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A hora e a ve de Augusto Matraga:

A vida aparece dividida em 3 fases:

a) Matraga de vida desregrada e visto como uma pessoa má; um valentão da região que arruma briga com
qualquer um. Não se preocupa com sua mulher nem mesmo com sua fazenda, que entra em declínio. É
abandonado pela mulher, que foge com outro homem, pelos capangas que passam a servir o seu inimigo, o Major
Consilva,. Matraga sobrevive ao ataque dos capangas de seu maior inimigo e então começa a 2 fase de sua vida.
b) Caracteriza-se pela mudança de Matraga após a experiencia de quase ter morrido. Ele é acolhido por um
casal de negros e passa a levar a vida em busca de um único propósito: “pro céu eu vou, nem que seja por
porrete.” Entre diversas tentações, passa por um período de reflexão e penitencia, em busca de ver seus pecados
redimidos, sempre com a certeza de eu sua vez e sua hora iam chegar.
c) Na terceira parte, Matraga parte sem destino, ou melhor, para encontrar seu destino, mas sem saber ao
certo onde. Nesse percurso chega a tão sonhada hora e vez dele. Ele reencontra um bando de jagunços já
conhecido por ele, chefiado por Joaozinho Bem Bem. O grupo estava em ação de vingança; matraga intervém,
intercedendo pelo senhor que clamava pela vida de seu filho e buscando evitar a vingança dos jagunços. Em ato
heroico, Mayraga é morte. A redenção que tanto desejara havia chegado pelas mãos de Joaozinho Bem-Bem

Linguagem e estilo:

O protagonista recebe ter nomes, de acordo com suas fases: a) Augusto Esteves, em que é um fazendeiro temido,
seu nome social, indicando sua posição de coronel; b) Nhô Augusto, quando esta num período de reflexão sobre si
mesmo; c) Augusto Matraga, em que se dá a transformação, aparece com seu nume mítico, o herói que ficou na
memoria popular.

Uso de metáforas: metáfora da cobra, que associa a ideia do mal dentro da cristandade.

O conto é escrito em forma de prova poética.

A hora e a vez: Heroísmo

A ideia de que um único momento pode resumir em si o valor de toda uma existência; um momento pode valer
por toda uma vida que se relaciona àquilo que é heroico. A vida de matraga como herói esta diretamente ligada ao
momento de sua redenção no final do conto, em que protegeu inocentes da vingança de Joãozinho Bem-Bem.

Sua trajetória: ele inica o conto em uma posição de poder e desce para o campo dos oprimidos. Passa por diversas
provocações. Heróis asceta: disciplina e autocontrole estritos do corpo e do espirito, um caminho imprescindível
em direção à Deus. É como uma historia da salvação, uma transfiguração do destino, em que o homem passa da
devassidão à santidade por três passos: pecado, penitencia e redenção

Assim Guimarães Rosa Traz o caráter da epopeia, mas desconstrói de sua versão clássica. Reconstrói com um herói
real, um homem da modernidade, que traz em si o heroísmo e o bem, mas também sua natureza humana, que
possui inclinações para o mal e covardia. . Universalismo épico com tons de modernidade, regionalismo e reflexão
sobre o herói que pode haver no homem comum.

O místico e o religioso

A religiosidade esta diluída por toda a narrativa, constantemente aparece sob o viés místico, de modo que o
cristianismo e o misticismo se mesclem. São constantes analogias,

Também aparece na conversão do protagonista, que muda totalmente de conduta ao longo do conto. Depois de
ter passado tão perto de morrer, ele foi acolhido pelo casal d negros, que, percebendo naquele homem a
angustia, levaram-no ate um padre para poder se confessar. Deu as coordenada para a redenção de seus pecados.

Nome Augusto Matraga: pode estar relacionado uma serie de palavras de cunho místico e que estão
intrinsecamente ligadas à sua trajetória no conto. Palavra Matraz significa vaso alquímico, ou seja, recipiente em
que acontecem transformações de substancias. O termo matraca designa um instrumento sonoro utilizado em
procissões religiosas e penitencia. Assim, podemos perceber que o nome da personagem é uma amalgama desses
significados, trazendo em si marcas da transformações de seu ser, penitencia e de sua imolação como mártir ao
fim do conto.

Outro tema que aparece é a questão do bem e do mal. A violência perpassa o interior do protagonista em sua luta
interna entre o bem e o mal e culmina no confronto exterior do duelo final de Matraga e Bem-Bem.
A violência parece nas três fases de Matraga: a) na fase de pecado, ele está na violência dos atos; b) na fase de
penitencia, ela esta na dor que Nhô Augusto se submete em sacrifício contra seus impulsos humanos; c)n na fase
de salvação, a violência aparece na forma de destruição, pois por meio da violência é que vem a redenção de
Matraga.

A violência luta dentro de si.

Nesse conto, Rosa relativiza o bem e o mal, de modo que ambos osclam suas posições, brincando com as
vontades e o destino do seu humano.