Você está na página 1de 4
A ciência da aprendizagem (adaptado de Deans for Impact) Pedro Damião Twitter: @geofactualidade | Blogger:

A ciência da aprendizagem

(adaptado de Deans for Impact)

Pedro Damião

Twitter: @geofactualidade | Blogger: geofactualidades.blogspot.com

Como é que os alunos compreendem novas ideias?
Como é que os alunos compreendem novas ideias?

Princípios cognitivos

Implicações práticas para a sala de aula

 

Um currículo bem sequenciado é importante para garantir que os alunos tenham o conhecimento prévio necessário para dominar as novas ideias.

Os alunos aprendem novas ideias por referência a ideias que já conhecem.

Os professores usam analogias para ligar uma nova ideia a uma que os alunos já sabem. Mas as analogias só são eficazes se a atenção do aluno for direcionada para as semelhanças mais importantes entre o conhecimento existente e o conhecimento que está a ser aprendido.

Os alunos aprendem quando transferem informação da memória operacional (curto prazo) onde é conscientemente processada, para a memória de longo prazo (onde é armazenada e posteriormente recuperada).

Os professores podem utilizar “exemplos trabalhadospara reduzirem a carga cognitiva. Um exemplo trabalhadoé uma demonstração passo-a- passo de como realizar uma tarefa ou resolver um problema. Gradualmente estes exemplos vão sendo removidos para que os alunos resolvam os problemas de forma independente.

As

capacidades da memória

As ideias devem ser apresentadas utilizando diferentes modos de codificação: enquanto fala, mostra uma imagem (gráfico, mapa, foto), que complemente a informação oral. Utilizando a dupla codificação (“dual coding”), a aprendizagem é facilitada pois a mesma informação é apreendida através de associações verbais e imagens visuais.

operacional são limitadas e podem ser sobrecarregadas por tarefas

cognitivamente muito exigentes.

Compreender novas ideias pode ser dificultado se os alunos se confrontarem com muita informação de uma só vez.

Tornar o conteúdo explícito através de explicação, modelagem e exemplos pode ajudar a que os alunos não fiquem sobrecarregados com demasiada informação.

O

desenvolvimento cognitivo não

Um conteúdo não deve ser deixado de ser ensinado porque é “inapropriado para o seu desenvolvimento cognitivo”. Existe um percurso biologicamente inevitável de desenvolvimento cognitivo previsível por idade. Mas em vez de nos perguntarmos se “o aluno está pronto?", é melhor considerar se "o aluno dominou os pré-requisitos?”.

acontece através de uma sequência fixa de estádios relacionados à idade. O domínio de novos conceitos acontece sucessões de “pára-arranca”.

1
1
Como é que os alunos aprendem e retêm nova informação? Princípios cognitivos Implicações práticas para
Como é que os alunos aprendem e retêm nova informação?
Como é que os alunos aprendem e retêm nova informação?

Princípios cognitivos

Implicações práticas para a sala de aula

A

informação é frequentemente

O

professor pode atribuir tarefas que exijam explicação (por exemplo,

recuperada da memória tal como foi memorizada.

perguntas sobre como ou por que algo aconteceu) ou que exigem que os

alunos organizem significativamente o material. Essas tarefas concentram

 

a

atenção dos alunos no significado do conteúdo.

O

que habitualmente se pretende é

que os alunos relembrem o significado da informação. Se pensarem sobre o significado da informação a guardar na memória, mais facilmente relembrem esse

significado.

O

professor pode ajudar os alunos a aprender a dar significado a factos

difíceis de relembrar através da utilização de histórias e mnemónicas.

 

A

prática pode ser espaçada ao longo do tempo, revendo os conteúdos

ao longo de semanas ou meses, para que seja relembrado num prazo mais alargado.

A

prática é essencial para os alunos

O

professor deve explicar aos alunos que tentar relembrar um conceito de

aprenderem novos factos, mas nem toda prática tem o mesmo efeito.

tempos a tempos faz com que essa informação fique em memória de modo mais duradouro. Utilizar testes de baixo risco ou risco nulo (auto- testes / quizzes) é um meio eficaz para melhorar a memória.

O

professor pode intercalar (alternar) a prática de diferentes tipos de

conteúdo ao invés de abordar um conteúdo após o outro. Ex: A B C

A

D B C A - E

Como é que os alunos resolvem problemas?
Como é que os alunos resolvem problemas?

Princípios cognitivos

Implicações práticas para a sala de aula

Cada disciplina tem um conjunto

Os professores precisam de ensinar diferentes conjuntos de fatos em diferentes idades. Por exemplo, os aspetos mais óbvios (e mais bem estudados) são os matemáticos, os pares de letras e sons nos primeiros anos do ensino. Para a matemática, a memória é muito mais confiável do que o cálculo. Factos matemáticos (por exemplo, 8 x 6 =?) estão incorporados noutros tópicos (por exemplo, divisão). Uma criança que faz pausa para calcular pode cometer erros ou perder a noção do problema maior que está a resolver, por isso a importância de saber a tabuada.

de

aspetos que, se bem

consolidados na memória de longo prazo, ajudam na resolução de problemas, libertando recursos da memória operativa e criando ligação com novos contextos em que os conhecimentos existentes podem ser aplicados.

 

O bom feedback é:

Feedback efetivo é frequentemente essencial para adquirir novos conhecimentos e competências.

específico e claro;

focado na tarefa e menos no aluno;

focado na melhoria e não na verificação do desempenho.

2
2
Como é que a aprendizagem é transferida para novas situações?
Como é que a aprendizagem é transferida para novas situações?
é que a aprendizagem é transferida para novas situações? Princípios cognitivos Implicações práticas para a

Princípios cognitivos

Implicações práticas para a sala de aula

A

transferência de conhecimento ou

competências para um novo problema requer conhecimento sobre o contexto do problema e um conhecimento profundo da estrutura que lhe está subjacente.

O

professor deve criar condições para garantir que os alunos têm um

conhecimento de base para apreciar o contexto do problema.

 

O

professor pode levar os alunos a compararem problemas que tenham

Compreendemos novas ideias através de exemplos mas por vezes

em comum uma estrutura unificadora. Por exemplo, o aluno pode aprender a calcular a área do rectângulo através do tampo de uma mesa mas poderá ter dificuldade em reconhecer que este conhecimento será relevante para resolver um problema escrito que peça para calcular a área de um campo de futebol. Ao comparar problemas, os alunos são orientados para percecionar e relembrar a estrutura de base (cálculo de áreas).

difícil ter uma perspetiva mais ampla do problema como um todo.

é

O

resolver um problema. Essa prática aumenta a probabilidade dos alunos reconhecerem a estrutura subjacente ao problema e aplicarem as etapas

professor deve ajudar os alunos a identificar as etapas necessárias para

 

de

solução de problemas a outras situações.

Os professores podem alternar exemplos concretos (por exemplo, problemas escritos) e representações abstratas (por exemplo, fórmulas matemáticas) para ajudar os alunos a reconhecer a estrutura subjacente dos problemas.

O que motiva os alunos para aprender?
O que motiva os alunos para aprender?

Princípios cognitivos

Implicações práticas para a sala de aula

 

Os alunos estão mais motivados se acreditarem que inteligência e habilidade podem ser melhoradas através do trabalho árduo.

Crenças sobre a inteligência são preditores importantes sobre o

Os professores podem contribuir para as crenças dos alunos sobre a sua capacidade para melhorar a sua inteligência, elogiando o esforço e as estratégias dos alunos ao serviço da aprendizagem, em vez das suas capacidades.

comportamento dos alunos na Escola.

Os professores podem levar os alunos a sentirem-se mais ativos no controle da aprendizagem, incentivando-os mais a definir metas de aprendizagem (metas de melhoria) do que metas de desempenho (metas

de

aprovação).

Motivação autodeterminada (consequência de valores ou puro interesse) leva a melhores resultados a longo prazo do que a motivação (consequência de recompensa / punição ou percepções de auto-estima)

Os professores controlam vários fatores relacionados com a recompensa

ou elogio, e que podem influenciar a motivação dos alunos, tais como:

se a tarefa proposta é uma que o aluno já está motivado para executar

se uma recompensa oferecida por uma tarefa é verbal ou tangível

se uma recompensa oferecida por uma tarefa é esperada ou inesperada

 

se os elogios são feitos pelo esforço, pela conclusão da tarefa pela

3
3
Princípios cognitivos Implicações práticas para a sala de aula   qualidade do desempenho   

Princípios cognitivos

Implicações práticas para a sala de aula

 

qualidade do desempenho

 

se o elogio ou recompensa ocorre imediatamente ou após algum tempo

A

capacidade de monitorizar o

Os professores podem envolver os alunos em tarefas que lhes permitam monitorizar com fiabilidade a sua própria aprendizagem (por exemplo, teste, auto-teste e explicação). Se não forem encorajados a usar essas tarefas como guia, os alunos provavelmente farão julgamentos sobre o seu próprio conhecimento com base em quão familiar percecionam a situação e baseados em informações parciais. Essas pistas podem ser enganosas.

próprio pensamento pode ajudar os alunos a identificarem o que fazem

e

não sabem, mas as pessoas

geralmente não conseguem avaliar com precisão a sua própria aprendizagem e compreensão.

Os alunos estarão mais motivados

Os professores podem assegurar aos alunos que as dúvidas sobre o sentido de pertença são comuns e diminuirão com o tempo.

e

mais bem sucedidos num

ambiente académicos quando acreditam que pertencem e são aceites nesses ambientes.

Os professores devem incentivar os alunos a percecionar o feedback crítico como um sinal de que alguém tem expetativas elevadas de que eles tenham um desempenho elevado.

Quais os equívocos mais comuns sobre como os alunos aprendem?
Quais os equívocos mais comuns sobre como os alunos aprendem?

Princípios cognitivos

Implicações práticas para a sala de aula

Os alunos não têm diferentes “Estilos de aprendizagem”.

 

O

ser humano não usa apenas

10% do seu cérebro.

Os professores devem ser capazes de reconhecer equívocos comuns da ciência cognitiva que se relaciona com o ensino e aprendizagem.

As

pessoas não são

preferencialmente "rightbrained" ou

"leftbrained" no uso do cérebro.

 

O

desenvolvimento cognitivo não

progride através de um contínuo de estádios relacionados com a idade.

 
4
4