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Quem canta, seus males espanta!!

Todos nós conhecemos a célebre afirmação do personagem Dom Quixote, da obra de Miguel de
Cervantes, escrita há mais de 400 anos: “Sempre ouvi dizer: quem canta seus males espanta”. E não é
que ele estava certo? Estudos mostram que cantar produz endorfina, a mesma substância gerada
quando realizamos exercícios físicos, fazemos sexo ou comemos chocolate. Além de ter uma potente
ação analgésica, esse hormônio também estimula a sensação de bem estar, autoconfiança, otimismo e
conforto.

Cantar mexe com os músculos e órgãos do corpo, mas sobretudo com a mente. E não é preciso ser
profissional para sentir os efeitos da atividade. Mesmo os desafinados e aqueles que gostam de
cantarolar debaixo do chuveiro podem se beneficiar desse hábito.
quem canta melhora a capacidade pulmonar e o sistema imunológico, fortalece a barriga e alivia o
estresse, publicou o Portal da Educação Física.

O professor Graham Welch, especialista em Educação Musical da Universidade de Londres e


pesquisador, diz que o canto ativa o corpo e a mente.

Cantar é uma atividade física, psicológica, social e musical. Diferentes sistemas modulares no cérebro
são usados para lidar com as características musicais do canto, como o tom, o ritmo e as letras, e
integrá-las.

O sistema nervoso é responsável pelo ato de cantar. Há também um envolvimento emocional com o
som humano, desenvolvido na fase fetal, e um diálogo da pessoa com seu corpo, seu sistema
respiratório e os espaços que oferecerá para essa voz soar.

“Cantar não é só da boca para fora. Todo instrumento tem espaço interno e externo de ressonância,
inclusive o corpo. A voz preenche o corpo, a melodia e a letra que escolhemos”, diz a fonoaudióloga
Mônica Montenegro, professora da USP.

A neurologista Paula Viana Wackermann, que desenvolveu pesquisa pela Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto com cantores líricos, diz que a atividade induz a um estado de prazer.

O nível de cortisol (hormônio do estresse) fica reduzido, não importando se a pessoa é afinada ou
não.

“A sensação de bem-estar é aumentada pelo efeito sociopsicológico de fazer música como parte de
um grupo”, completa Welch.

Quem investe em um canto consciente e respeita seus limites e percepções individuais, associado aos
cuidados relacionados à saúde vocal, além de observar ganhos na voz, poderá amenizar os efeitos do
envelhecimento. É, infelizmente a voz envelhece, pois como todos os músculos do corpo sentem o
passar dos anos, com o músculo das pregas vocais (popularmente conhecida como cordas vocais) não
seria diferente.

E por que não começar agora mesmo? Há espaço para todos aqueles que querem cantar, sejam
amadores ou profissionais. É comum encontrarmos corais em igrejas, faculdades, escolas, empresas e
clubes, que recebem pessoas que, além de terem em comum o fato de cantarem apenas “no chuveiro”,
também estão em busca de integração social e motivação para suas vidas. E acreditem, se a
dificuldade em cantar é a afinação, não se preocupe que tem solução. Portanto, vamos seguir o
conselho de Martinho da Vila:
“Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá!”.