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O LUGAR DO PSICANALISTA NO

HOSPITAL GERAL: DESAFIOS E


POSSIBILIDADES
Minha vivência na área hospitalar
• Formação em psicologia hospitalar em 2016 coordenada pela psicóloga
Darla Moreira
• Estágio obrigatório no Hospital do coração durante quase 6 meses na ala
de pneumologia, na enfermaria feminina

Hospital Geral
Hospitais gerais são instituições de saúde orientado pelo discurso médico e
capturado pela urgência do corpo. A leitura dos sintomas é objetiva com foco
nas queixas orgânicas. É neste lugar onde o psicanalista irá escutar o sujeito
atravessado pelo seu sintoma que é ao mesmo tempo orgânico e psíquico.

Trajetória da psicanalise em uma instituição de saúde.


• A prática da psicanálise tem seu início nas instituições de saúde com os
trabalhos realizados por Charcot, no Hospital de La Salpêtrière, no século
XIX
• Os trabalhos do próprio Freud no hospital geral de Viena
• Os trabalhos de Lacan (1932/1987) em Saint’ Anne

O trabalho do psicanalista no hospital


• Atendimento em espaços e temporalidades diversas da clínica de
consultório
• (des)construír a racionalidade biomédica, a hospitalização, o diagnóstico, a
medicalização e o prognóstico podendo ser simbolizadas.
As particularidades dos atendimentos realizados à beira do leito
• O surgimento da demanda :Inicialmente a demanda do paciente é da
ordem do corpo e direcionada ao médico, só quando o real do corpo faz furo
no saber médico que é possível ser aberto uma demanda direcionada ao
analista. O analista se dirige ao paciente oferecendo-lhe escuta.

• O manejo do tempo no hospital: o tempo sofre uma serie de


delimitações por uma série de fatores externos tais como alta do paciente,
transferência para outro hospital ou unidade, óbito, ou seja, por interferências
diversas.

• Manejo com a equipe multidisciplinar de Saúde: seus pedidos serão


para convencer um paciente a adequar-se aos procedimentos médicos
(Moretto,2001). O psicanalista deve entender que esse não deve ser o seu
lugar, não significando que ele deve negar o pedido do médico.
• Falta de privacidade no atendimento : Procedimentos sem hora marcada
(exames, curativos e medicamentos)
• Dispositivo clínico da urgência subjetiva:
• Simões (2011) identifica a urgência como um estado de crise.
• O adoecer é considerado uma situação de crise em que a fragilidade da
condição humana é exposta e é confrontada com o incontrolável.
• É possível alcançar algum tipo de efeito analítico, resultado do trabalho de
retificação subjetiva -“modificação da relação do sujeito com o real, a
implicação dele nas desordens das quais se queixa” (Moretto, 2001, p. 102).
• O papel do analista não é devolver a harmonia perdida e sim possibilitar que o
sujeito encontre recursos para lidar com sua angústia.
Considerações finais
■É possível sim fazer psicanálise fora de um setting analítico tradicional.

■ A função primordial do analista é oferecer ao paciente uma escuta e


uma posição diferenciada dos outros membros da equipe ocupando uma
posição analítica.

■Quanto aos desafios citados, nenhum deles foram considerados como


obstáculos para que se exerça uma escuta analítica no contexto
hospitalar.

■Os únicos obstáculos reais que impossibilitam um processo analítico


são: a ausência de um analista, o não surgimento de uma demanda de
análise e o não estabelecimento da transferência.
■A transição da psicanálise dos consultórios particulares para instituição
hospitalar, o que se observou foi que essa solidificação no hospital se deu
pelo reconhecimento de um espaço discursivo, virtual, sob o rigor ético da
psicanálise.

■Para que esse lugar seja cada vez mais reconhecido e legitimado
socialmente é necessário que mais pesquisas sejam realizadas neste
campo.
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Casa do Psicólogo.
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(85) 9.96-36077

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