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XVI Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (XVI ENANCIB)

ISSN 2177-3688

GT 7 – Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia & Inovação

Comunicação Oral

A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO, TECNOLÓGICO


E ORGANIZACIONAL NO CONTEXTO DA GERAÇÃO DE
INOVAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A CIENCIA DA INFORMAÇÃO1

THE PRODUCTION OF SCIENTIFIC, TECHNOLOGICAL AND


ORGANIZATIONAL KNOWLEDGE IN THE CONTEXT OF
GENERATION OF INNOVATION AND ITS RELATIONSHIP WITH
INFORMATION SCIENCE

Cássia Aparecida Corsatto, UFSCar


cassiacorsatto@gmail.com

Wanda Aparecida Machado Hoffmann, UFSCar


wanda@nit.ufscar.br

Resumo: Ciência, Tecnologia e Inovação e suas interações tem sido objeto de estudo na busca pela
compreensão da forma de produção do conhecimento e uso da informação em várias áreas de atuação,
particularmente na ciência da informação e no ambiente organizacional. As mudanças ocorridas na
sociedade com a globalização da economia, estabeleceu um vínculo entre as sociedades da informação
e do conhecimento que teve sua importância reconhecida pela relação direta dos impactos da nova
forma de produção do conhecimento com a evolução dos estudos da inovação nas organizações. Neste
processo de mudança a produção do conhecimento Científico, Tecnológico e da Inovação se tornou
objeto de estudo relevante para a ciência da informação, considerando estar esta imbricada às formas
de produção do conhecimento específico destas áreas. Assim, o objetivo deste artigo é apresentar o
contexto da produção do conhecimento destas áreas baseado em estudo, observação e pesquisas
bibliográficas sobre conhecimento e sua produção, apoiada a literatura sobre o tema, vinculando-as aos
conceitos de ciência, tecnologia e inovação, esclarecendo a característica dos conhecimentos
produzidos e sua a importância para geração de inovação utilizando a teoria como guia para a
compreensão dos processos da produção da inovação no contexto organizacional. Com base na

1
O conteúdo textual deste artigo, os nomes e e-mails foram extraídos dos metadados informados e são
de total responsabilidade dos autores do trabalho.
literatura escolhida para o desenvolvimento deste artigo, considerando as questões inerentes à
inovação, pretende-se como resultado contextualizar a produção do conhecimento cientifico,
tecnológico e organizacional e sua utilização na geração de inovações conectando-os com os temas
informação, conhecimento e inovação, estrutura de produção e suas imbricações com a ciência da
informação.

Palavras-chave: Ciência. Tecnologia. Inovação. Produção do Conhecimento.

Abstract: Science, Technology and Innovation and their interactions have been studied looking for
understanding the way of the knowledge´s production and information use in several áreas,
particularly in the science of information and organizational environment. The changes occour in the
society since the economics globalization, get established a conecction between societies of
information and knowledge that have recognized its importance, given the direct relationship of the
impacts of the new form of knowledge production with the development of innovation studies at the
organizations. In these process, the production of knowledge at the field of Science, Technology and
Innovation has become important object of study for information science, considering this to be
intertwined forms of production of specific knowledge area. By the way, the objective of this paper is
present the context of knowledge´s production of these areas based on study, observation and
bibliographic research supported by the selected literature on the subject, linking them to the concepts
of science, technology and innovation, explaining the characteristic of the knowledge produced and its
importance for the generation of innovation, using the theory as guide to understanding the innovation
of production processes in the organizational context. Based on the chosen literature for the
development of this article, considering the issues related to innovation, it is intended as a result
contextualizing the production of scientific, technological and organizational knowledge and its use in
generating innovation by establishing their connections with the subjects information, knowledge and
innovation, production structure and overlaps with the information science.

Keywords: Science. Technology. Innovation. Knowledge Production.

1 INTRODUÇÃO

Na Era da Informação e do Conhecimento, em um cenário de desenvolvimento


tecnológico acentuado, o contexto da produção do conhecimento nos campos das Ciências,
Tecnologia e Inovação se tornaram comuns na realidade das instituições / organizações atuais
considerando a necessidade crescente de otimizar e tornar mais assertivos os seus processos
de tomada de decisão no contexto da compreensão das formas de produção de conhecimentos
científicos, tecnológicos e organizacionais adequados para a geração de inovação.
Esta nova ordem socioeconômica e organizacional acontece a partir do processo de
globalização da economia, no início no século XX e segue para o século XXI, quando as
sociedades da informação e do conhecimento passam a ter sua importância reconhecida,
considerando sua relação direta com os impactos da nova forma de produção do
conhecimento cientifico, tecnológico, organizacional e a evolução dos estudos da inovação
nas organizações. E, afirma Peter Drucker (1993) ainda estamos em um período de transição,
ficando claro “o fato de já termos entrado em uma sociedade nova e diferente” (DRUCKER,
1993, p.xv), cujo recurso econômico fundamental deixa de ser o capital, a mão-de-obra ou os
recursos naturais, para dar lugar ao conhecimento. Conhecimento este, ainda conforme o
autor, que adquire novos significados “transformando-se em um recurso e uma utilidade ”
(DRUCKER, 1993, p.3), ou seja, conhecimento e informação estão imbricados um ao outro,
no entanto, há que se considerar que enquanto a revolução da informação “centrou-se nos
dados - recolha, armazenamento, transmissão, análise e apresentação da informação, estando
centrada nas Tecnologias da Informação”(DRUKER, 1998, s.p), a sociedade do conhecimento
está centrada na mudança radical do “significado do conhecimento, onde ele “passa a ser não
‘um recurso’, mas ‘o recurso’ aplicado às ferramentas, processos e produtos”(DRUCKER,
1993, p.14). Pode-se afirmar então que no campo da ciência, tecnologia e inovação, esta
realidade não é diferente e a produção do conhecimento científico e tecnológico para geração
de inovação é uma constante presente e necessária, de tal sorte que os impactos e os
paradigmas diversos que envolvem a evolução científica e tecnológica são objetos de estudos
e pesquisas para a organização do conhecimento nestas áreas. Entende-se que a relação entre
ciência, tecnologia, inovação e sua dinâmica no processo de produção de informação e
conhecimento podem ser tratadas sob os mais variados aspectos, trazendo ambas, ciência e
tecnologia, em seu contexto, o conhecimento como suporte para a construção de soluções
inovadoras que apresentam um forte valor para a modernidade.
Considerando a importância da informação e do conhecimento para evolução histórica
do desenvolvimento cientifico, tecnológico e inovativo, a proposta deste trabalho é apresentar
conceitos e definições sobre ciência, tecnologia e inovação e suas formas e impactos na nova
forma de produção do conhecimento organizacional para a geração de inovações. Assim, este
artigo é composto por quatro partes além da introdução, na primeira serão descritas de modo
geral a produção do conhecimento cientifico e os conceitos e definições de ciência, tecnologia
e inovação e suas interações com o conhecimento e a informação, a segunda apresenta o
impacto das novas formas de produção do conhecimento para a geração de inovações, a
terceira contextualiza o papel da ciência da informação neste processo e na quarta parte serão
apresentadas as considerações sobre o tema.

2 CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO – CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Ao se abordar as questões voltadas para a ciência, tecnologia e inovação, sendo estas


questões, conforme afirma Rocha (1996), frutos da cultura e produtos humanos e transitando
em dimensões diversas, particularmente nas dimensões filosófica e epistemológica enquanto
ciência; econômica e política enquanto tecnologia e na dimensão transversal da ciência e da
tecnologia enquanto inovação, entende-se ser importante resgatar as questões afetas à criação
deste conhecimento que estão “relacionadas ao conhecimento cientifico, na medida que
autonomizam os diversos domínios da investigação filosófica”(MATTEDI, 2006, p.13), ao
conhecimento epistêmico na medida em que extrapolam os conhecimentos fornecidos pelos
sentidos, “compreendendo uma forma de pensar lógica, sendo a epistemologia o campo da
filosofia ou da ciência que tem este tipo de conhecimento como objeto de estudo e
investigação” (ROCHA, 1996, p.10) e ao conhecimento organizacional, na medida em que a
organização gera conhecimento no ambiente interno e “processa a informação do ambiente
externo para se adaptar às novas circunstâncias” (NONAKA;TAKEUCHI, 2008, p.54).
Assim, no sentido de elucidar as questões da produção do conhecimento no campo das
ciências, tecnologia e inovação apresenta-se a contextualização das suas esferas de
conhecimento, suas definições e conceitos.

2.1 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO E A DEFINIÇÃO DE CIÊNCIA

Para compreender o processo de construção do conhecimento cientifico, antes que


conceituar ciência, apresenta-se duas abordagens desenvolvidas em tempos diferentes, com
concepções diferentes, porém complementares no que se refere ao desenvolvimento deste tipo
de conhecimento, são as abordagens de Francis Bacon (1561-1626) e de Thomas Khun
(2011). Francis Bacon (1561-1626) 2 é considerado fundador da ciência moderna e seu
pensamento teve forte influência no desenvolvimento do conhecimento cientifico pela
proposta de estudos da metodologia científica, desenvolvimento do empirismo e do
pensamento racionalista.
Conforme Mokyr (2010), Bacon propôs observar a ordem e a dinâmica dos problemas
existentes e corrigi-los, tornando útil o conhecimento adquirido, ele dizia que “a ciência era
benéfica para o homem e que o poder dos homens sobre as coisas dependia totalmente das
artes e das ciências” (Mokyr, 2010, p.7). Ainda segundo Mokyr (2010), Bacon (1561-1626)
acreditava que a ciência pudesse servir para a criação de conhecimentos a serem utilizados
para o progresso e bem-estar social, dando origem ao pensamento racional e ao
desenvolvimento do empirismo. A abordagem de construção do conhecimento cientifico do
pensador retorna às discussões no século XVIII, no período do Iluminismo ou século das
luzes, dada a necessidade da sociedade em elucidar as questões que ele havia levantado sobre
2
Fonte: http:// desenvolvendo o pensamento crítico .blogspot. com.br /2010/06/francis-bacon-e-o-
empirismo .html Acesso em 07 jul. 2015.
o domínio que a raça humana estabeleceu sobre o universo com a ambição e a necessidade de
poder sobre todas as coisas. Com esta percepção, Bacon (1561-1626) externalizou com
precisão impecável e raciocínio lógico um sentimento que já estava no ar naquela época. Seus
pensamentos tiveram repercussão e ele se tornou junto com pensadores como Adam Smith,
Karl Marx e John Maynard Kennedy um dos intelectuais cujo pensamento afetou os
resultados dos contextos científicos, econômicos e tecnológicos da atualidade (MOKYR
2010, p.18). Sob a percepção de Bacon, e sob a bandeira da primeira Revolução Industrial os
baconianos fundaram a Royal Society, que tinha como proposta “to improve the knowledge of
natural things, and all useful Arts, Manufactures, Mechanic practices, Engines, and
Inventions by Experiments” (MOKYR, 2010, p.18). Com isso, a segunda metade do século
dezoito testemunhou uma explosão de sociedades formais e acadêmicas que se dedicavam em
combinar conhecimentos de filosofia natural com artes úteis, colocando juntos
empreendedores e industriais, cientistas e filósofos, causando uma transformação no modelo
vigente de conhecimento, tecnologia e inovação, de tal forma que a contribuição de Bacon
para o contexto da ciência é inegável.
Enquanto a abordagem de Bacon é ampla e atua no contexto do racionalismo e da
ciência empírica, com foco externalista buscando restaurar o conhecimento científico e
construir novas bases de conhecimento para o progresso da ciência em benefício da
humanidade, a abordagem de Thomas Kuhn (2011) na obra “A estrutura das revoluções
científicas”, apresenta uma análise da comunidade cientifica e da geração do conhecimento
cientifico do ponto de vista internalista. Thomas Kuhn (2011) foi físico teórico e se dedicou
ao estudo da História das Ciências o que o levou a questionar os dogmas científicos e
contestar o pensamento de que o progresso da ciência se dava por meio do acúmulo do
conhecimento e das experiências, propondo um processo contraditório marcado pela
revolução do pensamento cientifico, descrevendo os ciclos de ciência normal e das revoluções
científicas, cujo ponto central do trabalho se concentra no conceito de paradigma.
Para o autor, ciência normal está baseada na pesquisa de realizações passadas que
“[…] são reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica especifica
proporcionando os fundamentos para sua prática posterior” (KUHN, 2011, p.29), essa prática
procura definir problemas e métodos científicos de um campo de pesquisa para a geração de
conhecimentos em uma comunidade científica fechada que investiga áreas bem definidas de
problemas, com métodos e instrumentos próprios, onde os processos relacionados ao
desenvolvimento da ciência normal não descrevem e não explicam a mudança na ciência e
suas anomalias e revoluções. Nesta concepção sobre revolução cientifica, Kuhn (2011) afirma
que “cada revolução científica altera a perspectiva histórica da comunidade que a
experimenta” (KHUN, 2011, p.14), surgindo então os paradigmas científicos que por sua vez,
determinam conceitos e pressupostos que ficam impregnados no pensar e no agir dos
cientistas sendo difícil de serem substituídos, até surgir um momento de ruptura, uma vez que,
conforme Khun, (2011) todo paradigma tende a atingir, em algum momento, seu ponto de
exaustão intelectual, ele irá persistir e resistir às soluções existentes por um tempo, surgindo
daí as anomalias. Hochman (1994) considera anomalias em Khun (2011), as “persistentes
intratáveis, resistentes ao instrumental da tradição comunitária, que promovem explicações
não-tradicionais para os problemas anômalos [...]” (HOCHMAN, 1994, p.205) em um
processo incomum, onde a ciência normal, não resiste às anomalias existentes, gerando as
crises que enfraquecem o paradigma vigente (ruptura com o conhecimento estabelecido e
consolidado), causando o surgimento de uma ciência revolucionária e estabelecendo um novo
paradigma (gerando novas bases de conhecimento), desta forma, as anomalias provocam
investigações extraordinárias que conduzem a uma nova base para a prática científica, criando
novas teorias, gerando um novo corpo de conhecimento. Assim, levando em conta a visão
externalista que se baseia na história do desenvolvimento cientifico e a internalista que tem
como base a filosofia lógica da ciência apresentadas a partir das abordagens de Bacon (1561-
1626) e Kuhn (2011) para a produção do conhecimento cientifico,vale considerar três
questões importantes: a primeira é que não se pretende esgotar o assunto ou propor um
confronto entre as duas visões e sim apresentar as contribuições de ambas para a construção
do conhecimento cientifico; a segunda questão é a afirmativa de que “embora nem todo
conhecimento cientifico seja produzido em laboratório, os laboratórios exprimem a atividade
cientifica moderna”(MATTEDI, 2007, p.51)e; a terceira leva em consideração as
características do conhecimento cientifico que é na sua essência “real (factual) por lidar com
ocorrências ou fatos, isto é, com toda forma de existência que se manifesta de algum modo”
(TRUJILLO FERRARI, 1974, p.14), é “sistêmico por tratar de um saber coerente e ordenado
por princípios lógicos, é verificável por incorporar a verificação experimental na sua
produção, no que se refere a objetos da mesma natureza”(ROCHA, 1996, p.17), ou seja,
pertencentes a determinada realidade e com características homogêneas3 e gera resultados a
partir de uma “hipótese testável e de relações conhecidas da teoria” (ROCHA, 1996, p.17), ou
seja, lida com o contexto da informação.

3
Fonte: http://user.das.ufsc.br/~cancian/ciencia/ciencia_conceito.html. Acesso em: 25 maio 2015.
Considerando as formas de geração do conhecimento científico apresentadas, e ainda,
considerando que a ciência hoje, assim como no passado está pautada na produção de
conhecimentos desta natureza, traz-se o conceito de ciência na abordagem de Ander-Egg
(1995). O autor afirma que ciência “[...] é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou
prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referências a
objetos de uma mesma natureza” (ANDER-EGG, 1995, p.15). Na sua natureza e concepção, a
ciência moderna tem sido eficiente na construção simbólica dos fenômenos sendo “[...]
caracterizada como um instrumento essencial da humanidade na busca de respostas para
satisfazer necessidades de ordem econômica e social” (ROCHA, 1996, p.11), no entanto, vale
observar o contexto das informações cientificas, técnicas e tecnológicas que interagem com a
ciência na aplicação do conhecimento e neste contexto, Lacey ( apud SCHOR, 2007, p.02)
propõe uma reflexão sobre os fundamentos da ciência como sendo “[…] um padrão de
racionalidade, que explica e desenvolve a tecnologia”, buscando a relação entre elas. Para
Schor (2007) ciência e tecnologia andam juntas e estão presentes nas discussões do
desenvolvimento socioeconômico da sociedade.

2.2 CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E CONCEITO DE


TECNOLOGIA

Seguindo a abordagem apresentada por Schor (2007), pode-se acrescentar que ciência
e tecnologia, não apenas andam juntas determinando a sociedade, mas sendo elas a sociedade,
assim, sendo a ciência, pelas possibilidades de explicação e de transformação das tecnologias,
reconhecida pela sua forma privilegiada de entendimento do mundo, tal relação pode ser
compreendida em um contexto amplo de produção do conhecimento cientifico, tecnológico e
organizacional, na qual a relação entre ciências e tecnologia pode ser tratada sob um mesmo
contexto e sob os mais variados aspectos, por fazerem parte do ambiente, interferindo nele ou
sofrendo suas interferências, trazendo ambas, ciência e tecnologia, conexões e similaridades
de conceitos e definições. Desta forma, tanto a tecnologia, como a ciência podem ser
definidas como um conjunto de conhecimentos, e, no caso da tecnologia este conjunto de
conhecimentos envolve também um conjunto de atividades abrangentes e processuais, uma
vez que tecnologia vista como geradora de conhecimentos científicos e tecnológicos,
conforme definem Sãenz e Capote (2002, p.47) é composta por “[...] um conjunto de
conhecimentos científicos e empíricos, de habilidades, experiências e organização requeridos
para produzir, distribuir, comercializar e utilizar bens e serviços”, isto segundo os autores
inclui “ tanto conhecimentos teóricos como práticos, meios físicos, know how, métodos e
procedimentos produtivos, gerenciais e organizacionais, entre outros.” (SÃENZ; CAPOTE,
2002, p.47). Ampliando o conceito de atividades tecnológicas que por sua vez “busca
aplicações para conhecimentos já existentes” (SÃENZ; CAPOTE, 2002, p.47), tem-se ainda
duas abordagens que cabem à proposta deste trabalho, observando o foco do uso da
informação, tecnologia, produção de conhecimentos e geração de inovação, “uma que define
tecnologia de forma abrangente, compreendendo todo o processo operacional, seja de
produção ou de serviço, isto é, todo modo de fazer coisas implica uma tecnologia especifica”
conforme Tompson (1967) e Perrow (1972) apud Vico Manãs (2001, p.105) e a outra que
entende tecnologia como “o processo de produção de bens, inerente aos equipamentos
utilizados nesta produção”(WOODWARD, 1977; COELHO, 1978 apud VICO MANÃS,
2001, p.105). Tais abordagens, como se pode observar, trazem a concepção de que a produção
do conhecimento tecnológico consiste em definir ou melhorar procedimentos e rotinas que
conduzam a fins práticos em busca de resultados.
Neste aspecto, considerando a proposta de elucidar a importância da informação no
processo de produção de conhecimentos para a geração de inovação, complementa-se a
compreensão dos conceitos de tecnologia e geração de conhecimento tecnológico trazendo a
visão de Dosi e Nelson (2010) apresentada no capítulo 3 - Technical Change and Industrial
Dynamics as Evolutionary Processes do Handbook of Economics of Innovation. De acordo
com Dosi e Nelson (2010, p. 53), um grande número de pesquisadores tanto na economia
como em outras disciplinas têm estudado o avanço tecnológico como um processo evolutivo e
que impulsionou a inovação tecnológica e organizacional. Nesta abordagem os autores
dividem os seus estudos sobre a tecnologia, sua evolução e suas formas de geração de
conhecimentos em três partes contextualizando as visões da natureza da tecnologia; de
como as tecnologias evoluem e; da concorrência Schumpeteriana e a dinâmica industrial.
Considerando que o foco de abordagem deste artigo está centrado na tecnologia, na
informação e suas formas de produção de conhecimento, abordar-se-á a visão dos autores
sobre a natureza da tecnologia, por ser esta a visão diretamente relacionada ao tema. Assim,
no que se refere à natureza da tecnologia, os autores afirmam que de modo geral, tecnologia
pode ser vista como um projeto humano executado para alcançar determinados fins que
frequentemente implicam em acessar partes específicas do conhecimento. Esses aspectos
diferentes oferecem formas diferentes, porém complementares de descrever as tecnologias,
conforme classificaram Dosi e Nelson (2010, p.56), sendo elas: “a) tecnologia e informação;
b) tecnologia como receita; c) tecnologia como rotina; d) tecnologia como artefato e; e)
conhecimentos, procedimentos e a junção dos inputs e outputs.”
No que diz respeito à tecnologia e informação, iniciam o tema com um
questionamento: “Quais são as características do conhecimento tecnológico”? Esta questão
propõe uma reflexão utilizando como ponto de partida algumas funcionalidades básicas sobre
conhecimento tecnológico e informação onde: “primeiro, o conhecimento tecnológico,
mesmo quando considerado como informação, não é competitivo em seu uso, já que sua
utilização por um agente econômico por si só não impede que outro agente utilize a mesma
tecnologia” (DOSI; NELSON, 2010, p.56). Segundo, há uma indivisibilidade intrínseca no
uso da informação e sobre este aspecto, Dosi e Nelson (2010, p.56) exemplificam dizendo que
“metade de uma declaração sobre qualquer parte de uma propriedade ou de uma tecnologia no
mundo, não vale a metade dela inteira, ou seja, provavelmente seu valor é nulo”; em terceiro
lugar, os autores afirmam que “tanto o conhecimento tecnológico como a informação pura,
envolvem alto custo na sua geração, se comparado com o baixo custo de sua utilização
repetidamente, após sua aplicação inicial, particularmente quando a tecnologia é desenvolvida
em um único lugar” (ibid., 2010, p.56); e, o quarto item observado pelos autores, em
consequência, há um aumento considerável de retorno da propriedade para o uso da
informação e do conhecimento tecnológico. Com isto, importantes áreas da teoria da
economia contemporânea estão, finalmente, começando a levar em conta as implicações de
ter a informação como um input fundamental em todas as atividades da economia. No
entanto, os autores observam que, no caso da tecnologia mesmo que um corpo de
conhecimentos possa ser teoricamente utilizável em alguma escala isso não significa
necessariamente que sua replicação ou imitação sejam fáceis ou baratas e em se tratando do
conhecimento tecnológico, a reprodução de propriedade em livre escala remete a três grandes
questões, quais sejam: primeiro que a não rivalidade no uso implica o não esgotamento pela
reprodução ou pela transferência de ambos, conhecimento cientifico e tecnológico; segundo
que conhecimento cientifico e mais ainda o tecnológico compartilham em diferentes
extensões, algum nível de tacitividade ( DOSI; NELSON, 2010, p. 59), seja ele um
conhecimento pré-existente que conduz a qualquer descoberta ou um conhecimento
necessário para interpretar e aplicar à informação codificada após ser gerado. A terceira
questão apresentada por Dosi e Nelson (2010, p.58) é a de que o “conhecimento difere da
informação pura em seus modos e os custos de replicação”, desta forma, buscando
compreender a natureza e a dinâmica do conhecimento tecnologico, dizem os autores que um
passo fundamental diz respeito à compreensão de “Onde reside o conhecimento tecnológico”
e “Como ele é expressado, armazenado e incrementado” (DOSI; NELSON, 2010, p.58) e esta
questão será detalhada no item tecnologia como receita.
A concepção de projeto e produção de qualquer artefato ou a realização de qualquer
serviço, geralmente envolve sequências de ações cognitivas e fisicas, por isso, pode-se pensar
em tecnologia como uma receita de projeto para o desenvolvimento de um produto final, tal
como um livro de receitas que descreve um conjunto de procedimentos para executá-las e um
conjunto de ações que precisam ser tomadas para se chegar ao resultado esperado,
especificando as entradas e equipamentos necessários para a execução do projeto, oferecendo
um progresso na compreensão sobre a caixa preta do conhecimento tecnológico. Na
condição sequencial das receitas, a natureza da tecnologia apresenta um conjunto de rotinas,
ao que Dosi e Nelson (2010) chamaram de tecnologia como rotina. O termo rotina foi
proposto por Nelson e Winter (1982, apud DOSI; NELSON, 2010, p.61), para indicar a
natureza multi-pessoal na forma como as organizações fazem as coisas. Estabelecer rotinas
organizacionais envolve uma série de aspectos relacionados aos conhecimentos, habilidades e
atitudes de seus executores, ou seja, o desenvolvimento de rotinas exige que a organização
disponha de “competências e capacidades especificas” (DOSI; NELSON, 2010, p.62). Tal
noção de capacidades e competências ao longo do tempo passou a ser conhecida como “visão
de competência da empresa”, e está diretamente ligada à noção de aplicação de processos e
procedimentos necessários para a produção de bens e serviços e este fator dá sequência à
proposta dos autores para a abordagem de tecnologia como artefato.
Olhar a tecnologia como artefato remete à representação central dos processos e à
visão de que as tecnologias são dinâmicas e evoluem ao longo do tempo, mesmo quando
“[…] the procedure involves a notion of design, the latter is in general only one of the many
possible configurations which can be achieved on the grounds of any one knowledge base”.
(DOSI; NELSON, 2010, p.62). Assim, enquanto as receitas envolvem projetos do que será
alcançado como produto final e as rotinas envolvem a execução daquilo que está registrado
como procedimentos para a execução correta do produto final os artefatos físicos são as saídas
propostas a partir do projeto, observando as propriedades dos componentes que determinam o
produto final e suas combinações, estando diretamente relacionados aos inputs e outputs que
caracterizaram o quinto e último fator estudado na natureza da tecnologia, qual seja,
conhecimento, procedimentos e a relação com os inputs e outputs.
Este aspecto conforme Dosi e Nelson (2010) traz a junção complementar das
informação, receitas, rotinas e artefatos, ressaltando que, em uma visão processual da
tecnologia, o foco de orientação principal não é a “lista de insumos e equipamentos utilizados
para produzir um produto qualquer, mas sim a concepção dos dispositivos e procedimentos
utilizados para sua execução” (DOSI; NELSON, 2010, p.62). A questão crucial da
ramificação de uma tecnologia de produção considera precisamente os mapeamentos entre os
“procedimentos centrais e inputs/outputs centrais representando as tecnologias” (DOSI;
NELSON, 2010, p. 63). Questões deste tipo, conforme explanado por Dosi e Nelson (2010)
estão intrinsicamente ligadas ao estudo das teorias da informação, da produção e da natureza
do conhecimento tecnológico, bem como, da natureza das receitas, das rotinas e da produção
de conhecimento estimulada por estes fatores para o processo de geração de inovações.

2.3 CONCEITO DE INOVAÇÃO

Ciência, tecnologia e inovação, fazem parte do contexto de produção do


conhecimento, nas esferas científica e tecnológica e a inovação, ou seja, é a interação e
interligação entre ambas e ainda, se dá mais fortemente no contexto organizacional. Assim,
Dosi e Nelson (2010) ao abordar as questões relacionadas às bases de conhecimento, suscitam
as discussões sobre a dinâmica da inovação no que se refere às modificações e melhoramentos
das características de um bem ou serviço, bem como a dinâmica das mudanças incrementais e
das rupturas mais radicais na estrutura e funcionalidades dos artefatos no contexto das teorias
evolutivas da inovação. Este aspecto está diretamente relacionado à forma de como a
inovação acontece e o processo de construção do conhecimento para tal. Dadas estas
colocações, traz-se as visões e conceitos de inovação considerados usuais e reconhecidos,
apresentados na literatura.
Inicia-se com a visão do economista Schumpeter (1985), que é considerado um dos
pensadores de maior relevância para os estudos dos fenômenos econômicos. Joseph
Schumpeter (1985), trouxe, em sua teoria econômica, a discussão sobre o tema inovação
vinculando-o ao sistema econômico. A abordagem de Schumpeter descreve a inovação em um
conceito que engloba os cinco itens a seguir:
Introdução de um novo bem – ou seja, um bem com que os consumidores
ainda não estiverem familiarizados – ou de uma nova qualidade de bem. 2)
Introdução de um novo método de produção, ou seja, um método que ainda
não tenha sido testado pela experiência no ramo próprio da indústria de
transformação, que de algum modo precisa ser baseada numa descoberta
cientificamente nova e, pode consistir também em nova maneira de manejar
comercialmente uma mercadoria. 3) Abertura de um novo mercado, ou seja,
de um mercado em que o ramo particular da indústria de transformação do
país em questão não tenha ainda entrado, quer esse mercado tenha existido
antes, quer não. 4) Conquista de uma nova fonte de oferta de matérias-
primas ou de bens semimanufaturados, mais uma vez independentemente do
fato de que essa fonte já existia ou teve que ser criada. 5) Estabelecimento de
uma nova organização de qualquer indústria, como a criação de uma posição
de monopólio (por exemplo, pela trustificação) ou a fragmentação de uma
posição de monopólio. (SCHUMPETER, 1985, p. 76).
4
O conceito de inovação apresentado por Schumpeter e seus seguidores
neoschumpeterianos, com destaque para Freeman (1974) e Dosi (1988) enfatiza a abordagem
na inovação tecnológica, seus impactos para as firmas e seus mecanismos para permanência
no mercado, com visões estritamente economicistas, voltadas para os processos econômicos e
tecnológicos, inserindo o conjunto de variáveis que impactam no desenvolvimento da
inovação nas empresas e no mercado. Uma abordagem diferenciada, ainda que muito próxima
da visão evolucionista é apresentada por Lundvall (1992) e Nelson (1993) apud Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (2005, p.41), os autores estudam “a
influência das instituições externas, definidas de forma ampla, sobre as atividades de
empresas e outros atores”, este aspecto leva em conta a importância do aprendizado, da
transferência de conhecimentos, informações, ideias e outras variáveis, mudando o foco da
inovação puramente tecnológica e economicista para um foco sistêmico de produção e difusão
de informação e conhecimentos. Observa-se que há no contexto dos conceitos apresentados
um forte componente econômico uma vez que o foco central da inovação está em criar valor
no ambiente interno e gerar valor para o ambiente externo ou seja, na “apropriação comercial
de invenções ou à introdução de bens e serviços utilizados pela sociedade” (ROCHA, 1996,
p.45) e tecnológico quando se refere à utilização das tecnologias na produção de bens e
serviços. Em contraposição à teoria mecanicista ou economicista, em que pese sua
importância, traz-se a abordagem holístico-sistêmica que insere no processo de geração de
inovação a presença de atores diversos, tais como: empresas, instituições tecnológicas,
entidades de apoio, instituições financiadoras, governança, comunidade e sociedade em geral
“que por meio de suas interações propiciam o aprendizado com as externalidades, com a
interação da rede e demais fatores preponderantes no processo de geração de
inovação”(CORSATTO, 2010, p.29). Com esta proposta que assume a inovação como um
sistema e no sentido de inserir os países em desenvolvimento no contexto da inovação, o
Manual de Oslo em sua terceira edição reestruturou o conceito, expandindo o escopo do
significado de inovação para incluir dois novos tipos: inovação de marketing e inovação
organizacional buscando incluir no contexto da inovação países com diferentes cenários
econômicos e sociais. Segundo o Manual de Oslo uma inovação é “[...] a implementação de
um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um
novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na

4
N.A: Schumpeter (1985) classifica as inovações como radicais e incrementais, sendo as radicais
aquelas que provocam rupturas intensas, alterando as bases de conhecimento e incrementais as que dão
continuidade ao processo de mudança, porém, não alteram as bases de conhecimento.
organização do local de trabalho ou nas relações externas” (ORGANIZAÇÃO PARA A
COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, 2005. p.55).
Considerando esta abordagem de inserção dos países em desenvolvimento no contexto
da inovação, Prahalad (2008, p.16) traz um novo paradigma para inovação na busca da
sustentabilidade, cuja proposta altera o paradigma da inovação economicista/tecnológica para
uma visão de sustentabilidade socioeconômica e ambiental, alterando significativamente as
bases de conhecimentos dos processos inovativos nas organizações. Nesta visão o autor incluí
as tipologias de inovações para “construir o novo paradigma; inovações em modelos de
negócio - com a mesma perspectiva da sustentabilidade; inovações no uso da tecnologia;
inovações em governança e; inovações no setor privado e na saúde pública” (PRAHALAD,
2008, p.16), observa-se que se trata de uma proposta ampla com um conjunto de atividades de
inovação que combina informações e conhecimentos diferenciados trazendo a
sustentabilidade como foco para o novo paradigma de inovação, porém, preservando as
dimensões essenciais para o aprendizado contínuo, a utilização da informação e do
conhecimento disponíveis e a consequente geração de inovação para a sustentabilidade.

3 OS IMPACTOS DAS NOVAS FORMAS DE PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO


PARA A GERAÇÃO DE INOVAÇÃO

Buscando consolidar as discussões apresentadas, cujo tema central está ligado à


produção do conhecimento cientifico, tecnológico e organizacional, abordar-se-á nesta parte
as questões sobre os impactos da nova forma de produção do conhecimento na geração de
inovação, considerando as perspectivas do elemento globalização e tecnologia que
proporcionaram a facilidade de acesso às informações; do conhecimento que é, conforme se
vem abordando, um dos principais fatores geradores de inovação e considerando ainda
algumas das diversas formas de produção do conhecimento existentes na literatura, que
serviram como guia para as novas formas de produção do conhecimento organizacional. Peter
Drucker (1993) e Gibbons et al. (1994) no decorrer do século XX, cada um à sua forma
elaboraram teorias e conceitos sobre informação e formas de produção do conhecimento.
Embora suas abordagens fossem diferenciadas e os focos distintos, um falando da
sociedade do conhecimento, da importância do conhecimento organizacional, dos impactos da
globalização na construção deste conhecimento e sua importância para a inovação e o outro
apresentando uma abordagem abrangente envolvendo discussões de cunho científico,
tecnológico e social, com foco na transdisciplinaridade, ambos reconhecem a informação
como fundamental para a construção do conhecimento e redução de incertezas tendo suas
teorias contribuído para os impactos da produção de conhecimento na nova forma de geração
de inovações. Peter Ducker (1993) traz à luz o conceito da sociedade do conhecimento e das
mudanças no contexto da aplicação deste conhecimento “que sempre havia sido considerado
aplicável ao ‘ser’, da noite para o dia passa a ser aplicado ao ‘fazer” (DRUCKER, 1993, p.3),
causando uma mudança radical no significado de conhecimento, na sua forma de produção e
ainda no processo de tomada de decisão para a geração de inovações. Para Peter Drucker
(1993) que trata do conhecimento no âmbito estritamente organizacional “a introdução da
informação na organização como elemento estrutural e orgânico [...]” (DRUCKER, 1993,
p.75), promoveu uma transformação na sua estrutura, atribuindo-lhes a “responsabilidade
pelos objetivos e pelas contribuições das mesmas [...]” (ibid., 1993, p.76) ao ambiente onde
estão inseridas, a partir do conhecimento que geram. Com esta visão, Drucker (1993)
apresenta questões latentes sobre as formas de produção do conhecimento organizacional que
se expandem para outros conceitos.
Por outro lado, Gibbons et al. (1994), se propõe explorar os modos de produção do
conhecimento na sociedade contemporânea, propondo uma mudança ampla, envolvendo a
produção de conhecimentos no campo das ciências humanas e sociais e principalmente da
tecnologia, fazendo uma contraposição do conhecimento tradicional (Modo 1)5, gerado em
um contexto disciplinar, fundamentalmente cognitivo, ao conhecimento gerado em contextos
transdisciplinares sociais e econômicos mais amplos que chamaram de Modo 2 por ser
considerado um modelo mais abrangente onde “o conhecimento é resultado de uma gama
mais ampla de considerações e tem a proposta de ser útil para alguém, seja a indústria (e neste
contexto está inserida a geração do conhecimento organizacional), o governo ou a sociedade
em geral, e este imperativo está presente desde o início da sua produção” (GIBBONS et al.,
1994, p.15). Sendo considerado pelos autores como um modelo transdisciplinar de produção
de conhecimento, seu contexto principal foi o da aplicabilidade, por isso a “produção do
conhecimento ser entendida como processos operados por fatores de oferta e demanda onde as
fontes de ofertas são cada vez mais diversas, como também são as demandas diferenciadas de
conhecimento especializado” (GIBBONS et. al., 1994, p.15). Desta forma, em que pesem suas
características de atuar com produção de conhecimento científico e tecnológico, de contexto
amplo e abrangente e em que pesem as desvantagens apresentadas nesta forma de produção
5
Conforme Mattedi (2006) o Modo 1 de produção do conhecimento foi apresentado por Robert
Merton (1970) e sua principal contribuição “para a abordagem sociológica do conhecimento foi ter
destacado a importância crescente da ciência e da tecnologia no desenvolvimento da sociedade
moderna” (MATTEDI, 2006, p.92).
de conhecimento, suas características contribuíram para a reflexão e o desenvolvimento de
novas formas de avaliar a produção do conhecimento organizacional na medida em que
abordam o processo de mudanças na produção do conhecimento ocorridas na sociedade
contemporânea6. Com isto, já no século XXI, com uma visão voltada para a nova forma de
produção do conhecimento organizacional, tem-se as abordagens de Choo (2006) e Nonaka e
Takeuchi (2008), trazendo o tema do conhecimento sob o ponto de vista organizacional e com
foco na sua produção, ou criação como denominaram, assim, para Choo (2006,) que insere a
inovação no contexto organizacional e da produção do conhecimento, a organização do
conhecimento “[...] possui informações e conhecimentos que lhe conferem uma vantagem,
permitindo-lhe agir com inteligência, criatividade e, ocasionalmente, com esperteza”, e é
capaz de “escolher e implementar uma determinada estratégia ou um determinado curso de
ação” (CHOO, 2006, p.18). Nonaka e Takeuchi (2008), também com foco na criação do
conhecimento para a geração de inovação, afirmam que “para explicar a inovação,
necessitamos de uma nova teoria da criação do conhecimento organizacional” (NONAKA;
TAKEUCHI, 2008, p.54), uma vez que na percepção dos autores as teorias anteriores não
explicavam a utilização do conhecimento existente para a geração da inovação propondo,
assim, uma nova forma de criação do conhecimento organizacional ancorada nas dimensões
do conhecimento tácito e explícito e a interação destes conhecimentos entre si.
Considerando as abordagens apresentadas, pode-se observar que há uma evolução das
formas de produção do conhecimento existentes, propiciando o desenvolvimento de
abordagens como as apresentadas por Choo (2006) e Nonaka e Takeuchi (2008), observando-
se ainda que estas são convergentes no que se refere às novas formas de produção do
conhecimento para a geração da inovação no âmbito organizacional. Vale também a
observação de que, guardadas as proporções, as diversas formas de criação/produção de
conhecimentos apresentadas convergem para o objetivo de apresentar como as novas formas
de produção do conhecimento interagem e têm impactos no processo de geração da inovação
organizacional, uma vez que as mesmas propõem a interação e combinação dos elementos
científico, tecnológicos e organizacionais como elementos catalizadores para o
desenvolvimento da inovação de forma sistêmica, ocorra ela nas suas diversas tipologias,
desde que apresentem soluções inovadoras, um vez que “a inovação é uma questão de
conhecimento”(TIDD et al., 2008, p.35), utilizado para “ criar novas possibilidades por meio
6
N.A – Embora não seja o foco principal deste artigo, destaca-se a título de registro, a existência do
Modo 3 de produção do conhecimento, um modelo proposto por Jaime Jimenéz (2008) que aborda
pesquisa socialmente responsável, sendo definido pelo autor como “[...]um modelo de produção do
conhecimento cuja característica distintiva é estar a serviço da humanidade” (JIMENÉZ, 2008, p.49).
da combinação de diferentes conjuntos de conhecimentos” (ibid., 2008, p.35). E, conforme
afirmam os autores, estes conhecimentos podem se manifestar “na forma de conhecimento
tácito, técnico, empírico, pode já existir, pode ser fruto de uma experiência ou pode ser
resultado de um processo de busca por tecnologias, mercados, ações da concorrência etc.”
(TIDD et al., 2008, p.35), podendo-se dizer que estas combinações impactam nas novas
formas de produção do conhecimento para a geração de inovações.

4 O PAPEL DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO NESTE CONTEXTO

Considerando o contexto de mudanças e transição da sociedade da informação para a


sociedade do conhecimento, onde não é, “nem o efeito dos computadores e do processamento
de dados, ou a formulação de políticas públicas e estratégias” (DRUCKER,2002, p.170) que
pesa sobre a tomada de decisões e sim, a informação e o conhecimento sobre a natureza das
coisas, o papel da ciência da informação no contexto da produção do conhecimento cientifico,
tecnológico e organizacional é de fundamental importância. Assim, dado que a Ciência da
Informação é considerada um “campo interdisciplinar, principalmente preocupado com a
análise, coleta, classificação, manipulação, armazenamento, recuperação e disseminação da
informação” (ARAÚJO, 2009, p.201), vale ressaltar que neste processo, agilidade e tempo é o
que conta uma vez que “o tempo é perecível e não pode ser armazenado” (DRUCKER,
2002,p.92), portanto, mais do que se ocupar com os processos de coleta, seleção, avaliação e
armazenamento das informação, que são processos importantes, a compreensão de como se dá
a construção do conhecimento nestas esferas adquire um nível de importância significativo.
Além das formas de produção do conhecimento elucidadas neste artigo, que podem
servir como referência para a Ciência da Informação, uma das formas de compreender como
se dá este processo é aquela apresentada por Nokaka e Takeuchi (2008, p.60) ao tratarem da
criação do conhecimento e seus modos de conversão, denominada por eles de processo SECI7,
que se refere ao ciclo de conversão do conhecimento e que segundo os autores faz parte do
núcleo do processo de criação do conhecimento.
Nesta percepção, embora segundo Nonaka e Takeuchi (2008) exista uma nítida
distinção entre conhecimento e informação, uma vez que “a informação consiste em
diferenças que fazem a diferença (BATESON, 1979, p.5 apud NONAKA; TAKEUCHI, 2008,

7
SECI: Socialização; Externalização; Combinação; Internalização. Cuja conversação ocorre da
seguinte forma: i) de conhecimento tácito para conhecimento tácito, chamado de socialização; ii) de
conhecimento tácito para conhecimento explícito, ou externalização; iii) de conhecimento explícito
para conhecimento explícito, ou combinação; e iv) de conhecimento explícito para tácito, ou
internalização” (NONAKA; TAKEUCHI, 2008, p.60).
p.56) e o conhecimento consiste em “uma função de uma determinada instância, perspectiva
ou intenção, baseada em crenças e compromissos” (NONAKA: TAKEUCHI, 2008, p.56), o
valor do conhecimento e da informação aportada nele passa a ter um significado e
desempenho fundamental na medida em que estejam adequados às necessidades de quem os
demanda, desta forma, cuidar para que a informação esteja correta, atualizada, disponível e de
fácil compreensão para atender esta exigência das demandas, dá a elas um significado
relevante. No que se refere ao significado da informação no contexto das organizações, de
acordo com Choo (2006, p.27) na administração atual existem três arenas distintas onde a
criação e o uso da informação desempenham papel fundamental em uma organização e
merecem, portanto, atenção. Tratam-se, conforme Choo (2006) de informações consideradas
estratégicas e que atuam nos seguintes contextos de uma organização: “primeiro, a
informação utilizada para dar sentido ao ambiente externo, relacionadas às forças e dinâmicas
do mercado; a segunda arena é aquela que a organização cria e processa a informação de
modo a gerar novos conhecimentos por meio do aprendizado” (CHOO, 2006, p.28). E a
terceira arena de uso estratégico da informação, também relevante para o desempenho de uma
organização, é aquela em que [...] as organizações buscam e avaliam informações importantes
para a tomada de decisão” (CHOO, 2006, p.29). Este contexto insere a Ciência da Informação
em um patamar de multidisciplinaridade indo além das questões processuais, de
procedimentos e rotinas, para a produção e geração de conhecimentos e conteúdo, se
apropriando dos conhecimentos necessários para a compreensão dos processos de geração de
conhecimentos científicos, tecnológicos e organizacionais, adquirindo, desta forma, uma vasta
dimensão das áreas temáticas de interesse, uma vez que “a extensão e a diversidade dos
campos de atuação da Ciência da Informação permitem diferentes olhares para sua definição e
constituição enquanto área de conhecimento” (Souza; Stumpf, 2009, p. 42) e para as opções
de atuação enquanto ciência trans e multidisciplinar, extrapolando o paradigma de atuação
intra e extramuros, esta é uma proposta olhar para a atuação com open user innovation para a
área da Ciência da Informação no contexto da produção do conhecimento cientifico,
tecnológico e organizacional e sua relação com esta ciência.
Desta forma, a compreensão de que, conforme Hippel (2010) open user innovation se
trata do deslocamento da ocorrência da inovação para extramuros, ou seja, a inovação
acontece a partir das necessidades dos usuários, observando a “disponibilidade e uso da
informação necessária para exploração básica dos processos de desenvolvimento de produtos
e serviços” (HIPPEL, 2010, p.418) e observando que “usuários têm conhecimentos diferentes
devido à assimetria de informações” (ibid., 2010, p. 418), oportuniza a geração de conteúdos
em parceria com o demandante, a inovação nos processos de trabalho e proporciona a
aprendizagem coletiva, trazendo impactos na forma de produção do conhecimento para
âmbitos de discussão.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante da proposta de conceituar ciência, tecnologia e inovação sob o ponto de vista


da produção de conhecimentos para a geração de inovações e contextualizar os impactos das
novas formas de produção de conhecimentos para este fim, considerando as abordagens do
cientifico, tecnológico e organizacional e sua conversão em inovação, entende-se que o
propósito de apontar a relação de multidisciplinaridade entre estas áreas, trazendo a ciência,
tecnologia e inovação para o contexto organizacional e informacional foi atendido. Diante
destas prerrogativas, entende-se ainda que as reflexões apresentadas, desde o raciocínio lógico
e empírico de Bacon (1561-1626) até a visão sistêmica de produção do conhecimento tático e
explícito de Nonaka e Takeuchi (2008) proporcionam um exercício de amplitude de visão
para a interação de áreas diversas, incluindo a Ciência da Informação, necessárias para a
atualidade. Desta forma, considera-se que o novo conhecimento é criado por meio da síntese,
como processo contínuo e dinâmico que reconcilia e transcende os opostos, gerando
questionamentos sobre: Como o novo modo de produção do conhecimento impacta na
geração da inovação nos âmbitos cientifico, tecnológico e organizacional? E neste ponto de
reflexão, faz-se um paralelo à Estrutura das Revoluções Científicas de Kuhn (2011), as
questões relacionadas ao desenvolvimento de um “conhecimento normal” não explicam a
mudança no conhecimento e nas suas “revoluções”, emergindo do conhecimento existente um
novo conhecimento, uma vez que “todo paradigma tende a atingir, em algum momento, seu
ponto de exaustão intelectual” (Kuhn, 2011, p.14), gerando novos corpos de conhecimentos,
assim, as formas de produção de conhecimento existentes evoluem para novas formas de
produção do conhecimento sob diversas perspectivas de forma contínua. Considera-se ainda,
que a interação da ciência, tecnologia e inovação com a Ciência da Informação é uma questão
premente que pode ser avaliada sob o aspecto da multidisciplinaridade, uma vez que a Ciência
da Informação está inserida como área de conhecimento no contexto da ciência e da
tecnologia, produzindo conteúdo das mais diversas naturezas, necessitando porém, dedicar,
enquanto disciplina um olhar mais acurado para estas questões de dentro para fora, o que
amplia o universo de atuação dos seus profissionais.
Contribuindo com este entendimento, retoma-se o debate de Snow (1959) sobre as
divergências de entendimentos de papéis e responsabilidades sociais das culturas científica e
humanas, criando a expressão “duas culturas”. Segundo Snow (1959), as razões da existência
das duas culturas são muitas, profundas e complexas; algumas enraizadas em histórias sociais,
outras em histórias pessoais e outras ainda na dinâmica interna das diferentes formas de
atividade mental. Assim, nos desafios do papel da Ciência da Informação na produção de
conhecimentos e utilização da informação cientifica e tecnológica para a geração de inovação
pode-se inferir que existem “duas ou mais culturas”, tentando, cada uma a seu lado, executar
ações que estão direcionadas ao entendimento de conceitos e definições, particularmente de
inovação que tem características “sui generis” e que só é considerada como tal se gera algum
retorno para o seu realizador. É preciso a busca pela convergência, pois, não raro se
encontram cientistas de um lado dizendo que os profissionais da informação não fazem seu
papel e, estes, a seu lado rebatendo a mesma coisa, e não se pretende com esta proposição,
apresentar juízos de valor, no entanto, se não houver total integração dos atores envolvidos, o
processo como um todo, não se consolida.

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