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Minhas restrições à Confissão de Fé Batista de 1689

Vanderson M. da Silva

7 anos ago
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No texto abaixo apresento certas discordâncias e ressalvas minhas quanto


a uns poucos pontos não essenciais desse histórico documento batista que
subscrevo. Algumas delas também são compartilhadas por outros irmãos
da minha denominação que abraçaram a fé reformada tal como exposta na
Confissão de Fé Batista de Londres de 1689. Listo-as a seguir:

1) Não creio que o Papa seja o Anticristo, como assevera 26.4: “O papa
de Roma não pode, em qualquer sentido, ser o cabeça da Igreja; ele é o
anticristo, o homem da iniquidade e filho da perdição, o qual se opõe e se
levanta contra Cristo e contra tudo que se chama Deus, a ponto de
assentar-se no santuário de Deus, como se fosse o próprio Deus. O Senhor
Jesus o matará com o sopro da sua boca”. O chefe do catolicismo pode
ser UM anticristo, mas não O Anticristo. Entendo que os textos de 1 e 2
João ensinam que há muitos anticristos, aos quais Paulo faz alusão em
2Ts 2.2-9: “o homem da iniquidade” refere-se, pois, a uma pluralidade de
agentes, tendo-se aí um típico emprego do singular como plural, como no
caso de “o varão” no Salmo 1.1; “o sábio”, em Provérbios 21.11; “o
justo”, em Isaías 26.7; etc.

2) Também discordo da primeira parte de 10.3: “As crianças que morrem


na infância, se eleitas, são regeneradas e salvas por Cristo, através do
Espírito que obra quando, onde e como lhe agrada”. Com Albert Mohler
e Daniel L. Akin, entendo que as crianças que morrem na infância são
todas eleitas.

3) Estou totalmente de acordo com o parágrafo 22.7: “Por instituição


divina, é uma lei universal da natureza que uma proporção de tempo seja
separada para a adoração a Deus. Por isso, em sua Palavra – através de
um mandamento explícito, perpétuo e moral, válido para todos os
homens, em todas as eras – Deus determinou que um dia em cada sete lhe
seja santificado, como dia de descanso. Desde o começo do mundo, até a
ressurreição de Cristo, esse dia era o último da semana; e, desde a
ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, que é
chamado ‘Dia do Senhor’. A guarda desse dia como sábado cristão deve
continuar até o fim do mundo, pois foi abolida a observância do último
dia da semana”. Porém, faço uma ressalva: “[no domingo] os cristãos
devem abster-se de todo trabalho secular, excetuando aquele que seja
imprescindível e indispensável à vida da comunidade” (Declaração
Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, X, grifo meu).

4) Preferiria “fé salvífica” a “fé salvadora” (capítulo 14). Sim, eu sei que
as duas expressões são sinônimas e sancionadas pela língua. Acontece
que, dada as distorções e abusos que a heresia da “confissão de fé
positiva” vem promovendo sobre o conceito bíblico de fé (como se essa
tivesse em si mesma um poder inerente e, consequentemente, capaz de
por si só operar salvação), entendo que “salvífica” ajudaria a nos guardar
melhor de eventuais mal-entendidos.

A íntegra da Confissão pode ser acessada aqui. A CFB 1689 é a segunda


produzida pelos batistas particulares (calvinistas) ingleses — a primeira é
a de 1644. Seu texto é o mesmo da Confissão de Fé de Westminster
(1646), porém, adaptado; a de Filadélfia (1742), por sua vez, é uma cópia
da Confissão Batista de Londres de 1689, mas com dois artigos a mais.

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