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Bioquímica

Medicina UFMG Katharina Lanza 154


1° Módulo
1. Água
a. Molécula polar angulada.
b. Altamente coesiva, dada as pontes H.
c. É um ótimo solvente porque enfraquece as ligações eletrostáticas e pontes H das moléculas polares, competindo
por suas atrações.
d. A fluidez da água se deve a curta meia-vida de suas ligações.
e. As moléculas de água possuem baixo poder de ionização. Seu equilíbrio é dado por Kw e vale 1014 .
f. Efeito hidrófobo: as moléculas apolares têm tendência de se agregarem em micelas a fim de minimizar o contato
com a água. Isso porque a água é um composto hidrofílico, e sua entropia é aumentada com a interação junto ao volume
total de água.

2. Aminoácidos
a. Na condição de polímero, gera uma proteína.
b. Realizam ligações de caráter de dupla ligação parcial.
i. Isso significa que a ligação entre os grupos amina e carboxila é rígida, planar e mais curta que uma ligação
simples comum.
c. Os α-aminoácidos são formados por um carbono alfa, um grupo amino, um grupo carboxila, um H e um radical R.
d. Com exceção da glicina, todos os aminoácidos são moléculas quirais. Apenas os isômeros levógiros são
encontrados nas células.
e. O pKr ou estado de ionização varia de acordo com o aminoácido.
f. Hidrofobicidade dos grupos R: tendência das cadeias laterais hidrofóbicas em se agruparem no interior de
proteínas enoveladas.
g. Os aminoácidos podem ser classificados de acordo com o seu grupo prostático:
i. R apolar: não tem capacidade de receber ou doar elétrons. São eles: valina, alanina, leucina, isoleucina,
prolina, fenilalalina, triptofano, metionina.
 Prolina: o grupo amino desse aminoácido forma um anel, de modo que o grupamento se transforma em
um grupo imino. A prolina contribui para a formação das fibras colágenas.
 Enovelam-se e ficam no centro da proteína, dada a hidrofobicidade dos grupos R.
ii. R polares desprovidos de carga: carga líquida 0 em pH neutro. São eles: serina, treonina, cisteína, asparagina,
glutamina, tirosina.
 A cisteína e a tirosina podem perder um próton em pH alcalino.
iii. R ácidos: doadores de prótons. São eles: ácido aspártico, ácido glutâmico.
iv. R básicos: aceptores de prótons. São eles: lisina, histidina, arginina.
h. Os aminoácidos aromáticos - triptofano, fenilalanina, tirosina - podem absorver radiação ultravioleta.
i. Solução tampão: resiste a mudanças sutis de pH quando se
adicionam pequenas quantidades de ácido ou base. A capacidade
tamponante máxima acontece quando o pH=pKa, ou seja, quando
[A-] é igual a [HA], já que log1=0.
i. Em pHs ácidos, os grupos carboxila e amino estão
protonados. À medida em que o pH da solução é a aumentado, o
grupamento carboxila se dissocia e doa um próton para o meio,
formando o grupo carboxilato. É o ponto pK1.
 Em pH fisiológico tem-se o ponto isoelétrico do
aminoácido, com o grupamento carboxila na forma de íon
carboxilato e o grupamento amino protonado. O ponto
isoelétrico (pI) é a média entre pK1 e pK2.
 A carga elétrica dos aminoácidos pode ser
descoberta pela curva de titulação do aminoácido.

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ii. Em pHs básicos, o grupo amino é titulado e libera um próton para o meio. É o denominado pK2. Sendo o pK
igual ao Ka (constante de associação), o grupamento amino tem uma constante de associação maior que o grupo
carboxila.
iii. O pKr varia de aminoácido para aminoácido.

3. Proteínas
a. Estrutura das proteínas:
i. Primária: é a estrutura linear recém-sintetizada. Os aminoácidos são unidos covalentemente por ligações
peptídicas entre os grupamentos carboxila e amino.
 Ligação peptídica: caráter de dupla ligação parcial. A ligação é rígida, planar e mais curta que uma ligação
simples comum.
ii. Secundária: arranjos regulares localizados próximos na sequência linear.
 Helicoidal: estabilizada pela formação de pontes H entre os átomos de oxigênio das carbonilas e o de
hidrogênio das amidas.
o Os grupamentos R são projetados para fora, para que não haja interação entre si.
o A prolina quebra a hélice alfa, porque seu grupo imino não é compatível com o formato espiral.
o A glicina tem uma estrutrura muito flexível, o que desestabilizaria a hélice alfa.
o Aminoácidos carregados - glutamato, aspartato, histidina, lisina, arginina - quebram a hélice por
formar ligações iônicas ou se repelirem eletrostaticamente entre si.
o Aminoácidos com cadeias laterais volumosas - triptofano, valina e isoleucina - pode interferir na
formação da hélice se em grande quantidade.
 Folhas Beta: pontes H entre todas os componentes da molécula. É composta por duas ou mais cadeias
quase totalmente estendidas, denominada pregueada porque suas pontes de H são perpendiculares ao esqueleto
peptídico na forma de zigue-zague.
o As folhas podem estar dispostas de forma antiparalela (extremidades C-terminal e N-terminal
alterando-se) ou paralela umas às outras.
o Os grupos R se projetam em direções opostas.
o Volta beta: Em folhas antiparalelas, as extremidades se dobram e conectam os segmentos de cada
folha. Os aminoácidos glicina e prolina são os mais presentes nesse caso.
iii. Terciária: atração ou repulsão das cadeias laterais de acordo com as propriedades físico-químicas. São
interações que estabilizam a estrutura terciária:
 Pontes dissulfeto: ligação covalente entre grupos sulfridrila da cisteína, formando um resíduo de cistina.
Muito presentes em imunoglobinas.
 Interações hidrofóbicas.
 Interações iônicas.
 Pontes de hidrogênio.
iv. Quaternária: arranjo de subunidades polipeptídicas na forma de proteínas multiméricas.
 São agentes desnaturantes de proteínas: calor, solventes, agitação mecânica, ácidos ou bases
fortes, detergentes, íons e metais pesados.
 Chaperonas: proteínas assistentes moleculares que atuam no dobramento adequado do polímero. Pode
atuar:
o Mantendo a proteína desdobrada até que sua síntese seja terminada.
o Catalisando o dobramento em seu estágio final.
o Impedindo que regiões expostas não formem dobramentos improdutivos.

4. Purificação de Proteínas
a. Princípios de purificação de proteínas:
i. Obtenção do extrato cru.
ii. Eliminação por separação manual.
iii. Precipitação.
iv. Diálise.
v. Localização e identificação.
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vi. Teste de atividade.
vii. Quantificação.
b. Técnicas:
i. Cromatografia de troca iônica: Permite dizer qual a carga da proteína a ser estudada. Esta técnica consiste na
passagem da proteína através de uma coluna desenhada para reter ou diminuir a velocidade da passagem das proteínas.
As moléculas com carga de mesmo sinal que a resina são eluídas primeiro, em uma coluna de troca. Na purificação, usa-
se uma solução de elevada concentração de sal que compete com a proteína na ligação à coluna. Como esta tem maior
afinidade para a carga dos sais do que para a das proteínas, estas acabam por ser libertadas, mantendo-se os sais ligados
à coluna. As proteínas com fracas interações iónicas serão libertadas com uma concentração baixa de sal. Para retirar o
sal, é feita uma diálise contra tampão. Se a troca for catiônica, a resina tem carga negativa e a proteína, positiva. Se a
troca for aniônica, a resina tem carga positiva e a proteína, negativa.
ii. Cromatografia de fixação em gel: A cromatografia de filtração em gel separa as proteínas com base no seu
tamanho. A coluna é constituída por uma matriz de pequenas esferas porosas empacotadas. Ao fazer passar a solução
de proteínas pela matriz da coluna, as moléculas pequenas entram nos poros das esferas demorando a atravessá-los,
enquanto que as grandes passam entre as esferas sendo separadas primeiro.
iii. Cromatografia de afinidade: A cromatografia de afinidade baseia-se nas funções biológicas da proteína que
se liga à coluna. O tipo mais comum envolve um ligante, que é imobilizado e ligado a uma matriz da coluna. A proteína
a analisar passa depois através da coluna e liga-se a ela pelo seu ligante, enquanto que outras proteínas serão libertadas.
A separação da proteína alvo é normalmente feita, passando através da coluna uma solução que contenha uma elevada
concentração de ligante livre. Isto é um método muito eficiente de purificação, uma vez que se baseia numa
especificidade biológica da proteína que se pretende analisar, tal como a afinidade de uma enzima a um substrato ou a
ligação entre antigénio e anticorpo.
iv. Eletroforese em gel: A eletroforese é uma técnica de separação de moléculas que consiste na migração de
moléculas com carga, numa solução, em função da aplicação de um campo eléctrico. O objetivo do SDS é desnaturar a
proteína, isto é, converter a proteína numa estrutura linear e conferir-lhe densidade de carga uniforme, de forma a
poderem ser separadas por eletroforese, somente, em função da massa molecular. As proteínas de maior massa são
eluídas primeiro.
v. Focalização isoelétrica: separa proteínas de acordo com seu ponto isoelétrico. Enquanto a proteína migra a
sua velocidade vai diminuindo até chegar ao ponto em que o valor de pH será igual ao seu pI. Neste ponto a proteína
terá carga total neutra e como consequência deixa de migrar.
vi. Eletroforese bidimensional: as proteínas são separadas pela focalização isoelétrica. O gel é colocado
horizontalmente e as proteínas são separadas por eletroforese de acordo com o ponto isoelétrico, diferentemente da
eletroforese em gel, que acontece na vertical e se dá por diferença de massa molar.

5. Proteínas Fibrosas e Proteínas Globulares


a. Proteínas fibrosas:
i. A estrutura dessas proteínas remete à função mecânica e estrutural que elas apresentam.
ii. Todas são insolúveis em água.
iii. Principais tipos de proteínas fibrosas:
 Colágeno:
o Proteína mais abundante no corpo humano.
o Compõe tendões, cartilagens, a matriz óssea e a córnea do olho.
o Molécula longa e rígida, com três cadeias polipeptídicas alfa, torcidas em forma de tripla hélice.
Mantida unida por pontes de hidrogênio.
o O colágeno é rico em prolina e glicina:
 Glicina: se adapta ao espaço restrito onde as três hélices se aproximam, por ser o menor
aminoácido.
 Prolina: facilita a formação da conformação helicoidal em cada uma das cadeias alfa, já que seu
anel imino gera torções na cadeia.
 Queratina:
o Proteína que compõe os filamentos intermediários.
o Forma unhas, cabelos, a camada superficial da pele, cascos e garras.
o É uma proteína formada por alfa hélices que se aproximam e se torcem por razão da interação
hidrofóbica - por isso é rica em aminoácidos como alanina, valina, leucina, isoleucina, metionina e fenilalanina.
o O super-entrelaçamento das super-hélices é estabilizado por pontes dissulfeto. Após a síntese da
estrutura quaternária, tem-se uma protofibrila.
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b. Proteínas globulares:
i. As hemeproteínas globulares contém um grupo heme como grupo prostético. O heme é um complexo entre
protoporfirina IX e o íon ferroso.
 O íon ferroso está firmemente ligado no centro do grupamento heme. Ele faz
o Quatro ligações com nitrogênios do anel porfirínico.
o Uma ligação com um resíduo de histidina.
o Uma ligação disponível para ligar o oxigênio.
ii. Tipos de hemeproteínas globulares:
 Mioglobina:
o Proteína presente nas musculaturas cardíaca e esquelética com o objetivo de armazenar oxigênio nos
tecidos.
o Estrutura: composta por uma única cadeia polipeptídica dobrada em oito segmentos de alfa hélice.
 Sua estrutura é estabilizada por interações hidrofóbicas entre os resíduos.
 Conta com a histidina
proximal, que se liga ao íon ferroso, e a histidina
distal, que ajuda a estabilizar a molécula de
oxigênio.
o Ligação ao oxigênio: pode se
ligar à uma molécula de oxigênio.
o A mioglobina tem maior
afinidade pelo oxigênio que a hemoglobina.
o Sua curva de dissociação do
oxigênio tem forma hiperbólica.
 Hemoglobina:
o Encontrada exclusivamente
em eritrócitos, sua principal função é transportar
oxigênio dos pulmões até os capilares.
o Estrutura: composta por
quadro cadeias polipeptídicas, dias cadeias de
alfa e duas cadeias beta.
 Elas são mantidas unidas
por interações hidrofóbicas, pontes de
hidrogênio e ligações iônicas.
o A curva de dissociação do oxigênio tem forma sigmóide.
o A hemoglobina pode ser encontrada em dois estados:
o O estado T: forma desoxigenada - ou forma tensa -, em que há pouca afinidade com o oxigênio.
o O estado R: forma oxigenada - ou forma relaxada -, em que há muita afinidade com o oxigênio.
o A hemoglobina é uma proteína alostérica. São efetores alostéricos da hemoglobina:
 Interações heme-heme: a ligação cooperativa ou indulced fit diz respeito à sensibilidade da
hemoglobina com pequenas variações na pressão de oxigênio. Isso significa na prática que a mudança entre o estado T
e o estado R dos grupamentos heme é transmitida para os outros grupos da estrutura tretamérica na hemoglobina.
 Efeito Bohr: a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio é reduzida quando o pH diminui ou quando
a hemoglobina está na preença de uma elevada pressão de CO2.
 Efeito do 2,3-BPG à desoxiemoglobina: o BPG - um modelador heterotrópico da hemoglobina -
diminui a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio por ligar-se à desoxiemoglobina e não à oxiemoglobina. Essa
conformação estabiliza a conformação tencionada da desoxiemoglobina.
 O efeito da BPG é importante em grandes altitudes. Dada a baixa pressão de O2, os níveis
de BPG são aumentados, fazendo com que a afinidade da hemoglobina pelo O2 diminua e haja maior aporte de oxigênio
nos tecidos.
 Ligação do CO2: a parte do CO2 que não é hidratada e transportada como íon bicabornato é
carregada como carbamato, ligada ao grupo amino proximal da hemoglobina e formando a carbanimoemoglobina. A
ligação do CO2 nesse formato estabiliza a forma T e resulta num decrécimo da sua afinidade pelo O2.
 Ligação do CO: o monóxido de carbono se liga fortemente ao ferro da hemoglobina, formando
carboxiemoglobina. A hemoglobina afetada é incapaz de liberar o oxigênio para os tecidos.
o Hemoglobina fetal:
 Conta com duas cadeias alfa e duas cadeiras gama.
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 A HbF possui uma maior afinidade pelo oxigênio que a HbA, pois a HbF liga-se fracamento ao BPG.
iii. Hemoglobinopatias:
 Anemia falciforme: resultado de uma mutação pontual no gene da cadeia de beta globina. Um ácido
glutâmico é substituído por uma valina, resíduo que faz com que a HbS polimerize dentro do eritrócito em condição de
baixa pressão de O2. A doença é homozigótica recessiva e é caracterizada como em uma anemia hemolítica crônica e
pelo aumento da suscetibilidade a infecções. Indivíduos heterozigotos possuem o traço falciforme, contando com as
formas HbS e HbA. Pelo formato de foice, essas células bloqueiam o fluxo sanguíneo nos capilares de pequeno diâmetro
e podem causar anóxia tecidual.
 Talassemia beta: nessa doença, a síntese de cadeias beta está diminuída ou ausente. A hemoglobina não
conta com tetrâmeros estáveis e não chega a se tornar parte de eritrócitos maduros. Os bebês que têm talassemia são
gravemente anêmicos e precisam de transfusões de sangue regulares.
 Talassemia alfa: nessa doença, a síntese de cadeias alfa está diminuída ou ausente. Se três dos genes
para a cadeia alfa são defeituosos, o indivíduo possui a doença da hemoglobina H, uma anemia hemolítica leve e
moderadamente grave. Sua curva de dissociação do oxigênio é hiperbólica, indicando que são maus transportadores
de O2. Se todos os genes de alfa globina são defeituosos, ocorre hidropIsIa fetal e morte do feto, já que as cadeias alfa
são necessárias para a síntese de HbF.

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2° Módulo
1. Metabolismo
a. Catabolismo:
i. Reações catabólicas visam capturar energia química, obtida da degradação de moléculas combustíveis,
formando trifosfato de adenosina.
ii. É um processo convergente, no qual muitos precursores biossintéticos poliméricos formam produtos finais
simples.
 Hidrólise de moléculas complexas: quebradas em seus blocos constitutivos.
 Conversão de blocos constitutivos em intermediários mais simples: serão degradados em acetil-
coenzima A e uma variedade de moléculas simples.
 Oxidação da acetil-CoA: dada no ciclo dos ácidos tricarboxílicos, gera grandes quantidades de ATP via
fosforilação oxidativa.
b. Anabolismo:
i. Reações endergônicas, envolvem a redução de moléculas a partir de um poder redutor como o NADPH.
ii. É um processo divergente, no qual poucos precursores biossintéticos formam uma ampla variedade de
produtos poliméricos.
c. Regulação do metabolismo:
i. Sinais intracelulares: disponibilidade de substratos, inibição por produtos ou alterações nos níveis de
ativadores e inibidores alostéricos.
ii. Sinais intercelulares: contato entre suas superfícies, presença de hormônios e neurotransmissores.
iii. Sistemas de segundos mensageiros: os segundos mensageiros atuam entre o mensageiro original
(neurotransmissor ou hormônio) e o efeito final da célula, e são parte de uma cascata de eventos que traduz a ligação
do mensageirooriginal em resposta celular.
iv. Adenilato-ciclase:
 O reconhecimento de um sinal químico por receptores de membranas irá disparar um aumento ou uma
redução da atividade da adenilato-ciclase, uma enzima que converte ATP em 3’5’-monofosfato de adenosina – AMP
cíclico ou AMPc.
 Apresentam uma região extracelular, onde se acoplam os ligantes, sete hélices transmembrana e um
domínio intracelular que interage com proteínas G e são conhecidos como receptores acoplados a proteína G – ou
RAPG.
v. Proteínas reguladoras dependentes de GTP:
 O efeito do RAPG ativado e ocupado pelo ligante não é direto, mas mediado por proteínas triméricas
especializadas que se localizam na membrana celular.
 Essas proteínas G formam um elo da cadeia de comunicação entre o receptor e a adenilato-ciclase. Na
forma inativa da proteína G, a subunidade α da proteína trimérica liga-se ao GPD.
 A união do ligante ao receptor gera uma alteração conformacional, disparando a troca de GPD por GTP.
A forma da subunidade α ligada ao GTP dissocia-se da subunidade βγ, e move-se do receptor para a adenilato-ciclase,
que é então ativada e converte o ATP em AMPc.
vi. Proteínas-cinases:
 O AMPc ativa a proteína-cinase A ligando-se às suas subunidades catalíticas ativas, que catalisam a
transferência do fosfato do ATP para resíduos de serina ou treonina.
 As proteínas fosforiladas podem atuar diretamente sobre canais iônicos ou tornar-se ativadas ou
inativadas na forma de enzimas.
 A proteína-cinase A também pode fosforilar sequências de DNA específicas, alterando a expressão
gênica.
vii. Proteínas-fosfatases: são responsáveis por desfosforilar as proteínas ativadas pelas proteínas-cinases.

2. Carboidratos
a. Funções:
i. Fornecimento e armazenamento de energia
ii. Componentes estruturais de:

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 Exoesqueleto de artrópodes
 Parede celular de bactérias
 Fibras de celulose de plantas
 DNA e RNA
b. Estrutura:
i. Classificação quanto ao grupo funcional:
 Aldoses: tem o aldeído como grupo funcional mais oxidado.
 Cetoses: tem a cetona como grupo funcional mais oxidado.
ii. Classificação quanto à isomeria:
 Epímeros: isômeros que se diferem na sua configuração ao redor de apenas um determinado átomo de
carbono.
 Enantiômeros: moléculas que formam imagens especulares.
o Em seres humanos, a maioria dos açúcares são do tipo D-açúcares. Enzimas denominadas racemases
são capazes de interconverter D e L.
iii. Classificação quanto à ciclização:
 α-D-açúcar: ocorre quando a OH do carbono anômero se projeta para o mesmo lado do anel, na projeção
de Fischer modificada.
 β-D-açúcar: ocorre quando a OH do carbono anômero se projeta em posição trans em relação ao anel,
na projeção de Haworth.
o Os monossacarídeos cíclicos são formados quando o grupo aldeído ou cetona reage com um grupo
álcool do mesmo açúcar, tornando assimétrico o carbono carbonílico – que agora será denominado carbono anômero.
o As conformações α e β são consideradas diastereoisômeros, já que não são imagens especulares.
o As enzimas são capazes de distinguir essas estruturas e utilizar uma delas preferencialmente.
o Se o grupo hidroxila desses diastereoisômeros estiver livre, o anel poderá ser aberto com o glicídeo
agindo como agente redutor.
iv. União de monossacarídeos:
 As ligações que ligam os açúcares são denominadas glicosídicas, formadas por enzimas
glicosiltransferases. Essas utilizam como substrato um nucleotídeo-açúcar, como a UDP-glicose.
 Os carboidratos podem se unir por ligações glicosídicas a bases púricas e pirimídicas, anéis aromáticos,
proteínas e glicolipídeos.
o Dissacarídeos: formados por dois monossacarídeos.
o Oligossacarídeos: formados por três a dez monossacarídeos.
o Polissacarídeos: formados por mais de dez monossacarídeos.
c. Digestão de carboidratos:
i. Durante a mastigação, a α-amilase salivar atua sobre o amido e o glicogênio hidrolisando ligações glicosídicas.
Sua ação resulta na formação de oligossacarídeos ramificados e não ramificados conhecidos como dextrinas.
 Seres humanos são incapazes de produzir endoglicosidases que hidrolisam ligações β(1 → 4), sendo essa
a razão da não digestão de celulose.
ii. A α-amilase pancreática continua o processo de digestão do amido no intestino delgado.
iii. No epitélio mucoso do jejuno superior atuam várias dissacaridases - isomaltase, maltase, lactase, trealase.
iv. Diferentes glicídeos são absorvidos por diferentes mecanismos.
d. Amido:
i. Constituído por várias unidades de α-glicose unidas por ligação 1-4.
ii. São divididos em duas partes:
 Amilose: cadeia linear não-ramificada.
 Amilopectina: apresenta pontos de ramificação do tipo 1-6.

3. Glicólise
a. Transporte da glicose para dentro da célula:
i. Transporte por difusão facilitada: mediado por transportadores de glicose encontrados nas membranas
celulares, designados GLUT-1 a GLUT-14.
 Os transportadores de glicose apresentam padrão de expressão com especificidade tecidual.
 Alguns transportadores de glicose apresentam funções especializadas:

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o GLUT-2: encontrado no fígado e nos rins, pode tanto transportar a glicose para dentro dessas células
quanto transportar a glicose das células para o sangue.
o GLUT-5: é o principal transportador de frutose no intestino delgado e nos testículos.
ii. Sistema de cotransporte monossacarídeo-𝑁𝑎+ : requer energia e transporta a glicose contra o gradiente de
concentração. Ocorre no tecido epitelial do intestino, dos túbulos renais e do plexo coroide.
b. Fosforilação da glicose: a fosforilação irreversível da glicose retém o glicídeo na forma de glicose-6-fosfato
citosólica, assegurando seu posterior metabolismo.
i. Hexocinase: na maior parte dos tecidos, a hexocinase catalisa fosforilação da glicose. É inibida pelo produto
da reação, glicose-6-fosfato, que se acumula no metabolismo. Apresenta baixo Km, o que permite a fosforilação
eficiente mesmo quando as concentrações teciduais de glicose estiverem baixas.
ii. Glicocinase: é a principal enzima fosforiladora de glicose em células do parênquima hepático e células β
pancreáticas.
 Nas células do pâncreas, funciona como sensor de glicose, determinando o limiar para a secreção de
insulina.
 No fígado, facilita a fosforilação da glicose durante uma hiperglicemia.
 Apresenta um Km muito maior que o da hexocinase, funcionando apenas quando a concentração
intracelular de glicose no hepatócito está elevada.
 Apresenta alta velocidade máxima, permitindo que o fígado remova de forma eficiente o excesso de
glicose fornecida pela circulação porta.
 Sua atividade não é inibida diretamente pela concentração de glicose-6-fosfato, mas indiretamente pela
frutose-6-fosfato.
c. Isomerização da glicose-6-fosfato: a isomerização da glicose-6-fosfato em frutose-6-fosfato é catalisada pela
fosfoglicose-isomerase, sendo facilmente reversível.
d. Fosforilação da frutose-6-fosfato: a fosforilação da frutose-6-fosfato é catalisada pela fosfofrutocinase-1, a PFK-
1.
i. Ação é controlada pela concentração disponível de substrato e pelas substâncias reguladoras a seguir:
 Regulação pelos níveis energéticos intracelulares: a PKF-1 é inibida alostericamente por elevados níveis
de ATP e citrato, componente do ciclo do ácido cítrico. Ao contrário, a PFK-1 é ativada alostericamente por altas
concentrações de AMP, que sinalizam depleção das reservas energéticas da célula.
 Regulação pela frutose-2,6-bisfosfato: a frutose-2,6-bisfosfato é o mais potente ativador de PFK-1, já que
é formada por PFK-2, uma proteína capaz tanto de formar frutose-2,6-bisfofato quanto capaz de desfosforilar essa
proteína em frutose-2-bisfosfato.
 Durante o estado alimentado: a frutose-2,6-bisfosfato atua como sinal intracelular, indicando
abundância de glicose dado os níveis elevados de insulina.
 Durante o jejum: os níveis elevados de glucagon determinam uma diminuição na concentração
intracelular de frutose-2,6-bisfosfato hepática. Tem-se o aumento da gliconeogênese.
e. Clivagem da frutose-1,6-fosfato: a aldolase cliva a frutose-1,6-bisfosfato em di-hidroxiacetona-fosfato e
gliceraldeído-3-fosfato em uma reação reversível não regulada.
f. Isomerização da di-hidroxiacetona-fosfato: a triose-fosfato-isomerase interconverte di-hidroxiacetona-fosfato e
gliceraldeído-3-fosfato, para posterior metabolismo pela via glicolítica.
g. Oxidação do gliceraldeído-fosfato: primeira reação de oxirredução da glicólise, gliceraldeído-3-fosfato em 1,3-
BPG a partir da adição de um Pi ao carbono 1 da molécula.
h. Síntese de 3-fosfoglicerato com produção de ATP: quando o 1,3-BPG é convertido em 3-fosfoglicerato, o grupo
fosfatado do carbono A da 1,3-BPG é utilizado na síntese de ATP a partir de um ADP.
i. Essa reação é catalisada pela fosfoglicerato-cinase.
i. Troca do grupo fosfato do carbono 3 para o carbono 2: feita pela fosfoglicerato-mutase, é reversível e forma 2-
fosfoglicerato.
j. Desidratação do 2-fosfoglicerato: feita pela enolase, redistribui a energia dentro da molécula de 2-fosfoglicerato,
resultando na formação de fosfoenolpiruvato (PEP).
k. Formação do piruvato: conversão do PEP em piruvato catalisada pela piruvato-cinase.
i. Regulação por proação:

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 A piruvato-cinase é ativada nos hepatócitos pela frutose-1,6-bisfosfato, o produto da reação da
fosfofrutocinase.
 O aumento da atividade da fosfofrutocinase resulta em níveis elevados de frutose-1,6-bisfosfato e
piruvato-cinase.
ii. Modulação covalente da piruvato-cinase:
 Quando os níveis sanguíneos de glicose estão baixos, um aumento no glucagon provoca elevação nos
níveis intracelulares de AMPc, levando à fosforilação e inativação da piruvato-cinase.
 A PEP, por consequência, não entra na via glicolítica, mas na via gliconeogênica.
iii. Deficiência da piruvato-cinase: é a segunda causa mais comum de anemia hemolítica não esferocítica
relacionada a deficiência enzimática.
l. Redução do piruvato a lactato:
i. A formação do lactato é o principal destino do piruvato no cristalino, na córnea, na medula renal, nos
testículos, leucócitos e eritrócitos, pois todos eles apresentam-se pobremente vascularizados ou privados de
mitocôndrias. O lactato é formado pela ação da lactato-desidrogenase.
ii. O lactato pode ser convertido em glicose na gliconeogênese ou oxidado no ciclo do ácido cítrico nos
hepatócitos.
iii. O músculo cardíaco oxida o lactato em gás carbônico e água via ciclo do ácido cítrico.
iv. Acidose lática: acontece quando há colapso do sistema circulatório e débito de oxigênio.
m. Destinos alternativos do piruvato:
i. Descaboxilação oxidativa do piruvato: feita pelo complexo da piruvato-desidrogenase no músculo cardíaco, o
piruvato é convertido em acetil-CoA.
ii. Carboxilação do piruvato a oxalacetato: feita pelo piruvato-carboxilase, repõe os intermediários do ciclo do
ácido cítrico e fornece substrato para a gliconeogênese.
iii. Redução de piruvato a etanol: ocorre em microorganismos, fermentação alcóolica.

4. Ciclo do Ácido Cítrico


a. Descarboxilação oxidativa do piruvato:
i. O piruvato deve ser transportado para dentro da mitocôndria.
ii. Na matriz mitocondrial, o piruvato é covertido em acetil-CoA pelo complexo da piruvato-desidrogenase (ou
PDH).
 Enzimas componentes do complexo: o PDH é um agregado de três enzimas que une as reações na
sequência apropriada, sem liberação de intermediários:
o Piruvato-desidrogenase (E1).
o Di-hidrolipoil-transacetilase (E2).
o Di-hidrolipoil-desidrogenase (E3).
 Coenzimas componentes do complexo: o PDH contém cinco coenzimas, que atuam como carreadores
ou como oxidantes para os intermediários das reações.
o FAD.
o NAD.
o Ácido lipoico.
o Tiamina-pirofosfato (TPP).
o Coenzima A.
 Regulação do complexo piruvato-desidrogenase:
o A PDH-cinase fosforila e inibe E1, enquanto a PDH-fosfatase desfosforila e ativa E1.
o A cinase é ativada alostericamente por ATP, acetil-CoA, NADH e piruvato.
o O íon cálcio funciona como ativador da PDH-fosfatase, sendo importante na produção de ATP na
contração dos músculos esqueléticos.
b. Síntese do citrato a partir de acetil-CoA e oxalacetato:
i. Reação catalisada pela citrato-sintase, uma enzima não alostérica.
ii. A ligação do oxalacetato induz uma alteração conformacional na enzima, gerando um sítio de ligação para o
acetil-CoA.
c. Isomerização do citrato: isomerizado em isocitrato pela aconitase.
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d. Oxidação e descarboxilação do isocitrato:
i. A isocitrato-desidrogenase catalisa a descaboxilação oxidativa do isocitrato, gerando três moléculas de NADH
e produzindo gás carbônico.
ii. A enzima é ativada alostericamente por ADP e por íons cálcio, e inibida por ATP e NADH.
e. Descaboxilação oxidativa do α-cetoglutarato: conversão do α-cetoglutarato em succinil-CoA.
i. Catalisada pelo complexo da α-cetoglutarato-desidrogenase, libera o segundo gás carbônico e o segundo
NADH do ciclo.
ii. Essa enzima é ativada por íons cálcio e inibida por seus produtos, NADH e succinil-CoA.
f. Clivagem do succinil-CoA: a succinato-tiocinase cliva a ligação tio éster de alta energia, gerando succinato.
i. Essa reação está acomplada à fosforilação da GDP em GTP.
g. Oxidação do succinato: o succinato é oxidado a fumarato pela succinato-desidrogenase, ao mesmo tempo que
FAD é reduzida a FADH2.
h. Hidratação do fumarato: hidratado em malato pela fumarase.
i. Oxidação do malato: oxidado a oxalacetato pela malato-desidrogenase.
i. Produz o terceiro e último NADH do ciclo.
ii. A variação da energia de Gibbs é positiva, mas a reação anda no sentido da formação de oxalacetato devido
à reação altamente exergônica da citrato-cinase.

5. Fosforilação Oxidativa
a. A cadeia respiratória é constituída de três complexos proteicos:
i. NADH:Q oxidorredutase.
ii. Q:citocromo c oxidorredutase.
iii. Citocromo c oxidase.
 Os elétrons de NADH são transferidos para o oxigênio na cadeia respiratória.
 São transportados da NADH:Q oxidorredutase para a Q:citocromo c oxidorredutase pela forma da
coenzima Q ou ubiquinona.
o O NADH transfere seus dois elétrons de alto potencial para a flavina mononucleotídeo (FMN),
originando sua forma reduzida.
o Os elétrons são transferidos da FMNH2 para os aglomerados Fe-S, e depois seguem para a coenzima
Q.
 A ubiquinona também transfere elétrons do FADH2, gerado na succinato desidrogenase no ciclo do ácido
cítrico, para a Q:citocromo c oxidorredutase através da succinato:Q oxidorredutase.
 O citocromo c carreia elétrons da Q:citocromo c oxidorredutase para a citocromo c oxidase, componente
final da cadeia.
 A citocromo c oxidase catalisa a redução do oxigênio em duas moléculas de água. Os outros quatro
prótons de hidrogênio são bombeados para o espaço extramitocondrial.
b. Hipótese quimiosmótica:
i. A concentração de prótons de hidrogênio tornar-se-ia baixa na matriz mitocondrial, já que a cadeia
respiratória levaria ao bombeamento de prótons da matriz para o outro lado da membrana mitocondrial interna,
gerando uma força próton-motriz que impulsiona a síntese de ATP pela ATP-sintase.
c. ATP-sintase:
i. Constituição:
 F1: atividade catalítica de sintase.
o Constituída por cinco tipos de cadeia peptídicas (𝛼3 , 𝛽3 , 𝛾, 𝛿, 𝜀), sendo que apenas a subunidade β
participa da catálise.
o A alça P é constituída pelas unidades β e α.
 F0: contém o canal de prótons do complexo.
ii. Atividade:
 Hipótese de ligação-e-troca: as variações nas propriedades das três subunidades β permitem a sequência
de ligação de ADP e Pi, síntese e liberação do ATP.
d. Lançadeira do glicerol-3-fosfato:
i. Os elétrons do NADH são transferidos para a di-hidroxiacetona fosfato, formando glicerol-3-fosfato.
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 Reação catalisada pela glicerol-3-fosfato desidrogenase no citosol.
 O glicerol-3-fosfato é reoxidado a di-hidroxiacetona fosfato na superfície externa da membrana
mitocondrial interna pela isoenzima da glicerol-3-fosfato desidrogenase. Um par de elétrons do glicerol-3-fosfato é
transferido para o FAD.
 A utilização de FAD possibilita aos elétrons do NADH citossólico serem transportados para dentro da
mitocôndria contra o gradiente de concentração.
 O preço desse transporte é uma molécula de ATP para cada dois elétrons.
ii. A lançadeira de glicerol-3-fosfato é importante para sustentar taxas altas de fosforilação oxidativa no tecido
muscular.
e. Lançadeira de malato-aspartato: presente no tecido muscular cardíaco e nas células hepáticas.
i. Os elétrons são transferidos do NADH para o oxaloacetato no citossol formando malato.
ii. O malato atravessa a membrana mitocondrial interna e é reoxidado pelo NAD na matriz, formando O NADH
numa reação catalisada pela malato desidrogenase, formando oxaloacetato.
iii. O oxaloacetato sofre transaminação para formar aspartato e poder atravessar para o lado citosólico.
iv. No citoplasma o aspartato é desanimado e transformado em oxaloacetato.
f. A velocidade da fosforilação oxidativa é determinada pela necessidade de ATP.
i. A velocidade de consumo de oxigênio por mitocôndrias aumenta proporcionalmente quando se adiciona ADP
e depois volta ao normal quando o ADP adicionado for fosforilado.
g. O desacoplamento regulado provocado pela termoginina resulta na liberação de energia na forma de calor.

6. Gliconeogênese
a. Durante um jejum prolongado, os depósitos de glicogênio hepático são depletados, e a glicose é formada a partir
de precursores como o lactato, o piruvato, o glicerol e os α-cetoácidos.
i. O glicerol é liberado durante a hidrólise de triacilglieróis no tecido adiposo. É levado ao fígado pelo sangue e
fosforilado pela glicerol-cinase, resultando em glicerol-fosfato. A glicerol-fosfato-desidrogenase oxida o glicerol-fosfato
em diidroxiacetona-fosfato, um intermediário da glicose.
ii. O lactato é liberado no sangue pelo músculo esquelético em exercício e pelas células que não possuem
mitocôndrias, como os eritrócitos. No ciclo de Cori, a glicose é convertida em lactato, o qual difunde para o sangue. O
lactato é reconvertido em glicose no fígado.
iii. Os aminoácidos são obtidos pela hidrólise de proteínas teciduais, principais fontes de glicose em jejum. Os
α-cetoácidos são produzidos pelo metabolismo de aminoácidos glicogênicos. Eles podem entrar no ciclo do ácido cítrico
e produzir oxalacetato, precursor direto do fosfoenolpiruvato.
b. 90% da gliconeogênese imediata ocorre no fígado, e o restante acontece nos rins. Em um jejum prolongado,
porém, os rins podem fornecer 40% das moléculas de glicose recém-sintetizadas.
c. Reações glicolíticas irreversíveis e exclusivas da gliconeogênese:
i. Carboxilação do piruvato pela piruvato-carboxilase, produzindo oxalacetato.
 A piruvato-carboxilase contém biotina, que se liga covalentemente à proteína enzimática e forma a
biocitina.
 A piruvato-carboxilase é ativada alostericamente pela acetil-CoA. Altos níveis de acetil-CoA pode indicar
um dos estados metabólicos nos quais é necessária uma síntese aumentada de oxalacetato.
ii. O oxalacetato produzido na mitocôndria deve chegar no citosol, onde as outras outras enzimas da
gliconeogênese estão localizadas. Ele deve primeiro ser reduzido a malato pela malato-desidrogenase mitocondrial. No
citosol, o malato é reoxidado a oxalacetato pela malato-desidrogenase.
iii. O oxalacetato é descarboxilado e fosforilado em fosfoenolpiruvato pela PEP-carboxicinase.
 A reação utiliza energia liberada na hidrólise da GTP.
 A PEP sofre as reações da glicólise em sentido inverso até chegar à frutose-1,6-bisfosfato.
iv. A frutose-1,6-bisfosfato é hidrolisada pela frutose-1,6-bisfosfatase, formando frutose-6-fosfato.
 A frutose-1,6-bisfosfato é inibida por níveis elevador de AMP e estimulada por altos níveis de ATP.
 A frutose-1,6-bisfosfatase é inibida por frutose-2,6-bisfosfato.
v. A glicose-6-fosfato é hidrolisada pela glicose-6-fosfatase, formando a molécula de glicose.
 O fígado e os rins são os únicos órgãos que liberam glicose livre a partir da glicose-6-fosfato.

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3° Módulo
1. Ciclo das Pentoses
a. Consiste em duas reações de oxidação irreversíveis seguidas de uma série de interconversões reversíveis de
açúcar-fosfato, que acontecem no citosol da célula.
b. Nenhum ATP é consumido ou produzido diretamente no ciclo.
c. O carbono 1 da glicose-6-fosato é liberado na forma de gás carbônico e dois NAPHs são produzidos por molécula
que entra na parte oxidativa.
d. A via produz a ribose-5-fosfato, necessária para a biossíntese de nucleotídeos.
e. Permite a utilização de açúcares de cinco carbonos no metabolismo.
f. Reações de oxidação irreversíveis:
i. Desidrogenação da glicose-6-fosfato:
 Glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD) oxida glicose-fosfato em 6-fosfogliconolactona.
 A reação usa 𝑁𝐴𝐷𝑃 + como coenzima.
 A via das pentoses é regulada basicamente na reação da G6PD.
 O NADPH é um inibidor competitivo da G6PD. Na maioria das condições metabólicas, a relação
𝑁𝐴𝐷𝑃𝐻⁄
𝑁𝐴𝐷𝑃 + é suficientemente alta para inibir a atividade da enzima.
 A insulina aumenta a expressão do gene da G6PD, de modo que o fluxo através da via cresce no estado
alimentado.
ii. Formação da ribulose-5-fosfato:
 A 6-fosfogliconolactona é hidrolisada em 6-fosfogliconato pela 6-fosfogliconolactona-hidrolase. Essa
reação produz um NAPH, é irreversível e não-limitante.
 O 6-fosfogliconato é oxidado pela 6-fosfogliconato-desidrogenase, em uma reação irreversível,
produzindo a ribulose-5-fosfato, uma molécula de gás carbônico e uma segunda molécula de NADPH.
g. Reações reversíveis não-oxidativas:
i. Ocorrem em todos os tipos de células que sintetizam nucleotídeos e ácidos nucleicos.
ii. Essas reações catalisam a interconversão de açúcares de três a sete carbonos, permitindo a produção de
ribose-5-fosfato ou intermediários da glicólise, como a frutose-6-fosfato e gliceraldeído-3-fosfato (formada pela reação
de transcetolases e transaldolases).
iii. Sua função consiste em ajustar a produção líquida de NADPH e pentose-fosfatos à necessidade atual das
células. Sendo normalmente a necessidade de NADPH maior que a de pentose-fosfato, a partir de 6 ribose-5-fosfato
são formadas 5 frutose-6-fosfato e por isomerização, regeneram 5 glicose-6-fosfato. Nesse processo originam-se 12
NADPHs.
iv. Os elétrons do NADPH são destinados à biossíntese redutora, em vez da transferência para o oxigênio, como
é o caso dos elétrons do NADH.
v. As vias de síntese e de desintoxicação precisam de NADPH. São elas:
 Síntese de colesterol, esteroides e ácidos graxos.
 Síntese de neurotransmissores.
 Síntese de nucleotídeos.
 Redução do glutationa oxidada, regula a produção de radicais livres – anemia hemolítica.
 Manutenção da citocromo P450 monooxigenase, que trabalha na eliminação de fármacos e tóxico.

2. Metabolismo do Glicogênio
a. Estrutura e função do glicogênio:
i. Sendo a gliconeogênese um processo lento para resposta imediata à redação dos níveis de glicose, fez-se
necessário um mecanismo de armazenamento de glicose de rápida mobilização, o glicogênio.
ii. Os principais estoques de glicogênio no corpo se encontram nos músculos esqueléticos e no fígado.
 Nos músculos esqueléticos, o glicogênio é combustível para a síntese de ATP durante a contração
muscular. Não atua na manutenção glicêmica por não possuir glicose-6-fosfatase.
 No fígado, o glicogênio serve para manter a glicemia ideal.
iii. O glicogênio é um homopolissacarídeo de cadeia ramificada formado exclusivamente por α-D-glicose.
iv. A união glicosídica primária é uma ligação α(1→4).
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v. Após uma média de 10 resíduos glicosil, há uma ramificação contendo um ligação α(1→6).
vi. Os estoques de glicogênio hepático aumentam durante o estado alimentado e são depletados durante o
jejum. O glicogênio muscular só é afetado em jejuns prolongados.
 O glicogênio hepático nunca é degradado completamente. Em geral, apenas as ramificações são
encurtadas ou prolongadas.
b. A glicogênese:
i. Ocorre no citosol.
ii. Requer trifosfato de uridina (UTP) e energia fornecida pelo ATP.
iii. A α-D-glicose ligada à UDP é a fonte dos resíduos de glicosil adicionados à molécula de glicogênio.
 A UDP-glicose é sintetizada a partir da UTP e da glicose-1-fosfato (glicose-6-fosfato convertida em glicose-
1-fosfato pela fosfoglicomutase) pela UDP-glicose-pirofosforilase.
 A pirofosfatase hidrolisa os fosfatos em resíduos inorgânicos, garantindo que a síntese se dê em direção
à formação de UDP-glicose.
iv. A glicogênio-sintase é responsável pela formação das ligações α(1→4) por alongamento de cadeias já
existentes.
 Nessa reação, um resíduo de glicose é transferido da UDP-glicose para a extremidade não-redutora da
cadeia em crescimento, formando uma nova ligação glicosídica entre a hidroxila do carbono anômero da UDP-glicose e
a hidroxila do carbono 4 no resíduo glicosil aceptor.
 O UDP liberado após a formação da ligação glicosídica pode ser convertido em UTP pela nucleosídeo-
difosfato-cinase.
 A glicogênio-sintase é alostericamente ativada por glicose-6-fosfato.
v. Na ausência de um fragmento de glicogênio, o grupo hidroxila da cadeia lateral de um resíduo de tirosina,
em uma proteína denominada glicogenina, pode servir como aceptor de resíduos livres de glicose.
 A glicogenina continua associada à molécula completa de glicogênio e se encontra em seu centro.
vi. A estrutura ramificada do glicogênio é muito mais solúvel do que a cadeia não-ramificada da amilose vegetal.
As ramificações aumentam o número de extremidade não-redutoras às quais pode-se adicionar novos resíduos glicosil.
vii. As ramificações são formadas pela ação da “enzima de ramificação” amilo-α(1→4)→α(1→6)-
transglicosidase.
 Essa enzima transfere uma cadeia de 5 a 8 resíduos de glicosil da extremidade não-redutora da cadeia
do glicogênio, clivando uma ligação (1→4) para outro resíduo da cadeia, unindo-o por meio de uma ligação (1→6).
c. A glicogenólise:
i. Quando o glicogênio é degradado, o produto primário é a glicose-1-fosfato, liberada após clivagem das
ligações (1→4). Glicose livre é liberada a partir de cada resíduo glicosil unido por ligações (1→6).
ii. A glicogênio-fosforilase cliva as ligações glicosídicas α(1→4) por fosforólise simples até antes do ponto de
ramificação. A estrutura resultante é denominada dextrina-limite, incapaz de ser fosforilada pela enzima.
 A glicogênio-fosforilase conta com a piridoxal-fosfato como coenzima.
 A glicogênio-fosforilase é alostericamente inibida por altos níveis de glicose-6-fosfato e ATP.
iii. As ramificações são removidas primeiramente pela oligo-α(1→4)→α(1→4)-glican-transferase, que remove
os três resíduos glicosil mais externos e os transfere para a extremidade não-redutora de outra cadeia, e em segundo
lugar pela amilo-α(1→6)-glicosidase, que libera a glicose livre.
iv. Após a atuação das enzimas de desramificação, a cadeia está novamente disponível para degradação pela
glicogênio-fosforilase.
v. A glicose-1-fosfato é convertida no citosol em glicose-6-fosfato pela fosfoglicomutase.
vi. No fígado, a glicose-6-fosfato é transportada até o RE pela glicose-5-fosfato-translocase e convertida em
glicose pela glicose-6-fosfatase. Os hepatócitos liberam as moléculas de glicose no sangue.
vii. Uma pequena quantidade de glicogênio é continuamente degradada pela enzima lisossômica α(1→4)-
glicosidase ou maltase ácida.
d. Regulação da glicogênese e glicogenólise:
i. A glicogênio-sintase é alostericamente ativada por glicose-6-fosfato quando esta estiver presente em
concentrações elevadas. Em contrapartida, a glicose-fosforilase é inibida alostericamente pelo composto, bem como
por um alto nível de ATP.

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ii. A fosforilase-cinase é ativada pelo complexo 𝐶𝑎2+ -calmodulina. O cálcio liberado pelo retículo
sarcoplasmático liga-se à calmodulina, promovendo uma mudança conformacional e permitindo que esse complexo se
associe à outras moléculas proteicas. Quando o músculo relaxa, os íons cálcio retornam ao retículo sarcoplasmático e a
fosforilase-cinase torna-se inativa.
iii. A glicogênio-fosforilase muscular está ativada na presença de altas concentrações de AMP que ocorrem no
músculo em condições extremas de anóxia e depleção de ATP.
iv. A fosforilase-cinase apresenta uma forma inativa b e uma forma ativa a. A proteína-cinase dependente de
AMPc, ativada após ligação do glucagon ou da adrenalina aos seus receptores de membrana, fosforila a forma inativa
da forforilase-cinase, resultando na sua ativação.
v. A fosforilase-cinase ativada fosforila a glicogênio-fosforilase b, gerando a glicogênio-fosforilase a que começa
a degradação do glicogênio. A fosforilase a é novamente convertida em fosforilase b pela hidrólise de seu fosfato pela
proteína-fosfatase 1.
vi. A glicogênio-sintase a é convertida em glicogênio-sintase b por fosforilação em sítios que determinam um
nível de inativação proporcional ao grau de fosforilação. Esse processo de conversão é catalisado por diversas proteínas-
cinases diferentes, que são reguladas pela AMPc.
e. Glicogenoses:
i. As doenças genéticas resultantes de defeitos em enzimas necessárias para síntese ou degradação de
glicogênio resultam problemas de seu armazenamento. O glicogênio produzido tem estrutura anormal ou é acumulado
em quantidade excessivas em tecidos específicos.
ii. A Doença de Pompe é resultado da deficiência da enzima lisossômica α(1→4)-glicosidase.
 Níveis normais de glicose sanguínea.
 Cardiomegalia grave.
 Concentrações elevada de glicogênio presentes em vacúolos anormais no citosol.
iii. A Síndrome de McArdle é resultado da deficiência da glicogênio-fosforilase nos músculos esqueléticos.
 Fraqueza temporária e cãimbra nos músculos pós-exercício.
 Mioglobinemia e mioglobinúria.
 Alto nível de glicogênio com estrutura normal nos músculos.

3. Biossíntese e β-oxidação de Ácidos Graxos


a. Estrutura:
i. Os ácidos graxos existem na forma livre e como ésteres de acila em moléculas complexas, como os
triacilgliceróis.
ii. Consistem em uma cadeia hidrofóbica de hidrocarboneto com um grupo carboxila terminal.
iii. Contam com pKa ao redor de 4,8. Assim, no pH fisiológico encontra-se com o grupo carboxila terminal
ionizado.
iv. Têm natureza anfipática.
v. Os ácidos graxos de cadeia longa são altamente hidrofóbicos e precisam ser transportados associados a
proteínas. Os ácidos graxos não-esterificados são transportados pela albumina sérica.
vi. Durante o jejum, pode-se encontrar quantidades significativas de ácidos graxos em trânsito no citoplasma
da célula, já que circulam a partir da origem – tecido adiposo ou lipoproteínas circulantes – até o sítio de consumo.
vii. Quando o ácido graxo é insaturado, suas ligações duplas encontram-se predominantemente na
configuração cis. Se o ácido graxo é poliinsaturado, as ligações duplas estão espaçadas em intervalos de três carbonos.
viii. Quando maior o número de ligações duplas, menor a temperatura de fusão.
ix. Quanto maior o comprimento da cadeia, maior a temperatura de fusão.
x. São dois os ácidos graxos essenciais ao ser humano:
 Ácido linoleico: precursor do ácido araquidônico, que é substrato para a síntese de prostaglandinas.
 Ácido linolênico: precursor de ácidos graxos importantes para o crescimento e desenvolvimento.
o A deficiência de ácido linolênico resulta na diminuição da visão e alteração no aprendizado.
b. Síntese e armazenamento de ácidos graxos:
i. A síntese de ácidos graxos ocorre principalmente no fígado, nas glândulas mamárias em lactação e no tecido
adiposo.

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ii. O processo incorpora carbonos a partir da acetil-CoA na cadeia de ácido graxo em crescimento, usando ATP
e NADPH.
 Produção de acetil-CoA citosólica:
o Transferência de unidades acetato para o citosol a partir da acetil-CoA mitocondrial, produzida pela
oxidação do piruvato ou catabolismo de aminoácidos, corpos cetônicos e ácidos graxos.
o A acetila é transportada na forma de citrato, produzido pela condensação do oxalacetato e da acetil-
CoA. O citrato é clivado pela ATP-citrato-liase para regenerar os reagentes.
 Formação da malonil-CoA pela carboxilação da acetil-CoA:
o Etapa limitante da síntese de ácidos graxos.
o Carboxilação do acetil-CoA catalisada pela acetil-CoA-carboxilase e requer ATP e 𝐻𝐶𝑂3− .
o Utiliza a biotina como coenzima.
o Regulação a curto prazo da acetil-CoA-carboxilase:
 Enzima ativada alostericamente pelo citrato, que provoca a polimerização dos dímeros da forma
inativa.
 Enzima inibida alostericamente por acil-CoA de cadeia longa, que causa a despolimerização do
dímero.
 Enzima fosforilada e inativada na presença de hormônios contra-regulatórios, como adrenalina e
glucagon.
 Enzima desfosforilada e ativada na presença de insulina.
o Regulação de longa duração da acetil-CoA-carboxilase:
 Uma dieta hipercalórica em carboidratos provoca um aumento da síntese de acetil-CoA
carboxilase, aumentando a síntese de ácidos graxos.
 A dieta hipocalórica provoca a diminuição na síntese da enzima e consequente diminuição de
ácidos graxos.
 Atividade da ácido graxo-sintase:
o A ácido graxo-sintase é um polipeptídeo multicatalítico.
o Conta com sete diferentes atividades enzimáticas e um domínio que se liga covalentemente a uma
molécula de 4’-fosfopanteteína, derivada da vitamina ácido pantotênico.
 Uma molécula de acetato é transferida da actil-CoA para o grupo –SH da 4’-fosfopanteteína pela
acetil-CoA-ACP-acetiltransacilase.
 O acetato é transferido temporariamente para o grupo tiol de um resíduo de cisteína.
 A ACP livre aceita uma unidade de três carbonos malonato da malonil-CoA, por ação da malonil-
CoA-ACP-transacilase.
 O grupo malonil perde o 𝐻𝐶𝑂3− e se liga ao resíduo de cisteína. O resultado é um domínio de
quatro carbonos unidos ao domínio 4’-fosfopanteteína. O domínio envolvido é o 3-cetoacil-ACPP-sintase.
 O grupo cetona é reduzido a um álcool pelo domínio 3-cetoacil-ACP-redutase. Formação de
NADPH.
 A molécula de água é removida para introduzir a ligação dupla. Domínio responsável: 3-hidroxiacil-
ACP-desidratase.
 Ocorre uma segunda etapa de redução pelo domínio enoil-ACP-redutase. Formação de NADPH.
 Tais etapas resultam na produção de um butiril, cujos três carbonos terminais são saturados e
permanecem unidos à ACP.
 Esse ciclo de reações é repetido seis vezes, a cada vez incorporando uma unidade de dois carbonos.
 Quando o processo de síntese atinge o comprimento de 16 carbonos, é terminado com palmitoil-S-ACP.
 A palmitoil-tioesterase cliva a ligação tio-éster, produzindo a molécula de palmitato (16:0).
 O palmitato pode ser alongado posteriormente no retículo endoplasmático ou na mitocôndria pela
adição de unidades de dois carbonos.
 Oxidases de função mista presentes no retículo endoplasmático são responsáveis por sua dessaturação,
ou seja, pela adição de ligações duplas na configuração cis.
c. Os ácidos graxos são armazenados como componentes de triacilgliceróis. Os três ácidos graxos que esterificam a
molécula de glicerol são normalmente de tipos diferentes.

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d. Os TAGs são fracamente solúveis em água e não formam micelas estáveis. Por isso, formam gotas oleosas dentro
dos adipócitos.
e. O glicerol-fosfato é o aceptor inicial dos ácidos graxos durante a síntese de TAG e é produzido a partir da glicose.
f. Na rota glicolítica, a diihdroxiacetona-fosfato é reduzida a glicerol-fosfato pela glicerolfosfato-desidrogenase.
g. No fígado, a glicerol-cinase converte o glicerol livre em glicerol-fosfato.
h. Os ácidos graxos precisam ser convertidos em sua forma ativada (unidos à coenzima A) antes de participarem da
síntese de TAG. Essa reação é catalisada pela acil-CoA-sintetase.
i. No tecido adiposo, TAG é armazenado no citosol, sendo prontamente imobilizável.
j. Pouco TAG é armazenado no fígado, mas muitos são exportados, agrupados com ésteres de colesterol,
fosfolipídeos e proteínas para formar as VLDLs.
k. Mobilização dos depósitos de gordura:
i. Ativação da lipase sensível a hormônio após fosforilação por uma proteína-cinase dependente de 3’,5’-AMP
cíclico. O 3’,5’-AMP cíclico é produzido no adipócito quando um hormônio se liga a seu receptor na membrana celular
e ativa a adenilato-ciclase. Na presença de altas concentrações de insulina e glicose, a LSH é desfosforilada.
ii. A LSH remove o ácido graxo do carbono 1 e/ou do carbono 3 do TAG. Lipases específicas adicionais removem
os ácidos graxos remanescentes.
iii. O glicerol liberado durante a degradação não pode ser metabolizado nos adipócitos, porque esses não
possuem a glicerol-cinase. O glicerol é transportado na circulação até o fígado, onde é fosforilado.
iv. Os ácidos graxos livres movem-se através da membrana celular e se ligam à albumina. Entram nas células e
são ativados, seguindo o processo de produção de energia já descrito.
l. β-oxidação de ácidos graxos:
i. A principal etapa do catabolismo dos ácidos graxos acontece na mitocôndria.
ii. Resume-se à remoção de fragmentos de dois carbonos do terminal carboxila da acetil-CoA, produzindo acetil-
CoA, NADH e 𝐹𝐴𝐷𝐻2 .
iii. Após a entrada de um ácido graxo de cadeia longa na célula, ele é convertido em um derivado de CoA pela
acil-CoA-sintetase dos ácidos graxos de cadeia longa.
iv. O grupo acila é transferido da coenzima A citosólica para a carnitina pela carnitina-palmitoiltransfera I (CPT-
I). Forma-se a acil-carnitina e a coenzima A livre é regenerada.
v. A acil-carnitina é transportada para dentro da mitocôndria pela carnitina-acilcarnitina-translocase.
vi. A carnitina-palmitoiltransferase II (CPT-II) catalisa a transferência do grupo acila da carnitina para a coenzima
A. Isso regenera a carnitina livre.
vii. A deficiência de carnitina pode ser causada por:
 Doenças hepáticas que provocam diminuição na produção de carnitina.
 Indivíduos subnutridos ou estritamente vegetarianos.
 Indivíduos que necessitam maior quantidade de carnitina, como gravidez, infecções graves, queimaduras
ou treaumas.
 Pacientes submetidos à hemodiálise.
viii. O acil-CoA é oxidado pela acil-CoA-desidrogenase, gerando enoil-CoA e um 𝐹𝐴𝐷𝐻2 .
 A deficiência da desidrogenase de AGCM é uma doença autossômica recessiva em que se observa
hipoglicemia grave e diminuição na oxidação de ácidos graxos.
ix. O enoil-CoA é hidratado pela enoil-CoA hidratase, gerando 3-hidroxiacil-CoA.
x. A 3-hidroxiacil-CoA é então oxidada pela 3-hidroaxil-CoA-desidrogenase, gerando 3-cetoacil-CoA.
xi. Por fim, a 3-cetoacil-CoA sofre clivagem tiólica, pela acetil-CoAa aciltransferase, gerando uma molécula de
acil-CoA e uma molécula de acetil-CoA.
xii. A β-oxidação produz 131 ATPs.
xiii. Quando o ácido graxo conta com número ímpar de carbonos, resta uma molécula de três carbonos
denominada propionil-CoA.
 A propionil-CoA-carboxilase, junto com a biotina, carboxila a propionil-CoA em metilmalonil-CoA.
 Os carbonos da metilmalonil-CoA são rearranjados, formando a succinil-CoA, que pode ser utilizada no
ciclo do ácido cítrico. A enzima metilmalonil-CoA-mutase necessita de vitamina B12.
 AGCML sofrem preliminarmente uma oxidação peroxissomal pela acil-CoA-oxidase, que contém FAD.
m. Corpos cetônicos:
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i. A mitocôndria hepática é capaz de converter acetil-CoA em corpos cetônicos. São compostos cetônicos:
 Acetoacetato.
 3-hidroxibutirato.
 Acetona.
ii. Os corpos cetônicos são fontes importantes de energia para os tecidos periféricos porque são solúveis em
meio aquoso e são produzidos no fígado durante períodos em que a quantidade de acetil-CoA excede a capacidade
oxidativa do fígado.
iii. Durante o jejum, o acetil—CoA inibe a piruvato-desidrogenase e ativa a piruvato-carboxilase, produzindo
oxalacetato na gliconeogênese.
iv. O acetil-CoA é então canalizado para a síntese de corpos cetônicos.
v. A tiolase forma acetoacetil-CoA com a junção de dois acetil-CoA.
vi. A HMG-CoA-sintase mitocondrial combina uma terceira molécula de acetil-CoA com acetoacetil-CoA para
produzir HMG-CoA.
vii. A HMG-CoA-sintase é a etapa limitante na síntese de corpos cetônicos.
viii. A HMG-CoA é clivada para produzir acetoacetato e acetil-CoA. O acetoacetato pode:
 Ser reduzido e formar 3-hidrobutirato, utilizando NADH como doador de elétrons.
 Sofrer descarboxilação espontânea no sangue, formando acetona.
+
o O equilíbrio entre acetoacetato e 3-hidroxibutirato é determinado pela razão 𝑁𝐴𝐷 ⁄𝑁𝐴𝐷𝐻 .
ix. Quando a velocidade de formação dos corpos cetônicos é maior do que a velocidade de seu consumo, tem-
se cetonemia, cetoacidose e consequente cetonúria. Essa situação é frequentemente encontrada em portadores de
diabetes melito do tipo 1 não-controlada.

4. Biossíntese e β-oxidação de Aminoácidos e Ciclo da Ureia


a. O catabolismo de aminoácidos envolve a remoção dos grupos amino, seguindo-se a quebra dos esqueletos
carbonados resultantes.
b. Essas vias convergem para formar sete produtos intermediários:
i. Oxalacetato.
ii. α-cetoglutarato.
iii. Piruvato.
iv. Fumarato.
v. Succinil-CoA.
vi. Acetil-CoA.
vii. Acetoacetil-CoA.
c. Esses produtos entram diretamente nas vias do metabolismo intermediário, resultando na síntese de glicose ou
lipídeos, ou na produção de energia livre por sua oxidação a gás carbônico.
d. Classificação de aminoácidos:
i. Aminoácidos glicogênicos: seu catabolismo produz piruvato ou um dos intermediários do ciclo do ácido
cítrico. São substrato para a gliconeogênese e podem originar a formação líquida de glicose ou de glicogênio no fígado
e de glicogênio nos músculos.
ii. Aminoácidos cetogênicos: seu catabolismo produz acetoacetato, acetil-CoA ou acetoacetil-CoA.
e. Catabolismo dos esqueletos carbonados:
i. Aminoácidos que produzem oxalacetato:
 A asparagina é hidrolisada pela asparaginase, produzindo amônia e aspartato. O aspartato perde seu
grupo amino por transaminação, formando oxalacetato.
ii. Aminoácidos que produzem α-cetoglutarato:
 A glutamina é convertida e glutamato e amônia pela glutaminase. O glutamato é convertido em α-
cetoglutarato por transaminação ou desaminação oxidativa pela glutamato-desidrogenase.
 A prolina é oxidada, produzindo glutamato. O glutamato é convertido em α-cetoglutarato por
transaminação ou desaminação oxidativa pela glutamato-desidrogenase.
 A arginina é clivada pela arginase, produzindo ornitina. A ornitina é convertida em α-cetoglutarato.

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 A histidina é desaminada oxidativamente pela histidase, produzindo ácido urocânico, o qual
subsequentemente forma N-formiminoglutamato. O FIGIu doa seu grupo formimino para o tetraidrofolato, produzindo
glutamato. O glutamato é convertido em α-cetoglutarato por transaminação ou desaminação oxidativa pela glutamato-
desidrogenase.
iii. Aminoácidos que produzem piruvato:
 A alanina perde o grupo amino por transaminação, formando piruvato.
 A serina pode ser convertida em piruvato pela serina-desidratase.
 A glicina pode ser convertida em serina, pela adição de um grupo metileno, quanto pode ser oxidada a
gás carbônico e 𝑁𝐻4+ .
 A cistina é reduzida produzindo cisteína, que sofre dessulfuração e produz piruvato.
 A treonina é convertida em piruvato ou em α-cetobutirato, o qual forma succinil-CoA.
iv. Aminoácidos que produzem fumarato:
 Fenilalanina e tirosina: a hidroxilação da fenilalanina leva à formação de tirosina pela fenilalanina-
hidroxilase. O metabolismo da fenilalanina e da tirosina pode originar tanto fumarato como acetoacetato.
v. Aminoácidos que produzem succinil-CoA:
 A metionina é convertida em S-adenosilmetionina, o principal doador de grupos metila no metabolismo
dos compostos de um carbono.
o A metionina condensa-se com ATP, formando S-adenosilmetionina.
o O grupo metila, ligado ao enxofre terciário de SAM, encontra-se ativado e pode ser transferido para
várias moléculas receptoras. O grupo metila é transferido, gerando S-adenosil-homocisteína.
o A S-adenosil-homocisteína é hidrolisada, produzindo homocisteína e adenosina.
o A homocisteína pode ser novamente metilada, formando metionina, ou pode entrar em
transulfuração, sendo convertida em cisteína.
 Níveis elevados de homocisteína no plasma representam um fator de risco cardiovascular
independente.
 A treonina é desidratada, produzindo α-cetobutirato, que é convertido em propionil-CoA, precursor de
succinil-CoA. Também pode ser convertida em piruvato.
 Valina e isoleucina também produzem succinil-CoA.
vi. Aminoácidos que produzem acetil-CoA ou acetoacetil-CoA:
 Leucina: exclusivamente cetogênica, formando acetil-CoA e acetoacetato.
 Isoleucina: é tanto cetogênica como glicogênica, produz acetil-CoA e propionil-CoA.
 Lisina: exclusivamente cetogênico, formando acetoacetil-CoA.
 Triptofato: tanto glicogênico quanto cetogênico. Sseu metabolismo produz acetoacetil-CoA e alanina.
f. Catabolismo de aminoácidos de cadeia ramificada (isoleucina, leucina e valina):
i. Transaminação: remoção de grupos amino pela aminotransferase dos α-aminoácidos de cadeia ramificada.
ii. Descarboxilação oxidativa: remoção do grupo carboxila dos α-cetoácidos derivados dos aminoácidos pelo
complexo desidrogenase dos α-cetoácidos de cadeia ramificada. Utiliza pirofosfato de tiamina, ácido lipóico, FAD, NAD
e coenzima A como coenzimas.
iii. Desidrogenação: oxidação dos produtos anteriores gera derivados acil-CoA e α-β-insaturados, produtos
finais já mencionados.
 O ácido fólico em sua forma ativada, o ácido tetreidrofólico, é produzido a partir do folato pela
diidrofolato-redutase. O grupo de um carbono carregado pelo THF permite que compostos com um carbono sejam
reconhecidos e manipulados por enzimas biossintéticas.
g. Biossíntese de aminoácidos não-essenciais:
i. Síntese a partir de α-cetoácidos:
 Alanina, aspartato e glutamato são sintetizados por transferência de um grupo amino para os α-
cetoácidos piruvato, oxalacetato e α-cetoglutarato, respectivamente.
ii. Síntese por amidação:
 Glutamina: formado a partir do glutamato pela glutamina-sintetase.
o Importante mecanismo para destoxificação da amônia no encéfalo e no fígado.

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 Asparagina: formado a partir do aspartato pela asparagina-sintetase, utilizando a glutamina como
doadora da amida.
 Prolina: o glutamato é convertido em prolina por reações de ciclização e redução.
 A serina provém do 3-fosfoglicerato, que é primeiramente oxidado a 3-fosfopiruvato e então
transaminado a 3-fosfosserina. A serina é formada por hidrólise do éster de fosfato. Também pode ser produzida a
partir da glicina, por meio da transferência de um grupo hidroximetila.
 Glicina: sintetizada a partir da serina, pela remoção do grupo hidroximetila.
 Cisteína: sintetizada pela combinação da homocisteína com a serina, formando cistationina, que é
hidrolisada em α-cetobutirato e cisteína.
 Tirosina: formada a partir da fenilalanina pela fenilalanina-hidroxilase. Requer oxigênio molecular e
tetraidrobiopterina.
h. Defeitos metabólicos no metabolismo de aminoácidos:
i. Fenilcetunúria: causada pela deficiência de fenilalanina-hidroxilase. A hiperfenilalanemia também pode ser
causada por deficiência nas enzimas hiidropteridina redutase ou 𝐵𝐻2 sintetase, que reduzem ou sintetizam a coenzima
tetraidrobiopterina 𝐵𝐻4 .
 Fenilalanina elevada.
 Retardo mental, dificuldade de andar, convulsões, hiperatividade, tremor, microcefalia.
 Hipopigmentação.
ii. Doença do xarope de bordo: deficiência parcial ou completa da desidrogenase dos α-cetoácidos de cadeia
ramificada, enzima que carboxila leucina, isoleucina e valina. Pode aparecer na forma clássica, na forma intermediária
e na forma responsiva à tiamina – que aumenta a atividade da desidrogenase dos α-cetoácidos de cadeia ramificada.
 Problemas alimentares, vômito, desidratação.
 Acidose metabólica grave.
 Odor característico de xarope de bordo na urina.
iii. Albinismo: defeito no metabolismo da tirosina (enzima tirosinase) leva a uma deficiência na produção de
melanina.
 Ausência parcial ou completa do pigmento da pele, do cabelo e dos olhos.
iv. Homocistinúria: um grupo de doenças envolvendo defeitos no metabolismo da homicisteína. A causa mais
comum é um defeito na enzima cistationina-β-sintase, que converte a homocisteína em cistationina. O tratamento inclui
restrição da ingestão de metionina e suplumentação com vitaminas B6, B12 e folato.
 Níveis elevados de homocisteína e metionina no plasma e na urina.
 Baixos níveis de cisteína.
 Ectopia lentis – deslocamento do cristalino do olho.
 Anormalidades esqueléticas.
 Doença arterial precoce.
 Osteoporose.
 Retardo mental.
v. Alcaptonúria: deficiência na enzima ácido homogentísico-oxidase, resultando no acúmulo de ácido
homogentísico – essa reação ocorre na via degradativa da tirosina.
 Acidúria homogentísica.
 Artrite das grandes articulações.
 Ocronose – pigmentação escura da cartilagem e do tecido conjuntivo.
i. Ciclo da ureia:
i. O ciclo inicia-se com o acoplamento da 𝑁𝐻4+ livre com 𝐻𝐶𝑂3− , formando carbamil fosfato pela ação da
carbamil fosfato sintetase.
 Fosforilação do 𝐻𝐶𝑂3− , formando carboxi fosfato.
 O carboxi fosfato reage com o ionte amônio, formando ácido carbânico.
 Uma segunda molécula de ATP fosforila o ácido carbânico a carbanil fosfato.
ii. A carbamila transfere-se para a ornitina formando citrulina, numa reação catalisada pela ornitina
transcarbamilase. Até aqui, as reações ocorrem na matriz mitocondrial.

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iii. A citrulina é transportada para o citoplasma, onde se condensa com o aspartato, o doador da segunda amina
da ureia, e forma arginino-succinato.
 Essa reação é catalisada pela arginino-succinato sintetase, impulsionada pela clivagem do ATP em AMP
e pela hidrólise do pirofosfato originado.
iv. A arginino-succinase cliva o arginino-succinato em arginina e fumarato.
v. A arginina é hidrolisada, gerando uréia e ornitina numa reação catalisada pela arginase.
vi. A ornitina é transportada de volta às mitocôndrias para iniciar um novo ciclo.
vii. São utilizadas quatro moléculas de ATP por molécula de ureia sintetizada.
viii. O fumarato é hidratado a malato que, por sua vez, é oxidado a oxaloacetato.
ix. Defeitos hereditários do ciclo da ureia causam hiperamonemia e podem ocasionar lesão cerebral.

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