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Manual de

O Estágio Profissional
ÍNDICE, OBJECTIVOS
E CARACTERIZAÇÃO

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 1


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
ÍNDICE

ÍNDICE, OBJECTIVOS E CARACTERIZAÇÃO ............................... 1


ÍNDICE................................................................................... 2
Índice De Tabelas ................................................................... 4
Objectivos do Manual .............................................................. 5
Caracterização Sumária do Manual ........................................... 6
Enquadramento ...................................................................... 7
Capítulo 1 – Conceitos e Definições .......................................... 8
Objectivos do Módulo:................................................................. 9
Conceitos e Definições ................................................................ 9
Introdução ............................................................................... 10
Desenvolvimento ...................................................................... 10
A diferença entre Estágio e a Formação Prática em Contexto de
Trabalho ............................................................................... 11
O Estágio .............................................................................. 12
Capítulo 2 – O Estágio Profissional na Empresa........................ 14
Objectivos do Módulo:............................................................... 15
O Estágio Profissional na Empresa.............................................. 15
Introdução ............................................................................... 16
Desenvolvimento ...................................................................... 16
Capítulo 3 – Preparação de um Estágio Profissional.................. 36
Objectivos do módulo: .............................................................. 37
A Preparação de um Estágio Profissional..................................... 37
Introdução ............................................................................... 38
Desenvolvimento ...................................................................... 38
A construção do Plano de Estágio ........................................... 41
Capítulo 4 – O Desenvolvimento do Estágio............................. 46
Objectivos do Módulo:............................................................... 47
O Desenvolvimento do Estágio................................................... 47

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 2


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Introdução ............................................................................... 48
Desenvolvimento ...................................................................... 48
A Comunicação Estratégica..................................................... 49
A Participação Multigrupal ...................................................... 50
Modos de Aprendizagem ........................................................ 52
O Processo de Aprendizagem ................................................. 54
Os Facilitadores da Aprendizagem........................................... 56
Capítulo 5 – A Avaliação do Estágio ........................................ 62
Objectivos do módulo: .............................................................. 63
A Avaliação do Estágio .............................................................. 63
Introdução ............................................................................... 64
Desenvolvimento ...................................................................... 64
A Avaliação E A Eficácia Do Estágio Profissional........................ 65
Objectivos Da Avaliação ......................................................... 67
O Que Avaliar........................................................................ 68
Quando Avaliar...................................................................... 69
Como Avaliar......................................................................... 72
VERBOS – Exemplos ................................................................. 78
Estrutura Do Relatório/Plano .................................................. 81
Capítulo 6 – O Fisco e os Estágios .......................................... 83
Objectivos do módulo: .............................................................. 84
O Fisco e os Estágios ................................................................ 84
Introdução ............................................................................... 85
Desenvolvimento ...................................................................... 85
Capítulo 7 – FAQ – Questões Frequentes................................. 88
Capítulo 8 – Bibliografia ......................................................... 93
Bibliografia Recomendada...................................................... 94
Capítulo 9 – ANEXOS............................................................. 95

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Índice De Tabelas

Tabela 1 - Estágio vs. Formação Prática em Contexto de Trabalho:


Diferenças .................................................................................... 13
Tabela 2 - O formador versus Tutor: as diferenças.................................. 20

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Objectivos do Manual

• Identificar os diferentes agentes no processo de estágio


• Indicar os diferentes aspectos na preparação de um estágio
• Permitir uma correcta abordagem ao estagiário na empresa
• Indicar a importância do papel do Orientador
• Definir objectivos e avaliar estágios
• Sintetizar as diferentes etapas de um processo de estágio

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Caracterização Sumária do Manual

O manual de Estágio Profissional pretende ser um apoio a todos os


intervenientes de um processo de estágio. No final deste manual, os
diferentes actores neste processo deverão conseguir analisar,
organizar, desenvolver e avaliar todo o processo que envolve o
estágio.
Procura-se também sensibilizar e mostrar as diferentes vantagens e
obstáculos que um processo de estágio pode ter, isto é,
consciencializar os actores que um estágio profissional, mais que uma
oportunidade para ter um recurso barato, é sobretudo uma
oportunidade da organização poder introduzir “sangue novo” na
organização através de novos conhecimentos e metodologias de
trabalho mais actuais face às necessidades que o mercado de trabalho
exige.
É digamos uma situação de win-win para cada um dos intervenientes:
organização, tutor e estagiário.

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Enquadramento

As organizações desenvolvem-se a partir de um conceito que todos


reconhecem como sendo fulcral mas muitas vezes negligenciado: O
Recurso Humano.

E para as organizações se desenvolverem necessitam de mais e


melhores recursos humanos, que possam levar, através da sua força
de trabalho, a um desenvolvimento. E para recrutar podemos pensar
na entrada através de contrato de trabalho, com ou sem termo, ou
através de estágios. Centremo-nos neste último, uma vez que é o
objecto deste manual.

Falaremos aqui do estágio profissional, isto é, não do estágio curricular


de fim de curso superior ou outro, mas sim o estágio que permite a
um recurso humano desenvolver o seu trabalho integrado numa
organização em que o seu objectivo não é concluir um percurso
escolar.

Este será o objecto deste manual: o estágio profissional!

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Capítulo 1 –
Conceitos e
Definições

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Objectivos do Módulo:

Conceitos e Definições

Os objectivos deste módulo são:

• Identificar os diferentes conceitos associados a um processo de


estágio

• Caracterizar os diferentes conceitos

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CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Introdução

Neste primeiro capítulo, procura-se mostrar alguns dos conceitos


associados ao estágio profissional, e procura-se também mostrar as
diferenças entre o estágio profissional e a formação prática em
contexto de trabalho.

De uma forma simples, procura-se mostrar as principais diferenças


entre cada um dos interveniente neste processos.

Desenvolvimento

Uma empresa tem um relacionamento diferente com os seus


colaboradores no que se refere à relação contratual com os mesmos.

Assim, podemos encontrar numa organização um relacionamento


diferente, pois podemos encontrar colaboradores com contrato de
trabalho, e outros não. Estão vinculados às organizações através de
outro tipo de contratos como sejam os contratos de formação prática
em contexto real de trabalho associados a um plano/curso de
formação e contratos de estágio, como é o caso de estudo deste
manual.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 10


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A diferença entre Estágio e a Formação Prática em
Contexto de Trabalho

Sempre que um indivíduo se encontra numa empresa sem contrato de


trabalho, com termo ou sem termo, há a tendência a considerá-lo
como estagiário, quer pelo próprio, quer pelos colegas de trabalho, ou
até mesmo pela própria organização.

No entanto, nem sempre tal é verdade. Nem todos aqueles que se


encontram numa empresa sem um vínculo laboral são estagiários ao
serviço de uma organização.

Há uma figura que não é considerada num estágio. Tal figura é a


Formação Prática em Contexto Real de Trabalho.

Entende-se por FORMAÇÃO PRÁTICA EM CONTEXTO REAL DE


TRABALHO, a realização pelo formando, de actividades profissionais
enquadradas em itinerários de formação estruturados e sob a
orientação de um TUTOR, inseridas em processos reais de trabalho
junto de pessoas singulares ou colectivas, que desenvolvam uma
actividade de produção de bens ou prestação de serviços. (Decreto-Lei
nº 205/96, de 25 de Outubro).

Entende-se por TUTOR/FORMADOR EM CONTEXTO REAL DE


TRABALHO o profissional que assegura funções pedagógicas, em
relação directa, com um ou mais formandos, jovens ou adultos, em
sistemas de formação inicial ou formação de activos/contínua,
preparando, desenvolvendo e avaliando a actividade formativa
realizada em contexto real de trabalho.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 11


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Assim, teremos que considerar a diferença entre estágio e formação
prática em contexto real de trabalho, no contexto geral das actividades
de uma empresa.

O Estágio

Considera-se Estágio Profissional aquele que visa a inserção de,


normalmente, jovens na vida activa, procurando complementar uma
qualificação pré-existente, isto é, o estagiário já adquiriu todas as
competências, procurando aperfeiçoá-las no posto de trabalho na
companhia do seu orientador.

Ao nível literário, a maior parte dos dicionários definem o estágio como


o período de iniciação prática à profissão. Neste quadro, o estágio em
empresa é o meio privilegiado de encontrar e explorar as experiências
e que envolve sempre o contacto com a prática.

Algumas características que podemos identificar num estágio são:

• Uma duração limitada;

• Uma deslocação do formando fora do meio educativo;

• Adquirir uma experiência de trabalho, pondo em prática os


conhecimentos adquiridos;

• Um período de ensaio e de concretização dos conhecimentos


adquiridos na formação e no meio laboral.

A Formação Prática em Contexto Real de Trabalho

Considera-se Formação Prática em Contexto Real de Trabalho aquela


que visa a inserção de indivíduos na vida activa, procurando
complementar uma qualificação geral pré-existente com uma formação

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 12


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no posto de trabalho, isto é, o tutorado já adquiriu algumas
competências, num âmbito geral, procurando aprender e apreender
novas competências no posto de trabalho na companhia do seu tutor.

Formação Prática
Estágio em Contexto de
Trabalho
Inserida numa formação Não Sim

Designação Estagiário Tutorado

Orientador de Tutor
Estágio

Vínculo Laboral Contrato de Estágio Contrato de Formação


1 Entre 9 e 12 meses Cerca de 3 meses
Duração

Tabela 1 - Estágio versus Formação Prática em Contexto de Trabalho:


Diferenças

Apesar de diferentes, é corrente aplicar-se o conceito de estágio para


ambas as hipóteses, isto é, para uma pessoa externa à empresa e que
está a aprender sistemas e métodos de trabalho.

Mas vejamos os objectivos deste tipo de formação:

Contacto com as terminologias e técnicas que se encontram no


mercado de trabalho;

Oportunidade de aplicação a actividades concretas, no mundo


real de trabalho, das competências adquiridas na formação;

Desenvolvimento de hábitos de trabalho, espírito empreendedor


e sentido de responsabilidade profissional;

Conhecimento da organização empresarial, do sector de


actividade e do mercado de trabalho.

1
Referência:
Estágio - Programa de Estágios Profissionais do IEFP – ver anexo 1
Form. Prát. em Cont.Trab.: Formação no Sistema de Qualificação Profissional do IEFP
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Capítulo 2 – O
Estágio Profissional
na Empresa

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Objectivos do Módulo:

O Estágio Profissional na Empresa

Os objectivos deste módulo são:

• Identificar os diferentes intervenientes no processo de Estágio:


estagiário; orientador de estágio/ tutor/empresa

• Vantagens e desvantagens para cada interveniente

• Situação face ao emprego

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 15


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Introdução

Numa organização podem coexistir diversos tipos de recursos humanos


em relação ao seu vínculo com a empresa. Assim, podemos encontrar
os contratos (a prazo e sem prazo) e aqueles que apesar de não terem
vínculo laboral à organização, estão inseridos na organização,
trabalhando para ela, desenvolvendo processos, enfim, fazendo quase
o mesmo que os colaboradores com vinculo laboral.

Estes colaboradores sem vínculo definitivo, também designados


estagiários, encontram-se numa fase de prática real dos
conhecimentos adquiridos ao longo de uma formação escolar ou
profissional. Assim, todas as competências adquiridas numa formação
ou numa escola devem ser “testadas” em ambiente real de trabalho.

Desenvolvimento

A formação profissional ou escolar são uma base bastante importante


para o processo de desenvolvimento de uma pessoa.

Sabendo da importância para a organização, são cada vez mais as


entidades que assumem e que percebem os benefícios que existem
para as organizações a integração de estagiários na actividade normal
da empresa.2

Do ponto de vista do estagiário, cada vez mais, a entrada no mercado


de trabalho torna-se mais complicado. Um boa opção para se ir
adquirindo alguma experiência que não se adquire nos bancos da
escola ou do centro de formação são o tema deste manual: os estágios
profissionais.

2
Ver em anexo exemplo da Empresa - CEIFA
Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 16
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Mesmo sendo considerado como muito reduzido a duração do estágio,
são um dos elementos mais determinantes ao nível do valor
acrescentado, e uma das experiências essenciais do percurso
formativo de um inerente valor no mercado de trabalho.

Mas este valor acrescentado é múltiplo e diferente segundo


cada um destes actores:

• Para os estagiários:

O facto de poder praticar e testar todos os seus conhecimentos


adquiridos na formação teórica, no fim do percurso de formação,
numa empresa, é uma motivação adicional para os estagiários. As
competências desenvolvidas para se preparar para enfrentar uma
situação de trabalho são, segundo muitos, uma das principais
razões para o aumento da probabilidade de empregabilidade.

• Para as empresas:

O facto de poder ter um colaborador a tempo inteiro a custos


reduzidos é uma grande vantagem que as empresas podem retirar
da formação dada. É certo que a rentabilidade poderá até ser
menor, mas é sempre um valor acrescentado para uma
organização, quer em termos de quantidade, quer em termos de
qualidade porque vê entrar “sangue fresco” na sua organização e
possíveis novos métodos de trabalho e de dinâmicas.

Mas para um estagiário poder desempenhar as suas funções numa


organização deverá estar acompanhado por alguém que possa formar
e supervisionar as suas tarefas. A esse acompanhante designamos por
orientador de estágio.
Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 17
CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
O orientador é a pessoa que, na empresa, tem a seu cargo o
acompanhamento dos estagiários, participando na elaboração do plano
de actividades do(s) estagiário(s) na empresa onde trabalha. É
também ao orientador que compete a avaliação do estágio.

O perfil do orientador desenvolve-se a partir de 4 pontos


fundamentais:

• Da vivência profissional;

• Da sua representação pessoal, da inserção na vida activa e


profissional;

• Dos métodos de trabalho, dos seus projectos profissionais e da


sua representação dos modos de colaboração no trabalho;

• Da cultura da empresa.

Mas convém referir alguns pontos: os orientadores não constituem


propriamente um corpo de especialistas. Por outro lado, a orientação
ou supervisão é vista pelo colaborador convidado como um acrescento
à carga de trabalho normal do dia-a-dia. Além disso, os critérios
segundo os quais eles são escolhidos, nem sempre são muito claros,
nem para eles, nem para os próprios estagiários, isto é, os critérios de
escolha do orientador são omissos, quer para o próprio quer, muitas
vezes, para o próprio processo de estágio.

Para ter alguma eficácia o processo de tutoria, o tutor em empresa


deverá ser escolhido em função do seu perfeito domínio dos
conhecimentos, competências técnicas e relacionais, a fim de se
organizar e para transmitir os seus conhecimentos segundo as
verdadeiras necessidades dos estagiários.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 18


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Mas quais as razões pelas quais um profissional aceite um estagiário
uma vez que as vantagens das matérias quase nunca existem?

Mas ser escolhido como orientador é não só ver a sua competência


profissional reconhecida, mas também uma maneira mais geral de ver
o seu comportamento apreciado, podendo transmitir a sua “escola”,
isto é, conhecimentos e experiências. Mesmo aqueles que são
escolhidos contra a sua vontade, no fim do estágio, declaram-se
prontos a aceitar um novo estagiário.

Mas não são só coisas boas. O facto de aceitar um estagiário é aceitar


a crítica e a interrogação frequente do estágio face a novas
aprendizagens, isto é, o estagiário questiona a maneira de proceder e
isso pode resultar numa situação menos confortável.

Assim, podemos dizer que o simples facto da presença de um


estagiário coloca o orientador entre duas partes: a valorização pela
escolha e oportunidade de transmissão de saberes, e a fragilização
pelas questões colocadas pelo estagiário que interroga sobre os meios,
os procedimentos e os métodos de trabalho.

Muitas vezes considerado um formador interno na própria empresa, o


orientador assume uma posição e uma presença completamente
diferente.
Mas, para melhor percebermos as funções e diferenças entre
orientador e formador, iremos abordar cada um dos agentes de uma
forma separada.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 19


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Começa pela própria formação. Assim,

Formador Orientador

Formação Obrigatório Não obrigatório


Profissional

Certificação SIM - CAP Não

Conhecimento Nem sempre Muito


na Prática

Tabela 2 - O formador versus Tutor: as diferenças

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 20


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O Formador

Embora não seja fácil caracterizar e definir o formador, surgiram


algumas definições das quais se destaca, digamos, a oficial3: “o
formador é o profissional que, na realização de uma acção de
formação, estabelece uma relação pedagógica com os formandos,
favorecendo a aquisição de conhecimentos e competências, bem como
o desenvolvimento de atitudes e formas de comportamento,
adequados ao desempenho profissional”.

Numa versão mais simplificada, poderemos definir a actividade de


formador como um indivíduo que tem como missão fazer chegar uma
determinada mensagem a um conjunto de formandos e que todas a
consigam recepcionar.

Assim, ser formador é aquele que reúne um conjunto de


competências:

• O domínio técnico actualizado relativo à área de formação em


que é especialista;

• O domínio dos métodos e técnicas pedagógicas adequadas ao


tipo e ao nível de formação que desenvolve; e,

• Competência na área da comunicação que proporciona um


ambiente facilitador do processo de ensino/aprendizagem.

Mas para o exercício da actividade de formador é exigido uma


preparação psicossocial, que envolva, por exemplo, a capacidade de
comunicação, relacionamento e adequação do comportamento às
características do público-alvo, de forma a prosseguir a função
cultural, social e económica da formação.

3
Decreto Regulamentar nº 66/94 de 19 de Novembro com as alterações introduzidas pelo Decreto Regulamentar
nº 27/97 de 18 de Junho
Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 21
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É também exigida a frequência, com aproveitamento, do Curso de
Formação Pedagógica Inicial de Formadores, com uma duração
mínima de 90 horas, homologado pelo IEFP4. Com este curso o
formando tem direito ao CAP5 podendo desenvolver a actividade de
formador. No final de 5 anos, o formador terá que frequentar um ou
mais cursos de formação contínua de formadores com a duração
mínima, no somatório dos cursos, de 60 horas, para poder revalidar as
competências e poder continuar a actividade de formador 6.

O Orientador

Enquanto que a actividade de formador surge já bem definida, a


actividade de orientador de estágio e a sua própria definição ainda não
se encontra regulamentada.

Podemos definir o orientador como aquele que é responsável por um


estagiário, ou seja, como o profissional de uma organização que se
concentra na transferência das suas próprias competências para o
aprendiz. Também podemos encontrar orientador como: indivíduo que
no processo formativo desempenha funções de enquadramento,
orientação e acompanhamento, individuais ou de grupo.

De entre as inúmeras tarefas associadas ao orientador, e que vão


desde a chegada do estagiário à empresa até à avaliação final,
poderemos destacar as seguintes:

• Participar na elaboração do itinerário de estágio;

• Dar ordens de trabalho susceptíveis de serem realizadas;


4
IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional
5
CAP – Certificado de Aptidão Profissional
6
O IEFP poderá revalidar as competências dos formadores sem ser necessário a
formação contínua, mas tal terá de ser definido e aprovado, caso a caso.
Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 22
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• Afectar o estagiário a uma equipa de trabalho, facilitando o seu
processo de integração e adaptação à equipa e à organização
em geral;

• Propor tarefas adaptadas com as suas, mostrando como


executá-las, e controlando a qualidade do trabalho realizado
pelo formando;

• Zelar para que se mantenham as condições logísticas para que


o orientado possa desenvolver a sua aprendizagem;

• Difundir e explicar um pouco da história e cultura da profissão e


da organização onde foi inserido;

• Utilizar técnicas de análise de trabalho, com vista à elaboração


de itinerários de formação;

• Aplicar técnicas e Instrumentos de avaliação da aprendizagem;

• Escolher e propor tarefas; e,

• Avaliar o trabalho do estagiário na organização.

As grandes vantagens da existência desta função passam por:

• Uma aprendizagem individualizada;

• Um contacto pessoal;

• Uma identificação e correcção imediata dos erros em situações


de trabalho.

Como grandes desvantagens podemos encontrar:

• A necessidade de enquadramento, formação e motivação sólida


do orientador.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 23


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De seguida apresentamos diversas ilustrações com as competências do
orientador e as suas tarefas.

COMPETÊNCIAS DO ORIENTADOR

TÉCNICAS ORGANIZACIONAIS
CONHECIMENTOS FORMAS DE
HABILIDADES ORGANIZAÇÃO

COMPORTAMENTAIS METODOLÓGICAS
ACTIVIDADES E PROCEDIMENTOS
FORMAS DE COMUNICAÇÃO

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TAREFAS DO ORIENTADOR

IDENTIFICAR
RECURSOS DEFINIR OBJECTIVOS
DIDÁCTICOS DE APRENDIZAGEM

ASSESSORAR NA
COORDENAÇÃO
DO PROGRAMA

DEFINIR MOMENTOS
DE APOIO

NEGOCIAR COM O
FORMANDO E A
EMPRESA A NEGOCIAR UM
INTEGRAÇÃO DA PLANO DE
APRENDIZAGEM TRABALHO
NO TRABALHO

ACORDAR UM
CONTRATO DE
MANTER REGISTOS FORMAÇÃO
PROPORCIONAR
INFORMAÇÃO

IDENTIFICAR
PROBLEMAS,
RESOLVER
PARTICIPANTE DÚVIDAS,
INSTITUIÇÃO /
EXPLICAR
EMPRESA
CONTEÚDOS

AVALIAR
ACTIVIDADES

ASSEGURAR ACOMPANHAMENTO
PADRÕES PRESENCIAL
ACEITÁVEIS E/OU A
DISTÂNCIA

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TAREFAS DE APOIO NAS ETAPAS DO
PROCESSO DE ESTÁGIO

ORIENTADOR- APOIO
TÉCNICO ADMINISTRAÇÃO
PERSONALIZADO

CENTRO DE RECURSOS

REUNIÕES REGISTO DE
PRESENCIAIS PARTICIPANTES
INDIVIDUAIS

DE GRUPO

CONTACTOS A MONITORIZAÇÃO
DISTÂNCIA DO SISTEMA

E-MAIL REDES

FAX CORREIO

ORIENTAÇÃO - ASSESSORIA

DURANTE O NO
PRÉ FINAL DO DEPOIS DO
ESTÁGI
ESTÁGIO ESTÁGIO ESTÁGIO

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 26


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Mas muitas vezes o papel do orientador é confundido como o papel do
formador… mas são tarefas bastante diferentes e com objectivos
bastante distintos também.
Embora ambas as figuras intervenham no processo de crescimento e
desenvolvimento formativo de um colaborador, o seu papel é bastante
diferente.
Se, por um lado, para se ser formador, o mesmo terá que fazer um
curso de formação de formadores, tal exigência não é necessária para
o orientador.
Por outro lado, o próprio local de desenvolvimento da formação difere:
sala para o formador e local de trabalho para o orientador.
Ao mesmo tempo, os objectivos de cada um são também bastante
distintos, pois ao formador cabe a parte de introdução de
competências e ao orientador cabe a sua aplicação em acontecimentos
reais.
Sendo este relacionamento uma questão bastante complexa, iremos
desenvolver este tema na dinâmica Orientador-Estagiário, Objectivos
de Aprendizagem, através de três pontos base:
• Comunicação interpessoal;
• Relacionamento em Grupo;
• Comportamento da organização.

Assim, serão objecto de trabalho: a complexidade e riqueza de cada


uma das personalidades, a dinâmica do comportamento humano, a
comunicação dentro do grupo, e as suas relações de trabalho na
empresa e no meio que a envolve, e ainda o papel do orientador nesta
relação pedagógica que estabelece com o orientado.

Uma relação pedagógica é um espaço pluridimensional onde é


possível, apesar das diferenças nele presentes, transformá-lo num

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 27


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ecossistema de saberes e de afectos que permita o desenvolvimento
integral dos seres humanos.

Por isso, partindo do princípio de que, embora não sendo possível, de


uma só vez, intervir em toda a complexidade institucional, estará
sempre ao alcance da organização o desenvolvimento de um clima que
propicie a construção de um território de segurança e de
desenvolvimento pleno dos diferentes actores envolvidos na relação
pedagógica.

Desta forma, a relação pedagógica deverá permitir criar espaços de


conhecimento e de troca de experiências, sem negar a partilha de
valores e a expressão de afectos e de emoções, tão necessários à
estruturação da identidade e ao reforço da auto-estima.

O desenvolvimento desta comunicação e a sua aplicação à relação


pedagógica permite capitalizar todo um desenvolvimento, não de uma
só pessoa, mas de um conjunto de pessoas em interactividade,
produtoras de um sistema que as define, e que, neste caso, se
considere apenas o orientador e o orientado. Esta comunicação que se
desenvolve entre estes dois actores será tanto mais rica quanto melhor
for o relacionamento entre ambos.

Todavia, para que se desenvolva uma relação pedagógica equilibrada


assente em sistemas relacionais, é necessário que, para além da co-
presença física, ocorram não só processos de informação como
também, e sobretudo, processos de comunicação.

No entanto, é necessário lembrar que grande parte do esforço de


comunicação centrada no sistema de relação orientador-orientado se
centra no orientador. É que, se o estagiário é uma pessoa com a qual
o orientador deve contar, também este não deixa de ser uma pessoa

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 28


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e, neste caso, com um nível de responsabilidade maior no processo
educacional, face ao seu papel e status na estrutura social e
organizacional. Por outro lado, é com o orientador que o estagiário
conta para o ajudar nos diversos problemas que possa ter na
organização, quer sejam de trabalho, quer sejam nas relações com os
restantes elementos da organização. Ao mesmo tempo, o orientador
deverá aperceber-se de eventuais ou futuras dificuldades e arranjar
soluções para ultrapassar estes problemas.

Estas contingências por parte do orientador não podem ser arredadas


da relação pedagógica, nem tão pouco as do estagiário, que
igualmente tem um papel e um status na estrutura social para não
falar já do peso de outras variáveis, culturais, económicas, sociais e
individuais das duas pessoas em acção.

Perspectivar então o orientador e o orientado como sistemas abertos,


é considerar que no processo de comunicação ambos são igualmente
permeáveis e, por isso mesmo, inter-influenciáveis. E é dessa inter-
influência que nasce e se desenvolve a relação interpessoal, a qual
contribuirá, decisivamente, para o desenvolvimento da relação
pedagógica.

Como se poderá depreender, a relação pedagógica acaba por ser uma


construção, cujos orientadores e orientados empreendem, mas na qual
nem todos têm o mesmo grau de responsabilidade, havendo um
conjunto de regras a observar, e sendo necessário seleccionar os
materiais para construir o edifício, num tempo e num espaço pré-
determinados.

Esta metáfora da relação pedagógica como construção conjunta,


assenta num paradigma que vai para além da ideia de que o orientado
é um consumidor passivo de saberes. Não será necessário lembrar que
Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 29
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o estágio poderá, ele sim, ser uma fonte de riqueza extra para a
organização, pois poderá trazer novos métodos e novos sistemas de
trabalho que podem trazer um novo dinamismo à organização. O
orientador de estágio não deve, assim, fechar a sua porta de
conhecimento, mas sim permitir que a transmissão de saberes
também possa ser um recepção de conhecimentos. Ora, se
consideramos como um sistema aberto, então ele é permeável ao
meio que o rodeia: o mesmo é dizer que recebe, mas também
contribui para o todo da relação.

Se o orientador conseguir ser ele próprio, apesar das contingências do


seu desempenho, tornar-se-á facilitador do processo expressivo do
orientado. Uma vez facilitada a relação com o estagiário, este sentirá
condições de tornar-se ele próprio, com o mínimo de
constrangimentos.

Por sua vez, melhorando a relação pedagógica, aumentará não só a


eficiência do desempenho do orientador, como também o sucesso do
estagiário e, por consequência, a satisfação de ambos.

Mas para um bom relacionamento interpessoal não basta abertura de


ambos os actores. É necessário haver uma grande atenção a um
conjunto de outras questões que podem terminar em tensão se não
forem cuidadas.

Uma das questões que normalmente são esquecidas numa relação


são: o saber observar e o saber escutar. Se bem que cada indivíduo, e
na relação que estamos a estudar tal também acontece, tem uma
percepção diferente, original e única de cada um dos acontecimentos
que ambos assistem (as experiências passadas condicionam esta
percepção), todos nós dispomos de capacidades que permitem alterar
as nossas percepções, se as mesmas forem favoráveis para nós.
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Assim, passa a funcionar a nossa capacidade de aprendizagem. Daqui
podemos depreender que o processo de comunicação é, também ele,
a capacidade de se perceber e entender o ponto de vista do outro, de
ouvir, ou de receber o que os outros nos têm para dizer.

Do ponto de vista do processo de relacionamento entre o orientador e


estagiário, torna-se mais importante ainda este aspecto, sobretudo
para o orientador, pois terá que ter em conta que o orientador pode
não conseguir percepcionar à primeira, à segunda, … o que lhe é
transmitido, devendo o orientador estar preparado para estas
dificuldades. No entanto, o estagiário encontra-se bastante aberto a
apreender novos conhecimentos, devendo o orientador aperceber-se
destes dois pontos.

De certo modo todos reconhecem a importância da comunicação numa


relação pedagógica, mas também todos reconhecem a sua dificuldade.
Uma boa forma de ultrapassar estes problemas passa por um método:
assertividade (relacionarmo-nos de forma positiva).
Podemos definir assertividade como um processo de auto-afirmação
construtiva, que se vai aprendendo e mantendo com os restantes no
nosso agir diário. Uma atitude assertiva entre o tutor e o tutorado é
mais um grande passo para um bom relacionamento pessoal entre
ambos.

Mas à medida que esta assertividade se vai desenvolvendo, aumenta


na pessoa a capacidade de se afirmar como um ser único e original,
isto é, adquire maior confiança para fazer opções e maior abertura
face aos outros. Esta abertura permite ao tutorado e ao tutor espaço e
tempo para se afirmarem um ao outro.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 31


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Alguns dos comportamentos menos assertivos que
encontramos no relacionamento entre o orientador e o
orientado são:

• Não olhar nos olhos;

• Dificuldade em estabelecer e iniciar uma comunicação;

• Posicionamento duro, intransigente, rígido e agressivo, e

• Rigidez muscular.

Mas o orientador, embora não consiga alterar a personalidade do seu


orientado, poderá modificar comportamentos. Para tal o orientador
deverá procurar uma valorização da pessoa orientada.
Estas modificações de comportamento podem ser de diversas formas,
dependendo de cada estagiário.

Assim, identificam-se as seguintes:

• Um aumento do comportamento;

• A aquisição de um novo comportamento (mais normal);

• A diminuição de um comportamento exagerado.

Qualquer um dos tipos identificados deve ser aplicado de forma


distinta a cada um dos estagiários, pois cada um deles tem
necessidades próprias e específicas.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 32


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Assim, este processo de mudança pessoal poderá passar pelas
seguintes etapas:

• Definição do comportamento a alterar;

• Definição do comportamento a alcançar;

• Estabelecer objectivos de mudança;

• Prática do comportamento desejado;

• Controlo do comportamento real e implementação de medidas


correctivas, se necessário.

Por sua vez, há ainda a realçar que o orientador estando no papel de


quem transmite a mensagem, é ele que incentiva as pessoas a
adquirirem os conhecimentos.

Além disso, com o conhecer das regras internas da empresa, suas


limitações e virtudes deve procurar:
• Descobrir focos de dificuldades e de tensões;

• Descobrir focos de potencialidades;

• Aperceber-se das causas dos problemas, e procurar, em


conjunto com o orientado, vencer esses obstáculos;

• Facilitar o processo de assimilação / apropriação dos novos


comportamentos;

• Promover a comunicação entre o orientado e a restante equipa


da organização, exponenciando as vantagens do trabalho em
equipa.

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Depois do que foi referido, o estágio profissional exige o
aprofundamento das competências necessárias à mobilização prática
do conhecimento e dos métodos e técnicas de intervenção em
contexto real de trabalho.

Assim teremos como objectivos principais:


• Enriquecer a componente profissional da formação;

• Proporcionar experiência da prática profissional em contexto


organizacional;

• Promover a articulação entre os conhecimentos teóricos e a


realidade social;

• Possibilitar, em contexto de aprendizagem, a reflexão crítica


sobre a realidade social e o desenvolvimento de um projecto de
intervenção em contexto real de trabalho;

• Facilitar a inserção no mercado de trabalho.

Por sua vez, compete:


• Cumprir o Projecto de Estágio de acordo com as normas
regulamentadas;

• Cumprir com assiduidade e pontualidade o horário definido;

• Respeitar o segredo profissional;

• O acompanhamento quotidiano dos Estágios é de


responsabilidade directa do trabalhador social da entidade de
acolhimento.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 34


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Quanto ao processo de estágio profissional podemos dizer que os
objectivos são:
• Promover a inserção de pessoas na vida activa,
complementando uma qualificação anteriormente adquirida,
com uma formação prática em contexto laboral que permita a
aquisição de competências sócio-profissionais;

• Contribuir para facilitar o recrutamento e a integração de


pessoas quadros nas empresas;

• Possibilitar uma maior articulação entre a saída do sistema


educativo/formativo e a inserção no mundo do trabalho.

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Capítulo 3 –
Preparação de um
Estágio Profissional

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 36


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Objectivos do módulo:

A Preparação de um Estágio Profissional

Os objectivos deste módulo são:


• A Formação do tutor/orientador de estágio
• A Duração do Estágio
• Critério base na escolha da entidade
• A definição das tarefas a executar

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 37


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Introdução

O contexto da formação no posto de trabalho é, muitas vezes, visto como


mais um colaborador que a empresa tem ao seu dispor.
No entanto, este processo exige um cuidado muito grande por parte
do orientador ao nível da planificação do estágio, sob pena de, quer o
orientador, quer o estagiário, quer a própria empresa não
aproveitarem a experiência para melhoria de todos.

Desenvolvimento

Uma formação no posto de trabalho deve ser cuidadosamente


preparada tendo em conta os múltiplos factores que estão associados
à mesma.

Desde a preparação dos recursos materiais até à gestão previsível do


tempo, tudo terá que ser objecto de análise por parte do orientador,
de modo a tornar menores as probabilidades de acontecer qualquer
problema, devendo até estarem preparados para qualquer
eventualidade que possa acontecer.
Uma planificação bem definida e trabalhada é um excelente
documento de trabalho, uma vez que é na planificação que a formação
é trabalhada e desenvolvida mentalmente pelo orientador face aos
objectivos do estágio, objectivos pessoais do estagiário e os objectivos
empresariais da empresa onde ele se insere. A título de exemplo, o
orientador deve preparar o material para o seu desenvolvimento bem
como seleccionar os equipamentos métodos e estratégias.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 38


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Para um bom desenvolvimento da planificação devemos ter
em conta um conjunto de questões:

Quem são os orientados? Donde vêm?


Quais são as suas expectativas?
Quais as suas capacidades?
Quais os seus interesses?
O que esperam do estágio, entre
outros aspectos.
Quais as competências que Definição dos objectivos específicos
de acordo com o itinerário
terão que saber no final do
pedagógico.
estágio?
Que saberes os orientados já Qual a utilidade deste
tema/assunto/tarefa no contexto do
dominam?
programa do Curso e no contexto
da actividade profissional dos
orientados?
Qual o percurso de estágio a Que métodos e técnicas vou
utilizar?
adoptar?
A que estratégias devo recorrer?
Quais os processos de
aprendizagem posso desenvolver?
Quais as motivações e Que desmotivações posso vir a
enfrentar, a nível individual, de
expectativas dos orientados?
grupo ou da própria empresa?
Que meios de aprendizagem Que materiais pedagógicos tenho
de seleccionar ou elaborar?
vão ser necessários?
De que outros materiais e
equipamentos necessito?
Que materiais / equipamentos Que materiais e equipamentos
existem na entidade?
existem na empresa?
Se não existem podem arranjar-se?
Que avaliação deverá ser feita? Que técnicas de avaliação vou
privilegiar?
Que instrumentos me parecem mais
coerentes com os objectivos
visados?
Quanto tempo é o estágio? Quantas horas estão disponíveis
para a estágio?
Existem paragens previstas?

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 39


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No entanto, por muito planeado que esteja o estágio, é necessário
haver sempre alguma dose de improvisação. A improvisação é uma
constante necessária do processo de ensino-aprendizagem. Qualquer
orientador deve recorrer à improvisação com a frequência que as
situações concretas e os imprevistos o exigirem, isto é, constatando
que a execução do plano tal como o concebera não está a resultar,
que determinada estratégia não está a revelar-se eficaz, que não tem
tempo para terminar o seu plano, entre outros aspectos, a
reformulação mental do plano são sempre armas que um formador
deve ter preparadas.

Mas para uma melhor planificação podemos recorrer a um plano de


formação como um documento que procura especificar diversos
pontos, a saber:
Os resultados esperados do estágio;

Os meios e as estratégias a utilizar ao longo da sessão;

A forma de controlar os resultados obtidos.

A criação deste documento permite, a qualquer momento da formação


perceber:
Eventuais desvios de conteúdos entre o programado e o real e a
necessidade de correcção destes mesmos desvios;

Se o estágio está a decorrer como planeado temporalmente, ou


seja, permite uma correcta gestão de tempo.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 40


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Do que já foi referido podemos, então, encontrar como vantagens na
elaboração do plano de sessão:
Constituir um documento histórico sobre o que foi transmitido;

Ajudar, em caso de necessidade, um substituto do profissional


de formação;

Servir de base a uma avaliação profissional e do próprio


estágio;

Permite registar mudanças no sentido de melhorar o


desenvolvimento da sessão.

Ao longo do manual tem-se relatado o estágio como um processo que


se realiza no espaço nacional, mas, e numa era cada vez mais global,
e com um conjunto de programas de apoio à troca de estágios no
estrangeiro, há que abordar a preparação do estágio para a
eventualidade do mesmo se desenvolver no estrangeiro. Como
exemplos a considerar são a barreira linguística, o alojamento, bem
como toda a documentação necessária para poder estar e residir,
embora temporalmente, no país de recepção.

A construção do Plano de Estágio

Como já foi referido na planificação, são muitos os aspectos que são


trabalhados no plano de estágio.

De facto, este plano é um momento delicado para o orientador, isto


porque é nesta fase que define o sucesso da sua orientação. É nesta
fase que o orientador define as metodologias, os recursos a utilizar,

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 41


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isto é, decide qual a forma como irá transmitir a informação e como a
irá avaliar.

Assim, e antes de construir o plano, o orientador deverá ter em conta


os seguintes aspectos:
Preparação
o Um plano bem elaborado permite ao orientador preparar
o material necessário antes do início da formação e, no
seu desenvolvimento, lembrar os pontos chave a serem
desenvolvidos.

o Na preparação do plano também deve ter em conta


outros aspectos:
Espaço físico disponível – dos quais se destaca a
disposição da sala e a dimensão da mesma face
ao número de orientados;

Iluminação - podemos destacar as entradas de luz


natural, ou local das lâmpadas; torna-se
importante para o tipo de projecções a fazer;

Equipamentos disponíveis - para um orientador é


necessário saber quais os equipamentos
disponíveis; quais são os que existem e se estão
disponíveis.

Objectivos
o O orientador deverá saber claramente quais os objectivos
específicos associados à sua formação. Só assim poderá
introduzir as competências necessárias e avaliar os
estagiários. De uma forma geral, o orientador deverá

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 42


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saber quais os objectivos gerais do estágio, onde está
inserido bem como os objectivos específicos que irá
ministrar.

Controlo
o Cabe também ao orientador definir mecanismos de
controlo da aquisição das competências e seus
momentos, isto é, o orientador deverá definir momentos,
ao longo do estágio, em que poderá verificar se os
orientados estão de facto a aprender.

o Assim o orientador, ao longo do processo de


desenvolvimento deve prever mecanismos de verificação
dos conhecimentos adquiridos. Mas como pode fazer esta
verificação? Existem algumas formas de fazer este
controlo e de ajuda ao orientado na aquisição dos
conhecimentos, das quais se destacam as seguintes:
Questionar por dúvidas os participantes;

Colocar questões;

Abordar o estagiário e sumariar a aprendizagem


verificada.

Estratégia
o É nesta fase que o orientador define a sua forma de levar
a mensagem aos estagiários; assim, deve seleccionar os
métodos pedagógicos e os diferentes meios de recursos
didácticos que irá utilizar para favorecer a aprendizagem.
Esta fase da estratégia é bastante importante, uma vez
que os estagiários são motivados por boas estratégias.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 43


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o A Selecção dos métodos, técnicas e instrumentos
pedagógicos deve ter em conta:
os diferentes estilos de aprendizagem;

a motivação dos participantes;

em que medida facilitam o cumprimento dos


objectivos;

o contexto da actividade (grupo, meio ambiente,


local, material disponível);

a experiência do profissional do estagiário.

Actividades Didácticas
o Outro dos pontos a inserir no plano são as actividades
que se irão desenvolver, procurando descrever um pouco
do que se trata.

Tempo Previsto
o Depois de tudo definido, surge o momento de definir e
programar a nossa sessão tendo em conta as actividades
e os métodos.

o Por outro lado, cada estágio é um caso único e, por isso,


esta distribuição temporal deve estar definida consoante
o conjunto de factores que afectam uma sessão como
sejam, o grau de conhecimentos dos orientados e os
recursos disponíveis.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 44


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o Ao mesmo tempo, o tempo de preparação de um estágio
depende de vários factores, a saber:
Responsável pela concepção do programa;

Conteúdo a transmitir;

Tipo de materiais, instrumentos e equipamentos a


utilizar.

De uma forma geral podemos organizar um plano de estágio da


seguinte forma:
o Abordagem Inicial:
Resumir o desenrolar;

Apresentar objectivos:
o Ligar os conteúdos com a situação profissional dos
participantes e Motivar o interesse e a atenção.

o Desenvolvimento:
• Aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo da
aprendizagem na sala de aula ou da formação em
sala no projecto de formação em contexto de trabalho

o Actividade(s) Prática(s):
o Pode surgir no início, durante o desenvolvimento, ou
como forma de avaliação;
o Apresentar a actividade;
o Definir o objectivo;
o Dar as instruções;
o Aplicar;
o Trabalhar as conclusões.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 45


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Capítulo 4 – O
Desenvolvimento do
Estágio

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 46


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Objectivos do Módulo:

O Desenvolvimento do Estágio

Os objectivos deste módulo são:


• A recepção do estágio: a comunicação de objectivos; a
comunicação de tarefas; a comunicação da cultura, missão e
demais aspectos da organização
• O controlo do estágio: tipos de controlo

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 47


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Introdução

Neste capítulo abordaremos alguns factores psico-pedagógicos


facilitadores da aprendizagem, tendo em consideração as
características específicas do adulto na sua relação com o processo de
aprendizagem. Sendo certo que os adultos não podem ser
considerados opostos das crianças/jovens na sua relação com o
processo da aprendizagem, eles têm algumas particularidades, fruto
das suas químicas e também do seu percurso de vida que o orientador
deverá ter em atenção.

Desenvolvimento

Uma das definições possíveis de aprendizagem é a que refere a


Aprendizagem como sendo “a aquisição de novos comportamentos, ou
a mudança de comportamentos pré-existentes”.

É, sem dúvida, uma definição correcta no contexto de uma abordagem


sistémica da formação profissional, centrada no elemento formando
como base e condicionante das relações técnicas e pedagógicas
resultantes do contexto formativo.
É a confirmação da fórmula de Kurt Lewin segundo o qual o
comportamento humano é sempre função da personalidade e do meio.
Desta forma, existe sempre a possibilidade de se exercer alguma
influência no comportamento individual através do meio, intervindo no
contexto de forma a aproximar este das condições ideais.
O curioso desta abordagem é a negação de alguns preconceitos
uniformizadores Tayloristas ao centrarmos a aprendizagem do
indivíduo.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 48


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O Saber–Fazer não se pode separar dos restantes saberes nem agir de
forma mecanicista.

Teremos sempre uma sequência do tipo:

• Eu sei

• Eu faço

• Eu faço à minha maneira

A maior parte das vezes, a forma de fazer ou o tipo de comportamento


perante a tarefa tem efeitos de retroalimentação, sendo, em
simultâneo um output e um input que reajusta alterando toda a
sequência.
Este é no fundo a base da abordagem sistémica do saber, do ensino e
da aprendizagem.

A Comunicação Estratégica

Pelo que atrás foi referido, o papel do orientador nesta relação com o
estagiário, é uma relação que o obriga a dominar pressupostos de
índole psicossociológica, pois:

• A aprendizagem implica alterações de comportamento pessoal e


profissional;

• O comportamento do indivíduo é sempre influenciado pelo meio


que o rodeia;

• O saber é sempre condicionado pela percepção global que o


indivíduo tem da situação.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 49


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Podemos concluir que a melhor forma de promover a alteração de
comportamentos será sempre promover alterações no meio: só o
conhecimento da realidade dos estagiários, do seu contexto das suas
motivações e das organizações de que fazem parte é que nos permite
ultrapassar a primeira barreira da formação profissional – a
comunicação entre indivíduos.

Os comportamentos com base individual são comuns nos grupos, tal


como os comportamentos desviados. Nos grupos heterogéneos é
comum um nivelamento pelo topo, isto é, indivíduos que por definição
não ultrapassam a base da pirâmide de Maslow (satisfação das
necessidades básicas), apresentam comportamentos contraditórios
baseados em necessidades de auto-estima e pertença ao grupo,
baralhando por completo as teorias de motivação. Em grupos de
formação é, regra geral, o meio a sobrepor-se e a influenciar a
personalidade.

A Participação Multigrupal

O primeiro passo que o orientador de estágio deverá dar se quiser


comunicar e, até mesmo, fazer parte do grupo, será o de analisar com
rigor e minúcia o “passado” do seu grupo de estagiários nos mais
diversos aspectos, uma vez que estas variáveis estão na origem das
suas posturas actuais face à vida e às coisas.

Os sistemas de incompatibilidade e eventuais desencadeadores de


conflitos no grupo podem ser atenuados, à partida, através do
inventário tanto de pontos em comum entre os participantes, definindo
desta forma uma personalidade base grupal (personalidade modal
grupal).

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 50


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Este momento da aprendizagem (preparação) não tem tanto
significado, e não requer por parte do orientador de estágio ou dos
agentes envolvidos a montante do processo formativo para os grupos
de jovens, uma vez que eles vivem mais intensamente o presente.
Neste sentido, e para conseguir a comunicação que atrás referimos, o
orientador de estágio poderá adoptar para os grupos de adultos, uma
das duas estratégias mais comuns:
• Adoptar uma postura formal em que os conhecimentos que
transmite sejam altamente especializados e confirmados,
servindo, desta forma, como modelo a seguir pelos estagiários –
o modelo da competência e sucesso, ou

• Fazer parte do grupo e, no contexto de uma liderança


democrática, conseguir que o grupo interaja, obtendo desta
forma um elevado grau de auto-estima e coesão.

Nos grupos o orientador deverá, sempre que possível, incentivar uma


coesão por identificação entre os seus membros.
Entre as duas atitudes que propomos há um conjunto de nuances que
são inerentes aos objectivos e metas a atingir, aos métodos utilizados,
à personalidade do orientador, entre outros.
As duas posturas referidas implicam diferentes formas de
aprendizagem. Na primeira a situação é de auto-aprendizagem. O
orientador, tal como um vídeo ou livro, informa os participantes de um
conjunto de saberes, e estes seleccionarão em função dos seus
interesses e motivações os que mais lhes interessam, e integram-
nos no seu aparelho conceptual pré-existente. No segundo caso,
apesar de não excluirmos esta possibilidade, o orientador tenta que
seja o próprio grupo a caminhar no sentido da descoberta dos
conceitos e posturas adequados.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 51


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Modos de Aprendizagem

A forma como o orientador forma o estagiário depende do próprio


estagiário (a sua forma de ser, experiência vivida, competências), do
meio de trabalho e do tipo de trabalho.

De uma forma geral, podemos definir dois tipos de aprendizagem:

• Aprendizagem por Recepção

Neste caso, o estagiário é sujeito passivo da formação


limitando-se a receber as informações que o orientador
transmite. É o modelo tradicional de ensino em que a
comunicação unidireccional obedece ao modelo do método
expositivo. O orientador é o elemento estruturador que
selecciona, desenvolve e aplica os conhecimentos que julga
mais importantes para o grupo de participantes. A actividade
dos estagiários é meramente intelectual e o seu grau de
satisfação bastante diminuto.

Apesar destes elementos negativos inerentes ao método, este


não deve ser colocado de parte, na medida em que os grupos
heterogéneos e altamente competitivos se recusam, regra geral,
a interagir e a expôr os seus pontos de vista.

• Aprendizagem por Acção

Ao contrário do modelo anterior, nesta forma de aprendizagem


o papel do orientador é fundamental. É ele que, através da sua
experiência e da troca de opiniões com os restantes elementos
do grupo, descobre os conceitos e constrói os raciocínios e,
logicamente, retira as conclusões que considera mais
pertinentes.
Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 52
CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Neste caso, o orientador deve dominar os procedimentos
inerentes ao método activo e funcionar como um animador e
moderador. Se levarmos em consideração que todos os
indivíduos têm ritmos de aprendizagem diferentes, e que
mesmo o próprio indivíduo poderá ter oscilações de ritmo ao
longo do processo formativo, concluímos que o grau de
dificuldade para o orientador é bastante mais elevado.

Se no capítulo anterior referimos que o primeiro obstáculo a


ultrapassar seria o da comunicação, o segundo degrau é o da
coerência dos conhecimentos transmitidos.

Para que o processo de aprendizagem seja mobilizado deverão seguir-


se as seguintes fases:

• Codificação da informação de forma a que esta seja perceptível


para o receptor;

• Coerência da mensagem, não do ponto de vista do emissor,


mas do receptor. Devemos ter em linha de conta que a nova
informação é sempre comparada com a pré-existente, e que só
é assimilada quando é compatível e adaptável aos
conhecimentos já arquivados na memória;

• Compreensão prática que o estagiário deve ter da informação


transmitida, ou seja, mais facilmente se aplica a novas situações
aquilo que não só achamos útil, como também se incorpora na
estrutura organizada do raciocínio.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 53


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O Processo de Aprendizagem

Sendo a aprendizagem sobretudo a mobilização de saberes pré-


adquiridos que, em ligação com novas informações, permitem a
projecção no futuro e, desta forma, alterar ou mesmo originar novos
comportamentos, temos que concluir que a principal característica de
aprendizagem é a de ser um processo com múltiplas variáveis.

Assim, a aprendizagem é um processo:

• Global – A aprendizagem é um processo global porque a


sua eficácia implica uma interacção entre os diferentes tipos
de saber. É necessário para que haja aprendizagem que o
formando seja capaz de fazer apelo aos seus
conhecimentos, capacidades e valores e, no contexto da
formação, consiga vivenciar um conjunto de experiências
passíveis de serem transformadas em novos valores e
maiores capacidades.

• Dinâmico – Processo dinâmico, porque a mudança de


comportamento é operacional e observável. Logicamente, só
existe aprendizagem quando os participantes actuam e
interagem. Esta actividade deverá sempre abarcar um
conjunto de domínios diversos e que vão desde a actividade
física até à actividade social. Do somatório destas diversas
actividades é possível obter a adesão completa dos
participantes aos objectivos e às metas da formação em que
estão envolvidos.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 54


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• Contínuo – O processo de aprendizagem é contínuo porque
esta é uma das características do ser humano e da
construção da sua personalidade. Desta forma, a
transmissão dos conhecimentos e a sua consequente
apreensão implica a satisfação de necessidades do indivíduo
receptor. Estas necessidades podem ser físicas, biológicas,
psicológicas ou sociais, e a sua satisfação implica sempre um
processo evolutivo.

• Pessoal – A aprendizagem implica sempre a adesão


voluntária dos participantes. Só quando o formador tem
consciência da individualidade de cada um dos formandos,
das suas diferenças e das suas necessidades é que pode
mobilizar o conjunto das diversas capacidades do grupo para
uma real actividade e partilha.

• Gradativo – A aprendizagem deverá ser um processo que


caminhe no sentido da complexidade de saberes, habilidades
e comportamentos. De qualquer forma, este percurso deve
ser gradual para não corrermos o risco de desmotivar os
participantes e provocar a sua desistência. Assim, os temas
a abordar deverão ser inicialmente simples e ir aumentando
lentamente de dificuldade.

• Cumulativo – A aprendizagem é cumulativa porque os


saberes e as actividades se associam no sentido da aquisição
de novos comportamentos. Segundo um exemplo já
conhecido, o aparelho conceptual dos indivíduos é
construído como um puzzle em que cada elemento novo
deverá encaixar nos precedentes criando novas
possibilidades de combinação futura.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 55


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Os Facilitadores da Aprendizagem

1. Motivação
Não nos interessa, neste momento, os factores individuais de
motivação inerentes aos gostos, necessidades e aspirações de cada
um dos estagiários. Interessa-nos, isso sim, os factores de motivação
comuns a todos os indivíduos, pois são estes que permitem a estreita
ligação entre o orientador e os estagiários. Desta forma, podemos
sempre concluir que o orientador poderá sempre motivar um
estagiário, ou um grupo de estagiários, no sentido de o fazer agir para
alcançar resultados.

As motivações mais comuns são:


• Curiosidade;

• Sucesso pessoal;

• Desenvolvimento;

• Realização;

• Competição;

• Presença no grupo;

• Utilidade;

• Percepção das finalidades;

• Acessibilidade.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 56


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Sabendo que todos estes factores são comuns a todos os indivíduos
em termos de motivação, o orientador poderá mais facilmente
relacionar-se com os estagiários e passar a sua mensagem.

2. Actividade
Na abordagem feita às formas de aprendizagem concluímos que a
interligação entre a recepção e a acção seria a forma mais eficaz de
compreensão, adesão e utilização de novos conhecimentos.
Logicamente, somos obrigados a concluir que a actividade por parte
dos estagiários seja explorar uma situação, recolher informações,
efectuar exercícios, ou estruturar conhecimentos aplicados a novas
situações, é sempre uma das variáveis fundamentais no sucesso da
formação. Desta forma, o orientador tem que estar preparado para
além de ser um detentor de conhecimentos, ajudar, controlar, facilitar,
animar e sintetizar os trabalhos individuais e em grupo dos estagiários.

3. Conhecimento dos objectivos


Este factor é bastante mais importante nos grupos de adultos do que
nos grupos de jovens. Na realidade os jovens, pelo facto de serem
mais impulsivos e de não terem tantos planos objectivos a longo
prazo, estão mais disponíveis para irem descobrindo os conhecimentos
de forma mais ou menos aleatória. Por sua vez, os adultos sentem
necessidade de saber com precisão e clareza quais os objectivos que o
orientador se propõe atingir. Neste sentido, é aconselhável a tradução
dos objectivos gerais em objectivos operacionais, isto é, em
comportamentos esperados. Ao comunicarmos os objectivos estamos
simultaneamente a revelar eventuais formas de avaliação e controlo.
Ao definirmos e comunicarmos os objectivos da formação estamos a
aumentar a possibilidade de sucesso dos estagiários.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 57


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4. Conhecimento dos resultados
Apesar de normalmente os avaliados terem o conhecimento concreto
dos objectivos da formação, por vezes têm dificuldade em medir a sua
progressão. Na maioria destes casos não estamos perante uma menor
capacidade de auto-análise, mas sim numa situação de angústia em
que o estagiário questiona a validade da sua análise face à opinião do
orientador. Sempre que tal acontece, o orientador deverá informar, de
forma rigorosa, os resultados/objectivos que os seus orientados
conseguirem/obtiverem. Desta forma, permitimos a compreensão por
parte dos orientados, não só do que eles aprenderam, mas também da
forma como o fizeram.

5. Reforço
Independentemente das teorias psicológicas do reforço, abordaremos
sinteticamente esta variável no contexto de formação e da relação
orientador/estagiário.

Neste sentido, consideramos três tipos de reforço bem como as suas


influências no comportamento dos estagiários:
• Reforço Positivo;

• Reforço Negativo;

• Reforço Ausente.

Consideramos Reforço as atitudes de aprovação, reprovação ou


indiferença que o orientador adopta face aos comportamentos dos
seus estagiários, e que tem como objectivo a continuidade ou
abandono de comportamentos destes últimos. Com grupos de adultos,
o reforço positivo é o único que aumenta a coesão interna do grupo. O
reforço negativo, pelo seu carácter de punição, implica sempre uma

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 58


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reacção afectiva negativa por parte dos estagiários. Esta reacção por
ser duradoura e pode provocar instabilidade no seio do grupo. Deve
ser sempre dado de forma positiva, isto é, realçando, por muito ténues
que sejam, os pontos positivos do orientado. A ausência do reforço,
por seu lado, é a forma menos aconselhável, do ponto de vista do
orientador, de reagir aos comportamentos dos estagiários, na medida
em que o sentimento provocado pelo abandono é sempre negativo e
pode levar a comportamentos desviados por parte dos estagiários.

6. Domínio dos pré-requisitos


Os pré-requisitos são as capacidades ou os conhecimentos prévios,
indispensáveis aos exercícios e actividades supostas para uma dada
aprendizagem. Para que haja eficácia, o orientador deverá verificar se
os seus estagiários dominam os pré-requisitos necessários para a
continuidade da aprendizagem.

7. Estruturação
Estruturar um tema de formação implica ordenar sequencialmente o
tema a abordar. Quer relativamente ao programa, quer relativamente
à sua coerência interna e, ainda, à ligação posterior que a
aprendizagem terá como vivência profissional dos estagiários.

8. Progressividade
A aprendizagem deve ser feita de forma estruturada, mas a sua
estrutura deve ser progressiva. Isto é, a matéria deve ser apresentada
numa sequência crescente relativamente à:

• Dificuldade;

• Quantidade;

• Estruturação;
Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 59
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• Actividade;

• Expectativa.

O orientador deve, assim, apresentar o tema em quantidades


inicialmente pequenas e de reduzida dificuldade. Deverá também
apresentar estruturas lógicas simples no início bem como dosear a
quantidade de exercícios a realizar.

9. Redundância
A repetição de um conceito ou de um comportamento facilita a sua
memorização e reprodução, diminuindo desta forma o tempo de
execução. A redundância para ser eficaz deve ser realizada sob formas
diferentes, ou em contextos novos, como forma de tornar mais familiar
o aprendido, enriquecer os significados e facilitar a transferência para
novas situações.

Desta forma, e por tudo o que foi enunciado, podemos concluir que
existe indubitavelmente uma diferença comportamental que distingue
os grupos de adultos dos grupos de jovens. Concluímos de igual forma
que, essa diferença, não permite a generalização, uma vez que os
procedimentos do orientador não são interpretados de igual forma por
todos os grupos. O ideal será fazer uma ligação entre o tipo de
aprendizagem, por acção e por recepção.

Assim, o orientador obterá melhores resultados se:


• Fizer um estudo prévio do grupo;

• Enunciar um conjunto de definições e conceitos que permitem


nivelar o grupo;

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 60


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• Dar a possibilidade ao grupo de se debruçar sobre os conceitos
transmitidos e descobrir as suas articulações internas;

• Sintetizar as descobertas do grupo de forma a que essas


ganhem a consistência de um corpo teórico estruturado;

• Permitir que as suas descobertas sejam aplicadas/transferidas


para outras situações.

Por outro lado, a articulação entre os modos de aprendizagem tem


como principais vantagens:

• Criar uma forte coesão no grupo, satisfazendo as necessidades


de reconhecimento, pertença e auto-estima dos estagiários;

• Ultrapassar as barreiras da descodificação e da compreensão,


uma vez que a linguagem e o raciocínio são organizados e
geridos pelo grupo;

• Atingir maior eficácia, na medida em que os conhecimentos são


legitimados pelos próprios estagiários.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 61


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Capítulo 5 – A
Avaliação do
Estágio

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 62


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Objectivos do módulo:

A Avaliação do Estágio

Os objectivos deste módulo são:


• Formas de Avaliação
• Comunicação dos Resultados

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 63


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Introdução

A avaliação é um daqueles temas que é muito difícil de trabalhar. Por


um lado, os colaboradores sentem-se injustiçados com a avaliação
dada, ou porque os objectivos foram demasiado ambiciosos, ou porque
os mesmos foram mal definido. Por outro, os que as fazem têm
dificuldade em as definir e também em avaliar os seus colaboradores.

Neste módulo pretende-se, por um lado, desmistificar a avaliação e,


por outro, criar técnicas que permitam ultrapassar estes problemas,
através da construção de objectivos operacionais, da definição de
momentos de avaliação e da correcção de objectivos.
A avaliação deve ser pensada numa óptica de desenvolvimento e da
ajuda em detrimento da negatividade que lhe é dada hoje em dia.

Desenvolvimento

A avaliação é uma atitude indispensável na recolha de informações a


serem exploradas (tratadas), com vista a serem tomadas as mais
diversas decisões. Estas decisões não se cingem apenas a controlar os
resultados obtidos na aprendizagem, mas devem ter um carácter mais
abrangente e incluir também todos os agentes e órgãos intervenientes
no sistema, pois a eficácia de qualquer processo de estágio se
subordina ao controlo do seu desenvolvimento e à avaliação dos seus
resultados.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 64


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A Avaliação E A Eficácia Do Estágio Profissional

Ao nível da avaliação e da eficácia do Estágio Profissional podemos


distinguir diversas formas de avaliação: para as pessoas, para os
grupos e para as instituições.

Para as Pessoas

Ao considerar-se uma avaliação, há que ter em conta as possíveis


consequências que esta pode representar para as pessoas avaliadas. A
avaliação cria uma situação em que as pessoas se expõem perante os
outros, podendo isto provocar-lhe alguma ansiedade, inquietação,
receio, por pensar-se que pode estar em jogo uma diminuição de
crédito. No sentido de obviar estas dificuldades, os estagiários devem
ser implicados na sua própria avaliação, o mais possível, fazendo com
que esta funcione como um estímulo e não como uma sanção. O
estagiário deve também ser preparado para auto-avaliar-se,
comprovando ele próprio os seus progressos, tentando descobrir o seu
próprio caminho na busca de soluções, e colaborar com o orientador
na correcção de possíveis lacunas. Os resultados deverão ser
interpretados à luz de critérios conhecidos e aceites pelos formandos e
serem imediatamente acessíveis a eles.

A avaliação deverá preocupar-se com as expectativas dos estagiários,


procurando encontrar respostas para elas, e assim contribuir para a
eficácia da formação.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 65


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Para os Grupos

Num grupo deve procurar-se obter uma conjugação de esforços para


melhor alcançar um objectivo que é comum.

O comportamento do grupo deverá pautar-se pela tolerância e


compreensão na busca de consensos possíveis, e no respeito pela
individualidade dos seus membros. Sendo na diversidade de aptidões e
comportamentos que o grupo encontrará a sua dinâmica, é a
cooperação que conduzirá a resultados positivos.

A avaliação bem conduzida poderá e deverá ter um papel fundamental


no relacionamento do grupo se for orientada por princípios de justiça e
objectividade que possam ser aceites e assumidos por todos,
contribuindo desta forma para a criação de um clima de confiança e
entreajuda do qual beneficiará a eficácia da formação.

Para as instituições

Enquanto organizações definidoras e executoras das políticas de


formação e no cumprimento dos objectivos pré-determinados, deverão
criar, implementar e assumir um sistema de avaliação em que elas
próprias estejam incluídas como objecto dessa avaliação. Deverão criar
mecanismos que permitam a escolha e exploração objectiva dos
resultados da formação, introduzir as necessárias reformulações, quer
no que respeita aos programas, métodos, técnicas, meios e estruturas
e/ou a introdução de novos elementos de apoio que garantam a
eficácia da formação.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 66


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Objectivos Da Avaliação

A Avaliação, processo que visa a obtenção e tratamento de dados,


pondo em evidência as competências adquiridas pelos estagiários, tem
como principais objectivos:

1. Seleccionar os candidatos (mais aptos) para seguirem um


programa.

2. Testar os conhecimentos e competências necessárias para


abordar o estágio com sucesso.

3. Situar os estagiários no nível que lhes convém em função do


desempenho demonstrado.

4. Controlar as aquisições dos estagiários nos vários níveis do


saber.

5. Informar o estagiário dos seus progressos.

6. Classificar os estagiários, situando-os relativamente aos colegas.

7. Orientar, aconselhar ou corrigir os estagiários, durante o


estágio.

8. Controlar no final do estágio se as competências adquiridas


pelos estagiários correspondem ao perfil desejado.

9. Avaliar os objectivos da formação.

10. Diagnosticar os pontos fortes e fracos do estágio, através dos


resultados obtidos.

11. Recolher e processar dados com vista à melhoria do processo


de estágio.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 67


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O Que Avaliar

Podemos considerar que os diversos componentes que intervêm numa


determinado estágio constituem, por assim dizer o seu próprio
sistema. A avaliação deverá, pois, incidir não apenas sobre as
aquisições dos estagiários relativamente aos objectivos, mas abranger
todos os componentes do sistema, ou seja:

• O programa enquanto conteúdo de ensino-aprendizagem (os


fins e objectivos).

• A metodologia seguida, quer dizer, o modo de funcionamento


do sistema. O que se faz e como se faz para atingir os
objectivos.

• Os orientadores, no que respeita à forma como aplicam os


métodos e as técnicas e o uso que fazem dos equipamentos
postos à sua disposição.

• A instituição e a estrutura do estágio, para avaliar da sua


flexibilidade na procura e adaptação de respostas às
dificuldades surgidas.

• Os resultados, num sentido amplo, isto é, devem ser avaliados


não só os resultados esperados do estágio, mas também
aqueles que não foram previstos.

• A própria avaliação, como parte integrante e importante do


processo, no sentido de sabermos se o tipo de avaliação
usado, os meios e os instrumentos, se adequam à sua função.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 68


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Quando Avaliar

A realização de um plano de estágio implica uma organização cuidada,


na medida em que ele acontece sempre na sequência de um
levantamento de necessidades concretas de criação de competências
específicas em um dado grupo profissional.

Neste sentido, torna-se facilmente compreensível que o acto de


conceber um plano de estágio deve obedecer a critérios objectivos,
deverá também ser claro que o acompanhamento e a avaliação do
processo não deve ser descurado, como forma de garantir quer o
ajuste do processo às necessidades, quer a introdução de alterações
ao plano inicial por força de imponderáveis que tantas vezes surgem
na materialização do plano.

A avaliação como processo sistemático, contínuo e integral, deverá


verificar-se:
Antes do Estágio – Perfil de Entrada

Durante – Processo/Desenvolvimento

Depois do Estágio – Perfil de Saída

1. Avaliação antes

Esta etapa consiste na análise das condições iniciais. Antes de se


iniciar o estágio é necessário conhecer as condições de admissão,
o meio onde irá decorrer o estágio, os resultados que se esperam
obter com a realização do estágio, etc. Em função dos resultados
que se esperam obter com o estágio, que dependem como já

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 69


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sabemos, dos objectivos e das necessidades da
empresa/instituição, teremos que analisar o(s) posto(s) de
trabalho ou a profissão que nos vai servir de modelo, isto é,
aquele cujo desempenho satisfaz o perfil final que pretendemos
obter. Esta “avaliação antes”, pretende ponderar da harmonia ou
não do processo formativo que se vai iniciar com vista a
determinar o êxito do mesmo.

2. Avaliação durante

Durante a fase de materialização do processo de estágio, torna-


se importante que os coordenadores do estágio, façam o
acompanhamento e a avaliação, como forma de ser corrigido
qualquer desvio ao projecto inicial. Esta acompanhamento e
avaliação durante, pode ser feito de duas maneiras:

• Criação de espaços onde orientador/coordenador/estagiários,


debatem a forma como o processo está a decorrer, facilitando o
concurso de opiniões/projectos de melhoria. Esta estratégia de
acompanhamento/avaliação, permite testar as variáveis que
devem manter-se no processo formativo, bem como aquelas
que devem ser alteradas ou substituídas por outras.

• Preenchimento pelos estagiários de fichas de avaliação


intermédia nas quais eles assumem verdadeiramente o papel de
parceiros privilegiados no processo formativo e lhes é pedido
que sugiram estratégias de melhoria quer nas condições de
realização, conteúdos programáticos, etc., bem como da
eficácia dos orientadores intervenientes. É comum solicitar
também aos orientadores ao longo do processo, este mesmo
tipo de informações relativamente às condições de realização da
acção e outras variáveis do processo de estágio.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 70


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3. Avaliação depois

Após qualquer processo de estágio e independentemente da sua


duração ter sido curta ou longa é fundamental que seja feita uma
avaliação da forma como decorreu a acção e se em termos dos
objectivos propostos eles foram ou não cumpridos. É desta
análise à posteriori que normalmente decorre o estabelecimento
de um plano de melhorias para acções futuras. Nesta fase de
acompanhamento e avaliação têm que ser congregadas todas as
opiniões que chegaram quer sob a forma escrita e formal (que
decorreram quer das avaliações intermédias, quer finais), quer de
uma forma oral e recolhidas mais informalmente dos estagiários e
orientadores ao longo e no final do processo de estágio.

Para analisar a eficácia de um plano de estágio é preciso verificar, se


os resultados esperados foram ou não atingidos. Para esse efeito é
necessário o seguinte:

• Especificar de forma precisa os níveis de desempenho a


atingir/competências a adquirir;

• Definir os meios e as técnicas para os avaliar;

• Conceber instrumentos de avaliação;

• Prever a forma de explorar os resultados obtidos;

• Prever o que fazer com os estagiários que não atingem de


forma satisfatória o domínio dos objectivos.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 71


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Tendo em conta que a principal finalidade da avaliação é apreciar em
que grau os objectivos foram atingidos, torna-se de capital importância
ponderar em vários momentos do processo de estágio de que forma o
“plano” está a ser cumprido, ou quais os desvios verificados, as suas
razões e que elementos correctivos devemos introduzir.

Como Avaliar

Uma avaliação num processo de estágio parece um processo simples


de realizar. No entanto, uma má definição do que se pretende no final
do estágio invalida todo o processo. A definição de objectivos constitui
uma peça fundamental que condiciona todas as outras pelo que deve
ser tratado de uma forma cuidada.

Para poderem ser utilizados, os objectivos devem ser definidos de uma


forma correcta e bastante rigorosa, obedecendo a diversas regras e
conceitos.

Mas o que são Objectivos Pedagógicos ?

Enunciado claro e explícito dos resultados que se esperam alcançar


com determinado programa.

Sendo de tal importância no processo de estágio, os objectivos têm


como principais funções:

• Clarificação
Através desta função, os objectivos eliminam toda e
qualquer ambiguidade em termos de conteúdos ou aquisição
de conhecimentos; também permite uma maior orientação e
um maior rigor, ou seja, clarificação das intenções e
procedimentos.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 72


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• Comunicação
A definição dos objectivos permite que todos os
intervenientes no estágio profissional possam ter a mesma
ideia do que se espera, ou seja, a comunicação e
entendimento entre os vários intervenientes.

• Orientação (Orientador e Estagiário)


Permitem ao orientador uma linha directriz para o
planeamento do estágio, condução e avaliação das sessões,
sendo um ponto de referência para a preparação e
desenvolvimento do plano de formação. Por outro lado,
permite ao estagiário direccionar os seus esforços para o
que é realmente importante distinguindo o essencial do
acessório.
Assim, é um processo de orientação para o orientador
porque orienta, direcciona e objectiva a acção e para os
estagiários, facilita a sua aprendizagem e promove a sua
motivação.

• Objectividade da Avaliação
Um estágio definido com objectivos operacionais permite
eliminar a subjectividade associada ao processo de
avaliação, uma vez que são utilizados comportamentos
observáveis através de critérios precisos. Assim, os
objectivos minimizam os erros e desvios que resultam da
subjectividade no processo de avaliação.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 73


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Mas para poder usufruir destas funções é necessários definir 3 níveis
na definição de objectivos que depende do nível de generalidade dos
propósitos ou intenções do estágio, a saber:
o Finalidades – constituem os grandes objectivos do estágio
expressando intenções muito gerais fornecendo uma linha
directriz para a globalidade.

o Objectivos Gerais – expressam os resultados esperados no


termo da acção situando-se ao nível da realização das acções,
podendo já ser definidos sob a forma operacionais.

o Objectivos Específicos – expressam os comportamentos


esperados no termo de um processo de estágio, isto é, o que
realmente o estagiário deverá ter adquirido sob a forma de
competências e são definidos sob a forma de objectivos
operacionais.

Mas o que é um Objectivo Operacional?


Um objectivo operacional é um objectivo sem qualquer
ambiguidade que inclui uma competência a adquirir e
enuncia um comportamento directamente observável.

E um Verbo Operacional?
Descreve o comportamento / desempenho observável
que deverá ser produzido pelo Formando.

Estes objectivos operacionais integram assim, os componentes


fundamentais dos objectivos:

Comportamento Esperado:
Actividades a realizar que demonstra a aquisição da
competência esperada; Para ser bem formulada deve

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 74


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comportar três elementos: quem pratica a acção
(sujeito); qual a acção praticada (verbo operatório); e,
qual o resultado da acção (produto).
Assim, descrever com precisão a actividade que o
estagiário deverá realizar no final da acção de
formação comprovada através de comportamento
observável e mensurável.

Condições de Realização:
Circunstâncias de realização da acção que
compreende por exemplo, o local, os equipamentos a
utilizar, os materiais ou condições especiais
Desta forma, define as circunstâncias em que o
comportamento esperado do estagiário deve ser
realizado.

Critérios de Êxito:
Exigências de qualidade ou quantidade de realização
(tempo máximo; precisão;…), ou seja, indicam os
níveis de qualidade ou quantidade que o estagiário
deverá ter para ser considerado e garantir que o
objectivo foi realmente alcançado.

Mas quando definimos objectivos teremos que ter em conta os


diferentes domínios em que os objectivos devem ser formulados.
Assim, podemos encontrar três domínios, a saber:

o Domínio Cognitivo: envolve conhecimentos e aptidões


intelectuais sendo o domínio do conhecimento e do
pensamento.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 75


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o Domínio Afectivo: envolve interesses, atitudes, valores, … sendo
o domínio dos sentimentos e das emoções.

o Domínio Psicomotor: envolve as actividades motoras sendo o


domínio da acção.

De seguida apresenta-se um conjunto de objectivos que podem ser


utilizados na correcta definição dos objectivos.

Estão divididos pelos três domínios e por grandes áreas. Por fim, em
cada grande área estão um conjunto de objectivos que poderão ser
utilizados (a sublinhado os objectivos gerais e não sublinhado os
verbos operatórios ou seja, para os objectivos específicos).

Categorias no Domínio Cognitivo


1. Conhecimento: memória de material previamente aprendido;
2. Memória: capacidade de atingir o significado do material;
3. Aplicação: capacidade para usar o aprendido em situações novas e
concretas;
4. Análise: capacidade de subdividir o material nos seus componentes, de
forma a perceber a sua estrutura;
5. Síntese: capacidade de juntar as partes de modo a constituir um novo
todo;
6. Avaliação: capacidade de julgar o valor do material face a um
determinado propósito.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 76


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Categorias no Domínio Afectivo
1. Acolhimento: refere-se ao interesse do Formando em ter acesso a
determinados fenómenos ou estímulos;
2. Resposta: refere-se à participação activa do Formando;
3. Valorização: relaciona-se com o valor que o Formando atribui a
determinado objecto, fenómenos ou estímulos;
4. Organização: relaciona-se com a capacidade de pôr em jogo diferentes
valores, resolvendo os conflitos entre eles e dando início
à edificação de um sistema de valores possuidor de
consistência interna;
5. Caracterização: relaciona-se com os padrões gerais de ajustamento;

Categorias no Domínio Psicomotor


1. Imitação: repetição de um acto demonstrado pelo instrutor;
2. Manipulação: relacionada com o desempenho de actos em que as
capacidades desenvolvidas se tornaram habituais e os
movimentos necessários são efectuados com
confiança e eficiência;
3. Precisão: relacionada com a habilidade no desempenho de actividades
motoras que envolvem padrões de movimento complexo.
Desempenho suave, rápido e eficiente, requerendo um
mínimo de energia;
4. Estruturação da Acção: relacionada com capacidades tão
desenvolvidas que permitem a modificação de padrões
de movimento de forma a corresponder a exigências
especiais ou a fazer face a situações problemáticas;
5. Aquisição de segunda natureza: refere-se à criação de novos
padrões de movimento que correspondem a
situações particulares ou problemas
específicos.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 77


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VERBOS – Exemplos

Domínio Cognitivo

Conhecimento: Conhecer – definir/ descrever/ identificar/ etiquetar/


listar/ comparar/ nomear/ sublinhar/ reproduzir/
seleccionar /declarar.
Compreensão: Compreender/ interpretar/ traduzir/ estimar/ justificar –
converter/ defender/ distinguir/ estimular/ explicar/
alargar/ generalizar/ exemplificar/ inferir/ parafrasear/
predizer/ reescrever/ resumir.
Aplicação: Aplicar/ resolver/ elaborar/ demonstrar – mudar/ computar/
demonstrar/ descobrir/ manipular/ modificar/ operar/ prever/
preparar/ produzir/ relacionar/ mostrar/ resolver/ usar.
Análise: Reconhecer/ distinguir/ avaliar/ analisar – demonstrar/ fazer
diagramas/ diferenciar/ discriminar/ distinguir/ identificar/
ilustrar/ inferir/ sublinhar/ apontar/ relacionar/ seleccionar/
separar/ subdividir.
Síntese: Escrever/ apresentar/ propor/ integrar/ formular – categorizar/
combinar/ compilar/ compor/ criar/ dividir/ designar/ explicar/
gerar/ modificar/ organizar/ planear/ rearranjar/ reconstruir/
relacionar/ reorganizar/ rever/ reescrever/ resumir/ contar/
escrever.
Avaliação: Julgar – salientar/ comparar/ concluir/ contrastar/ criticar/
descrever/ discriminar/ expor/ interpretar/ justificar/
relacionar/ sumarizar/ apoiar.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 78


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Domínio Afectivo

Acolhimento: Ouvir/ evidenciar/ mostrar/ aceitar/ atender – perguntar/


escolher/ descrever/ seguir/ dar/ suportar/ identificar/
localizar/ nomear/ indicar/ seleccionar/ mostrar atenção/
replicar/ usar.

Resposta: Completar/ obedecer/ participar/ oferecer-se/ interessar-se/


apreciar – responder/ assistir/ adaptar-se/ aceitar/ discutir/
cumprimentar/ ajudar/ classificar/ desempenhar/ praticar/
apresentar/ ler/ recitar/ relatar/ seleccionar/ dizer/ escrever.

Valorização: Demonstrar/ apreciar/ preocupar-se – completar/ descrever/


diferenciar/ expor/ seguir/ formar/ iniciar/ convidar/
acompanhar/ justificar/ propor/ ler/ reportar/ seleccionar/
partilhar/ estudar/ trabalhar.

Organização: Reconhecer/ aceitar/ compreender/ formular – aderir/


alterar/ arranjar/ combinar/ comparar/ completar/
defender/ expor/ generalizar/ identificar/ integrar/ integrar/
modificar/ ordenar/ organizar/ preparar/ relacionar/
sintetizar.

Caracterização: Evidenciar/ demonstrar/ praticar/ usar/ manter – actuar/


discriminar/ evidenciar/ influenciar/ ouvir/ modificar/
desempenhar/ praticar/ propor/ qualificar/ questionar/
rever/ resolver/ servir/ usar/ verificar.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 79


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Domínio Psicomotor

Imitação: Desempenhar/ aplicar/ determinar – montar/ construir/ calibrar/


edificar/ desmantelar/ evidenciar/ segurar/ apertar/ fixar/
aquecer/ manipular/ medir/ remendar/ agarrar/ misturar/
organizar.

Manipulação: Escrever/ montar/ operar/ demonstrar – igual ao anterior.

Precisão: operar/ demonstrar/ desempenhar/ reparar – igual ao anterior.

Estruturação da Acção: Ajustar/ modificar – adaptar/ alterar/ mudar/


rearranjar/ reorganizar/ rever/ variar.
Aquisição de segunda natureza: Criar/ desenhar – arranjar/ combinar/
compor/ construir/ criar/ desenhar/ originar.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 80


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Estrutura Do Relatório/Plano

Ao longo do manual referimos um conjunto de documentos como


sejam o plano de estágio bem como um relatório.

No entanto, e na muita pesquisa feita, não existe nenhum modelo que


possamos considerar como sendo “aquele” que possa ser considerado
o modelo ideal para a elaboração de um plano e/ou relatório.
Procura-se aqui definir alguns conceitos que se considera como os
pontos essenciais para se poder elaborar um plano e/ou um relatório.

O relatório de estágio deverá permitir uma avaliação correcta do


trabalho desenvolvido na empresa/organização, efectuar a ligação
entre a prática e os conhecimentos teóricos adquiridos e relacionar os
objectivos, meios e acções da actividade desenvolvida com os
resultados obtidos. Complementarmente poderá ainda fazer-se uma
auto-avaliação dos diversos desempenhos e uma avaliação do
acompanhamento por parte da Empresa/Organização, propondo
sugestões para melhoria das suas próprias capacidades e
competências e sugerir ajustamentos à formação do estagiário à
organização de futuros estágios.

O mesmo deverá ser adaptado às necessidades de cada organização e


aos objectivos do estágio profissional.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 81


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Desta forma, apresenta-se de seguida uma estrutura:

INTRODUÇÃO

1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJECTO
* Caracterização do Meio
* Caracterização da Organização
* Identificação, Delimitação e Fundamentação do Problema /
Diagnóstico de Necessidades
* Objectivos orientadores do estágio

2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO / Revisão bibliográfica

3. METODOLOGIA ADOPTADA (Enquadramento no projecto da


Instituição / Projecto de Intervenção próprio) :
* Opção metodológica
* Objecto de estudo
* População –alvo /amostra
* Desenho geral da acção a desenvolver

4. PLANO DE ACÇÃO:
* Cronograma
* Planificação de actividades / recursos a utilizar/faseamento
* Avaliação da acção, tendo em conta as diversas vertentes em
análise, incluindo a produção realizada.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma outra estrutura de relatório é aquela que o Programa Estágios
Profissionais tutelado pelo IEFP propõe e poderá ser apreciada no
anexo a este manual.

No final deste manual poderá verificar em anexo um exemplo do tipo


de relatório que algumas entidades solicitam aos estagiários.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 82


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Capítulo 6 – O Fisco e
os Estágios

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 83


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Objectivos do módulo:

O Fisco e os Estágios

Os objectivos deste módulo são:


• A contabilização
• Benefícios Fiscais
• O IRS

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 84


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Introdução

Um dos nossos deveres enquanto cidadãos portugueses passa pela


apresentação de contas ao Estado, que vulgarmente chamamos de IRS.
Os estágios profissionais também estão abrangidos pela legislação fiscal.

Este capítulo está destinado a falarmos um pouco sobre a relação entre


o Fisco e o Estágio Profissional. No entanto, alerta-se para o facto da
informação a ser dada neste capítulo poderá já não corresponder à
realidade actual quando ler estas linhas. Aconselha-se a falar com um
Técnico Oficial de Contas para melhor perceber a relação do estágio
com o fisco no momento, bem como as diferentes obrigatoriedades
fiscais associadas ao mesmo.

Desenvolvimento

O estágio profissional, e à semelhança de outros programas, também


está afecto à relação com o fisco. Mas somente devem ser considerados
ao nível fiscal os estágios profissionais regulados pela Portaria n.º
268/97, de 18 de Abril, (regula os estágios profissionais - em posto de
trabalho), com as alterações que lhe foram introduzidas pelas Portarias
n.º 1271/97, de 26 de Dezembro, n.º 814/98, de 24 de Setembro e n.º
286/02, de 15 de Março.

O estágio profissional é, na sua essência, a prestação de uma actividade


a determinada entidade mediante retribuição. O contrato de formação
em posto de trabalho, previsto no artigo 12.º da referida Portaria, quer
material quer legalmente, constitui um contrato de trabalho.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 85


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Ao nível contabilístico, as empresas que recebam e que paguem
quaisquer verbas pelo facto de realizar um estágio deverão realizar as
seguintes operações:

• Remuneração do Estagiário: há um entendimento que o estagiário


é um colaborador da empresa e, por esse motivo, deverá o seu
custo ser registado na conta POC nº 64 – Custos com o Pessoal,
dividido pelas respectivas rubricas.

• Comparticipação / Subsídio – trata-se de um proveito operacional e,


por isso, deverá ser registado na conta POC nº 74 – subsídios à
exploração, devendo atender-se à especialização sempre que se
verifique que o subsídio abrange mais que um exercício económico.

As importâncias pagas aos estagiários estão sujeitos às regras


estabelecidas no Código do IRS, nomeadamente em matéria de sujeição
a imposto, retenção na fonte, determinação do rendimento e
obrigações.

A retenção na fonte é efectuada por aplicação das taxas constantes das


tabelas para o efeito publicadas anualmente, tendo em conta a situação
pessoal do estagiário (estado civil, dependentes,...).
As taxas a aplicar na liquidação final do imposto são as previstas no
art.º 68.º do Código do IRS e variam em função do montante do
rendimento colectável anual.

Ao nível do estagiário, as diferentes importâncias recebidas de


constituem rendimentos sujeitos a IRS pela categoria A do respectivo
código (trabalho dependente), nos termos do art.º 2º, n.º 1, alínea a)
do CIRS, porquanto o estágio profissional é, na sua essência, a
prestação de uma actividade a determinada entidade mediante
retribuição. O contrato de formação em posto de trabalho, quer material
quer legalmente, constitui um contrato de trabalho.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 86


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Assim, tal como quaisquer outros rendimentos do trabalho, têm de ser
incluídos na declaração anual de rendimentos modelo 3, a apresentar
nos termos do art.º 57º do Código do IRS.

As importâncias pagas aos estagiários ficam, por isso, sujeitas às regras


estabelecidas no Código do IRS, nomeadamente em matéria de sujeição
a imposto, retenção na fonte, determinação do rendimento e
obrigações.

A retenção na fonte é efectuada por aplicação das taxas constantes das


tabelas para o efeito publicadas anualmente, tendo em conta a situação
pessoal do estagiário (estado civil, dependentes,...).

As taxas a aplicar na liquidação final do imposto são as previstas no


art.º 68.º do Código do IRS e variam em função do montante do
rendimento colectável anual.

Em matéria de segurança social, de acordo com o estabelecido no artigo


10.º do Decreto-Lei n.º 199/99, de 8 de Junho, o montante das
contribuições a pagar à segurança social é determinado pela aplicação
das taxas fixadas neste diploma legal às remunerações legalmente
consideradas como base de incidência contributiva.

Torna-se necessário verificar se o estágio se encontra regulamentado


pela Portaria acima referenciada, dado que existe um entendimento por
parte da Administração Fiscal de que os estágios regulamentados
naquela Portaria, são tributados em IRS.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 87


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Capítulo 7 – FAQ –
Questões Frequentes

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 88


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
01. O que é estágio?
Considera-se estágio as actividades de aprendizagem social,
profissional e cultural, proporcionadas pela participação em situações
reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizadas na
comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público
ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de
ensino.

02. Quem pode contratar estagiário?


Pessoas Jurídicas de Direito Público ou Privado.

03. Quem pode ser estagiário?


Qualquer potencial colaborador no futuro para o desenvolvimento de
actividades relacionadas a sua área de formação.

04. Por que o estágio é necessário?


O estágio contribui para a formação e preparação pessoal do
estagiário e do seu futuro profissional porque permite:
- a aplicação prática de seus conhecimentos teóricos,
motivando seus estudos/formação e possibilitando maior
assimilação das matérias curriculares;

- amenizar o impacto da passagem da vida estudantil/formativa


para o mundo do trabalho, proporcionando contacto com o
futuro meio profissional;

- adquirir uma atitude de trabalho sistematizado,


desenvolvendo a consciência da produtividade, a observação e
comunicação concisa de ideias e experiências adquiridas e
incentivando e estimulando o senso crítico e a criatividade;

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 89


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
- definir-se em face de sua futura profissão, perceber eventuais
deficiências e buscar seu aprimoramento ;

- conhecer a filosofia, directrizes, organização e funcionamento


de empresas e instituições em geral, facilitando sua
integração, além de propiciar melhor relacionamento humano
e social.

05. Quais os encargos e obrigações trabalhistas existentes na contratação


de estagiários?
O estágio não se confunde e não deve se confundir com emprego,
quer de carácter temporário, quer de duração indeterminada. São
figuras totalmente distintas. O estágio não é, portanto, emprego;
logo, não cria vínculo labora entre as parte.
Por não ser empregado, não faz jus ao aviso prévio em caso de
rescisão contratual, não tem direito a férias, nem a 13º e 14º salário.

06. Qual a duração permitida para a jornada diária de estágio?


Pela legislação vigente, não há carga horária mínima ou máxima
permitida para o estágio. No entanto, recomendamos que a jornada
diária não ultrapasse o máximo de 8 horas, para que seja admitida
uma margem de tempo para locomoção e refeição.

07. Em termos de benefícios laborais, o estagiário pode receber o mesmo


tratamento dado ao funcionário?
O estagiário NÃO tem direito aos benefícios assegurados aos demais
empregados da empresa, tais como, subsídios de alimentação,
subsídios de transporte, assistência médica, etc. No entanto,
iniciativa própria, a empresa pode conceder esses benefícios aos
estagiários.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 90


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
08. O estagiário pode receber comissões, ajuda de custo para fazer viagens
e horas extras?
Como já referido, o estágio não é emprego e, portanto, não se aplica
ao estagiário o dispositivo da legislação laboral, no que se refere a
horas extras e comissões.

09. O termo de compromisso de estágio pode ser rescindido antes do seu


término?
Sim, tanto pela empresa quanto pelo estagiário.

10. Qual o tempo mínimo de estágio?


Não há definição legal a respeito; no entanto, recomenda-se que
tenha um período mínimo de 6 meses de estágio, para que a
empresa tenha critérios suficientes para uma avaliação adequada do
potencial bem como um tempo para o estagiário poder aprender.

11. Por que o estágio interessa para a empresa?


- Antecipa a preparação e a formação de um quadro qualificado
de recursos humanos e permite a descoberta de novos
talentos, preparando a empresa para o futuro;
- Cria e mantém um espírito de renovação e oxigenação
permanente, proporcionando um canal eficiente para o
acompanhamento de avanços tecnológicos e conceituais;
- É um eficiente recurso de formação e aprimoramento de
futuros profissionais, sem vícios, de acordo com a área, perfil
e escolaridade requerida;
- Eficiente sistema de recrutamento e selecção de novos
profissionais, reduz o investimento de tempo, de meios de
trabalho e de salários a que está sujeita, quando contrata
profissionais recém-formados, sem prática, permitindo ampliar

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 91


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
ou renovar seus quadros funcionais, técnicos e
administrativos, com custos reduzidos;

- Isenção de encargos sociais e laborais, decorrentes da não


vinculação;

- Dispõe de no mínimo 06 meses para desenvolver e testar o


desempenho do estagiário;

- Por custo mínimo, permite a empresa formar / treinar uma


reserva estratégica para ser usada nas emergências
(expansão, picos de produção, reposição, faltas, férias, etc.);
Permite o cumprimento de seu papel social, ajudando a
formar as novas gerações de profissionais que o País
necessita.

12. Quais são os benefícios?

Os benefícios de um programa de estágio são muitos. Os


estagiários que passam por esta experiência geralmente ficam
mais auto-confiantes, maduros e tolerantes. Também têm a
tendência a conseguir uma maior compreensão sobre si mesmos
e o ambiente ao seu redor.

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 92


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Capítulo 8 –
Bibliografia

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 93


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Bibliografia Recomendada

Para um aprofundamento dos conceitos e dos demais temas tratados


neste manual aconselha-se a leitura da seguinte bibliografia:

• A Formação Contínua de Adultos, Publicações Europa América,


Pierre Goguelin

• A Educação Operária e as suas Técnicas, Instituto de Formação


Social e do Trabalho, Lisboa

• Strategie pour la PME, de jacques Horovitz et Jean Pierre Pitol-


Belin

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 94


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Capítulo 9 – ANEXOS

1 – Estágio Profissional – Regulamento da Aprendizagem segundo o


Instituto do Emprego e Formação Profissional

2 - Perfil de Competências e Plano Individual de Estágio

3 – Roteiro de Actividades

4 – Exemplo de Relatório de Estágio

5 – Exemplo de uma prática de estágios na Empresa: CEIFA AMBIENTE

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 95


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
Estágios Profissionais

Anexo 1 - Estágio Profissional – Regulamento IEFP

Manual de O Estágio Profissional pág. Nº 96


CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Electrónica
UNIÃO EUROPEIA

INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Fundo Social Europeu

PROGRAMA ESTÁGIOS PROFISSIONAIS

REGULAMENTO
UNIÃO EUROPEIA

INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Fundo Social Europeu

1. OBJECTO

1.1 O presente Regulamento define o regime de acesso aos apoios concedidos pelo
Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) através do Programa Estágios
Profissionais e cofinanciáveis pelo Fundo Social Europeu (FSE) no âmbito dos
Contratos-Programa celebrados entre este e os gestores dos Programas
Operacionais Regionais (POR).

1.2 Os apoios previstos são concedidos pelo IEFP nos termos do disposto na Portaria
n.º 268/97, de 18 de Abril, com as alterações introduzidas pelas Portarias n.º
1271/97, de 26 de Dezembro, 814/98, de 24 de Setembro e 286/2002, de 15 de
Março e no presente Regulamento, no âmbito do qual se aplicam as normas
inerentes ao regime geral de apoios a conceder pelo FSE, na medida e nos precisos
termos em que se encontram previstos.

1.3 O presente Regulamento entra em vigor à data da sua publicação e é aplicável


aos pedidos de financiamento pendentes de aprovação à data de entrada em vigor
da Portaria n.º 286/2002, de 15 de Março.

1.4 Aos pedidos de financiamento aprovados antes da entrada em vigor da Portaria


n.º 286/2002, de 15 de Março e do presente Regulamento, aplica-se, até à sua
conclusão, o regime em vigor à data de aprovação.

1.5 Em tudo o que não estiver expressamente previsto no presente Regulamento,


aplicam-se as disposições do Programa Estágios Profissionais e as disposições
regulamentares internas do IEFP aplicáveis.
2. CARACTERIZAÇÃO DO PROGRAMA ESTÁGIOS PROFISSIONAIS

2.1 Objectivos
O Programa Estágios Profissionais é de âmbito nacional e tem por objectivos:
a) Complementar e aperfeiçoar as competências sócio-profissionais dos
jovens qualificados, através da frequência de um estágio em situação real de
trabalho;
b) Possibilitar uma maior articulação entre a saída do sistema
educativo/formativo e a inserção no mundo do trabalho;
c) Facilitar o recrutamento e a integração de novos quadros nas
entidades, através do apoio técnico e financeiro prestados a estas na realização
de estágios profissionais;
d) Dinamizar o reconhecimento, por parte das entidades, de novas
formações e novas competências profissionais, potenciando novas áreas de
criação de emprego;
e) Facilitar a inserção de diplomados de áreas de formação com maiores
dificuldades de integração na vida activa, reorientando-os para áreas onde se
constatam maiores carências de mão-de-obra.

2.2 Beneficiários Finais

2.2.1 Entidades Beneficiárias


2.2.1.1 Constituem-se como beneficiários finais dos apoios previstos no
presente Regulamento, as pessoas colectivas ou singulares, de direito
privado e com ou sem fins lucrativos que, nos termos do disposto nos
normativos específicos que criam e regulamentam os apoios,
apresentem condições técnicas e pedagógicas e reúnam condições para
titular pedidos de financiamento, com o objectivo de obter os recursos
necessários para os estágios profissionais que pretendem facultar,
adiante designadas por Entidades Beneficiárias.

2.2.1.2 Até à entrada em vigor da regulamentação prevista no Decreto-lei


n.º 326/99, de 18 de Agosto, as entidades da Administração Pública
são consideradas Entidades Beneficiárias nos termos do disposto no
presente Regulamento.

2.2.2 Entidades Organizadoras

2.2.2.1 Constituem-se, também, como beneficiários finais dos apoios


previstos no presente Regulamento, as pessoas colectivas que nos
termos do disposto nos normativos específicos que criam e
regulamentam os apoios, reúnem condições para titular pedidos de
financiamento, com o objectivo de dinamizar a oferta de estágios, bem
como assegurar o seu acompanhamento e avaliação sistemática,
incluindo o apoio necessário, antes e no decorrer dos estágios
profissionais, às Entidades Beneficiárias e respectivos orientadores de
estágio e aos estagiários, adiante designadas por Entidades
Organizadoras.

2.2.2.2 Consideram-se Entidades Organizadoras os seguintes organismos:


a) Associações Empresariais
b) Associações Profissionais
c) Associações Sindicais
d) Associações de Estudantes de Instituições de Ensino Superior
Universitário e Politécnico
e) Entidades sem fins lucrativos que desenvolvam actividades de
reabilitação profissional, acreditadas nos termos da Portaria n.º
728/97, de 29 de Agosto.

2.2.2.3 As UNIVA podem, em articulação com os Centros de Emprego,


constituir-se também como Entidades Organizadoras, ficando isentas do
número mínimo de propostas de estágio previsto no ponto 2.2.2.5 e
não tendo direito à compensação referida na rubrica 3 da estrutura de
custos indicada no ponto 8.2.

2.2.2.4 Os Centros de Formação Profissional e os Centros de Reabilitação


Profissional de Gestão Directa e Participada podem, relativamente aos
seus formandos e em articulação com os Centros de Emprego,
constituir-se também como Entidades Organizadoras, ficando isentas do
número mínimo de propostas de estágio previsto no ponto 2.2.2.5 e
não tendo direito à compensação referida na rubrica 3 da estrutura de
custos indicada no ponto 8.2.

2.2.2.5 São apenas considerados os pedidos de financiamento de Entidades


Organizadoras que reunam um mínimo de 10 propostas de estágio,
podendo estes pedidos de financiamento ser aprovados no todo ou em
parte.

2.2.3 Competências das Entidades Organizadoras

2.2.3.1 Às Entidades Organizadoras compete, na generalidade:


a) Dinamizar ofertas de estágio;
b) Apoiar a Entidade Beneficiária na instrução dos pedidos de
financiamento, designadamente na definição do Perfil de
Competências e Plano Individual de Estágio desejável para o
estagiário;
c) Apoiar os estagiários e os orientadores de estágio, durante o
decurso do mesmo;
d) Colaborar com o IEFP na avaliação da qualidade dos estágios,
designadamente reportando atempadamente aos Centros de
Emprego quaisquer disfuncionamentos ou desvios ao Plano
Individual de Estágio previamente acordado, participando em
encontros e reuniões de avaliação promovidos pelos Centros de
Emprego e elaborando e apresentando, trimestralmente, o
“Relatório de Acompanhamento e Avaliação do Estágio -
Coordenador”, sendo o último o Relatório Final;
e) Propor eventuais alterações aos Programa, numa perspectiva de
melhoria da sua qualidade.
2.2.3.2 Para desenvolver as atribuições definidas no ponto anterior, a
Entidade Organizadora, deve indicar, no pedido de financiamento, um
ou mais coordenadores de estágios.

2.2.3.3 Considera-se aconselhável que cada coordenador não acompanhe


mais do que 10 estágios, tendo em conta o papel que lhe compete
desenvolver.

2.2.4 Princípio da não cumulatividade

2.2.4.1 Os beneficiários finais não podem ser, simultaneamente e


relativamente ao mesmo pedido de financiamento, Entidades
Organizadoras e Beneficiárias.

2.2.4.2 Se uma Entidade Organizadora é, simultaneamente, Entidade


Beneficiária, relativamente a outros pedidos de financiamento, deve o
Centro de Emprego apurar se as tarefas de coordenação de uns
estágios colidem com o exercício pleno das competências de orientação
dos restantes.

2.3 Destinatários
2.3.1 Constituem-se como destinatários dos apoios previstos no presente
Regulamento, os jovens com idade compreendida entre 16 e 30 anos,
inclusive, habilitados com qualificação de nível superior – níveis IV e V – ou
qualificação de nível intermédio – níveis II e III -, conforme Tabela de Níveis
de Formação em anexo (Anexo 1), que reunam uma das seguintes condições:
a) Sejam desempregados à procura do primeiro emprego, que não
tenham exercido uma ou mais actividades profissionais por um período de
tempo, no seu conjunto, superior a um ano;
b) Sejam desempregados à procura de novo emprego que tenham
entretanto adquirido formação qualificante, que lhes permita o acesso a
nível de formação distinto, enquadrável no âmbito do presente
Regulamento, e não tenham tido ocupação profissional nessa área por
período superior a um ano.

2.3.2 Os desempregados à procura de novo emprego, que tenham exercido


actividade profissional distinta da sua qualificação, seja de nível superior ou
intermédia, podem ter acesso ao Programa Estágios Profissionais, em área de
actividade compatível com a sua qualificação e desde que esta não tenha sido
adquirida há três ou mais anos.

2.3.3 Quando os destinatários sejam pessoas portadoras de deficiência, não se


aplica o limite máximo de idade acima estabelecido.

2.3.4 Podem ter acesso ao Programa Estágios Profissionais, os destinatários


habilitados com o 12º ano de via ensino, devendo ser enquadrados, para esse
efeito, no nível III.

2.3.5 Os pedidos de financiamento não devem, preferencialmente, incluir


destinatários de diferentes regiões (NUTS II), tendo em conta o seu local de
residência.

2.3.6 Os pedidos de financiamento relativamente aos quais não seja cumprido o


requisito indicado no número anterior, não são objecto de cofinanciamento do
FSE no âmbito dos Contratos-Programa celebrados entre o IEFP e os gestores
dos POR.

2.3.7 São elegíveis os destinatários estrangeiros, nacionais de um estado


membro ou não da União Europeia (UE), e, bem assim, os seus filhos
menores, desde que os primeiros possuam visto de estudo, de trabalho ou
autorização de residência, válido em Portugal, ou comprovativo de que foi
iniciado o procedimento para a obtenção de autorização de residência ou que
sejam possuidores do título de residência, caso tratamento diverso não seja
consagrado em instrumentos de direito internacional aplicáveis.
2.3.8 Os destinatários estrangeiros, possuidores de visto de estudo, visto de
trabalho ou de autorização de permanência, são elegíveis no âmbito do
Programa Estágios Profissionais, desde que, além dos requisitos previstos nos
normativos que criam e regulamentam o Programa e no presente
Regulamento, reunam, cumulativamente, as seguintes condições:
a) Equivalência de habilitações escolares e profissionais, devidamente
comprovada;
b) Duração do período de estágio, previsto no projecto de estágio,
enquadrável na duração do respectivo visto ou autorização.

2.4 Orientadores de estágio


2.4.1 As Entidades Beneficiárias devem designar, para cada estágio proposto,
um orientador de estágio, o qual é responsável pela execução e
acompanhamento do Plano Individual de Estágio, não podendo, cada
orientador, ter mais de três estagiários a seu cargo.

2.4.2 O Centro de Emprego deve emitir parecer sobre a aceitação dos


orientadores de estágio propostos pela Entidade Beneficiária, através de
avaliação curricular e tendo presente que está assegurado, relativamente a
todo o período de estágio, o exercício das competências que lhe estão
cometidas.

2.4.3 O orientador deve ter, preferencialmente, vínculo à Entidade Beneficiária.


Quando tal não seja possível, cabe ao Centro de Emprego avaliar se estão
reunidas as condições necessárias para o exercício continuado das suas
competências, emitindo parecer em conformidade.

2.4.4 Pode ser aceite a substituição do orientador de estágio, por motivos


devidamente justificados pela Entidade Beneficiária e aceites pelo Centro de
Emprego, sendo neste caso retomados os procedimentos definidos quanto à
designação e aceitação do orientador de estágio.
2.4.5 Compete na generalidade ao orientador de estágio:
a) Definir o Perfil de Competências requerido e o Plano Individual de
Estágio, em articulação com o Centro de Emprego ou a Entidade
Organizadora;
b) Realizar o acompanhamento do estagiário, supervisionando o seu
progresso face aos objectivos definidos;
c) Participar nas reuniões promovidas pelo Centro de Emprego;
d) Elaborar e apresentar trimestralmente ao Centro de Emprego o
“Relatório de Acompanhamento e Avaliação do Estagiário - Orientador”,
sendo o último o Relatório Final.

3. REQUISITOS DOS PROJECTOS DE ESTÁGIO E DOS BENEFICIÁRIOS


FINAIS

3.1 Requisitos dos projectos de estágio


3.1.1 A apreciação dos pedidos de financiamento aos apoios previstos no
presente Regulamento atende aos critérios constantes nos normativos
específicos que os criam e regulamentam, aos quais acrescem os seguintes
critérios recomendáveis de apreciação:
a) Coerência dos projectos de estágios profissionais propostos com a
fundamentação da sua necessidade e oportunidade;
b) Qualidade técnica dos estágios profissionais propostos, nomeadamente
quanto à coerência entre o perfil dos destinatários e os conteúdos dos
Planos Individuais de Estágio, bem como dos métodos de avaliação da
execução e dos resultados;
c) Relação entre o número de homens e mulheres, tendo em conta a
promoção da igualdade de oportunidades entre os géneros, critério que
não deve, contudo, obstar à prossecução das prioridades e objectivos
essenciais inerentes aos projectos de estágio;
d) Potencial de empregabilidade dos destinatários, podendo também ser
aferido tendo em conta o demonstrado em outras acções de formação ou
estágios profissionais;
e) Relação entre o número de estagiários e o número de empregados da
Entidade Beneficiária, a qual deve ser adequada, não podendo causar
entropia no desenvolvimento do processo produtivo;
f) Contributo para o desenvolvimento das competências profissionais em
domínios das tecnologias da sociedade da informação.

3.1.2 Sem prejuízo do disposto no número anterior, sempre que uma proposta
de estágio profissional inclua períodos de estágio complementar no
estrangeiro, deve ser dada prioridade àqueles que decorram nos restantes
países da UE.

3.1.3 O suporte da decisão sobre os pedidos de financiamento aos apoios


previstos no presente Regulamento contêm obrigatoriamente uma descrição
da apreciação efectuada face a cada um dos critérios aplicáveis.

3.2 Requisitos obrigatórios dos beneficiários finais


3.2.1 Podem aceder aos apoios previstos no presente Regulamento os
beneficiários finais que reunam, cumulativamente, desde a data da
apresentação dos pedidos de financiamento, os requisitos que se encontram
previstos nos respectivos normativos específicos que os criam e
regulamentam, bem como os que a seguir se identificam:
a) Estarem regularmente constituídas;
b) Encontrarem-se devidamente registadas, sempre que tal seja condição
obrigatória para o exercício da actividade;
c) Terem a sua situação regularizada em matéria de impostos perante a
Fazenda Pública;
d) Terem a sua situação regularizada em matéria de contribuições para a
Segurança Social;
e) Terem a sua situação regularizada em matéria de restituições no
âmbito dos financiamentos públicos concedidos pelo IEFP;
f) Terem a sua situação regularizada em matéria de restituições no âmbito
dos financiamentos do Fundo Social Europeu (FSE);
g) Não terem sido condenados por violação da legislação sobre trabalho
de menores;
h) Não terem sido condenados por violação da legislação sobre
discriminação no trabalho e no emprego, nomeadamente em função do
género.

3.2.2 Os requisitos previstos nas alíneas a) a e) do número anterior são objecto


de verificação em sede de apresentação dos pedidos de financiamento,
nomeadamente com base na apresentação de documentos oficiais adequados.
O requisito identificado na alínea e) não condiciona a aprovação dos pedidos
de financiamento.

3.2.3 A idoneidade dos beneficiários finais e o requisito previsto na alínea f) do


n.º 3.2.1 são aferidos pelas Estruturas de Apoio Técnico (EAP) às
coordenações das intervenções sectoriais desconcentradas do emprego,
formação e desenvolvimento social incluídas nos Programas Operacionais
Regionais.

3.3 Inibição do direito de acesso aos apoios


Os beneficiários finais que tenham sido condenados em processo crime, com
sentença transitada em julgado, por factos envolvendo disponibilidades financeiras
dos fundos estruturais da UE e outros fundos públicos, ficam inibidos do direito de
acesso aos apoios previstos no presente Regulamento, por um período de 2 anos,
salvo se da pena aplicada resultar prazo diverso, o qual será, nesse caso, aplicado.

3.4 Acesso aos apoios mediante prestação de garantia bancária


3.4.1 Os beneficiários finais relativamente aos quais se verifiquem as situações
a seguir indicadas, envolvendo disponibilidades financeiras dos fundos
estruturais da UE e outros fundos públicos, apenas podem ter acesso aos
apoios previstos no presente Regulamento desde que apresentem garantia
bancária:
a) Dedução de acusação em processo crime;
b) Existência de indícios graves de irregularidades financeiras,
contabílisticas, técnicas e organizativas, verificadas em processos de
controlo ou auditoria, nomeadamente as constantes da alínea d) do ponto
12.2.1 e da alínea b) do ponto 12.2.2.

3.4.2 Os beneficiários finais aos quais tenham sido revogadas decisões de


aprovação de outros pedidos de financiamento aos fundos estruturais da UE e
outros fundos públicos, com fundamento nas situações a seguir indicadas,
apenas podem ter acesso aos apoios previstos no presente Regulamento, nos
2 anos subsequentes, desde que apresentem garantia bancária:
a) Apresentação do mesmo pedido para os mesmos custos a mais de uma
entidade;
b) Recusa de submissão ao acompanhamento, avaliação, controlo ou
auditoria a que estão legalmente sujeitos, nos termos do ponto 13.

3.4.3 Quando as situações indicadas nos números anteriores ocorram durante a


execução dos estágios profissionais, as garantias bancárias previstas devem
ser apresentadas no prazo de 90 dias contados a partir da data em que o
beneficiário final tomou conhecimento da situação que determina a
obrigatoriedade da sua prestação, havendo lugar, em caso de incumprimento
deste prazo, à revogação da decisão de aprovação e consequente restituição
dos apoios recebidos, nos termos indicados, respectivamente nos pontos 12.3
e 12.4, do presente Regulamento.

3.4.4 Para efeitos do número anterior e quando estejam envolvidas Entidades


Beneficiárias, há lugar à suspensão dos pagamentos do IEFP, até à
apresentação de garantia bancária por parte das mesmas.

3.4.5 As garantias bancárias previstas no presente Regulamento:


a) Devem ser efectuadas a favor do IEFP, nos montantes
correspondentes aos apoios financeiros pagos ou a pagar por este, e
válidas até à data do último pagamento ou restituição, que encerra as
contas do pedido;
b) São libertadas à data do último pagamento ou restituição, que encerra
as contas do pedido;
c) Podem ser reduzidas, em sede de encerramento de contas do pedido,
até ao montante que for apurado como sendo o devido a título de
restituição.

3.4.6 Todos os pedidos de financiamento com garantia bancária são sujeitos a


acompanhamento, avaliação ou controlo.

4. DEVERES DOS BENEFICIÁRIOS FINAIS


4.1 Processo contabilístico

4.1.1 As Entidades Beneficiárias ficam obrigadas a:


a) Dispor de contabilidade organizada nos termos que lhe sejam exigidos
pela lei fiscal e comercial;
b) No caso das entidades que tenham a contabilidade organizada de
acordo com o Plano Oficial de Contabilidade (POC) ou outro plano de
contas sectorial, elaborar a sua contabilidade específica sob a
responsabilidade de um Técnico Oficial de Contas (TOC) ou, quando se
trate de entidades da administração pública, até à entrada em vigor da
regulamentação do Decreto-lei n.º 326/99, de 18 de Agosto, de um
responsável financeiro no âmbito da administração pública, para tal
designado pela entidade ou por entidade competente para o efeito;
c) Dispor de um sistema que permita a individualização dos custos
associados ao pedido de financiamento de acordo com a estrutura de
custos aplicável, constante do ponto 8.3 que, no caso das entidades que
tenham a contabilidade organizada de acordo com o POC ou outro plano
de contas sectorial, deve passar pela utilização de um centro de custos
por pedido de financiamento;
d) Justificar sempre todas as aquisições de bens e serviços através de
factura e recibo ou documento equivalente de quitação fiscalmente aceite
podendo, no caso das vendas a dinheiro, estas substituírem as facturas;
e) Organizar o arquivo dos documentos de forma a garantir o acesso
imediato aos mesmos;
f) Assegurar que as facturas ou documentos equivalentes identifiquem
sempre claramente o respectivo bem ou serviço e a fórmula de cálculo do
valor imputado ao pedido;
g) No caso das entidades que tenham a contabilidade organizada de
acordo com o POC ou outro plano de contas sectorial, quando não conste
dos documentos originais a indicação das contas movimentadas nas
contabilidades geral e específica, em sede de acompanhamento,
avaliação, controlo ou auditoria, a entidade fica obrigada a apresentar
verbete produzido por software de contabilidade adequado onde constem
essas referências;
h) Registar no rosto do original dos documentos a menção ao seu
financiamento pelo IEFP e FSE, indicando a designação da respectiva
medida activa de emprego e o do Programa Operacional Regional (POR),
o número do pedido de financiamento, o montante financiado e, no caso
das entidades que tenham a contabilidade organizada de acordo com o
POC ou outro plano de contas sectorial, o número de lançamento na
contabilidade, de acordo com o seguinte modelo:

Financiado pelo IEFP, através do Programa Estágios Profissionais e co-


financiável pelo FSE através da Linha de Acção 3.3.1. / Medida 3.3. do
eixo prioritário 3 do POR (...):
N.º do pedido de financiamento ........................
N.º de lançamento na contabilidade .................
Montante financiado .........................................

i) Elaborar mensalmente listagens das despesas associadas ao pedido de


financiamento e comprovadamente pagas através de documento de
quitação nos termos legalmente exigidos, através do preenchimento dos
modelos anexos.

4.1.2 As Entidades Beneficiárias ficam ainda sujeitas às seguintes obrigações:


a) Manter actualizada a contabilidade, não sendo admissível, em caso
algum, um atraso superior a 45 dias na sua organização;
b) Sempre que solicitado, apresentar os originais dos documentos que
integram o processo contabílistico ou fornecer cópias dos mesmos,
acompanhadas dos respectivos originais, ao IEFP e a todas as autoridades
nacionais e comunitárias competentes no âmbito do sistema de
acompanhamento, avaliação e controlo do Quadro Comunitário de Apoio
(QCA III), ou a outros organismos e entidades por estes credenciadas
para o efeito, sem prejuízo da confidencialidade exigível;
c) Informar o Centro de Emprego, através de ofício, do local onde o
processo se encontra, quando o mesmo se encontre em local diverso da
sede social da entidade;
d) Conservar o processo contabílistico pelo prazo de 3 anos a contar da
data do último pagamento ou restituição que encerra o pedido;
e) No caso das entidades que tenham a contabilidade organizada de
acordo com o POC ou outro plano de contas sectorial, assegurar que os
pedidos de reembolso e de regularização do saldo final, sejam elaborados
sob a responsabilidade de um TOC, ou, quando se trate de entidade da
administração pública e até à entrada em vigor da regulamentação do
Decreto-lei n.º 326/99, 18 de Agosto, de um responsável financeiro no
âmbito da administração pública, para tal designado pela entidade ou por
entidade competente para o efeito.

4.2 Processo técnico


4.2.1 Organização do Processo Técnico das Entidades Beneficiárias

As Entidades Beneficiárias ficam obrigadas a organizar um processo técnico de


onde constem todos os documentos comprovativos da execução das
diferentes fases dos projectos de estágio que são objecto do pedido de
financiamento, nomeadamente a documentação adiante discriminada:

a) Cópias do pedido de financiamento e dos respectivos Perfis de


Competências e Planos Individuais de Estágio, notificação pelo Centro de
Emprego da respectiva decisão de aprovação e correspondente termo de
aceitação, pedidos de pagamento ou reembolso, pedidos de alteração à
decisão de aprovação e demais documentação e correspondência com o
IEFP, inerentes ao financiamento aprovado;
b) Identificação dos orientadores que intervêm no estágio e cópias dos
respectivos contratos de prestação de serviços quando os mesmos não se
encontrem vinculados à Entidade Beneficiária, bem como dos respectivos
currículos;
c) Identificação dos destinatários dos estágios profissionais e cópias dos
respectivos contratos firmados, bem como de eventuais aditamentos
celebrados;
d) Mapas de assiduidade dos estagiários;
e) Registos do acompanhamento e da avaliação dos estagiários,
nomeadamente relatórios (trimestrais e final) de acompanhamento e
avaliação dos estagiários elaborados pelos respectivos orientadores de
estágio, dos quais deve constar a apreciação à empregabilidade dos
estagiários, ficha de avaliação dos estágios profissionais pelos respectivos
destinatários e certificados comprovativos de frequência obtidos pelos
estagiários emitidos pelas Entidades Beneficiárias;
f) Actas de reuniões ou outras notícias da realização de acompanhamento e
avaliação dos estágios profissionais, metodologias e instrumentos
utilizados;
g) Originais de toda a publicidade e informação produzida para a
divulgação dos estágios profissionais.

4.2.2 Organização do Processo Técnico das Entidades Organizadoras

As Entidades Organizadoras ficam obrigadas a organizar um processo técnico


de onde conste toda a documentação inerente aos projectos de estágios
profissionais objecto do pedido de financiamento, nomeadamente:

a) Relatórios (trimestrais e finais) de acompanhamento e avaliação dos


estágios, elaborados pelos coordenadores de estágio;
b) Actas de reuniões ou outras notícias da realização do acompanhamento
e avaliação dos estágios profissionais, metodologias e instrumentos
utilizados;
c) Originais de toda a publicidade e informação produzida para a
divulgação dos estágios profissionais.

4.2.3 Outras obrigações dos Beneficiários Finais

Os beneficiárias finais ficam, ainda, sujeitos às seguintes obrigações:

a) Manter actualizado o processo técnico, não sendo admissível, em caso


algum, um atraso superior a 45 dias na sua organização;
b) Assegurar que o processo técnico está disponível no local onde
normalmente decorrem os estágios profissionais, ou no local da sede
social da entidade quando se trate de Entidade Organizadora;
c) Sempre que solicitado, apresentar os originais dos documentos que
integram o processo técnico, ou fornecer cópias dos mesmos,
acompanhadas dos respectivos originais, ao IEFP e a todas as autoridades
nacionais e comunitárias competentes no âmbito do sistema de
acompanhamento, avaliação e controlo do QCA III, ou a outros
organismos e entidades por estes credenciados para o efeito, sem prejuízo
da confidencialidade exigível;
d) Conservar o processo técnico pelo prazo de 3 anos a contar da data do
último pagamento ou restituição, que encerra o pedido.

4.3 Informação e publicidade


4.3.1 Os beneficiários finais dos apoios previstos nos normativos específicos que
criam e regulamentam o Programa Estágios Profissionais e no presente
Regulamento, ficam obrigados ao cumprimento de todas as normas aplicáveis
em matéria de informação e publicidade sobre a intervenção dos fundos
estruturais da UE e outros fundos públicos.

4.3.2 Exceptua-se ao definido no ponto anterior a obrigatoriedade de afixação


de cartaz permanente e visível no local onde decorram os estágios
profissionais.
4.4 Outros deveres
Constituem ainda deveres dos beneficiários finais:

a) Divulgar convenientemente a todos os estagiários o regime de direitos


e deveres que lhe são atribuídos e o financiamento do FSE, POR e IEFP;
b) Colocar à disposição dos estagiários o dossier respeitante ao pedido de
financiamento e à decisão de aprovação;
c) Comunicar por escrito ao Centro de Emprego as mudanças de
domicílio, no prazo de 10 dias contados da data da ocorrência;
d) Cumprir escrupulosamente todas as normas aplicáveis constantes dos
normativos específicos que criam e regulamentam os apoios, bem como as
normas constantes do presente Regulamento;
e) Fornecer ao IEFP todas as informações e elementos que sejam
solicitados, nos prazos por este fixados, nomeadamente os necessários ao
acompanhamento e avaliação da execução em cada ano civil do Programa
Estágios Profissionais.

5. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTÁGIOS PROFISSIONAIS


5.1 Definição
5.1.1 Considera-se estágio profissional aquele que vise a inserção de jovens na
vida activa, através de uma formação prática em posto de trabalho,
complementar a uma qualificação preexistente.

5.1.2 Não são elegíveis, no âmbito do presente Regulamento, os estágios que


tenham como objectivo a aquisição de uma habilitação profissional requerida
para o exercício de determinada profissão, nem os estágios curriculares de
qualquer curso.

5.2 Duração
5.2.1 Os estágios profissionais promovidos no âmbito do presente Regulamento
têm a duração de 9 meses em território nacional.
5.2.2 Os estágios profissionais promovidos no âmbito do presente Regulamento,
são desenvolvidos a tempo completo, não podendo a sua duração semanal ser
inferior a 30 horas.

5.3 Período de estágio complementar


5.3.1 Em circunstâncias excepcionais e devidamente fundamentadas, o IEFP
pode autorizar a realização de um período de estágio complementar, com a
duração máxima de 3 meses, a realizar em território nacional ou no
estrangeiro.

5.3.2 Na aprovação do período de estágio complementar, devem ser observados


os seguintes critérios:
a) O período de estágio deve, comprovadamente, contribuir para a
consecução dos objectivos gerais do estágio profissional proposto;
b) O seu impacto nas perspectivas de empregabilidade do estagiário;
c) As garantias oferecidas pela Entidade Beneficiária;
d) Traduzir-se, obrigatoriamente, quando o período complementar
decorra no estrangeiro, num estágio profissional e decorrer numa
entidade, que para tal se disponibilize, tendo por objectivo a aquisição de
competências que não possam ser asseguradas pela própria Entidade
Beneficiária ou por outra, por ela designada, em território nacional.

5.3.3 O período de estágio complementar pode ser proposto:


a) No momento da entrega do pedido de financiamento;
b) No decurso do estágio, através da apresentação de um pedido de
alteração ao pedido de financiamento inicial.

5.4 Selecção de candidatos


5.4.1 Cabe aos Centros de Emprego, em articulação com as Entidades
Beneficiárias, recrutar e seleccionar os candidatos a abranger pelo Programa
Estágios Profissionais.
5.4.2 A articulação pode revestir as seguintes formas:
a) A Entidade Beneficiária realiza uma pré-selecção do(s) candidato(s), de
acordo com os seus critérios internos, e tendo em conta os requisitos
legalmente estabelecidos, apresentando ao Centro de Emprego,
conjuntamente com o pedido de financiamento, proposta indicando o(s)
candidato(s) a quem pretende facultar o(s) estágio(s). O Centro de
Emprego verifica o cumprimento dos requisitos referidos, convocando
posteriormente os candidatos propostos, a fim de proceder à selecção
final dos mesmos.
Os candidatos propostos pelas Entidades Beneficiárias, por não ser
exigível a sua inscrição prévia em qualquer Centro de Emprego, devem
declarar, sob a forma escrita, que se encontram em situação que lhes
permite o acesso ao Programa Estágios Profissionais, devendo o Centro de
Emprego proceder à sua inscrição como utente no Sistema de Informação
e Gestão da Área do Emprego (SIGAE);
b) A Entidade Beneficiária não propõe qualquer candidato, aquando da
formalização do pedido de financiamento, pelo que o Centro de Emprego
procede ao recrutamento e selecção do(s) estagiário(s) de entre os
candidatos inscritos nos seus ficheiros, apresentando-o(s) à Entidade
Beneficiária, no sentido de, conjuntamente, se concretizar a selecção final
do(s) mesmo(s).

5.4.3 O perfil do candidato deve ajustar-se ao perfil de competências da função,


em termos de habilitações académicas, competências técnico-profissionais e
sócio-relacionais, bem como de qualificação profissional, de acordo com o
solicitado pela Entidade Beneficiária.

5.4.4 Aos candidatos seleccionados para preencher uma vaga de estágio


profissional deve ser dado conhecimento do respectivo Plano Individual de
Estágio.

5.4.5 Relativamente aos candidatos referidos na alínea b) do ponto 5.4.2, têm


prioridade as pessoas com deficiência e os desempregados de longa duração.
5.5 Desistência do estagiário
5.5.1 Caso se verifiquem desistências injustificadas de estagiários, ou quando os
motivos justificativos não sejam atendíveis, após um período superior a um
mês de estágio, deve ser finalizado o processo com o devido encerramento de
contas do pedido.

5.5.2 É admissível a substituição de um estagiário nas seguintes circunstâncias:


a) Não ter decorrido mais do que um mês de estágio;
b) Estarem reunidas, no entendimento do Centro de Emprego, as
condições para o cumprimento não desvirtuado, no período restante, do
Plano Individual de Estágio aprovado.

5.5.3 Quando a desistência do estagiário seja injustificada, ou quando os


motivos justificativos não sejam atendíveis, o mesmo não pode ser indicado
pelo Centro de Emprego para preencher nova oferta de estágio, antes de
decorridos 12 meses.

5.5.4 Quando a desistência do estagiário seja justificada, nomeadamente por


doença ou por impossibilidade, que lhe não seja imputável, de cumprimento
do disposto no Plano Individual de Estágio, o estagiário pode ser indicado pelo
Centro de Emprego para preencher outra oferta de estágio adequada, o qual
terá a duração indicada no projecto de estágio.

5.6 Interrupção temporária do estágio


5.6.1 O estágio pode ser interrompido temporariamente, nomeadamente por
encerramento periódico da Entidade Beneficiária, impossibilidade momentânea
do estagiário ou por outro motivo considerado pertinente pelo Centro de
Emprego.

5.6.2 A interrupção temporária do estágio deve ser comunicada ao Centro de


Emprego de forma escrita , sempre que possível antecipadamente, o qual
ajuíza da sua legitimidade, tendo ainda por pressuposto a garantia do
cumprimento do Plano Individual de Estágio.
5.6.3 A eventual interrupção temporária do estágio não tem implicações nos
montantes totais a pagar, não sendo consideradas como elegíveis quaisquer
despesas ocorridas com o estagiário durante esse período.

5.6.4 A interrupção temporária do estágio não altera a sua duração, apenas


podendo adiar a data do seu termo.

5.7 Faltas
5.7.1 Entende-se por falta, no âmbito do presente Regulamento, a ausência de
um dia completo ou dois meios dias de estágio.

5.7.2 As faltas são justificadas e injustificadas, nos termos da lei geral do


trabalho.

5.7.3 A ausência, justificada, por período superior a 15 dias consecutivos, é


considerada, desde o primeiro dia de ausência, como interrupção temporária
do estágio e determina a aplicação das normas constantes do ponto 5.6 do
presente Regulamento.

5.7.4 O estagiário é excluído do programa nas seguintes situações:


a) Se o número de faltas injustificadas atingir os 5 dias consecutivos ou
10 dias interpolados;
b) Se, com excepção da situação prevista no ponto 5.7.3, o número total
de faltas (justificadas e injustificadas), ultrapassar os 30 dias.

5.7.5 São descontadas, no valor da bolsa de estágio, do subsídio de alojamento


e de transporte, quando a eles houver direito, as seguintes faltas:
a) As faltas injustificadas;
b) Com excepção da situação prevista no ponto 5.7.3, as faltas
justificadas que excedam o total de 15 dias;
c) Para efeitos de cálculo do valor a descontar na bolsa de estágio ou nos
subsídios de alojamento e de transporte, quando a eles houver direito,
deve utilizar-se a seguinte fórmula:
N.º de dias de faltas
Montante total da Bolsa ou
injustificadas, ou n.º de
Subsídios de Alojamento
faltas justificadas que
ou Transporte do Mês
x ultrapassem o total de 15
dias
30

5.7.6 O controlo da assiduidade dos estagiários é efectuado através do


preenchimento, pela Entidade Beneficiária, de mapa de assiduidade dos
estagiários, cuja cópia deve ser enviada ao Centro de Emprego,
conjuntamente com a listagem mensal de despesas pagas.

5.7.7 Para efeitos do disposto no ponto anterior, pode ser utilizado o “Mapa de
Assiduidade dos Estagiários” – Mod. IEFP 9829 070 (Anexo 15), o qual pode
ser adaptado, quando necessário, ou qualquer outro mapa considerado mais
adequado pelo respectivo Centro de Emprego.

5.8 Contrato de formação em posto de trabalho


5.8.1 Os destinatários que efectuem um estágio profissional no âmbito do
Programa Estágios Profissionais, celebram com a Entidade Beneficiária um
Contrato de Formação em Posto de Trabalho, conforme minuta anexa (Anexo
14), que deve ser visado pelo IEFP, devidamente selado e feito em triplicado,
sendo o original para a Entidade Beneficiária, uma cópia para o estagiário e
outra para o Centro de Emprego.

5.8.2 Nas situações previstas na alínea a) do ponto 7.1.1 deve ser celebrado
entre os estagiários e a Entidade Beneficiária, com observância de todas as
formalidades previstas no ponto anterior, um Aditamento ao Contrato de
Formação em Posto de Trabalho.
(…)
Anexo 2 - Perfil de Competências e Plano Individual de Estágio
UNIÃO EUROPEIA

INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL Fundo Social Europeu

PROGRAMA ESTÁGIOS PROFISSIONAIS Logotipo e


Sigla do POR
respectivo

PERFIL DE COMPETÊNCIAS E PLANO INDIVIDUAL DE ESTÁGIO

1. IDENTIFICAÇÃO DA ENTIDADE BENEFICIÁRIA

Designação: ________________________________________________________________________________

________________________________________________________________________________

2. LOCAL(AIS) E PERÍODO(S) DE REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO

2.1 Estágio em Território Nacional

Local: ___________________________________________________________________________________

Período(s) *:

De ______ - ______ - ______ a ______ - ______ - ______

De ______ - ______ - ______ a ______ - ______ - ______

De ______ - ______ - ______ a ______ - ______ - ______

* No caso de o estágio não incluir período de estágio complementar no estrangeiro, preencher apenas a 1ª quadrícula.

2.2 Período de Estágio Complementar no Estrangeiro

(A preencher apenas quando o Plano proposto incluir período de Estágio Complementar no Estrangeiro)

Identificação da Entidade
Período
(Designação, Tipo de Entidade, País)

De _____ - ___ - ___ a _____ - ___ - ___

3. IDENTIFICAÇÃO DO ORIENTADOR DE ESTÁGIO

Nome: _____________________________________________________________________________________

Telefone: _________________

Mod. IEFP 9829 020


PERFIL DE COMPETÊNCIAS

1. FUNÇÃO

Designação: ________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________

2. PERFIL DE COMPETÊNCIAS

(Descreva o Perfil de Competências da função, abordando, brevemente, as tarefas que a constituem, os conhecimentos académicos exigidos e
as competências técnico-profissionais e sócio-relacionais necessárias ao seu desempenho)

3. NÍVEL DE QUALIFICAÇÃO

(Indique o nível de qualificação – II / III / IV ou V – a que corresponde a função)


PLANO INDIVIDUAL DE ESTÁGIO

1º TRIMESTRE

OBJECTIVOS A ATINGIR DESCRIÇÃO DAS ACTIVIDADES A DESENVOLVER

Data ___ - ___ - ___ Pela Entidade ____________________________


(Assinatura)
Anexo 3 – Roteiro de Actividades
FORMAÇÃO PRÁTICA EM CONTEXTO DE TRABALHO (FPCT)
IEFP Roteiro de Actividades
(a preencher pela Entidade Coordenadora em articulação com a Entidade de Apoio à Alternância)

DELEGAÇÃO REGIONAL ________________________________________________________________________________________________

ENTIDADE COORDENADORA (Centro ou Entidade Externa) ___________________________________

Designação Social ___________________________________________________________________________________________


Sede ________________________________________________________________________________________________________________
Endereço onde se realiza a formação
ENTIDADE DE ______________________________________________________________________

APOIO À Telefone(s) _________________________________________ Fax(es) ____________________________________________


ALTERNÂNCIA
Actividade principal _____________________________________________________________________________________
Responsável pela Formação e contacto _______________________________________________________
Tutor(es) e contacto(s) ___________________________________________________________________________________

Nome _______________________________________________________________ B.I. n.º __________________

Data de Nascimento _____________________________________ Telefone _________________________


FORMANDO
Morada
_________________________________________________________________________________________________________________

Representante legal e contacto (no caso do Formando ser menor)

Itinerário /Saída Profissional _________________________________________________________________________


ACÇÃO
Duração do Itinerário ____________________ Duração da FPCT ___________________________________
Período Duração Horário Observações
PERÍODO(S) DE
FORMAÇÃO
PRÁTICA EM
CONTEXTO DE
TRABALHO

OBJECTIVOS A
ATINGIR NESTA
COMPONENTE DE
FORMAÇÃO

ACÇÕES DE
ACOMPANHAMENT
O
ACTIVIDADES PRÁTICAS A DESENVOLVER DURANTE A EXPERIÊNCIA DE TRABALHO
(Descrição sucinta das actividades a desenvolver)

A ENTIDADE DE APOIO À ALTERNÂNCIA A ENTIDADE COORDENADORA


FORMAÇÃO PRÁTICA EM CONTEXTO DE TRABALHO (FPCT)
Ficha de Assiduidade / Avaliação
IEFP
(a preencher pela Entidade de Apoio à Alternância - Tutor)

DELEGAÇÃO REGIONAL __________________________________________________________________________________________________________________________

ENTIDADE COORDENADORA (Centro ou Entidade Externa) ____________________________ ____________________________________

ENTIDADE DE APOIO À Designação Social _________________________________________________________________________________________________


ALTERNÂNCIA Tutor(es) ______________________________________________ Telefone(s) __________________ Fax(es)
________________

Nome ___________________________________________________________________________________ Telefone _____________


FORMANDO
________________ Representante legal e contacto (no caso do Formando ser menor)

Itinerário / Saída Profissional __________________________________


ACÇÃO
Duração da FPCT ___________________________________ Mês de ________________________________

FALTAS
PRESENÇAS (horas)
DIAS Observações
(horas)
Justificadas Injustificadas
1
2
3
4
5
6
7
8
9
REGISTO DE PRESENÇAS

10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
TIPO DE MENSAL: FINAL DA FCTP:
AVALIAÇÃO

PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO CLASSIFICAÇÕES*

Qualidade de trabalho
REGISTO DA AVALIAÇÃO

Rigor e destreza

Ritmo de trabalho

Aplicação das normas de segurança

Assiduidade e pontualidade

Iniciativa

Relacionamento social

CLASSIFICAÇÃO FINAL (Somatório das classificações / 7) *

* Escala de avaliação: 0-6 Muito Insuficiente 7-9 Insuficiente 10-13 Suficiente 14-17 Bom 18-20 Muito Bom

OBSERVAÇÕES (AVALIAÇÃO GLOBAL)

NOTA: Esta ficha deverá ser remetida à Entidade Coordenadora mensalmente e no final de cada período
de formação.

O TUTOR O COORDENADOR

Em ______ _____ ______ ___________________________ ____________________________________________

O FORMANDO

___________________________
Anexo 4 – Exemplo de Relatório de Estágio
O objectivo do Estágio, é “… a iniciação profissional, implicando não só a integração dos
conhecimentos adquiridos na formação escolar e a experiência da sua aplicação prática,
mas também a percepção das condicionantes de natureza deontológica, legal,
económica, ambiental, de recursos humanos, de segurança e de gestão em geral que
caracterizam o exercício da profissão, de modo a que possam desempenhar a profissão
de forma competente e responsável.”

Deste modo os relatórios apresentados na modalidade de Estágio deverão ilustrar de


forma clara e objectiva os trabalhos realizados no âmbito do tema, específico das
especialidades do colégio, e programa aprovados, demonstrar a percepção das diversas
condicionantes referidas no parágrafo anterior, sendo imprescindível e fundamental a
apresentação pelo candidato das conclusões obtidas e a indicação clara de qual foi o seu
envolvimento nos trabalhos desenvolvidos.

O relatório deve apresentar uma estrutura coerente, para que seja percepcionado como
um todo e não como uma mera colectânea de trabalhos sem interligação. Deverão ser
apresentados 2 exemplares em suporte físico (papel) e 1 exemplar em suporte digital
(CD).

O candidato deverá ainda solicitar cópia do Regulamento dos Estágios aprovados, para
que possa tomar conhecimento dos respectivos direitos e deveres, nomeadamente
quanto a prazos e documentos de que deve fazer acompanhar o relatório a apresentar
(ex.: parecer do Orientador).

Apresenta-se de seguida, as regras gerais a ter em conta na elaboração do respectivo


relatório, sendo os aspectos referidos tidos em conta no processo de avaliação do
mesmo.
ESTÁGIO FORMAL

Para além das questões de âmbito geral referidas anteriormente, o relatório a elaborar
deverá ter em atenção os seguintes aspectos:

a) Elaboração cuidada: encadernação definitiva (exemplar em papel), numeração das


páginas, índices de capítulos/figuras/fotografias/gráficos/quadros, legendagem das
imagens e adequado enquadramento no texto, apresentação da bibliografia e trabalhos
consultados, assim como identificação clara ao longo do relatório dos excertos/elementos
que não sejam da autoria do candidato, com adequada interligação à bibliografia
apresentada.

b) Estrutura coerente: os assuntos referidos de seguida deverão ser agrupados nos


principais itens indicados, independentemente de o relatório poder abordar ou não
outras questões aqui não referenciadas:

i. Introdução – descrição dos objectivos do estágio, caracterização breve dos


trabalhos desenvolvidos e sua localização/encadeamento no tempo, assim como a
indicação de quais os meios materiais/humanos envolvidos; deverá ainda ser incluída
uma apresentação sumária da empresa / organização onde estagiou e a indicação de
qual a estrutura funcional em que o candidato esteve inserido durante o estágio.

ii. Identificação dos conhecimentos envolvidos e respectivas fontes:


apresentação dos conhecimentos de engenharia utilizados durante o estágio, com
relevância para a componente académica (matérias da licenciatura), assim como
conhecimentos complementares obtidos a partir de, legislação em vigor, normas da
empresa, tecnologias inovadoras implementadas, projectos em execução, etc.

iii. Trabalho desenvolvido: descrição clara dos trabalhos realizados e


resultados obtidos, tal como o tipo e o grau de envolvimento do candidato no decurso
dos mesmos. É neste capítulo do relatório que o candidato deverá evidenciar quais as
condicionantes de natureza deontológica, legal, económica, ambiental, de recursos
humanos, de segurança e de gestão em geral, com que se deparou no decurso do
estágio e apresentar a sua opinião quanto à importância das mesmas para a actividade
em questão.

iv. Controlo implementado: deverá ser fornecida informação específica sobre


que tipo de controlo da qualidade foi efectuado ao longo da actividade desenvolvida e de
que forma foi realizado, realçando qual foi o grau de participação do candidato nesse
processo. Deverão também ser feitas referências aos controlos relativos aos prazos e
planeamento das actividades, controlo de custos e à forma como foram geridas as
questões de segurança.

v. Conclusões: necessidade de efectuar a análise dos resultados obtidos face


aos objectivos iniciais e às expectativas existentes, realçando os aspectos mais
relevantes da aprendizagem conseguida. O candidato deverá também efectuar e
apresentar aqui a sua reflexão quanto à forma como os conhecimentos obtidos na
licenciatura ou a falta dos mesmos, contribuíram para o maior ou menor grau de sucesso
do trabalho realizado.

vi. Anexos: deverão ser reunidos neste item todos os elementos que o candidato
considere serem relevantes para a compreensão das conclusões ou dos resultados
obtidos e que pela sua quantidade ou dimensão não sejam passíveis de inserir na parte
descritiva do relatório.
Anexo 5 – Exemplo de uma entidade que procura estagiários: CEIFA
AMBIENTE
ESTÁGIOS NA CEIFA AMBIENTE

A CEIFA Ambiente encara como missão e serviço a iniciativa de acolher e integrar na sua
actividade empresarial alunos finalistas em estágios de curta duração. É uma iniciativa
dirigida a diferentes graus de ensino em áreas vocacionadas para o Desenvolvimento
Sustentável (DS) e, especialmente motivados para a promoção da interface entre a
Ciência & Tecnologia e DS.
A CEIFA Ambiente encara como missão e serviço a iniciativa de acolher e integrar na sua
actividade empresarial alunos finalistas em estágios de curta duração. É uma iniciativa
dirigida a diferentes graus de ensino em áreas vocacionadas para o Desenvolvimento
Sustentável (DS) e, especialmente motivados para a promoção da interface entre a
Ciência & Tecnologia e DS.
A CEIFA aposta, na área do Ambiente, na utilização de metodologias baseadas nos
problemas, nas visões e saberes cruzados, no tratamento e utilização avançada da
informação, nas abordagens intensivas de conhecimento e no desenvolvimento de
competências organizativas, técnicas e tecnológicas.
Os desafios colocados aos estagiários classificam-se a quatro níveis:
Primeiro, o desenvolvimento da capacidade de adaptação num ambiente provisório. Os
estagiários, pelo facto de continuarem a ter obrigações e preocupações decorrentes da
sua actividade académica, e o próprio estágio ser uma actividade provisória, são
confrontados com a necessidade de terem de gerir tempos e repartir responsabilidades.
Este facto torna-se num aspecto negativo que, na CEIFA Ambiente, tem de ser
transformado num desafio de adaptação.
Segundo, o assumir as responsabilidades decorrentes de competências definidas. Os
estagiários estão integrados numa equipa de trabalho, com objectivos, competências e
resultados espectáveis pré-definidos; reportam e prestam contas ao coordenador da
equipa sobre as tarefas de sua responsabilidade.
Em terceiro, procura também gerir a confidencialidade e a utilização de conhecimentos
com direitos de autor. O facto de estarem integrados numa equipa de trabalho, os
estagiários, não só têm acesso a informações confidenciais da própria empresa, como,
fruto das metodologias adoptadas, têm de saber lidar com informações, dados e
conhecimentos reservados ou com direitos inerentes à propriedade intelectual. O
Ambiente não só é uma área de utilização intensiva de saberes e cruzamento de
conhecimentos como, também, um sector que cada vez mais faz recurso a estruturas
organizadas em rede e parceria.
Por último, o quarto nível, que visa desenvolver competências não só baseadas nos
contributos técnicos e tecnológicos mas, também e sobretudo, na compreensão da
necessidade da polivalência, criatividade e visão. E isto porque, porventura a mensagem
mais inovadora que o conceito de “desenvolvimento sustentável” nos evidencia é que
temos que substituir as estratégias de desenvolvimento baseadas na “gestão da crise”
por estratégias baseadas na “gestão da transformação”. E, estas estratégias, não só
implicam transferências enormes de ciência como a participação dos actores envolvidos,
para além de obrigarem a análises cuidadosas orientadas para o manejo dos processos
de transformação em sistemas vulneráveis em que o Ambiente é pródigo.

Retirado do site: http://www.ceifa-ambiente.net/portugues/estagios/estagios-na-ceifa/