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UMA PERSPECTIVA DO FUTURO CONTEMPORÂNEO DA PESSOA IDOSA NO

BRASIL, “O reconhecimento social da violência intrafamiliar contra o idoso”

Silva, Ivone Maria


Faculdade Governador Ozanam Coelho - FAGOC
(Pós-) Graduação em Gerontologia
Junho de 2017

NATALIA Coelho - Orientadora

RESUMO

Esse artigo denominado “Uma perspectiva do futuro contemporâneo da pessoa idosa no Brasil”
discutiu a, violência intrafamiliar contra o idoso/a e suas conseqüências, e teve como objetivo
entender o stress que ocasiona a sobrecarga no familiar e ou cuidador na atenção e cuidados
para com esta população, e fatores que influenciam a ocorrência da violência intrafamiliar,
verificando as políticas públicas sociais disponibilizadas pelo Estado, se estão suprindo as
necessidades destes idosos. Metodologia: Pesquisa bibliografia que teve como base a “revisão
narrativa”, buscando a subjetividade dos autores. Resultados: Dependência do idoso o expõe a
situações de violência, expressas pela negligência, violência psicológica e exploração
financeira, sobretudo, por meio da apropriação indevida de bens. Considerações: Observa-se
que o familiar e ou o cuidador da pessoa idosa se sobrecarregam, as violências e negligencias
aparecem colocando em risco a saúde do mesmo, e infelizmente o familiar e ou cuidador
adoecem junto à pessoa cuidada.
Palavras-chave: Violência intrafamiliar, Sobrecarga, Questão Social, Stress.

1-Introdução

Compreendendo que a família é o primeiro núcleo de socialização do cidadão, onde se


desenvolvem e exercem os vínculos básicos e confere identidade aos sujeitos, entendemos o
crescimento do envelhecimento da população o que traz a tona transtornos e stress para seus
familiares e ou cuidadores, embora as pessoas idosas tenham como contribuir aos mais jovens as
experiências por eles vividas, porém o que é visto na contemporaneidade são noticias sobre as
violências intrafamiliares que esta população de idosos/as sofrem no decorrer de sua vida, após
os 60 anos, quando então se tornam mais vulneráveis. A violência intrafamiliar contra a pessoa
idosa no Brasil vem crescendo gradativamente nos dias atuais, porém devemos destacar que este
fenômeno abrange a população ao redor do mundo, porém permaneceu encoberto até
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aproximadamente a metade do século XX, o que representa um grande desafio para o Estado e
para a sociedade em geral.
Compreendendo a necessidade de aumentar a divulgação desta problemática, o artigo
“UMA PERSPECTIVA DO FUTURO CONTEMPORÂNEO DA PESSOA IDOSA NO
BRASIL”, veio a discutir “O reconhecimento social da violência intrafamiliar contra o
idoso/a” no espaço familiar, com a finalidade de entender o posicionamento da família em
relação à proteção social e preservação de seus direitos. Desta forma, proceder à compreensão
entre teoria e prática, sendo assim a pesquisa que deu origem a este trabalho se volta para
entendimento das políticas públicas vigentes e suas aplicabilidades na sociedade contemporânea.
A violência e maus tratos para com idosos/as eram vistos como uma questão
estritamente familiar, permanecendo encoberta até a metade do século XX. Representa, hoje, um
grande desafio para a sociedade em geral. Provoca, além de óbitos, traumas físicos e emocionais,
o que redunda no aumento da demanda por serviços e programas de saúde específicos. O
envelhecimento traz questões diversificadas, que refletem tanto na sociedade em geral, como na
esfera familiar. As pesquisas e publicações de Silva e Lacerda (2007) apontam uma estimativa de
que na segunda metade deste milênio existirá mais de 31 milhões de pessoas com idade acima de
60 anos no país, o que deixará o Brasil com a sexta população mais envelhecida do planeta.
Com este cenário exposto os casos de denúncia de violência contra idosos vem
crescendo, em muitos casos as agressões estão diretamente ligadas à família e ou responsável
pelo idosos/as, que por estarem em idade bem inferior da população idosa desconhece as
variadas facetas do envelhecimento e as garantias legais existentes, constata-se que as causas do
aumento da violência são diversas e vão desde conflitos interpessoais aos altos índices de
vulnerabilidade social, alterações na estrutura familiar e suas novas configurações, impunidades
jurídicas, omissão do poder público ao deixar de cumprir o que está determinado em lei no que
diz respeito à garantia dos direitos humanos dos idosos.

2. Denuncias e sua importância

Os idosos/as em sua grande maioria não efetuam denúncias por medo de represálias
tornam-se assim, um alvo fácil, por na maioria dos casos, pois dependem de seus familiares em
diversos aspectos, seja, na dependência financeira, nos cuidados da saúde ou até mesmo pela
simples convivência familiar permeada por afetos, medos, constrangimentos e mágoas. Sendo
assim, a questão da violência familiar é vista como um assunto delicado que requer atenção e
participação integral e permanente do Poder Público e não a sua negligência de modo a tentar
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trazer solução para este problema, enfatizando e dando visibilidade a consciência nacional desta
grave situação que está longe de ser erradicada da sociedade.
Nesta pesquisa efetuada pode-se refletir acerca das causas que levam a acontecer à
violência intrafamiliar contra a pessoa idosa, que perpassa tanto agressões verbais quanto físicas
e psicológicas, praticadas no ambiente familiar, e o que os leva a não denunciar o fato ocorrido.
O número de denúncias é pouco longe do ideal, são frágeis mais vem se ampliando,
porém apresenta a dificuldade do exercício dos órgãos do Poder Público, em defender e aplicar
penas aos perpetuadores da agressão aos idosos/as.
A dificuldade que o idoso expõe ao proteger seu agressor familiar, por medo de
denunciá-lo, por temer sofrer represálias ou piorar o seu convívio, retarda a efetivação de seus
direitos defendidos pelos instrumentos legais de proteção. Na maioria das dificuldades
expressadas tem-se a falta de conhecimento, por parte dos idosos a respeito dos seus direitos,
haja vista a violação que ocorre das mais variadas formas e devem ser considerado crime,
conforme nos apresenta o Estatuto do Idoso. Segundo Genilda Cordeiro Baroni, presidente da
(ABCMI Nacional) - Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade:
O pior é que o problema envolve família, e por isso eles se
negam a falar, a denunciar na policia. Nesse caso, nós ficamos com as
mãos amaradas sem poder resolver o problema. A imprensa tem
noticiado constantemente, a morte de pais por filhos, de avós por netos,
tem relatado espancamentos e suicídios que não se explica o por que. O
que tem levado um idoso a se matar? A não ter mais o prazer de viver
quando deveria estar gozando a reta final da sua vida? Algo envolve a
família. Eles roubam os cartõezinhos, outros tiram por serem
procuradores, usam o recurso e ainda dizem: você não paga nem
passagem, para que você quer dinheiro. (DIÁRIO DA BORBOREMA,
22-09-2007).

Leite afirma que os/as idosos/as: “Quando optam por denunciar, os idosos não
conseguem disfarçar o constrangimento, a emoção, e/ou medo às retaliações de seus agressores”
(LEITE, 2012).

Muitos aspectos do problema permanecem desconhecidos, incluindo suas causas e


conseqüências, e mesmo a extensão do que ocorre. Constatou- se que o idoso expõe dificuldade
ao proteger seu agressor familiar, por medo de denunciá-lo em virtude de muitas vezes, temer
por sofrer represálias ou piorar o seu convívio, tornando tardia a efetivação de seus direitos
defendidos pelos instrumentos legais de proteção, dificultando assim a notificação e intervenção
diante dos casos. Por isso é necessário criar programas educacionais e campanhas de prevenção
para que o público em geral possa identificar os sinais de abuso e denunciar as situações, treinar
os profissionais da saúde e da área social com responsabilidades na proteção dos idosos.
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Não podemos ignorar a importância da denuncia de violência intrafamiliar contra a


pessoa idosa, cabe a sociedade trazer e dar visibilidade a esta temática. A sociedade não deve
esperar a confirmação de maus tratos para denunciar, já que esta se revela enquanto estratégia de
ajuda ao/a idoso/a para uma vida livre de violência.

3- A importância dos direitos sociais

Está demonstrada a importância dos direitos sociais devem ser reconhecidos e aplicados
por meio da normatização de instrumentos legais, que são imprescindíveis na garantia dos
direitos dos idosos/as, mas vemos que apesar da existência destes instrumentos legais estarem
materializados na Constituição Federal de 1988, na Política Nacional do Idoso de 1994 e no
Estatuto do Idoso (lei nº 10.741) de 2003, entre outros, verifica-se a ausência de eficientes e
eficazes políticas sociais por parte do Estado que venham a garantir que a família e o cuidador
direto cumpram seu papel no que se refere à proteção e ao cuidado ao idoso/as.
Desta forma a desresponsabilização do Estado para com as políticas públicas recaem
sobre a família, as funções dos poderes públicos acarretando saturação de responsabilidades e
desgastes emocionais, o que não justifica as agressões impostas a esta população, tendo em vista
que esta é uma questão que envolve inúmeras variáveis e a necessidade de uma articulação em
rede.
Vemos que a violência encontra nas relações familiares, um espaço fértil para sua
instalação e propagação, acrescidas de outras formas de violência, que são observadas nas
relações do grupo familiar com a sociedade e o poder público, e que isto ocorre devido ao Estado
não tomar para si a responsabilidade sobre esta parcela de cidadãos.
Observamos que a violência contra os/as idosos/as é exercida por pessoas próximas e
que compartilham o espaço doméstico, como: os empregados, agregados ou visitantes, filhos,
netos e cuidadores, sendo assim toda violência são cometidos no espaço doméstico. Nos dias
atuais percebemos que há diversas formas de organização familiar, podemos deduzir como o
espaço intrafamiliar, como qualquer outro espaço de convivência que apresenta variáveis
situações propensas a ocasionar a violência, que são por vezes ocultadas e/ou mascaradas pelos
seus membros e pela própria sociedade.
Nesta direção, o ambiente familiar é caracterizado por uma ambigüidade, em razão de
ao mesmo tempo ali predominarem relações íntimas e afetivas, e também relações conflituosas e
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abusivas que geram medo, insegurança e em alguns casos levam a demência e ao óbito, a família
deixa de ser vista como o espaço de proteção e cuidado para ocupar o lugar, de opressão,
abandono, abuso físico e emocional, crime e ausência de direitos individuais que deixam de ser
exercidos.
O Ministério da Saúde (2001) relata que, “a violência intrafamiliar é toda ação ou
omissão que interfira no bem-estar, na integridade física, psicológica ou na liberdade e no direito
ao desenvolvimento de outro membro da família”. (MINISTÉRIO DA SAÚDE-2001). Pode ser
perpetrada dentro ou fora do lar por algum membro da família, incluindo pessoas que passam a
assumir a função parental e cuidadores.
Ao pesquisar temas sobre a violência intrafamiliar contra os idosos/as encontram-se as
prováveis causas da violência no seio da família, constata-se que são inúmeras e conforme Silva;
Lacerda, as causas que se apresentam são:

As relações familiares desgastadas pelo tempo, o


relacionamento familiar Inter geracional, problemas financeiros, conflitos
e situações mal resolvidas com filhos/netos e cônjuge, limitações
pessoais do cuidador para oferecer o apoio adequado, cansaço excessivo
decorrente da exaustiva tarefa de cuidar, problemas de saúde física ou
mental do idoso ou do seu cuidador e outras que permeiam o universo
familiar, (SILVA; LACERDA, 2007).

A autora Minayo (2005) relata que a violência intrafamiliar consiste em um problema


nacional e internacional, pesquisas foram realizadas ao longo dos anos em diversas partes do
mundo e revelam que dois terços dos agressores são filhos e esposos, pois, de modo geral, os
cuidados com a pessoa idosa continuam a ser na maior parte, de responsabilidade das famílias,
desta forma ocorrem todas as formas de violência contra o idoso, na maioria das vezes mantida
em segredo pela família, dificultando a investigação, a notificação e a aplicação de punições aos
perpetuadores da violência, ainda pontuais e praticamente inexistentes, fazendo parte da
chamada “cifra negra” (ALVES, 2007, p.03/04).
Surge a violência familiar que por muitos é entendida como violência “calada”, em
alguns casos é sofrida em silêncio, sendo praticada por filhos/ (as), netos/ (as), esposos/ (as),
irmãos, conhecidos e/ou vizinhos próximos à pessoa vitimada. De acordo com Faleiros (2007,
p.40), implica na:

[...] ruptura de um pacto de confiança, na negação do outro,


podendo mesmo ser um revide ou troco. Alguns filhos pensam dar o
troco de seu abandono ao entregar idosos em abrigos ou asilos e ao
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informarem endereços falaciosos para não serem contatados.


(FALEIROS– 2007)

Esta ruptura do pacto de confiança acarreta variados transtornos, levando a família a


cometer todo tipo de violência explícita contra a população idosa, estes casos no Brasil são
registrados em delegacias, porém a violência psicológica é difícil de ser percebida, constatada e
diagnosticada, tanto no nível institucional quanto pelo perpetuador da agressão ou pela própria
vítima, levando os/as idosos/as a se recusarem a denunciar seus familiares e/ou cuidadores o que
vem a dificultar a coleta de dados elucidativos e informativos para o desenvolvimento de
pesquisas neste campo, o que ocasiona a falta de maior visibilidade e conseqüentemente a falta
do cumprimento correto das políticas públicas existentes.
A literatura demonstra que os maiores agressores são parentes e ou pessoas próximas,
como filhos, esposo/a, netos/as e os conflitos são originados por diversos motivos que em alguns
casos são banais e outros que vão desde a dependência financeira das pessoas que convivem com
o/a idoso/a, bem como a prática do uso de drogas que leva o dependente químico a através da
violência extorquir dinheiro para compra das drogas e ou vender os pertences do/a idoso/a para o
mesmo fim.

4- Tipologias da violência intrafamiliar contra idosos/as

No tocante a tipologia da violência contida no Plano de Ação para o Enfrentamento da


Violência contra a Pessoa Idosa (2007), está em maior destaque:

a) Negligência: caracterizada pela recusa ou à omissão de cuidados devidos e


necessários aos idosos por parte dos responsáveis familiares ou institucionais;

b) Violência Psicológica: corresponde a agressões verbais ou gestuais com objetivo de


aterrorizar os idosos, humilhá-los, restringir sua liberdade ou isolá-los do convívio social;

c) Abuso Financeiro e Econômico: consiste na exploração imprópria ou ilegal dos


idosos ou ao uso não consentido por eles de seus recursos financeiros e patrimoniais. Esse tipo
de violência ocorre, sobretudo, no âmbito familiar;

d) Violência Física: caracterizada pelo uso da força física, para forçar os idosos a
fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar-lhes dor, incapacidade ou morte;

e) Abandono: consiste na ausência ou deserção dos responsáveis sejam governamentais,


institucionais ou familiares de prestarem socorro e assistência a uma pessoa idosa que necessite
de proteção.

Minayo (2005) reforça a tipologia da violência intrafamiliar contra o idoso/a como:


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- Violência social ou estrutural: a base para todos os outros tipos de violência, que está
ligada as relações sociais e as estruturas econômicas e políticas.

- Violência institucional: caracterizada pela aplicação ou omissão na gestão das políticas


sociais pelo Estado e pelas instituições de assistência, nos abrigos públicos e/ou privados em que
se humilha e infantiliza o idoso, em que não se ouve a sua opinião e não se respeita a sua
autonomia.

- Violência familiar ou interpessoal: refere-se ao ambiente familiar e caracteriza-se


pelas formas de comunicação e de interação cotidiana.

- A violência familiar: implica na existência de laços de parentesco e/ou afetividade


entre a vítima e o perpetuador da agressão. Podendo ocorrer dentro ou fora do lar da vítima.

- A violência doméstica: implica na proximidade do autor da agressão com sua vítima,


nem sempre ligada aos laços familiares, podendo ocorrer nas relações interpessoais, onde existe
simultaneamente uma determinada cumplicidade, que se impõe pelo imaginário e simbolismo de
confiança entre vítima e seu agressor, bem como o autoritarismo do agressor causa medo e leva
os/as idosos/as a sofrem chantagens e ameaças, assim como a dependência afetiva e física levo-
os a se submeterem aos seus algozes.

Vemos que a violência contra a população idosa se apresenta em forma geral das três
formas elucidadas acima e está presente em todas as relações sociais, caracterizando-se pela
relação entre o perpetuador da agressão e a pessoa vitimizada.
Segundo Minayo (2005) carecemos de diferenciar as causas externas da violência
familiar, por possuírem conceitos diferentes. A primeira está caracterizada pelos resultados dos:

[...] processos e às relações sociais interpessoais, de grupos, de


classes, de gênero, ou objetivadas em instituições, quando empregam
diferentes formas, métodos e meios de aniquilamento de outrem, ou de
sua coação direta ou indireta, causando-lhes danos físicos, mentais e
morais. MINAYO (2005, p.13)

A segunda é considerada um problema social que atinge toda a sociedade, afetando, de


forma continuada, principalmente as parcelas mais vulneráveis da sociedade contemporânea.
Sendo assim verificamos que o Estado é frágil em formular e sustentar políticas públicas que
venham a minimizar esta questão social, portanto pode-se verificar um preocupante aumento de
casos de conflitos econômicos e sociais vinculados às relações familiares, causando à
necessidade de uma rápida e consistente intervenção estatal. Faz-se, mais que urgente à prática e
apuração das denúncias, seja através do disque 100, Secretaria de Direitos Humanos da
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Presidência da República, ou das Delegacias Especializadas de Atendimento aos idosos em


algumas capitais, ou dos Núcleos de Atendimento do Ministério Público e das Defensorias.

5- Retrocessos no Campo Social

Ao pesquisar sobre a questão social violência intrafamiliar vemos acontece o retrocesso


no campo social que apresenta queda nos direitos dos idosos/as quanto à aplicabilidade dos
direitos humanos, e podemos observar que esta afirmação é imposta quando acontece a violência
intrafamiliar nesta população idosa, violando seus direitos como cidadãos que são. A violência
intrafamiliar contraria os princípios desses direitos previstos no ordenamento jurídico
internacional e nacional, sendo assim entendemos que deveriam ser resguardados os seus direitos
e a proteção a pessoa idosa, sendo que o Estado tem o dever de aplicar as leis vigentes no país
com relação aos idosos/as bem como é dever de toda a sociedade cobrar dos órgãos públicos o
combate a violência intrafamiliar que é o objeto deste estudo, bem como as agressões de toda e
qualquer espécie dentro ou fora de seu ambiente familiar praticadas contra esta população idosa.
Na leitura realizada vem a dar continuidade à reflexão sobre a violência intrafamiliar
contra o/a idoso/a, de forma a buscar meios e ou soluções que venham tentar minimizar e ou
erradicar a violência em nosso solo nacional e internacional através da aplicabilidade das leis aos
perpetuadores de agressão, assim como campanhas publicitárias que venham a conscientizar a
sociedade a não praticar violências de todo e qualquer espécie aos idosos/as.
Ao buscar conhecimento e informações sobre a violência intrafamiliar foi feita uma
seleção de estudos buscando a subjetividade dos autores, tendo fundamentação teórica de artigos,
dissertações, teses, trabalhos de conclusão de cursos, livros publicados, entrevistas publicadas e
televisadas. As fontes, documentais e/ou bibliográficas, tornam-se imprescindível para a
compilação de dados sobre a violência contra o/a idoso/a, de forma a dar continuidade a esta
importante reflexão de forma que as políticas públicas venham a ser cumpridas em sua integra,
criando um leque que abranja toda a sociedade em conscientização e aplicação de penas para os
perpetuadores de agressão a população idosa.

5- Metodologia

Neste trabalho foi realizada a pesquisa bibliográfica com base na “revisão de narrativa”,
buscando subjetividade dos autores, tendo como fundamentação teórica de artigos, dissertações,
teses, trabalhos de conclusão de cursos, livros e entrevistas publicados. Sendo então aplicada à
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pesquisa bibliográfica de forma narrativa e reflexiva a cerca da violência intrafamiliar contra o


idoso/a, fundamentada nas abordagens de autores e pesquisadores do assunto em pauta.
A pesquisa bibliográfica abrange a leitura, análise e interpretação em busca de refletir a
cerca da violência intrafamiliar contra a população idosa, seja em âmbito familiar ou pela
ineficiência do Estado em cumprir as políticas públicas, sendo assim a problemática deste artigo
está baseada nas referências publicadas, onde constam reflexões, analises e discussões a cerca
das contribuições culturais, cientificas e visibilidade para a resolução da violência intrafamiliar
contra o idoso/a.
A consulta de fontes consiste: na identificação das fontes documentais (documentos
audiovisuais, jornais, periódicos, Internet, documentos cartográficos e documentos textuais), na
analise e no levantamento de informações, trazendo a luz desta pesquisa os muitos relatos com
direcionamento a esta questão, de fácil entendimento que as pesquisas devem continuar, pois está
longe a conscientização da população com relação à violência intrafamiliar contra a população
idosa. O trabalho de conscientização e cobrança ao Estado com relação à aplicação das políticas
públicas necessita continuar para que possa ser construído um leque de abrangência nacional de
forma a alcançar a visibilidade e para a construção da erradicação da violência contra os
idosos/as.

Os principais autores pesquisados consultados para a elaboração deste trabalho são:


BRASIL. Ministério da Saúde de 2001; Lei Federal nº 10.741 de 01/10/2003; Subsecretaria de
Direitos Humanos de 2007; FALEIROS, Vicente de Paula de 2007; LEITE, DÉBORAH
Santiago Costa (CIAPVI) de 2012, MINAYO Maria Cecília de 2005 e SILVA, ELAINE Alves
de Oliveira de 2007, porém a continuidade foi abordada através de autores com estudos
encontrados na internet entre outros. Embora tenham sido estes autores citados, outros autores
foram consultados para melhor compreensão deste tão importante tema.

6- Considerações finais

Neste artigo demonstra que a pesquisa apresentada nestas páginas que há muitos idosos
que não denunciam seus algozes, por serem na maioria dos casos seus filhos/ (as), netos/ (as),
esposo/ (as) e outros integrantes da família e ou seus cuidadores, esta relação familiar e/ou de
proximidade do perpetuador da agressão, vem a dificultar a existência de mais denúncias, pois
para os/as idosos/as é difícil romper com o uma espécie de pacto feito com os seus familiares,
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em muitos casos ficam com medo de sofrer conseqüências mais agravantes em termos de
violência, caso venham a denunciar.
De modo geral pode-se afirmar que a violência intrafamiliar ocorre motivada por
questões de cunho sociais, econômicos, culturais e políticos, devido aos frágeis programas
estatais, projetos e benefícios que auxiliem efetivamente no cuidado aos/as idosos/as, os
mecanismos legais e normativos para o enfrentamento da violência intrafamiliar contra a
população idosa.
A sociedade deve cobrar do Estado que as políticas públicas sejam executadas e a
família venha a cumprir realmente com sua parte no que se refere à proteção e ao cuidado ao/a
idoso/a e que são indispensáveis, devendo a sociedade contribuir nessa construção de efetivar
estas políticas, bem como a participação de forma efetiva do Estado, da família e da sociedade,
devendo estar em um só consenso na efetivação da proteção digna, saudável e prazerosa aos
idosos, que em muito contribuíram no país e no crescimento de suas famílias, principalmente a
família deve dar uma atenção especial para a experiência que esta população trás, podendo ser
aproveitada de forma a acrescentar o próprio conhecimento no crescimento e amadurecimento
familiar e não desprezar como se aquele/a idoso/a como se não servissem para mais nada.
Observa-se que o familiar e ou o cuidador da pessoa idosa se sobrecarregam,
conseqüentemente sobrevêm o stress acarretando as violências e negligencias de forma a
desconsiderar as queixas deste/a idoso/a colocando em risco a saúde do mesmo, e infelizmente o
familiar e ou cuidador adoecem junto à pessoa cuidada.

A violência intrafamiliar é um problema complexo e social, que representa uma grave


violação dos direitos das pessoas idosas como cidadãos. Desta forma se faz necessário uma base
de conhecimentos mais sólidos, para o estabelecimento de políticas, planejamento e programas,
que venham a tentar conscientizar os membros da família como também os cuidadores e a
sociedade num todo de modo para que haja o cumprimento dos direitos destes cidadãos.

No ano de 2018 o Estatuto do Idoso completou quinze anos, o que nos leva ao desafio
de efetivar os direitos desta população idosa.

7-BIBLIOGRAFIA

Livros:
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_____. Lei Federal nº 10.741 de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá
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_____. Subsecretaria de Direitos Humanos. Plano de ação para o enfrentamento da violência
contra a pessoa idosa. Brasília: Subsecretaria de Direitos Humanos, 2007.
_____. Decreto-Lei nº 1948, de 03 de julho de 1996. Regulamenta a Lei nº 8.842 de janeiro de
1994, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, e dá outras providências.

BRASÍLIA: Ministério da Previdência e Assistência Social/Secretaria de Assistência social,


1994.

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GONDIM, Lillian Virgínia Carneiro. Violência intrafamiliar contra o idoso: uma preocupação
social e jurídica. 2ª ed. 2011.

LEITE, Déborah Santiago Costa. Violência Intrafamiliar Contra a Pessoa Idosa: estudo acerca do
Centro Integrado de Apoio e Violência contra a Pessoa Idosa (CIAPVI). 2012. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Serviço Social) - Universidade Federal do Maranhão, São
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MINAYO, Maria Cecília. Violência contra os idosos: O avesso do respeito á experiência e à


sabedoria. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2° edição, 2005.

SILVA, Elaine Alves de Oliveira; LACERDA, Ângela Maria Gomes de Matos. A violência e os
maus-tratos contra a pessoa idosa. In Fragmentos de Cultura, v.17, n.3/4, p.239-255, 2007.

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Lucimeire Santos. Et al. A construção da violência contra idosos. Rev Brasileira de Geriatria e
Gerontologia, vol. 10. Rio de janeiro, 2007. contato@cieh.com.br www.cieh.com.br
12

Artigos/revistas/diários:

GENILDA Cordeiro Baroni, presidente da (ABCMI Nacional) - Associação Brasileira dos


Clubes da Melhor Idade: Diário da Borborema, 2007

LAKATOS, Maria Eva. MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia do trabalho cientifico /4


ed-São Paulo. Revista e Ampliada. Atlas, 1992.

Internet

ALVES, Alice Gonçala Ferreira de Azevedo. Segredos de família: considerações sobre os casos
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BRASIL. Lei Federal Nº 10.741 de 1° de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá
outras providências. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/lei_10741_06_0118_M.pdf.

CAD. SAÚDE PÚBLICA, Rio de Janeiro, v. 19, n.3, p. 773-781, Disponível em:
www.nesprom.unb.br.

PIRÂMIDE ETÁRIA. Importância da Pirâmide Etária - Mundo Educação


Disponível em: mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/piramide-etaria.htm
13

8- ANEXOS

Gráficos: - Crimes perpetrados contra Pessoas Idosas.

- Notificação de violência interpessoal e auto provocada contra idosos – segundo autor da agressão.
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