC 19/98, o constituinte ampliou o âmbito da
proibição para vedar o cômputo de acréscimo. Ressalta que o art. 61,
§2º, da Lei 810/91 proibiu a incorporação do adicional de insalubridade
ao padrão de vencimento para quaisquer efeitos. Pondera que restou
ofendida a disposição contida no art. 37, inc. XIV, da CR/88. Pugna pela
redução da verba honorária e ou compensação e pela fixação dos juros
de mora no importe de 0,5% ao mês (f. 311/334).

As contrarrazões foram apresentadas às fls. 336/346.

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É o relatório.

2 - Conheço, de ofício, do reexame necessário, eis que a


sentença é ilíquida e não se submete às exceções previstas no §2º, do
art. 475, do Código de Processo Civil.

Conheço do recurso voluntario, porquanto presentes os seus


pressupostos legais de admissibilidade.

Na hipótese dos autos, verifica-se que a presente ação tem


como objetivo a inclusão na base de cálculo do adicional de horas
extras dos acréscimos de caráter habitual do autor, ora apelante,
relativos ao adicional de insalubridade e ao quinquênio.

A Magistrada de primeiro grau entendeu que à hora trabalhada


pelo servidor, para cálculo da hora-extra, deve ser a soma do seu
vencimento básico com o quinquênio permanentemente auferido, que
integra a remuneração. Afastou, ainda, a incidência da vedação contida
no art. 37, inc. XIV, da CR/88, por entender que essa disposição refere-
se aos acréscimos pessoais ou próprios da função ou do cargo e não à
hora-extra, que ostenta natureza eventual e transitória.

Contudo, entendo que a remuneração do serviço extraordinário


é uma gratificação de serviço, razão pela qual não pode incidir sobre as
demais vantagens pecuniárias recebidas pelo servidor, sob pena de
ofensa à vedação imposta pelo art. 37, inc. XIV, da CR/88, in verbis:

“Art. 37 - A administração pública direta e indireta de


qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:

(...)

XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por


servidor público não serão computados nem acumulados
para fins de concessão de acréscimos ulteriores;”
Dessa forma, o cálculo da remuneração do serviço
extraordinário deve ser realizado tendo como base de cálculo o

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vencimento básico do cargo do autor, ora apelado, desconsiderando os


adicionais por tempo de serviço.

Ressalta-se que a própria Lei Municipal 1.656/05, em seu art.


78, dispõe que o serviço extraordinário será remunerado em 50%
acima da hora normal de trabalho, indicando que as horas extras
devem ser calculadas com base no vencimento básico da jornada
mensal de trabalho.

Em casos análogos, decidiu esta Col. 8ª Câmara Cível:

“EMENTA: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO


MUNICIPAL. REMUNERAÇÃO PELO SERVIÇO
EXTRAORDINÁRIO. BASE DE CÁLCULO. VENCIMENTO
BÁSICO. INCLUSÃO DOS QUINQUÊNIOS.
IMPOSSIBILIADE. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 37,
INCISO XIV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
SENTENÇA REFORMADA EM REEXAME NECESSÁRIO.
RECURSO PROVIDO. 1. A gratificação pelo serviço
extraordinário deve ser calculada sobre o vencimento
básico do cargo ocupado pelo servidor, correspondente ao
padrão fixado em lei, pena de ofensa ao art. 37, XIV, da
Constituição da República”. (1.0713.12.003062-0/001,
Relator (a): Des.(a) Bitencourt Marcondes, 8ª Câmara
Cível, julgamento em 13/02/14, publicação da súmula em
24/02/14).
3 - Assim, em reexame necessário, reformo a sentença, para
julgar improcedente o pedido inicial, restando prejudicado o
recurso voluntário. Condeno o autor, ora apelado, no pagamento
das custas processuais e honorários advocatícios, que fixo em
R$1.000,00, nos termos do art. 20, §4º, do CPC, suspensa a
exigibilidade por estar amparado pela Justiça Gratuita.

Custas recursais, na forma da lei.

DES. EDGARD PENNA AMORIM (REVISOR)

Pedi vista na sessão de 5 de junho p.p. para melhor estudo da


matéria, entre outros motivos pela sustentação oral produzida pela i.
Advogada da parte autora, Dra. Iglesias Fernanda de Azevedo Rabelo,
que também me ofertou memorial.

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Após analisar os autos, conquanto o acompanhe no


conhecimento do processo em reexame necessário, de ofício, à míngua
de remessa oficial (Súmula n.º 490 do STJ), peço vênia ao em. Relator
para divergir quanto à matéria de fundo.

De fato, o demandante ocupa o cargo de operador de ETA do


SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DO MUNICÍPIO DE
VIÇOSA – SAAE e, nesta condição, pretende a revisão da base de
cálculo das horas extras, a fim de que esta vantagem seja paga não
somente sobre o vencimento básico do servidor, como também sobre o
adicional de insalubridade e o quinquênio. A propósito da remuneração
do serviço extraordinário, dispõe a Lei Municipal n.º 810/91 – Estatuto
dos Servidores Municipais de Viçosa –, “in verbis”:

Art. 66 – O serviço extraordinário será remunerado com


acréscimo de cinquenta por cento em relação à hora
normal de trabalho. (Destaques deste voto.)

Conforme se infere do dispositivo supratranscrito, a


remuneração do serviço extraordinário é feita mediante o pagamento
do percentual de 50 (cinquenta) sobre o valor da “hora normal de
trabalho”. Contudo, por esta expressão não se pode entender que a
base de cálculo das horas extras corresponde ao vencimento básico do
cargo, pois tal inferência não decorre do Estatuto dos Servidores
Municipais, que, quando pretendeu adotar aquele parâmetro para
cálculo de determinada vantagem pecuniária, o fez de maneira
expressa, como se dá, “verbi gratia”, com o adicional por tempo de
serviço previsto no art. 60 do aludido diploma.

Na verdade, a adoção pelo legislador do termo “hora normal de


trabalho” – que, aliás, se aproxima da expressão remuneração do
serviço normal, utilizada pelo constituinte (CR, art. 7º, inc. XVI) – teve o
propósito de alcançar o efetivo valor do serviço habitualmente prestado
pelo servidor, o que compreende não apenas o padrão de vencimento
devido pela ocupação do cargo, como também as vantagens
pecuniárias percebidas em razão do desempenho da atividade.

Lado outro, a interpretação perfilhada acima se mostra


consentânea do ponto de vista teleológico, na medida em que, como o

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pagamento das horas extraordinárias visa a compensar o servidor que


excedeu a jornada normal de trabalho no interesse da Administração
Pública, a correta retribuição se verifica com a incidência do acréscimo
de 50% (cinquenta por cento) sobre a remuneração, a qual reflete o
real valor da hora normal de trabalho, consideradas as peculiaridades
da situação de cada servidor que desempenhe a atividade em regime
de sobrejornada.

Daí por que, a meu aviso, os quinquênios adquiridos pelo


requerente ao longo do período de prestação de serviço ao MUNICÍPIO
integram o valor da hora normal de trabalho e, por conseguinte,
precisam ser levados em conta no cálculo das horas extras.

Da mesma forma, a hora trabalhada em condições insalubres


deve, obviamente, ser remunerada de modo distinto do que aquela
desempenhada pelo servidor que não está submetido a situações
causadoras de risco para a saúde. Nesta mesma linha interpretativa,
trago à colação excerto do voto do em. Des. ALBERTO VILAS BOAS,
no seguinte julgado de sua relatoria:

O autor está submetido a trabalho insalubre e, como tal,


percebe o respectivo adicional com habitualidade.
Disto resulta que o valor da hora trabalhada, em relação
a ele, deve ser calculado considerando-se a soma de
seu vencimento básico e do adicional de insalubridade.
É esta a base de cálculo para as horas-extras, como
ponderado na sentença ora recorrida.
Não se trata, pois, de dar interpretação extensiva ao
comando de lei acima transcrito – como alega a
Municipalidade –, mas, sim, dar o sentido inequívoco de
que a hora extra trabalhada em local insalubre não pode
ser paga de forma distinta da hora fixada para a jornada
normal.
A lei local não dispõe que as horas-extras incidirão sobre
o vencimento do servidor. E ao preceituar que a base de
cálculo será a hora trabalhada, preserva a peculiaridade
de cada situação, contemplando adequadamente os
direitos daqueles que se encontram em situações
especiais, como o são os servidores submetidos a
agentes insalubres.
(TJMG, Proc. n.º 1.0261.09.070758-7/001, Primeira
Câmara Cível, Rel. Des. ALBERTO VILAS BOAS, j.
09/02/2010, DJ. 03/03/2010.)

Nem se diga que a pretensão deduzida nestes autos esbarra no


disposto no art. 37, inc. XIV, da Constituição da República. É que a

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indigitada norma proíbe a acumulação de acréscimos pecuniários “para


fins de concessão de acréscimos ulteriores”, o que, porém, não é o
caso da hora extra, que apresenta caráter compensatório do trabalho
em regime de sobrejornada e, por força de norma legal e constitucional,
é calculado com base na hora normal.

Destarte, em que pese o inconformismo do SAAE, afigura-se


correta a sentença na parte em que assegurou ao requerente a
inclusão dos quinquênios e do adicional de insalubridade na base de
incidência das horas extras. Neste sentido, mencionem-se precedentes
deste eg. Tribunal de Justiça:

EMENTA: ADMINISTRATIVO - SAAE - SERVIDOR


PÚBLICO - HORA EXTRA - BASE DE CALCULO -
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO - INCLUSÃO -
POSSIBILIDADE - INAPLICABILIDADE DO ART. 37,
XIV DA CF.
1- Quanto à inserção do adicional de tempo por serviço
na base de cálculo da hora extra, não há que se invocar
o art. 37, XIV da Constituição Federal (efeito cascata),
uma vez que a hora extra não se trata de uma vantagem
pessoal concedida ulteriormente, mas sim parcela
indenizatória pelo tempo extraordinário de serviço.
2- Cumpre anotar que a exegese do art. 37, XIV da
Constituição Federal, quando menciona acréscimos
ulteriores, quer dizer respeito às vantagens pecuniárias
acrescidas ao vencimento do servidor, em razão da
ocorrência de algum fato objetivado na lei, que se
diferencia da parcelas indenizatórias, pagas como forma
de ressarcir o servidor por cumprir o serviço em
situações anormais.
3- O adicional por tempo de serviço (art. 60 da Lei
Municipal 810/91 de Viçosa), por sua vez, tem o objetivo
de premiar o servidor que complete cinco anos de
exercício. Trata-se de uma vantagem pecuniária
acrescida ao vencimento do servidor de forma
permanente, decorrente do cumprimento de um requisito
objetivo exigido na legislação.
4- Logo, sendo de natureza permanente o referido
adicional e, ainda, tendo em vista a natureza
indenizatória do adicional de hora extra, justa é a
inclusão do adicional por tempo de serviço na base de
cálculo do período extra trabalhado.
5- Reformaram parcialmente a sentença, em reexame
necessário, prejudicado o recurso voluntário.
(TJMG, Ap Cível/Reex Necessário n.º
1.0713.12.003103-2/001, Rel. Des. JAIR VARÃO,
Terceira Câmara Cível, j. 10/10/2013, DJe. 23/10/2013.)

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA.


FUNCIONÁRIO PÚBLICO MUNICIPAL. HORAS
EXTRAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE

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QUINQUÊNIOS E ADICIONAL DE INSALUBRIDADE.


POSSIBILIDADE. JUROS MORATÓRIOS. FORMA DE
CÁLCULO. ART. 1º-F, DA LEI Nº 9.494, DE 1997 EM
SUA REDAÇÃO ATUAL. APLICABILIDADE.
SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA EXISTENTE.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO CORRETA.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
1. A Constituição da República estendeu aos
funcionários públicos alguns direitos sociais previstos
para os trabalhadores urbanos e rurais, dentre eles, a
remuneração do serviço extraordinário superior à hora
normal.
2. Devem integrar a base de cálculo das horas extras
todos os adicionais remuneratórios percebidos em
caráter habitual ou permanente, dentre eles o adicional
de insalubridade e os quinquênios.
(...) (TJMG, Apelação Cível n.º 1.0713.12.003099-2/001,
Rel. Des. CAETANO LEVI LOPES, Segunda Câmara
Cível, j. 03/09/2013, DJe. 11/09/2013.)

EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO - SERVIDOR


PÚBLICO - HORAS EXTRAS - BASE DE CÁLCULO -
INCLUSÃO DOS QUINQUÊNIOS - POSSIBILIDADE.
- A remuneração das horas de jornada extraordinária é
calculada com base na hora normal de trabalho, na qual
se incluem o vencimento básico e as parcelas
permanentes percebidas pelo servidor, tais como o
adicional por tempo de serviço.
(...) (TJMG, Reexame Necessário n.º 1.0713.12.003097-
6/001, Rel.ª Des.ª ANA PAULA CAIXETA, Quarta
Câmara Cível, j. 31/10/2013, DJe. 06/11/2013.)

Contudo, parece-me inevitável reformar-se o “decisum” quanto


aos indexadores de correção monetária e de juros de mora incidentes
sobre as diferenças pretéritas.

Efetivamente, de acordo com a redação vigente do art. 1º-F da


Lei n.º 9.494/97, conferida pelo art. 5º da Lei n.º 11.960, de 29/06/2009,
o cálculo da atualização monetária e dos juros nas condenações
impostas à Fazenda Pública é feito da seguinte maneira:

Art. 1º-F – Nas condenações impostas à Fazenda


Pública, independentemente de sua natureza e para os
fins de atualização monetária, remuneração de capital e
compensação da mora, haverá uma única vez, até o
efetivo pagamento, dos índices de remuneração básica
e juros aplicados à caderneta de poupança.

Acerca do tema, é bem verdade que os Tribunais Superiores


consolidaram o entendimento de que a norma veiculada no dispositivo
transcrito se reveste de natureza processual, motivo por que as
alterações promovidas pela citada Lei Federal n.º 11.960/2009 têm

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imediata aplicação aos feitos em curso (cf. STJ, REsp 1.205.946/SP,


Corte Especial, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, j. 19/10/2011, DJe
02/02/2012).

Entretanto, mais recentemente, ao apreciar a ADI n.º 4.357/DF


ajuizada contra a Emenda à Constituição n.º 62, de 09/12/2009, o
Plenário do exc. Supremo Tribunal Federal, em acórdão relatado pelo
em. Min. AYRES BRITTO, declarou a inconstitucionalidade da
expressão “índice oficial de remuneração básica da caderneta de
poupança”, constante do § 12 do art. 100 da CR, e, por consectário,
proclamou a inconstitucionalidade parcial, por arrastamento, do
indigitado art. 5º da Lei Federal n.º 11.960/2009, que reproduziu aquela
expressão.

Ao assim decidir, a Excelsa Corte considerou que o índice oficial


de remuneração da caderneta de poupança não poderia ser utilizado
para atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública, pelo fato
de não refletir a inflação acumulada no período.

Não foi por outra razão que o col. Superior Tribunal de Justiça,
no julgamento do REsp n.º 1.270.439/PR submetido ao regime do art.
543-C do CPC, entendeu que somente os juros de mora – referentes
aos débitos não tributários – podem ser calculados com base na taxa
básica de remuneração da poupança, ao passo que a correção
monetária se deve sujeitar a índice que reflita a inflação acumulada no
período, tendo o precedente adotado o Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA). Por oportuno, calha transcrever a ementa
do julgado:

RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE


CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC E RESOLUÇÃO
STJ N.º 08/2008. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR
PÚBLICO FEDERAL. INCORPORAÇÃO DE QUINTOS.
MEDIDA PROVISÓRIA N.º 2.225-45/2001. PERÍODO
DE 08.04.1998 A 05.09.2001. MATÉRIA JÁ DECIDIDA
NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC.
POSSIBILIDADE EM ABSTRATO. AUSÊNCIA DE
INTERESSE PROCESSUAL NO CASO CONCRETO.
RECONHECIMENTO ADMINISTRATIVO DO DIREITO.
AÇÃO DE COBRANÇA EM QUE SE BUSCA APENAS O
PAGAMENTO DAS PARCELAS DE RETROATIVOS
AINDA NÃO PAGAS.
(...)

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VERBAS REMUNERATÓRIAS. CORREÇÃO


MONETÁRIA E JUROS DEVIDOS PELA FAZENDA
PÚBLICA. LEI 11.960/09, QUE ALTEROU O ARTIGO 1º-
F DA LEI 9.494/97. DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL POR
ARRASTAMENTO (ADIN 4.357/DF).
12. O art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação conferida
pela Lei 11.960/2009, que trouxe novo regramento para
a atualização monetária e juros devidos pela Fazenda
Pública, deve ser aplicado, de imediato, aos processos
em andamento, sem, contudo, retroagir a período
anterior a sua vigência.
13. ‘Assim, os valores resultantes de condenações
proferidas contra a Fazenda Pública após a entrada em
vigor da Lei 11.960/09 devem observar os critérios de
atualização (correção monetária e juros) nela
disciplinados, enquanto vigorarem. Por outro lado, no
período anterior, tais acessórios deverão seguir os
parâmetros definidos pela legislação então vigente’
(REsp 1.205.946/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
Corte Especial, DJe 2.2.12).
14. O Supremo Tribunal Federal declarou a
inconstitucionalidade parcial, por arrastamento, do art. 5º
da Lei 11.960/09, que deu nova redação ao art. 1º-F da
Lei 9.494/97, ao examinar a ADIn 4.357/DF, Rel. Min.
Ayres Britto.
15. A Suprema Corte declarou inconstitucional a
expressão ‘índice oficial de remuneração básica da
caderneta de poupança’ contida no § 12 do art. 100 da
CF/88. Assim entendeu porque a taxa básica de
remuneração da poupança não mede a inflação
acumulada do período e, portanto, não pode servir de
parâmetro para a correção monetária a ser aplicada aos
débitos da Fazenda Pública.
16. Igualmente reconheceu a inconstitucionalidade da
expressão ‘independentemente de sua natureza’ quando
os débitos fazendários ostentarem natureza tributária.
Isso porque, quando credora a Fazenda de dívida de
natureza tributária, incidem os juros pela taxa SELIC
como compensação pela mora, devendo esse mesmo
índice, por força do princípio da equidade, ser aplicado
quando for ela devedora nas repetições de indébito
tributário.
17. Como o art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação da
Lei 11.960/09, praticamente reproduz a norma do § 12
do art. 100 da CF/88, o Supremo declarou a
inconstitucionalidade parcial, por arrastamento, desse
dispositivo legal.
18. Em virtude da declaração de inconstitucionalidade
parcial do art. 5º da Lei 11.960/09: (a) a correção
monetária das dívidas fazendárias deve observar índices
que reflitam a inflação acumulada do período, a ela não
se aplicando os índices de remuneração básica da
caderneta de poupança; e (b) os juros moratórios serão
equivalentes aos índices oficiais de remuneração básica
e juros aplicáveis à caderneta de poupança, exceto
quando a dívida ostentar natureza tributária, para as
quais prevalecerão as regras específicas.

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Apelação Cível Nº 1.0713.12.002984-6/001

19. O Relator da ADIn no Supremo, Min. Ayres Britto,


não especificou qual deveria ser o índice de correção
monetária adotado. Todavia, há importante referência no
voto vista do Min. Luiz Fux, quando Sua Excelência
aponta para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
que ora se adota.
20. No caso concreto, como a condenação imposta à
Fazenda não é de natureza tributária - o crédito
reclamado tem origem na incorporação de quintos pelo
exercício de função de confiança entre abril de 1998 e
setembro de 2001 -, os juros moratórios devem ser
calculados com base no índice oficial de remuneração
básica e juros aplicados à caderneta de poupança, nos
termos da regra do art. 1º-F da Lei 9.494/97, com
redação da Lei 11.960/09. Já a correção monetária, por
força da declaração de inconstitucionalidade parcial do
art. 5º da Lei 11.960/09, deverá ser calculada com base
no IPCA, índice que melhor reflete a inflação acumulada
do período.
21. Recurso especial provido em parte. Acórdão sujeito
à sistemática do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ
n.º 08/2008. (STJ, REsp 1.270.439/PR, Rel. Min.
CASTRO MEIRA, Primeira Seção, j. 26/06/2013, DJe
02/08/2013.)

Destarte, em decorrência da inconstitucionalidade parcial do art.


5º da Lei Federal n.º 11.960/2009 reconhecida pelo exc. Supremo
Tribunal Federal, a correção monetária deve ser calculada pelo IPCA –
conforme solução alvitrada no precedente do col. Superior Tribunal de
Justiça “suso” mencionado –, enquanto o cálculo dos juros de mora
deve ser feito com base no índice oficial de juros da caderneta de
poupança, a teor do art. 1º-F da Lei 9.494/97.

Ao exposto, renovas as vênias ao em. Relator, em reexame


necessário, reformo parcialmente a sentença, para determinar que a
correção monetária incida pelo IPCA, e os juros de mora pelos índices
oficiais de juros aplicados à caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei n.º
9.494/97). Dou por prejudicado o recurso voluntário.

Deixo de condenar o SAAE ao pagamento das custas recursais


em virtude da isenção prevista no art. 10, inc. I, da Lei Estadual n.º
14.939/2003.

DESA. TERESA CRISTINA DA CUNHA PEIXOTO (VOGAL)

Fl. 12/14
Apelação Cível Nº 1.0713.12.002984-6/001

Peço vênia ao em. Relator para acompanhar a divergência


instaurada pelo em. Revisor, no sentido de reconhecer o direito do
autor a que os qüinqüênios e o adicional de insalubridade componham
a base de cálculo das horas-extras, tendo em vista a dicção do art.7º,
XVI c/c art.39, §3º, da CR/88:

“Art.7º (...)

XVI - remuneração do serviço extraordinário superior,


no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal;

Art.39 (...)

§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo


público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV,
XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei
estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a
natureza do cargo o exigir”.

Isto porque, coaduno do entendimento esposado pelo em. Des.


Edgard Penna Amorim de que a expressão “remuneração do serviço
normal” utilizada pelo Constituinte, equivalente à expressão “hora
normal de trabalho” utilizada pelo legislador, “teve o propósito de
alcançar o efetivo valor do serviço habitualmente prestado pelo
servidor, o que compreende não apenas o padrão de vencimento
devido pela ocupação do cargo, como também as vantagens
pecuniárias percebidas em razão do desempenho da atividade”.

Afinal, seria de todo desarrazoado que o servidor submetido a


regime de sobrejornada, o que já lhe demanda um maior desgaste
físico e mental intensificado principalmente pelo contato com agentes
insalubres, fosse remunerado com hora inferior à do trabalho normal,
em evidente enriquecimento da Administração Pública.

A propósito, já me manifestei quando do julgamento da Apelação


Cível nº. 1.0713.12.003083-6/001, derivada de ação movida por outro
servidor vinculado ao SAAE:

“EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO ORDINÁRIA -


INCORPORAÇÃO DOS QUINQUÊNIOS NO CÁLCULO DO
ADICIONAL POR TRABALHO EXTRAORDINÁRIO -
PARCELA PERMANENTE - REMUNERAÇÃO -
POSSIBILIDADE - SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA -

Fl. 13/14
Apelação Cível Nº 1.0713.12.002984-6/001

HONORÁRIOS - JUROS - SENTENÇA PARCIALMENTE


REFORMADA.

1. Os quinquênios deverão integrar a base de


cálculo para pagamento de horas-extras, por ser adicional
de cunho permanente que não se dissocia dos
vencimentos, refletindo a remuneração do servidor e
adequando-se ao caráter indenizatório da verba
extraordinária.

2. A atualização do valor devido ocorrerá na forma da


Lei nº 11.960/2009, desde a sua entrada em vigor, que deu
nova redação ao art. 1º-f da lei nº 9.494/97.

3. Em havendo sucumbência recíproca, é imperioso


que sejam as partes condenadas, proporcionalmente, ao
pagamento das custas e da verba honorária”. (TJMG, AC
nº. 1.0713.12.003083-6/001, relª. Desª. Teresa Cristina da
Cunha Peixoto, j. em 28/02/13).

De igual maneira, acompanho o Revisor no que concerne à


correção monetária e aos juros de mora, na linha do entendimento
adotado pelos Tribunais Superiores na ADI 4.537/DF e no REsp nº
1.270.439/PR (art.543-C do CPC).

SÚMULA: "EM REEXAME NECESSÁRIO,


REFORMARAM PARCIALMENTE A SENTENÇA, VENCIDO O
RELATOR, PREJUDICADO O RECURSO VOLUNTÁRIO."

Fl. 14/14