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09/10/09 – Profª.

Odete

Serviço público
O tema do serviço público pode ser tomado como um capítulo do Direito
Administrativo. O sentido técnico é de atividade prestacional. É atividade
realizada no âmobito das atribuições do Executivo em que o poder público
traz um benefício/melhoria para a vida das pessoas (ex.: fornecimento de
água ou energia, transporte público etc.).
O ordenamento define o que vai ser serviço público, implica uma escolha
(ex.: antigamente, devido à sua grande importância, a França considerava
a produção de pães um serviço público).

Características:
- vínculo orgânico com a adm: hoje não necessariamente será a atividade
executada por órgão público, então o vínculo pode ser (i) presunção: o
poder público executa (ii) relação de dependência entre a atividade e a adm
pública (exerce controle sobre o agente, p.ex.)
- regido total ou parcialmente pelo direito administrativo

Princípios:
a) Funcionamento equitativo/igualidade de todos perante o serviço público/
paridade de tratamento: desdobramento do princípio da igualdade
A gratuidade não entra como característica desse princípio, nem é um
princípio autônomo, mas se liga à questão, pois em alguns casos o
ordenamento a prevê (ex.: transporte público gratuito para idosos).
b) Funcionamento contínuo – tem a ver com propiciar que não haja
interrupção no fornecimento do serviço.
A principal questão que envolve esse princípio é o direito de greve dos
servidores públicos. Por muito tempo esse princípio foi usado pra defender a
tese de que não poderia haver greve pública (mas as greves aconteciam
mesmo assim....). Entende-se hoje que deve haver conciliação entre o
direito de greve e a continuidade. Ainda não saiu a lei que define os
parâmetros da greve no setor público. Aplica-se a analogia, faz-se um
acordo.
c) Funcionamento eficiente – está garantido constitucionalmente. Há
discussões para saber se é um princípio ou não.
d) A AP pode alterar a forma de fornecimento do serviço.

Classificação:
a) uti universi/gerais: pessoas indeterminadas como destinatárias (ex.:
recolher lixo) X uti singuli/individuais: pessoas determinadas como
destinatárias (ex.: transporte público e água)
b) própria:diretamente pela AP X imprópria:particular
c) centralizado: administração direta (ex.: escolas públicas) X
descentralizado: administração indireta (ex.: faculdade pública)

A AP tem a possibilidade de transferir para particulares a prestação de


certos serviços. Pode ser feita por concessão, permissão ou autorização
(formas tradicionais) ou por outras maneiras (ex.: franquia e consórcio).

Concessão de serviço público


Surge como contrato no séc. XIX na Europa.
Poder público é concedente; particular é concessionário, paga por tarifas
(diretamente pelo particular).
A concessão de serviço público transfere ao particular certos serviços. No
início do sec. XX, ela era utilizada para serviços que implicavam em grandes
investimentos ou que dependiam de conhecimento técnico específico (ex.:
ferrovias que demandam muitos recursos). A partir da década de 50, ela
perdeu um pouco de sua importância com o movimento de estatização.
Hoje em dia voltou a ser uma figura importante.
A concessão é uma espécie de privatização parcial, continua havendo uma
responsabilização do Estado, mas quanto à execução do serviço há sim uma
privatização.
L. 8987/95 – Lei das Concessões – trata de concessões e permissões.
L. 9074/95 – trata da concessão em energia elétrica e de algumas
disposições gerais.

16/10/09
1) Concessão
Características:
- Formalizada no contrato administrativo
- Concedente (público – entidades) e concessionárias (pessoa jurídica ou
consórcio de empresas, não pode ser pessoa física).
- Remuneração vem da tarifa paga pelo concessionário.
- Concedente fixa normas, regulamenta e aplica sanções. Pode haver
modificações nas tarifas pela concedente
- Pode haver leis próprias, além das leis gerais.

Além das concessões comuns há específicas:


- publicidade
- rádio e TV aberta
- TV a cabo
- telecomunicações (L.8472)
- parcerias público privadas
- florestal

Autoridade deve publicar justificativa para transferir a atividade para o


particular pela concessão. Ela deve também publicar direitos e deveres dos
concessionários.
Serviço adequado: continuidade, regularidade, segurança = algumas das
obrigações do particular.

As regras estão na L. 8987, art. 15 - 22, especialmente o critério de


julgamento.
Existe uma tarifa específica paga pelo concessionário e não valor sobre o
serviço. Critérios que fogem aos contratos administrativos.
O que a lei 8987 não estabeleceu, está na lei geral das licitações L.8666.

2) Concessões de obra pública/ precedias pela execução de obra pública:


variante que se encontra na lei paulista 7835/92.
Concessionário realiza obra e depois recebe pela exploração do serviço ou
obra por prazo determinado. Ex.: construção e manutenção de rodovias –
pedágio.
Concessões têm prazo longo. Antes chegavam a durar 60, 90 anos, hoje
duram cerca de 15 anos (isso pra que haja o retorno do investimento).
O término pode se dar por:
a) fim do prazo
b) encampação: administração retoma o serviço no curso do contrato por
interesse público. É necessária lei específica que autorize, pois há
indenização ao concessionário.
c) caducidade: rescisão unilateral por má execução. Pode haver multa.
d) por iniciativa da concessionária: poder público não cumpre claúsulas do
contrato. Precisa entrar com processo pedindo rescisão do contrato no
judiciário e até trânsito em julgado o serviço não pode parar.
e) anulação: ilegalidade na licitação ou no contrato

3) Permissão
Atualmente: deve haver também licitação para permissão. Segundo a lei é
contrato de adesão, entretanto todo contrato administrativo é contrato de
adesão, visto que o particular não pode negociar as cláusulas do contrato.
Se permissão é contrato e regras da concessão são aplicadas à permissão,
qual a diferença?
A única diferença na prática é que na permissão o concessionário pode ser
pessoa física ou jurídica. Na concessão só pode ser pessoa jurídica ou
consórcio de empresas.
4) Arrendamento
É contrato celebrado pela concessão (concessão de arrendamento).
Exploração do particular de bens públicos imóveis vinculados a serviço.
Ex.: portos

5) Franquia
Franquia postal: AP transfere ao particular o exercício de atividades
públicas. Os serviços são padronizados.
Recebe um valor fixado pela AP ou percentual do valor arrecadado com o
serviço.
Ex.: correio – particulares exercem parte do serviço (a outra parte é da AP).

6) Parcerias público privadas: Lei 11.079/04


- Prazo de duração longo: deve durar no mínimo 5 anos e no máximo 35
anos.
- Alto valor: deve ser de um valor igual ou maior a 20 milhões de reais.
- Além da tarifa, parceiro recebe uma contrapartida da AP.
- há divisão de riscos e encargos financeiros: se a AP tiver de pagar mais de
70% do valor do serviço deve haver lei autorizando. Se a porcentagem for
inferior a 70% basta o edital.
Há problemas de pagamento da AP. A L. 11.079/04 criou fundos
garantidores para as parcerias que a AP faz. Se não houvesse garantias, os
investidores não vão querer fazer parcerias com a AP. Os fundos servem,
portanto, de incentivo aos particulares. Ex.: FG Energia Elétrica.
- Tem forma de contrato de concessão no Brasil:
6.1) por concessão administrativa: contrato de prestação de serviços em
que a AP é usuária do serviço. Quem paga ao concessionário é a AP.
6.2) por concessão patrocinada: está na lei 8987/95. Há contraprestação
por parte da AP adicional à tarifa paga pelos usuários.