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Universidade Federal De Pernambuco

Departamento De Engenharia Química

Laboratório De Engenharia Química II

Coluna de borbulhamento

Professor: Eliane Medeiros

Aluna: Vaniller Duarte

Turma: QB

Recife, 21 de setembro de 2018


SUMÁRIO
1.INTRODUÇÃO

Existem diversos fenômenos de transferência de massa e calor entre


fases a partir do contato entre elas, esses fenômenos estão presentes em
diversos processos, como a destilação, absorção, umidificação e evaporação.

Devido a grande aplicabilidade dos fenômenos de transporte existem


diversas operações industriais que utilizam de seus princípios, assim tem-se o
processo de borbulhamento, como as oxidações, hidrogenações e clorações.
Estes processos envolvem uma fase continua (meio fluído) e uma dispersa
(gotas ou bolhas). A fase dispersa e a continua apresentam contato direto
durante um determinado tempo, chamado de tempo de residência, onde
acontece a troca térmica/mássica, entre as fases.

A utilização da coluna apresenta um grande grau de liberdade para


diferentes aplicações, se dando assim diferentes regimes de operação. A
mudança no regime hidrodinâmico se dá por mudanças nas formas de interações
entre as fases e o modo de contato, logo está ligado as características físicas e
operacionais da coluna e das fases.

Um dos parâmetros mais importantes é a retenção gasosa, definida como


a percentagem de volume gasoso na mistura, podendo ser determinada por
vários métodos. Esse parâmetro determina os limites da transferência de massa.

Na prática realizada pode-se observar diferentes regimes de escoamento,


desde o regime homogêneo até o regime pulsante, devido a mudança de vazão
do sistema em estudo.

1.1 Objetivos

Os objetivos principais deste relatório são:

- Determinar a potência dissipada na coluna;

- Determinar a retenção gasosa;

- Determinar a dinâmica da sonda (Kp);

- Determinar o coeficiente volumétrico de transferência de massa gás-


líquido (KLa).
2. METODOLOGIA

2.1 Reagentes e equipamentos

- Água; - Coluna;

- Cilindro de O2 e N2; - Computador com software;

- Rotâmetro; - Manômetro em “U”;

- Sonda de oxigênio. - Distribuidor de gás.

2.2 Método experimental

- Inicialmente utilizou-se dois béqueres, um contendo água destilada


saturada com oxigênio e o outro com água destilada com borbulhamento de
nitrogênio, ficando desoxigenada. Afim de fazer o estudo da dinâmica da sonda,
seguiu-se o procedimento de inserção da sonda de oxigênio no béquer contendo
a água desoxigenada, até que se obtivesse um registro de valor mínimo
constante. Em seguida foi retirada a sonda deste meio e inserida em um béquer
contendo a água destilada saturada com oxigênio. Obtendo assim os dados até
a saturação do meio;

- Para determinar o coeficiente volumétrico de transferência de massa foi


utilizada uma sonda de oxigênio calibrada, e a partir disto fez-se o procedimento
de passar uma corrente de nitrogênio para borbulhamento afim de fazer a
desoxigenação do meio. Em seguida substituiu-se a corrente de nitrogênio por
uma de ar, tendo assim uma perturbação de concentração;

- Fez-se também a medida da altura do líquido em repouso, e em seguida


mediu-se as alturas do líquido com diferentes vazões do sistema.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Potência dissipada na coluna de borbulhamento

Para realizar o cálculo da potência dissipada utilizou-se a equação 1, e os


resultados obtidos para cada vazão estudada estão mostradas na Tabela 1.

𝑊 = 𝑃𝐸 𝑄𝐺 (1)

Onde, 𝑃𝐸 é a pressão estática do gás e 𝑄𝐺 é a vazão do gás.

Tabela 1: Potência dissipada

Pressão (Pa) Vazão (m3.s-1) Potência dissipada (W)


1,8.104 5,56.10-5 1
3,0.104 6,67.10-5 2
4,8.104 7,78.10-5 3,73
6,2.104 8,89.10-5 5,51
9,0.104 1,00.10-5 9

Nota-se que ao aumentar a vazão do gás há um aumento na potência


dissipada na coluna. A partir do gráfico da figura 1, percebe-se uma relação
linear entre a energia gasta e a vazão aplicada no sistema.

10
9
8
Potência dissipada (W)

y = 175600x - 9.4089
7
R² = 0.9506
6
5
4
3
2
1
0
0.00E+00 2.00E-05 4.00E-05 6.00E-05 8.00E-05 1.00E-04 1.20E-04
Vazão (m3/s)

Figure 1: Relação entre a potência e a vazão da fase dispersa.


3.2 Retenção gasosa (𝜺𝑮 )

A retenção gasosa é dada pela relação entre a altura do liquido em


repouso e a altura do liquido com dispersão, a relação é dada pela equação 2.

𝐻𝐹 − 𝐻𝐼
𝜀𝐺 = (2)
𝐻𝐹

Sendo o valor da altura do líquido em repouso (𝐻𝐼 ) 82,7 cm. A tabela 2


demonstra os valores de retenção gasosa obtidos.

Tabela 2:Retenção gasosa para as diferentes vazões.

Vazão (m3/s) Hf (cm) 𝜺𝑮


-05
5,56.10 91,7 0,098
-05
6,67.10 93 0,111
7,78.10-05 94,8 0,128
-05
8,89.10 96 0,139
-04
1,00.10 97,5 0,152

A partir da tabela vemos que ao aumentar a vazão temos um aumento


nos valores da retenção gasosa, ou seja, um aumento do gás que fica retido no
líquido.

A relação entre a vazão e retenção gasosa (%) é apresentada no gráfico


da figura 2.

18

16
14 y = 121578x + 3.0814
R² = 0.9962
Retenção gasosa (𝜀 %)

12
10
8
6
4
2
0
0.00E+00 2.00E-05 4.00E-05 6.00E-05 8.00E-05 1.00E-04 1.20E-04
Vazão de gás (m3/s)

Figure 2: Retenção gasosa vs vazão de oxigênio.


Essa relação mostra que ao aumentar a vazão da fase dispersa tem-se o
aumento da transferência de massa, e como já visto vai se ter um aumento da
potência dissipada pelo sistema.

3.3 Dinâmica da sonda de medição de oxigênio (Kp).

Para determinar o Kp da sonda foram feitas três medições que permitiram


obter a concentração de saturação de oxigênio. A partir do balanço de massa
sobre o sistema e das suposições da fase continua ser homogênea e a fase
liquida está saturada, tem-se a equação 3, que ao ser faz com que seja possível
o calculo do Kp pela equação 4.

𝑑𝐶𝑝
= 𝐾𝑝 (𝐶𝑂∗2 − 𝐶𝑝 ) (3)
𝑑𝑡

𝐶𝑝
− ln (1 − ) = 𝐾𝑝 𝑡 (4)
𝐶𝑂∗2

O gráfico plotado a partir da equação 4 pode ser visto na figura 3, e os


coeficientes angulares obtidos são os valores do coeficiente de transferência de
massa, sendo ainda possível fazer o cálculo do tempo de residência, pois este é
o inverso do Kp.

8 y = 0.0686x - 0.4324
7 R² = 0.9933

6 y = 0.0854x - 0.1764
R² = 0.9716
5
- ln (1 - Cp/CO2)

4
y = 0.0527x - 0.0274
3 R² = 0.989

0
0 20 40 60 80 100 120 140
-1
Tempo (s)

Figure 3: Estudo da dinâmica da sonda.

A tabela 3 mostra os valores obtidos para os Kps e para os tempos de


residência nas triplicatas.
Tabela 3: Valores do coeficiente e do tempo de residência.

Tempo de
Triplicata Kps
residência (s)
1 0,0854 11,71
2 0,0686 14,58
3 0,0527 18,98

O tempo de médio de 15,09 representa o tempo que a sonda leva para


fazer a leitura e determinação da concentração de oxigênio o meio. Com este
tempo é possível avaliar que para se fazer analises precisasse de um tempo
superior a este para se ter respostas com valores representativos.

4.4 Determinação do coeficiente volumétrico de transferência de


massa gás/líquido (KLa)

Para determinação do KLa, faz-se balanços de massa na sonda e no nível


da fase líquida. A partir do sistema formado pelo balanço de massa e utilizando
as condições de contorno CO2 = Cp = 0 no tempo t = 0, obtém-se a resolução
descrita pela equação 5.
′ ′ −𝐾𝑝 𝑡
𝐶𝑝 (𝑡) 𝐾𝑝 𝑒 −𝐾𝐿𝑎𝑡 − 𝐾𝐿𝑎 𝑒
∗ = 1 − ( ′ ) (5)
𝐶𝑂2 𝐾𝑝 − 𝐾𝐿𝑎

Para se obter os valores do coeficiente de transferência de massa foram


feitas suposições de valores e os colocando na equação 5, e como os dados do
Cp(t) teóricos foram feitas aproximações entre os gráficos, variando os valores
supostos para KLa’.

Os gráficos podem ser vistos nas figuras 4, 5, 6, 7 e 8.


9
8
7
6
Axis Title

5
4 Experimental

3 Teórico

2
1
0
0 50 100 150 200 250 300
Axis Title

CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS