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EMN-008 OSTENSIVO

LIDERANÇA MILITAR

MARINHA DO BRASIL
ESCOLA DE APRENDIZES-MARINHEIROS DO ESPÍRITO SANTO

2017
LIDERANÇA MILITAR

MARINHA DO BRASIL

ESCOLA DE APRENDIZES-MARINHEROS DO ESPÍRITO SANTO

2017

FINALIDADE: DIDÁTICA

2ª REVISÃO
OSTENSIVO EMN-008

ATO DE APROVAÇÃO

Aprovo, para emprego nas Escolas de Aprendizes-Marinheiros, a 2ª revisão da publicação


EMN-008 – APOSTILA DE LIDERANÇA MILITAR.

VILA VELHA, ES.


Em, de janeiro de 2017.

FÁBIO CASES PASSOS


Capitão de Fragata
Comandante
ASSINADO DIGITALMENTE

AUTENTICADO RUBRICA
PELO ORC

Em _____/___/____

OSTENSIVO - II - REV 2
OSTENSIVO EMN-008

ÍNDICE

PÁGINAS
Folha de Rosto............................................................................................................................... I
Ato de Aprovação.......................................................................................................................... II
Índice ............................................................................................................................................ III
Introdução ..................................................................................................................................... VII

CAPÍTULO 1 - ETIMOLOGIA DO TERMO ÉTICA


1.1.1 - Introdução 1-1
1.1.2 – Definição de ética 1-1
1.2 – CONCEITOS DE ÉTICA 1-3
1.3 – MISSÃO CONSTITUCIONAL DAS FORÇAS ARMADAS 1-3
1.4 – PRINCIPIOS ÉTICOS 1-4
1.5 – A ÉTICA MILITAR 1-5
1.5.1 – Preceitos da Ética Militar 1-4
1.5.2 – Deveres Militares 1-7
1.6 – RESPONSABILIDADE MORAL E LEGAL 1-7

CAPÍTULO 2 - COMPORTAMENTO MILITAR NAVAL E SOCIAL


2.1 - COMPORTAMENTO SOCIAL 2-1
2.1.1 - Breve histórico 2-1
2.2 - CONDUTA ÉTICO-MILITAR E COMPORTAMENTO SOCIAL 2-2
2.2.1-Ética Militar 2-3
2.3 - EDUCAÇÃO E POSTURA 2-3
2.3.1 - Boas maneiras 2-3
2.3.2 - Inimigos da etiqueta 2-3
2.3.3 - Onde começa a etiqueta 2-5
2.3.4 - Cuidados Importantes 2-5
2.3.5 - Postura e Elegância 2-7
2.3.6 - Afabilidade 2-9
2.4 - REUNIÕES, ENCONTROS E CERIMÔNIAS: AMBIENTE CIVIL E MILITAR 2-9
2.4.1 - Tradição 2-9
2.4.2 - Reuniões, Encontros e Cerimônias 2-10
2.4.3 - Auditório 2-11
2.4.4 - Na Marinha do Brasil 2-11
2.5 - SALÃO DE RECREIO E REFEITÓRIO 2-11

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2.5.1 – Salão de recreio 2-11


2.5.2 – Refeitório ou coberta de rancho 2-12
2.6 – POSTURA À MESA 2-12
2.6.1 - Imprevistos 2-14
2.6.2 - Inconvenientes 2-14
2.7 – CUMPRIMENTOS MILITARES E SOCIAIS 2-14
2.7.1 - Cumprimentos militares e sociais 2-14
2.7.1.1 – Cumprimentos Militares 2-14
2.7.1.2 – Cumprimentos Sociais (em ambiente civil e sem uso de farda) 2-15
2.7.2 – Apresentações 2-16
2.8 – CONVERSAÇÃO 2-16
2.9 – FOTOGRAFIAS 2-17
2.10 – TELEFONEMAS 2-17
2.11 – SÍTIOS DE RELACIONAMENTO SOCIAL 2-18
2.11.1 – Cuidados com a exposição pessoal na internet 2-19
2.11.2 – Agradecimentos 2-19
2.12 – VESTUÁRIOS E TRAJES 2-19
2.13 – UNIFORMES E TRAJE CIVIL 2-19
2.13.1 – Comportamento de militares uniformizados em cerimônias e eventos sociais 2-20
2.13.2 – Traje civil 2-21
2.14 - CUIDADOS IMPORTANTES COM OS TRAJES 2-21
2.15 – CAVALHEIRISMO X HIERARQUIA 2-22
2.15.1 - O que faz um cavalheiro 2-22
2.15.2 - Cavalheirismo X Hierarquia 2-22

CAPÍTULO 3 - HIERARQUIA, DISCIPLINA, AUTORIDADE E RESPONSABILIDADE


3.1 – ASPECTOS PRIMORDIAIS DA HIERARQUIA, AUTORIDADE E 3-1
RESPONSABILIDADE.
3.1.1 - Hierarquia 3-1
3.1.2 - Autoridade 3-2
3.1.3 – Delegação de autoridade 3-2
3.1.4 - Responsabilidade 3-3
3.2 – IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA E DA AUTODISCIPLINA 3-4
3.2.1 – Disciplina 3-4
3.2.2 – Autodisciplina 3-5

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3.2.3 – Decálogo de Liderança 3-6

CAPÍTULO 4 -
4.1 – Ética militar naval 4-1

CAPÍTULO 5 - LIDERANÇA
5.1 – CONCEITO DE LIDERANÇA 5-1
5.1.1 – Fatores a considerar 5-1
5.1.2 – Teorias e abordagens 5-1
5.1.3 – Definições 5-2
5.2 – IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA COMO ATRIBUTO ESSENCIAL AO 5-3
MILITAR
5.2.1 – Importância da Liderança 5-3
5.2.1.1 – A importância de uma liderança transformadora 5-3
5.2.2 – Rendimento do elemento humano 5-4
5.2.3 – Desenvolvimento da Liderança 5-4
5.3 – A TEORIA DOS GRUPOS HUMANOS 5-5
5.3.1 – Introdução 5-5
5.3.2 – Definição de grupo 5-5
5.3.3 – O indivíduo e o grupo 5-5
5.3.4 – Classificação do grupos 5-6
5.3.5 – Características de uma participação eficiente no grupo 5-7
5.3.6 – Comunicação no grupo 5-7
5.3.7 – Formação da personalidade do grupo 5-8
5.3.8 – Dinâmica de grupo 5-8
5.4 – BASES DA LIDERANÇA 5-10
5.4.1 – Bases Filosóficas da Liderança 5-10
5.4.2 – Bases Psicológicas da Liderança 5-14
5.4.3 – Bases Sociológicas da Liderança 5-20
5.5 – TIPOS DE LIDERANÇA E SUAS CARACTERÍSTICAS 5-26
5.5.1 – Estilos de liderança 5-26
5.5.2 – Níveis de liderança 5-29
5.5.3 – Manifestações patológicas da liderança 5-30
5.6 – FORMAS DO LÍDER TRABALHAR COM OS PROBLEMAS COMUNS NA 5-30
DI- NÂMICA DE UM GRUPO
5.6.1 – Formas de exercer influência no grupo Aspectos psicológicos a considerar 5-30
5.6.2 - Processos de influenciação 5-31
5.7 – COMPORTAMENTO DOS ELEMENTOS DE UM GRUPO DIANTE DOS 5-33
ES- TILOS DE LIDERANÇA
5.7.1 - Introdução 5-33

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5.7.2 – Comportamento diante da liderança autocrática ou autoritária 5-34


5.7.3 – Comportamento diante da liderança democrática ou participativa 5-34
5.7.4 – Comportamento diante da liderança delegativa ou liberal 5-35
5.7.5 – Repercussões da experiência e Iowa 5-35
5.8 – ATRIBUTOS E CARACTERÍSTICAS PESSOAIS DO LÍDER 5-35
5.8.1 - Introdução 5-35
5.8.2 – Principais atributos de um líder 5-36
5.8.3 – Procedimentos para se tornar um líder 5-39
ANEXO – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A-1
A-2
A-3

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INTRODUÇÃO

1 – PROPÓSITO
Esta publicação tem o propósito de apresentar uma síntese dos conceitos e princípios que regem o
processo de liderança, extraída das publicações relacionadas na bibliografia, em conformidade com
o Sumário da Disciplina, ministrada no Curso de Formação de Marinheiros para a Ativa. Permite
aos Aprendizes-Marinheiros, utilizando uma única fonte de referência, a obtenção dos
conhecimentos iniciais, formando as bases para o desenvolvimento de sua capacidade de liderança
no decorrer da carreira naval. Além disso, contribui para a padronização do conteúdo ministrado
pelos diversos instrutores, espelhando, de forma homogênea, a doutrina da Marinha sobre a matéria.

2 - DESCRIÇÃO
No capítulo 1, são apresentados os elementos conceituais, os princípios básicos de liderança, sua
importância, bem como noções das ciências humanas que lhe dão suporte.

No capítulo 2, a ênfase está voltada para o contexto militar, os estilos e níveis de liderança,
destacando-se os valores cultuados pela Marinha, o desenvolvimento de atributos pessoais, o cultivo
da disciplina e o respeito à hierarquia.

As referências bibliográficas encontradas entre parênteses, no texto, possuem o seguinte


significado: o primeiro algarismo refere-se ao número de ordem das publicações conforme
aparecem no Anexo A; os demais algarismos, após o sinal de dois pontos, significam a página em
que o assunto pode ser encontrado na citada referência.

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CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DA ÉTICA

1.1 – ETIMOLOGIA DO TERMO ÉTICA

1.1.1 - Introdução

É próprio de a Marinha apresentar singular dicotomia que, no decorrer dos séculos, se


mantém como característica muito perene e rejuvenescedora: Se, por um lado, cultua o passado com
incomum devoção, por outro se dedica, com audácia de pioneiros, a averiguar o futuro. Mantém
tradições como talvez nenhuma outra instituição brasileira e, com o mesmo afã, lança-se à linha de
frente nas fronteiras da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico.

Sem choque de mentalidades, os usos e costumes formadores de nossa rica tradição naval
convivem, com a busca metódica e contínua dos mais avançados conhecimentos da ciência e, em
decorrência, da arte da guerra no mar e do mar para a terra. É o passado e o futuro em perfeita
harmonia.

Assim é a Marinha. É da sua própria natureza esse extraordinário contraste, que em nada a
abala como instituição nacional permanente e em nada lhe esmorece a coesão como instituição
profissional-militar.

As múltiplas e rápidas mudanças ocorrem nas organizações e grupos humanos, consequência


da exponencial evolução da ciência e da tecnologia em todos os campos do conhecimento humano.
Elas influenciam inevitavelmente nossa instituição naval. Negar isto é negar o óbvio.

Por esses motivos, devemos cuidar com perseverança de nossas tradições, usos e costumes
navais como uma espécie de elo a nos tornar um grupo distinto, seja na paz, seja nas crises e
conflitos armados, se porventura para tal formos chamados pela Nação.

No decorrer de séculos, a cultura de nossa Marinha nos dá fantástica lição de sabedoria ao ter
permanentemente harmonizado “o tradicional” com “o inovador”. O encontro desse justo
denominador comum, o ponto ideal de equilíbrio característico do nosso modo de vida institucional,
advém da forma marinheira de cuidar de nossos navios e pensar a Defesa da Pátria - mais uma
herança de nossa História Naval.

1.1.2 – Definição de ética

Ética, do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento, é o ramo da

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filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade.
Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes
ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca
fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.

Na filosofia clássica, a ética não se resume ao estudo da moral, entendida como "costume", do
latim mos, mores, mas a todo o campo do conhecimento que não é abrangido na física, metafísica,
estética, na lógica e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são
denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, educação física, dietética e
até mesmo política, em suma, campos direta ou indiretamente ligados a maneiras de viver.

Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à


revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente
da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que
atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais
nas sociedades humanas" e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento
humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido,
ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta
conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e do Mal.

A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha
como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser
compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer
sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões
abrangidas no escopo da ética.

Hoje em dia, a maioria das profissões tem o seu próprio


código de ética profissional, que é um conjunto de normas de
cumprimento obrigatório, derivadas da ética, e que por ser um
código escrito e frequentemente incorporado à lei pública não
deveria se chamar de "código de ética" e sim "Legislação da
Profissão". Nesses casos, os princípios éticos passam a ter força
de lei; note-se que, mesmo nos casos em que esses códigos não
estão incorporados à lei, seu estudo tem alta probabilidade de
exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se

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discutam fatos relativos à conduta profissional. Ademais, o seu não cumprimento pode resultar em
sanções executadas pela sociedade profissional, como censura pública e suspensão temporária ou
definitiva do direito de exercer a profissão, situações essas algumas vezes revertidas pela justiça
comum, principalmente quando os "códigos de ética" de certas profissões apresentam viés que
contraria a lei ordinária.

1.2 – CONCEITOS DE ÉTICA

É a ciência do comportamento moral dos


homens em sociedade.

É o conjunto de normas de comportamento e


formas de vida através do qual o homem tende a
realizar o valor do bem.

É um padrão aplicável à conduta de um grupo


bem definido, padrão esse que nos permite aprovar ou
desaprovar agentes e suas ações. (Comissão de Ética
da Presidência da República).

É o conjunto de princípios, valores, costumes, tradições, normas estatutárias e regulamentos


que regem o juízo de conduta do militar. Na Marinha do Brasil esse conceito é entendido como
Ética Militar Naval.

1.3 – MISSÃO CONSTITUCIONAL DAS FORÇAS ARMADAS

As Forças Armadas, essenciais à execução da


política de segurança nacional, são constituídas pela
Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, e destinam-
se a defender a Pátria e garantir os poderes
constituídos, a lei e a ordem. São Instituições
nacionais, permanentes e regulares, organizadas com
base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade
suprema do Presidente da República e dentro dos limites da lei.
Os membros das Forças Armadas, em razão de sua destinação constitucional, formam uma
categoria especial de servidores da Pátria e são denominados militares.
São considerados reserva das Forças Armadas:

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I – individualmente:
a) os militares da reserva remunerada; e
b) os demais cidadãos em condições de convocação ou de mobilização para a ativa;
II – no seu conjunto:
a) as polícias militares; e
b) os corpos de bombeiros militares.
A Marinha Mercante, a Aviação Civil e as empresas declaradas diretamente relacionadas com
a segurança nacional são, também, consideradas, para efeitos de mobilização e de emprego, reserva
das Forças Armadas.
O pessoal componente da Marinha Mercante, da Aviação Civil e das empresas declaradas
diretamente relacionadas com a segurança nacional, bem como os demais cidadãos em condições de
convocação ou mobilização para a ativa, só serão considerados militares quando convocados ou
mobilizados para o serviço das Forças Armadas.
A carreira militar é caracterizada por atividade continuada e inteiramente devotada às
finalidades precípuas das Forças Armadas, denominada atividade militar.
1.4 – PRINCIPIOS ÉTICOS

1.4.1- Diferença entre a ética normativa (institucionalizada) e a ética moral.

A Ética pode ser entendida como a Ciência da Moral. E se divide na ética normativa e na
teoria da moral. A primeira investiga o problema do bem e do mal, estabelece o código moral do
comportamento, identifica aspirações dignas e a boa conduta, e qual o sentido da vida.
Normalmente dá origem a códigos ou estatutos. A teoria da moral enfoca a essência da vida, sua
origem e desenvolvimento, as leis que prescrevem suas normas e a origem e a essência das virtudes,
seu caráter histórico e cultural, distinguindo o indivíduo do grupo. Está relacionada com o
comportamento individual.

1.5 – A ÉTICA MILITAR

O militar deve se esforçar na preservação das manifestações essenciais do valor militar,


estabelecidas no Estatuto dos Militares:
• o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de cumprir o dever militar e pelo
solene juramento de fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida;

• o civismo e o culto das tradições históricas;

• a fé na missão elevada das Forças Armadas;

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• o espírito de corpo, orgulho do militar pela organização onde serve;

• o amor à profissão das armas e o entusiasmo com que é exercida; e

• o aprimoramento técnico-profissional.

Além dessas, inclui-se a “obediência aos superiores” - virtude essencial ao cumprimento


pronto e eficiente das ordens legais dos legítimos superiores hierárquicos. Entretanto, para permitir
desempenhos adequados, deve ser alicerçada num ideal de competência profissional, fundamentada
nas tradições e no espírito de servir ao País, fatores unificadores e motivadores das Forças Armadas.
Consequentemente, a obediência não pode estar subordinada aos prazeres ou às afinidades sociais,
econômicas, políticas ou religiosas de cada indivíduo; deve resultar, sim, de um padrão coerente de
atitudes, valores e visões que fazem parte da ética militar.

1.5.1 – Preceitos da Ética Militar

A Ética Militar Naval é um atributo que induz ao


atendimento das regras de conduta compatíveis com o
comportamento militar naval desejado.

A Marinha precisa de militares, homens e


mulheres, que observem em suas vidas,
permanentemente, os preceitos da ética militar
estabelecidos no Estatuto dos Militares:

a) amar a verdade e a responsabilidade como


fundamento de dignidade pessoal;

b) exercer, com autoridade, eficiência e probidade,


as funções que lhe couberem em decorrência do cargo;

c) respeitar a dignidade da pessoa humana;

d) cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades


competentes;

e) ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados;

f) zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e, também, pelo dos subordinados,
tendo em vista o cumprimento da missão comum;

g) empregar todas as suas energias em benefício do serviço;

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h) praticar a camaradagem e desenvolver, permanentemente, o espírito de cooperação;

i) ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada;

j) abster-se de tratar, fora do âmbito apropriado, de matéria sigilosa de qualquer natureza;

k) acatar as autoridades civis;

l) cumprir seus deveres de cidadão;

m) proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular:

n) observar as normas da boa educação;

o) garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família
modelar;

p) conduzir-se, mesmo fora do serviço ou quando já na inatividade, de modo que não sejam
prejudicados os princípios da disciplina, do respeito e do decoro militar;

q) abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer
natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros;

r) abster-se, na inatividade, do uso das designações hierárquicas;

• em atividades político-partidárias;

• em atividades comerciais;

• em atividades industriais;

• para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou


militares, excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica, se devidamente
autorizado;

• no exercício de cargo ou função de natureza civil, mesmo que seja na administração


pública; e

s) zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes; obedecendo e
fazendo obedecer os preceitos da ética militar.

Além dos preceitos acima elencados, fazem parte ainda, dentre outros, o código de honra
expresso na “Rosa das Virtudes” e os dizeres do juramento à Bandeira.

Todos os preceitos da Ética Militar Naval constituem um poderoso instrumento para o

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exercício da liderança naval e devem, sempre que possível, serem exaltados.

1.5.2 – Deveres Militares

Como estabelecido no Estatuto dos Militares, não deve ser esquecido que “os deveres
militares emanam de um conjunto de vínculos racionais e morais que ligam o militar à Pátria e ao
seu serviço, e compreendem, essencialmente:

• a dedicação e a fidelidade à Pátria, cuja honra, integridade e instituições devem ser


defendidas, mesmo com o sacrifício da própria vida;

• o culto aos Símbolos Nacionais;

• a probidade e a lealdade em todas as circunstâncias;

• a disciplina e o respeito à hierarquia;

• o rigoroso cumprimento das obrigações e das ordens; e

• a obrigação de tratar o subordinado dignamente e com urbanidade.”

1.6 – RESPONSABILIDADE MORAL E LEGAL

Entende-se por responsabilidade a


obrigação de responder por certos atos, próprios
ou de outrem. É inquestionável que sem
responsabilidade não há liderança.

Distinguem-se, nitidamente, dois tipos de responsabilidade: a responsabilidade moral e a


legal.

A responsabilidade moral, conhecida também como senso de responsabilidade, é a capacidade


que o militar deve ter para cumprir as suas atribuições e as que sejam requeridas pela administração
e de assumir e enfrentar as consequências de seus atos e omissões, de suas atitudes e decisões.

A responsabilidade moral não tem limites fixados. Está na consciência de cada um, no senso

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de moralidade, na sua assimilação dos padrões de moral da sociedade, em determinada época e


cultura.

A responsabilidade moral significa um indivíduo senhor de


suas ações, respondendo por elas perante a própria consciência e
de acordo com o padrão de moralidade existente, mesmo sem estar
obrigado a prestar contas por força de lei ou regulamento.

A responsabilidade legal, por sua vez, é a estabelecida por lei ou regulamento, fruto da função
exercida pelo militar.

O líder assume a responsabilidade legal e moral, e tem plena consciência de quando cabem as
duas e em que extensão. Tal fato lhe acarreta dignidade e autoridade moral.

A responsabilidade moral é um processo de avanço na batalha pessoal contra a fraqueza, a


conveniência e a relutância pessoais. Ela traz como recompensa o ganho em força de caráter,
decisão e conquista de confiança quer dos outros, quer de si mesmo.

Um procedimento é considerado moralmente ou eticamente correto não somente por ser fiel
aos regulamentos e manuais, ou seja, ser legal, mas também por ser basicamente forjado no dia a
dia, na rotina de bordo e nos adestramentos, e serem, finalmente, considerados como parte
inalienável de nossas tradições e costumes. Nem todas as decisões envolvem um problema moral ou
ético; inclusive, a maioria é eticamente neutra. Entretanto, isto não significa que devemos
desconsiderar as consequências de nossos atos.

Quando refletimos sobre nossos pensamentos e ações estamos desenvolvendo o senso de certo
e errado, característica fundamental das pessoas eticamente sensíveis, como o são os grandes
líderes.

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CAPÍTULO 2

COMPORTAMENTO MILITAR NAVAL E SOCIAL

2.1 - COMPORTAMENTO SOCIAL

2.1.1 - Breve histórico

Quando se fala em etiqueta, é comum a


associação da palavra a regras restritas aos
extratos mais elevados da sociedade, fora do
alcance da maior parte das pessoas. Por muito
tempo esta foi a ideia de etiqueta, porém, hoje,
deve ser entendida como um importante
elemento de formação individual que engloba
um conjunto de regras e hábitos sociais capaz
de disciplinar a atitude de cada um em relação
ao próximo.

Os indivíduos que sabem se portar em cada circunstância e ocasião acabam se sentindo mais
seguros e proporcionam em seus meios sociais um lugar mais agradável ao convívio e também à
produção. No campo profissional vale ressaltar a importância das boas maneiras para melhorar as
relações no trabalho e a capacidade de representação de instituições pelos indivíduos que as
compõem, principalmente num mundo globalizado.

De pouco adianta um profissional extremamente qualificado, mas que não tenha aptidão para
se relacionar com as pessoas. O ser humano precisa compreender qual o seu grau de
comprometimento e sua inserção social para ter uma melhor qualidade de vida.

As regras de etiqueta variam no tempo e no espaço. As regras mudam conforme as mudanças


da própria sociedade e de sociedade para sociedade porque refletem hábitos, tradições, crenças,
concepções, influências etc.

A palavra francesa étiquette, adotada pelo português, significa rótulo, tarja, bilhete de
qualidade. Desta forma, etiqueta é o resultado de uma boa educação acrescida do bom senso para
discernir e decidir as melhores escolhas.

A etiqueta tem como objetivos: promover maior segurança em situações sociais diversas;
propiciar a melhoria nos relacionamentos interpessoais (convívio social harmônico); promover uma

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maior respeitabilidade entre os membros de uma família ou do trabalho; e promover uma boa
imagem social (fator diferencial entre os indivíduos).

A função básica da etiqueta social é possibilitar um convívio social agradável. Preservar bons
hábitos e costumes pode ser relevante e possibilita que a vida em sociedade seja mais harmônica.

A inspiração da etiqueta está no cuidado e respeito com o próximo, baseada em regras


simples, no bom senso e na cordialidade.

2.2 - CONDUTA ÉTICO-MILITAR E COMPORTAMENTO SOCIAL

Conforme consta na publicação Normas


Para a Conduta Ético-Militar e Atividades
Sociais no âmbito Militar (DGPM-319), o
comportamento militar deverá ser sempre
orientado pelas prescrições constantes do
Estatuto dos Militares, pelos deveres do
pessoal estipulados na Ordenança Geral para
o Serviço da Armada, pelo respeito à
condição do militar, homem ou mulher, pela
dignidade de seu papel na família, pelo seu compromisso profissional, bem como pelas tradições de
disciplina, decoro e dedicação, características da vida naval.

As boas normas aplicadas ao comportamento social estão intimamente relacionadas à conduta


ético-militar e são complementares entre si. São procedimentos e atitudes transmitidas pelos
ascendentes ou adquiridos pela observação rigorosa do que é moralmente aceito no seio de uma
sociedade, na vida familiar e na vida militar.

Os militares da MB devem, em todas as circunstâncias da vida privada e profissional, nas


cerimônias militares e nos eventos sociais, de cunho militar ou não, proceder à constante
autocrítica, pautando seu comportamento pela discrição, elegância, fidalguia e primor em suas
atitudes e maneiras, de modo a zelar pelo bom nome da Instituição e de cada um de seus
integrantes. Nesse sentido, deverá informar-se e observar atentamente as regras de etiqueta
referentes à postura, aos cumprimentos, à linguagem e ao modo de se expressar, aos procedimentos
à mesa, à movimentação no ambiente, aos modos de sentar, evitando todo e qualquer excesso.

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2.2.1-Ética Militar

Segundo o Art.28, da Seção II do Estatuto dos Militares, o sentimento do dever, o pundonor


militar e o decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes das Forças Armadas, conduta moral
e profissional irrepreensíveis, com a observância de alguns preceitos de ética militar, entre eles:
amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal; respeitar a dignidade
humana; zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e físico e, também, pelo dos subordinados;
ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada; proceder de maneira
ilibada na vida pública e particular; observar as normas da boa educação; garantir assistência moral
e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar.

2.3 - EDUCAÇÃO E POSTURA

2.3.1 - Boas maneiras

Etiqueta, boas maneiras e postura são


quesitos aprimorados ao longo da vida, porém,
a base de tudo é a educação. Educação que nos
é ensinada desde tenra idade. Nada é muito
novo: respeitar as pessoas para ser respeitado,
lembrar dos limites, ser gentil, ser agradável
numa conversa, fazer o melhor possível, ouvir
mais em vez de falar e tantas outras
delicadezas pertinentes a uma pessoa educada. Educação não depende de classe social. Uma pessoa
com bons recursos financeiros e status social pode não ser educada e certamente fechará algumas
portas em seu caminho por sua arrogância. Por outro lado, pessoas esforçadas, com poucos recursos,
podem crescer por força de sua educação e bons modos. E num ambiente militar tudo é observado e
até mesmo avaliado.

Este texto servirá como um manual, abordando vários tópicos pertinentes à educação e à
postura, que não devem ser nunca descuidados.

2.3.2 - Inimigos da etiqueta

Existem alguns impasses para a Etiqueta como um todo:

a) Impaciência

Uma pessoa nervosa, que não pode esperar, nem para receber algo e nem para fazer,

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negligencia fatores importantes como a cautela, a prudência, a coerência, a parcimônia, a calma nas
decisões, a firmeza nas atitudes porque faz tudo às pressas ou quer tudo para ontem, sem refletir nas
consequências das escolhas e na qualidade do trabalho desenvolvido. Quando se trabalha numa
equipe, sendo chefe, afoba-se, acaba atropelando-se, levando imensos prejuízos para os
profissionais que ali se esmeram.

b) Intolerância

Um profissional que não tolera nada além das suas ordens restritas, não se abre à
possibilidade do novo, do criativo, do mais produtivo e eficiente, fica limitado à sua própria
fraqueza, e, certamente, nunca será um líder.

c) Egoísmo

O egoísta é alguém que só pensa em si mesmo. Vivemos num meio social, cercados de
pessoas das mais diferentes esferas, com os mais diversos pensamentos e formas de agir. O sujeito
egoísta não vai além dele mesmo, o mundo gira em torno de si. Ele não vê o horizonte, não olha ao
lado, não caminha lado-a-lado com ninguém, é absolutamente solitário. Atropela sentimentos e só
se importa em lucrar nas situações.

d) Arrogância

A arrogância é prima-irmã do egoísmo e da vaidade. Quem acha alguma coisa não tem certeza de
nada. O arrogante acha muito: acha que está certo, acha que sabe fazer melhor, acha que os outros
só erram, acha, acha. A arrogância nada mais é do que uma defesa da incompetência.

e) Vaidade

Quando uma pessoa, por vaidade, faz algo para obter prestígio e reconhecimento, desprezando o
trabalho e o esforço de muitos ao redor, desqualifica todo o serviço.

f) Ostentação

Eu é uma palavra muito pequena para significar tanta coisa. Eu faço, eu consigo, eu quero,
eu posso, eu exijo, eu sou, eu tenho... Porém, tudo piora quando aliado ao pronome eu vem o mais:
eu faço mais, eu consigo mais, eu quero mais, eu posso mais, eu exijo mais, eu sou mais, eu tenho
mais. Existem pessoas que numa conversa informal cortam assuntos para introduzir o “eu”, seguido
da ideia de sempre algo melhor ou maior. Talvez, para disfarçar a pequenice que deve ser a vida
delas.

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g) Excesso de intimidade e naturalidade

Sempre se peca nos extremos: excesso ou nada. Em relação à intimidade, o excesso


transgride o limite alheio e pode acabar constrangendo. Assim como a naturalidade excessiva. O
meio social nos obriga a regras de convívio e educação, a questões éticas e morais, leis e costumes.
Portanto, para usufruir direitos é necessário cumprir os deveres. Não se pode tudo, em qualquer
tempo, em qualquer lugar, para qualquer um. O respeito é fundamental em todas as relações sociais,
é preciso saber medir a magnitude dos comportamentos e assumir a consequência de todos os atos.

2.3.3 - Onde começa a etiqueta

O princípio da etiqueta é o respeito ao próximo, logo: nunca entre num ambiente sem
anunciar-se, podem estar tratando assuntos confidenciais, segredos de família ou outros que podem
não lhe dizer respeito; não se comunique aos brados, nem murmurando, você tem que se comunicar
de forma clara, objetiva e sem insinuações; seja pontual (especial atenção em cerimônias militares e
à chegada de autoridades), afinal contam com todos para o início de uma solenidade, evento,
refeições, reunião, casamento etc; evite invasão de privacidade de qualquer espécie:

• nunca leia correspondências de outros;

• nunca mexa em “material alheio” sem expresso consentimento;

• não ouça conversa de terceiros;

• não abra outra geladeira que não a sua.

2.3.4 - Cuidados Importantes

a) Uso de perfumes

Perfume é algo particular, não público. Cada pessoa tem um gosto.


Não se deve saturar um ambiente com o seu cheiro, pois se todos sentiram
o perfume é porque está forte, exagerado. Lembre-se da questão do limite.
O mesmo deve ser em relação ao desodorante, loção de barba, cremes de
beleza etc. O perfume deve ser agradável ao chegar perto. Quando bom,
faz lembrar uma pessoa, um ambiente, uma geração, uma época da vida, logo, não transforme uma
lembrança num desastre.

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a) Fumo

Lembre-se de que o fumo é um vício pessoal, não um castigo


coletivo. Se você fuma, deve ter alguns cuidados importantes,
como não fumar em lugares públicos, perto de gestantes, durante
um evento ou refeições etc. O hálito de um fumante não é muito
agradável, portanto procure por pastilhas para amenizar o cheiro.
O fumante fica com as roupas mal cheirosas, o cabelo fedido, as
mãos meio amareladas e a saúde totalmente prejudicada. Se você fuma, repense este hábito.

Quando a necessidade de fumar for irresistível e nos locais onde for permitido, peça licença às
pessoas com quem estiver conversando, principalmente às senhoras, antes de acender um cigarro.
Em ambientes militares, em que for permitido o fumo, peça permissão ao mais antigo presente antes
de acender um cigarro.

b) Uso de óculos escuros

Óculos escuros servem para proteger os olhos do sol e ponto. É


uma indelicadeza conversar com uma pessoa usando óculos escuros,
isto porque você não vê os olhos de quem fala e não tem certeza para
onde ela está olhando. Ao conversar, retire os óculos e os reponha
quando a conversa terminar. Se você sofre de algum mal e precisa
usar os óculos escuros regularmente, peça desculpa pelo
inconveniente. Após o sol se pôr não se tem motivo para continuar usando os óculos escuros.

Em ambientes militares só devem usar óculos escuros os que tiverem problemas de fotofobia
ou estiverem com recomendação médica. De qualquer forma, em ambos os casos, só será permitido
seu uso com autorização do Comando.

c) Bocejos

São imperdoáveis em qualquer circunstância. Em


formaturas militares são inaceitáveis, em sala de aula são de uma
grosseria sem igual para com o professor/ instrutor, em eventos e
refeições são da maior indelicadeza. Todos os exemplos são para
explicar que não se deve bocejar em hipótese alguma. Mas,
quando eles simplesmente acontecem, o que fazer? Deve-se pedir desculpas, colocar a mão na

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frente da boca e tentar o uso da técnica de apertar a língua sob o céu da boca com força. Se puder se
ausentar por alguns instantes, procure um lugar para lavar o rosto.

e) Chicletes

O hábito de mascar chiclete não é elegante, reserve este hábito para


ambientes mais descontraídos e informais. Mascar deve ser com a boca
fechada, afinal você não é um camelo! Quando você fala com alguém
mascando um chiclete, a pessoa com quem você fala não consegue
prestar atenção ao que você diz, pois a atenção fica condicionada aos
movimentos com o chiclete. No final você falou sozinho porque o outro não entendeu nada do que
você disse e ainda deve estar distraído, procurando o chiclete em sua boca.

f) Guarda-chuva

O guarda-chuva serve para proteger você da chuva, então não converse


mexendo-o, apontando-o (caso ele seja grande e pontudo), revirando-o. Isto
incomoda, atrapalha e pode até machucar alguém. Os militares fardados,
geralmente, não usam guarda-chuva, mas, sim, capa de chuva.

g) Não fure filas

Dizem que furar filas é uma mania de brasileiro. Mentira. Isto é mania de pessoas mal
educadas, seja de qualquer naturalidade e sob qualquer pretexto (até de antiguidade).

Se você estiver numa fila e chegar algum militar mais antigo, você deve, por cortesia, ceder
seu lugar a ele. Mas não insista: se ele não quiser, seja cortês e mantenha seu lugar.

h) Limpe o nariz no banheiro!

Limpe o nariz em casa, no banheiro, sozinho, com a porta fechada.


Ninguém precisa ver. Se você precisar limpar num momento inoportuno,
procure um sanitário para resolver seu problema, mas nunca com o dedo
encravado dentro do nariz!

2.3.5 - Postura e Elegância

a) Mantenha uma postura adequada a cada ambiente.

Viver bem começa por sentir-se bem. E postura é fundamental. Costas retas, queixo erguido,
elegância e fluidez no andar.

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Em cada ambiente você se colocará de forma diferente: uns formais, outros mais informais,
mais descontraídos, outros relaxados etc. O importante é saber como se portar em cada momento,
na apresentação com as pessoas com as quais você se relaciona.

b) Costas retas, mãos, como sentar-se, como ficar em pé, olhos nos olhos.

As costas devem ficar retas, mas não esticadas demais,


causando uma sensação de artificialidade. As mãos podem
revelar muito de nós: insegurança, timidez, confiança, alegria,
entusiasmo e tristeza, pela forma como gesticulamos. Porém, é
perfeitamente possível treinar para aprender a usar os gestos com
moderação. Ombros erguidos e braços pendentes com suavidade, as mãos devem ficar à frente do
corpo, podendo ficar uma sobre a outra. Evite balançá-las, prendê-las, imitar um açucareiro, enrolar
os cabelos ou roer unha!

Ande com naturalidade e sente-se confortavelmente com as pernas fechadas, cruzando-as sem
encostar nos outros. Os homens devem ter atenção à sola do sapato que não deve ficar à mostra.

Ao parar em pé, o ideal é apoiar o peso do corpo nas duas pernas porque transmite uma
sensação de tranquilidade e segurança, tornando a conversa mais agradável, além de preservar a
coluna.

Em ambientes militares observe antes: se existem mais antigos sentados, se é permitido


sentar no momento, se existem mais antigos em pé a procura de assentos, onde se localiza seu
círculo hierárquico etc.

O olhar é muito importante. O primeiro contato deve transmitir simpatia, interesse e


confiança. As pessoas sentem a diferença entre um olhar caloroso e um olhar indiferente. Outro fato
marcante em relação aos olhos: ao falar com alguém mantenha sempre contato com os olhos,
transmita segurança, firmeza nas atitudes, convicções e decisão. Não use o choro como defesa para
seus erros ou incompetência, principalmente em ambiente militar. Assuma seus erros e possíveis
deslizes com um “desculpa, vou me esforçar, vou providenciar”, é mais digno.

Mantenha também uma certa distância das pessoas ao falar. Nem muito longe, criando
uma verdadeira barreira para o entendimento, nem muito perto, invadindo a intimidade do
outro. Evite toques, puxões, segurar a pessoa com quem conversa e respingar saliva devido ao
entusiasmo do assunto.

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d) Palestras em presença de militares de maior precedência

Atenção com o horário de chegada, com o lugar de sentar, com seu comportamento e com os
bocejos.

2.3.6 - Afabilidade

a) Simpatia: é fundamental em qualquer situação, aproxima as


pessoas e torna a convivência mais fácil;

b) “Palavras Mágicas”: “obrigado(a), desculpe e por favor”.

Estas expressões podem transformar o mundo num lugar melhor


para viver. Abuse delas e você só ganhará;

c) Saber perdoar: ninguém é perfeito, nem você. As pessoas que


erram tentaram acertar e isto é que torna o processo válido. Confusões, enganos acontecem e, se
viram problemas, terão solução. “Tem poder quem também sabe perdoar”, seja tolerante;

d) Bom humor: sorria, mantenha o astral nas nuvens. Isto


transforma qualquer ambiente, melhora os relacionamentos, o modo de ver o mundo e os
problemas, e você ainda ficará jovem por mais tempo; e

e) Gentileza: ser gentil é diferente de ser cortês, afável ou


simpático. É mais sutil, é estar mais atento aos pequenos problemas cotidianos dos outros e fazer o
possível para amenizá-los.

2.4 - REUNIÕES, ENCONTROS E CERIMÔNIAS: AMBIENTE CIVIL E MILITAR


2.4.1 - Tradição

A Publicação “Normas a Respeito das Tradições Navais, do


Comportamento Pessoal e dos Cuidados Marinheiros” (EMA-
207) ressalta que algumas tradições e costumes derivam dos
fundamentos militares da hierarquia e disciplina, binômio este
considerado a base institucional das Forças Armadas. Entende-se
por hierarquia a ordenação da autoridade em níveis diferentes, por postos ou graduações e, dentro
de um mesmo nível, pela antiguidade relativa de cada militar. O respeito à hierarquia é
consubstanciado no espírito de acatamento à sequência de autoridade. Disciplina é a rigorosa
observância e o acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições que fundamentam

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o organismo militar e coordenam seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo


perfeito cumprimento do dever por parte de todos os seus componentes.

As tradições navais remontam aos primórdios da navegação à vela, quando se mantinham um


conjunto de práticas, normas de cortesias, saudações, valores éticos e morais, honras, sinais de
respeito, em uso nas marinhas de guerra. As tradições navais devem ser cultivadas por todos, num
ambiente de respeito e cortesia de todos os militares para com seus superiores, em todas as
circunstâncias. A espontaneidade e a correção dos gestos, atitudes e procedimentos são indicadores
não só do grau de disciplina, mas também da educação moral e militar dos componentes de uma
organização. Desta forma, os usos, costumes e tradições navais compõem a Etiqueta Naval.

2.4.2 - Reuniões, Encontros e Cerimônias

a) Nunca apareça em casa alheia sem prévio contato: se quiser fazer uma visita, ligue antes
para ver se a pessoa tem algum compromisso ou se está disposta a atendê-lo. Não apareça de súbito.
Se for uma visita a uma Organização Militar (OM), ligue com antecedência para verificar a
possibilidade da visita, se o dia e a hora são adequados, se a OM tem alguma solenidade, qual o
uniforme adequado e se os militares estão disponíveis para atendê-lo.

b) Em reuniões, dê atenção a todos: se você convida ou foi convidado para algum evento,
procure conversar com todos, circular pelo ambiente, evitando patotas. Na hora de sentar, não
marque seu lugar antecipadamente, fechando um círculo de companheiros.

c) Em visita de pêsames ou a doentes, seja breve: evite comentários e detalhes sobre a


doença/morte, machucando as pessoas que estão doloridas pela doença ou pela perda de alguém
querido. Em enterro/missa, evite roupas e acessórios extravagantes. Seja discreto, coerente com a
ocasião, respeite a dor alheia;

d) Apresentação: um homem sempre se levanta ao ser apresentado a uma mulher, a um


homem mais velho ou a um superior hierárquico. Em sociedade, a mulher tem precedência sobre o
homem. O subordinado, homem ou mulher, é sempre apresentado ao superior hierárquico. A
iniciativa de estender a mão para o cumprimento deve partir sempre da pessoa mais importante, da
mulher, da pessoa mais velha ou do superior hierárquico. As apresentações devem ser feitas
indicando os nomes completos; e

Despedidas: nestas ocasiões aguarde que o dono da casa abra a porta. Se você é militar,
aguarde o mais antigo se retirar ou dar a permissão para sair. Caso tenha que sair antes, peça

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permissão a ele com uma pequena justificativa, sem entrar em detalhes.

2.4.3 - Auditório

Todos os militares, quando em cerimônias, palestras ou eventos


em auditórios devem se portar de maneira educada: prestar atenção
ao que está sendo explanado e não conversar paralelamente. Os celulares
devem ser desligados ou mantidos no modo silencioso. É importante
também que demonstrem interesse no assunto e, ao final da apresentação,
levantem questões pertinentes, inteligentes e adequadas ao palestrante.

2.4.4 - Na Marinha do Brasil

Sempre baseado no princípio da hierarquia:

a) Os mais modernos sempre cedem lugar aos mais antigos, abrem a porta aos mais antigos,
cedem passagem a eles e levantam-se na sua presença;

b) Em cerimônias, as autoridades se apresentam de acordo com a antiguidade, os mais


modernos chegam antes que os mais antigos; e

c) Se você é militar e chegou num evento onde tenha um militar mais antigo, é mandatório ir
cumprimentá-lo.

2.5 - SALÃO DE RECREIO E REFEITÓRIO

2.5.1 – Salão de recreio

É o local de lazer dos Cabos e Marinheiros a bordo, normalmente dotado de aparelhos de


televisão e som, local destinado à leitura e a jogos lícitos, como jogos de damas, xadrez, dominó,
pebolim (totó), sinuca, etc. Ali também são realizadas algumas cerimônias de confraternização,
como: embarques, desembarques, promoções etc.

Apesar de ser um lugar de descanso e lazer, não se esqueça que você é um militar dentro de
uma organização militar, sujeito a todas as normas e regulamentos (disciplina) e convivendo com
militares mais antigos (hierarquia).

Procure preservar o compartimento, o mobiliário e os equipamentos. Lembre-se de que esse


espaço existe para o seu lazer, e que um local limpo, adequadamente mobiliado e dotado de
equipamentos destinados à diversão funcionando adequadamente irá tornar a sua estadia a bordo
mais agradável.

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2.5.2 – Refeitório ou coberta de rancho

É o local onde são feitas as refeições. Normalmente, denomina-se refeitório nas Organizações
Militares (OM) de terra e coberta de rancho nos navios.

São dotados de balcões térmicos, do tipo self-service.


Normalmente, o almoço e o jantar são divididos em “rancho para
serviço”, destinado aos militares que entrarão de efetivo serviço, e
“rancho geral”, para os demais militares. Na maioria das organizações
militares, é respeitada a ordem de chegada, por graduação, controlada
por um militar de serviço com a função de manter a ordem na entrada do rancho.

Durante a refeição, procure não falar com um tom de voz muito alto, respeitando seus
vizinhos. Considerando que o próprio militar se serve, procure colocar no prato/bandeja a
quantidade de alimentos que realmente irá consumir, diminuindo, deste modo, o desperdício.

Não esqueça de que estará ranchando com militares de graduação superior, visto que o
refeitório/coberta de rancho também é destinado aos cabos, deste modo, tenha atenção à disciplina e
à hierarquia.

As mesas de rancho da guarnição serão chefiadas pelo mais antigo de cada uma delas,
cabendo-lhe manter a ordem na mesa.

2.6 – POSTURA À MESA

A maneira como você se senta e se coloca à mesa torna-se um


fator diferencial de civilidade. Manter o corpo nem muito próximo
nem afastado da borda da mesa é a postura correta ao sentar. As mãos
ficam colocadas sobre a mesa, com os braços apoiados e não os
cotovelos. As costas apoiam-se levemente no encosto da cadeira.
Você deve se inclinar ligeiramente e não se curvar em direção ao prato. Os cotovelos devem
permanecer junto ao corpo sem bater nos vizinhos da mesa. Cuidado com as pernas, pois elas não
devem bater nos demais ocupantes da mesa, ficar esticadas ou balançando. Se precisar de algo que
esteja fora do seu alcance, peça gentilmente ou peça desculpa pelo inconveniente. Gestos
expansivos na mesa não são de bom tom, dedinhos levantados ao levantar xícaras são desastrosos e
assuntos íntimos têm lugar e hora para serem discutidos. Dê atenção a todos os vizinhos na mesa,

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mantendo uma conversa sadia e agradável e corrija-se quando cometer uma indelicadeza.

Algumas recomendações nunca são demais: comer sempre de boca fechada, as garfadas são
decentes, sem entupir a boca com alimentos, não cuspa no prato ou no talher que está comendo, não
deseje “saúde” a alguém resfriado, não cutuque o nariz à mesa, seja cortês, gesticule
comedidamente, não faça comentários maldosos, respeite a todos e, acima de tudo, aproveite!

Palito é uma heresia à etiqueta. Ele não aparece em mesas finas, pois seu uso é um ato
privado e contestado por dentistas, por isso foi abolido terminantemente das boas
maneiras.

O comportamento nos serviços de bufê exige controle e atenção. Siga a fila e respeite as
pessoas. Não misture tudo no prato e nem embaralhe os talheres de servir nos recipientes. Ao
compor seu prato principal, faça-o harmonizando os alimentos, podendo servir-se novamente, se
assim desejar. Sirva-se comedidamente e siga para mesa segurando firmemente o prato, sem deixá-
lo cair. Com as sobremesas é um pouco diferente: você pode agrupar até três tipos delas.

Simpatia e boa aparência contribuem muito para causar boa impressão, mas, sem boas
maneiras à mesa, toda impressão inicialmente favorável se desvanece. O comportamento ao comer
é um teste infalível do grau de civilidade de uma pessoa, pois o manuseio com os talheres e a
postura durante uma refeição falam mais que palavras.

Apenas alguns pratos devem ser comidos com as mãos, como, por exemplo: frango a
passarinho, asinha de frango, costeletinha de porco e espiga de milho. Em geral, os talheres devem
ser sempre utilizados durante as refeições.

A bebida servida não deve ser para saciar a sua sede nem para empurrar os alimentos,
fazendo-o virar o copo. Tenha compostura! Saboreie-a em pequenos goles sentindo seu sabor.

O domínio da etiqueta à mesa é cheio de pequenos gestos e atitudes, frutos de um longo


aprendizado, que não deve ser esquecido, negligenciado ou desleixado, pois estamos a todo instante
sendo observados, mesmo que a distância.

O importante é que comportamentos inapropriados podem e devem ser modificados. Mesmo


só com observação, aprendemos regras de conduta com pessoas mais experientes. Desta forma,
boas maneiras à mesa são regras de civilidade praticadas diariamente para que possamos assumir,
com o tempo, uma postura correta e natural, sem artificialidades, tanto em família com em
ambientes mais refinados que exigem mais cerimônias. A naturalidade e espontaneidade nas

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atitudes transmitem confiança, tornando o ambiente mais descontraído e aprazível.

Em resumo:

DURANTE a refeição:

✔ Atenção à postura;

✔ Cuidado com os cotovelos;

✔ Ao tomar sopa, cuidado com ruídos;

✔ Não mastigue de boca aberta e não fale de boca cheia;

✔ Come-se pão/ torrada com as mãos;

✔ Antes de beber água/comer pão, descanse os talheres; e

✔ Antes de levar o copo/taça à boca, limpe os lábios com o guardanapo.

2.6.1 - Imprevistos

Para tratar os imprevistos: fique calmo e seja discreto. Às vezes, por sua postura, mesmo que
o imprevisto seja grande, poderá passar despercebido. Tudo depende da forma como você o tratar.
Aja sempre com discrição.

2.6.2 - Inconvenientes

Com os inconvenientes a situação muda um pouco. Se uma pessoa está sendo inconveniente
com você, seja discreto e afaste-se. Se você perceber que alguém está sendo vítima de um
inconveniente, disfarce e tente apaziguar a situação, afastando as pessoas e, na pior das hipóteses,
peça para o “engraçadinho” se retirar.

2.7 – CUMPRIMENTOS MILITARES E SOCIAIS

2.7.1 - Cumprimentos militares e sociais

2.7.1.1 – Cumprimentos Militares

Quando fardado, a saudação militar a outro militar é a continência, em postura marcial. Deve
ser feita com: elegância, energia, franqueza, correção e vivacidade. Os três elementos da
continência são: atitude, gesto e duração.

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A saudação militar nasceu nos tempos medievais. Os


cavaleiros costumavam se apresentar ao Rei antes das batalhas. Sua
Majestade queria ver nos olhos dos soldados "o brilho da confiança
e do amor ao Rei". Como estavam sempre de armadura, os
soldados eram obrigados a levantar a viseira que lhes cobriam os olhos. Faziam isso com a mão
direita, pois a esquerda conduzia a espada. Desde então, em respeito às autoridades, surgiu o sinal
de continência.

Como mostrado anteriormente, quando fardado, a saudação militar a outro militar é a


continência, em postura marcial. Admite-se o aperto de mão após a saudação militar, desde que a
iniciativa para tal tenha sido tomada pelo superior hierárquico. Ao cumprimentar um civil, o militar
fardado poderá fazer-lhe uma continência, como cortesia, além de lhe dar o usual aperto de mão, ao
que se descobrirá, em se tratando de uma senhora. Se for uma militar, não se descobrirá para efetuar
qualquer cumprimento.

No exercício de suas atribuições, fardado ou à paisana, é vedado ao pessoal militar qualquer


intimidade ou manifestação de respeito, apreço, sentimentos ou cumprimentos que não estejam
previstos nos regulamentos. Deverão ser evitadas demonstrações excessivas de afetividade, que
contrariem a ética, a moral, os bons costumes e o pundonor militar (DGPM-319).

Não estão autorizados os seguintes atos: “abraçar-se”, “beijar-se” ou outras manifestações


afetivas ou cumprimentos não previstos como saudação entre militares ou entre estes e indivíduos à
paisana, militares ou não.

2.7.1.2 – Cumprimentos Sociais (em ambiente civil e sem uso de farda)

Como fazê-los:

A maneira como tratamos as pessoas revela a nossa educação. Qualquer que seja o
cumprimento, deve ser honesto. O cumprimento pode ser um aceno, um aperto de mão, um beijo na
mão ou uma troca de beijos.

O aperto de mão deve ser equilibrado: nem frouxo nem apertado. O beijo é uma forma
educada de cumprimento na nossa sociedade. Às vezes diferem na quantidade, no lugar a ser
beijado, na forma ou na execução. Todo cumprimento deve dizer algo de positivo, como “bom dia,
boa tarde, como vai, seja bem-vindo, entre, sente, olá” etc.

a) Aperto de mão

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O aperto de mão deve ser forte e firme. Não precisa


esmigalhar a mão do outro ou segurá-la indefinidamente. Por
outro lado, não segure a mão de uma pessoa como se não tivesse
firmeza do propósito e segurança em suas atitudes. O aperto deve
ser rápido, forte, firme, seguro e sincero, demonstrando estima e
confiança. Durante o aperto de mão, não se deve sacudir o braço e nem deixá-lo esticado. O
cotovelo deve estar ligeiramente flexionado, formando um ângulo de noventa graus. O outro braço
deve estar estendido ao lado.

Não se deve estender a mão quando se está à mesa, pois se pressupõe que as pessoas tenham
lavado as mãos antes da refeição. Também não se deve estender a mão para enfermos.

b) Beijo social

Os beijos devem ser rápidos, naturais e sem marcas no rosto. Para as mulheres, atenção ao uso
de batons que mancham a pele e aos beijos melados.

2.7.2 – Apresentações

a) As apresentações devem ser feitas indicando os nomes completos;

b) Os mais jovens são apresentados aos mais velhos, assim como o mais moderno (seja
homem ou mulher) ao mais antigo;

c) O homem é apresentado à mulher (a iniciativa do cumprimento é da mulher);

d) Mulher solteira é apresentada à mulher casada;

e) Deve ser feita pelo anfitrião; e

f) O homem sempre se levanta para cumprimentar.

2.8 – CONVERSAÇÃO

a) Atenção ao excesso de gestos, tom de voz, expressões, saber o que falar, saber,
principalmente, ouvir. Aprenda a não interromper as pessoas e a ouvi-las atentamente;

b) No meio social: é facultativo à mulher permanecer sentada enquanto o homem fica de pé;

c) Em ambiente militar: independentemente do sexo, caso o mais antigo esteja de pé, é


mandatário que o mais moderno também esteja;

d) Adeque o vocabulário e a informação a cada grupo (evite maneirismos, gírias,

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obscenidade);

e) A formalidade está relacionada ao nível de intimidade com os convidados. Evite excessos;

f) Evite falar de: doenças, problemas íntimos, consultas profissionais, piadas;

g) Não entre em seara religiosa, política e esportiva (evite conflitos com os convidados); e

h) Seja discreto e não seja arrogante nem maledicente.

2.9 – FOTOGRAFIAS

Saiba o que fotografar, se o momento é oportuno, se é permitido, se tem permissão. Não use
fotos de terceiros sem a devida concordância. Cuidado com as exposições na internet e com as fotos
pessoais trazidas a bordo.

2.10 – TELEFONEMAS

É importante saber:

a) Horário indesejável: antes das 9h e após as 22h, durante o


almoço/jantar;

b) Se o assunto for longo, pergunte antes se a pessoa tem tempo;

c) Em caso de chamadas de longa distância, não prolongue a conversa;

d) Se o telefone não se encontra em lugar privado, as pessoas próximas devem evitar ouvir o
diálogo e, por elegância, devem abaixar o tom de voz;

e) Em ambientes públicos ou no trabalho, evite conversas longas;

f) Não use o celular em cinemas, teatros, reuniões, auditórios, salas de aula etc;

g) Os celulares em ambientes militares devem ser desligados ou colocados no modo vibrar


durante cerimônias, palestras ou em presença de autoridades;

h) Se alguém liga para fazer um convite, não prolongue a conversa;

i) Se alguém ligar e a pessoa procurada não puder atender, anote o recado; e

j) Nos e-mails mantenha um nível inteligente de conversa (Netiqueta).

Na Marinha do Brasil: o mais moderno aguarda na linha até que o mais antigo atenda,
não deixando que o militar de maior precedência aguarde na linha.

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2.11 – SÍTIOS DE RELACIONAMENTO SOCIAL

De forma a minimizar a exposição da MB e de seu pessoal, os militares


devem seguir as seguintes orientações (DCTIMARINST Nº 31-01, 2009):

a) nunca postar ou publicar informações sigilosas da MB ou pessoais;

b) nunca nomear ou utilizar, na titulação do grupo, símbolos, siglas, brasões, indicativos ou


nome de OM da MB;

c) nunca postar informação que possa ser explorada em ação contra o pessoal ou contra a MB;

d) nunca postar nada que não queira que se torne público. Todas as informações veiculadas
em sítios de relacionamento devem ser consideradas como públicas;

e) ter o mesmo comportamento dentro do sítio de relacionamento que se tem quando em uma
reunião social com presença física;

f) seguir os padrões de comportamento navais orientados pelos bons costumes;

h) limitar a quantidade de informação pessoal postada;

i) lembrar que a internet é pública;

j) desconfiar que algum componente possa ser um estranho;

k) cuidado ao falar com estranhos em chats, blogs, comunidades;

l) não participar de comunidade virtual criminosa que “odeia” alguma coisa, pois se a mesma
for investigada por conduta indevida ou pratica de crime, todos os participantes podem ser
envolvidos;

m) não acreditar em tudo que se lê online;

n) manter os grupos sempre fechados e protegidos por fortes senhas de forma a restringir o
acesso às informações somente ao pessoal do grupo;

o) não criar grupos sociais vinculados ou que denotem vínculo à Marinha ou suas OM; e

p) usar e manter os antivírus e sistemas operacionais atualizados.

OSTENSIVO -2-18- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

2.11.1 – Cuidados com a exposição pessoal na internet

Uma vez interligado à internet, o usuário tem, virtualmente, acesso a


diversas informações contidas em redes de computadores em todo o mundo,
mas, a recíproca também é verdadeira, ou seja, informações sobre sua vida
tornam-se públicas de maneira descontrolada.

Privacidade: palavra valorizada por muitos, desconhecida por outros. Tem gente que
simplesmente não teme em se expor. Para elas, existe um mundo ideal, onde a discrição não tem
vez. A internet é um mundo infinito, onde cada palavra também é eterna. Caiu na rede, é de todos.
Cuidado: pode ser usado contra você no futuro.

Quem usa, sabe ou deveria saber que a internet não perdoa. Ela registra tudo: fotos,
mensagens, blogs... Os arquivos digitais são públicos e, atenção, permanentes. A internet não
esquece. Um comentário malicioso sobre uma pessoa, uma foto inadequada, um posicionamento
contrário aos bons costumes fica eternamente e pode, inclusive, ter consequências judiciais.

2.11.2 – Agradecimentos

Ao fazer um agradecimento, tenha em mente para quem o está fazendo. Se for um


agradecimento para autoridade, mantenha as formas adequadas de tratamento e seja objetivo. Seja
claro, sucinto, muito respeitoso e siga o protocolo e trâmites administrativos cabíveis.

2.12 – VESTUÁRIOS E TRAJES

"A carreira militar não é uma atividade inespecífica e descartável, um simples emprego, uma
ocupação, mas um ofício absorvente e exclusivista, que nos condiciona. Ela não nos exige as horas
de trabalho da lei, mas todas as horas da vida, impondo-nos também nossos destinos. A farda não é
uma veste, que se despe com facilidade e até com indiferença, mas uma outra pele, que adere à
própria alma, irreversivelmente para sempre".

2.13 – UNIFORMES E TRAJE CIVIL

A correção do uniforme militar nunca é excessiva. O andar


corretamente trajado, de acordo com o RUMB (Regulamento de
Uniformes da Marinha do Brasil), é uma obrigação do militar.
Para os homens, a barba bem feita e os cabelos cortados são
essenciais.

OSTENSIVO -2-19- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

Sendo assim, um militar não deve ceder espaço ao desleixo, mantendo sua dignidade em
todos os momentos, tanto fardado como à paisana.

Todo militar deve ter uma andaina completa de uniformes. Os uniformes diários devem
ser trocados e lavados sempre que necessário. Ter mais de uma peça a bordo é bem aconselhável.
Em casos de acidentes, o uniforme deve ser trocado assim que possível. Com o tempo, o tom do
uniforme, devido à exposição e às lavagens constantes, acaba se modificando. Repare
constantemente seu uniforme e observe se a sua coloração não está destoando dos demais.

No RUMB existe a correspondência entre os uniformes das Forças Armadas e entre estes e as
roupas civis.

2.13.1 – Comportamento de militares uniformizados em cerimônias e eventos sociais

Em cerimônias militares e eventos sociais, o comportamento de militares da ativa


uniformizados deve estar baseado nas normas e regulamentos vigentes, tais como:

a) saudações entre militares fardados por meio de continência ou aperto de mão, se a


iniciativa do cumprimento de estender a mão for do mais antigo;

b) apresentação pessoal com o devido apuro e utilização de uniformes em alinho e de acordo


com as normas em vigor, contribuindo para a compostura social, a saber:

I. atenção ao uniforme previsto para o evento;

II. uniformes bem passados e com as cores corretas, isto é, calça e camisa da mesma tonalidade;

III. calças em comprimento regulamentar, sem estarem apertadas no corpo;

IV. camisas sociais com colarinhos fechados e bem ajustados;

V. sapatos com as cores corretas, sem estarem desbotados;

VI. barba, costeleta e pé do cabelo devem estar bem feitos; e

VII. lenço e gola de marinheiro alinhados.

Nas cerimônias em que o militar comparecer como convidado ou acompanhante de parente,


cônjuge, companheiro ou pessoa de seu relacionamento afetivo, também militar, deverá fazê-lo no
uniforme previsto para a cerimônia, no caso de pertencerem ao mesmo Círculo (Círculo de oficiais
e praças). Quando os militares forem de círculos diferentes (Círculo de oficiais e praças), aquele
que comparecer na condição de convidado deverá fazê-lo em traje civil.

OSTENSIVO -2-20- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

2.13.2 – Traje civil

Para cada ocasião há um traje e uma forma de se vestir. Tudo deve ter coerência e o senso
crítico é essencial (adequando tipo físico, estilo, ocasião, clima, horário).

A indumentária (vestuário) tem forte poder de influência nos contatos sociais e profissionais.
Toda pessoa bem vestida tem melhor performance, impõe respeito, é bem tratada e bem atendida, e
recebe atendimento preferencial.

Ao escolher seu guarda-roupa, leve em consideração o seu tipo físico, idade e personalidade.
Você não é obrigado a vestir determinada roupa só porque está na moda. Estar na moda nem sempre
significa estar bem vestido. A vestimenta também muda de acordo com a situação, o lugar, o horário
e a companhia. Você pode ter um armário diversificado e saber usar adequadamente as roupas. As
roupas não precisam ser de grife, mas de bom gosto. A combinação e o saber usá-las é que faz a
diferença. Por fim, a postura correta e os movimentos harmoniosos valorizam todo o conjunto.

Desta forma, Elegância é o conjunto harmonioso de gestos, atitudes, expressões, palavras,


tom de voz, procedimentos civilizados, normas de conduta, postura física e de vida, bom gosto,
senso, discrição etc. Quem tem de ser sensual é você e não sua roupa. A roupa deve ser um
instrumento para provocar a imaginação e não os sentidos.

2.14 - CUIDADOS IMPORTANTES COM OS TRAJES

a) Use no máximo três tons de cores diferentes;

b) Evite estampas diferentes e/ou animalescas;

c) Cuidado com as bainhas das calças;

d) Abrigos de moletom só devem ser usados para a prática de exercícios;

e) Evite deixar que peças íntimas fiquem à mostra;

f) Cuidado com as botas e óculos escuros;

g) Roupas apertadas NÃO são sensuais, nem charmosas e muito menos elegantes;

h) Os cabelos devem estar penteados de acordo com a ocasião;

i) Para os homens: usando um traje mais fino, a meia combina com o sapato. Já com traje
esporte, a meia pode combinar com a camisa;

j) Sempre verifique suas roupas antes de vestir, pode estar faltando um botão, estar

OSTENSIVO -2-21- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

manchada, desfiada etc; e

k) Confira seu desodorante, seu zíper e seu hálito.

2.15 – CAVALHEIRISMO X HIERARQUIA

Quando primeiro usado, o termo “cavalheirismo”


significava habilidade em lidar com cavalos. O guerreiro de
elite da Idade Média se distinguia dos camponeses, clérigos e
deles mesmos por sua habilidade como cavaleiro e guerreiro.
Cavalos fortes e velozes, armas bonitas e eficientes, e
armaduras bem-feitas eram o símbolo de status.

Por volta do século XII, o cavalheirismo se tornou um estilo de vida. As principais regras do
código de cavalaria eram as seguintes: proteger as mulheres e os fracos; defender a justiça contra a
injustiça e o mal; amar sua terra natal e defender a Igreja, mesmo com risco de morte.

2.15.1 - O que faz um cavalheiro

Cavalheiros abrem a porta do carro para as senhoras entrarem


e saírem; protegem as mulheres nas escadas; ao caminharem
zelam pelo amparo das mulheres; no restaurante, provam
elegância; são sempre solícitos e bem-humorados; no táxi, as
senhoras sentam do lado esquerdo e os homens à direita; nas
escadas, cuidam para que as mulheres não caiam, servindo de amparo tanto na subida como na
descida. No restaurante, os cavalheiros puxam a cadeira e a ajeitam delicadamente para as senhoras
se sentarem.

Na relação entre um casal, o homem deve tratar com deferência sua mulher, principalmente
em público, e vice-versa. Havendo contenda, não deve pedir a opinião de terceiros, o que é
constrangedor. Estando ambos em casa de amigos, mesmo que não se deem bem, devem ser gentis.
A delicadeza é imperiosa.

2.15.2 - Cavalheirismo X Hierarquia

Um homem cavalheiro, educado, prestativo e gentil com as mulheres não deve se descuidar e
romper com o princípio da hierarquia militar. Ser mulher nas Forças Armadas não garante sua
hierarquia superior aos homens.

OSTENSIVO -2-22- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

Ao ceder um dos costumes do cavalheirismo a uma mulher mais moderna, perante um militar
mais antigo ou de mesma patente, rompe-se com a hierarquia vigente.

Dois exemplos: um cavalheiro, ao andar numa calçada com uma mulher, oferece o lado de
dentro, ficando na beira, próximo à rua. Porém, se forem militares, seguirão o costume, sendo ela
mais moderna, oferecerá sua direita ao mais antigo, mesmo que seja o lado da beirada da rua. Numa
cerimônia, sendo ela mais moderna, esta se levantará, cedendo seu lugar ao mais antigo.

Em ambientes militares a hierarquia é a base e o cavalheirismo está na educação do militar, na


sua postura, sem protecionismos para com as mulheres, agindo com justiça, com respeito e exigindo
sempre de seus subordinados a disciplina.

OSTENSIVO -2-23- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

CAPÍTULO 3

HIERARQUIA, DISCIPLINA, AUTORIDADE E RESPONSABILIDADE

3.1 – ASPECTOS PRIMORDIAIS DA HIERARQUIA, AUTORIDADE E


RESPONSABILIDADE.

3.1.1 - Hierarquia

De acordo com o Estatuto dos Militares, “hierarquia


militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes,
dentro da estrutura das Forças Armadas”.
O respeito à hierarquia é consubstanciado no espírito de
acatamento à sequência de autoridade.

a) Cadeia de Comando

É a sucessão de pessoas, em ordem hierárquica, por onde


passa, obrigatória e ordenadamente, o fluxo de comunicação,
autoridade e responsabilidade, dentro de uma organização
militar. Esse fluxo é vital para a boa ordem, o entendimento
harmonioso e eficaz.
A cadeia de comando é uma ordem a ser seguida normal
e obrigatoriamente. Todavia, quando por alguma razão especial
ela não for seguida, cumpre, de imediato, dar conhecimento da
alteração da ordem do fluxo às autoridades,
momentaneamente não consideradas na cadeia.
b) Mantendo os superiores informados

O militar deve manter seu superior oportunamente informado a respeito de suas ações e as
de seu grupo.
Procedimento a adotar se um erro for cometido em alguma atividade sob sua
responsabilidade:

I) Assuma-o;
I) Trate de corrigi-lo o mais rápido possível;
II) Dê conhecimento imediato a seu superior;

OSTENSIVO -3-1- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

IV) Conforme o caso e as circunstâncias, informe diretamente a seu comandante; e

V) Evite que o assunto chegue ao conhecimento dele por outras vias, e com matizes que não
sejam os da verdade.
3.1.2 - Autoridade

Autoridade legal ou organizacional é o direito legal de se fazer obedecer, é o poder de


mandar, de obrigar alguém a fazer alguma coisa.
Autoridade moral ou de liderança é valor pessoal; competência em determinado assunto;
prestígio, influência, domínio.

Segundo a Ordenança Geral para o Serviço da Armada (OGSA), “a autoridade de cada um


promana do ato de designação para o cargo que tiver que desempenhar, ou da ordem superior que
tiver recebido”.
Cumpre ao superior:

a) Manter a disciplina em todas as circunstâncias;


b) Exigir o respeito e a obediência que lhe são devidos por seus subordinados; e
c) Conduzir seus subordinados, estimulando-os, reconhecendo-lhes os méritos, instruindo-
os.
Autoridade é fundamental. Sem ela não haveria disciplina, e a hierarquia perderia
significado.
Autoridade é um direito e, ao mesmo tempo, um poder. Saber exercê-la apropriadamente é,
sem dúvida, a mais importante qualidade da liderança.

O exercício da autoridade exige equilíbrio, probidade, justiça, energia, integridade. Para o


bom uso da autoridade, é necessário um pouco de todos os valores da liderança, abordados
anteriormente.

A autoridade de um militar sobre seus subordinados deve apoiar-se não só na legitimidade da


posição que ocupa como também nas suas elevadas e reconhecidas qualidades morais, força de
caráter e capacidade de liderança.

3.1.3 - Delegação de autoridade

Define-se delegação de autoridade como sendo a designação para o cumprimento de


tarefas, atribuindo-se ao designado, com as responsabilidades, a autoridade para a tomada de
decisões.

OSTENSIVO -3-2- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

Existem duas características fundamentais da delegação:

a) A cada responsabilidade correspondem poderes, estabelecidos pelo superior; e


b) A delegação de autoridade não exclui a responsabilidade do superior.
3.1.4 - Responsabilidade
Responsabilidade é obrigação – dever de fazer.
A responsabilidade está inseparavelmente ligada à autoridade. Por isso, assim como a
autoridade, a responsabilidade deriva de ato de designação para o cargo, exercendo-se com a plena
autoridade estabelecida legalmente para o mesmo e de ordem superior, exercendo-se com a
autoridade estabelecida pelo superior, para o cumprimento da atividade.
O que distingue um líder de um não-líder, entre outros fatores, é a propensão do primeiro para
procurar responsabilidades e as assumir se necessário.

A função militar gera responsabilidades que, por sua vez, implicam autoridade e acarretam
prestação de contas.

a) Delegação de responsabilidade
É comum dizer-se que autoridade pode ser delegada, mas responsabilidade não.
Tal afirmativa pode dar margem a uma interpretação dúbia. A responsabilidade imposta
pelo superior ao subordinado não exime o superior da plena responsabilidade sobre tudo o que se
passa na organização, porquanto ela é inerente ao seu cargo.
Assim, de acordo com a OGSA, ambos são responsáveis. O superior é responsável:

I) pelo acerto, oportunidade e consequências das ordens que der; e


II) pelas consequências da omissão de ordens, nos casos em que for de seu dever
providenciar.
O subordinado é responsável:
I) pela execução das ordens que receber; e
II) pelas consequências da omissão em participar ao superior, em tempo hábil, qualquer
ocorrência que reclame providência, ou que o impeça de cumprir a ordem recebida.
b) Nova ordem prejudicando o cumprimento de ordem recebida
O subordinado deixa de ser responsável pelo não cumprimento de uma ordem recebida de
superior quando outro superior lhe der outra ordem que prejudique o cumprimento da primeira e
nela insistir, apesar de cientificado pelo subordinado da existência da ordem anterior. Deve,
porém, participar a ocorrência ao primeiro, logo que possível.

OSTENSIVO -3-3- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

3.2 – IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA E DA AUTODISCIPLINA

3.2.1 – Disciplina

Um dos alicerces básicos de toda e qualquer


organização militar, em todas as nações do
mundo, é a disciplina.
Disciplina significa a sujeição de cada um,
e de todos, a regras estabelecidas para o bem
geral. Essas regras são estabelecidas em códigos,
leis, estatutos, regulamentos e ordens do
comando.

A disciplina propicia condições favoráveis para o desenvolvimento de atividades, mormente


as que exigem uma ação ordenada, organizada e sincronizada. Cada parte do processo age na
certeza de que as demais agirão corretamente, conforme planejado. Isso é fundamental para o
cumprimento de qualquer missão.

“Não há progresso sem ordem, não há ordem sem disciplina e não há disciplina sem
obediência, responsabilidade, noção de dever e lealdade.”
a) Como obter disciplina
Para obter disciplina é necessário:

I) Determinar cuidadosamente deveres específicos ou bem definidos, responsabilidades daí


decorrentes e direitos paralelos;
II) Fazer com que os subordinados conheçam o sistema de prêmio ou recompensa
e de punições;
III) Assegurar a prática constante do comportamento e da conduta desejáveis, a fim de
desenvolver hábitos de pronta obediência às ordens;
IV) Supervisionar os subordinados, usando recompensas e punições quando necessário ou
razoável;
V) Certificar-se de que os subordinados saibam o que se espera de sua conduta e de seu
trabalho;
VI) Não exigir mais do que o seu treinamento permite que façam;

VII) Dobrar e amoldar lenta e progressivamente o pessoal, exigindo e mantendo uma


disciplina consciente, sólida, inabalável;

OSTENSIVO -3-4- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

VIII) Saber distinguir as faltas involuntárias e de menor importância, das faltas graves,
premeditadas e intencionais; e
IX) Elogiar e louvar sempre que possível, e em público; censurar, punir ou reprimir quando
necessário, e em particular.
3.2.2 – Autodisciplina

Autodisciplina ou disciplina consciente é a capacidade de disciplinar a si mesmo adquirida


pelo militar firme, que cumpre corretamente suas responsabilidades, em quaisquer circunstâncias,
mesmo sem supervisão.
Obtém-se a disciplina consciente quando se deseja fazer o que é certo, por compreensão,
convicção, participação, cooperação, sentido de missão, senso de dever, lealda de orgulho e amor
à Marinha.

a) Manifestações da disciplina consciente


A disciplina consciente manifesta-se como uma
atitude, identificada pelos seguintes comportamentos:
I) Escolher fazer o que é correto, ainda que mais
difícil, em vez de fazer o que é menos trabalhoso;
II) Aceitar as regras consagradas, estabelecidas pela
Instituição; e
III) Agir em função do grupo a que pertence, e não
de forma egoísta, num individualismo nada construtivo.
O toque de licença, ou volta às faxinas, só toca, na cabeça do autodisciplinado, quando
seus compromissos e responsabilidades já foram absolutamente cumpridos.
b) Como desenvolver a autodisciplina

A autodisciplina é obtida pela conscientização, através dos seguintes passos:


I) Estabelecimento de padrões de conduta – determinar o que é certo fazer;
II) Formação de hábitos – fazer sistematicamente o que é certo, mesmo que difícil; e
III) Criação de código de conduta pessoal – incorporar os hábitos formados.
Para conhecer a si mesmo é recomendável:
I) Ouvir seus chefes, companheiros, amigos e subordinados mais experientes;

II) Ouvir e não repelir abruptamente; mas sim, ouvir, filtrar, maturar e, se aprovado, assimilar;
III) Pensar antes no que vai falar;

OSTENSIVO -3-5- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

IV) Se já falou, refletir sobre o que disse;

V) Lembrar o que já falou e procurar determinar os motivos que o levaram a falar;


VII)Identificar seus erros;
VIII) Ser cauteloso em suas ações e observar as consequências delas;

IX) Buscar outro caminho, se os resultados não correspondem ao que planejou.

3.2.3 – Decálogo de Liderança


Há dez regras básicas que podem ser usadas, pelo militar, no desenvolvimento de sua
capacidade de liderança:
1) Lembre-se que liderar é muito mais do que chefiar e vai muito além de apenas expedir
ordens e aguardar que elas sejam cumpridas.
2) Cultive a ética militar, em todos os momentos e em quaisquer circunstâncias.

3) Preserve a sua saúde:

I) Esteja atento para a fadiga, incapacidade de concentração, irritabilidade, insônia;


II) Dose o emprego de suas energias; e

III) Trabalhe, mas se distraia e repouse, tanto quanto possível.


4) Saiba falar, calar e, especialmente, ouvir;
5) Evite:

I) alimentar sentimentos de superioridade;

II) cercar-se de pessoas que não expressam opinião própria;

III) embriagar-se pelo poder e a vaidade; e

IV) deixar-se enganar pelo preconceito.


6) Dê o exemplo.

7) Ponha o grupo a serviço do cumprimento da missão e em permanente sintonia com os


objetivos estabelecidos para a OM.

8) Mantenha com os subordinados uma relação sadia, calcada em confiança mútua, desejo
de progredir e de ser feliz.
9) Incuta nos subordinados a disciplina consciente e fique atento ao moral deles.
10) Faça com que o grupo, aprimorando-se, vise a excelência no trabalho.

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OSTENSIVO EMN-008

CAPÍTULO 4

ROSA DAS VIRTUDES

4.1 – Ética militar naval

O conjunto dos princípios, valores, costumes, tradições,


normas estatutárias e regulamentos que regem o juízo de conduta
do militar da Marinha é entendido como Ética Militar Naval.
Ela é atributo que induz ao atendimento das regras de
conduta compatíveis com o comportamento militar naval desejado
e dela fazem parte, dentre outros, o valor e a ética militar (Estatuto
dos Militares), os dizeres do juramento à Bandeira e o código de
honra expresso na “Rosa das Virtudes”.

a) Honra

A Honra é o sentimento que induz o indivíduo à prática do Bem, da Justiça e da Moral. É a


força que o impele a prestigiar sua própria personalidade, como um sentimento de seu patrimônio
moral, um misto de brio e valor. Ela exige a posse do perfeito sentimento do que é justo e
respeitável, para a elevação da dignidade e da bravura desse indivíduo, e, assim, afrontar perigos de
toda a ordem, na sustentação dos ditames da Verdade e do Direito. É a virtude por excelência,
porque em si contém todas as demais. A Honra está acima da vida e de tudo que existe no mundo.
Os haveres e demais bens que o indivíduo possui são transitórios, enquanto que a Honra a tudo
sobrevive; transmite-se aos filhos, aos netos, ao lar, à profissão escolhida e à terra em que se nasce.
A Honra é o patrimônio da alma. Na profissão, ela consiste, principalmente, na dedicação ao
serviço, no cumprimento do dever, na intrepidez e na disciplina, tudo inspirado pelo patriotismo.
Um navio nunca se entrega ao inimigo e sua bandeira jamais se arria em presença dele. A Honra do
Marinheiro o impede!

b) Lealdade

A Lealdade é o verdadeiro, espontâneo e incansável devotamento a uma causa, a sincera


obediência à autoridade dos superiores e o respeito aos sentimentos de dignidade alheia. O
subordinado leal cumpre as ordens que recebe sempre com o mesmo ardor, quer esteja perto ou
longe de quem as deu, ainda que, por vezes, intimamente não as compreenda. A Lealdade é mais do
que a Obediência, porque esta se refere à vontade expressa pelo superior e aquela, ao firme

OSTENSIVO - 4-1- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

propósito de honestamente interpretá-la e fielmente cumpri-la. É o sentimento que leva, pois, o


subordinado a fazer tudo quanto for humanamente possível para bem cumprir uma ordem ou
desempenhar uma dada missão. A Lealdade exige que se manifeste ao superior, disciplinadamente e
no interesse do serviço, toda eventual incompreensão em relação à determinação ou orientação
recebida. A franqueza respeitosa, oportuna e justa é uma autêntica expressão de lealdade. Mantida,
porém, a ordem, a mesma lealdade exige que se cumpra rigorosa e interessadamente o que foi
determinado.

c) Iniciativa

A Iniciativa é o ânimo pronto para conceber e executar. É uma manifestação de inteligência,


imaginação, atividade, saber e dedicação ao serviço. Um militar cumpre de forma conscienciosa as
obrigações, as rotinas de seu cargo, faz o treinamento regular de seus homens, etc. Um outro faz
tudo isto e vê onde um aperfeiçoamento pode ser introduzido. Não só o concebe, como se interessa
por sua adoção. Se é coisa que só dele dependa e a sua ideia não vai ferir a conveniência da
uniformidade dos diversos serviços, nem a harmonia da cooperação, ele a adota, estuda e a
desenvolve. A Iniciativa, em um plano mais elevado, é a faculdade de deliberar acertadamente em
circunstâncias imprevistas ou na ausência dos superiores, agindo sob responsabilidade própria, mas
dentro da doutrina, a bem do serviço. Para assim fazer, é preciso ter capacidade profissional,
confiança em si e estar bem orientado.

d) Cooperação

Cooperar é auxiliar eficiente e desinteressadamente; é esforçar-se em benefício de uma causa


comum. O militar deve sempre agir no interesse maior do conjunto dos serviços. É a Cooperação
que faz a eficiência da Marinha. Em todas as atividades, o trabalho deve obedecer a esse espírito de
comunhão de esforços, a fim de que a potencialidade do conjunto, como um todo, seja a mais
elevada possível. Assim, superiores e subordinados não devem limitar-se apenas ao cumprimento
das tarefas que lhes tiverem sido cometidas, mas, sim, procurar ajudar-se mutuamente na execução
das mesmas, buscando compreender as necessidades e prioridades da instituição como um todo.

A Cooperação é uma exigência imperiosa para a eficiência da instituição, mas só possui esta
qualidade quem não dá guarida às influências perniciosas do egoísmo, da intriga ou da indiferença,
em prol de um sincero e profissional desprendimento.

OSTENSIVO - 4-2- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

e) Espírito de Sacrifício

O Espírito de Sacrifício é a disposição sincera de realmente oferecer, espontaneamente,


interesses, comodidades, vida, tudo, em prol do cumprimento do dever. O cultivo do Espírito de
Sacrifício é praticado vencendo os pequenos incômodos pessoais, os menores percalços do dia a
dia. “Quem não é fiel no pouco, certamente não será no muito”: somente percebendo o valor das
coisas é que se desenvolve o Espírito de Sacrifício e se torna capaz de dar um passo a mais na
formação do caráter marinheiro.

f) Zelo

O Zelo é atributo que não depende, em alto grau, de preparo profissional, de predicados
especiais de inteligência e de saber. É, por isso mesmo, virtude que deve ser comum a todos os que
servem à Marinha. Essa qualidade é consequência direta do “amor próprio”, do amor à Marinha e à
Nação. É o sentimento que leva a não poupar esforços para o bom desempenho das funções que lhes
são atribuídas. É o sentimento que conduz à dedicação ao serviço, como autêntica expressão do
Dever. No Zelo, está implícita a aceitação de que se serve à Nação e não a pessoas. Ninguém tem o
direito de deixar de zelar por suas obrigações, por motivos circunstanciais, alheios ou não à sua
vontade. O Zelo está intimamente ligado à probidade, vista como a capacidade de bem administrar
os bens, fundos e recursos que nos foram confiados. Faz-se presente, assim, no exato cumprimento
de orçamentos e planos financeiros e no atento cuidado com o patrimônio da Marinha.

g) Coragem

A Coragem é a disposição natural que nos permite dominar o medo e enfrentar qualquer
perigo. É a força capaz de fazer com que aquele que ama a vida, e que nela é feliz, saiba arriscá-la e
se disponha a morrer por uma causa nobre. A Coragem é o destemor em combate.

Há também a coragem moral – não menos imprescindível e valiosa, a força psíquica que
ampara os homens nas crises do pensamento e do caráter. É a sustentação das próprias ordens,
atitudes e convicções; o saber assumir a responsabilidade dos seus atos; o afrontamento à perfídia, à
inveja e à incompreensão; a manutenção intransigente do rumo moral, custe o que custar. A
coragem tem de andar de mãos dadas com a sabedoria, a prudência, o bom senso e a calma. O
militar corajoso é otimista; confia em si; é eficiente; acredita no valor de seus companheiros.
Comanda seus subordinados, certo de conquistar o êxito.

OSTENSIVO - 4-3- REV 2


OSTENSIVO EMN-008

h) Ordem

A Ordem é diligência, porque economiza o tempo, e é previdência, porque o conserva. Como


exemplo de disciplina e método, a ordem orienta o espírito e promove segurança, porque resguarda
e alinha em lugar próprio aquilo que será utilizado no futuro. A sua falta traz o desperdício e a perda
do tempo, bem precioso, e que, uma vez perdido, não há como reaver. A arte de organizar, pôr em
ordem, é essencial em um condutor de homens. O aprendizado da arte de organizar inicia-se
individualmente na ordenação do próprio trabalho; organizando o material, os livros, os uniformes;
encontrando o tempo necessário para se ocupar adequadamente dos estudos e das demais atividades
de formação.

i) Fidelidade

Ser fiel é ser honesto, ter têmpera forte para opinar e agir sempre pelo bem, mesmo, e
principalmente, quando não favorecer ou até contrariar as conveniências pessoais. A fidelidade ao
serviço impede que o militar cuide de afazeres e atividades estranhos à Marinha, enquanto estiver
ao seu serviço, e negligencie as suas obrigações. Executar ordens que são agradáveis, ou que partem
de pessoas a quem se dedica estima, é um dever fácil de cumprir. Mas, cumprir ordens difíceis,
arriscando a vida, contrariando os próprios interesses e opiniões, por fidelidade ao serviço, é muito
mais digno, porquanto implica sacrifício, que caracteriza a virtude militar.

j) Fogo Sagrado

O “Fogo Sagrado” é a paixão, a fé, o entusiasmo com que o militar se dedica à sua carreira; é
o seu intenso amor à Marinha, o seu devotamento pela grandeza da sua profissão; é a larga medida
de uma verdadeira vocação e de um sadio patriotismo; é o supremo amor pelo serviço. É essa
crença que anima a ponto de, naturalmente, julgar que os deveres que a lei marca são o mínimo, e
que para bem servir cumpre ir além do próprio dever, fazer tudo quanto é humanamente possível, à
custa, embora, de ingente labor. O “Fogo Sagrado” é essa força misteriosa que, dominando a alma
do verdadeiro marinheiro, o conduz sempre ao sacrifício com inexcedível vibração e estóica
resignação. O “Fogo Sagrado” transmite-se, mas para tanto é preciso possuí-lo em grande
intensidade e demonstrá-lo mais por atitudes e ações do que por ordens e palavras. O “Fogo
Sagrado” é a alma da Marinha!

k) Tenacidade

Aplicação é uma forma de dedicação, de amor ao serviço. É a disposição para estudar tanto o

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material em si como também a maneira de utilizá-lo; para estar a par das rotinas, da organização
interna de bordo, da ordenança, dos regulamentos e das leis; para bem conhecer tudo referente aos
aspectos essenciais da profissão. Na arte de conduzir os homens, o campo é mais profundo: faz-se
necessária a tenacidade, o poder da vontade. É o saber querer longamente, sem desfalecimento e
sem trégua. É a presença de ânimo perante qualquer obstáculo ou dificuldade, a vontade constante
de tudo superar e bem desempenhar a tarefa ou função, de caráter operativo ou administrativo. O
espírito de tenacidade transmite-se, pois, exatamente, pela continuidade da ação.

l) Decisão

Decidir é tomar resolução, é sentenciar, é orientar a ação. Não há qualidade, no trato geral dos
militares para com seus subordinados, que mais tenda a aumentar o respeito e confiança desses
subordinados, do que sua capacidade de decidir. O irresoluto, o perplexo, jamais poderá conduzir
homens ou comandar navios. Uma orientação insegura é tão nociva quanto a ausência de
orientação. Uma decisão vigorosa é a característica dos vencedores.

Evidentemente, para acertar, é necessário meditação, cálculo, considerações cuidadosas e


reflexão a respeito das circunstâncias, a fim de chegar a uma decisão conveniente. Tal “exame de
situação” deve preceder à emissão da ordem. O verdadeiro chefe medita bem antes de chegar a uma
decisão. Se sabe dizer sim ou não, com serena energia e acerto, e mantém-se firme em sua posição,
ganha confiança de seus subordinados. A menos que novas circunstâncias se apresentem, a
modificação de uma decisão tomada dá a impressão de que houve precipitação ou leviandade em
formulá-la. O hábito constante de examinar todas as possíveis situações e analisar todos os dados
disponíveis é muito recomendável.

Assim procedendo, há sempre certeza de decisões oportunas e adequadas.

m) Abnegação

A Abnegação é o esquecimento voluntário do que há de egoístico nos desejos e tendências


naturais, em proveito de uma pessoa, causa ou ideia. É a renegação de si mesmo e a disposição de
se colocar a serviço dos outros com o sacrifício dos próprios interesses. O caráter marinheiro é
carregado de Abnegação: tem a consciência do “servir”; inclui a base de todas as virtudes, a
humanidade; e possui a simplicidade em todas as suas ações e palavras. A Abnegação, portanto,
fortalece o desenvolvimento de todas as atividades de serviço à Marinha, criando a unidade de ação,
pois ela é passar por cima de qualquer interesse individual.

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n) Espírito Militar

Espírito Militar é a qualidade que impele o militar de cumprir com natural interesse, dentro da
ética, os deveres e obrigações do serviço, com disciplina e lealdade, sempre animado pelo desejo de
ver brilhar o seu navio, a sua classe e aumentar a eficiência e o prestígio da Marinha. O militar
demonstra estar possuído de Espírito Militar em suas maneiras de agir e de se expressar; no apuro
de seus uniformes; na saudação a seus superiores; na discrição com que se manifesta; na seriedade
que imprime ao seu serviço, como expressão da dignidade da sua função e da eficiência dos seus
encargos. O militar dotado de Espírito Militar cria em torno de si um ambiente de compostura,
seriedade e confiança, qualidades essenciais a quem comanda e tem sob sua direta responsabilidade
a guarda e a defesa de preciosos valores morais e materiais da Nação.

o) Disciplina

A força de coesão de qualquer coletividade humana é a Disciplina. É indispensável não só a


um Organismo Militar, mas a qualquer outro que pretenda reunir indivíduos em uma unidade sólida
e eficaz. A Disciplina tem um único inimigo verdadeiro, que é o egoísmo, tão mais obstinado
quanto mais inconsciente de si mesmo. O amor próprio ilimitado separa o homem de seus mais
nobres pensamentos, tornando-o um ser isolado, que nada aceita fora do seu eu. Despido de todo o
sentimento de solidariedade, não pode conceber a Disciplina a não ser como forma de escravidão. A
Disciplina não visa a tolher a personalidade, mas sim a regular e coordenar esforços. Ela somente
torna-se fecunda quando há condições de ser alegre e ativa. Um simples conformismo ou o receio
das censuras ou sanções não trazem a Disciplina. O que a faz presente e aceita é um forte
sentimento de interesse comum e, principalmente, a correta percepção de um dever comum.

Assim entendida, não haverá o risco de ela coibir ou enfraquecer as iniciativas, pois não será
imposta, mais sim adquirida. A Disciplina Militar manifesta-se basicamente: pela obediência pronta
às ordens do superior; pela utilização total das energias em prol do serviço; e pela correção de
atitudes e cooperação espontânea em benefício da disciplina coletiva e da eficiência da instituição.
Na Marinha, a Disciplina é inseparável da hierarquia e traduz-se no perfeito cumprimento do dever
por cada um de seus componentes.

p) Patriotismo

O Patriotismo é o sentimento irresistível que prende os indivíduos à terra em que nasceram. É


a trama de afetos que, através das gerações, vai sendo tecido em suas almas ao redor do solo
querido. Externamente, é a emoção que os indivíduos sentem ao ouvir os acordes do Hino Nacional

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e ao ver desfraldada a Bandeira de sua Pátria. Em essência, é a crença na defesa dos ideais de
Nacionalidade. Expressão de carinho que os liga à terra que serviu de berço, o Patriotismo é a força
de coesão poderosa que os torna solidários em um interesse comum, ensinando-os a bem querer,
servir, honrar e defender a Pátria.

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CAPÍTULO 5

LIDERANÇA

5.1 – CONCEITO DE LIDERANÇA

5.1.1 – Fatores a considerar

Na conceituação da palavra líder, o


primeiro fator a considerar é o destaque – o líder
é aquele que se destaca no grupo. Assim, é a
primeira característica da liderança.

Embora o fator destaque seja inerente ao


líder, não é o mais importante e nem está
sozinho na conceituação da palavra. Há outro
fator que completa o conceito de líder - a
influência.

A influência é a verdadeira essência da liderança. A pessoa que influencia as outras


pessoas no grupo é o seu líder. Essa influência pode manifestar-se sob diversas formas, desde o
simples comando – o ato de mandar para que os outros obedeçam – até a complexa inspiração –
impulso que leva os homens a fazer ou deixar de fazer alguma coisa que, eles sabem, se o líder
gostaria que fizessem ou deixassem de fazer (8:2). Concluindo, o líder é aquele que se destaca no
grupo, influenciando-o de alguma forma.

5.1.2 – Teorias e abordagens

Diversas teorias e abordagens têm sido escritas sobre


liderança:

a) A liderança é um dom natural;

b) Para ser líder basta conhecer um conjunto de


princípios e adotá-lo;

c) A liderança é um processo de conduta, de formação


de caráter, de desenvolvimento moral;

d) O líder se faz pelo estudo e imitação da vida dos grandes líderes; e

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e) A liderança é a arte de influenciar o comportamento humano.

"O verdadeiro líder age como facilitador para que a equipe possa atuar de forma confortável
no dia a dia e, consequentemente, consiga se desenvolver e desempenhar ao máximo o seu
potencial."

O assunto é controverso, face à multiplicidade de situações e ambientes em que a liderança


pode surgir.

5.1.3 – Definições

“Liderança é a influência interpessoal, exercida na


situação e dirigida, através do processo da comunicação
humana, à consecução de um ou diversos objetivos
específicos”. (Tannenbaum, Weschler e Massarik).

“Liderança é a habilidade de exercer influência


interpessoal, por meio de comunicação, para a consecução
de um objetivo”. (Koontz e O’Donnell).

“Liderança é o processo que consiste em influenciar


pessoas no sentido de que ajam, voluntariamente, em prol dos objetivos da instituição”. (Manual de
Liderança – DEnsM).

“Liderança é o processo de influenciar pessoas para motivá-las e obter seu


comprometimento na realização de empreendimentos e na consecução dos objetivos da
organização” (Doutrina de Liderança da Marinha).

Em outras palavras, a Liderança também pode ser definida como o processo que permite a
alguém dirigir os pensamentos, planos e ações de outros, de forma a obter sua obediência,
confiança, respeito e leal cooperação.

Liderança Naval é um processo de influenciação utilizado por todos os escalões, no trato com
os subordinados, em busca da harmonia entre os objetivos da Instituição e os interesses pessoais.
Essa liderança está fundamentada em leis e tradições navais.

Fica evidente, pelas definições, que a liderança inclui não só a capacidade de fazer um grupo
realizar uma tarefa específica, m a s , sobretudo, executá-la de forma voluntária, atendendo ao

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desejo do líder como se fosse o seu próprio.

Nas definições de liderança estão contidos os seus agentes, ou seja, o líder e os liderados, as
relações entre eles e os princípios filosóficos, psicológicos e sociológicos que regem o
comportamento humano.

5.2 – IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA COMO ATRIBUTO ESSENCIAL AO MILITAR


5.2.1 – Importância da Liderança

“Os homens e não os navios é que ganham as batalhas”

Toda organização humana depende primordialmente da liderança. Sem liderança, por parte
dos que dirigem as organizações, sejam elas sociais, políticas, econômicas, militares, etc., estas
estarão certamente em crise.

Principalmente, no caso de uma organização militar, todo aquele que dá ordens deve
também liderar. Deve desenvolver em si próprio as qualidades e os atributos necessários e
essenciais ao líder.

Não se pode conceber um navio sem liderança organizada. É condição essencial a uma
organização militar a existência de um sistema para controlar pessoas. A Marinha nos dá esse
sistema, por meio de uma engrenagem de leis, regulamentos e costumes.

A Marinha caracteriza-se por ser uma Instituição em que há predominância de ações


envolvendo o relacionamento humano, visando ao cumprimento das mais diferentes missões.
Portanto, a importância do exercício da liderança é fundamental para que se possa alcançar altos
índices de operacionalidade, coesão e lealdade entre os seus integrantes.

O exercício de liderança pode significar a diferença entre a vitória e a derrota, mesmo em um


cenário onde as operações militares se valerão de complexa e avançada tecnologia bélica.

5.2.1.1 – A importância de uma liderança transformadora

“Nos últimos anos, temos nos deparado com


inúmeros questionamentos sobre quais seriam as
características importantes e imprescindíveis que um
líder deve possuir tanto no âmbito das competências
quanto no das habilidades e atitudes. Observamos que
a resposta esperada, na maioria das vezes, é a de um gestor que deve beirar quase à perfeição.
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Entretanto, as expectativas nele depositadas muitas vezes não condizem com a realidade
encontrada no dia a dia das organizações. Não é preciso ser um super-herói, tampouco um líder
absoluto e inatingível. Pelo contrário, para alcançar os objetivos, gerar resultados e inspirar as
pessoas, a pessoa à frente do grupo precisa atuar de forma transformadora”.

5.2.2 – Rendimento do elemento humano

O pessoal mal conduzido tem sua eficiência reduzida pelo baixo rendimento, tornando
praticamente inoperante e inútil o material que lhe é confiado.

O material, de grande valor técnico, mas mal conduzido, não terá a eficiência e o rendimento
desejados.

Além disso, a má conduta do pessoal faz brotar um estado depressivo, cria tal disposição
negativa de ânimo, que sua influência, desfavorável e destrutiva sobre o conjunto da organização,
é para esta um permanente fator antieconômico, de baixo rendimento, ou de dissolução.

A eficiência e a qualidade de qualquer Marinha dependem grandemente do nível de


instrução, de adestramento, e da capacidade técnica dos militares que irão combater em tempo
de guerra, ou em tempo de paz estarão mantendo esta vasta organização em constante estado de
preparação.
A lealdade, a cooperação, o esforço e a obediência de cada homem só podem ser obtidos de
maneira completa através da liderança.

O chefe sem liderança não obtém de cada seu comandado uma cooperação uma lealdade e
um esforço completos. O bom chefe, o líder, conduzirá o mesmo homem, na execução de uma
mesma tarefa, de tal modo, que este se esforçará, voluntariamente, para fazer o seu serviço da
maneira mais perfeita e mais eficiente possível.

5.2.3 – Desenvolvimento da Liderança

Os melhores resultados no tocante à liderança ocorrem quando ela é desenvolvida, não sendo
impositiva.

Desta forma, o contínuo desenvolvimento das qualidades dos militares da Marinha, como
líderes, deverá ser objeto de permanente atenção e tal meta deverá ser trabalhada, conjuntamente,
pela Instituição e, prioritariamente, por cada militar.

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5.3 – A TEORIA DOS GRUPOS HUMANOS

5.3.1 – Introdução

“Ninguém consegue estar satisfeito consigo mesmo ao ponto de prescindir da aprovação de,
pelo menos, outra pessoa.” (W.S.H. Sprott)

No estudo da liderança, três componentes coexistem e interagem:

a) O líder – com seus atributos psicológicos;


b) Os liderados – com seus problemas, atitudes e necessidades; e

c) A situação – que determina o ambiente, onde líder e liderados atuam. (2:34)

5.3.2 – Definição de grupo

“Reunião de duas ou mais pessoas entre as quais


existe um sistema estabelecido de interação psicológica,
sendo reconhecida como entidade pelos próprios membros e
igualmente pelos demais indivíduos”. (Sanderson)

“É um conjunto de diversas pessoas que partilham de


padrões organizados de interação recorrente, ou seja, indivíduos que interagem repetidamente e
não circunstancialmente, de acordo com determinados padrões de relacionamento”. (Manual de
Liderança da Marinha)

A primeira conclusão a que nos levam as definições apresentadas é de que o grupo é uma
entidade coletiva.

Por outro lado, o grupo não é um simples aglomerado de pessoas, pois seus membros
precisam estar em permanente interação; por exemplo, os transeuntes em uma rua, ou os
passageiros do metrô não constituem um grupo, já que não atendem às condições acima.

Podemos concluir que a simples proximidade física das pessoas não caracteriza o grupo social
e, sim, a consciência de interação conjunta.

5.3.3 – O indivíduo e o grupo

Em geral, nosso individualismo impede a percepção clara da influência do grupo sobre nosso
comportamento. Mas ela é exercida de forma poderosa.

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Um homem isolado de quaisquer grupos em geral se fragiliza até a morte. Por outro lado,
sua resistência aumenta de forma impressionante, caso seja integrado à lealdade de um grupo.

Pesquisas americanas, realizadas após as experiências da Segunda Guerra Mundial, da Coréia


e Vietnã, mostraram que os prisioneiros norte-americanos resistiam a toda sorte de m u d a n ç a s o u
v a r i a ç õ e s , caso mantivessem vínculos com seus grupos. O contrário acontecia com
prisioneiros isolados de seus companheiros, que se tornavam presas fáceis da guerra psicológica
desencadeada por seus inimigos.

A Psicologia Social aceita que, não só em situações de guerra, o indivíduo se fortalece quando
pertence a um grupo. O grupo é uma realidade social vital, com profundo efeito sobre o
comportamento dos indivíduos, em quaisquer situações sociais.

5.3.4 – Classificação do grupos


Não há na sociologia um critério uniforme para a caracterização e classificação dos grupos
sociais. Veremos, a seguir, dois exemplos de classificação de grupos.

a) Classificação de René Maurier

I) Grupos biológicos – todos os membros têm um traço físico em comum,


pelo qual se unem mutuamente. Ex.: a família.
II) Grupos geográficos – fundam-se na comunidade de habitações. Ex.:
tribos, aldeias, cidades.

III) Grupos sociológicos – baseiam-se na comunidade de ação, operação,


ocupa- ção ou preocupação. Ex.: ordens religiosas, sindicatos profissionais.
b) Classificação de Bogardus:
I) Grupos delegados – são aqueles onde os membros são eleitos ou designados (Ex:
convenção ou congresso).
II) Grupos grandes ou pequenos – pelo tamanho, os grupos sociais podem partir,
do mínimo de duas pessoas até chegar ao máximo de englobar, no grupo, toda a espécie
humana.
III) Grupos temporários ou permanentes – de acordo com a sua duração no tempo, desde os
temporários (Ex: pessoas que se encontram calmamente na rua) até os permanentes (Ex: estados e
igrejas).
IV) Grupos genéticos – considera-se genético o grupo onde o indivíduo nasce.
V) Grupos insociáveis - é aquele que vive para si mesmo, isolado de todos os outros.
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VI)G rupo pseudo-social - é o que vive às custas de um grupo social mais extenso, do qual
depende como verdadeiro parasita.
VII)Grupo anti-social - é o que trabalha contra o bem-estar da sociedade (Ex: quadrilha de
bandidos).
V I I I ) G rupo pró-social – é o q u e caracteriza-se por trabalhar em benefício da
comunidade humana.
IX)Grupos primários são aqueles em que as pessoas se conhecem intimamente, como
personalidades individuais; os contatos são íntimos, pessoais e integrais. Seus membros se
interessam uns pelos outros como pessoas (Ex: a família, grupo de infância ou adolescência, circulo
de amigos íntimos).
X ) G rupos secundários se caracterizam por contatos impessoais, eventuais e utilitários. As
pessoas têm interesse umas pelas outras, não em termos pessoais e, sim funcionais (Ex:
sindicatos profissionais, associações de moradores, condomínios residenciais). As sociedades
modernas tendem, cada vez mais, a impor grupos secundários a seus membros.
5.3.5 – Características de uma participação eficiente no grupo

É usual e enganoso pensar nos membros do grupo desempenhando apenas duas funções
distintas: liderança e participação simplesmente (7:125).
A própria liderança não pode ser assim tão marcada e continuamente desempenhada por apenas
um membro do grupo. Outros membros assumem liderança informal, de acordo com as diferentes
situações por que passa o grupo em seus processos de interação (7:125).

O complexo processo de interação humana exige de cada participante um determinado desempenho,


o qual variará em função da dinâmica de sua personalidade e da dinâmica grupal na situação.

5.3.6 – Comunicação no grupo

É fundamental o processo de comunicação no interior do grupo. Importante ressaltar que


comunicação não é simplesmente uma questão de linguagem falada, de formas impressas ou
audiovisuais capazes de transmitir mensagens.
Comunicação, no caso, relaciona-se intimamente com a estrutura do grupo.
Estamos sempre comunicando algo, seja por meio de palavras ou outros meios não verbais,
tais como gestos, postura corporal, posição e distância em relação aos outros, etc.
Quando alguém, em presença de outros, fica silencioso, afasta-se, vira-se de costas etc., na
verdade está interagindo e comunicando algo aos demais, como, por exemplo: indisposição para
dialogar, constrangimento, ressentimento, agressão ou qualquer outro sentimento.
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A comunicação facilita o funcionamento do grupo. Onde os canais de comunicação estão


abertos, existe menos ambiente para hostilidades e atritos, mais compreensão mútua, cordialidade,
maior coesão e maior potencial para a produção.

a) Comunicação centralizada: o líder fala e os outros ouvem, como ocorre nas paradas
diárias de nossas OM; tal processo é eficaz nas produções de rotina, possibilitando maior atenção
de todos a tópicos específicos, como também a concentração de esforços;
b) Comunicação descentralizada: todos podem falar em igualdade de condições. Tende a
oferecer menor produtividade em tarefas rotineiras, embora estimule a criatividade e a
participação, trazendo muitas vezes soluções novas para os problemas; o grupo tende a se mostrar
mais flexível, adaptando-se mais rapidamente a situações novas; e
c) A situação: o líder deve sempre considerar a situação ao definir a forma mais eficaz de
passar informações a seus liderados.
5.3.7 – Formação da personalidade do grupo

Existem duas correntes de pensamento em relação à formação da personalidade dos grupos


humanos:
a) A mais antiga considera a personalidade do grupo o somatório das personalidades dos
indivíduos que o compõem;
b) A mais recente defende que a personalidade do grupo é a combinação das personalidades
dos membros, ou seja, a personalidade do grupo é algo novo, o grupo tem “cara” própria.
5.3.8 – Dinâmica de grupo

Consiste no estudo das forças que atuam nos relacionamentos internos do grupo.
a) Características da dinâmica dos grupos
À semelhança das pessoas, os grupos não se estruturam segundo um padrão único. O grupo
pode apresentar características marcantes, em função de sua dinâmica passada e presente.
Para o líder é indispensável estar atento e ser capaz de perceber, logo que possível, as
características do grupo subordinado, diagnosticando-as e buscando suas causas.
Tal preocupação possibilitará tomar medidas no sentido de preservar as características
positivas e anular ou minimizar aquelas consideradas indesejáveis. Assim como se pode
caracterizar um indivíduo pelo seu traço dominante,

Auren Uris classifica uma série de grupos típicos pelo critério do traço dominante:

I) Grupo Hostil

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Hostilidade é um sentimento que o ser humano ou um grupo de seres humanos tem que
representa um tipo de violência emocional e rivalidade contra outras pessoas ou grupos.

II) Grupo Lerdo


Caracteriza-se pela lentidão e falta de iniciativa.

III) Grupo de Probidade Duvidosa


A raiz da palavra probidade é a mesma da palavra prova. É probo aquele que sempre está
pronto a provar a retidão dos seus atos. É evidente que esta definição pode causar calafrios em
alguns políticos, mas quem cuida do que é dos outros, tem de ser capaz de provar que agiu bem.

IV) Grupo Vadio


Um grupo de indivíduos entrega-se à ociosidade, abstendo-se voluntariamente de procurar
trabalho honesto para prover subsistência, o que consegue recorrendo a expedientes ilícitos.
V) Grupo Apático
É o grupo que tem “falta de motivação e desinteresse” o que gera uma redução ou ausência de
iniciativa para a manifestação de comportamentos direcionados a um objetivo qualquer, além de
uma atitude de aparente indiferença emocional.

VI) Grupo Entusiasta.


É o grupo que por ter tanta paixão por algo, se dedica e vai lá e faz. É a ação motivada pelo
entusiasmo interno de cada membro do grupo.
b) Diferenças individuais e o grupo
As pessoas diferem na maneira de perceber, pensar, sentir e agir. As diferenças individuais
são, portanto, inevitáveis com suas conseqüentes influências na dinâmica interpessoal.
Vistas por um prisma mais abrangente, as diferenças individuais podem ser consideradas
intrinsecamente desejáveis e valiosas, pois propiciam riqueza de possibilidades, de opções.

Num grupo de trabalho, as diferenças individuais trazem, naturalmente, diferenças de opinião,


expressas em discordâncias quanto a aspectos de percepção da tarefa, metas, meios ou
procedimentos. Essas discordâncias podem conduzir a discussões, tensões, insatisfações e
conflito aberto, ativando sentimentos e emoções mais ou menos intensos, que afetam a
objetividade, reduzindo-a a um mínimo, e transformam o clima emocional do grupo.

c) Papéis não construtivos

Em todos os grupos em funcionamento, seus membros podem desempenhar, eventualmente,

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alguns papéis não-construtivos, dificultando a tarefa do grupo, criando obstáculos e canalizando


energias para atividades e comportamentos não conducentes aos objetivos comuns do grupo .
Esses papéis correspondem a necessidades individualistas, motivações de cunho pessoal ou,
muitas vezes, decorrem de falhas de estruturação ou da dinâmica do próprio grupo:

I) O dominador – procura afirmar sua autoridade ou superioridade, dando ordens incisivas,


interrompendo os demais, manipulando o grupo ou alguns membros, sob forma de adulação,
afirmação de status superior e etc.
II) O dependente – busca ajuda, sob forma de simpatia dos outros membros do grupo,
mostrando insegurança, autodepreciação, carência de apoio.
III) O criador de obstáculos – discorda e opõe-se sem razões, mantendo-se teimosamente
negativo até a radicalização, obstruindo o progresso do grupo após uma decisão ou solução já
atingida.
IV) O agressivo – ataca o grupo ou o assunto tratado, fazendo ironia ou brincadeiras
agressivas, mostra desaprovação dos valores, atos e sentimentos dos outros.
V) O vaidoso – procura chamar a atenção sobre sua pessoa de várias maneiras, contando
realizações pessoais e agindo de forma diferente para afirmar sua superioridade e vantagens em
relação aos outros.
VI) O reivindicador – manifesta-se como porta-voz de outros, de subgrupos ou classes,
revelando seus verdadeiros interesses pessoais, preconceitos ou dificuldades.
VII) O confessante – usa o grupo como platéia ou assistência para extravasar seus
sentimentos, suas preocupações pessoais ou sua filosofia, que nada têm a ver com a disposição ou
orientação do grupo na situação-momento.
VIII) O gozador – aparentemente agradável, evidencia, entretanto, seu completo
afastamento do grupo, podendo exibir atitudes cínicas, desagradáveis, indife- rente à preocupação e
ao trabalho do grupo através de poses estudadas de espectador, que se diverte com as dificuldades e
os esforços dos outros.
5.4 – BASES DA LIDERANÇA
5.4.1 – Bases Filosóficas da Liderança
a) Conceituação de filosofia
Entende-se como Filosofia o conjunto de concepções, práticas ou teóricas, acerca do
homem e de seu papel no universo.

Cada ciência experimental possui seu domínio, no entanto, há questões que nenhuma ciência

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enfrenta: o valor da vida, a liberdade, as leis morais, os valores em geral, o dilema corpo x espírito
e etc. Somente a filosofia se ocupa de tais aspectos.

Pitágoras, o célebre filósofo e matemático grego, foi quem usou, pela primeira vez, a palavra
filosofia (philos-sophia), que significa amor à sabedoria.

O que a filosofia tem buscado – até nossos dias – são respostas a indagações fundamentais do
homem:

“Quem somos?”
“Para onde vamos?” “Qual o sentido da vida?”
Obviamente, não foram encontradas respostas definitivas para dúvidas de tal magnitude, o
que não invalida a pesquisa filosófica, inclusive porque a filosofia pretende fomentar uma atitude de
permanente questionamento, de não aceitação plena de verdades acabadas.
b) Os grandes temas filosóficos

I) A axiologia - estuda os valores filosóficos, especialmente os valores morais, e sua


hierarquização;
II) A ética - trata da moral e de sua prática;

III) A cultura - estudo do homem inserido em seu grupo social abrangendo, entre outras, as
estruturas sociais e religiosas e as manifestações intelectuais e artísticas que caracterizam uma
sociedade.
c) Relação entre filosofia e liderança

A relação entre filosofia e liderança é profunda, especialmente entre os temas filosóficos ética
e axiologia (ou teoria dos valores).
O processo de influenciação de um grupo, que é a essência da liderança, está profundamente
ligado aos valores éticos e morais que devem ser transmitidos e praticados pelo líder.

d) A Ética

A ética, ou filosofia moral, é a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito
dos fundamentos da vida moral.
Podemos definir moral como: um conjunto de regras que determinam o comportamento de
indivíduos em uma dada sociedade.

Dois aspectos devem ser enfatizados:

I) tais regras são dinâmicas, ou seja, variam no tempo e no espaço; por exemplo, a moral do
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século XIX, que aceitava a escravidão, não vale mais para os dias de hoje nos países civilizados;
além disso, o que é moralmente aceito em uma determinada sociedade, como a poligamia praticada
pelos muçulmanos, não o é em outros grupos sociais;
II) a moral tem caráter coletivo, mas só tem valor real se for aceita, em termos pessoais, por
cada membro do grupo social; portanto, quando educamos jovens não basta citarmos um elenco
de regras de convívio social, sendo indis- pensável que acreditemos efetivamente nelas e as
pratiquemos, para que os jovens acreditem em tais normas e possam praticá-las, sinceramente,
com pleno convencimento.
Ao líder cabe transmitir, permanentemente, a ética e a moral da instituição a que pertence, ou
do seu grupo social.
Em todos os níveis, desde o grupo familiar, célula da vida social, até a condução de um povo,
há que haver uma ética norteando qualquer ato dos indivíduos em sociedade.

III) Elevação do moral

O moral é o estado de espírito de alguém, gerado pelas circunstâncias que afetam sua
participação como membro de um grupo.
É a atitude mental do militar em relação ao dever a ser cumprido e a tudo mais que com ele
se relacione, manifestando-se pela força de vontade, superioridade e segurança.

O moral influi de maneira decisiva no modo pelo qual os trabalhos são feitos e as ordens
executadas.

Há uma relação direta e recíproca entre a disciplina e o moral, já que o fortalecimento de um


se reflete imediatamente sobre o outro.

O moral elevado só existe em grupos em que a disciplina consciente predomina, constituindo-


se no melhor indicativo de uma liderança efetiva.

Assumir um erro exige, em muitas situações, coragem moral. Covardia moral pode levar à
desonestidade e aí, em vez de um, cometem-se dois erros, sendo o segundo bem pior do que o
primeiro. Agrava-se a situação, em vez de resolvê-la.
Regras para construção, elevação e consolidação do moral dos subordinados:

a) Conquistar-lhes a confiança, pela imparcialidade, serenidade, acerto e firmeza de suas


decisões;
b) Manter-se em contato com seus problemas e aspirações pessoais;

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c) Garantir-lhes a melhor condição de vida, nas circunstâncias;

d) Mantê-los permanentemente orientados e informados;

e) Tratá-los como seres humanos, na plenitude de seus direitos;

f) Proporcionar-lhes momentos de lazer e descanso;

g) Evitar o ócio e a monotonia, a todo o custo;

h) Interessar-se por suas carreiras;

i) Promover o seu desenvolvimento pessoal;

j) Cuidar do seu bem-estar, na medida certa para as circunstâncias;

k) Discipliná-los e incentivar a disciplina;

l) Fazer com que sintam a importância do seu trabalho e do papel que desempenham no
grupo;
m) Incentivar o espírito de equipe;

n) Fazer com que sintam a presença e o pulso da liderança; e o) Doutriná-los nos momentos
adequados.
e) Axiologia (ou teoria dos valores)

A axiologia, também conhecida como a teoria dos valores, é considerada a parte mais nobre
da filosofia.
O valor indica a qualidade pela qual um objeto (material ou não) possui dignidade portanto
merece estima e respeito por parte de um sujeito.

Uma característica essencial do valor é a sua polaridade, ou seja, o valor tem de ser
positivo ou negativo. A indiferença significa ausência de valor.
Outra é o seu caráter ao mesmo tempo objetivo e subjetivo. O objeto tem qualidades que o
fazem desejável ou não desejável. Por outro lado, o sujeito precisa reconhecer tais qualidades no
objeto, atribuindo-lhe valor positivo ou negativo.

O ser humano precisa receber uma educação adequada para ser capaz de valorizar um objeto
(a vida humana, a pátria, a família, a natureza, uma doutrina religiosa). Sem essa educação, perde-se
a capacidade de perceber esses valores, especialmente quando se trata daqueles universais, tais
como: honra, dignidade e honestidade.

A característica fundamental da axiologia consiste na hierarquização desses valores, que são


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transmitidos pela educação familiar, pela sociedade, pelo grupo.

Assim é que, geralmente (embora não sempre), o homem tem como valor primor- dial a
própria vida e a luta permanente por sua preservação.
Essa hierarquização de valores varia de um país para outro, de uma sociedade organizada
para outra, de um grupo social para outro. Por exemplo, na Segunda Guerra Mundial, os
“kamikaze”, pilotos-suicidas japoneses e, atualmente, os fundamentalistas islâmicos, que se
sacrificam em atentados nos EUA e Oriente Médio, priorizam a causa da pátria à frente de sua
própria vida, contrariando o instinto de preservação, valor primordial do ser humano.

Exemplo mais próximo é o juramento proferido solenemente pelos militares da Marinha,


assegurando defender a honra, integridade e instituições da Pátria, com o sacrifício da própria vida.

Nas Forças Armadas, valores como a honra, a dignidade, a honestidade, a lealdade e o


amor à pátria, assim como todos os outros considerados vitais, devem ser praticados e transmitidos,
permanentemente, pelo Líder aos seus liderados, como tarefa de doutrinamento. Este procedimento
visa transmitir a correta hierarquização e prioriza-os em relação aos valores materiais, como
dinheiro, o poder e a satisfação pessoal.

Este é o maior desafio a ser enfrentado por aquele que pretende exercer a liderança de um
grupo.

O momento é oportuno para transcrevermos o conceito de honra, externado pelo Almirante


Tamandaré, patrono da Marinha do Brasil:

“Honra é a força que nos impele a prestigiar nossa personalidade. É o sentimento avançado
do nosso patrimônio moral, um misto de brio e valor. Ela exige a posse da perfeita
compreensão do que é justo, nobre e respeitável, para elevação da nossa dignidade; a bravura
para desafrontar perigos de toda ordem, na defesa da verdade, do direito e da justiça.
Este sentimento está acima da vida e de tudo quanto existe no mundo, porque a vida se
acaba na sepultura e os bens são transitórios, enquanto que a honra a tudo sobrevive”.

5.4.2 – Bases Psicológicas da Liderança


a) Conceituação de psicologia
A matéria-prima da psicologia é a vida humana em seus múltiplos aspectos: mentais,
corporais e de interação com o mundo externo. Seu objeto de estudo são os fenômenos
psicológicos.

Fenômenos psicológicos são processos que ocorrem no mundo interno dos indivíduos,
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construídos ao longo de suas vidas; são contínuos, e nos permitem sentir o mundo de forma
própria.

b) Relação entre Psicologia e Liderança


A Liderança consiste em uma relação de interação envolvendo pessoas (líder e liderados); a
maneira como se processa essa interação depende, em muito, dos fenômenos psicológicos que
ocorrem na mente dos indivíduos envolvidos.
O processo de liderança deve ser constantemente submetido a uma reavaliação, pelo fato de
envolver pessoas interagindo, de forma estrita, durante um determinado período.

A psicologia permite compreender o modo como os seres humanos são condicionados pelos
estímulos, que se refletem no comportamento, e pelo ambiente que os envolve. As atitudes formam
um conjunto de fatores pelos quais as pessoas podem ser observadas, tais como: gestos, participação
e apresentação.

O líder, em todos os níveis, deve ser capaz de compreender o processo psicológico do


“estímulo – comportamento – atitude”, que permite moldar e avaliar os liderados para tarefas que
envolvam até risco de vida, como em situações de combate.

A seguir abordaremos os três aspectos da psicologia que mais interessam, objetivamente,


processo da Liderança São eles: percepção, motivação e atitude.

c) Percepção

O homem é sempre capaz de receber estímulos do mundo externo e responder a eles, após os
haver interpretado. Tais estímulos incluem coisas, pessoas e situações.
O psiquismo do próprio observador, sua subjetividade, vai interferir decisivamente em seu
processo de percepção. Quanto mais complexo for este estímulo, maiores são as possibilidades
de ocorrerem percepções distintas, por parte de diferentes observadores.

Quando o objeto percebido é concreto, por exemplo, um automóvel pequeno com a pintura
em bom estado, a maioria dos observadores perceberá claramente tais características.

Quando o objeto percebido é uma pessoa, surgem maiores dificuldades. Quando


conhecemos alguém, tendemos a formar impressões imediatas sobre a pessoa. Podemos achá-la
simpática e inteligente, por exemplo. Um outro observador, ao conhecer a mesma pessoa, pode
considerá-la simpática, mas não muito inteligente. Já um terceiro poderá dizer que nem se
aproximou muito, por considerá-la bastante antipática. Isso acontece porque a subjetividade de

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quem percebe interfere poderosamente no processo de formação de juízos.

Outro fator complicador em nosso processo de avaliação dos outros é a tendência que as
pessoas tem, principalmente em um primeiro contato, de revelar apenas alguns traços de sua
personalidade, normalmente os que consideram favoráveis. Tais constatações nos levam a uma
conclusão: nossa percepção é falha, quando estamos observando pessoas (ou grupos delas); isto
porque os seres humanos têm emoções muitas vezes secretas.

Assim, qual deve ser o procedimento para evitar a forte tendência de estabelecermos
percepções equivocadas sobre terceiros? Reconhecer que as pessoas não são formulações
matemáticas que apresentam solução-padrão e ter suficiente humildade para não confiar cegamente
na própria percepção, tendo capacidade para reformulá-la, após observação mais duradoura e
acurada.

A seguir, são apresentados alguns dos processos, mais comumente postos em prática pelos
observadores em geral, e que conduzem a graves equívocos na formação de juízos sobre
terceiros:

I) Efeito de halo

É muito comum categorizarmos o objeto de nossa percepção em termos de bom e mau,


deduzindo, a partir desta primeira classificação, os demais traços do indivíduo observado; esta
tendência é chamada de efeito de halo, porque a pessoa rotulada de boa passa a ser cercada por uma
aura positiva, sendo a ela atribuídas todas as qualidades consideradas favoráveis; ao contrário, se o
indivíduo é rotulado de mau, passa a possuir um halo negativo, sendo a ele atribuídas todas as más
qualidades.
II) Similaridade suposta

É a tendência da maioria das pessoas para supor que as outras são semelhantes a elas mesmas,
se o indivíduo gosta de futebol, tende a acreditar que os outros também gostam isto é, grande parte
dos indivíduos atribui suas próprias características aos outros.
III) Preconceito

É a tentativa de avaliar alguém, a priori, pelo fato de pertencer a um grupo étnico, religioso,
político, etc. Isto pode nos conduzir a graves equívocos.

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d) Motivação

Todo comportamento humano é motivado, ou seja, nossos


atos, mesmo os mais rotineiros, têm, por trás de si, motivos que
os norteiam.

I) Motivo: é a condição interna que leva o indivíduo a agir


e persistir em um dado comportamento, visando um
determinado objetivo.
II) Motivação consciente: está associada a comportamentos em que o sujeito sabe claramente
qual o motivo que o impeliu à ação, como por exemplo, o ato de beber água quando sente sede,
escolher um transporte, uma roupa, etc..
III) Motivação inconsciente: em outras situações, o motivo pode não ser claro – o que não
impede a manifestação do comportamento; neste caso o sujeito crê em um motivo aparente, que
não é o verdadeiro, como por exemplo, uma pessoa que lava compulsivamente as mãos poderá
explicar seu comportamento, alegando que age assim porque as mãos estão sujas (motivo
aparente), quando na verdade se comporta daquela forma porque tem pensamentos pecaminosos,
que considera sujos (motivo latente).
Atos inconscientes de coçar a cabeça ou balançar as pernas também são formas de
transparecer preocupação, nervosismo, ansiedade ou tensão.
IV) Origem dos motivos: para a maioria dos psicólogos sociais, os motivos têm origem nas
necessidades, ou seja, o motivo é uma condição interna que conduz à ação, desde que haja uma
necessidade; caso o indivíduo não tenha necessidades de qualquer natureza, ele simplesmente não
age.
V) Gráfico de Maslow:
O conhecido psicólogo social Maslow formulou uma interessante teoria sobre a motivação
humana a partir de cinco categorias de necessidades, as quais ele hierarquiza partindo das mais
genéricas e elementares (base da pirâmide) às mais sutis (topo da pirâmide).

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A interpretação do gráfico é feita a partir da base do triângulo; uma vez atendidas as


necessidades de um determinado nível o indivíduo passará a sentir necessidades em um grau
imediatamente acima.
• Necessidades fisiológicas - são aquelas mais prementes, as quais afetam todos os indivíduos
da espécie, tais como fome, sede, repouso, sexo, etc.
• Necessidades de segurança – são aquelas relativas à preservação de sua integridade física.
• Necessidades de amor e afeto - neste nível de necessidade está incluído tanto o dar como
receber amor; consideram os psicólogos, em sua maioria, que a frustração no atendimento destas
necessidades é a origem mais comum da falta de adaptação e da psicopatologia grave.
• Necessidades de auto-estima - correspondem ao desejo de avaliação estável e elevada, além
do respeito das outras pessoas.
• Necessidades de auto-realização - são definidas como a tendência do indivíduo para
realizar plenamente seu próprio potencial, ou seja, ser efetiva mente o que pode ser.
VI) Incentivos
São objetos ou condições que despertam motivos e, portanto, tornam-se finalidades para as
quais se dirigem os comportamentos; só serão eficazes, porém, em função das necessidades do
indivíduo, por exemplo: o alimento só funciona como incentivo para alguém que esteja faminto.
Como incentivos, podemos citar: recompensas e punições, elogio, censura e competição.
Os psicólogos, em geral, consideram que a recompensa se mostra mais eficaz do que o
castigo, principalmente em processos de aprendizagem. Pesquisas também mostraram que o elogio
é superior à censura, e esta, por sua vez, superior à indiferença.

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A curto prazo, elogio e censura apresentam resultados idênticos como incentivos; no entanto,
a longo prazo, o elogio se mostra mais eficaz.

A competição também é bastante utilizada em grupos de indivíduos, com o propósito de


estimular melhor desempenho entre seus membros. Deve ser empregada com bastante critério,
uma vez que apresenta uma grave limitação: apenas um indivíduo vence, enquanto os demais
membros do grupo podem sentir-se perdedores, gerando frustração e desestímulo.

Os psicólogos consideram que deve ser estimulada a competição do indivíduo consigo


mesmo, na busca de melhores resultados, e não contra os demais componentes do grupo.

e) Atitude

“É um sistema relativamente estável de organização de experiências e comporta- mentos


relativos a um objeto ou evento particular”. (McDavid e Harari)
Atitude é um conceito hipotético, isto é, não pode ser diretamente observável, o que não
impede que seu efeito possa ser inferido a partir do comportamento decorrente.

Comportamento á a expressão de uma atitude ou a manifestação aparente de uma vontade.


Por exemplo, nada assegura a um professor que o fato de um aluno estar em silêncio, olhando para
o quadro, com postura ideal, signifique que tal aluno esteja efetivamente atento ao conteúdo da aula,
aprendendo o que está sendo ministrado. Seu comportamento parece indicar uma atitude neste
sentido, mas não há garantias disso.
De início, afirma-se que atitude é um sistema; portanto, compõe-se de partes.

Que partes são estas?

Uma delas, de caráter racional, é chamada de elemento cognitivo; é conceitual, ligado,


portanto, à consciência do indivíduo. Outra parte componente do sistema de atitudes de uma pessoa
é elemento afetivo, relacionado a sentimentos e emoções do sujeito; este elemento trata do gostar
(ou não) de um determinado objeto, independentemente de argumentos racionais. Um terceiro
elemento, chamado comportamental, trata das tendências ou predisposições do indivíduo para agir
de maneira própria.

É importante ressaltar que os elementos citados não atuam isoladamente, mas se


interpenetram, imbricam-se, apresentando uma resultante final, que se manifestará através do
comportamento por ela gerado.

Convém chamar atenção para outra parte da definição que afirma que as atitudes são relativas

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a um dado objeto. Os objetos podem ser pessoas (o pai, o vizinho, o patrão, etc.), grupos sociais
idéias ou crenças.

É possível concluir que as atitudes têm fortes propriedades motivadoras, isto é, orientam o
comportamento dos indivíduos.

O sistema de atitudes de um indivíduo vai sendo estruturado ao longo de sua existência, por
meio de experiências vividas, desde a primeira infância; é um processo dinâmico, que acompanha o
desenvolvimento psicosocial do sujeito. Ou seja, mesmo um adulto pode rever seus conceitos,
reformular suas crenças, reconsiderar suas relações afetivas, em suma, reorganizar seu sistema de
atitudes.

A possibilidade de atuação sobre os sistemas de atitudes de adultos é a grande arma da


propaganda em geral, quer tenha como finalidade vender um produto comercial, quer pretenda
disseminar uma crença, quer apoie um candidato político. Liderança, sendo um processo de
influenciação e persuasão, consiste precisamente em atuar no complexo sistema de atitude de
indivíduos adultos.

5.4.3 – Bases Sociológicas da Liderança


a) Conceituação de sociologia
A sociologia é a ciência humana que tem como objeto a descrição sistemática de
comportamentos sociais e, também, o estudo dos fenômenos sociais;

Podemos nos referir as sociedades compostas por muitos milhões de seres humanos (a
sociedade brasileira, por exemplo) ou a sociedades de dimensões muito mais modestas (a
associação de moradores de um bairro).

O que caracteriza uma sociedade é o grau de complexibilidade das relações internas desta
coletividade, suficientemente amplo para ser analisado do ponto de vista sociológico.
A sociologia tem como meta mostrar o lado interno das sociedades, com o propósito de
refletir, com profundidade, sobre a dinâmica de forças atuantes em dada coletividade.

b) Relação entre Sociologia e Liderança

Como já vimos, a liderança envolve líder e liderados em um processo ímpar de interação


social. Tal processo ocorre sempre no interior de grupos humanos, razão pela qual existe uma
relação muito próxima entre sociologia e liderança.
Em um agrupamento humano, o indivíduo que melhor conseguir personificar anseios e

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objetivos de sobrevivência, coletivamente comungados em uma determinada situação, passa a ser


candidato em potencial para assumir a liderança.

Naturalmente, para que alguém possa ser considerado como a personificação da vontade
coletiva de um grupo, é necessário possuir atributos pessoais que o qualifiquem como Líder, tais
como: credibilidade e persuasão.

A seguir trataremos de alguns aspectos da sociologia que têm relação estreita com a liderança.

c) A cultura

Podemos definir cultura como tudo que é socialmente aprendido e partilhado pelos membros
de dada sociedade.
O homem é fundamentalmente um ser cultural; nascemos dentro de determinado contexto
cultural, do qual recebemos uma herança social; podemos introduzir modificações nesta última e
transformá-la, contribuindo para o legado de futuras gerações.

I) Elementos que compõem as culturas: os elementos fundamentais, relativos a uma dada


sociedade, que compõem as culturas em geral são:
• a língua;

• os costumes (vestuário, alimentação, música, religião, etc.);

• as técnicas (meios de trabalho e produção de bens);

• os valores (normas, critérios e ideias, relacionados com formação de atitudes).


II) Subcultura: dentro de uma determinada cultura, podemos notar grupos de pessoas que
desenvolvem comportamentos próprios, não compartilhados por todos os membros desta cultura; é
o que se define como subcultura; as Subculturas se distinguem umas das outras por traços
específicos, entre os quais podemos citar a religião, a ocupação, a faixa etária, a classe social e
outros; por exemplo, os militares constituem uma subcultura dentro da sociedade brasileira e a
Marinha é uma subcultura dentro das Forças Armadas.
III) Cultura ideal: consideramos como cultura ideal aquela que inclui os comportamentos
aprovados em determinada sociedade, os quais se espera que serão praticados por seus membros
(são as normas culturais).
IV) Cultura real: inclui os comportamentos efetivamente postos em prática pelos membros
da sociedade; na maioria das sociedades existem padrões de comportamento que, embora
condenados, são amplamente praticados, por exemplo, o jogo do bicho no Brasil.

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d) Etnocentrismo

Diretamente decorrente do conceito de cultura, a noção de etnocentrismo é de capital


importância, uma vez que sua prática é muito frequente no interior de grupos humanos.
Tal prática consiste em considerar a cultura do próprio grupo como superior às demais; ou
seja, é usada como padrão de referência em relação às outras; por exemplo, afirmações do tipo:
povo eleito, raça superior, verdadeiros fiéis, etc..

I) Aspecto positivo: fortalecimento da auto-estima do grupo, sua lealdade interna e,


consequentemente, sua autopreservação; é fator de estímulo do patriotismo, do nacionalismo, do
espírito de corpo e do “espírito de navio”.
II) Aspecto negativo: proteção contra eventuais mudanças e a não-aceitação de elementos
externos àquela cultura, podendo conduzir ao isolamento, à cristalização e à falta de autocrítica
no seio do grupo.
e) Papel e Status

São aspectos de um mesmo fenômeno; status é um conjunto de privilégios e deveres; papel é


o comportamento derivado de tal conjunto de privilégios e deveres.
Podemos dizer que papel é o comportamento esperado de um indivíduo que detém
determinado status.
As normas da cultura são retidas através da aprendizagem de papéis; todos nós, ao longo da
existência, devemos aprender a desempenhar vários papéis, como os de cidadão, pai, filho, marido,
profissional de determinada área, membro de determinada classe social ou de uma religião.

É possível a ocorrência de conflitos entre os diferentes papéis que o indivíduo desempenha na


vida; também podem ocorrer choques entre o status e o desempenho real do papel.

I) Papéis atribuídos: são aqueles que independem de escolha do indivíduo, e se referem a


atribuições por sexo, idade, raça, nacionalidade, classe social etc.; por exemplo, ser homem,
brasileiro e jovem, forma um conjunto de papéis atribuídos a determinado indivíduo.
II) Papéis adquiridos: se referem a escolhas do indivíduo, e são obtidos através de sua
capacidade e desempenho; por exemplo, o status de marido e o de militar são adquiridos.
III) O papel do líder: como a liderança tem caráter situacional, o papel do líder se modifica
em função de eventuais mudanças contextuais; por exemplo, liderar em função de paz requer
atributos distintos daqueles da liderança em situação de combate. O papel de chefe militar é um
papel atribuído, cuja complexidade é crescente, à medida que o indivíduo vai galgando postos

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hierárquicos na carreira. Mas, ao mesmo tempo, o militar deve exercer o papel adquirido de líder
militar, que deve ser conquistado, permanentemente, por iniciativa própria.
f) Processos Sociais
São definidos como a interação repetitiva de padrões de comportamento comumente
encontrados na vida social (Horton e Hunt).
Os de maior incidência nas sociedades e grupos humanos são: cooperação, competição e
conflito.

Como sua ocorrência é frequente no interior dos grupos humanos, compete ao líder identificar
a existência de tais processos, estimulando-os ou não, em função das especificidades da situação
corrente e da natureza da missão a ser levada a termo.

I) Cooperação
Significa trabalhar em conjunto, implicando em uma opção pelo coletivo em detrimento do
individual; sob muitos aspectos e de um ponto de vista humanista, é a forma ideal de atuação de
grupos; exemplos: no mundo animal, abelhas e formigas; nas sociedades humanas as cooperativas,
os processos de cooperação científica e cultural, a ONU, etc..
II) Competição

É definida como a luta pela posse de recompensas cuja oferta é limitada; ou a tentativa de
obter uma recompensa superando todos os rivais; tais recompensas incluem dinheiro, poder, status,
amor e muitos outros.
A competição, sob o ponto de vista psicológico, tem o mérito de estimular a atividade dos
indivíduos e dos grupos, aumentando-lhes a produtividade. Tem, porém, o grave inconveniente de
desencorajar os esforços daqueles que se habituaram a fracassar. Vencedor há um só; todos os
demais são perdedores.

Outro sério inconveniente decorrente do estímulo à competição consiste na forte


possibilidade de desenvolvimento de hostilidades e desavenças no interior do grupo, contribuindo
para sua desagregação.

Os especialistas concordam que os processos de competição e de cooperação coexistem e, até


mesmo, sobrepõem-se na maioria das sociedades. O que varia, em função de diferenças culturais, é
a intensidade com que cada um é experimentado.

A instabilidade inerente ao processo competitivo faz com que este, com frequência, se
transforme em conflito.

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III) Conflito

É a exacerbação da competição; consiste em obter recompensas pela eliminação ou


enfraquecimento dos competidores (e não pela superação destes, como ocorre no processo de
competição); é uma forma de competição em que a violência tende a se instalar e vai-se
intensificando, à medida que aumenta a duração do processo, já que este tem caráter cumulativo (a
cada ato hostil surge uma represália cada vez mais agressiva).
A partir de divergências de percepção e ideias, as pessoas se colocam em posições
antagônicas, caracterizando uma situação conflitiva. Desde as mais leves até as mais profundas, as
situações de conflito são componentes inevitáveis e necessárias da vida grupal.

O conflito, em si, não é patológico nem destrutivo, podendo ter conseqüências funcionais
ou disfuncionais, a depender de:

• sua intensidade;

• estágio de evolução;
• contexto; e
• forma como é tratado.
O aspecto negativo do conflito é a sua tendência a destruir a unidade social e da mesma forma
desagregar grupos menores.
Por outro lado, doses regulares de conflito de posições podem ter efeito integrador dentro do
grupo, levando a uma revitalização dos valores autênticos próprios daquele grupo.

De um ponto de vista amplo, o conflito tem muitas funções positivas:

• Previne a estagnação decorrente do equilíbrio constante da concordância;


• Estimula o interesse e a curiosidade pelo desafio da oposição;
• Descobre os problemas e demanda sua resolução;
• Funciona como a raiz de mudanças pessoais, grupais e sociais.
Uma vez instalado e manifesto o conflito no seio de um grupo, seu respectivo líder terá de
buscar soluções alternativas para manter o controle da situação. Não é fácil ou agradável para os
líderes atuar em situações de conflito, o que não justifica sua pura e simples negação; é
indispensável que o líder seja capaz de diagnosticar as situações de conflito, mesmo quando ainda
latentes, de modo a buscar alternativas para o mesmo.

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g) Alternativas para os conflitos

Nem sempre há como evitar, em uma sociedade ou grupo humano, o surgimento de


situações de conflito; existem, porém, as seguintes possibilidades:

• Acomodação - consiste de um acordo temporário entre as partes (indivíduos ou grupos)


conflitantes, desde que tais partes considerem prioritário agir em conjunto, a despeito de
hostilidades e diferenças; a acomodação não resolve o conflito, mas funciona como uma suspensão
temporária do mesmo; exemplo: casais que adiam uma separação legal, aguardando a emancipação
dos filhos.
• Deslocamento – trata-se de suspender determinado conflito, substituindo-o por outro;
exemplo: guerra, ou ameaça de guerra, contra um inimigo externo, com o propósito de promover a
unidade nacional.
• Institucionalização da liberação da hostilidade – consiste na canalização da energia
agressiva inerente aos conflitos, para formas socialmente aceitas, como festas e rituais religiosos, ou
práticas esportivas; exemplo: carnaval e futebol.
• Arbitramento – uma terceira pessoa aceita de comum acordo pelos oponentes decide por
uma solução própria para o conflito, a qual será respeitada por ambos; exemplo: nas relações
internacionais muitas vezes os países recorrem ao arbitramento como solução para conflitos de
fronteiras, evitando a confrontação e o uso da violência.
h) Processo psicossocial de mudança

São as seguintes as fases do processo psicosocial de mudança:


I) Descongelamento - Para que ocorra mudança nas pessoas, faz-se necessário que haja
algum desequilíbrio ou crise interna que propicie alteração de percepções e introdução de novas
ideias, sentimentos, atitudes, comportamentos. Pode se alcançar este estágio através de
comunicação, questionamento, introdução de novas informações e ideias, levando à sensibilização e
à conscientização de problemas e da necessidade de algumas mudanças para resolvê-los;
II) Incorporação – Consiste na decisão pela mudança e sua implementação, pela
aprendizagem de novos padrões de percepção, conhecimentos, atitudes e ações; e
III) Congelamento – Se estabelece o equilíbrio após a transição da mudança. Esta última fase
precisa de reforço externo para que as atitudes e comportamentos antigos não se manifestem
novamente.
i) Resistência à mudança
Toda mudança provoca resistência.
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Em geral as pessoas sentem medo do novo, do desconhecido, do que não lhes é familiar. A
percepção vem acompanhada de um sentimento de ameaça à situação já organizada e segura da
pessoa.
Do ponto de vista psicológico, a resistência à mudança é uma reação normal, natural e sadia,
desde que represente um período transitório de tentativas de adaptação, em que a pessoa busca
recursos para enfrentar e lidar com o desafio de uma situação diferente.

A resistência à mudança é, portanto, uma fase inicial prevista em qualquer programa de


mudança planejada.

5.5 – TIPOS DE LIDERANÇA E SUAS CARACTERÍSTICAS

5.5.1 – Estilos de liderança

Muitas teorias descrevem e preconizam estilos de liderança baseados no conhecimento


técnico-profissional, nas características pessoais, no relacionamento entre líderes e liderados e,
ainda, segundo as circunstâncias em que se encontra o grupo.
a) Liderança Autoritária ou Autocrática
É baseada na autoridade formal,
aceita como correta e legítima pela
estrutura do grupo. Essa autoridade
formal, que é conferida ao líder, dá-lhe
autonomia para motivar os seus
subordinados por intermédio de
recompensas e punições.
O Líder autocrático baseia a sua
atuação numa disciplina rígida, impondo
obediência e mantendo-se afastado de relacionamentos menos formais com os seus subordinados.

Controla o grupo por meio de inspeções de verificação do cumprimento de normas e padrões


de eficiência, exercendo pressão contínua.

Este tipo de liderança pode ser útil e, até mesmo, recomendável em situações especiais – em
combate, por exemplo, sendo a forma de liderança mais conhecida e de mais fácil adoção.

A principal restrição a esse tipo de liderança é o desinteresse pelos problemas e idéias,


i m p e d i n d o a iniciativa e, por conseguinte, a participação e a criatividade dos subordinados.

O uso desse estilo de liderança pode gerar resistência passiva dentro da equipe e inibir a
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iniciativa do subordinado, além de não considerar os aspectos humanos, entre eles o relacionamento
líder liderados.
b) Liderança Participativa ou Democrática

Nesse estilo de liderança, abre-se mão de parte


da autoridade formal em prol de uma esperada
participação dos subordinados e aproveitamento de suas
ideias.
Os componentes do grupo são incentivados a
opinarem sobre as formas como uma tarefa poderá ser
realizada, cabendo a decisão final do líder (exemplo
típico é o Estado-Maior).

O êxito desse estilo é condicionado pelas características pessoais, pelo conhecimento técnico-
profissional e pelo engajamento e motivação dos componentes do grupo como um todo.

Em se obtendo sucesso, a satisfação pessoal e o sentimento de contribuição, por parte dos


subordinados, são fatores que permitem uma realimentação positiva do processo.

Na ausência do líder, uma boa equipe terá condições de continuar agindo, de acordo com o
planejamento previamente estabelecido, para cumprir a missão.

O líder deve estabelecer um ambiente de respeito, confiança e entendimento recíprocos,


devendo possuir, para tanto, ascendência técnico-profissional sobre seus subordinados e conduta
ética e moral compatíveis com o cargo que exerce. Um líder que adota estilo democrático encoraja a
participação e delega com sabedoria, mas nunca perde de vista sua autoridade e responsabilidade.

c) Liderança Delegativa ou Liberal

Esse estilo é indicado para assuntos de natureza técnica, nas


quais o líder atribui a assessores a tomada de decisões
especializadas, deixando-os agir por si só. Desse modo, ele tem
mais tempo para dar atenção a todos os problemas, sem se deter
especificamente a uma determinada área.
É eficaz quando exercido sobre pessoas altamente
qualificadas e motivadas. O ponto crucial do sucesso desse tipo
de liderança é saber delegar atribuições sem perder o controle da
situação e, por essa razão, o líder também deverá ser altamente
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qualificado e motivado.

O controle das atividades dos elementos subordinados é pequeno, competindo ao chefe às


tarefas de orientar e motivar o grupo para atingir as metas estabelecidas.

d) Liderança Situacional

Também conhecida como teoria do ciclo vital da liderança, define que, para diferentes
situações, o estilo de liderança a ser exercido deve ser distinto. O êxito do processo está pautado
na percepção do ambiente (grau de maturidade/prontidão do grupo) e na capacidade de adaptação
do comportamento do líder para atender às necessidades dos seus liderados.
Os estilos de liderança efetivos seguem uma relação curvilínea entre tarefa, relacionamento e
maturidade dos subordinados.

Os aspectos mais importantes a serem considerados no ciclo vital da liderança são os


seguintes:

I) Muitos grupos não atingem a parte madura do ciclo, embora haja evidências de que, com
aumento do nível de educação e experiência, isso possa se alcançado;
II) A maturidade depende, também, das ferramentas disponíveis; um grupo maduro em
determinado trabalho, com suas ferramentas clássicas, torna-se imaturo se tiver que utilizar novas
ferramentas cuja operação não domine;
III) O estilo de liderança de uma pessoa reflete sua estrutura básica motivacional e de
necessidades, sendo de fato, difícil fazer mudanças bruscas no seu estilo; e
IV) As pessoas que ocupam cargos de nível mais elevado tendem a ser mais “maduras” e,
portanto, precisam de menos supervisão do que as pessoas que ocupam posições de nível mais
baixo.
Os melhores líderes utilizam estilos diferentes, em diferentes situações. Na prática, em um dia
de trabalho, o líder pode empregar os três processos de liderança, de acordo com a situação e com
os liderados.
Manda cumprir uma ordem, consulta o grupo antes de tomar uma decisão e sugere a um
subordinado realizar determinada tarefa.

Ao mandar, é líder autocrático; consultando, é líder democrático; e sugerindo é líder


delegativo.

A esse estilo de liderança que assume, de acordo com as circunstâncias, características


autocráticas, democráticas ou delegativas, denomina-se liderança situacional.
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5.5.2 – Níveis de liderança

A Doutrina de Liderança da Marinha adotou três


níveis que definem, com precisão, toda a abrangência da
liderança:

• Liderança direta ou pessoal

• Liderança organizacional; e

• Liderança estratégica.

a) Liderança Direta ou Pessoal


A liderança direta é obtida por meio do relacionamento face a face entre o líder e seus
liderados e é mais presente nos escalões inferiores, quando o contato pessoal é constante.
Conquanto seja mais intensa no comando pequenas frações ou unidades, será sempre exercida na
carreira de um militar, tendo em vista que a estrutura organizacional da Força exige o trato com
assessores e subordinados diretos.
b) Liderança Organizacional ou de Organização
Normalmente é exercida nos grandes grupos. Ao contrário do que acontece no nível de
liderança direta, a influência dos líderes organizacionais é basicamente indireta: eles expedem suas
políticas e diretivas e motivam seus liderados por meio de seu “staff” e comandantes subordinados.
Devido ao fato de sua liderança ser distante, os resultados de suas ações são
frequentemente menos visíveis e mais demorados.

Sempre que possível, o líder organizacional deve mostrar sua presença junto aos escalões
subordinados, seja por intermédio de visitas e mostras, seja por meio de reuniões funcionais com
os comandantes subordinados.

c) Liderança Estratégica
Líderes estratégicos exercem sua liderança no âmbito dos níveis mais elevados da
Instituição. Sua influência é ainda mais indireta e distante do que a dos líderes organizacionais.
Os líderes estratégicos trabalham para deixar, hoje, a instituição pronta para o ama- nhã, ou
seja, para enfrentar os desafios do futuro.

A visão dos líderes estratégicos é especialmente crucial na identificação do que é


importante com relação ao pessoal, material e tecnologia, a fim de subsidiar decisões críticas que
irão determinar a estrutura e a capacidade futura da organização.

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Para obter o suporte necessário, os líderes estratégicos procuram obter o consenso não só no
âmbito interno da organização, como também trabalhando, junto ao Congresso e a outros órgãos,
nos assuntos relativos a orçamento, estrutura da Força e questões estratégicas, além de estabelecer
contatos com outros países e Forças em assuntos de interesse mútuo.

A maneira como eles comunicam as suas políticas e diretivas aos militares e civis
subordinados, e apresentam aquelas de interesse aos demais cidadãos, vai determinar o nível de
compreensão alcançado e o possível apoio para as novas idéias.
Esses líderes preparam a Instituição para o futuro por meio de sua liderança. Isso significa
influenciar pessoas – integrantes da própria organização, membros de outros setores do governo,
elites políticas – por meio de propósitos significativos, direções claras e motivação consistente.
d) Utilização dos atributos de cada nível de liderança

O líder organizacional deve ser também um líder direto, assim como o líder estratégico deve
acumular os atributos dos líderes direto e organizacional.
5.5.3 – Manifestações patológicas da liderança
a) Liderança Carismática
Em consequência da conjunção de fatores intelectuais e emocionais, presentes em grau
sumamente elevado, em circunstâncias altamente favoráveis, o líder atinge o clímax de sua
ascendência; passa a ser amado, com freqüência de modo doentio, com as seguintes
consequências:

I) A razão se enfraquece;

II) O convencimento por parte do líder chega a ser desnecessário; e


III) Estabelece-se a obediência cega inconsequente.
A liderança militar deve repelir qualquer manifestação dessa natureza).
b) Liderança que atenta contra a ética

Consiste no emprego da liderança para atingir objetivos que estão em desacordo as regras que
determinam o comportamento de indivíduos em uma dada sociedade. Enquadra-se neste caso, por
exemplo, a liderança exercida por certos chefes de organizações criminosas.
5.6 – FORMAS DO LÍDER TRABALHAR COM OS PROBLEMAS COMUNS NA DI-
NÂMICA DE UM GRUPO
5.6.1 – Formas de exercer influência no grupo Aspectos psicológicos a considerar
O chefe que desejar tornar-se um líder, influenciando seus subordinados, deverá utilizar as

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contribuições que a psicologia coloca a serviço da liderança, considerando, principalmente, os


seguintes aspectos:

I) A habilidade de impelir os indivíduos a agirem depende e se baseia num conhecimento


das possíveis e prováveis reações desses mesmos indivíduos;
II) Quem deseja influenciar alguém não deve levar em conta apenas o lado intelectual da sua
personalidade, mas, igualmente, o seu lado sentimental – não basta se dirigir à razão, sendo também
necessário falar ao sentimento do indivíduo;
III) Deve-se ter em vista que a reação do indivíduo, em conjunto, é diferente da sua reação
isolada ou individual – os homens se transformam quando em coletividade, perdendo suas
características individuais e incorporando a si, como individualidade própria, as características do
grupo;
IV) As qualidades e habilidades necessárias aos líderes bem sucedidos são determinadas,
em grande parte, pelas exigências específicas da situação em que o líder se encontra – o líder tem de
se conduzir de acordo com a situação, em que se incluem as características de cada membro e do
aspecto coletivo do grupo;
V) A liderança eficiente não é um comportamento único, um modo de proceder invariável,
mas um conjunto harmonioso e adequado às diversas situações de:
• qualidades postas em evidência;

• processos de influenciação; e
• métodos de condução e de direção;
VI) O líder, ao procurar obter ação e resultados, deve sempre procurar fazer os subordinados
sentirem que a atividade a realizar satisfaz aos seus próprios propósitos, desejos e necessidades; e
VII)Às vezes, a justificação doutrinária de uma ideia não basta para fazer com que os homens
a aceitem e ajam com eficiência, sendo necessário ir além, influenciar toda a estrutura mental,
abrangendo a razão, o sentimento, a inteligência e, até mesmo, o subconsciente.
5.6.2 - Processos de influenciação

Influenciar implica em descobrir as molas do comportamento humano, em cada situação; as


forças psicológicas em jogo; os motivos, que nem sempre estão claros nas ocorrências diárias.
Porém, um pouco de cuidado, observação atenta e oportunidade para poder percebê-los, são
suficientes para descobrir esses motivos e utilizá-los convenientemente, dentro dos princípios
preconizados pelo estudo da liderança.

São os seguintes, os principais processos de influenciar pessoas:


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I) Motivação - apelo às necessidades, interesses, valores e aspirações.


A motivação nada mais é do que um processo qualquer de impulsionar as pessoas a agirem. O
ideal é que elas ajam conscientemente, espontaneamente, voluntariamente, que tenham vontade,
queiram e até mesmo gostem de realizar a ação proposta.
Sem motivação não existe atividade espontânea. A qualidade da ação depende do interesse do
homem. A motivação é exatamente um meio de despertar esse interesse, de canalizar a vontade dos
indivíduos.

Compete ao líder perceber as necessidades e os interesses de seus liderados.


II) Afirmação e repetição - apelo à memória, ao hábito.

São elementos que têm uma poderosa influência sobre as opiniões e as convicções; sobre a
maneira de pensar e de julgar. A educação é em parte baseada neles.
As empresas propagam os seus produtos pela publicidade, pois conhecem o valor da
afirmação.

A afirmação só adquire influência real sob a condição de ser constantemente repetida e,


sempre que possível, nos mesmos termos. Pela repetição, a coisa afirmada implanta-se nos
espíritos, a ponto de ser aceita como uma verdade demonstrada.

Suficientemente repetida, uma afirmação acaba por criar primeiramente uma opinião e,
mais tarde, uma crença. Assim se explica a espantosa força da publicidade.

III) Exortação – apelo ao sentimento e às emoções.

Tem como propósito transmitir entusiasmo e fervor, não servindo para transmitir informações
ou argumentos racionais.
Por isso ela se aplica melhor onde os valores emotivos estão profundamente enraizados na
pessoa a ser influenciada: o homem emotivo ou emocionado é quase inacessível e indiferente à
argumentação racional, mas não aos apelos sentimentais.
Ao utilizá-la, o líder deve lembrar-se de que a exortação é um apelo emocional, e que as
emoções produzidas por tal apelo não são capazes de subsistir prolongadamente. Por isso, o seu
uso deve ser criterioso e sempre acompanhado de ações concretas, úteis e práticas.

IV) Argumentação – apelo à razão e ao raciocínio lógico.

A argumentação tem como objetivo influenciar o ouvinte ou leitor no sentido de não


escolher, não decidir ou não opinar antes de conhecer os fatos, as evidências, as verdades e a
lógica envolvidas na consideração de determinado problema ou situação.
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V)Publicidade, Propaganda e Informação – apelo à atenção.

São técnicas que servem de apoio aos demais processos.


São ações conscientes, destinadas a transmitir informações ou ideias, com o fim de
levarmos pessoas a pensar ou agir de determinada forma.
A escolha dos meios e métodos para a publicidade e para a propaganda depende do tamanho,
espécie, natureza e nível do grupo de pessoas dirigido ou comandado.

A informação, sob a forma de impressos diversos, relatórios, gráficos, estudos comparativos,


mostra aos homens os seus progressos pessoais e os progressos de seu grupo.

VI) Prestígio – apelo à afeição

De todos os processos este é talvez o que mais predispõe os subordinados a se deixarem


influenciar.
Quando um líder de prestígio, possuindo determinadas qualidades pessoais, faz uso das
mesmas, não será difícil se observar a reação dos subordinados, no sentido de enfrentar tarefas
difíceis e fazer o que for preciso para seguir suas de- terminações.

VII) Efeito de atmosfera ou de ambiente – apelo à sugestibilidade

O ambiente que cerca as palavras, atos e gestos, através do qual o líder pretende influenciar
seus comandados, é de particular importância para que estes últimos se tornem sugestionáveis.
Tudo o que no ambiente, no local e no cenário for capaz de estimular, de influir sobre o
ânimo, o estado de espírito, o humor e os sentimentos dos comandados, deve merecer todo o
cuidado e atenção do líder.

5.7 – COMPORTAMENTO DOS ELEMENTOS DE UM GRUPO DIANTE DOS ES-


TILOS DE LIDERANÇA
5.7.1 - Introdução

Em 1939, na Universidade de Iowa, os cientistas Kurt Lewin, Ronald Lippitt e Ralph White
realizaram uma experiência, que ficou conhecida como a experiência de Iowa, visando estabelecer
relações entre estilos de liderança e comportamento de grupos.
Foram selecionados quatro grupos de meninos de 10 anos de idade, pelo método de
apresentação voluntária, os quais foram submetidos a diversos tipos de controle e entregues as
atividades tais como pinturas murais, escultura em massa e construção de aeromodelos.

De seis em seis semanas, assumiam a direção de cada grupo líderes diferentes, os quais

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empregavam estilos alternados de liderança autocrática, democrática e delegativa. Os resultados da


experiência foram os seguintes:

5.7.2 – Comportamento diante da liderança autocrática ou autoritária

Neste tipo de liderança, o líder exige apenas obediência, a ele competindo, exclusivamente,
traçar as normas de ação e tomar decisões; o líder manda.
Foram feitas as seguintes constatações:

a) A liderança autocrática originou muita tensão e frustração;


b) Verificaram-se atos agressivos e danos na sala;
c) Insistência em fazer coisas proibidas;
d) Saídas da sala fora de hora;
e) Alunos fingindo não ouvir o líder;
f) Alguns caíram num conformismo apático, com total submissão ao líder;
g) O grupo não ria, não brincava, não conversava e o movimento e a iniciativa estavam
ausentes;
h) Seus membros pareciam gostar das tarefas, mas se percebia não estarem satisfeitos com a
situação;
i) A presença do líder era indispensável para que o trabalho se desenvolvesse;
j) Quando o líder saía, tudo parava, e o grupo dava expansão a todos os sentimentos
reprimidos;
k) Houve casos de agressão entre membros do grupo, na ausência do líder.

5.7.3 – Comportamento diante da liderança democrática ou participativa

Neste tipo de liderança, o líder extrai idéias e sugestões do grupo através de debates livres,
sendo os subordinados encorajados a participar das decisões e traçar objetivos comuns; o líder
consulta.
Foram feitas as seguintes constatações:

a) As relações entre os membros do grupo e o líder foram cordiais e amistosas;


b) Líder e subordinados comunicavam-se com franqueza e espontaneidade;
c) O trabalho progrediu em ritmo suave, seguro, sem interrupções na ausência do líder;
d) Desenvolveu-se um sentido de responsabilidade entre todos; e
e) Tornou-se evidente a integração do grupo.
5.7.4 – Comportamento diante da liderança delegativa ou liberal

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Neste tipo de liderança, o líder é quase exclusivamente um centro de informações,


manifestando-se quando solicitado, e os subordinados dispõem da mais ampla liberdade de
movimentos, decidindo normas e objetivos. o líder sugere.
Foram feitas as seguintes constatações:

a) O trabalho progrediu ao acaso, repleto de altos e baixos;


b) Embora a atividade fosse aparentemente intensa, a produção jamais chegou a ser
satisfatória;
c) Perdeu-se tempo considerável em discussões e querelas causadas sempre por motivos
pessoais, sem qualquer ligação com o grupo;
d) Desenvolveu-se o individualismo agressivo; e
e) Embora os líderes despertassem a simpatia da maior parte dos membros do grupo, nenhum
sentimento maior de respeito por sua autoridade surgiu.
5.7.5 – Repercussões da experiência e Iowa

No mundo empresarial, a experiência de Iowa foi recebida como demonstração de


superioridade dos processos democráticos de Liderança, os quais foram adotados pela maioria
dos administradores.
Até o sistema disciplinar das Forças Armadas Norte-americanas foi influenciado pelos
processos democráticos de liderança. O autoritarismo transformou-se em tabu, enquanto o estilo
delegativo confundia-se com negligência e irresponsabilidade.

A experiência teve o mérito de despertar, nos homens de empresa, a atenção para a


complexidade e a delicadeza dos problemas de como conduzir as pessoas.

Toda problemática da Liderança está em quando empregar qual processo com quem.

5.8 – ATRIBUTOS E CARACTERÍSTICAS PESSOAIS DO LÍDER

5.8.1 - Introdução

Certos traços de personalidade encontram-se acentuados nos líderes militares, porém, não
existem fórmulas que indiquem quais os mais necessários ou como são utilizados no exercício da
liderança.
Os atributos de um líder não devem ser considerados isoladamente, e sim, em conjunto (6:5).
A liderança militar comporta uma variada gama de fatores que compõem o perfil do líder;
o domínio de alguns deles não assegura êxito, assim como a inexistência de outros não indica falta
de condições para ser líder.
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5.8.2 – Principais atributos de um líder


a) Atributos de Higidez
Higidez é o estado de saúde do indivíduo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),
saúde é um estado de bem-estar físico, mental e social. Nesse estado, o homem se encontra na
plenitude de suas potencialidades somáticas.

É imperativo criar condições físicas e mentais favoráveis ao bem-estar do pessoal. Os homens


não são máquinas. O tempo deve ser utilizado considerando suas necessidades de: trabalho, lazer e
descanso, tudo dentro das circunstâncias e objetivando o cumprimento da missão (2:46).

O líder deve estar sempre preocupado em renovar suas próprias energias, evitando entrar em
estado de fadiga física ou mental, tendo igual preocupação em relação ao seu pessoal (2:46).

b) Atributos de Caráter
Constituem um conjunto de valores éticos que apresentam como componente comum a
verdade.
I) Caráter: é a soma total dos traços de personalidade que dão consistência ao
comportamento e tem por base a ética, a integridade, a honestidade, o respeito e a confiança, sendo
fator preponderante nas decisões e no modo de agir de qual- quer pessoa; e
II) Coerência/Integridade: capacidade de agir de acordo com as próprias ideias e pontos de
vista, em qualquer situação; significa firmeza, franqueza, sinceridade e honestidade para si mesmo e
em relação a superiores, pares e subordinados.
c) Atributos de Cavalheirismo
É uma das mais cultuadas tradições da Marinha. Compõem o cavalheirismo:

I) Bondade: demonstração de preocupação com o bem estar pessoal e profissional dos


liderados;
II) Comportamento social (postura): correção de atitudes e cortesia em todos os círculos
sociais que frequenta; cumprimento dos deveres de cidadão; procedimento exemplar na vida
particular, educação civil, cavalheirismo, civilidade e boas maneiras;

III) Compostura (autocontrole, equilíbrio emocional): manifestação coerente de reações


emocionais apropriadas, sobretudo em situações difíceis ou críticas;
IV) Consideração individual: é desejável que se relacione com cada pessoa individualmente;
V) Discrição: capacidade de se manifestar comedidamente em atitudes, maneiras e
linguagem. Saber relatar e comentar fatos ou situações, ou mesmo ficar calado, levando em conta os

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interesses do serviço e da convivência social;


VI) Espírito de cooperação: capacidade de auxiliar eficiente e desinteressada- mente, de
esforçar-se em benefício das necessidades e prioridades da organização a que pertence, sem ater-se
aos problemas peculiares e limitados de sua função;
VII) Expressão escrita: capacidade de apresentar, por escrito, idéias, pensamentos, fatos e
situações com correção, clareza, precisão, objetividade, concisão e estilo apurado;
VIII) Expressão oral: capacidade de apresentar, oralmente, ideias, pensamentos, fatos e
situações com correção, clareza, precisão, objetividade e propriedade de linguagem;
IX) Ligação (relação): quanto mais fortes a relação e a ligação entre as pessoas, maior será a
probabilidade de o subordinado querer ajudar o Líder. Deve-se utilizar a emoção como fator de
estímulo à ação;
X) Respeito: é um atributo do relacionamento superior-subordinado que deve co- existir nos
dois sentidos desta relação, tanto do mais antigo para com o mais moderno como vice-versa.
Implica em observar as normas da moralidade e da urbanidade; e
XI) Tato: faculdade de tratar e resolver habilmente questões com outrem, de ser oportuno
nas palavras, nos gestos, nas ordens, nas soluções, nos elogios e nas críticas.
d) Atributos Essenciais

São atributos que, vindo do íntimo, referem-se à essência de cada um:

I) Autoconfiança: fé em si mesmo e na própria capacidade; demonstração de segurança e


convicção de ser bem sucedido diante de dificuldades. É demonstrada pela aparência, pelo olhar,
pela voz, pelo entusiasmo no modo de falar e de agir;
II) Confiança: capacidade de inspirar a crença de ser capaz de executar com êxito a missão
que lhe foi atribuída, de agir conforme com o que fala, de ser coe- rente, responsável e justo;
III) Motivação: força interna que sustenta todas as ações humanas; e
IV) Persistência/tenacidade: capacidade para executar uma tarefa vencendo as dificuldades
encontradas até concluí-la; é a perseverança para alcançar um objetivo, apesar de obstáculos
aparentemente insuperáveis.
e) Atributos do Julgamento
São demonstrados pela capacidade de analisar os problemas ou situações, pesar os fatores e
chegar a uma decisão judiciosa.
I) Capacidade de decisão: capacidade de tomar posição diante de várias opções; é a
habilidade para tomar medidas seguras e corretas no momento adequado; a percepção e a

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sensibilidade são elementos críticos para a tomada de decisões;


II) Flexibilidade: capacidade de adaptação, de decidir, agir ou reagir corretamente, de modo
diferente em situações diferentes; e
III) Imparcialidade (senso de justiça): capacidade de julgar, baseando-se em da- dos
objetivos, sem se envolver, de acordo com o mérito e o desempenho de cada um, sem se deixar
influenciar pelas características pessoais e relacionamentos.
f) Atributos de Liderança

São valores que apresentam como componente comum a influenciação:

I) Apresentação pessoal: aprumo militar, conjugado com o apuro dos trajes civis e militares e
os cuidados com a aparência física requeridos ao militar;
II) Competência: proficiência em habilidades tangíveis, como técnicas funcionais e os
conhecimentos específicos; e habilidades intangíveis, como inter- pessoais, de comunicação, de
trabalho em equipe e administrativas; o militar com reconhecida capacidade profissional em seu
ambiente de trabalho, torna-se referência para seus superiores, pares ou subalternos e desponta
como líder;
III) Conhecimento profissional: conhecimento teórico e prático de sua profissão e
especialidade; domínio de campos de conhecimento correlatos e afins com sua profissão.
Habilidade no emprego de seus conhecimentos em prol do serviço;
IV) Coragem: a coragem apresenta-se sob duas formas: coragem física – superação do medo
ao dano físico no cumprimento do dever – e coragem moral – disposição para defender crenças
e desafiar os outros, baseado em valores e princípios morais, admitir erros e mudar o próprio
comportamento quando preciso, mesmo que esse ato contrarie os próprios interesses;

V) Dedicação: realizar as atividades com empenho, esforçar-se por concluí-las


corretamente, dentro dos prazos estabelecidos;
VI) Desprendimento (desinteresse, abnegação): é o esquecimento voluntário do que há de
egoístico nos desejos e tendências naturais do homem, em proveito de uma pessoa, causa ou ideia;
VII)Disciplina consciente: capacidade de se conduzir dentro das normas e regu- lamentos,
mesmo quando não estiver sendo observado ou quando suas ideias e concepções pessoais forem
contrárias; possuir auto-liderança;
VIII) Entusiasmo: executar as tarefas com ânimo elevado, vibração e vigor; mostrar-se feliz e
orgulhoso do cargo que exerce;
IX) Exemplo: o exemplo aos subordinados se materializa pelo comportamento do líder, pleno
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de valores inerentes à ética militar, aceitos e respeitados pelo grupo; esse comportamento deve ser
firme, permanente e coerente; o líder jamais deve dizer: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu
faço”;

X) Iniciativa: capacidade de agir face a situações inesperadas, sem depender de ordem ou


decisão superior;
XI) Persuasão: capacidade de utilizar argumentos convincentes, para influenciar ações e
opiniões dos outros; e
XII) Responsabilidade moral (senso de responsabilidade): capacidade de cumprir suas
atribuições e as que sejam requeridas pela administração e de assumir e enfrentar as consequências
de seus atos e omissões, de suas atitudes e decisões.
5.8.3 – Procedimentos para se tornar um líder
Em resumo, pode-se dizer que, para se aperfeiçoar como líder, todos devem buscar se tornar
ponto de referência, adotando os seguintes procedimentos:
a) Ser sempre sincero com seus superiores, pares e subordinados;

b) Obedecer e assegurar-se que as normas disciplinares são obedecidas;

c) Estimular em seus subordinados o sentimento de sempre dizer a verdade;


d) Ser justo e criterioso na aplicação de recompensas, elogios e punições;
e) Desenvolver o gosto por atividades esportivas e intelectuais;

f) Respeitar a dignidade humana dos seus subordinados, evitando o uso de expressões


depreciativas, preconceituosas ou grosseiras;
g) Desenvolver a coesão e a disciplina; e

h) Ser criativo.

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ANEXO A
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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11. _______ Estado-Maior da Armada. EMA-136 – Normas a Respeito das Tradições Navais,
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