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COSTA, José Carlos de Lima; CAMPOS, Samuel Marques.

Teologia Bíblica e Teologia


Sistemática: um diálogo crítico. Colloquim, Crato – CE, v. I, n. 2, p.24-43, 2. Sem. 2016.
Disponível em: <http://www.faculdadebatistacariri.edu.br/colloquium/index.php/revista/
article/view/12/10>. Acesso em: 13 set. 2018.

Resenha

O presente trabalho trata-se de trata-se de uma resenha do artigo acima referenciado,


em que se apresenta pontos de vistas em defesa da possibilidade de um diálogo entre os
campos da Teologia Bíblica e Teologia Sistemática a despeito do problema existente entre
as duas. Os autores são: José Carlos de Lima Costa, que é Doutor em Ciências da Religião
pela PUC de Goiás, diretor acadêmico e professor de diversas disciplinas na Faculdade
Teológica Batista Equatorial e; Samuel Marques Campos, que é Mestre em Ciências da
Religião pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) e Doutor em Ciências Sociais, pela
UFPA. É coordenador de extensão e professor de diversas matérias, também na FATEBE.

O texto se inicia expondo as origens e o desenvolvimento da Teologia Sistemática,


desde o período patrístico, em que a religião cristã teve que lidar com heresias que emergiam
na forma de “legalismo judaizante, helenismo intelectualista e as religiões mistéricas
espiritualistas”. Por meio de concílios ecumênicos buscou-se firmar questões de doutrina
para unificar o pensamento cristão. Os dogmas formados nesses concílios passaram a ser lei
canônica na idade média, de maneira que o desejo dos teólogos era ter um sistema teológico
que fornecesse uma teologia que adequada a todas as áreas da vida e subsídio bíblico que
sustentasse as tradições da igreja, esse período ficou conhecido como escolasticismo.

Já durante a reforma protestante, o que os reformadores propuseram foi o abandono


do “sistema dogmático da igreja medieval” e o retorno ao texto neotestamentário,
produzindo uma teologia que service aos ensinos do Novo Testamento, menos enraizada na
tradição, contudo, tal desligamento não foi total. Um grupo que surgiu nesse período, os
anabatistas, pregavam o rompimento total com essas tradições e buscavam a elevação de
uma igreja que tivesse suas bases unicamente na Bíblia Sagrada. Foi nesse grupo que pela
primeira vez surgiu os termos “teologia bíblica” em contraponto a “dogmática da igreja”.
Mesmo no período pós reforma perdurou a dogmática ortodoxa entre os protestantes,
culminando na sistematização e fortalecimento das ideias da reforma. Mas, com o levante
do racionalismo, o sistema dogmático da igreja foi questionado e propôs-se a elaboração de
uma teologia totalmente baseada na razão, surge assim o método histórico crítico de
interpretação bíblica, a principal base para a Teologia Bíblica.
Em seguida, o texto prossegue com a afirmação de que a teologia bíblica se trata de
uma reação crítica à dogmática. E passa a expor as origens e o desenvolvimento dessa forma
de estudar teologia a partir do racionalismo. Em 1787 acontece a primeira aula dessa matéria,
na Universidade de Altdorf, os defensores dessa vertente propunham a uma “abordagem
indutiva, histórica e descritiva”, valorizando o pensamento dos autores bíblicos em
particular. A Teologia Bíblica recebeu influências de posições filosófica da época, como os
pensamentos Hegel e Heidegger. Outros teólogos se opunham fortemente a qualquer
interpretação do texto bíblico que fugisse ao contexto imediato do seu autor.

Nos pontos 4 e 5 os autores se atém a definição dos métodos da Teologia Bíblica e


da Teologia Sistemática. Em que podemos ver que a Teologia Bíblica é a teologia que busca
a interpretação do texto bíblico, mediante o contexto histórico e sociocultural imediato de
cada autor. Enquanto a sistemática tenta fazer com que os temas bíblicos se unifiquem, o
teólogo bíblico vê cada autor e sua teologia dentro de seu próprio contexto. Por outro lado,
a Teologia Sistemática procura adequar a revelação de Deus em sua Palavra ao nosso tempo,
expondo uma cosmovisão cristã a partir das Escrituras.

Dessa forma, para o teólogo sistemático, quando a Bíblia é corretamente interpretada


seus ensinos tornam-se práticos, não somente para os cristãos do seu tempo, mas também
para os dias de hoje. Para tanto, a Teologia Sistemática organiza e classifica
harmoniosamente os ensinos da Bíblia sem desprezar as características inerentes de cada
autor, cada texto e seu contexto. Sendo assim, a Teologia Bíblica se vale da exegese para
extrais do texto sagrado o seu sentido imediato e a Teologia Sistemática serve-se dos frutos
da exegese e da Teologia Bíblica.

No sexto ponto, os autores destacam as críticas levantadas pelos teólogos bíblicos a


Teologia Sistemática. Em primeiro lugar; a dependência que a Teologia Sistemática tem com
relação aos diversos sistemas filosóficos; em segundo lugar, a dependência das
interpretações dos pais da igreja que acabam por reitera conceitos; terceiro, o esforço
demasiado em fazer com que significados bíblicos sejam rapidamente “aplicáveis e
normativos” aos nossos dias sem levar em conta o contexto do período original do texto e
ainda; a tentativa de concordar as concepções bíblicas entre si.

Os autores apresentam, no sétimo ponto, duas propostas com vistas a possibilitar um


diálogo eficaz entre os métodos de estudos bíblicos. Sabendo que mesmo que as duas
matérias sejam diferentes, uma não exclui a outra completamente. A primeira proposta é que
se veja seriamente a Bíblia como revelação divina, assumindo a crença de que a Bíblia foi
elaborada pela “mente divina” e que despeito da sua diversidade possui também um “tópico
geral”; a segunda proposta trata-se de entender que a Bíblia também é um livro de produção
humana, portando, cada autor escreve a partir de seu contexto histórico e sociocultural, isso
mostra que cada autor tinha um propósito ao escrever.

Em suas considerações finais os autores destacam que o problema gerado entre a


Teologia Sistemática e a Bíblia, se deve mais a “questões de pressupostos e metodologia”,
tornando-se necessário um diálogo que possibilidade o trabalho combinado das duas
disciplinas, bem como, o reconhecimento mútuo. Afirmam ainda que a Teologia Bíblia
precisa reconhecer pressupostos da Teologia Sistemática e ainda que a mesma deve ver com
seriedade a “contemporaneidade e normativa” dos ensinos divinos contidos nas Escrituras,
para com que não se torne obsoleta.

Diante do que foi apresentado, vale ressaltar que tanto a teologia bíblica quanto a
teologia sistemática são disciplinas bíblicas, pois tem origem no conteúdo da Bíblia e por
tanto buscam ser fieis a ela, a primeira com ênfase no “arranjo do conteúdo” e a outra no
“arranjo tópico” (CHEUNG, 2008, p.03). Vincent Cheung também destaca que a
supervalorização da história bíblica, pressuposto da Teologia Bíblica, pode ser fruto de um
“preconceito intelectual” contra sistemas que seguem a lógica (CHEUNG, 2008, p.05).

Para reforçar a validade das duas disciplinas, Cheung cita que a Bíblia tanto tem
exemplos de que Deus fala por meio de narrativas como de discursos sistemáticos, como em
Colossenses 1.15-23, apresentando uma cristologia sistematizada como seu tema central.
Bem como, a narrativa bíblica do discurso de Estevão (Atos 7), para ele trata-se de “uma
porção brilhante de Teologia Bíblica”. E encerra "Se desejarmos insistir que Deus glorifica
a si mesmo por meio de história, então devemos admitir também que a história que ele conta
contém mais discursos do que narrativas." (CHEUNG, 2008, p.06).

Postas essas coisas, o texto se torna muito relevante para trazer à tona uma visão de
colaboração entre os teólogos das duas vertentes, ressaltando que a Teologia Bíblica deve
assumir pressupostos da Teologia Sistemática, essa por sua vez, tem em suas bases a boa
exegese e os resultados da Teologia Bíblica. O estudante de teologia deve lançar mão dessa
visão de mutualidade para que possa interpretar e ensinar as Escrituras o mais correto
possível, para glória de Deus e crescimento da propagação do Evangelho de forma saudável
e conciliadora.
REFERÊNCIAS

COSTA, José Carlos de Lima; CAMPOS, Samuel Marques. Teologia Bíblica e Teologia
Sistemática: um diálogo crítico. Colloquim, Crato – CE, v. I, n. 2, p.24-43, 2. Sem. 2016.
Disponível em: <http://www.faculdadebatistacariri.edu.br/colloquium/index.php/revista/
article/view/12/10>. Acesso em: 13 set. 2018.

CHEUNG, Vincent. Teologia Sistemática ou Teologia Bíblica?. Monergismo. Tradução de


Felipe Sabino de Araújo Neto. Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/teologia/
historia-sistema-ts-tb_vincent-cheung.pdf>. Acesso em: 20 set. 2018.

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