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21/09/2018

Antropologia Jurídica

Prof. Edwin Casadiego Ortega

1. Conceito de antropologia

 É uma ciência que se interessa por


ideias, valores, símbolos, normas,
costumes, crenças, invenções,
ambiente etc., e, portanto, encontra-se
associada a outras ciências (direito,
sociologia, política, história, geografia,
linguística).

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Sua autonomia não é universalmente


reconhecida, daí as disputas ou
dificuldades em relação à
determinação de seu objeto de
estudo.

Antropologia, em
sentido etimológico,
significa estudo do
homem.

 HENRY LEWIS MORGAN foi o primeiro


antropólogo a elaborar um modelo de
desenvolvimento da humanidade.

 FRANZ BOAS contestou o


evolucionismo e fundou a escola
difusionista (é considerado o fundador
da Antropologia contemporânea).

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 MALINOWSKI também contestou o


evolucionismo através da
corrente funcionalista
sistemática.

 Foi o primeiro a realizar o


trabalho de campo através da
observação participante, ou seja,
tendo contato direto com o seu
“objeto” de estudo.

 A Antropologia Jurídica surge no


final do século XIX,
especialmente após o início da
colonização da África e da Ásia
pelos europeus.

 Em 1926 MALINOWSKI publicou


“Crime e Costume na Sociedade
Selvagem”.

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Os aspectos antropológicos podem ser percebidos no Brasil


por sua extensão territorial e por sua multiplicidade
cultural.

Quanto à nossa extensão territorial,


interessante evidenciar as
observações de Darcy Ribeiro, para
quem:

 “Esse é, sem dúvida, o único mérito indiscutível das


velhas classes dirigentes brasileiras. Comparando o
bloco unitário resultante da América portuguesa com o
mosaico de quadros nacionais diversos a que deu lugar
a América hispânica, pode se avaliar a extraordinária
importância desse feito.” (RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a
formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 20)

 “Essa unidade resultou de um


processo continuado e violento de
unificação política, logrado
mediante um esforço deliberado
de supressão de toda identidade
étnica discrepante e de repressão
e opressão de toda tendência
virtualmente separatista.” (Idem)

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Natureza, cultura e comportamento

 Natureza compreende  Cultura engloba os


o conjunto de modos comuns e
características física e aprendidos da vida,
mentais dos seres transmitidos pelos
humanos. indivíduos e grupos em
Não impõe normas, atua sociedade.
espontaneamente Impõe regras sobre o
que for necessário. Ela
se sobrepõe à natureza
(Evolução Humana)

 Estudar a evolução humana é um dos objetivos da


Antropologia (Física)

 Os documentos mais antigos da história primitiva do


homem remontam há cerca de 70milhões de anos.

 É no período de 2 milhões de anos a 10 mil anos que


ocorrem as principais alterações da evolução
humana

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O homem é um primata (os primatas são mamíferos


de características físicas semelhantes: ser humano,
gorila, chimpanzé, babuíno, orangotango, lêmure,
mico, macaco-prego, bugio, muriqui, entre outros)
que, de antropoide, transformou-se em hominídeo.

Podem-se
reconhecer quatro
fases estruturais
básicas:

1. Pré-homínida
2. Homo erectus (homem em pé)
3. Homo sapiens (homem inteligente)
4. Homo sapiens sapiens

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Períodos da evolução humana

  Paleolítico Inferior
(500.000 a 150.000):
“homo erectus”

  Paleolítico Médio
(150.000 a 40.000
anos): “homo sapiens”
– a subsistência
dependia ainda da
caça e da coleta, mas
as técnicas de
fabricação de
instrumentos foram se
aperfeiçoando,
permitindo designar
esse home como
sapiens (inteligente)

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  Paleolítico Superior
(de 40.000 a 12.000
anos): manifestações
artísticas

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  Mesolítico (de 12.000 a 10.000): exímios


caçadores, desenvolvimento da pesca,
habitação sobre estacas, utilização da roda,
e meios de transporte como a canoa.

  Neolítico ( de 10.000 a.C. a 4.500


a.C): domesticação das plantas e
animais, - surgimento dos
aglomerados humanos

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  Calcolítico (de 4.500


a 3.000 a.C.):
arquitetura, metalurgia
do cobre, bronze e
ferro O surgimento da
escrita é um marco
importante na história
do mundo por
demarcar a separação
entre a história e a
pré-história iniciando o
registro dos
acontecimentos.

A transição da Pré-história para a


História se dá no final da Idade dos
Metais, que foi por volta de 4.000 a.C.

Os historiadores aceitam como certo o aparecimento


da escrita na Mesopotâmia e no Egito.

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Escrita egípcia

Cultura

 Engloba os modos comuns e aprendidos da vida,


transmitidos pelos indivíduos e grupos, em
sociedade. De modo geral, a cultura se constitui
dos seguintes elementos: conhecimento, crenças,
valores, normas e símbolos.
 Segundo Edward B. Taylor “Cultura é aquele todo
complexo que inclui o conhecimento, as crenças,
a arte, a moral, a lei, os costumes todos os outros
hábitos e aptidões adquiridos pelo homem com
membro da sociedade.”

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Etnocentrismo

 Supervalorização da própria cultura em


detrimento das demais uma característica
comum dos povos consiste em repudiar as
formas culturais (jurídicas, morais, religiosas,
sociais, estéticas) com as quais não se
identificam. Isso se traduz em uma repulsa
diante das maneiras de viver, crer ou pensar
que lhe são estranhas.

Etnocentrismo

 Para os gregos e romanos tudo que não participava de


sua cultura era catalogado como bárbaro.
 A civilização europeia utilizou o termo selvagem com
o mesmo sentido.
 Os termos selvagem e bárbaro evocam um genro de
vida animal, por oposição à cultura humana.
 No colonialismo o mundo estava dividido em dois
grupos: os civilizados e os bárbaros: nativos de
lugares exóticos ou povos de países periféricos.

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Relativismo cultural

 É uma perspectiva da
antropologia que vê
diferentes culturas de
forma livre de
etnocentrismo, o que
quer dizer sem julgar
o outro a partir de sua
própria visão e
experiência

Conhecimento

 Todas as culturas,
sejam simples ou
complexas, possuem
grande quantidade de
conhecimentos que
são transmitidos de
geração em geração

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Crenças

 É a aceitação como verdadeira de uma


proposição comprovada ou não cientificamente.
Há crenças falsas e verdadeiras.

Valores

 O termo Valor, de modo geral é


empregado para indicar objetos e
situações consideradas boas, desejáveis,
apropriadas, importantes, ou seja, para
indicar riqueza prestígio, poder, crenças,
instituições, objetos materiais e etc.
Além de expressar sentimentos, o valor
incentiva e orienta o comportamento
humano.

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Normas

 São regras que indicam os


modos de agir dos
indivíduos em
determinadas situações.
Consistem, pois em um
conjunto de ideias, de
convenções referentes
àquilo que é próprio do
pensar, sentir e agir em
dadas situações.

Símbolos
 São realidades físicas ou
sensoriais às quais os
indivíduos que os utilizam
lhes atribuem valores ou
significados específicos.
Pessoas, gestos, palavras,
ordem, sinais sensoriais,
fórmulas mágicos, valores,
crenças, poder, solidariedade,
sentimentos, cerimônias,
hinos, bandeiras, textos
sagrados, objeto materiais
etc.

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Evolucionismo, Funcionalismo e Difusionismo


Na antropologia há três teorias que devemos
estudar: a teoria evolucionista, funcionalismo e
difusionismo.

A TEORIA EVOLUCIONISTA
Distingue os estágios de desenvolvimento das
sociedades das formas mais simples para as mais
complexas.

Evolucionismo biológico

Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829)


foi o primeiro a apresentar a teoria
da evolução biológica. A hipótese
básica de sua teoria consiste em
afirmar que a função cria o órgão.

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A TEORIA EVOLUCIONISTA
Distingue os estágios de desenvolvimento das
sociedades das formas mais simples para as mais
complexas.

Evolucionismo biológico

Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829)


foi o primeiro a apresentar a teoria
da evolução biológica. A hipótese
básica de sua teoria consiste em
afirmar que a função cria o órgão.

Evolucionismo biológico

As mudanças (evolução) produzidas


nos organismos devem-se ao maior
ou menor uso dos órgãos, e que
depois teriam sido fixadas pela
hereditariedade. Assim, para
Lamarck, a necessidade cria o órgão
necessário e o uso o fortifica e o
aumenta, a falta de uso, ao
contrário conduz à atrofia, ao
desparecimento do órgão inútil.

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Evolucionismo biológico

Charles Darwin (1809-1882) publicou


em 1859 a obra A origem das
espécies, na qual expões a teoria da
seleção natural, isto é, o conjunto
de suas ideias a respeito da
evolução das espécies. A teoria da
seleção natura explica a luta pela
existência e fixa os conceitos de
evolução, de sobrevivência e de
função.

Evolucionismo biológico

Charles Darwin
... Em sentido, lato, seleção natura
é a persistência do mais apto à
conservação das diferenças e das
variações individuais favoráveis e a
eliminação das variações nocivas.
Em sentido estrito, seleção natural
significa que na luta pela
sobrevivência sobrevive o mais apto.
Malinowski é considerado o principal
expoente da teoria antropológica
denominada

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A TEORIA FUNCIONALISTA.

Ao contrário das outras teorias antropológicas


que defendem a necessidade de uma
reconstrução histórica da cultura para
compreende-a, o funcionalismo entende
dispensável a reconstrução e afirma ser
possível o conhecimento de cada cultura
através de uma análise de sua situação
presente.

A TEORIA FUNCIONALISTA.

O funcionalismo procura explicar a maneira de


ser de cada cultura buscando não mais na
história, mas na lógica do sistema.

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A teoria DIFUSIONISTA

 Quando os grupos sociais entram em


contato, ocorre o processo de
difusão de cultura.
 O direito é, indubitavelmente, um
dos aspectos da cultura de um grupo
social, motivo pelo qual está
submetido a esse processo de difusão
cultural.

A teoria DIFUSIONISTA

 Preocupa-se em compreender os
processos de transmissão de uma cultura
para as outras.

 O tipo mais significativo de difusão é o


das relações pacíficas entre os povos,
numa troca contínua de pensamentos e
invenções.

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A teoria DIFUSIONISTA

 Preocupa-se em compreender os
processos de transmissão de uma cultura
para as outras.

 O tipo mais significativo de difusão é o


das relações pacíficas entre os povos,
numa troca contínua de pensamentos e
invenções.

Aculturação

A aculturação é a fusão de duas culturas


diferentes que entrando em contato contínuo,
originam mudanças nos padrões da cultura de
ambos os grupos.

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Linguagem
:
“Sem linguagem não há homem e sem homem
não há linguagem.” (Ulmann)
 A condição primata da espécie humana,
caracteriza-se pela ausência da fala.

 Quando se livra dessa condição passando a expressar-se


através da palavra (Arqueologia Pré-Histórica se empenha
no sentido de encontrar respostas: Não apenas em
relação ao fato fundamental da aquisição dos padrões de
fala, mas, sobretudo na capacidade de transmissão oral e
simbólica dos conhecimentos e experiência adquiridos
que tornou possível o advento da cultura humana).

Linguagem
:
 É tão antiga quanto a cultura e
sempre houve tantos modos de
falar quanto de culturas.
 As línguas não apenas se
modificam ao longo do tempo.
Elas também se difundem em
decorrência de fatores de ordem
histórica e geográfica, tais como:
guerras, conquistas, migrações,
colonização etc.

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Linguagem
:
 O desenvolvimento cultural e social de
um país depende do ensino satisfatório de
seu idioma
 A linguagem, tendo a comunicação como
função primordial, permite aos indivíduos
a transmissão dos padrões culturais
armazenados às gerações num processo
de continuidade cultural que só a
educação pode desenvolver.
 Pensar, falar e escrever corretamente são
necessários para perpetuar a visão do
mundo da cultura

FAMÍLIA

A família em geral, é considerada o fundamento universal


das sociedades, por se encontrar em todos os agrupamentos
humanos, embora variem as estruturas e o funcionamento.

 SE,ORIGINALMENTE, A FAMÍLIA FOI UM FENÔMENO BIOLÓGICO DE


CONSERVAÇÃO E REPRODUÇÃO, TRANSFORMOU-SE DEPOIS EM
FENÔMENO SOCIAL.

 SOFREUCONSIDERÁVEL EVOLUÇÃO ATÉ REGULAMENTAR SUAS BASES


CONJUGAIS CONFORME AS LEIS CONTRATUAIS, NORMAS RELIGIOSAS E
MORAIS.

 DE UM MODO GERAL, É O CASAMENTO QUE ESTABELECE OS


FUNDAMENTOS DA FAMÍLIA, MAS PODE HAVER FAMÍLIAS EM CASAMENTO.

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FAMÍLIA

Morgan foi um dos primeiros a realizar pesquisa de


campo (etnografia). Ele distinguiu três períodos ou
estágios de evolução da humanidade:
a) selvageria
b) barbárie e
c) civilização.

FAMÍLIA

1°período SELVAGERIA caracteriza-se pelo


matrimônio por grupos. Predomina a
apropriação de produtos da natureza, prontos
para serem utilizados, e as produções artificiais
do homem, são, sobretudo, destinada a facilitar
essa apropriação.
FAMÍLIA PUNALUNA (casamento coletivo de grupos
de irmãos e irmãs, carnais e colaterais, no seio
de um grupo)

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FAMÍLIA

2° período BARBÁRIE caracteriza-se pelo matrimônio


sindiásmico. Aparecem a criação de gado, a agricultura por
meio do trabalho humano, a cerâmica e a fundição de ferro.
FAMÍLIA SINDIÁSMICA.
As uniões por casal, por um tempo mais
ou menos longo, faziam-se já sob o regime do casamento
por grupos, ou mesmo mais cedo; o homem tinha uma
mulher principal (não podemos dizer uma mulher favorita)
entre o número das suas mulheres, e era para ela o esposo
principal entre todos os outros.

FAMÍLIA
3° período CIVILIZAÇÃO: caracteriza-se pelo matrimonia monogâmico,
nesse período o homem continua a elaborar os produtos naturais,
mas também é o período da indústria propriamente dita e da arte. A
comunidade gentílica é, assim, um grupo ligado por laços de
solidariedade que mantêm organizada a totalidade da vida social.
A comunidade gentílica (genos) consiste em uma forma de
associação, em que os membros que a compõe estão unidos pelo
vínculo do parentesco ou da descendência comum. No “genos” não
existe propriedade privada; a propriedade da terra é coletiva. Em
virtude dessa estrutura, os vínculos de solidariedade são
fortalecidos. Com o surgimento da cidade (polis) a sociedade se
torna mais complexa.
A sociedade ao alcançar um estágio superior de crescimento
econômico e complexidade social, introduziu uma inevitável mazela
social: a desigualdade de riqueza.

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Organização econômica
Refere-se ao modo como os indivíduos conseguem, utilizam e
administram seus bens e recursos. Faz parte da organização social e
encontra-se em todas as sociedades, mesmo entre as mais simples. Em
princípio, procura-se explicar as diferenças entre os sistemas
econômicos pela evolução social, ou seja, através de diferentes níveis
de estágios da cultura.
Morgan foi o primeiro a tratar sistematicamente os dados, registrados
pelos cronistas, sobre a atividades econômica das culturas primitivas.
Segundo sua teoria evolucionista, a vida econômica teria passado por
três estágios:
A. Bandos
B. Aldeias fixas, com agricultura e pastoreio, propriedades familiares
ou clãs
C. Unidade política com tecnologia avançada: propriedades privadas

Organização econômica
Propriedade

Constituição Art. 5º, XXIII: A propriedade atenderá sua função


social.
Código Civil Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar,
gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem
quer que injustamente a possua ou detenha.
§ 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância
com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que
sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei
especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio
ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada
a poluição do ar e das águas.

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Organização econômica
Propriedade

§ 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer


comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de
prejudicar outrem.
§ 3º O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de
desapropriação, por necessidade ou utilidade pública ou interesse
social, bem como no de requisição, em caso de perigo público
iminente.
§ 4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel
reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de
boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de
pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou
separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de
interesse social e econômico relevante.

Organização econômica
Propriedade

§ 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer


comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de
prejudicar outrem.
§ 3º O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de
desapropriação, por necessidade ou utilidade pública ou interesse
social, bem como no de requisição, em caso de perigo público
iminente.
§ 4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel
reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de
boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de
pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou
separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de
interesse social e econômico relevante.

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Organização econômica
Propriedade

§ 5º No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa


indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a
sentença como título para o registro do imóvel em nome dos
possuidores. Propriedade privada compreende o direito de
usar, gozar e dispor de uma determinada coisa, de modo
absoluto e exclusivo, porém, esses poderes não podem ser
exercidos deforma ilimitada.

Organização econômica
A propriedade privada também exerce uma função social e faz parte
da Constituição brasileira desde 1988, quando foi pela primeira vez
definido a função social de propriedade.
Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, está previsto o
direito à propriedade privada, onde diz que "todo indivíduo tem
direito à propriedade, só ou em sociedade com outros e que
ninguém será arbitrariamente privado da sua propriedade".
Os meios de produção representam também propriedades privadas
que são utilizadas para a produção de trabalho. São instrumentos de
produção como máquinas, equipamentos, ferramentas, tecnologia;
as instalações são como edifícios, armazéns, escritórios; as fontes de
energia utilizadas na produção que podem ser elétricas, hidráulicas,
nucleares, eólicas; e os meios de transporte. O proprietário utiliza
os meios de produção e contrata trabalhadores para produzir.

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Divisão do Trabalho

Na Antiguidade os homens viviam em grupo e havia uma divisão


de tarefas. O fruto do trabalho pertencia a todos. Com o aumento
das comunidades surgiram as guerras e os vencidos eram
escravizados pelos vencedores. A escravidão era normal na
Antiguidade. Na Idade Média foi substituída pela servidão. Os
servos trabalhavam na propriedade dos senhores feudais.
Surgiram os artesãos, profissionais especializados em
determinadas tarefas.
Com a industrialização o homem era remunerado pelo seu
trabalho. Nas fábricas havia uma divisão do trabalho, de modo
que o trabalhador exercia repetidamente uma determinada
tarefa.

Divisão do Trabalho

Em 1908 Henry Ford introduziu em sua fabrica de automóveis nos


Estados Unidos a “produção em série” do Ford T. Frederick
Winslow Taylor (1856-105) foi considerado o precursor da
administração científica e desenvolveu métodos científicos para
aumentar a eficiência e a produção industrial.
Assim, a divisão do trabalho esteve presente em todas as
sociedades do presente e do passado. Na sociedade
contemporânea a economia está dividida em inúmeros setores
(bancário, construção, industrial, comércio, saúde, educação,
transporte e etc.). As empresas, por sua vez, são compostas por
diversos grupos, que realizam diferentes tarefas, tais como:
Recursos Humanos, Finanças, Vendas, Produção e etc.

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Divisão do Trabalho

A tecnologia evolui constantemente e cria a necessidade de


mão de obra especializada, além da constante atualização
das normas trabalhistas. O mercado de trabalho é
composto pelo trabalho formal e informal. Este último não
é alcançado pela proteção das leis trabalhistas. Os
sindicatos são entidades cujo objetivo é proteger os
interesses coletivos dos trabalhadores e equiparar o poder
dos trabalhadores ao poder dos empregadores

Divisão do Trabalho

A tecnologia evolui constantemente e cria a necessidade de


mão de obra especializada, além da constante atualização
das normas trabalhistas. O mercado de trabalho é
composto pelo trabalho formal e informal. Este último não
é alcançado pela proteção das leis trabalhistas. Os
sindicatos são entidades cujo objetivo é proteger os
interesses coletivos dos trabalhadores e equiparar o poder
dos trabalhadores ao poder dos empregadores

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O Estado e a organização política

A organização política de um povo abrange o conjunto de


instituições através das quais se mantêm a ordem, o bem-
estar e a integridade do grupo, sua defesa e proteção.
Essas instituições regulam e controlam a vida da sociedade,
garantido a seus membros:
a) Direitos individuais. Ao mesmo tempo exige o
cumprimento de suas obrigações
b) Organização do governo
c) Sistema de governo
d) Defesa e proteção.

O Estado e a organização política

A organização política de um povo abrange o conjunto de


instituições através das quais se mantêm a ordem, o bem-
estar e a integridade do grupo, sua defesa e proteção.
Essas instituições regulam e controlam a vida da sociedade,
garantido a seus membros:
a) Direitos individuais. Ao mesmo tempo exige o
cumprimento de suas obrigações
b) Organização do governo
c) Sistema de governo
d) Defesa e proteção.

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O Estado e a organização política

A organização política é um aspecto da cultura encontrado


em todos os grupos humanos, simples ou complexos.
Característica essencial da organização política é o
exercício do poder. Outros aspectos têm igual importância:
participação, lealdade, tradições e símbolos comuns,
governo e sistema de relações externas. O Estado é um
elemento da organização social humana. Na história da
humanidade surgiram diferentes tipos de Estado, tais
como: cidade-estado, Impérios, Tribos e etc. Alguns já
desapareceram e a maioria transformou-se nos Estados
nacionais modernos. Costuma-se definir o Estado como a
nação politicamente organizada.

O Estado e a organização política

Compõe-se do território, população e governo.


 Território: uma unidade territorial correspondente a uma
unidade política.
 População: grupos de indivíduos ligados por uma cultura
comum.
 Governo: consiste no instrumento executivo da
organização política. Representa a autoridade que
controla os membros da sociedade através de normas
preestabelecidas e dentro de um território definido. Ele
se concretiza por meio de órgãos, onde pessoas
especializadas exercem funções ligadas ao poder e se
preocupam em executá-las, valendo-se da força e de
poderes coercitivos.

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O Estado e a organização política

Encontram-se nas sociedades em geral diversas


formas de governo:
 Oligarquia: poder nas mãos de uma classe social
pequena
 Monarquia: poder atribuído à pessoa de um rei
 Democracia: poder investido no povo que o
exerce direta ou indiretamente

Religião

É a crença no sobrenatural. As normas religiosas de


comportamento baseiam-se nas incertezas da vida e
variam muito de uma sociedade para outra. Entretanto,
tornam-se mais evidentes nos momentos de crise, ou seja,
nascimento, adolescência, casamento, enfermidade,
forme, morte etc.
As mais antigas concepções religiosas dos romanos dizem
respeito ao culto dos espíritos dos mortos e às crenças em
forças sobrenaturais, multidão de divindades que
presidem a natureza: os reinos animal, vegetal e mineral.
Com o aumento da complexidade social a religião, a
religião doméstica dos romanos transforma-se em religião
da cidade, com corpo hierárquico de sacerdotes.

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Religião

Os cultos passaram a ser celebrados por sacerdotes iniciados,


agrupados em colégios, dos quais o mais importante é o
Colégio dos Pontífices, presidido pelo Pontífice Máximo. Em
Roma, até meados do século V antes de Cristo, as atribuições
da Justiça são confiadas ao Colégio de Pontífices. Nessa
sociedade direito, religião e política não se diferenciam.
Em algumas sociedades primitivas é possível observar certas
práticas mágico-religiosas, com a denominação de ordálias.
Uma das características das ordálias é no método ritualístico
para comprovar um testemunho. Nesse sentido, um exemplo
retirado do direito germânico consistia em fazer o acusado
andar sobre ferro em brasa e, dois dias depois, se ainda
tivesse cicatrizes, era considerado culpado.

Antropologia e direito

As conexões do direito com a antropologia são evidentes, visto


que o ser humano constitui objeto central dessas duas áreas
do conhecimento, motivo pelo qual temas como igualdade e
diferença são, ao mesmo tempo, jurídicos e antropológicos.
Além disso, o direito constitui um dos aspectos da cultura, e
esta constitui objeto específico da antropologia cultural. A
Antropologia, tal como o direito, também se interessas pelos
conflitos sociais, principalmente no que diz respeito à
intervenção normativa na decisão jurídica desses conflitos,
bem como desdobramento da ordem jurídica e diante das
transformações culturais, sociais e políticas e econômicas.
Direito materno x direito paterno

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Antropologia e direito

Na Oréstia (trilogia de peças escrita pelo dramaturgo grego


Équilo), Clitemnestra, levada pela sua paixão por Egisto, seu
amante, mata seu marido Agamêmnon, quando este
regressava da guerra de Tróia (1300 e 1200 a.C.); mas
Orestes, filho dela e de Agamêmnon, vinga o pai, matando a
mãe. Isso faz com que se veja perseguido pelas Erínias, seres
demoníacos que protegem o velho direito materno, segundo o
qual o matricídio é o mais grave e imperdoável de todos os
crimes. Apolo, no entanto, que, por intermédio de seu
oráculo, havia incitado Orestes a matar sua mãe, e Pata
Atena, que intervém na qualidade de juiz protegem Orestes
que é absolvido. Erínias só resta a resignação

Evolução Jurídica

Método de interpretação denominado método histórico-


evolutivo É o método de interpretação da lei que faz com que
o sentido da mesma se altere com as necessidades sociais do
momento. Isso deve ser assim porque, se as relações sociais
evoluem e as leis se mantêm estáticas, o direito perde a força
e, em vez de promover o bem social, passa a criar problemas
cuja consequência são as de atravancar o progresso.
Três fatores podem ser destacados na evolução do direito:
I. Econômicos
II. Políticos
III. Culturais

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Evolução Jurídica
 Em relação aos FATORES ECONÔMICOS, constata-se que a
estrutura econômica de uma sociedade traduz-se de
maneira inelutável em seu direito.
 Em relação aos FATORES POLÍTICOS anota-se que o fato mais
característico nessa matéria é a conquista, a anexação pela
força armada. Sucede quase sempre que o vencedor
imponha ao vencido sua legislação, seu direito privado
tanto quanto sua constituição política.
 Em relação aos FATORES CULTURAIS há uma harmonia
necessária entre os fatos jurídicos e os fatos da cultura. A
cultura atua sobre o direito e, segundo ele, basta anotar
que a conquista da Grécia exercia influência não só sobre
as artes e literatura dos romanos como sobre suas
instituições jurídicas.

Positivismo Jurídico

Ao longo do século XX predominou nas Faculdades de Direito o


modelo teórico denominado positivismo jurídico, motivo pelo
qual o ensino jurídico tem negligenciado as contribuições da
antropologia e de outras áreas do conhecimento.
Hans Kelsen é o teórico que eleva o positivismo jurídico ao
seu patamar mais alto. Em1934 publica a Teoria pura do
Direito, na qual retoma as teses do positivismo jurídico do
século XIX. Nessa obra elege a autonomia da ciência jurídica
como problema fundamental da sua tese e confere-lhe
método e objeto próprios, capazes de assegurar ao jurista o
conhecimento científico do direito.

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Dogmática e Zetética

Por influência do positivismo jurídico a ciência jurídica


configurou-se como saber dogmático. É óbvio que o estudo do
direito não se reduz a esse saber. Assim, embora o jurista seja
um especialista em questões dogmáticas, é também, em certa
medida, um especialista em questões zetéticas; visto que,
diante da alta complexidade que o mundo contemporâneo
imprime aos problemas jurídicos, muitas vezes, é preciso
abordar e enquadrar o tema, não apenas nos seus aspectos
jurídicos, mas também nos seus aspectos antropológicos,
econômicos, sociológicos, políticos, filosóficos, éticos,
históricos e etc.

Dogmática e Zetética

Hoje, o debate sobre os temas jurídicos mais polêmicos, como


o imigrante ilegal, o aborto, a união homossexual, a
deficiência, a eutanásia, a demarcação das terras dos índios,
o reconhecimento dos quilombos, as ações afirmativas etc.,
requer alguma incursões na antropologia. Um debate sério
sobre esses temas exige a consideração do princípio da
alteridade, que implica em colocar-se na posição do outro, do
imigrante, da mulher, do homossexual, do deficiente, do
doente terminal, do índio, do negro, etc. Além da alteridade,
a discussão jurídica desses termas exige dos atores o domínio
de alguns conceito antropológicos, especialmente de cultura,
que como visto, é bastante complexo e de difícil definição

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A globalização e a sociedade de consumo

GLOBALIZAÇÃO

O desenvolvimento tecnológico do século XX, principalmente


no setor de transporte e telecomunicações, a disponibilização
do acesso à INTERNET e a redução das barreiras alfandegárias
possibilitou um grande incremento nas transações
internacionais, constituindo o que se costuma denominar de
globalização. Com a globalização grandes empresas, antes
limitadas pelo esgotamento dos mercados locais, lançaram-se
à conquista do mercado internacional. A globalização, além do
impacto econômico, teve impacto cultural, jurídico e político
uma vez que propiciou uma maior difusão das informações.

A globalização e a sociedade de consumo


Sociedade de consumo

O consumo é uma das características mais marcantes da


sociedade contemporânea. Contudo, o consumo não é algo
novo. Para que seja possível o consumo é preciso que haja
produção. Por outro lado, a produção consome matérias-
primas. Então, há uma reciprocidade entre a produção e o
consumo. A nossa sociedade é uma sociedade de consumo. O
consumo é incentivado, inclusive pelas autoridades políticas e
econômicas. O fetichismo da mercadoria atribui ao produto
qualidades que alteram o valor que se paga pelo produto. A
propaganda ajuda a difundir o fetiche das mercadorias e
mobiliza o desejo do consumidor. Quanto mais desejamos o
produto, mais valioso ele se torna.

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