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APOSTILA DIREITO PENAL

PRISÃO EM FLAGRANTE

1 – prisão em flagrante (artigo 301 seguintes, do cpp).

- é o delito patente, visível (certeza visual), irrecusável do ponto de vista da sua ocorrência.
-exige, para sua configuração, dois elementos: atualidade e visibilidade.
conceito – é um ato administrativo, uma medida cautelar, de natureza processual que dispensa
ordem escrita e é prevista na constituição federal (art. 5 º , lxi) exceção da norma constitucional
que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença condenatória ( art. 5
lxvii) ( mirabete)

a prisão em flagrante é uma medida pre-cautelar, de natureza pessoal, cuja precariedade vem
marcada pela possibilidade de ser adotada por particular ou autoridade policial, e que somente é
justificada pela brevidade de sua duração e o imperioso dever de análise judicial em 24 hs, onde
cumprirá ao juiz analisar sua legalidade e decidir sobre sua manutenção da prisão ( agora com
preventiva) ou não ( aury jr.)

é o crime cuja prática é surpreendida por alguém no próprio instante em que o delinquente
executa a ação penal ilícita ( frederico marques)

Origem da palavra- flagrante do verbo latim flagrare ( queimar) e flagrans e flagrantis ,


que significam ardente , o que está em chamas, crepitando. A expressão flagrante delito
significa o delito no instante , no calor de sua perpetração.

3.fundamentação- providência acautelatória da prova da materialidade do fato e da autoria ,


quando há manifesta evidência probatória, justificando a detenção daquele que é surpreendido
cometendo a infração penal, a fim de que a autoridade competente , com presteza, possa
constatar a realidade fática , colhendo, desde logo , prova da infração.

Prisão em flagrante ( autodefesa social)= medida pré cautelar embora os arts. 301 e 302
permanecerem inalterados.

Com a modificação do art. 310 do restaram apenas duas medidas cautelares privativas de
liberdade: prisão temporária (lei n°7.960, de 21 de dezembro de 1989) e prisão preventiva.
Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente:

I - relaxar a prisão ilegal; ou


Ii - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do
art. 312 deste código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares
diversas da prisão; ou
Iii - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o
fato nas condições constantes dos incisos i a iii do caput do art. 23 do decreto-lei no 2.848, de 7
de dezembro de 1940 - código penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado
liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais, sob pena
de revogação." (nr)

Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória
transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão
temporária ou prisão preventiva.

Excepcionalidade da prisão em flagrante:

Nos termos do art. 5º , lxi, da CF, ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem
escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, e só se legitima nas situações
previstas no art. 302 do CPP.

Prisão em flagrante do militar

Art. 300. As pessoas presas provisoriamente ficarão separadas das que já estiverem
definitivamente condenadas, nos termos da lei de execução penal.
Parágrafo único. O militar preso em flagrante delito, após a lavratura dos procedimentos legais,
será recolhido a quartel da instituição a que pertencer, onde ficará preso à disposição das
autoridades competentes." (nr)

Prisão em flagrante no interior de residência:


A regra contida no art. 5º, xi, da cf, autoriza o ingresso de qualquer pessoa em residência sem
mandado judicial, para efetivar prisão em flagrante, como exceção à inviolabilidade domiciliar.

Finalidade:

A) evitar a fuga do agente;


B) resguardar a sociedade;
C) servir de exemplo;
D) acautelar provas;
E) restabelecer a ordem jurídica que foi violada com o comportamento nocivo do autor do fato.
Natureza jurídica – ato administrativo levado a efeito, em regra, pela polícia civil. Medida pré-
cautelar de natureza pessoal, privativa de liberdade, e como tal está condicionada aos requisitos
da cautelaridade.

SUJEITOS DO FLAGRANTE:

Sujeito ativo- é aquele que efetua a prisão. Cidadão comum ou autoridade policial e seus
agentes.
Art. 292- “ se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à
determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar
de meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência, de que tudo se lavrará auto
subscrito também por duas testemunhas”.

Sujeito Passivo – qualquer pessoa.


EXCEÇÕES:
1) Imunidades diplomáticas ( art. 1º , i , do cpp );
2) imunidades parlamentares ( art. 53 , parágrafo segundo da cf redação
da ec nº 35-2001) – somente em crimes inafiançáveis;
3) membros do poder judiciário e ministério público (leis orgânicas) - somente em casos de
crimes inafiançáveis;
4) advogados, no exercício da profissão, em caso de crime inafiançável ( eoab );
5) menores de 18 anos; presidente da república (art. 86, § 3º da cf), agente que socorre vítima de
trânsito- art.301 do ctb);
6) em razão da ausência de condição de procedibilidade- apcr e app ou ausência de requisição do
ministro da justiça;
7) em razão da natureza da infração- art. 69 da lei 9099/95, art. 28 da lei de drogas e §1º do 283
do CPP ( não há pena de prisão).
AUTORIDADE COMPETENTE - em regra, a autoridade da circunscrição. Não havendo
autoridade no local da prisão deverá ser apresentado à do lugar mais próximo (art.308 do cpp).
EXCEÇÃO: polícia da câmara de deputados e do senado federal. Não se aplica às guardas
municipais.
Flagrante facultativo ( art. 301, primeira parte) – particular. Oportunidade e conveniência. Pode,
inclusive, realizar apreensão de objetos e coisas que interessem à apuração do fato. Trata-se de
direito público subjetivo de natureza política. Auto-tutela.
Flagrante Obrigatório - autoridade policial e seus agentes – (art. 301- segunda parte). Não há
discricionariedade, pois trata-se de dever inerente ao cargo, que decorre do exercício das
funções. A desídia pode ter consequências administrativas, civis e criminais.

Crime Militar- oficial militar , presidente do inquérito militar , designado para a função.

ESPÉCIES DE PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 302 DO CPP)

Flagrante em sentido próprio, real ou verdadeiro (art. 302 , i e ii do cpp)- o agente é surpreendido
cometendo a infração penal ou acaba de cometê-la ( imetiatidade - sem intervalo de tempo).
Flagrante impróprio, irreal ou quase flagrante (art. 302- iii) o agente é perseguido logo após
cometer o delito, em situação que faça presumir ser o autor da infração. “logo após” = espaço de
tempo necessário para a polícia chegar ao local, colher provas necessárias e dar início à
perseguição.

- exige 3 elementos
1) volitivo : vontade de efetuar a perseguição;
2) temporal: perseguição imediata, sem demora, contínua e ininterupta ( art. 290, §1°, “a” e “b”,
do cpp.
3) fático: presunção de que o perseguido seja o autor do crime (operação mental que liga um fato
ao outro.

Flagrante presumido, ficto ou assimilado ( art. 302, iv) o agente é encontrado, logo depois
de cometer a infração , com instrumentos, armas , objetos ou papéis que façam presumir ser ele o
autor da infração. Não é necessária a perseguição.
O lapso temporal é mais elástico do que a hipótese anterior, mas o juiz deve examinar caso a
caso (pr = 08 a 10 horas)
Ausência do elemento volitivo da perseguição. Encontro com o autor do fato pode ser
meramente ocasional.

Flagrante preparado ou provocado (delito de ensaio) o agente , policial ou terceiro, conhecido


como provocador , induz o autor à prática do crime , viciando a sua vontade, e, logo em seguida,
o prende em flagrante. Em face da ausência da livre e espontânea vontade a conduta é
considerada atípica. Súmula 145 do stf “não há crime, quando a preparação do flagrante pela
polícia torna impossível a sua consumação”.

- exige 02 requisitos: preparação e não consumação, devido a intervenção policial.

- obs: se, não obstante as providências adotadas , o crime se consumar, será legítima a prisão em
flagrante, podendo , em certos casos, ser responsabilizado criminalmente o agente provocador
( Renato Marcão)
V. Art. 17 do cpb

Flagrante esperado - a atividade do sujeito ativo consite no simples aguardo do momento do


cometimento do delito. É próprio da atividade policial. ( campana )

Flagrante prorrogado ou retardado ( art. 11 da lei n° 12.850/2013- lei do crime organizado e lei
nº 11.343/06 , art. 53, i- lei de drogas) consiste no retardamento da intervenção policial do que se
supõe ação praticada por organização criminosa ou a ela vinculada. Observação e
acompanhamento até o momento mais eficaz para formação de provas e fornecimento de
informações. Há discricionaridade do agente policial.

Flagrante forjado, fabricado ou maquinado- há a criação de provas de um crime inexistente.


Incide em abuso de autoridade.

FLAGRANTE NAS DIVERSAS MODALIDADES DE CRIMES.

Crimes de ação pública condicionada ou privada- não há diferença, apenas exige-se a presença
do titular do titular do direito de representação ou de queixa para que seja ouvido no auto , e
fique registrado que a prisão foi realizada a seu pedido. Necessidade da manifestação de vontade
positiva do ofendido (condição de procedibilidade).
A autoridade policial ou seus agentes poderão fazer cessar a agressão com o fim de manter a paz
social e a tanquilidade social.

Crime permanente – enquanto não cessar sua permanência, o agente encontra-se em flagrante
delito ( art. 303 ) ex: sequestro, plágio, ou redução à condição análoga à de escravo.

Crime habitual- exige pluralidade de ações para a sua configuração – 1) não cabe prisão e
flagrante- tf , nucci, fm ( o crime se aperfeiçoa com a reiteração dos atos- preparação , execução
ou consumação). 2) Mirabete, Marcão, Greco- é possível desde que seja surpreendido na prática
do ato e se recolhe , no ato , provas cabais da habitualidade.

Crime continuado – é uma ficção Jurídica , uma opção de política criminal pois na verdade
existem várias ações independentes , sobre as quais , isoladamente pode ser efetuada a prisão em
flagrante.

Crime tentado- durante a execução do injusto penal ou do percurso do elemento objetivo do tipo(
ex: subtrair).

Crime formal- (crime unissubsitente) não há possibilidade de se fracionar o inter criminis-


simples atividade do agente , não há necessidade da obtenção do resultado descrito no tipo. ( ex:
injúria verbal , concussão).

Flagrante nas infrações de menor potencial ofensivo:

Art. 69 da 9099/95 – em caso de recusa de ser encaminhado ao jec ou assinar o termo de


compromisso.

Flagrantes estando o preso hospitalizado ou inconsciente:


- estando hospitalizado- a autoridade policial deverá dirigir-se ao local e lavrar o auto de prisão;
- estando inconsciente – lavratura nos termos do art. 304, §3º , constando a particularidade e
assinatura por 2 testemunhas instrumentárias.
Formalidades do auto de prisão em flagrante
- a prisão em flagrante compreende quatro momentos distintos: 1) captura; 2) condução; 3)
lavratura do apf; recolhimento ao cárcere;
Apresentação do conduzido à autoridade competente pelo condutor;
Oitiva do condutor;

Oitivas das testemunhas;


Na falta de testemunhas da infração, duas pessoas que testemunharam a apresentação
( instrumentárias) deverão assinar o auto.
Interrogatório do conduzido (arts. 304 e 185 do cpp), precedido da informação sobre seus
direitos constitucionais de permanecer calado ( cf, art. 5º , lxiii);
Se a ação é privada ou pública condicionada, deve ser procedida a oitiva, se possível , da vítima.
8.8 lavratura do auto pelo escrivão e por ele encerrado. Assinado pela autoridade policial,
condutor, testemunhas, pelo preso, ou defensor.
Ocorrendo recusa de alguma testemunha ou ofendido de assinar o auto, ou se não souberem ou
não puderem, a autoridade pedirá que alguém assine em seu lugar, depois de lido o depoimento
na presença do depoente ( art. 216 do cpp).
Ocorrendo recusa do acusado de assinar o auto, ou se não souber ou não puder, a autoridade
pedirá que 02 testemunhas instrumentárias assinem em seu lugar, depois de lido o depoimento
em sua presença, na do condutor e das testemunhas ( art. 304, § 3º do cpp).
Direito à assistência da família , de um advogado, na falta, de um defensor público ( lei
11.449/2007, alterou o art. 306 §1° do cpp)
Direito a permanecer em silêncio.
Comunicação para o juiz competente, que abrirá vistas ao ministério público para manifestação
Nota de culpa- (art. 306 do cpp- art. 5º , lxiv). É o instrumento legal através do qual o conduzido
é informado dos motivos de sua prisão, no prazo de 24 horas. Deve constar o nome do condutor
e testemunhas e ser assinada pela autoridade policial.

Comunicação da prisão- art. 5 º, lxii, da cf – deverá ser comunicada imediatamente ao juiz


competente, que poderá mantê-la ou relaxá-la. Obs: ausência- abuso de autoridade lei nº
4898/65.
Relaxamento da prisão pela autoridade policial- art. 304, § 1º, do cpp- se não resultar fundadas
suspeitas contra o preso ou o fato for atípico.

Infração praticada na presença da autoridade ou contra esta, no exercício de suas funções ( art.
307 do cpp) - a própria autoridade poderá presidir o auto de prisão.

Prazo para conclusão do auto de prisão- prazo máximo de 24 horas, tendo em vista o prazo de
entrega da nota de culpa (art. 306 do cpp).

Enunciados do i fórum estadual de justiça criminal

Enunciado 2: diante de uma causa inequívoca de exclusão de ilicitude não haveria justa causa
para proceder com o auto de prisão em flagrante, importando a investigação policial em abertura
de inquérito por portaria, em decisão fundamentada.

Enunciado 3: a hipótese do inciso i do art. 310 do cpp, trata-se de controle de legalidade judicial
e não de homologação.

Enunciado 4: na hipótese do inciso ii do art. 310 do cpp, não se trata de conversão da prisão em
flagrante em preventiva, mas de decretação motivada desta.

Enunciado 5: são cabíveis as medidas cautelares diversas da prisão em se tratando de termo


circunstanciado de ocorrência.

Enunciado 7: é direito público subjetivo do cidadão, ao receber a voz de prisão, ser conduzido
imediatamente ao delegado de polícia para apresentação, sendo vedada sua condução a unidades
de outras forças policiais;
Enunciado 8: a apresentação espontânea do autor do fato impede a lavratura do flagrante, mas
não impede a representação da prisão preventiva pela autoridade policial.

Enunciado 09: a inequívoca insignificância da conduta do investigado dispensa,


fundamentadamente, a lavratura do auto de prisão em flagrante, mas não impede a instauração do
inquérito policial.

Enunciado 10- o juiz de direito, ao receber a comunicação da prisão em flagrante, deverá


observar a vedação contida no art. 311 do cpp e aguardar o prazo de 24 horas para manifestação
do ministério público, quando não for hipótese de relaxamento.

Enunciado 12 – a autoridade policial plantonista ao comunicar a prisão em flagrante ao juiz, ao


ministério público e à defesa, deverá indicar para qual circunscrição policial será encaminhado o
auto do flagrante para a instauração do inquérito.
Enunciado 13 – o delegado de polícia deverá manifestar-se, desde logo, ao fazer a comunicação
da prisão em flagrante, pela necessidade da decretação da prisão preventiva ou temporária.

Enunciado 14 – no curso da investigação criminal, não havendo representação da autoridade


policial ou requerimento do ministério público pela decretação da medida pessoal privativa de
liberdade, o juiz deverá conceder a liberdade provisória.
PRISÃO PREVENTIVA
Prisão preventiva (artigo 311 e sequentes do cpp)

Conceito: ’’a prisão preventiva é a modalidade de prisão cautelar de natureza processual que
decorre de decisão judicial, podendo ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou
do processo penal, e mesmo no momento da decisão de pronúncia ou da sentença penal
condenatória, desde que presentes os requisitos legais” (r. marcão)
Na expressão de José Frederico marques, a prisão preventiva é mais genuína das formas de
prisão cautelar, ou como prefere Antonio Scarance Fernandes, é hipótese clássica de prisão
cautelar no sistema brasileiro
1.4 "o eixo, a base, os fundamentos de todas as prisões cautelares no brasil residem naqueles
requisitos da prisão preventiva. Quando presentes, pode o juiz fundamentadamente decretar
qualquer prisão cautelar; quando ausentes, ainda que se trate de reincidente ou de quem não tem
bons antecedentes, ou de crime hediondo ou de tráfico, não pode ser decretada a prisão antes do
trânsito em julgado da decisão". (Luiz Flávio Gomes)

“ A privação da liberdade, sendo uma pena, não pode preceder a sentença, senão quando a
necessidade o requer. a prisão é pois a simples custódia de um cidadão até que seja julgado
culpado; e esta custódia, essencialmente dolorosa, deve durar o menor tempo possível, e deve ser
também o menos severa possível. a aflição da prisão deve ser necessária para impedir a fuga ou
para evitar a ocultação da prova dos delitos. o processo mesmo deve estar terminado no mais
breve espaço de tempo possível”.( Beccaria)

Natureza jurídica: trata-se de uma espécie de prisão provisória, tendo assim natureza
tipicamente cautelar, visando garantir a eficácia de uma futura sentença. tratando-se de prisão
cautelar, reveste-se do caráter de excepcionalidade, na medida em que poderá ser decretada
quando necessária, ou seja, se ficar demonstrado o periculum libertatis.
Em natureza residual ou subsidiária visto que só pode ser decretada quando não for adequada e
suficiente a aplicação de outra medida cautelar ( art. 282, §6º do cpp)

Fundamentação: exige a satisfação por completo dos pressupostos cautelares fumus delicti
(prova de existência do crime e indício suficiente de sua autoria) e do periculum libertatis
(garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou assegurar a aplicação da lei
penal) presentes no caput do art. 312 cppb.

Constitucionalidade e a presunção da inocência: o inciso lvii do art. 5° da cf, ao dizer


“ninguém será considerado culpado até o transito julgado de sentença penal condenatória”. não
há ofensa à regra constitucional, porquanto a medida é de caráter excepcional prevista em outra
norma constitucional, de mesma hierarquia (cf.art. 5º, lxi). deve está sempre subordinada à sua
necessidade concreta, real e efetiva, traduzida pelo binômio fumus comissi deliti e periculum
libertatis.
Requisitos para decretação da prisão preventiva:
a) pressupostos do art. 312 , caput, parte final cpp;
b) as hipóteses de cabimento previstas no art. 313, i a iii, e parágrafo único, e no art. 312,
parágrafo único, c/c 282, §4º, todos do cpp;
c) e as circunstâncias autorizadoras, listadas no art. 312, caput, primeira parte, do cpp.

5.1. Pressupostos para a decretação da prisão preventiva: estão previstos no art. 312 do cppb
são:

Indícios suficientes da autoria delitiva (fumus comissi deliti)


Prova da existência do crime (prova da materialidade delitiva)

Circunstâncias em que pode ser decretada a prisão preventiva

Garantia da ordem pública: a prisão é decretada com a finalidade de impedir que o agente,
solto, venha a delinqüir, ou seja, se faz necessário para afastar o autor do delito, do convívio
social em razão de sua periculosidade ou devido à repercussão no seio social;

Ordem econômica: se faz necessário a prisão preventiva para coibir graves crimes contra a
ordem tributária, o sistema financeiro, a ordem econômica, etc . redação dada pela lei n°
8884/94- somente para crime previstos nas leis n° 8/137/90, 8176/90 e 7492/86 (v.art. 170 da cf);

Conveniência da instrução criminal: quando o réu está forjando ou eliminando provas,


ameaçando testemunhas ou vítimas.;

Hipóteses de prisão preventiva

parágrafo único. a prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento
de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o)."
(nr)

art. 313. Nos termos do art. 312 deste código, será admitida a decretação da prisão preventiva:
i - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro)
anos;
ii - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado,
ressalvado o disposto no inciso i do caput do art. 64 do decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro
de 1940 - código penal;
iii - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente,
idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de
urgência;
iv - (revogado).
parágrafo único. também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a
identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la,
devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra
hipótese recomendar a manutenção da medida." (nr) prisão preventiva utilitária
obs: atentar para a lei nº 12.037/2009 (identificação civil)
Características da prisão preventiva:

Autônoma- quando decretada independentemente de qualquer outra providência cautelar anterior


, durante as investigações policiais ou no curso do processo;
Subsidiária decretação em razão do descumprimento de medida cautelar anteriormente imposta
Por conversão- quando insuficientes ou inadequadas outras medidas cautelares, no momento do
recebimento do apf.

Momento da decretação da prisão preventiva: a antiga redação do código de processo penal


em seu art. 311 dispunha: “em qualquer fase do inquérito ou da instrução criminal, caberá a
prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do ministério público, ou do
querelante, ou mediante representação da autoridade policial”.

Nova redação
art. 311. em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão
preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do
ministério público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial."
(nr)
EXCEÇÃO: nos termos do art. 236, da lei 4737, de 15.07.63 (código eleitoral), a prisão
preventiva não pode ser executada desde cinco dias antes e até 48 horas do encerramento da
eleição.
Autoridade Competente- juiz de direito (art. 311 do cpp). em processos de competência
originária dos tribunais, a competência é do relator (art.2º, parágrafo único da lei nº 8038/90-stj
e STF).
Atribuição para requerer a medida-

MINISTÉRIO PÚBLICO;
O QUERELANTE;
O ASSISTENTE

Obs 1: o delegado de polícia , por não ser parte, poderá representar pela decretação da medida. (
art. 311 do cpp)

obs. 2: o juiz poderá decretar de ofício , somente durante a instrução criminal ou após a
prolação da sentença condenatória.

Relaxamento da prisão em flagrante e imediata decretação da prisão preventiva

Não há impedimento legal, pois as nulidades do flagrante ficam superadas com a superveniência
de seu relaxamento e o eventual decreto de prisão preventiva.
Prazos da prisão preventiva: poderá perdurar enquanto estiverem presentes os presupostos
legais que a autorizaram. Entretanto, o parâmetro a ser observado é o prazo para o encerramento
da instrução criminal.

Observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.


Revogação: o juiz poderá revogar a medida cautelar no decorrer do processo a partir do
momento que verificar falta de motivo para que subsista. Obedece ao princípio da provisoriedade
– dura enquanto permanecerem presentes os requisitos. Cláusula rebus sic stantibus.

art. 282, § 5º- o juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta
de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem
Proibição:
"art. 314. a prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas
constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos incisos i, ii e iii
do caput do art. 23 do decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - código penal." (nr)

RECURSOS:

Do indeferimento- recurso em sentido estrito art.581, v , do cpp


Da decretação- habeas corpus

Enunciados do i fórum estadual de justiça criminal


Enunciado 8 – os artigos 312, parágrafo único, e 282, § 4°, permitem, como extrema ratio, a
decretação da prisão preventiva para delitos apenados com sanção não superior a quatro anos, na
hipótese de descumprimento injustificado de medidas cautelares não privativas de liberdade.
(voto de minerva ao plenário)

Enunciado 9- a apresentação espontânea do autor do fato impede a lavratura do flagrante, mas


não impede a representação da prisão preventiva pela autoridade policial.
PRISÃO TEMPORÁRIA

Prisão Temporária- base legal (medida provisória nº 111, de 24.11.1989, 2- lei n°7.960, de 21
de dezembro de 1989)

Conceito – é a prisão cuja finalidade é a de acautelamento das investigações do inquérito


policial, consoante se extrai do seu art. 1°, i, no que cumpriria a função de instrumentalidade, isto
é, de cautela.

A prisão temporária é a modalidade de prisão cautelar pré-processual admitida apenas em relação


a determinados tipos de crimes e que tem por objetivo permitir a colheita de provas que outra
maneira não se conseguiria êxito na produção, bem como esclarecimentos a respeito da
identificação do investigado.

Origem- criada pela lei 7.960/89 com a finalidade de banir a prisão para averiguações, que nunca
existiu na lei, mas em muito praticada pela polícia.

Fundamentação- art. 1º da lei nº 7960/89.


Hipóteses:
Imprescindibilidade da medida para as investigações do inquérito policial (periculum in mora
ou libertatis ) ;
Indiciado não tem residência fixa ou não fornece dados necessário sobre a sua identidade;

Fundadas razões da autoria ou participação nos seguintes crimes:

a) homicídio doloso

b) sequestro

c) cárcere privado

d) roubo

e) extorsão

f) extorsão mediante sequestro

g) estupro
h) epidemia com resultado de morte

i) envenenamento de água ou substância alimentícia ou medicinal com resultado morte

j) quadrilha ou bando

k) genocídio

l) tráfico de drogas

o) crime contra o sistema financeiro.

Autoridade competente para decretação- decretada exclusivamente pelo juiz de direito, prazo de
24 hr, a partir do recebimento da representação ou requerimento.

Atribuição para requerer a medida-


Representação da autoridade policial
Requerimento do ministério público.

obs.: na hipótese da representação pela autoridade policial, faz-se necessária a oitiva prévia do
MP (requerimento pelos dois).

Vedações- decretação de ofício pelo magistrado. Quando já instaurada a ação penal.

Prazos:
05 dias, prorrogáveis por mais 05 dias;
30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias, em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e terrorismo (art. 2 º, § 3º, da lei nº 8072/90);

Procedimento:
Pedido: representação da autoridade policial ou requerimento do ministério público.
Sendo pedida pela autoridade policial, o juiz deverá ouvir o mp, antes de decidir art. 2º § 1º);
o juiz tem o prazo de vinte e quatro horas, a partir do recebimento do pedido, para decidir.
Mandado de prisão deverá ser expedido em duas vias, sendo uma entregue ao inidiciado,
servindo de nota de culpa.
Advertência, pela autoridade policial, do direito do preso de permanecer calado.
10.6 o civilmente identificado não será submetido á identificação criminal
Comunicação a família do preso ou a pessoa por ele indicada e de advogado. Identificação das
pessoas responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório.
Faculdade do juiz de determinar a apresentação do preso; solicitar informações da autoridade
policial ou determinar a realização de corpo de delito.
O prazo de duração da prisão é de 5 dias, prorrogáveis por igual período, desde que comprovada
sua necessidade. Deverá entretanto ser imediatamente posto em liberdade o acusado se, após o
prazo, não tiver ainda sido decretada sua prisão preventiva, por que se isso não acontecer, será
caracterizado crime de abuso de autoridade (art. 4º, i, da lei n 4.898/65, com redação dada pela
lei 7.960/89) insere-se aqui o prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para a prisão
temporária no caso de prática de crimes hediondos, a prática de tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo, consoante ao disposto no art. 2º caput e § 2º da lei
8072/90.
O preso temporário deverá permanecer separado dos demais presos plantão de 24 horas do
judiciário e do MP, em todas as comarcas, para apreciação dos pedidos de prisão temporária ( art.
5º da lei nº 7960/89) controvérsia sobre a decretação

- Tourinho filho e Júlio Mirabete, é cabível a prisão temporária em qualquer das três situações
previstas em lei (os requisitos são alternativos).

- Antônio Scarance Fernandes, defende que a prisão temporária só pode ser devretada se
estiverem presentes as três situações ( requisitos são cumulativos).

- Damásio e. de Jesus e Antônio Magalhães gomes filho, a prisão temporária só pode ser
decretada naqueles crimes apontados pela lei. Nestes crimes, desde que concorra qualquer uma
das duas primeiras situações, caberá a prisão temporária. Assim, se a medida for imprescindível
para as investigações ou se o endereço ou identificação do indiciado forem incertos, caberá a
prisão cautelar, mas desde que o crime seja um dos indicados por lei.

- Vicente Greco Filho, a prisão temporária pode ser decretada em qualquer das situações
legais, desde que, com ela concorram os motivos que autorizam a decretação da prisão
preventiva.
HABEAS CORPUS

Origem e disciplina do habeas corpus


A maioria dos autores afirma ter o habeas corpus origem na magna carta, de 1215, outorgada por
João sem-terra, na velha Inglaterra. Lutas pelos direitos constitucionais, no século XVII, com o
surgimento do petition of rights, de 1627, o act of 1641, e, finalmente, o habeas corpus act, de
1679.
Significado da expressão-
"tome o corpo do detido e venha submeter ao tribunal o homem e o caso".
art. 29 da charta magna libertarum: ” nenhum homem livre será detido, feito prisioneiro,
posto fora da lei ou exilado nem de forma alguma arruinado ( privado de seus bens), nem iremos
ou mandaremos alguém contra ele, exceto mediante julgamento de seus pares e de acordo
com a lei de sua terra”. ( by law of the land)

Origem etimológica da palavra- corpo livre, corpo solto, corpo aberto.


Expressões utilizadas - fala-se habeas corpus, writ of mandamus, simplesmente writ ou
mandamus. usa-se também, no jargão forense, a expressão remédio heróico.
Conceito – é o remédio jurídico-processual, de índole constitucional, que tem por escopo
resguardar a liberdade de locomoção, quando ameaçada ou coarctada por ilegalidade ou abuso de
poder ( p. rangel).
Natureza jurídica- ação autonôma de impugnação cuja a pretensão é a liberdade.
obs: embora esteja inserido no livro iii, titulo ii, capítulo x, que versa sobre os recursos em geral ,
o habeas corpus não se trata desse instrumento legal, pelos seguintes motivos:
O recurso pressupõe decisão não transitada em julgado;
O recurso é interposto sempre contra decisão judicial;
O recurso é interposto dentro de uma mesma relação jurídico-procesual.
PREVISÃO LEGAL
código de processo penal:
“art. 647. dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer
violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.”
Constituição federal: inciso lxviii do art. 5º da cf/1988:
"conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;" (não
fala de autoridade)
Objeto do habeas corpus- o direito líquido, certo e específico de locomoção , a sua liberdade
corpórea do indivíduo
Mandado de segurança- remédio constitucional de natureza residual, destinado a amparar outros
direitos não relacionados à liberdade de locomoção (no caso do mandado de segurança, direitos
líquidos e certos, ameaçados ou lesados por ato de autoridade).
Espécies de habeas corpus
Habeas corpus liberatório.
Também denominado repressivo, o habeas corpus liberatório é destinado a afastar
constrangimento ilegal à liberdade de locomoção já existente.
Habeas corpus preventivo.
Quando o habeas corpus é concedido apenas diante de uma ameaça à liberdade de locomoção,
diz ele preventivo. Nestas hipóteses, o juiz expede um salvo- conduto. é a expressa disposição
do § 4º do art. 660 do CPC, transcrito:
obs: a violência é a vis absoluta, que se traduz num constrangimento físico efetivo ou iminente,
( prisão , cárcere privado , sequestro) e coação é o constrangimento de alguém , por meios
físicos ou morais , a um fazer ou não-fazer não previsto em lei.
Legitimidade ativa
"CPP- art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de
outrem, bem como pelo ministério público."
10.1 notas: a impetração em favor de terceiro constitui hipótese de substituição processual.
- o habeas corpus independe de representação por advogado.

- quando manejado como recurso, há necessidade de habilitação.


- podem impetrar o habeas corpus, ainda, o menor de idade, o deficiente mental, o analfabeto, o
estrangeiro etc.
- pessoas jurídicas também podem impetrar habeas corpus em favor de terceiros. o que não se
admite é a impetração de habeas corpus em favor de pessoa jurídica.
- o habeas corpus pode ser ordenado de ofício pelo juiz, (§ 2º do art. 654 do cpp)
Legitimidade passiva
Embora o CPP refira-se a autoridade coatora, é pacífica a possibilidade de impetrar-se habeas
corpus contra ato de particular. deve-se observar que a constituição refere-se não somente a
"abuso de poder" (que poderia fazer pressupor ato de autoridade), mas também a "ilegalidade"
(qualquer pessoa pode praticar uma ilegalidade).
ex: a retenção de paciente em hospital particular em que se encontra internado até que seja paga
a conta ou a retenção, pelo empregador, de trabalhador em imóvel rural para pagamento de
eventuais dívidas.
Amissibilidade
Presta-se à impugnação de:
a) atos administrativos praticados por quaisquer agentes que tenham ou não a condição de
autoridade;
b) atos judiciários; e
c) atos praticados por particulares, a qualquer título ou sob qualquer pretexto.
Previsão do CPP:
a. quando não houver justa causa para a restrição à liberdade de locomoção (cpp, art. 648, i). só
há justa causa para a prisão no caso de flagrante delito ou de cumprimento de ordem judicial,
salvo nos casos de infrações militares.
b. quando alguém estiver preso por mais tempo do que a lei determina (cpp, art. 648, ii). é o caso
de excesso de prazo na prisão provisória.
c. Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo (cpp, art. 648, iii).
d. Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação (cpp, art. 648, iv). é exemplo o
sentenciado que já cumpriu sua pena, mas continua preso.
e. Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza (cpp,
art. 648, v).
f. quando o processo for manifestamente nulo (CPP, art. 648, vi).
g. quando extinta a punibilidade (CPP, art. 648, VII). São causas extintivas da punibilidade, entre
outras, enumeradas no art. 107 do código penal: anistia, graça e indulto; abolitio criminis;
prescrição, decadência e perempção; perdão judicial.
14. não é admissível o habeas corpus:
a. Na vigência do estado de sítio.
b. Nos casos de punições militares ((atos jurídicos: agente capaz, objeto lícito e forma
prescrita e não defesa em lei)
c. Em qualquer hipótese em que não haja atentado contra a liberdade de locomoção.
d. Contra pena de multa.
e. Visando ao reexame ou à valoração de provas.
f. Visando ao trancamento de inquérito policial quando se vislumbra crime em tese.
g. Contra o simples indiciamento em inquérito policial.

DOS SUJEITOS

– paciente - é aquele que sofre ou se acha na iminência de sofrer violência ou coação na sua
liberdade de ir e vir;
– impetrante - quem pede a ordem de habeas corpus;
– impetrada ou coatora- é a autoridade ou o particular contra quem é pedida a ordem, i.e., quem
exerce a violência ou coação contra a liberdade ambulatória de alguém;
– carcereiro ou detentor- é a pessoa que detém o paciente preso.
.liminar em habeas corpus- mesmo não previsto em lei há construção doutrinária nesse sentido,
analogia com o mandado de segurança ( 1964 – governador de goiás). necessidade de prova
pré-constituída.
Reiteração do pedido – admissível com novos argumentos ou documentos.
Processamento: simplicidade e sumariedade do rito ( provas pré-constituídas).
Efeitos:
a) repressivo - alvará de soltura;
b) HC preventivo- expedição de salvo-conduto
Recursos
a) concessão- reexame obrigatório pela instância superior, quando concedido pelo juízo
monocrático (art. 574, i, CPP);
b) conceder ou denegar- recurso em sentido estrito (art. 581,x, do cpp).
Súmulas do STF
395- “não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver o ônus das custas,
por não mais estar em causa a liberdade de locomoção”;
693 – “não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a
processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada”.
694 – “não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de
patente ou de função pública”.
695- “não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade”.
inovações da lei n° 12.403/2011

MEDIDAS CAUTELARES
MEDIDAS CAUTELARES:

– conceito: “dizem-se cautelares penais as medidas preventivas previstas em lei,


decretadas pelo judiciário, em decisão escrita e fundamentada destinadas a : assegurar
a presença do imputado no curso da persecução criminal; a garantir a obtenção ou
integridade de uma fonte ou meio de prova; e a evitar a insolvência do (e pelo)
imputado”

Fundamento e finalidade- 1) periculum libertatis ; 2) garantia do regular e eficaz


desenvolvimento da persecução criminal, bem como evitar a insolvencia do imputado.

Modalidades

Pessoais:

Prisão em flagrante; prisão preventiva; prisão temporária; prisão domiciliar substitutiva;


medidas cautelares diversas da prisão.

OBJETIVO- responsabilização pecuniária do criminoso. busca-se assegurar o futuro


ressarcimento do ofendido ou herdeiros.

Sequestro (art. 125 e sgts) do cpp – retenção da coisa litigiosa, por ordem judicial, quando
houver dúvida sobre a origem desse bem.
Já o arresto (136 do cpp) e a hipoteca legal (art. 134 do cpp) não tem relação com a origem
do bem ser lícita ou ilícita.
servem apenas para assegurar uma reserva de patrimônio caso a vítima tenha direito, lá na
frente, de ser indenizada.

Medidas cautelares probatórias


Interceptção telefônica – art. 5º xii da cf, regulamentado pela lei n° 9.296/96;
Dados telefônicos, correspondência, dados bancários e fiscal- art. 5°, x e xii, da cf;
Busca e apreensão de pessoas e/ou coisa- art. 240 e segts do cpp.
Fundamentos

Antes -urgência e necessidade de tutela do processo penal.

Com a nova lei - art. 282 cpp- necessidade e adequação.

Contraditório - a medida cautelar é decretada sem manifestação do investigado ou acusado


somente em caso de urgência ou risco de ineficácia.

§ 3o ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao


receber o pedido de medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária,
acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias, permanecendo os autos em
juízo.

Características da medida cautelar-

Jurisdicionalidade. exceção: prisão em flagrante ou busca e apreensão com em domicílio com


consentimento.

Acessoriedade - dependente da medida principal. deixa de existir quando aquela sobrevier.

Instrumentalidade – serve de meio, de modo para se atingir a principal (probalidade de


condenação e aplicação de uma pena privativa de liberdade).

Provisoriedade- por visarem assegurar uma providência útil ao processo, não podem ser
definitivas.

revogabilidade – dura enquanto permanecerem presentes os requisitos. cláusula rebus sic


stantibus.

art. 282, § 5º- o juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a
falta de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a
justifiquem

Homogeneidade – não pode ser mais grave que a medida principal.

Substitutividade – podem ser substituídas por outras a qualquer tempo, isolada ou


cumulativamente ( art. 282, §§ 1º, 5° e 6º do cpp

Preventividade- prevenir a ocorrência de um dano de difícil reparação

Proporcionalidade- necessidade e adequação – proibição de excesso x proibição de defesa


deficiente

8. pressupostos:
periculum in mora = periculum libertatis.
fumus boni juris= fumus comissi delicti
proporcionalidade

Novas Medidas Cautelares De Natureza Pessoal Alternativas Á Prisão

art. 282
§ 6o a prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por
outra medida cautelar (art. 319). extrema ratio da ultima ratio

art. 321. ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz
deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares
previstas no art. 319 deste código e observados os critérios constantes do art. 282 deste
código

art. 319. são medidas cautelares diversas da prisão:


i - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para
informar e justificar atividades;(art, 89, §1°, iv da lei n° 9099/95 e art. 78, §2°, c do cp)
ii - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias
relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para
evitar o risco de novas infrações;(art, 89, §1°, ii, da lei n° 9099/95 e 47, iv e 78 §2°, a do cp
e 132 da lep)
iii - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias
relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante; (art. 22, iii,
“a” e “b”, da lei n° 11.340/2006)
iv - proibição de ausentar-se da comarca quando a permanência seja conveniente ou
necessária para a investigação ou instrução;(art, 89, §1°, iii da lei n° 9099/95 e 78 §2°, b do
cp e 132 da lep)

v - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou


acusado tenha residência e trabalho fixos; (art.48 do cp e 132 da lep)
vi - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou
financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais;
(art.47 do cp)

vii - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou
grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do
código penal) e houver risco de reiteração;
viii - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do
processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à
ordem judicial;
ix - monitoração eletrônica. ( arts. 146-b, 146-c e da lep)
§ 1o (revogado).
§ 2o (revogado).
§ 3o (revogado).
§ 4o a fiança será aplicada de acordo com as disposições do capítulo vi deste título,
podendo ser cumulada com outras medidas cautelares." (nr)
Decretação: momento e legitimidade para requerê-la:

No curso da investigação- o delegado de polícia; o mp e o querelante.

No curso do processo- o mp; o assistente de acusação e o querelante.

Recurso cabível-

art. 581, inciso v do cpp- recurso em sentido estrito.

Sistematizar

Regras Mínimas De Tókio- resolução n° 45/110-1990 da assembléia geral das nações unidas

Princípio
os estados –membros devem introduzir medidas não privativas de liberdade em seus
sistemas jurídicos para propiciar outras opçõe , reduzindo deste modo a aplicação de penas
de prisão e racionalizar as políticas de justiça penal, levando-se em consideração o respeito
aos direitos humanos, as exigências da justiça social e as necessidades de reabilitação do
delinqüente.

12.2 lei 9.714/98 (penas alternativas)- cpb

art. 43 – As Penas Restritivas De Direitos São:


Prestação Pecuniária;
Perda De Bens E Valores;
Prestação De Serviço À Comunidade;
Interdição Temporária De Direitos;
Limitação De Final De Semana

Art. 44 – As Penas Restritivas De Direito São Autônomas E Substituem As Privativas De


Liberdade Quando:
Aplicada A Pena Privativa De Liberdade Não Superior A 04( Quatro) Anos E O Crime Não
For Com Violência Ou Grave Ameaça À Pessoa Ou, Qualquer Que Seja A Pena Aplicada,
Se O Crime For Culposo;
O Réu Não For Reincidente Em Crime Doloso;
A Culpabilidade, Os Antecedentes, A Conduta Social E Personalidade Do Condenado, Bem
Como Os Motivos E As Circunstâncias Indicarem Que Essa Substituição Seja Suficiente.
....................................................................
12.3 Lei N° 9099/95 –

Art. 60 – O Juizado Especial Criminal, Provido Por Juízes Togados Ou Togados E Leigos,
Tem Competência Para Conciliação, O Julgamento E A Execução Das Infrações Penais De
Menor Potencial Ofensivo, Respeitadas As Regras De Conexão E Continência.

Art. 61- Consideram-Se Infrações Penais De Menor Ofensivo, Para Efeitos Desta Lei, As
Contravenções Penais E Os Crimes A Que A Lei Comine Pena Máxima Não Superior A 02
(Dois) Anos , Cumulada Ou Não Com Multa.

Art. 69 – A Autoridade Policial Que Tomar Conhecimento Da Ocorrência Lavrará Termo


Circunstanciado E O Encaminhará Ao Juizado, Com O Autor Do Fato E A Vítima,
Providenciando-Se As Requisições Dos Exames Periciais Necessários.

Parágrafo Único- Ao Autor Do Fato Que, Após A Lavratura Do Termo, For Imediatamente
Encaminhado Ao Juizado Ou Assumir O Compromisso De A Ele Comparecer, Não Se
Imporá Prisão Em Flagrante, Nem Se Exigirá Fiança. Em Caso De Violência Doméstica, O
Juiz Poderá Determinar, Por Medida De Cautela, Seu Afastamento Do Lar, Domicílio Ou
Local De Convivência Com A Vítima.

12.4 Art. 77 Do Cp- A Execução Da Pena Privativa De Liberdade, Não Superior A 2 (Dois)
Anos, Poderá Ser Suspensa, Por 2 (Dois) A 4 (Quatro) Anos, Desde Que:
I - O Condenado Não Seja Reincidente Em Crime Doloso;
Ii - A Culpabilidade, Os Antecedentes, A Conduta Social E Personalidade Do Agente, Bem
Como Os Motivos E As Circunstâncias Autorizem A Concessão Do Benefício;
Iii- Não Seja Indicada Ou Cabível A Substituição Prevista No Art. 44 Deste Código.
§ 1º - A Condenação Anterior A Pena De Multa Não Impede A Concessão Do Benefício.
§ 2o A Execução Da Pena Privativa De Liberdade, Não Superior A Quatro Anos, Poderá Ser
Suspensa, Por Quatro A Seis Anos, Desde Que O Condenado Seja Maior De Setenta Anos De
Idade, Ou Razões De Saúde Justifiquem A Suspensão.
Art. 78 - Durante O Prazo Da Suspensão, O Condenado Ficará Sujeito À Observação E Ao
Cumprimento Das Condições Estabelecidas Pelo Juiz.

Enunciados Do I Fórum Estadual De Justiça Criminal

Enunciado 5: São Cabíveis As Medidas Cautelares Diversas Da Prisão Em Se Tratando De


Termo Circunstanciado De Ocorrência.