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Moção Global de Estratégia

ao XVII Congresso Federativo FAUL

1.ª Subscritora: Ana Margarida Afonso de Matos


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Unir para Vencer

Camaradas,

Sou candidata à presidência da JS FAUL sob o mote Unir para Vencer.

Unir porque a JS FAUL é ponto de encontro de uma multiplicidade de visões e


vontades, devendo ter como desígnio primordial dar voz aos anseios dos jovens e
congregar as diversas forças e sentidos numa ação forte, concertada, conciliadora,
progressista, inovadora e irreverente.

Vencer os dois grandes desafios que marcam a nossa agenda política: a crescente
apatia dos jovens e a necessidade de políticas de igualdade e inclusão.

A crescente apatia dos jovens, em grande parte derivada do afastamento dos polos
de decisão da população e da desconfiança face a quem na política se envolve, combate-
se com uma postura séria, interessada e próxima, com a apresentação de propostas e ações
concretas que respondam aos problemas sentidos pelos jovens: a dificuldade em
prosseguir com os seus estudos; a dificuldade de encontrar um emprego estável; a
dificuldade em se tornarem jovens independentes.

As políticas de igualdade e inclusão criam-se através da melhoria da formação


política e humana dos jovens socialistas. Capacitá-los não apenas para um pensamento
crítico, progressista e inovador, mas também para saber olhar o outro como um seu igual.
Saber escutar e saber ser empático. Porque é necessário conotar novamente a Política à
atividade altruística de servir o outro.

Recentrar o debate político nas pessoas e nas suas necessidades, aumentando a


confiança e o interesse dos jovens pela política. Este é o nosso desafio. Esta é a nossa
vitória. Este é o principal propósito da candidatura que encabeço.

É com grande sentido de responsabilidade que vos apresento a nossa moção global
de estratégia. Tal como o nosso mote, ela divide-se entre Unir apresentando um conjunto
de propostas para a organização interna da nossa JS FAUL; e Vencer avançando com
projetos de debates sérios e profundos dos maiores problemas que atualmente
enfrentamos e aos quais devemos dar resposta.

Conto com todos para Unir para Vencer.

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Militante n.º 114682
Unir para Vencer

I - Unir

Na Política com Ética

A política, como um reflexo do todo das sociedades humanas, enfrenta em


permanência as alterações que advém das mudanças de paradigma. Tal como as areias do
tempo, estas são inevitáveis.

Neste sentido, 2019 apresenta-se de forma paradigmática. O Mundo está a mudar.


E, com ele, a forma como as pessoas fazem política. É assim que novos agentes têm
entrado nos meandros da tomada de decisão e, particularmente, da governação. Alguns
deles são fantasmas de um passado não muito distante. De duas Guerras que devastaram
o Mundo e cujos ideais, coletivamente, jurámos rejeitar comprometendo-nos aos
princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Os princípios fundamentais da
Revolução Francesa que, independentemente de sermos Socialistas ou não, nos norteiam
a todos.

Compreendemos, camaradas que, ao lerem estas linhas, se questionem sobre o


porquê das mesmas. Porquê referenciar factos que, à primeira vista, parecem ser tão
óbvios? Porque, no fundo, os mesmos tendem a ser esquecidos. Dados como adquiridos
e, por fim, ignorados.

A ascensão das ideias (ex: Brexit), partidos (ex: Front Nationale, Lega Nord,
Partido Social Liberal) e candidatos nacional-conservadores populistas (como Trump ou
Bolsonaro) não surgem por mero acaso. Num tempo em que a confiança nas instituições
políticas, por parte dos cidadãos, se encontra a níveis historicamente baixos, num
momento em que o escrutínio da vida política é cada vez maior e na Era da Revolução
Digital, os efeitos nefastos das ações de uns poucos servem para descredibilizar o Todo.
A insatisfação gerada pela falta de respostas satisfatórias à pobreza gerada pela Grande
Crise de 2007/2008 e à Crise das Dívidas Soberanas de 2010/2011 (e sucessiva
intervenção da Troika), levou ao aproveitamento da insatisfação popular por parte de
algumas forças políticas pouco sérias. As mesmas referenciadas no início deste parágrafo.
E as mesmas que propõem a destruição do progressismo e do Socialismo Democrático.
As tais que pretendem um regresso a um passado e as quais apenas com recurso ao sangue,
suor e lágrimas, foram derrotadas.

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Por estas razões e outras, a conduta de cada membro da Juventude Socialista, em


particular, das lideranças, assume uma importância renovada. Se é verdade que maior
escrutínio e prossecução legal de ideais e pessoas, em democracia, tende a melhorar a
vivência na mesma, também é verdade que basta um caso de corrupção para que a
confiança na instituição política seja afetada. Para isto, necessitamos de mecanismos de
escrutínio que protejam as instituições, de forma a que as mesmas sejam mais estáveis, e
superiores à soma das suas partes. Temos que mostrar que somos dignos de confiança,
para que confiem em nós.

Assim, antes de propormos uma política de governação, antes de propormos uma


política de solução ao nível europeu, nacional, regional ou local, precisamos de olhar para
dentro. Precisamos de nos certificar de que a nossa conduta, seja coletiva, seja individual,
é digna dos ideais que defendemos e, assim, evitarmos a ascensão de quem não represente
estes mesmos ideais, alguém que se deixe dominar pela ambição desmedida e, assim, se
esqueça da mais elementar lição da Democracia Representativa: o representante não é
mais do que o meio da governação dos eleitores. Seja num Parlamento, seja no interior
de uma Juventude Partidária.

Não, camaradas. Esta não é uma discussão fácil. Mas é um assunto que precisamos
de enfrentar se queremos que as pessoas confiem em nós, rejeitando o preconceito que
todos os dias enfrentamos pelo simples facto de pertencermos a uma Juventude Partidária
e a um Partido.

Desta forma, a candidatura Unir para Vencer aborda sem quaisquer preconceitos
a Ética na Política, e a necessidade que dela temos. A necessidade de mostrar que estamos
dispostos a ser abertos aos militantes e às pessoas. O escrutínio da nossa ação política é
um benefício e não um impedimento à mesma. Assim, Unir para Vencer propõe os
seguintes pontos para a JS FAUL:

 A realização de um ciclo de palestras sobre a importância da Ética na Política,


e os efeitos da mesma (abertas não apenas aos militantes da JS FAUL, mas a todos
aqueles que nelas mostrem interesse em participar);
 Discutir e aprovar um compromisso obrigatório de que toda e qualquer
candidatura a este órgão seja acompanhado de documentos que certifiquem a

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veracidade das qualificações académicas e dos currículos profissionais destes


candidatos;
 Propor que este método de escrutínio seja discutido e aprovado, também, nos
órgãos nacionais da JS;
 Propor a criação de uma comissão para a Ética e a Transparência (que será
eleita), independente, para realizar o escrutínio dos candidatos à JS FAUL (a qual
deverá trabalhar em proximidade e independência com as respetivas comissões
eleitorais);
 A assinatura de um contrato-compromisso, por parte de cada candidato, com
vínculo legal, de que todas as afirmações curriculares realizadas aquando das suas
candidaturas são, tanto quanto sabem, correspondentes à realidade;
 A apresentação e publicação, no início de cada mandato, do programa de
objetivos concretos e simplificados resultante das promessas realizadas pelos
candidatos eleitos, de forma a que os objetivos dos eleitos possam facilmente ser
balizados por todos os militantes;
 No final de cada mandato, será obrigatória a apresentação, discussão e posterior
publicação, para todos os militantes da JS FAUL, de um relatório de
prestação de contas face às promessas realizadas aquando do início do
mandato. Justificando as razões que levaram ao cumprimento, cumprimento
parcial ou incumprimento de tais promessas.

Na Política com Todos

A candidatura Unir para Vencer coloca a tónica na união como meio para vencer.
Essa união pressupõe um exercício de introspeção político-pessoal, como se tratou no
ponto anterior, e de um sentimento de pertença à JS FAUL de todos os jovens socialistas
da Área Urbana de Lisboa.

A Área Urbana de Lisboa é composta por territórios bastante díspares, com


necessidades e problemas diferentes, e temos de ser capazes de entender e combater as
dificuldades que essa particularidade nos causa.

Nesse sentido, propomo-nos a construir uma JS FAUL em toda a área geográfica


que a componha, unindo os jovens socialistas da Amadora, Arruda dos Vinhos,
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Azambuja, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra e Vila Franca de
Xira.

A prioridade é preencher o fosso que existe entre a Federação, as Concelhias e os


núcleos, através da criação de uma linha direta de comunicação entre as Concelhias e os
Núcleos e o Secretariado Federativo e a Presidente da JS FAUL, porque uma Federação
forte e ativa consegue-se através de concelhias e núcleos, também eles, fortes e ativos.

Por outro lado, aliada à descentralização de atividades e competências da


Federação, importa, igualmente, que a JS FAUL garanta a presença e patrocínio efetivo
das atividades concelhias.

Visitas frequentes às várias concelhias, fazendo um levantamento das dificuldades


e dos projetos existentes em cada uma delas, com vista à criação de planos concertados
de atuação, é uma das missões desta candidatura.

A JS FAUL deve assumir-se como ponto de contacto privilegiado entre todas as


suas concelhias e núcleos, pois só assim se garante uma efetiva articulação e partilha de
experiências que permitem a melhoria do nosso papel político na sociedade, que permitem
o socialismo democrático vencer.

Assim, é assumido como essencial o compromisso de garantir a comunicação


entre concelhias através de mesas redondas de partilha de experiências e preocupações de
jovens autarcas socialistas, de questões que surgem em novos militantes socialistas e, por
último, de qualquer questão que qualquer camarada pretenda abordar e partilhar.

A nossa maior força são os militantes, aqueles que se juntam a nós com o objetivo
de discutir o presente e o futuro de uma forma livre e desinteressada. São eles os rostos
do nosso projeto, são eles aqueles que transmitem a nossa mensagem aos seus colegas. É
por isso fundamental que estejamos todos em sintonia na mensagem que passamos,
unidos. Desta forma, assumimos como pontos orientadores desta candidatura:

 Reforçar a comunicação entre as várias estruturas da Federação, através de um


acompanhamento real, efetivo e de proximidade dos problemas de cada
estrutura;
 Criação de linhas conjuntas de atuação entre as várias estruturas federativas;

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 Descentralização das atividades da Federação e presença e patrocínio efetivo


das atividades das diversas estruturas da Federação;
 Pugnar por reativar os núcleos de residência, uma vez que são estes os pontos
privilegiados de contacto com a população.

Na Política com Qualificações

A vida política, tal como a conhecemos, encontra-se repleta de desafios, variáveis


conforme a época e o contexto sociocultural. Atualmente, enfrentamos uma das principais
adversidades dos últimos anos: a descredibilização da política e dos que nela participam
ativamente.

De facto, o processo de aquisição de novos militantes é dificultado frequentemente


pela sua opinião negativa face às organizações políticas e às instituições públicas, o que
se deve, em parte, à crescente proliferação de desinformação.

Assim, numa era em que fake news são moda, há que inverter esta tendência. Mais
do que nunca, urge qualificar os nossos militantes. Para tal, deve-se apostar em
mecanismos e métodos que fortaleçam dois pontos chave de ação: ouvir e formar.

Efetivamente, é de extrema importância que, antes de se iniciarem as ações


propostas, se auscultem os militantes, nomeadamente as suas dúvidas e pontos que
gostariam de ver abordados nas futuras sessões formativas.

No seguimento deste processo, surge a necessidade de se organizar um conjunto


de conferências e fóruns descentralizados e que aprofundem temáticas relevantes para a
formação do militante: a organização interna da JS e da JS FAUL, o socialismo
democrático e os seus valores, os princípios e lutas assumidos pela estrutura, entre outros
temas de interesse que contribuam para a formação cívica e política do militante.

Simultaneamente, defendemos que a qualificação do militante não se cinge


somente à aquisição de conhecimento per se, sendo igualmente pertinente a promoção do
debate, da discussão e exposição de ideias. Na verdade, a boa retórica e a capacidade
argumentativa correspondem às bases de defesa das bandeiras da JS e da própria cultura
e espírito democráticos.

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Logo, propomos a realização de ações periódicas que deem aos militantes a


oportunidade de se expressarem as suas lutas e de debaterem as suas ideias com os
restantes camaradas. Da tertúlia ao debate formal, é hora de dar voz a todos os militantes.

Em suma, para vencermos os obstáculos ao exercício da vida política, temos de


investir nos nossos quadros, fornecendo-lhes as ferramentas necessárias para a difusão do
que nos une: os nossos valores. Desta forma propomos:

 Organizar ações de formação sobre ideologia política e o socialismo


democrático;
 Organizar, com uma periodicidade bimensal, conferências e convenções
temáticas sobre os assuntos mais relevantes quer a nível local, quer a nível
regional, quer a nível nacional, trazendo peritos e envolvendo a sociedade civil no
debate político;
 Criação de núcleos temáticos na JS FAUL, onde qualquer militante da
Federação possa participar e apresentar as suas ideias e visões, bem como
conhecimentos;
 Organização de debates por forma a dotar os militantes de capacidades oratórias,
fundamentais para o futuro exercício de cargos públicos.

Ouvir as bases, qualificar no presente, potenciar no futuro!

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II - Vencer

A JS a debater o status quo

A irreverência, força e inovação dos jovens socialistas devem ser o motor de


arranque de debates profundos, progressistas e reformadores da nossa sociedade,
colocando em debate o status quo.

A JS é o local apropriado para debater o adquirido, numa perspetiva de evolução


e não retorno. É por isso que esta candidatura se propõe a iniciar um ciclo de debates,
abrangendo as áreas da educação, trabalho, saúde, economia, com vista a promover as
reformas estruturais que o país tanto precisa.

Educação: pensar o futuro

No campo da Educação e Ensino Superior, sugerimos uma reflexão coletiva sobre


“Porquê e para quê a Educação” em parceria com a Federação de Estudantes Socialistas
de Lisboa.

Devem ser pensados os conteúdos programáticos do ensino escolar obrigatório de


maneira a proporcionar aos alunos a capacidade de reflexão e pensamento crítico.

O ensino escolar obrigatório não pode mais ignorar a importância da política na


formação dos nossos alunos e deve assumir a flexibilização dos currículos
disponibilizados.

A globalização, inovação e o mundo digital são, hoje, realidades de tal forma


disseminadas, aperfeiçoadas e desenvolvidas, que a grande maioria dos jovens já não
conhece um quotidiano desligado delas. Não faz, por isso, sentido que a escola pública
não reflita a realidade digital, de forma a suscitar maior interesse em aprender, criar novos
desafios aos alunos, derrubar barreiras de desigualdade de acesso ao meio digital e dotá-
los de ferramentas para combater a desinformação e a proliferação de fake news.

No ensino superior, devem ser pensadas as condições de acesso ao mesmo. Assim,


esta candidatura defende o acesso universal e gratuito ao ensino superior, mas considera
que para tal, é preciso repensar e debater o modelo de financiamento do mesmo. O acesso

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universal e gratuito ao ensino superior é um pilar do combate à desigualdade e um símbolo


da aposta na qualificação. Mais que uma opção política, é um direito.

Também as bolsas de estudo devem ser debatidas e o argumentário de que as


mesmas são um meio alternativo suficiente para as famílias com dificuldades financeiras
mais acentuadas deve ser rebatido.

Mas um ensino superior gratuito não responde a todas as necessidades de acesso


a um ensino especializado. Cumpre reconhecer que grande parte do corpo discente é
trabalhador-estudante, que diariamente luta por equilibrar os compromissos laborais com
a vontade de se especializar e qualificar e lutar contra a epidémica desistência do ensino
superior por parte de trabalhadores-estudantes.

Por último, deve ser assumido, sem receios, o papel essencial que a Juventude
Socialista tem no debate político universitário: o de barrar a disseminação da extrema
direita, de ideais não democráticos e da reminiscência de tempos anteriores ao dia 25 de
abril de 1974.

Assim, defendemos:

 Ciclo de debates, em parceria com a Federação dos Estudantes de Lisboa,


subordinado ao tema Porquê e para quê a Educação;
 Debater os conteúdos programáticos do ensino escolar obrigatório, com o
objetivo de propor alterações que nos permitam enfrentar com mais
conhecimento os desafios futuros;
 Debater o acesso universal e gratuito ao ensino superior e o modelo de
financiamento do mesmo;
 Debater a ação social e as bolsas de estudo.

Trabalho: o alicerce da dignidade

O emprego digno é um dos principais alicerces da nossa sociedade, da nossa


democracia e da coesão social. O emprego digno é arma de combate à pobreza e afigura-
se ponto central para um desenvolvimento sustentável e equitativo.

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As rápidas transformações do mundo global onde vivemos configuram um dos


mais desafiantes problemas do presente e que urge debater. Verificam-se diversos
avanços tecnológicos, abrangendo as mais diversas áreas de trabalho, colocando-nos em
ponto de rutura entre o que hoje é conhecido e o desconhecido de amanhã.

É por isso fundamental que a JS FAUL seja ponto de debate destas novas
realidades e procure encontrar soluções aos novos desafios que se colocam no mercado
de trabalho.

Mas a JS FAUL não pode esquecer os combates do passado mas que ainda hoje
estão tão presentes. O combate à precariedade e aos falsos recibos verdes deve continuar
a ser uma preocupação e uma bandeira primordial de atuação da nossa Federação.

Devemos bater-nos por políticas de emprego permanente e de qualidade, por


políticas que limitem os estágios não remunerados e por políticas de emprego para jovens
com formação profissional.

A candidatura Unir para Vencer propõe, desta forma:

 Lançar o debate sobre a necessidade de adaptação das políticas de trabalho


face à crescente inovação tecnológica;
 Defender políticas que estimulem a contratação permanente dos jovens;
 Lutar pela adoção de medidas que impeçam a realização de estágios
profissionais não remunerados;
 Debater os recibos verdes e formas de limitar a sua utilização, em especial,
formas de acabar com os falsos recibos verdes.

Pugnar por uma melhor Saúde

A defesa do direito a cuidados de saúde gratuitos e de qualidade correspondeu,


desde sempre, a uma bandeira da JS. De facto, a constituição do Serviço Nacional de
Saúde (SNS) revela-se um dos principais marcos da nossa democracia.

No entanto, é fulcral continuar a defender o SNS, enquanto principal prestador de


cuidados de saúde em Portugal. É nossa missão garantir o valor dos serviços prestados,

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apostando tanto na qualidade e diversidade dos cuidados disponíveis para a população


como nas condições de trabalho e nas carreiras de todos os profissionais de saúde do SNS.

Por outro lado, para além da oferta de serviços disponíveis para a população, é
igualmente relevante a acessibilidade a esses mesmos cuidados, facto condicionado, em
parte, pelo valor excessivo cobrado sob a forma de taxas moderadoras.

Simultaneamente, observa-se que os portugueses revelam dificuldades em


compreender informação relativa à saúde, nomeadamente a que lhes é transmitida pelos
profissionais da área. De facto, estudos recentes concluem que o nível de literacia em
saúde da população portuguesa é baixo, pelo que se devem aplicar medidas que
contrariem esta tendência.

No que toca à qualidade e diversidade dos cuidados prestados, afiguram-se um


conjunto de aspetos que contribuiriam para o aperfeiçoamento do SNS.

Em primeiro lugar, a coordenação multidisciplinar deve ser uma das bandeiras do


SNS, na medida em que esta união de forças permite prestar cuidados de saúde de maior
qualidade e reduzir atritos entre os profissionais e os organismos de gestão do sistema.

Do mesmo modo, verifica-se uma escassez de oferta de cuidados de saúde oral no


SNS, o que prejudica quer o acesso a esses mesmos serviços quer a saúde oral dos
portugueses.

Contudo, os derradeiros garantes do SNS correspondem a todos aqueles que


contribuem diariamente com o seu trabalho para a prestação de todos os cuidados de
saúde. Os profissionais de saúde têm direito a formação de qualidade e à digna integração
no mercado de trabalho.

Regista-se atualmente uma situação particularmente preocupante relativa à


especialização de médicos recém-licenciados. Todos os anos, centenas de jovens médicos
não ingressam na formação de especialidade (dada a escassez da oferta formativa
disponível), sendo-lhes negada a conclusão do seu processo de formação. Esta realidade
é danosa para o médico indiferenciado, visto que limita o seu exercício profissional e a
sua integração no mercado de trabalho. Simultaneamente, o Estado não obtém retorno
completo do investimento que realizou em seis anos de formação de um médico
indiferenciado. Assim, urge uma solução para esta problemática.
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Por seu turno, há que continuar a valorizar as carreiras de todos os profissionais


de saúde, entre as quais o aprofundamento da integração dos enfermeiros especialistas.

A candidatura Unir para Vencer, imbuída no espírito de defesa do serviço


nacional de saúde e de proteção dos seus profissionais, propõe como linhas orientadoras
de uma política de saúde as seguintes medidas:

 Debater o modelo atual de taxas moderadoras;


 Aumentar os níveis de literacia em saúde, realizando campanhas de formação,
dirigidas não só aos cidadãos (relativas a termos e conceitos médicos relevantes)
como também aos profissionais de saúde (de modo a que estes utilizem termos
que facilitem a compreensão da informação transmitida à população);
 Realizar reuniões periódicas entre gestores hospitalares e representantes das
diferentes classes profissionais da área da saúde, como meio de implementação
de uma ética de trabalho multidisciplinar no SNS;
 Reforçar a saúde oral dos portugueses, defendendo a integração de mais
médicos dentistas e higienistas orais nas unidades de saúde do SNS e
constituindo campanhas de sensibilização para uma boa higiene oral,
destinadas à população estudantil e adulta;
 Assegurar a progressão nas carreiras dos profissionais de saúde;
 Alargar a capacidade formativa de médicos especialistas no SNS ou em parceiros
institucionais (sem comprometer a reconhecida qualidade dos futuros quadros do
SNS), por forma a resolver a problemática dos médicos indiferenciados
 Garantir a integração e o reconhecimento dos enfermeiros especialistas.

Habitação: um problema urgente

A habitação ganhou relevância, nos últimos anos, como um assunto político.


Sucede que, atualmente, é cada vez mais difícil para as famílias em geral, e os jovens em
particular, comprarem casa ou, sequer, arrendar um simples quarto.

Tal problema advém da completa desregulação do acesso ao mercado imobiliário,


o que, por sua vez, força a larga maioria dos cidadãos a sujeitarem-se a estandartes de
vida mais baixos, uma vez que não dispõem de rendimentos ou estabilidade financeira e

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laboral que lhes permita fixarem-se nos locais que escolhem para viver. Esta é uma das
grandes razões pelas quais, em Portugal, os jovens saem tão tarde de casa dos seus pais e
porque existem registos de pessoas a desistirem dos cursos superiores: o preço do
arrendamento de habitações é, pura e simplesmente, demasiado elevado.

Apenas recentemente começamos a assistir a uma reação, por parte dos partidos e
do Governo, a este problema. Porém, ele existe e, de facto, ameaça tornar-se um
verdadeiro flagelo, capaz de limitar em larga medida as vidas dos jovens e,
inclusivamente, poderá ser um dos principais catalisadores da redução da qualidade de
vida, em caso de recessão económica.

Desta forma, é necessário discutir este problema sem medo. É necessário que a JS
FAUL faça uso da sua força política para que chegue aos responsáveis políticos e os
pressione a solucionar um problema tão grave. Assim, esta candidatura assume como uma
das suas prioridades o combate ao excessivo preço do arrendamento de apartamento e
quartos na região de Lisboa e faz as seguintes propostas:

 Concretizar reuniões com os responsáveis políticos para tomar conhecimento e


propor soluções ao problema da subida dos preços do arrendamento jovem;
 Escrutinar essas mesmas propostas políticas, por parte das Câmaras e do Governo,
ao longo do mandato, realizando Fóruns de discussão das mesmas;
 Realizar ciclos de discussão política do problema do arrendamento com várias
forças políticas de juventude, de onde possam sair compromissos para
solucionar o problema dos preços da habitação e arrendamento jovem;
 Organizar formações descentralizadas sobre políticas de habitação para jovens.

Por uma Mobilidade Efetiva

Diariamente, milhões de cidadãos movem-se por toda a área metropolitana de


Lisboa. Do conjunto destas deslocações, uma porção significativa possui origem e/ou
destino no concelho de Lisboa.

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Assim, e não ignorando nem menosprezando as restantes movimentações entre os


restantes concelhos abrangidos pela nossa estrutura, a entrada e/ou saída de Lisboa
afigura-se como a principal problemática de mobilidade nesta região territorial.

Para além de diferentes percursos, encontramo-nos igualmente perante variados


meios de transporte utilizados: efetivamente, e apesar do progresso alcançado nos últimos
anos em matéria de oferta de transporte público, o automóvel pessoal continua a
desempenhar um papel relevante e, por vezes, indispensável (dada a inexistência de
alternativas de transporte) nas deslocações diárias dos habitantes da AML.

Se, por um lado, a excessiva utilização do automóvel sobrecarrega a rede viária


(contribuindo, entre outros aspetos, para o aumento da sinistralidade rodoviária e do
tempo despendido em deslocações pendulares diárias) e a oferta de estacionamento
disponível (em particular, em Lisboa); por outro lado, revela-se ambientalmente
insustentável, aumentando os níveis de poluição aérea, com consequências nefastas para
o meio ambiente e para a saúde dos cidadãos.

Naturalmente, o aumento da oferta e o incentivo ao uso de transportes públicos


devem constituir-se como o principal foco de atuação das nossas políticas de mobilidade.
Contudo, não podemos ignorar que, para se concretizarem as nossas metas, a mobilidade
na AML deve ser, primeiramente, acessível a todos e simplificada.

O preço dos passes (em especial, dos passes combinados) e a multiplicidade de


passes disponíveis na AML continuam a ser obstáculos à mobilidade de um maior número
de cidadãos e à respetiva ascensão do transporte público enquanto principal meio de
transporte em todos os concelhos da AML. Recentemente, surgiram propostas concretas
para a inversão desta tendência: é nossa função assegurar que tais medidas sejam
aplicadas e contribuir ativamente para este processo de transformação do funcionamento
do transporte público na AML.

Outra problemática que importa abordar neste tema prende-se com os trajetos
mais pequenos realizados pelos cidadãos, nos quais estes se deslocam preferencialmente
a pé ou recorrendo à bicicleta. Ainda que os diferentes municípios tenham desenvolvido
esforços para adaptarem as cidades a este tipo de transporte, ainda existe um longo
caminho a percorrer, no qual o trabalho e empenho da JS FAUL será fundamental.

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Uma organização de jovens inserida numa área metropolitana de uma capital europeia
e consciencializada ambientalmente para os efeitos no presente e no futuro das alterações
climáticas tem de estar na linha da frente em políticas de mobilidade. O tempo urge e este
é o momento de agir, por forma a resolver os problemas do presente e a prevenir os do
futuro. Deste modo, esta candidatura entende como prioridades a concretização das
seguintes propostas relativas à mobilidade urbana:

 Alargar a oferta do passe social a um maior número de cidadãos;


 Garantir a aplicação das medidas recentemente propostas em matéria de
transporte público, nomeadamente a criação do passe único metropolitano e a
uniformização da oferta de autocarros na AML;
 Criar horários alargados de funcionamento dos transportes públicos, à
semelhança do que se verifica em diversos países europeus, o que aumentaria
a oferta de transporte público durante a noite e a madrugada e que o mesmo
se estenda às zonas mais periféricas da área metropolitana;
 Debater planos e métodos de expansão da rede de transportes públicos, em
particular nas regiões periféricas, assim como nas zonas com maior
escassez de oferta na cidade de Lisboa;
 Reduzir o recurso ao automóvel nas deslocações diárias na AML, apostando
no aumento do número e da dimensão de parques dissuasores de tráfego
rodoviário, preferencialmente gratuitos e localizados junto a interfaces de
transportes públicos, nas zonas limítrofes do concelho de Lisboa e nos
concelhos periféricos a Lisboa;
 Incentivar o recurso ao car sharing, enquanto método transitório de
deslocação na AML, nomeadamente nos locais em que a oferta de transportes
públicos é, atualmente, insuficiente;
 Valorizar os peões e os ciclistas nas cidades, colocando-os, juntamente com
os meios de transporte público, no centro da mobilidade urbana, aumentando
o número de zonas exclusivamente pedonais e de ciclovias, quer dentro de
um dado concelho quer intermunicipais, ligando concelhos limítrofes e
servindo de alternativa ao automóvel

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Discutir Economia: um regresso às bases para o combate à desigualdade

A família política europeia dos Partidos Socialistas, Trabalhistas e Sociais


Democratas, historicamente, teve notáveis contribuições políticas para o delineamento de
políticas económicas. O delineamento destas políticas foi, desde cedo, motivado pelo
profundo desejo de combate às desigualdades socioeconómicas que afetavam as
respetivas populações dos países europeus.

Muitas destas políticas, inclusivamente, foram altamente influenciadas por


Keynes e pelo Plano Marshall, no pós-II Guerra. A aplicação destas políticas levou à
redução das desigualdades e à franca melhoria das condições de vida das populações
europeias. E os Partidos Socialistas, Trabalhistas e Sociais Democratas, orgulhosamente,
estiveram na vanguarda da redução destas mesmas desigualdades. O PS, em particular,
foi decisivo para a redução da pobreza, em Portugal, sabendo reconhecer a essência das
necessidades populacionais, e não esquecendo a sua génese: as pessoas que,
simplesmente, viviam com base nos rendimentos do trabalho.

Mas eis que chegamos ao século XXI e o discurso económico foi, na sua essência,
capturado por forças à Direita do PS, com algumas Esquerdas a manterem um discurso
coerente (embora arcaico, nalguns aspetos analíticos) face ao seu pensamento económico.
No entanto, o interesse pela Economia, seja pela população em geral, seja pelos jovens
em particular, nunca foi tão elevado.

O combate contra as desigualdades, embora esteja sempre presente, foi dado como
adquirido, e não foi discutido, de forma peremptória pelo PS e pela JS, nos últimos anos.
A consequência é o esvaziamento ideológico da Esquerda, que passou a focar outros
assuntos com que pouco se identificam muitos dos eleitores-base. Os mesmos que sempre
estiveram lado-a-lado com o PS e a JS desde a Revolução dos Cravos, lutando com
enorme sacrifício pessoal por uma sociedade mais justa e menos desigual. Uma sociedade
onde a pobreza seja uma má memória do passado. Ao invés de a mesma persistir em
existir e limitar grandemente a existência humana.

Assim, está na altura de a JS recuperar o interesse pela economia e pelo combate


à desigualdade. Está na hora de assumirmos como prioridade o combate às desigualdades.

Margarida Matos 17
Militante n.º 114682
Unir para Vencer

De forma a instituir a Economia e o combate às desigualdades como uma


prioridade, a candidatura Unir para Vencer propõe o seguinte:

 Realizar conferências descentralizadas subordinadas à temática da


Economia e da desigualdade, e da centralidade desta temática para o
Socialismo Democrático;
 Realizar reuniões-debate, subordinadas à temática em causa, de onde saiam
propostas de solução de natureza económica, a serem apresentadas às
instâncias políticas;
 Escrutinar de forma regular as medidas macroeconómicas dos Governos e
Câmaras, realizando análises concretas dos seus efeitos nas populações dos
países;
 Apresentar, em sede de reunião política da JS FAUL, as observações
realizadas a esta temática;
 Realizar ciclos de formação para militantes, subordinados ao tema da
erradicação da Pobreza e das Desigualdades, mediante a utilização de Políticas
Públicas.

A JS FAUL e o Associativismo Jovem

Naturalmente, a participação política de um jovem cruza-se com a participação e


a vida associativas. Efetivamente, o associativismo corresponde a uma eficaz ferramenta
de representação dos interesses dos mais jovens junto da sociedade civil.

Assim, é relevante a defesa e a promoção do associativismo jovem, nas quais a JS


FAUL deve desempenhar um papel determinante. É nossa bandeira a implementação de
Conselhos Municipais da Juventude (CMJ) em todos os municípios abrangidos pela nossa
estrutura.

De facto, a atividade deste organismo é benéfica para os jovens, para os autarcas


e, não menos importante, para a população em geral.

Margarida Matos 18
Militante n.º 114682
Unir para Vencer

Primeiramente, os CMJ permitem a representação de todo o tecido jovem local,


assegurando a participação de todos, a pluralidade no debate de ideias e o próprio espírito
democrático.

Simultaneamente, a auscultação deste órgão permite não só compreender a


realidade do quotidiano dos jovens e das associações que os representam como também
facilita a aplicação de medidas que respondam aos problemas e obstáculos identificados
e enfrentados pelos jovens. Definitivamente, o exercício do poder local implica o contato
com a população local, nomeadamente com os mais jovens (que, por vezes, não se sentem
representados politicamente): logo, a constituição dos CMJ é uma importante ferramenta
de trabalho para os autarcas.

Por fim, há que salientar o papel dos CMJ na integração social dos jovens, que se
sentem escutados e valorizados pela sociedade. Na verdade, todas as medidas que
advirem da função consultiva dos CMJ beneficiam, em última instância, todos os
cidadãos.

Para além da implementação e participação nos CMJ, é igualmente pertinente que


se apoie e incentive a participação dos jovens em todas as associações locais, regionais e
nacionais que contribuem para o exercício da cidadania.

Do mesmo modo, a JS FAUL deve realizar ações de formação para o


associativismo, o que reforça a posição da nossa estrutura como elemento decisivo para
a formação e participação cívicas da juventude portuguesa.

 Pugnar pela implementação dos Conselhos Municipais de Juventude


em todos os concelhos da área metropolitana de Lisboa;
 Incentivar a participação dos militantes da JS FAUL no Associativismo
local e regional;
 Organizar conferências e formações sobre empreendedorismo social e
associativismo, promovendo a cooperação entre estruturas e trazendo
oradores ligados ao associativismo a palestras da JS FAUL.

Margarida Matos 19
Militante n.º 114682
Unir para Vencer

A JS e as Eleições de 2019

O próximo mandato da JS FAUL é curto, mas mais desafiante e complexo do que


a maioria dos mandatos anteriores.

Parte dessa complexidade está nas sucessivas prestações de contas que o Partido
Socialista prestará ao povo português nas eleições europeias de maio e nas eleições
legislativas de outubro.

A JS FAUL tem quadros competentes e com vontade para assumirem o


rejuvenescimento das listas de deputados europeus e à Assembleia da República do
Partido Socialista. Os jovens socialistas da Área Urbana de Lisboa devem lutar para estar
diretamente representados.

A JS e a JS FAUL em concreto deve mostrar-se fonte de ideias e projetos, uma


juventude à frente no seu tempo com uma voz ativa na prossecução de políticas sociais
de igualdade e uma voz progressista e reformista.

Para tal, é essencial entender a dimensão das eleições europeias e legislativas.


Propomos clarificar o processo eleitoral e a importância que as eleições europeias têm
para Portugal e, em específico, para os jovens portugueses.

Em outubro a JS FAUL presta contas não só perante os jovens socialistas da Área


Urbana de Lisboa, mas também perante o povo português. É, por isso, necessário
estabelecer um programa político sério e enriquecer os compromissos que o Partido
Socialista assumirá, através do Manifesto Jovem da FAUL com propostas estruturais para
a defesa dos jovens portugueses.

 Organizar conferência sobre a importância da União Europeia e das


eleições legislativas;
 Elaborar Manifesto Jovem da FAUL com propostas concretas e
estruturais para a defesa dos jovens portugueses;
 Aumentar a representatividade dos jovens socialistas nas listas, quer
ao Parlamento Europeu, quer à Assembleia da República;
 Promover e garantir a mobilização dos jovens socialistas da Área
Urbana de Lisboa nas campanhas eleitorais de 2019.

Margarida Matos 20
Militante n.º 114682