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Sagarana:

Inserido na terceira fase do modernismo (1945) geração de 45, tal geração aprofundou-se no humano através da
metafisica, com um caráter mais introspectivo, de sondagem psicológica, trabalho mais minucioso com a linguagem,
forjando quase que artesanalmente a linguagem e a construção de palavras

Nos leva a conhecer o mais intimo do ser humano: suas mazelas, seus conflitos, a força arrebatadora de seu destino

Local: sertão (real + sobrenatural) – recria o regionalismo retirando suas características caricaturais e superficiais

Regionalismo aprofundado; as reflexões existenciais em meio a um sertão; linguagem repleta de originalidade e


neologismo (fazia parte do modernismo). Deu ao regionalismo um tratamento universal, poético e magico

9 contos independentes mas que estão entrelaçados: cenários característicos do sertão; os contos apresenta
personagens em “travessia” – que enfrentam um embate existencial entre o beme o mal- e terminam com uma
espécie de mensagem universal

Vontade de usar a escrita e o cenário especifico para transmitir mensagens universais. Transcender através da arte.
Bricar com a linguagem em prol da liberdade

Os nove contos:

O burrinho pétreas; a volta do marido prodigo; sarapalha; duelo; minha gente; são marcos; corpo fechado; conversa
de bois; a hora e a vez de augusto matraga

Analise do titulo: exemplo de hibridismo

Saga – origem germânica; canto heroico;

Rana – origem indígena; à semelhança de

Já o titulo o escritor explora a criação de palavras, com a mistura do popular e o erudito. Já indica que a linguagem
será inventiva; as historias se aproximam de lendas, que contarão algum heroísmo; toque de lenda: mistura real e
imagnario = sentido moral, sem julgamentos.

Escreveu a obra sob um viés paradoxal: Regionalista porque abraça o sertão, seus espaços e sertanejos; Universal
porque usa esse espaço como base para a exploração profunda do amago do ser. Seu sertão é como um microcosmo,
uma versal universal do que é a vida.

Simplicidade(personagens) + sabedoria (universais e filosóficas profundas falas, ações e pensamentos) + primitivismo


+ modernidade = caminham juntos

Marcas de oralidade

Processos narrativos: arte de narrar.


Importância do narrador: é ele quem dá o tom de causos para a historia, quem carrega a oralidade e o trabalho da
linguagem elaborada pelo autor.

Foco narrativo: 3 pessoa.

Uso do discurso indireto livre: fluxos de consciência, tentando simular os pensamentos que invadem a narrativa

Significado do conto

No conto o burro não é “burro”, ao contrário, foi este animal que, apesar de idoso e desacreditado, salvou vidas. Não
nadando contra a correnteza, personificando a cautela e a prudência, o burro imitou as qualidades da coragem
humana. As características humanas dadas aos animais, em especial, ao burrinho Sete de Ouros, e a conclusão do
conto com uma natureza moral dão verossimilhança à narrativa e aproximam-na de uma fábula.

Valorização da experiencia.

A volta do marido pródigo: as falas do narrador possuem tom humorístico, sobretudo na caracterização do jeito
malandro do protagonista
"Sarapalha" - 3 pessoa; transmite ao leitor a sensação sufocante em que se encontram as personagens, alternando
tempos verbais entre presente e passado para realçar a saudade do passado e o sofrimento do presente.

Duelo – 3 pessoa; investiga bastante o pensamento das personagens, havendo muitas mesclas de uma das ouras. To
que de humor

"Minha Gente" = narrador participa da história, ou seja, esta narrada sob uma visão parcial.

São Marcos = narrador em 1 pessoa. A peculiaridade está nas brincadeiras feitas com o leitor.

"Corpo Fechado" = narrador personagem em 1 pessoa. A narrativa aparece em forma de conversa

Conversa de bois =

"A hora e vez de Augusto Matraga" = 3 pessoa

Característica geral da Narrativa: mesmo o narrador não sendo personagem, ele acaba sendo: ele tem os trajetos da
fala regional da historia, manifesta-se com sotaques e as expressões locais; aproxima-se da historia a ponto de fazer
parte dela. De maneira geral, esmo quando é observador, incorpora o modo poético e regionalista de falar das
personagens.

Um tempo atemporal
Em meados de 1930: fica evidente pelo retrato de uma sociedade rural que começava a ficar em segundo plano por
causa do processo d urbanização. Não é datado, não é medido pelo relógio, mistura entre o presente e o passado
(caráter de fabula). O tempo é baseado no campo psicológico, ou seja, é indeterminado.

Espaço:
Sertão de Minas. O espaço não é mera ambientação descritiva, sendo tão participante quanto suas personagens

Burrinho petres: a travessia dos terrenos, a chuva e a cheia são mais do que o cenário da historia; são determinantes
nela, definindo o caminho da comitiva e impondo obstáculos.

Duelo: o espaço aparece para o leitor detalhadamente, descreve a topografia, fauna e a flora.

Minha gente: transparece apego aos elementos da terra interiorana, mostrando encantamento com relação ao espaço
do sertão e a integração com as personagens.

Resumo: a extensão dos espaços condicionam suas ações. Funciona, em muitos casos, como determinantes sobre
muitos atos, pois as personagens ficam se sujeitam às condições da natureza ao seu redor.

Personagens:
Peões, jagunços rudes, pessoas da roça,. Aparecem dedicados a a atividade de subsitencia; já os animais aparecem sob
jugo desse trabalho, num primeiro momento, mas eles transcendem tal jugo em uas historias, surpreendendo o leitor.

As personagens do livro aparecem vivendo em estado de travessia, que e mistura entre o literal e o figurado:
atravessam mesmo estradas, pontos, mas também isso revela que vivem travessias em suas vidas, que passam por
transformações intimas diante dos olhos do leitor

Exemplo: a hora e a vez de augusto matraga. Enquanto atravessa inúmeros povoados, vai passando também por uma
experiencia de redenção, indo do pecado à salvação; começa como um típico valentão, mas evolui ao longo de seu
encontro com ouyras pessoas, o que auxiliam no processo de purificação e redenção. São marcos: da descrença à
crença.

Seres que devaneiam em seus pensamentos. Personagens se destacam em profundidade.

O burrinho petres e conversa de bois há ênfase nos animais: eles aparecem humanizados, sendo protagonistas e
mostrando ate superioridade sobre os humanos, que são superados pela esperteza desses animais

A volta do marido prodigo: Lalino o qual se caracteriza o típico malando que fala muito e faz pouco
Linguagem: uma protagonista
Neologismo, uso de arcaísmo. Linguagem regional extremamente elaborada

Linguagem como condição da existência das historias. O espirito das historias esta na transmissão da linguagem

Temas universais:

Sertão como centro a partir do qual todos os assuntos dos contos irradiam, e neles vemos travessias, buscas,
descobertas, encontros e desencontros. É no sertão onde se encontra o magico garantido pelos elementos místicos e
misteriosos.

Humanização do Animal: O burrinho Pedre e Conversa de bois

A humaninzação de animis aparece com o objetivo de questionar a sabedoria humana. Ao mesmo


tempo que humaniza os animais, animaliza os seres humanos.

O burrinho Pedres: cinseguiu ser mais sábio que os homens e os mais jovens: Valorização da experiencia.
Conversa de bois: desconfiança da sabedoria humana

Bem x Mal: Relativização


Embate entre o bem e o mal. Não cria em suas historias juízos de valores, mas mostra o quanto é conflituoso aceitar
que ambos estão inseridos na essência do ser humano.

Exemplos: a volta do marido prodigo: não tem nenhum castigo plos erros cometidos pelo Lalino, mesmo com todo mal
que ele fez, não sofreu punição e terminou feliz.

Sarapalha: Atgemino, que fora sincero, achou que seria compreendido por Ribeiro, mas é punido por falar a verdade .

Duelo: o irmão de Tibério é morto mesmo inocente, sendo que nem gostava de mexer com as mulheres dos outros. A
vida nem sempre é justa. No mesmo conto percebemos que os personagens vão se alternando nos papeis de bem e
mal, mostrando estar do lado certo ou errado não é algo estático

A hora e a vez de augusto matraga: há forte presença da luta interior do ser humano, que possui em sua natureza,
tanto para o bem quanto para o mal. Durante todo o seu processo de purgar-se, Augusto matraga luta para não cair
em tentação e voltar a provocar o mal. Isso fica claro quando Joãozinho Bem bem o convida para fazer parte do bando
de jagunços mas, embora sinta vontade, resiste.

Destino:
Força incontestável do destino: o rumo dos acontecimentos tomam escapa do controle das personagens

Duelo: o destino inverte a situação inicial da historia: Cassino, que no inicio era o perseguido, torna-se perseguidor.

Minha gente: o xeque-mate feito pelo protagonista se vira contra ele. Ele articulou seus planos, e eles resultaram em
algo bem diferente do planejado.

São marcos: jose zombou das crenças e dos feiticeiros mas precisou deles para recuperar suas visões.

Há uma alegoria da da fatalidade, de inexorabilidade do destino do ser humano.


Não importa o quanto os homens se percam na busca de seus propósitos, já o
imprevisto vem mostrar que ninguém possui o domínio sobre o destino.
A travessia
As travessias literais das estradas, matas e vilarejos servem de simbolismo para as travessias psicológicas
experimentadas pelas personagens.
Quando o foco é heroísmo, há uma travessia para se chegar ate ele, como nos contos de o burrinho pedrês e Duelo;
quando o tema passa pelo religioso, a travessia é a chave da analogia, como a passagem de augusto matraga do
pecado a redenção

Místico e religioso
Referencias cristãs e pagãs(místicas)

Exemplo: a hora e a vez de augusto Matraga, Nho Augusto deixa o sitio para sair em busca de seu destino montado no
jumento.

Misticismo aparece em ‘São Marcos’ e Corpo fechado’, porque é o tema principal.

Nome do burrinho (O burrinho Petres), sete-de-ouro faz menção ao 7, tido como sagrado entre os cabalistas. ‘ouro’,
importante na alquimia. Carta sete-de-ouros no taro retrata uma jovem descansando após o cultivo, simbolizando o
encontro do ser humano com sua essência.

Nome de Matraga: vaso alquímico: local onde ocorre transformações de substancias em ouro.

Heroísmo:

O próprio nome do livro já revela que encontraríamos esses heroísmos na narrativa.

O burrinho petres sai de sua condição medíocre e é elevado a herói pela sabedoria no momento derradeiro da
sobrevivência

Duelo: simples capiau vira herói vingando Cassiano Gomes, que o havia ajudado.

Corpo fechado: Manuel Fulo após ter se envolvido com os mistérios da feitiçaria, uma coragem sobre-humana.

Os bois de Conversa de bois são os heróis da vingança de Januário não pode efetuar e que Tiãozinho desejara em seu
interior.

A hora e a vez de augusto matraga, o protagonista morre como mártir, fazendo valer sua vida.

O autor traz o caráter da epopeia, porem desconstruindo a versão clássica e tradicional que conhecemos; ele a
reconstrói com heróis reais, que carregam consigo impulsos heroicos e o bem, mas também sua natureza humana, a
qual apresenta muitas vezes a covardia e a inclinação do mal.

Atinge o universalismo épico, no qual insere tons de modernidade, regionalismo e reflexão sobre o herói que pode
haver no homem comum

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