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BOLETIM DE TENDÊNCIA

MARÇO/2018

CONSTRUÇÃO CIVIL

ARQUITETURA INCLUSIVA
Oportunidade no setor da Construção Civil
A busca por ambientes responsivos e adaptados não é um tema novo. No entanto, as exigências das
normas e leis de acessibilidade brasileiras, assim como o aumento da população idosa no Brasil, que
cresceu em velocidade superior à da média mundial (9,8% em 2005 e 14,3% em 2015), e da significativa
parcela da população com algum tipo de deficiência (6,2%), aponta a Arquitetura Inclusiva como uma
tendência cada vez mais forte no setor da Construção Civil.

O aumento da preocupação com a responsabilidade social por parte das empresas, instituições e da própria
sociedade, que está mais consciente do direito ao uso de espaços e serviços de forma democrática, reforça
essa perspectiva. O cumprimento das normas de acessibilidade é uma exigência básica em concorrências
de obras públicas, sejam para adaptação de edificações antigas ou novas construções.

Neste Boletim de Tendências são abordadas as noções sobre o conceito de arquitetura inclusiva, diretrizes,
legislação e algumas recomendações de aplicações para projetos inclusivos.

O que é Arquitetura Inclusiva?

Arquitetura Inclusiva é uma linha da arquitetura que tem como premissa


respeitar a diversidade humana e democratizar o acesso e o uso
dos espaços por pessoas com qualquer tipo de limitação física com
segurança e autonomia.

Contempla um público abrangente, desde cadeirantes, pessoas com


deficiência visual ou auditiva, pessoas acidentadas, idosos, obesos,
mulheres grávidas e crianças que necessitam de uma infraestrutura
adaptada, mesmo que temporariamente.

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DESIGN UNIVERSAL
O conceito de Design Universal prega padrões acessíveis a todas as pessoas, independentemente de suas
características pessoais ou habilidades. Seguem sete princípios:

Uso equitativo Flexibilidade no uso

Uso simples e intuitivo Informação perceptível

Tolerância ao erro Baixo esforço físico e tamanho

Espaço para aproximação e uso.

Para saber mais, consulte o Manual do Desenho Universal.

Ainda há muito a ser implementado nos espaços urbanos no que diz


respeito à acessibilidade. Muitas calçadas e estações de transporte
público do Rio de Janeiro, por exemplo, ainda não passaram por essa
adequação. É importante ressaltar que prédios antigos demandam
soluções que se adequem à realidade e preservem as características e
memória da construção.

Pedro da Luz, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil,


no Rio de Janeiro.

Fontes: IBGE: 6,2% da população têm algum tipo de deficiência: Agência Brasil (2015); Em 10 anos, cresce número de idosos no Brasil, Portal do Governo do Brasil (2016);
Arquitetura Inclusiva, AU (2009); Entrevista com Pedro da Luz, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), no Rio de Janeiro (2018); 6 passos para garantir a
acessibilidade na arquitetura, AchtrendsPortobello (2018); Desenho Universal – Habitação de interesse Social, Governo do Estado de São Paulo (sem data).

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LEGISLAÇÃO EM VIGOR
Profissionais, empreendedores e empresários que atuam no setor precisam estar atentos à implementação
das diretrizes de acessibilidade que, além de influenciar na valorização comercial do imóvel em até 15%,
são exigidas por lei.

Confira, a seguir, as principais normas e leis que definem e regulamentam sua aplicabilidade em edificações
e espaços públicos, assim como em empreendimentos habitacionais:

Norma ABNT NBR 9050

A “Norma 9050” – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e


equipamentos urbanos, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
foi publicada em 1985 e trata de orientações que guiam projetos, construções,
instalações e adaptações de empreendimentos, mobiliários, espaços gerais ou
equipamentos de uso urbano.

A norma oferece parâmetros específicos com imagens ilustrativas e orientações


sobre sua aplicação.

As diretrizes só passaram a vigorar após a revisão da norma, em 2004, quando também ampliou-
se a abordagem para pessoas com mobilidade reduzida, como idosos, obesos, gestantes e pessoas
com outras limitações.

Lei Federal 10.098/2000

A Lei Federal no. 10.098, estabelece normas gerais e critérios básicos para
a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou
com mobilidade reduzida, além de outras providências. A lei determina, por
exemplo, a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos,
no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de
transporte e de comunicação.

Decreto Federal 5296/2004

O Decreto Federal no. 5296, que regulamenta as Leis no. 10.048/2000 e


10.098/2000 (sobre a prioridade no atendimento às pessoas portadoras de
deficiência física e idosos), estabelece normas e critérios para a promoção
da acessibilidade. A contar da publicação do decreto, foi determinado
o prazo de 30 meses para prédios de uso público e de 48 meses para
construções de uso coletivo já existentes se adequarem à nova legislação.
Passou a ser obrigatório, por exemplo, a disponibilidade de, pelo menos, um
banheiro acessível com entrada independente por pavimento.

Fontes: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (ABNT NBR 9050:2004), Portal da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa
com Deficiência (2004); Decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004, Portal da Presidência da República do Brasil (2004); Lei Federal no. 10.098, Portal da Câmara dos
Deputados (2000); Acessibilidade na construção: conheça as regras para edifícios adaptados, Siege (2016).

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COMO DESENVOLVER UM PROJETO COM ACESSIBILIDADE
O desenvolvimento do projeto, a escolha dos revestimentos e o uso de dispositivos e acessórios são
aspectos que ganham cada vez mais importância para garantir a acessibilidade.

Confira as principais diretrizes da Norma ABNT NBR 9050, que deve sempre servir como fonte de
especificações técnicas, além de outras recomendações para projetos de acessibilidade:

Circulação

A área de circulação deve ter largura mínima de 90 cm e altura de 2,10 m, além de


vãos de porta de no mínimo 80 cm e diâmetro de 1,50 m para manobras de cadeiras
de rodas em 360º em qualquer ambiente. Para conversões de 90º, os corredores
devem ter 1,20 m de largura.

Acessos

Os pisos devem ser livres de irregularidades ou obstáculos. Em alternativa às


escadas, rampas (pequena inclinação, com largura mínima de 1,20 m), plataformas
e elevadores devem contar com corrimão duplo para apoio e suporte. A passagem
deve ser, também, uma rota de fuga próxima a todas as áreas, sem dificultar a saída.

Revestimentos

Prefira pisos antiderrapantes ou com demarcação ao longo do caminho, para dimi-


nuírem os riscos de quedas e acidentes. Não se esqueça da instalação de sinalizações
táteis, principalmente nas calçadas e no interior de edifícios comerciais.

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Iluminação

Valorize a iluminação natural, evite o escurecimento total do ambiente e selecione


lâmpadas e luminárias difusas. As tomadas devem ficar a 45 cm do chão e os inter-
ruptores a, no mínimo, 90 centímetros. Não se esqueça de garantir também ilumina-
ção em caso de emergências.

Banheiro

As bancadas com torneiras devem estar, em média, a 85 cm do piso. A instalação de


pias e vasos no banheiro deve ser acompanhada de suportes e barras de apoio a
uma altura de 30 cm acima do tampo do vaso sanitário. O box deve ter largura míni-
ma de 80 centímetros. É aconselhável um desnível máximo de 1,5 cm entre os pisos
em áreas molhadas.

Acessórios e mobiliário

Maçanetas de portas e armários devem ser do tipo alavanca e com fechadura sobre
a maçaneta. Os trincos devem ser deslizantes. Prefira torneiras mono comando ou
meia-volta, alavanca ou célula fotoelétrica. Os armários e estantes devem estar na
altura da cintura ou peito com abertura das portas para fora.

Decoração

A decoração também pode seguir critérios de acessibilidade. Os tapetes, por exemplo,


dificultam a mobilidade de cadeirantes e podem aumentar os riscos de acidentes.
Os objetos mais leves e soltos também são perigosos por serem facilmente
manuseados e pouco estáveis. Prefira uma decoração minimalista.

Automação

Além da comodidade, as novas tecnologias e a automação residencial têm promo-


vido maior autonomia às pessoas com mobilidade reduzida. O uso de sistemas de
iluminação por controle remoto, controle automático de portas e janelas, elevador
de escadas para cadeirantes, entre outras soluções, facilita o dia a dia desse público.

Fontes: Arquitetura e decoração inclusivas – Idosos, Viva Decora (2014); 6 passos para garantir a acessibilidade na arquitetura, Achtrends Portobello (2018); Acessibilidade:
como a automação residencial beneficia deficientes físicos, Starvai (2017).

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CASOS DE SUCESSO
Conheça algumas empresas que são referência em projetos com soluções de acessibilidade:

Arqhos

Há 30 anos no mercado, a Arqhos Consultoria e


Projetos, escritório carioca de arquitetura, foi fundada
com foco em projetos hospitalares que, pela própria
natureza do ambiente, exigem soluções que atendam
às necessidades de pacientes com mobilidade
limitada.

Com o tempo, a empresa ampliou sua área de


atuação e levou sua expertise em parâmetros de
acessibilidade para outros tipos de projetos, como
escolas, edifícios de órgãos públicos em geral, além
de construções privadas.

A Arqhos tem participado de concorrências públicas


para adaptação de prédios antigos ou construção de
novas edificações de acordo com as normas e leis de
acessibilidade.

Archi 5

A Archi 5 Arquitetos Associados, fundada em 1987, no


Rio de Janeiro, também é referência na aplicação de
diretrizes de acessibilidade.

O escritório foi um dos pioneiros na prática de um


urbanismo de cunho social, com projetos completos
de urbanismo e engenharia para a urbanização de
favelas e áreas degradadas. Atualmente, cerca de
90% dos projetos desenvolvidos pela Archi 5 são
de obras públicas, para as quais o atendimento
das normas técnicas de acessibilidade se tornaram
exigência básica.

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RECOMENDADAS

Fique atento aos lançamentos e soluções tecnológicas do segmento de acessibilidade que


podem agregar valor ao seu projeto de arquitetura. Para saber mais, acompanhe eventos e
feiras com a Cidade PCD, que acontece em dezembro de 2018;

Participe do Programa Arquitetos da Coordenação de Construção Civil do Sebrae/RJ para


obter conhecimentos sobre legislação, gestão financeira e estratégias de marketing e como
alavancar o seu negócio. Mais informações pelo telefone 0800 570 0800;

Atualize-se constantemente sobre as normas e legislações municipais, estaduais e federais


sobre a aplicação dos parâmetros de acessibilidade e outras exigências;

Consulte, também, outros conteúdos do portal Sebrae Inteligência Setorial relacionados


ao tema:
ƒƒ Construções acessíveis: normas e oportunidades desse mercado
ƒƒ Acessibilidade em meios de hospedagem

Gerência de Conhecimento e Competitividade


Gerente: Cezar Kirszenblatt

CONSTRUÇÃO CIVIL Gestor do Programa Sebrae Inteligência Setorial: Marcelo Aguiar


Analista de Inteligência Setorial e Temática: Mara Godoy
Articulação e Disseminação Empresarial: Poliana Valente
BOLETIM DE TENDÊNCIA Conteudista: Daniella Fernandes

MARÇO/2018
Entre em contato com o Sebrae: 0800 570 0800

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