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Universidade Federal de São João Del Rei – NEAD

Curso Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho

Higiene do Trabalho A (HTA) – Tarefa 4: Tarefa referente à Unidade 4 – Agente


Físico: Pressões.

DIEGO DA SILVA MÉGDA

ALTEROSA – MG
Janeiro de 2019

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1. Análise da atividade de soldagem subaquática: riscos envolvidos e ações a
serem tomadas antes do início da tarefa.

A atividade de soldagem a ser analisada é caracterizada como soldagem


subaquática molhada, em que há o contato direto com o meio aquoso, podendo ser
realizada em diversas profundidades. Porém, a literatura revela que o processo é
realizado preferencialmente em profundidades menores de que 60 metros como
alternativa nos reparos das plataformas e outras estruturas, e que os melhores
resultados são obtidos em profundidades entre 20 e 30 metros de profundidade. Nota-
se ainda que os estudos realizados com o intuito de verificar a variação de
determinadas propriedades associadas ao processo de soldagem com a profundidade,
limitam-se, em sua maioria, a profundidade de até 50 metros na soldagem subaquática
molhada. Este fato pode estar associado à expansão do uso de plataformas flutuantes,
em que os elementos estruturais dessas unidades estão situados em sua maioria até 20
metros de profundidade 1,2,3,4,5.
Chama a atenção uma recomendação encontrada na literatura do ano 2004, em
que o procedimento de soldagem subaquática molhada só poderia ser empregado até
a profundidade máxima de 30 metros, dado que os mergulhadores trabalham em um
ambiente insalubre. Porém o texto não faz referências a normas internacionais. A
Norma Regulamentadora NR-15 em seu Anexo 6, define os limites de profundidade
que devem ser seguidos respeitando alguns critérios operacionais, como por exemplo,
em seu item 2.10.13, alínea b), é definido que a profundidade máxima igual a 50
metros deve ser respeitada em mergulho com equipamento a ar comprimido suprido
pela superfície 6,7,8.
A máxima profundidade em que procedimentos de soldagem subaquática molhada
foram qualificados de acordo com os requerimentos da especificação da Norma AWS
para soldas classe B é de 100 m. Porém esse parâmetro está associado à qualidade
estrutural da solda obtida no processo de soldagem subaquática molhada para este
limite de profundidade e não propriamente à parâmetros de segurança e saúde
ocupacional9.
É de grande importância entender o tipo de operação e conhecer a profundidade
da tarefa para que as devidas providências sejam tomadas antes do início da operação.
O anexo 6 da Norma Regulamentador NR-15, apresenta em seu item 2.1 as medidas

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a serem seguidas com relação a realização de trabalhos submersos e considera ainda,
segundo seu item VIII, o trabalho de solda como condição perigosa.
Como responsável por liberar o início da atividade apresentada pelo vídeo
disposto na Unidade 4 da disciplina Higiene do Trabalho A, do curso Especialização
em Engenharia de Segurança do Trabalho da UFSJ-NEAD, os seguintes riscos
envolvidos na operação podem ser listados:

I. Falhas no suprimento de ar para o operador devido ao mal funcionamento


de qualquer equipamento ou dispositivo: para esta situação cabe a verificação
dos seguintes equipamentos e dispositivos antes do início da operação: umbilical,
composto por mangueira de suprimento de ar e linha de vida, considerando que
há o suprimento de ar pela superfície; verificação de reservatório de ar (tanques
de volume); verificação de reservas de ar, para o caso de emergência; verificação
do funcionamento de compressores de ar; verificação das garrafas para suprimento
de ar; verificação de painéis para controle do ar mandado para o operador,
considerando que a operação seja realizada por suprimento de ar pela superfície;
verificação do correto funcionamento das válvulas e verificação do tubo
respirador. Todos os instrumentos de controle, dispositivos e equipamentos
deverão estar operando de acordo com o estabelecido nas normas, como a NR-15,
Anexo 6, boletins técnicos, certificado, manuais e outros documentos que atestem
a segurança dos mesmos e que informem sobre as condições seguras de operações.

II. Risco de choque elétrico durante a operação de soldagem: garantir o


isolamento elétrico adequado, desligamento automático do fornecimento de
energia, utilização e verificação do funcionamento de dispositivos de segurança
que a impeçam a presença de tensões ou correntes elevadas;

III. Riscos devido as condições da água: Deve-se avaliar as condições


meteorológicas da área de operação antes do início da operação; avaliar as
condições de visibilidade, nesse caso, avaliar se o capacete equipado com lanterna
fornece a luminosidade adequada para execução da operação, se não, deve-se
fornecer lanterna para auxiliar melhor a execução do trabalho; verificar a presença
de correntezas e altura das ondas; verificar outras condições que impossibilitem o
controle de flutuabilidade do mergulhador.

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IV. Risco de doenças descompressivas, nas quais podem causar dores
musculares, deixar sequelas e até mesmo levar à morte: conforme apresentado
pelo Anexo 6 da NR-15, a descompressão é conjunto de procedimentos, através
do qual um mergulhador elimina do seu organismo o excesso de gases inertes
absorvidos durante determinadas condições hiperbáricas, sendo tais
procedimentos absolutamente necessários, no seu retorno à pressão atmosférica,
para a preservação da sua integridade física. Portanto, antes do início da operação,
deve-se consultar as tabelas de descompressão definindo assim importantes
parâmetros como tempo de fundo, paradas para descompressão, tempo total para
subida, a fim de evitar doenças descompressivas.
Nesse ponto cabe destacar a importância da utilização e verificação de alguns
equipamentos como profundímetro e sistema e equipamento para permitir, com
segurança, a entrada e saída dos mergulhadores da água.
Outro ponto importante está associado a utilização de câmara de superfície,
caracterizada uma câmara hiperbárica especialmente projetada para ser utilizada
na descompressão dos mergulhadores, requerida pela operação ou pelo tratamento
hiperbárico. O item 2.10.7.1 do Anexo 6 da NR-15 estabelece que “caso a
profundidade seja maior que 40,00m (quarenta metros) ou o tempo de
descompressão maior que 20 minutos, é obrigatória a presença no local do
mergulho de uma câmara de superfície”. Portanto, caso a profundidade da
operação atinja o determinado pela norma, o responsável pela operação deve
garantir que a câmara de superfície está operando corretamente, e em
conformidade com o estabelecido pela presente NR em seu item 2.11.208.
Os itens 2.10.7, 2.10.8, 2.10.9, 2.10.10 e 2.10.11 do Anexo 6 da NR-15
estabelecem outros procedimentos a serem seguidos com relação a câmara de
superfície e o item 2.11.20 estabelece alguns parâmetros, incluindo dimensionais,
sob os quais as câmaras de superfície devem ser projetadas e operadas. Portanto,
cabe ao supervisor monitorar tais condições e verificá-las antes do início da
operação de modo a garantir a segurança dos mergulhadores8.
Como citado anteriormente, a operação de solda subaquática molhada
geralmente ocorre em profundidades até 60 metros, porém, caso a operação seja
realizada em profundidades superiores, outros equipamentos devem ser utilizado,
como sino de mergulho em conjunto com câmara de superfície, para
profundidades superiores a 90 metros, ficando a profundidade limitada à pressão

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máxima de trabalho da câmara de superfície; além mistura respiratória artificial
em mergulhos de intervenção.

V. Riscos devido a enroscos em redes, linhas e cabos, ou nos próprios


componentes de mergulho podendo ocasionar acidentes como consumo
excessivo de ar, rompimento de mangueiras, tempo de fundo superior ao
estabelecido, perda do controle de flutuabilidade, dentre outros:
disponibilizar ao mergulhador faca de mergulho, com o intuito de se livrar de
possíveis enroscos como em redes, cabos e linhas cortando as mesmas; fornecer
treinamento adequado ao mergulhador para que quando este encontrar-se em uma
condição de aprisionamento, manter-se calmo, evitando movimentos bruscos e
excesso de esforço, com o intuito de: economizar o ar respirável, evitar o
rompimento de mangueiras de ar, válvulas e outros dispositivos pertencentes ao
equipamento de mergulho, agravar ainda mais a situação de aprisionamento.
Nesse ponto cabe destacar também a importância da verificação antes do início da
operação e utilização de sistema de comunicação entre o mergulhador e o
supervisor da operação, na superfície, em que deve ser informada qualquer
situação de emergência.

VI. Risco envolvendo manobras indevidas da embarcação de onde a operação


está sendo realizada, aproximação de outras embarcações, ausência de
sistemas de emergência na embarcação, dentre outras situações envolvendo
ações que podem colocar em risco a integridade física do mergulhador:
garantir a comunicação adequada entre o comandante da embarcação e o
supervisor de mergulho, de modo a não permitir a realização de nenhuma
atividade que possa oferecer perigo para os mergulhadores; garantir que nenhuma
manobra seja realizada e que qualquer máquina ou equipamento pare de operar
durante a operação de soldagem; garantir que foi realizada a comunicação com
outras embarcações nas imediações da realização da operação pelo comandante;
garantir que os procedimentos corretos de sinalização estão sendo utilizados antes
do início da operação; garantir ainda que a embarcação possua controle adicional
de emergência localizado em compartimento separado. O arranjo do sistema
deverá ser de total eficiência para que caso aconteça falha de algum equipamento
ou perda de um dos compartimentos por incêndio ou alagamento ou qualquer outra

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causa, não resulte na perda da capacidade operacional. Lembrando que a operação
de mergulho não deve ser permitida se não houver, no local, equipamentos
normais e de emergência adequados e em quantidade suficiente para sua condução
segura conforme estabelecido pelo item 2.5.1, alínea j), do Anexo 6 da Norma
Regulamentador NR-158.

Estes são alguns riscos envolvidos durante a operação de solda subaquática molhada e
além desses, pode-se citar os riscos associados a não utilização de EPI’s como óculos de
proteção adequado, a fim de proteger o operador tanto das condições do trabalho
submerso quanto da claridade oriunda do processo de soldagem; luvas de mergulho
adequadas, com o intuito de proteger o operador de possível contatos com sistemas
elétricos, além de possíveis impactos ao realizar a soldagem de peças com peso excessivo,
ou que podem se desprender durante o processo de soldagem; roupa de mergulho
apropriada, incluindo capuz, com o intuito de proteger o mergulhador também de outros
agentes como o frio. Portanto, treinamentos adequados devem ser fornecidos à toda
equipe, desde mergulhadores, supervisores e comandantes até a equipe médica, com o
intuito de evitar que possíveis falhas ocorram e que os procedimentos de emergência
sejam efetuados corretamente.
Com relação aos procedimentos de emergência, deve-se garantir que estes estejam
funcionando adequadamente, conforme apresentado pelo item 2.10.21 do Anexo 6, da
NR 15: “todos os integrantes das equipes de mergulho, especialmente os supervisores,
deverão tomar as devidas precauções, relativas à segurança das operações, no tocante ao
planejamento, preparação, execução e procedimentos de emergência”8.

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Referências Bibliográficas

1) LIBERATO, F. M.; MODENESI, P. J.; BRACARENSE, A. Q. Aspectos


Operacionais da Soldagem Subaquática Molhada com Eletrodos Revestidos
Inoxidável Austenítico. Revista Soldagem & Inspeção, v. 23, n. 2, p. 277-291. São
Paulo, 2018.

2) MARINHO, R. R.; PAES, M. T. P.; PESSOA, E. C. P.; BRACARENSE, A. Q.;


SANTOS, V. R.; ASSUNÇÃO, F. C. R.; MONTEIRO, M. J.; DOMINGUES, J. R.
Perspectiva e Desafios para Aplicação da Soldagem Subaquática Molhada na
Petrobras. Rio Welding, 2014. Disponível em < www.riowelding.com.br > Acesso
em 28 de janeiro de 2019.

3) SILVA, W. C. D.; BRACARENSE, A. Q.; PESSOA, E. C. P. Efeito da


Profundidade de Soldagem no Hidrogênio Difusível de Soldas Molhadas. Revista
Soldagem & Inspeção, v. 17, n. 4, p. 298-305. São Paulo, 2012.

4) MOMBRU, R. G.; MACHADO, I. G. Soldagem Subaquática Molhada por


Contato com Eletrodo Revestido. Revista Soldagem & Inspeção, ano 5, n. 5. São
Paulo, 1999.

5) LEÃO, A. P. B. Metais de Solda Ligados ao Ni com Adições de Cu e Mo para


Soldagem Subaquática Molhada. Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Engenharia dos Materiais e Processos
Químicos e Metalúrgicos. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em <
www.maxwell.vrac.puc-rio.br > Acesso em 28 de janeiro de 2019.

6) IPESI. Soldagem debaixo d´água: Laboratório catarinense desenvolve solda para


Petrobras. Revista Metal Mecânica. São Paulo, 2004. Disponível em <
http://www.ipesi.com.br/ > Acesso em 28 de janeiro de 2019.

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7) AGÊNCIA BRASIL, EMPRESA BRASIL DE COMUNICAÇÃO. UFSC
desenvolve solda subaquática para a Petrobras. Brasília, 2004. Disponível em <
http://memoria.ebc.com.br > Acesso em 28 de janeiro de 2019.

8) BRASIL, NORMA REGULAMENTADORA N.º 15, de 08 de junho de 1978.


Atividades e Operações Insalubres. Disponível em < http://www.trabalho.gov.br/ >
Acesso em 30 de janeiro de 2019.

9) BRACARENSE, A. Q. Treinamento Profissional Especializado em Tecnologia e


Engenharia de Soldagem. SENAI – Educação a Distância, UFMG, FIEMG. Belo
Horizonte, 2005.

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