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SANTA MARIA DA FEIRA 109

E A PRIMEIRA GRANDE GUERRA

Roberto Carlos Reis*

Quando estalou a guerra entre as potências da Europa Moçambique. Aliado de longa data da Grã-Bretanha, Portugal
e a mesma entrou em erupção no Verão de 1914, Portugal estava ansioso por participar na I Grande Guerra, esperando
permaneceu oficialmente neutro. Numa primeira etapa, ganhar alguma influência e lucrar com uma parte dos despojos
Portugal participou, militarmente, na guerra com o envio de e indemnizações de guerra, que viriam a amenizar a grave
tropas para a defesa das colónias ameaçadas pela Alemanha. situação financeira que o país atravessava, na expectativa
A 25 de Agosto de 1914, os militares alemães fizeram uma de uma vitória rápida do conflito. No entanto, os britânicos
incursão no Norte de Moçambique e em 11 Setembro de duvidavam da prontidão do seu velho aliado para a guerra,
1914, Portugal envia a primeira expedição militar para as com alguns britânicos a chegarem ao ponto de declararem o
colónias. No final de 1914, Portugal estava em guerra não português como “aliados inúteis”.
declarada com a Alemanha no Sul de Angola e no Norte de

*Técnico Superior de História Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Historiador. Investigador CEGOT - Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território
-Unidade de Investigação e Desenvolvimento das Universidades de Coimbra, Porto e Minho. DEA em Turismo, Lazer e Cultura Faculdade de Letras da Universidade
de Coimbra. Doutorando Turismo, Lazer e Cultura Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Professor Convidado Universidad Rey Juan Carlos – Madrid.
roberto.reis34@gmail.com
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No entanto, as coisas alteraram-se 1916 quando numa reunião sábado dia 8 do corrente afim de se constituir
Portugal, obedecendo às exigências da Grã-Bretanha o núcleo patriótico concelhio. Que esta reunião fora presidida
apreendeu 36 navios mercantes alemães e austríacos no pelo Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca, e nesta fora
porto de Lisboa. Considerando a apreensão uma violação das escolhido aquele núcleo composto por cidadãos de todas as
regras de neutralidade, a Alemanha declarou guerra a Portugal parcialidades políticas como era indicado no ofício lido, e no
em 9 de Março de 1916. O fervor nacionalista varreu Portugal domingo houvera conferência pública sobre o estado da guerra
e o governo de Lisboa preparou imediatamente uma força com a Alemanha, enm que discursaram eram os delegados da
Junta Patriótica do Norte e cidadãos feirenses. Que em vista
expedicionária para enviar para a frente ocidental.
do exposto decidiu responder à Comissão Patriótica de Aveiro
À então Câmara da Vila da Feira presidida pelo Dr.
de que a Câmara contribuirá com tudo o que esteja dentro das
Vitorino de Sá, esta situação não foi indiferente. Na Sessão
suas atribuições e dos meios de que lhe seja possível dispor
Ordinária da Câmara Municipal da Feira de 11 de Abril de
para bem do país e da sua integridade e defesa nesta grave
1916 presidida pelo Vice-Presidente, Saul Eduardo Valente e difícil conjuntura ocasionada pela declaração de guerra da
estiveram presentes os vereadores António da Costa Monteiro, Alemanha1.
Manuel Alves da Silva, Manuel Alves Ribeiro Tavares, Manuel Uma força de 30.000 homens foi montada em apenas
Ferreira Pinto, Custódio António de Pinho, António Domingos três meses, um feito incrível que ficou na história como o
de Andrade, Manuel da Costa Dias, Manuel Pereira Granja, “Milagre em Tancos” - o local de treino e formação da força
Domingos de Almeida e José Joaquim Silva e o próprio portuguesa. O General Norton de Matos, Ministro da Guerra
111
Presidente Dr. Vitorino de Sá. entre 1915 e 1917, com a colaboração do General Fernando
Nesta reunião foi deliberado o seguinte: Por proposta Tamagnini, foi o responsável pela organização do “CEP - Corpo
do Ex.mo Presidente unanimemente aprovada fica nesta Expedicionário Português”, que no centro de instrução de
acta consignada a declaração da Câmara de fazer sentir no Tancos, se transformaram em soldados aptos e capazes para
Concelho que contribuirá em tudo que esteja dentro das suas um conflito duro, homens que pouco tempo antes, tinham
uma vida civil, pacata e tranquila.
atribuições e dos meios de que lhe seja possível dispor para
bem do País e da sua integridade e defesa nesta grave e
difícil conjuntura ocasionada pela declaração de guerra da
Alemanha.
Foi presente um Ofício da Comissão Patriótica de Aveiro
a 25 de Março no qual foi pedido para que esta Câmara
empregue a sua influência para se organizarem comissões que
se encarreguem de se esclarecer o povo sobre os vários pontos
que interessam à nossa independência em consequência de
nos ter sido declarada guerra pela Alemanha.
Lido este ofício pelo Ex.mo Presidente foi comunicado
que também foi recebido o seguinte da Junta Patriótica do
Norte, com sede no Porto comunicando que no domingo
dia 9 deste mês vinha a esta vila uma delegação daquela
com o fim de realizar um Comício de Propaganda Patriótica
e de Proceder à organização de um núcleo local delegado Geral Tamagnini (à esquerda) como o comandante do CEP, juntamente
daquela. Que idêntico ofício de idêntica comunicação fora com os generais Richard Haking e Gomes da Costa.
feita ao digno administrador do Concelho, e assim e acordo
se dirigiram convites a todos os vereadores, funcionários,
políticos e demais cidadãos sem distinções partidárias para 1 Acta da Sessão Ordinária da Câmara Municipal da Feira de 11 de Abril de 1916
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Primeira proclamação do General Tamagnini às Tropas Portuguesas em França

As tropas foram rapidamente enviadas para França, e rações “Tommy” tudo britânico. Ao contingente foi atribuída a
mais se seguiriam. No início de 1917, Portugal tinha 55.000 responsabilidade da defesa de 12 km na Flandres.
homens junto do exército britânico, em França. O “CEP -
Corpo Expedicionário Português”, como era conhecido, foi
equipado com capacetes, fuzis e metralhadoras, assim como
Durante o ano de 1917, e como já referimos chegavam a O CEP começou a chegar ao porto de Brest, em 2 de
França os primeiros contingentes portugueses, na sua maioria Fevereiro de 1917. De Fevereiro de 1917 até 28 de Outubro
pessoas pobres, na flor da vida, arrancados da vida rural das suas do mesmo ano, um total de 59.383 homens foram enviados
terras natais. Belo exemplo disso mesmo é esta carta: para a França. De Brest, as tropas embarcaram para uma
“Mãe. Afinal fez bem vendendo a nossa cabrinha, viagem de comboio de três dias, até à área de concentração
se precisava de comer. Eu bem sei o que lhe devo como do CEP em Aire-Sur-La-Lys/Thérouanne, onde se realizaram
filho e não me zango. Mas tenho muita pena, isso treinos preparatórios na guerra de trincheira e com gás, antes
tenho. E às vezes ponho-me a lembrar que quando aí de ocuparem a sua posição atribuída na linha da frente. De
for já ela não vem da horta, entrando em casa, para Santa Maria da Feira foram mobilizados, 1473 jovens a saber:
me comer à mão. A gente também ganha amizade aos
animais. Mas não me zango, pois se era precisão…”2
Foi com muitos destes homens como soldados, que foi
organizado um exército ad hoc, num curto espaço de tempo
(cerca de dez meses), para defrontar a maior potência militar
europeia destes tempos, a Alemanha.

2 Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra, Vol. I, p. 81, Portugália 3 Arquivo Histórico do Exército 113
Editora, Lisboa, 1969

Nome Cargo Freguesia


José dos Santos Carneiro Alferes de Infantaria Vila da Feira
Manuel Pereira da Silva Alferes Capelão Nogueira da Regedoura
António Sampaio Maia Alferes Médico Miliciano S. João de Ver
António Ferreira Linhares Nobre Alferes de Infantaria nº 24 Lobão
Ângelo Ferreira Leite Alferes Médico Miliciano de Infantaria Moselos
31
Joaquim Alves Ferreira da Silva Tenente Médico miliciano Vila da Feira
Alberto José Bento Soldado Vila da Feira
José Gomes Lima Soldado Vila da Feira
Luís Francisco de Oliveira Clarim Espargo
José Pinto Soldado Arrifana
Jacinto Pinto da Cruz Soldado Vila da Feira
Joaquim Ferreira da Rocha 2.º Cabo Vila da Feira
António Coelho Soldado Lobão
Luís Rebelo de Sousa Reis 2º Sargento - Regimento de Infantaria Vila da Feira
nº 18
Manuel Correia Soldado - 3º Depósito de Infantaria Sanguedo
Moisés Pereira dos Santos Soldado - 3º Depósito de Infantaria Vendas Novas de Lourosa
José Alves Santiago Soldado -3º Depósito de Infantaria Guisande
Manuel Pinto da Silva 3º Depósito de Infantaria Moselos
Manuel Soldado - R.I. 17 Vila da Feira
António Henriques da Silva Soldado Vila da Feira
Francisco Vilarinho Soldado Vila da Feira
António Pereira Magalhães Soldado - Regimento de Artilharia nº6 Lobão
Manuel Francisco Vilar Soldado - Regimento de Artilharia nº6 São João de Ver
Ilísio Ferreira da Silva Soldado - Regimento de Artilharia nº6 São João de Ver
Ramiro Alves de Oliveira Soldado - Regimento de Artilharia nº6 Silvalde
114 Júlio Francisco Alves Soldado - Regimento de Artilharia nº6 Milheirós de Poiares
Manuel Brito Soldado - Regimento de Artilharia nº6 Matos - Vila da Feira
António Fernandes Familiar Soldado - G.C.Saúde Fornos
Luís José Pinto Soldado - Grupo de Companhias de Gião
Saúde
Joaquim Ferreira Soldado - Grupo de Companhias de Romariz
Saúde
Joaquim Alves Moreira Soldado - Regimento de Infantaria Vila da Feira
nº31
Bernardino Pereira Soldado - Regimento de Infantaria São Jorge
nº31
Ramiro Ferreira da Costa Soldado - Regimento de Infantaria Vila Maior
nº31
Manuel António Rodrigues Leite Soldado - Regimento de Infantaria Souto
nº31
Moisés Pinto de Almeida Soldado - Regimento de Infantaria Lourosa
nº31
Quintino Francisco de Oliveira Soldado - Regimento de Infantaria Nogueira
nº31
José Pereira de Pinho Soldado - Regimento de Infantaria Moselos
nº31
Cândido da Silva Soldado - Regimento de Infantaria Vila da Feira
nº31
António Francisco Regimento de Infantaria nº31 Fornos
José Soares Soldado - Regimento de Infantaria Canedo
nº31
Valentim de Sá Soldado - Regimento de Infantaria Vila da Feira
nº31
Júlio Pinto Avelar Soldado Vila da Feira
Serafim Dias Paes Soldado São Bento, Vila da Feira
Joaquim Ferreira Coimbra Soldado Vergada, Vila da Feira
José de Sá Pereira 1º Cabo - C.A.L.P. Vila da Feira - Laranjeiras
Avelino Francisco Botelho Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Vale
Manuel José dos Santos Soldado Vila da Feira
Serafim Pinto Ribeiro Soldado Vila da Feira
Roberto Francisco Pinto Primeiro cabo Vila da Feira
Bernardo da Silva Marques Soldado Vila Maior 115

Calisto Domingos Moreira Moreira da Silva Soldado Vila da Feira


António de Oliveira Soldado Vila da Feira
Manuel José de Paiva Soldado Vila da Feira
José Ferreira dos Santos Soldado Vila da Feira
Manuel Alves de Sousa Soldado Vila da Feira
Cândido Luís da Silva Soldado - Regimento de Infantaria Vila da Feira
nº30
José da Rocha Milheiro Soldado Vila da Feira
Elísio Francisco Pereira Soldado - Regimento de Infantaria Fiães
nº10
Maximino Leite Soldado Vila da Feira
Joaquim Pinto Alves Soldado Vila Nova da Feira
Tiago Soares da Costa Soldado Vila da Feira
António Soares Soldado Vila da Feira
Adelino Joaquim Alves Soldado Vila da Feira
António Nunes de Azevedo Soldado Vila da Feira
Manuel da Silva Marques Soldado Vila da Feira
Elízio Francisco Coelho Soldado Vila da Feira
Manuel de Oliveira Soldado Vila da Feira
Joaquim Alves da Conceição Soldado Vila da Feira
Amândio Dias da Silva Soldado Vila da Feira
Manuel Alves Barbassas Soldado Vila da Feira
Manuel de Oliveira Sengo Soldado Silvalde
Adriano Sá Pereira Soldado S. Paio de Oleiros
Manuel Ferreira dos Santos Soldado Vila da Feira
Joaquim de Sousa Soldado Vila da Feira
Carlos Pinto de Sá Soldado Vila da Feira
Rosalino Marques de Sá Soldado Vila da Feira
Bernardo Paes Soldado Vila da Feira
António Alves Roda Soldado Vila da Feira
Joaquim Ferreira Pinho 1.º Cabo Vila da Feira
116 Augusto dos Santos Soldado Vila da Feira
Alfredo Rodrigues Soldado Vila da Feira
António Francisco Soldado Vila da Feira
Joaquim de Sá Catarino Soldado Vila da Feira
José do Couto Soldado Vila da Feira
José de Oliveira Soldado Vila da Feira
António Francisco da Silva Soldado Vila da Feira
Alfredo Marques Correia de Sá Soldado Vila da Feira
David Moreira Soldado Vila da Feira
Henrique Francisco de Castro Soldado Vila da Feira
António Alves da Silva Soldado Vila da Feira
Adelino Inácio Ferreira Soldado Vila da Feira
Manuel de Oliveira Soldado Vila da Feira
António da Silva Marques Soldado Vila da Feira
José Aires de Oliveira Dias Soldado Vila da Feira
Artur Ferreira Pinto Soldado Vila da Feira
Manuel Dias da Silva Soldado Vila da Feira
Óscar Ferreira Regal Soldado Anta
Francisco Gomes da Costa Soldado Vila da Feira
Joaquim de Oliveira Santos Soldado Vila da Feira
Joaquim Rodrigues Vito Soldado Vila da Feira
Manuel Ferreira da Costa Soldado Vila da Feira
Luís Gomes da Silva Soldado Vila da Feira
António de Sousa e Silva Soldado Vila da Feira
José Francisco da Costa Soldado Vila da Feira
Manuel Ferreira dos Santos Soldado Vila da Feira
António José Pinto Soldado Vila da Feira
Joaquim de Almeida Carvalho Soldado Vila da Feira
Domingos Alves de Oliveira Soldado Vila da Feira
Henriques Corrne Soldado Vila da Feira
José Alves dos Anjos Soldado Vila da Feira
Francisco Gomes da Silva Soldado Vila da Feira 117
José Nunes da Silva Soldado Vila da Feira
Abel Pinto Tavares Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Moselos
Bernardo Ferreira Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Romariz
António da Silva Valente Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Vila da Feira
Artur Gomes da Costa Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Vila da Feira
Frutuoso Gomes Ribeiro Soldado Barracão - Vila da Feira
Olímpio Marques de Sá Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Vila da Feira
António Luís de Matos Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Vila da Feira
Francisco Gonçalves Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Souto
Manuel Alves Ferreira da Silva Júnior Soldado - Regimento de Infantaria nº6 São Jorge
José Pereira Bernardes 1º Cabo - Regimento de Infantaria nº6 Silvalde
Manuel Pinto Júnior Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Fornos
Eduardo da Costa Guedes Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Canedo
Manuel Correia Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Canedo
Joaquim Francisco da Silva Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Anta
Manuel da Silva Vidinha Junior Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Canedo
Manuel José da Silva Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Lobão
Domingos Joaquim de Oliveira Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Milheirós de Poiares
Abel Alves da Costa Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Romariz
Francisco Pereira Bernardes Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Silvalde
Augusto da Mota Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Sousanil - Canedo
António Gomes da Costa Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Vila da Feira
Francisco Leite Pinho Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Monte Fornos
José Francisco Andrade Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Valrico - Souto
Francisco dos Santos Soldado - Regimento de Infantaria nº6 Lourosa
Alexandre da Silva Godinho 2.º Sargento Vila da Feira
António Gomes da Costa 2º cabo - Regimento de Infantaria Lobão
nº18
José Ferreira da Silva 2º cabo - R.I.18 Vila da Feira
Clemente Alexandre Vieira 2.º cabo Vila da Feira
Joaquim Alves da Silva Soldado Pigeiros
118
Joaquim de Sousa Fernandes Soldado Vila da Feira
Fernando Mendes dos Santos Soldado Vila da Feira
Albino Ferreira dos Santos Soldado Vila da Feira
Manuel Sá Rodrigues Soldado Lamas
Manuel dos Santos Soldado Vila da Feira

Em 11 de Maio de 1917, as primeiras unidades Exportação Portuguesa” e “Cordeiros portugueses exportados


portuguesas tomaram o seu lugar na linha de frente, com a para abate”. A moral dos soldados estava em baixo, uma
implantação das brigadas concluída até 5 de Novembro do vez que os soldados não sentiam que estavam a lutar pela
mesmo ano. A frente de combate distribuía-se numa extensa sua terra natal, nos campos de trincheiras da Flandres.
linha de 55 quilómetros, entre as localidades de Gravelle e O verdadeiro problema era que ao CEP foi negado qualquer
de Armentières, guarnecida pelo 11° Corpo Britânico, com tipo de reforços para substituições de tropas a fim de reduzir os
cerca de 84 000 homens, entre os quais se compreendia a 2ª efeitos de atrito (o terrível “desperdício” de trincheira) causada
divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), constituída por bombardeamentos de artilharia, ataques às trincheiras por
por cerca de 20 000 homens, dos quais somente pouco mais alemães, abandono, doença e contra-ataques portugueses.
de 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo A 6 de abril de 1918, o CEP já tinha perdido 5.420 homens,
general Gomes da Costa. dos quais 1.044 tinham sido mortos.
Os problemas começaram quase de imediato. Os Assim, 9 de Abril de 1918, as brigadas de infantaria
soldados portugueses odiavam as rações britânicas e portuguesa, que inicialmente eram compostas por 4.660
sofreram muito durante o inverno extremamente rigoroso de oficiais e soldado cada, tinham caído para: 3.679 (3ª
1917-1918 (temperaturas caíam para - 22º C). Panfletos Brigada), 3.270 (4ª Brigada), 3.053 (5ª Brigada) e só 2.999
pacifistas viram circulação generalizada em Portugal (não na 6ª Brigada, onde apenas metade dos oficiais e soldados
entre os soldados, que eram na sua esmagadora maioria tinham permanecido. O CEP tinha sido delapidado em 5.639
analfabetos), com dizeres a chamar o CEP de “Carneiros de homens, apenas nas suas brigadas de infantaria. Com estas
brigadas empobrecidas, o CEP mantinha homens em três As primeiras linhas de defesa foram rapidamente superadas
linhas de trincheiras e uma linha adicional de defesa em torno pelos atacantes, e os portugueses que sobreviveram a esta
de aldeias à rectaguarda, para um total de 40 km. infernal investida ficaram tão atordoados, que os impediu de
A razão exacta pela qual o CEP não recebia reforços, que esboçar qualquer tipo de resistência efectiva.
impedia a substituição e descanso das tropas, extremamente No sector norte defendido pelos portugueses da 4º
necessárias para manter frescas todas estas linhas, por falta Brigada (com os batalhões 8º e 20º na linha da frente
de barcos, não foi livre de controvérsia. e os batalhões 3º e 29º na reserva), a 42ª divisão alemã,
Esta situação era agravada por outros factores tais liderada pelo 138º Regimento de Infantaria, não obstante
como o Inverno frio e húmido, muito diferente do que o que a resistência obstinada pelos soldados do 8º Batalhão, que
os portugueses estavam habituados. As condições foram- lutando bravamente atrasou investidas alemãs, juntou-se ao
se agravando a tal ponto que o Comando do 1º Exército 29º Batalhão antes de chegar ao QG da Brigada no Laventie.
Britânico decidiu a rendição das tropas portuguesas por tropas Às 11:00, porém, Laventie tinha sido capturada e com ele a
britânicas, com o objectivo de permitir o descanso daquelas. maioria dos soldados da 4ª Brigada do CEP. O Comandante
É justamente no dia previsto para a rendição do CEP que do 8º Batalhão, Major Xavier da Costa, foi preso depois de ter
se dá a ofensiva alemã, apanhando as forças portuguesas cegado e ferido por três vezes.
numa posição completamente desfavorável. Esta derrota já era esperada pelo comandante do
O bombardeio de artilharia alemã abriu em 04:15, de 9
CEP general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva e pelo
de Abril, atingindo não só as trincheiras da linha de frente, mas
comandante da 2.ª Divisão Gomes da Costa e pelo Chefe 119
também os centros de comando e controle e rede rodoviária
do Estado-Maior do Corpo, João Sinel de Cordes, que por
na rectaguarda. Oito divisões do 6º Exército Alemão, com
diversas vezes avisaram o governo de Portugal e o comando
cerca de 55 000 homens comandados pelo general Ferdinand
do 1º Exército Britânico, das dificuldades existentes. Nesta
von Quast, constituíram a ofensiva “Georgette” (idealizada por
batalha os exércitos alemães provocaram uma enorme derrota
Erich Ludendorff) que visava à tomada de Calais e Boulogne-
às tropas portuguesas, sendo a maior catástrofe militar
sur-Mer. As tropas portuguesas, em apenas quatro horas de
portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578!
batalha, perderam cerca de 7500 homens entre mortos,
Entre as diversas razões para esta derrota tão evidente
feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja, mais de um
têm sido citadas, por diversos historiadores, as seguintes:
terço dos efectivos, entre os quais 327 oficiais. Nesta batalha,
1. A revolução havida no mês de Dezembro de 1915,
os 20,000 homens e 88 armas pesadas do CEP, enfrentariam
o brutal do assalto dos XIX e LV Corps alemão, com um total em Lisboa, que colocou na Presidência da República o Major
de quase 100.000 homens apoiados pela maioria das 1.700 Doutor Sidónio Pais, o qual alterou profundamente a política
peças de artilharia alocadas ao 6º Exército Alemão. de beligerância prosseguida antes pelo Partido Democrático.
Este acontecimento, ficou conhecido em Portugal como 2. A chamada a Lisboa, por ordem de Sidónio Pais, de
“A Batalha de La Lys”, ou por “Batalha de Armentières”. 9 de muitos oficiais com experiência de guerra ou por razões de
Abril de 1918 foi o primeiro dia da ofensiva de Ludendorff Lys, perseguição política ou de favor político.
também conhecida como “Operação Georgette” ou “Batalha 3. Devido à falta de barcos, as tropas portuguesas não
de Ypres” para a história oficial britânica. foram rendidas pelas britânicas, o que provocou um grande
Às 7 horas da manhã, o assalto da infantaria alemã desânimo nos soldados. Além disso, alguns oficiais, com
começou em força nos limites entre o CEP e as divisões maior poder económico e influência, conseguiram regressar a
britânicas vizinhas. Usando máscaras de gás e espingardas Portugal, mas não voltaram para ocupar os seus postos.
com baioneta, os alemães atacaram em três ondas 4. O moral do exército era tão baixo que houve
sucessivas, mantendo uma distância de 120 metros entre insubordinações, deserção e suicídios.
cada pelotão (todos os pelotões eram precedidos por quatro 5. O armamento alemão era muito melhor em qualidade
equipas de metralhadora). Por trás uma barragem rastejante e quantidade do que o usado pelas tropas portuguesas o qual,
que avançava 50 metros a cada quatro minutos de manobra. no entanto, era igual ao das tropas britânicas.
6. O ataque alemão deu-se no dia em que as tropas lusas protestar por todas as formas contra esse desprezo, fazem
tinham recebido ordens para, finalmente, serem deslocadas todos os dias aos soldados promessas de descansos e licenças
para posições mais à rectaguarda. que nunca chegam, e exigem dalguns milhares de homens
7. As tropas britânicas recuaram em suas posições, o doloroso esforço, que nos outros exércitos se distribui
deixando expostos os flancos do CEP, facilitando o seu por centenas de milhares, que menos se poderá esperar?
envolvimento e aniquilação. O desfalecimento, a exaustão, o desespero atingiram o auge
O texto a seguir informa-nos sobre a batalha nas nossas fileiras.” (…) “Às dez da manhã sabe-se já que os
de La Lys de 9 de Abril de 1918, na qual os alemães, numa ofensiva de grande estilo, (…) romperam as
portugueses enfrentaram os alemães: nossas linhas e avançam. (…) Lançados ao acaso sobre as
macas, os feridos de mais gravidade esperam a sua vez. Um
“À l’Ouest, en mars de 1918, c’est-à-dire au moment cheiro pesado e morno a éter, sangue e entranhas violadas
où les conditions atmosphériques permettent d’engager de entontece e engulha. À beira deste ou daquele pingam
grandes opérations, le commandement allemand, grâce à nascentes de sangue. O chão é todo manchado pelo rio
l’armistice russe, dispose de cent quatre-ving-douze divisions vermelho da vida que extravasa.”36
d’infanterie – vingt de plus que les Franco-Anglais. Ludendorff De sublinhar que na preservação da memória e
(…) sait que «la lutte sera formidable» (…). À trois reprises, identidade temos Túmulo do Soldado Desconhecido”que é
le 21 mars sur le front de Saint-Quentin, le 9 avril sur le front o nome que recebem os monumentos erigidos pelas nações
de la Lys, le 27 mai sur le front du chemin des Dames, les para honrar os soldados que morreram em tempo de guerra
120
troupes allemandes, bien qu’elles ne possèdent pas de chars sem que os seus corpos tenham sido identificados. Na Sala do
d’assaut, réussissent ces opérations de rupture du front que, Capítulo do Mosteiro da Batalha está o “Túmulo do Soldado
depuis la fin de 1914, les belligérants, en France, avaient Desconhecido”, com chama eterna e guarda de honra
vainement cherché à réaliser. Elles obtiennent de grands permanente.
succès …”4.1
Tinha razão o general Erich Ludendorff, chefe do
Estado Maior do exército alemão, quando dizia que
a luta ia ser formidável: os soldados portugueses
sentiram-na bem na Batalha de La Lys. De toda a
parte chegam sinais de que a luta se intensifica:
“… Ao atravessar os campos as granadas caíam aos
milhares! Alevantavam o chão todo! A terra fervia em cachão!
(…) As aldeias ardiam como archotes alumiando a noite! (…)
Lembrava o Inferno, a terra toda a arder!” 5 2
O texto do historiador francês acima referido dá-nos conta
da fortaleza do exército alemão. Ainda por cima e no momento
da batalha do 9 de Abril de 1918, as tropas portuguesas
estavam enfraquecidas, resultante dos acontecimentos
políticos ocorridos em Portugal em Dezembro de 1917:“Mas,
- coisa inevitável, - os nossos soldados, começam a revoltar-
se. Sim, inevitável. Pois se de Portugal não mandam reforços
e nos esquecem, e os altos comandos, sem a coragem de

4 Pierre Renouvin, L’Armistice de Rethondes, pp. 18-19, Gallimard, Paris, 1968


5 Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra, Vol. I, p. 225, Portugália 6 Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra, Vol. I, pp. 218-221,
Editora, Lisboa, 1969 Portugália Editora, Lisboa, 1969
121

Todavia gostaria de sublinhar a morte de 31 militares Independentemente do que sucedeu a cada um dos
feirenses durante a Primeira Grande Guerra, alguns dos quais soldados portugueses na Grande Guerra, tenham eles sido
sepultados em África e outros o Cemitério Militar Português capturados pelos alemães em 9 de Abril e falecido num campo
de Richebourg l’Avoué, patrocinado pela Comissão Portuguesa de concentração, mortos num raid sob as linhas portuguesas
das Sepulturas de Guerra. Este cemitério português, construído ou perdido a vida por razões de doença, a realidade é que
na comuna francesa de Pas-de-Calais nos anos 30, segundo muitos ficaram enterrados fora de Portugal e os seus corpos,
o projecto do arquitecto Tertuliano Lacerda Marques, reúne por razões diversas, não puderam ser repatriados pelo Serviço
1831 militares mortos na frente europeia durante a 1.ª Guerra de Sepulturas de Guerra no Estrangeiro. Todavia isso não
Mundial. Integra ainda um grande memorial, o Altar da Pátria, significou que não existisse interesse pelo seu paradeiro.
destinado a revalorizar o ideal do patriotismo e a sacralizar a Antes pelo contrário. Richebourg l´Avoué é prova de que,
memória dos que caíram em defesa do país. ainda hoje, estes militares são recordados, como podemos
constatar pelas cerimónias efectuadas todos os anos, nas A construção de toda a estrutura deveu-se principalmente
quais se relembram principalmente os inúmeros caídos a dois homens. Um foi M. Lantoine, o cônsul português
a 9 de Abril de 1918, mas em que se louva igualmente a em Arras. O outro Alberto Lello Portela, oficial que integrou
presença de todos os portugueses neste conflito. a missão de aviação portuguesa na Grande Guerra.
O cemitério de Richebourg l´Avoué não é o único local de Inicialmente estes homens uniram esforços para reagrupar
repouso de militares portugueses. Em outros lugares existem numa mesma estrutura física, os corpos dos expedicionários
talhões em cemitérios militares, as denominadas secções inumados em Brest, Chartres, Etaples, Wimereux,
portuguesas, onde se encontram homens do C.E.P. Contudo, Boulogne, Ambleteuse, Côte d´Opale, entre outros.
Richebourg é um cemitério militar exclusivamente português, O tempo passou e a estrutura simples do cemitério
com 1.831 mortos, dos quais 238 são desconhecidos. Os de Richebourg l´Avoué contêm agora a memória dos
corpos dos homens que hoje encontraram o seu descanso expedicionários que deram a vida pelo conflito mundial no
naquele local vieram de outros cemitérios em França, como o palco europeu. É um cemitério de guerra. E como tal deve
de Touret, Ambleteuse ou Brest. Vierem também de Tournai na ser olhado por todos nós como um memorial ao soldado
Bélgica e alguns da Alemanha, no caso dos prisioneiros falecidos português47.
naquele território. A recolha total e os trabalhos de inumação
7 Margarida Portela, “O cemitério militar português de Richebourg l´Avoué”, A
dos corpos ter-se-á efectuado entre 1924 e 1938. Guerra de 1914 - 1918, www.portugal1914.org

122

Cemitério militar português de Richebourg l´Avoué


Cemitério militar português de Richebourg
l´Avoué – sepultura de Albino Gomes Costa
Silva, soldado natural de Milheirós de Poiares,
do 1º Depósito de Infantaria, Regimento de
Infantaria n.º 6, falecido a 16 de Novembro de
1918. Talhão C, Fila 19, Coval 3

123

Então aqui fica a listagem dos soldados que tombaram pela Pátria em diverentes pontos do globo, naturais de santa Maria da Feira:

Nome Naturalidade Posto Unidade Ramo Teatro de Causa da Data da Local de sepultura
Forças Operações morte morte
Armadas
Manuel Serafim Feira Soldado 3º Grupo de Exército Moçambique Doença 4 de Abril de Moçambique
de Oliveira Metralhadoras 1918
Alfredo José da Romariz Soldado Regimento de Exército Moçambique Disenteria 10 de Janeiro
Fonseca Infantaria n.º 28 de 1918
António de Lobão Soldado Regimento de Exército 12 de Janeiro Disenteria 12 de Janeiro
Oliveira Reimão Infantaria n.º 28 de 1918 de 1918

Augusto Romariz Soldado Regimento de Exército Moçambique Desconhecida 24 de Agosto Cemitério de São Tomé
Infantaria n.º 24 de 1917
Bernardo Lobão Soldado Regimento de Exército Moçambique 1 de Maio de
Pereira de Melo Infantaria n.º 28 1918

Custódio da Paramos Soldado Regimento de Exército Moçambique Disenteria 26 de Março


Silva Infantaria n.º 28 de 1918

Francisco São João de Soldado Regimento de Exército Moçambique Desconhecida 8 de Março de


Ferreira Júnior Ver Infantaria n.º 28 1918
Francisco Lourosa Soldado Regimento de Exército Moçambique Sezonismo 5 de Janeiro
Soares Valente Infantaria n.º 24 pernicioso de 1918
Manuel Travanca Soldado Regimento de Exército Moçambique Disenteria 28 de
Francisco dos Infantaria n.º 29 Fevereiro de
Santos 1918
Adelino Vale Soldado Corpo de Exército França Desconhecida 2 de Julho de Ignora-se
Francisco Artilharia 1918
Botelho Pesada,
Regimento de
Infantaria n.º 6
Serafim Pereira Fornos Soldado Regimento de Exército Disenteria 2 de
Gonçalves Infantaria n.º 28 Dezembro de
1917
António Santa Maria Soldado 6ª Brigada Exército França Desconhecida 9 de Abril de Ignora-se
Fernandes da Feira de Infantaria, 1918
Pereira Bastos Regimento de
Infantaria n.º 31
Adriano Pereira Lobão Soldado Regimento de Exército Moçambique Paludismo e 2 de Junho de
Infantaria n.º 28 disenteria 1918
Augusto Ferreira Nogueira da Soldado Regimento de Exército Moçambique Disenteria e 31 de Janeiro
da Silva Regedoura Infantaria n.º 28 Paludismo de 1918
Manuel Pereira Anta Soldado Regimento de Exército Moçambique Cachexia 8 de Março de No mar
de Sousa Infantaria n.º 24 palustre 1918
124 Domingos Louredo Soldado 4º Depósito Exército França desconhecida 17 de França, Cemitério de
Guedes de Infantaria, Novembro de Richebourg l`Avoué, Talhão C,
Regimento de 1918 Fila 8, Coval 14
Infantaria n.º 32
Adelino Inácio Romariz Soldado 1º Depósito Exército França Combate 12 de Março França, Cemitério de
Ferreira de Infantaria, de 1918 Richebourg l`Avoué, Talhão B,
Regimento de Fila 3, Coval 21
Infantaria n.º 6
Henrique Moselos Soldado 4º Depósito Exército França Desconhecida França, Cemitério de
Cardoso de Infantaria, Richebourg l`Avoué, Talhão D,
Regimento de Fila 8, Coval 5
Infantaria n.º 32

Jorge Pereira Lobão 2º Regimento de Exército Moçambique Desconhecida 12 de Outubro No mar, 8º 36`5`` N, 17º
Gomes Sargento Infantaria n.º 29 de 1918 40`2``W
Manuel Canedo Soldado Regimento de Exército Moçambique Biliosa 7 de Abril de Moçambique, Cemitério de
Fernandes Infantaria n.º 31 1918 Goba, Coval 5
Lopes
Adelino Inácio Romariz Soldado 1º Depósito Exército França Combate 12 de Março França, Cemitério de
Ferreira de Infantaria, de 1918 Richebourg l`Avoué, Talhão B,
Regimento de Fila 3, Coval 21
Infantaria n.º 6
Albino Gomes Milheirós de Soldado 1º Depósito Exército França Desconhecida 16 de França, Cemitério de
Costa Silva Poiares de Infantaria, Novembro de Richebourg l`Avoué, Talhão C,
Regimento de 1918 Fila 19, Coval 3
Infantaria n.º 6
Arnaldo Leite de S. João de Ver Soldado Telegrafia por Exército França Combate 21 de Abril de França, Cemitério de
Sousa Fios, Batalhão 1918 Richebourg l`Avoué, Talhão D,
de Telegrafistas Fila 17, Coval 21
de Campanha
Francisco dos Lourosa Soldado 1º Depósito Exército França Combate 14 de Março França, Cemitério de
Santos de Infantaria, de 1918 Richebourg l`Avoué, Talhão D,
Regimento de Fila 7, Coval 21
Infantaria n.º 6
Camilo Alves de Lourosa Soldado 1º Depósito Exército França Combate 25 de França, Cemitério de
Pinho de Infantaria, Dezembro de Richebourg l`Avoué, Talhão A,
Regimento de 1917 Fila 14, Coval 10
Infantaria n.º 6

Carlos Pereira Argoncilhe Soldado 1º Depósito Exército França Combate 15 de Maio de França, Cemitério de
Alves de Infantaria, 1918 Richebourg l`Avoué, Talhão B,
Regimento de Fila 8, Coval 2
Infantaria n.º 6

Guilherme Alves Canedo Soldado 1º Depósito Exército França Combate 12 de Maio de França, Cemitério de
Ferreira da Silva de Infantaria, 1918 Richebourg l`Avoué, Talhão B,
Regimento de Fila 13, Coval 15
Infantaria n.º 6
Joaquim José Gião Soldado 1º Depósito Exército França Combate 14 de Agosto França, Cemitério de
Batista de Infantaria, de 1917 Richebourg l`Avoué, Talhão A,
Regimento de Fila 6, Coval 26
Infantaria n.º 6

Manuel Ferreira Mosteirô Soldado 1º Depósito Exército França Desconhecida 20 de França, Cemitério de
dos Santos de Infantaria, Novembro de Richebourg l`Avoué, Talhão d,
Regimento de 1917 Fila 15, Coval 5
Infantaria n.º 6

Manuel S. João de Ver Soldado 1º Depósito Exército França Combate 21 de Agosto França, Cemitério de
Francisco de Infantaria, de 1917 Richebourg l`Avoué, Talhão B, 125
Regimento de Fila 1, Coval 20
Infantaria n.º 6

Manuel Gomes Pigeiros 1.º Cabo 1º Depósito Exército França Desconhecida 13 de Março França, Cemitério de
Leite de Infantaria, de 1918 Richebourg l`Avoué, Talhão C,
Regimento de Fila 12, Coval 18
Infantaria n.º 6
Heróis de Santa Maria da Feira na Primeira Grande Conseguindo fugir, andou meses por França e Espanha,
Guerra aparecendo um dia em casa do pai, como um mendigo
Santa Maria da Feira teve Homens brilhantes que se desconhecido.
destacaram na Primeira Grande Guerra, e recorrendo aos Como militar, foi na Grande Guerra, um valoroso e
arquivos dos jornais, em particular nas notícias de falecimento intrépido oficial, cujo mérito foi sempre reconhecido pelos
constatamos os seguintes: seus superiores hierárquicos, tendo-lhe sido concedida a
Cruz de Guerra de 2.ª classe, além das medalhas de Bom
José Santos Carneiro Comportamento, Campanha de França e da Vitória.
Pela sua vontade própria se elevou na sociedade,
formando-se em Direito na Universidade de Coimbra
Foi nomeado comandante do Corpo Activo dos Bombeiros
da Feira a 20 de Novembro de 1925 e como comandante
da benemérita corporação, tudo fazia em prol do seu
engrandecimento e prestígio, conseguindo, graças à sua
boa vontade e pertinácia, um importante subsídio do Estado
de sessenta e quatro contos para ajuda da construção do
projectado quartel e de dois pavilhões anexos para hospital.
Foi Conservador do Registo Civil, e advogado - lugares que
126
exercia com inteligência e dedicação.
Era também um espírito liberal, combatendo os
couceiristas do Norte de Portugal, como voluntário, na coluna
do malogrado general Abel Hipólito.
Foi, finalmente, o fundador e primeiro Presidente da
Delegação da Feira, da Liga dos Combatentes da Grande
Guerra, lugar que desempenhou com destaque e amor, tendo
sido sempre o protector e amigo dos nossos pobres mutilados
e dos órfãos e viúvas daqueles que para sempre tombaram no
Campo da Batalha.
O Dr. José Carneiro, distinguiu-se também pela sua
enérgica actividade na defesa da integridade do nosso
concelho e comarca, combatendo as pretensões injustas dos
Dr. José Santos Carneiro inimigos da Feira.
Foi ainda Director da Policia Judiciária do Porto, cargo que
Nasceu em 12 de Janeiro de 1893 e morreu a 22de ocupou até se tornar Oficial do Registo Civil da Feira.
Fevereiro de 1934, com apenas 41 anos de idade, vítima de Espírito inteligente e empreendedor, nunca se deixou
um carbúnculo numa mão. O facto de ter sido gaseado na dominar por qualquer contratempo, nem olhava a despesas
1.ª Guerra Mundial impediu que medicação da época não ou sacrifícios, quando a Feira carecia dos seus serviços.
conseguisse fazer o devido efeito. Em 11 de Novembro de 1934 do corrente, foi prestada
Depois de fazer parte do Corpo Expedicionário Português, uma Homenagem Concelhia.
em França, como tenente miliciano, e de ter tomado parte na Nesta homenagem o senhor Conde de Fijô, num feliz
célebre batalha de 9 de Abril de 1918 (batalha de La Lys), improviso, disse das qualidades do falecido Dr. Santos
na qual foi feito prisioneiro dos alemães até ao Armistício, Carneiro58.
foi dado como desaparecido, uma vez que não tinha sido
encontrado pela família, muito embora os vários esforços
efectuados nesse sentido. 8 Tradição 17 de Novembro de 1934
Foi uma justa homenagem prestada à memória de um conseguiu em colaboração com outros elementos de valor
grande bairrista, de um novo que, batendo-se em França pela da Feira, que os Poderes Públicos concedessem um avultado
sua pátria, não tombou nos campos de batalha mas sim na subsidio pecuniário destinado a instituições de beneficência
sua terra junto dos seus amigos, como disse sua Ex.ª o senhor e utilidade, como seja - o Quartel-Hospital dos Bombeiros
Conde de Fijô: “Ex.mas Autoridades, Queridos Camaradas Voluntários da Feira.
Combatentes, Minhas Senhoras e meus Senhores. Como militar, foi na Grande Guerra, um valoroso e
A Vila da Feira, essa velha Castelã que se orgulha dos seus intrépido oficial, cujo mérito foi sempre reconhecido pelos
pergaminhos de nobreza, vem hoje, como outrora faziam aos seus superiores hierárquicos, tendo-lhe sido concedida a
Cavaleiros, que se batiam pela sua Dama, render o seu preito Cruz de Guerra de 2.ª classe, além das medalhas de Bom
de homenagem àquele que por Ela se bateu - Homenagem Comportamento, Campanha de França e da Vitória.
despida de grandeza mas cheia do mais carinhoso afecto dos Foi, finalmente, o fundador e primeiro Presidente da
nossos corações. Delegação da Feira, da Liga dos Combatentes da Grande
Dr. José dos Santos Carneiro, homem de uma só fé e de Guerra, lugar que desempenhou com destaque e amor, tendo
um só parecer, dedicou-se sempre, como filho amantíssimo sido sempre o protector e amigo dos nossos pobres mutilados
desta Terra, ao seu progresso e bem-estar. Foi sempre um e dos órfãos e viúvas daqueles que para sempre tombaram no
acérrimo defensor da integridade do seu concelho e comarca; Campo da Batalha.

127

Talhão da Liga dos Combatentes Cemitério Municipal de Santa Maria da Feira


Foi por isso que esta Delegação desejando prestar ao seu uma causa que era a de todos os Feirenses: “o bem-estar do
tao querido como saudoso fundador e primeiro Presidente o torrão amado”.
Ex.m.º Snr. Dr. José dos Santos Carneiro, uma homenagem Não caiu nos Campos de Flandres, aonde com o seu
que ficasse para sempre bem gravada no espírito, dos seus sangue generoso, foi batalhar o bom combate, em defesa da
conterrâneos, pediu ao Snr. Presidente da Junta Autónoma de causa sagrada da Pátria, mas veio cair, ironia pungente, perto
Estradas, que o seu nome fosse dado a esta rua. da família, dos amigos e patrícios, devotados para mais de
perto sentirem a sua falta.
Em resposta, recebemos do Ministério do Comércio e Cruel destino! Obrigado, muito obrigado, a todos sem
Comunicações e da Junta Autónoma de Estradas, os ofícios distinção, por em tão alto apreço terem a memória do querido
que passo a ler: - Oficio N.° 418 - Ex. Mo Snr. Presidente da morto; a todos do fundo da minha alma envio um abraço da
Liga dos Combatentes da Grande Guerra - Sua Ex.ª o Ministro mais devotada gratidão”.
em despacho de 13 de Julho, autorizou que fosse dado o
nome do Dr. José dos Santos Carneiro, ao Ramal da E. N. António Sampaio Maia6
n.º 29-2.ª em satisfação do pedido de V. Ex.ª feito no oficio
n.º 11 de 26 de Junho. - A bem da Nação - Junta Autónoma
de Estradas em 18 de Julho de 1934 - Pelo Presidente -
(António Taveira de Carvalho) - Vice-Presidente. - Oficio N.º
128
395 - Junta Autónoma de Estradas - Ex.m° Snr. Presidente da
Liga dos Combatentes da Grande Guerra - Delegação da Feira
- Tenho a honra de comunicar a V. Ex.ª que Sua Excelência o
Ministro das Obras Públicas e Comunicações, em despacho
de 13/7/1934, autorizou a Liga dos Combatentes da Grande
Guerra, de que V.ª Exª é mui digno Presidente a dar ao Ramal
da E. N. n.º 29-2.ª o nome do Dr. José Santos Carneiro. A
Bem da Nação – Aveiro, 23 de Julho de 1934 – O Engenheiro
Director (Moniz de Freitas)”.
Francisco Nunes Correia, Juiz de Direito da Comarca
não podendo amrcar presença neste evento enviou uma
mensagem sublinhando também as qualidades deste
nosso herói de guerra,”não me é dado assistir a tão grata
homenagem, cumpre-me, no entanto, o dever moral, como
graduado membro da família Santos Carneiro, de agradecer
a V.ª Ex.ª e à Liga que tão dignamente representa, a todas
as colectividades, pessoas amigas e de distinção, que tanto
acarinharam e defenderam esse belo gesto, a todos os
Feirenses, enfim, a justa e merecida homenagem que lhe
António Sampaio Maia, era oriundo da Casa da Torre de
tributam, como eloquente demonstração da sua magnânima
S. João de Ver, sendo sobrinho do 1.º Conde de São João de
afectividade, e que tanto nos envaidece, no meio do infortúnio Ver.
que ultimamente nos tem perseguido. Faleceu em 7 de Novembro de 1966 aos oitenta anos de
Santos Carneiro era um rapaz cheio de boa vontade, com idade, médico cirurgião e proprietário, natural da freguesia de
a alma aberta a todos os empreendimentos que significassem São João de Ver, domiciliado no lugar da Granja.
prosperidade para a sua querida Feira, que ele tanto amava.
A morte veio surpreendê-lo no vigor da sua vida, quando tanto
havia a esperar da sua energia inquebrantável ao serviço de 9 Joaquim António Coelho in Correio da Feira de 12/11/1966
Deixou descendentes seus filhos António e Carlos, o finalidade de, através da sua participação activa no esforço
primeiro casado com dona Maria Teresa Canejo Proença de guerra contra a Alemanha que também ameaçava os seus
Borges do Rego havendo deste casal 2 filhos. territórios ultramarinos, conseguir apoios dos seus aliados
Depois de concluir os preparatórios na cidade do Porto e evitar a perda daqueles territórios. Antonio Sampaio Maia
formou-se na Universidade de Coimbra em Filosofia e exerceu as suas funções no CEP em França entre 1916 e
Medicina. 1918 e aí foi condecorado pelo Governo Francês com a
Foi tenente médico miliciano no Corpo Expedicionário Medalha de Honra das Epidemias como testemunho da
Português (CEP) que foi a principal força militar que Portugal, dedicação excepcional de que deu provas durante diversas
durante a 1ª Guerra Mundial, enviou para França, com a epidemias.

129

Boletim individual de António Sampaio Maia – Arquivo Histórico do Exército


Finda a Guerra passou a exercer clínica cirúrgica nos tendo fundado e dirigido em Viseu o semanário «República»,
Concelhos da feira, Espinho e Ovar. Foi também médico na de 1928 a 1932. Foi colaborador de vários jornais e revistas,
Federação das Caixas de Previdência que acumulou com a tendo sido secretário da revista «Seara Nova», de Lisboa. Foi
direcção clínica do Hospital de Oleiros. autor de vários livros: «Açores, estas Ilhas Desconhecidas»,
António Sampaio Maia a par de médico distinto, muito «Palavras sem Eco» e outros trabalhos inéditos no campo
devotado à sua profissão da qual fazia verdadeiro sacerdócio, económico e social. Por fidelidade aos princípios democráticos,
era uma individualidade dotada da melhor formação moral e foi-lhe fixada residência em diversas terras do país, desde o
intelectual, qualidades que sobejamente demonstraram ao Minho ao Algarve e por fim demitido do exército e deportado
longo da sua vida para Cabo Verde, onde permaneceu no Tarrafal durante dois
A sua acção fez-se sentir também noutros campos, se anos. Regressando a Portugal, fixou residência em Sanfins da
recordarmos que, ele foi um elemento de valia no Orfeon Feira. Faleceu na Quinta das Mestra, naquela freguesia em 25
Académico de Coimbra, fundado por António Joice, cuja de Novembro de 1961.
agremiação acompanhou na memorável viagem ao Brasil.
Foi ainda Presidente da Junta de Freguesia de S. João de Joaquim de Almeida Carvalho Júnior8
Ver. Nasceu em Paços de Brandão em 1882, no lugar da
Santa Maria da Feira a que ele desde novo se afeiçoara, e Aldeia e era filho de Joaquim Almeida Carvalho e de D. Maria
assiduamente frequentava, ficou-lhe devendo alguns serviços Alves da Silva. Foi elemento da Nova Tuna juntamente com
valiosos. Foi ele que em 1911 - graças ao seu persistente seu irmão Edmundo Carvalho e tornou-se o maior violinista
130
esforço, fundou e dirigiu com arte, e em colaboração com de Paços de Brandão. Chegou a compor as suas próprias
Benjamim Gama de Andrade, António Martins, Alberto composições, tendo sido convidado a fazer parte da Orquestra
Coimbra e outros, o famoso e inesquecível Orpheon-Feirense, Sinfónica do Porto, lugar que não aceitou pelo amor que tinha
que tão longe tem levado o nome da Terras de santa Maria. à sua terra e pela sua Tuna. Nos anos 50/60 foi presidente da
A António Sampaio Maia se ficou a dever a criação da de- Junta de Paços de Brandão
legação da prestimosa Liga dos Combatentes da Grande Foi um dos fundadores da «Fábrica Dragão-Dilumit» em Paços
Guerra, na então Vila da Feira, à qual presidiu sempre e deu o de Brandão. «Brandoense profundamente dedicado à sua
melhor da sua dedicação. terra», foi conselheiro municipal da Feira.
Feirense de Verdade, oriundo da antiga e nobre casa Participou como soldado do C.E.P. em França, na 1.ª Grande
da Torre de S. João de Ver, ligado pelo sangue, pelas Guerra. Era casado com D. Umbelina Dias Pinto Leite da
reminiscências e pelo afecto às Terras de Santa Maria, que qual teve os seguintes filhos: Arménio Dias de Carvalho, que
sempre prezou, no convívio social, e na actividade da sua depois foi médico e director do Hospital-Asilo de S. Paio de
profissão, António Sampaio Maia, legou aos contemporâneos Oleiros; Emídio Dias de Carvalho; e Joaquim Dias de Carvalho.
e à posteridade um exemplo de referência moral e de virtudes Faleceu, na sua Quinta de Baixo, em Janeiro de 1966, com
cívicas. 73 anos de idade.
Foi ainda Presidente da Junta de Freguesia de S. João de
Ver. Elísio Coimbra9
Nasceu na Vila da Feira em 1892. Era filho de António
António Correia7 Bernardo Coimbra e de D. Emília de Resende Coimbra.
O capitão António Correia fixou residência, em 1956, na Formou-se na Escola Médico-Cirúrgica do Porto em
Quinta das Mestras na freguesia de Sanfins, propriedade de 1917, onde defendeu a tese «A Diabete Pancreática». Em
seu genro, Engº. Luís Correia de Sá. Foi pioneiro da aviação Paris tirou a especialidade em medicina do estômago, fígado
portuguesa com brevet tirado em Inglaterra, combatente da e intestino. Fixou-se no Porto, foi médico na Federação das
Primeira Grande Guerra em França. Foi também jornalista,
11 Correio da Feira, 29.1.1966. Informação fornecida pelo Sr. Eduardo Rocha,
10 Francisco Neves, Do Alto da Piedade. Edição da LAF – Liga dos Amigos da actual correspondente do «Correio da Feira» em Paços de Brandão.
Feira, 2003 12 Correio da Feira, 8.10.1966 e 19.11.1966
Caixas de Previdência e professor na Escola Industrial Infante colaborado, durante alguns anos, no «Correio da Feira», cujos
D. Henrique. A ele se deve também a existência do Orfeão artigos eram muito apreciados. Era casado com D. Maria
Feirense, que ele fundou em 1911 com Benjamim Gama Pereira Coelho de Oliveira de quem teve 5 filhos. Alípio Jorge
de Andrade, António Martins, Alberto Coimbra e outros, e a da Cruz Oliveira, Maria Teresa Oliveira Sério Ramos, Maria
Delegação da Liga dos Combatentes da Grande Guerra de que Helena de Oliveira, Maria Alice C. Oliveira e Maria José C.
foi primeiro presidente. Faleceu inesperadamente num hotel, Oliveira Barrilaro Ruas. Faleceu na sua casa do Porto em 28
em Paris, no dia 3 de Outubro de 1966, aos 74 anos de idade de Janeiro de 1979.
e no estado de solteiro.
A epopeia do CEP na 1.ª Grande Guerra serviu de base
Alípio José da Cruz Oliveira10 ao argumento para o filme “João Ratão” estreado em 29 de
Era natural de Chaves. Foi combatente na 1.ª Grande Abril de 1940, no “Teatro de São Luiz” e realizado por Jorge
Guerra, tendo feito parte do grupo que constituiu o 1.º assalto Brum do Canto. O argumento era o seguinte: «João Ratão é
das trincheiras alemãs na Flandres, onde ficou gravemente um dos muitos jovens portugueses mobilizados para combater
ferido pela explosão de uma granada. Foi agraciado com várias na I Guerra Mundial, na batalha da Flandres. Para trás, na
condecorações: o grau de Oficial da Torre e Espada, a Cruz sua aldeia do vale do Vouga, João Ratão deixou a sua noiva,
de Guerra e o Oficialato da Ordem Militar da Campanha do Vitória, com quem troca apaixonadas cartas de amor, que
Sul de Angola, da Campanha da França e de Comportamento enlevam todos os seus vizinhos, que para mais o consideram
Exemplar. O capitão Alípio Oliveira desempenhou os cargos um herói. Quando finalmente regressa a casa, é recebido
131
de chefe de Gabinete do ministro da Guerra, Coronel Ribeiro com uma grande festa, apenas perturbada pelas histórias que
de Carvalho, de Comandante do Corpo de Polícia do Porto, chegam de França que ameaçam o seu noivado com Vitória.
de Director da Carreira Militar de Espinho e de Comandante E quando um dia chega à aldeia uma francesa...11»
da Casa de Reclusão do Porto. Foi escritor e jornalista, tendo

13 Correio da Feira, 2.2.1979 14 in blogue: “Os anos de ouro do cinema português”.

Porta-bandeira português na primeira guerra


mundial.

Aguarela de Augusto Pina.

in: Portugal na Guerra, n.º 1, 1 de Junho


de 1917.

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