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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM GEOLOGIA

CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA E PETROGRÁFICA DA REGIÃO


DE SÃO VALÉRIO DA NATIVIDADE, TO

GILLIARD MEDEIROS BORGES

Orientadora: Profª. Drª. Rúbia Ribeiro Viana

Cuiabá

22/04/2013
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

ISNTITUTO DE CIÊNCIA EXATAS E DA TERRA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM GEOLOGIA

CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA E PETROGRÁFICA DA REGIÃO DE SÃO


VALÉRIO DA NATIVIDADE, TO

“Monografia apresentada à Comissão do


Trabalho de Conclusão de Curso do Curso
de Graduação em Geologia do Instituto de
Ciências Exatas e da Terra – UFMT, como
parte das exigências para o cumprimento da
disciplina Trabalho de Conclusão de Curso
no ano letivo de 2012”

Cuiabá –MT
2013
COMISSÃO EXAMINADORA

Presidente: Prof. Rubia Ribeiro Viana

1° Examinador: Prof. Gislaine Amorés Battilani

2° Examinador: Ronaldo Pierosan

Discente: Gilliard Medeiros Borges

Cuiabá, 22 de Abril de 2013.

Resultado:
“Dedico o Trabalho a minha família, aos
meus pais Jandir Borges e Lídia Maria
Medeiros da Silva, a meu irmão Giovane
Medeiros Borges pelo apoio incondicional,
paciência e confiança passado ao longo
desses anos.”

iv
AGRADECIMENTOS

Agradeço o corpo docente do curso de graduação em geologia da Universidade


Federal de Mato Grosso (UFMT), em especial a Rubia Ribeiro Viana, Gislaine Amorés
Battilani, Ronaldo Pierosan, Jackson Souza da Silva Paz, João Batista de Souza Matos,
Carlos Humberto da Silva e Paulo César Corrêia pela contribuição na construção desse
trabalho.

Aos alunos que contribuíram nas horas mais árduas, agradeço a Newton Diego
Couto do Nascimento, Max Salustiano Junior, Antônio Gabriel Fornarolli Felber, Gabriel
Rodrigues Ribeiro, Mauricio Jose dos Reis, Gabriela dos Santos, Danielle Cristina,
Delma Cristina Santos, Lorena Martins, Guilherme Moreschi Passaneli, Lucas Fraguas
Benatti, Daniel de Araújo Machado e Ricardo Loose Timm pela sua contribuição durante
o desenvolvimento desse trabalho, e a todos os demais alunos da graduação em geologia
da Turma 2008 pela amistosa convivência e parceria ao longo dos anos.

Ao corpo técnico da UFMT e a empresa júnior Geodésia Soluções Em Geologia


sempre prestativos e cumprindo o seu dever de fomentar e auxiliar atividades de pesquisa
e ao desenvolvimento de trabalhos acadêmicos.

Em especial agradeço a Deus e a meus familiares pelo apoio e fé dedicados a


mim na realização desse sonho.

v
“Feel the air up above
Oh, pool of blue sky
Fill the air up with love
All black with starlight
Feel the sky blanket you
With gems and rhinestones!
See the path cut by the moon
For you to walk on”
Unthought Known - Eddie
Vedde

vi
SUMARIO

DEDICATÓRIA ..................................................................................................................................IV
AGRADECIMENTOS...........................................................................................................................V
SUMÁRIO ........................................................................................................................................VII
ÍNDICE.............................................................................................................................................VII
ÍNDICE DE FIGURAS ......................................................................................................................... IX
RESUMO ........................................................................................................................................... X
ABSTRACT ........................................................................................................................................ XI

vii
ÍNDICE

CAPITULO I: INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 12


I.1 APRESENTAÇÃO .................................................................................................................... 13
I.2 OBJETIVO .............................................................................................................................. 13
I.3 LOCALIZAÇÃO E VIAS DE ACESSO ......................................................................................... 14
I.4 ASPECTOS FISIÓGRAFOS....................................................................................................... 15
1.5 MATERIAIS E MÉTODOS ...................................................................................................... 16
I.5.1 Etapa Preparatória ........................................................................................................ 16
I.5.2 Etapa de Aquisição de Dados ........................................................................................ 16
I.5.3 Etapa de Análise dos Dados e Elaboração do Trabalho ............................................... 17
CAPITULO II: GEOLOGIA REGIONAL .............................................................................................. 18
II.1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 19
II.2 TRABALHOS ANTERIORES.................................................................................................... 21
II.3 GEOLOGIA DA REGIÃO DE SÃO VALÉRIO ............................................................................ 22
II.3.1 Faixa Móvel Paleoproterozóico Dianópolis-Silvânia ................................................... 22
II.3.2 Bacia Rifle Paleoproterozóica (Grupos Araí) ............................................................... 23
II.3.3 Arco magmático............................................................................................................ 24
CAPITULO III – GEOLOGIA LOCAL .................................................................................................. 26
III.1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................... 27
III.2 GNAISSE-MIGMATÍTICO ..................................................................................................... 28
III.2.1 Petrografia ................................................................................................................... 29
III.3 SEQUÊNCIA METASSEDIMENTAR....................................................................................... 32
III.3.1 Petrografia ................................................................................................................... 33
III. 4 ORTOGNAISSES .................................................................................................................. 34
III.4.1 Petrografia ................................................................................................................... 35
III.4.2 Anfibólio Xisto ............................................................................................................. 38
III.4.2.1 Petrografia ................................................................................................................ 38
III.5 PEGMATITO ........................................................................................................................ 41
III.6 COBERTURAS E FORMAÇÕES QUATERNÁRIAS .................................................................. 42
III.7 RECURSOS MINERIAS ......................................................................................................... 42
IV - Discussões e Considerações Finais ...................................................................................... 45
V REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 48

viii
Lista de Figuras

Figura 1: Rota de acesso à área de estudo. .................................................................................................... 15


Figura 2: Província Estrutural Tocantins. ...................................................................................................... 20
Figura 3: Aspecto macroscópico dos gnaisses-migmatitico: ......................................................................... 28
Figura 4: Indicadores cinemáticos destrais, sequencia gnaisse migmatito.. .................................................. 29
Figura 5: Fotomicrografia do gnaisse migmatíto ........................................................................................... 30
Figura 6: Aspecto de campo da Unidade Metassedimentar. .......................................................................... 32
Figura 7: Fotomicrografia de Quartizito ........................................................................................................ 34
Figura 8: Aspecto de campo ortognaisses ..................................................................................................... 35
Figura 9: Fotomicrografia dos ortognaisses .................................................................................................. 36
Figura 10: Fotomicrografia de anfibolito xisto .............................................................................................. 39

ix
RESUMO

Este trabalho apresenta os resultados da caracterização geológica e petrografica realizado


na porção sudeste do Estado de Tocantins, no município de São Valério da Natividade.
Nessa região ocorre uma das mais importantes ocorrências de megacristais de granadas
gemológicas do Brasil, associadas a rochas metamórficas. O mapeamento realizado
permitiu a identificação de três sequencias litológicas principais: Gnaisse Migmatito,
Metassedimentares Indiferenciadas e Ortognaisses. A sequência Gnáissica Migmatítica é
composta por rochas de composição granodioriticas a tonaliticas, com direção N30E e
mergulho subverticais ora para NW ora para SE. As sequencias metassedimentares
indiferenciadas são compostas por muscovita xisto a quartzo xisto, metapelitos, seguidos
pela formação de quartzitos feldspáticos imaturos com estratificação plano-paralela. As
rochas ortognáissicas apresentam composição granodioritica a alcali feldspato granito,
ricos em muscovita e mostram bandamento gnáissico de direção N30E com mergulho nos
quadrantes NW e SE. Este litotipo tem características sin a pós-tectônicas e parece ter
sido controlados por zonas transcorrentes destrais. Estes estudos permitiram inferir que a
ocorrência de granada foi o resultado da ação do metamorfismo regional, que ocorreu no
Neoproterozóico e, também, teve importante contribuição do metamorfismo de contato,
provocado pelas rochas intrusivas da Suíte Mata Azul.

x
ABSTRACT

This paper presents the results of geological and petrographic characterization realized in the
southeastern portion of the state of Tocantins, in the São Valerio Nativity region. This region has
one of the most important occurrences of megacrystals garnet gemological Brazil, and is
associated with metamorphic rocks. The mapping performed allowed the identification of three
major lithologic sequences: Migmatite gneiss, undifferentiated metasediments and orthogneisses.
The gneissic migmatitic sequence is composed by rocks of granodioritic to tonalitic compositions
and presents N30E direction, showing subvertical dip sometimes to NW others to SE. The
undifferentiated metasedimentary sequences are composed by quartz-muscovite schist metapelitic
rocks, followed by the formation of immature feldspathic quartzite with parallel stratification.
The ortho-gneissic rocks present composition varying of granodioritic to alkali feldspar granite,
are rich in muscovite and show gneissic banding of N30E direction with dip in the NW and SE
quadrants. This lithotype have characteristics syn to post-tectonic and seem have been controlled
by dextral transcurrent zones.These studies allowed inferring that the occurrence of garnet was a
result of the action of regional metamorphism, occured in the Neoproterozoic and had also
important contribution of the contact metamorphism caused by intrusive rocks of the Mata Azul
Suite.

xi
CAPITULO I: INTRODUÇÃO

12
CAPITULO I - Introdução Borges (2013)

CAPITULO I: INTRODUÇÃO

I.1 APRESENTAÇÃO

A área de estudo compreende o Embasamento da Faixa Brasília, formada por


uma suíte de rochas tonaliticas, trondhjemíiticas e granofioríticas (Suíte TTG),
representada por gnaisses e migmatitos. Esta suíte TTG é cortada por intrusões de um
complexo de ortognaisses graníticos pertencente ao Arco Magmático Mara Rosa,
dominadas por rochas de alto grau metamórfico, variando de quartzo muscovita xisto,
feldspato biotita xisto, biotita gnaisses, intensamente foliadas e com a presença de
porções migmatíticas.

Todas as rochas da suíte TTG, na área, são controladas por uma zona de
cisalhamento, relacionadas a escapes de fluídos e sistemas de veios de quartzo (Frasca
2005).

Este trabalho foi desenvolvido na região sudeste de Tocantins, tendo como


objeto o levantamento geológico básico, no município de São Valério da Natividade.
Nesta região, as granadas ocorrem como megaporfiroblastos dispersos em xistos,
inseridas em rochas de alto grau metamórfico.

I.2 OBJETIVO

Este trabalho tem como objetivo principal caracterizar os possíveis eventos


geológicos responsáveis pela mineralização de granada que ocorrem na região de São
Valério da Natividade, TO, incluindo o mapeamento e descrição das unidades
litológicas da região.

Os objetivos detalhados deste trabalho são:

- Mapeamento geológico Básico em escala 1: 60.000.

- Caracterizar de forma petrográfica os gnaisses relacionados à mineralização


como forma de levantamento de uma base de dados litológicos da região.

13
CAPITULO I - Introdução Borges (2013)

- Relacionar o contexto geológico regional e local dos possíveis eventos


metamórficos ocorridos na região.

- Associar os eventos geológicos às ocorrências minerais da região de São


Valério, em especial granadas gemologias.

I.3 LOCALIZAÇÃO E VIAS DE ACESSO

A área de estudo está localizada entre os municípios de São Valério da


Natividade e Peixe, no estado de Tocantins, compreendendo desde a margem do Rio
São Valério, no perímetro urbano de São Valério da Natividade, até 10 km à oeste, entre
os paralelos 48° 09' 42.1027" á 48° 18' 34.3256" e os meridianos 11° 58' 50.2402" á 12°
04' 53.1744".

A rota traçada até a área de estudo (Fig. 01) é iniciada na BR 070 saindo de
Cuiabá até o acesso à BR 153 em Jaraguá. A partir da cidade de Alvorada o acesso se
faz através da rodovia TO 373 até o trevo para Peixe, onde toma-se a direita da rodovia
TO 280 que dá o acesso à cidade de São Valério da Natividade. O percurso a partir da
cidade de Cuiabá, alcança cerca de 1.400km.

14
CAPITULO I - Introdução Borges (2013)

Figura 1: Rota de acesso à área de estudo (A) cidade de Cuiabá, (B) cidade de São Valério Natividade.
Imagem Google Maps.

I.4 ASPECTOS FISIÓGRAFOS

As feições geomorfológicas da área, segundo Drago et al (1981), compreende


um relevo de topo convexo, com vales tabulares típicos da Depressão Tocantins, com
exceção da Serra de Santana, onde predominam serras em cristas alinhadas, típicas de
quartzitos.

A rede de drenagem pertence à Bacia do Rio Tocantins, sendo o principal


tributário o Rio São Valério, com diversos afluentes, que sua maioria são rios
intermitentes que nascem na Serra de Santana.

A vegetação é dominada por savana arbórea aberta (campo cerrado) onde


predomina arbustos com até 5m de altura, interrompidos por matas de galeria presentes
nas depressões relacionadas à drenagem, representadas por buritis e capins (Drago et al.

15
CAPITULO I - Introdução Borges (2013)

1981). A vegetação original vem sendo substituída por pastagem decorrente de alteração
antrópica.

1.5 MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho foi dividido nas seguintes etapas:

1) Etapa preparatória;

2) Etapas de aquisição de dados;

3) Etapa de análise dos dados e elaboração do trabalho.

I.5.1 Etapa Preparatória

Esta etapa fundamentou-se na pesquisa literária sobre a geologia da região a ser


mapeada, bem como a confecção de um mapa base contendo curva de nível, rede de
drenagem e vias de acesso com intuito de auxiliar os trabalhos de campo definindo
alvos e seus acessos.

I.5.2 Etapa de Aquisição de Dados

Essa etapa consistiu em duas fases, uma fase em campo e outra laboratorial.

I.5.2.1 Etapa de Campo

Esta etapa consistiu em trabalho de campo efetuado em duas fases. Os


trabalhos de campo se concentraram em coletas de amostras, informações para o
mapeamento geológico e produção dados para analise estrutural.

A primeira fase foi realizada de 2 a 4 de março de 2012, quando foram


descritos 21 afloramentos. Na segunda, ocorreu de 08 a 13 de julho de 2012, foram
descritos mais 18 afloramentos. Para tomada de medidas estruturais foi utilizada uma

16
CAPITULO I - Introdução Borges (2013)

Bússola BRUNTON 5010 Geo e a localização dos afloramentos foi feita através do
GPS GARMIN GPSMAP 60CSx.

Os afloramentos foram descritos seguindo critérios mineralógicos, texturais,


estruturais e geométricos. Nessa etapa, foram selecionadas amostras de rocha para
posterior estudo petrográfico. Durante o mapeamento geológico foi confeccionado um
mapa de pontos, correspondente aos afloramentos descritos, com a separação de
possíveis grupos litológicos.

I.5.2.2 Fase de Laboratório

As amostras mais representativas, adquiridas na fase anterior, foram


selecionadas para a confecção de laminas delgadas para caracterização petrográfica dos
grupos litológicos previamente instituídos no campo, procurando identificar suas
paragêneses, processos de alteração e metamorfismo.

As fotos retiradas de seção delgadas foram realizadas através da câmera


INFINITY 1C-NS com auxilio do software INFINITY CAPTURE, e tratadas com o
CoreDraw X5.

I.5.3 Etapa de Análise dos Dados e Elaboração do Trabalho

Nessa etapa realizou-se a integração dos dados obtidos nas demais etapas com
a construção de tabelas de pontos no software Microsoft Excel 2010, utilizadas como
banco de dados para elaboração dos anexos, cujo os mapas geológicos confeccionados
com auxilio do ArcMap 10.1.

A integração desses dados resultou na confecção deste trabalho executada


através do Microsoft Word 2010, e apresentado pelo software PowerPoint 2010.

17
CAPITULO II: GEOLOGIA REGIONAL

18
CAPITULO II: GEOLOGIA REGIONAL

II.1 INTRODUÇÃO

A área de estudo compreende parte da Província Estrutural Tocantins (PET),


definida por Almeida (1977) e localizada na região denominada Escudo Brasil Central.
Esta província é formada por terrenos cratógenos e faixas móveis marginais no centro
da América do Sul, abrangendo os Estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul e Minas Gerais.

Existem várias propostas sobre a compartimentação tectônica da Província


Tocantins sendo de extrema relevância as de Almeida (1977), Fuck (1994), Lacerda
Filho et al. (1999), Pimentel et al. (2000) e Delgado et al. (2003). A compartimentação
leva em consideração a ordem cronológica, sendo: i) Arqueano representado pelo Bloco
Crixás, que foi considerado um pequeno bloco continental alóctone (Pimentel et al.
2000), ii) Paleoproterozóico representado Domínio Porto Nacional e Nova Crixás com
embasamento da Faixa Araguaia Delgado et al. (2003); iii) Embasamento Siálico
proposto por Pimentel et al. (2000) abrange a Zona Cratônica, descrita por Fuck (1994);
iv) Faixa Móvel Paleoproterozóica Dianópolis-Silvânia (Delgado et al. 2003) que
representa o embasamento da Faixa Brasília. No final do Paleoproterozóico, um grande
rifte intracontinental gerou o desenvolvimento de intrusões máfico-ultrmáfica dos
complexos Cana Brava, Niquelândia e Barra Alto e a sedimentação das Bacias Araí e
Serra da Mesa segundo Delgado et al. (2003). O Neoproterozóico é marcado pelas
coberturas que formaram as faixas Móveis Brasília, Araguaia e Paraguai e a formação
de um arco magmático de origem oceânica, além de ter gerado nesse período um
extenso magmatismo continental denominado Arco Magmático de Goiás, compondo as
sequências relacionadas com o ciclo Pan-Africano/Brasiliano (Viana et al. 1995 e
Delgado et al. 2003). Na PET, encontram-se coberturas Fanerozóicas, representadas
pelas Bacias do Paraná, Espigão-Mestre e pelos sedimentos das formações superficiais
correspondentes a Bacia do Bananal (Lacerda Filho et al. 1999).

19
Figura 2: Província Estrutural Tocantins (Delgado et al. 2003).

Todos os autores acima citados, ou seja, Almeida 1977, Fuck 1994, Lacerda
Filho et al. 1999, Pimentel et al. 2000 e Delgado et al. 2003 sugerem uma estrutura
mais ou menos próxima ao definir os domínios da PET. Segundo esses autores, os
complexos granitos-greenstone arqueanos são terrenos alóctones e, definem os terrenos

20
granito-gnaisse e grupos metassedimentares paleoproterozóicos como embasamento das
faixas móveis Brasília e Araguaia. Estes autores sugerem ainda, a formação de bacias
do tipo rifte no inicio do Mesoproterozoico, assim como a geração de sequencias
máficas e ultrabásicas durante o evento de abertura, seguidas pela formação de um arco
magmático e bacias neoproterozóicas que geraram metassedimentos, presentes nas
faixas moveis mais recentes da província. Todas as tafrogêneses e orogêneses formaram
corpos intrusivos, desde, os domos TTG nos blocos arqueanos até a granitogênese pós-
tectônica brasiliana do Arco de Mara Rosa, com idades mais jovens, de
aproximadamente 480 Ma.

O modelo adotado, nesse trabalho é o proposto por Delgado et al. (2003) e


Frasca et al. (2010), pela razão de compor uma base de dados mais localizada na região
pesquisada e sua correlação com os grupos presentes na área permitirem uma melhor
comparação com os dados obtidos durante a pesquisa.

II.2 TRABALHOS ANTERIORES

Um dos primeiros trabalhos realizados na área foi o projeto Radam Brasil


(Drago et al. 1982), que caracterizou o domínio de rochas do Complexo Goiano e
Grupo Araí. Segundo estes autores, a geologia da região NE da Folha SD 22 X-B é
composta por biotita gnaisse de composição granítica, exibindo bandamento com
atitude N5°W/82°SW, algumas vezes ocorrendo quase mergulho vertical, além de
rochas migmatíticas com estrutura acamadada composta por quartzo, feldspato alcalino,
plagioclásio e biotita, com acamamento apresentando atitudes N15°E/50°SE e N10°E/
80°SE, mostrando algumas vezes recobertos pela cobertura detrito-laterítica.

O trabalho de Pimentel et al. (2004) desmembra o Maciço Mediano de Goiás,


nomenclatura dada por Almeida (1981), em terrenos granito-greenstone arqueanos na
região de Crixás em Goiás, terrenos granito-gnáissicos e sequências
vulcanossedimentares paleoproterozóicas na região de Almas-Natividade-Cavalcante,
complexos máfico-ultramáficos de Barro Alto, Niquelândia e Cana Brava e complexos
granulítico de Anápolis-Itauçu e terrenos ortognáissicos e vulcanossedimentares do
Arco Magmático de Goiás, este ultimo, relacionado por Drago et al (1982) aos
Ortognáisses Oeste de Goiás.

21
Frasca (2005) instituiu a região dos municípios de São Valério da Natividade,
São Salvador de Tocantins e Peixe como Província Gemológica de São Valério da
Natividade, devido a importância na produção de granada, turmalina e cianita. Segundo
esse autor, os corpos mineralizados são constituídos por terrenos paleoproterozóico do
complexo Almas-Cavalcante (inserido dentro do domínio da Faixa Móvel
Paleoproterozóica Dianópolis-Silvânia de Delgado et al. 2003), formado por hornblenda
biotita granodioritos e hornblenda biotita tonalitos protomiloníticos a gnáissicos. Frasca
(2005) descreve ainda que o Arco Mara Rosa hospeda relictos de rochas supracrustais,
metassedimentares e metavulcânicas da fácies xisto-verdes a anfibolito, que são
relacionados ao Grupo Araí.

Associado ao Arco Magmático Mara Rosa, ocorre uma serie de intrusões de


idade não definida constituídas por granada muscovita biotita granodioritos/tonalitos e
muscovita biotita granitos, com presença de pegmatóides, que foram relacionadas por
Frasca et al. (2010) à Suíte Mata Azul. As rochas dessa suíte podem se apresentar
deformadas e milonitizadas, com idade variando entre 560 a 541 Ma.

II.3 GEOLOGIA DA REGIÃO DE SÃO VALÉRIO

As rochas mais antigas pertencem ao Complexo Almas-Cavalcante inserido na


Faixa Móvel Paleoproterozóico Dianópolis-Silvânia (Delgado et al., 2003; Frasca et al.,
2010), que segundo Drago, et al. (1982) configura o embasamento do Grupo Araí
(Formação Traíras). Estas unidades são cortadas por rochas intrusivas da Suíte Mata
Azul Frasca et al. (2010).

II.3.1 Faixa Móvel Paleoproterozóico Dianópolis-Silvânia

A Faixa Móvel Paleoproterozóico Dianópolis-Silvânia compreende o Complexo


Almas-Cavalcante, o Grupo Riachão do Ouro e as Formações São Domingos, Silvânia e
Formação Ticunzal (Delgado et al. 2003). Pimentel et al. (2004) denomina a Faixa
Móvel Paleoproterozóico Dianópolis-Silvânia em Terreno Paleoproterozóico
Dianópolis-Silvânia, composta por terrenos Granito-Gnáissicos, sequências
vulcanossedimentares (Grupo Riachão e Formação Ticunzal), corpos máfico-
ultramáficos e granitos da Província Estanífera de Goiás. Embora, esses autores
conjuguem nomes diferentes para as unidades descritas, as unidades litológicas, apesar

22
das distancia entre os trabalhos, apresentam composição, assinatura geoquímica caráter
estrutural, estratigráficos e geocronológicos semelhantes (Delgado et al. 2003).

II.3.1.1 Complexo Almas-Cavalcante

As rochas do Complexo Almas-Cavalcante (Delgado et al. 2003) compõem o


Terreno Granito-Gnáissico (Pimentel et al. 2004) e se estendem desde os municípios de
Almas, Dianópolis e norte de Teresinha de Goiás. Dados geocronológicos mostram
idades U-Pb SHRIMP de 2,2 a 2,18 Ga para as rochas do complexo (Pimentel et al.
2004), com idades modelos Sm-Nd (TDM) entre 2,4 a 3,11 Ga. (Cruz & Kuyumjian
1999, Fuck et al. 2002).

O complexo apresenta duas suítes TTG cálcio-alcalinas, sendo uma rica em


hornblenda derivada do manto e outra rica em biotita, mais jovem, resultado de fusão
parcial de metabasalto (Delgado et al. 2003). Essas rochas são intrudidas por diversos
corpos graníticos peraluminoso e metaluminosos como a Suíte Aurumina e Suíte Mata
Azul. Estas suítes hospedam greisens e pegmatitos ricos em cassiterita e tantalita, sendo
que ao sul, os corpos intrusivos são compostos por granitos do tipo-A da Província
Estanífera de Goiás (Delgado et al. 2003).

II.3.2 Bacia Rifle Paleoproterozóica (Grupos Araí)

O Grupo Araí, dividido nas Formações Arrais e Traíras, é considerado como


resultado de uma sequencia de bacias do tipo rifte e magmatismo anorogênico do paleo
a mesoproterozóico (Drago et al. 1982). Segundo Alvarenga (2007) o grupo é
constituído de rochas supracrustais e vulcanismo bimodal intraplaca e está relacionado a
uma complexa estrutura extensional, desenvolvida entre aproximadamente 1,8 e 1,6 Ga,
dando origem a importante sedimentação sin-rifte e pós-rifte, além de magmatismo sin-
rifte. As rochas do Grupo Araí são anquimetamórficas ou metamorfisadas em grau xisto
verde baixo.

Os sedimentos que compõem o Grupo Araí são do tipo psamíticos e psefíticos,


pelíticos, químicos e espessas camadas de psamitos da Formação Traíras, intercalações
de pelitos e rochas vulcânicas máficas a félsicas da Formação Arraias, na parte superior
(Alvarenga 2007).

23
As rochas do Grupo Araí abrangem os municípios de Alto Paraíso, Cavalcante,
Monte Alegre e Arraias, prolongando-se para NNE, além da margem direita do Rio
Paranã, próximo à barra com Rio Tocantins (Drago et al. 1982). O Grupo Araí contém
semelhanças com os Grupos Lavras e Paraguaçu e o autor faz uma alusão sobre a
possível correlação desses grupos.

II.3.2.1 Formação Traíras

A Formação Traíras é a única formação do grupo Araí com rochas aflorantes


na área de estudo. Sua sedimentação é exclusivamente marinha, composta por
metassiltitos, metarritimitos e quartzitos arcoseanos que segundo Drago et al. (1982)
são definidas com:

Os metassiltitos cinza são maciços e homogêneos, mostrando mais raramente


estrutura laminada é freqüentemente calcíferos.

Os metarritmitos, com alternância de níveis argilosos e/ou siltosos e níveis


arenosos, mostram estruturas sin-sedimentares como laminações plano-paralelas,
marcas onduladas, laminações cruzadas e estruturas pós deposicionais como quick-sand
(diques de areia) e chamas.

Os quartzitos arcoseanos, com estratificações cruzadas e marcas onduladas


estão cobertos por discordância pela Formação Jequitaí, e são considerados como
depósitos sedimentares de ambiente marinho raso, sob influência das correntes de maré.

II.3.3 Arco magmático

Consideradas como embasamento da Faixa Brasília e pertencentes ao Maciço


de Goiás por Almeida (1977) ou como parte do Complexo Goiano de Cunha et al.
(1982), foram consideradas como arqueanas e paleoproterozóica por esse autores.
Trabalhos mais recentes revelaram idades neoproterozóicas, Fuck et al (1994) relata que
grande parte destes gnaisses é resultante de magmas juvenis neoproterozóicos, expostas
entre estreitas faixas de rochas metavulcânicas e metassedimentares típicas de arco de
ilhas, com direções estruturais regionais entre NNE e NNW, correspondentes a antigos
arcos de ilhas, que são agrupados sob a denominação de Arco Magmático de Goiás.

24
Arco Magmático é definido como uma associação de metaígneas e
metassedimentares associadas a arco magmático intra-oceânico, ocorrente em Goiás e
no sul de Tocantins separado em dois blocos. O norte é representado pelo Arco Mara
Rosa e no segmento sul é identificado diversas faixas estreitas de sequencia
metavulcanossedimentares separadas por terrenos ortognáissicos frequentemente
milonitizados e com idades de 860 Ma (Viana et al 1995), definido como Arco de
Arenópolis.

II.3.3.1 Arco de Mara Rosa

O Arco de Mara Rosa esta no setor Meridional da Faixa Brasília localizado


entre dois blocos arqueanos e paleoproterozóico do tipo granito-greenstone de Crixás e
Hidrolina, separadas pela falha inversa Rios dos Bois que se estende a nordeste no
limite entre as rochas do Grupo Serra da Mesa e as rochas vulcanossedimentares da
sequência Mara Rosa, a oeste se encontra as rochas metavulcanossedimentares da Faixa
Araguaia (Montalvão 1986, Costa et al. 1988a) em discordância dada pelo Lineamento
Transbrasiliano, uma zona de sutura que apresenta direção geral N30ºE (Marini et al.
1984; Costa et al. 1988b) e formada provavelmente ao final do Ciclo Brasiliano, a
extensão do arco a nordeste ainda não é determinada.

O Arco de Mara Rosa e separado em três faixas de rochas supracrustais da


Sequência vulcanossedimentar Mara Rosa denominadas de Leste, Central e Oeste de
direção NNE, separadas por terrenos de ortognaisses com composição diorítica e
tonaliticas com predominância de tonalitos de textura media a grossa com algumas
textura reliquiares plutônicas freqüentemente se associam pequenos corpos circulares e
lenticulares de metagabro e hornblendito grossos, de Viana et al. (1995). Os granitos
sin-tectônico são ortognaisses cálcicos a cálcio-alcalinos com protólitos tonalíticos a
granodioríticos intensamente deformados, sobre há denominação de Ortognaisse Oeste
de Goiás (Pimentel & Fuck 1992).

As características geoquímica dos ortognaisses da região de Mara Rosa


segundo Viana et al. (1995), são rochas do espectro de dioritos-granodioritos-granitos,
porem com predominância de tonalitos, considerada de origem “primitiva” de arco de
ilha ou intra-oceânico, com assinatura de magmatismo granítico do tipo M, vulcanismo
tipo Andes ou arcos imaturos tipo intra-oceânico. A conclusão de Viana et al. (1995)
sobre os ortognaisses de Mara Rosa e os ortognaisses do oeste de Goiás formaram-se
em ambientes geotectônicos e petrogenéticos idênticos.
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CAPITULO III – GEOLOGIA LOCAL

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

CAPITULO III – GEOLOGIA LOCAL

III.1 INTRODUÇÃO

Em geral, a área contem poucos afloramentos expostos, devido estarem


encobertas por sedimentos recentes do Quaternário. As vastas coberturas do solo e as
coberturas lateríticas são feições que marcam a geomorfologia do Planalto do Tocantins.
Como resultado da ausência de afloramentos de rochas, têm-se poucas pesquisas
realizadas na região. A área alvo deste estudo, a porção noroeste, é sem duvida a mais
problemática nesta questão. Dada a essa dificuldade ocorreu uma concentração de
amostra e pontos na porção centro-sul e nordeste, mais próximo à Mineração Colorgem,
na Fazenda Rodolita e, ainda, próximo ao leito do Rio São Valério.

Em campo, foram descritos três sequencias principais de rocha: i) sequencia


gnáissico-migmatítico, ii) metassedimentos psamiticos e, iii) ortognaisses. Corpos
pegmatíticos hospedados nessas unidades podem ser encontrados, porém o
posicionamento destes corpos não é clara com relação às suas encaixantes. São
observadas ainda as formações Quaternárias constituídas por formações dedrito-
lateríticas e sedimentos aluvionares.

Os gnaisses migmatíticos ocorrem na porção leste e nordeste da área nas


proximidades da cidade de São Valério e no leito do rio homônimo, com um trend
estrutural N30E. Os ortognaisses ocorrem em contato tectônico com os gnaisses
migmatíticos e dominam na porção oeste da área com trend estrutural N30E. A cava da
mina está localizada na porção central dos ortognaisses e se destacam por possuir uma
mineralogia contrastante e a presença de xenólitos de rochas supracrustais como
anfibolitos xistos afetados por metamorfismo de contato e migração de fluidos. Da
mesma forma, os estaurolita-granada xisto ocorrem numa área restrita, na margem do
Rio são Valério e possuem trend estrutural compatível com as demais unidades onde se
associa aos gnaisses migmatíticos. Os metassedimentos psamiticos concentram-se na
porção central e sul, com dobras de direção NE-SW com caimento a NE.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

III.2 GNAISSE-MIGMATÍTICO

Estas rochas estão presentes, principalmente, no leito do Rio São Valério e


apresentam extensos afloramentos expostos sob a ponte de acesso a cidade pela TO 280
e suas proximidades. No leito do rio, geralmente, formam blocos alongados tabulares,
com a mesma direção dos corpos migmatíticos. Outra forma de ocorrência dessas
rochas são os lajedos encontrados na margem oriental da estrada para Paranã.

Os gnaisses são representados por rochas mesocráticas, inequigranulares de


composição granodioritica, com textura fina a media e bandamento descontínuo (Fig.
3). Os corpos migmatíticos são contínuos, de espessura centímetros e mergulhos sub
verticais, composto principalmente por quartzo de aspecto leitoso e em menor
quantidade porfiroblasto de feldspato.

Figura 3: Aspecto macroscópico dos gnaisses-migmatitico: (a) Detalhe da forma em lajedo, margem da
Estrada para Paranã, exibindo corpos gnáissicos, com foliação aparentemente incipiente, mostrando veios
de espessura centimétrica e pequenas falhas, eviden evidenciada pelo deslocamento dos veios; (b) corpos
migmatíticos localizado no leito do Rio São Valério, mostrando bandamento retilíneo e mergulho
subverticalizado (c) amostra de mão com fraca foliação; (d) amostra demonstrando bandamento gnássico.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Os afloramentos presentes na margem da estrada de Paranã mostram foliação


pouco proeminente marcada pela biotita. As rochas desse afloramento, mesmo sem
apresentar o desenvolvimento de corpos migmatitos podem estar relacionadas a esta
unidade, por apresentarem mineralogia compatível com paleossoma dos corpos
migmatíticos. Estes afloramentos estão muito próximos às rochas mais deformadas, que
compõe as porções migmatíticas.

Os migmatitos contem mergulhos subverticais à verticais com ângulos


variando entre 65° a 87°, com direção de mergulho variando entre os quadrantes NW e
SE, o melonossoma é marcado por minerais máficos constituídos principalmente por
biotita e leucossoma marcados por composição granítica, principalmente quartzo e
feldspato alcalino subordinado, esse minerais são granoblásticos e, por vezes,
rotacionados demostrando movimento destral (Fig. 4).

Figura 4: Indicadores cinemáticos destrais, sequencia gnaisse migmatito: a esquerda δ type; direita σ-
type.

III.2.1 Petrografia

Macroscopicamente, são corpos de cor cinza, melanocráticos de granulação


fina a media, com bandamento gnáissico marcado pela alternância de bandas máficas,
principalmente biotita, e félsicas. Bandas migmatíticas quartzo-feldspáticas de
granulação grossa a muito grossa ocorrem de forma localizada, geralmente, paralelas ao
bandamento e algumas vezes cortando o mesmo.

Na microscopia a rocha é dominantemente xenomórfica, granoblástica


inequigranular (Fig. 5). Sua mineralogia é composta basicamente de plagioclásio,

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

quartzo, biotita e feldspato alcalino, em proporções compatíveis com granodioritos. Os


minerais acessórios são representados por apatita, zircões, pistacita, zoisita e alanita.

Essas rochas são, no geral, moderadamente alteradas, apresentando os


processos de argilização, sericitização e opatização em minerais de plagioclásio e
biotita. Os minerais de alteração são sericita, muscovita (Fig. 5) e minerais opacos. A
associação biotita, muscovita e epidoto, associados espacialmente nas bandas mais
máficas, são minerais metamórficos. Estimou-se em torno de 95% de félsicos (quartzo,
plagioclásio e feldspato alcalino) e 5% de minerais máficos (biotita, muscovita epidoto).

Figura 5: Fotomicrografia do gnaisse migmatíto: a) Alanita zonada com textura coronitica e epidotos em
polarizadores cruzados; b) Plagioclásio com argilização, sericitização e saussuritização; c) Formação de
agregados de minerais félsicos, principalmente quartzo, em matriz fina com enriquecimento em minerais
máficos, epidoto muscovita e biotita, evidenciam a formação de bandamento gnáissico; d) idem anterior
sobre polarizadores descruzados.

Os plagioclásios são subédricos, principalmente da serie sódica entre andesina


e oligoclásio, com predominância do último, contem macla albita e mais raramente
periclina e alguns cristais apresentam extinção ondulante.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Quartzo com cristais subédricos com bordas ameboides, demonstrando


migração de borda. Os cristais são fraturados, apresentam extinção ondulante e subgrão
e são levemente amarelados na lâmina. Nas fraturas tem-se a presença de biotita. Podem
apresentar textura gráfica e simplectítica. Pode ocorrer, ainda, aglomerados
porfiroblásticos seguindo a direção da foliação, indicando o inicio da formação de um
bandamento composicional, cuja evolução evidencia a formação de leucossoma
granítico, base de formação dos corpos migmatíticos.

Biotita apresenta pleocroísmo variando de bege levemente esverdeado a


marrom castanho, forma prisma subédrico, determinando duas foliações moderadas,
ambas oblíquas à seção da lamina, que, comumente, forma ângulo agudo entre si. A
alteração mais comum é para muscovita, com a formação de minerais opacos durante o
processo. Inclusões de zircão e alanita estão presentes, formando halos pleocróicos.

Feldspatos alcalinos são representados pela microclina e ortoclásios que podem


se apresentar não maclados, geralmente são anédricos a subhedricos, sericitizados ou
argilizados.

Os minerais opacos estão associados à biotita, epidoto, sericita e muscovita e,


normalmente, mostram-se anédricos e podem ser resultado de exsolução-oxidação
mostrando uma textura simplectítica, ou resultado de processo de alteração da biotita.

Entre os minerais acessórios estão os zircões com halos pleocróicos (quando


inclusos na biotita) geralmente metamíticos. As apatitas podem estar inclusas em
quartzo e/ou plagioclásio, mostram formas arredondada ou prismática, relevo médio,
granulação fina, podendo apresentar cor levemente azulada a castanho claro. Alanita
ocorre em cristais euédricos, com cor de interferência alta e estão inclusas ou associadas
à biotita (Fig. 5). Os grãos maiores são zonados e apresentam textura coronítica com
pistacita. Alguns grãos podem mostrar alteração para minerais opacos. A pistacita e
zoisita são subédricas, por vezes, apresentam-se zonadas com núcleos de zoisita e
bordas de pistacita associada a muscovita e biotita, mas podem também, raramente,
estarem associadas a plagioclásios.

A sericita ocorre como produto de alteração de plagioclásio e microclima e a


muscovita é produto de alteração da biotita, podendo substitui-la em alguns casos. Pode

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

ocorrer ainda a presença de minerais opacos como produto de alteração da biotita pela
sobra de ferro para a formação da moscovita.

III.3 SEQUÊNCIA METASSEDIMENTAR

Esta sequência predomina na porção sul da área de estudo e pode ser


compreendida entre três tipos litológicos distintos: i) mica-xisto, ii) metapelitos e iii)
quartzitos. As feições de campo como contatos interdigitados, evidenciando lentes,
sugere um ambiente transicional, apesar dos dados coletados em campo não
possibilitarem configurar uma sequência estratigráfica (Fig. 6).

Figura 6: Aspecto de campo da Unidade Metassedimentar: (a) Quartzito com estratificação plano
paralela, localizado na Fazenda Quatro Estrelas; (b) Xisto alterado, localizado na base de um morro de
quartzito.

A unidade mica xisto está presente em afloramentos na Fazenda Quatro Estrela


e em corte de estrada na Fazenda Dois Irmãos. Esta unidade está sempre relacionada a
elevações delgadas, formando pequenas colinas. Quando alterada, produzem solos
vermelho bastante argiloso com grânulos de quartzo e placas de muscovitas
remanescentes. Na Fazenda Quatro Estrelas, os afloramentos são demarcados por um
contato interdigitado entre o quartzito e mica xisto e lentes de xisto de granulação fina
em quartzito. O alto grau de alteração desses afloramentos não permitiu a confecção de
seções delgadas, tão pouco uma descrição mais detalhada da mineralogia.

Os metapelitos afloram raramente, sendo encontrados somente em cortes da


estrada para o município de Paranã. Estas rochas apresentam elevado grau de alteração
e, também, estão relacionadas a uma elevação repentina do terreno, gerando pequenas

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

colinas alongadas, com alto grau de fraturamento, conjugando uma clivagem espaçada.
Sua granulação é silto-argilosa, mostrando cor amarela pálida ou argilosa com coloração
avermelhada a lilás, devido ao grau de alteração. Quando menos alteradas, mostram cor
cinza chumbo com lentes de brancas, levemente amareladas. A porção silto-argilosa
está presente como pequenas lentes de alguns centímetros de espessura. Sua alteração
forma solos argilosos de cor vermelha escura a amarela, localmente esbranquiçada e,
pode conter minerais micáceos de cor branca e nódulos de ferro. Próximos a
afloramentos dessa unidade encontram-se formações lateríticas de dimensão métricas
com vários centímetros de espessura.

Os quartzitos são dominantes tanto na relação à extensão de afloramentos,


quanto na preservação destes, sendo responsáveis pela forma em que se apresentam os
relevos de serras em cristas. Os solos gerados por essa rocha são claros e bastante
arenosos. A granulação varia de fina a grossa e foram considerados com arenitos
quartzosos a arcóseos, apresentando estratificação plano-paralela (Fig. 6). Ocorre a
presença de hematitas bem formadas que, quando intemperizadas, podem gerar uma
capa de alteração avermelhada ou azulada dos quartzitos.

III.3.1 Petrografia

O alto grau de alteração dos litotipos peliticos impende a confecção de seção


delgada restringindo o estudo microscópicos aos quartzitos.

Os quartzitos são compostos essencialmente de grãos de quartzo


recristalizados a granulometria fina a grossa (Fig. 7). Os grãos de quartzo são
recristalizados e fortemente marcados com extinção ondulante, os contatos são
serrilhados, os grãos são cortados por fraturas conjugadas e pull-apart (Fig. 7).
Subordinadamente ocorrem grãos de feldspatos alterados de granulação grossa e
muscovita em paletas intercrescidas entre grãos de quartzo. Localmente, é possível
observar pórfiros com texturas mica fish e minerais opacos euédricos tabulares.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Figura 7: Fotomicrografia de Quartzito: a) variação granulométrica e recristalização de grãos de quartzo,


formação de foliação secundaria; b) fratura pull-apart.

III. 4 ORTOGNAISSES

Essa sequencia está relacionada a corpos gnáissicos com mineralogia e


estrutura diferentes dos gnaisses-migmatitos. Como características marcantes tem-se a
relação das bandas félsicas e máficas com grande variação no conteúdo de muscovita e
biotita (Fig. 8a e 8b), e a presença de xenólitos ricos em granada.

A maior concentração de dados sobre essa unidade ocorre nas porções noroeste
e central da área de estudo, localizados, principalmente na Fazenda Rodolita. Os
afloramentos mais expressivos dessa unidade, além daqueles presentes na Fazenda
Rodolita, são encontrados na Fazenda Barra Nova, que se mostram na forma de lajedos
ou blocos. Quando na forma de lajedos (Fig. 8), normalmente estão localizados nas
proximidades das drenagens, apresentando-se moderadamente alterados, com capas de
intemperismo e esfoliação. Na forma de blocos, são alongados e apresenta poucos
metros de altura, normalmente encobertos por vegetação, o que dificulta sua
localização.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Figura 8: Aspecto de campo ortognaisses: (a) Mina Colorgems, demonstrando o bandamento gnáissico;
(b) detalhe da fotografia a; (c) bandamento gnáissico bem desenvolvido; (d) Afloramento da Fazenda
Barra Nova mostrando bandamento pouco proeminente.

III.4.1 Petrografia

Os ortognaisses são rochas bandadas, variando de leucocrática a melanocrática,


cor cinza clara a branca, inequigranular, de granulometria variável entre media a grossa.
A principal característica dessa unidade é a presença de bandamento variando de
centimétricos a decimétrico, com grande variação na concentração de minerais máficos.
A presença de muscovita em grandes porções ocorre, principalmente, nos corpos
leucocráticos e varia de 5% a 20%. A biotita pode formar lentes descontínuas de
Biotititos (composição dominada maciçamente por biotita) até o desaparecimento de
biotita na porção leucocrática.

Microscopicamente, são compostos principalmente por quartzo, feldspato


alcalino, plagioclásio, muscovita e biotita (Fig. 9). A textura xenomórfica varia de
granoblástica, granolepidoblástica e, localmente, lepidoblástica, marcada pela
orientação de cristais de biotita.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Os grãos de quartzo são anédricos a subédricos e raramente euédricos, a


granulação varia de fina a grossa (0,5 a 2,5 mm), formando agradados centímetros. A
extinção é ondulante e a geração de subgrãos indica forte deformação dúctil.
Apresentam fraturas conchoidais bem desenvolvidas por vezes preenchidas com micas e
quartzo recristalizados. Na porção mais micácea apresentam-se como aglomerados de
textura grossa, granoblásticos em boudins ou rotacionados em sentido destral (Fig. 9).

Figura 9: Fotomicrografia dos ortognaisses: a) textura granuloblástica com foliação marcada pela biotita;
b) idem anterior com polarizadores cruzados; c) textura nematoblastica marcada pela orientação de
muscovita e biotita, reorientação de cristais de quartzo e buidins em aglomerados de minerais félsicos; d)
estiramento e buidins em agregados minerais de quartzo; e) formação de actinolita em lentes alongadas
(corpos prolatos); f) cristal de microclina, macla em grade sutil, cortada por fratura.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Os grãos de feldspato alcalino são representados principalmente por


microcilina e ortoclásio subordinado (Fig. 9), marcados pela macla em grade e carlsbad
respectivamente, são anédrico, ameboide, especialmente quando em contato com grão
de quartzo e outros cristais de feldspato alcalino. Os cristais subédricos são
normalmente orientados, seguindo a mesma orientação de quartzo ou das micas. O grau
de alteração é moderado passando para sericita e mais comumente para argilominerais.

Os plagioclásios são albita e andesina com macla albita e carlsbad combinada


com albita, esta última mais raramente. São subédricos, apresentando cristais tabulares e
em contato com quartzo se tornam amebóides. Outros cristais são mais esféricos com
bordas sinuosas. A maioria dos grãos mostra-se pouco alterados para sericita e
argilominerais.

A muscovita está concentrada nas porções félsicas do gnaisse, variando entre


1% a 20%. Muscovita com cor de interferência alta azul de 2° ordem, os cristais são
subédricos lamelares, em contato com biotita os cristais apresentam bordas de reação,
em alguns casos esses contatos são oblíquos.

Os cristais de biotita são subédricos seu pleocroísmo varia de marrom a verde


escuro e verde claro e ocorre entre os grãos de quartzo e plagioclásio, seguido duas
orientações de foliação com ângulos aparentemente retos entre si.

Como minerais acessórios tem-se zircão e apatita, inclusos em plagioclásio,


quartzo e biotita, formando fortes halos pleocróicos. Mais raros são cristais de titanita e
alanita euédricos, associados à biotita. Epidoto é incolor, anédrico quando incluso em
grão de feldspato não maclado, relevo moderado, cor de interferência alta entre azul,
vermelho e amarelo. Foi constatada, também, a presença de um cristal de espinelho
anédrico, cor marron claro e caracterizado por ser um mineral isotrópico.

Localmente, pode ocorrer minerais de berilo, granada e actinolita. O berilo está


relacionado a processos de alteração hidrotermal e associados à porção
granolepidoblástica dessa sequencia. A granada é interpretada como resultado de
metamorfismo regional, enquanto a actinolita como assimilação da rocha hospedeira
(Fig. 9).

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Os processos de alteração são marcados pela sericita e argilominerias como


processo de alteração de feldspato alcalino e plagioclásio. A biotita pode alterar, mais
raramente, para muscovita, embora a maioria dos cristais seja de origem primária, sendo
reorientada no processo de deformação.

III.4.2 Anfibólio Xisto

As rochas supracrustais responsáveis pela mineralização de granada da mina da


Fazenda Rodolita apresentam-se na porção central e oeste da área, seguindo um trend
NE-SW.

Esta rocha é afetada por zonas de cisalhamento transcorrentes destrais,


metamorfismo de contato, resultado da intrusão de corpos graníticos que deram origem
aos ortognaisses dessa unidade e migração de fluidos metamórficos. Por este motivo,
apresentam paragênese complexa, contendo minerais associados a metamorfismo de
rocha pelítica, minerais típicos de metamorfismo de contato e minerais relacionados à
migração de fluidos de alta temperatura. O resultado é uma rocha verde escura,
fortemente mineralizada em granada, friável, facilmente atacada por processos
intempéricos com minerais tardi a pós-tectônicos, heterogênea e cortada por veios de
quartzo descontínuos. Essa rocha foi determinada como anfibólio xisto é absorvido pela
rocha encaixante, que assimila sua mineralogia e outrora o xenólito assimila parte da
rocha hospedeira.

III.4.2.1 Petrografia

Macroscopicamente, a rocha é composta por uma matriz verde escura, cortada


por veios de quartzo ou agregados de quartzo recristalizado com pórfiros de granada
rotacionados em alguns casos e textura que varia de nematoblástica à
granulonematoblástica com enriquecimento em biotita no contato com a hospedeira.

Microscopicamente, mostra matriz fina a media composta por anfibólio e


biotita (Fig. 10). Os cristais são anédricos a subédricos intensamente fraturados,
principalmente os minerais prismáticos. Os minerais alongados de hábito fibroso tem-se
tremolita que mostram deformados e fraturados. Os pórfiros são minerais de quartzo,

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

plagioclásio, granada, estaurolita e anfibólio, tardi a pós-tectônicos (Fig. 10), dispostos


irregularmente na matriz. Minerais acessórios são zircão, cianita, muscovita e berilo
geralmente associados à matriz.

Figura 10: Fotomicrografia de anfibolito xisto: a) matriz nematoblastica composta por anfibólio da serie
actinolita-tremolita com aspecto asbestiforme; b) Contato entre biotita e anfibólio, destaque para halos
pleocróicos gerados por zircões, mineral anédrico com textura coronítica na matriz lepidoblástica
considerado como berilo; c) Associação de tremolita (seção basal), granada, quartzo e biotita, em porções
porfiroblastica; d) Associação de granada, biotita e anfibólio, destaque para o dobramento contido nesses
dois últimos minerais; e) e f) indicadores cinemáticos destrais em anfibólio e plagioclásio
respectivamente.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Os cristais de quartzo apresentam-se subédricos prismáticos, intensamente


fraturados, levemente dobrados, cor de interferência mais alta, amarelo pálido. Os
cristais tabulares são subédricos a anédricos, com extinção ondulante e presença de
subgrão. As fraturas são geralmente preenchidas com minerais que compõem a matriz,
biotita ou tremolita.

A granada mostra formas euédricas a subédricas, poiquiloblástica, com fraturas


preenchidas por minerais desconhecidos, bem como inclusões. Apresenta fácies bem
definidas, contatos abruptos sem bordas de reação. Granadas são limitadas pelas fácies
dos plagioclásios, micas ou cianita e apresentam caráter sin a pós-tectônicas. Em alguns
casos apresentam sombras de pressão indicando movimento destral.

O anfibólio é determinado como da serie tremolita-actinolita. A tremolita é


subédrica, algumas vezes apresenta em agregados granulares com extinção ondulante,
incolor a levemente pleocróico, relevo moderado a alto, clivagem de 56° a 126° e baixa
cor de interferência. Este mineral ocorre associado à biotita, com inclusões de zircão.
Quando fibrosos apresentam-se dobrados com textura em fish e Kink Bands evoluindo
para micro falhas. Actinolita ocorre em raros casos e está associada a quartzo e
plagioclásio. Exibe forma subédrica a euédrica e habito prismático e acicular, cor de
interferência de segunda ordem, difere da sillimanita pelo sinal ótico e de elongação.
Algumas seções mostram cristais dobrados ou sigmoidais.

A biotita mostra pleocroísmo baixo variando em tons de marrom e cor de


interferência variando de vermelho a verde. Presença de textura tipo fish indica um
movimento destral.

A estaurolita macroscopicamente apresenta cor castanha escuro com faces bem


definidas, clivagem proeminente e pode estar inclusas em granadas. Em seções
delgadas, são incolores a amarelo pálido, birrefringência baixa para amarelo de primeira
ordem, com cristais euédricos a subédricos, exibindo clivagem no plano 010.

Mineral acessório primário mais comum tem-se zircão metamítico, euédricos


de hábito prismático, compondo halos pleocróicos nas biotitas e tremolitas.

Outros minerais em quantidade acessória são secundários relacionados ao


metamorfismo, como actinolita, estaurolita, berilo, cianita, muscovita.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Os cristais de berilo são anédricos a subédricos, geralmente colunar, relevo


médio, incluso em minerais de quartzo ou associado à estaurolita. A cianita apresenta
forma tabular, dispersa na matriz ou associada à tremolita. A muscovita esta associada à
biotita.

Minerais de alteração mais comuns são sericita e clorita. A sericita como


processo de alteração de plagioclásio e a clorita como resultado de alteração da biotita.

III.5 PEGMATITO

Próximo a drenagem, na estrada de acesso da Fazenda Dois Irmãos, foram


encontrados blocos decorrentes de uma escavação em meio do solo, feita a partir de
uma tentativa de exploração de água marinha, segundo proprietários da fazenda. Não se
observa a morfologia do pegmatito, muito menos o contato com a encaixante que parece
se tratar do mica-xisto, levando em consideração a proximidade com essas rochas e por
não evidenciar outro litotipo na área.

O material de rejeito, extraído das cavas permitiu fazer a descrição do material,


onde se observou intercrescimento gráfico e uma assembleia de minerais principais
típica de pegmatitos graníticos com textura grossa, composto por cristais de quartzos,
feldspato e muscovita, cujo tamanho dos cristais pode ser superior a 10 cm. Como
minerais acessórios têm-se turmalinas de cor preta, com cristais friáveis devido ao
moderado grau de alteração e granada, muito fraturada e alterada, mostrando uma capa
de oxidação e alguns núcleos transparentes de cor lilás. Não é raro encontrar cristais
prismáticos de cor azul que foi descrito como berilo, variedade água-marinha. O
tamanho destes minerais acessórios são milímetros, com exceção a turmalina que pode
chegam a ultrapassar 2 cm de comprimento.

A falta de estruturas de deformação e minerais indicadores de metamorfismo


indica que a cristalização destes corpos pode ser pós-tectônica.

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

III.6 COBERTURAS E FORMAÇÕES QUATERNÁRIAS

A área é extensamente recoberta por coberturas recentes, na maior parte solo,


coberturas lateríticas e mais subordinada coberturas aluviais.

Os solos são variados, ao sul da área são rasos, por vezes, sem presença de um
horizonte B, demonstrando serem poucos desenvolvidos. Esse solo está relacionado,
principalmente, com as rochas metassedimentares e podem apresentar textura herdada
da rocha de origem, como visto nos cortes da estrada para Paranã e Fazenda Quatro
Estrela. Nessa região, os solos mais desenvolvidos estão entre o domínio de rocha
cristalina, apresentam relevo mais suave e alojam as formações lateríticas, podem ter
vários metros de espessura.

Na área de estudo, não foi possível estabelecer uma relação direta das
coberturas lateríticas com um litotipo específico. A exposição dessas coberturas é bem
variada e sua espessura varia de alguns centímetros até um metro e meio, apresentando
cor vermelho intenso, mas pode variar em tons mais amarelados, podem apresentar
fragmentos líticos e quartzosos, sua forma varia de maciça ou granular. A cobertura se
estende a dezenas de metros quadrados em concordância com níveis topográficos, por
vezes exibe uma vegetação espaçada, representada, principalmente, por arbustos.

Coberturas Aluvionares são representadas pela formação de praias de barra e


sedimentos silte-argilosos nas margens ou paleoplanícies de inundação, presentes no
leito do Rio São Valério.

III.7 RECURSOS MINERIAS

A região sudeste do estado de Tocantins e conhecida pela sua abundancia em


minerais de qualidade gemológica, porém as ocorrências de ouro, gonditos e formações
ferríferas atribuídas ao Terreno Granito-Greenstone Tocantins (Kuyumjian et al 2012,
Frasca et al. 2010) com rochas metavulcânicas, sedimentares químicas e mineralização
filoniana, encaixados nessas unidades na porção leste do estado, evidencia
mineralizações de metais base e metais preciosos. Os vários corpos pegmatíticos
relacionados ao Arco Magmático Mara Rosa são responsáveis pela ocorrência de terras

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

raras e minerais de qualidade gemológica. Essas são as novas fronteiras de pesquisa em


relação a bens minerais na região sudoeste de Tocantins.

Entre as unidades descritas, nesse trabalho, as principais ocorrências e bens


minerais destacam-se o mineral minério já lavrados de granada e unidades que
necessitam de mais estudos como a presença de sistemas de veios e processo e
alterações hidrotermais relacionados a zonas de cisalhamento, bem como a ocorrência
de pegmatitos como fonte minerais gemas e elementos terra raras. Nas formações
Quaternárias, as formações lateríticas podem ser fontes de minérios de ferro e manganês
além de materiais usados na construção civil, como areia presentes nas praias de barra
no leito do Rio São Valério e argila, relacionada à planície de inundação deste mesmo
rio.

As granadas caracterizadas como da serie almandina-piropo (Frasca 2005,


Frasca et al. 2010 e Reis et al. 2012), atualmente lavrads pela Empresa Colorgems, com
mina na Fazenda Rodolita, tem produção de até 400Kg semanais. Este mineral é
totalmente exportado para China como mineral gemológico e industrial e, gera
atualmente trinta empregos diretos. A qualidade gemológica é indiscutível, mostra
cristais euédricos com hábito dodecaédrico bem definido, presença de partição e
inclusões de cianita, biotita, moscovita e estaurolita (Reis et al. 2012), que não impedem
o seu aproveitamento como mineral gema e de coleção.

Há presença de corpos pegmatíticos compostos por turmalina, berilo e granada,


mesmo que em minerais considerados pequenos e de baixa qualidade para o
aproveitamento gemológico, não pode ser desconsiderar, devido ao pouco estudo nestes
corpos e os mesmos e a ocorrência da heterogeneidade desse tipo de mineralização. É
provável que a ocorrência pode se tornar viável economicamente com uma pesquisa
mais detalhada. E comum a presença de elementos terras raras comumente relacionados
a corpos graníticos bem evoluídos, neste caso é necessário o apoio de análises
geoquímicas mais refinada, pois geralmente esses elementos são encontrados em
concentração de elementos traços.

Em geral, os gnaisses migmatitos são cortados por veios, que neste trabalho
mostraram-se estéreis, composto essencialmente de quartzo sem presença de minerais
sulfetados e halos de alteração hidrotermal. Estes veios estudados não se mostram
compatíveis com a descrição de mineralização filoniana, formada durante a orogênese

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CAPITULO III – Geologia Local Borges (2013)

Brasiliana, presente dentro do Complexo Almas Cavalcante, relacionada a halos de


alteração, associados a anfibolitos, formação ferrífera bandada e rochas graníticas em
zonas de cisalhamento (Kuyumjian et al. 2012), embora a relação estrutural dos veios
estudados ser bastante próximas aos descritos por esses autores, não foi evidenciada
uma paragênese compatível com tal mineralização.

Estudos petrográficos realizados em rochas presentes na cava da mineração da


Fazenda Rodolita demostram processos de alteração hidrotermal e paragênese
anfibolitíca associados à granitogenese, porém sem a presença de sulfetos, em caráter
metalogenéticos, far-se-á necessário estudos de inclusões fluidas e análises geoquímicas
a fins de determinar se há alguma relação com mineralizações descritas por Kuyumjian
et al. (2012).

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IV - Discussões e Considerações Finais

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CAPITULO IV – Conclusões e Considerações Finais Borges (2013)

IV- DISCUSSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS

O mapeamento geológico em escala de 1:60.000 possibilitou a distinção de três


grandes sequencias geológicas principais: gnaisses-migmatitos; metassedimentares; e
ortognaisses. As sequencias de rochas cristalinas contem enclaves compostos por
anfibolio xistos e mica xistos sem relação nesse trabalho com alguma unidade em
particular.

Os gnaisses-migmatitos compostos por granodioritos pertencentes ao


Complexo Almas-Cavalcante, dispõem como embasamento e ou encaixante das demais
sequencias. São dominadas por feições de anatexia com forte controle estrutural e
deformação dúctil a dúctil-ruptil. A análise estrutural e geocronológica mais detalhada
seria de grande interesse na compreensão do histórico geológico da região. Nessa
unidade foram inseridos alguns afloramentos, mesmo sem a presença de corpos
migmatíticos, que ocorrem na margem da estrada de Paranã, cuja inserção se deve a: i)
proximidade das mesmas aos migmatitos, ii) não se ter evidencias da associação destas
rochas com as unidades metassedimentares, configurando assim, que as mesmas são
embasamento da unidade metassedimentar.

Os metassedimentos são indiferenciados, de origem detrítica, representados por


sequencias de rochas mal selecionadas e com composição química férrea. Não se
descarta a contribuição vulcânica durante a formação dessa sequencia, como sugerida
por Frasca et al. (2010), embora não haja evidencias suficientes que comprove essa
afirmação. A escassez de dados sobre essa unidade dificulta a proposição de um grupo,
aos quais essas rochas pertençam e tão pouco sua relação estratigráfica. Assim, a
realização de análises geoquímicas, análises de assembleias de minerais pesados,
descrição petrográfica dos litotipos e confecção de colunas estratigráficas, baseadas em
dados de campo, são necessárias para posicionar essas rochas em alguma unidade já
descrita, uma vez que, nesse trabalho, essa correlação não foi preestabelecida.

Os ortognaisses são relacionados, neste trabalho, a Suíte Mata Azul descrita


por Frasca et al. (2010), são corpos granodioriticos aluminosos, de granulação grossa e
fortemente controlados por zonas de cisalhamento. Essas rochas são responsáveis de
maneira direta ou indireta pela formação de minerais gemas na região. A grande
discussão é sobre a origem e o protólito do anfibólio xisto encontrados nesta unidade,
que é de grande interesse geológico por serem relacionados diretamente as

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CAPITULO IV – Conclusões e Considerações Finais Borges (2013)

mineralizações da região. Análises geocronológicas e geoquímicas para a determinação


da fonte magmática e sua relação com as zonas de cisalhamento para determinação do
ambiente de formação desses corpos graníticos seriam de grande interesse a
comunidade geológica.

Finalmente, a integração dos dados desse trabalho sugere que a mineralização


das granadas da região de São Valério da Natividade pode ser associada à deformação
Neoproterozóica, último evento deformacional na região, associado ao magmatismo sin-
tectônico da Suíte Mata Azul, que contribuiu com um evento termal para a formação da
granada em um xenólito, cujo protólito ainda se encontra em discussão. A natureza sin a
post-tectônica implica no resultado da ação de um metamorfismo regional na formação
desses jazimentos, com uma paragênese na fácies anfibolito, marcada pela presença de
tremolita e actinolita acima do campo metamórfico da granadas, implicando a
participação de retometamorfismo na formação da granadas sem deformação.

47
V REFERÊNCIAS

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CAPITULO IV – Referências Borges (2013)

REFERÊNCIAS

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