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O bem é eterno

MARJORIE B. McKIBBIN
Da edição de maio de 1985 dO Arauto da Ciência Cristã

Todo o bem que se expressa em nossa experiência humana é eterno. Não podemos perdê-lo nem dele ficar

separados. Por que isso é verdadeiro? Porque a bondade origina-se em Deus e flui continuamente para nós desde

essa fonte inexaurível.

Parece-nos que perdemos o bem porque tendemos a identificá-lo como exclusivo, em vez de divino e totalmente

inclusivo. Ficamos propensos a achar que o bem nos vem por meio de uma pessoa ou talvez de uma corrente

acidental de acontecimentos. Ora, Cristo Jesus disse: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um só, que é

Deus.” 1 O mais elevado representante humano do verdadeiro homem recusou-se a ver no bem mera possessão

pessoal. Na verdade, o bem pertence só a Deus e é refletido por Sua idéia, o homem.

Na medida em que compreendermos que Deus é o bem, o único bem, veremos que toda alegria, sabedoria, justiça,

suprimento, integridade, amor, apoio, estabilidade ou companheirismo que já tenham abençoado nossa vida,

evidenciam a presença de Deus em nossa experiência humana. Compreendamos que essa bondade é permanente e

então não poderemos perdê-la!

Meu pai faleceu subitamente, quando eu era jovem. Era muito apegada a ele, mas graças à compreensão de que Deus

é a fonte de todo o bem, obtida em meus anos na Escola Dominical da Ciência Cristã, pude, de imediato, ver que o que

eu amava nele, a sabedoria, o bom-senso, a orientação, a estabilidade, etc., era evidência de Deus.

Essas não eram suas qualidades exclusivas, mas qualidades de Deus e, portanto, universais e eternas. E tive provas

de que o eram. Essa foi uma cura instantânea de pesar, sem lágrimas, tristeza ou sentimento de separação ou perda.

Grande parte dessa demonstração deu-se graças à orientação cuidadosa e contínua que recebi de meu pai em meu

desenvolvimento na Ciência Cristã.

Com o passar do tempo, porém, deixei essa clara percepção da realidade espiritual obscurecer-se. Isso ficou óbvio

quando, há poucos anos, várias pessoas de meu relacionamento faleceram no curto prazo de alguns meses. A cada

vez sentia-me certa de ter entendido a continuidade ininterrupta do bem, mas o efeito cumulativo do luto parecia, por

fim, esmagar-me e tive de aprofundar-me espiritualmente a fim de provar essas verdades.


Um amigo chegado e Cientista Cristão experiente alertou-me para a falha em meu raciocínio, quando disse: “Na

verdade, é bem simples. Você pode acreditar na Vida, Deus, ou crer na morte. Está tentando acreditar em ambos, e

isto causa confusão.” Reconheci-o e, de imediato, comecei a sentir paz e cura. Ainda assim, tinha de ir mais fundo!

Lembrei-me de ter aprendido, anos antes, que não se pode vacilar entre dois pontos de vista diametralmente opostos e

sair-se bem. O Cientista Cristão que me explicou isso, ilustrou-o com a história do cavaleiro no circo que cavalga dois

cavalos ao mesmo tempo, firmando-se com um pé em cada um. Enquanto os cavalos seguirem na mesma direção,

tudo bem. Mas se os cavalos forem em direções opostas, haverá problemas. A declaração da Sra. Eddy no livro-texto

da Ciência Cristã, Ciência e Saúde, veio-me ao pensamento: “Para raciocinar corretamente deve estar presente no

pensamento um só fato, a saber, a existência espiritual. Na realidade, não há outra existência, porque a Vida não pode

ser unida à sua dessemelhança, a mortalidade.” 2Ciência e Saúde também nos diz: “Na Ciência da Mente raciocinamos

partindo da causa para lhe achar o efeito e começamos com a Mente, a qual tem de ser compreendida através da idéia

que a exprime e que não pode ser percebida através de seu oposto, a matéria. Chegamos assim à Verdade, ou a

inteligência, que desenvolve sua própria idéia infalível e nunca pode ser coordenada com as ilusões humanas.” 3 A luz

começou a despontar. Entendi que o controle absoluto e bondoso de Deus — Sua bondade incomparável — fazia parte

vital de minha experiência.

Procurando no Glossário do livro-texto a explicação de “luto” e não a encontrando, chamou-me a atenção a definição

de “manhã”: “Luz; símbolo da Verdade; revelação e progresso.” 4

Então percebi claramente que o luto é uma forma de autopiedade, voltada totalmente ao “eu” e não a Deus. Que

obstáculo há, em tal pensamento, ao influxo da luz e do bem celestiais! O que tinha de ser aceito como realidade eram

a onipresença e perpetuidade de Deus, o bem. A cura completou-se.

Nosso suprimento do bem não depende de nenhuma pessoa, e, sim, apenas de nossa própria compreensão do

relacionamento invariável que temos com Deus. Seu suprimento infinito do bem é adequado para enfrentar qualquer

desafio com que alguém se possa haver, seja falta de companheirismo, falecimento de um ente querido, ou algum

problema financeiro, físico ou social. Não é meramente nosso próprio esforço ou o de outra pessoa que atende à nossa

necessidade, mas a abundância do Espírito, sempre presente, onde quer que estejamos e sejam quais forem as

circunstâncias.

Reconhecer em todo o bem, onde e quando este apareça, a evidência direta da presença constante de Deus, é algo

sagrado que abençoa e eleva nossa experiência muito acima das expectativas humanas normais. Tal visão espiritual
nos mostra que o bem assenta num fundamento indestrutível e permanente, o qual nunca perdemos. O Salmista nos

assegura que “a bondade de Deus dura para sempre” 5 . E Ciência e Saúde o diz da seguinte forma: “Cada fase

sucessiva de experiência desenvolve novas perspectivas de bondade e amor divinos.” 6

Regozijai-vos sempre.

Orai sem cessar.

Em tudo dai graças.

1 Tessalonicenses 5:16–18

1
Lucas 18:19. 2
Ciência e Saúde, p. 492. 3
Ibid., pp. 467–468. 4
Ibid., p. 591. 5
Salmos 52:1. 6
Ciência e Saúde, p. 66.